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ENTRE O

REPÚDIO E O
DIVÓRCIO?

D r . A ldery N elson
R ocha
3 a . E dição

A b I
f VP N
ENTRE O REPÚDIO E O DIVÓRCIO
© 1991-1999-2011 ‫ ־‬2016
Categoria: Para leitura devocional e meditação pessoal (degrande ajuda na preparação
de estudos bíblicos e sermões, especialmente para estudos em Seminários Teológicos,
Escolas Bíblicas, Escolas Dominicais e outros meios de estudo da Teologia Bíblica).
Editor e Autor: Dr. Aldery Nelson da Silva Rocha
Gerente Editorial: Reginaldo Souza
Avaliação e produção dos textos originais: Alderyjúnior
Equipe de Revisão e participação especial:
Reginaldo Souza, Antonio Garcia Filho
Consultores Teológicos: Antonio G. Filho, Lucifrances Tavares
Projeto Gráfico e Diagramação: Francisco Moreira de Miranda, Aldery Nelson Ro-
cha

Os textos bíblicos desta obra são extraídos


da Versão Di Nelson 2011. Usado com a devida permissão.
Registros de direitos autorais: Certificate issued under the seal ofthe Copyrig-
th Office in accordance with title 17, United Sates Code: TXU868-135, Library
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O comentário desta obra é dedicado ao estudo devocional e ao estudo
coletivo em Seminários e Institutos Teológicos em língua portuguesa.
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2
...... í n d i c e IB—
Capítulo 1 .
A Concessão Apostólica 1G /
Capítulo 2 ,
0 Consenso. ReDúdio e Divórcio 121
Capítulo 3 ‫ן‬
0 que Deus luntou... 145
Capítulo 4 ‫ן‬
O que Deus não juntou 165
Capítulo 5
0 Violador de Mentes e Corpos 81
Capítulo ó
Lutando pelo Original 91
Capítulo 7 ,
As Segundas Tábuas I* * !
Capítulo 8 ,
\.Gerando
1eranuu Antes
Allies do
uu Tempo
lempu u 2 1
Capítulo 9
A idade do Casamento 1137
Capítulo 10
Trazendo a Costela 1147
A ldery N elso n R o ch a

Capítulo 11
A Mulher F.tíope de Moisés 1157
Capítulo 12
Deus no Banco dos Réus 1175
Capítulo 13
Os Nossos Santos Fariseus 1193

3
Dr. Aldery Nelson Rocha
Natural: Belém-PA
0 Dr. Aldery Nelson Da Silva Rocha, natural de Belém do Para, Brasil, nasceu em julho de 1962, desde 7 anos
de idade prega a Palavra de Deus por influência de seus país, Mariae Aldery. Desde seus 14 anosfoi matriculado
do Seminário Amazônico, uma extensão do Instituto Pentecostal de Pindamonhangaba, e em 1978 logrou a
sua primeira graduação teológica, e depois vieram muitas outras, como 0 seu Bacharel em Teologia pela EPOE,
pela Faculdade GAMALIEL/Universidade Federal do Pará e 0 Mestrado pela Escola de Preparação de Obreiros
Evangélicos, Campo de São Cristóvão, em 1980, e seu primeiro Doutorado em Divindade pelo L.L.College,
Illinois, USA, 1987, entre outros. Foi missionário nos EUA por dezessete anos e no México por dez anos.
Escreveu dois bestsellers, Cavalos de Fogo, 1991, e Patrulheirosdo Hades, 1994, e depois outros grande
temas: “Meu amigo, Espírito Santo”, “TemploseTabernáculos",“Conhecendoa Deus", “Crentes Piratas”, “A
Mulher Etíope de Moisés”, “Embreagai-vos de Amor”, “Quando a Consagração é um voto de falência”, entre
outros. Em quase trinta anos de trabalho árduo terminou a tradução dos textos bíblicos do VTe NT, aos quais
adicionou comentários em todos os 66 livros, obra que deu origem à BRDN, Bíblia Revelada, Versão Di Nelson.
Tem graduado através do Seminário Teológico, International Seminary Hosanna and Bible School, Corp., Flo-
rida, USA, maisde 30.000 líderes ao redor do mundo. 0 Dr. Aldery é o esposo de Anete Rocha. É pai de Eights
Rocha que é esposa do mexicano Armando Alvarado Enriquez, e pai de Aldery Nelson Rocha Jr, que é líder na
Igreja Mais de Cristo em Florianópolis, junto com sua esposa, a missionária mexicana Janet Elizabeth Rocha, e
pai de Mattews Di Nelson e de Michael Di Marcus. É membro do Ministério da AD no Brasil, no Belenzinho,
São Paulo, cujo líderepastor é o Dr. José Wellington da Costa, São Paulo, Brasil e atualmente ministrana ADM,
junto ao pastor Carlos Goulart. Hoje, o Dr. Aldery Nelson ministra em vários lugares do mundo, especialmente
no Centro de Convenções do SH1, em São Paulo, onde ensina os livros da Biblia, verso por verso, a centenas de
líderes que hospedam-se na Escola, onde por três dias aprendem a como interpretar a Biblia expositivamente.
Já foram estudados os livros de Gênesis, Êxodo, Neemias, Salmos, Jó, Daniel, os livros proféticos menores,
Mateus, Marcos, João, Atos, Romanos, 1 Corintios, Hebreusemuitosoutros. Você está convidado a participar
conosco destes grandes eventos. O Dr. Aldery Nelson também ministra vários Cursos Teológicos à distância em
aliança fraternal para o ensino teológico com diversos líderes brasileiros e hispanos das Igrejas Assembléia de
Deus, Batistas, Metodistas, Presbiterianas, Quadrangular, Palavra Viva; seuscursossão gravados previamente
no Centro de Convenções, ao vivo, dos quais milhares de líderes ao redor do mundo já desfrutaram através dos
sites lojadopregador.com.br, meujesus.com.br e hosannabibleschool.com.

4
I. A verdade que incomoda

N este livro faço questão de ser objetivo.


Você vai aprender algo novo sobre a doutrina
da concessão apostólica. Antes de tudo damos
uma leve pincelada para refrescara mente sobre
o presbitério e o apostolado a fim de plantara
doutrina da concessão apostólica. Também vai
ver como um homem pode ir atrasando a vida
de uma mulher por não se decidir em cumprir
o propósito emocional de Deus em suas vidas.
Vai ver como uma mulher pode lutar pelo seu
originalsem perderseu marido. Vaiver também
o que quer dizer repúdio e como 0 consenso
entre duas pessoas desfaz o pacto evitando a
maldição de ficar solteiro para 0 resto da vida
em nome de uma doutrina estabelecida de for-
ma errada. Verá claramente que há casamentos
indissolúveis, mas que precisam ser adubados e
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renovados. Verá que Deus luta por casamentos


assim, epuneosquepretendemsepará-los. Verá
que o medo de perder o marido ministro pode se
tornar criativo e em realidade. Verá como pode
uma semente estancar-se na vida de um homem
que sabe que sua esposa está ali à sua disposi-
ção, mas nunca se dispõe em tomá-la. Veráaqui
como livrar-se de um violador e também apren-
derá como conhecê-lo. Infelizm ente também
se dará conta que muitas mulheres e homens
estão casados com violadores. Terá aqui conse-
5
Introdução
Itios de como se livrar da triste realidade que o
assola:a prisão em nome da religião. No capítulo
“A Segunda Pedra ”verá como é duro perder o
primeiro trem do propósito original e ter que
reescrevê-lo no monte de Deus. Uma das glórias
deste livro é descobrir o que é o tempo da vida
e como desfazer-se deAgarpara gerar Isaque e
conhecer que Deus também ordena a separação,
quando Isaque não pode herdar com Ismael. Lá
pelos meandros do livro conhecerá qualéa idade
do casamento, uma pequena amostra do nosso
novo livro: “Embriagai-vos do Amor”. Um pe-
queno estudo sobre a impaciência do Gamo que-
rendo entrarpelasgrades. No capítulo “tirando
a feminilidade do hom em ” você vai aprender
por que Deus abomina a prostituição de forma
ciara e objetiva, e aprenderá como plantar uma
semente para ver nascera sua esposa. Uma ofer-
ta?Sim Leia o livro e verá. A coroa do livro será
vista quando estiver lendo sobre a mulher etíope
de Moisés. Neste capítulo aprenderá a não mur-
murar enquanto não souber o que aconteceu nos
bastidores desconhecidos da vida de Moisés.

O Autor

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Capítulo 1

A
Concessão
Apostólica e a
Visão de Paulo
“Digo isto, porém, como que por concessão e não por mandamento.
Todavia, aos casados, mando não eu, mas o Senhor, que a mulher não se
aparte do marido; mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão
tem mulher incrédula, e ela consente em habitar com ele, não se separe
dela” (1 Co 7:6,10,12).
Nosso objetivo neste capítulo é mostrar que a doutrina da conces-
são apostólica faz-se necessária quando 0 mandamento (escrito) e a
consciência (moral) não respondem (1 Co 7:6).
Antes de tudo observemos nestes versos, citados em cadeia, pro-
curando ver as observações pessoais que faz 0 Apóstolo Paulo, “não
por mandamento, mas por concessão”, “digo eu”, “não 0 Senhor”. É
muito difícil iniciar um assunto polêmico sabendo que 0 nosso povo
pouco sabe sobre a doutrina dos cinco ministérios, que inclui os mi-
nistérios de apóstolo (geralmente 0bispo), profeta, evangelista, pastor
e mestre (Ef 4:11,12). Há muita coisa que impede a compreensão
neste assunto; uma delas é a falta de luz sobre a doutrina dos cinco
ministérios.
Se não entendermos a doutrina das diversidades, não enten-
deremos 0 que é concessão apostólica; então teremos dificuldades
para crer nas decisões que somente os líderes espirituais maduros e
experimentados podem tomar. Assim, devemos compreender que
há a doutrina das diversidades (1 Co 12:4-6) que inclui as diversidades
de dons (1 Co 12:4), mas 0 Espírito é 0 mesmo. Há diversidade de
ministérios (1 Co 12:5), mas 0 Senhor é 0 mesmo. Há diversidade de
operações (1 Co 12:6), mas Deus é 0 mesmo que opera todas as coisas.
Há diversidade de membros (1 Co 12:20), mas 0 corpo é 0 mesmo.
Entenda que há diversidade de dons (1 Co 12:4), mas 0 Espírito é
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0 mesmo. Os dons estão divididos em várias classificações. Os Dons


estão divididos em dons naturais, tais como vocações, inclinações e
dons natos. São meios de sobrevivência de cada personalidade e de
cada temperamento. Há também os dons espirituais que são as capa-
citações dadas pelo Espírito Santo para as realizações daquilo que é
útil e para proveito comum; alguns deles estão em 1 Corintios 12:7.
Finalmente, há os dons ministeriais que são pessoas espirituais
preparadas por Deus como ministros e dados como dons de Deus à
Igreja, isto é, ao corpo de Cristo. É assim que lemos em Efésios 4:11:
9
“0 mesmo deu uns para...”. Assim entendemos que (1) os dons na-
turáis foram dados para a pessoa. (2) Os dons espirituais foram dados
para 0 corpo e seus membros, para dirigirem 0 bom desempenho do
corpo inteiro.
Os dons ministeriais são cooperadores de Deus e trabalham com
Deus. Assim como 0 Filho, 0 Pai e 0 Espírito Santo eram cooperado-
res na criação do homem, os ministros são cooperadores de Deus
para a construção do edifício de Deus, a Igreja (1 Co 3:9; Ef 2:21).
Eles trabalham de parte em parte, pois não somos completos em nós
mesmos. Por isso não recebemos a recompensa de uma vez. O que
diz a Bíblia? (1 Co 3:8): “Cada um receberá 0 seu galardão conforme
0 seu trabalho”. Mas todos receberão 0 seu galardão! Deus não fica
devendo nada a ninguém. Os cinco ministérios são os dons ministe-
riais para a Igreja. São as juntas e ligaduras (Ef 4.16):"... por todas as
ligaduras que se ajudam mutuamente, segundo a atividade própria
de cada membro, recebem 0 seu crescimento para irem ediflcando-se
em amor”. Isto quer dizer que os dons ministeriais foram dados para
( 1)0 aperfeiçoamento dos santos (dos membros); (2) para a obra do
ministério (fazer discípulos); (3) para a edificação do corpo de Cristo
(a fim de terminá-la).
O labor dos cinco ministérios é preparar 0 corpo para assumir a
sua posição de autoridade no Reino de Deus, imediatamente depois
do arrebatamento (SI 149:5-9). O objetivo final dos cinco ministérios
é (1) a Unidade da Fé; (2) 0 pleno conhecimento do Filho de Deus;
(3) 0 estado de homem feito; (4) a medida da estatura da plenitude de
Cristo; (5) crescer em tudo naquele que é a cabeça, bem ajustado (Ef
4:16; Cl 2:19): “Bem concertados e unidos pelas juntase ligaduras,
vão crescendo com 0 aum ento concedido por D eus”.
Quando há diversidade de dons há diversidade de ministérios. É
muito grande a diferença entre os dons e os ministérios.
• Os dons são manifestações da capacitação do Espírito em
determinado membro para proveito de todos.
• Os ministérios são serviços que se tornam 0 resultado da ma-
nifestação eficiente dos dons.
• Os dons são capacidades dos membros (mãos, pés e ouvidos).
10
• Os ministérios dos membros (m ãos batendo palm as, p és
andando, ouvidos ouvindo). O resultado da manifestação
eficiente dos dons através dos membros.
• Os ministérios dos servos são resultados do trabalho eficiente
deles (não dos seus dons, ou não só de seus dons), inteiros no
corpo de Cristo.
• Domé a capacidade recebida.
• Ministério é a execução desse dom para cumprir 0 dever que
foi recebido pelo servo.
Por último, as diversidade de operações são as formas criativas do
executivo, em nome de Jesus. É tudo aquilo que 0 ministro declarar,
criar ou estabelecer em nome do Senhor Jesus para proveito da fé, dos
fiéis e para a glória do Senhor Nosso Deus. Uma diversidade de opera-
ção está ligada às palavras que Paulo disse: “digo eu, não 0 Senhor”;
elas são aprovadas por Deus e usadas na ocasião de demandas ou de
expectação por uma palavra revelada; também são resultados de uma
atitude sobrenatural do ministro com 0 fim de resolver uma demanda
quase insolúvel.
A falta de conhecimento dos membros a respeito dos cinco mi-
nistérios propicia a falta de respeito ao líder que é 0 enviado de Deus
para a sua congregação local; sem este conhecimento os fiéis jamais
compreenderão os temperamentos, as visões e as atitudes do seu
líder. Quando os membros têm conhecimento a respeito dos diversos
tipos de ministérios que há, avaliam de modo justo 0 labor de seu
pastor. Assim, há mais respeito oferecido aos outros ministérios. Os
ministérios em si são diferentes e atuam de acordo com 0 seu caráter
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pessoal ou com 0 temperamento do ministro.


Dentro do Corpo de Cristo há espaço de atuação para os cinco
ministérios, e cada um dos diversos ministérios manifesta-se pelo
seu temperamento. Os diversos títulos que conhecemos, tais como:
bispo, presbítero e ancião, na verdade significam 0 mesmo, mas têm
diferentes funções e é por isso que têm vários significados. Os anciãos
eram incluídos como os líderes do povo, da mesma forma como os
levitas e os sacerdotes. Mas apenas 0 sumo sacerdote era 0 bispo; só
um dos levitas era 0 sumo sacerdote, e os líderes do sacerdotes e os
11
líderes do povo eram equivalentes aos presbíteros.
Moisés, 0 profeta que estava sobre eles era tipo de Cristo, que é
0 Bispo dos bispos. Moisés e Arão eram presbíteros, mas somente
Moisés era 0 bispo dos bispos. Na maioria das igrejas tradicionais,
todavia, há perseverança nesses erros teológicos. Por exemplo, em
uma igreja rica em doutrina, de uma história maravilhosa, dirigida
por homens dignos, a hierarquia infelizmente ainda é assim: Pastor
é título, quando na verdade é uma função. O certo seria 0pastor usar
como título a palavra “ministro”, ou “presbítero”, pois é um “ancião”
como Moisés chamava aos líderes do povo. O evangelista é 0 segundo
tipo, está abaixo do pastor, mas na Bíblia é ministro. Segundo a Bíblia
os diáconos servem à mesa (operando a beneficência), e os ministros
servem ao púlpito, pela Palavra. É tamanha a verdade que há obreiro
(evangelista ou presbítero) que procura os títulos, que vive “triste”
porque ainda não foi “consagrado” a pastor. Ele já tem uma grande
função (evangelista ou presbítero), mas por vaidade pessoal quer
trocar esta função por um título.
Todo grande ministério é resultado de um grande apostolado.
Este homem de Deus que deu a sua vida, estabeleceu princípios e
doutrina, ordenou e indicou a outros, fundou congregações, estabe-
leceu e fundou igrejas é um apóstolo de nossos dias. Este homem tem
autoridade de Deus para dizer como 0 apóstolo Paulo: “digo eu, não
0 Senhor”. Este frase, “digo eu”, não é carnalidade do Apóstolo, mas
demonstra que 0 homem de Deus é respeitado pela sua vida e, con-
sequentemente, tem autoridade de Deus para determinar e decidir
sobre uma demanda em nome do Senhor. Este homem tem autorida-
de para conceder, estabelecer perdão, aconselhar, determinar, ligar e
desligar. Os presbíteros são os cinco ministérios entre eles, e 0 bispo é
aquele que representa a igreja local em um corpo apostólico; é aquele
que representa a igreja em geral; e entre esses um é eleito como voz
plural. O bispo é 0 líder comum entre os iguais.
Ministro se unge e se ordena, mas a função se elege. No bispado da
Igreja primitiva, primeiramente foi Pedro, depois Tiago (pela ausência
dos demais) e depois Paulo (sem nunca haver assentado na cadeira
de Tiago). Como 0 evangelista está no mesmo nível do ministério
pastoral, pois é um dos cinco, também é presbítero. Por outro lado
12
é impossível desconsiderar o bispo como ministro apostólico. Os
ministérios são representados por um bispo, mas as congregações são
representadas pelos presbíteros, que, bíblicamente, na maioria das
vezes são representadas pluralmente. O bispo é o prim us in ter pares
(o primeiro entre os iguais).
Noventa por cento de nossos líderes optam pelo autoritarismo,
pelo triunfalismo e pelo separatismo. Tudo o que a lei, isto é, o manda-
mento escrito, não define, aclara ou estabelece a consciência julga e
elege. Mas se a consciência for corrupta e cauterizada não terá poder
para julgar ou decidir absolutamente, embora o apóstolo Paulo a deixe
como opção em Romanos; mas é aqui, então, que entra a concessão
apostólica. A concessão apostólica é uma doutrina pouco conhecida
entre os ministros; é o único meio de decidir uma questão quando o
Escrito e a Consciência silenciam.
A concessão apostólica é a autoridade que 0bispo ou presidente da
igreja (como é mais conhecido, não todos) tem para decidir qualquer
demanda. Originalmente, há casos na Bíblia que requerem a presença
até de autoridades civis e religiosas (Dt 21). Por isso, a concessão apos-
tólica é um modelo de decisão nos dias da graça, da mesma forma que
0 patriarca, 0 juiz, 0 rei, 0 sacerdote e 0 profeta foram quando Deus
falou primeiramente a nossos pais (Hb 1:1).
Pessoas vão chegar ao gabinete pastoral com perguntas permissi-
vas, isto é, questões que produzirão imediata fuga por meio de fraseo-
logias comuns. Infelizmente há psicólogos incrédulos que respondem
muito mais sabiamente, além de ponderar com saber, às situações
diversas que envolvem crises matrimoniais de todos os tipos. A psi-
cologia cristã indica que 0 homem é um ser espiritual (tem espírito
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humano), é um ser psíquico (tem alma), e um ser sensorial (tem um


corpo humano ligado a uma mente central).
A concessão apostólica é bíblica. Todos os modelos de relaciona-
mento do Antigo Testamento tiveram a oportunidade de executar
a doutrina da concessão. Por isto que Paulo disse: “digo como que
por concessão e não por mandamento”. Ele queria dizer, “digo-vos
pelo poder de concessão que tenho, não que 0 mandamento tenha
alguma coisa escrita sobre 0 assunto”. Paulo tratava de um assunto
novo que se apresentava com a cultura legal entre a sociedade e a
13
igreja dos corintios. Há muitos casos em que a cultura contradiz-se
com a doutrina cristã, e nesse caso a autoridade apostólica deve ser
estabelecida com uma resposta sábia, trazendo paz em toda disputa.
É a concessão apostólica que 0 marido não abandone injusta-
mente (“repudie”) a mulher que com ele vive. Em 1 Corintios 7 os
problemas matrimoniais dos casados bem como daqueles que vivem
juntos são resolvidos baseados em concessão apostólica. Leia 0 texto
primeiramente entendendo isto.
M atrimônio, celibato e os princípios diretivos do
matrimônio:
( 1 ) 0 marido e a mulher:
1 Corintios 7:1 : “Ora, quanto às coisas de que m e escre-
vestes, seria bom que 0 hom em não tocasse em m ulher;
mas, por causa dafornicação, cada hom em tenha a sua pró-
pria mulher, e cada m ulher tenha 0 seu próprio marido. ”
Os deveres conjugais: 1 Corintios 7:3:0 marido renda à mu-
lher 0 seu dever conjugal devido, e igualmente a mulher ao marido.
μ pe 3:7! A ilegalidade da auto-satisfação sexual na ausência ou na
presença do cônjuge. O casamento é a instituição mais completa
da Igreja. O livro de Cantares tem sido estudado do ponto de vista
sumamente espiritual e todos os seus versículos são aplicados a
um relacionamento entre Cristo e a Igreja. Na verdade, existem
tipos profundos desse romance e sua realidade, por isso são mais
fáceis de espiritualizar-se. Escrever sobre este assunto, aplicando-o
a Cristo e à sua amada Igreja na verdade é mais fácil; mas 0 livro de
Cantares se aplica originalmente ao relacionamento entre 0 marido
e a mulher. Se entendermos os profundos ensinamentos que nele
se estabelecem, teremos claramente meios para viver uma vida
melhor, com muito mais clareza, entendendo perfeitamente 0 fato
de termos uma nuvem de testemunhas em nosso relacionamento
matrimonial. Essas testemunhas são celestiais (1 Co 11:10), são
anjos. No princípio do primeiro livro da Bíblia está escrito: “Adão e
Eva estavam nus e não se envergonhavam”. Estavam no Jardim do
14
Éden e Deus os visitava cada tarde. Revela o papel do sacerdote no
Tabernáculo. Isso fala de urna vida de intimidade entre o homem, a
mulher e Deus. Cantares é esse relacionamento triúno - a presença
de Deus (o centro de adoração) e o jardim (o local de todo aquele
culto ao amor e à vida). O relacionamento deles termina no altar de
Deus. Eles não iam ao templo para levar seu culto. Deus vinha até
eles testemunhar a sua comunhão e fazer parte dela: 1 Corintios
7:4: A mulher não tem autoridade sobre 0 seu próprio corpo, mas
sim 0 marido; e, igualmente, 0 marido não tem autoridade sobre 0
seu próprio corpo, mas sim a mulher.
O perigo da abstenção sexual e a oração e 0 jejum dos prazeres.
As relações matrimoniais não são pecaminosas, mas a abstinência
serve para uma dedicação especial à oração: 1 Corintios 7:5: Não
vos priveis um ao outro, senão em comum acordo, por algum tempo,
a fim de vos dedicardes ao jejum e à oração e, depois, ajuntai-vos no-
vamente, para que Satanás não vos tente pela vossa falta de controle.
(Êx 19:15; I Sm 21:4,5; 1 Ts3:5)
O poder da concessão apostólica: 1 Corintios 7:6: Digo isto
por concessão e não por mandamento. (2c08:8> O dom apostólico e
0 domínio próprio de Paulo: 1 Corintios 7:7: Porque querería que
todo homem fosse como eu mesmo; mas cada um tem 0 seu próprio
dom da parte de Deus, um de um modo, e outro, de outro modo. (1
Co 7:8; 19:5; 12: ll;M tl 9; 12)
(2) Os solteiros. A opção do casam ento
aos jovens solteiros:
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1 Corintios 7:8,9: Digo, porém , aos solteiros e às viúvas,


que lhes seria bom se ficassem como eu. 11 co 7:1,26) M as, se
não podem dominar-se, casem-se. Porque é m elhor casar
do que estar ardendo por desejos íntim os. /1 Tm5:14>
O perigo da separação ou repúdio (Mt 5:31,32): 1 Corintios
7:10: Todavia, aos casados, ordeno, como mandamento, não eu,
mas 0 Senhor, que a mulher não se separe do marido; (M12:14;Mt5:32;
19:3-9;Mc 10:1 l;Lc 16:18)

15
(3) Os casados. O estado de repúdio é perigoso (Mt
5:31,32):
1 Corintios 7:11: “...mas, se vieraseparar-se, que fiquesem casar,
ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não repudie a sua
mulher.”
(4) Os amasiados. União marital não legalizada com uma
pessoa incrédula e o conselho de Paulo sobre a união ou
separação.
A situação de cada um nesse tipo de união íntima e os filhos que ñas-
cem dessa união: 1 Coríntios7:12,13:M as,aosoutros,digoeuenãoo
Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em viver
com ele, não a repudie. E se alguma mulher tem marido descrente, e ele
consente em viver com ela, não 0 repudie.
A união marital não legalizada. Não é uma santificação tal como a
efetuada por Cristo (Jo 17:19), para a salvação. Mas é uma santificação
do corpo físico por causa da semente física que há de nascer, para que
não aconteça 0mesmo que sucedeu em Gênesis 6:4,5, quando nasce-
ram aos filhos dos homens, filhos rebeldes e sem cobertura. Uma mani-
festação da graça no Novo Testamento: 1 Corintios 7:14,15: Porque
0 marido descrente é santificado em sua mulher, e a mulher descrente é
santificada em seu marido crente; de outro modo, os vossos filhos seriam
imundos; mas agora são santos, m 2:15)Mas, se 0 descrente se separar,
que se separe; porque, neste caso, 0 irmão ou a irmã não está sujeito à
servidão; pois Deus nos chamou para a paz. (Rm14:19; 1co 14:33!
O perigo do jugo desigual. A prática de grande tribulação da qual
Paulo fala (7:8): 1 Corintios 7:16: Pois, como sabes tu, ó mulher, se
salvarás a teu marido? Ou, tu, varão, como sabes se salvarás a tua mu-
lher? (1Pe3:1)
A condição matrimonial antes do novo nascimento: 1 Corintios
7:17: Assim, ande cada um como 0 Senhor lhe designou; cada um
como Deus 0 chamou. E isto é 0 que ordeno a todas as igrejas. (Rm12:3; 1
Co4:17; 14:33;2 Co8:18; 11:28)
A tipologia aplicada a essa condição (4a): 1 Corintios 7:18: Algum
de vós foi chamado estando circuncidado? Permaneça circunciso. Al-
gum de vós foi chamado na incircuncisão? Não se circuncide. (At 15:1,2!
16
0 poder do significado e não o poder da letra: 1 Corintios 7:19: A
circuncisão é nula; e também a incircuncisão é nula; mas o que importa
é agradar a Deus na observância dos seus mandamentos. (G15:6; 6:15;
Rm2:25).
O conselho, neste caso (4b): melhore o seu estado civil se houver
oportunidade: 1 Corintios 7:20,21,22: Cada um fique na condi-
ção em que foi chamado, p c07:24! Foste chamado quando ainda eréis
escravo? Não te aflijas; mas se ainda podes tomar-te livre, aproveita o
melhor. Porque aquele que foi chamado no Senhor, sendo escravo, já é
um liberto do Senhor; e assim também aquele que foi chamado sendo
livre, é servo de Cristo. tj08:32,36;Fm16;ε/6:6)
Saindo da escravidão dos homens e aproveitando para melhorar a
sua situação civile espiritual: 1 Corintios 7:23: Vós fostes resgatados
por um alto preço; mas não vos façais escravos de homens, p co0:20/
Novo conselho, neste caso (4c): que não se separem se estiverem
livres para casar-se: 1 Corintios 7:24: Cada um de vós, irmãos, perma-
neça na condição em que foi chamado.
(5) Os solteiros. Um conselho para os solteiros:
1 Corintios 7:25,26: Ora, quanto às virgens, não tenho mandamento
do Senhor; mas dou 0 meu parecer, como alguém que tem alcançado
misericórdia do Senhor para ser fiel. (2co8:8,10; 1m 1:13,16/Por causa das
angústias ocasionadas pelas exigências presentes, estou convencido
que fará bem aquele que permanecer como está. p C07:1,8!
(6) Casados e solteiros. Não é necessário procurar mulher
(Ct 1:7,8):
1 Corintios 7:27: Estás ligado a mulher? Não procures separar-te.
A ldery N elso n R o c h a

Estás livre de mulher? Não procures mulher.


(a) As tribulações do matrimônio:
1 Corintios 7:28: No entanto, se te casares, não pecas; e, se a virgem se
casar, não peca. Mais os tais enfrentarão tribulação na carne e eu deseja-
ria poupar-vos. A humildade de quem já é possuidor de alguma pessoa
ou coisa (7:35). O tempo é curto e aquele que quiser fazer algo na obra
de Deus entenda esse conselho: 1 Corintios 7:29: Mas, eu vos digo,
irmãos, que 0 tempo é curto; resta, pois, àqueles que têm mulher que
17
sejam como se não tivessem; /Rm 13:11, 12; 1c07:31)\ Corintios 7:30,31 : e
os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como aque-
les que não se alegram; os que adquirem, como se nada possuíssem; e
os que desfrutam deste mundo, como se dele não desfrutassem; porque
a aparência deste mundo é passageira. (1 co 9:18; 1j02:17j
(b) Os cuidados dos casados e dos solteiros
1 Corintios 7:32,33: Quisera, pois, que estivésseis livres de toda an-
siedade. O solteiro cuida das coisas do Senhor, de como há de agradar
ao Senhor; !1 rm5:5/mas aquele que é casado cuida das coisas do mundo,
de como há de agradar a sua mulher, e está dividido.
(c) Os cuidados da solteira e da casada. A solteira: Cuidar do
corpo e do espírito
1 Corintios 7:34,35: Pois há diferença entre a mulher casada e a
virgem. A virgem cuida das coisas do Senhor, para ser santa, assim no
corpo como no espírito; mas a casada cuida das coisas do mundo, de
como há de agradar ao marido. 1u 10:40!A decência tira toda pendência
e não envergonha: 1 Corintios 7:35: Eu digo isto para vosso proveito;
não para vos armar alguma cilada, senão para 0que é honesto e decente,
e para que, sem nenhum impedimento, assiduamente, vos dediqueis
ao Senhor.
(7) Caso especial das donzelas de idade avançada. Como Labão
fez com uma de suas filhas (Gn 29:21-31):
1 Corintios 7:36,37: Mas, se a alguém parece que lhe é vergonhoso
conservar a sua filha virgem, se ela estiver passando da idade de se casar,
e se for necessário, faça 0 que convém; pois não peca se a entrega em
casamento. (Cn29:26!Mas aquele que está firme em seu coração, sem ter
necessidade, mas tendo domínio sobre a sua própria vontade, e se de-
terminar no seu coração guardar virgem a sua filha, bem fará. Amulher
não deve ser instrumento de negócio, como era costume em Corinto:
1 Corintios 7:38: Pois aquele que dá a sua donzela em casamento, faz
bem; mas aquele que não a dá, faz melhor. (Dt22:13-21;
A mulher viúva e o jugo desigual
1 Corintios 7:39,40: Amulher casada está vinculada pela lei enquan-
to 0marido vive; mas se 0seu marido morrer fica livre para ser esposa de
18
quem quiser, contanto quesejanoSenhor.^m^; 2co0:;4 Porém, según-
do julgo, será mais feliz se permanecer viúva, e eu penso que também
tenho OEspírito de Deus. (Textogentilmente cedido pela SociedadeBíblica do Verbo,
da Biblia Revelada Di Nelson)

É a concessão apostólica que traz de volta Onésimo a Filemon.


É a concessão apostólica que o marido não abandone injustamen-
te a mulher que vive de forma estável com ele, mesmo sem casamento
(1C 07:M 6)
É a concessão apostólica que determina sobre a questão da comida
em contra-resposta àquilo que estava registrado na lei, isto é, que não
providenciava respostas às perguntas de uma igreja gentílica.
É a concessão apostólica que recebe a Paulo como apóstolo, mes-
mo tendo causado sofrimento a muitos cristãos em nome da Lei.
É a concessão apostólica que permite a Cristo comunicar-se com
a mulher samaritana, é a mesma concessão que recebeu a Maria
Madalena.
É a concessão apostólica que permite a José de Arimatéia continu-
ar no Sinédrio, depois de ter crido em Cristo.
É a concessão apostólica que permite a Nicodemos encontrar-se
à noite com Jesus.
É a concessão apostólica que mata os invejosos e mentirosos Ana-
nias e Safira, pelo poder da Palavra do juízo eterno.
É a concessão apostólica que tira Simão, 0 enganador, do lado de
Felipe.
É a concessão apostólica que circuncida a Timóteo, mesmo sendo
este filho de pai grego.
A ldery N elso n R o c h a

Em tudo aquilo que a Lei não pode responder ou mesmo aquilo


que a consciência não tem autoridade para julgar e decidir, a autori-
dade apostólica tem. A autoridade da concessão apostólica não fere
a Palavra escrita de Deus. Tudo 0 que está escrito e que esclarece 0
assunto não requer concessão apostólica.
No Antigo Testamento os modelos tais como 0 paterno, o patriar-
cal (uma bênção para Jacó em lugar da petição e dos rogos de Esaú);
0 modelo sacerdotal (0 dízimo de Melquisedeque a Abraão, que foi
aceito sem precedentes); 0 modelo profético (a quebra das primeiras
19
pedras e 0 novo escrito por Moisés); 0 modelo judicial (a atitude de
Samuel em ungir a Davi em lugar de Saul); 0 modelo real (a ordem
de cortar 0 bebê em dois pedaços, por Salomão, e as mudanças no
número de peças do Tabernáculo, por Davi) sempre usaram a conces-
são nos casos em que 0 mandamento não tinha resposta. Na verdade
a concessão é uma atitude definitiva fruto da sabedoria ministerial
em lugar da simples palavra de sabedoria; na verdade é 0 uso legal do
Espírito de Sabedoria.

20
Capítulo 2

O Consenso,
Repúdio e
Divórcio
O repúdio vindo do homem e de forma infiel (Ml 2:16) não res-
peita o acordo e nem o dignifica, pois o repúdio é cruel e não se im-
porta com os danos morais, não respeita as leis da vida e nem as leis
dos homens, muito menos as leis de Deus, porque o repúdio é frió
e desinteressado na felicidade de outrem; o repúdio prende e, por
conveniencia, jamais liberta.
Assim diz o Senhor: “Onde está a carta de divórcio (“apostasion”)
de vossa mãe, pela qual eu a repudiei (“apolouse”)? Ou, quem é 0meu
credor, a quem eu vos tenha vendido? Eis que por vossas maldades
fostes vendidos, e por vossas transgressões foi repudiada vossa mãe”
(Is 50:1). “Pois eu detesto 0 repúdio ( “traduzido erradam ente com o
divórcio ”), diz 0 Senhor Deus de Israel, e aquele que cobre de violên-
cia 0 seu vestido; portanto cuidai de vós mesmos, diz 0 Senhor dos
exércitos; e não sejais infiéis” (Ml 2:16). Aqui temos a própria declara-
ção de Deus a respeito de seu divórcio com sua esposa, Israel. Vemos
na declaração dois diferentes termos usados para repúdio e divórcio,
de maneira clara e de forma separada. Sobre estas duas palavras pe-
sam diferentes significados mormente confundidos pelos líderes em
todos os tempos como sendo dois termos com um único significado.
E por esta razão, milhares de pessoas vivem escravizadas sob 0poder
do repúdio razão pela qual milhares de seres humanos estão mortos
porque uma falsas interpretação do texto sagrado os matou.
Já em Deuteronômio 24:1,2, a base de Mateus 5:31 e de
Marcos 10:4, temos uma mulher divorciada saindo de sua casa com
a assinatura de um divórcio consensual dada pelo seu ex-seu marido,
tendo a liberdade para casar-se de novo, pois saiu livre da condição de
repudiada. Quem casasse com ela não cometería adultério pois já não
A ldery N elso n R o ch a

estava repudiada.
Podem os dois textos bíblicos se contradizerem? Queria Jesus
contradizer a Lei que veio cumprir? Não. Como se explica isto: “E
saindo de sua casa, poderá ir e casar-se de novo?” (Dt 24:2).
Por falta de conhecimento comete-se muitos erros na interpreta-
ção católica copiada por alguns estudiosos evangélicos. Por exemplo,
0 texto de 1 Timóteo 3 :2 nos diz que 0 ministro deve ser irrepre-
ensível e marido de uma só mulher; mas esse texto tem sido usado
por pessoas ignorantes para comprovar “que 0 ministro tem que ter

23
durante toda a sua vida uma só mulher”, colocando, no mínimo, todos
os viúvos que casaram de novo no Inferno. Mas sabemos que 0 texto
não está ensinando que 0 ministro não possa casar-se novamente, mas
sim que não deve ter duas ou mais mulheres ao mesmo tempo, ou seja,
não deve ser polígamo.
A idéia que temos nesse caso, imediatamente, é que aque-
le que se casou, depois de um primeiro casamento, não pode ser
ministro, mas está fora de cogitação. Outro texto de Lucas
1 6 :1 7 ,1 8 nos diz que todo aquele que repudiar a sua mulher e
se casar com outra, comete adultério. Os fariseus por sua vez per-
guntaram a Cristo se era lícito ao homem repudiar sua mulher
(Mc 10:2). A resposta de Cristo foi reveladora: “O que mandou
Moisés? Eles responderam: Moisés permitiu dar a carta de divór-
cio (“apostasion”) e repudiá-la (“apoluose”)”, (Mc 10:4). Mas
vejamos 0 que há nesse texto, no original grego transliterado:
M arcos 10:4: ...0 1 de eipan epetrepsen m ôu-
sês biblion a po stasio u grap sa i kai apolusai.
O repúdio é um estado que duas pessoas experimentam antes de
uma decisão de separação, antes da carta de divórcio e é um tempo de
muita vergonha, tristeza e decepção. Deus abomina este estado. Deus
não aceita que um homem mantenha a sua esposa sob esta escravidão.
Por outro lado, 0 texto de Deuteronômio 24:1, 2 nos diz que a
mulher que recebia carta de divórcio poderia ir e casar-se com outro.
O certificado de divórcio chegava depois de uma desgraça. Mas este
evento não podia acontecer ser sem provas, segundo 0 que temos regis-
trado no texto em referência (Dt22:14-19). O marido não poderia correr
0 risco de ser castigado, pagar multa altíssima e ainda perder a opção de
repudiaremqualquercircunstâncianegativaqueacontecesse(Dt22:19).
Todaacusaçãoseria julgada (as palavras geralmente usadas eram “ervauh”
= impudente, imundo advindo de enfermidade; em hebraico era: “ escan-
daloso”; então 0juiz autorizava a carta: “kereetooth”, hbr. = Certificado
de divórcio; 0 estado de separação antes da carta era conhecido como
“salaach”, hbr.= repúdio, deixar no caminho, despedir). Mas a despedida
era por meio da carta de divórcio: Deuteronômio 24:1: Quando um
homem desposar uma mulher, e se depois ele deixar de achar graça
em seus olhos, por ele ter descoberto nela algo impudente que produz
escândalo, escrever‫־‬lhe‫־‬á um certificado de divórcio, e entregar‫־‬lhe‫־‬á
em suas mãos e a despedirá de sua casa. (Mt5:31; 19:79;Mc 10:4)
O texto de Mateus 19 fala que quem se casasse com 0repudiado ou
com a repudiada cometería adultério. Isso acontecia porque ambos vi-
viam em um estado de repúdio, que não é 0mesmo que divórcio, a car-
ta. Depois de obter 0 certificado de divórcio, a pessoa podería se casar,
pois saía da condição de repudiada. Muitos confundem as duas palavras
que são distintas. Repúdio é 0estado de separação. Divórcio é a carta, 0
documento que autentica 0 ato da separação legal no qual 0certificado
é expedido. Por isso, quem está na situação de repúdio, isto é, sem 0
certificado, não pode casar-se; e se voltasse ao seu primeiro casamento
cometería uma abominação: Deuteronômio 24:2,4: Ela, tendo saído
de sua casa, poderá casar-se com outro homem, e se este último também
a desprezar, escrevendo-lhe um certificado de divórcio, entregando-a
na sua mão e despedindo-lhe de sua casa; ou se este segundo marido
vier a falecer, 0primeiro que a tinha despedido já não poderá desposá-la,
voltando a recebê-la como mulher, porque foi contaminada, pois isto
seria uma abominação aos olhos do Senhor Jeová, e não deves condenar
a terra que 0 Senhor, teu Deus, te há de dar em herança. (VDN)
A Bíblia fala de um só divórcio, 0 de Deus (Jr 3:8-18). Vejamos ago-
ra 0 outro lado da moeda. As duas palavras “carta” de divórcio e “re-
púdio” são vocábulos completamente diferentes e sempre, na história
bíblica, estão separados um do outro. O problema é que, erradamente,
são usadas com 0 mesmo sentido: Divórcio. Assim lemos 0 texto com
A ldery N elson R o c h a

esta intenção, por exemplo: “O que se casa com 0 divorciado com ete
adultério”, mas este texto, por alguma razão foi “adulterado”. Masas
duas palavras, originalmente, são completamente diferentes. Porém,
nem todas as versões estão adulteradas.
A palavra grega para repúdio é “apoluse ”, do radical “apoluo” e a
palavra grega para divórcio é “apostasion”, que quer dizer “carta de
divórcio” (ouseja “contapaga”).
A palavra “apoluo” significa deixar de lado, abandonar, tomar
outra atitude deixando de lado a primeira sem negociação ou repúdio.
25
O repudio é o tempo e o estado entre a separação e o ato de receber ou
conceder a carta de divórcio. Isto era o que os homens faziam geral-
mente ao aborrecer a sua mulher, como foi 0 caso do esposo da mulher
samaritana, assim como aconteceu entre Jacó e Léia. Jacó manteve
Léia repudiada enquanto vivia feliz com Raquel.
Era comum ao homem desprezar a sua esposa e casar-se com
outra, ficando aquela presa à Lei que regia 0 matrimônio sem poder
se casar porque não recebera a carta de liberdade. Muitos tomavam
esta atitude especialmente por razões econômicas e a lei judaica que
permitia 0 divórcio não era cumprida pela avareza (“dureza”) dos
corações dos ex-maridos. Logo, 0 repúdio era uma aparente saída
que escravizava a mulher. Então Jesus, 0 Filho, chegou com a sua
mensagem de libertação e vaticinou: “quem repudiar a sua mulher
fique sem casar”.
Também, em meio a estas circunstâncias, Jesus veio defender a
Lei e cumpri-la; e aquilo que não era cumprido, ele ensinava a fim de
libertar a mulher (ou 0 homem) do jugo de escravidão (Lc 16:17,18).
Para que a mulher que vivia na condição de escrava, de repudiada, e
sem direitos, sem nenhum tipo de recursos, sobrevivesse, deveria ter
a carta de divórcio e a liberdade para casar-se com outro homem (Dt
24:1,2). Sob 0 constante estado de repúdio jamais ela teria a carta de
divórcio em suas mãos. Em Mateus 5:31 e 32 Jesus utilizou as duas
palavras várias vezes e proibiu 0 repúdio definitivamente dizendo que
aquele que se casasse com 0 repudiado cometería adultério, forçando
os seus inquisidores a tomar em conta a liberdade e não a escravidão,
a monogamia e não a poligamia. Isto quer dizer que ele não permitia
que as mulheres fossem mantidas na prisão do repúdio: Mateus 5:31:
Também foi dito: Quem repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.
/Dl24:1 -4;Mt 19:7;Mc 10:11, ¡2; Lc 16:18)
Jesus ensinou um com portam ento perfeito nos litígios
matrimoniais. Assim temos bem claro, nas palavras de Jesus, a
diferença entre 0 repúdio e 0 divórcio. O repúdio é um estado não
oficial de rejeição e 0 divórcio é a certidão legal de libertação. Quem
está em estado de repúdio, sem a carta de divórcio, comete adultério
ao unir-se a outra pessoa.
26
Apalavra “apostasion”, de onde vem a palavra apóstata, que é um
termo definitivo e sem retorno, é a mesma usada para “carta de divór-
ció”. Sabemos que em M ateus 19:6 está registrado o que Jesus disse:
aqueles que Deus uniu não o separe o homem; disse também que no
princípio não foi assim. Assim como? A resposta vem dos lábios do
Mestre: “no princípio eram dois em uma só carne”, não havia um ma-
rido com várias mulheres repudiadas e prisioneiras. Ele falava contra
a poligamia gerada pelo repúdio dos homens contra as mulheres que
tomavam, a quem também repudiariam novamente para se unirem a
outra mulher, deixando a anterior no estado abominável de repúdio,
algo comum no meio dos fariseus e do resto dos homens em seus dias
que acabavam vivendo uma poligamia. E Jesus veio acabar com isso.
O repúdio estabelecia a poligamia e a carta de divórcio destruía a
opção do repúdio implantada por eles, pois ninguém morria apedre-
jado por causa do repúdio hipócrita, 0 qual mantinha sob 0 seu poder
a “ex-esposa”.
Portanto, em outras palavras, Jesus proclama: “Quem está em
repúdio e tem outro cônjuge comete adultério e deve morrer! ” Os dis-
cípulos responderam: “Isso não convém” (Mt 19:10). Estas palavras
foram um tormento para aqueles homens que mantinham suas mu-
lheres escravas pelo repúdio. Quando 0homem repudia a sua mulher,
coloca-a à mercê de um novo matrimônio ilegal ou múltiplos adulté-
rios, se não a liberar, como a mulher Samaritana, que era repudiada
e Jesus não a condenou quando ela quis ir pregar 0 evangelho para 0
seu povo, pois ele veio dar liberdade aos cativos; Jesus veio libertá-la.
João 4:16: Disse-lhejesus: “Vai, chama 0 teu marido, e torna para cá”.
A ldery N elson R o c h a

Ela era uma mulher repudiada, e Jesus se importou com a sua situação,
mesmo não sendo judia (Jo 4:17-19): “Ao que lhe respondeu a mulher:
Não tenho marido. Jesus lhe disse: Bem disseste, não tenho marido.
Pois cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido;
isto disseste com verdade. A mulher lhe disse: Senhor, percebo que és
Profeta.”
Saiba que não somos defensores da separação, pois é traumática,
empobrece e divide. Mas eu creio que aquele a quem Deus uniu não
0 separe 0 homem, mas também creio que aquele que Deus não uniu

27
não o ajunte o homem. Mas a tragédia é maior quando o casal de
coração insano permanece junto somente por causa da preocupação
natural que envolve a falsa desculpa da segurança d os filh o s inse-
gurasdiante de seus pais que vivem em constante confusão ou pela
manutenção hipócrita do falso “status” social, ministerial ou profis-
sional. Tudo isso camufla a crueldade doméstica, como as tragédias, o
homicidio e o suicidio, porque muitas vezes o fracasso do matrimônio
vem primeiro, isto é, antes da carta de divórcio, antes até mesmo do
matrimônio em si.
Assim, 0 pedido da carta de divórcio limitava a poligamia por cau-
sa da dureza dos corações dos homens ao manter suas ex-mulheres
escravas tal como Léia a Jacó. Assim, Moisés permitiu a carta de divór-
cio, a fim de liberar a mulher condenada, escravizada e abandonada,
sem direitos de casar-se novamente. Por isso, quando Paulo escreve a
Timóteo, não está proibindo 0 divórcio, está proibindo a poligamia. O
bispo que cuidará da Igreja de Cristo, que é a única esposa de Cristo, não
pode ser bígamo! Como este ministro podería servir a Cristo, seu único
Senhor, como senhor de duas senhoras ao mesmo tempo que representa
aquele que é um só Senhor de uma única esposa? (1 Tm3:2):
“Éconveniente que 0 bispo seja irrepreensível, marido unido a uma só
mulher, sóbrio, prudente, decoroso, hospitaleiro e apto para ensinar. ”
É claro que 0 pecado, incluindo os motivos que levaram a esta
falência, devem ser confessados (1 Jo 1:9), pois 0perdão de Deus tam-
bém abrange a falência do matrimônio, pois 0 pecado não é a carta,
mas os motivos do repúdio. Por isso a carta de divórcio provê grandes
benefícios para a dignidade humana tanto dos homens quanto das mu-
lheres sujeitos a caprichos ou a um coração duro e egoísta, porque 0
divórcio rompe a falsa aliança e 0 controle da parte do homem sobre a
sua esposa (ou sobre 0 esposo anterior), e preserva 0 direito da pessoa
em ser livre. E se a causa do divórcio é ainda mais grave, isto é, quan-
do não há manifestação de arrependimento e a dureza de coração é
mantida, no caso de impurezas, pedofilia, bestialidade, adultério ou
algum crime, muito mais razão há para conquistar a liberdade deste
relacionamento.
O texto de Malaquias 2:16 usa a palavra hebraica “ISHALARR”
28
para repúdio (infelizmente alguns tradutores latinos erraram na sua
tradução). E a palavra “ LAKERITUT” para divórcio (Mt5:31). Este
texto foi dito por Malaquias e por Cristo no tempo de absoluta infe-
rioridade da mulher, quando eram repudiadas sem direito algum. O
profeta Malaquias trouxe uma palavra profética sobre isto baseando-
-se no repúdio emocional de Tamar, dizendo: “Deixem esta prática”.
Então, ninguém tem 0 direito de sair por aí dizendo que 0 “José
da Silva” está em adultério porque contraiu novo casamento simples-
mente por ter lido em Marcos que aquele que repudia sua mulher e se
casa com outra comete adultério; a não ser que 0 instrutor do suicídio
moral não tenha nenhum conhecimento de sociologia, teologia e das
leis de Deus e dos homens. Aptidão para teólogo não é especialização
em direito! Fé, ciência e direito se cumprimentam diante do mesmo
trono: 0 trono da Sabedoria de Deus.
Portanto, repudiar é 0 desejo forte de separação ou aversão à
pessoa com quem temos feito algum pacto sem dar-lhe liberdade
para ir e tomar a sua vida de volta. O repúdio é uma atitude iniciada
unilateralmente; isto é, entre duas pessoas, uma somente sente, faz,
atua, age e determina; tal fato não se pode justificar nem diante de
Deus nem diante dos homens, pois não há consideração, mas injusti-
ça. A única forma de evitar 0 juízo do repúdio, que é a solidão, é pelo
consenso - 0 acordo bilateral, isto é, de ambas as partes, que desfaz
0 pacto, considera e liberta; havendo isto, há liberdade. Mas ainda
assim, é necessária concessão apostólica, e isto requer bênção, ajuda
e consideração. Em todos os casos são diferentes um do outro.
A separação consensual requer acordo; e quebrar um pacto fazen-
do qualquer tipo de acordo é semelhante a colar duas folhas de papel
A ldery N elso n R o c h a

e depois de alguns minutos tentar separá-las. É muito complicado,


porque alguns pedaços serão arrancados de ambas as partes. O preço
do acordo é caro, mas gera liberdade, ainda que a liberdade não retire
as responsabilidades. Portanto, conforme temos mostrado, 0repúdio
— confundido com 0 vocábulo divórcio — é 0 tempo da separação
de corpos até à carta.
O Senhor Jesus determinou: “Quem casar com a repudiada co-
mete adultério; quem casar com 0 repudiador também comete adul-
tério”, e “quem repudiar a sua mulher deve dar-lhe carta de divórcio”
29
(Mt 5:31). Porque 0 repudiador não se interessa em pôr a sua vida em
ordem e isto requer acordo; e quando há acordo e este não é cumpri-
do, ainda que 0 divórcio tenha sido feito legalmente como mandam
as leis, e se a pessoa se casar com outra cometerá adultério, porque 0
acordo foi feito, mas não foi cumprido. Isto é muito mais que adulté-
rio, é crime.
O repúdio sem a carta é uma permissão para adultérios contínuos,
promiscuidades, pornografía e todo tipo de impurezas cometidas arti-
ficialmente. Da mesma forma que uma pessoa, ao masturbar-se, tem
sexo real consigo mesmo, iludindo-se mentalmente com a presença
histórica de outra pessoa, 0repúdio sem separação de corpos permite
que a pessoa sem temor a Deus tenha sexo ilegal com seu cônjuge
pensando em outra. Isso pode durar uma vida inteira!
A personalidade do matrimônio existe. O matrimônio é uma só
carne. Um ovo com duas gemas! Isto quer dizer que 0 matrimônio
tem uma personalidade externa e uma interna. Quando 0 casal con-
segue manifestar uma única personalidade de forma igual, isto é, a
personalidade externa e interna se manifestam de forma inequívoca
e semelhantemente, de forma inexplicável, por causa do sobejar do
espírito entre si (Ml 2:15), terá conquistado 0 mais poderoso de todos
os prêmios merecidos por uma vida vivida “a dois”. Vinte cinco anos
juntos não dão esse direito! Bodas de prata podem conjeturar e osten-
tar uma vida de fidelidade, mas a verdadeira personalidade do matri-
mônio revelará ao mundo externo três formas, três níveis de caráter.
Primeiro - Pela aparência. Aparecer em público implica em ser
visto. Muitos dizem “basta vê-los que já saberemos... Se observarmos
as suas vestimentas, 0 sapato dele ou dela, 0 penteado dela, a sua
forma de falar e de andar... Com isto será suficiente.” Mas estaremos
cometendo um grave engano. Um casal pode mentir publicamente
nesse ponto.
Segundo - Pelo testemunho. Aqui ouviremos dos lábios do casal
a respeito de suas próprias atitudes, nas quais ele expressará a sua per-
sonalidade matrimonial, e mostrará algo a mais do que uma simples
aparência. Antes de tudo, para que tenhamos uma idéia da saúde do
matrimônio, devemos ouvir 0 casal e saber 0 que ele pensa sobre a sua
vida familiar; ouvir como ambos levam a sua vida profissional; ouvir
30
como atua em seu trabalho, como trata os seus amigos, ouvir 0 que
ambos conhecem a respeito de seus próprios temperamentos e saber
como reagem, porque muitos pensam que podem conhecer um matri-
mônio por se inteirarem desses fatos. Mas se enganam. Quando Jesus
multiplicou água em vinho em Caná da Galileia pediu que os servos
levassem uma prova do vinho ao mestre-sala. Ele provou, então, 0
vinho e deu a sua palavra final. Jesus faz a obra mas pede à sociedade
que prove 0 vinho que faz. Assim, somente a sociedade sabe provar 0
vinho usado no matrimônio.
Terceiro - Conhecendo 0casal pelos valores internos vocacionais;
porém sabemos que para conhecer 0 matrimônio neste nível é muito
mais difícil. Conversar ou conhecer suas atitudes somente por ouvir
0 seu testemunho pessoal não é 0 suficiente para conhecê-lo neste
nível do matrimônio. Torna-se necessário conviver com 0 casal. Esta
convivência não é uma convivência esporádica, é uma convivência
diária. Temos que viver com ambos por um tempo e conhecer os seus
tipos de reações; não falamos em conhecer os seus tipos de ações, mas
de reações nos diversos tipos de circunstâncias da vida. Estes valores
vocacionais são vertebrais, formam uma coluna vertebral do matri-
mônio. Aqui não é possível enganar ou mentir. Tudo é transparente e
tudo vem átona.
Por isso 0 repúdio contínuo sem separação de corpos é notado
neste nível, e milhares de casais vivem nesta realidade. Pode-se dar
todo tipo de justificativas, mas as pessoas que vivem bem perto daque-
le matrimônio sabem a verdade. Como já escrevi, Jesus transformou
a água em vinho, e pediu para 0 mestre-sala 0 provar. O mestre-sala é
tipo da sociedade. A sociedade sabe avaliar 0 vinho do matrimônio.
A ldery N elson R o c h a

