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Sociedade Brasileira de Química (SBQ) Joinville–2019

Área: EDU Nº de Inscrição: 01264

O ensino de Química no contexto da educação indígena: Produção de


tinta corporal de urucum
Lorrana N. N. Nóbrega (PG)1*; Claudio R. M. Benite (PQ)1; Rainny S. G. de Paula (IC)²; Alisson G. F. de
Souza (IC)²
nobregalnn@gmail.com; claudiobenite@ufg.br; rainnysgpaula@gmail.com;alissongfsouza@gmail.com
1Laboratóriode Pesquisas em Educação Química e Inclusão - LPEQI, ²Universidade Federal de Goiás, ²Pontifícia
Universidade Católica de Goiás.

Palavras Chave: Educação indígena, Ensino de Química, Extração por solvente, Saberes indígenas, Inclusão escolar.

Chemistry education in the context of indigenous culture: production of urucum


body paint
This work aimes the teaching of chemical concepts about solvent polarity for indigenous students from an
experimental chemistry of the extraction of urucum pigment. The results indicate that the students were able
to relate the concepts of polarity with the extraction of the bixin pigment.

Resumo/Abstract
O ensino de Química no contexto da educação indígena deve preceder a construção de um espaço educativo
em que se contemplem as relações dialógicas entre os conhecimentos científicos e as especificidades
interculturais1. Com esta premissa, a experimentação se apresenta como uma importante ferramenta de
mediação do conhecimento químico possibilitando, segundo Vygotky2, a atribuição de novos significados que
surgem das interações sociais intermediadas por meio de instrumentos e signos multiculturais. Contendo
elementos de pesquisa-ação, esta investigação surge de uma necessidade da prática docente para a inclusão
escolar de estudantes indígenas e propõe utilizar a extração da tinta de urucum para discutir as relações dos
saberes e práticas culturais presentes no preparo do corante. Deste modo, o experimento intitulado “Produção
de tinta corporal de urucum no ensino de Química” foi realizado numa turma de alunos indígenas do curso de
Licenciatura Intercultural de uma universidade pública. O objetivo da aula foi ensinar conceitos químicos
relacionados à polaridade dos solventes (água e óleo) na extração do pigmento Bixina, presente no fruto do
urucum. Um extrato da discussão entre o professor em formação continuada (PG) e os alunos (A) é
apresentado a seguir:
PF: Qual o método que vocês costumam utilizar para a extração da tinta de urucum?
A3: Pra tirar a tinta da frutinha do urucum, poe ele no fogo e coloca também (à mistura das sementes e água) óleo de
babaçu, conforme a mistura […] e daí depois, na parte desse processo de separação físico (decantação), de “apurar”,
punha pra secar o óleo ao sol, quinze dias.
PF: Porque usam o óleo de babaçu?
A3: Sai mais tinta…na mistura.
PF: Então, a tinta tem mais afinidade química pela água ou pelo óleo?
A3: Óleo.
Os resultados apontam que os saberes produzidos no senso comum permitem A3 distinguir o “óleo de
babaçu” como uma substância fundamental na extração do pigmento de urucum, apesar de não identificar a
similar polaridade entre o solvente e o corante, como justificativa das interações químicas ocorridas na
produção da tinta. Deste modo, ao se apropriar das ferramentas culturais na ação mediada produzida com
A3, PF estabelece o elo entre o conhecimento químico e os saberes culturais indígenas envolvidos no
processo de extração do pigmento, o que possibilita ao estudante a significação do conceito de polaridade, a
partir da atribuição de sentido sobre a “afinidade química” do pigmento e o óleo. Concluímos que o
experimento sobre a extração química do pigmento do urucum favoreceu a participação dos estudantes na
aula prática e a construção de significados entre os saberes indígenas e os conhecimentos da ciência.

Agradecimentos/Acknowledgments
Ao CNPq.

1.Pinheiro, P. C. A Construção do Sítio Ciência na Comunidade: Antecedentes, Fundamentos, Narrativas Híbridas e Conteúdo
Epistemológico. Rev. Bras. Pesqui. em Educ. em Ciências (2017). doi:10.28976/1984-2686rbpec2017171243
2.Vygosky, L. A formação social da mente Vygotsk. Funcionários da Seção Braille da BPP (1998).

42a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química: Eixos Mobilizadores em Química