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Cap.

03 – Informação, Tecnologia da Informação e Sistema de


Informação

3.1 INFORMAÇÃO, DADO E COMUNICAÇÃO

Informação é o dado que foi processado e armazenado de forma compreensível para seu receptor e que
apresenta valor real ou percebido para suas decisões correntes ou prospectivas, conforme Davis. 1

Dado é o registro puro, ainda não interpretado, analisado e processado.


Comunicação é o processo de transmissão de informação e de compreensão que somente se efetiva
mediante uso de símbolos comuns.
Resumindo, informação é o dado processado de forma a ser entendido pelo receptor. A transferência de
informação é a comunicação.

3.2 CARACTERÍSTICAS DE UMA BOA INFORMAÇÃO

Para que uma informação seja considerada boa, ela deve preencher os seguintes requisitos:
•conteúdo; •relatividade;
•precisão; •exceção;
•atualidade; •acionabilidade;
•frequência; •flexibilidade;
•adequação à decisão; •motivação;
•valor econômico; •segmentação;
•relevância; •consistência;
•entendimento; •integração;
•confiabilidade; •uniformidade de critério;
•oportunidade; •indicação de causas;
•objetividade; •volume;
•seletividade; •generalidade etc.

3.3 VALOR DA INFORMAÇÃO

O conceito de valor da informação está relacionado com:

a) a redução da incerteza no processo de tomada de decisão;


b) a relação do benefício gerado pela informação versus o custo de produzi-la;
c) o aumento da qualidade da decisão.

O fundamento do custo da informação faz parte dos princípios fundamentais de contabilidade, razão por
que não nos alongaremos sobre esse aspecto fundamental. O sistema de informação contábil deve ser
analisado na relação custo-benefício para a empresa. Segundo Oliveira,  “O SIG (Sistema de Informação
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Gerencial) deve apresentar uma situação de custo abaixo dos benefícios que proporciona à empresa.”
O valor da informação reside no fato de que ela deve reduzir a incerteza na tomada de decisão, ao
mesmo tempo que procura aumentar a qualidade da decisão. Ou seja, uma informação passa a ser válida
quando sua utilização aumenta a qualidade decisória, diminuindo a incerteza do gestor no ato da decisão.
Sabemos também que, quanto mais informação está ao nosso dispor, maiores as chances de reduzirmos a
incerteza na tomada de decisão. Porém, sabemos, também, que qualquer informação tem um custo. Assim, é
possível que o volume ideal de informações para determinada tomada de decisão exija um custo muito alto
para obtenção dessas informações.
Dessa forma, é necessário encontrarmos uma relação adequada: o mínimo de informação necessária para
reduzir a incerteza e aumentar a qualidade da decisão, ao menor custo possível. Em outras palavras, o custo
de obter as informações deve ser sempre menor do que o benefício gerado pela decisão baseado nessas
informações obtidas. Esse é o verdadeiro valor da informação.