A Bíblia diz que aquele que se une a uma mulher faz-se um só


corpo (“uma só carne”) com ela (1 Co 6:16). Mas também sabemos
mediante os ensinos bíblicos que 0 homem que se une a uma prosti-
tuta torna-se em um só corpo com ela. Quantas pessoas, antes de se
darem oficialmente em um casamento, tiveram relação sexual ou
viveram maritalmente com vários parceiros sexuais, sem legalizarem
estes convívios? Segundo a Bíblia, eles viveram um enlace. O fato de
se casarem oficialmente com outra pessoa não expiou a sua respon-
sabilidade diante de Deus por várias uniões matrimoniais havidas an-
31
teriormente. E muitos justificam isso dessa forma: “Foi antes de vir a
Cristo”, como se a instituição do casamento somente fosse verdadeira
se cressem em Cristo ou se fossem membros de uma igreja cristã. São
muitas as jovens mulheres que sofrem como Tamar, à espera de seu
Judá; sofrem de uma infidelidade que Deus abomina.
Como um homem profana 0 pacto de seus pais? Quando se junta
a uma pessoa que não faz parte da mesma aliança que Deus fez com
0 seu povo, assim como Judá ao tomar como mulher a filha de um
adulamita, e como Esaú, ao casar-se com mulheres cananéias e repudiar
a possibilidade de casar-se com Léia, a irmã de Raquel (Ml 2 : 10 - 16 ):
Malaquias 2:10: Não temos um mesmo pai? Não nos tem criado um
mesmo Deus? Por que, pois, nos portamos deslealmente um contra 0
outro, profanando assim 0 pacto de nossos pais?
Por que Judá foi deixada de lado, favorecendo Levi?(Gn 38 ). Deus
mostra aqui 0 que ficou oculto em Gênesis 38 a respeito de Judá e Ta-
mar: Malaquias 2:11 :Judá portou-se deslealmente; pois cometeu abo-
minação em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou 0 Santuário de
Jeová, que ele ama, ese casou com afilha de um deus estranho. (M12:14/
Porque de Judá viría 0 Messias. Ao corromper-se com outras nações,
colocava em risco a semente do Messias. Mesmo que desse oferta ao Se-
nhor, não seria aceita estando em jugo desigual profanando 0 pacto (Gn
3 : 15 ; 12 : 1-5 ): Malaquias 2:12: Ao homem que cometer tal atitude, 0
Senhorjeováextirparáofilho (que vela) eo neto (queresponde) dentre
as tendas de Jacó; aquele que também, nestas condições, apresente
oferta ao Senhor Jeová dos exércitos.
As lágrimas dos sacerdotes não eram aceitas. O primeiro sacrifício
efetuado por eles não era aceito (Lv 16 ): Malaquias 2:13: E novamente
haveis feito isto: Tendes coberto 0 altar com lágrimas, com choros e com
gemidos, de tal maneira que ele já não olha para a vossa oferta nem a
recebe de vossas mãos com agrado.
(Repito propositadam ente n este capítulo, em boa hora, 0 m esm o
texto do capítulo “Lutando pelo Propósito O riginal”p o r fa z e r parte
desse contexto, e se fo r lido separadam ente). A mulher da juventude
é aquela com quem 0 jovem planeja os seus sonhos e a quem faz pro-
messas, e com quem muitas vezes mantém contínuas e constantes
32
promessas que, ao final dos dias, são esquecidas e abandonadas, como
se nada houvesse acontecido e, em outro caso, é a mulher com quem se
casa e que, depois de estar casado, o homem, por motivo de sua própria
concupiscência, quebra o pacto estabelecido e parte para a deslealdade.
Deus está falando que ele é testemunha entre o ofensor e o ofendido.
Esta testemunha não mente, não profere falso testemunho: Malaquias
2:14: Mas, vós ainda dizeis: “Por quê?” Porque 0 Senhor Jeováé tes-
temunha entre ti e a mulher da tua juventude, contra quem tu foste
desleal, ainda que ela fosse a tua companheira e a mulher do teu pacto.
Uma só carne e um sobejar de espírito! Nessa união de uma só carne e
bastante espírito, ele buscava a semente da mulher digna de ser a mãe
do Messias, e a deslealdade de Judá, ( 1) ao abandonar Tamar, em busca
de mulheres cananéias, (2 ) entregando-lhe seus filhos, foi uma grande
deslealdade (Gn 38 ). O texto de Gênesis 38 registra a luta que Tamar
teve para gerar uma semente, e nos revela a respeito da perseverança
em desfrutar de um direito que lhe pertencia. Esta mulher é símbolo da
perseverança. Não há muitas delas na Bíblia. Ela, sem saber, esteve lu-
tando contra 0 próprio diabo. Gênesis 3:15 nos fala que a inimizade
entre a semente da mulher e a semente de Satanás foi posta por Deus. A
inimizade foi posta por Deus. O cumprimento de Gênesis 3:15 está em
toda a Bíblia, e segue até Apocalipse 12 , e ainda mais. A luta de Tamar
foi espiritual. Sua semente era a continuidade da semente da mulher
que havia sido embargada em Abel, prejudicada na descendência dos
filhos de Sete, atrasada por causa da leviandade de Esaú ao casar-se com
mulheres cananéias, por isso foi necessária a vinda de Jacó, e alternada
para Judá, 0 qual foi substituto de Rúben, 0 primogênito, devido ter se
deitado com a mulher do seu pai. Veja que Deus foi confundindo a ser-
A ldery N elson R o c h a

pente. Não veio de Caim, não veio de Esaú, não veio de Ismael, não veio
de Rúben e não podia vir de Levi. Com todos estes fatos, a serpente es-
tava confusa. Mas 0 seu ataque não parou porque não sabia de onde viria
asemente. Mas ela esteve escondida em Sete, partiu por meio de Jacó e
passou de Jacó para Judá, confundindo a semente da serpente, que
queria matar José. Assim, podemos ver claramente por que Judá não
queria cooperar comasemente. Ornais impressionante, acima de tudo,
é como uma mulher, sem sentido aparente algum, chamada Tamar, em
condições desprezíveis, pudesse ser digna de tamanha perseverança?
33
Porque não é pela beleza que Deus cumpre 0 seu propósito. Judá já ha-
via começado errado. Casou-se com uma gentia, e a semente estava
estancada nele, da mesma forma como a semente vitoriosa de uma fa-
mília pode estar estancada na história da desobediência de um homem.
Judá tinha a semente que esteve em Abel, em Sete, em Abraão, em
Isaque e em Jacó. Mas ele estava com a mulher errada para fecundá-la.
A adulamita não podia fecundá-la. Ela não era a mulher original do
propósito e ele estava sendo desleal com a mulher de sua juventude.
Nesse mesmo tempo, Judá foi jogando sua oportunidade fora e, com
isso, estava atrasando a promessa. Ele passou a responsabilidade para
seus filhos. Mas aqui está 0 valor de uma grande mulher que soube es-
perar até certo tempo. Judá, embora seja a tribo do louvor na Bíblia, uma
das mais importantes tribos entre os filhos de Israel, agora estava em
apuros e uma mulher simples, mas perseverante, estava salvando a sua
vocação: a de ser a tribo real de onde viria a semente da mulher, Jesus
Cristo, 0 filho do Deus vivo! Veremos, no dia do grande tribunal de
Cristo, Deus chamar 0 nome de Tamar e ela sendo aplaudida de pé,
porque tem sido discriminada até hoje. Certamente, 0 seu galardão será
maior do que 0 de Judá. Por quê? Vejamos a seguir. Aqui estava 0 dedo
do Profeta de Gênesis 3 : 15 . A mulher do propósito falso morreu. Judá
estava livre. Tamar também. Toda mulher deve conhecer 0 seu tempo.
Tamar sabia. Quando Judá subiu para tosquiar suas ovelhas, ela também
se preparou. Era 0 dia de sua fertilidade. Vestiu-se de prostituta. Uma
mulher deve estar disposta a se humilhar. A mulher que nunca se humi-
lha nunca tem nada. A feminilidade prega a falta de humildade da mu-
lher. A bênção ainda vem com a humildade. Ela não era prostituta. Ela
sabia disso em seu ser. Não importa 0 que disserem de você, saiba qual
é a sua vocação de vida. Porque Deus faz justiça a todos os injustiçados
por promessas ou por atos. Então, ela se despiu das vestes de sua viuvez.
Ali passaria Judá. Ele a verá e se interessará por ela. Ele de fato passou
por ali e a convidou (Gn 38 : 15 ). Qualquer mulher não atuaria como ela.
Ela é fenomenal, inteligente. Toda mulher deveria aprender com ela.
Ela não se entrega se não tiver penhor e juramento. Era a sua segurança
e a sua aliança, seu casamento. Não se entregue a homem nenhum se
não tem aliança, bênção e segurança garantida. Ela pediu-lhe 0 penhor.
Era a sua vida que estava em jogo. No final do verso 16 , elalhe pergunta:
34
Que me darás? Ele respondeu: um cabrito. Ela, aparentemente, valia
isto, mas ela era mais valiosa do que Judá. Que penhor ela queria? (1 )0
seu selo com a corda, (2 ) 0 seu lenço e (3 ) 0 seu cajado. Estas três coisas
representavam a vida de um príncipe do seu povo. 0 selo era sua iden-
tidade. O lenço falava de sua herança e autoridade civil. 0 cajado falava
de sua autoridade espiritual diante de Deus e da sua tribo; lembrava 0
Êxodo e a vitória de Israel sobre 0 Egito. Ela foi capaz de, na ocasião, da
necessidade, tomar tudo isso de um só homem. Nem todas as mulheres
são capazes de tomar isto de seu marido. Se você fizer uma injustiça,
ainda que seja com um bem-sucedido homem de negócios, irá à falên-
cia. Irá à falência pela injustiça. As injustiças são como gotas de ira que
vão enchendo 0 cálice de Deus. Um dia qualquer 0 pecado enche 0 cá-
lice. Deus estava farto de Judá. Então, ele sutilmente estava sendo
vencido por uma mulher. Apior coisa do mundo é a sutileza do homem
em planejar a deslealdade contra a mulher da sua juventude. Judá foi
injusto. Ele deveria ter encurtado 0 tempo de sofrimento daquela mu-
lher que sonhou com ele a vida inteira. Quando ainda tinha pele de uma
jovem foi entregue forçosamente a homens que não eram seus maridos.
Foi injustiçada. Mas Deus cuidou dela. Deus cuida de você, Tamar. Se
houver em ti um desejo de triunfar como canal de bênção para a glória
de Deus, Deus cuidará de ti. Por causa disso, Tamar está na lista da ge-
nealogia de Mateus! Seu nome aparece ali como uma grande mulher.
Não era normal aparecer por ali, era lugar de homem, mas 0 seu nome
apareceu na lista dos vencedores. Quando Judá mandou trazer 0 cabri-
to no outro dia, Tamar não estava ali. Que tipo de sentimento ela não
passou a ter depois daquele dia, sendo proprietária de um penhor que
não carregava nas mãos, mas no sangue, pois estava grávida de uma
A ldery N elso n R o ch a

semente profética. 0 diabo estava vencido. Pelo seu turno, Satanás foi
vencido. Que desespero foi para Judá não ter seus documentos, sua
escritura e sua credencial de príncipe. Tudo estava nas mãos de Tamar!
Três meses depois (v.2 4 ), alguém, daqueles fofoqueiros triunfalistas,
veio correndo trazer a notícia de que Tamar estava vivendo ilegal no
meio do seu povo e que deveria morrer. Você não deve se sentir mal
porque alguém ficou sabendo algo íntimo que 0 impede de continuar
no meio do acampamento. Se você tem penhor nas mãos, não necessi-
ta ficar se escondendo nem viver com medo. Se seu problema foi resol-
35
vido de forma legal diante de Deus e dos homens, seu passado tem pe-
nhor. Tamar tinha penhor. O penhor é a verdade, 0 penhor não gera
vergonha, gera autoridade. Ela tinha penhor nas mãos. Prepararam a
fogueira, 0 poste, puseram fogo, anunciaram na cidade a noite da inqui-
sição. Ela se preparou. Ela não se diminuiu por isso. Ela tinha penhor.
Quem tem penhor não tem medo. Quando vieram para levá-la, ela
apresentou 0 penhor. “Do homem de quem são estas coisas eu concebí.
Reconhece-as? Peço-te que as reconheça”. Não havia outra alternativa,
senão reconhecer a verdade. Então, ele as reconheceu e ainda disse:
“Mais justa é ela do que eu”. Você ainda ouvirá isto se partir pelo cami-
nho da bênção e não da agressão, da discussão, da violência e do tribu-
nal. O caminho da bênção parece humilhante, mas é glorioso. O que
você quer não é semente? Então, por que brigar com 0 sementeiro?
Tamar gerou, viveu, não morreu. Você viverá para ser canal de bênção.
Deus te ajudará. Tamar agora estava grávida de dois filhos (v.27 ). Deus
não fica devendo àquele que luta pelo seu original e Judá aprendeu a não
ser desleal. O que é guardar 0 espírito? É guardar 0 maior tesouro do
espírito, 0 amor: Malaquias 2:15: E não os fez um só, ainda que lhe so-
bejava espírito. E por que um? Porque buscava uma descendência digna
de Deus. Portanto, guardai solícitamente 0 vosso espírito, para que nin-
guém se comporte deslealmente para com a mulher de sua juventude.
Repúdio, no grego, “apoluo”. Significa deixar de lado, abandonar,
tomar outra atitude, deixando de lado a primeira sem negociação,
repudiar. O repúdio é 0 tempo e 0 estado entre a separação e 0 ato de
receber a carta de divórcio (Dt 24 : 1). Isto era 0 que os homens faziam,
geralmente, ao aborrecer a sua mulher, como foi 0 caso do esposo da
mulher samaritana, de Jacó, quanto a Léia. Era comum aos homens des-
prezarem a sua esposa (que geralmente era a mulher da sua juventude)
e casar-se com outra, ficando aquela presa à sua lei, não podendo casar-
-se (Rm 7 : 1). Muitos tomavam esta atitude especialmente por razões
econômicas. A lei judaica, que autorizava 0 divórcio, não era cumprida
(Dt 24 : 1). O repúdio era uma aparente saída, mas escravizava a mulher.
Jesus veio defender a lei e cumpri-la, e aquilo que não era cumprido ele
admoestava, a fim de libertar a mulher ou 0 homem do jugo de escra-
vidão do repúdio (Lc 16 . 17 , 18 ). A mulher escrava, repudiada, sem
direitos, sem nenhum tipo de recurso para sobreviver, deveria ter a carta
36
de divórcio e liberdade para casar-se com outro homem. O repúdio
jamais lhe daria esta carta em suas mãos, por causa da dureza (avareza)
do coração daqueles homens. Em Mateus 5 :32 , Jesus utilizou as duas
palavras várias vezes e proibiu 0 repúdio definitivamente, dizendo que
aquele que se casar com 0 repudiado comete adultério, forçando os
seus inquisidores a tomarem em conta a liberdade e voltassem à mono-
gamia. A palavra “apostasion”, de onde vem a palavra apostasia, é um
término definitivo e sem retomo (Dt 24 : 1,2 ). Em Mateus 19 :6 , Jesus
disse que aqueles que Deus uniu não queira separar ohomem. Jesus dis-
se que no princípio não foi assim. Assim como? A resposta é: “No princí-
pio eram dois em uma só carne”. Ele falava que no princípio não havia
poligamia, mas naqueles dias estava proliferada por causa do repúdio. O
repúdio sem solução definitiva estabelecia a poligamia. Ninguém mor-
ria apedrejado por causa do repúdio. Agora Jesus diz: “Quem está em
repúdio e tem outro cônjuge está em adultério”. E segundo a lei deveria
ser apedrejado. Então os discípulos responderam: “Isso não convém”
(Mt 19 : 10 ). E não convinha mesmo: M alaquias 2 : 16 : Porque 0 Se-
nhor Jeová dos exércitos aborrece 0 repúdio, bem como aborrece aque-
le que cobre com 0 seu manto atos de violência, diz 0 Senhor; portanto,
guardai solícitamente 0 vosso espírito e não sejais desleais.
A separação violenta ou não (“um repúdio”) de relacionamentos
anteriores na maioria das vezes se constituíram em separação (“com
repúdio”) diante de Deus, e não vale apregoar nulidade neste aspecto.
Somente 0 reconhecimento do erro, do pecado, e 0 perdão de Deus
mediante confissão tiram esta culpa e destroem a seara de colheitas
futuras na sua descendência, porque 0 repúdio não é um pecado que
A ldery N elso n R o ch a

Deus não pode perdoar, nem os atos pecaminosos geralmente camu-


fiados que levaram à carta de divórcio.
Há duas palavras que nunca se separam: a hipocrisia e 0 medo.
A hipocrisia cobre 0 repúdio contínuo sem separação de corpos
(quando já se viveu um repúdio psicológico alternativo, mesmo sem
consumação e que vem à tona nas discussões acaloradas); 0 medo do
divórcio chegar à casa daquele que preconceituadamente atua contra
a liberdade, e que vive um inferno em vida, mas que deseja resolver
esta questão em sua vida, é tão pecado quanto 0 próprio repúdio, pois
37
a convivência com 0 medo também é escravidão e esta acusadora,
ameaçadora, destruidora, perturbadora e deprimente.
Os fariseus tentaram ao Senhor Jesus preparando-lhe uma arma-
dilha com as palavras repúdio e divórcio. Eles queriam ver se Jesus
contrariava a própria Lei. Aqui, dá-se início ao mais complicado texto
do livro de Mateus, já estudado e interpretado por muitos. Os fariseus
perguntaram-lhe sobre 0 repúdio, que é 0 estado de separação, e não
0 divórcio em si. O repúdio é 0 estado não legalizado de separação, e
a carta de divórcio é a conta a ser acertada. Os discípulos já sabiam a
resposta da pergunta que faziam, pois estudava-se muito a respeito
disso na Lei (Dt24 :l ,2 ). Neste capítulo, Jesus não defende 0 divórcio,
mas a liberdade das mulheres que estão presas aos homens por causa
da dureza de seu coração, tal como Leia e outras mulheres na Bíblia.
Homens podiam ter outras mulheres, enquanto a sua primeira mulher
continuava presa a eles por causa da tradição, tornando a mulher escra-
va de seus maridos infiéis: Mateus 19:3: Então, aproximaram-se dele
alguns fariseus que 0 experimentavam, dizendo: “É lícito ao homem
repudiar sua mulher por qualquer causa? ”
O tema de Jesus é a luta d e M oisés para protegera m onogam ia
pelo ato de concedera carta de divórcio, não a poligamia proliferada
pelo repúdio, que já era comum entre eles. Ele não abre mão da mono-
gamia. Os homens maus repudiavam suas mulheres e se casavam com
outra sem limites. Suas respectivas esposas ficavam na mesma situação
deLéia, ligada ao seu marido Jacó - muito embora Jacó não seja culpado
daquilo. Por esta razão, Jesus disse à mulher samaritana: “Este não é teu
marido”, porque estava repudiada, isto é, separada, mas ligada, pela
Lei, seu primeiro marido, de quem ela jamais se separara legalmente,
isto é, com quem não havia acertado as contas. Isso era comum nos dias
de Jesus. Não havia nenhuma lei para romper aquele poder que gerava
uma contínua poligamia. Por isso, Jesus chegou e perguntou: “Porque
vocês quebram a monogamia pelo repúdio? Não foi assim no princí-
pio”. Como era comum 0 repúdio e 0 homem casava-se com outra, a
poligamia se proliferava. Neste capítulo, Jesus está destruindo 0 poder
do repúdio e determinando 0 fim da condição das pessoas em repúdio,
revelando a sua prisão e as suas dificuldades (Mt 5 :31 ): Mateus 19:4:
38
E, respondendo-lhes, Jesus,disse-lhes: “Não tendes lido que quando 0
Criador vos fez, desde 0 princípio vos fez homem e mulher, icn 1:27:5:2)
Jesus relembra que matrimônio é deixar pai e mãe. Isto é, deixar
toda cobertura ou ligação anterior, qualquer união anterior, para que
haja perfeita unidade entre carne e carne. Eles estavam casando-se e
separando-se, ignorando que deveríam deixar os seus pais. Sabiam que
esse era 0 requisito para 0 matrimônio, mas não se separavam de suas
mulheres anteriores, a quem eles apenas repudiavam e criam estar fa-
zendo 0 correto. “Pais” aqui não são apenas os genitores, mas todo tipo
de laço anterior. O matrimônio é feito de um só laço, de um só pacto.
Jesusveio revelar isso. Em outras palavras, “assim como vocês casam-se
e se separam de pai e mãe, assim também, se contraírem matrimônio
nessa condição de repúdio, adulteram. Não é possível ser uma só carne
com seu cônjuge se a pessoa ainda está ligada, pela Lei, a outra pessoa:
Mateus 19:5: e que ordenou: Portanto, deixará 0 homem pai e mãe,
e unir-se-á à sua mulher; e serão os dois uma só carne? (Gn2:24;Ef5:3!1
A união matrimonial entre homem e mulher toma duas pessoas
“carne da mesma carne”, não espírito do mesmo espírito. O repúdio
não permite isso, pois envolve uma terceira pessoa. Aoutra parte deste
texto fala que aquilo que Deus ajunta 0 homem não deve separar. Isto
é, aquilo que Deus ajunta é associação de Deus, é abençoado e deve
ser conservado e não deve ser separado pelos homens. Mas, 0 mesmo
Jesus nos dará abaixo três tipos de matrimônios, entre os tais, um que é
obrigado pelos homens (v. 12 ), e tudo 0 que é feito pelos homens é vul-
nerável e qualquer circunstância pode separar, não traz a bênção, não
é de paz, não foi Deus que uniu. Mas, aquilo que Deus uniu ninguém
separa: Mateus 19:6: Assim já não serão mais dois, senão uma só
came. Portanto, 0 que Deus ajuntou, não 0 separe 0 homem”.
Aqui, Jesus os toma pelas mãos e os conduz à verdadeira pergun-
ta. Assim, eles, de maneira correta, usam as verdadeiras palavras:
“divórcio” e “repúdio” separadamente, colocando-as contra Moisés.
Observem que eles usam a palavra “divórcio” primeiro e depois a outra
palavra, “repúdio”, quando, pela ordem, seria primeiro repúdio (que é
0 estado de separação não-autorizada), depois divórcio: Mateus 19:7:
Então lhe responderam: “Então por que mandou Moisés dar-lhe carta
39
de divórcio e repudiá‫־‬la?”. (Mt5:3 n
Jesus começa com a segunda palavra, sem perder 0 objetivo, e
responde brilhantemente. O repúdio é coisa da dureza dos vossos co-
rações, não falou “da dureza do coração dos seus pais”. O repúdio é 0
estado de separação até que a carta de divórcio seja providenciada; mas
eles mantinham as suas mulheres no estado de repúdio para não pagar
0 preço da carta. Isso ocasionava um problema, porque custava caro.
É por isso que, logo a seguir, eles disseram: “Então não convém casar”.
Não estavam pensando em felicidade, mas em dinheiro e em adultério.
Agora, por que Jesus disse: “Não foi assim desde 0 princípio?”. Lameque
fez isso no princípio, repudiou as suas mulheres e as manteve presas (Gn
4 :23 ). Mas Jesus estava falando de Adão e Eva. Houve problemas entre
eles no princípio. Mas eles continuaram juntos. Adão não repudiou a
sua mulher por causa do pecado. Eles continuaram monogâmicos. Eles
não seguiram 0 caminho de Lameque. O repúdio gera poligamia, pois
0 que se casa com a repudiada ou com 0 repudiado adultera, porque 0
repúdio não é carta de liberdade. Deus, naturalmente, somente com a
morte, quebra esse pacto; mas 0 homem, com 0 litígio legal, 0 faz pela
carta de divórcio: Mateus 19:8: Disse-lhes ele: “Pela dureza do vosso
coração Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; mas, desde 0
princípio não foi assim.
O repúdio somente é válido, diante de Deus, quando é causado por
infidelidade de um dos cônjuges, mas também não autoriza um novo
matrimônio sem a carta de divórcio (Dt 2 4 : 1 ,2 ), pois se uma pessoa se
une a outra pessoa no estado de repúdio, comete adultério. A infidel¡‫־‬
dade autoriza 0 repúdio, logo a separação. Mas 0 repúdio em si não é a
carta de divórcio. Jesus está dizendo que 0 único repúdio válido é por
causa da infidelidade, mas não disse que a única causa de divórcio é a
infidelidade. Nesse caso, 0 repúdio tem que ser resolvido. Infelizmen-
te, de forma errada, escravizando milhares de vidas, erros como esses
estão sendo aceitos, entre eles, 0 de confundir repúdio com divórcio:
Mateus 19:9: Eu, porém, vos digo, que qualquer que repudiar a sua
mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete
adultério; e aquele que casar com a repudiada também comete adul-
tériO”. (Mt5:32)
Por isso, os discípulos disseram: “Não convém casar”, pois, pelo
40
divórcio, consideraram que iriam ficar mais pobres, já que 0 repúdio
não poderia separá-los definitivamente. A avareza de seus corações
agora foi maior do que a dureza interior que os levava a repudiar, e
maior também do que a tradição, que não libertava as mulheres a eles
ligadas pela lei
Mateus 19:10: Disseram-lhe os seus discípulos: “Se assim é a condi-
ção do negócio do homem com a mulher, não convém casar”.
Como esse é um assunto muito particular, Jesus lhes disse que
nem todos os homens poderíam receber essa palavra. Hoje, ainda
é assim. Porque a maioria dos casos são dignos da solução de Deus,
pois para Deus nada é impossível: Mateus 19:11: Ele, porém, lhes
disse: “Nem todos podem receber esta palavra, senão aqueles a quem
lhes foi concedido.
Agora, Jesus profere outra palavra mais dura, dentro do contexto.
Ele, usando a tipologia, revela aqui os três tipos de matrimônios, mas,
antes, devemos conhecer melhor a palavra “eunuco”. Divulgou-se
durante a história que a palavra eunuco significa: “pessoa castrada, sem
sexo, sem definição sexual, que se abstém de sexo”. Mas não é verdade.
Eunuco é uma pessoa que se consagra e se dedica a uma vida ou a uma
causa sem pensar ou projetar a sua própria vida ou família, independen-
te daquela a quem decide servir, indeterminadamente. Por isso, ele usa-
rá essa palavra para que alguns entendam, tendo em mente que nem
todos podem receber essa palavra. Assim, que melhor eunuco do que
um esposo ou uma esposa que se dedica, avida inteira, ao seu cônjuge, e
que, verdadeiramente, se castra para outra, abstendo-se de intimidade
com uma terceira pessoa? É claro que ele colocou bem a palavra, pois
A ldery N elso n R o c h a

está falando de casamento. (1 )0 primeiro tipo: os que “nasceram assim


desde 0 ventre de sua mãe”. Há matrimônios que conhecemos em
que os cônjuges nasceram um para 0 outro. Nota-se que Deus os uniu.
São inseparáveis e vivem felizes; jamais pensaram em uma possível
separação e é impossível que as pessoas que estão convivendo com eles
imaginem que um dia possam se separar, pois é público 0 seu amor e 0
seu testemunho. Ambos são eunucos um para 0 outro. (2 ) O segundo
tipo de matrimônio: “Há eunucos que pelos homens foram feitos tais”.
Nem precisamos dar exemplo de que muitos matrimônios são frutos
41
de ameaças de pais e mães perturbados mais com a moral de sua família
do que com o futuro aflito de seus filhos, os quais foram forçados a se
casar por determinada circunstância vergonhosa. Esses são impostos
pelos homens. Este tipo de matrimônio, quando realizado sem perdão,
sem restauração do casal, é muito vulnerável. (3 ) O terceiro: “E outros
há que a si mesmos se fizeram eunucos por causa do Reino dos Céus”.
Quem não conhece exemplos de matrimônios de homens e mulheres
de Deus presos a uma vida infeliz, pois vivem um inferno com seus
cônjuges? Não têm uma vida normal, mas, em nome de uma “causa”,
estão juntos porque não querem ser motivo de escândalo? É claro que
não perderão 0 seu galardão: Mateus 19:12: Porque há eunucos que
nasceram assim desde 0 ventre de sua mãe; e há eunucos que foram feitos
assim pelos homens; e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos
por causa do Reino dos Céus. Aquele que pode receber isso, receba-o”.
Terminando este capítulo deixo uma advertência muito importante
a respeito do sucesso da fidelidade e tenhamos certeza que ele desa-
brochará sobre as pessoas mais importantes de um relacionamento: os
filhos. São eles que darão continuidade à família, com um só objetivo:
Efésios 6:3: “.. .para que sejais feliz, e a vossa vida seja prolon-
gadasobre a terra” (Êx20 : 12 ).
Os pais podem apodrecer os seus filhos, provocando-os com muitos
tipos de repúdio, mas não podem se divorciar deles. Mas os pais podem
curar os seus filhos, educando-os na doutrina de Deus e dando-lhes
exemplo de amor e piedade. Os pais podem curar a podridão dos seus
filhos, admoestando-os no Senhor, sabendo que eles são os responsáveis
pela podridão de seus corações uma vez que eles testemunharam as
primeiras podridões em casa, emanando de seus pais. Mas a pior de
todas é esta: 0 pai irrita profundamente aos seus filhos quando eles
descobrem que é infiel à mãe deles: Efésios 6:4: “E vós, pais, não
provoqueis a ira dos vossos filhos, mas educai-os na doutrina e na
admoestação de nosso Senhor” (Cl 3:2 l;G n 18 : 19 ).
Cada marido ama a sua mulher segundo um modelo e cada mulher
ama 0 seu marido segundo um padrão. Também os filhos amam e

42
obedecem a seus pais segundo uma regra. E toda a felicidade de um
casal acaba na sua empresa, porque os servos servem a seus senhores
como quem serve a Cristo, mas 0 obedecem como os filhos obedecem
0 pai deles, e os filhos obedecem aos pais quando sabem que 0 pai ama
a mãe deles e que a mãe deles se submete a seu pai. O padrão é a fé.
Como um servo pode servir ao seu senhor: Efésios 6:5: “Vós, servos,
obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na
singeleza de vosso coração, como a Cristo” (C13:22 ;T t 2 :9 ; 1 Pe 2 : 18 ;
1 Tm 6 :l;F p 2 : 12 ; 1 Cr 29 : 17 ). Por isso Paulo começa com essa cadeia
da felicidade entre 0 casa e termina com os funcionários da empresa.

A ldery N elson R o ch a

43
O que Deus
Juntou não
o Separe o
Homem
A ldery N elson R o c h a

45
46
A união matrimonial entre homem e mulher torna duas pessoas
uma ‫ ״‬carne da mesma carne”, não um espírito do mesmo espírito. O
texto fala que aquilo que Deus ajunta 0 homem não deve separar. Isto
é, aquilo que Deus ajunta é associação de Deus, é abençoado e deve ser
conservado e não deve ser separado pelos homens, mas tudo 0 que é
feito pelos homens é vulnerável e qualquer circunstância pode separar,
não traz a bênção, não é de paz, não foi Deus quem uniu. Mas, aquilo
que Deus une ninguém separa.
Mateus 19:6: “Assim já não serão mais dois, senão uma só
carne. Portanto, 0 que Deus ajuntou, não 0 separe 0 homem”.
O versículo conhecido não diz que aquilo que Deus juntou 0 ho-
mem não separa, mas impera dizendo “aquilo que Deus juntou não
procure 0 homem separar”. Isto é um fato. O que Deus uniu ninguém
queira separar, pois 0 preço a pagar é caro. Nema serpente antiga ficou
ilesa. Por outro lado nem 0 pecado do Éden separou Adão e Eva; 0 escân-
dalo que cobria a vida inocente de Maria não separou-a de José. Deus
age com anjos, Deus envia querubins, Deus faz alguma coisa. Mas não
deixa inocente aquele que intenta separá-los.
Mas nem todos os casais foram unidos por Deus, pois há entre tantos
os que se meteram em jugos desiguais tornando necessária a interven-
ção de Deus em suas vidas; tais pessoas passam a viver sozinhas, mesmo
acompanhadas; há outras que vivem solteiras mas nunca ofertaram a
sua “costela” nas mãos de Deus. Embora seja 0 sonho divino, Deus nun-
ca lhes trará a sua ajudadora idônea; estas nunca terão um sono pesado,
nem verão 0 seu amor conjugal despertar ao seu lado (Ct 3 :5 ). Isto quer
A ldery N elso n R o ch a

dizer que não haverá casamentos sólidos, duradouros e abençoados


por Deus se não houver uma oferta de sacrifício, sem 0 sono profundo
dos ideais, da oração, da busca na presença de Deus. Deus não traz seu
par sem matéria prima - “a costela”. O homem foi feito do barro, isto
é, do calcário, mas a mulher do cálcio. Assim, Deus trouxe Eva a Adão
depois que este ofertou a sua costela. Se 0 homem depositar todo 0 seu
coração a tal ponto de não haver mais nenhum sentimento guardado
por outra pessoa no seu peito, Deus virá e fará a sua intervenção. Aqui
está a base: Oferte uma costela e terás 0 seu par. Como isso acontecerá?
47
Virá alguém a partir da tua parentela e da tua terra. Não haverá jugo desi-
gual. Não haverá divórcio - Deus os unirá e homem nenhum, nenhuma
circunstância, nem a serpente e nem a tentação. Como encontrar 0 seu
amor? (Ct 1:7 8 ‫)־‬:
“Quer encontraro caminho certo aseguir?”. O texto de Cantares mostraque ajovem
não queria estar andando errante pela vida, nas mãos de um e depois nas mãos de
outro. Então ela perguntou ao Senhor; Onde descansas, senhor? Se tu me amas, pára
um pouco paraque te alcance:
Cantares 1:7: Faz-me saber, ó tu, amor da minha alma, onde
apascentas? Onde repousas ao meio-dia? Por que estaria eu
desocupada junto aos rebanhos de teus companheiros?
Segue as pisadas das ovelhas; continua firme no caminho de seu Deus, serve- 0 na sua
casa e apascenta seus cabritosjunto às tendas dos pastores. A palavra pastor indica a
profissão que, para ela, não era umjugo desigual; ela era camponesa e isso indica que
buscava um homem que estivesse na sua mesma áreaprofissional, Dedica tempo da
tuajuventude na casa do Senhor e espera o encontro divino:
Cantares 1:8: Se não 0 sabes, ó mais formosa entre as mu-
lheres, segue após as pisadas das ovelhas e apascenta os teus
cabritos junto aos acampamentos dos pastores.
Os que são chamados, abençoados e unidos por Deus se adaptam
tão bem, não só no amor, na compreensão, no carinho ou no compa-
nheirismo, mas na cumplicidade, e é por esta razão que acabam sendo
plantados na liderança do povo de Deus, mesmo que sejam apenas
como exemplo, como colunas de embelezamento por causa da maravi-
lha de seu testemunho a dois. Estes, sim, são 0 mesmo, um só. São hon-
rados como vasos de honra, são admirados e seguidos porque são uma
só carne e este tipo de fruto a união feita pelo homem (mesmo sendo
realizada na igreja ou no altar) não pode colher; somente 0 verdadeiro
amor acaba em ministério.
O matrimônio que 0 homem não pode separar pode encontrar, nas
palavras de Salomão, os passos seguros do amor em Cantares. Quero
apresentar alguns passos que encontramos nos dois primeiros capítulos:
1. No Éden, Deus vem na viração do dia para receber a adoração
de Adão e Eva. A comunhão tríplice entre 0 homem, a mulher e Deus
torna 0 casamento indissolúvel. Se Deus viesse no fim da tarde para
visitar 0 casal no Éden e encontrasse uma variedade de reclamações e
não 0 louvor, observasse uma comunicação imperfeita de amor entre
48
eles, uma mulher que desobedece a Deus e a seu marido, etc., ambos
até poderiam ser expulsos do seu Éden, mas permaneceríam unidos.
Deus os uniu e ele garante a sua união. Os matrimônios indissolúveis
permanecem no Éden e continuam juntos fora do Éden. Deus delibera-
damente não os expulsará, mas permitirá uma situação adversa a fim de
mostrar-lhes 0 seu amor restaurador; que deveríam estar unidos a fim de
vencerem 0 Diabo que os tenta, mas expiará 0 seu pecado e os ajudará
para permaneçam unidos sob as circunstâncias adversas fora do Éden.
O livro de Cantares tem sido estudado do ponto de vista sumamente
espiritual e todos os seus versículos são aplicados a um relacionamento
entre Cristo e a Igreja. Embora haja, na verdade, tipos profundos de
Cristo e a igreja neste romance, 0 livro de Cantares se aplica original-
mente ao relacionamento entre 0 marido e a mulher. Se entendermos
os profundos ensinamentos que nele estão registrados, teremos meios
para viver uma vida melhor, entendendo perfeitamente que temos uma
nuvem de testemunhas em nosso relacionamento matrimonial.
Cântico dos cânticos de Salomão mostra a nudez do casal; revela
0 Jardim do Éden do matrimônio, bem como demonstra a presença de
uma grande testemunha nesse relacionamento: O Criador do homem.
Vemos uma triangulação entre Deus, 0 Jardim do Éden e a nudez con-
jugal (limpeza, pureza, clareza e integridade).
No princípio do primeiro livro da Bíblia está escrito: “Adão e Eva
estavam nus e não se envergonhavam”. Estavam no Jardim do Éden e
Deus os visitava todas as tardes. Revela 0 papel do sacerdote no Taber-
náculo-visitar 0 Santo Lugar para trocar 0 azeite, 0 pão e 0 incenso-era
0 mesmo papel do Criador quando visitava 0 jardim de Adão e Eva; de
passagem também recebia 0 louvor do casal na viração do dia.
A ldery N elson R o c h a

Isso fala de uma vida de intimidade entre si, homem e mulher.


Isso fala de uma vida de intimidade entre 0 homem, a mulher e Deus.
Cantares é esse relacionamento trino - a presença de Deus (0 centro de
adoração) e 0 jardim (0 local de todo aquele culto ao Amor e à Vida). 0
relacionamento deles termina no altar de Deus. Eles não iam ao templo
para levar 0 seu culto. Deus vinha até eles para testemunhar a sua comu-
nhão e fazer parte dela. A viração do dia era 0 momento mais sublime de
avaliação, e Deus vinha para assinar 0 balance.
2 .0 casal que souber a diferença entre a ética da mesa e a transpa­
49
rência da cama será feliz. Lendo atentamente o verso a seguir observa-
mos muitas revelações bíblicas que se encaixam na vida de um casal
inseparável:
Cantares 1:1 b: “... que é de Salomão”.
Lendo atentamente cada frase do livro de Cantares, certamente
aprenderemos que sua linguagem é nitidamente livre de todo pre-
conceito e entendemos por que o que Deus junta o homem não pode
separar. O casal e suas testemunhas, as virgens de Jerusalém e os guar-
das da cidade formam uma nação cheia de cidadãos que conhecem 0
relacionamento bem sucedido.
Dizemos claramente que 0 relacionamento entre Cristo e sua Igre-
ja é diferente da intimidade que há entre marido e mulher, mas é um
exemplo de matrimônio indissolúvel. Ambos os relacionamentos es-
tabelecem a sua relação íntima sobre dois móveis: um sobre a mesa e 0
outro sobre a cama. Como 0 relacionamento entre 0 marido e a mulher
é estabelecido no conceito “carne da mesma carne”, obviamente 0 altar
desse relacionamento é a cama, 0 leito sem mácula de um matrimônio
que homem nenhum poderá separar. Por outro lado, 0 relacionamento
entre Cristo e a sua igreja é estabelecido na graça explícita “Espírito do
mesmo Espírito”. Assim 0 móvel profético dessa intimidade é a Mesa
do Senhor. Isso significa que da mesma forma que 0 casal frustra-se pela
rejeição sexual unilateral ou mútua sem causa convincente, também
quando não participamos da mesa do Senhor por alguma razão, provo-
camos zelo em nosso Senhor, pois não temos participado com ele em
um mesmo Espírito, em sua intimidade espiritual, na mesa. Da mesma
forma que cama representa para 0 matrimônio entre 0 homem e a mu-
lher, a Mesa do Senhor prova a intimidade da Igreja e Cristo.
Cristo+ Igreja= Mesa do Senhor
Homem+ M ulher= Cama
O Livro de Cantares é 0 Cântico da marcha nupcial, do cortejo do
amor aos pedaços em busca de atrair seu par a fim de enlaçá-lo, do ma-
trimônio que Deus une; e mais ainda, é a luta preciosa por conservá-los
unidos e selados para sempre.
3 . Quando 0 natural domina 0 artificial 0 matrimônio que Deus
50
une terá se estabelecido por gerações. O casal unido por Deus conhece
o segredo da parábola do Beijo e o Vinho. “Oh, se ele me beijasse com
os beijos de sua boca, pois são melhores os teus amores do que 0 vinho”
(Ct 1:2 ).
O casal que Deus une conhece que 0 beijo é 0 encontro de duas vi-
das e 0 símbolo mais profundo da unidade de duas almas, é quando cala
a boca, quando silencia a língua, quando nada mais podem registrar as
mãos, quando os sentidos se entregam às mãos dos lábios para expressa-
rem 0 que 0 poeta escreveu, aquilo que 0 cantor louvou e 0 que os olhos
esperavam. O beijo é 0 princípio da intimidade e também 0 fim. O beijo
é a porta pela qual se entra e se sai em busca do prazer e da satisfação. O
beijo justifica, culpa, cala, alegra e faz sonhar. O poder do beijo está nas
mãos do Amado - seus beijos são melhores do que 0 vinho.
Por que a Amada disse que 0 beijo de seu amado era melhor que 0
vinho? Areação física que sente um casal com um beijo é também uma
reação química e biológica; 0 casal que Deus une conhece que 0 vinho,
com 0 seu poder artificial, provoca as mesmas reações, mas não produz
0 sentimento maior: a paixão simultânea de dois amados. Embora 0
vinho traga reações físicas, químicas e biológicas, produz solidão, de-
pressão e estafa; mas 0 beijo não pode existir sem 0 Amado. A solidão e 0
individualismo do qual fala 0 vinho são destruídas quando 0 amor clama
pela necessidade do beijo que por sua vez enaltece a unidade de vidas.
O amor mútuo é a aproximação da vida. O vinho fala da busca artificial
daquilo que somente 0 amor pode desfrutar: respeito, prazer e amor.
Respeito e vinho não combinam; 0 prazer pelo vinho não chega à alma,
somente enlouquece 0 corpo e a mente.
O casal que Deus une sabe que a busca de um homem por aquilo
A ldery N elso n R o c h a

que trata de substituir 0 natural, 0 leal e 0 honesto é artificial, é vinho,


não inspira aplausos, nem felicitações, nem retribuições, nem bênçãos,
pois é escondido, nojento, produz medo, espanto, vergonha e imundí-
cia. Pode-se até sentir vantagens biológicas e químicas semelhantes ao
natural, mas 0 psicológico não será substituído e 0 corpo saberá discer-
nir 0 que é artificial, pois 0 amor natural completo jamais será superado
pelo artificial mentiroso.
O casal que Deus une conhece que aquilo que nasce do amor natu-
ral é melhor que 0 vinho. Uma pessoa pode viver um romance (vinho)
51
por muitos anos, mas no dia em que encontrar a bênção e a verdade
daquilo que é natural (beijo), viverá os momentos mais intensos de sua
existência. Pois o “beijo” é melhor que o “vinho”. Buscar o vinho para
satisfazer aquilo que somente o beijo natural pode fazer é extraconjugal,
é infidelidade, é egoísmo, é utopia.
4 . A esposa percebe quando o nome do esposo vale mais do que o
perfume que usa:
Cantares 1:3: “Mais que o perfume de teus suaves unguen-
tos, assim é teu nome, como ungüento derramado; por isso as
donzelas te amam.”
Os suaves ungüentos de seu Amado são famosos e certamente
lhe interessam. Mas ela está mais apaixonada pelo seu nome do que
pelos seus suaves perfumes. Isso quer dizer que a maior qualidade que
ele tinha era o seu nome; também significa que os suaves e afamados
perfumes jamais suplantariam a grandeza de seu nome (segurança,
cumprimento, pontualidade e valorização de detalhes, isto é 0 nome):
“melhor que suaves ungüentos é 0 teu nome”.
O nome de seu Amado fala de sua inteligência, crédito que sua
Amada lhe oferecia: sabedoria alcançada com as experiências estabe-
lecidas vividas e a admiração por sua ética sentimental. É claro que as
tolas se fixam somente nos suaves perfumes, que na vidasão presentes,
ajudas, interesses, suprimentos, aparências; perfumes derramados
(dados, oferecidos e sem compromisso) que depois são fatais motivos
de grande dificuldade para livrar-se, pois são armadilhas, laços de um
iníquo caçador.
O coração da Amada já havia aprendido que “vinho e suaves per-
fumes” derramados falam da mesma coisa: atitudes artificiais para
conquistar algo psicológico, mas frustrante, da mesma forma que 0
beijo e 0 nome não podem ser substituídos. Não permita que 0 artificial
(vinho) e os presentes suaves (ungüentos) minem de infidelidade 0 seu
maravilhoso coração.
Ele tinha 0 bom nome, 0 nome que valia mais que os perfumes enga-
nosos do mundo, pois 0 seu nome era vizinho da felicidade à direita, e da
integridade à esquerda; seu padeiro era a honestidade; prosperidade era
0 nome de seu professor. Que nome, que amor, que honra. Deus tinha
52
unido o seu matrimonio. Ela sabia que o verdadeiro amor estava ali sem
importunar, apóia sem forçar, oferecendo ajuda e força espiritual sem
obrigar, interessava-se pelo sofrimento sem intervir com suas próprias
conclusões. Nisso consiste a perpetuidade de um relacionamento feliz.
O casal que Deus une conhece sabe viver dentro e fora do Éden e
não se separa jamais.
O casal que Deus une sabe que cada um dos cônjuges é dedicado
como um eunuco da única instituição da qual são sócios até a morte e
cujos frutos são eternos, inclusive depois da morte. Pense bem nisso,
pois os frutos de um casamento serão sempre eternos.
Os segredos de um casamento indissolúvel, o qual Deus uniu:
O marido deve saber que submissão não é escravidão, mas uma
atitude voluntária de submeter-se a uma missão que gera frutos eternos:
à missão de esposa, de mulher, de ajudadora, de conselheira, de mãe, de
provedora, de administradora, de edificadora. O modelo de submissão
para a mulher é a própria Igreja, que tem seu corpo salvo por seu marido,
Cristo. O marido que salva 0 corpo de sua mulher terá uma grande
mulher ao seu lado; 0 marido que 0 destrói terá um saco de mágoa
merecido. A submissão da mulher ao seu marido está condicionada
à submissão do marido a Cristo. Paulo compara a mulher à Igreja e 0
marido, a Cristo. Ele faz uma simbologia baseando-se no espiritual para
revelar 0 natural. É uma tipologia incomum. Toda a tipologia bíblica
baseia-se no material para revelar verdades espirituais. Aqui, Paulo
inova e compara 0 espiritual ao material. O casamento de Cristo é um
tipo do casamento entre 0 homem e a mulher. Da mesma forma que
A ldery N elso n R o c h a

ele pede aos servos que obedeçam aos seus senhores, conhecedores da
Palavra ou não, também pede às mulheres que se submetam aos seus
maridos respectivamente, como ao Senhor Jesus. O exemplo é esse:
assim como elas se submetem a Cristo, as mulheres se submetam e
reverenciem seus esposos. A submissão da esposa e 0 cuidado oferecido
pelo esposo são a ponta do iceberg de toda a relação matrimonial bem
sucedida, são 0 termômetro de tudo.
A felicidade do matrimônio é um ciclo de felicidade. Assim como
Paulo pede que os maridos amem a sua mulher, e que a mulher cumpra
53
a sua missão, também pede aos servos que sirvam, em obediência,
seus patrões, como a Cristo. Submissão (para as esposas), amor (para 0
marido), obediência (para os servos), sem acepção de pessoas (para os
senhores).
Mas submissão incondicional é a grande arma que a mulher tem
em suas mãos para curar, purificar e santificar 0 seu marido de toda
podridão.
A submissão incondicional é 0 poder que a mulher tem para curar 0
seu marido de seus defeitos.
Asubmissão incondicional, à semelhança da Igreja diante de Cristo,
é um poder transformador, tal como Abigail experimentou diante de
um Davi cheio de ódio, mudando 0 seu desejo, mudando 0 seu destino,
mudando 0 seu futuro, mudando 0 seu coração.
A insubmissão da mulher enferma apodrece 0 marido, pois
0 marido passa a corresponder ao seu temperamento mutável e
desequilibrado.
A submissão da mulher santifica 0 marido (1 Co 7 : 14 ).
( 1) A mulher santifica 0 marido da podridão do seu coração quando
ela 0 reconhece como cabeça de seu corpo (Ef 5 :23 ).
(2 ) A mulher santifica 0 marido da podridão do seu coração quando
ela ministra bênçãos nas suas palavras em todo 0 tempo, não dando
lugar às palavras de maldições.
(3 ) A mulher santifica 0 marido da podridão do seu coração contra
ela quando ela honra 0 seu marido dentro e fora de sua casa (Et 1:2 0 ).
(4 ) Amulher santifica 0 marido da podridão do seu coração quando
ela demonstra atitudes de sabedoria ao edificar a sua casa (PV 14 . 1).
(5 ) A mulher santifica 0 marido da podridão do seu coração quando
ela demonstra ser sua amiga, não outros de seus algozes.
(6 ) A mulher santifica 0 marido da podridão do seu coração contra
ela quando ela é uma bênção na sua vida íntima (1 Co 7 :5 ).
(7 ) A mulher santifica 0 marido da podridão do seu coração quando
ela conquista a confiança de seu marido (Pv 31 : 11 ).
54
(8 )A mulher santifica o marido da podridão do seu coração quando
ela é uma fonte de bem para ele (Pv 31 : 12 ).
(9 ) A mulher santifica 0 marido da podridão do seu coração quando
ela se veste sob a sua autoridade e santidade (Pv 31 :23 ).
( 10 ) A mulher santifica 0 marido da podridão do seu coração
quando ela é 0 centro de sua admiração (Pv 31 :28 ). Aqui começa a
cadeia da felicidade familiar. São seis “vós”, a partir deste verso, que
formam uma cadeia inquebrantável:
Efésios 5:22: “Vós, mulheres, submetei-vos a vosso próprio
marido, como ao Senhor” (Cl 3 : 18 ; Gn 3 : 16 ; Ef 6 :5 ).
O casamento que Deus une tem um marido que sabe que Cristo é
0 referencial de seu relacionamento com sua esposa. E a esposa é 0 tipo
da Igreja. Mas há uma coisa que nos chama a atenção nesse texto: 0
marido é 0 salvador do corpo de sua esposa. Essa é uma bênção especial
que deve ser discutida. O marido é 0 salvador e não 0 destruidor do
corpo! Ele se interessa pelo bem do corpo de sua esposa, que lhe serve
em amor e em obediência. Quantos maridos têm salvado 0 corpo de
sua esposa? As palavras que Paulo pede aos maridos, esposas, servos,
filhos e senhores, são: submissão (para as esposas), amor (para 0
marido), obediência (para os servos e filhos), liderança sem acepção de
pessoas (para os senhores). Quatro palavras que fazem parte do nosso
relacionamento doméstico feliz. O que ele pede para todos os grupos
é difícil para ser executado; mas, ao obedecerem, de fato, demonstra 0
seu amor. Quanto à salvação do corpo, em relação a Cristo, ele cuida e
A ldery N elson R o c h a

nutre do corpo de sua esposa, pois esse é 0 seu próprio corpo. Quanto
ao homem, deve fazer 0 mesmo que Cristo faz por sua esposa. Mas
sabemos que 0 homem é um grande contribuinte para a deformação
corporal de sua mulher, sendo ele 0 que menos trabalha para salvá-lo.
Cristo é 0 Salvador de seu corpo, que é a Igreja. O homem deve ser 0
salvador do corpo de sua mulher, pois esse é um mandamento e, para
tal, tem um grande modelo: Cristo. Muitas mulheres se enchem de
valor quando 0 seu marido opta pelo exemplo de Cristo, 0 Salvador
do corpo. Do ponto de vista espiritual, ele é 0 Salvador da Igreja, mas
55
Paulo o uftiza como tipo para que os maridos tenham em Cristo o
modelo do cuidado da sua mulher. Não existirá submissão alguma
sem companheirismo e comunicação entre 0 casal. Poderá haver
muitos retiros, muitos jejuns e orações, muitos sermões da melhor
qualidade, mas se 0 casal não tem interesse nisso, e se houver dureza de
coração, tudo não passa de vaidade. Na verdade, muitos dos tormentos
matrimoniais nascem de união de jugos desiguais que nunca unir-se-ão
na missão nem na comunhão, e cada um apodrecerá 0 outro nas suas
negligências e dureza de coração, fazendo com que os acompanhados
vivam sós; maridos que nunca ofertaram a sua costela para Deus, nunca
lhes terão a sua auxiliadora, pois nunca tiveram um sono pesado e,
precipitadamente, despertaram 0 amor antes do tempo (Ct 3 :5 )
Efésios 5:23: “porque 0 marido é a cabeça da esposa, assim
como Cristo é a Cabeça da Igreja, sendo ele próprio 0 Salvador
do corpo” (1 Co 11 :3 ; 1:22 ; Cl 1: 18 ; Ef 1:23 ).
O exemplo para os homens é Cristo amando a Igreja, e 0 exemplo
para as mulheres é a submissão da Igreja a Cristo. O exemplo do
relacionamento bem-sucedido com 0 seu marido é dado: a submissão
incondicional da Igreja. Essa submissão incondicional da Igreja diante
de Cristo mantém a sua saúde, pois 0 seu marido sabe que deve nutri-la:
Efésios 5:24: “Porque assim como a Igreja está sujeita a
Cristo, assim também vós, mulheres, deveis estar em tudo
sujeitas a vosso marido” (Cl 3 : 18 ).
O casal que Deus une sabe que Cristo se santificou em lugar da
Igreja, ao entregar-se em vida e em corpo por ela, pagando 0 preço
incomparável.
( 1 ) Como Cristo amou a Igreja? Ele amou a Igreja com amor
incondicional para santificá-la. Ele não cobrou da Igreja sua submissão
incondicional, mas ele, antes, demonstrou 0 seu amor incondicional.
Não para apodrecê-la com atos, palavras e mentiras. Asantificação é um
depósito de garantia: A prova do depósito de garantia que a mulher tem
de que 0 seu marido verdadeiramente a ama é 0 seu (prática do amor)
cuidado incondicional.
(2 ) Como Cristo amou a Igreja? Ele amou a Igreja com amor
56
incondicional para purificá-la pela lavagem da água, que é a Palavra. A
purificação da esposa deve ser um ato sacerdotal do marido. É um ato
de lavagem com água, não com detergente nem com ácidos mortais
(gritarias, repreensões antiéticas), mas mediante a Palavra (segundo
a admoestação do amor), e para isso requer-se tempo, comunicação
e continuidade. O banho é um ato de higiene diária, assim como a
comunicação da Palavra.
(3 ) Como Cristo amou a Igreja? Ele amou a Igreja com amor
incondicional para apresentá-la a si mesmo uma Igreja gloriosa.
A Igreja é gloriosa quando é ouvida por Cristo em seus louvores e
quando se comunica com ele em oração. A Igreja é gloriosa quando
suas necessidades são supridas. A Igreja é gloriosa quando ela sente
a segurança de Cristo sobre ela. A Igreja é gloriosa quando Jesus está
juntinho dela. A Igreja é gloriosa quando ela sente a sua cobertura plena.
A igreja é gloriosa quando ela é valorizada. A Igreja é gloriosa quando ela
é chamada à intimidade da mesa de seu Senhor.
(4 ) Como Cristo amou a Igreja? Ele amou a Igreja com amor
incondicional para apresentá-la a si mesmo uma Igreja gloriosa sem
mancha. A Igreja fica sem mancha quando Cristo cura as suas feridas
com amor. A Igreja fica sem mancha quando Cristo cura as marcas
de suas feridas, transmitindo-lhe alegria. A Igreja fica sem mancha
quando Cristo mostra a sua paz, sendo 0 seu pacificador. A Igreja fica
sem mancha quando Cristo mostra a sua longanimidade. A Igreja fica
sem mancha quando Cristo mostra a sua benignidade. A Igreja fica sem
mancha quando Cristo mostra para ela a sua bondade. A Igreja fica sem
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mancha quando Cristo mostra sobre ela a sua fidelidade. A Igreja fica
sem mancha quando Cristo mostra sobre ela a sua mansidão. A Igreja
fica sem mancha quando Cristo demonstra sobre ela a sua temperança.
(5 ) Como Cristo amou a Igreja? Ele amou a Igreja com amor
incondicional para apresentá-la a si mesmo uma Igreja gloriosa sem
ruga. A Igreja fica sem ruga (marcas indesejáveis do tempo, memórias
do passado) quando Cristo perdoa os seus pecados. A Igreja fica sem
ruga quando Cristo prova que esqueceu todos as suas iniquidades e faz
nova todas as coisas.
57
(6 ) Como Cristo amou a Igreja? Ele amou a Igreja com amor
incondicional para apresentá-la a si mesmo uma Igreja gloriosa, sem
coisas semelhantes a essas (cicatrizes, celulites, estrías). A Igreja
fica sem distúrbios na carne e na pele quando Jesus mostra que sabe
suportar as suas fraquezas (Rm 15 : 1). A Igreja fica sem distúrbios na
carne e na pele quando Jesus mostra sobre ela a sua graça, que a cobre,
resplandecendo sobre ela. A Igreja fica sem distúrbios na carne e na pele
quando Jesus não exige a sua perfeição, mas a sua vida irrepreensível
(que é 0 poder de se auto-repreender antes de ser repreendido). A Igreja
fica sem distúrbios na carne e na sua pele quando Jesus lhe ensina como
deve lidar com as imperfeições e como deve suportar as fraquezas. A
Igreja fica sem distúrbios na carne e na pele quando Jesus lhe ensina
como caminhar duas milhas e como ser misericordiosa.
(7 ) Como Cristo amou a Igreja? Ele amou a Igreja com amor
incondicional para apresentá-la a si mesmo uma Igreja gloriosa, santa
e irrepreensível. Jesus ama a sua Igreja, a fim de apresentá-la santa e
irrepreensível, quando ele cobre as suas transgressões e lhe dá uma
segunda chance. A Palavra de Deus revela exemplos-chaves que
servem de tipologia para este assunto tão importante. Em Ester, em
Zípora, em Mical, temos resultados terríveis por causa de sua atitude
de insubmissão. A falta de companheirismo no ministério é um grande
perigo à vista para 0 matrimônio. Quando uma mulher decide ausentar-
se da vida de seu marido por razões tais, como: (a) cuidado da casa, (b)
criação dos filhos, (c) metas pessoais, (d) cuidado dos pais (e) e desprezo,
está dando brecha para a desestruturação de seu matrimônio. Somos
conhecidos pela nossa reação, não pelas nossas ações. Nenhum homem
de Deus será próspero se a sua esposa não estiver afinada à visão de Deus
e à obediência de seu marido
Efésios 5:25: Vós, maridos, amai vossa mulher, como também
Cristo amou a Igreja, e a si mesmo se entregou por ela,
Esse era 0 seu objetivo. A parte do texto acima diz que ele pagou por
isso (Hb 10 . 11 , 14 ). O processo de purificação é tremendo: ele a lava
com a Palavra. Veja 0 poder da comunicação. O poder da comunicação é
lavar. A Palavra comunicada entre 0 casal lava! O poder da comunicação
é lavar com água. Água é 0 elemento mais simples e insubstituível,
58
que representa a Palavra de Deus. Submissão (para as esposas), amor
(para o marido), obediência (para os servos e filhos), sem acepção
de pessoas (para os senhores): quatro palavras que fazem parte do
nosso relacionamento feliz. A circuncisão acontece quando Deus
tira a virgindade do homem, preparando-o para a multiplicidade do
cumprimento da Promessa; por isso Cristo é a cabeça do varão e 0 varão
é a cabeça da mulher. Esta submissão é supervisionada pelos anjos (1
Co 11 :10 ). Lembre-se, seu casamento é testemunhado pelos anjos. Os
anjos de proteção familiar trabalham em função da aliança contínua
do matrimônio. Aquele matrimônio que vive um relacionamento
quebrado e enfraquecido vive sem proteção angelical. A oração do
casal é uma das provas da unidade matrimonial. Procure orar com seu
par, não para mostrar 0 quanto você conhece de Deus, 0 quanto você
sabe orar, 0 quanto você é espiritual, fazendo largas orações
Efésios 5:26: para santificá-la e purificá-la pela lavagem da água,
que é a Palavra, (Tt3 :5 )
Ele a desposou quando estava na cruz, mas não a receberá em
casa antes de purificá-la. Sem antes tirar de si toda a podridão que
apresentava. Ele não quer uma Igreja primitiva, ele quer uma Igreja
Gloriosa. Ele a purifica para apresentá-la a si mesmo. Ele a prepara para
si mesmo. Ele não a prepara para seu Pai, nem para 0 Espírito Santo, mas
para si mesmo, 0 Filho. Essa é a comparação, cada esposo deve preparar
a sua esposa para si mesmo, a fim de não cobiçar nada dos outros.
Quando ela for apresentada gloriosa, essa é a sua glória também. Aqui
começa 0 trabalho no seu corpo. Como ele compara 0 material com 0
espiritual, entendemos que a mácula é algo interno que se manifesta
A ldery N elson R o c h a

externamente. Ele trabalha as duas partes de seu ser para deixá-la sem
mácula. Agora ele trabalha as marcas de sua velhice. Rugas. Ele não quer
uma mulher que aparenta ser uma pessoa inútil, ele a quer útil, sábia e
renovada. Ele a trabalha para isso. Isto está incluído no conjunto de sua
purificação. Aqui, ele inclui os problemas da mulher moderna, como
as estrías, as celulites. Como ele faz isso? Como ele tira rugas, máculas,
estrías, celulites? Esta era a preocupação do Rei, como sendo ele um tipo
de Cristo, tipo do marido que cuida de sua esposa. Ester está vivendo
esse momento retratado por Paulo. É uma linda tipologia:

59
Efésios 5:27: “e para apresentá-la asi mesmo uma Igreja glo-
riosa, sem mancha, nem ruga, nem coisas semelhantes a estas,
mas santa e irrepreensível” (Cl 1:22 ; Ef 1 :4 ).
Aqui ele finaliza dizendo que o amor do marido manifesta-se no
cuidado do corpo de sua esposa. Pois nunca ninguém aborrece a sua
própria carne, antes, a nutre e preza, como também Cristo em relação
à Igreja. Concluindo, ele diz, que vivendo esse tipo de amor, não abor-
recerá a sua própria carne, pois está sã.
O modelo do amor incondicional de Cristo serve para o marido:
“Assim também cada marido”. Por isso se santificou em lugar déla, se
entregou em vida e em corpo por ela, pagando o preço incomparável.
( 1) Ele amou a Igreja com amor incondicional para santificá-la.
(2 ) Ele amou a Igreja com amor incondicional para purificá-la pela
lavagem da água, que é a Palavra. Isto é, a comunicação com amor é a
força que inspira a submissão da amada.
(3 ) Ele amou a Igreja com amor incondicional para apresentá-la a si
mesmo uma Igreja gloriosa. Sem rancor.
(4 ) Ele amou a Igreja com amor incondicional para apresentá-la a si
mesmo uma Igreja gloriosa, sem mancha. Sem frustração.
(5 ) Ele amou a Igreja com amor incondicional para apresentá-la a si
mesmo uma Igreja gloriosa, sem ruga. Sem marcas do passado.
(6 ) Ele amou a Igreja com amor incondicional para apresentá-la a si
mesmo uma Igreja gloriosa, sem coisas semelhantes a essas (cicatrizes,
celulites, estrías).
(7 ) Ele amou a Igreja com amor incondicional para apresentá-la a
si mesmo uma Igreja gloriosa, santa e irrepreensível. Quem ama a sua
mulher, ama a si mesmo. Pois nunca ninguém aborrece a sua própria
carne, antes, a nutre e preza. Concluindo, ele diz que vivendo este tipo
de amor, não aborrecerá a sua própria carne, pois está sã.
Os maridos devem amar como Cristo amou. Paulo não diz “assim
como Cristo amará”, mas como Cristo amou, isto é, ele a amou antes
mesmo de ser transformada. Ele a amou antes da fundação do mundo.
60
Ele a amou e se entregou por ela, pois sua condição era precária. Ela não
estava preparada para ele, nem era compatível a ele quando ele aamou!
Ele a amou mesmo sendo incompatível a ela. Por isso se santificou em
lugar dela, ao entregar-se por ela, pagando 0 preço incomparável
Efésios 5:28: “Assim também cada marido deve amar a sua
própria mulher, como a seu próprio corpo; porque 0 que ama a
sua mulher, a si mesmo ama” (Ef5 :25 ).
Efésios 5:28-30: ( 1) Como deve ser esse amor incondicio-
nal? Deve amar como a seu próprio corpo. (2 ) Como deve ser esse amor
incondicional?Jamaisaborrecendoasua própria carne. (3 ) Comodeve
ser esse amor incondicional? Nutrindo-a e sustentando-a. (4 ) Como
deve ser esse amor incondicional? Sempre tendo em mente que 0 casal
é carne da mesma carne e ossos de seus ossos.
Efésios 5:29: Porque ninguém jamais aborreceu asuaprópria
carne; antes a nutre e a sustenta, assim como também Cristo, 0
nosso Senhor, faz com a sua Igreja;
Como 0 relacionamento entre marido e mulher é estabelecido no
fato de serem carne da mesma carne, obviamente 0 móvel profético
desse relacionamento é a cama, 0 leito sem mácula. Por outro lado, 0
relacionamento entre Cristo e a sua Igreja é estabelecido por serem
ambos Espírito do mesmo Espírito. Assim, 0 móvel profético dessa
intimidade é a Mesa do Senhor. Isso significa que da mesma forma
que 0 casal é frustrado pela rejeição sexual sem causa convincente,
também quando não participamos da mesa do Senhor, por alguma
A ldery N elson R o c h a

razão, provocamos zelo em nosso Senhor, pois não temos participado


com ele em um mesmo espírito, em sua intimidade na mesa. O que
a cama representa para 0 matrimônio entre 0 homem e a mulher, a
mesa determina intimidade entre a Igreja e Cristo, no Espírito. Assim 0
livro de Cantares é a manifestação total dessa intimidade que se cultua
na santa recámara do Corpo, no santíssimo lugar do coração e com a
bênção do Espírito de Deus
Efésios 5:30: porque somos membros do seu corpo, de sua carne
e de seus ossos. (Rm l 2 :5 ; 1 Co 6 : 15 ; Ef 1:23 )
61
Nada é mais íntimo de um homem do que os seus pais. E de quem
Deus liberta o homem para se unir à sua mulher, indicando com
isso que, para que o homem tenha sucesso no seu matrimônio, é
necessário que ele deixe de fora de sua nova vida aqueles que fizeram
parte da sua história anterior, para que possa viver ao lado da pessoa
que escolheu para fazer parte de sua vida (em carne e ossos)
Efésios 5:31 : Por isso, deixará 0 homem a seu pai e a sua mãe
e se unirá à sua mulher; e serão dois numa só carne. (Gn 2 :2 4 ; Mt
19 :5 ; 1 Co 6 : 16 )
O segredo do sucesso do relacionamento do marido com a
sua esposa é 0 seu amor incondicional, bem como 0 sucesso da
mulher, no seu relacionamento com 0 seu marido, é a sua submissão
incondicional. O amor incondicional e a submissão incondicional
são as duas partes do grande mistério do casamento. Os maridos
devem amar como Cristo amou. O segredo do seu amor foi 0 amor
sacrificial
Efésios 5:32: Grande é este mistério: refiro-me à relação entre
Cristo e sua Igreja.
Várias vezes, Paulo admoesta ao marido que ame a sua esposa
segundo 0 modelo de Cristo, com amor incondicional:
Efésios 5:33: “Assim também cada um de vós, em particular,
ame a sua esposa como a si mesmo, e a esposa reverencie 0 seu ma-
rido”.
A cadeia da felicidade é maravilhosa. Q uando marido
e mulher vivem 0 amor e a submissão incondicionais, os filhos
obedecem aos pais incondicionalmente. Filhos honrarão aos pais
incondicionalmente segundo a justiça plena. Os filhos já nascem
com uma grande dívida: dar continuidade à promessa de Deus feita
para seus pais. A jovem manifesta publicamente a sua submissão
pelo véu da obediência e 0 jovem pelo aprendizado de seus ofícios.
A obediência é 0 maior aprendizado, sem ela não se conhece nada.
A obediência é 0 reconhecimento da experiência. Atendendo-se
à voz da experiência certamente não se ouvirá a voz de prisão,
de repreensão, de juízo. Submissão (para as esposas), amor (para
0 marido), obediência (para os servos e filhos), sem acepção de
62
pessoas (para os senhores). Quatro palavras que fazem parte do
nosso relacionamento feliz:
Efésios 6:1 : “Vós, filhos, obedecei a vossos pais no Senhor,
porque isto é justo” (Cl 3 :2 0 ).
Q uando os filhos obedecem e honram os seus pais
incondicionalmente, semelhantem ente a sua mãe se submete
ao seu marido incondicionalmente e 0 marido ama a mãe deles
incondicionalmente, temos uma família cheia de saúde, próspera
e abençoada. É a cadeia da felicidade! A honra ao pai gera bênção
definitiva. Temos exemplos na vida de José e Jacó, seu pai. A
bênção do pai estabelece a honra, como em Isaque. Seu nome será
perpetuado. E a honra à mãe gera graça diante dos homens. Temos
exemplos na vida de Jacó diante de Labão. A bênção da mãe produz
graça diante dos homens. Sua vida será preservada. A promessa é
não morrer prematuramente sem ter completado a missão pessoal
entre os viventes. Morrer prematuramente é a falta dessa bênção.
Três coisas determinam a nossa morte prematura: ( 1) a traição, (2 ) a
desonra ao pai e à mãe, (3 ) e a mentira:
Efésios 6:2: “Honrai a vosso pai e a vossa mãe, porque este é
0 primeiro mandamento que vem com promessa” (Dt 5 : 16 ).
O resultado da honra e da obediência incondicional aos pais
é uma vida feliz e prolongada na terra (Gn 5 ). Para que te vá bem,
profissionalmente: uma bênção paterna. A distância do Pai não é
somente um fator de espaço, pois muitos estão distantes de seus pais e
A ldery N elson R o c h a

demonstram seu amor como se estivessem presentes. Mas a distância


maior é a falta de comunhão. A distância do filho pródigo era a falta
de comunhão. Muitas coisas acontecem quando estamos longe da
comunhão do Pai. Ninguém nos dar nada enquanto estivermos longe
do Pai, pois estaremos longe da casa da misericórdia. E seja de longa
vida sobre a terra: uma bênção materna:
Efésios 6:3: “para que sejais feliz, e a vossa vida seja prolonga-
da sobre a terra” (Êx 20 : 12 ).

