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FÓRUM RIO DE DESENVOLVIMENTO

ALERJ

Saúde e Desenvolvimento
O Complexo Econômico-Industrial da Saúde: contribuição para uma
Agenda para o Desenvolvimento do Rio

Carlos A. Grabois Gadelha


Coordenador das Ações de Prospecção da Presidência da Fiocruz e Líder do
Grupo Pesquisa “Desenvolvimento, Complexo Econômico-Industrial e Inovação em
Saúde” (CP/GIS - ENSP/PR - Fundação Oswaldo Cruz | Fiocruz)

Rio, 24 de Agosto de 2020


Saúde e Desenvolvimento
• Perspectiva social: saúde como direito, cidadania e “projeto de
sociedade”
• O SUS no contexto da retomada do papel do Estado na garantia dos direitos
universais
• Equidade social e regional
• Necessidade de convergência de um conjunto amplo de políticas

• Perspectiva econômica e da inovação


• Saúde como uma área estratégica da sociedade de conhecimento
• Bloqueios estruturais advindos da 3ª/4ª Revoluções tecnológicas e da
globalização assimétrica
• Papel crescente nas relações internacionais e na geopolítica global

• Perspectiva ambiental
• Sustentabilidade do desenvolvimento
Desenvolvimento: relação das dimensões
econômicas e sociais

Transformações Econômicas, nos Sistemas Produtivos e


de CT&I

Transformações Sociais, Políticas e Institucionais


Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS)
Uma Abordagem Sistêmica da Produção e Tecnologia em Saúde

Setores Industriais Brasil/Saúde


• O Maior Sistema
Estado: Promoção + Regulação

Indústria de base química Indústria de base mecânica,


e biotecnológica: eletrônica e de materiais : Universal do Mundo
• Medicamentos; • Equipamentos de base (em termos da
• Fármacos; mecânica e eletrônica população)
• Vacinas; • Órteses e Próteses;
• Hemoderivados; • Materiais especiais • PIB: 9%
• Reagentes para • Dispositivos para
diagnóstico diagnóstico • Emprego: 7 milhões de
empregos diretos
• P&D: 30% do esforço
nacional
• Alto potencial de
Serviços em saúde estimular emprego e a
economia
Hospitais Diagnóstico Ambulatórios Atenção Básica
• Área-chave da 4a
Revolução Tecnológica

Fonte: Gadelha et al, 2020 (divulgação autorizada após publicação), a partir de Gadelha, 2003
Balança Comercial Brasil CEIS (1996/2019)
Descompasso entre o acesso universal e o sistema de
produção e tecnologia Importações de
(US$ Bilhões, atualizados pelos preços dos EUA) ventiladores pulmonares

• 1999: US$ 9,72 milhões


20
Bilhões

15 • 2019: US$ 52,22


milhões
10

5 • Vulnerabilidade
0 tecnológica do SUS
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019
-5
• Poder Econômico e
-10 Político Assimétrico
-15
• Mais de 90 nações
-20
estabeleceram
Exports Imports Deficit
barreiras às
Fonte: Elaborado pelos autores com base na metodologia desenvolvida pela Coordenação de Atividades de Prospecção da Presidênc ia/SIG/Fiocruz, com base em dados do Comex exportações em saúde,
Stat/MDIC. Acessado em janeiro/2020.
incluindo países
desenvolvidos
Fonte: Gadelha et al, 2020 (divulgação autorizada após publicação),
Desenvolvimento e Bem-Estar no Contexto da
Revolução 4.0
Impactos: Manufatura avançada e a Indústria 4.0

• Grande heterogeneidade dos impactos: Impactos distintos nos países, Impactos distintos
no tempo, Impactos distintos nos setores, Impactos distintos sobre a força de trabalho,
Conflitos distributivos, Automação, emprego e educação

• Impactos sobre o trabalho: enormes dificuldades para realizar projeção, porém vários
estudos apontam relevante tendência:

• Oxford Marin School, sob responsabilidade de Carl-Benedikt Frey e Michael


Osborne, que calcularam que 47% dos empregos existentes nos Estados Unidos
são suscetíveis à automação (Frey e Osborne, 2013)

• Consultoria McKinsey - Entre as principais tendências, aponta que tecnologias de


automação, incluindo inteligencia artificial e robótica, afetarão 60% das ocupações
no mundo, considerando que pelo menos 30% do trabalho constituinte de
atividades poderá ser automatizado até 2030.

mudanças históricas superiores a transições anteriores que atingiram a agricultura e a


manufatura. Os cenários construídos sugerem: em 2030, 75 a 375 milhões de
trabalhadores (3 a 14% da força de trabalho global) precisarão mudar de categorias
ocupacionais
Assimetrias globais: propriedade intelectual em Saúde
A situação atual vai piorar se nada for feito.

As dez principais origens representaram 88% das


patentes publicadas. (EUA; China; Japão; Rep.
Coréia; Alemanha Suíça, França, Reino Unido e Países
Baixos e Israel)

Historicamente, o gráfico mostra que mesmo os


países de renda média-alta (exceto a China) são
marginais no jogo.

Fonte: Gadelha et al. (2020 – no prelo). Global Innovation Index (2020)


Assimetrias Globais no Padrão Tecnológico
Exemplo: Patentes no setor biofarmacêutico

Empresa País patentes % acumulado

BAYER AG DE 11,63 11,63


JOHNSON & JOHNSON US 6,72 18,36
SANOFI FR 6,06 24,42
ROCHE HOLDING AG CH 4,92 29,34
PFIZER INC US 4,39 33,73
MERCK & CO., INC. US 4,14 37,87
GLAXOSMITHKLINE PLC GB 4,02 41,89
NOVARTIS AG CH 3,47 45,36
AKZO NOBEL NV NL 3,16 48,52
ABBOTT LABORATORIES US 2,78 51,29
MERCK KGAA DE 2,58 53,88
SOLVAY SA BE 1,89 55,76

TAKEDA PHARMACEUTICAL CO., LTD. JP 1,84 57,6

ASTRAZENECA PLC GB 1,83 59,43


ELI LILLY AND COMPANY US 1,78 61,2

Fonte: CP-NIET, 2020 no prelo)


Abordagem Sistêmica de Articulação Intersetorial nas
políticas de desenvolvimento

Poder de
Compra do
Financ. Estado Regulação
e Incentivos à
Sanitária e
inovação
Econômica

Acesso,
Suporte Produção e Política
Comercial
Tecnológico
Inovação em
Saúde
Política de
Propriedade
Pesquisa em
Intelectual
Saúde
Regulação da
Assistência

Fonte: Gadelha et al, 2019


(divulgação autorizada após publicação)
O Modelo das PDPs: uma experiência estratégica para o
desenvolvimento do CEIS

Encomenda Tecnológica Instituições


Ministério da
Públicas de
Saúde Principais impactos: Produção e CT&I
1. Redução da vulnerabilidade do SUS
2. Economia de recursos públicos com
acesso universal
Processos 3. Parcerias das Instituições Públicas ICTs Parcerias
com empresas inovadoras
Rotineiros de 4. Novos modelos de gestão:
Parques Tecnológicas
compras contratualização Tecnológicos Geração de
(operações 5. Marco legal seguro para as parcerias investimentos,
público-privadas de desenvolvimento
comerciais sem e transferência de tecnologia emprego, renda e
conhecimento e riqueza
tecnologia)

Empresas Privadas
Fonte: Gadelha, 2020 (divulgação autorizada após publicação)
FIOCRUZ
SISTEMA DE INOVAÇÃO INSTITUCIONAL
Articulação Estadual, Regional e Global

S
Pesquisa a
Pré - Testes Produção
e inovação
desenvolvimento
Desenvolvimento
Clínicos Scale-up Industrial ú
da Fiocruz
Serviços d
e
FIOCRUZ: um exemplo do potencial articulação do
desenvolvimento, Produção, CT&I e Saúde

1909: uma
revista para
Manguinhos

Oswaldo Cruz, seu filho Bento e Burle de


Figueiredo. 1910.

