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Licenciatura em Medicina Veterinária

PATOLOGIA GERAL
2008-2009

Elsa Leclerc Duarte


Assistente do DMV

PATOLOGIA GERAL DA
CÉLULA

1. Revisões de Biologia Celular


2. Causas de lesão celular
3. Apoptose
4. Lesões degenerativas
5. Necrose

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CÉLULA

MEMBRANA CELULAR
Dupla camada lipídica com proteínas “embutidas”- MOSAICO FLUÍDO

Proteínas Integrais  ligações


fortes dentro membrana. Por
vezes estendem essas ligações
através da membrana

Proteínas periféricas  ligações


fracas entre outras proteínas ou
lípidos membranários.

é a 1a estrutura de contacto
com agentes lesivos

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MEMBRANA CELULAR - Glicocálice
Patologia Geral

Constituído por
• Carbohidratos, à superfície da célula
• Cadeias de oligosacáridos com ligações covalentes às proteínas
(glicoproteínas) e aos lípidos (glicolípidos) ou adsorvidas às
glicoproteínas

Funções:
• mediação do reconhecimento célula-célula
• mediação dos processos de adesão (inflamação)

Núcleo
Armazenamento e transmissão da informação genética

• Armazena e organiza os genes nos


cromossomas, de modo a permitir a divisão
celular
• Transporte de factores reguladores e produtos
dos genes através dos poros nucleares
• Produção de mensagens para codificação
para proteínas, através do mRNA
• “Fabrico” de ribosomas no nucléolo
• Programação do desenrolamento da hélice
de DNA para a replicação dos genes-chave

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Núcleo

Membrana nuclear
Estrutura típica de unidade de
membrana, com dois folhetos
que se inflectem em fundo de
saco e se ligam na zona do
poro.

O folheto externo e o espaço


entre os dois folhetos tem
continuidade com o R E R. Pode
ser preenchido por proteínas
recém sintetizadas pelo próprio
RER

Núcleo
Cromatina: material nuclear que
contém cadeias de DNA ligado às
proteínas. Encontra-se armazenada
em unidades individuais – os
cromossomas.

Heterocromatina: forma
condensada de cromatina. É
abundante nas células em
descanso ou células de reserva

Eucromatina : forma linear de


cromatina, abundante nas células
activas ou células de transcrição. É
a partir destas regiões que se inicia
o desenrolamento do DNA que irá
ser transcrito ou duplicado.

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NUCLÉOLO
O nucléolo é um aglomerado de cromatina e
RNA.
Sintetiza e forma os ribosomas
O nucléolo é organizado a partir de regiões
específicas nos cromossomas – zonas de
organização nucleolar
Um determinado número de cromossomas
reunem-se e transcrevem nesta zona o RNA
ribosomal

Mitocôndria
Fonte de energia da célula.

Membrana com duplo folheto:


• Folheto externo, que limita o
organito
• Folheto interno com
invaginações

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Mitocôndria
Fosforilação oxidativa – principal fonte de ATP

Glucose + transportador

Metabolismo Metabolismo
anaeróbico aeróbico
(glicólise)

Piruvato

Acetil-CoA

RE Rugoso e RE Liso Metabolismo de lípidos


(Incl esteroides),
destoxifica e é
reservatório de Ca2+

Retém os ribosomas nas suas


cisternas, durante a síntese
proteica
Numas fase posterior as
proteínas são enviadas para o
Ap. Golgi ou para a membrana

O RER é abundante em
células com ↑ síntese
proteíca: hepatócitos,
plasmócitos, células
ácinos pancreáticos,etc.

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RER
Funções:
• Processamento de
informação genética
transportada pelo mRNA,
que irá depois ser
convertida na sequência
exacta de amino-ácidos Tradução (1) do mRNA por um ribosoma (2)
que formam a proteina – numa cadeia de polipeptideo (3). O mRNA
tradução começa com um codão de arranque (AUG)
e termina com um codão de paragem
(UAG).

Aparelho de Golgi
Estrutura membranosa
com cisternas e vesículas
c/ 3 faces:
• Cis – que contacta com
o RE
• Medial (1) Nucleo, (2) Poro nuclear, (3) Retículo
Endoplásmico Rugoso (RER), (4) Reticulo
• Trans – direccionada Endoplásmico Liso (SER), (5) Ribosoma no RE,
(6) Proteinas em transporte, (7) Vesícula
para a membrana transportadora, (8) Ap. Golgi, (9) Face Cis do Ap.
Golgi, (10) Face Trans Ap. Golgi, (11) Cisternas do
plasmática Ap. Golgi, (12) Vesícula secretória, (13) Membrana
plasmática, (14) Exocitose, (15) Citoplasma, (16)
Espaço extracellular .