63
O s pais p o d em apodrecer os seus filhos, provocando-os. Pais p o d em
cu ra r os seu s filhos, ed u can d o -o s n a d o u trin a d e D eus. Pais p o d e m
cu rar a p o dridão dos seus filhos, adm oestando-os n o Senhor. O pai irrita
p ro fu n d a m en te os seus filhos se n d o infiel à m ãe dele
Efésios 6:4: “E vós, pais, n ã o p ro v o q u eis a ira dos vossos filhos,
m as educai-os n a d o u trin a e n a adm oestação de nosso S en h o r” (Cl 3 :2 1 ;
G n 18:19).
C a d a m a rid o a m a a s u a m u lh e r se g u n d o u m m o d e lo . C a d a
m u lh e r am a 0 seu m arido seg u n d o u m p adrão. O s filhos a m a m os pais
se g u n d o u m m o d elo . M as os serv o s se rv e m a seu s se n h o re s c o m o
q u e m serv e a C risto. O p a d rã o é a fé. C o m o u m serv o p o d e servir
ao seu sen h o r:
Efésios 6:5: “Vós, servos, o b ed ecei a vossos se n h o re s se g u n d o
a c arn e, co m te m o r e trem or, n a singeleza d e vosso coração, c o m o a
C risto ” (Cl 3 :2 2 ; T t 2 :9 ; 1 Pe 2 :1 8 ; 1 T m 6 :1 ; Fp 2 :1 2 ; 1 C r 2 9 :1 7 ).
Em o u tras palavras: Se a m u lh e r se su b m e te à m issão d o se u m arid o ,
0 m arid o a a m a rá (cedo o u tard e); e se os filhos o b se rv a rem q u e a
su a m ãe se su b m e te a le g rem e n te ao se u pai, e q u e 0 se u pai a m a a
m ãe deles, os m esm o s os o b e d e ce rão a u to m a tic a m e n te ; d a m esm a
m an eira os servos, ao o b serv arem q u e os filhos a m a m aos seu s pais e 0
o b ed ecem , ta m b é m o b e d e ce rão a u to m a tic a m e n te aos seus p a trõ e s e
os seus p atrõ es jam ais os tratarão de form a cruel. A cadeia d a felicidade
co m eça e m casa e term in a n a em p resa.

64
Oque
Deus não
Juntou
66
N e m to d o s os c a sa m e n to s tê m a b ê n ç ã o dos pais, d os am igos
ou d a so c ie d a d e , pois a m aio ria d esses m atrim ô n io s p ro b lem ático s
não c o n ta ra m c o m as b ê n ç ão s d e D eu s. M u ita s d essas u n iõ e s ma-
trim o n iais são fru to s d e decisõ es próprias, reb e ld es o u de v ingança.
E ntão, p o r q u e D eu s d ev e ser resp o n sab ilizad o e obrigado a a b en ço ar
c a sa m en to s q u e ele n u n c a u n iu , n u n c a p re d e s tin o u n e m arran jo u ?
D eus n ã o é serv o , e le é Senhor. M u ita s coisas n eg ativ as p o d e m estar
relacio n ad as c o m u m m a trim ô n io ; p o r e x e m p lo , co m o a salvação
da falsa h o n ra d o n o m e fam iliar - c a sa m e n to realizad o p ara co b rir a
fo rn icação c o m p red iç ão d e m a te rn id a d e p re c o c e , tipo d e u n iã o q u e
g e ra lm e n te to rn a-se e m u m a obrig ação m o ral e q u e , salvo p o r u m
m ilagre, n ã o te rá c o n tin u id a d e .
D eu s n ã o e stá o b rig ad o a u n ir d u a s pessoas p o r c a p rich o p a te rn o
ou m atria rc a l, esp iritu al o u m in isterial. E ste tipo d e u n ião é v ulnerá-
vel.
C a sa m e n to p o r in te re sse , p o r “golpe do b a ú ”, inclusive p o r golpe
do b a ú m in iste ria l e a té p o r arran jo s “p ro fé tic o s” , d e jugos desiguais,
n ão s o m e n te p o r fé o u d e n o m in a ç ã o , m as p o r jugo desigual cu ltu ral -
pessoas d e países c u ltu ra lm e n te d ife ren te s, ou a té m esm o u n id as sob
jugo d esig u al e d u c ac io n al, n íveis d e c o n h e c im e n to geral defasados
- , d e esp o sas o u esp osos se m n e n h u m in te re sse n a c h a m a d a o u mi-
n istérios d o seu cô n ju g e, d e m issão ou ch am a d o s distintos, ch am ad o s
m issio n ário s d ia m e tra lm e n te o p o sto s. Estas u n iõ e s são v u ln eráv eis,
salvo p o r u m m ilag re d e D e u s o u p o r u m a re n ú n c ia específica por
cau sa d o R eino d e D e u s (M t 1 9 :1 2 c).
A ldery N elson R o c h a

N o s m o v em o s se m p re d ia n te d os trê s tipos d a v o n ta d e d e D eus:

( 1 ) N a b o a v o n ta d e .
(2) N a v o n ta d e agrad áv el.
(3) N a v o n ta d e p erfeita.

N e stes trê s n ív eis d a v o n ta d e d e D eu s, os ju sto s c a m in h a m com


su a fam ília. E u m a d ecisão feita sob ju ra m e n to e te m q u e v aler a té à
m o rte . A lg u n s se a p ressam e a c e ita m 0 q u e é b o m , m as n ã o é agra-
dável, n e m p erfeito . O u tro s se c o n fo rm am c o m 0 agrad áv el, m esm o

67
sa b en d o q u e lh es faltava p o u c o p a ra a lc a n ç a r 0 p erfeito . M as o u tro s
esp eram p elo p erfeito. M ical foi u m a b o a esp o sa p ara D avi, m as Abi-
gail foi-lhe agrad áv el. S o m e n te A bsague foi p erfeita, m as D avi n ã o
p ô d e desfrutá-la, pois a su a m a tu rid a d e c h e g o u m u ito tard e .
Sabem os q u e h á m u ito s c a sa m e n to s n a h istó ria bíblica q u e D eu s
n u n c a a ju n to u . M o isés e Z íp o ra,T am ar e Er (G n 3 8 :6 ), T am ar e O n ã
(Gn 3 8 :7 ), D avi e M ical e m u ito s o u tro s. O te x to d e Mateus 19:12c
q u e diz q u e “ h á eu n u co s q u e a si m esm os se fizeram e u n u co s p o r causa
do Reino dos C éu s” fala da h u m ild ad e de u m casal (que convive por to d a
a vida) que serviu para ser apenas pais d e seus filhos e bons am igos. E que,
para não haver escândalo n o m eio do povo, p e rm an eceu casado.

As leis que crivain e blindam o casamento indissolúvel:

Subm issão (não escravidão) é subm eter-se a u m a m issão: à m issão


de esposa, de m ulher, d e aju d ad o ra, e m id o n eid ad e; d e conselheira,
de m ãe, d e p ro v ed o ra, de ad m in istrad o ra, d e edificadora. O m o d elo
de subm issão para a m u lh e r é a p ró p ria Igreja, q u e te m se u corpo salvo
por seu m arido , C risto. O m arid o q u e salva 0 co rp o d e su a m u lh e r te m
u m a g ran de m u lh e r ao se u lado, 0 m arido q u e 0 destrói tem u m saco de
m ágoa m erecid o . A subm issão d a m u lh e r ao seu m arid o está condicio-
n ad a à subm issão d o m arid o a C risto. P aulo co m p ara a m u lh e r à Igreja
e 0 m arid o, a C risto. Ele faz u m a sim bologia baseando-se n o espiritual
para revelar 0 n atu ral. É u m a tipologia in co m u m . T oda a tipologia bíbli-
ca baseia-se n o m aterial p ara revelar v erd ad es espirituais. A qui, P aulo
inova e co m p ara 0 espiritual ao m aterial. O c a sa m en to d e C risto é u m
tipo d o c a sam en to e n tre 0 h o m e m e a m ulher. D a m esm a form a q u e
ele p ed e aos servos q u e o b ed eçam aos seus sen h o res, c o n h e ce d o res da
Palavra o u n ã o , tam b é m p ed e às m u lh e res q u e se su b m e ta m aos seus
m aridos co m o ao S en h o r Jesus. O ex em p lo é esse: assim co m o elas se
su b m e te m a C risto, se s u b m e ta m e rev e re n cie m seus esposos. A sub-
m issão d a esposa e 0 seu cu id ad o , p a rtin d o d e seu esposo, são a p o n ta
do iceb erg d e to d a a relação m atrim onial, 0 term ô m e tro d e tu d o . Assim
com o Paulo p ed e q u e os m aridos a m e m a su a m ulher, e q u e a m u lh e r
cu m p ra a s u a m issão, tam b ém p e d e aos servos q u e sirvam , em obediên-
cia, seus patrões, com o a Cristo. Subm issão (para as esposas), am o r (para

68
o m arid o ), o b ed ien cia (para os servos), sem acepção d e pessoas (para
os se n h o re s). M as subm issão incondicional é a g ran d e a rm a q u e a m u-
lher te m e m su as m ão s p a ra curar, purificar e santificar o seu m arid o de
toda po d rid ão . A sub m issão incondicional é o p o d e r q u e a m u lh e r tem
para c u ra r o se u m arid o d e seu s defeitos. A subm issão incondicional,
à sem e lh an ç a d a Igreja d ian te d e C risto, é u m p o d e r transform ador, tal
com o Abigail ex p erim en to u diante de u m Davi cheio de ódio, m u d an d o
o seu desejo, m u d a n d o o seu destino, m u d an d o o seu futuro, m u d an d o
o seu coração. A in subm issão d a m u lh e r e n ferm a e ap o d rece o m arido,
pois o m arid o passa a c o rre sp o n d er ao se u te m p e ra m e n to m u táv el e
desequilibrado. A subm issão d a m u lh e r santifica o m arido (1 Co 7:14).
(1) A m u lh e r santifica o m arid o d a po d rid ão do se u coração q u a n d o ela
o rec o n h e c e co m o cabeça de se u corpo (Ef 5 :2 3 ). (2) A m u lh e r santifica
o m arid o d a p o d rid ão do seu coração q u a n d o ela m inistra bênçãos nas
suas palavras e m to d o 0 tem p o , n ã o d a n d o lugar às palavras de maldi-
ções. (3) A m u lh e r santifica 0 m arido d a podridão d o seu coração contra
ela q u a n d o ela h o n ra 0 se u m arido d e n tro e fora d e su a casa (Et 1:20).
(4) A m u lh e r santifica 0 m arid o d a pod rid ão do se u coração q u an d o
ela d e m o n stra a titu d e s de sabedoria ao edificar a su a casa (Pv 14.1).
(5) A m u lh e r santifica 0 m arid o d a p o d rid ão d o seu coração q u an d o
ela d e m o n stra se r su a am iga, n ão o u tro s d e seus algozes. (6) A m u lh e r
santifica 0 m arid o d a po d rid ão d o se u coração c o n tra ela q u a n d o ela
é u m a b ê n ç ão n a su a v ida ín tim a (1 C o 7:5). (7) A m u lh e r santifica 0
m arido d a p o d rid ão d o seu c oração q u a n d o ela co n q u ista a confiança
de seu m arid o (Pv 3 1 :1 1 ). (8) A m u lh e r santifica 0 m arido d a podridão
do seu co ração q u a n d o ela é u m a fonte de b e m p ara ele (Pv 3 1 :1 2 ). (9)
A ldery N elson R o c h a

A m u lh e r santifica 0 m arid o d a po d rid ão d o se u coração q u a n d o ela se


v este sob a su a a u to rid ad e e sa n tid ad e (Pv 3 1 :2 3 ). (10) A m u lh e r santi-
fica 0 m arid o d a p o d rid ão do seu coração q u a n d o ela é 0 c e n tro d e sua
adm iração (P v 3 1 :28). A qui co m e ç a a cadeia d a felicidade familiar. São
seis “v ó s”, a partir deste verso, q u e form am u m a cadeia inquebrantável:
Efésios 5:22: “Vós, m u lh e res, subm etei-vos a vosso próprio m arido,
com o ao S en h o r; ” !0 3 :18; cn3:16;E/6:5)
O m arid o é 0 tipo d e C risto n o seu rela cio n a m e n to co m su a esposa.
E a esposa é 0 tipo da Igreja. M as h á u m a coisa q u e n os c h a m a a atenção
nesse tex to : 0 m arid o é 0 salvador do co rp o d e su a esposa. Essa é u m a

69
b ên ção especial q u e d ev e ser discutida. O m arid o é 0 salvador e n ã o 0
d estru id o r do corpo! Ele se in teressa pelo b e m do co rp o de su a esposa,
q u e lhe serve e m am o r e e m o bediência. Q u a n to s m aridos tê m salvado
0 corpo de sua esposa? As palavras q u e Paulo p ed e aos m aridos, esposas,
servos, filhos e sen h o res, são: subm issão (para as esposas), a m o r (para 0
m arid o ), o b ed iên cia (para os servos e filhos), lid eran ça se m acep ção d e
pessoas (para os sen h o res). Q u a tro palavras q u e fazem p a rte d o nosso
relacio n am en to d o m éstico feliz. O q u e ele p e d e p ara to d o s os grupos
é difícil p ara se r e x ecu tad o ; m as, ao o b e d e ce rem , d e fato, d e m o n stra
0 seu am or. O m arid o é a cab eça d a m ulher, e C risto a cab eça d a Igreja.
P o rtan to , a m u lh e r d ev e tra z e r so b re a cab eça u m sinal d e subm issão,
p o r cau sa d o s an jos ( 0 sinal de subm issão a se u pai, m arid o o u m inistro
de D eus é 0 seu cabelo n ã o rapado, m as b em tratad o ). Q u a n to à salvação
do corpo, em relação a C risto, ele c u id a e n u tre do corpo de su a esposa,
pois esse é 0 seu próprio corpo. Q u a n to ao h o m e m , d ev e fazer 0 m esm o
q u e C risto faz p or su a esposa. M as sabem os q u e 0 h o m e m é u m g ran d e
co n trib u in te p ara a deform ação corporal d e su a m ulher, sen d o ele 0 q u e
m en o s trab alh a p ara salvá-lo. C risto é 0 Salvador d e se u corpo, q u e é a
Igreja. 0 h o m e m d ev e ser 0 salvador d o co rp o de su a m ulher, pois esse
é u m m a n d a m e n to e, p ara tal, te m u m g ran d e m odelo: C risto. M u ita s
m u lh e res se e n c h e m de valor q u a n d o 0 se u m arido o p ta pelo e x em p lo
d e Cristo, 0 Salvador do corpo. D o p o n to de vista espiritual, ele é 0 Salva-
d or d a Igreja, m as P aulo 0 utiliza co m o tipo p ara q u e os m aridos te n h a m
em C risto 0 m o d elo d o cu id ad o d a su a m ulher. N ão existirá subm issão
alg u m a sem c o m p an h eirism o e co m u n icação e n tre 0 casal. P o d erá ha-
v er m u ito s retiro s, m u ito s jejuns e orações, m u ito s serm õ es d a m e lh o r
qualidade, m as se 0 casal n ão tem interesse nisso, e se h o u v e r d u re z a de
coração, tu d o n ão passa de vaidade. N a v erd ad e, m u ito s dos to rm e n to s
m atrim o n iais n a sce m d e u nião de jugos desiguais q u e n u n c a unir-se-ão
n a m issão n e m n a c o m u n h ã o , e cad a u m a p o d re c e rá 0 o u tro n as suas
negligências e d u re z a d e coração, fazen d o co m q u e os a c o m p a n h a d o s
vivam sós; m aridos q u e n u n c a ofertaram a su a costela para D eus, n u n c a
lhes terão a su a auxiliadora, pois n u n c a tiv eram u m so n o p esad o e, pre-
cip itad am en te, d e sp ertara m 0 a m o r an te s do te m p o (C t 3:5):
Efésios 5:23: p o rq u e 0 m arido é a cabeça d a esposa, assim co m o C risto
é a C ab eça d a Igreja, sen d o ele próprio 0 Salvador d o corpo. (1 co 11:3;1:22‫ן‬

70
O e x em p lo p ara os h o m e n s é C risto a m a n d o a Igreja, e o exem plo
para as m u lh e re s é a subm issão d a Igreja a C risto. O ex em p lo do re-
lacio n am en to b em -sucedido co m o se u m arido é dado: a subm issão
incondicional d a Igreja. Essa subm issão incondicional d a Igreja diante
de C risto m a n té m a su a saú d e, pois o seu m arido sabe q u e deve n u tri‫־‬la:
Efésios 5:24: “ P o rqu e assim co m o a Igreja está sujeita a C risto, assim
tam b é m vós, m u lh e res, deveis estar e m tu d o sujeitas a vosso m arid o .”
!03:18}
Por isso se santificou e m lugar dela, ao entregar-se e m v ida e em
corpo p o r ela, p ag an d o 0 p reço incom parável. (1) C o m o C risto a m o u a
Igreja? Ele a m o u a Igreja com a m o r incondicional p ara santificá-la. Ele
não c o b ro u d a Igreja su a subm issão incondicion al, m as ele, a n tes, de-
m o n stro u 0 seu a m o r incondicional. N ão para apodrecê-la com atos, pa-
lavras e m en tiras. A santificação é u m d epósito d e garantia: A prova do
depósito d e garan tia q u e a m u lh e r tem d e q u e 0 seu m arido verdadeira-
m en te a am a é 0 seu (prática do am or) cuidado incondicional. (2) C om o
Cristo a m o u a Igreja? Ele a m o u a Igreja com a m o r incondicional para
purificá-la pela lavagem da água, q u e é a Palavra. A purificação da esposa
deve se r u m ato sacerd otal d o m arid o . É u m a to de lavagem com água,
não co m d e te rg en te n e m co m ácidos m ortais (gritarias, repreensões an-
tiéticas), m as m e d ia n te a Palavra (segundo a ad m o estação d o a m o r), e
para isso requer-se tem p o , co m u n icação e c o n tin u id ad e. O b an h o é um
ato d e h ig ien e diária, assim c o m o a co m u n icação d a Palavra. (3) C om o
C risto a m o u a Igreja? Ele a m o u a Igreja co m am o r incondicional para
apresentá-la a si m esm o u m a Igreja gloriosa. A Igreja é gloriosa q u an d o
é o u v id a p o r C risto e m seus louvores e q u a n d o se c o m u n ic a c om ele
A ldery N elson R o c h a

em oração . A Igreja é gloriosa q u a n d o suas n ecessid ad es são supridas.


A Igreja é gloriosa q u a n d o ela se n te a seg u ran ça de C risto sobre ela. A
Igreja é gloriosa q u a n d o Jesus está ju n tin h o dela. A Igreja é gloriosa
q u an d o ela se n te a su a c o b e rtu ra plena. A igreja é gloriosa q u an d o ela
é v alorizada. A Igreja é gloriosa q u a n d o ela é ch a m a d a à in tim id ad e da
m esa d e se u Senhor. (4) C o m o C risto a m o u a Igreja? Ele a m o u a Igreja
com a m o r in co n d icio n al p ara apresentá-la a si m esm o u m a Igreja glo-
riosa sem m an c h a . A Igreja fica sem m a n c h a q u an d o C risto cu ra as suas
feridas c o m am or. A Igreja fica sem m a n c h a q u a n d o C risto c u ra as mar-
cas d e suas feridas, tran sm itin d o -lh e alegria. A Igreja fica sem m an ch a

71
q u an d o C risto m o stra a su a paz, se n d o 0 se u pacificador. A Igreja fica
sem m a n c h a q u a n d o C risto m o stra a su a lo n g an im id ad e. A Igreja fica
sem m an c h a q u a n d o C risto m o stra a su a b enignidade. A Igreja fica sem
m an ch a q u an d o C risto m o stra p ara ela a su a b o n d ad e. A Igreja fica sem
m an ch a q u a n d o C risto m o stra so b re ela a su a fidelidade. A Igreja fica
sem m a n c h a q u a n d o C risto m o stra so b re ela a su a m an sid ão . A Igreja
fica sem m an c h a q u a n d o C risto d e m o n stra sobre ela a su a tem p eran ça.
(5) C o m o C risto am o u a Igreja? Ele am o u a Igreja com a m o r incondicio-
nal p ara apresentá-la a si m esm o u m a Igreja gloriosa sem ru g a. A Igreja
fica sem ru g a (m arcas indesejáveis d o tem p o , m em ó rias d o passado)
q u a n d o C risto p erd o a os seus pecad o s. A Igreja fica sem ru g a q u a n d o
C risto pro v a q u e esq u ec e u to d o s as suas in iq u id ad es e faz n o v a todas
as coisas. (6) C o m o C risto a m o u a Igreja? Ele a m o u a Igreja c o m am o r
in co n d icio n al p ara apresentá-la a si m esm o u m a Igreja gloriosa, sem
coisas se m e lh an te s a essas (cicatrizes, celulites, estrías). A Igreja fica
sem distúrbios n a carn e e n a pele q u an d o Jesus m ostra q u e sabe su p o rtar
as suas fraq u ezas (Rm 15:1). A Igreja fica sem distúrbios n a c a rn e e n a
p ele q u a n d o Jesus m o stra so b re ela a su a graça, q u e a co b re, resplande-
c en d o so b re ela. A Igreja fica se m distúrbios n a c a rn e e n a pele q u a n d o
Jesus n ão exige a su a perfeição, m as a su a v ida irrep reen sív el (que é 0
p o d er d e se au to -rep reen d er an tes de ser repreendido). A Igreja fica sem
d istúrbios n a c arn e e n a su a pele q u a n d o Jesus lh e e n sin a co m o d ev e
lidar co m as im perfeições e c o m o d ev e su p o rta r as fraquezas. A Igreja
fica sem d istúrbios n a c arn e e n a pele q u a n d o Jesus lh e e n sin a co m o ca-
m in h a r d u as m ilhas e co m o se r m isericordiosa. (7) C o m o C risto a m o u
a Igreja? Ele a m o u a Igreja com a m o r in co n d icio n al p ara apresentá-la
a si m esm o u m a Igreja gloriosa, sa n ta e irrep reen sív el. Jesus a m a a su a
Igreja, a fim d e ap resentá-la sa n ta e irrep reen sív el, q u a n d o ele co b re as
suas tran sg ressões e lh e dá u m a se g u n d a c h an ce. A Palavra d e D eus
rev ela ex em p los-chaves q u e serv em d e tipologia p ara este a ssu n to tão
im p o rtan te. Em Ester, em Zípora, e m M ical, tem o s resu ltad o s terríveis
por causa d e su a a titu d e d e insubm issão. A falta d e co m p an h eirism o no
m inistério é u m g ran d e perigo à vista p ara 0 m atrim ô n io . Q u a n d o u m a
m u lh e r decide ausentar-se d a v id a d e se u m arid o p o r razões tais, com o:
1) cu id ad o d a casa, 2) criação dos filhos, 3) m etas pessoais, 4) cu id ad o
d o s pais 5) e desp rezo, está d a n d o b rec h a p ara a d esestru tu raç ã o d e seu

72
m atrim o n io . Som os c o n h ecid o s pela nossa reação, n ã o pelas nossas
ações. N e n h u m h o m e m d e D eu s será próspero se a su a esposa não
estiver afinada à visão d e D eu s e à o b ed iên cia de se u m arido:
Efésios 5:25: “Vós, m aridos, am ai vossa m ulher, com o tam b é m Cristo
am ou a Igreja, e a si m esm o se e n tre g o u p o r ela, ”

O preço pela manutenção do seu amor:

Esse era 0 seu objetivo. A p a rte do tex to acim a diz q u e ele pagou por
isso (Hb 1 0 :1 1 ,1 4 ). O p rocesso d e p urificação é tre m en d o : ele a lava
com a Palavra. Veja 0 p oder da com unicação. O p o der da com unicação é
lavar. A Palavra co m u n icad a e n tre 0 casal lava! O p oder da com unicação
é lavar c o m água. Á gua é 0 e le m en to m ais sim ples e insubstituível, que
rep re sen ta a Palavra d e D eus. Subm issão (para a esposa) e am o r (para
0 m arid o ), o b ed iên cia (para os servos e filhos), sem acepção de pessoas
(para os senhores): q u a tro palavras q u e fazem p arte d o nosso relaciona-
m en to feliz. A circu n cisão a c o n te c e q u a n d o D eus tira a v irgindade do
h o m em , p re p a ra n d o ‫־‬o p ara a m ultiplicidade d o c u m p rim e n to d a Pro-
m essa; por isso C risto é a cabeça do varão e 0 varão é a cabeça da m ulher.
Esta su b m issão é su p erv isio n ad a pelos anjos (1 C o 11:10). L em bre-se,
seu c a sa m en to é te s te m u n h a d o pelos anjos. O s anjos d e proteção fami-
liar tra b a lh a m e m fu n ção d a aliança c o n tín u a do m atrim ô n io . A quele
m atrim ônio q u e vive u m relacionam ento qu eb rad o e enfraquecido vive
sem p ro teção angelical. A oração do casal é u m a das provas d a u n id ad e
m atrim onial. P ro cure o rar co m se u par, n ã o para m o strar 0 q u a n to você
co n h ece d e D eus, 0 q u a n to v o cê sabe orar, 0 q u a n to v o cê é espiritual,
A ldery N elson R o c h a

fazendo largas orações: Efésios 5:26: “ p ara santificá-la e purificá-la


pela lav ag em d a água, q u e é a Palavra, ” m3:5)
Ele a d e sp o so u q u a n d o estava n a c ru z , m as n ão a rec e b e rá em casa
an tes d e purificá-la. S em an te s tirar de si to d a a pod rid ão q u e apresen-
tava. Ele n ã o q u e r u m a Igreja prim itiva, ele q u e r u m a Igreja G loriosa.
Ele a purifica p ara apresentá-la a si m esm o . Ele a prep ara p ara si m esm o.
Ele n ã o a p rep a ra p ara se u Pai, n e m p ara 0 Espírito S anto, m as p ara si
m esm o, 0 Filho. Essa é a co m p aração , cada esposo deve p rep arar a sua
esposa p a ra si m esm o , a fim d e n ã o cobiçar n a d a dos o u tro s. Q u a n d o
ela for a p re se n ta d a gloriosa, essa é a su a glória tam b é m . A qui co m eça 0

73
trabalh o n o se u corpo. C o m o ele c o m p ara 0 m aterial co m 0 espiritual,
en te n d e m o s q u e a m ácu la é algo in tern o q u e se m anifesta e x te m am e n -
te. Ele trabalha as duas partes de se u ser para deixá-la sem m ácula. Agora
ele trab alh a as m arcas d e su a velhice. Rugas. Ele n ã o q u e r u m a m u lh e r
q u e a p aren ta ser u m a pessoa inútil, ele a q u e r útil, sábia e ren o v ad a. Ele
a trab alh a p ara isso. Isto e stá incluído n o c o n ju n to d e su a purificação.
A qui, ele inclui os problem as d a m u lh e r m o d e rn a , co m o as estrías, as
celulites. C o m o ele faz isso? C om o ele tira rugas, m áculas, estrías, celu-
lites? Esta era a p reo cu p ação do Rei, co m o se n d o ele u m tipo d e C risto,
tipo do m arido q u e cuida de su a esposa. Ester está vivendo esse m om en-
to retrata d o p o r Paulo. É u m a lin d a tipologia: Efésios 5:27: “ e p ara
apresentá-la a si m esm o u m a Igreja gloriosa, se m m a n c h a , n e m ru g a,
n e m coisas sem elh an tes a estas, m as sa n ta e irrepreensível. ” i a 1:22; e/ i :4/
A qui ele finaliza d ize n d o q u e 0 a m o r do m arido m anifesta-se n o
cu idado do co rpo d e su a esposa. Pois n u n c a n in g u é m a b o rrece a su a
própria carne, antes, a n u tre e preza, co m o tam b é m C risto e m relação à
Igreja. C o n clu in d o , ele diz, q u e v iv en d o esse tipo d e am or, n ã o aborre-
cerá a su a p róp ria c arn e, pois está sã. O m o d elo d o a m o r in co n d icio n al
d e C risto serve p ara 0 m arido: “A ssim ta m b é m cad a m a rid o ”. P or isso
se santificou em lugar dela, se e n tre g o u e m vida e e m co rp o p o r ela,
pag and o 0 p reço incom parável. (1) Ele a m o u a Igreja com a m o r incon-
dicional p ara santificá-la. (2) Ele a m o u a Igreja com am o r incondicional
p ara purificá-la p ela lavagem d a água, q u e é a Palavra. (3) Ele a m o u a
Igreja com a m o r incondicional para apresentá-la a si m esm o u m a Igreja
gloriosa. (4) Ele am o u a Igreja com a m o r incondicional para apresentá-la
a si m esm o u m a Igreja gloriosa, sem m an ch a. (5) Ele a m o u a Igreja co m
am o r in co n d icio n al p ara apresentá-la a si m esm o u m a Igreja gloriosa,
sem ruga. (6) Ele a m o u a Igreja com am o r incondicional para apresentá-
-la a si m esm o u m a Igreja gloriosa, sem coisas se m elh an tes a essas (cica-
trizes, celulites, estrías). (7) Ele a m o u a Igreja co m a m o r in co n d icio n al
para apresentá-la a si m esm o u m a Igreja gloriosa, sa n ta e irrepreensível.
Q u e m a m a a su a m ulher, am a a si m esm o . Pois n u n c a n in g u é m aborre-
ce a su a p rópria carn e, a n te s, a n u tre e p reza. C o n clu in d o , ele diz q u e
viv en d o este tipo d e am or, n ão a b o rrecerá a su a própria carn e, pois está
sã. O s m aridos d e v e m a m ar c o m o C risto a m o u . P aulo n ã o diz “assim
co m o C risto a m a rá ”, m as co m o C risto a m o u , isto é, ele a a m o u an te s

74
m esm o d e ser tran sfo rm ad a. Ele a a m o u an te s da fundação do m u n d o .
Ele a a m o u e se e n tre g o u p o r ela, pois su a condição era precária. Ela não
estava p rep arad a p ara ele, n e m era com patível a ele q u an d o ele a am ou!
Ele a a m o u m esm o sen d o incom patível a ela. P or isso se santificou em
lugar d ela, ao entregar-se p o r ela, p agando 0 p reço incom parável
Efésios 5:28: A ssim ta m b é m cada m arid o d ev e am ar a su a própria
m ulher, co m o a se u próprio corpo; p o rq u e 0 q u e am a a su a m ulher, a si
m esm o am a. tε/5:251
E fésios 5 : 2 8 1 ) :3 0 ‫ )־‬C o m o d e v e s e r e sse a m o r in co n d icio -
nal? D e v e a m a r c o m o a s e u p ró p rio c o rp o . (2) C o m o d e v e se r
esse a m o r in c o n d ic io n a l? Ja m a is a b o r r e c e n d o a s u a p ró p ria
c a rn e . (3) C o m o d e v e se r e sse a m o r in c o n d ic io n a l? N u trin d o -
-a e s u s te n ta n d o -a . (4) C o m o d e v e se r e sse a m o r in co n d ic io n a l?
S em pre te n d o e m m e n te q u e 0 casal é c arn e d a m esm a c arn e e ossos
de seu s ossos. Efésios 5:29: “ P orque n in g u ém jam ais ab o rreceu a sua
própria carn e; a n te s a n u tre e a su ste n ta, assim com o ta m b é m C risto, 0
nosso Senhor, faz co m a su a Igreja... ”
C o m o 0 rela cio n a m e n to e n tre m arid o e m u lh e r é estabelecido no
fato d e s e re m c a rn e d a m e sm a c a rn e , o b v iam en te 0 m óvel profético
desse rela cio n a m e n to é a cam a, 0 leito sem m ácu la. Por o u tro lado,
0 rela cio n a m e n to e n tre C risto e a su a Igreja é estabelecido p or serem
am bos Espírito d o m esm o E spírito. A ssim , 0 m óv el profético dessa in-
tim id ad e é a M esa do Senhor. Isso significa q u e d a m esm a form a q u e 0
casal é fru strad o p ela rejeição sex u al se m cau sa co n v in c e n te , tam b ém
q u an d o n ã o p articipam os d a m esa do Senhor, p o r algum a razão, provo-
cam os zelo em nosso Senhor, pois n ão tem os participado com ele em um
A ldery N elso n R o c h a

m esm o espírito, e m su a in tim id a d e n a m esa. O q u e a cam a rep resen ta


para 0 m atrim ô n io e n tre 0 h o m e m e a m ulher, a m esa d e te rm in a inti-
m id ad e e n tre a Igreja e C risto, n o Espírito. Assim 0 livro d e C an tares é
a m anifestação to tal d essa in tim id ad e q u e se c u ltu a n a sa n ta recám ara
do C orpo, n o santíssim o lugar do coração e com a b ên ção d o Espírito de
Deus: Efésios 5:30: “ ...p o r q u e s o m o s m e m b ro s d o s e u c o rp o , d e
su a c a rn e e d e s e u s o sso s. ” m 12:5; 1co6:15;e¡ 1:23!
N a d a é m ais ín tim o de u m h o m e m d o q u e os seus pais. E d e q u em
D eus lib erta 0 h o m e m p ara se u n ir à su a m ulher, in d ican d o co m isso
que, p ara q u e 0 h o m e m te n h a sucesso n o seu m atrim ô n io , é necessário

75
q u e ele d eix e de fora d e su a n o v a vida aq u eles q u e fizeram p arte d a su a
história anterior, p ara q u e possa viver ao lado d a pessoa q u e esco lh eu
p ara fazer p arte d e su a v id a (em c arn e e ossos): Efésios 5:31 : Por isso,
d eix ará o h o m e m a seu pai e a su a m ã e e se u n irá à su a m u lh e r; e serão
dois n u m a só carn e. (Cn2:24;Mt 19:5; 1 co 6:16)
O segredo do sucesso do relacio n am en to d o m arido co m a su a espo-
sa é 0 seu a m o r in condicional, b e m co m o 0 sucesso d a m ulher, n o seu
relacio n am en to c o m 0 se u m arid o , é a su a subm issão in condicional. O
a m o r in co n d icion al e a subm issão in co n d icio n al são as d u as p a rte s do
g ran d e m istério d o casam en to . O s m aridos d e v e m a m a r c o m o C risto
am o u . O seg redo d o seu a m o r foi o am o r sacrificial: Efésios 5:32,33:
“ G ran d e é este m istério: refiro-m e à relação e n tre C risto e su a Igreja.”
Várias v e z es, P aulo a d m o e sta ao m arid o q u e a m e a su a esp o sa
seg u n d o 0 m o d elo d e C risto, co m am o r incondicional: Efésios 5:33:
“Assim tam b é m cada u m d e vós, e m particular, am e a su a esposa co m o
a si m esm o , e a esposa rev e re n cie 0 se u m a rid o .” (C13:19;1Pe3:6)

O que Jesus quis dizer ao citar os três tipos de eunucos, ao


explicar sobre o divórcio e repúdio?

O s fariseus ten ta ra m 0 S enhor Jesus preparando-lhe u m a arm adilha


com as palavras rep ú d io e divórcio. Eles q u eriam v e r se Jesu s contraria-
va a própria Lei. A qui, dá-se início ao m ais com plicado te x to d o livro de
M ateu s, já estu d a d o e in te rp re ta d o p o r m u ito s. O s fariseus lhe pergun-
taram sobre 0 rep ú d io , q u e é 0 estad o d e sep aração , n ã o 0 divórcio em
si. O repúdio é 0 estado n ão legalizado de separação, e a carta de divórcio
era a c o n ta a acertar. O s discípulos já sabiam a resposta da p e rg u n ta q u e
faziam , pois estudava-se m u ito a respeito disso n a Lei ( D t2 4 :1,2). N este
capítulo, Jesus n ã o d e fe n d e 0 divórcio, m as a lib erd ad e das m u lh e re s
q u e estão p resas aos h o m e n s p o r c au sa d a d u re z a d e seu co ração , tal
com o Lia e o u tras m u lh e res n a Bíblia. H o m en s p o d iam te r o u tra s m u-
lh eres, e n q u a n to a su a prim eira m u lh e r c o n tin u a v a p resa a eles por
causa d a trad ição, to rn a n d o a m u lh e r escrava d e seu s m arid o s infiéis:
Mateus 19:3: E n tão , a p ro x im a ra m -se d e le a lg u n s fariseu s q u e 0
e x p e rim e n tav a m , d izen d o : “É lícito ao h o m e m re p u d ia r su a m u lh e r
p o r q u a lq u e r cau sa ? ”

76
0 a ssu n to d e Jesus é a lu ta d e M oisés p ara p ro teg er a m onogam ia
pelo ato d e c o n c ed e r a c a rta d e divórcio, n ã o a poligam ia proliferada
pelo rep ú d io , q u e já e ra c o m u m e n tre eles. Ele n ã o ab re m ão da m ono-
gam ia. O s h o m e n s m au s rep u d iav am suas m u lh e res e se casavam com
o u tra se m lim ites. Suas respectivas esposas ficavam n a m esm a situação
de Lia, ligada ao seu m arid o Jacó - m u ito e m b o ra Jacó n ão seja culpado
daquilo. P or e sta razão, Jesus disse à m u lh e r sam aritana: “Este n ão é
teu m arid o ” , p o rq u e estava repudiada, isto é, separada, m as ligada, pela
Lei, seu p rim eiro m arid o , de q u e m ela jam ais se sep arara legalm ente,
isto é, co m q u e m n ã o havia acertad o as contas. Isso era c o m u m nos dias
de Jesus. N ão h av ia n e n h u m a lei p ara ro m p e r aq u ele p o d e r q u e gerava
um a c o n tín u a poligam ia. P orisso, Jesus ch eg o u e p erg u n to u : “P o rq u e
vocês q u e b ra m a m o n o g am ia p elo repúdio? N ão foi assim n o princí-
pio”. C o m o e ra c o m u m 0 rep ú d io e 0 h o m e m casava-se c om o u tra, a
poligam ia se proliferava. N este capítulo, Jesus está d e stru in d o 0 po d er
do rep ú d io e d e te rm in a n d o 0 fim da co n d ição das pessoas em rep ú d io ,
rev elan do a su a prisão e as suas dificuldades (M t 5 :3 1 ): M a t e u s 1 9 :4 :
E, resp o n d en d o -lh es, Jesus,disse-lhes: “N ão ten d e s lido q u e q u a n d o 0
C riador v o s fez, d e sd e 0 princípio vos fez h o m e m e m u lh er, icn 1:27;5:2)
Jesus rele m b ra q u e m atrim ô n io é d eix ar pai e m ãe. Isto é, deixar
toda c o b e rtu ra o u ligação anterior, q u a lq u e r u n ião anterior, para q ue
haja p erfeita u n id a d e e n tre c arn e e carn e. Eles estavam casando-se e
separando-se, ig n o ran d o q u e d ev eríam deixar os seus pais. Sabiam que
esse era 0 req u isito p ara 0 m atrim ô n io , m as n ão se separavam d e suas
m u lh eres an te rio re s, a q u e m eles ap en as rep u d iav am e criam estar fa-
zen d o 0 co rreto . “Pais” aq u i n ã o são ap en as os genitores, m as to d o tipo
A ldery N elson R o c h a

de laço anterior. O m atrim ô n io é feito d e u m só laço, d e u m só pacto.


Jesusveio revelar isso. Em o u tras palavras, “assim com o vocês casam -se
e se sep aram d e pai e m ãe, assim tam b é m , se c o n tra íre m m atrim ô n io
nessa co n d ição de rep ú d io , ad u lteram . N ão é possível ser u m a só carne
com se u cô n ju g e se a pessoa ain d a está ligada, pela Lei, a o u tra pessoa:
Mateus 19:5: e q u e o rd en o u : P o rta n to , d eix ará 0 h o m e m pai e m ãe,
e unir-se-á à su a m u lh e r; e serão os dois u m a só carn e? (cn2:24;E/5:31)
A u n ião m atrim o n ial e n tre h o m e m e m u lh e r to m a d u as pessoas
“c arn e d a m esm a c a rn e ”, n ã o espírito d o m esm o espírito. O repúdio
não p e rm ite isso, pois envolve u m a terceira pessoa. A o u tra p arte deste

77
tex to fala q u e aquilo q u e D eu s a ju n ta 0 h o m e m n ã o d ev e separar. Isto
é, aquilo q u e D eus aju n ta é associação d e D eus, é a b en ço ad o e d ev e ser
conservado e n ão deve ser separado pelos h o m en s. M as, 0 m esm o Jesus
nos d ará abaixo três tipos de m atrim ônios, e n tre os tais, u m q u e é obriga-
do pelos h o m e n s (v. 12), e tu d o 0 q u e é feito pelos h o m e n s é v u ln eráv el
e q u alq u er circu n stân cia p o d e separar, n ã o traz a b ên ção , n ã o é d e paz,
não foi D eus q u e u n iu . M as, aquilo q u e D eus u n iu n in g u ém separa: Ma-
teus 19:6: Assim já n ã o serão m ais dois, sen ão u m a só carn e. P o rtan to ,
0 q u e D eu s a ju n to u , n ã o 0 se p are 0 h o m e m ” .
A qui, Jesus os to m a pelas m ão s e os c o n d u z à v e rd a d e ira p e rg u n ta .
Assim, eles, d e m an e ira c o rreta, u sa m as v erd ad eiras palavras: “divór-
cio ” e “re p ú d io ” se p a ra d a m e n te , colocand o-as c o n tra M oisés. Ob-
serv em q u e eles u sa m a palavra “d iv ó rcio ” p rim eiro e depois a o u tra
palavra, “re p ú d io ”, q u a n d o , pela o rd em , seria p rim eiro rep ú d io (que é
0 estado d e separação não-autorizada), depois divórcio: Mateus 19:7:
E ntão lh e resp o n d e ram : “E ntão p o r q u e m a n d o u M oisés dar-lhe c a rta
d e divórcio e rep u d iá-la?” . /Mt5:31)
Jesu s co m e ç a co m a se g u n d a palavra, se m p e rd e r 0 o bjetivo, e
resp o n d e b rilh a n te m e n te . O rep ú d io é coisa d a d u re z a dos vossos co-
rações, n ã o falou “d a d u re z a d o coração dos seu s pais”. O rep ú d io é 0
estado d e separação até q u e a carta de divórcio seja providenciada; m as
eles m a n tin h a m as suas m u lh e re s n o estad o d e rep ú d io p ara n ã o pagar
0 p reço d a carta. Isso o casionava u m p ro b lem a, p o rq u e c u stav a caro.
É p o r isso q u e , logo a seguir, eles disseram : “E ntão n ã o c o n v é m c a sa r”.
N ão estav am p en san d o em felicidade, m as e m dinheiro e e m adultério.
Agora, por q u e Jesus disse: “N ãofoi assim desde 0 princípio?”. L am eque
fez isso n o princípio, rep u d io u as suas m u lh eres e as m an tev e presas (Gn
4 :2 3 ). M as Jesus estava falando de A dão e Eva. H ouve problem as e n tre
eles n o princípio. M as eles c o n tin u a ra m ju n to s. A dão n ã o re p u d io u a
sua m u lh e r p o r c a u sa d o pecado. Eles c o n tin u aram m onogâm icos. Eles
não seguiram 0 c a m in h o d e L am eque. O rep ú d io gera poligam ia, pois
0 q u e se casa c o m a rep u d ia d a o u co m 0 rep u d ia d o a d u lte ra , p o rq u e 0
rep ú d io não é carta d e liberdade. D eu s, n a tu ra lm e n te , so m e n te com a
m o rte , q u eb ra esse pacto; m as 0 h o m e m , c o m 0 litígio legal, 0 faz pela
c a rta d e divórcio: Mateus 19:8: D isse-lhes ele: “Pela d u re z a d o vosso
c o ra ç ã o M oisés vos p e rm itiu re p u d ia r vossa m u lh e r; m as, d e sd e 0

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princípio não foi assim.
O repúdio somente é válido, diante de Deus, quando é causado por
infidelidade de um dos cônjuges, mas também não autoriza um novo
matrimônio sem a carta de divórcio (Dt 24:1,2), pois se uma pessoa se
une a outra pessoa no estado de repúdio, comete adultério. A infideli-
dade autoriza 0 repúdio, logo a separação. Mas 0 repúdio em si não é a
carta de divórcio. Jesus está dizendo que 0 único repúdio válido é por
causa da infidelidade, mas não disse que a única causa de divórcio é a
infidelidade. Nesse caso, 0 repúdio tem que ser resolvido. Infelizmen-
te, de forma errada, escravizando milhares de vidas, erros como esses
estão sendo aceitos, entre eles, 0 de confundir repúdio com divórcio:
Mateus 19:9: Eu, porém, vos digo, que qualquer que repudiar a sua
mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete
adultério; e aquele que casar com a repudiada também comete adul-
tério”. m 5:321
Por isso, os discípulos disseram: “Não convém casar”, pois, pelo
divórcio, consideraram que iriam ficar mais pobres, já que 0repúdio não
poderia separá-los definitivamente. A avareza de seus corações agora foi
maior do que a dureza interior que os levava a repudiar, e maior também
do que a tradição, que não libertava as mulheres a eles ligadas pela lei:
Mateus 19:10: Disseram-lhe os seus discípulos: “Se assim é a condição
do negócio do homem com a mulher, não convém casar”.
Como esse é um assunto muito particular, Jesus lhes disse que
nem todos os homens poderíam receber essa palavra. Hoje, ainda é
assim. Porque a maioria dos casos são dignos da solução de Deus, pois
para Deus nada é impossível: Mateus 19:11: Ele, porém, lhes disse:
“Nem todos podem receber esta palavra, senão aqueles a quem lhes
A ldery N elso n R o c h a

foi concedido.
Agora, Jesus profere outra palavra mais dura, dentro do contexto.
Ele, usando a tipologia, revela aqui os três tipos de matrimônios, mas,
antes, devemos conhecer melhor a palavra “eunuco”. Divulgou-se
durante a história que a palavra eunuco significa: “pessoa castrada, sem
sexo, sem definição sexual, que se abstém de sexo”. Mas não é verdade.
Eunuco é uma pessoa que se consagra esededicaa uma vida ou a uma
causa sem pensar ou projetar a sua própria vida ou família, indepen-
dente daquela a quem decide servir, indeterminadamente. Por isso, ele
79
usará essa palavra para q u e alguns e n te n d a m , ten d o e m m e n te q u e n e m
todos p o d em rec e b e r essa palavra. Assim , q u e m e lh o r e u n u c o d o q u e
u m esposo o u u m a esposa q u e se dedica, a v ida inteira, ao se u cônjuge,
e que, v erd ad eiram en te, se castra para o u tra, abstendo-se d e intim idade
com u m a terceira pessoa? É claro q u e ele co lo co u b e m a palavra, pois
está falando d e casam ento. ( 1 ) 0 prim eiro tipo: os q u e “n asceram assim
desd e 0 v e n tre de su a m ã e ”. H á m atrim ô n io s q u e c o n h e c e m o s em
q u e os cônjuges n a sceram u m p ara 0 o u tro . N ota-se q u e D eus os u n iu .
São inseparáveis e v ivem felizes; jam ais p e n sara m em u m a possível
separação e é im possível q u e as pessoas q u e estão conv iv en d o co m eles
im ag in em q u e u m dia possam se separar, pois é público 0 se u a m o r e 0
seu te ste m u n h o . A m bos são e u n u c o s u m p ara 0 o u tro . (2) O se g u n d o
tipo d e m atrim ô nio: “H á e u n u c o s q u e pelos h o m e n s foram feitos tais”.
N em p recisam os d a r e x em p lo d e q u e m u ito s m atrim ô n io s são frutos
de am eaças d e pais e m ães p ertu rb ad o s m ais co m a m oral d e su a fam ília
do q u e c o m 0 fu tu ro aflito d e seu s filhos, os quais foram forçados a se
casar p o r d e te rm in a d a c ircu n stân cia v erg o n h o sa. Esses são im postos
pelos h o m en s. Este tipo de m atrim ô n io , q u a n d o realizado sem p erd ão ,
sem restau ração do casal, é m u ito v u ln eráv el. (3) 0 terceiro: “E o u tro s
h á q u e a si m esm o s se fizeram e u n u c o s p o r causa d o R eino dos C é u s” .
Q u e m n ã o c o n h e c e ex em p lo s d e m atrim ô n io s d e h o m e n s e m u lh e re s
d e D eus presos a u m a v ida infeliz, pois vivem u m inferno c o m seus
cônjuges? N ão tê m u m a v ida n o rm al, m as, em n o m e de u m a “c a u sa ” ,
estão ju n to s p o rq u e n ã o q u e re m ser m otivo de escândalo? É claro q u e
n ã o p e rd e rã o 0 se u galardão: Mateus 19:12: P orque h á e u n u co s q ue
nasceram assim desde 0 ventre de sua m ãe; e h á eu n u co s q u e foram feitos
assim pelos h o m ens; e h á e u n u co s q u e a si m esm o s se fizeram e u n u co s
p or c au sad o Reino dos C éus. A quele q u e p o d e receb er isso, receba‫־‬o ”.

80
O Violador de
Mentes e Corpos

81
82
Q u e ro a b o rd a r u m d os te m a s m ais c o m p le x o s e p ro fu n d o s d e sta
série. N ão q u e ro c o m e n ta r e ste te m a d a m e sm a fo rm a irresp o n sáv el
com o te m sid o a b o rd a d o a n te s, sob a ó tica d a v io len cia se x u al única-
m en te. N o m e u e n te n d e r o violador sex u al é u m violador se n tim e n tal
que p o d e a té c o n tra ir m a trim o n io , p o d e in clu siv e casar-se e te r u rn a
esposa c o n tra a q u al age c o m o u m v io lad o r se m resp e ito e se m ne-
n h u m a p u n iç ã o , pois h á m u lh e re s q u e c o n v iv e m c o m h o m e n s dessa
estirp e e m n o m e d a religião o u a té m esm o p o r ca u sa d e u m a ex eg ese
m al ex p lic ad a d o te x to sacro e q u e n u n c a tiv e ram u m a p alavra sob
a c o n cessão ap o stó lica (leia 0 capítulo concessão apostólica ). Elas
estão p resas a v io lad o res e n ã o a c h a m os m eio s p elos q uais p o d e m se
livrar d eles, pois e m v e rd a d e estã o c asad as co m h o m e n s sem elh an -
tes a A m n o n . M as q u e m foi e ste h o m e m ? Você a m o u u m A m n o n ?
P rep aro u e e n tre g o u -lh e os seu s bolos e os seu s d o n s, e d e u -lh e a su a
atenção, algo q u e ele jam ais m ere ce u ? H á u m a solução p ara a su a vida.
P ara o b se rv a r b e m e ta m b é m c o m p re e n d e r e ste a ssu n to é neces-
sário seg u ir as letras e n tre p a ré n tesis e m o rd e m n o te x to bíblico, e
co m p arar c o m os tó p ico s ab aix o . O te x to e n c o n tra-se e m 2 S am uel
cap ítu lo 13:
A fo rm o s u ra c h a m a a a te n ç ã o d o violador. Cobrir-se com o Eva com
folhas d e figos, e sco n d e n d o p rec a ria m e n te a su a intim idade, ainda que
isto, n a co n sciên cia fem inina, n ã o p areça an o rm al, é u m a ban d eja para
a m en te d e u m violador. (V.2) U m violador n ã o chega d a n o ite para 0 dia
d iante d e su a vítim a. Ele sabe esperar. Ele se finge d e san to , batiza-se,
cum pre to d o s os requisitos fam iliares p ara levar 0 seu prêm io para casa.
(V.3) T in h a A m n o n u m am igo se rp e n te , sagaz. Todo violador tem u m
A ldery N elso n R o c h a

com parsa a p a re n ta d o e sem e scrúpulo. (V.5) O fingim ento é u m a das


características dos jovens q u e tê m o u tra s in te n ç õ es. (V.6) O violador
procura d o m in ar a su a vítim a pelas suas próprias habilidades. Procuran-
do m ostrar 0 se u serviço e suas habilidades as T am ares da vida caem nas
m ãos do violador. (V. 7) O violador pedia bolos. Ele p ed e bolos. N ão pre-
pare os seu s bolos p re m a tu ra m e n te . O m e lh o r q u e D eus lh e d e u , para
com partir, são os seu s “bolos” , e estes so m e n te v o cê os p o d e preparar.
(V.8) O v io lad o r te rá se m p re u m a ap arên cia d e fraq u eza d ian te da sua
vítim a, m as p o r d e n tro é v o raz co m o u m leão fam into. (V.9) O violador
não te rá resp eito p o r seu s b ich in h o s d e pelúcia, ele n ã o am ará as suas

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cartinhas rep letas d e corações e de sonhos. Ele n ã o co m e, ele traga. Ele
não m astiga, ele engole. (V. 10) N ão leve a co m id a n o altar da su a des-
graça e sem teste m u n h a s. (V. 11) O violador q u e r sexo sem a m o r e sem
garantia. (V. 12) Em Israel n ã o se c o stu m a violar e ficar ileso. A realeza
n ão co b re a titu d e s term in ais d e u m príncipe. Será julgado p o r isso e 0
seu fim será trágico. (V.13) O violador n ão se im p o rta c o m a su a v ítim a
n em o u v e 0 s e u clam or. Ela a in d a p e n so u n a su a rep u ta çã o . (V. 14) O
violador é su rd o aos apelos d a su a vítim a. (V. 15) O violador n ã o gosta
das coisas estabelecidas leg alm en te. Ele q u e r fazer tu d o a se u m o d o .
(V. 16) O v iolador se n te aversão e nojo pelo seus m au s atos, e n u n c a se
arre p e n d e. O a m o r q u e se tran sfo rm a e m aversão é m en tiro so , é hipó-
crita. A v iolência em o cio n al é pior d o q u e a violência sex u al. (V. 17) O
violador sem p re te m c úm plices q u e lh e se rv e m pelo salário d o n a d a e
d a ilusão. O am igo do violador é u m b an d id o profissional. Já n ã o a m a a
su a fam ília, n ã o te m resp eito à o rd em , n ã o se im p o rta co m a su a sa ú d e ,
n in g u ém lh e to ca 0 coração. (V. 19) Q u ê fazer depois? (v. 1 8 ,1 9 ) - N ão
c o n tin u e e n g an an d o -se a si m esm a co m as suas ro u p as d e cores. N ão
faça alarde c o n tra si m esm a . Seja sábia e b u sq u e a ju d a co rreta. (V.20)
Absalão disse q u e ela se calasse; ela ficou n a su a angústia e n a su a desola-
ção. N ão faça isso. P rocure a n o b reza. A prenda a ser n o b re nas palavras,
n o s atos e n as v e stim e n tas. Tire a ro u p a d a falsa sa n tid a d e, e vista-se d a
p u rez a d e C risto. (V.21) A tristeza d o pai - m ais u m c u m p rim e n to d a
profecia d e N atã. Todos os p ró x im o s a c o n te c im e n to s serão cum pri-
m en to d a profecia de N atã. (V.22) O violador está m arcad o p ara m orrer.
(V.23) O violador m o rre rá algum dia. M o rre rá n u m a festa real. (V.24) A
m alignidade d e A bsalão co m eça a se m anifestar. P rim eiro c o n tra 0 seu
irm ão, depois c o n tra 0 se u próprio pai.
C o m o disse, 0 violador n ã o ch eg a d a n o ite p a ra 0 dia n a p rese n ç a
de su a v ítim a. Ele sabe esperar. Ele finge-se cristão, batiza-se, c u m p re
tod o s os req u isito s fam iliares p ara levar 0 se u p rêm io p ara a su a casa. O
am o r do violador é d o en tio , é possessivo e anorm al. O violador trab alh a
m ovido p o r três palavras: 0 m ed o , 0 ciú m e e a hipocrisia. O se u m e d o é
tão criativo q u an to as palavras positivas. O seu ciú m e é crim inoso e a sua
hipocrisia é a su a religião. Ele, p o r isso, é cap az d e e n tra r em q u a lq u e r
am b ien te. “ P arecia im possível” (v. 2). G e ralm en te, 0 violador p ro cu ra
u m ro m a n c e im possível. M as ele tra ta d e driblar to d a im possibilidade,

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pois n a d a lh e p arece ser im possível: 2 Samuel 13:2: e angustiou-se
A m non, a p o n to d e ad o ecer por s u a irm ã Tamar, pois, sen d o ela virgem ,
a A m n o n p arecia im possível co n seg u ir fazer-lhe algum a coisa.
T in h a A m n o n u m am igo se rp e n te, sagaz. Todo violador te m u m
com parsa a p a re n ta d o , e se m escrú p u lo . “D eita-te n a tu a c a m a ” (v. 5).
Todas as a titu d es d e u m violador te m u m alvo: a cam a. Ele n u n c a pensa
na c o m u n h ã o d a m esa, n o respeito fam iliar d a jovem . Ele q u e r com eçar
pelo ín tim o (v. 5 b). O fingim ento é a m arca d o violador. O m aior objetivo
do v io lad o r é te r u m a a v e n tu ra. O m atrim ô n io n ã o é u m a a v e n tu ra (v.
5c): 2 Samuel 13:3: M as A m n o n tin h a u m am igo c h a m a d o Jonadabe
(“Jeová é g en e ro so ”), filho d e Sim éia ( “afam ado”), irm ão de Davi. E
Jonadabe era u m h o m e m m u ito a stu to , asm 16:9)
T o d o v io la d o r te m u m c o m p a rs a q u e 0 a c o n s e lh a : 2 Samuel
13:4: E e s te lh e d isse : “V eja, ó filh o d o re i, p o r q u e e s tá s te debi-
lita n d o , d ia a p ó s d ia? N ã o q u e re s m e d iz e r 0 m o tiv o ? ” E A m n o n
lh e r e s p o n d e u : “ E u a m o T am ar, irm ã d e m e u irm ã o , A b s a lã o ” .
O f in g im e n to é u m a d a s c a ra c te r ís tic a s d o s jo v e n s q u e tê m
o u tra s i n te n ç õ e s : 2 Samuel 13:5: E J o n a d a b e lh e d isse : “ D eita-
-te e m tu a c a m a , e fin g e q u e e s tá s d o e n te , e q u a n d o 0 t e u p ai v ie r
p a ra v is ita r-te , d iz e -lh e : R o g o -te q u e m e e n v ie s a m in h a irm ã
Tam ar, p a ra q u e m e d ê d e c o m e r, e p r e p a re d ia n te d e m im a lg u m a
c o m id a , d e m o d o q u e e u c o m a d e s u a s m ã o s ” .
O v io la d o r p r o c u r a d o m in a r a s u a v ítim a p e la s su a s h ab ili-
d a d e s. P r o c u ra n d o m o s tr a r 0 s e u s e rv iç o e a s u a h a b ilid a d e às
T a m are s d a v id a q u e c a e m o b rig a d a s n a s m ã o s d o v io la d o r. S u as
h a b ilid a d e s n ã o d e v e m s e r m o s tra d a s , im e d ia ta m e n te , a o c o n h e -
A ldery N elson R o c h a

cer u m h o m e m . V ocê d e v e s e r a m a d a p e lo q u e é, e n ã o p e lo q u e é
cap az d e fazer. Isso a fu g e n ta 0 v io la d o r: 2 Samuel 13:6: A m n o n ,
po is, d e ito u - s e e fin g iu q u e e s ta v a e n fe rm o ; e, q u a n d o 0 re i che-
g o u p a ra v isitá -lo , A m n o n d isse a o re i: “ R ogo -te q u e m e e n v ie s a
m in h a irm ã T am ar, p a ra q u e m e p re p a re d o is b o lo s d ia n te d e m im ,
e a ssim e u c o m a d e s u a s m ã o s ” . (Cn 18:61
O v io la d o r p e d ia b o lo s. O v io la d o r s e m p r e e s ta r á c o m p ró m e -
tid o c o m s e u s c o m p a rs a s . N a s u a m e n te , d e p o is d e a b u s a r d e su a
v ítim a , e le a in d a 0 c o n ta r á p a ra o s s e u s a m ig o s . E le p e d e b o lo s.
N ão p r e p a r e os s e u s b o lo s p r e m a tu r a m e n te . O m e lh o r q u e D e u s

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lh e d e u , p a ra c o m p a rtir, sã o o s s e u s “ b o lo s ” , e e s te s s o m e n te
v o c ê p o d e p re p a ra r, e s o m e n te o s p o d e p r e p a r a r u m a v e z , e p a ra 0
ú n ic o h o m e m c o m q u e m c o n s tr u ir á a s u a fam ília: 2 Samuel 13:7:
E ntão, Davi en v io u a T am ar à su a casa, dizendo-lhe: “Vai à casa d e te u
irm ão, A m n o n , e prepara-lhe u m a c o m id a ”.
O violador terá sem p re u m a aparência d e fraq u eza d ian te d a su a ví-
tim a, m as, p o r d e n tro , é v o raz co m o u m leão fam into. A vítim a sem p re
lhe d ará 0 m elhor, e estará se n d o observada: 2 Samuel 13:8: E T am ar
foi à casa d e seu irm ão, A m n o n , e ele estava deitad o . Ela to m o u farinha
e a am asso u, e fez bolos d ian te dele e os cozeu.
O violador n ão te rá resp eito p o r te u s b ich in h o s d e pelúcia; ele n ão
am ará as suas c artin h as repletas d e corações e de so n h o s; ele n ã o que-
rerá igrejas, n e m te ste m u n h a s d e casam en to ; ele n ã o q u e re rá b u q u ês,
odeia 0 público; ele n ã o q u e re rá fazer p a rte d e teu s p e q u e n o s d etalh es
d e am or; ele n ã o c o m e, ele traga; ele n ã o m astiga, ele engole; ele te m
m ão s grossas e u sa luvas d e pelica: 2 Samuel 13:9: E ntão, ela to m o u
a assadeira e os o fereceu d ia n te d ele; m as ele rec u so u com er. E disse
A m non: “Retirai-vos todos d a m in h a p resença!” E to d o s os q u e estavam
ali se retiraram . (Cn 45:1>
N ão leve a co m id a n o altar de su a desgraça sem te ste m u n h a s; pois
vocêseráviolada. E n in g u ém p o d erá te salvar: 2 Samuel 13:10: E ntão,
A m n o n disse a Tam ar: “T raze a c o m id a ao m e u q u a rto , e c o m e rei d e
tu as m ãos. T am ar to m o u os bolos q u e fizera e os tro u x e ao q u a rto d e
A m n o n , seu irm ão.
O violador q u e re rá sexo sem paixão, sem am or, sem resp eito e sem
garantia: 2 Samuel 1 3 :1 1 : E, q u a n d o ela os pôs d ia n te d ele p ara q u e
com esse, ele a ag arro u e lh e disse: “V em , irm ã m in h a , e d eita-te com i-
gO”. (Gn39:12)
Em Israel, n ão se co stu m a violar e ficar ileso. O p o d e r real n ã o cobre
atitu d es term inais de u m príncipe. Será julgado p o r isso, e 0 seu fim será
trágico. Se a v ítim a se calar, ta m b é m sofrerá in ju stam e n te : A d o r e a
v erg o n h a q u e v ê m pela violação são irreparáveis (v. 13 ,14): 2 Samuel
1 3 :1 2 : P orém ela lhe respondeu: “N ão, m e u irm ão, não m e forces, pois
n ã o se faz assim em Israel. N ão c o m etas esta infâm ia, uz 19:23:20:6)
O violador não se im p o rta co m a su a v ítim a n e m o u v e 0 se u clam or.
Ela ain d a pen sou n a sua rep u tação . Ela ain d a deu-lhe solução p ara a su a

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paixão, m as e ra u m a paixão infam e: 2 Samuel 13:13: Pois, para onde
iria e u co m a m in h a v erg o n h a? E tu serias estim ad o com o u m dos per-
versos e m Israel. Rogo-te, pois, q u e fales ao rei, pois ele n ã o m e negará
a ti”. (Lv 18:9,11/ O v iolador é su rd o aos apelos d a su a vítim a: 2 Samuel
1 3 :1 4 : M as ele n ão quis escu tar a su a voz e, sen d o m ais forte do q u e ela,
forçou-a e se d e ito u co m ela. (Dt22:25/
O v io lad o r n ã o gosta das coisas estabelecidas leg alm ente. Ele q u er
levar tu d o a se u m o d o . Ele n ã o tem id en tid a d e , n ã o é respeitado, sua
ficha é triste. Ele q u e r tu d o se g u n d o as suas leis pessoais, e isso é terrí-
vel. O a m o r q u e se to rn a e m ódio é d o e n tio , é m en tiro so , é hipócrita: 2
Samuel 13:15: D epois, A m n o n a a b o rre c eu com to d a a su a alm a, de
tal m an e ira q u e 0 se u ab o rre c im en to se to rn o u m aior do q u e 0 a m o r
que sen tira p o r ela. E ntão, A m n o n o rdenou-lhe: “ L evanta-te, e vai-te”.
O v io lad o r se n te aversão e nojo pelos seus m au s atos, e n u n c a se ar-
repende. O am o r q u e se transform a em aversão é m entiroso, é hipócrita.
A violência em o cio n al é p io r d o q u e a violência sexual. P rom essas sem
fundo são sem elh antes a ch eq u es sem fundos. A m u lh e r sonha, im agina
e cria 0 s e u n o v o m u n d o , e 0 violador d e te sta sonhar. O violador não
assum e os seu s se n tim e n to s n e m os seus atos: 2 Samuel 13:16: E ela
lhe resp o n d eu : “N ão é razoável; pois 0 m al q u e fazes, ao expulsar-m e,
é m aior d o q u e 0 o u tro q u e já m e fizeste”. M as ele n ã o quis escutá-la.
O v io lad o r se m p re te m c úm plices q u e lh e serv em pelo salário do
n ada e d a ilusão. Se v o cê serve a u m violador, deixe-m e m ostrar-lhe
três passos p ara tom ar-se igual a ele. O am igo do violador é u m bandido
profissional. Este é 0 g rau m áx im o a o n d e p o d e c h eg ar u m violador: à
prática d o m al sem rem orsos. Já n ão am a su a fam ília, não te m respeito à
A ldery N elson R o c h a

ordem , n ão se im p o rta com a sua saúde e n in g u ém lhe toca 0 coração. Só


Deus, só D eus. É torturador, am eaçador e ridículo. E o servo d o violador
pode ch eg ar a este grau: v e r jovens e m u lh e res clam an d o p o r ajuda,
sem sen tir n e n h u m a v o n tad e de ajudar, n e m d e denunciar, p o rq u e está
vendido à in iq u id ad e (17b). O violador n ão q u e r p rostitutas, q u e r vir-
gens, m u lh e res h o n estas, q u e desejam v iv er e a m a m a vida: 2 Samuel
1 3 :1 7 ,1 8 : E ntão, ele c h a m o u a u m criado q u e 0 servia e disse: “ Lança
fora esta, e tra n c a a p o rta após ela”. E ela estava vestid a com u m a túnica
de várias co res, pois assim se vestiam as filhas virgens dos reis. E 0 seu
criado a ex p u lso u , tra n c a n d o a p o rta após ela.