3.4 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

Tecnologia da informação é todo o conjunto tecnológico à disposição das empresas para efetivar seu
subsistema de informação e suas operações. Esse arsenal tecnológico está normalmente ligado à informática
e à telecomunicação, bem como a todo o desenvolvimento científico do processo de transmissão espacial de
dados.
O conceito de Tecnologia da Informação (TI) é mais abrangente do que os de processamento de dados,
sistemas de informação, engenharia de software, informática ou o conjunto de hardware e software, pois
também envolve aspectos humanos, administrativos e organizacionais.  Adotamos a visão deste autor,
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considerada como o conceito amplo de TI, dizendo “adota-se o conceito mais amplo de tecnologia da
informação, incluindo uso de hardware e software, telecomunicações, automação, recursos multimídia e
demais recursos envolvidos – quer centralizados, quer descentralizados – sem deixar de considerar os
sistemas de informação, serviços, negócios, usuários e as relações complexas envolvidas”.
O conceito de TI – Tecnologia de Informação entende que a informação (seus sistemas, recursos etc.)
deve fazer parte de uma estrutura em nível estratégico das empresas. A informação não deve limitar-se a
administrar os recursos internos, mas ultrapassar as fronteiras da empresa e integrar-se sistemicamente com
fornecedores, clientes etc., sendo, portanto, a TI, fator chave de competitividade.
Walton  esclarece sobre TI:
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“Do modo como é utilizada nos locais de trabalho, a tecnologia da informação abrange uma gama de
produtos de hardware e software que proliferam rapidamente, com a capacidade de coletar, armazenar,
processar e acessar números e imagens, para o controle dos equipamentos e processos de trabalho, e para
conectar pessoas, funções e escritórios, tanto dentro quanto entre as organizações.
Na fábrica, a TI engloba os instrumentos de manufatura (ex.: robôs, sensores e dispositivos automáticos
de teste), movimentação de materiais (sistemas de armazenamento e busca automática), desenho
(desenho, engenharia e planejamento de processos assistidos por computador), planejamento e controle
(planejamento das necessidades e recursos de manufatura) e gestão (sistemas de suporte a decisão). As
implementações de TI vão desde as ilhas de automação ou outras tecnologias isoladas, até os sistemas
integrados de manufatura, que interligam as atividades de desenho, manufatura, movimentação de
materiais e planejamento e controle.”

A TI de escritório inclui o processamento de textos, arquivamento automático, sistemas de


processamento de transações, conferência eletrônica, correio e quadro eletrônicos, videoteleconferência,
programas de pesquisa em banco de dados, planilhas eletrônicas, sistemas de suporte para decisões e
sistemas especialistas. Esta lista é mais representativa que exaustiva, e pretende fornecer uma ideia da
diversidade da TI nas organizações.

3.5 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E ECONOMIA DIGITAL

Alguns pesquisadores têm colocado como referência para o desenvolvimento científico nos próximos
anos, voltado para a comunicação e a informação, o conceito de economia digital.
O conceito do “mundo” digital e da economia digital está lastreado nos grandes avanços já acontecidos
da mudança da base analógica para comunicação de informação, para a base digital.
A base analógica trabalha em transmitir sinais envolvendo lógica, números e o alfabeto. Precisa de meios
de transmissão de sinais com maior complexidade tecnológica.
Com a revolução digital, sons, imagens e informações são recodificados na base digital binária,
processados e reprocessados em termos unicamente digitais.
O fundamento da economia digital é a base binária, que deu origem ao primeiro computador. A base
binária trabalha com a codificação de números utilizando apenas o número 1 e o número 0. Todas as
informações, imagens e sons, são recodificados em termos de 1.0, ou 0.1, e em todas suas combinações
possíveis, tipo 101, 001, 111, 000, 10010 etc.
Em linhas gerais, o meio transmissor pega a informação, o som ou a imagem e recodifica digitalmente na
base binária. Feito isso, o dado (informação, som ou imagem) é transmitido por meio de um sistema de
comunicação. Ao final da transmissão, o meio receptor recodifica os dados digitais binários, e retransforma-
os na informação original, reproduzindo, então, a informação, o som ou a imagem similarmente ao original
enviado.

3.6 HISTÓRICO DO DESENVOLVIMENTO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E A


QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

A Figura 3.1 mostra a evolução da Tecnologia da Informação, considerando as vertentes de informática e


telecomunicações ao longo do último século, partindo do surgimento do computador e do telefone.  Essa 5

figura corrobora a noção de que a tecnologia da informação é mais abrangente do que sistemas de
informação, processamento de dados e informática.

Figura 3.1 Evolução da Tecnologia da Informação.


O extraordinário avanço da tecnologia da informação nos últimos anos, com um grau enorme de
abrangência de sua utilização em praticamente todos os segmentos de atividades da sociedade, permitiu que
os estudiosos caracterizassem o atual momento tecnológico como a “quarta revolução industrial”.  As quatro
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revoluções são as seguintes:

PRIMEIRA REVOLUÇÃO
Inovações: máquina a vapor e mecanização inicial da indústria têxtil.
Ano referencial: 1777.