FUNÇÃO: síntese de proteínas complexas por junção de


carbohidratos e produção de vesículas secretórias e
lisossomas

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LISOSOMAS e PEROXISOMAS

Lisosomas: abundantes nas células


animais mas raros nas células vegetais.
São corpos esféricos rodeados por uma
membrana simples, formados no A. Golgi.

Funções:
• Contêm enzimas hidrolíticas
necessárias à digestão intracelular.
Papel importante na destruição de
bactérias
• Degradação de organitos
envelhecidos (principalmente
mitocôndrias)
• Condução de produtos
intermediários do processo de
endocitose

Peroxisomas: semelhantes aos lisosomas, de membrana


simples que se auto-replicam. Existem em todas as células, à
excepção dos eritrócitos. Particularmente abundantes nas
células renais e hepáticas
Estrutura:
• Aglomerados de urato oxidase e outras
enzimas oxidantes, como a peroxidase
• Membrana de folheto único
• Destroem-se por autofagia
• Condução de produtos intermediários do
processo de endocitose

Funções:
• Destoxificação da célula -degradação de
H 2O 2
• Gerar energia térmica para o metabolismo
dos lípidos
• Intervêm no catabolismo das purinas

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Citoesqueleto: Complexo importante de
componentes celulares destinados a organizar e
manter a forma da célula.

Fixa os organitos no lugar


• Ajuda durante a endocitose
(recolha de materiais para
dentro da célula)
• Movimenta partes da célula
nos processos de
crescimento e motilidade)
• Grande número de
proteínas associadas, que
controlam a estrutura da
célula ligando e alinhando
os filamentos

PATOLOGIA GERAL DA
CÉLULA

1. Revisões de Biologia Celular


2. Causas de lesão celular
3. Apoptose
4. Lesões degenerativas
5. Necrose

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Definições
Homeostase: As células mantêm uma estrutura e
função normais, em resposta às exigências
fisiológicas normais.

Adaptação celular: perante situações de stress


(fisiológico ou patológico), as células fazem
adaptações morfológicas e/ou fisiológicas de modo
a manterem-se viáveis
Processos adaptativos: atrofia, hipertrofia, hiperplasia
e metaplasia
Lesão celular: a resposta adaptativa excede os
limites ou a adaptação não é possível 
ocorrência de lesão celular REVERSÍVEL OU
IRREVERSÍVEL

HOMEOSTASIA

Stress Agressão

ADAPTAÇÃO Incapacidade LESÃO


em adaptar-se

reversível irreversível
morte
celular

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AGRESSÃO CELULAR
Etiologia
AGENTES FÍSICOS
• Trauma
• Temperaturas extremas
–FRIO: diminuição do fluxo sanguíneo,
formação de cristais de gelo intracelulares
(ruptura membranas)
–CALOR: desnaturação proteica e aumento
da taxa metabólica até níveis letais
Electrocussão: calor e alteração da
condutividade em nervos e músculo
• Radiações ionizantes: radicais livres +
lesão no material genético

AGRESSÃO CELULAR
Etiologia
HIPÓXIA- ANÓXIA
• Isquémia
• Anemia
• Intoxicação c/ CO

Sensibilidade dos tecidos à hipoxia


dependente de:
• Necessidades energéticas da célula
• e /ou da capacidade de utilizar a
glicólise anaeróbica como fonte de
energia

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AGRESSÃO CELULAR
Etiologia
SENSIBILIDADE DOS TECIDOS À HIPÓXIA
SUSCEPTIBILIDADE TIPO DE CÉLULA TEMPO ( ATÉ À LESÃO
IRREVERSÍVEL)

ALTA Neurónios 3 – 5 minutos

MÉDIA Hepatócitos 30 min – 2 horas


Miocárdio 30 min – 2 horas
Epitélio renal 30 min – 2 horas

BAIXA Fibroblastos
Epiderme Várias horas

AGRESSÃO CELULAR
Etiologia

AGENTES INFECCIOSOS
•VÌRUS: intracelular obrigatório e
utilização do aparelho enzimático
em proveito próprio
•BACTÉRIAS (toxinas)
•FUNGOS
•PROTOZOÁRIOS

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AGRESSÃO CELULAR
Etiologia
DESIQUILÍBRIOS NUTRICIONAIS
•Deficiências proteícas e
vitamínicas
•Excessos de glúcidos e
lípidos na alimentação

AGRESSÃO CELULAR
Etiologia

ALTERAÇÕES GENÉTICAS
•Mutações: deficiências em enzimas
críticos para a célula

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AGRESSÃO CELULAR
Etiologia

AGENTES QUÍMICOS
•Fármacos
•Produtos tóxicos

AGRESSÃO CELULAR
Etiologia

DISFUNÇÕES DO SISTEMA IMUNOLÓGICO

• Doenças auto-imunes
Tecidos + sensíveis: pele, articulações e
rim
• Reacções de hipersensibilidade