87
O que fazer depois? (v. 18,19) - Não siga enganando-se a si mesma
com suas roupas de cores e de virgindade. Será pior para você. Não
faça alarde contra si mesma. Seja sábia e busque ajuda correta. A jovem
Tamar não tinha nenhum a experiência e auto prejudicou-se. Busque
ajuda, ande e clame. Não clame por suas amigas, não clame por seus
pais se são descontrolados; clame a seu pastor, mas, se seu pastor é
desequilibrado, você não tem pastor, procure ajuda profissional cristã.
Não busque a Absalões que te darão conselhos errados, pois de nada te
servirão: 2 Samuel 13:19: Então, Tamar cobriu a cabeça de cinza, e
rasgou a veste colorida que usava, e pôs a mão sobre a sua cabeça e foi
chorando e gritando. (1sm4:12;2sm 1:2;jr2:37)
Absalão disse que ela se calasse; ela ficou na sua angústia e na sua
desolação. Não faça isso. Busque ajuda correta. Seus amigos ou seus
irmãos carnais somente piorarão a sua situação. Abandone os amigos
fofoqueiros da sua vida. Corte as amizades com pessoas inescrupulosas.
Procure a nobreza. Aprende a ser nobre nas palavras, nos atos e nas
vestimentas. Tire a roupa da inocência triunfalista de falsa santidade, e
vista-se da pureza de Cristo. Não carregue um a cruz além do Calvário.
Ali deve ficar a sua cruz. Quantos anos Jesus carregou a cruz? Vinte
anos? Dez? Não. Horas. Algumas horas. Ele preparou-se a vida inteira
para levar a cruz por algumas horas. Depois disso, disse Paulo, segue 0
peso de glória. M uitos passam a vida inteira carregando a cruz para car-
regar 0 prêmio de glória por algumas horas. Troque isso agora mesmo.
Ame a vida, sonhe para viver; não viva para sonhar. Mesmo sem dinhei-
ro, vá sonhar. Sonhar é bom, é bom sonhar para saber 0 que quer ter
quando tiver de pedir 0 que vai ter. Alegre-se, não viva divulgando 0 seu
problema, não testem unhe dele, não conte a ninguém 0 seu problema,
a não ser àquele que Deus colocou como 0 seu honesto pastor: homens
ou mulheres nobres de espírito, que possam ajudá-la. Levanta a cabeça e
parte para 0 propósito original, subindo ao monte para escrever de novo
as tábuas do seu projeto: 2 Samuel 13:20: Então, Absalão, seu irmão,
lhe disse: “EstevecontigoAmnon, teu irmão? Agora,fiquequieta. Éteu
irmão. Não aflijas 0 teu coração por isso”. Assim, Tamar ficou desolada
na casa do seu irmão, Absalão. /2sm 14:241

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A ldery N elson R o c h a

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Lutando pelo
Propósito
Original

A ldery N elson R o c h a

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92
J u d á foi in ju sto co m T am ar pois ele sabia q u e ela e ra a m u lh e r com
q u e m d e v e ria o rig in a lm e n te casar-se, p o rq u e ela e ra in d ic a d a p o r
D eus c o m o a m u lh e r p ela q ual a S e m e n te d a m u lh e r q u e e ra C risto
passaria. A ssim T am ar lu to u so z in h a n a s m ão s d e h o m e n s q u e n ã o
estav am d isp o sto s a fazê-la feliz, m u ito m e n o s c u m p rir 0 p ropósito de
D eus q u e a in clu ía. S abem os q u e D e u s n u n c a n o s d á in cu m b ê n c ia s
sem q u e as p o ssam os c u m p rir d e m a n e ira feliz. Ele n ã o é u m carrasco
e ditador. A fé fran ciscan a deseja isso, m as d e sfru ta r e g o zar d a v ida é
um d o m , e n e m to d o s sa b em o s disso (Ec 5).
O p ro p ó sito o riginal d ivino p a ra q u e ela e Ju d á 0 cu m p rissem : Se
d ep en d esse d esse filho d e Jacó jam ais Jesu s n ascería co m o 0 “Leão da
tribo d e J u d á ”. D ev em os c o n h e c e r a saga pela qual esta m u lh e r passou
para te r n o s se u s b raço s 0 p ro p ó sito original realizad o .
A infidelidade d e Ju d á com a m u lh e r d a su a m o cid ad e é vista n este
capítulo. A irresponsabilidade de Ju d á em lançar a su a responsabilidade
sobre os filhos é teste m u n h a d a até aos dias d e hoje. Por isso D eus nos re-
vela 0 p o d er d a p ersev eran ça d e u m a m u lh e r com o Tamar. E estas são as
lições d ad as a to d o s nós p o r u m a m u lh e r q u e está n a lista d a genealogia
do M essias p ara sem p re, e a su a lu ta será co rresp o n d id a pela se m e n te
da se rp e n te (G n 3 :1 5 ). N esta história v e re m o s p o r q u e Ju d á passou
para os seus filhos u m a responsabilidade q u e era su a d ian te de D eus:
Gênesis 38:1: E aco n teceu , nesse tem p o , q u e Judáseparou-se de en tre
seus irm ão s e to m o u -se am igo d e u m certo ad u lam ita, c h am ad o Hira.
A trib o d o rein o estava corro m p en d o -se (G n 3 :1 5 ), através do jugo
desigual. M alaquias, 0 profeta, revelará q u e Ju d á foi desleal com Tamar,
a m u lh e r d a su a ju v en tu d e (Ml 2:11 -15): Gênesis 38:2: E v iu ju d á a lia
A ldery N elso n R o c h a

filha d e u m c a n a n e u q u e se ch am av a Suá ( “riqueza ”)·, e, tom ando-a por


m ulher, a c o n h e c e u . Er n ã o servia p ara ser ancestral d a geração d e Judá
Gênesis 38:3-5: E ela c o n c e b e u e tev e u m filho, e 0 se u pai 0 ch am o u
Er ( “vigia ”). E to m o u a conceber, e tev e u m filho, a q u e m ele c h a m o u
O nã ( “fo r te ”). E tev e a in d a m ais u m filho, e cham o u -o Selá ( “eleva-
ção ‫ ל‬. Ju d á estav a em Q u e z ib e q u a n d o ela 0 d e u à luz.
A s e m e n te d a m u lh e r esperava a se m e n te da tribo d e Judá: dois
filhos irresponsáveis e u m a prom essa jam ais c u m p rid a (Ml 2 :1 1 ). Ase-
m en te espiritual q u e v e m d e C risto é rep re sen ta d a p o r Zerá. A se m en te
do fio v e rm e lh o , co m o a d e R aabe, é a se m e n te d a fé. A ssim , a lu ta de

93
T am ar e ra espiritual; su a s e m e n te era a c o n tin u id a d e d a S e m en te d a
m u lh er q u e h av ia sido em b arg ad a e m Abel, q u e havia sido preju d icad a
n a d escen d en cia dos filhos d e S ete, q u e h av ia sido atra sad a p o r cau sa
da lev ian d ad e d e Esaú, ao casar-se c o m m u lh e res gentias, e p o r isso
tornou-se n ecessário a v in d a d e Jacó, e q u e foi a lte rn a d a p ara Ju d á,
o qual foi su b stitu to de R úben, o p rim o g én ito , p o rq u e este deitou-se
com a m u lh e r d e seu pai. N ão veio de C aim , n ã o veio d e Esaú, n ã o veio
d e Ism ael, n ã o veio d e R úben e n e m p odia vir d e Levi. A essas altu ras
a serp en te estava confusa. S eu a ta q u e n ã o p a ro u p o r n ã o c o n h e c e r de
o nd e viria a se m e n te (Gn 3 :1 5 ). Esteve escondida em Sete, saiu ad ian te
através d e Jacó, e passou d e Jacó p ara Ju d á, co n fu n d in d o a se m e n te da
se rp e n te q u e qu eria d e stru ir José. A ssim p o d em o s v e r c la ram e n te por
q u e Ju d á n ã o q u eria co o p erar co m a se m e n te: Gênesis 38:6: D epois,
Ju d á to m o u p ara Er, 0 p rim ogênito, u m a m ulher, cujo n o m e e ra Tamar.
N esse m esm o tem p o , Judá foi jogando su a o p o rtu n id ad e fora, e com
isso estav a a trasan d o a p rom essa. Ele passou a responsabilidade para
os seus filhos. N o verso sete lem os q u e Er, seu prim o g ên ito era m a u aos
olhos do S en h or e, por isso, D eus 0 m ato u . Q u e tipo d e m aldade fazia? A
m esm a que seu irm ão rem idor: lançava fora se m e n te, para n ã o te r filhos
com Tamar. Seu o u tro irm ão tam b é m m o rre u pela m esm a m aldade. Era
0 espírito d a se rp e n te a tacan d o . O diabo n ão d iscern e, m as desconfia,
atira p ara tod o s os lados p ara v er se acerta. O v erso o ito diz q u e Ju d á
o rd en o u q u e 0 seu o u tro irm ão, O n ã , suscitasse se m e n te a se u irm ão.
Então ele d erram av a 0 sê m e n no chão, p ara n ã o dar d e sce n d ê n c ia a seu
irm ão: Gênesis 38:7: M as Er, 0 p rim o g ên ito d e Ju d á , d esag rad o u ao
S en h o r Jeová, e 0 S en h o r 0 m ato u . (1cr2:3>
Ju d á já h av ia c o m e ç a d o e rra d o . C asou-se co m u m a g e n tia , e a
se m e n te e stav a e sta n c a d a n e le , d a m e sm a fo rm a c o m o a s e m e n te
vitoriosa d e u m a fam ília p o d e estar e sta n c ad a n a h istó ria infeliz d e u m
h o m e m o u d e u m a m u lh e r desleal (Ml 2:11). Ju d á tin h a a se m e n te
q u e p assou p o r A bel, S ete, A braão, Isaque e Jacó. M as ele e stav a com
a m u lh e r e rra d a p ara fecundá-la. A ad u la m ita n ã o podia fecundá-la.
N ão era p ara ela. Ela n ã o era a m u lh e r original de se u c o n c e rto (Ml
2:11): Gênesis 38:8: E n tã o ,d is s e Ju d á a O n ã : “T om a a m u lh e r d e te u
irm ão , e cu m p rin do-lhe 0 d ev er de c u n h a d o , desposa-te dela e suscita
d e sce n d ê n c ia a te u irm ã o ”. (Dt25:5, 6;Mt22:24! D eu s 0 m a to u (v. 9). M ais

94
um a v e z Ju d á saiu p ela ta n g e n te , fugindo à su a responsabilidade: ele
erao esposo d e Tamar, originalm ente (MI 2:11). M as ele fugiu. Ele fugiu
d u ran te m u ito tem p o . M as aq u í está o v alor d e u rn a g ran d e m u lh e r
que so u b e esp erar até certo tem p o . Ju d á, e m b o ra seja a tribo d o louvor,
um a das m ais im p o rtan tes tribos d e n tre os filhos d e Israel, agora, estava
em ap u ro s, e u m a m u lh e r sim ples, p ersev eran te, estava salvando a
vocação d a tribo real, d e o n d e viria a se m e n te d a m ulher, Jesus C risto 0
filho d o D eu s vivo: Gênesis 38:9,10: O n ã, c o n sid eran d o q u e tal des-
cen d ên cia n ã o seria su a, cada v e z q u e se u n ia à m u lh e r d e seu irm ão,
derram ava 0 sê m e n n a terra, para n ão dar d escen d ên cia a seu irm ão, (Dt
25:6/ E, se m e lh a n te m e n te , 0 q u e ele fazia e ra m a u aos olhos d o S enhor
Jeová, pelo q u e 0 m a to u tam b é m .
A d e sle a ld a d e d e Ju d á (M 1 2 :l 1-15): Gênesis 38:1 l:E n tã o , disse
Judá a Tam ar, su a n ora: “C onserva-te viúva n a casa de te u pai, até q u e
Selá, m e u filho, seja suficientem ente g ran d e ”; porque disse a si m esm o:
“Para q u e , p o rv en tu ra, n ã o m o rra este tam b é m , co m o seus irm ã o s”.
Assim, foi-se T am ar a viver e m casa d e seu pai. (Rt1:12,« ;A perseverança
de Tamar. Ju d á to m o u -se legítim o rem id o r d e Tamar. S atanás estava
aten to a essa lu ta (G n 3 :1 5 ). C o m 0 d e c o rre r do te m p o , m o rre u a
filha d e Suá, m u lh e r d e Ju d á (v. 12). A qui estava 0 d e d o do Profeta de
G ênesis 3 :1 5 . A m u lh e r falsa do propósito m o rre u . Ju d á estava livre:
Gênesis 38:12: C om 0 passar do tem p o , m o rreu a filha de Suá, m ulher
de Ju d á. D epois de co nsolado, Ju d á su b iu a T im nate n a co m p an h ia de
Hira, se u am igo, 0 ad u lam ita, p ara ir te r co m os to sq u iad o res d e suas
ovelhas, tjs 15:10,57)
C o m o esta m ulher, em condições desprezíveis, poderia m a n te r em
A ldery N elso n R o c h a

si m esm a ta m a n h a perseverança? N ão é pela b eleza q u e D eus cu m p re


0 seu propósito. M as esta é a form a dos h o m en s naturais m ed irem a sua
felicidade: pela ap arên cia. M as 0 corpo d e u m a m u lh e r é co m o u m a
fábrica, u m a indú stria quím ica, u m laboratório e u m jardim . S om ente a
m u lh er p o de ser tu d o isso d e u m a só vez. Se conseguir m a n te r a fábrica,
fazendo d esco b rim en to s com 0 seu laboratório, v iv en d o d e su a indús-
tria qu ím ica e m a n te r 0 se u jardim b em reg ad o será b em a v en tu rad a,
m as n ã o é a sua pele q u e vale, m as por sua inteligência, serviço e missão.
A m u lh e r é m ais in telig en te d o q u e 0 h o m e m , é m ais forte e te m m ais

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capacidade d e sen tir dor; é m ais n o b re e sabe su p o rtar a angústia. O seu
ú n ico p ro b lem a é a m u d a n ç a h o rm o n a l. Isto d e se stru tu ra a m u lh e r e a
to m a e m vaso m ais frágil. O h o m e m tem m ais co n d içõ es p ara m a n te r 0
equilíbrio, g eralm en te, m as a m u lh e r passa p o r fases diferentes n o m ês.
Em u m a dessas fases, 0 seu te m p e ra m en to parece m udar. Suas palavras
são m ais ásperas, suas atitu d es m ais ru d es. Q u a n d o ch eg am os seus dias
vive u m tem p o d e m u ita carên cia afetiva. N ão é tem p o d e n ecessid ad e
sexual, m as d e carin h o , c o m p an h eirism o e co m u n icação . O h o m e m
q u e c o m p re en d e r isso e m su a esposa será a m ad o e a d m irad o p o r ela.
A m en stru a ç ã o é u m ch o ro , e esse te m p o é u m tem p o d e resp eito e
am izad e, d e a m o r e surpresas. A m e n stru a ç ã o é 0 c h o ro d o ú te ro p o r
n ão te r sido fecu n d ad o . A m u lh e r d ev e a m a r esse tem p o . As m u lh e re s
q u e resp eitam os seus m o m e n to s são m u lh e re s adm iráveis. A Bíblia
diz q u e a m u lh e r da m o cid ad e de Ju d á e ra T am ar (M l 2:11 1 4 ‫)־‬. T am ar
era a m u lh e r d e seu c o n c erto , e n a q u e le dia ela sabia e m q u e ciclo se
en co n trav a: G ê n e s i s 3 8 : 1 3 : E disseram a Tam ar: “Eis q u e te u sogro
sobe a T im n ate, p ara to sq u iar 0 se u re b a n h o ”.
Q u e m deseja lu ta r pelo q u e é seu d ev e despir-se d e su a v iu v ez e
d e sua solidão. As p ro stitu tas n ã o assentavam -se n a s fontes, m as n as
esquinas. A m u lh e r falsa d o p ropósito m o rre u e Ju d á estava livre e era,
leg alm en te, 0 seu rem idor, tal qual Boaz p ara R ute. T am ar ta m b é m
tin h a c o n h e c im e n to disso. Q u a n d o Ju d á su b iu p ara to sq u iar as suas
ovelhas, ela ta m b é m p reparou-se. Era 0 d ia d e su a fertilidade. Vestiu-
-se d e p ro stitu ta . U m a m u lh e r d ev e e sta r d isp o sta a h u m ilh ar-se, a
te r h u m ild ad e . A b ê n ç ão a in d a v e m co m a h u m ild ad e . Ela n ã o era
p ro stitu ta. Ela sabia disso e m seu ser. E ntão ela despiu-se das v estes
d e su a viuvez: Gênesis 38:14: E ntão, ela despiu-se dos v estid o s pró-
prios d a su a v iu vez e cobriu-se co m u m v é u , e assentou-se ju n to às d uas
fontes ( “porta de Enaim ”), q u e está n o c a m in h o d e T im nate; p o rq u e
ob serv o u q u e Selá já tin h a crescido 0 b a sta n te, e ela n ão lh e fora d ad a
p o r m ulher.
Ju d á jáh a v ia desviado-se d a casa d e seu pai, e e n tre g u e 0 se u irm ão
aos ism aelitas, e ain d a sentia-se d o n o de si. A p ren d erá a m aio r lição da
sua vida, e dois d e seus filhos já estão m ortos; m as José ain d a estava vivo:
Gênesis 38:15: E a v iu Ju d á, e julgou q u e era u m a p ro stitu ta se n ta d a
n o p o rtal d a cidade, p o rq u e ela tin h a 0 ro sto coberto.

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M u lh e r fiel n ã o entrega-se a u m h o m e m sem garantia. Ela saiu
em b u sca de seu m arid o , o rig in alm en te, isto é, a q u ele q u e lh e daria a
sua v e rd a d e ira s e m e n te . S eu m arid o estava ali, m as ela n ã o agiu pela
carne, p o r se n tim e n to s h u m a n o s, m as p o rq u e D eus era com ela, e isso
era fu n d am e n ta l. N a p o rta d a cidade d e E naim assentou-se com o u m a
p ro stitu ta. Ali passaria Ju d á. Ele a v e rá e se in teressará por ela. Ele, de
fato, p assou p o r ali e a c o n v id o u (v. 15). Q u a lq u e r m u lh e r n ã o atuaria
com o ela a tu o u . Ela era fen o m en al e in telig en te. Ela n ão se e n tre g o u
sem p enh or, se m garantias. Ela pediu-lhe 0 penhor. Era a su a vida que
estava e m perigo. N o final do verso 16 ela pergunta-lhe: Q u e m e darás?
Ele resp o n d e u , u m cabrito. Ela a p a re n te m e n te valia isto, m as ela era
m ais valiosa do q u e Ju d á. Veja 0 p en h o r: (1) O te u selo com a corda, (2)
O len ço (com o corda) e (3) 0 cajado. Estas três coisas rep resen tav am a
vida d e u m prín cip e d e se u povo. O selo era a su a id en tid ad e, 0 lenço
rep resen tav a a su a h e ra n ç a e a su a a u to rid ad e civil; e 0 cajado, a sua
au to rid ade espiritual d ian te de D eu s e d e su a tribo; lem b rav a 0 Ê xodo
e a v itória d e Israel sobre 0 Egito. Ela foi capaz de, n a ocasião d a necessi-
dade, to m ar tu d o isso d e u m só h o m em . Palavras são palavras, e atos são
atos. D eu s co o p era com 0 injustiçado, D eus é justo: Gênesis 38:16:
E, desviando-se d o c a m in h o , aproxim ou-se dela, sem suspeitar q u em
ela era, e disse-lhe: “Vem , deixa-m e co n h ecer-te”; e ela perguntou-lhe:
“Q u e m e darás p ara estares com igo?” Q u e m te m p e n h o r n ão necessita
de cabrito: Gênesis 38:17: Ele respondeu: “Eu te enviarei u m cabrito
do reb a n h o ”. E ela aind a perguntou-lhe: “Dar-me-ás u m p e n h o r até que
O e n v ie S ? ” (Ezl6:33;Gn38:20)
U m h o m e m d e p e n d e n te e escravo do sexo n ão sabe avaliar os seus
A ldery N elso n R o c h a

valores m orais, se a palavra d e D eus n ã o rein a r em seu coração, sendo


livre: Gênesis 38:18: E ntão, ele resp o n d eu : “Q u e p e n h o r é q u e te
darei?” Disse ela: “O te u selo, co m os cordões, e 0 cajado q u e está em
tua m ã o ”. Ele lh os d e u , e estev e c o m ela, e ela c o n c eb e u dele. (Gn38:25!
Q u a lq u e r in ju stiç a é su fic ie n te p a ra D e u s a ssu m ir 0 a ssu n to
q u a n d o for p ro c u ra d o . A in ju stiç a a u to riz a 0 e sta b e le c im e n to da
originalidade do p ropósito, cu ste 0 q u e custar. D eus age e as injusti-
ças são co m o gotas d e ira, as quais v ão e n c h e n d o 0 cálice d e D eus.
U m dia q ualqu er, 0 p e c ad o e n c h e 0 cálice d a ira d e D eus. Ju d á foi

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in ju sto (M l 2 :1 1 ). Ele d e v e ria te r e n c u rta d o 0 te m p o d e sofrim en-
to d a q u e la m u lh e r q u e so n h o u a v id a in te ira . Q u a n d o a in d a tin h a
pele d e u m a jovem foi e n tre g u e à força a h o m e n s q u e n ã o e ra m seus
m arid o s. Foi in ju stiç a d a . M as D e u s c u id o u d ela. P o r c a u sa disso
Tam ar está n a lista d a genealogia de M ateus! Seu n o m e aparece ali com o
u m a g ran d e m u lh e r: G ê n e s i s 3 8 : 1 9 : E ela se lev a n to u e p artiu ; tiro u
d e si 0 v é u e v estiu os vestidos d a su a v iu v e z . ‫ן‬cn38:14‫ך‬
U m a alerta: O h o m e m d e D eus n ã o p o d e d eix ar as suas credenciais
m inisteriais nas m ãos d e n e n h u m a m u lh er: Gênesis 38:20: E, depois,
Ju d á en v io u 0 cabrito p o r m ão d o se u c o m p a n h e iro , 0 ad u lam ita, p ara
receb er 0 p e n h o r d a m ão d a m u lh e r; p o rém n ã o a e n c o n tro u .
V erd ad eiram en te, ali n ã o havia estad o n e n h u m a p ro stitu ta, m as a
m u lh e r d e se u c o n c erto (Ml 2:11 -15): Gênesis 38:21: E p e rg u n to u
aos h o m e n s d a q u ela com arca: “O n d e está a p ro stitu ta q u e estav a em
E naim ju n to ao c a m in h o ? ” E disseram : “A qui n ã o estev e p ro stitu ta
alg u m a”.
T am ar era m ais n o b re d o q u e Judá; 0 leão v elh o d ev eria despertar:
Gênesis 38:22: E v o lto u a Ju d á e disse: “N ão a achei; e ta m b é m os
h o m e n s d aq u ele lugar disseram : A qui n ã o estev e p ro stitu ta a lg u m a ”.
U m a n o v a cred en cial foi prov id en ciad a; n o vos d o c u m e n to s; m as
Tam ar tin h a os originais. A lguns m inistros, co m o Ju d á, estão o p e ra n d o
com d o c u m e n to s piratas, os quais tê m ap arên cia, m as n ã o tê m legali-
dade: Gênesis 38:23: E ntão, disse Judá: “ D eixa-a ficar co m 0 penhor,
para q u e n ão sejam os desprezados; tu és te s te m u n h a d e q u e enviei este
cabrito, m as ela n ã o foi e n c o n tra d a ”.
A justificação d e Tamar. O n a sc im e n to d e Z erá e P erez. As m ás
línguas colocaram n o plural aquilo e m q u e T am ar fez n o singular: “p o r
causa de suas p ro stitu içõ es”. Q u e m te m p e n h o r n ã o am ed ro n ta-se.
Seu n o m e está n a lista de M ateu s 1. N ão era n atu ral q u e 0 n o m e d e u m a
m u lh e r ap arecesse ali, pois era lugar dos n o m e s m asculinos; m as 0 se u
n o m e a p areceu n a lista dos v en c ed o re s. Q u a n d o Ju d á m a n d o u tra z e r
0 cabrito n o o u tro dia, T am ar n ã o estava m ais ali. Q u e tipo d e pensa-
m en to passava p o r su a m e n te , depois daq u ele dia, sen d o possuidora de
u m p e n h o r q u e n ão carregava e m suas m ãos, m as n o san g u e: Estava
grávida de u m a se m e n te profética. O diabo estava v en c id o . Em seu
tu rn o , Satanás foi v en cid o . Q u e d esesp ero foi p a ra Ju d á n ã o te r os seus

98
d o cu m en to s, a su a escritura, o seu selo e a su a credencial? T udo estava
nas m ão s d e Tam ar! Três m eses depois (v.24) alguém veio c o rren d o
trazer a n o tícia d e q u e T am ar estava v iv en d o ileg alm en te n o m eio do
povo e q u e d ev eria m orrer. M as tal pessoa n ão sabia q u e Tam ar tin h a
0 p en h o r: Gênesis 38:24: Ao cabo de q uase três m eses, disseram a
Judá: “Tamar, tu a no ra, se prostituiu e ainda co n ceb eu por causa de suas
prostituições”. E ntão, disse Judá: “Levai-a para fora, e seja q u e im a d a ”.
(Lv21:9;Dt22:21)
O p e n h o r é a v e rd a d e , 0 p e n h o r n ã o gera v erg o n h a, gera autori-
dade. Ela tin h a p e n h o r e m suas m ãos. P rep araram a fogueira, 0 poste,
atearam 0 fogo e a n u n c ia ra m n a c id a d e a n o ite d a in q u isição . Ele
preparou-se. Ela n ão se d im in u iu p o r isso. Ela tin h a penhor. Q u e m tem
p en h o r n ã o te m m ed o . Q u a n d o v ieram p ara levá-la, ela ap re se n to u 0
penhor. “ D o h o m e m d e q u e m são estas coisas e u concebí. R econhece-
-as? Peço-te q u e as re c o n h e ç a !” N ão h av ia altern ativ a sen ão reconhe-
cer a v e rd a d e . E ntão ele as rec o n h e c e u e a in d a disse: M ais ju sta é ela
do q u e e u . O c a m in h o d a b ê n ç ão p arece h u m ilh a n te , m as é glorioso.
Tam ar g ero u , v iv eu , e n ã o m o rre u . T am ar agora estava grávida de dois
filhos (v.27). Dois v arõ es p ara co m p en sar cad a u m de seus m aridos
irresponsáveis. D eu s n ão fica d e v e n d o àq u ele q u e lu ta p o r aquilo q u e
é seu: Gênesis 38:25: E, q u a n d o ela foi tirada p ara fora d e su a casa,
m an d o u d izer a se u sogro: “ D o h o m e m a q u e m p e rte n ce m estas coisas
eu c o n ceb í” . E disse m ais: “R eco n h ece, rogo-te, d e q u e m são estes, 0
selo co m os co rd õ es e 0 cajad o ”. 1cn38:m
O lo u v o r e n g ra n d e c e u a justiça d e u m a sim ples m u lh e r despreza-
da. P erez n asce e d ará d escen d ên cia aos reis até 0 segundo filho de Davi
A ldery N elso n R o c h a

com Bate-Seba. Em Bate-Seba, por in term éd io de N atã, a genealogia de


M aria co m e ç a a ser c o n ta d a (M t 1:3; Lc 3 : 3 1,32): Gênesis 38:26: E
reco nh eceu -o s Ju d á , d izen d o : “Ela é m ais ju sta do q u e e u , p o rq u an to
n ã o a d e ia o m e u filh o S e lá ”. E n u n c a m a isv o lto u a c o n h e c ê -la . /1sm24:17;
Gn38:14) P ara m im 0 te x to d e G ênesis 3 8 q u e fala d a lu ta de T am ar para
gerar u m a s e m e n te n o s rev e la a m aio r lição q u e p o d e m o s te r sobre a
p e rse v e ra n ç a p o r d e sfru ta rm o s d e u m d ireito q u e n o s p e rte n c e . Esta
m u lh e r é 0 sím b olo d a p e rse v e ra n ç a . N ão m u itas delas n a Bíblia. Ele,
sem sa b e r e ste v e lu ta n d o c o n tra 0 D rag ão , 0 p ró p rio D iabo.

99
E m G ên esis 3 :1 5 n o s d iz q u e a in im iz a d e e n tre a S e m e n te d a
m u lh e r e a s e m e n te d e S atan ás foi p o sta p o r D eu s. A ssim , n ã o e sp ere
u rn a b a n d e irin h a b ra n c a d e S atanás. Ele n u n c a h a s te a rá a b a n d e ira
p ed in d o -lh e tré g u a . E sta in im iz a d e foi p o sta p o r D e u s e v o c ê p o d e
até s o n h a r c o m u m a tré g u a , m as n ã o se e n g a n e c o m a rea lid a d e . O
c u m p rim e n to d e G ênesis 3 :1 5 e stá em to d a a Bíblia, e as e x p eriên cias
seg u em a té ao A pocalipse 12, e a in d a m ais a té aos dias d e hoje: G ê n e -
sis 3:15: E porei inim izade entre ti e a m ulher, e en tre a tu a sem en te e a sua
Sem ente; eesta te ferirá a ca b e ç a , e tu lhe ferirásocalcanhar”. (At 13:10; 1j03:8;
is
7:14;Mt 1:23;Rm 16:20;Ap 12:7!Apocalipse 12:1 -5: Apareceu no Céu um sinal:
um a mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos seus pés, e sobre a sua cabeça
um a coroa de doze estrelas. E, estando grávida, clamava com dores do parto,
sofrendo torm entos para dar à luz. (1s66:7; a 4:19/Viu-se outro sinal no Céu: eis
um grande dragão vermelho que tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as
suas cabeças, sete diademas; (Ap 13:1;Dn 7:7;Ap 19:12) a sua cauda arrastou a terça
parte das estrelas do Céu, lançando-as na Terra. E 0 dragão pôs-se diante da
mulher, quando ela estava para dar à luz, a fim de devorar 0 seu filho, quando
ele nascesse. (Ap 8:7,12; Dn 8:10) E ela deu à luz um filho varão, que há de reger
todas as nações com vara de ferro; e 0 seu filho lhe foi arrebatado para diante
de Deus e para 0 seu Trono. (Ap2:27;s12:9;2 Co 12:2!

“A luta de Tamarera espiritual, pois a sua sem ente era a continuidade da Sem ente
da mulher que tinha sido embargada em Abel, que tinha sido prejudicada na
descendência dosfilhos de Sete, que tinha sido atrasada por causa da leviandade de
Esaú ao casarse com gentias, e por isso fo i necessário a vindadejacó, pois que fo i
alternada parajudá, quefo i substituto de Rúben, oprimogênito. Veja queD eusfoi
mudando a Sem ente devenires e issofoi confundindo o dragão. Não veio de Caim, não
veio deEsaú, não veio de Ismael, não veio de Rúben, e nem podia virdeLevi. Assim , a
cabeça da serpenteficou confusa. Seu ataque não deixou de existirporque não sabia
de onde viría a Semente. Masa Sem ente esteve escondida em Sete, se revelou através
dejacó, e passou deJacó parajudá, confundindo a sem ente da serpente que queria
matarafosé. ”

A ssim , p o d e m o s v e r c la ram e n te p o r q u e J u d á n ã o q u e ria c o o p e ra r


com a S e m en te. O in acred itáv el d e tu d o isto é q u e u m a m u lh e r talvez
sem ap arên cia, pois u m a m u lh e r p o d e ría v aler m u ita s ég u as, cavalos,
o v elhas e, p o r ú ltim o , só u m cab rito (se lh e faltasse 0 a trib u to beleza).
C o m o esta m u lh e r e m c o n d iç õ e s d e sp re z ív e is p o d e ría se r d ig n a d e
ta m a n h a perseverança? N ão é pela beleza q u e D eu s c u m p re 0 se u pro-

100
p ósito. Foi isto q u e S am u el a p re n d e u n o d ia d a u n ç ã o d e D avi. M as
esta é a form a d o s h o m e n s tra ta re m este a ssu n to pela aparência. Claro
que é b o m q u e a m u lh e r c u id e d o se u co rp o , pois é u m a fábrica, u m a
in d ú stria q u ím ica , u m lab o ra tó rio e ta m b é m u m jard im . S o m e n te a
m u lh e r p o d e ser tu d o isso d e u m a v e z . Se c o n seg u ir m a n te r a fábrica,
e fizer d e s c o b rim e n to s n o se u lab o ra tó rio e v iv er d a su a in d ú stria
q u ím ica, e m a n te r 0 s e u jard im b e m reg ad o , se rá b e m -a v e n tu ra d a ,
m as n ã o é p e la s u a p e le q u e v a le rá, m as sim p o r su a in telig ên cia.

“A mulher é mais inteligente que o homem, é mais forte doqueohomem,etemmaior


capacidade de sentirdor, é muito mais nobre, e sabe suportar 0 tempo da angústia por
mais tempo. O seu único problema é a mudança mensal nos hormônios. Isto desestrutura
a mulher e faz dela umvaso temporariamente mais frágil. O homem mantém o mesmo
equilibrio, geralmente, em todo 0 tempo, mas a mulher tem três bises no mês. Elatem um
mês de 28 dias. No seu diavinte um fecha para balance, e a maioriados homens não sabe
disso, porque o fechamento do balance dos homens ainda iráacontecer depois.”

E u q u e ro d iz e r c o m isso q u e 0 p ro b le m a fu n d a m e n ta l d o re-
la c io n a m e n to m a trim o n ia l é a falta d e e n te n d im e n to p o r par-
te d o h o m e m a re s p e ito d a s m u d a n ç a s h o rm o n a is d e s u a m u-
lher. D esd e 0 p rim e iro d ia d e s u a m e n s tru a ç ã o , c o m e ç a a conta-
gem reg re ssiv a d e u m reló g io , q u e p o d e se r u m a b om ba-relógio.

Sabe-se q u e a g lân d ula p itu itária d o organism o c o m a n d a as ou-


tras glândulas. A m e n in a já n asce com a p ro x im ad a m en te 4 0 0 óvulos
e a p a rtir d a su a p u b e rd a d e h á d e liberar u m ó v ulo p o r m ês. C aso
este ó vulo n ão seja fecu n d ad o , h á d e ser expelido através d a m ens-
truação; assim , a m e n stru a ç ã o é tam b é m , em u m sen tid o poético, 0
A ldery N elso n R o c h a

choro d o ú te ro p o r n ã o te r fecu n d ad o . P o rém , 0 m en in o n ão nasce


p ro d u zin d o esp erm ato zó id es, m as a p artir d a p u b e rd a d e p ro d u z es-
p erm ato zó id es sem p arar d u ra n te 2 4 h o ras p o r dia. Se n ã o h o u v e r
o nanism o, é c e rto q u e 0 organism o os expelirá p o r cau sa d a nova pro-
dução d e esp erm ato zo id es q u e, e m b o ra n ã o seja co n sid erad o pecado,
é u m a im p u re za física.
Já c o m a m u lh er, a p a rtir d o p rim e iro d ia d a m e n stru a ç ã o , 0 que
pode a c o n te c e r é in crív el. Em dois ciclos d e se te dias e sta rá n o se u
tem p o d e fertilid ad e. Isto é, c o n ta n d o d e sd e 0 p rim e iro dia d e sua

101
m e n stru a ç ã o a té 0 dia q u a to rz e; n e ste dia, a m u lh e r e sta rá c o m a tem -
p e ra tu ra m u d a d a , q u ím ic a m e n te se rá u m a fábrica. Será 0 se u dia m ais
lindo d o m ês. M u itas m u lh eres, ain d a q u e n ã o q u eiram fec u n d a r 0 seu
óvulo, n esse dia, c h o ra m a falta d o se u h o m e m . O u tra s se d e p rim e m ,
m as to d as so frem a su a a n g ú stia n e sse dia.
N o p ró x im o ciclo c o m e ç a m os dias n e rv o so s, a im p a c iê n c ia e,
se estiv er e n fe rm a d e alg u m d e s e u s ó rg ão s, e ste s dias se rã o os m ais
co m p licad o s. O se u te m p e ra m e n to m u d a rá , oscilará. As su as pala-
v ras são m ais ásp eras e as su as a titu d e s m ais ru d e s. Q u a n d o v e m a
m e n s tru a ç ã o , c h e g a co m ela u m te m p o d e m u ita c a rê n c ia afetiva.
N ão é te m p o d e n e c e ssid a d e se x u al, m as d e c a rin h o , co m p a n h e iris-
m o e c o n v ersa. O h o m e m q u e e n te n d e r isso e m su a e sp o sa (e p u d e r
c o m p re e n d e r estas três fases )será a m a d o e a d m ira d o p o r su a m u lh e r
d e u m a fo rm a in dizível.
A m e n s tru a ç ã o é u m c h o ro , esse te m p o é u m te m p o d e re sp e ito ,
am izad e, am o r e surpresas. A m e n stru a ç ã o é 0 c h o ro do ú te ro p o r n ão
te r fecu n d ad o . A m u lh e r d e v e a m a r esse tem p o . A m aio ria das m u lh e-
res q u e o d eiam m e n stru a r são fru strad as, en g o rd a m facilm en te, e n ão
se c u id a m . As m u lh e re s q u e c u rte m os seu s m o m e n to s são m u lh e re s
ad m iráv eis e m u ito resp e ita d a s. O s h o m e n s g e ra lm e n te a n d a m des-
p reo c u p a d o s c o m este tip o d e situ a ç ão p o rq u e n ã o e n te n d e m 0 ciclo
d e v id a d e su a m u lh er.
J u d á já tin h a c o m e ç a d o e rra d o , p ois c asou-se c o m u m a g e n tia , e
a S e m e n te e stav a e sta n c a d a n e le , d a m e s m a fo rm a c o m o a s e m e n te
vitoriosa d e u m a fam ília p o d e esta r e sta n c ad a n a h istó ria infeliz d e u m
h o m e m o u d e u m a m u lh e r se m p ro p ó sito .
J u d á tin h a a S e m e n te q u e a n d o u p o r A bel, S ete, A b raão , Isa q u e e
Jacó. M as ele estav a co m a esposa e rra d a p a ra fecundá-la. A a d u la m ita
n ã o p o d e ria fecundá-la. N ão e ra u m p rivilégio p a ra ela. Ela n ã o e ra a
p esso a o riginal d o p ro p ó sito . N esse m e sm o te m p o , Ju d á foi jo g an d o
a su a o p o rtu n id a d e fora e c o m isso e sta v a a tra s a n d o a p ro m e ssa .
Ele p asso u a resp o n sa b ilid ad e p a ra os seu s filhos. V ejam os 0 q u e lh e
a c o n te c e u .
N o v erso se te lem o s q u e Er, se u p rim o g ê n ito e ra m a u aos o lh o s
d o S e n h o r e p o r isso D eu s 0 m a to u . Q u e tip o d e m a ld a d e ele fazia? A
m e s m a m ald ad e q u e 0 se u irm ão rem id o r fazia: lan çav a fora a sem en -

102
te p ara n ã o te r filhos c o m Tam ar. D a m e sm a fo rm a 0 se u o u tro irm ão
ta m b é m m o rre u p ela m e sm a m a ld a d e . Era 0 esp írito d a se m e n te da
se rp e n te a ta c a n d o . O d iab o n ã o d isc e rn e , m as d esco n fia, atira p ara
tod o s os lad o s p a ra v e r se a c erta . É p o r isso q u e d e v e m o s te r m u ito
cu id ad o .
O v erso o ito d iz q u e Ju d á d e u o rd e m a se u filho O n ã q u e suscitas-
se s e m e n te ao se u irm ão . E ntão, a Bíblia n o s diz c la ra m e n te q u e ele
d e rra m a v a 0 s ê m e n n o c h ã o p a ra n ã o d a r d e sc e n d ê n c ia a se u irm ão.
Por isso D eu s 0 m a to u (v.9); n ã o p o r d e rra m a r a su a se m e n te n o chão,
m as p o r e v ita r q u e T am ar c o n c eb e sse . M ais u m a v e z Ju d á saiu p ela
ta n g e n te fu g in d o d e su a resp o n sa b ilid ad e , pois ele e ra 0 v e rd a d e iro
esposo d e Tamar. M as ele fugia. A ssim ele fugiu d u ra n te m u ito tem po.
M as aqui está 0 valo r d e u m a g ran d e m u lh e r q u e sabia esperar, até
certo te m p o . Ju d á , e m b o ra fosse d a trib o do lo u v o r n a história d e Isra-
el, e u m a das m ais im p o rta n te s tribos, agora, estava em apuros; e u m a
m u lh e r tã o sim p les, m as p e rse v e ra n te , e stav a te n ta n d o salvar a su a
vo cação , isto é, d e se r a trib o real d e o n d e viria a S e m e n te d a m ulher,
Jesus C risto , 0 M essias, 0 Filho do D eu s vivo! P or isso, h av e re m o s
de v e r n o d ia d o G ra n d e T rib u n al de C risto D e u s a c h a m a r 0 nom e
de T am ar p a ra se r h o n ra d a . C e rta m e n te 0 se u galardão será m aio r do
que 0 d e J u d á . P o r q u ê ? V ejam os a seguir.
A Bíblia n o s e n sin a q u e co m 0 c o rre r d o te m p o , m o rre u a filha de
Suá, m u lh e r d e Ju d á (v. 12). A qui estav a 0 d e d o d o P rofeta d e G ênesis
3 :1 5 . A m u lh e r in tru sa d o p ro p ó sito m o rre u e J u d á e stav a livre. Ta-
m ar ta m b é m . M as to d a m u lh e r d e v e c o n h e c e r 0 s e u te m p o . Tam ar
0 c o n h e cia . Q u a n d o J u d á su b iu p a ra to sq u ia r as su as o v elh as, ela
A ldery N elso n R o c h a

tam b é m se p re p a ro u . V ivia 0 d ia d e su a fertilid ad e e v estiu -se c om o


u m a p ro stitu ta . U m a m u lh e r d e v e e sta r d isp o sta a se h u m ilh a r p ara
alcan çar se u s p ro p ó sito s. A m u lh e r q u e n u n c a se h u m ilh a n u n c a
o b terá n a d a . A fem in ilid ad e p reg a a falta d e h u m ild a d e da m u lh e r e a
su cu m b e. A b ê n ç ão a in d a v e m com a h u m ilh a ç ã o . Ela n ã o era prosti-
tu ta, e ra u m a m ã e fiel. Ela sabia disso n as m ais p ro fu n d a s e n tra n h a s
de se u ser. N ão im p o rta 0 q u e d isserem d e v o c ê , se v o c ê so u b e r qual
é a su a v o c a çã o d e vida.
E n tão ela se d e sp iu d e suas v e ste s d e v iú v a e saiu p a ra 0 abraço,

103
0 ab ra ç o d e se u m arid o original; a q u e le q u e d ar‫־‬lh e ‫־‬ia a su a s e m e n te
ab en ço ad a. Se v ocê ficar ai v estida d e viúva n u n c a vai c o n seg u ir n ad a,
se n ão for in te lig e n te . M u lh e re s u sa ra m a su a in te lig ê n c ia e conquis-
ta ra m g ran d e s vitórias:
Abigail, ao tra z e r a c o m id a p a ra D avi, p o r aconselhá-lo; B eteseba,
ao aliar-se ao p ro feta N a tã , n a e sco lh a d o n o v o rei d e Israel, n o m eio
d e u m a co n sp iração .
T am ar n ã o iria ficar p ara se r titia se a in d a e ra m u lh e r, e n ã o tin h a
p erd id o a s u a e sp e ra n ç a . S eu m a rid o e stá ali, m as ela n ã o agiu pela
c a rn e , n e m p o r s e n tim e n to s h u m a n o s , m as p o rq u e D eu s e ra c o m ela
e isso era fu n d a m e n ta l.
N a p o rta d a cidade d e E naim assentou-se co m o u m a p ro stitu ta. Ali
Ju d á tin h a q u e passar. E ntão, ele a v eria e se in teressaria p o r ela. Ele de
fato ele p asso u p o r ali e a c o n v id o u (v. 16).
Q u a lq u e r m u lh e r n ã o a tu a ria c o m o ela; e la foi fe n o m e n a l, inteli-
g e n te . T oda m u lh e r d e v e ria a p re n d e r co m ela c o m o c o n q u ista r 0 se u
lu g ar n a h istó ria do p ro p ó sito d e D eu s. M as ela n ã o se e n tre g a ria sem
penhor. N ão e n tre g u e-se a n e n h u m h o m e m se n ã o tiver alian ça, n e m
se g u ra n ç a g a ra n tid a . N ão e n tre g u e -se (“fa z e n d o q u a lq u e r tip o de
p a c to ”) a n e n h u m cráp u la se sabe q u e ele n ã o te m g aran tia p ara cobrir
as su as n e c essid ad e s, e m b o ra lh e p a re ç a b o n ito , a tra e n te , v isionário,
e x p e rto , não! Se n ã o tiv e r p e n h o r p a ra oferecer-lhe, saia fora!
E n tão , ela p ed iu -lh e 0 p en h o r. Era a su a v id a q u e e sta v a e m jogo.
N o final d o v erso 16, ela perg u n ta-lh e: Q u e m e darás? Ele resp o n d e u :
u m cab rito . Ela a p a re n te m e n te valia isto, m as era m ais valiosa d o q u e
Ju d á. Q u e p e n h o r ela q u eria? Veja 0 p e n h o r ...
1) O te u selo c o m a co rd a,
2) O len ço
3) E 0 cajado.
Estas trê s coisas re p re se n ta v a m a v id a d o p rín c ip e d e se u povo.
O selo e ra a su a id e n tid a d e ; 0 len ç o re p re se n ta v a a su a h e ra n ç a e su a
a u to rid ad e civil; e 0 cajado rev elav a a su a a u to rid a d e esp iritu al d ia n te
d e D eu s e d e su a tribo; lem b rav a 0 Ê xodo e a v itó ria d e Israel so b re 0
Egito. Ela foi cap az d e , n a ocasião d a n e c e ssid a d e , to m a r tu d o isso de
u m só h o m e m .
Q u e m u lh er! N e m to d as as m u lh e re s são c a p az e s d e to m a r isto

104
de u m h o m e m . O h iste rism o , a falta d e sab ed o ria n a h o ra d e falar, a
falta d e in telig ên cia n o atuar, ao p e rg u n ta r n a h o ra erra d a , e ao e n tra r
e sair d ia n te d e se u esp oso n ã o lh e d á d ire ito d e r e c e b e r n e m u m só
fio d o len ç o . P alavras são palavras e ato s são ato s. D e u s c o o p e ra com
0 in ju stiçad o , p o rq u e D e u s é ju sto . Ele é ju sto . Q u a lq u e r injustiça
é su ficien te p a ra ele a ssu m ir 0 c o m a n d o q u a n d o for p ro c u ra d o . A
injustiça a u to riz a 0 e sta b e le c im e n to d a o rig in alid ad e d o p ropósito,
pois c u s te 0 q u e custar, D e u s age.
Se v o c ê fizer u m a in ju stiç a e n ã o se a rre p e n d e r e n e m p ro c u ra r
restitu ir 0 d a n o q u e c a u so u , a in d a q u e seja u m b e m su c ed id o h o m em
de n eg ó cio s, irá à falência. Irá à falência p o r suas injustiças. As injusti-
ças são c o m o g o tas d e se n te n ç a s q u e v ã o e n c h e n d o 0 cálice d e D eus.
Um dia q u a lq u e r 0 p e c ad o e n c h e rá 0 cálice. Q u a lq u e r p ec ad o , u m
dia 0 e n c h e .
D e u s e s ta v a c h e io d e J u d á . Ele s u tilm e n te e sta v a e n g a n a n d o
aquela p o b re m ulher. U m a das piores a titu d e s de u m h o m e m , q u a n to
às su as e m o ç õ e s, é q u a n d o ele te n ta lev ar tu d o in fo rm a lm e n te . P or
o u tro lad o, 0 m e d o d a m u lh e r ao falar co m ele so b re as suas espectati-
vas cau sa-lh e g ra n d e e n fe rm id a d e , pois sabe q u e se falar algo sofrerá
0 d an o . E m casa, m u itas v e z es os filhos n ecessitam d e algo, m as 0 ma-
rido gasta tu d o c o m os am igos, co m a m ãe , c o m os irm ã o s d a igreja; é
u m a triste z a . U m dia tu d o acaba.
Q u a n d o D e u s se le v a n to u e disse: “S am u el, p o r q u e a in d a estás
o ran d o p o r S au l?” Foi difícil, m as foi u m a g ran d e v e rd a d e d ita p o r
D eus ao p ro fe ta. Se v o c ê é u m d esses, q u e leva a v ida a s e u m o d o ,
a p o n to d e su a filha sair d e casa p a ra d e se sp e ra d a m e n te entregar-se
A ldery N elso n R o c h a

às m ão s d e q u a lq u e r h o m e m , ju sta m e n te p o rq u e n ã o a g u e n ta m ais
ficar n a su a p ró p ria casa, o n d e n ã o te m con fo rto , n e m co m id a, n e m 0
básico p a ra viver, e sp ere u m p o u c o a n te s d e passar esta página: v o cê
pode m o rre r p re m a tu ra m e n te . S eus neg ó cio s n u n c a se estabilizarão
se n ã o b u s c a r 0 R eino d e D e u s a n te s d e to d as as coisas. A rrependa-
-se ag o ra m e s m o e v o lte a e s tru tu ra r a su a casa c o m o a n te s. T odos os
am igos são im p o rta n te s, m as n in g u é m é m ais im p o rta n te do q u e sua
fam ília. A s in ju stiças fam iliares g eram falência, p o b rez a , d e stru iç ã o
e m o rte p re m a tu ra .

105
J u d á foi in ju sto pois ele d e v e ria te r e n c u rta d o 0 te m p o d o sofri-
m e n to d a q u e la m u lh e r q u e so n h o u a su a v id a in te ira . Q u a n d o a in d a
tin h a p ele d e u m a jovem foi e n tre g u e o b rig a to riam e n te a h o m e n s q u e
n ã o e ra m seu s m arid o s. Foi in ju stiç a d a. M as D e u s c u id o u d ela.
D eu s c u id a d e v o c ê Tam ar. Se h o u v e r e m ti u m d esejo d e triu n fa r
co m o c a n al d e b ê n ç ã o , p a ra a glória d e D e u s, D e u s c u id a rá d e ti.
P or c a u sa disso T am ar e stá n a lista d a g en ealo g ia d e M a te u s! S eu
n o m e ap a re c e ali c o m o u m a g ran d e m u lh e r. N ã o e ra n o rm a l q u e u m
n o m e fem in in o a p a re c esse ali; ali e ra lu g ar d e h o m e m , m a s 0 seu
n o m e a p a re c e u n a lista dos v e n c e d o re s.
Q u a n d o Ju d á m a n d o u tra z e r 0 c a b rito n o o u tro d ia, T am ar n ã o
e stav a m ais lá. Q u e tip o d e s e n tim e n to e la tev e d ep o is d a q u e le dia,
sen d o p ro p rietária d e u m p e n h o r q u e n ã o carregava n as m ão s, m as n o
seu sangue: E stava grávida d e u m a S e m en te profética. Pelo se u tu rn o ,
S atan ás foi v e n c id o .
Q u e d e sesp e ro foi p a ra Ju d á n ã o te r os se u s d o c u m e n to s , a su a
e s c ritu ra e a su a c re d e n c ia l d e esp iritu al. T udo e sta v a n a s m ã o s d e
Tam ar!
Três m ese s d epois (v.24) a lg u ém , d a q u e le s fofoqueiros triunfalis-
tas, v eio c o rre n d o tra z e r a n o tíc ia q u e T am ar e sta v a g e sta n te e vivia
ileg alm en te n o m eio do p o v o , e q u e d e v e ria m orrer.
Você n ã o d e v e se se n tir m al p o rq u e a lg u é m ficou s a b e n d o algo
ín tim o q u e 0 im p e d e d e c o n tin u a r n o m eio d o a c a m p a m e n to , se te m
p e n h o r n a s m ão s q u e lh e d ão g arantia! N ão n e c e ssita ficar se escon-
d e n d o n e m precisa v iv er sob 0 p o d e r do m e d o . Se se u p ro b le m a foi
resolvido d e fo rm a legal d ia n te de D eu s e dos h o m e n s, se u fu tu ro te m
p en h o r. E T am ar tin h a p en h o r. O p e n h o r é a v e rd a d e , 0 p e n h o r n ã o
g era v e rg o n h a , g era a u to rid a d e . Ela e stav a c o m 0 p e n h o r n a s m ão s.
P re p ara ra m a fogueira, 0 p o ste , p u se ra m fogo e a n u n c ia ra m n a
cid ad e u m a n o ite d a inquisição. Ele se p rep a ro u e n ã o se d im in u iu p o r
isso. Ela tin h a p en h o r. Q u e m te m p e n h o r n ã o te m m e d o .
Q u a n d o v ie ra m p a ra levá-la, ela a p re s e n to u 0 p en h o r. “D o ho-
m e m d e q u e m são e sta s coisas e u c o n ceb í. R econhece-as? P eço-te
q u e as re c o n h e ç a !”
N ão h av ia o u tra altern ativ a sen ão re c o n h e c e r a v e rd a d e . E ntão ele
as r e c o n h e c e u e a in d a disse: “M ais ju sta é ela d o q u e e u ”. V ocê a in d a

106
o u v irá isto se p a rtir p elo c a m in h o d a b ê n ç ã o e n ã o p elo c a m in h o d a
agressão, d a d iscu ssão , d a v io lên cia, do ju ízo . O c a m in h o d a b ê n ç ão
parece h u m ilh a n te , m as é glorioso. O q u e você q u e r n ão é a S em ente?
E ntão p o r q u e b rig ar co m 0 se m e n te iro ?
T am ar g e ro u , v iv eu e n ã o m o rre u . Você v iv erá p a ra se r canal d e
b ên ç ão . D e u s lh e aju d ará.
T am ar ag o ra e sta v a grávida d e dois filhos (v.27). U m p rêm io p o r
cada d e c ep ç ã o sofrida sob 0 p o d e r d e cad a m arid o anterior. D eu s n ão
fica d e v e n d o à q u e le q u e lu ta p elo se u p ro p ó sito original.
O re p ú d io d e Ju d á foi c o m e n ta d o p o r D e u s e m M alaq u ias m os-
tran d o c o m o D eu s 0 ab o m in a, pois esse rep ú d io q uase pôs a p e rd e r os
planos d e D eu s n a s m ão s d e u m h o m e m irresponsável: O repúdio pro-
picia a violência m atrim onial e a m o rte passional; D eus 0 abom ina. Judá
rep ud io u Tamar, aju sta. R epúdio, n o grego é “ap o lu o ”, e significa “dei-
xar d e lado, abandonar, to m ar o u tra atitude, deixando de lado a prim eira
sem negociação, rep u d iar”. O repúdio é 0 tem p o e 0 estado en tre a sepa-
ração e 0 ato d e rec e b e r a carta d e divórcio (D t 2 4 :1 ; M t 5 :3 1 ). Isto era
0 q u e os h o m e n s faziam , g eralm en te, ao ab o rrecer a su a m ulher, com o
foi 0 caso d o esposo d a m u lh e r sam aritana, e d e Jacó, q u a n to a Leia. Era
co m u m aos h o m e n s d esp rezarem a su a esposa (a qual era geralm ente a
m u lh er d a su a ju v en tu d e) e casar-se com o u tra, d eix an d o aquela presa
à su a le i, n ã o p o d en d o casar-se (Rm 7:1). M uitos to m av am esta atitude
esp ecialm en te p o r razões econôm icas. A lei judaica, q u e autorizava
0 divórcio, n ã o era c u m p rid a (D t 2 4 :1 ). O repúd io era u m a a p arente
saída, m as escravizava a m ulher. Jesus veio d efen d er a lei e cum pri-la,
e aquilo q u e n ão era cu m p rid o ele adm oestava, com o n e ste caso, a fim
A ldery N elso n R o c h a

de libertar a m u lh e r do jugo da escravidão do rep ú d io (Lc 1ó: 17,18). A


m u lh er escrava, rep u d iad a, sem direitos, sem n e n h u m tipo d e recurso
para sobreviver, d everia ter a carta d e divórcio e a liberdade para casar-se
com o u tro h o m em . Jesus disse: “Q u e m rep u d iar a sua m u lh e r dê-lhe
carta d e divórcio; isto é, n ã o a deixe rep u d iad a e presa à lei. O repúdio
jamais lh e daria esta carta em suas m ãos, p o r cau sa da d u rez a (avareza)
do coração d aq u eles h o m en s. Em M a te u s 5 :3 2 , Jesus utilizou as duas
palavras várias v ezes e proibiu 0 rep ú d io definitivam ente, d izen d o que
aquele q u e se casar co m 0 repudiado co m ete adultério, forçando os seus

107
inquisidores a to m arem e m c o n ta a liberdade e voltassem à m onogam ia.
A palavra “ap o stasio n ”, de o n d e v e m a palavra apostasia, é u m térm in o
definitivo e sem reto rn o (D t 2 4 :1 ,2 ). Em M a te u s 19:6, Jesus disse que
aqueles q u e D eus u n iu n ã o queira separar 0 h o m e m . Jesus disse q u e n o
princípio n ão foi assim . Assim com o? A resposta é: “N o princípio eram
dois em u m a só c a rn e ”. Ele n ão estava falando q u e n o princípio n ã o havia
poligam ia, m as q u e n aq u eles dias a m o n o g am ia era algo resp eitad o e
que a m u lh e r repu diada n ão ficava presa ao seu m arido (D t 2 4 :2 ,3 ), pois
no dias d e Jesus ap o lig am ia estava proliferada p o r causa d o rep ú d io . O
repúdio sem solução definitiva estabelecia a poligam ia. N in g u ém mor-
ria apedrejado p o r causa do repúdio. A gora Jesus diz: “Q u e m está e m
repúdio e te m o u tro cônjuge está em ad u ltério ”. E seg u n d o a lei deveria
ser apedrejado. E ntão os discípulos resp o n d eram : “Isso n ão c o n v é m ”
(M t 19:10). E não convinham esm o: M a la q u ia s 2 :1 6 : P orque 0 S enhor
Jeová, D eus de Israel, aborrece 0 rep ú d io e aqu ele q u e en co b re a violên-
cia com 0 se u m an to , diz 0 S en h o r d os exércitos; p o rta n to , guardai-vos
em vosso espírito e n ão sejais desleais.
Por q u e Ju d á foi d eix ad a d e lado, fav o recen d o Levi? (G n 3 8 ). D eus
m o stra aq u i 0 q u e ficou o cu lto e m G ênesis 3 8 , a resp eito d e Ju d á e Ta-
m ar: Malaquias 2:11 : Ju d á foi desleal, pois se c o m e te u ab o m in ação
em Israel e e m Jerusalém ; p o rq u e Ju d á p ro fan o u a sa n tid ad e d o S en h o r
Jeová, a qual ele am a, e se caso u c o m a filha d e u m d e u s e stra n h o , m
2:14;Ne 13:23)
P o rq u e d e Ju d á viria 0 M essias. Ao corrom per-se co m o u tra s na-
ções colocava em risco a S e m en te d o M essias. M e sm o q u e ofertasse
ao Senhor, n ã o seria aceito pois estava e m jugo desigual, p ro fan an d o 0
Pacto (Gn 3 :1 5 ; 12:1-5): Malaquias 2:12: 0 S en h o r Jeová e x tirp ará
0 h o m e m q u e fizer isso, b em c om o 0 q u e c h a m a e 0 q u e resp o n d e das
ten d a s d e Jacó, e 0 q u e oferece d o n s ao S e n h o r Jeo v á dos ex ército s.
As lágrim as dos sacerd o tes n ã o e ra m aceitas. O p rim eiro sacrifício
efetuado por eles n ão era aceito (Lv 16) :Malaquias 2:13: E ainda fazeis
isto: cobris 0 altar d o S en h o r Jeová c o m lágrim as, co m c h o ro s e com
gem idos; d e tal m an e ira q u e ele já n ã o o lha p ara os vossos sacrifícios,
n e m os aceitará co m agrado d e vossas m ãos.
O u tra p ergun ta: D e Ju d á, p o r te r sido desleal p ara com a m u lh e r de
su a ju v en tu d e. O segredo da fidelidade: g u ard ar 0 se u espírito h u m a n o