Adolpho Lutz, e sua filha Bertha.

Fonte: Acervo DAD-COC/FIOCRUZ


Desafios nacionais: CT&I para a Saúde

Fonte: Acervo DAD-COC/FIOCRUZ


Rio de Janeiro: desafio o potencialidade para a
retomada
Rio de Janeiro:
Evolução da participação da Indústria no Valor Adicionado
2002-2016, (%)
Peso da indústria fluminense no Valor Adicionado total do Estado era superior à média
nacional até 2015: reflexo da participação do setor extrativo no VA do estado do RJ.

30,0% 27,6% 27,8% 1,60


25,0% 25,0% 24,3% 1,42 1,40
25,0% 1,37 1,37 1,33 1,37
23,0%
21,9% 1,28 1,26 21,9% 21,5%
1,22 21,1% 1,20
20,1% 20,2% 20,5% 20,1% 19,6% 20,3%
19,9% 1,14 1,15
20,0% 19,1% 1,08 18,3% 18,2% 1,09
16,8% 1,02 1,05
16,5%
17,5% 17,1% 16,4% 1,00
15,7%
15,7%
14,4%
15,0% 13,5% 0,80
0,74
10,0% 0,60
10,0%
0,40
5,0%
0,20

0,0% -
2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Rio de Janeiro Participação Indústria no Valor Adicionado

Brasil - Participação Indústria no Valor Adicionado

Peso Indústria (comparação RJ/BR)

Fonte: Elaborado pelo NIETI-UFF a partir de dados da PIA-


IBGE. Divulgação apenas com autorização da Coordenação.
Gráfico. Participação do Complexo da Saúde no total das remunerações na
Região metropolitana do Rio de Janeiro

Equipamentos médicos;
Farmacêutica; 9,07% 0,22%

Comércio
Varejista; 13,43%

P&D experimental;
11,18% Serviços de Saúde;
66,12%

Fonte: Parceria FIOCRUZ/NIET/UFF- Elaboração a partir de dados da RAIS


Participação relativa do setor farmacêutico na
indústria brasileira, fluminense e grau de
especialização da indústria farmacêutica fluminense –
2007-2014
5,00% 3,00

4,50%
2,59
2,50
4,00% 2,37 2,40

3,50%
1,96 2,00
3,00% 1,79 1,83
1,68 1,67
2,50% 1,50
4,40%
2,00% 3,96% 4,10%

1,00
1,50% 3,18%
2,84% 2,72% 2,84% 2,86%

1,00%
0,50
0,50%
1,67% 1,58% 1,83% 1,63% 1,58% 1,62% 1,55% 1,71%
0,00% -
2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014

VBP ind transf/farma BR-RJ VBP Ind transf/farma RJ ER - farma RJ


Participação do Estado do Rio de Janeiro no setor
farmacêutico nacional -2017

São Paulo
% Unidades Locais % Valor Bruto da Produção
Rio de Industrial São Paulo
Janeiro
Minas Gerais Rio de
Janeiro
1,3% Rio Grande
1,5% 0,4% Minas Gerais
1,1% 0,5% 0,1%
1,6% do Sul
2,6% 1,3% Rio Grande
3,2% Paraná 0,7%
2,9% 5,1% do Sul
3,6% Paraná
Goiás 1,1%
5,3%
Goiás
Santa
6,9%
44,3% Catarina Santa
6,7%
Pernambuco Catarina
11,5% Pernambuco
7,6%
Bahia
68,0% Bahia
9,9%
Ceará
Ceará
Piauí
10,8% Piauí
Outros Outros
Gráfico 15. Distribuição dos grupos de pesquisa por área no estado do Rio de Janeiro
Distribuição de Bolsas de Pós-graduação no Brasil por
Estado - 2019
SP 9436
11605
RJ 4693
5197
RS 4612 5112