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AGRESSÃO CELULAR
Mecanismos bioquímicos

DEPLECÇÃO DO ATP
ATP
• Manutenção da osmolaridade
• Sistemas de transporte
• Síntese proteíca

AGRESSÃO CELULAR
Mecanismos bioquímicos
Formação de radicais livres de O2
• Peroxidação dos lípidos

↑ Ca 2+ intracelular
• Activação de fosfolipases (lesão
membrana), proteases (catabolismo
de proteínas estuturais e
membranárias), ATPases e
endonucleases

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AUMENTO INTRACELULAR DO
Ca2+

Mecanismos bioquímicos
PERMEABILIDADE MEMBRANÁRIA
Membrana citoplasmática
• perda de constituintes intracelulares
Lesão mitocondrial
Aumento da permeabilidade por
• Aumento do Ca 2+ intracelular
• Stress oxidativo
→ perda do gradiente de protões
impedindo a síntese de ATP
Lisossomas
• Libertação de enzimas

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Mecanismos bioquímicos
RESUMO

PATOLOGIA GERAL DA
CÉLULA

1. Revisões de Biologia Celular


2. Causas de lesão celular
3. Apoptose
4. Lesões degenerativas
5. Necrose

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APOPTOSE
MORTE CELULAR PROGRAMADA-
Activação do mecanismo genético de
autodestruição
• Embriogénese
• Involução hormonal de tecidos
• Substituição celular em tecidos em
proliferação (intestino, tecido linfoíde)
• Sistema imunitário: morte induzida por
células T citotóxicas ou por ausência
de citoquinas

APOPTOSE
Morfologia

•Os organitos empilham-se mas estrutura


mantém-se normal
•Isolamento da célula, perda de água e
modificação da forma
•Condensação da cromatina 
agregados bem visíveis de cromatina
mais ou menos fragmentada

retracção celular

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APOPTOSE
Morfologia

• Formação de corpos apoptoticos


(fragmentos nucleares)

• Fagocitose pelos macrófagos ou células


do parênquima

• Pode ocorrer rapidamente e não ser


evidenciada histologicamente

APOPTOSE
Morfologia

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APOPTOSE
Necrose versus apoptose

APOPTOSE
Mecanismos bioquímicos

1. SINALIZAÇÃO INICIAL: Sinais


intrínsecos, agressão, ↓ factores de
crescimento, ou TNF (estimulação
de alvos à superfície e activação
de caspases e cascata
enzimática)

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APOPTOSE
Mecanismos bioquímicos

2. CONTROLO E INTEGRAÇÃO:
Factores e anti-factores (proteínas)
Permitem executar ou abortar a
apoptose. Regulam a
permeabilidade mitocôndrias

APOPTOSE
Mecanismos bioquímicos

3. EXECUÇÃO: clivagem proteínas ,


ligações proteínas do
citoesqueleto (corpos
apoptoticos), endonucleases
(DNA)
4. REMOÇÃO DE DETRITOS: Fagocitose

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APOPTOSE
Mecanismos bioquímicos

macrófago ou
célula epitelial
adjacente

APOPTOSE
Exemplo epitélio
intestinal

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PATOLOGIA GERAL DA
CÉLULA

1. Revisões de Biologia Celular


2. Causas de lesão celular
3. Apoptose
4. Lesões degenerativas
5. Necrose

LESÕES DEGENERATIVAS
Alterações reversíveis
Degenerescência hidrópica
• mais afectadas as células epiteliais
• ↑ do volume celular
• Presença de vacuolos no
citoplasma junto ou á volta do
núcleo
D.D. com: esteatose, glicogénio, autólise bolhas
de ar (colorações específicas)

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LESÕES DEGENERATIVAS
Degenerescência hidrópica

Coelho- Fígado. Intoxicação


por clorofórmio

LESÕES DEGENERATIVAS
Degenerescência hidrópica

Coelho- Fígado. Intoxicação


por clorofórmio

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LESÕES DEGENERATIVAS
Alterações reversíveis
Degenerescência balonizante
- ↑ do volume celular
- Citoplasma claro e homogéneo
- Hidratação celular ( membrana celular
deixa de ser selectiva)
- associado a vírus epiteliotrópicos (FMD,
CDV), venenos

LESÕES DEGENERATIVAS
Degenerescência balonizante

Fígado: alcolismo

Hepatopatia por esteroides


canídeo (H.E.)

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LESÕES DEGENERATIVAS
Degenerescência balonizante

Estomatite papular, mucosa oral, Bovino

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