SEGUNDA REVOLUÇÃO
Inovações: exploração de petróleo, desenvolvimento da energia elétrica.
Ano referencial: 1850.

TERCEIRA REVOLUÇÃO
Inovações: automação de processos, primeiros robôs e uso de computadores.
Ano referencial: a partir de 1970.

QUARTA REVOLUÇÃO
Inovações: simulações virtuais, inteligência artificial, realidade aumentada, impressão 3D.
Ano referencial: a partir de 2010.

As principais e atuais tecnologias da quarta revolução industrial são as seguintes:

BIG DATA
Análise de um grande volume de dados gerados por sensores para a descoberta de padrões que podem
ser usados, por exemplo, para prevenir falhas.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Automatização de decisões e criação de uma leva de robôs cooperativos.

INTERNET DAS COISAS


Ligação em rede de máquinas e aparelhos, permitindo a troca de informações entre eles.

REALIDADE MISTA
Usada com óculos especiais ou smartphones para visão raios X de máquinas, facilita a manutenção.

IMPRESSÃO 3D
Impressão de peças e objetos com plástico e outros materiais. Possibilita economia de materiais e
agilidade na produção.

SIMULAÇÃO VIRTUAL
Conhecida também como gêmeo digital, a simulação em computador usa dados reais para a criação de
cenários e melhorias de processos.
É impossível prever, hoje, quais os avanços que teremos dentro desta quarta revolução industrial, tal o
poderio do atual estágio da tecnologia da informação. Contudo, como o avanço tecnológico sempre foi
benéfico para a humanidade, as inovações sempre serão importantes para a sociedade.

3.7 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E SUA INTERAÇÃO NA ORGANIZAÇÃO

Walton  entende que a estruturação da informação e os sistemas de informações são tão importantes que
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a TI é fator determinante na competitividade da companhia, já que, além de sua utilização como elemento-
chave na administração dos recursos, a política de TI equipara-se, em nível estratégico, com o papel da
definição dos negócios e da própria organização. O autor coloca a TI no que ele denomina de “triângulo
estratégico”. O triângulo estratégico é composto por: estratégia de negócios, estratégia da
organização e estratégia de TI. Na visão de Walton, cada uma das estratégias influem nas demais, de forma
inter-relacionada.

Figura 3.2 O triângulo estratégico.

Na concepção de Walton, a Tecnologia da Informação é uma das vertentes do que ele chama Triângulo
Estratégico, tal a importância que este autor dá a esta tecnologia. Assim, a estratégia adotada de TI deverá
influenciar a estratégia a ser adotada para definir a organização, bem como afetará a estratégia a ser adotada
para os negócios da empresa. Como são componentes que se inter-relacionam, a estratégia de negócios
poderá influenciar decisivamente na decisão da estratégia de TI e da organização. Identicamente, uma
decisão de organização será fundamental para a implementação de estratégia de TI e de negócios.

3.8 SISTEMA DE INFORMAÇÃO

Conforme Gil,  “Sistemas de Informação compreendem um conjunto de recursos humanos, materiais,


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tecnológicos e financeiros agregados segundo uma sequência lógica para o processamento dos dados e a
correspondente tradução em informações.”
Conforme Wash e Roberts, 9

“Sistema de Informação é uma combinação de pessoas, facilidades, tecnologias, mídias, procedimentos e


controles, com os quais se pretende manter canais de comunicações relevantes, processar transações
rotineiras, chamar a atenção dos gerentes e outras pessoas para eventos internos e externos significativos
e assegurar bases para a tomada de decisões inteligentes. ”
Em resumo, podemos definir sistema de informação como um conjunto de recursos humanos, materiais,
tecnológicos e financeiros agregados segundo uma sequência lógica para o processamento dos dados e
tradução em informações, para, com seu produto, permitir às organizações o cumprimento de seus objetivos
principais.