MG 4453
4342
PR 3840
3379
demais estados 4386
2526
SC 1969
1925
PE 1476
1486
PB 12731700
BA 1466
1154
DF 987
1072
CE 1134
1072
PA 1226
946
RN 1098
915
GO 7801028
MS 728
543

0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000

MESTRADO DOUTORADO PLENO


Fonte: Geocapes
Rio de Janeiro
Potencial e Desafios - (Nível Estratégico)
▪ Saúde como oportunidade e desenvolvimento na sua dimensão social e econômica

▪ Temos potencial de participar ativamente do desenvolvimento em saúde não sendo apenas


um mercado consumidor de tecnologia

▪ O Complexo Econômico Industrial da Saúde como uma área estratégica e oportunidade


para o desenvolvimento do Rio: construir novas bases de competitividade para o futuro

▪ Concentração de Instituições e pessoas com potencial de influenciar políticas nacionais e


de Instituições de fomento

▪ Espaço de inteligência e conhecimento para articular redes nacionais de desenvolvimento


nacional com adensamento tecnológico e produtivo vinculado aos desafios da sociedade e
do Estado do Rio de Janeiro

▪ Necessidade de uma ação integrada e sistêmica de Estado: articulação do poder de


compra, financiamento, base de CT&I, política de pesquisa, entre outras

▪ Articulação da política para o desenvolvimento do CEIS no Rio com as políticas nacionais


Rio de Janeiro
Potencial e Desafios (Infraestrutura produtiva e tecnológica)
▪ Potencial Cientifico com grande concentração de ICTs (UFRJ, UFF, FIOCRUZ, UNIRIO,
UERJ, Institutos de Pesquisa, etc)

▪ Instituições públicas de produção industrial e tecnologia com potencial de estabelecer


articulação com setor empresarial: FIOCRUZ, IVB, Produtores do Ministério da Defesa,
INT, etc

▪ Institutos Nacionais e Rede Qualificada de Serviços Qualificados em Saúde: INCA, INC,


INTO, IFF-INI/Fiocruz, HUPE/UERJ

▪ Empresas de bens e serviços com base tecnológica relevante (biotecnologia,


farmoquímica, pesquisa e engenharia biomédica, pesquisa clínica etc)

▪ Necessidade de articulação de instituições públicas e o setor produtivo com efetiva


cooperação na inovação, na transferência e no desenvolvimento de tecnologias em
âmbito regional e nacional
Complexo Econômico-Industrial da Saúde
Integra a dimensão social com a econômica do desenvolvimento

Perspectiva Geral

O Bem-Estar pode
ser uma alavanca para o
desenvolvimento e não Direitos
Produção
restrição Sociais
Inovação
Coletivos
Conhecimento
Criar condições para Cidadania
integração virtuosa entre as
dimensões endógenas do
desenvolvimento
CEIS 4.0
Geração de conhecimento
Saúde e Desenvolvimento Instituições Científicas e Tecnológicas

Hiperconectividade Sistêmica
e Social
Complexo Econômico-
Articulações
Industrial da Saúde
sob a orientação de uma
Setores Serviços
estratégia nacional
Industriais de Saúde

• Ciência-Produção
• Serviço-Indústria
Inovação
• Estado-Mercado Incorporação Tecnológica
• Regulação-Atenção
• Indivíduo-Sociedade
• Inovação-Acesso universal
Desenvolvimento Econômico
e Social

Fonte: Gadelha (2020 – no prelo)


Por uma Agenda de Produção e de CT&I Baseada no Grandes Desafios da
Sociedade: Inserção Virtuosa do Rio de Janeiro
Necessidade de mudança “para a frente” no paradigma de Política Industrial e de Desenvolvimento:
dinamismo, conhecimento e equidade

• Saúde e qualidade de vida


• Alimentos
• Educação
• Vida nos territórios (cidades saudáveis e conectadas)
• Mobilidade urbana e transportes
• Infraestrutura do futuro (TI, Conectividade, Energia, etc)
• Cultura, turismo e vida social
• Meio ambiente
Obrigado

Carlos A. Grabois Gadelha