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IFCE- CAMPUS TABULEIRO DO NORTE

Professor João Cesar


Aluno Cauã Victor Sales
Disciplina geografia♥️

Assunto: Epidemia e o que ela tem em comum com


o que tamos estudando?
CUm vírus letal paralisa o bairro, depois a cidade, o país e parte do planeta. Ninguém

sabe como contê-lo. O medo se alastra na mesma velocidade. Ruas ficam desertas,

melancólicas. Cidades inteiras entram em quarentena e fronteiras são fechadas.

Isolamento domiciliaO mundo afunda em uma crise financeira sem precedentes

enquanto cientistas buscam métodos para debelar a doença de origem incerta que

desrespeita limites geográficos. Fake news contaminam a população.

O roteiro acima, tirado de filmes como Epidemia (1995), Contágio (2011) e Flu (2013),

encaixa-se na realidade imposta ao mundo pelo corona vírus Até as 11h desta quinta-

feira (2), a covid-19 havia infectado quase um milhão de pessoas e matado perto de

50 mil, sobretudo na Itália, na Espanha, nos Estados Unidos, na França, na China e

no Irã.

Exageros à parte, a ficção retrata diferentes maneiras de formação e contenção de epidemias, além

de dar pinceladas sobre o papel da população nesses episódios. Nos longas-

metragens Epidemia e  Contágio, os vírus motaba e MEV-1 têm origem animal, como

provavelmente teve a covid-19. A gênese do coronavírus não está confirmada, mas há suspeitas de

que tenha surgido de um desequilíbrio no hábitat de morcegos, que infectaram pangolins e passaram

o vírus aos humanos, esclarece o cientista Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de

Virologia:

 — O que acontece, geralmente, é que esses vírus estão estáveis na natureza, sem causar doença no

seu hospedeiro. Mas a gente vai lá destruir o hábitat dos animais. Assim, espécies vivem mais perto

umas das outras, forçando uma transmissão entre elas até chegar ao ser humano. Contágio retratou

muito bem isso, mostrando um porco comendo o resto de banana de um morcego.

 — Na busca por adaptação ao hospedeiro, o vírus sofre mutações. O hospedeiro, por sua vez, tenta

se livrar e ambos vão sempre evoluindo. O grande problema é quando o vírus se adapta ao homem

de tal forma que pode ser transferido entre humanos. Quando isso acontece, pode começar uma

epidemia  — complementa Paulo Michel Roehe, professor do Departamento de Microbiologia,

Imunologia e Parasitologia do Instituto de Ciências Básicas da Saúde da


No filme Epidemia, o dono de uma loja de animais adoece quando o macaco hospedeiro, retirado

ilegalmente da floresta, o fere no braço. A cena poderia ser real, alerta Spilki, pois uma mordida ou

até o contato com a saliva dos bichos é suficiente para a transmissão de doenças.

 — Os animais são trazidos para a sociedade pela caça, para utilização em cultos religiosos ou para

criação em cativeiro, o que pode ser fatal — pontua.

Mas nem tudo o que os roteiristas levam para o cinema tem base científica. Em O Enigma de

Andrômeda (1971), um personagem arranca um pedaço de pele para se descontaminar. Roehe, que

estuda vírus há mais de 40 anos, assegura que, independentemente da forma de contaminação, a

atitude não faz sentido:

 — Lava-se bastante o local com água e sabão para eliminar os vírus que possam estar na ferida e

procura-se um médico imediatamente. Nada de automutilação. Isso não vai funcionar na vida real.

Ainda no filme Epidemia, é despendido esforço hercúleo para capturar o primata que carrega o vírus

no corpo e, a partir dele, produzir o antídoto que salvaria a população. Paralelamente, um general

sugere preservar o vírus para fabricação de uma arma biológica.

 — É importante saber a origem, de onde o vírus veio, onde estava na natureza para estratégias de

proteção futuras. Mas pegar o macaquinho para fazer a vacina não ajuda. Ela é feita de outra

maneira. Só uma pessoa muito maluca teria a ideia de fabricar uma arma biológica, né? Possível é,

mas o vírus fugiria de controle e em algum momento o seu próprio Exército seria atingido —

observa Spilki. — A não ser que se tenha a vacina pronta, mas aí seria uma viagem muito louca.

Falando em vacina, pesquisadores fabricam e distribuem uma quantidade limitada em apenas 90 dias

em Contágio. Apesar de concordar com a possibilidade de produção em três meses, Roehe, da

UFGRS, explica que a complexidade vem depois, na hora de testá-la, uma das tantas etapas

anteriores à distribuição. Teria que injetar o vírus inativado (morto) – ou mesmo uma proteína dele –

em um grupo de humanos e ver qual reação teria em comparação com outra parcela não vacinada.
— E isso leva muito tempo. Fala-se numa vacina para o coronavírus em um ano e meio, pelo menos,

o que é considerado rápido. Claro, às vezes a urgência obriga que se coloque no mercado algo que

não esteja 100% testado — afirma Roehe.

Spilki colabora lembrando que há outras doenças recentes, como o zika vírus que, apesar de ter

surgido em 2015, ainda não tem antiviral específico.

E, para quem sempre se perguntou como são feitas essas imunizações, o professor da UFRGS

explica: a forma mais tradicional de fabricá-las é injetando o vírus inativado no corpo e, assim,

induzindo o organismo a montar um mecanismo de defesa. Não se faz isso com o vírus vivo, porque,

obviamente, corre-se o risco de ele se multiplicar no organismo mais rápido do que a produção de

anticorpos, causando doenças.