108
d a d esleald ad e. O s p ecad o s m atrim o n iais dos sacerd o tes são visto em
M alaquias m as sem p re lem b ran d o os atos d e Ju d á. A m u lh e r da juven-
tu d e é a q u e la co m q u e m o jovem planeja os seus so n h o s e a q u e m faz
prom essas, e co m q u e m m u itas v e z es m a n té m co n tín u as e co n stan tes
pro m essas q u e , ao final dos dias, são esquecidas e a b an d o n ad as, com o
se n a d a h o u v esse acontecido e, e m o u tro caso, é a m u lh e r com q u e m se
casa e q u e, depois d e estar casado, 0 h o m e m , por m otivo d e sua própria
concupiscencia, q u eb ra 0 pacto estabelecido e parte para a deslealdade.
D eu s está falando q u e ele é te s te m u n h a e n tre o o fensor e 0 ofendido.
Foi isto q u e J u d á fez n o passado. Esta te ste m u n h a n ã o m e n te , não
profere falso teste m u n h o : Malaquias 2:14: M as vós ain d a dizeis: Por
q u ê? P o rq u e 0 S en h o r Jeová foi te ste m u n h a e n tre ti e a m u lh e r da tu a
ju v e n tu d e , c o n tra q u e m tu foste desleal, se n d o ela a tu a co m p an h eira
e a m u lh e r d o te u pacto. U m a só c a rn e e u m sobejar d e espírito! N essa
u n ião d e u m a só c a rn e e b a sta n te espírito, ele b uscava a S em en te da
m u lh e r d ig n a d e ser a m ãe do M essias, e a deslealdade d e Ju d á, (1) ao
ab an d o n ar Tamar, e m busca de m u lh eres cananeias, (2) entregando-lhe
seus filhos, foi u m a g ran d e desleald ad e (G n 38).
A ldery N elso n R o c h a
Tábuas
As Segundas

111
112
Todos os h o m e n s n a sce m n e ste m u n d o e tiq u e ta d o s c om u m pro-
pósito original a cum prir. D eus n ã o p red e stin a n e n h u m propósito, m as
cada se r h u m a n o n asce co m diversas possibilidades p ara triunfar na
ex ecu ção d estes propósitos. A ssim co m o A dão tin h a “ 1001 tipos de ár-
vores” p ara co n firm ar a su a obediência à palavra de D eus, e apenas u m a
para d eso b ed ecer, cad a indivíduo h o je e m dia te m “ 1001 possibilida-
des” n o se u livro d a vida p ara eleger a fim d e confirm ar a su a obediência
e ser p ró sp ero n e s ta vida; dessas possibilidades fluirão as suas bênçãos,
a sua so rte e a su a b em -av en tu ran ça. Isto q u e r d izer q u e se co m er da
videira, viverá; se co m er do abacateiro, viverá; se c o m er d a m angueira,
viverá, ( ...) m as se c o m e r d a árvore do c o n h e cim e n to do b em e do m al,
m orrerá. U m a ú n ica possibilidade p ara falhar. Assim é a justiça de D eus,
pois D eu s é ju sto e n o s d á m u itas possibilidades positivas a fim d e que
escolham os e assim cu m p ram o s 0 propósito original. O ú nico problem a
é q u e n o s apegam os ao ú nico in stru m e n to de m o rte e d e desobediência,
objeto c la ram e n te proibido p o r D eus.
A Bíblia fala q u e q u a n d o M oisés su b iu ao m o n te p ara receb er as
instruções divinas sob re 0 propósito original p ara 0 seu povo, as tábuas
foram escritas p o r d e n tro e p o r fora, e isto q u e r d izer q u e D eus tin h a
m uitos so n h o s co m 0 se u povo. Eram táb u as alisadas e escritas pelas
m ãos d e D eus. O pró prio D eu s as escrev eu co m os seus d edos. N ão era
obra d e M o isés, m as o b ra d e D eu s (Êx 32).
Q u a n d o M oisés reg resso u d o m o n te 0 povo ad o rav a u m a im agem
crendo q u e 0 seu D eu s n o vale. A rão tin h a tirad o os brincos das orelhas
das m u lh e res p a ra fazer u m b e z erro se g u n d o a m e n te h u m a n a . Era
m elhor q u e os brincos ficassem nas orelhas das m u lh eres até q u e fossem
d erretidos e m favor d a obra do S antuário. O b e z erro tornou-se em u m
ídolo (Rm 1:23). Se v o c ê tirar os b rincos das orelhas das m u lh e res em
favor d a glória d o seu b e z erro d e o u ro , n ã o v alerá a p ena.
Q u a n d o M oisés te ste m u n h o u a festa ao b ezerro , grande foi a sua ira.
Ele sabia q u e 0 pro pó sito escrito nas táb u as e ra g ran d e, pois as m esm as
tinham sido m arcad as p o r d e n tro e p o r fora. Faltou lugar p ara escrever
nas táb u as. Israel seria u m rein o d e sacerd o tes e reis e 0 o u ro trazido do
Egito era su ficien te p ara a co n stru ç ão de to d o 0 propósito. M as com o
eles g astaram 0 o u ro c o m 0 b e z erro forjado a buril, tu d o 0 q u e estava
escrito n a s táb u a s agora tin h a sido escrito em vão. N ão havia o u ro para

113
o p ropósito original o qual D eus tin h a p ensado .
Q u a n d o n ã o h á o u ro p a ra o propósito, as táb u as são q u eb rad as. O
propósito d e D eu s n u n c a é desigual aos recu rso s q u e tem o s. T udo vale
com o recu rso , p o rq u e ele n ão oferece recu rso s so m e n te q u a n d o term i-
nam os a escola elem entar. Ele co m eça a dar-nos recursos d esd e q u an d o
nascem os. T udo faz p arte dos recu rso s. O s recu rso s são m orais, físicos,
espirituais, ed u cacionais, eco n ô m ico s, profissionais, m inisteriais. Se
os recu rso s são iguais ao p ropósito, D eus c o nstrói se g u n d o 0 q u e está
escrito n a planta.
Isso q u e r d izer q u e se n o p ropósito original h á três possíveis d atas
v erd es q u a n to ao s e u c a sa m en to , tais com o: Aos 2 3 , aos 2 5 e o u aos
2 8 an o s e, in felizm en te, os recu rso s se n tim e n tais são gastos aos 17, e
co m p ro m etid o s p re m a tu ra m e n te aos 19, e m u m c a sa m en to precipita-
d o aos 2 1 , n ã o h a v e rá o u ro p ara 0 projeto original aos 2 3 , n e m aos 2 5 ,
n e m tam p o u c o aos 2 8 , em u m a esco lh a definitiva.
As táb u as são q u eb rad as q u a n d o n ã o h á recu rso s p ara 0 propósito.
O p ro p ó sito d ev e ser igual aos recu rso s q u e tem o s. Q u e fazer e n tã o ,
q u a n d o as n ossas prim eiras táb u as de n o ssa v id a sã o q u eb rad as?
Isto é u m m ero exem plo: “T em os passado p o r três possibilidades:
aos 2 3 , aos 2 5 , e agora resta ap en as u m a. C o m o h o u v e precipitação
aos 19 an o s, tu d o acab o u pelo c a m in h o . A d e rro ta foi v e rg o n h o sa ,
pro d u ziu -se p o b rez a e h u m ilh ação . Q u e fazer ag o ra?”
E screver as n o v as táb u as n a p rese n ç a d e D eu s n ã o é fácil, n ão .
M oisés tev e q u e subir ao m o n te , alisar as p ed ras e escrevê-las c o m as
próprias m ãos. Assim a c o n te c e h oje. Q u a n d o ele su b iu e re e sc re v e u
as táb u as, n ão p o d e reescrevê-las co m o D eus as escrev eu . N ão foi por
d e n tro e p o r fora, pois n ã o havia fartu ra d e o u ro p ara 0 n o v o propósito.
O n o v o pro p ósito é lim itado e a n o v a revelação é d e aco rd o c o m os
recursos q u e tem o s disponíveis a tu a lm e n te, pois boa p arte d o o u ro já foi
q u eim ad a n o b e z erro d e o u ro d e nossas obras carnais. O rig in alm en te,
o T abernáculo d ev eria ter 10 bacias, 10 m esas e 10 c an d eeiro s, m as
n o novo p ropósito, o T abernáculo d ev eria te r so m e n te u m a p e ç a de
cada u m a. S o m e n te n o s dias d e D avi, co m a fartu ra d e o u ro , u m no v o
propósito foi d ado aos filhos d e Israel, de a co rd o co m a q u a n tid a d e d e
recu rso s q u e havia.
Q u an d o h á u m novo m atrim ô n io h á u m a n o v a inscrição sobre u m a

114
nova táb u a , e já n ã o é u rn a escrita p o r d e n tro e p o r fora, n e m é fácil de
m arcá‫־‬la. O p ro p ó sito original, q u e era an te s u niversal, p o d e se tornar,
agora, n acio n al; e o sacerdócio q u e , a n te s, seria seg u n d o a o rd em de
M elq u ised eq u e, agora, p o d e ser tro cad o p o r u m sacerdócio lim itado
com o o d e A rão. Em po u co s casos aco n te c e o contrário.
A m aioria d e to d o s os n o vos c asam en to s n ã o é a tro ca do levirato
pelo m elquisedequianism o, n ão é a troca de Agar p o r Sara, n ão é tom ada
da m u lh e r etíope e m lugar d e Zípora, m as é o contrário. É b o m observar
isto antes. P o rq u e escrever as tábuas com as próprias m ãos, em lugar das
pedras alisadas e escritas p o r D eus, n ã o é u m a tarefa fácil. Por m uitos
anos Israel v iv eu n a d e p e n d ê n c ia d e u m T abernáculo com apenas seis
peças. A té ao te m p o d e Davi Israel con v iv eu com a q u ele T abernáculo.
M as 0 d ia ch e g o u e m q u e D eus a p re se n to u 0 a ntigo p ropósito em lu-
gar d a q u e le seg u n d o lim itado tab ern ácu lo : hav ia o u ro q u e sobejava.
Então, c h eg ara 0 te m p o d e c o n stru ir 0 tem p lo de Salom ão, visão dada
p rim eiram en te a D avi. O no v o projeto n ã o era u m terceiro projeto, era
0 p rim eiro q u e tin h a sido q u e b ra n tad o e D eus 0 estava restaurando:
dez bacias, d e z m esas, d ez can d eeiro s, u m am plo altar d e holocausto,
m ais ág u a n as bacias, m ais pães, m ais azeite, m ais in cen so arom ático;
dois q u e ru b in s a m ais e u m b em fu n d am e n ta d o tem p lo . Assim pode
aco n tecer co m a su a v ida pessoal.
L utar pelo propósito original n ão é brincadeira, m as tu d o é possível.
As seg u n d as p ed ras são d u ras d e talhar, m as a g u e n ta m 0 d e serto e po-
dem g u ard ad as n o in terio r d a arca. É só ser fiel.

A história das primeiras pedras


A ldery N elso n R o c h a

O p lan o q u e estav a n as m ãos d e M oisés n ã o p o d eria ser cum prido,


pois os recu rso s h aviam sido gastos d e form a ilícita. O propósito não
era igual aos recu rso s. N ovas táb u as d ev eríam se r escritas por M oisés.
Aquelas n ã o lh es serviríam . A gora v e re m o s q u e q u a n d o 0 propósito é
m aior d o q u e os recu rso s (pois q u a n d o foram escritos 0 povo ain d a os
tinha), D eus, ao invés d e d estru ir 0 povo, aceita q u e os propósitos sejam
quebrados. O s recu rso s q u e 0 povo tro u x e d o Egito estav am dedicados
a cada p e ç a d o p ro p ó sito q u e D eus tin h a d itad o a M oisés n aq u eles
q u aren ta dias. M as 0 o u ro foi d ed icad o ao b ezerro . Q u a n d o dedicam os

115
os nossos recu rso s, os quais trasladam os do Egito a C anaã, aos nossos
bezerro s d e o u ro , as táb u as d e nosso propósito são q u eb rad as a o p é do
m o n te d a revelação. As pró x im as táb u as virão co m m u d a n ç a s funda-
m entais e, ao inv és d e se re m escritas pelo d e d o d e D eus, serão escritas,
à talhadeira, pelas cansadas m ãos do h o m em : Êxodo 32:15: E M oisés
voltou-se e d e sce u d o m o n te co m as d u as táb u as d o T e ste m u n h o em
suas m ãos; as táb u as estav am escritas nas suas d u as faces. ( D t9 :15)
Q u a n ta s v ezes D eus é obrigado a lan çar p o r terra os seu s planos
perfeitos para co n osco, p o u p a n d o a n o ssa vida, e a in d a n o s dá u m a
o p o rtu n id ad e d e subirm os ao m o n te c o m as p ed ras e a talh a d eira nas
m ãos, p ara reescrev erm o s d etalh es de u m no v o projeto? Ê xodo 3 2 :1 6 :
E as tábuas haviam sido feitas por D eus, de q u e m era tam b é m a escritura
gravada nelas. (Êx 3 1 :1 8 )
E m bora Josué fosse u m h o m e m b e m p róx im o de M oisés, ain d a n ão
havia ap ren d id o a discernir b e m as v ozes (1 C o 14:10). Esta é u m a das
características p rep o n d e ra n te s d e u m líder: Êxodo 32:17: E q u a n d o
Jo su é o u v iu a gritaria do povo, disse a M oisés: “Vozes d e g u e rra h á no
a c a m p a m e n to ” .
O s cân tico s abom ináveis dos coros altern ad o s n o arraial. P or isso,
Salom ão disse: “N ada de no v o h á d eb aix o d o c é u ” . As m úsicas abo-
m ináveis d e hoje, c o m letras in d ec e n te s, can tad as a b e rta m e n te aos
ouvidos d e justos e de ím pios, já foram m otivos d e escândalo n o d eserto
do Sinai m ilh ares d e anos atrás: Êxodo 32:18: p o rém , M oisés lh e
respondeu: “N ão são vozes de triunfantes n e m são vozes de derrotados,
sen ão v o zes ab om ináveis q u e an g u stiam a alm a e u o u ç o ”.
O b e z erro e as danças; 0 ídolo e a festa; 0 altar e a m esa; 0 cálice e 0
copo; as v elas e as trevas; 0 d e u s e a n u d e z ; 0 im óvel e os m o v im en to s;
0 sacerd o te e a v erg o n h a - 0 dia e m q u e 0 Egito foi su p erad o pelas folias
d e u m povo q u e so n h av a co m a m o rte de seu san to profeta, p o rq u e, sa-
tísfeitos, d an çav am , p o rq u e 0 perm issivo Arão fazia 0 q u e eles queriam :
Êxodo 32:19: E q u an d o M oisés aproxim ou-se do acam p am en to e viu
0 b ezerro e as d anças, acendeu-se a su a ira g ran d e m en te ; e n tã o lan ço u
d e suas m ãos as táb u as, e as q u e b ro u ao pé d o m o n te . (D t 9 :1 6 ,1 7 )
A oferta tirada das orelhas se desfez nas águas do deserto. O próxim o
apelo será pelas ofertas lev an tad as ad v in d as d o coração. O o u ro q u e
ta n to cobiçaram , agora estará n o se u v e n tre . Estas águas e ra m águas

116
de c o n d e n a ç ã o (N m 5): Êxodo 32:20: E, im e d ia ta m e n te , to m o u o
bezerro q u e tin h a m feito, e 0 q u eim o u no fogo; após m o ê ‫־‬lo, 0 espalhou
com o pó sobre a superfície das águas, fazendo co m q u e os filhos de Israel
0 b eb essem . (D t 9:21)
A justificativa d e A rão e a diferença das lideranças. Teve m ed o do
povo. O n d e e stav am os juizes c o n stitu íd o s alguns dias antes? O povo
pro cu ra líderes, m as 0 seu preferido é aq u ele q u e ele p o d e m anipular;
aquele q u e aceita as suas opiniões e faz as suas vo n tad es: Ê x o d o 3 2 :2 1 :
E ntão, M o isés p e rg u n to u a A rão: “Q u e te fez este povo, p ara q u e hajas
lançado so b re ele tão g ran d e p e cad o ?” (G n 2 6 :1 0 )
O povo era p ro p en so ao p e c ad o e 0 líder p ro p en so ao povo: Ê xodo
3 2 :22 : E A rão resp o n d eu : “N ão cresça a ira do m e u senhor. Bem sabes
quão p ro p en so ao m al é este povo. (D t 9:24)
N ão p o d e m o s sep arar 0 D eus d e se u u n g id o sem e n fre n ta r 0 juízo
deste D eu s. D eu s u s a h o m e n s; co m u n ica-se co m h o m en s; e todos
aqueles q u e ele c h a m a , defende-os, respalda-os e os justifica d ian te de
seus an gustiadores. Eles esperaram q u atro cen to s e trin ta anos, m as não
podiam esp erar q u a re n ta dias! Êxodo 32:23: Eles, pois, m e disseram :
Faze-nos d eu ses (“ E loim ”) q u e vão ad ian te de nós; p orque q u an to a este
M oisés, 0 v arão q u e n o s fez su b ir d a te rra do Egito, n ã o sabem os 0 que
dele foi feito. (Êx 32:1)
O b e z erro n ã o sai se m m o ld u ra. T em os as nossas m o ld u ras d e n tro
de n ossos corações. B ezerros im p o sto res e d ev o rad o res de ofertas não
saem d o fogo n e m das o relhas das m u lh e re s sem m o ld e, e 0 m olde está
nos corações: Êxodo 32:24: E ntão, e u lhes disse: Q u a n to s tivessem
ouro, q u e 0 arran cassem ; e n tão , tiraram -no e m e d eram , e 0 lancei logo
A ldery N elso n R o c h a

ao fogo, e saiu este b e z e rro ”. (Êx 32:4)


D eu s p e rm ite q u e 0 povo siga a su a libertinagem p ara servir d e es-
cám io d ian te das o u tras nações. O carnaval d e Israel n ã o era aplaudido,
m as era m o tiv o d e escárnio, d e stru ía a im agem d e u m a n ação e a m ora-
lidade das suas famílias, m u lh eres e jovens. A provação e a oportunidade
para os sóbrios. Levi e n tra pela p o rta e m lugar d e Ju d á. A escolha dos
levitas p ela su a so b ried ad e. As o u tra s tribos d eix aram passar a opor-
tu n id ad e. J u d á p o d eria ser eleita ali a tribo sacerd o tal e real ao m esm o
tem p o. Isto e ra possível, foi possível com M elq u ised eq u e. P oderia ser
m elh o r se h o u v esse assum ido u m a posição n a h o ra d a o p o rtu n id ad e.

117
M as Judá perd eu a oportunidade: Êxodo 32:25: E v en d o M oisés q u e 0
povo estava desenfreado, pois A rão lhes tin h a dado réd ea solta, para q u e
se co n v ertessem e m m o tiv o d e escárnio d ian te dos seu s adversários.
A provação e a o p o rtu n id a d e p ara os sóbrios. Levi e n tra pela p o rta
em lugar d e Ju d á. A escolha dos levitas pela su a so b ried ad e. As o u tras
tribos d e ix a ram passar a o p o rtu n id a d e. Ju d á p o d e ria se r eleita ali a
tribo sacerd otal e real ao m esm o tem p o . Isto era possível, foi possível
com M elq u ised eq u e. P oderia se r m e lh o r se h o u v e sse assu m id o u m a
posição n a h o ra d a o p o rtu n id a d e. M as Ju d á p e rd e u a o p o rtu n id a d e:
Ê xodo 3 2 :2 6 : pôs-se M oisés d e p é à p o rta do a c a m p a m e n to e clam ou:
“Q u e m te m e ao S en h o r Jeová, v e n h a a m im ” . E to d o s os filhos d e Levi
reu niram -se ao re d o r dele.
A gora, os levitas vão e n tra r pela p o rta ab en ço ad a: a p o rta do sacer-
dócio. A braão, ao dar os seu s dízim os a M elq u ised eq u e, sabia q u e toda
sua posteridade estava sob os seus lom bos e Levi estava ali representado.
Jacó a in d a n ã o h avia tido filhos q u a n d o A braão d e u os seu s d ízim o s a
M elq u ised eq u e. M as a b ê n ç ão estava p airan d o so b re 0 p rim eiro q u e a
tom asse. Levi, pelo sim ples fato d e p assar p ara 0 lado d e M oisés e do
Senhor, assu m e, p ela fé e pela su a consagração, u m a b ê n ç ão reserv ad a
d esd e tem p o s antigos. A gora, 0 papel de sa cerd o te fazia d e Levi u m a
tribo im u n e às in iq u id ad es do povo se o b ed ecesse aos p receito s q u e
D eus lh e dava. Q u e tre m e n d a b ê n ç ão h á acim a d e to d as as o u tra s bên-
çãos sacerdotais: a q u ela q u e to rn a 0 m in istro im u n e e im o rtal n o m eio
d o lugar p or o n d e as in iq u id ad es do povo são tiradas, o T abernáculo d e
D eus. Q u e p o d ero so c h a m a d o é este, c onviver com a glória d e D eu s e
as iniquidades do povo, até conduzi-las p ara fora do arraial. Esta é a d u ra
e á rd u a m issão gloriosa do sacerdócio! Êxodo 32:27: E ntão, disse-
-lhes: “Assim diz 0 S en h o r Jeová, D eus de Israel: P o n h a cad a u m d e vós
a esp ad a n a b a in h a e ide, passai e voltai a passar d e p o rta e m p o rta pelo
a c am p am en to , e m atai cad a v arão a se u irm ão, a se u c o m p a n h e iro , a
seu p a re n te p ró x im o ”. (N m 2 5 :5 -1 3 ; D t3 3 :9 )
O resu m o profético d e tu d o isto é: N ão fom os escolhidos sim ples-
m en te p o rq u e D eu s se ag rad o u de n o ssa form a d e orar, d e c h o ra r o u
d e ser. Ele n o s c h a m o u p o r cau sa da decisão q u e to m a m o s n a h o ra em
q u e n in g u ém d e u valor aos desafios divinos. As o u tra s tribos d eix aram
passar a o p o rtu n id ad e. J u d á p o d eria ser eleita ali a tribo sacerd o tal e

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real n a q u e le tem p o . Isto era possível, pois foi possível a M elquisede-
que. P od erla ser m e lh o r se h o u v esse assum ido u m a p osição n a h o ra
da o p o rtu n id a d e. M as Ju d á p e rd e u a o p o rtu n id a d e, estava ébrio, m as
Levi, sóbrio; e ra 0 ú n ico sóbrio. Isto q u e r d izer q u e a té m esm o 0 m ais
habilitado, b êb ad o no s p razeres d esta vida, será rejeitad o , e 0 incapaz,
sóbrio, será ch am ad o em seu lugar; p o rq u e D eus n ão n o s ch am a porque
estam os p rep arad o s, m as nos prep ara q u a n d o nos ch am a; não nos cha-
m a p o rq u e so m o s capazes, m as p o rq u e n ã o h á o u tro . A gora, os levitas
vão e n tra r atrav és d a p o rta abençoada: a p o rta do sacerdócio. A braão,
ao dar os seus dízim os aM elq u ised eq u e sabia q u e to d a a sua posteridade
estava sob seu s lom bos, e Levi estava ali rep re sen ta d o . Jacó a in d a não
havia tido filhos q u a n d o A braão d e u seu s dízim os a M elq u ised eq u e.
M as a b ê n ç ão estav a p airan d o sobre 0 prim eiro q u e a tom asse. Levi,
pelo sim ples fato d e passar p ara 0 lado d e M oisés e do Senhor, assum e
pela fé, e pela su a consagração, u m a b ên ção reserv ada d esde os tem pos
antigos. A gora, 0 pap el d e sa ce rd o te fazia d e Levi u m a tribo im u n e às
iniquidades d o povo, se o b ed ecesse aos p receito s q u e D eus lhe dava.
Q ue tre m e n d a b ên ção h á acim a de todas as o u tras bênçãos sacerdotais,
aquela q u e to rn a 0 m inistro im u n e e im ortal n o m eio d o lugar por o n d e
as in iq u id ad es d o pov o são tiradas, 0 altar do T abernáculo de D eus.
Q ue p o d ero so c h a m a d o é este: co n v iv er co m a glória de D eu s e as
iniquidades do povo, a té conduzi-las p ara fora do arraial. Esta é a d u ra e
árdua m issão gloriosa do sacerdócio! Êxodo32:28: E os filhos de Levi
fizeram c o n fo rm e a o rd em d e M oisés; e, n aq u ele dia, p ere c e ra m u ns
três m il h o m e n s d o povo.
E ste foi 0 m o m e n to q u e D eu s a p ro v eito u p ara escolher a tribo do
A ldery N elso n R o c h a

sacerdócio. Q u e m está d o lado do Senhor. O s levitas im e d ia ta m e n te


passaram p ara 0 lado d e M oisés e o b ed eceram à sua ordem : “m ate cada
um a se u irm ã o ”. Em prol d e u m a b ê n ç ão q u e eles n ã o co n h eciam , lu-
taram . L u taram p ela fé, lu ta ram p o r u m a b ê n ç ã o . Jam ais podiam saber
que aq u ela lu ta era u m a a titu d e q u e os p red estin av a ao sacerdócio e à
sua consagração. Ela foi ab erta a to d o s os filhos d e Israel: “q u e m está
do lado d o S e n h o r? ” Sucesso é q u a n d o a prep aração e a o p o rtu n id ad e
se e n c o n tra m . As o p o rtu n id a d es são as gran d es b ênçãos q u e se casam
àqueles q u e estão esp eran d o u m a p o rta aberta, preparados para enfren-
tar q u a lq u e r adversid ad e sem perm itir q u e os seus corações sejam m ais

119
Em ocionais q u e 0 espírito cheio d e fé. O s levitas eram iguais a q u alq u er
u m a das d o z e tribos. M as, n a q u e le m o m e n to eles se co n sag raram . To-
m aram a espada e passaram para 0 lado certo , 0 lado do S enhor: Êxodo
32:29: P o rq ue M oisés lhes dissera: “ H oje, vos consagrastes ao S enhor
Jeová, p o rq u e com oblação vos op u sestes c o n tra 0 vosso filho e c o n tra
0 vosso irm ão , p ara q u e ele vos dê h o je a su a b ê n ç ã o ”.

As segundas tábuas
As novas táb u as deveríam ser lavradas e escritas p o r M oisés sob ins-
piração divina (Êx 3 4 :2 7 ), assim co m o tem o s q u e ree sc re v e r as nossas
novas táb u as. O seg u n d o p lano serviu para os recu rso s q u e ficaram .
M as, agora, os recursos já n ão eram iguais ao propósito. O no v o propósi-
to d everia ser escrito e isto d em an d aria preparo, tem p o e o p o rtu n id ad e.
As táb u as escritas co m 0 d e d o d e D eus, agora, d ev eríam ser escritas
pelas p ró pria m ãos d e M oisés. Q u a n d o gastam os m al os rec u rso s de
D eus depositado s e m nossas m ãos, p e rd e m o s 0 privilégio d e v e r cum -
prido 0 pro pó sito original d e D eus. O s nossos b e z erro s d e o u ro ap en as
com plicam a n ossa v ida e ro u b a m os n ossos recursos: Êxodo 34:1:
E disse 0 S en h o r Jeová a M oisés: “Lavra p ara ti d u as táb u a s d e ped ra,
com o as prim eiras; e e u escreverei nelas as palavras q u e e stav am sobre
as prim eiras tábuas, q u e tu quebraste. (Êx 3 2 :1 6 ,1 9 ; D t 10:2; Êx 34:28)

120
A ldery N elso n R o c h a
do Tempo
Gerando Antes

121
122
A braão e ra u m d o s h o m e n s m ais ricos d a te rra e m se u tem p o ,
m as 0 se u d in h eiro n ã o p ô d e a d ia n tar 0 te m p o d a p ro m essa, n ã o pôde
p ro v id e n c ia r 0 n a sc im e n to d e se u filho n e m m u d o u 0 p ro p ó sito de
D eus p a ra a s u a vida. N o m esm o capítulo da prom essa divina q u e dizia
que ele seria u m a b ê n ç ão , ele d e sc e u ao Egito. C re n d o q u e era u m ato
co rre to , te r id o à te rra d o s faraós, d e lá saiu c o m c am elo s, ju m e n to s,
ovelhas e m u ito gado, m as n o m eio d e to d as aq u eles b en s estava Agar.
U m d o s p rin cip ais p ro b le m as do c a sa m e n to d esfeito n a sce com
a p rec ip ita çã o n a c o n c e p ç ã o d e u m a fam ília, isto é, n a geração d e u m
novo ser, 0 q u al talv ez se rá h e rd e iro d e u m a m aldição o u d e u m a bên-
ção, pois 0 q u e D e u s u n iu n ã o te n te separar, e 0 q u e D eu s n ã o ju n to u
não te n te juntar.
D esco b ri n a Bíblia a ra z ã o p o r q u e D e u s disse v e e m e n te m e n te a
A braão: “ C e rta m e n te to rn a re i a ti p o r e ste te m p o d a vida; e eis q u e
Sara, tu a m u lh er, te rá u m filh o ” (G n 18 :1 0 ) e, n o v a m e n te , “... ao
tem p o d e te rm in a d o , to rn a re i a ti p o r e ste te m p o d a v id a, e Sara te rá
um filho (v. 14).
O te m p o d a v id a é a q u e le nos q u al to d as as coisas c o n c o rre m para
0 b e m , é 0 te m p o e m q u e to d as as coisas a c o n te c e m c o n ju n ta m e n te
sem n o ssa in te rfe rê n c ia , a n ã o se r a o b e d iê n c ia a D eu s. Q u a n d o sim-
p lesm en te realizam o s u sa n d o os nossos pró p rio s m eios, n o âm ago de
nossa alm a, c o n sid e ra n d o tu d o n o e scô n d ito do trav esseiro , sabem os
que to d a e s ta c o n q u ista foi d e m a n e ira ilegal e p rec ip ita d a, e cu sto u
lágrim as, m e n tira s e jeitin h o s. O d e n u n c ia n te o lh ar d a esposa n o
m eio d o n o sso te s te m u n h o n ã o ap ro v a 0 n o sso c o n to d e vitória, pois
ela sab e q u e h o u v e farsa e q u e a q u e le n ã o e ra 0 te m p o c e rto d a vida,
A ldery N elso n R o c h a

pois falto u 0 essen cial. O te x to registra: “n o te m p o c e rto d a v id a ”. O


que é isso? S erá q u e re a lm e n te te m o s u m te m p o d e te rm in a d o por
D eus p a ra re c e b e r o u c o n q u ista r as n o ssas vitórias?
Q u a n d o c asam o s p o n tu a m o s d ia n te d e D eu s, d os an jo s e dos ho-
m en s. C o m a b ê n ç ã o d os pais, d a fam ília e d os am igos os psicólogos
dizem q u e 0 casal te m 70% d e c h a n c e s p a ra v e n c e r os p ro b lem as
n o rm ais q u e a tra v essa m 0 c a m in h o d o m a trim ô n io . O q u e n o s deixa
p erp lex o s é sa b er q u e m e sm o c o m as b ê n ç ão s d a igreja e d o m in istro
que n o s a c o n se lh o u , as c h a n c e s são d e 15%! C asar n a igreja n ã o é
garan tia d e p e rp é tu a fid elid ad e. M as c asar c o m a B ênção, isto sim é

123
o fu n d a m e n ta l.
E sta é a p e n as u rn a a m o stra d a q u ilo q u e significa o “te m p o deter-
m in a d o ” n o q ual D eu s v e m v isitar-nos. A braão e ra u m dos h o m e n s
m ais ricos d a terra n o seu tem p o , m as se u d in h eiro n ã o p ô d e a d ia n tar o
tem p o d a pro m essa, n ã o p ô d e p ro v id en ciar 0 n a scim en to d e se u filho,
e n ão m u d o u 0 p ropósito de D eu s p ara a su a vida. N o m e sm o capítulo
d a q u e la p ro m e ssa d iv in a q u e dizia q u e e le seria u m a b ê n ç ã o , ele foi
ao Egito e d e lá saiu co m ca m e lo s, ju m e n to s, o v e lh a s e m u ito gado,
p o rém e n tre to d o s os seu s b e n s estav a u m a c ria n cin h a c h a m a d a Agar.
Ele p o d e ria dirigir-se ao c u lto (se estiv esse v iv e n d o e n tr e nós) e
d e c la ra r c o m o to d o s testificam : “ D e u s m e ab en ço o u ! Veja q u a n to
ten h o , v eja co m o e sto u abençoado! ”, m as tu d o aquilo era ap en as u m a
b ê n ç ão d e Faraó a fim d e desviá-lo d o c a m in h o q u e d e v e ria p e rc o rre r
p ara o b ter a su a b ên ção p e rp é tu a , se m Agar, sem ch o ro . Isto q u e r d izer
q u e S atanás sab e q u e n a c a m in h a d a d e n o ssa co ro ação p o d e in terferir
o ferecen d o -n o s os re in o s d o m u n d o , e p a ra isto tã o s o m e n te esp era
q u e 0 a d o rem o s.
N o m eio das riq u e z a s q u e F araó n o s p re se n te ia v e m a “escravi-
n h a ” c h a m a d a Agar, a q u al c re sc e rá , e se to rn a rá e m u m a lin d a m u-
lher, a d u lta e d e s tila rã o se u m el. A q u ela q u e s o m e n te e m o lh a rm o s
a su a b e le z a , a fin eza d e su a pele (co m p arad o às ru g as d a esp o sa ), n o s
servirá d e im p e d im e n to a fim d e n ã o gerarm o s n o tem p o d e te rm in a d o
pela v ida, pois 0 q u e c h eg ará n o te m p o c e rto da v id a será fru to d e u m a
visita pessoal d e D eus. M as n ã o d ev em o s e sq u ec e r q u e foi ju sta m e n te
p ela b e le z a d e S ara q u e 0 se u m a rid o a lc a n ç o u 0 favor dos in im ig o s.
O q u e D eu s m a n d a sep arar: S erá difícil a se p ara ç ão , m as D e u s
o rd e n o u a sep aração : “L ança fora a escra v a e a s e u filho, p o rq u e d e
m o d o alg u m , 0 filho d a escra v a h e rd a rá c o m 0 filho d a liv re .” (G1
4 :3 0 ). A gar é p a rte d o p re s e n te d e F araó, e te rá q u e se r la n ç a d a fora.
N o caso d e A b raão ele a c o n h e c e u d ep o is d e c o n h e c e r Sara, a m u lh e r
d a p ro m essa (G n 1 7 :1 8 ,1 9 ); e, n o caso d e m u ito s o u tro s, o n d e capí-
t u b s são escrito s co m c h o ro , su o r e lágrim as, A gar a p a re c e u a n te s d e
“Sara” . Foi d u ro para A braão, q u a n d o D eus o rd e n o u a sep aração e n tre
ele e Agar. Ele go stava d e A gar; ele p e d iu p o r ela d ia n te d e D e u s. M as
D e u s foi claro: “A p ro m e ssa é c o m Sara. ”
“E disse A braão a D eus: T om ara q u e viva Ism ael d ia n te d e te u

124
rosto! E disse D eus: N a v e rd a d e , Sara, tu a m u lh er, te d a rá u m filho,
e c h a m a rá s o se u n o m e Isaq u e; e c o m ele e sta b e le c e re i o m e u con-
ce rto ... q u a n to a Ism ael, te te n h o o u v id o ... O m e u c o n c e rto , p o rém ,
esta b e le c e re i c o m Isaq u e. ” (v 2 0 ,2 1 a ).
V em os c la ra m e n te q u e ele te n to u in clu ir A gar n o p ro p ó sito , por
cau sa d e Ism ael. M as D eu s disse: “os a b e n ço o , m as 0 m e u c o n c e rto é
com o u tr o .” O s m o tiv o s d e se p ara ç ão e sta v a m d e te rm in a d o s d esd e
aq u ela p alav ra q u e D e u s falou a sós c o m A brão. A p ro m e ssa estava
n ele e c o m e le, e a g u a rd a v a e m se u coração ; e n tã o , a in d a q u e inter-
ced esse, n ã o p o d ia m u d a r 0 p ro p ó sito divino.
A lg u m as fam ílias n a sc e ra m p a ra d e te rm in a r a h istó ria d e o u tras,
m as q u a n d o D e u s faz n a s c e r u m a c ria n ça (d e p e n d e n d o d a form a
com o a p ro m e ssa foi a n te rio rm e n te d e te rm in a d a ), ta m b é m estabe-
lece a su a h e ra n ç a e a su a m issão n a te rra . Ism ael se tran sfo rm aria em
do ze p rín c ip es, m as so m e n te d e Isaq u e sairia 0 Rei dos reis.
O h o m e m o u a m u lh e r q u e lu ta pela p ro sp e rid a d e , a n te s q u e a
m elh o r id a d e c h e g u e , n ã o faz d o p ra z e r a raz ã o d e se u viver, n e m
tam p o u co d o sta tu s d e su a religião; eles d ev erão lu ta r e n tre os h o m en s
para e sta b e le c e r u m a posição m e lh o r n o R eino de D eus.
S a b e m o s q u e é difícil te r u m Jo n a s n o b a rc o , pois perder-se-á
tudo: as fa z e n d a s o u 0 fru to do á rd u o tra b a lh o . N ão v ale a p e n a am ar
o jo n a s m ais d o q u e D e u s am a. Lançá-lo n o m a r d a v o n ta d e d e D eus
é ajudá-lo a q u e c h e g u e e m N ín iv e. L ançar 0 Jo n as n o m a r n ã o é as-
sassinato, é salvar 1 75 m il pessoas e m N ínive; é p rese rv ar a su a vida
e 0 se u m in isté rio . É p reciso te r m u ita fé p a ra to m a r e sta decisão, em
m eio a u m a so c ie d a d e e v a n g eliz a d a , m as q u e , a in d a te m resquícios
A ldery N elso n R o c h a

da religião tra d icio n a l d e m in o ria rica e m aio ria p o b re, escrav izad a e
m al in fo rm ad a.
O te m p o d e te rm in a d o p o r D e u s n o s m o stra rá q u e assu m im o s
u m a carg a se m n e c e ssid a d e , o u q u e so m o s u m a carga a o u tro s q u e
d esp ejam n o m a r d a v id a to d o s os seu s te so u ro s p e n sa n d o q u e vale-
m os a lg u m a coisa e sta n d o d ia m e tra lm e n te o p o sto s ao m a n d a to de
D eus. O te m p o d e te rm in a d o p o r D e u s n o s e n sin a rá q u e so m e n te
q u an d o D e u s n o s g u a rd a n ã o é v ã a vigilância d o se n tin e la . P or q u e
D eus re q u e r q u e a se n tin e la vigie, se ele é 0 q u e guarda? D eus g uarda
0 n o sso m a trim ô n io se n ó s v ig iarm o s, e isso q u e r d iz e r q u e n a h o ra

125
d a in v asão d o inim igo tem o s a ju d a co m as arm a s d e D eu s. Se n ão
tem o s as arm a s d e D eus, e m vão é a nossa vigilância, pois n ã o passa de
c iú m e , e stre sse e agonia; p o rq u e vigiar se m te r arm a s p a ra e n fre n ta r
as div ersas situ a ç õ es d a v id a é a to vão.
M as 0 q u e é 0 te m p o d a vida? N ão é 0 m e sm o q u e 0 “ te m p o p ara
tu d o d e b a ix o d o so l?” N ão; é m u ito m ais d o q u e isto: é 0 te m p o d a
visita d e D eu s n o q u al ele lib era a m a d re . S ara e n v e rg o n h a v a -se e
agoniava-se p o r n ã o te r g era d o n o te m p o á u re o d a su a b e le z a . M as
p ara q u e a b e le z a , se ela n ã o p o d ia se r m ãe? S eu v itu p é rio era g ran d e
d ian te d a fertilid ad e d e Agar.
A fertilid ad e d e A gar a to rm e n ta v a a m e n te d a m u lh e r q u e u m dia
seria m ãe d e m u itas n açõ es. M as D eu s tin h a fec h a d o a su a m a d re ; ela
n ão era estéril, m as to d a a su a h a b ilid a d e e c a p ac id ad e d e se r m ã e d e
m ultid õ es estav am ali, d e n tro dela; n ã o h av ia n e n h u m p ro b lem a, m as
tal in d ú stria e stav a fech ad a p o r D e u s p o rq u e d e v e ria g e ra r s o m e n te
n o te m p o d e te rm in a d o p e la vida!
P ara c o m p re e n d e r 0 te m p o d e te rm in a d o p ela v id a, n e c essita m o s
ler alg u m as p o rçõ e s do te x to sag rad o e m G ê n e sis a c o m e ç a r pelo
cap ítu lo 9 , v erso 2 6 :
“ B en d ito seja Sem ; e seja-lhe C a n a ã p o r servo. ”
Esta b ê n ç ã o ficou n o ar d u ra n te m u ito s an o s. N o é a in d a teste-
m u n h a v a a ju v e n tu d e d e se u s trê s filhos. O c a p ítu lo 10 re v e la as trê s
gerações d e seu s três filhos Sem , Jafé e C ão - 0 p rim eiro , 0 se g u n d o e 0
terceiro m u n d o s! O filho c h a m a d o S em é a g eração q u e tra z a b ê n ç ã o
d e A bel, d e S ete. Foi a g eração q u e D eu s e sc o lh e u p a ra se r c a n al d a
se m e n te d a m ulher, a p ro m essa d e G ênesis 3 :1 5 . C ão foi am ald iço ad o
ao ser c o n d e n a d o à geração d o serviço d e d ic a d o a S em e a Jafé.
Estas g eraçõ es d e G ên esis 10 se m u ltip lic a ram , se d iv id iram e
e n c h e ra m a T erra. U r dos C a ld e u s foi 0 local q u e c o u b e aos filhos de
Sem , a p rin cíp io . M as ali n o m eio d a q u e la m u ltid ã o d e g e n te h a v ia
u m a p ro m e ssa q u e p assav a d e pai p ara filho: “T em os d ire ito às terras
d e C anaã. Q u a n d o v a m o s lá p a ra tom á-la? ” A o distanciar-se cad a v e z
m ais d e D eus e ap ro x im an d o dos ídolos, os C a n a n e u s foram p e rd e n d o
0 d ireito à terra.
Em U r dos C aldeus n a sce ra m A rfaxade, Salá, Éber, P eleg u e, R eú,
S e ru g u e e Naor. Sete h o m e n s q u e tiv e ram a o p o rtu n id a d e d e m u d a r a

126
H istória d e su a g en te. M as n e n h u m g ero u n o te m p o d e te rm in a d o por
D eus. S o m e n te h o je p o d e m o s v e r n a s pistas e n c o n tra d a s n a Bíblia os
m o tiv o s d a q u ilo q u e D eu s e stav a d iz e n d o q u a n d o falou: “n o tem p o
d e te rm in a d o v irei a ti e S ara te rá u m filho” .
U m p o u c o a trá s n o ca p ítu lo 11, v erso 10 d e G ên esis, lem os: “Es-
tas são as g eraçõ es d e S em : S em era d a id ad e d e c e m a n o s e g e ro u a
A rfaxade, dois a n o s d ep o is d o d ilú v io .”
Q u a n to s a n o s tin h a S em q u a n d o g e ro u A rfaxade? C em . Ele era
0 p rim e iro , as p rim icias, e n a sc e u sob d e te rm in a ç ã o divina. L em bre-
-se q u e S atan ás q u e ria m a ta r a s e m e n te d a m u lh e r (G n 3 :1 5 ). D eus
so u b e esco n d ê-la b e m . S em g e ro u c o m c e m an o s. M as v eja q u e para
alcan çar a p ro m e ssa seria n ecessário g e ra r n o te m p o c e rto , e 0 tem p o
certo e ra c e m a n o s. Isto q u e s o m e n te h o je e stá claro d ia n te d os nos-
sos o lh o s e stav a o c u lto p a ra eles, c o m o ta m b é m a n o ssa p ró p ria base
d e te rm in a n te ta m b é m está e sco n d id a aos n osso s o lh o s, p o rq u e tu d o
é p o r fé e n ã o p o r vista.
E sp erar 0 te m p o d a v isita n ã o é fácil. V em q u a n d o n ã o se te m 0
sinal d a vida, q u a n d o se m e n stru a m ais, q u a n d o n ão se p ro d u z óvulos,
e quando 0 jo v em A b raão já e stá v e lh o . M as a m e lh o r coisa q u e u m
ancião p o d e p ro d u z ir é u m filho, u m a g eração . T odos os filhos frutos
da im possibilidade foram decisivos p ara su a geração, e foram produzi-
dos n a v e lh ic e c o m o S ansão, S am u el e João B atista. O atra so d e D eus
d esesp era ao p rec ip ita d o . S ara n ã o e ra estéril, e ra m ã e e m p o ten cial.
Você q u e e s tá le n d o e ste c ap ítu lo , agora m esm o , e a in d a crê q u e
n asceu p a ra a v e rg o n h a , p ara se r ap e n as u m tifio, p ara a solidão, p ara
viver n a p o b re z a d ia n te d e se u s ideais jam ais realizad o s, p are u m
A ldery N elso n R o c h a

pouco e e n te n d a : v o cê é u m g erad o r em p o ten cial. D eu s fech o u a sua


in d ú stria p a ra q u e e sta d ê fru to n o te m p o certo .
M as 0 q u e a c o n te c e u com os sete h o m en s d e Padã Arã, e 0 q u e eles
nos tê m a d izer? Veja su c e ssiv a m e n te 0 c a p ítu lo 11, v erso s 1 0 ,1 2 ,
1 4 ,1 6 ,1 8 ,2 0 ,2 2 e 2 4 . O b serv em o s q u e cada u m gero u à u m a m édia
de 3 1 ,4 a n o s. Isto q u e r d iz e r q u e n ã o c h e g ara m à m e ta d e d o tem p o
d e te rm in a d o e a ssin alad o e m S em , isto é , c e m anos! N e m p u d e ra m
ser m e d ío c re s p elo m enos!
P ara a lc a n ç a r u m a p ro m e ssa é n e c essá rio atra v essa r 0 c a m p o da
m ed io c rid a d e. A g eração q u e v in h a p a ra se e sta b e le c e r co m o subs-

127
titu ta n o lu g ar d e A bel e S ete d e v e ria passar d a m éd ia . Sair d e U r dos
C aldeus e c h e g a r e m C an aã significava o m esm o q u e sair d o Egito.
A ntes e stav am m u ito ac im a e m Ur, d ep o is e sta v a m m u ito a b a ix o n o
Egito! M as n o m eio d a q u e la m e d io c rid a d e su rg iu u m h o m e m ; co m o
é bom q u a n d o se m p re su rg e u m h o m e m o u u m a m u lh e r c h e io de
co rag em e q u e n ã o a c eita c o n tin u a r n a m é d ia d e to d o s.
Este h o m e m o u esta m u lh e r n ã o se p ro d u z e m e m sé rie . N ão faz
p arte d a m aioria. Você é u m desses? A gora m esm o 0 se u co ração p o d e
está s e n d o q u e b ra n ta d o e tra n sfo rm a d o . F aça isto , d eix e-se o u v ir
agora m esm o . Saia d a m éd ia . Foi isto m e sm o q u e T era fez: d e c id iu
sair com algum as pessoas (G n 1 1 : 2 6 2 9 ‫)־‬. Q u e g ran d e h o m e m ele era!
Q u a n d o , a lg u m te m p o d ep o is, D e u s c h a m o u a A b raão p e la se g u n d a
v ez (At 7 :2 ), e ste já n ã o e stav a e m U r d os C a ld e u s c o m o n ó s pensa-
m os. N ão, ele já estav a e m P adã H arã, n a m e ta d e do c a m in h o . A p a rte
m ais difícil já estava p e rc o rrid a e Tera tin h a m u ito h a v e r co m to d a esta
jo rn ad a. M as v eja p o r q u e e le c h e g o u a té ali. L en d o 0 v e rso 2 6 v e rá
q u e Tera g ero u se u p rim eiro filho c o m se te n ta anos! O d o b ro d e to d o s
os o u tro s patrícios. E n tão D eu s c h a m o u a q u e le q u e p asso u d a m éd ia.
Tera g e ro u c o m se te n ta an o s. Foi ele q u e se m c h a m a d o saiu d a te rra
d e seu s pais, p o rq u e a p e n a s p e rse g u iu u m a b ê n ç ã o q u e e sta v a n o ar
a q ual ele s e n tia e m se u ser. P or isso A brão foi c h a m a d o , p o r c a u sa de
T era, pois ele saiu e m b u sc a d e algo a d ia n te , isto é , s e n tia q u e h av ia
u m a b ê n ç ão a receber. M as Tera p a ro u e m P adã e ali ficou (G n 11:31).
M as v ejam o s q u e 0 verso 3 0 ap a re c e isolad o, d ize n d o : “E Sara es-
tava estéril e n ã o tin h a filhos”. O te x to diz estav a, 0 te x to n ã o diz “era
e sté ril”. Isto q u e r d ize r q u e ela estav a estéril, m as n ã o e ra estéril. O ra,
se te m o s u m a lista d e pessoas o n d e to d o s c o n ta m as su as g e ra ç õ e s e
os a n os n o s q u ais g eraram e de re p e n te a p a re c e u m a m u lh e r estéril,
é assustador.
Tera m o rre u co m d u z e n to s e cin co an o s, isto é, c e n to e cin co anos
a m ais d o q u e 0 a n o d a p ro m e ssa. Ele n ã o p o d ia re c la m a r q u e h av ia
g erado tão ta rd e , pois tin h a an o s d e so b ra p a ra c h e g ar a c e m anos
sem d escu lpas. N ão fica aí d e scu lp a n d o -se p ela v id a difícil q u e lev a,
lev a n ta a cab eça e saia d e n tre os m ed ío c re s.
A gora você e n te n d e cla ram e n te p o r q u e Tera n ão c h e g o u aos cem ,
a o s c e m d eclarad o s n a P ro m essa. N ão c h e g o u p o r q u e g e ro u c o m

128
s e te n ta a n o s e a m e ta e ra c e m . Você c rê q u e D eu s, sa b e n d o antecipa-
d a m e n te disso, n ã o atuaria? Ele tin h a em m e n te a S e m e n te , pois havia
d ad o a P alavra. O m e lh o r q u e ele p o d e ria fazer e ra fech ar a m atriz de
Sara. M as, n a v e rd a d e , a fertilidade d e A brão estav a fechada. H o m em
sem c irc u n cisã o e stá fec h a d o p a ra gerar, e e sta foi a su a salvação.
P o r q u e 0 p ap el d e A gar te ria sido fatal? D eu s n ã o co n sid erav a
co m o filho d a p ro m e ssa 0 filho d a escrav a, pois a P ro m essa é liberda-
de. O s d e m a is g e ra ra m m u ito te m p o a n te s do te m p o d e te rm in a d o .
D eus n ã o os visitou . P or isso foi u m laço diabólico 0 fato de A braão ter
aceitad o as p alav ras d e Sara. E n tão , ele g e ro u c o m 8 6 a n o s a Ism ael!
D ezesseis an o s a m ais q u e T era e 14 an o s a n te s do te m p o . Ele pre-
cisava c o m p le ta r dois ciclos d e 7 an o s. M as Sara a in d a ficou estéril.
M as a b ê n ç ã o e sta v a c o m a livre. A brão n ã o g e ro u d ire ta m e n te com
cem a n o s, pois ele falh o u . A brão g e ro u co m 8 6 a n o s e a g e ra d o ra era
u m a escrav a. Q u a n ta s escravas estã o g era n d o h o je e m lu g ar d a livre?
G eram e m n o m e d o m in isté rio d a q u e le q u e n ã o é se u m arid o ; geram
em n o m e d e u m a falsa m o ra l fam iliar.
E m alg u n s lu g ares h o m e n s p o d e m casar-se se a su a m u lh e r 0 trair
ou vice-versa, isto q u e r d ize r q u e é necessário u m escân d alo p ara q u e
haja liberd ad e? S abem os q u e ta m b é m u m e rro n ã o justifica u m acerto.
Q ual é 0 m elh o r? U m c o n sen so , u m a a u to riz a ç ã o ap o stó lica o u u m a
desg raça q u e fav o rece a p e n as u m a p e sso a egoísta? D iga-m e, qual?
Para m im é p referív el u m a c o n cessão a p o stó lica q u e lib e rte A gar do
que e s p e ra r q u e e la a d u lte re a fim d e justificar a lib e rd ad e d e A brão.
T enho c e rte z a q u e isto n ã o vai e v ita r com issões.
M as D e u s v eio salvar a A braão: “Separa-te! ” O q u e D e u s a ju n to u
A ldery N elso n R o c h a

não 0 te n te s e p a ra r 0 hom em , nem 0 q u e D e u s se p a ro u n ã o 0 te n te


aju n tar 0 h o m e m . Tera tin h a g erado co m 7 0 anos. A m e ta era alcançar
a p ro m e ssa d e S em (G n 1 1 :1 0 ). A q u ele q u e gerasse co m c e m anos
alcan çaria a P ro m essa e geraria Isaque, a se m e n te . N a v e rd a d e , D eus
sabia d isso, m as n e n h u m a o u tra p esso a d e n tre eles sabia. P or q u e de-
veria se r assim ? A fé é u m tru n fo e m nossas m ão s, se so u b e rm o s usá-la
v en c em o s. Era isso q u e D e u s q u e ria q u e A braão u sasse, a fé. P or isso
ele tin h a d e lu ta r p ara alcançá-la; e so m e n te a fé 0 aju d aria. “Q u e será
que D e u s q u e ria d iz e r c o m isto? “N o te m p o c e rto d a v id a, virei a ti.”
O ú n ico q u e q u a se a lc a n ç o u a p ro m e ssa foi Tera. Ele a p e n as c h eg o u

129
n o m eio d o c a m in h o .
Q u a n d o D eu s c h a m o u A brão, ele e ra a su a ú ltim a c h a n c e d e usar
u m v en ced o r. A brão e ra 0 ú ltim o d a fila. Você p o d e a té ser 0 ú ltim o da
fila. D ev e e sta r p e n sa n d o q u a n d o a c o n te c e rá 0 “te m p o d e te rm in a d o
d a v id a” n a m in h a vida? Saiba q u e a su a id ad e n ã o alterará 0 propósito.
Q u a n to s a n o s M o isés tin h a q u a n d o se se n tia p re p a ra d o p ara lib e rta r
0 pov o d e Israel d o p o d e r d e Faraó?
- 4 0 . C erto!
M as q u a n to s an o s M o isés tin h a q u a n d o D e u s, v e rd a d e ira m e n te ,
0 cham ou?
- 4 5 an o s? E rrou. T in h a 8 0 .
Q u e m foi q u e lh e disse q u e a su a id ad e in te rro m p e 0 p ropósito? O
tem p o d e te rm in a d o d a vida, p a ra alg u n s, p o d e ria a c o n te c e r n o s seu s
4 0 , m as p ara o u tro s p o d e ria se r n o s seu s 8 0 o u 12 0 . P ara A brão tin h a
q u e se r aos 1 0 0 an o s, igual à S em . T in h a q u e s e r n e s ta id ad e . Isaque
seria filho d a q u ele q u e gerasse n o an o n ú m e ro cem . D eu s é caprichoso
co m isso, am ig o . Você e stá p ro n to p a ra c o m e ç a r 0 real, 0 v e rd a d e iro ,
0espiritual? Q u e m sabe v o c ê está d iz e n d o , a id ad e c h e g o u , tu d o está
c o n su m a d o . Fiz tu d o 0 q u e e ra possível. C riei os m e u s filhos, agora
v irão os n e to s. Vou p rep arar-m e p a ra m orrer.
E rrou.
A p ro m essa c o n tin u a d e pé. “N o te m p o d e te rm in a d o d a vida, virei
a tie S a ra d a rá a lu z ”.
O cap ítu lo 17 d e G ên esis q u e c o n ta a h istó ria d e A b raão to rn o u -
-se u m c a p ítu lo d o lo ro so . É 0 c a p ítu lo d a o rd e m d a c irc u n cisã o . É 0
cap ítu lo d a m u d a n ç a dos n o m e s. A m u d a n ç a d e n o m e te m a v e r com
a m u d an ç a d e m atriz. P ara A brão e Sarai 0 p o d e r d e g erar estav a ligado
à m u d a n ç a d e caráter. A brão precisava d e u m a “a ”, e Sarai necessitav a
p e rd e r a q u e la “i ”.S em c a rá te r n ã o é possível a c o n tin u id a d e d a bên-
ção. A c o n tin u id a d e e a p e rp e tu id a d e d a b ê n ç ã o p o r g e ra ç õ e s (com o
u m a e m p re sa, u m a idéia, e tc.). D e p e n d e do caráter. U m a p e sso a q u e
n ã o te m c a rá te r p o d e a té alc a n ç ar a P ro m essa, m as n ã o se rá p e rp é tu a
p ara 0 b e m d e su as geraçõ es. C e rta m e n te e ste a p e rd e rá n o m e io da
su a h istó ria. S ua geração v in d o u ra so frerá g ra n d e s n e c essid ad e s.
O cap ítu lo 17 d e G ên esis é 0 cap ítu lo d o a n o 9 9 do jo v em A brão.
Ele tiv era u m filho q u e já e stav a c o m tre z e anos. M as Sara c o n tin u a v a

130
estéril. D eu s a tin h a g u a rd a d o . A gar e ra m ã e e m an ip u la v a esse privi-
légio. S ara so freu tre z e a n o s as su as afro n tas. M as c h e g o u 0 an o 100.
O n o sso “an o c e m ” é u m a am e a ç a aos m an ip u lad o res, aos q u e ten ta m
n o s c o n tro la r p o r c a u sa d e n o ssas n e c e ssid a d e s e d eb ilid ad es. O an o
cem g era m e d o n o c o ração d a q u e le s q u e sa b em q u e 0 n o sso tem p o
a in d a n e m c o m e ç o u . Eles v iv em ju n to d e n ó s, p e rg u n ta m p o r q u ê,
m as n o fu n d o eles sa b em q u e a q u a lq u e r d ia, q u a lq u e r h o ra alg u m a
coisa e x tra o rd in á ria vai aco n tecer.
M a s D e u s n ã o d e ix a as coisas a c o n te c e re m assim , d e q u a lq u e r
m an eira. Ele d e ix a p a ra n o s c irc u n c id a r q u a n d o tiv erm o s “9 9 a n o s ”,
n ão p o r s e re m 9 9 , m as p o rq u e faltava a p e n as u m an o p a ra a g ran d e
b ên ção . P o r q u e ele n ã o n o s circ u n cid a logo aos 3 0 , aos 4 0 o u aos 50?
P o rq u e ele é sábio. Sei q u e v o cê d e v e e stá rin d o . M as é assim m esm o .
O c a p ítu lo p o ste rio r é 0 c a p ítu lo do aviso final. “C e rta m e n te virei a ti
por e s te te m p o d a v id a ” (G n 1 8 :1 0 ). D e u s n ã o c o n sid e ro u a geração
dos 8 6 a n o s, p o r q u e n ã o n a sc e u a tra v és d e Sara, foi a trav és d e Agar.
C om o h av ia d ito a n te s, alguns c o n h e c e m A gar a n te s d e Sara e o u tro s,
depois. S ara é a q u e la q u e g era p ara b ê n ç ã o , n o te m p o d a vida. Ela
ex iste, está g u a rd a d a e p o r ela a P ro m essa se rá e stab elecid a.
Veja q u e p recio so é 0 q u e lem o s a resp e ito d e Sara: E m G ênesis
1 8 :1 2 e la co n fe sso u já te r e n v e lh e c id o . Ela e stav a v e lh a , n ã o m ens-
tru av a m ais. A m en stru a ç ã o é 0 ch o ro do ú te ro p o r n ã o te r fecundado.
O ú te ro d e S ara já n ã o tin h a m ais e sp e ra n ç a n e m se q u e r p ara ch o ra r
m ais.
M a s n o ca p ítu lo 2 0 d e G ên esis A braão n e g a q u e Sara era a sua
m u lh e r p ela s e g u n d a v ez. Ela a in d a e ra a tra e n te e bela. E n tão , o u tro
A ldery N elso n R o c h a

h o m e m afeiçoou-se d ela e a to m o u lev a n d o -lh e à su a casa. Pela n o ite


0 S e n h o r Jeo v á v eio a fim d e livrá-la d a q u e le h o m e m . D eu s estava
g u a rd a n d o Sara p a ra a P ro m e ssa feita a A braão. Isaq u e seria filho de
A braão e n ã o d e A b im eleque. P or isso D eu s m esm o veio furiosam ente
e, a p a re c e n d o a A b im ele q u e, p ro m e te u m atá-lo se ele to casse em
Sara. O fato d e A braão insistir n a m e n tira d e q u e S ara e ra su a irm ã
foi u m d os fato res q u e o b stru íra m 0 c u m p rim e n to d a P ro m essa, pois
com o Isaq u e seria filho d a P ro m essa e re su lta d o d e u m in cesto ? De-
pois q u e A brão to m o u Sara p o r m u lh er, so m e n te agora, d ep o is desse
a c o n te c im e n to , é q u e 0 casal re c e b e u a su a c e rtid ã o d e c a sa m en to ,

131
e esta foi re su lta d o d e u m d e c re to rea l sob u m a b ê n ç ã o d e p ro te ç ã o .
E ntão, s o m e n te ag o ra eles e sta v a m livres d a m ald iç ã o d o in c e sto e
p ro n to s p a ra g e ra r Isaque.
N aq u eles dias D e u s h a v ia tira d o a e ste rilid a d e d ela. Q u e perigo.
C o m o n o ssa lu ta esp iritu al é c o n tín u a . Veja co m o S atan ás lu ta v a p a ra
m ata r a s e m e n te d a m u lh e r (G n 3 :1 5 ). Isaq u e seria g era d o p o r aque-
les dias e Sara estav a tre m e n d a m e n te fértil, p ro n ta p ara g erar a Isaque.
O s A b im eleq u es são os im p o sto re s, os o p o rtu n ista s q u e se m p re v e m
p ara d e s tru ir 0 p ro p ó sito d e D eu s. Q u a n ta s S aras estã o n a s m ão s d e
A b im eleq u es e q u a n to s A braãos estã o n a s m ão s d e A gares?
N o c a p ítu lo 21 d e G ênesis esta saga e n fim te rm in a . N o v e rso 5,
assim e n c o n tra m o s: “E 0 S e n h o r v isito u Sara, c o m o h a v ia d ito ; e fez
0 S e n h o r a S ara c o m o tin h a falad o ” (v. 1). Q u e m ara v ilh a foi 0 m o d o
c o m o D eu s g u a rd o u 0 ú te ro d e S ara p a ra Isaq u e se r g e ra d o c o m c e m
anos!
“E Sara c o n c e b e u e d e u a A braão u m filho n a su a v e lh ic e, n o tem -
po d e te rm in a d o q u e D eu s lh e tin h a dito. E era A braão da id ad e d e cem
an o s q u a n d o lh e n a sc e u Isaq u e, se u filh o ” (G n 2 1 :5 ).
A g o ra c o m p a re e s te a c o n te c im e n to c o m 0 te x to d e G ê n e sis
1 1 :1 0 , e já p o d e rá a g ra d e c e r a D e u s. A s p ro m e ssa s d e D e u s q u e
estav am p e n d e n te s d e sd e os dias d a P ro m e ssa p ro fe rid a a S em , em
G ên esis 9 , ag ora p o d e ría m se r d e p o sita d as n a c o n ta d e A braão! Isto
significa q u e a h e ra n ç a q u e e ra d e C a n a ã lh e p e rte n c ia p o rq u e e ste se
afasto u d e se u D eu s. A ssim , A braão a lc a n ç o u a P ro m essa. M a s n ã o
se e sq u eç a q u e a n te s do c a p ítu lo 21 d e G ên esis h á 0 c a p ítu lo 2 0 , isto
é, 0 c a p ítu lo d a te n ta ç ã o , d o d esejo d e a b a n d o n a r a visão e e n tre g a r
d e m ão s b eijad as a n o ssa fábrica d e v itó rias n a s m ão s dos inim igos.
P en se n isso.
É h o ra d e re p e n s a r tu d o e d e c re r q u e a in d a se e stá n o p rin cíp io
sob u m a P ro m essa, m e sm o q u a n d o tu d o in d ic a r q u e se e stá n o fim d a
lin h a. O tem p o d a v id a é 0 te m p o d e a lc a n ç ar as p ro m e ssas q u e estã o
p e n d e n te s em algu m lu g ar n o p assad o d e n o ssa fé e vivos n o p re s e n te
d e n o ssa esp eran ça.
Em lem b ran ç a d a v isita do D e u s q u e tu d o vê: Gênesis 21:3:
A braão ch am o u ao filho q u e lhe nascera, q u e Sara d era à luz, pelo n o m e
d e Isaq u e (“riso ”). (Gn 17:19)

132
A gora d arei u m esboço d e tu d o p ara possam rele m b ra r esta linda
h istória q u e n o s tra z gran d es revelações:
T e m p o d e se rv iç o e a p re n d iz a d o q u e é p re m ia d o c o m fi-
lh o s b rilh a n te s . A b ra ã o g e ra c o m a m e s m a id a d e m é d ia d os
se u s m e lh o r e s a n c e s tra is : c e m a n o s (G n 5 ; 1 1 :1 0 ). A q u i es-
tav a 0 s e g re d o , c e m a n o s, a b ê n ç ã o d e S em , G ê n e sis 1 1 :1 0 .
Q u e m g erasse c o m c e m a n o s re c e b e ría a b ê n ç ã o d e S em . D eu s
foi a tra sa n d o isso n a v ida d e A braão, p e rm itin d o e m Sara a su a es-
terilid ad e; n ão c o n sid e ro u 0 fato d e A braão te r sido pai d e Ism ael
aos 86 a n o s: G ênesis 17:17: E n tã o , A b rão se p ro s tro u co m
0 ro sto e m te rra , e riu -se, e d isse n o s e u c o ra ç ã o : “ E sto u c o m
u m a c e n te n a d e a n o s, e S ara, c o m n o v e n ta a n o s, d a ria à lu z ? ”
Gn 18:12;21:6)

O nascimento precipitado de Ismael.