3.9 ELEMENTOS DE UM SISTEMA DE INFORMAÇÃO

Dentro da Teoria Geral dos Sistemas, o sistema de informação tem seus componentes de forma similar.
Desta maneira, os elementos de um sistema de informação são:

• objetivos totais do sistema;


• ambiente do sistema;
• recursos do sistema;
• componentes do sistema;
• administração do sistema;
• saídas do sistema.

3.10 SISTEMA DE INFORMAÇÃO CONTÁBIL

A ciência contábil traduz-se naturalmente dentro de um sistema de informação. Poderá ser arguido que
fazer um sistema de informação contábil com a ciência da contabilidade é um vício de linguagem, já que a
própria contabilidade nasceu sob a arquitetura de sistema informacional.
Desta maneira, o sistema de informação contábil é o grande sistema de informação dentro da empresa.
Nos Capítulos 11 e 12, abordaremos especificamente a contabilidade e seu sistema.

3.11 DIVULGAÇÃO DE INFORMAÇÕES EMPRESARIAIS (XBRL) 10

A intensificação do processo de globalização da economia tem sido o fenômeno responsável pela


necessidade de harmonização e padronização de diversos conceitos, princípios e práticas em todas as áreas
do conhecimento. No âmbito das práticas de contabilidade, já está havendo a convergência das práticas mais
utilizadas no mundo, que são as práticas contábeis norte-americanas, genericamente denominadas Princípios
Contábeis Geralmente Aceito nos Estados Unidos (US GAAP), expressas pelos pronunciamentos FASB –
Financial Accounting Standards Board, e as práticas utilizadas basicamente pelos países europeus,
denominadas Normas Internacionais de Contabilidade, expressas pelo International Financial Reporting
Standards (IFRS).
Outro processo de padronização é a necessidade de se estabelecerem critérios e instrumentos que
permitam a regulamentação e a existência de um adequado fluxo de informações empresariais entre
empresas e a sociedade. As informações empresariais do tipo contábil-financeiro representam o subconjunto
que tem sido mais fortemente submetido a um processo de padronização em nível internacional.
O Extensible Business Reporting Language (XBRL) é resultado deste fenômeno de padronização para
transferência de informações empresariais e contábeis. Toma por base a tecnologia Internet, e utilizando as
tecnologias Extended Mark up Language (XML), banco de dados, redes, entre outras, torna-se a opção ideal
para a construção de taxonomia que consegue expressar, adequadamente, tanto do ponto de vista semântico
quanto tecnológico, os dados e informações contábil-financeiros de qualquer tipo de instituição, seja pública
ou privada.
Com sua flexibilidade, permite que os mesmos padrões contábeis na divulgação de informações
empresariais sejam seguidos por todos os países e em sua própria língua, e, ao mesmo tempo, estabelece uma
relação de correspondência entre as taxonomias nacionais, de tal maneira que os dados de uma empresa em
um país possam ser convertidos diretamente na taxonomia de um outro país sem qualquer perda de
significado.
A linguagem XBRL reúne várias tecnologias afins para que profissionais ligados a área de Tecnologia de
Informação e Finanças possam construir um vocabulário de termos financeiros próprio para o intercâmbio de
informações financeiras na Internet. Esta linguagem deverá ser o padrão universal para o intercâmbio de
informações financeiras entre organizações, governo, investidores etc.
A Figura 3.3 (SILVA, p. 9) mostra como o processo de intercâmbio da informação financeira poderá
tornar-se bastante simplificado, pois a modificação de formatos da informação original ocorre apenas uma
vez para o formato XBRL, e, em seguida, a informação poderá ser reutilizada e distribuída automaticamente
e de uma só vez para quaisquer formatos.

Figura 3.3 Fluxo de Informação com XBRL: reduz redirecionamento da informação e custo de transformações
sucessivas de formatos.