A precipitação d e Agar. Ism ael n ã o q u e r rec o n h e c er a m atern id ad e
de Sarai. A brão é tipo do coração e n tre dois sen h o rio s (Rm 7:1 -5; G1
4 :2 3 -2 9 ). As características d a carn e. A brão, 0 coração dividido e n tre
duas m u lh e re s, A gar (tipo d a carne) e Sarai, tipo d o espírito h u m a n o
infrutífero (Rm 7:1-5; G14 :2 3 -2 9 ). A s características d a carne: (1) A
tipologia é esta: Sarai é tipo do espírito h u m a n o sem a habitação do
Espírito S an to , e A braão é 0 tipo do coração n ão circuncidado. A serva
egípcia é Agar, tipo d a c a rn e , co m o P aulo rev ela em G álatas. A carne
é egípcia, pois é m u d a n ç a p o r n a tu re z a ; m as tam b é m , por n a tu re za ,
foi feita p ara ser serva; e a Bíblia diz q u e q u a n d o os servos g overnam
desastres a c o n te c em . A ssim , 0 c e n tro d e d ecisão da c arn e é a m en te.
A ldery N elso n R o c h a

E a c a rn e é a u n id a d e e n tre a alm a e corpo, a tu a n d o sem 0 governo do


Espírito. A c a rn e te m e m se u p o d e r a m e n te , os seus atrib u to s, a perso-
nalidade, os instin tos e as leis destes instintos. A carn e tem n om e: Agar.
(2) A dm o estação à família: U m dos principais problem as do casam ento
desfeito n asce co m a precipitação n a form ação d e u m a fam ília (em jugo
desigual) e n a geração d e u m novo ser, 0 qual, n ã o se p o d e saber, se será
h erd eiro de u m a m aldição o u d e u m a b ên ção . D escobrim os, n a Bíblia,
a razão p o r q u e D eus disse v e e m e n te m e n te a A braão: “C e rta m en te
to rn arei a ti p o r este te m p o d a vida; e eis q u e Sara, tu a m ulher, terá u m

133
filho” (G n 1 8 :10), e n o v a m e n te “...ao tem p o d e te rm in a d o , to rn a rei a
ti p or e ste tem p o da vida, e Sara terá u m filho” (G n 18:14). O tem p o
d a v ida é aq u ele n o q u al to d as as coisas c o n c o rre m p ara 0 n o sso b em
(Gn 2 4 :1 ), é 0 tem p o e m q u e todas as coisas a c o n te c e m c o n tem p o ra-
n e a m e n te . Q u a n d o 0 h o m e m sim p lesm en te faz algum a coisa p o r seus
próprios m eios carnais, n o âm ago d e su a alm a, co n sid era tu d o n o seu
travesseiro, o n d e apoia a su a cabeça, e te m e , p o rq u e sabe q u a n d o tu d o
foi feito d e m an e ira ilegal, precipitada, a cu sto d e m en tiras e “ jeitin h o s”
ilegais. C e rta m e n te , so b re ele p esará 0 o lh ar de su a esposa q u e , n o
m eio d e se u te ste m u n h o , d e cab eça b aixa, n ã o ap ro v ará 0 s e u co n to
de vitória; pois ela sab erá q u e h o u v e farsa, saberá q u e e ste n ã o seria 0
tem p o certo d a vida. O tex to diz “n o tem p o certo d a v id a”. Q u e tem p o é
esse? Será q u e rea lm e n te tem o s u m tem p o d e te rm in a d o p o r D eu s para
receb er o u co n q u istar nossas vitórias?
G ê n e s is 1 6 :1 : O ra, Sarai, m u lh e r d e A brão, n ã o lh e dava filhos. E ela
tin h a u m a serva egípcia, e 0 seu n o m e era A gar ( “emigração ”). (04:24,25;
Gn 11:30;21:9)
O espírito a in d a co m 0 “i ” de Sarai, se m 0 c o rte d e su a influên-
cia su b m e tid a às d ecisões d a v o n ta d e , d o in te le c to e d o se n tim e n -
to. Foi u m grave e rro 0 espírito p e n sar e m te r filhos a tra v és d a car-
n e. S o m en te co m a circu n cisão D eu s fech ará esta p o rta m aligna. A
c o n d u ta dos filhos d e A gar será co n fo rm e a su a m ãe e n ã o co n fo rm e
a sua m ad rasta: G ê n e s is 1 6 :2 : E disse Sarai a Abrão: “Eis q u e 0 S enhor
Jeová m e te m im p ed id o de te r filhos; rogo-te q u e to m e s a m in h a serva;
p o rv en tu ra, terei filhos p o r m eio d e la ”. E o b e d e c e u A brão à v o z d e
Sarai. (Gn30:3,4,9,10/
A braão ain da era A brão. Toda a potencialidade de A braão estava de-
p ositada n o A brão. Todas as vitórias estão p rojetadas n a form a d e co m o
e u vejo u m a d erro ta; to d as as lágrim as c o n tê m a se m e n te da alegria. O
A b ra ã o está n o A brão. D ez anos é u m período de espera. D evem os saber
“esp erar d e z a n o s”, m as, g eralm en te, neles, to m a m o s d u ras decisões,
isto é, to m am o s decisões n a carn e. Se falta p o u co , e m co m p aração a
tu d o q u e já se passou, deve-se esperar. A gar e A brão g erarão n a carn e.
U m a egípcia e u m incircunciso! R esultado: fruto d a c arn e, se g u n d o a
carn e, n ão seg u n d o A braão, m as se g u n d o A brão (Esta foi u m a das três
principais razõ es p o r q u e D eus in stitu iu a circuncisão: (1) U m sinal n o

134
lugar d o p ecad o d e A brão e tam b ém m ostra o lugar d e su a expiação. (2)
E stabelece u m sinal de ex tirp e (onde n in g u é m e n tra sem se co n v erter
m ed ia n te os e sta tu to s), p ara q u e os israelitas n ão se envolvessem com
m u lh e res d e o u tras n açõ es, e p o r e ste sinal, os gentios p o d eríam ser
e n x e rtad o s e reco n ciliados à p ro m essa d ad a a A braão n a “oliveira”.
(3) P ara se r figura d a v e rd a d e ira circuncisão, q u e é pela fé e m C risto,
a S e m en te e ex tirp e eleita d e D eus, o n d e 0 coração é circuncidado,
sen d o d e fato 0 v erd adeiro local d o pecado). D ez anos n a terra do inimi-
go ain d a será p o u co q u a n d o an d am o s n a carn e, pois as m ald ad es dos
h ab itan tes c a n a n e u s a in d a n ão en c h ia m 0 cálice d a ira d e D eus
Gênesis 16:3: E to m o u Sarai, m u lh e r de A brão, a Agar, a egípcia, sua
serva, e deu-a p o r m u lh e r a A brão, seu m arid o , depois de A brão ter
h ab itad o d e z an o s n a te rra d e C anaã. /cn 12:5)
A carn e, sen d o fértil e n ão circuncidada, n ã o avaliava os perigos do
jugo desigual. A relação ín tim a e n tre a c arn e e 0 coração gerou Ism ael.
A ca rn e , ao sab er q u e c o n c eb e u , se fo rtaleceu e d e sp re z o u 0 Espírito.
Este é 0 caráter de u m escravo: sabe servir sobre a pressão do seu senhor,
m as n ão sabe viver n a liberdade, n a fartura, n e m d a fertilidade. A sua se-
n h o ra, 0 espírito (e 0 E spírito), sem p re será d esp rezad a q u a n d o 0 fruto
da c arn e nascer: Gênesis 16:4: E ele c o n h e ce u a Agar, e ela concebeu;
e, v e n d o ela q u e c o n c eb e ra, m en o sp re zo u a su a sen h o ra.
A c a rn e a fro n ta 0 e sp írito h u m a n o , m as Sarai diz q u e A brão
tam b é m rec e b e rá a m esm a afronta, pois ele era 0 seu esposo, sendo
am b o s c a rn e d a m e sm a c a rn e . A serv a do espírito h u m a n o estava
sob 0 p o d e r d o co ração , 0 qual v e n d o q u e c o n c eb e ra, autom ática-
m e n te , d e s p re z o u 0 espírito. O esp írito p e d e 0 trib u n a l: Gênesis
16:5: E disse Sarai a A brão: “M in h a afro n ta seja sobre ti. Pus a mi-
n h a serv a e m te u regaço; v e n d o ela, agora, q u e c o n c eb e u , sou me-
n o sp rezad a aos seus olhos. O S en h o r Jeová julgue e n tre m im e ti”.
(Gn31:53)A ca m e d ev e ser su b m e tid a e n ão m altratada: Gênesis 1 6:6:
E disse A brão a Sarai: “Eis q u e a tu a serva está n as tu as m ãos; faze-lhe
co m o b e m p a re c e r aos te u s o lh o s”. E Sarai m altratou-a, e ela fugiu da
sua face.

135
136
Capítulo 9

A Idade do
Casamento

137
138
Se to d o s s o u b é sse m o s a id ad e c e rta p a ra sair d e casa a fim de
to m a rm o s a n o ssa c a ra -m e ta d e , c o m to d a c e rte z a , seríam o s felizes
e e sta ría m o s v iv en d o e m u m o u tro “jard im do É d e n ” ! S abem os qu e
n ão h á o u tra fo rm a d e e n te n d e r 0 p ro p ó sito d e D e u s p ara a fam ília a
n ão se r se, p rim e ira m e n te , a p re n d e rm o s as leis d e re la c io n a m e n to
h o m e m -m u lh e r reg istrad as n a b ib lio teca do co ração h u m a n o q u e é
0 livro d e C a n ta re s. E ste livro m o stra q u e 0 m a trim ô n io feliz vive em
u m jard im o n d e as flores e frutos afloram m e d ia n te cu id ad o s prévios,
o n d e a terapia sen tim en ta l fu n cio n a e a previsãoé u m fator prepara-
tório p a ra 0 su cesso , o n d e 0 h o m e m le m b ra rá facilm en te q u e an te s
da e sp o sa d e A dão se r fo rm a d a ele foi p o sto no treinam ento divino
com o jardineiro p a ra a p re n d e r a reg a r 0 se u c a sa m e n to . D epois de
fazer u m sério c o m e n tá rio d e ste livro, e x p o n h o a q u i alg u m as das
nossas c o n sid eraçõ es a resp eito d o te m p o c e rto p ara d eix arm o s a casa
de n o sso s pais.
Em Cantares 2, verso 7, temos um juramento do coração de uma
alma apaixonada: “Conjuro-vos 0 filhas de Jerusalém que não desper-
teis 0 meu amor até que ele 0 queira”.
E n te n d e m o s q u e n ã o é fácil c re r n isso , m as 0 c o ração de to d o 0
ser h u m a n o d o rm e a té e n c o n tra r a s u a v e rd a d e ira razão p a ra am ar
e se r a m a d o . D ep o is d e trê s a ssertiv as s e m e lh a n te s e m to d o 0 livro,
surge, e n tã o , u m a p e rg u n ta : “P or q u e ela está c la m an d o p ara q u e não
d e sp e rte m 0 s e u am or, a té q u e ele 0 q u e ira ? ” A resp e ito d e q u e nos
lem b ra esse v e rb o “d e s p e rta r? ” .
L em b ra-n o s d e A dão. T odos sa b em q u e A dão e stav a d o rm in d o
u m p e sad o so n o d a d o p o r D eu s, a n te s d e v e r a su a esposa à su a d estra
A ldery N elso n R o c h a

(Gn 2 :2 2 ,2 3 ). D e u s jam ais a rra n c a rá a n o ssa co stela se estiv erm o s


a c o rd ad o s, e tal c iru rg ia re q u e r e ste so n o p ro fu n d o . O A m o r p rodu-
zirá se g u n d o n o sso so n o se estiv e rm o s d o rm in d o , pois n ã o p o d em o s
re c e b e r das m ão s d e D eu s 0 a m o r d e n o ssa v ida d e sp erto s p a ra novas
co n q u istas.
V arões, so m e n te assim d esp ertare m o s su rp reso s q u a n d o contem -
piarm os d ia n te d e no ssos olh o s 0 resu lta d o d aq u ilo q u e D eus transfer-
m o u , d ep o is q u e d e p o sita rm o s a n o ssa o ferta e m fo rm a d e “c o ste la ”.
A dão n ã o te ria a su a esp o sa se n ã o o fertasse p a rte d e su a v id a e form a
de u m a “c o ste la ” . A o ferta d a co stela fala d e n o ssa e n tre g a n o altar de

139
D eus d aq u ilo q u e é m ais p ro fu n d o e m n o sso s s e n tim e n to s e q u e está
g u ard ad o a s e te ch av es. P e rm ita m o s q u e 0 n o sso b o m D e u s tire p ara
fora de n o sso in te rio r estes se n tim e n to s ilusórios, estas m a q u in a ç õ e s
se n tim e n tais q u e in te rn a m e n te jam ais tran sfo rm ar-se‫־‬ão e m ajuda-
d o ra id ô n ea . P e rm ita m o s q u e D e u s re c e b a d e n o ssa p a rte a o ferta, e
rejeitem o s as carícias d e an tig o s s e n tim e n to s im possíveis d e n tro de
nossa m e n te carn al, frutos de p e n sa m e n to s n in ad o s pelo p roibido q u e
co rteja 0 in aceitáv el, 0 b o ê m io e 0 p ecam in o so .
É n ec essá rio q u e 0 so n o p ro fu n d o n ã o seja in te rro m p id o a té q u e
D eu s 0 q u eira; isto é, d e sp re z e m o s os n o sso s d e le ite s q u e a n te c ip a m
falsam en te a p se u d o felicidade se m q u e 0 a m o r 0 q u e ira . N a v id a prá-
tica d e u m s e n tim e n to a m o ro so esp ecial, as filhas d e Je ru sa lé m (que
são tipos das filhas d a capital, d a cid ad e c e n tral, d e jo v en s im p o n e n te s
e e d u c a d a s c o n fo rm e a c u ltu ra do po v o m o d e rn o ) n ã o tê m 0 p o d e r
d e d e s p e rta r 0 a m o r d a c a m p o n e sa. Ela q u e r q u e 0 s e u a m o r d u rm a
até q u e seja su rp re e n d id o p o r D eu s. É 0 p ró p rio D eu s q u e m tra b a lh a
a co stela, é Ele q u e m a to m a , m as ta m b é m é Ele q u e m n o s a d o rm e c e ,
pois Ele m e sm o é 0 a u to r d o Am or. P or isso p o d e m o s confiar: se nós
d ed icarm o s a Ele a co stela c o m o o ferta sacrificial (e isto in clu i a ta n ta s
coisas q u e v e n e ra m o s), ele n o ‫־‬la tra rá e m fo rm a d e g e n te am igável,
c o m p re en siv a e confiável.
S alo m ão fala do a m o r q u e se o u v e p ela “v o z d o m e u am ad o ! Eis
q u e v e m sa lta n d o so b re os m o n te s, sa lta n d o so b re os m o n te s. ” Q u e
visão m arav ilh o sa, q u a n d o e n te n d e m o s a lin g u ag em p o é tic a e profé-
tica d a a m a d a S u n a m ita (C t 2 :8 ). A q u ele q u e a d e s p e rta é a q u e le q u e
v e m v in d o . É a v o z d o se u a m a d o q u e e c o a n o jard im do se u co ração .
É esp erad o , a n u n c ia d o p o r su a m a tu rid a d e e n o seu te m p o . C o m o ele
v em ? S altan d o so b re os m o n te s, p u la n d o so b re os m o n te s. Ele d ecid e
vir (dar su a p alav ra d e “s im ”), e su a c o n fian ça n ã o se rá d e sa p o n ta d a
pela jovem q u e 0 esp era.
Toda p esso a q u e r sa b e r q ual é 0 m e lh o r te m p o p a ra d iz e r sim e m
u m co m p ro m isso . O te x to p ro sse g u e n o v e rso 9 , d ize n d o : “ 0 m e u
a m a d o é s e m e lh a n te ao g a m o ” , o u “ao c e rv o ” . “Eis q u e e stá d e trá s
d a nossa p a re d e , o lh a n d o pelas jan elas, e fo rç a n d o as g ra d e s” . Veja
q u e visão m ais d e sesp e rad a . O A m ad o v e m e sab e q u e 0 a m o r d a su a
a m a d a te m (1) p a re d e , (2) jan elas e (2) grades. Ele se e n c o n tra a trás

140
d a p a re d e , fo rç a n d o as grades. O falso a m o r q u e n ã o te m lim ites, e
a c o n te c e se m resp e ito e se m c o n sid e raç ã o e n ã o to m a e m c o n ta os
lim ites q u e se e s ta b e le c e m p e la fam ília d a n o iv a o u d o n o iv o , será
d e sm a sc ara d o e m p o u c o te m p o .
Se a c o n te c e r u m e n la c e n e sta s co n d iç õ e s n ã o se rá fru to d e u m a
u n iã o d iv in a, m as u m laço d a c a rn e p o r si m e s m a , e m b o ra te n h a a
ap arên cia d e religiosidade e 0 a c o b e rta m e n to eclesiástico. A este casal
D eu s n ã o te rá u n id o p o rq u e faltou afa se prim ordial: a v isita ao Jardim ,
a a b e rtu ra n a tu ra l das portas, a visão esp lên d id a dos so n h o s pelas jane-
ias e 0 re sp e ito às g rad es q u e só sem a b re m e m tem p o s resp eitu o so s.
A q u ele a m o r q u e c h e g a e freia d e trá s das p o rta s se rá 0 p rim eiro a te r
a p rim a z ia q u a n d o a p o rta se abrir, q u a n d o 0 te m p o d a g u a rd a passar,
depois dos p erío d o s d e p rep aração , p o rq u e ele se lim ito u n ão pro cu rar
sab er 0 q u e se e sc o n d ia d e trá s d as p a re d e s m orais d a q u e la fam ília.
S eu a m a d o é c o m p a ra d o ao g am o o u ao cerv o , pois ele observa
p elas jan elas e b u sc a a tra v és d as p a re d e s u m a e n tra d a e a e n c o n tra;
ele e n c o n tra a jan ela. N ão é pela p o rta , m as p ela jan ela q u e to d o am o r
c o m e ç a la n ç a n d o u m a m ira d a d e c o n q u ista . Ele sab e q u e as p ared es
re p re se n ta m to d as as lim itações im p o sto s pela m o ral e pelos b o n s cos-
tu rn es; ele sab e ta m b é m q u e n ã o p o d e negligenciá-los. M as, e m m eio
a g ra n d e s d ificu ld ad es lh e c o n c e d e m acesso lim itad o pelas janelas.
Sabe q u e as jan elas são p o rta s a b e rtas p ela m e ta d e co m certo s lim ites.
E isto te m m u ito s significados. Sabe q u e n ã o p o d e e n tra r pelas janelas,
m as s o m e n te o lh a r p o r elas. Q u e lin d a m an ifestaç ã o d e p aix ão e d e
desejo! Foi te n ta d o e n tra r pelas jan elas, m as so u b e q u e n elas h av ia
grades. A m ãe d o se u am o r a e n sin o u gran d es segredos q u e funcionam
A ldery N elso n R o c h a

com o g rad es e ela os p ratica. E ele n ão p o d e ultrap assar aq u eles lim ites
ain d a q u e te n h a a força d e u m gam o o u 0 c av alh eirism o d e u m cervo,
m esm o q u e te n te fo rçar as grades. As g rad es tê m u m a b ên ção : elas
g u a rd a m 0 a m o r p a ra a felicidade e in sp iram 0 d e v id o resp eito .
H o u v e u m rei e m Israel q u e p e rd e u 0 se u re in o p o rq u e in v ad iu
as g rad es d o s e u d o m ín io ; ele se c h a m a v a Saul. Saul n ã o e sp e ro u por
S am u el e o fe re c e u 0 sacrifício q u e n ã o era d e su a c o m p e tê n c ia . Ele
reso lv e u sacrificar h o lo ca u sto s u sa n d o 0 se u p o d e r real, e p e rd e u 0
rein o p a ra D avi. S a m u el e ra 0 ú n ic o c o m p e te n te a sacrificar, pois era
0 sacerd o te-p ro feta-ju iz. Isto é m u ito c o m u m n o sacerd ó cio diário de

141
n o ssa v id a q u e e n v o lv e o átrio d e n o sso co rp o , 0 lu g ar sa n to d e n o ssa
alm a e 0 lu g ar san tíssim o d e n o sso esp írito h u m a n o . A ssim d e v e m o s
resp eitar aq u ele q u e é 0 sa ce rd o te e te m a c o m p e tê n c ia p ara a b e n ço a r
e o ferecer 0 sacrifício a u to riz a d o , 0 E spírito S an to . N ele d e v e m o s
esperar.
Se a p a re d e é d e rru b a d a d e n a d a se rv e m as janelas. E p a ra q u e ser-
v iriam as g rad es se m elas? Q u e lin d a jo v em . N ão e stá ai à disposição
d e q u a lq u e r u m , e 0 se u a m a d o d ev e sab er q u e n ã o p o d e e n tra r n a sua
v id a sem 0 m ín im o resp eito .
Veja 0 q u e diz 0 tex to d e Cantares 2:10: “M e u a m a d o falou e m e
disse: L ev an ta-te am ig a m in h a e v e m , fo rm o sa m in h a .”
Q u e m arav ilh o so resp e ito 0 a m a d o te m p o r ela. Ele n ã o in v a d e a
su a p riv acid ad e; 0 se u a m a d o n ã o v io le n ta 0 s e u esp aço e 0 se u lu g ar
san tíssim o ro m p e n d o as g rad es, u sa n d o a fo rça d e gam o . M as e le a
co nvida: “ v e m ”. “Sai d e te u s m u ro s, já n ã o q u e ro e sta r e m tu a s jane-
las, so m e n te tu c o n h e c e s 0 seg red o p ara v e n c e r as tu as janelas, v e m . ”
Todo esp o so d e v e ria te r resp e ito p o r su a esp o sa ao e sp e ra r q u e
ela viesse; assim as esposas seriam m ais c arin h o sas c o m os se u esposo
se so u b e sse m q u e a su a a m a d a te m su as lim itaçõ es, fases e lu g ares
esco n d id o s.
O fato d e se r b e m c o rte ja d a n o s m u ro s atrai a esp o sa p a ra fora.
A qui está 0 p o d e r d o se u am or, se m 0 uso d a força, ro m p e n d o to d o s
os m u ro s, q u e b ra n d o to d as as g rad es e se m v io lên cia, so m e n te c o m 0
p o d e r d o a m o r q u e tu d o su p o rta .
Cantares 2:11 n o s diz: “ P o rq u e 0 in v e rn o já p a s s o u ... 0 te m p o
d a c h u v a se fo i.”
O in v e rn o é u m te m p o d e e sta r e m casa, e n a casa d o Pai. A c h u v a
é 0 te m p o d a p rep a ra çã o p a ra 0 v e rã o e p a ra u m a n o v a c o lh e ita . 0
v e rã o se rá a n te c ip a d o p ela p rim a v era . É n e s te te m p o q u e 0 a m o r se
u n irá n o m eio d e u m b elo ro m a n tism o . M as, a n te s, deve-se p e rim ir
q u e 0 in v e rn o passe, e e sp e ra r q u e a c h u v a se vá; a so m a d e tu d o isso
d e m o n s tra 0 p o d e r q u e te m o s e m n ó s m esm o s p a ra v e n c e r to d a s as
d ificuldades q u e a v id a n o s a p re se n ta . A p aciên cia q u e o briga e sp era r
fo rtalecerá 0 casal p a ra 0 n o v o te m p o d e v e rã o .
0 te x to a seguir, fin a lm e n te , re sp o n d e a p e rg u n ta d o n o sso tem a:
“As flores se m o stra m n a te rra , 0 te m p o d a c a n ç ã o c h e g a. N o n o sso

142
país se o u v e a v o z d a p o m b in h a s. ”
Flores, aves c a n ta n te s e p o m b as q u e se d e ix a m ouvir n o s m o n tes.
A gora, as flores, as aves c a n ta n te s e as p o m b in h as b ran cas e cinzas
fazem o u v ir a s u a v o z; a figueira d ã o as su as prim icias, as v id es d ão 0
se u c h e iro d e fo rm a m ara v ilh o sa e e ste c e n á rio atrai a n o iv a p ara fora
d a c asa d e se u s pais. É 0 te m p o e m q u e os m u ro s, as jan elas e as gra-
d es são d e rru b a d o s . As jo v en s n ã o p o d e m p e rm itir q u e 0 se u a m a d o
ro m p a as su as p a re d e s e in v ad a as su as jan elas. Elas n ã o p o d e m sair
d a casa d e se u s pais n o in v e rn o , n e m e m dias d e triste z a o u se m a
c o b e rtu ra p ro te to ra d a c h u v a . Q u a n d o a p o m b in h a d ev e sair d a casa
de se u s pais?

1. N a p rim a v era , q u a n d o c h e g a re m 0 te m p o d as flores. Trata-se


aq u i d e u m te m p o d e m a tu rid a d e q u e e stá e m p len o progresso.
2 . Q u a n d o c a n ta re m as aves, q u e r dizer: “Q u a n d o os seu s fami-
liares c o n c o rd a re m a u d is s o n a n te m e n te n a festa d a su a felicidade. ”
3 . Q u a n d o as p o m b in h a s fiz e re m o u v ir a su a v o z , q u e r dizer:
“Q u a n d o os se u s pais a a b e n ç o a re m . ”
4 . Q u a n d o a figu eira c o m e ç a r a d a r su as prim icias, q u e r dizer:
“Q u a n d o as su as irm ãs c o m e ç a re m a a la rd ea r a s u a a d o lescên cia. ”
5 . Q u a n d o as v ides e m flor d e re m 0 se u ch eiro , q u e r dizer: “Q uan-
do as su as am igas lh es in sp irare m c o n ta n d o os seu s ro m a n c e s felizes,
e q u a n d o 0 s e u c o rp o e stiv e r p re p a ra d o b io lo g ic a m e n te p a ra d a r
c o n tin u id a d e á v id a .”

A ssim , m u ito s seres h u m a n o s foram ab en ço ad o s com u m a g rande


A ldery N elso n R o c h a

b ên ção : D e u s os u n iu e os h o m e n s n ã o in te n ta rã o separá-los.

Apresento, agora, uma visão geral de todo o texto explicado


acima, desde da conquista até os problemas que aparecem
depois das Bodas:

A visão d a esp o sa (2 :8 -3 .5 ). O cervo novo: S altando sobre os m on-


tes, triu n fa n te so b re os o uteiros; 0 jovem e se m m ed o . Ele é q u e m a
d esp erta. É a v o z d e se u a m a d o n o jardim d e se u am or. É an u n ciad o ,
é d e v e rd a d e , é d e seu povo e d e seu tem p o . C o m o ele v em ? Saltando

143
sobre os m o n te s, triu n fan te sobre os outeiros: Cantares 2:8: Eis a v o z
do m e u am ado! Ei10‫ ־‬ai, q u e já v em saltan d o so bre os m o n te s, p u lan d o
sobre os o uteiros.
O a m a d o v e m e sabe q u e o am o r d e su a a m a d a te m p a re d e , janelas
e grades. Ele está atrás d a p ared e. Ele é o prim eiro depois desse período
de guarda. É ele q u e m tem a prim eira o p o rtu n id ad e depois q u e o tem p o
da p rep aração passa. Ele resp eita a p a re d e , n ã o a força, n ã o a destrói,
n ão a ro m p e. Ele sabe q u e a su a a m a d a te m suas lim itações; ele esp era
q u e passe 0 tem p o d e su a lim itação (na casa dos pais, zan g ad a o u triste,
etc.). A qui m anifesta paixão, so n h o , desejo. Ele te n ta e n tra r p o r ela,
m as sabe q u e h á grades; su a m ãe a e n sin o u segredos q u e são co m o
grades; n ão p o d e rom pê-las a in d a q u e te n h a a força de u m corso e a
b eleza d e u m gam o. O gam o está esfregando-se n a p ared e; n ã o p o d e
atravessá-la, passa 0 n ariz n as grades. As grades g u ard am 0 a m o r p ara
a felicidade. Se as p ared es são d e rru b a d a s, p ara q u e se rv e m as grades?
Para q u e serv em as fechaduras? Q u e linda jovem ! N ão está à disposição
d e q u alq u er u m , e seu a m ad o sabe q u e n ã o p o d e rá e n tra r assim , sem
respeito à su a vida: Cantares 2:9: 0 m e u a m a d o é se m e lh a n te ao
cervo o u ao filho dos c e rro s; eis q u e está d e trá s d a p a re d e , o b serv an d o
p ela janela, esp reitan d o pelas grades.
O tem p o do c a sa m en to , n a p rim avera. Q u e tre m e n d o é 0 respeito
q u e 0 a m a d o te m p o r ela. Ele n ã o in v ad e a su a priv acid ad e. N ão é
p o rq u e p e rte n c e a se u am ad o q u e p o d e v io len tar 0 se u espaço, seu
santíssim o, seus direitos, suas cartas, sua privacidade: Cantares 2:10:
R espondeu 0 m e u a m a d o e m e disse: “L evanta-te, ó form osa m in h a ,
am ad a m in h a , e v e m ”.
Esperar 0 in v ern o , d eix ar q u e passe a ch u v a, é p ro v ar q u e h á p o d e r
para v e n c er todas as dificuldades d a vida. A p aciên cia é fruto d a tribu-
lação, ela os faz esp erar e a esp era n ç a os fo rtalecerá p a ra 0 n o v o tem p o
dev erão : Cantares 2:11: “...p o rq u eeis q u e passou 0 in v ern o , a ch u v a
cessou e s e foi.”
Flores, aves c a n ta n te s e p o m b in h as q u e fazem o uvir a su a voz. A
b ên ção pública so bre 0 casal é m u ito im p o rta n te. Você n ã o vai p o d e r
casar-se p o r si m esm o , precisa d a b ê n ç ão d e o u tre m . Você precisa dei-
xar-se casar: Cantares 2:12: As flores ap a re c em n o cam p o , e 0 tem p o

144
d a can ção d a p o d a ch eg o u , e a v o z da rola ouve-se e m nossa terra.
A h o ra d e sair d a casa dos pais p ara as bodas. O q u e m otiva urna
m u lh e r sair d e su a casa ch eia d e m u ro s, janelas e grades? O q u e faz urna
m u lh e r sair d e seu in v ern o , depois d a chuva? Veja aqui os passos q u e
dev em v e n c e r as jovens p ara deixar a casa de seus pais. Q u a n d o devem
sair d e suas casas? N a p rim av era d a vida, q u a n d o h á flores. Q u a n d o a
ju v e n tu d e d á sinal de m atu rid a d e . Q u a n d o c a n ta m as aves. Q u a n d o
seu s fam iliares c o n c o rd a ra m n a festa d e suas delícias. (P om binha,
faça o u v ira s u a voz!) Q u a n d o seus pais d e re m suas bênçãos. Q u a n d o a s
vides, e m flor, d e re m seu cheiro. E suas am igas a in sp irarem com seus
ro m a n c es felizes. E ntão, será a h o ra d e sair d a casa d e seus pais para
dar-se e m m atrim ô n io : Cantares 2:13: A figueira d e u os seus prim ei-
ros figos v erd es; as vides e m flor dão a su a fragrância. Levanta-te, am iga
m in h a , form osa m in h a , e vem .
Ela veio a té ele. É n o ite d e lua-de-m el. Ela está tím ida, é h o ra d e se
fazer c o n h e cid a d e seu am ad o . É u m a p o m b in h a virgem e in o cen te,
in ex p e rie n te. Saiu d a casa d e seus pais e está psicologicam ente escon-
dida, a in d a q u e n u a . O esposo sabe q u e d ev e te r m u ito cu id ad o nesse
dia especial, q u a n d o a su a p o m b in h a v e m esco n d id a nas fendas da
p en h a. O a m a d o q u e r q u e ela m o stre 0 se u rosto , m o stre a su a intim i-
dad e e n ã o se en v e rg o n h e . N ão é u m m o m e n to d e estar e m silêncio, é
um m o m e n to d e fazer o uvir a su a v o z de alegria p o r causa d o esposo; é
ho ra d e expressar-se e fazer c o n h e ce r se u p raz e r em form a d e voz. Isso
significa q u e agora n ã o é h o ra d e se esco n d er e m q u alq u er esconderijo:
Cantares 2:14: “P o m ba m in h a , q u e an d as n as fendas das rochas,
am p arad a n o esconderijo dos degraus, m ostra-m e a tu a face, e faze-m e
A ldery N elso n R o c h a

ouvir a tu a v o z, p o rq u e a tu a v o z é do ce, e a tu a aparência, aprazível. ”


O s p rim eiro s dias do m atrim ô n io são os m ais difíceis. A inda que
a v o z d a p o m b in h a faça-se ouvir, as rap o sin h as c o m e ç a m a e n tra r no
rela cio n a m e n to . As raposas p e q u e n as p õ em a p e rd e r as vin h as. As
raposas são as discórdias. A u n id a d e do m atrim ô n io é u m a sociedade
en tre d uas pessoas am antes, m arido e m ulher. A discórdia atrai 0 desen-
ten d im e n to e n tre 0 casal, p o d e p e rd e r a sociedade do amor. O divórcio
em p o b rece, d estró i a v in h a. U m a v in h a n ã o nasce d a n o ite para 0 dia.
R equer tem p o . As raposas são to d o s os in tru so s q u e v ê m p ara destruir

145
0 m atrim ônio: Cantares 2:15: “A panhai-m e as raposas, as raposinhas,
que fazem m al às nossas vinhas, p o rq u e as nossas v in h as estão e m flor. ”

146
Capítulo 10

Trazendo a
Costela

A ldery N elso n R o c h a

147
148
D e u s fez o h o m e m à su a im ag em e à s u a se m e lh a n ç a , e isso signi-
fica q u e 0 h o m e m foi feito e x a ta m e n te c o m o Ele é; e m se m e lh a n ç a
q u e ri d ize r u m se r p síquico co m livre arb ítrio , s e n tim e n to in te le c to e
v o n ta d e ; se g u n d o à su a im a g e m q u e r d iz e r “ co m u m co rp o cap az de
m anifestar-se n o m u n d o físico”. N a se m elh an ça 0 h o m e m seria u m ser
s e m e lh a n te a D eu s, d e n a tu re z a esp iritu al (espírito e alm a) con fo rm e
Ele é. M as, a n te s m e sm o do p e c ad o d e A dão, D eu s e n c o n tro u dificul-
d a d e s n o p ro ce sso d a v id a s e n tim e n ta l d e A dão. Ele n ã o p o d e ria ser
c o m o D e u s, 0 El S h ad ai (D eus d e p eitas, supridor, m ãe) e Iah v e h (“ 0
q u e Era, É e S e rá ”), se m d istin çã o e se m in te re sse sex u al.
0 h o m e m p elo fato d e p o ssu ir algo a m ais q u e D eu s, n a q u e le
início d o m u n d o físico, tin h a 0 c o rp o físico e p asso u a p ro c u ra r a su a
a d ju to ra, a s u a c o m p a n h e ira c o m o to d o s os an im ais q u e p ro criav am .
M as ele n ã o a e n c o n tro u (G n 2 :2 1 ). E n tão , a c o n te c e u 0 prim eiro
tipo d a m o rte d e C risto e d a edificação d a su a esposa, já n o s dias de
A dão. D eu s lh e exigiu a o ferta d a costela q u e seria confirm ada com
u m a cirurgia e x trao rd in ária, u m a tipologia d a c ru z d e C risto e d e sua
igreja. A ssim , 0 m atrim ô n io seria, a partir daí, 0 fruto d e u m d escanso
p ro fu n d o e m D eus. Todo 0 h o m e m se m p re estará b u scan d o u m a m u-
lher e n q u a n to n ão ad o rm ecer profu n d am en te. 0 m atrim ônio é fruto de
u m ad o rm ecim en to , p rim eiram en te do h o m em ; g ente m etid a a esperta
n u n c a c o n h e c e rá 0 v erd ad eiro m atrim ô n io , m as aq u ele q u e descansar
p ro fu n d a m en te em D eus te rá 0 se u p a r insubstituível. O m atrim ô n io é
fruto d e u m a cirurgia divina o n d e n ão deve h av er cicatrizes. O prim eiro
A dão é 0 tipo d o seg u n d o A dão (1 C o 15:45); 0 sono é a m o rte de cruz, e
0 a d o rm e cim en to é 0 se p u ltam en to ; a ferida feita pela lan ça ao seu lado
A ldery N elso n R o c h a

gera a Igreja; 0 a to d e “fechar a c a rn e ” é cu ra, é ressurreição. Ao tirar a


costela d o h o m e m , D eus tiro u dele to d a a fem inilidade pela costela, e
tro u x e su a m u lh e r p le n a m e n te fêm ea, c o n firm an d o a m asculinidade
do h o m e m . A espo sa é fruto d e u m a oferta viva d e am or: Gênesis
2:2 1: E ntão, 0 S en h o r D eus fez cair u m so n o pesado sobre A dão, e este
ad o rm eceu ; to m o u , e n tã o , u m a das suas costelas e fech o u com carne
no se u lugar. 11sm26:121
J u s ta m e n te d ep o is d e A dão te rm in a r d e n o m e a r os anim ais, D eus
viu q u e A d ão s e n tia a falta d e s e u par. M as o n d e e stav a 0 seu par? A
elefan ta tin h a 0 e le fan te , 0 leão tin h a a le o a ... M as, o n d e e stav a 0 par

149
d e A dão? O se u p ar e stav a n e le m esm o .
O h o m e m foi feito in trín se c a m e n te p o r D eus se m g ê n e ro definido
“e os c h a m o u d e A d ã o ”. D e u s te ria q u e ad ap tá-lo p a ra v iv er n e ste
m u n d o , d ep o is q u e c o n c o rd a sse q u e n ã o seria b o m q u e ele estiv esse
só. Ele, a té e n tã o , tin h a p o d e r so b re 0 se u 0 se u p ró p rio co rp o . C o m
0 a p a re c im e n to d e su a esposa esse p o d e r s o b re 0 se u p ró p rio co rp o
foi d a d o a o u tra p essoa; foi d a d o a Eva. M as, a té ali, n a q u e le so n o
p ro fu n d o , ele tin h a a n a tu re z a d e D eus. Foi aí q u e D e u s v iu q u e n ã o
seria b o m q u e 0 h o m e m estiv esse só, e n tã o disse: “ ...far-lhe-ei u m a
c o m p a n h e ira ” . Era n e c essá rio a b u sca, e ra n e c essá rio u m d esejo , era
n ecessário s e n tir falta, e te r solidão. Isso v alo rizaria a c h e g a d a d e su a
esp o sa e a c iru rg ia m ais fam o sa d a H istória.
O b serv e q u e n o dia e m q u e D eu s form ou A dão, crio u p ara ele u m a
co m p an h eira, m as n ão a rev elo u im e d ia ta m e n te até q u e ele sentisse
falta d e u m a a d ju to ra id ô n ea e n q u a n to ela estava n o in te rio r d e suas
costelas. A q u e stã o do m atrim ô n io é u m d ireito do h o m e m , m as ele
precisa se n tir esta n ecessid ad e. O b serv e q u e n o te x to d e G ênesis 2 se
p ro cu ro u u m a c o m p a n h e ira p ara A dão, e n ã o se e n c o n tro u ; foi e n tão
q u e D eu s p ro v id en cio u a su a esposa q u e já estava criad a d e n tro d ele, e
estava g u ard ad a n a su a costela. Ela estava b em p e rto dele e n q u a n to ele
a pro cu rav a: Gênesis 5:2: “E m a c h o e fêm ea os criou; e os ab e n ço o u ,
e os c h a m o u d e A dão, n o dia d a su a criação. ” (Cn 1:27!
Ele p recisav a d o rm ir d e sc a n sa r e e n tre g a r a su a o ferta. U m a cos-
tela, u m a p a rte d ele, u m sacrifício d ele. Q u e m e n tre g a u m a o ferta de
costela re c e b e u m a esposa g ratificante e p len a e m fo rm o su ra . A lguns
e n c o n tra m costelas nos a ço u g u es da vida, a q u a lq u e r p reço , e n ã o lhes
c u sta so frim en to , dor, c o rte , e n tre g a , s o n h o e esp era . A d ão te v e q u e
o fertar d e si m esm o algo p ro fu n d a m e n te c o m p ro m e te d o r. Q u a n d o
D eu s lh e a rra n c o u a co stela n o m eio d e u m p e sad o so n o e sta v a tiran-
d o fora to d a a s u a fem in ilid ad e, to rn a n d o -o c e m p o r c e n to m a c h o e
varão .
A gora, 0 h o m e m n ã o te m p o d e r so b re 0 se u p ró p rio co rp o , e sim a
sua m ulher. M asturbar-se é u m ato d e reb elião , é ser m u lh e r e h o m e m
ao m esm o te m p o , to m a n d o p a ra si u m p o d e r so b re 0 se u p ró p rio cor-
p o ,é d eclarar q u e n ã o se n e c essita d e n in g u é m (1 C o 7 :4 ,5 ). D eitar-se
c o m u m a p esso a do m e sm o se x o co m ob jetiv o s im p u ro s é d e c la ra r

150
q u e n ã o se c o n c o rd a c o m o q u e D e u s fez p a ra e v ita r a solidão d o ho-
m e m , é tra z e r a co stela p ara o se u lu g ar original.
N a feitu ra d o h o m e m h á m u ito s m istérios. A com posição do ho-
m e m foi d e (1) pó, (2) espírito e (3) alm a (1 C o 15:45). O corpo era 0
triunfo d e su a revelação, p o r isso D eus 0 ad ap to u para viver nesse m un-
do sob u m p o d e r im p a c ta n te de felicidade e sofrim ento.
P ara a o rig em de u m a n o v a alm a, depois d e A dão e Eva, e ra neces-
sário ju n ta r as p artes físicas p ara d e te rm in a r a v in d a do sopro de vida
sobre si (G n 2 :7 ). Isso q u e r d izer q u e tom ava-se necessário q u e oesper-
m ato zo id e e 0 óvulo se unissem , p ara co m p letar a parte física e dar sinal
para q u e a lei do espírito e vida soprasse 0 alen to de vida sobre essa união
do pó. A lei d e espírito e vida é po d ero sa e jam ais falhará. Q u a n d o essas
partes m ateriais (esperm atozoide e óvulo) se ju n tam , 0 espírito h u m an o
é soprado, e n tã o a alm a é form ada (G n 2:7; Zc 14:2). O alento de vida foi
u m so p ro v in d o d e D eus, feito d a n a tu re z a d o Espírito S anto (Zc 14:2).
Este espírito h u m a n o ain d a n ã o é aperfeiçoado (Hb 12:23) a té 0 novo
nascim en to ; 0 ap erfeiçoam ento d o espírito dá-se co m a obra do Espírito
S anto sob re o u n o h o m e m (Jo 3:6). O h o m e m é alm a q u e te m espírito e
corpo. N ão h á co m o m u d a r esta constituição, e m esm o depois do novo
n a scim en to 0 h o m e m c o n tin u a se n d o alm a, m as reg e n e rad a e eleita
m ed ia n te a fé e m C risto. U m a falsa d o u trin a in v ad iu 0 m u n d o dizendo
que 0 h o m e m é espírito q u e te m alm a, m as isto c o n trad iz a Palavra de
D eus, pois coloca 0 h o m e m n a condição dos anjos (Hb 1:14), pois estes
são espíritos, e o s h o m e n s, alm as (G n 2 :7 ; 1 C o 15:41 ) :G ê n e s i s 2 :7 :
“E fo rm o u 0 S en h o r Jeová, D eus, 0 h o m e m do pó da terra e insuflou em
suas n arin as 0 fôlego ( “espírito Jdâvida;eAdão ( “verm elho’7 to m o u -
A ldery N elso n R o c h a

-se alm a v ív e n te .”
M as a ú n ica im ag em d e D eu s é C risto. Essa im agem foi criada por
D eus p ara su a fu tu ra habitação. É 0 corpo literal d e C risto (Cl 1:15) que
esperava a en carn ação . D eus protegia essa im agem ; n e n h u m a im agem
q u e 0 h o m e m criasse seria parecid a a essa (Rm 1:23). N ão era im agem
de u m b e z e rro o u fruto d a m e n te h u m a n a , era 0 corpo d e C risto. O
h o m e m foi feito seg u n d o a essa im agem . A p arte espiritual invisível, de
seu ser n ã o rev elad o , e ra a sem e lh an ç a espiritual d e D eus; con fo rm e a
p arte espiritual divina: espírito, a sem elh an ça. D eus é n a tu re z a espiri-
tual; D eus, n esse tem p o , era dicótom o: 0 qual era form ado d e Espírito e

151
Alm a; faltava-lhe a en carn ação p e n d e n te e m su a m e n te d e aco rd o com
a im agem criada p ara isso (Cl 1:16). (3) A diferença e n tre as palavras
“façam o s” do e x iste n te (“a sh ”) e do “c ria r” do in ex iste n te (“b a ra h ”)
é m o strad a c la ram e n te , p o rq u e a palavra “façam os” in d ica a o b ra d e
D eu s a p artir d o barro (G n 2 :7 ), e a palavra “c rio u ” (v.27) in d ica 0 m o-
m e n to q u a n d o D eus estava p lan ejan d o a su a criação. (A) T em os aq u i a
m anifestação d e u m dos seis instintos do h o m em : O instinto de dom inio
(G n 1:26). Q u e im agem e se m e lh an ç a era esta? A im agem e ra 0 corpo
d e C risto e a sem e lh an ç a é 0 se u ser espiritual form ado co m a n a tu re z a
d e A lm a e te rn a e Espírito v ivificante. C om ele disse q u e fizessem ao
h o m e m se g u n d o a su a im agem e logo a seguir to m a d o b arro e form a
ao h o m em ? Ele 0 criou a n te s e m su a m e n te , e 0 p rim eiro A dão veio a
ser 0 S eg u n d o A dão, pois foi reserv ad o p ara ser e n c a rn a d o n o v e n tre
d e M aria, q u a n d o 0 ú ltim o passa a ser 0 p rim eiro e 0 p rim eiro 0 últim o.
Assim a n a tu re z a do h o m e m passou a ser co m p o sta d e h o m e m interior
e h o m e m ex terio r (Rm 7 :2 2 ). N o e x te rio r d e barro D eu s co lo co u os
teso u ro s d a m esm a n a tu re z a desse h o m e m interior, isto é, teso u ro s
espirituais. D eus fez p ara si, a n te s de tu d o , u m p ro tó tip o e m form a de
im agem , capaz de se desenvolver n o v e n tre de u m a m ulher, 0 qual ficou
g u ard ad o p ara a e n carn ação ; p o r isso ele foi 0 P rim ogênito d a criação
(Cl 1:15). Ele n ã o crio u p rim e iram e n te a q u ela im ag em original n a sua
m e n te e a seguir a construiu im ed iatam en te. Ele a criou e a g u ard o u (G n
1:26); p o r isso, n a h o ra d a form ação do h o m e m te rre n o , eles tin h a m
u m a m a q u e te sob cuja a rq u ite tu ra p o d iam form ar 0 h o m e m n a terra
(G n 2 :7 ). Assim , ele form ou 0 co rp o d o barro e a alm a a p artir d a u nião
n a tu re z a espiritual. Isto n ão q u e r d izer q u e D eu s te m u m corpo, pois
se lim itaria d e m a siad a m en te , m as p rep a ro u p ara si u m co rp o a fim de
se rev elar em m eio a su a obra criada (Hb 10:5). D eus n ã o se en v elh ece,
se en ru g a, se vicia, se fere, se desfigura, se debilita, se m u rc h a o u se
c o rro m p e, m as é invisível, im u táv e l e inefável. Q u a n d o os profetas
d escrev em a cabeça b ran c a d o S en h o r se m e lh a n te a n e v e , falam de
su a experiência; q u a n d o falam d e seus ouvidos, falam d e su a a te n ç ã o à
nossa súplica; q u a n d o falam d e suas m ãos, falam d e q u e to d as as coisas
foram feitas p o r ele; q u a n d o falam d e seus olhos, falam d a su a onipre-
sença; q u an d o falam d e su a boca, falam d a fluência e d a im u tab ilid ad e
da su a Palavra; q u a n d o falam dos seu s lábios, falam d a su a n o b re z a e do

152
e m p e n h o d e suas prom essas irrevogáveis; q u a n d o falam d a su a língua,
falam d a su a sabedoria; q u a n d o falam d e seu s pés, falam d a su a rapidez
e m n o s so co rrer e d o p o d e r e d o m ín io d e se u Reino; q u a n d o falam de
se u p e rfu m e, falam d a su a m ajestad e e d a su a o nipresença; q u an d o
falam d a m anifestação d e seu rosto, falam d e se u perdão; q u a n d o falam
do d e d o de D eu s, falam d a su a o b ra im u táv el e inco m parável; q u an d o
falam d e seu s braços esten d id o s, falam d o alcan ce d e su a salvação, da
ex te n sã o d e se u d o m ín io e d a o b ra ex p iató ria d e seu Filho. Este sim ,
assu m iu 0 co rp o h u m a n o e 0 e lev o u à posição d e v e stim e n ta de D eus,
dep o is d e su a e n c arn a çã o e ressu rreição (SI 8). A im agem de A dão se
e n a ltec e u co m a glória desse m u n d o , e n q u a n to a sem elh an ça co n tin u a
a su a p ro cu ra p o r seu Criador, pois a se m e lh an ç a a m a a v ida e te rn a , as
coisas celestiais, divinas; é sa n ta e m isericordiosa, e a im agem , até 0
no v o n a scim en to , a m a os vícios d a co n cu p iscên cia p ela v ida p eren e.
N ad a podia tirar d o coração este a m o r pela v ida te rre n a sem D eus, sem
C risto, p o r isso D eu s se rev estiu de u m a im ag em p ela e n c arn ação a fim
d e com unicar-se ao h o m e m e atraí-lo às coisas d a su a sem elh an ça
Gênesis 1 :26: E ntão, disse Deus: “Façam os (“d o existen te”) 0 ho m em
à n o ssa im ag em , se g u n d o a nossa sem elh an ça; e q u e d o m in e sobre os
peixes d o m ar, so b re as aves dos céu s, sobre os anim ais d om ésticos, e
sobre to d a a b e sta d a terra, e sobre to d o 0 réptil q u e se a rrasta sobre a
te rra ” .
O jard im d o É d e n foi u m a n e c e ssid a d e d e A dão. O jard im do
É d en foi criado p ara A dão e s u a m ulher. H avia m u itas o u tras árvores
n a g ra n d e flo resta, m as D e u s n ã o 0 c o lo c o u n a floresta; D eus pre-
p aro u u m lu g ar n o m eio d aq u ela selva, u m lugar p ara a su a fam ília
A ldery N elso n R o c h a

c h a m a d o É d en . Ali pôs as espécies d o m ésticas, so m e n te 0 q u e era


do m éstico ; m as 0 q u e era selvagem d ev eria ficar fora. N o É den, D eus
p lan to u to d a so rte d e árvores agradáveis à vista e boas p ara se com er.
A elite das árv o res d a terra estava rep re se n ta d a n o É den, d e n tro de
sua casa. Era u m lu g ar c o m u m , m as especial. Lá fora, n a g ran d e fio-
resta , e sta v a m as o u tra s árv o res. Q u e m vivesse n a floresta sabería
q u e n ã o e stav a n o É d en, u m tipo d e q u e m n ã o tin h a u m a fam ília.
E star n a floresta é u m tipo d e q u e m a in d a n ã o te m a su a fam ília. (2)
A localização d o É den, n a b an d a do o rien te, é d e te rm in a d o n o tex-
to. D epois q u e 0 h o m e m fosse ex pulso do É den, fu tu ra m e n te , D eus

153
o rd e n a ria q u e M o isé s c o n stru ísse u m T a b e rn á c u lo , e m c u jo v é u
p rin cip al d e v e ria c o lo c a r a figura d e q u e ru b in s , le m b ra n d o a su a
p rim eira casa (G n 3 :24): Gênesis 2:8: “E p lan to u 0 S en h o r D eu s u m
jardim , d a b a n d a do o rie n te, n o É den, e pôs ali 0 h o m e m q u e tin h a for-
m ad o . ” (Is51:3;Cn3:24;4:16)
A n ecessid ad e d a esposa d e A dão, e 0 tipo d a m o rte, se p u lta m e n to e
ressu rreição d e C risto e 0 tipo d o a p a re c im e n to d a esposa do C ordeiro:
Eva. O h o m e m solitário é u m a tragédia. A m u lh e r foi feita p ara e sta r ao
seu lado, d e sfru tan d o as suas conquistas, e ele d everia d esfru tar d e suas
v irtu d es (Pv 31 ). O C ân tico d e S alom ão é u m p o e m a a esse a m o r q u e
vive a n u d e z e m seu relacio n am en to . O h o m e m só é u m desastre. N ão
é b o m q u e esteja só, pois apenas faz bobagens; os anim ais rec e b e ra m de
A dão to d o tipo de n o m es, m as n ão h av ia q u e m 0 adm irasse. A co rreta
posição é vista com o auxiliadora, aju d ad o ra, m as d ev eria ser id ô n ea
p ara e x e c u ta r este papel. O h o m e m q u e vive p ro cu ra n d o a v e n tu ras
jam ais co n h e ce rá a idoneidade. M u lh e r id ô n ea n ã o se e n tre g a a u m ho-
m em sem garantias: Gênesis 2:18: Disse m ais 0 S en h o r Jeová, D eus:
“N ão é b o m q u e A dão esteja só; far-lhe‫־‬ei u m a aju d ad o ra s e m e lh a n te a
ele, q u e lh e seja id ô n e a ”. (ico 11:9/
A n tes da realização d a p ro m essa, D eu s q u e r p e rc e b e r a necessi-
d ad e. O n d e ela estava? Ele v iu q u e to d o s os anim ais tin h a m 0 se u par.
Veja a h ab ilid ad e m e n ta l desse h o m em : Possuía c o n h e c im e n to s bioló-
gico, b o tân ico e zoológico e x trao rd in ário s, e acim a d e tu d o , u m p o d e r
profético m aravilhoso: Assim co m o os c h a m o u , assim foi 0 se u n o m e:
Gênesis 2 :1 9 : D a terra form ou (“do existente ”), pois, 0 S en h o r Jeová,
D eus, tod o s os anim ais d o cam p o e todas as aves dos céu s, e os tro u x e a
A dão, p ara v e r co m o ele os cham aria; e co m o A dão d e n o m in o u à toda
criatura, assim foi 0 seu n o m e. (Gn 1:20,24;si8:7/
N e n h u m dos anim ais p o d ería servir ao h o m e m , 0 se u p a r estava
n ele. O h o m e m necessitav a se n tir a falta d a a ju d ad o ra. T em os aqui
to d a a tipologia d e C risto n a c ru z e a profecia d a form ação d a m ulher.
Jesus c u m p riu 0 se u m inistério, e a su a ú ltim a obra foi a edificação d a
sua Igreja n a cruz: Gênesis 2:20: E A dão d e u n o m es a todos os anim ais
dom ésticos, às aves dos céus e a todos os anim ais do cam po; m as, p ara si
m esm o , n ã o se ach av a aju d ad o ra id ô n ea se m e lh a n te a ele.
A grande oferta do am or m anifestado: O m atrim onio é 0 fruto de u m a

154
oferta sacrifical. G rande parte da sensibilidade foi tirada do ho m em ; agora
ele deve ap ren d er a ser cortês, carinhoso e cuidadoso; o h o m em profunda-
m en te adorm ecido é o tipo de Cristo m orto, sepultado e ressuscitado; m as
o seu d espertam ento acontece diante de sua esposa. A dão não a foi buscar!
M as d evem os lem brar q u e D eus fez 0 h o m em segundo à sua im agem e
à sua sem elhança, e isso significa q u e ele foi feito ex atam en te com o ele é:
em sem elhança, u m ser psicológico, com livre arbítrio; com sentim ento,
intelecto e v o ntade; foi feito tam b ém segundo a su a im agem : isto é, com
u m corpo capaz d e m anifestar-se no seu m u n d o . N a sem elhança, era um
ser igual a D eus. D eus viu q u e n ão era bom q u e 0 h o m em estivesse só e
disse: “far-lhe-ei u m a com panheira”. E ranecessário ab u sca,eran ecessá-
rio u m desejo, era necessário sentir falta, sentir solidão. Isso valorizaria a
chegada d e sua esposa. Ele precisava dormir, descansar e entregar a sua
oferta. U m a costela, isto é, parte dele, u m sacrificio de si m esm o. Q uem
entrega u m a oferta em form a d e “costela” (fruto de sacrifício) recebe um a
esposa. A lgu m asm u lheresencontraram “costelas” nosaçouguesdavida,
a q ualq u er preço, e n ão custou a seu am or n e n h u m sofrim ento, dor, corte
ou entrega. A dão teve que ofertar de si m esm o para ter 0 que era seu. O ver-
bo em hebraico para criar é “b arah ”, isto q u er dizer q u e a m u lh er não era
sem elhante ao h o m em , e q u e foi criada por D eus de u m a im agem inédita.
É m u ito im portante saber q u e 0 verbo hebraico para “criar” é “barah”; isto
é, criar d o inexistente; isto q u er dizer q u e a m u lh er era inédita: Gênesis
2:22: E da costela que 0 Senhor D eus lhe tom ara, form ou (“edificou 7 u m a
m u lh er e a tro u x e a Adão.
E n tã o d isse o h o m e m :“E staéagoraossodosm eusossos”.O h o m e m é
m ais calcário, a m u lh e r é m ais cálcio. M atrim ônio não é espírito do m esm o
A ldery N elso n R o c h a

espírito; m atrim ônio é carne d am esm a carne. “Elaserá cham ada” mulher.
A m ensagem d a vida biopsíquica e social do h o m em : m ulher. É fêm ea
para 0 h o m em e m ãe para os seres viventes. O h o m em sem a sua m ulher é
incom pleto, não tem todos os ossos, n e m toda a sua carne: Gênesis 2:23:
Então, disse Adão: “Esta é, agora, osso dos m eu s ossos e carne da m inha
carne; ela será ch am ad a m ulher, porquanto d o h o m em foi to m ad a”, (e/
5:30;ICo!1:8)
C om 0 m atrim ônio, acaba-se 0 dom ínio dos pais sobre os filhos. O
grande m ilagre d o am or: tom ar-se u m a só carne. H á dois lugares onde a
c a m e agrada a Deus: n o fogo e n o m atrim ônio: Gênesis 2:24: Por isso,

155
d e ix a rá o h o m e m o se u p a ie a su a m ã e ,u n ir-se -á à su a m u lh e r,e se rã o u m a
SÓcam e. (Mt19:5;Mc10:7,8;Ef5:31;ICo6:16)
A n u d e z n o casam ento: O m atrim ônio n ão é u m convívio de ouvido,
m as de contem plação, de conhecim ento, de com panheirism o. A visão cor-
reta d o m a trim ô n io é n ão ter n a d a ae sc o n d er,n a d a d eq u e se envergonhar,
grande com panheirism o, longánim a com preensão e fé, am or e esperança
contínuos. A beleza do m atrim ônio é desnudar-se em todos os sentidos;
istofaladodesarm e, d a vulnerabilidade, d a a u sê n c ia d e su sto s (1 P e3 :6 ),
pois p ela n u d e z m ostra-se a n u d e z do casal, revela-se 0 jardim d o É den
do m atrim ô n io , b e m c o m o se d e m o n stra a p rese n ç a d e u m a g ran d e
te ste m u n h a nesse relacionam ento: D eu s (C t 5:1). Isso fala de u m a vida
d e in tim id ad e e n tre 0 h o m e m , a m u lh e r e D eus. C a n ta re s m o stra esse
rela cio n a m e n to trin o - a p rese n ç a d e D eus ( 0 c e n tro d e ad oração) e 0
jardim ( 0 local d e to d o aquele cu lto e m a m o r e à vida), q u a n d o o relacio-
n a m e n to a dois term in a n o altar d e D eus, assim com o n o É den, eles não
iam ao tem p lo p ara levar 0 se u culto. M as D eus v in h a a té eles testem u -
n h a r a su a c o m u n h ã o e fazer p a rte dela. A viração d o d ia é 0 m o m e n to
m ais sublim e d e avaliação e e m to d o final do dia D eus v in h a para prestar
co n tas co m A dão e a su a m u lh e r Eva: Gênesis 2:25: E os dois estavam
n u s, A dão e su a m ulher, e n ã o se e n v erg o n h av am . (Cn3:7,10, 11!

156
A mulher
Etíope de
Moisés
A ldery N elso n R o c h a

157
158
E stáv am o s e u e m in h a esposa assistin d o 0 film e “O P ríncipe do
E g ito ” , film e q u e n a v e rd a d e é u m a rép lica d e “O s D ez M an d am e n -
to s ” e m d e s e n h o a n im a d o ; a n im a d íssim o e m u ito b e m feito, m as
c o m u m g rav e erro : A m u lh e r d e M oisés. P o ré m , ela, co m aq u ele
te m p e ra m e n to terrív e l d e m u lh e r in d o m á v e l e ra m ais o u m e n o s 0
te m p e ra m e n to d a m u lh e r d e M oisés, c o n h e c id a co m o Z ípora, tatara-
n e ta d e Q u e tu ra , a se g u n d a esp o sa d e A braão, d as terras d e M idiã, do
o u tro lad o d o M a r V erm elho.
N a v e rd a d e , 0 p ro b le m a é q u e ela jam ais e ste v e n o Egito c o m o a
esp o sa d e M o isés, d e a c o rd o c o m a Bíblia.
O b s e rv a n d o 0 livro d e Ê x odo, c a p ítu lo 4 , lem o s u m p o u c o da
h istó ria d e s te casal q u e n a d a te v e e m c o m u m .
A p a rtir d o c a p ítu lo 4 d e Ê x odo, te m o s a h istó ria do c h a m a d o de
M o isés (Êx 4 : 17 3 0 ‫)־‬: Êxodo 4:17: T om a, pois, em tu a m ão esta vara,
p o rq u e co m elafarás os sinais”. (êx7:9-20)
Sabem os q u e d esd e a e n trad a de M oisés n a vida d e Jetro, ele sem pre
teve ética e sabia a q u e m p restar contas. Ao voltar para 0 Egito com u m a
m issão, ele n ã o p o d eria sair d e M idiã sem a b ên ção , afinal foi ali q u e ele
a p re n d e u q u ase to d as as coisas relacionadas ao culto, pois Jetro era u m
g ran d e sa ce rd o te u n iversal d e D eus e foi 0 g ran d e m estre d e M oisés:
Exodo 4:18: E ntão, M oisés saiu e v o lto u à casa d e Jetro , se u sogro, e
lh e a n u n c io u : “ Irei e v oltarei p ara o n d e estão os m e u s irm ãos n o Egito,
e v e re i se ain d a v iv em ”. E re sp o n d e u -lh e je tro ( “abundância”): “Vai-te
em p a z ” .
D eu s sab e quais são os m otivos d e nossos tem o res. O s acontecí-
m e n te s d o p assado 0 faziam p esaroso, e D eus o bservava isto. M oisés
A ldery N elso n R o c h a

precisava d esta notícia. D eus foi m atan d o u m p o r u m de seus inim igos e


era ch eg ad a a h o ra d e seu regresso: Êxodo 4:19: E disse 0 S enhor Jeová
a M oisés, e m M idiã: “Vai, re to rn a ao Egito, p o rq u e estão m o rto s todos
aq u eles q u e b u scav am a tu a v id a ”. (Êx2:15,23/
S ua fam ília, u m a m issão e 0 cajado d e D eus n as m ãos era tu d o 0
q u e ele precisava. M as algo a c o n te c e u d e errado: Êxodo 4:20: Então,
to m o u M oisés a su a m u lh e r e os seus filhos e os m o n to u n u m ju m en to ,
e v o lto u c o m eles ao Egito; e levou e m su a m ão a vara d e D eus. (èx 17:9;
Nm20:8,9)
A re v e la ç ã o d o p ro p ó sito d e D e u s p a ra ele a n u n c ia r a Faraó

159
esta: “d e ix a r ir o p rim o g ê n ito d e D e u s ” d a se rv id ã o . A lib e raç ã o
d o p rim o g ê n ito d e D e u s liv raria 0 E gito d as p rag as. O s p rodígios
e sta v a m c o n c e n tra d o s n a q u e le c a ja d o e M o isé s e sta v a o b rig ad o
p or D eu s a e x e c u ta r os sinais in stru íd o s p o r Ele. Ele n ã o estav a en-
g an ad o , D eu s lh e d e u d e ta lh e s im p o rta n te s, tais co m o este: Faraó
n ão te o u v irá, m as estás p rep a ra d o p ara 0 p lano B: Êxodo 4:21: E
0 S en h o r Jeo vá lh e disse: “Q u a n d o ch eg ares ao Egito, estejas aten-
to e m fazer d ia n te d e F araó os p rodígios q u e e stã o e m tu a s m ãos.
M as e u e n d u re c e re i 0 se u c o ra ç ã o , p a ra q u e n ã o d e ix e ir 0 povo.
(Êx7:3,13; 9:12,35; 10:1; 14:8;Dt2:30;]012:40;Rm 9:18)
D eu s o rie n to u a M oisés q u e ele co m eçasse c o m u n ic a n d o ap en as 0
q u e ele iria fazer n o ú ltim o sinal; Faraó am av a m u ito 0 se u filho prim o-
gênito. M as D eus lhe daria gran d es sinais d e m isericórdia: N ove sinais
an terio res p ara q u e se a rrep en d esse. Em n e n h u m deles Faraó creria.
N ove sinais a n terio res a fim d e p o u p a r 0 se u filho p rim o g ên ito , e D eus
sabia 0 q u e isto significava p ara u m pai (Jo 3 :1 6 ). O m istério foi revelado
desd e 0 G ênesis: A quele q u e lu to u p ara n a sce r prim eiro, c o n q u isto u 0
direito d e p rim o g en itu ra d ian te d e D eus. O m al te s te m u n h o d e Esaú
tirou-lhe tal direito, 0 qual foi e n tre g u e d efin itiv am en te a Israel. A quilo
q u e a su a m ãe R ebeca já sabia, e era d e sco n h ecid o p ara Isaque, m as era
n o tó rio e n tre os anjos - Israel era 0 p rim o g ên ito , e so m e n te n a g ran d e
lu ta co m 0 A njo, ele ficou sab en d o q u e tin h a p revalecido n a q u e la luta
o n d e so m e n te D eus e os anjos foram te ste m u n h a s. Se F araó to co u n o
seu prim o g ên ito, D eus tam b é m tocaria n o p rim ogênito de F a r a ó - m a s
depois d e d e m o n stra r n o v e o p o rtu n id a d es d e m isericórdia: Êxodo
4:22,23: M as tu dirás a Faraó: Assim diz 0 S en h o r Jeová: Israel é m e u
filho, m e u prim ogênito. Eu te m an d o q u e deixes 0 m e u filho partir, p ara
q u e m e sirva; m as, se recu sares deixá-lo ir, e u m ata re i 0 te u filho, 0 te u
primogênito”.(Êxll:5;5:l;6:U; 7:16; 12:29)
A m en sag em deve ser, antes, vivida pelo seu com unicador. A m ágoa
de Zípora co n tra 0 seu m arido agora v em à to n a q u an d o M oisés a n u n cia
a circuncisão dos m en in o s e ela 0 c h a m a de san guinário e 0 faz lem b rar
das m o rtes o corridas n o Egito e m g ran d e discussão m atrim o n ial ao
estilo m idianita. E ntão, a c o n te c e m 0 regresso d e Zípora p ara 0 se u pai
e a partida d e M oisés e A rão p ara 0 Egito. P or esta razão posso d izer q u e
n e n h u m m in istério será p ró sp ero se a esposa do m in istro n ã o estiver

160
afin ada à visão d e D eu s e à o b ed ien cia a se u m arid o . O casam en to de
M oisés co m Z ípora foi fru to d e u m a a titu d e p recipitada, u m jugo desi-
gual. Z ípora jam ais teria a m o r pela m issão confiada a se u esposo, não
era h e b re ia e n e m se im p o rtav a co m os h e b re u s n o Egito. A m issão de
M oisés era u m a m issã o d e D eus. Ela achava tu d o aquilo estranho, sendo
d e M idiã. P arece m u ito estra n h o q u e , n o d e c o rre r d a leitu ra bíblica, de
re p e n te 0 S en h o r q u eira m a ta r a M oisés: Êxodo 4:24: E, n o cam inho,
n u m a estalagem o n d e passava a n o ite, 0 S e n h o r Jeová 0 e n c o n tro u e
quis matá-10. (Nm22:22;Cn 17:14)
V ejam os aqui várias coisas: A d eso b ed iên cia d e Z ípora q u e quase
cau so u 0 ab o rto de su a m issão. Tal desobediência quase causou a m orte
d e M oisés. V em os ta m b é m a p recipitação d e Zípora n a celebração da
d o u trin a d a circun cisão p o r su a c o n ta e a falta d e respeito ao lançar 0
p rep ú cio d o m e n in o aos pés d o m arid o sem c o n ta r a o pinião secreta
q u e tin h a d e se u esposo. Assim , Zípora 0 a b a n d o n o u n o cam in h o e não
seg u iu co m ele p ara 0 Egito, co m o havia p roposto (v. 2 4 ), e vo lto u para
a casa d e seus pais (Êx 18:1-12).
C o m o p o d em o s e n te n d e r isto se n o c o n te x to D eus estava cham an-
do a M oisés p ara u m a m issão, te n d o feito-lhe prom essas e, de rep e n te,
0 q u e ria m atá-lo?
Q u al seria a razão p ara tam a n h o desastre? A razão está clara: M oisés
tin h a falado d a circu ncisão d e seus filhos com a su a m ulher. Este é 0 pri-
m eiro g ran d e pro blem a do jugo desigual: A desig ualdade n a obediência
a D eus. Zípora jam ais e n te n d e ría a circuncisão se n d o d e o u tra paren-
tela. S o m e n te q u a n d o ela v iu q u e D eus iria m atá-lo, rap id a m e n te foi e
c irc u n cid o u 0 se u filho. A im pressão q u e ela m e sm a disse q u e tin h a de
A ldery N elso n R o c h a

seu m arid o era esta: “ H o m em sanguinário. ” D eu s quis m atá-lo p o rq u e


ele d e ix o u a decisão n a s m ãos d e su a m ulher. Ela n ã o qu eria a circunci-
são. Q u a n d o ela viu q u e M oisés m o rrería, p o r n ã o o b e d e ce r a D eus, ela
m esm a c ircu n cid o u 0 seu filho (que foi o u tro e rro ). Seu m arido deveria
celebrar a circuncisão. Por o u tro lado, a falta d e respeito à visão de D eus
q u e ele tev e é v isto claram en te: “T om ou u m a faca d e p ed ra, circunci-
d o u 0 p rep ú c io d e se u filho e, lançando-o aos p és d e M oisés, d isse.. . ”.
Sua a titu d e é terriv elm en te grosseira e sem n e n h u m respeito: “ Lançou-
-0 aos pés d e M o isés” . A opinião q u e ela tin h a d e M oisés era esta: “És
p ara m im u m esposo san g u in ário ”: Êxodo 4:25: E ntão, Zípora, com

161
u m a faca d e p e d e rn e ira , c irc u n cid o u 0 se u filho G érson e a rrem esso u
0 p rep ú cio aos pés d e M oisés, d izen d o : “Em v e rd a d e , tu és u m esposo
san g u in ário p ara m im ”. us5:2,3)
Q u a re n ta an o s atrás, n a q u e la tard e en so larad a, à b eira d aq u ele
poço, q u a n d o M oisés ch e g o u à casa d e Jetro , pai d e Z ípora, tin h a apa-
rên cia d e u m egípcio. Lá D eus foi tra ta n d o co m ele, pois a fam ília de
Jetro e ra u m a fam ília sacerdotal. M as isto n ã o g arantia a sa n tid ad e d a
filha. Ele n ão podia queixar-se p o r falta d e o p o rtu n id ad e, pois Jetro tin h a
sete filhas. Ele p o d eria te r escolhido u m a m u lh e r m elh o r d e n tre as sete
m u lh eres. A falta d e com panheirism o n o m inistério é u m g ran d e perigo
à vista n o m atrim ô n io . Q u a n d o u m a m u lh e r decide ausentar-se d a vida
d e seu m arid o p o r razõ es tais c o m o (1) c u id a d o d a casa, (2) criação dos
filhos, (3) m etas pessoais, (4) cu id ad o dos pais, etc., e stá d a n d o b rec h a
p ara d e sestru tu raç ã o do se u m atrim ô n io .
Zípora d ecid iu ausentar-se d a v ida d e M oisés e d e s e u m inistério.
Ela n u n c a se in teressou nele. M oisés era im p o rtan te e n q u a n to estivesse
n a casa d e seus pais, no seu país, n a su a c u ltu ra , à p a rte disso e ra u m
h o m em san g u in ário.
O coração d e M oisés estava ferido, e m H orebe, q u an d o A rão veio ao
seu en co n tro . Q u alq u er o u tro h o m e m , ig n o ran d o 0 seu c h a m a d o , fugi-
ria p ara os braços d e o u tra m ulher, justificando to d as as circu n stân cias
adversas (e n a m aioria das vezes d e form a injusta). M oisés, p o rém fugiu
p ara 0 m o n te d e D eus, e n q u a n to D eus inspirava a A rão p ara q u e viesse
ao e n c o n tro d e seu irm ão. M oisés estava sofrendo e m H o reb e, rep en -
sando to d a a sua vida. Q u e tipo de situação estava en fren tan d o 0 g rande
libertador! N ão era fácil te r e m seus om b ro s a responsabilidade de con-
d u zir 0 povo d e D eus, q u a n d o su a própria m e n te 0 acu sav a q u e ele n ã o
pôde adm inistrar b em a sua casa. N a m aioria das vezes utilizam os textos
bíblicos so m e n te para justificar a titu d es d e o u tro s, m as n u n c a as nossas
próprias. O g ran d e lib ertad o r estava sem fam ília, sem filhos, e so zin h o
ch o rav a n o H orebe (Êx 4 :2 7 ). B uscar aju d a fam iliar n e ste s m o m e n to s
é a m elh o r saída. O s verd ad eiro s irm ãos de fato n u n c a n o s ab an d o n am .
D eus agora estava levando 0 se u irm ã o A rão para consolá-lo, abraçá-lo e
ajudá-lo. M oisés n ã o se q u e ix o u d e su a m u lh e r para se u irm ão, m as lh e
relato u 0 seu c h a m a d o , d e c o m o D eus 0 havia com issionado. M as ele
d ev eria te r lhe con fidenciado algum a coisa, deveria te r p ed id o ajuda. A

162
m aioria dos líderes eclesiásticos to m am atitudes isoladas e precipitadas,
q u a n d o n u n c a fizeram saber à su a c o b e rtu ra m inisterial os problem as
m au s resolvidos d e suas vidas. O m o n te de D eus, n estes m o m en to s,
e a a ju d a d e nossos am igos m inistros à altu ra d e A rão serão d e grande
ajuda. M as M oisés n ã o lhe c o m e n to u nad a. A diante, q u an d o ele tom ar
u m a decisão m ais forte, A rão n ã o lh e c o m p re e n d e rá (N m 12:1-16), e
m u rm u ra rá c o n tra M oisés.
M o isés se fec h o u e n u n c a p ro c u ro u a ju d a sacerd o tal. D eus lhe
havia en v iad o ajuda, m as 0 seu org u lh o profético 0 im p e d iu d e ser aju-
d ad o . Q u a n to m ais sábio é 0 m inistro, m as orgulhoso te n d e a ser nestas
h o ras, m as é tão frágil q u a n to u m p o te d e b arro vazio. B usque ajuda
n a su a c o b e rtu ra , b u sq u e 0 m o n te d e D eu s an te s de to m a r q u alq u er
decisão n a su a v id a m atrim onial. O s apóstolos d e su a vida n ã o poderão
sim p lesm en te u sar a su a a u to rid ad e , se n ã o o rarem a este respeito, se
n ão c o n h e c e re m 0 seu p ro b lem a a fundo. S o m en te depois q u e M oisés
tin h a estad o n o Egito, d epois q u e havia passado as d e z provações q u e
so b rev ieram so b re aq u ela n ação , q u a n d o 0 povo já estava em frente
d e M id iã, n a v olta, q u a n d o os ru m o re s de q u e D eus havia tirado seu
povo d o Egito, Je tro v e m ao e n c o n tro d e M oisés, tra z e n d o co m ele sua
m u lh e r e seu s filhos d e volta, pois a Bíblia c la ram e n te nos diz q u e ele a
en v io u a se u pai (Êx 12:1 -7): Ê x o d o 4 :2 6 : E 0 S en h o r Jeová 0 deixou.
E ela disse: “Esposo san g u in ário ” , p o r causa d a circuncisão.
Arão, o consolo e a companhia de M oisés.
A ad o ração d o povo d e D eu s p o r causa d e seu s enviados e a trans-
m issão d a visão a A rão e ao povo, a n te s d a realização d a m issão. D eus
en v io u A rão p ara aju d ar a M oisés em p len o d eserto . M oisés estava
A ldery N elson R o c h a

deso lad o e triste n o m o n te H orebe q u a n d o A rão, s e u irm ão, chegou.


C o m o 0 e n c o n tro u ? P ara o n d e foi su a esposa? Para a casa d e seu pai (Êx
18:5). Ele seg u iu p a ra o se u povo, m as Zípora v o lto u p ara a casa d e seus
pais. Ela jam ais p ô d e d izer c o m o R ute “0 D eus será 0 m e u D eus e o te u
pov o se rá 0 m e u p o v o ”: Êxodo 4:27: E ntão, 0 S en h o r Jeová disse a
Arão: “Vai ao e n c o n tro d e M oisés n o d e serto ”. E ele foi, encontrou-o no
m o n te d e D eu s e 0 beijou. (éx 4:14;3:1)
Z íp o ra d e c id iu au sen tar-se d a v id a d e M o isés e d o se u m in istério ;
e la n u n c a lu to u p elo m in isté rio d e le , e n u n c a se in te re sso u p o r tão

163
g ran d e o b ra. M o isés e ra im p o rta n te e n q u a n to estiv esse n a c asa de
seu s pais, e m s e u país, sob a su a c u ltu ra , fora d isso e ra “u m h o m e m
s a n g u in á rio ” .
A opinião q u e ela tin h a d e M oisés estava form ada h á m u ito tem p o .
N ão e ra sim p le sm e n te p elo fato d e te r c irc u n c id a d o 0 se u filho, pois
estav a la n ç a n d o e m ro sto a s u a v id a p assad a. N a tu ra lm e n te e le lhe
seg re d a ra algo so b re 0 se u p assad o , q u a n d o tin h a m o rto 0 egípcio,
raz ã o p ela q u al e sta v a ali e m M id iã, c o m o fugitivo. E sta a titu d e é
n a tu ra l p a rtin d o d e u m h o m e m m alig n o , m as v in d o d e u m a m u lh e r
é a in d a m ais cru el.
C o n v iv er com Zípora n o m inistério re q u e r ab n eg ação , h u m ild ad e
e co n sciê n cia d e u m c h a m a d o in d e stru tív e l.
U m g ra n d e am igo u m dia e m se u g a b in e te m e disse: “Se v o cê
h o u v esse b u sc ad o aju d a a n te s d e to m a r e sta decisão, n ó s p o d eriam o s
c o m p ra r a su a briga, m as ag o ra é m u ito ta rd e . N ão p o d e m o s fazer
n a d a p o r v o cê. ” T in h a to m a d o d ecisões p recip itad as n o m e u m inisté-
rio, e d ep o is p ro cu re i ajuda. N ão fui ao m o n te de D eu s, p o r isso estava
se n d o m al c o m p re e n d id o . O m o n te d e D eu s n e ste s m o m e n to s e a
ajuda d e nossos am igos m inistros à a ltu ra d e A rão, n o m o m e n to certo,
são d e g ra n d e valia.
A visita sacerdotal, segundo
a ordem de M elquisedeque
A m u lh er de M oisés é ap resentada, por seu pai, a M oisés, depois que
esta rec u so u aco m p an h á-lo ao Egito, p o r cau sa d a circuncisão d o seu
filho. A qui v em o s co m o a n o tícia do Ê xodo h av ia ch eg ad o e m M idiã.
N o v erso dois, tem o s c o n h e c im e n to de q u e m an e ira Z ípora tin h a re-
gressado aos seus pais, d esd e a q u ela d esp ed id a registrada e m Ê xodo 4.
Pois a fam ília in teira estava d e viagem p ara 0 Egito, q u a n d o 0 in cid e n te
a co n teceu e eles discutiram , e ela vo lto u para M idiã. Jetro, sab iam en te,
veio ao e n c o n tro d e M oisés, e n o v erso ó , recorda: “Sou te u sogro Jetro,
v e n h o a ti, co m tu a m u lh e r e seu s dois filhos c o m e la ” :Êxodo 18:1: E
ouviu Jetro ( “sua abundância sacerdote d e M idiã (“conflito ”Je sogro
d e M oisés, to d as as coisas q u e D eus tin h a feito a M oisés e a Israel, seu
povo; co m o 0 S en h o r Jeová tin h a resg atad o a Israel do Egito. (êx2:16;3:1¡
T em os c o n h e c im e n to d e q u e m a n e ira ela v o lto u a e s ta r co m

164
seu s pais, d e sd e aq u ela d esp ed id a triste registrada Ê xodo 4: Êxodo
18:2,3,4: E to m o u Jetro, sogro de M oisés, a Zípora (“pássaro m ulher
d e M oisés, d epois q u e este lh a enviara, (êx4:25) e a seus dois filhos, dos
quais u m se c h am av a G érso n ( “banim ento ”), p o rq u e disse: “Forastei-
ro fui e m te rra e s tra n h a ”; (êx2:22;At7:29! e 0 n o m e do o u tro e ra E liézer
( “D eus é m eu auxílio ”), p o rq u e disse: “O D eus d e m e u pai m e aju d o u e
m e salvou d a esp ad a d e F araó ”.
Q u a n d o se e n c o n tra m , a frieza d o m in av a aq u ele relacio n am en to
(v.7). T odos os h o m e n s q u e estav am n o a c a m p a m e n to se d e ra m co n ta
d a situ ação. H avia u m ch eiro d e polêm ica n o ar e n tre a fam ília. O cora-
ção e n tristecid o d e Je tro estava a p o n to d e explodir to rc e n d o por u m a
reconciliação: Êxodo 18:5,6: E veio Jetro, 0 sogro de M oisés, com
os seus dois filhos e a su a m ulher, a M oisés n o d eserto , o n d e ele estava
acam p ad o , ju n to ao m o n te d e D e u s , ‫ן‬êx3:i,12·>e disse a M oisés: “Eu, te u
sogro Jetro , v e n h o a ti co m a tu a m u lh e r e seu s filhos com ela".
M ais d e u m m ilhão e seiscentas m il pessoas estav am ali, pois ti-
n h a m ‫־‬se p assado d o ze gerações (4 3 0 anos) q u e h ab ita ra m n o Egito.
Todos tin h a m m arc ad o as portas d e suas ten d a s para n ã o v e r a m o rte
e n tra r; to d o s ali tin h a m o b ed ecid o às o rd en s d e saída d e form a incon-
dicional; to d o s ali se se n tia m felizes p o rq u e tin h a m passado 0 M ar
V erm elho, p o r causa d a liderança e obediência d e u m h o m e m q u e tinha
sofrido pela lib erd ad e d o se u povo e pelo c u m p rim e n to d a su a m issão,
em aten ção ao ch am ad o exclusivo do seu D eus, 0 grande Eu Sou. D e re-
p en te, n o m e io do cam inho, c h e g a u m a m u lh e r in créd u lan aq u ilo tudo,
d eso b ed ien te às o rd en s d e D eus, q u e jam ais tin h a passado pelo batism o
do m a r V erm elho, q u e re n d o e n tra r n a T erra d a Prom essa. D en tro da
A ldery N elso n R o c h a

m issão d e u m ch am ad o os dois têm u m com prom isso de viverem juntos


as decisivas situ ações q u e a vida e m c o m u m lhes reserva. Zípora jam ais
en tra ria n o gozo d a p ro m essa sem te r passado 0 M a r V erm elho, sem
te r m arc ad o a p o rta d e su a casa p ara salvar 0 se u p rim o g ên ito (usando
sangue d e n o v o - m a is u m a ra z ã o p a ra cham ar-lhe sanguinário). O Anjo
d a m o rte a n d av a p o r ali. E m b o ra jetro tivesse habilidade d e u m grande
m estre e c o n selh eiro , n ã o p ô d e fazer m u ito n a q u e la situação. Infeliz-
m e n te , Z ípora reg resso u co m 0 seu Pai p ara M idiã. N ão quis ficar ali no
d eserto com eles. A visão ainda era para m uitos dias, sem co n tar os trinta
e o ito a n o s d e C ades B am eia. Ela n ã o su p o rtaria a luta. A m u lh e r que

1Ó5
n ão passar, lado a lado, co m 0 seu m arid o 0 M a r V erm elho, 0 se u Ê xodo
m inisterial, jam ais terá condições d e atravessar u m d eserto de q u aren ta
anos, a té c h eg arem ju n to s n a terra d a p rom essa. A ntes de Je tro regres-
sar de v o lta, M oisés in te rc e d e u q u e ele fosse 0 seu guia. M as isto n ão
p a receu b em ao Senhor, pois a n u v e m os guiava até e n tã o (N m 10:36).
Esta era u m a form a política d e agradá-lo. Jetro sabia q u e n ã o e ra assim .
Zípora q u eria voltar, m as Jetro b uscava u m a form a d e m antê-la p o r ali.
A v in d a d e se u sogro n aq u eles m o m e n to s foi d e g ran d e b ên ção .
Pelo se u c o n selh o , até u m g ran d e e x é rc ito foi form ado (N m 10). Por
isso hav ia m u ita afinidade e n tre M oisés e se u sogro. M as Je tro am av a a
su a p are n tela (N m 10:30) e Zípora tam b é m .
Jugo desigual n ã o é so m e n te inco m p atib ilid ad e n a á re a espiritual.
Isto aco n tece n o capítulo d ez d e N ú m ero s. Já n o capítulo o n d e , M oisés
to m a u m a esposa etíope, “c u sita ” (N m 12:1). Por cau sa d e sta m u lh e r
etíope, Arão e M iriã se reb elaram c o n tra M oisés e, p o r esta causa, have-
rá u m a reu n iã o d ian te d e D eus.
A solidão d e M oisés, 0 bispo das tribos, 0 líder d e A rão, resu ltad o da
falta dos filhos, da esposa q u e, com 0 seu caráter agressivo e desobedien-
te, vo lta com 0 seu pai. N ão era a prim eira v ez (Êx 18:1,2). D epois disso
h av erá u m s e n tim e n to d e ódio c o n tra Israel p o r cau sa disso. V em os es-
tam p ad o so b re Israel este se n tim e n to em N ú m e ro s 2 5 . E specialm ente
nos versos 6-1 8 . A sep aração d e Jetro q u e v o lta p ara M idiã a c o n te c e no
capítulo 10, e n o capítulo 2 5 D eus m a n d a ferir os m idianitas.
C o m o v o cê crê q u e estava 0 coração d e M oisés, pai d e dois m idia-
nitas? (N m 2 5 :1 6 ). T udo isso a c o n te c e u p o rq u e M oisés n ã o tev e auto-
rid ad e para re p re e n d e r a u m jovem q u e to m o u u m a m u lh e r m idianita.
Q u e poderia dizer? Ele tin h a se casado com um a! (N m 2 5 :6 ). H áp reço s
q u e u m a pessoa paga n o m inistério por n ã o te r u m Fineias, u m m inistro
q u e veja co n fo rm e 0 coração d e D eus, e d e stru a 0 m al q u e e n tra no
m eio do pov o e salve 0 seu líder (N m 2 5 :7 ,8 ). Ao ler 0 cap ítu lo d o z e de
N ú m ero s, verso 1 ,v e m o sq u e M iriã e A rã o ,m e m b ro sd e su a fa m ília ,d e -
veriam to m a r u m a p o stu ra ética q u a n to à decisão do seu irm ão M oisés,
depois d e c o n sid erar a h o n e stid a d e de seu m inistério e de se u ex em p lo
d e fidelidade a té aq u ele m o m e n to . O s frutos d e se u m in istério tin h a m
sido aprovados p o r D eus. N a consideração m inisterial d e A rão, M oisés,
p elo fato d e te r to m a d o u m a m u lh e r c o m o esposa, e m lugar d e Zípora,

166
está caído. M oisés estava caído n a concepção deles. A gora eles estavam
p rep a ra n d o c a m in h o p a ra assu m irem a posição de lid eran ça do povo,
e m c o n seq u ê n c ia d a re c e n te “q u e d a ” d e M oisés. O b serv em q u e eles
n ão e ra m e stra n h o s, e ra m seu s irm ãos d e san g u e. T in h am visto tu d o 0
q u e D eu s h av ia feito através d e seu irm ão, M oisés. Veja qu e os inim igos
d o h o m e m são os d a su a p ró p ria casa. A p rim eira a titu d e q u e to m a m as
pessoas, q u a n d o se e n c o n tram e m situações sem elh an tes, é questionar
a u n ç ã o do “M o isés”, e com parar as suas habilidades espirituais, a fim de
justificar u m golpe d e estado m inisterial (N m 12:1 3 ‫)־‬. “D eus tem falado
so m e n te p o r M oisés? O Senhor, p o rv e n tu ra , n ã o fala atrav és d e nós? ”.
M as D eu s o u v iu e v iu a m u rm u ra ç ã o deles. V iu a su tileza dos seus co-
raçõ es e v eio p ara julgá-los: Êxodo 18:7: M oisés saiu ao e n c o n tro de
seu sogro, inclinou-se d ian te dele e 0 beijou. Logo após u m p erg u n tar ao
o u tro p ela su a p az, e n tra ra m n a ten d a . (Gn43:20,28;Êx4:27)
A n tes d e Je tro H o bab (N m 10.29) regressar d e volta, M oisés inter-
c e d e u q u e e le fosse 0 se u guia. M as isto n ã o p a re c e u b e m ao Senhor,
pois a n u v e m os guiava a té e n tã o (N m 1 0 :3 4 ). E sta e ra u m a form a
p o lítica d e a g ra d a r ao v e lh o . M o isés sabia q u e n ã o e ra assim . Zípora
q u e ria voltar, e ra u m a fo rm a d e m an tê -la p o r ali.
É claro q u e h á c a sa m e n to s desfeitos p o r safad ezas e infidelidade
p ro p o sitais, m as e sta n ã o é a raz ã o d o m e u livro, n e m q u e ro tra ta r
d e sd e a s su n to . E sto u falan d o d e o u tra s s itu a ç õ es, de pessoas verda-
d e ira m e n te sin ceras e q u e v iv em circu n stân cias q u e os aprisionam de
tal fo rm a q u e n ã o p o d e m e n c o n tra r u m a explicação h o n e sta , bíblica-
m e n te clara, e p e rd e m a raz ã o d e v iv er o u de m inistrar.
M in h a razão é n o b re e 0 assu n to é sério, e é p ara este tipo de pesso-
A ldery N elso n R o c h a

as q u e e s to u e s c re v e n d o . Jesu s d irá n a q u e le s dias “estiv e p reso e n ão


m e v isitastes, tiv e fo m e e n ã o m e d e ste s d e c o m e r”. Q u a n d o a q u ele
q u e lib e rta e s tá p reso? Q u a n d o 0 p ão d a v id a te m fom e? Jesus está
p reso q u a n d o v iv e n a v id a d e pessoas q u e so frem a p e n a d e M oisés,
te m fo m e q u a n d o v ive n a v id a d e q u e m n ã o te m resp o sta ao clam ar
p o r justiça. E s te je s u s p re s o d e v e s e r visitado. E ste Jesus fam into deve
se r saciad o . N ão h á p io r prisão do q u e a p risão s e n tim e n ta l. Q u e m os
lib ertará?
Se 0 Filho v o s lib e rta r v e rd a d e ira m e n te sereis livres.
A p rim e ira a titu d e q u e as pessoas to m a m q u a n d o se e n c o n tra m

167
e m situ a ç õ es se m e lh a n te s é q u e stio n a r a u n ç ã o “d o M o isé s”, e com -
p a ra r a h ab ilid a d e esp iritu al a fim d e ju stificar u m golpe d e e sta d o
m in isterial (N m 1 2 : 1 3 ‫)־‬. “D e u s te m falado s o m e n te p o r M oisés? O
S en h o r Jeo v á p o rv e n tu ra n ã o fala a tra v és d e n ó s ? ”
M as D e u s o u v iu e v iu a m u rm u ra ç ã o d e le s a lé m d e v e r a su tile z a
d e seu s co raçõ es carn ais; assim v eio p a ra julgá-los à p o rta d a te n d a da
co n g reg ação .
Ser h ip o c rita m e n te tra ta d o é u m d o s p re ç o s q u e u m a p e sso a e m
d e m a n d a s e n tim e n ta l n ã o e sp era pagar. M o isés e stav a se n d o ju lg ad o
pelo seu m in istério : D eu s n ã o falava m ais n o a ssu n to . As p esso as pe-
q u e n a s n ã o estã o p reo c u p a d a s e n q u a n to 0 casal v ive seu s p ro b lem as,
0 q u e d e fato se e s c u ta é “v a m o s o ra n d o , v a m o s o ra n d o ” . Q u a n d o h á
u m a se p ara ç ão d e fato e d e d ire ito , to d o s se im p o rta m , se im p o rta m
d em ais, m as co m a posição q u e p o d e ría se r to m a d a , se g u n d o eles,
p re o c u p a d o s c o m “a posição d e M oisés. ” N essas h o ra s é q u e a g e n te
sabe q u a n to s inim igos tín h a m o s pelo a c a m p a m e n to , q u a n d o e m u m a
ú n ic a o p o rtu n id a d e d e m o n s tra m c o m o n o s re sp e ita v a m c o m a su a
inveja.
A rão e M iriã e sta v a m se p re p a ra n d o p a ra se re m os “lib e rta d o re s
d o E gito”, v ejam só! P ara isso e ra n ecessário d e rru b a r to d o 0 prestígio
d e M o isés c o m o p ro fe ta, n ã o im p o rta n d o se ele e ra se u irm ã o d e san-
g u e. M iriã tin h a a ju d a d o n a p re p a ra ç ã o d a a rc a d e ju n c o s a té m e sm o
q u e ela ch eg asse n o palácio do rei; se m sab er ela foi u m tipo do Espírito
S an to , m as, ag ora, q u e ria a fu n d a r u m tra n s a tlâ n tic o co m u m so p ro .
“ E é p o rq u e to m o u o u tra m u lh e r” , disseram seu s irm ãos, os m inis-
tro s levitas. A d irig e n te d o lo u v o r e o su m o -sa c e rd o te m u rm u ra n d o ,
p re p a ra n d o c a m in h o p a ra u m golpe. Foi ai q u e D eu s e n tro u n o caso,
o g r a n d e ju iz d e to d o s .
D eu s c h a m o u os trê s e m a u d iê n c ia e fez q u e stã o d e v ir pessoal-
m e n te , e n a d a d e m a n d a r anjos. Ele sabia q u e M oisés n ã o tra ta v a com
an jo s... “V ou reso lv e r isto ag o ra, e d ia n te d a te n d a d a c o n g re g a ç ã o .”
Isto e ra u m a co isa séria. O re su lta d o seria fatal.
D eu s ch e g o u irado. D esceu n u m a n u v e m e ficou à p o rta d a te n d a .
Q u a n d o os trê s fo ram co n v id a d o s à te n d a , e le já e sta v a lá n o m e io d a
n u v e m (N m 12 :5 ). Foi u m ju lg a m e n to q u e os anjos q u ise ra m ver. O
a ssu n to e m p a u ta era: A m u lh e r e tío p e d e M oisés. P o r q u e a to m o u ?

168
0 a d v o g a d o d e a c u sação : A rão. A ssisten te, M iriã. O re ú : M oisés. O
ju ra d o , os anjos.
A n te s d e p assar p o r ali, e spíritos d e lep ra p e d ira m p erm issão p ara
to car-lh es. O d iab o é sujo, e le a c u sa os irm ão s (Ap 1 2 :1 0 -1 2 ). Intriga
d e irm ão s é co m ele. Ele a m a fam ílias d e su n id a s. Q u a n d o o A nticristo
assum ir, a c a ra c te rístic a fam iliar q u e vai im p e ra r é esta: filhos c o n tra
pai, irm ã o c o n tra irm ão.
A p ro m o to ria e sta v a rev e stid a d e a c u saçõ es. M oisés n ã o falou
nada.
- F ique aq u i n a te n d a , E tíope (é a m u lh e r d e le q u e n ã o te m n o m e,
pois dev eria ser u m a c a m p o n e sa etío p e q u e n e m sabia escrever, talvez
m ais n o v a ), v o u regressar, disse M oisés.
N ão e s p e re s e r ju lgado p o r D eu s, os anjos e a P alavra req u e re rã o
0 v e re d ic to e 0 v e re d ic to é m o rte , e n fe rm id a d e . Você te m q u e ser
m u ito fo rte p a ra e n fre n ta r u m ju ízo , q u a n d o a c u sa r u m u n g id o de
D eu s. D e u s n ã o vai q u estio n á-lo , m as o rd e n a rá 0 a ta q u e . Se for forte
p rev a lec e rá, m as n ã o sairá se m m a n c a r c o m o Jacó. Ele n ã o a d m ite
o u tro trib u n a l q u e n ã o seja 0 a u to riz a d o p o r ele p a ra julgar u n gidos.
A rão e M iriã se se n tia m n o d ireito d e fo rm ar u m trib u n a l p articu lar n a
m esa d e su a te n d a . A lep ra ro n d av a e n ã o era u m a lep ra sim ples, eram
esp írito s m alig n o s q u e d esejav am assu m ir 0 c o n tro le d eles atrav és de
suas in ju stiças.
M oisés era u m h o m e m m u ito m an so , m ais d o q u e to d o s q u e havia
so b re a face d a te rra (N m 12:3). Ele tin h a a p re n d id o m u ita s g ran d es
lições. O h o m e m irre p re e n sív e l n ã o é a q u e le q u e n ã o e rra , o u aq u ele
q u e d e m o n s tra à ig reja c e rto g rau d e “s a n tid a d e ” fran ciscan a. O ho-
A ldery N elso n R o c h a

m e m irre p re e n sív e l é a q u e le q u e n in g u é m c o n se g u e rep re e n d ê-lo ,


p o rq u e se a u to -re p re e n d e . N ão e n te n d a isso c o m o au to d iscip lin a,
m as a u to -re p re e n sã o . É co n certar-se a n te s q u e o u tro s p u b lic a m e n te
v e n h a m a to m a r p a rtid o d e fo rm a a con trariar-n o s.
D e u s v eio e c h e g o u , d ize n d o :
“O u v i ag o ra as m in h a s palavras: se e n tre vós h o u v e r p rofeta, e u , 0
S enhor, a ele m e farei c o n h e c e r e m visão, e m so n h o s falarei co m ele.
M as n ã o é assim c o m 0 m e u serv o M o isés, q u e é fiel e m to d a a m in h a
casa; b o c a a b o ca falo c o m ele, c la ra m e n te n ã o e m en ig m as; pois ele
co n te m p la a form a do Senhor. P or q u e n ão tem estes falar c o n tra 0 m eu

169
servo, c o n tra M oisés? A ssim se a c e n d e u a ira do S e n h o r c o n tra eles; e
ele se retiro u ; ta m b é m a n u v e m se re tiro u d e so b re a te n d a ; e eis q u e
M iriã se to rn a ra leprosa, b ran c a c o m o a n e v e ; e o lh o u A rão p ara M iriã
e eis q u e e stav a le p ro sa .” (N m 1 2 . 6 1 0 ‫)־‬.
Q u a n d o a n u v e m se retira é q u e p erc e b e m o s q u ão leprosos som os,
q u ão b ra n c o esta m o s sob a ira d e D eus.
E n q u a n to M iriã e stav a sob a n u v e m , a in d a q u e lep ro sa e se m sa-
ber, a lep ra n ã o foi vista. Q u a n d o a n u v e m saiu, a le p ra se m an ifesto u
so b re 0 s e u co rp o .
Q u a n to s n ão estão leprosos p o r d e n tro e p o r fora ao e sc o n d e re m a
su a m u rm u ra ç ã o sob a n u v e m d e su a religiosidade? U m d ia a n u v e m
sairá d a p o rta d a te n d a e a lep ra se m an ifestará: Núm eros 12:10:
E, q u a n d o a n u v e m se re tiro u d a te n d a , eis q u e M iriã se e n c o n tro u
c o b e rta d e lep ra, c o m o a n e v e ; e A rão v o lto u -se p a ra M iriã e v iu q u e
estav a c o b e rta d e lepra.
A fidelidade foi questionada.
A fid elid ad e m atrim o n ia l d e M o isés foi q u e stio n a d a ? Z ípora es-
tav a e m M id iã e seria ju lg ad a. N o fu tu ro , as p ro p rie d a d e s d e J e tro
seriam d e stru íd a s. A se d u ç ã o d e M id iã a lc a n ç aria 0 p o v o . M o isés foi
0 p rim eiro a sofrer. M as n e m to d o s e stav am c o n tra M oisés. H avia u m
h o m e m d e s c o n h e c id o p o r n ó s ali. C o n h eça-o : e ra u m s o b rin h o de
M o isés e se u n o m e e ra F inéias (N m 2 5 .7 ,8 ).
O p rêm io e te rn o da se m e n te d e Fineias será celeb rar d ia n te do
Senhor, d ian te d e se u T em plo e te rn o ; fato tam b é m foi p ro fetizad o por
E zequiel e m Jeru salém , e se c u m p rirá d u ra n te 0 go v ern o d e C risto. Ele
v e rá 0 c u m p rim e n to das palavras d e D eus ditas a M oisés, registradas
em Ê xodo 1 9 :5 ,6 . Q u e p rêm io! Ele re c e b e u 0 p rêm io d o sacerdócio
e te rn o p o rq u e n ã o p e rm itiu q u e 0 espírito d e fo m icação invadisse 0
arraial de Israel n o s dias d e seu s pais: Números 25:11: “Fineias, filho
d e Eleazar, filho d e A rão, 0 sacerd o te, a p a rto u a m in h a ira dos filhos de
Israel, p o rq u an to foi m ovido com 0 m e u zelo e n tre eles; d e so rte q u e eu
n ão co n su m i os filhos d e Israel e m m e u zelo. /si 106:30;Êx20:s;Dt32:16,21!
Todas as pro m essas feitas p o r D eu s e q u e serão cu m p rid as n o fu tu ro
d istan te, são frutos d e u m p acto d e paz: Números 25:12: P o rtan to ,
eis q u e estabeleço com ele 0 m e u p acto d e paz; (Ez43:10)

170
N o tem p lo de E zequiel, n o s dias do go v ern o literal d e C risto sobre
a terra, os filhos d e Fineias m in istrarão seg u n d o a b ên ção e a profecia
d ita n e ste m o m e n to : Números 25:13: ele e a s u a s e m e n te depois dele
terã o a aliança d e u m sacerdócio p e rp étu o ; e m re c o n h e c im e n to de seu
zelo p o r se u D eu s e p o rq u e fez expiação pelos filhos d e Israel”. iéx40:15;
Nm 16:46;Hb2:!7j
Veja 0 significado dos n o m e s dos fornicários. S egu ndo 0 n o m e dele,
“a d an ça do se n h o r” , ele im aginava q u e poderia in tro d u zir novos costu-
m es (que abriam a p o rta para a libertinagem e n tre 0 povo de D eus). Po-
d em o s to d as as coisas, m as n e m todas n o s co n v êm : Números 25:14:
O n o m e d o v arão d e Israel, q u e foi m o rto co m a m idianita, era Zinri
(“dança sagrada ”), filho d e Saiu ( “exaltado ”), chefe d a casa p a te rn a da
trib o d e Sim eão;
A m e n tira q u eria d a n ç ar co m a sen su alid ad e n o arraial dos filhos de
Israel. Este e ra u m privilégio das virgens d e Israel: Números 25:15:
e 0 n o m e d a m u lh e r m id ian ita e ra C ozbi ( “m entirosa”), filha d e Zur
( “rocha ”), u m p ríncip e d e u m a casa p a te rn a d e M idiã. (Nm31:8)
O p rêm io e te rn o d a se m e n te d e Fineias: celebrar d ian te do Senhor,
d ian te d e se u T em plo e te rn o , p rofetizado p o r E zequiel e m Jerusalém ,
d u ra n te 0 go v ern o d e C risto. Ele v e rá 0 c u m p rim e n to das palavras de
D eu s ditas a M oisés, registradas em Ê xodo 1 9 :5 ,6 . Q u e m ensagem !
Q u e prêm io! Ele re c e b e u 0 p rêm io d o sacerdócio e te rn o p o rq u e não
p e rm itiu q u e 0 espírito d e fornicação invadisse 0 arraial d e Israel nos
dias d e seu s pais: N ú m e r o s 2 5 : 1 1 : “Fineias, filho d e Eleazar, filho de
A rão, 0 sa ce rd o te , a p a rto u a m in h a ira dos filhos d e Israel, p o rq u an to
foi m o v id o co m 0 m e u zelo e n tre eles; d e so rte q u e e u n ã o co nsum i os
A ldery N elson R o c h a

filhos d e Israel e m m e u zelo. (s1106:30;Êx20:5;Dt32:16,21)


Todas as p rom essas feitas p o r D eus e q u e serão cum pridas no futuro
distan te, são frutos d e u m pacto d e paz: Números 25:12: P ortanto, eis
q u e estab eleço com ele 0 m e u p acto de p a z ; ‫ן‬ez 43:19;1s 54:10;m i2:4,5i
N o tem p lo d e E zequiel, n o s dias d o gov ern o literal de C risto sobre
a terra, os filhos d e Fineias m in istrarão seg u n d o a b ê n ç ão e a profecia
d ita n e s te m o m e n to : Números 25:13: ele e a su a se m e n te depois dele
terã o a aliança d e u m sacerdócio p e rp étu o ; em re c o n h e c im e n to d e seu
zelo p o r se u D eu s e p o rq u e fez expiação pelos filhos de Israel”. (êx 40:15;
Nm 16:46;Hb2:l7J

171
Veja o significado dos n o m es dos fom icários. S egundo o n o m e dele,
“a d an ça d o se n h o r”, ele im aginava q u e p o dería in tro d u zir novos costu-
m es (que ab riam a p o rta p ara a libertinagem e n tre o povo d e D eus). Po-
d em o s to d as as coisas, m as n e m to d as n o s co n v êm : Números 25:14:
O n o m e d o v arão d e Israel, q u e foi m o rto co m a m id ian ita, e ra Zinri
( “dança sagrada ”), filho d e Salu ( “exaltado ”), chefe d a casa p a te rn a da
tribo d e Sim eão;
A m e n tira q u e ria d a n ç ar co m a sen su alid ad e n o arraial dos filhos de
Israel. E ste e ra u m privilégio d as virgens d e Israel: Números 25:15:
e 0 n o m e d a m u lh e r m id ian ita era C ozbi ( “m entirosa”), filha d e Zur
( “rocha ”), u m p ríncipe d e u m a casa p a te rn a de M idiã. (Nm31:8!
Ao c itar os te x to s ac im a q u e ro m e referir à o casião e m q u e D eus
m a n d o u ferir os M id ia n ita s. E m N ú m e ro s 2 5 , v erso 6 , m o stra-n o s
q u e 0 israelita q u e to m a ra a m u lh e r m id ia n ita ag iu à v ista d e M oisés
e d e to d o Israel. M as 0 z elo d e Finéias n ã o re sp e ito u os p re c e ito s de
h o m en s, ele respeitava a D eus. Sabia q u e as m u lh e re s m idianitas eram
u m laço , c o m o tin h a m sido p a ra M o isés. M o isés sentia-se s e m auto-
rid ad e p ara reso lv er a q u e la situ a ç ão , m as Finéias, e m n o m e d e D eus,
tin h a u so u a su a a u to rid a d e . Ele e ra am ig o d e M oisés. E p o r isso apro-
v e ito u a o p o rtu n id a d e e g a n h o u a lid e ran ç a d e u m sacerd ó cio e te rn o .
N ão h á esp aço p a ra falar so b re isto, m as as b ê n ç ã o s ad v in d a s p ela su a
decisão seriam vistas n o livro d e E zequiel, cap ítu lo s 4 0 a 4 8 . T udo isto
a c o n te c e u tre z e c a p ítu lo s depois d a reb e liã o d e se u avô, A rão.
“Afligí v ós os m id ian itas e feri-los” (N m 2 5 :1 7 ).
A gora o b serv e com igo: 0 q u e seria d e Z ípora, d e G e rso n e d e se u
irm ão . M o isés, n u m a o casião d a q u e la s, via-se se m a u to rid a d e , pois
M idiã 0 tin h a a co lh id o n o exílio, q u a n d o h á c in q u e n ta e p o u c o s an o s
se refu g io u n o s b raço s d e Je tro . M a s, p o r c a u sa d a c h a m a d a d iv in a de
seu m arid o , d o s p rec e ito s e d as d o u trin a s d iv in as, Z ípora p e rd e u a
c h a m a d e se u a m o r c a rn a l e a b a n d o n o u M o isés n o in ício d a carreira.
Veio en co n trar-se co m ele s o m e n te d ep o is q u e 0 po v o tin h a p assad o 0
m ar V erm elho. N ão quis ficar co m se u m arid o pois a m a v a a su a paren-
tela e n u n c a tin h a se c o m p ro m e tid o c o m 0 c h a m a d o d e s e u e sposo.
S o m e n te ag ora, c o m 0 in c id e n te d o c a p ítu lo 2 5 , d ep o is q u e d e n tre
0 p o v o m o rre ra m m ais d e 2 4 m il p esso as (por c a u sa d e u m a m u lh e r
m id ian ita) é q u e p assaram a c o m p re e n d e r 0 q u e p assav a n o c o ração

172
d e D eu s, e p e rc e b e ra m a su a triste z a e d o r p o r cau sa d o jugo desigual.
Q u a n d o M o isés to m a a c o m o esp o sa a m u lh e r etío p e, é ciado,
c o m a p erm issão d iv in a, é a b e n ç o a d o p o r D eus. D eus jam ais questio-
n o u a su a posição; M iriã, se m e n te n d e r 0 q u e e stav a a c o n te c e n d o ,
c o m e ç o u a m u rm u ra r. S o m e n te d ep o is, n a a tu a ç ã o d e Finéias, é q u e
ob serv am o s q u e n e m to d o s estão c o n tra nós e q u e , p o r causa d e certas
c irc u n stâ n c ia s, n ã o se m an ifestam p u b lic a m e n te . M as aq u e le s q u e
se m an ife sta m re c e b e m a b ê n ç ã o d e u m p a c to e te rn o e jam ais a lepra
c h e g a rá à su a te n d a .
P ara q u e sin ta m c o m o é terrív e l 0 ju lg a m e n to d e D eus, e c o m o é
difícil a p a re c e r e m u m trib u n a l se m p eito ral d e ju ízo, p rin c ip alm e n te
q u a n d o tem o s u m a acu sação c o n tra u m servo d e D eus fiel n a su a casa,
v o u rev elar-lh es algo.
P o rq u e 0 ju ízo d e D e u s v eio c o n tra os d ois, A rão e M iriam , pois
se diz: “c o n tra e le s”; m as p o r q u e so m e n te M iriã ficou leprosa? As
d o z e p e d ra s p o d e m n ã o e sta r n o p e ito d e u m líder, m as a u n ç ã o das
d o z e p e d ra s q u e fo rm am 0 p eito ral se g u em ali co m 0 u n g id o ; m esm o
q u e ele, a p a re n te m e n te , n ã o c a rre g u e 0 p eito ral. Isso q u e r d ize r q u e
a u n ç ã o das d o z e p e d ra s do p eito ral, e m ais as d u a s p e d rin h a s U rim
e T u m im q u e re p re s e n ta m 0 E spírito S an to , g a ra n te m a p ro te ç ã o do
u n g id o . Foi a ssim q u e a c o n te c e u . Q u a n d o a ira d e D eu s se a c e n d e u
c o n tra os d ois, D e u s e stav a tã o irad o c o n tra eles q u e n ã o to m o u em
c o n ta 0 p e ito ral q u e A rão levava.
O p eito ral d e ju ízo re b a te u a u to m a tic a m e n te a ira de D eu s e A rão
foi salvo. Isto q u e r d iz e r q u e n e m as se ta s d e D eu s c o n se g u e m atra-
v essar a e s c u d e ria d o p e ito ral d e ju ízo q u e D e u s lh e c o n c e d e u p ara
A ldery N elso n R o ch a

u sa r n o se u sacerd ó cio .
Q u a n d o D e u s v irou -se p ara tra z , s o m e n te M iriã e sta v a leprosa.
- “Ó , 0 p e ito ral, 0 p e ito ra l!”
N e m D e u s p o d e a tra v essa r a u n ç ã o d o p eito ral d e ju ízo q u e p õe
so b re os se u s u n g id o s. P o r isso n e n h u m feiticeiro esp iritu al q u e se
p ro p õ e se r d o n o d a C o n g reg ação p o d e triu n far c o m as suas m aldições
so b re 0 peitoral q u e está sobre 0 peito d e u m U ngido de D eus. Q u a n d o
a n u v e m sair d a te n d a M iriã vai ser vista b ra n q u in e M oisés já justifica-
d o o ra rá p o r ela; o ra rá p a ra q u e D e u s a c u re d a lepra.
Q u a n d o D e u s v iu q u e A rão e sta v a lim po m a rc o u a d a ta d e su a

!73
m o rte. D eu s quis m atá-lo. D epois 0 avisa n o cap ítu lo 17 d e N é m e ro s.
M a n d a p ô r a v a ra ju n to co m as o u tra s v aras, e a v a ra d e A rão pela
casa d e Lei rev e rd e c e ; D eu s faze q u e b ro te a m ê n d o a s, e m a n d a q u e a
m o strem ao povo; depois é co lo cad a n o Lugar S antíssim o, n o in te rio r
d a A rca.
A rão iria te r a su a a u to rid a d e re n o v a d a , 0 p o v o v e ria , m as logo
m o rre ría, p o rq u e D e u s n ã o te m p ra z e r q u e 0 se u u n g id o m o rra n a
v e rg o n h a d o se u p e c ad o . O ito c a p ítu lo s d ep o is A rão m o rre u . M u itas
v ezes D eu s re sta u ra 0 se u u n g id o e 0 m a ta e m glória. S abe p o r q u e
isto a c o n te c e u ? T odos n o a c a m p a m e n to ficaram s a b e n d o a resp e ito
d a reb elião d e am bos. A a u to rid a d e sa ce rd o ta l d e A rão foi to c a d a m as
a d e M o isés a u m e n to u . Esta é a g ra n d e c o lh e ita q u e ceifa 0 m in istro
in ju stiçad o : 0 p restíg io d e D e u s se e sta b e le c e n o n o m e d ele; p o rq u e
0 p o v o s e m p re fica s a b e n d o q u e m é a q u e le q u e re c e b e v e re d ic to
favorável.
O aviso d e D eu s foi d a d o e m N ú m e ro s 17, e M iriã m o rre e m se-
g u id a e D e u s c o n v id a a M o isés q u e s u b a ao m o n te e r e tire as ro u p as
sa cd e rd o ta is d e A rão n u m lu g ar se p ara d o ; e isto in clu ía 0 p e ito ral de
juízo. Se p u d er, d epois, leia N ú m e ro s 2 0 . 2 2 2 9 ‫־‬. E d ep o is c o n c lu a por
v o cê m e sm o 0 q u e significa: “e d e sp e A rão d e su as v e ste s, p o rq u e
A rão m o rr e rá ” (v .2 5 ,2 6 ). D e u s n ã o p o d e m a ta r 0 se u u n g id o en-
q u a n to n ã o está e m u m lu g ar S antíssim o, se p ara d o do p ú b lico carnal;
e n q u a n to n ã o tiv e r e n tre g a d o as su as ro u p a s e se u p e ito ral n ã o p o d e
m orrer. O p e ito ral é a n o ssa salvação, e 0 p e ito ral do s a c e rd o te do
N o v o T e sta m en to te m m u ito m ais p e d ra s p recio sas, pois é u m sacer-
d ó cio é se g u n d o a o rd e m d e M e lq u ise d e q u e .

174
O Motivo do
Divórcio de Deus
e a Tipologia do
Eunuco
A ldery N elso n R o c h a

175
176
O m o tiv o d o divórcio e n tre D eus e o seu povo, Israel: a frieza d a espo-
sa e suas transgressões: Isaías 50:1 -7: Assim diz o S enhor Jeová: “O n d e
está a carta d e divórcio d e vossa m ãe, q u e e u lhe dei q u a n d o a repudiei?
A qual d os m eu s cred o res fostes vendidos? Eis q u e p o r vossas iniquida-
des fostes v en d id o s, e p or vossas transgressões vossa m ãe foi repudiada
(Jr3:8;Mt5:31; !9:7;Mc 10:4;Is52:3;Dt24:1,3;Is54:6,7;Dt32:30;Is48:8). Ρ0Γ q u e, q u ando
ch eg u ei, n in g u ém apareceu? Por q u e, q u a n d o cham ei, n ão havia q u em
resp o n d esse? P or d e sv en tu ra, a m in h a m ão se e n c o lh e u , de m odo que
n ã o possa red im ir? N ão te n h o m ais força p ara salvar? Eis q u e com ape-
n as u m sinal seco 0 m ar, c o n v erto os rios em u m erm o e os seus peixes
a p o d re c e m p o r falta de água e m o rre m d e sed e (Pv1:24;Nm 11:23; êx 14:21;
st 107:33;is65:12;66:4;59:1;js3:16). Visto os céus d e n eg ro e os cu b ro co m u m
m a n to d e lu to (is 13:10; Ap 6:12). D eus, 0 S en h o r Jeová, m e d e u a língua
d o s q u e são in stru íd o s, p ara q u e e u saiba co m o su ste n ta r com palavras
ao can sad o . D esp erta os m e u s ouvidos todas as m an h ã s, para ouvir
c o m o os in stru íd o s (is54:13;jr31:25; si 143:8!. D eus, 0 S en h o r Jeová, abriu
os m e u s ouvidos, e e u n ã o m e rebelei e n e m lhe dei as costas ¡si 40:6;
Mt 26:39; jo 8:29; 14:31; Fp 2:8). D ei as costas aos q u e m e feriam e a m in h a
face aos q u e m e a rra n c a v a m a b arb a. N ão esco n d í 0 m e u ro sto do
v itu p ério e dos escarros m 26:67,68;jo 18:23;is53:5; lc22:63). P o rq u e D eus, 0
S e n h o r Jeová, m e aju d ará, e n e n h u m in su lto m e m agoará. E ntão farei
do m e u ro sto co m o u m a p e d e rn e ira e sei q u e n ã o serei e n v erg o n h ad o
(1s 49:8;54:4;Ez 3:8,9).

Quem será contra nós? Quem nos acusará? Quem nos


condenará? (Rm 8:31-35). Baseado neste capítulo, Paulo
escreveu Romanos 8:33-35. Por isso ele diz: wfoi Cristo
A ldery N elso n R o c h a

quem morreu”.
Se ele já p ag o u 0 p reço , q u e m n o s c o n d e n ará . Eles n os convoca a
c re r n o sacrifício d e C risto. H oje sofrem os co m o C risto, n ã o p orque
te n h a m o s q u e g an h a r 0 q u e ele g a n h o u , m as p ara m o strar às pessoas
d e n o sso te m p o , c o m o ele sofreu p o r n ó s. N osso so frim en to é u m
m em o ria l p ara a su a glória: Isaías 50:8: P erto está a q u ele q u e m e
justifica. Q u e m c o n te n d e rá com igo? L evantem o-nos ju n to s n a corte.
Q u e m é 0 m e u adversário? P erm ita-lhe q u e se ap ro x im e. (Rm8:32-34!
A justificação é u m a to legal q u e in clu iu red e n ç ã o , p reço rem idor,

177
m o rte e ressurreição. Inclui ta m b é m v ingan ça, selos ro m p id o s, ira e
destruição d a an tiga p ro p ried ad e, para q u e a n o v a seja estabelecida.
O s eleitos de D eus passaram pelos cinco passos d a eleição e leg alm en te
estão aptos p ara se r glorificados.
É o veredicto, é o decreto.
Depois q u e 0 inim igo se a trev e a e n fre n ta r os escolhidos d e D eus,
en tra com u m processo d ian te d o g ran d e Tribunal. M as depara-se com
u m problem a: Satanás é 0 ú nico prom otor, p o rq u e a ele foi d ad o 0 p oder
da acusação c o n tra os irm ãos (Ap 12:10). Isto q u e r dizer q u e aquele que
acusar a u m escolhido d e D eus está associado a S atanás e p e d iu os seus
serviços, pois ele é 0 chefe da prom otoria. P or esta razão, aquele q u e nos
acusa é sócio d e Satanás. M as, S atanás sofre m u ito n a prom otoria. O s es-
critos d e dívida com os quais e n tra n a p resen ça d e D eus, p ara prom over
a acusação, c ad u cam p o r cau sa d a ação in tercessó ria d o Espírito S anto
e d e C risto (Rm 8 :2 6 ; Cl 2 :1 4 ). D eu s n u n c a rev ela 0 dia e m q u e h á de
se reunir, 0 A cusad or não é o n ip re se n te e 0 Espírito d e c o n v e n c im e n to
do p ecad o , d a justiça e do juízo trab alh a n a v ida dos irm ãos. P or essa
razão, P aulo p erg u n ta: Q u e m se atrev erá? P or fim , P aulo rev ela q u e é
D eus q u e m n o s justifica. E m q u e base ele n o s justifica? A resp o sta está
n o verso 3 4 . (a) P ela m o rte d e C risto e m favor d e todos, (b) Pela ressur-
reição d e C risto, co m o prim icias q u e santifica 0 resto d o co rp o q u e fica
m arcad o p a ra a ressu rreição (Lv 2 :2-9; Rm 1 1:16). Isto q u e r d ize r q u e
0 A dvogado E spírito S anto a p re se n ta rá provas d e q u e os escolhidos
d e D eus n ã o p o d e m ser co n d e n ad o s, pois 0 próprio Filho do Ju iz foi
im olado em favor de todos os q u e n ele creem (Jo 3:16). N o v erso 3 1 , ele
p e rg u n ta q u e m será c o n tra nós. A gora, ele p e rg u n ta , q u e m in te n ta rá
acu sação c o n tra nós. D epois, ele p erg u n ta rá , q u e m n o s co n d en ará?
Inim izade, p rocesso e c o n d e n aç ã o . R om anos 8 :3 3 : “Q u e m in te n ta rá
acusação co n tra os eleitos d e D eus? É D eus q u e m os justifica”. (Lc 18:7;
Is 5 0 :8 ,9 ). A im p u ta ç ã o foi legal. E stávam os m o rto s em A dão p o r u m a
ú n ica ofensa. E a m o rte nos am eaçava. Q u e m nos livraria? O s h o m e n s,
sabendo q u e iriam m orrer, e até m esm o os justos, estavam cada v ez m ais
in sub o rd in ad o s. O pior d e tu d o é q u e n a d a os c o n v en cia e a rebelião
au m e n tav a . A d e so rd e m e ra total. E ntão, D eus p ro v id en cio u a Lei. A
Lei foi estab elecid a e as b arb arid ad es dos h o m en s, agora, p o d eríam te r

178
u m b asta. C o m a Lei, v eio tam b é m u m a p rom essa. Q u e m cum prisse
a Lei, v e n c ería a m o rte . D eus n ã o p o u p o u 0 se u Filho p ara investir n a
salvação dos h o m e n s ain d a e m seus p ecados. Ele veio e c u m p riu a Lei,
pois c o n h e c e u 0 segredo: 0 am or. Q u e m am a c u m p re a Lei. Ele cum -
p riu a Lei. C o m esta vitória, a m o rte n ão tin h a p o d e r sobre ele. Assim,
ele v e n c e u a m o rte c u m p rin d o a Lei (Rm 10:5). P or isso, foi recebido à
d e stra d e D eu s e a in d a in te rc e d e p o r nós, a fim d e q u e creiam os n a sua
justiça, n a su a obra, q u e lan cem o s sobre ele todas as nossas culpas e an-
sied ad es. (3) A gora, ele p erg u n ta: Q u e m nos co n d en ará? O bserve q u e
ele revela u m a in im izade, u m a acusação e, tam b ém , u m pedido de con-
d en ação . Sabe q u e m é 0 Juiz? O Juiz é 0 Pai do Intercessor. Ele m o rreu ,
ele ressu scito u e está ao lado do Juiz. Q u a lq u e r m an o b ra do prom otor,
ele pro testa: R om anos 8 :3 4 : “Q u e m os co n d en ará? Pois é C risto quem
m o rre u , o u m elhor, q u e m tam b é m ressu scito u d e n tre os m o rtos, e,
adem ais, está à d estra d e D eus, e tam b é m diante d ele intercede por n ó s”
(Hb 1:3; 7 :2 5 ; 9 :2 4 ; Cl 3:1; 1 Jo 2:1 ) :I s a ía s 5 0 :9 ,1 0 : Eis q u e D eus,
0 S en h o r Jeová, m e ajudará. Q u e m m e co n d en ará? Eis q u e todos eles
se gastarão co m o vestidos velhos. A traça os co n su m irá. 1st 102:26; 1541:10;
54:17; 5:181 Q u e m d e n tre vós te m e ao S en h o r Jeová e o b ed ece a v o z do
se u Servo? A inda q u e ele a n d e n as trevas, o n d e n ão haja lu z, confia-
rá n o n o m e d o S en h o r Jeová, e apoiar-se‫־‬á n o se u D eus. iis 49:2,3; 9:2;
Ef5:8; Is 12:2)
wPois eu detesto o repúdio” ‫ ־‬isso quer dizer que Ele não
aceita o repúdio como a única alternativa, ele quer a paz, o
concerto, e jamais deseja separar-se ou apartar-se do seu
povo, ele prefere a fidelidade, a arrependimento ou a nossa
A ldery N elso n R o c h a

definição, - diz o Senhor Deus de Israel, e aquele que cobre


de violência o seu vestido; portanto cuidai de vós mesmos,
diz o Senhor dos exércitos; e não sejais infiéis ”, (Ml 2.16).
P ro p o sita lm en te este te x to é tra d u z id o e rra d a m e n te e m algum as
v e rsõ e s c o m o ‘d iv ó rc io ’ e m lu g ar d e re p ú d io , igual 0 q u e a c o n te c e
e m a lg u m a s v e rsõ e s a d u lte ra d a s d e M a te u s 19: “alia ean m isesas
exaposteiles legei ¡curios ho th eo s tou israe kai kalupsei asebeia ep i
ta enthum E m ata sou legeikurios pantokratw rkaiphulaxasthe en tw
p n eu m a ti hum w n kai ou m E eegkatalipee ”, (M l 2 :1 6 ).

179
Ao terminar, resolví deixar o resumo da história de
Israel e lembrar a todos os que fazem parte da Igreja, que
se não fosse o divórcio de Deus (doda a Israel, mesmo
temporariamente), a igreja nunca seria alcançada.
M as ta m b é m , d e ix o aq u i b e m claro, q u e 0 re p ú d io é d e te stá v e l
co m o a lte rn a tiv a , a lé m d e e m p o b re ce r, g e ra r fav o ritism o , p re m ia r
falsas ju stificativas, p ro m o v e r discu ssõ es, e a q u e le q u e p assar p o r ele
d ev e e sta r p re p a ra d o p a ra a p resen tar-se à T en d a e o u v ir 0 v e re d ic to
d e D eus.
E screvi esta c rô n ic a e m m o m e n to s d e g ra n d e a n g ú stia , e a relatei
co m m u ito am or, agora, e m p rim e ira m ã o , e a to rn o h istó ric a , p a ra a
glória d e D eus:
“T en tei q u e as n a ç õ e s m e a d o ra sse m , d o m eio dos g e n tio s quis
tirar u m sacerd ó cio .
S alpicado d e san g u e, saiu E nos q u e le v a n to u u m altar. E p o r causa
d ele os h o m e n s v o lta ra m a a d o ra r 0 m e u N o m e .
D o m eio d o s m u n d o s, a c h e i a S em , e d e le quis tira r u m a d eseen -
d ên cia. In v esti n o sacerd ó cio d e M e lq u ise d e q u e .
Q u is q u e os p rim o g ê n ito s fossem m e u s r e p re s e n ta n te s , e se tor-
n a sse m e m p a triarc as d a m in h a fé e assim to d as as n a ç õ e s n ã o neces-
sitariam v ir n a m in h a u n iv e rsid a d e n o A rm ag e d o n .
O s p rim o g ê n ito s falh aram . D e igual m o d o C aim , C ão , Ism ael,
E saú, R ú b en , E fraim , N a d a b e e A biú.
M u d e i d e id éia, u sei os o u tro s q u e e sta v a m e m seu s c a lc a n h a re s,
S ete, S em , Isaq u e, Ju d á , José, M a n assé s, e o s n a z ire u s . E stes? F ru to s
da im p o ssibilidade, e d e m ãe s estéreis. P or eles salvei A rão, Eli e Zaca-
rias. O s livrei d e M ica, d e D agon e d e A nás, e p o r eles le v a n te i a n o v a
g eração a C risto.
A chei a D avi, m e u serv o , n o m eio d a lin h a p e rd id a d e M elqui-
s e d e q u e . O v esti d e sa c e rd o te q u a n d o n ã o e ra n e m d e Levi, m as p o r
ca u sa d e Ju d á, p o r ca u sa d e Je ru sa lé m , p o r c a u sa d e M e lq u ise d e q u e ,
de S além , d e Ju d á , d e Je ru sa lé m , o u n g i.
A ssim , e m A b raão, q u e saiu d a m e d io c rid a d e e m Padã-A rã, n o
m eio do c a m in h o d a b ê n ç ã o , e 0 tro u x e à te rra dos c a n a n e u s q u e
a tra v é s d e N o é h av ia p ro m e tid o . C h e g a ram ali, m as d e sc e ra m d o

180
Egito. P assaram d o lim ite d as te rra s e d e sc e ra m , p assaram do tem p o
e d o alvo.
O s tro u x e d e v o lta c o m os ossos d e José. N os a n o s d o d e serto os
e n s in e i e p ro fe tiz e i 0 q u e faria c o m as n a ç õ es, n o re in o d e m e u filho
n a T erra.
N a m in h a cid ad e acim a, n a n u v e m terei 0 m e u tro n o , m as n o m e u
T a b e rn á c u lo , e m Je ru sa lé m , e sta b e le c e re i 0 m e u sacerd ó cio c o m os
filhos d e Israel; assim edificarei 0 m e u p o v o , e as n a ç õ e s a n d a rã o à
m in h a lu z , à lu z d a N o v a Je ru sa lé m (Ap 2 1 :2 2 ,2 3 ).
N a q u e le dia os filhos d e Israel v e rã o 0 q u e Israel p e rd e u p o r causa
d o s ídolos d a te rra , e se le m b ra rá dos A sseras, d os A staro tes, dos Ba-
alin s q u e s e m p re e sc o n d e u , raz ã o pela q u al n ã o se c o n v e rte u jam ais.
V erá p o r q u e m e d iv o rciei d e Israel e m in h a h e ra n ç a d istrib u í com 0
m e u Filho.
O Pai se d iv o rcio u d e su a m ã e Israel, m as n ã o d e seu s filhos. O s
filhos d e Israel, as filhas d e Je ru sa lé m se rã o h o n ra d o s e terã o a sua
h e ra n ç a .
V erá q u e as B odas do C o rd e iro e ra m p a ra ela, m as a Igreja assu-
m irá os se u s resq u ício s, p o rq u e a m a rá 0 re m a n e s c e n te d a su a g e n te ,
A b raão , Isaq u e e Jacó , p rim icias d e Israel, a igreja d os p rim o g ên ito s
q u e n ã o re c e b e rá s o m e n te os g e n tio s, m as os h e b re u s tais co m o
G am aliel, c o m o a P a u lo ...; h o m e n s q u e d e m e n te a b e rta so u b e ra m
a p ro v e ita r a o p o rtu n id a d e dos p e q u e n o s c o m e ç o s.”
V ocê e stá c o n v id a d o p a ra u m a festa q u e cu jo s c o n v id ad o s n ã o
e sta v a m n a lista o rigin al, n e m e ra m to m a d o s e m c o n ta , os gentios.
V ocê e s tá c o n v id a d o p a ra v e r 0 v e stid o d e n o iv a n a no iv a, q u e n ã o foi
A ldery N elso n R o c h a

c o rte ja d a n o p rin cíp io q u a n d o 0 c o ração a d o le sc e n te p alp itav a, e se


q u e b ra n ta v a . Você e stá c o n v id a d o p ara 0 c a sa m e n to d e C risto c o m a
Igreja, a m u lh e r e tío p e . T ão e tío p e q u e p rec iso u d e ciru rg ia plástica,
d e rep aro s, d e c u id ad o s p o r q u ase dois m il an o s, a té q u e estivesse sem
ru g a e se m m ác u la. Você está c o n v id a d o p a ra 0 c a sa m e n to d e C risto,
0 Filho d e D e u s, e 0 m ais in crív el d e tu d o isto é q u e v o cê m e sm o é a
n o iv a.
H oje p ed ras são p rep a ra d as fora d o local d a c o n stru ç ão . Ali n ã o se
p o d e o u v ir n e m m a rte lo n e m m a c h a d o (1 Rs 6 :7 ), m as n a p ed reira,
sim ! D ali, p re p a ra d o s p a ra servir-lhe, n a te rra d as an g ú stias, dos m al

181
e n te n d id o s d e n tre os h o m e n s , n o m eio d e acu sa ç õ e s, d e p e rd a s e
g anh os, d e sorrisos e lam e n to s, a p e d ra sairá e su b irá lisa e polida p ara
assu m ir 0 se u lu gar co m o esposa, c o lu n a e firm eza d a v e rd a d e . E você
é u m a d estas p ed ras.
N e sta arca n ã o te m â n c o ra , N oé! N e sta arca n ã o te m m o to r n e m
p o rta , Jafé. S o m e n te h á u m a jan ela, p o rq u e a saíd a é p a ra cim a. O s
co rv os q u e sa em d e la n ã o v o lta ra m m ais. S o m e n te as p o m b in h a s
v oltam co m 0 ram o q u e a n u n c ia u m n o v o te m p o . Você te m d ire ito de
ser feliz n e le . P arab én s p elo E sposo, é rico , é glorioso e b o m .”

O repúdio gera poligamia, pois o que se casa com a


repudiada ou com o repudiado adultera, porque o repúdio
não é carta de liberdade.
D eus, n a tu ra lm e n te , so m e n te com a m o rte, q u eb ra esse pacto; m as
0 h o m e m , com 0 litígio legal, 0 faz pela carta d e divórcio: M a te u s 19:8:
“Disse-lhes ele: “P ela d u re z a do vosso coração M oisés vos p e rm itiu
repudiar vossa m u lh er; m as, d esd e 0 princípio n ã o foi assim ”. O repúdio
so m en te é válido, d ian te d e D eus, q u a n d o é causado por infidelidade de
u m dos cônjuges (aqui e m Jerem ias, trata-se d e apostasia c o n tra 0 am o r
d e D eu s), m as ta m b é m n ã o a u to riza u m n o v o m atrim ô n io se m a carta
d e divórcio (D t 2 4 :1 ,2 ), pois se u m a p essoa se u n e a o u tra p esso a n o
estad o d e rep ú d io , c o m e te adultério. A infidelidade au to riza 0 repúdio,
logo a separação. M as 0 rep ú d io e m si n ã o é a carta d e d ivórcio. Jesus
está d ize n d o q u e 0 ú n ico rep ú d io válido é p o r c au sa d a infidelidade,
m as n ão disse q u e a ú n ica causa d e divórcio é a infidelidade. N esse
caso, 0 rep ú d io te m q u e ser resolvido. In felizm en te, d e form a errad a,
escrav izan do m ilh ares d e vidas, erros co m o esses estão se n d o aceitos,
e n tre eles, 0 d e co n fu n d ir rep ú d io co m divórcio: M a te u s 19:9: “Eu,
p o rém , vos digo, q u e q u a lq u e r q u e rep u d ia r a su a m ulher, n ã o sen d o
p or causa d e fornicação, e casar co m o u tra , c o m e te ad u ltério ; e aq u ele
q u e casar co m a rep u d iad a ta m b é m c o m e te a d u lté rio ” (M t 5 :3 2 ). Por
isso, os discípulos disseram : “N ão c o n v é m casa r” , pois, pelo divórcio,
con sid eraram q u e iriam ficar m ais po b res, já q u e 0 rep ú d io n ã o p odería
separá-los d efinitivam ente. A a v areza d e seus corações agora foi m aior
d o q u e a d u re z a in terio r q u e os levava a repudiar, e m aio r ta m b é m do

182
q u e a trad ição , q u e n ã o libertava as m u lh e res a eles ligadas pela lei:
Mateus 19:10: “D isseram -lhe os seus discípulos: “Se assim é a con-
dição d o neg ó cio d o h o m e m co m a m ulher, n ã o c o n v é m casar”. C om o
esse é u m a ssu n to m u ito particular, Jesus lhes disse q u e n e m todos os
h o m e n s p o d eríam rec e b e r essa palavra. H oje, ain d a é assim . P orque a
m aio ria dos casos são dignos d a solução de D eus, pois p ara D eus n ad a
é im possível: Mateus 19:11: “Ele, p o rém , lh es disse: “N em todos
p o d e m rec e b e r esta palavra, sen ão aqueles a q u e m lhes foi co n ced id o ”.

Agora,Jesus profere outra palavra mais dura, dentro do


contexto. Ele, usando a tipologia, revela aqui os três tipos
de matrimônios, mas, antes, devem os conhecer melhor a
palavra "eunuco”.
D ivulgou-se d u ra n te a história q u e a palavra e u n u c o significa u m a
“pesso a castrad a, sem sexo, sem definição sex u al, q u e se abstém de
se x o ”. M as n ã o é v e rd a d e . E u n u co é u m a pessoa q u e se consagra e se
d ed ica a u m a v id a o u a u m a causa sem p e n sar o u pro jetar a sua própria
v ida o u fam ília, in d e p e n d e n te daq u ela a q u e m d ecide servir, indeterm i-
n a d a m e n te . P or isso, ele u sa rá essa palavra para q u e alguns e n te n d a m ,
te n d o e m m e n te q u e n e m to d o s p o d e m re c e b e r essa palavra. Assim,
q u e m e lh o r e u n u c o d o q u e u m esposo o u u m a esposa q u e se d edica,
a v id a in teira, ao s e u cônjuge, e q u e , v e rd a d e ira m e n te , se castra para
o u tra, abstendo-se d e in tim id ad e co m u m a terceira pessoa? É claro que
ele co lo co u b e m a palavra, pois está falando d e casam en to .
(1 ) 0 primeiro tipo de matrimônio: os q u e “n asceram assim
A ldery N elson R o c h a

d e sd e 0 v e n tre d e su a m ã e ”. H á m atrim ô n io s q u e c o n h e ce m o s em
q u e os cô n ju g es n a sce ra m u m p ara 0 o u tro . N ota-se q u e D eu s os u n iu .
São insep aráv eis e v ivem felizes; jam ais p e n sara m em u m a possível
sep aração e é im possível q u e as pessoas q u e estão con v iv en d o com eles
im ag in em q u e u m dia possam se separar, pois é público 0 seu am o r e 0
se u te s te m u n h o . A m bos são e u n u c o s u m p ara 0 o u tro .
(2) O segundo tipo de matrimônio: “H á e u n u c o s q u e pelos
h o m e n s foram feitos tais”. N em precisam os dar exem plo d e q u e m uitos
m atrim ô n io s são frutos d e am eaças de pais e m ães p e rtu rb ad o s m ais
co m a m o ral d e su a fam ília do q u e co m 0 fu tu ro aflito de seus filhos,

183
os quais foram forçados a se casar p o r d e te rm in a d a circ u n stâ n c ia ver-
gonhosa. Esses são im postos pelos h o m en s. Este tipo d e m atrim ô n io ,
q u and o realizado sem p erd ão , sem resta u ra ç ão d o casal, é m u ito vul-
nerável.
(3 ) O terceiro tipo de matrimônio: “E o u tro s h á q u e a si m es-
m os se fizeram e u n u c o s p o r cau sa do R eino dos C é u s”. Q u e m n ã o co-
n h ece exem plos d e m atrim ônios d e h o m e n s e m u lh eres de D eus presos
a u m a vida infeliz, pois v ivem u m inferno co m seu s cônjuges? N ão têm
u m a v ida n o rm al, m as, em n o m e d e u m a “c a u sa ”, estão ju n to s p o rq u e
n ão q u e re m se r m otivo d e escândalo? É claro q u e n ã o p e rd e rã o 0 seu
galardão. Mateus 19:12: “P o rq u e h á e u n u c o s q u e n a sce ra m assim
d esd e 0 v e n tre d e su a m ãe; e h á e u n u c o s q u e foram feitos assim pelos
ho m en s; e h á e u n u co s q u e a si m esm o s se fizeram e u n u co s por causa do
R eino dos C éus. A quele q u e p o d e rec e b e r isso, re c e b a ‫־‬o ”.

No caso de Deus, houve uma surpresa que sobrepujou


toda a Lei. Veremos mais adiante... Apesar do Escrito de
Deuteronômio 24:1 -4, o marido Deus ainda esperava que
Israel voltasse para ele, quando ele percebeu que Judá foi
mais injusta do que Israel.
Jeremias 3 :8 : E, q u a n d o e u vi q u e , além d a apostasia, a reb e ld e Israel
tam b é m c o m e te u adultério, e n tã o , e u a rep u d iei, dando-lhe a su a carta
av erb ad a ( “libelo”) d e divórcio, coisa q u e a su a irm ã, a desleal Ju d á,
n ã o te m e u , sen ão q u e ta m b é m foi e se e n tre g o u à fornicação. iez23:11:2
Rs 17:6;Is50:1)
A su a idolatria e ra a su a p rostituição. H avia dois tipos d e prostitui-
ções: (1) C o m os ídolos (adoração), e c o m (2) as n açõ es (confiança)
Jeremias 3:9: Pela lev ian d ad e d a su a p ro stitu ição , ela c o n ta m in o u
a terra, e a d u lte ro u co m p ed ras e co m m adeiras. A irm ã dela, Judá,
n ão observ ou os m ales q u e c h eg aram so b re Israel p o r c au sa d os seus
pecados de idolatria. O fingim ento d e Ju d á lhe tro u x e grave tribulação:
Jeremias 3:10: A pesar d e tu d o isto, a su a traiço eira irm ã Ju d á n ão se
co n v erteu a m im com 0 seu coração sincero, m as com fin g im en to ”, diz
0 S en h o r Jeová. (0s7:14j
Ju d á tom ou-se com o 0 rei M anassés. Logo, D eus faria 0 m esm o q u e

184
fez co m ele p ara q u e , e n fim , abom inasse a su a idolatria. Ju d á tornou-se
pior d o q u e Israel, assim co m o Israel se to rn o u pior do q u e os cananeus.
N o caso d e D e u s, h o u v e u m a su rp re sa q u e so b re p u jo u to d a a Lei.
V erem os isto, agora, pois ap esar do E scrito d e D eu te ro n ô m io 24:1 -4,
0 m arid o D eu s ain d a esperava q u e Israel voltasse p a ra ele, q u a n d o ele
p e rc e b e u q u e Ju d á foi m ais injusta d o q u e Israel: Jeremias 3:11: Então,
disse-m e 0 S en h o r Jeová: “A ap ó stata Israel m ostrou-se m ais justa do
q u e a traiço eira J u d á ”. (Ez16:5\;jr3:7)
U m a das características d a ira d e D eus: ela n ã o é p ara sem p re, em
d e te rm in a d o s casos: Jeremias 3:12: Vai e p ro clam a estas palavras
p ara a b a n d a d o N o rte, e dize: Volta, ó Israel infiel, diz 0 S en h o r Jeová.
N ão m o strarei 0 m e u ro sto d e juízo sobre ti: p o rq u e e u sou m isericor-
dioso, diz 0 S en h o r Jeová; e n ã o g u ard arei p ara se m p re a m in h a ira.
(Is57:16;2Rs 17:6;S186:15)
P ara n ão m o strar 0 se u ro sto d e juízo so b re Israel (porque ele era
m isericordioso), D eus req u e ria dela ap en as 0 re c o n h e c im e n to de sua
in iq u id ad e e d e q u e n ã o o b e d e ce ra a su a voz: Jeremias 3:13: A penas
re c o n h e c e a tu a in iq u id a d e co n tra 0 S enhor Jeová, te u D eus, e q u e con-
tam in a ste os te u s cam in h o s c om os e stra n h o s d eb aix o d e to d a árvore
frondosa, e n ã o o b e d e ce ste à m in h a v o z ”, diz 0 S en h o r Jeová.
O fu tu ro do pov o d e D eus. D eus rasgará a c a rta de divórcio e, por
ca u sa d e se u am or, ele apelará p ara 0 am o r d o seu povo Israel. P or isso
a q u ele h o m e m n ão quis assum ir 0 resgate d e Rute! Ele a in d a am ava
Israel. E ntão, ele c lam ará aos filhos reb eld es q u e v o lte m (pois ele não
o lh a 0 p assado d eles para dar-lhes m ais am or, m as sim 0 fu tu ro ). Assim,
ele reso lv eu m arc ar u m re m a n e sc e n te fiel q u e n a sce u daq u ele povo
A ldery N elson R o c h a

(12 m il de c a d a tribo): J e r e m i a s 3 : 1 4 : “Voltai, ó filhos reb e ld es”, diz


0 S en h o r Jeová; “pois e u so u 0 vosso d o n o . Pois e u vos to m arei, u m de
cad a cid ad e, e dois de cada geração, e vos trarei a Sião.
Deus apaixonado por sua esposa
Ezequiel 16:2,3: “Filho d o h o m e m , n otifica a Jeru salém todas as
suas ab o m in açõ es, e dize-lhe: A ssim diz 0 S en h o r Jeová e D eus a Jeru-
salém : D e o rig em e d e n a scim en to , és d a te rra dos can an e u s. O te u pai
foi a m o rre u e a tu a m ã e foi h eteia.
( 1 ) 0 n a scim en to das im oralidades de Israel, n a terra dos can an eu s,

185
a partir d a d eso b ed iên cia aos m a n d a m e n to s d e D eus. A n a ç ão estava
lançada ao desprezo internacional. (2) Toda esta história revela os sinais
de u m a v id a h u m a n a ingrata, d epois d e te r sido c u id ad a e m alg u m de
todos estes aspectos a seguir: N a ed u cação , n a vocação, n o m inistério,
n a criação, co m b eneficência ou c o m algum o u tro tipo d e a ju d a cura-
d o ra o ferecida a u m a pessoa, d esd e 0 se u n a scim en to . N o e n ta n to , a
sua gratidão se m anifesta p o r m eio d e u m a traição o u p o r m eio d e u m a
atitu d e tão cru el q u e p asm a a fonte de todas estas b ênçãos. Esta história
não se aplica so m e n te a u m a nação, m as tam b é m a u m a pessoa ingrata.
(3) A titud es de d esp rezo c o n tra u m b eb ê (um ser h u m an o ): (1) n ã o foi
co rtad o 0 te u u m b igo (d ep e n d ê n c ia inútil), (2) n e m foste lavada com
água para a tu a purificação (sem batism o), (3) n e m foste esfregada com
sal (blin dag em c o n tra a co rru p ç ã o ), (4) n e m e n fa ix ad a c o m p an o s
(revestida d e u m n o v o h o m em ): Ezequiel 16:4: Q u a n to ao te u nas-
cim en to , n o dia e m q u e n asceste, n ã o foi c o rta d o 0 te u u m b ig o , n e m
foste lavada co m água p a ra a tu a purificação, n e m foste esfregada com
sal, n e m en faixada com panos.
Falta d e p atern id ad e: (1) N ão h o u v e o lh o q u e tivesse p ied a d e d e ti
(falta d e a m o r fam iliar); (2) m as, foste lan çad a n a face do cam p o ab erto
(lançada à v ida sem p rep aro ), (3) p o rq u e a tu a v ida foi m en o sp re z a d a
n o dia em q u e n a sce ste (sem p e rsp ectiv a d e fu tu ro algum ). Assim ,
m uitas pessoas levam a su a vida, so zin h as e se m n e n h u m a co b ertu ra.
D aí n a sce m os d e lin q u e n te s, os d eprim idos e as pessoas q u e sofrem
graves problem as de auto-estim a: Ezequiel 16:5: N ão h o u v e olho q u e
tivesse p ied ad e d e ti, p ara te fazer q u a lq u e r dessas coisas, e tivesse d e ti
m isericórdia; m as, foste lan çad a n a face do cam po a b erto , p o rq u e a tu a
v ida foi m e n o sp re za d a n o dia e m q u e n asceste.
O s prim ó rdio s das n ecessid ad es básicas d e Israel, e D eu s foi 0 seu
enferm eiro. (1) Q u a n d o e u passei p e rto de ti (D eus veio ao seu encon-
tro, com o 0 B om S am aritano, para aju d ar u m a q u e n ã o foi ferida p or
assaltantes, m as foi ferida pelos seus próprios genitores); (2) eis q u e te
revolvías em te u próprio san g u e (no m eio das tu as obras, pelas quais
buscavas salvação); (3) e n tã o , disse: “D o m eio d e te u san g u e, v iv erá s”
(D eus creu e v iu po tencial em ti, e v iu a tu a fé e a utilizou p ara tu a salva-
ção): Ezequiel 16:6: E, q u an d o e u passei p erto d e ti, eis q u e te revolvías
em te u próprio sangue; e n tã o , disse: “D o m eio do te u san g u e, v iv e ”,

186
sim , te disse: “D o m eio d e te u san g u e, v iv erás”.
E ste foi 0 resu lta d o d o in v estim e n to d e D eus n a v ida do h o m em
a q u e m d e d ic o u 0 se u esforço: (1) Te m u ltip liq u ei c o m o a erv a do
c a m p o (re c e b e u fo rta le c im e n to ). (2) E c re sc e ste (foste respeitada)
(3) e foste en g ra n d e c id a (ficaste fam osa), a té q u e chegaste a ser for-
m o sa (a m a d u re c e ste fisica m en te ). (4) O s te u s seio s se fo rm a ra m
(a m a d u re c e ste s e n tim e n ta lm e n te ). (5) e 0 te u cabelo c re sc e u (fos-
te rec o n h e c id a ), n o e n ta n to , (6) estavas n u a e d esco b erta (m as não
estavas c o m p le ta m e n te p rep arad a, pois te faltava u m esposo, u m pro-
v e d o r c o n tín u o , b e m co m o 0 a m a d u rec im e n to espiritual): Ezequiel
16:7: E ntão, te m u ltip liquei com o a erv a do cam p o . E cresceste e foste
eng ran d ecid a, até q u e chegaste a ser form osa. O s teu s seios se form aram
e 0 te u cabelo cresceu , n o e n ta n to , estavas n u a e d esco b erta.
Os tem pos de amores de Israel.
O s cu id ad o s d e D eus p ela n ação. O s in v estim en to s d e D eus para
co m a nação: ad o rn os, joias e dignidade. D eus se com para a u m m arido
c h eio d e am o res p o r su a a m a d a e faz altos in v estim en to s n a pessoa do
se u am or. M as ela seria ingrata e usaria to d as as suas joias p ara agradar
os se u s a m a n te s. A qui, se u esposo a le m b ra d e to d o s os benefícios
q u e fizera e m se u favor, m as ela n ão é to cad a co m as suas palavras de
lam e n ta ç ã o e d e d ecep ção . U m tipo real do q u e aco n te c e n a vida real:
Ezequiel 16:8: E q u a n d o passei p e rto d e ti, e te olhei, eis q u e 0 te u
te m p o e ra tem p o d e am ores; e e sten d i 0 m e u m a n to sobre ti e cobri a
tu a n u d e z . E ntão, te fiz u m ju ra m en to , e e n tre i e m p acto contigo, diz 0
te u D eu s, 0 S en h o r Jeová, e vieste a ser m in h a .
A ldery N elson R o c h a

O trab alh o (investim ento) d e D eus n a v ida d e u m a pessoa, d e u m a


co n g reg ação , d e u m a n a ç ão o u d a igreja. O s sinais dos benefícios da
co n v ersão e m D eus: (1) E q u a n d o passei p e rto d e ti, e te olhei, eis que
0 te u tem p o era te m p o d e am o res - te m p o d o m atrim ô n io , m as estava
se m co b ertu ra e sem arrim o; (2) e estendi 0 m e u m an to sobre ti e cobri a
tu a n u d e z - r e c e b e u a ju d a e c o b e r tu r a . (3) E ntão, te fiz u m ju ram en to ,
e e n tre i e m p acto contigo - re c e b e u 0 se u esposo, 0 S en h o r Jeová; (4) e
vieste a ser m in h a - to m o u -se m u lh e r do seu am or: Ezequiel 16:9,10:
E u te lavei c o m água; sim , e u lim pei 0 te u sangue d e sobre ti e te ungi
co m óleo. E n tão te vesti co m tecidos bo rd ad o s, e te calcei d e couro

187
especial, e te cingi co m lin h o fino e te cobri co m seda.
A gora, os tipos espirituais: (1) Eu te lavei co m água - 0 batism o; (2)
eu lim pei 0 te u sangue d e so b re ti - as tu as obras carnais; e te ungi com
óleo - a p rese n ç a d o E spírito S anto sobre a su a vida. (3) E ntão te vesti
com tecid o s b o rd a d o s -re v e s tim e n to do n o v o h o m em ; (4) e te calcei
d e c o u ro e s p e c ia l-a p re p a ra ç ã o d o E v a n g e lh o d a p a z ; (5) e t e cingi com
linho fino e te cobri com se d a - 0 seu m inistério e 0 seu sacerdócio espe-
ciai. (6) E ntão, te adornei co m enfeites e p u s braceletes e m teu s braços e
u m colar n o te u p e s c o ç o -tip o s dos d o n s do Espírito. (7) E c o lo q u e iu m
p e n d e n te n o te u n ariz, e joias n as tu as o relh as - re c e b e u 0 se n h o rio de
D eus e to rn o u-se e m serva p ara sem p re; (8) e u m belo d iad e m a d e for-
m o su ra sobre a tu a c a b e ç a -to m o u -s e em esposa-rainha. C onclusão da
prática d e su a vida e m inistério: “ D essa form a foste ad o rn a d a com o uro
e co m prata; 0 te u vestido era d e linho fino, d e seda e d e tecid o bordado;
e co m este a flor d e farinha, m el e azeite, e eras form osa ao e x tre m o , até
q u e ch eg aste a r e in a r”: E z e q u ie l 1 6 :1 1 -1 3 : E ntão, te a d o rn e i com
enfeites e p u s b raceletes e m teu s b raços e u m colar n o te u pescoço. E
coloquei u m p e n d e n te n o te u n ariz, e joias n as tu as o relhas, e u m belo
d iad em a d e fo rm o su ra sobre a tu a cabeça. D essa form a foste a d o rn a d a
com o u ro e com prata; 0 te u vestido era de linho fino, d e seda e de tecido
b o rd ad o ; e c o m este a flor de farinha, m el e azeite, e eras form osa ao
e x tre m o , a té q u e ch eg aste a reinar.

A menina se tom ou adulta e famosa entre as nações.


Ezequiel 16:14: A tu a fam a se e ste n d e u e n tre as n açõ es p o r cau sa
d a tu a b eleza, pois eras perfeita, e p o r causa do esp len d o r d a m in h a
glória q u e e u p u se ra sobre ti, diz 0 te u D eus, 0 S en h o r Jeová. O orgu-
lho d a m u lh e r form osa. A ingratidão d a n a ç ão o u d e u m a p essoa para
co m 0 se u tutor. Todos os p rese n tes e d o n s q u e re c e b e ra d e D eus, ela
os o fereceu aos seus a m a n tes, os ídolos: Ezequiel 16:15: M as te en-
vaid eceste p o r causa d a tu a form osura, e te p ro stitu íste, a p ro v eitan d o
0 te u re n o m e , e te en treg av as a q u a lq u e r u m q u e passava. Ezequiel
1 6 :1 6 : T om astes d os teu s vestidos e, co m eles, fizeste p ara ti lugares
altos ( “altarespagãos com adornos de diversas cores, e fizeste 0 papel
d e prostituta; coisas q u e n u n c a havia acontecido e n ão aco n tecerá m ais.
Ezequiel 16:17,18: E ntão, to m a ste as belas joias d e o u ro e p rata q u e

188
e u te p rese n tee i e fizeste p ara ti im agens d e h o m e m , e fornicaste com
elas; to m a ste os teu s v estidos b o rd ad o s e as cobriste c o m eles; assim
p u se ste 0 m e u óleo e 0 m e u in cen so d ian te delas.
Ezequiel 16:19:0 pão q u e e u te dei, a flor d e farinha, 0 azeite e 0 m el,
co m os q uais e u te alim en tav a, ta m b é m os p u seste d ian te delas em
a ro m a su a v e ; assim fizeste, diz A donai, 0 S en h o r Jeová.
Ezequiel 16:20: T am bém to m aste os teu s filhos e as tu as filhas, aos
qu ais d e ste à lu z p ara m im , e os sacrificaste d ian te deles co m o com ida.
A caso foram p o u cas as tu as fom icações?
Ezequiel 16:21: Pois m ata ste os m eu s filhos e os fizeste passar pelo
fogo, o ferecen d o -o s às im agens.
O e sq u ec im e n to dos in v estim en to s divinos e m s e u favor. O pro-
b lem a fu n d am e n ta l dos reis de Israel e d e Ju d á era os lugares altos,
o n d e a elite d o povo fazia os seus cultos rep leto s d e orgias, e q u e eram
d ed icad o s a seu s d eu ses c om o u m a form a d e legalizar os seu s atos de
p ro stitu ição . N a listagem dos reis d e Ju d á está registrado em 1 Reis
1 4 :2 3 q u e Ju d á, sob 0 c o m a n d o d e Roboão, edificou altos, estátuas e
im ag en s de b o sq u e so b re to d o lugar alto, pois 0 ad o rad o r se justificava
d ize n d o q u e to d as as form as d e culto aos falsos d eu ses eram u m a form a
d e d iv in izar os seus p ecados d e prostituição e h u m a n iz a r as suas falsas
d iv in d ad es “p re s e n te s” e m suas co rrupções; p o rém , sabem os q u e os
falsos d eu ses e ra m d em ô n io s, os m esm o s q u e os incitavam ao pecado:
Ezequiel 16:22-25: E m todas as tu as abom inações, e e m todas as tuas
fornicações, não te lem braste dos dias da tu a m ocidade, q u an d o estavas
n u a e te revolvías n o te u san g u e. E a c o n te c eu , depois d e todas as tuas
m ald ad es - ai d e ti! D iz 0 te u D eus, 0 S e n h o r Jeová - , q u e construíste
A ldery N elso n R o c h a

u m altar cu ltu ai e c o n stru íste lugares altos ( “altares ”) em c ada ru a. E


levan taste 0 te u altar e m cada encru zilh ad a do cam inho, e transform as-
te a tu a b eleza e m abo m inação, e exibiste as tu as p ern as a cada u m que
passava, e m u ltip licaste as tu as fom icações.
A mulher formosa se tom a prostituta.
Ezequiel 16:26: T am bém c u m p riste 0 papel d e p ro stitu ta ju n to aos
egípcios, os te u s v izin h o s de m em b ro s co rp u len to s, e m ultiplicaste as
tu a s fo m icaçõ es, p ara m in h a provocação.
O s in v estim en to s se to m a m escassos e ela sofre. Ela reco rre aos

189
seus a m a n tes, q u e a d eix am m ais pobre: Ezequiel 16:27-29: E ntão,
eu esten di a m in h a m ão sobre ti e d im in u í a tu a provisão, e te e n treg u ei
sob as o rd en s daq uelas q u e te ab o rrecem , as filhas dos filisteus; e elas se
e n v e rg o n h a ram do te u c o m p o rtam e n to , sem n e n h u m pudor. Fizeste
tam b é m 0 papel d e p ro stitu ta ju n to aos filhos dos assírios, e n ã o te sa-
ciaste. Sim , te prostituíste com eles, m as, n ão ficaste satisfeita. E, assim ,
m u ltiplicaste as tu as fornicações d esde a terra de C an aã a té à C aldeia;
e, ain d a assim , n ão te fartaste.
O coração fraco da m u lh e r form osa, m as q u e agora é adúltera: Eze-
quiel 16:30,31 : Q u ão fraco é 0 te u co ração, diz 0 te u D eus, 0 S en h o r
Jeová, v e n d o q u e fazes todas essas coisas, o b ra d e m ere triz desavergo-
n h ad a; c o n tu d o , ao lev an tar os teu s altares cu ltu ais nas en cru zilh ad as
d e cada ru a, n ã o 0 fizeste com o a m ere triz q u e trab alh a p o r d in h eiro .
O ca sa m en to de O seias com G o m er registrado n o livro d e O seias
revela u m p o u co desses m istérios: O s m otivos dos ciú m es d e D eus
eram os ídolos. U m a tipologia estava se n d o aplicada p ara rev elar os
m otivos da ira d e D eus c o n tra Israel. D eu s iria p ro v o car ciú m es em
Israel. M as, an tes, devem os v e r a história dessa m u lh e r ser c o n tad a pela
boca do próprio D eus, pois 0 livro de O seias n ão pode ser e n ten d id o sem
este tex to n a rra d o pelo profeta E zequiel 16:1 -38. (V.3) Israel dividido
an tes d a divisão legal, m as ain d a está com pleto. M ical e ra u m tipo de
Israel, q u e foi d a d a a o u tro m arido; p o rém , D avi se m p re s e n tiu a sua
falta e o rd e n o u q u e a tro u x e ssem de volta: O seias 1:2: “N a p rim eira
v ez q u e 0 S enh or Jeová falou co m O seias, disse-lhe: Vai, to m a p ara ti
u m a m u lh e r forn icadora e terás filhos d e fom icação, p o rq u e a terra
c o m e teu g ran d es fornicações, distanciando-se d o S en h o r Jeová. Foi,
pois, e to m o u a G o m er (“c o m p le to ”), filha d e D iblaim (“dois bolos de
figos”), e ela c o n c e b e u e d e u à lu z u m filho. E 0 S en h o r Jeová lh e disse:
Põe-lhe 0 n o m e d e Jezreel (“D eu s espalhará a s e m e n te ”); p o rq u e em
m u ito p o u co tem p o castigarei, pelo san g u e d e Jezreel, a casa d e Jeú,
e acabarei com 0 rein o da casa d e Israel”: Ezequiel 16:32-34: M as 0
fizeste com o u m a m u lh e r ad ú ltera, pois ad m ites e stran h o s n o lugar do
te u m arido! A todas as p ro stitu tas paga-se u m preço , m as tu ofereceste
p resen tes, com o p ag am en to , a todos os teu s a m a n tes, sed u zin d o -o s a
ti, d e tod as as partes, p ara a d u lte ra re m contigo. M as contigo a c o n te c e

190
o c o n trá rio d o q u e se d á com as o u tras m u lh eres; m as tu os incitas à
fom icação, sem q u e te peçam ; e tu és q u e m lhes ofereces o pagam ento,
e n ã o eles; e nisso és d iferen te das o u tras.
O castigo d a m u lh e r d iscreta q u e se to rn o u pública. A m aldição:
u m a prefiguração do sítio em M assada e da d estru ição de Jerusalém
pelo g eneral Tito. S ituações de aperto vividas n o s dias dos reis d e Israel.
S ituações d e an g ústia n o s cercos. D estruição dos filhos e das filhas.
Essa m ald ição prefigura a negligência do esposo p ara com os filhos,
d eix ad o s e m ab a n d o n o com pleto: D eu te ro n ô m io 2 8 :5 3 : “E chegarás
a com er 0 fru to d o te u v e n tre , a c a rn e dos te u s filhos e filhas, q u e 0
S en h o r Jeo v á, te u D eus, te der; tal será 0 a p erto e a an g ú stia co m q u e
0 inim igo te sitiar” (Lv2 6 :2 9 ; Jr 19:9; Lm 2 :2 0 ). N ível um : d estruição
d o irm ão , d a esp o sa e dos filhos. Essa m aldição prefigura 0 a b an d o n o
total d o h o m e m responsável p o r aqueles q u e ele am a, devido à situação
financeira q u e vive o u às opressões dem oníacas: D euteronôm io 2 8 :54:
“A té 0 h o m e m m ais tern o e e x tre m a d a m e n te m im oso q u e h o u v e r no
m eio d e ti, o lh ará co m m e sq u in h e z p ara co m se u irm ão, e para com a
m u lh e r do se u regaço, e p ara com 0 resto dos filhos q u e ain d a lhe res-
ta re m ”. N ível dois: d estru ição dos próprios irm ãos. O b serv ar os níveis
d e d estru ição : D e u te ro n ô m io 2 8 :5 5 : “...d e m o d o q u e n ão repartirá
co m n e n h u m deles a c a rn e dos seu s filhos, q u e ele co m er; p o rq u an to ,
n ad a lh e ficará d e resto, p o r causa do ap erto e da angústia co m q u e 0 te u
inim igo te e n c u rra la rá em to d as as tu as p o rta s” . N ível três: d estruição
dos m em b ro s d a fam ília: D eu te ro n ô m io 2 8 :5 6 : “S e m elh a n te m en te ,
a té a m u lh e r m ais m im o sa e d elicada n o m eio d e ti, q u e p o r causa da
su a d elicad eza n u n c a se q u e r te n to u p o u sar n a terra a p lan ta dos pés,
A ldery N elso n R o c h a

o lh ará co m olh o s m esq u in h o s p ara co m 0 h o m e m do seu regaço, para


co m 0 se u filho e p a ra co m a su a filha”. N ível q uatro: destru ição do
recém -n ascid o : D eu te ro n ô m io 2 8 :5 7 : “...e a té p ara com a placenta
q u e lh e sair d e n tre as suas pern as, e p ara com os filhos q u e tiver d ad o à
lu z; p o rq u e ela os c o m e rá às escondidas, n a falta d e todas as provisões
cau sad as p elo cerco, e n o m eio do a p erto e d a an g ú stia com q u e 0 te u
inim igo te en cu rralará nas tu as p o rtas”: E z e q u ie l 1 6 :3 5 ,3 6 : Portanto,
6 m u lh e r pública, o uve ap alav ra do S en h o r Jeo v á”. Assim diz 0 Senhor
Jeová: “P o rq u e esp alh aste 0 te u b ro n z e e a tu a n u d e z foi d esco b erta

191
em todas as tu as p ro stitu içõ es co m os te u s a m a n tes, d ia n te d e to d o s os
ídolos ab o m in áveis e p o r c ausa do san g u e d os te u s filhos, q u e tu lhes
ofereceste: Ezequiel 16:37-42: p o r tu d o isso, reu n irei to d o s os teu s
am an tes aos quais divertiste, e todos aos quais am aste, ju n ta m e n te com
todos os q u e odiaste. Eu os reu n irei co n tra ti, de todas as partes, e deseo-
brirei a tu a n u d e z d ian te deles, p ara q u e v ejam a tu a co m p le ta n u d e z .
E te julgarei ( “pelas leis”) c o m o são julgadas as m u lh e re s a d ú lte ra s e
as hom icid as, e trarei ( “com o vítima ”) sob re ti 0 fu ro r ( “passional”) e
0 c iú m e. T am bém entregar-te-ei n as m ãos deles, e eles d e rru b a rã o 0
te u altar, e d e stru irão os teu s altos; arran carão as tu as ro u p as e to m arão
as tu as finas joias, e te d eix arão n u a e d esco b erta. E farão su b ir c o n tra
ti u m a assem bléia de g en te, e te ap ed rejarão , e te atravessarão co m as
suas espadas. Q u eim arão as tu as casas com fogo, e te julgarão à vista de
m u itas m u lh eres, e e u farei com q u e deixes de fazer 0 papel d e ram eira,
e n ão darás m ais paga. Assim, saciarei a m in h a fúria co n tra ti, e 0 m e u ci-
ú m e se ap artará d e sobre ti; e ficarei tran q u ilo , e n ão estarei m ais irado.
A mulher não lembrará da sua mocidade.
Ela se assem elhará à sua genitora, e fará as obras q u e a su a m ãe fez: Eze-
quiel 16:4345‫־‬: P o rq u e n ã o te lem b raste dos dias d a tu a m o cid ad e,
m as m e irritaste com todas essas coisas, eis q u e farei recair a tu a c o n d u ta
sobre a tu a cabeça, diz A donai, 0 S e n h o r Jeová; pois, n ã o c o m e teste
u m a terrível injustiça, além d e todas as tu as abom inações? Eis q u e cada
u m q u e u tilize os provérbios, dirá este provérbio c o n tra ti, d izen d o : Tal
com o é a m ãe, assim é a filha. Tu és filha d a tu a m ãe, q u e ab o rrece 0 seu
m arid o e os seus filhos; e és irm ã das tu as irm ãs, q u e ab o rre c em os seus
m aridos e os seu s filhos. A tu a m ãe e ra h eteia, e 0 te u pai a m o rreu .

192
Capítulo 13

Os
nossos
Santos
Fariseus

Aldery Nelson Rocha

193
194
A base do preconceito é a inveja.
Q u e rn n ã o é feliz te m in v eja d e q u e m a lc a n ç a a m isericó rd ia d e
D eu s. A m ise ric ó rd ia é p ara to d o s, m as n e m to d o s a a p ro v e ita m e m
te m p o . T oda a fam ília d e H e ro d e s p e rd e u 0 te m p o d a m isericó rd ia
q u e b a te u às su as p ortas: H ero d es, 0 G ra n d e , a m a to u , pois se u n o m e
e ra Jo ã o . O H e ro d e s, A gripa, a e sb o fe te o u , e ra 0 C risto . H ero d es
Felix a o u v iu e q u a se se c o n v e rte u , n a v o z d e P aulo. M as foi co m id o
p o r b ich o s. T em os q u e re sp e ita r os recab itas d a C o n g reg ação , e n ão
d isc u tir c o m eles, pois so m e n te 0 te m p o vai faz e n d o c o m q u e vejam
as co isas m ais claras, o u talv e z n u n c a . D o u a seg u ir as características
dos n o sso s sa n to s fariseus. Eles n u n c a c o n h e c e rã o a g raça d e D eus,
e n q u a n to n ã o so fre re m n a p e le a acu sa ç ã o d e M iriam e A rão.
Dependendo dos temperamentos, que são variações
diferentes de cada manifestação instintiva e psíquica
de cada indivíduo, a alma do preconceituoso fariseu
apresentará variações.
Q uando 0 h o m e m n a sce d e n o v o , d eix a d e se r n a tu ra l e passa a te r
o p o rtu n id a d e s p a ra v iv er vito rio so so b re 0 m u n d o esp iritu al e m ate-
rial. M as, e n tre 0 objeto n o b re d a su a m atu rid a d e e os seus instintos h á
u m c a m in h o longo a se percorrer, d esd e 0 Á trio até ao lugar Santíssim o
d e s e u ser. T em q u e sair d a Lei c o m d e stin o ao R eino, p assa n d o pela
G raça. P o ré m , m u ito s v iv em e n tre a p rim e ira e a se g u n d a e ta p a sem
a v a n ça r jam ais. A ssim ta m b é m alguns cristãos v iv em e n tre 0 corpo e
a alm a, n u n c a a v a n ça m p a ra v iver se g u n d o 0 E spírito. Seus conceitos
e m situ a ç õ e s a d v ersas se rã o se m p re p recip itad o s e cruéis.
A base de um bom julgamento é o Espírito Santo.
Aldery Nelson Rocha

O p rec o n c e itu o so julga m al p o rq u e n ã o p e rm ite ao Espírito Santo


u m trâ m ite flu e n te n o se u se r sob in v estig ação . Q u a n d o u m h o m e m
n a sce d e n o v o , 0 E spírito S an to v e m h a b ita r n o se u espírito h u m a n o ;
a o b ra c o m e ç a d e sd e 0 e sp írito , m as, p a ra q u e 0 c o ração seja desblo-
q u e a d o e c e d a ao E spírito, é n ecessário q u e p rim e iro a m e n te seja
d esb lo q u ead a, p o rq u e a obra do desbloqueio deve oco rrer prim eiro no
c o ração p a ra , d ep o is, o p e ra r n a m e n te . A qui n a sc e ra m as d iferen tes
d e n o m in a ç õ e s. À lgum as e x p e rim e n ta m a o b ra n o co ração , m as a sua
m e n te fica b lo q u e a d a ao Espírito e a té ali vai 0 E spírito. N ão c o n tin u a

195
m ais. Em o u tra s, 0 E spírito, p ela P alavra c o m e ç a a o b ra n a m e n te ,
m as q u a n d o c h e g a ao co ração , e n c o n tra u m n o v o b lo q u eio . E ntão,
a p essoa age n a carn e: aq u ilo q u e se o u v iu p rim e iro o u a q u ilo q u e se
v iu p rim eiro to rn a-se a base p ara u m ju ízo p essoal. A ssim , 0 E spírito
n u n c a te m p assag em e fica n o b lo q u eio . B loqueio é p re c o n c e ito .

P or m ais q u e haja este a tra so n a v id a d e ste s cristão s psíquicos


(preco n ceitu o so s) su a v id a cristã é assim :

1. O s san to s fariseus n u n c a se a tre v e m d ize r ao E spírito S anto qu e


lh es in d iq u e p rim eiro to d a a c o rru p ç ã o d e suas alm as e sejam guiados
ao c a m in h o d a liberação d o p o d e r d a m e n te e do co ração in circu n ciso
p a ra ju lg arem p rim eiro a si m e sm o s, e q u a n d o a lg u é m m o stra-lh es 0
c a m in h o p ara su a lib ertação , eles m o stra m a su a cre d e n c ia l e q u e re m
p ro v ar 0 se u te m p o d e casa.
2. O s sa n to s fariseus p e rm a n e c e rã o e n tr e a m e n te e 0 coração
c o n fu n d id o s seg u n d o :
a. O s p e n s a m e n to s b o ê m io s, sau d o sistas.
b. As im ag in açõ es carn ais, d a m alícia p essoal b a sea d o s n a s suas
reaçõ es esco n d id a s do público.
c. As v isõ es e p lan o s d e su a m e n te , caso d ê c e rto , caso d ê e rra d o
alg u m d e seu s atu ais p ro pósitos.
d. As am b içõ es e m p o ssu ir sen saçõ es acariciadas do p assad o , pois
m esm o casad o s c o m 0 p re s e n te , c o n tin u a m v iv e n d o das fo n te s de
suas sen sa ç õ e s a n te rio re s.
e. A m a n ip u la ç ã o p o r se n tim e n to s b asead o s e m in fo rm açõ es sem
verificação pessoal, c re n d o se m p re q u e as pessoas são as m esm a s com
as q u ais c o n v iv e ram p o u c o s m in u to s o u q u a se n e n h u m dia e q u e se-
g u n d o seu s te s te m u n h o s falsos a la rd em c o n h e c im e n to , p o rq u e n u n -
ca e x p e rim e n ta ra m 0 p e rd ã o d e D e u s n e m c re e m q u e g e ra lm e n te as
pessoas m u d a m d u ra n te a v id a. Se a lg u é m p erg u n ta r-lh e s: “Q u a n d o
v o cê c o n v iv e u com esta p esso a d e q u e m fala?” , elas im e d ia ta m e n te
d irão , “faz m u ito te m p o ...”
3. O s sa n to s fariseus farão b oas o b ras e m suas c o n g reg açõ es, co m
m u ito esforço d e m o d o p rim ário (“n ã o e sp iritu a l”), a tra v és d a su a ca-
p acid ad e n atu ral, p ara su a p ró p ria glória e logo p e rg u n ta rã o se alguém
g o sto u e se alg uém disse 0 co n trário , ela to m a rã o decisões crim inosas.

196
N ão a c e ita rã o o p in iã o , se m e s ta b e le c e r a su a p ró p ria m a n e ira d e
fazer. P o r m ais q u e a c e ite m o u tra opinião, 0 farão h ip o c rita m e n te ,
m as re to rn a rã o aos seu s m o d ism o s carn ais e justificarão as suas ações
a c re s c e n ta n d o palav ras d e m ald ição so b re a p e sso a q u e os descobrir.
4 . O s sa n to s fariseus s e rv e m a D e u s c o n fo rm e a su a força física e
su as id éias pesso ais, se m p re d e seja n d o sen sa ç õ e s físicas p o r m eio do
c o n h e c im e n to d e C risto a fim d e e x p e rim e n ta r a p re se n ç a do Senhor,
c o m 0 fim d e c o n h e c e r m ais d a P alavra, n ã o p a ra tra n sfo rm a r 0 seu
viver, m as p a ra se u o rg u lh o pessoal e p ara d isc u tir co m 0 m ais privile-
g iad o n e s te a sp ec to , a fim d e h u m ilh á-lo s co m p e rg u n ta s escabrosas.
Elas s e m p re d irã o , a n te s d e tu d o : “p a ra a glória d e D e u s ” , m as os
d e u se s são eles m esm o s.
5 . A v o n ta d e d os san to s fariseus se rá a m an ifestação m ais c o m u m
d a n e c e s s id a d e d e a firm a ç ão , p o rq u e b u sc a m au to -a firm a ç ão em
tu d o . P o r isso 0 se u ego se rá 0 c e n tro de seu s p e n sa m e n to s, palavras e
ações. E tu d o te m q u e se p ro v ar n a Bíblia, e se n ã o estiver n a Bíblia elas
farão ju lg a m e n to s terrív e is d a p e sso a e n ã o d e su a d o u trin a .
6 . O s s a n to s fariseus c o n fu n d irã o e m o ç ã o c o m esp iritu alid ad e,
e n isso são esp ecialistas. N ão d e v e m o s d e sp re z a r as e m o ç õ e s com o
re s u lta d o d o q u e b ra n ta m e n to esp iritu al v e rd a d e iro , m as n ã o deve-
m o s fazer d as e m o ç õ e s a s e n h a fu n d a m e n ta l d o a v iv a m e n to o u do
q u e b ra n ta m e n to . Se a lg u é m os d esco b rir eles farão u m te a tro q u e
g irará e m to rn o d e c h a n ta g e n s e b arraco s.
7. O s san to s fariseus b u scarão e aceitarão propagar m e n ta lm e n te
a P alav ra d a v e rd a d e , pois se b asearão e m situ a ç õ es bíblicas, ensinan-
do rev elaçõ es m aravilhosas co m 0 fim d e ch eg ar a u m fim egoísta. M as
Aldery Nelson Rocha

é a p e n a s u m a m a n e ira d e c u ltiv a r a su a m e n te carn al. E se alguém


os descobrir, eles ra p id a m e n te farão u m in q u é rito p ró p rio a fim de
h u m ilh á-lo e ver-se livre te tal im postor.
8 . O s sa n to s fariseus co m o v e rão coraçõ es, terã o m u ito s talentos:
a. S erão ativos n o p e n s a m e n to criativ o , m as se m d e ix a r d e tirar
p ro v e ito d a situ a ç ão .
b. S erão a b u n d a n te s d e e m o ç ã o , m as c o m p ro p ó sito d e fazer
b en efício e m se u n o m e e se m d e ix a r d e re q u e re r os m érito s d e tu d o .
M as n ã o c o n h e c e rã o 0 se n tid o v e rd a d e iro d o E spírito S an to , n ã o
c o m p a rtirã o v id a aos h o m e n s , p o ré m n o final serão fo n tes d e gran d es

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d ecep çõ es. Se alg u ém os descobrir, eles a tu a rã o c o m 0 p ro p ó sito d e
tirá-lo do a m b ie n te co m to d o tipo d e c alú n ias e difam ação.
9. O s sa n to s fariseus p re c o n c e itu o so s a p re se n ta rã o d o te s favo-
ráveis fora d o c o m u m , e g e ra lm e n te os o fere c erã o g ra tu ita m e n te ,
p o rém as c o b ra n ç a s d e ste s favores se rã o caríssim as p o r to d a a v id a.
10. O s sa n to s fariseus c a re c e rã o d e p rin cíp io s fixos, d e leis, de
regras, d e reg im en to s. Suas p alavras e fatos e sta rão s e m p re e m des-
b alan ço d essas leis. S en tirão , p e n sa rã o e a tu a rã o d e m o d o d istin to à
su a p alav ra u su a l d ita s u m a h o ra , u m d ia, u m m ês, u m a n o s d epois.
11. O s san to s fariseus te rã o g ra n d e g o zo e m in sistir n a su a supe-
rio rid ad e, m as q u a n d o alg u ém os d e sco b re eles ficam ch e io s d e ira.
12. O s sa n to s fariseus se o rg u lh a rão p o r h a v e r triu n fa d o u m a
ú n ica v e z - e screv erão livros a resp e ito d e c o m o triu n fa r n a q u e la área,
e n q u a n to estará c ru em to d as as d em ais áreas d a vida. T erão u m po u co
d e c o n h e c im e n to , d e ê x ito o u d e e x p e riê n c ia e se se n tirã o c o m o se
h o u v e sse m alcan çad o 0 m á x im o e já n ão p recisarão d e aju d a a n ã o ser
se fo rem p a ra servi-lo.
13. O s sa n to s fariseus p o ssu irão u m a v o ra z a m b iç ão d e e sta r em
p rim eiro lugar. V angloriar-se-ão d a o b ra d o S e n h o r e d e su a sa n tid a d e,
e d e su a v id a d ireita.
14. O s sa n to s fariseus a p re n d e rã o p elo u so , u m a fraseologia espi-
ritu al, u m co m p e n d io so v o cab u lário esp iritu al p a ra ocupá-lo e m u m a
h o ra c o n v e n ie n te .
15. O s sa n to s fariseus a n e la rã o se re m vistos e c o n h e c id o s e bus-
carão p o siçõ es p ro e m in e n te s n a o b ra esp iritu al.
16. O s san to s fariseus n ã o c o n c o rd a rã o c o m a bo ca, m a s assenti-
rão co m 0 c o ração e se rã o passivos, silenciosos traiço eiro s.
17. O s sa n to s fariseus se in clin a rã o e m d iz e r tu d o 0 q u e sa b em
p ara d e m o n s tra re m 0 se u ser. A n u n c ia rã o se u c o n h e c im e n to profun-
d o d a Bíblia e q u e re rã o d e m o n stra r q u e são v e te ra n o s n a fé, a té chegar
ao rein o d a su p o sição e d a h e re sia.
18. O s sa n to s fariseus tra ta rã o p o r fraseologia d e im ita r 0 q u e é
g e n u in a m e n te espiritual, m as su a v id a n ã o resp ald a a su a fraseologia.
19. O s s a n to s fariseus b u sc a rã o e x p e riê n c ia s d e o u tro s p a ra res-
p ald ar as su as p alav ras o u p reg açõ es, p o rq u e a su a m e n sa g e m n ã o é
su ficien te p ara c o n v e n c e r as p esso as m a d u ra s, p o r n ã o te re m base

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bíb lica p a ra o q u e d iz e m , e n e m a su a v id a lh e resp ald ará.
2 0 . O s sa n to s fariseus se m p re se n tirã o apeg o à su a obra.
2 1 . O s sa n to s fariseus p o ssu irão m u ito s p lan o s e será v erg o n h o so
tra b a lh a r co m eles.
2 2 . O s san to s fariseus serão guiados p o r p e n sam e n to s súbitos e
viv erão n o m u n d o d a suposição. N a h o ra d a v e rd a d e , d em o n strarão
v e rd a d e ira m e n te su a debilidade espiritual e a falta d e co m p reen são no
m u n d o do Espírito.
2 3 . O s san to s fariseus estarão sem p re apressados a fim de avançar
ao passo d e su a alm a carnal d o m in a d a pela m e n te m u n d a e liberal.
2 4 . O s san to s fariseus serão ex p erto s em d escobrir faltas, erros,
p o n to s, se m lem b rare m d a frase n e m d a v e rd a d e q u e ela descreve.
2 5 . O s san to s fariseus v e rã o a co n d ição q u e se m o stra ao seu redor
e p o r isso se d esan im arão facilm ente e d esan im arão a o u tro s e m esm o
q u e se rep ita a lição jam ais ap ren d erão .
2 6 . O s san to s fariseus d esan im arão facilm ente p o r causa dos seus
esforços e m vão.
2 7 . O s santos fariseus trabalharão com alegria, desde q u e 0 seu labor
d e p e n d a sim p lesm en te d e seu s se n tim e n to s e profecias.
2 8 . O s san to s fariseus serão os m ais ativos, m as m u ito m ais ciu-
m e n te s q u e dispostos. M as não terão tem p o p ara esperar, n e m ânim o
p ara c o n tin u a r q u a n d o u m a peleja n ecessita d e te m p o p ara se vencer.
2 9 . O s san to s fariseus trabalharão, m as n ã o p o rq u e te n h a m recebi-
do u m a o rd em d e D eus, m as p o rq u e q u e re m q u e as suas idéias e planos
sejam e x e cu ta d o s literalm en te.
3 0 . O s san to s fariseus serão m u ito o rgulhosos se p ro sp erarem d e
Aldery Nelson Rocha

a lg u m a m an e ira . M as, ao m e sm o te m p o , se se n tirã o lastim ados se


forem posto s d e lado.
3 1 . O s san to s fariseus ab u n d a rã o e m c o n h e cim e n to , m as serão
c u rto s e m ex p eriência.
3 2 . O s san to s fariseus terã o u m a v id a espiritual boêm ia. G ostarão
d o m u n d o d o s p o em as líricos, se n tim e n to s tra n sc en d e n tais, a fim d e
reco rd ar suas vidas antigas, p ara acariciarem os deleites de seu passado
bo êm io .
3 3 . O s santos fariseus serão m odernos, pois terão 0 desejo dos olhos
c o n sta n tem e n te go vernando as suas vidas: seu p o nto d e vista particular,

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estético o u artístico estará por cim a do espiritual.
3 4 . O s san tos fariseus serão cheios d e capacidade e de verbosidade
linguística. Eles se m ete rã o e m discussões in term in áv eis co m em o ção
entusiástica co m 0 fim de estabelecer u m v ered icto pessoal sobre todos
os dem ais e 0 in terio r de suas casas será sem p re u m te ste m u n h o co n tra
as suas palestras.
3 5 . A sen sação será algo p rim ordial n as vidas d os san to s fariseus.
Se e m seus cultos n ã o h o u v e r sensação, n ão foi d e D eus, 0 p reg ad o r é
carnal e frio, os irm ãos precisam d e avivam ento.
3 6 . O s san tos fariseus facilm en te serão tu rb ad o s p o r coisas d e fora.
3 7 . O s san to s fariseus se co n sid erarão espirituais ao e x tre m o por
h a v e r co n seg u id o u m p e q u e n o progresso n o rein o espiritual e rapida-
m e n te se e sq u ecerão d e to d o s os c o n cu rso s de su a v ida n atu ral.
3 8 . O s san to s fariseus p en sarão q u e to d o 0 m o v im e n to ao red o r
está dirigido a eles e p or isso serão h ipersensitíveis e será m u ito difícil
conviver c o m eles se h o u e r alg u m a m u d a n ç a sú b ita e o u tra s pessoas
foram inclu íd as re p e n tin a m e n te n o program a.
3 9 . O s san to s fariseus serão facilm ente c am b ian tes, d e p e n d e n d o
do a m b ie n te favorável o u desfavorável às suas idéias, e m o ç õ e s e espi-
ritualidade.
4 0 . O s santos fariseus se apegarão com frequência n as m en o re s opi-
niões, p o rq u e a d o ta m c e rta a titu d e de justiça própria; q u a lq u e r pessoa
q u e d esem b aciar q u a lq u e r u m d e seu s en sin o s co m u m n o v o co n ceito
serão filhos das trevas e en v iad o s d e S atanás.
4 1 . O s santos fariseus gostarão de discutir e arrazoar p o rq u e buscam
d ilig en tem en te u m a co m p re en sã o m en tal.
4 2 . O s santos fariseus serão excep cio n alm en te curiosos. B em aven-
tu rad o s são aq u eles q u e a lcan çam favor do S en h o r n as m ais diversas
áreas d e suas vidas; m ere ce m com em orar, sim , m ere ce m c a n ta r a su a fe-
licidade, m as os san to s fariseus terão sem p re a te n d ê n c ia d e m o strar as
suas d iferenças e sup erio rid ad es n a su a ap arên cia, e m seus m o d o s, em
seus atos, a té n o tem p o d e casados ou e m su a co n d ição n o estad o civil.
C onvido a to d o s os leitores a u m m o m e n to d e o ração p o r to d as as
pessoas co n tra q u em tem os sido preconceituosos, e a pedirm os p erd ão a
D eus, porque aquele q u e diz q u e a m a a D eus e odeia 0 seu irm ão, n u n c a
c o n h e c e u a D eus.

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