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FARMACOLOGIA P4

(sangue de jesus tem poder)

AUTACOIDES
Definição: grupo heterogêneo de substâncias formadas pelo organismo de ação
autócrina e parácrina. Fazem parte desse grupo: eicosanoides, citocinas, cininas, fator
ativador de plaquetas, NO, histamina, serotonina e angiotensina.

1) CININAS
a) Origem: cinonogênio (plasma, linfa e fluido intersticial) (pré-calicreína  calicreína, por
lesão tecidual)
 cininas (calidina, bradicinina, met-lys-bradicinina).
b) Biotransformação:
o Bradicinina/calidina (ligam-se a beta2 receptores)
1. Cininase I  Des-arg-bradicinina/calidina (agonistas, ligam-
se a beta1-receptores)
2. Cininase II  peptídeos inativos.
o Antagonistas: des-arg-[LEU]bradicinina
c) Receptores
o Beta1: inflamação, síntese do colágeno e multiplicação celular.
o Beta2 (A e B): mobilização de Ca2+, transporte de Cl-, formação de
NO, ativação de fosfolipase C e ativação de adenilciclase.
d) Efeito fisiológico
o Aparelho cardiovascular: vasodilatação arteriolar acentuada (ação
direta ou mediada pela libertação de NO/PGI2 e PGE2),
vasoconstrição de veias (PGF2a); contração ML visceral.
i. OBS: administração por IV  queda rápida da P.A
o Inflamação: sintomas da inflamação (sinais cardinais)
o Nervos sensoriais: dor (estimulação de nervos aferentes
nociceptivos da pele e vísceras).
o Glândulas endócrinas e exócrinas (pâncreas, rim, intestino,
glândulas salivares e sudoríparas): ativação da pró-insulina e pró-
renina.

2) ANGIOTENSINA
a) Síntese: ↓ concentração de Na e da pressão de perfusão renal 
síntese de renina pelo aparelho justaglomerular  angiotensinogênio,
produzido pelo fígado  angiotensina I, produzida no vaso  ECA cliva em
angiotensina II, no pulmão
o OBS: ECA também cliva bradicinina.
b) Mecanismo de ação: liga-se a receptor AT-I (acoplado a Gq)  ativação de
PLC  PIP2 clivado a IP3 e DAG, PLC ativa canais de Ca2+ de membrana
 IP3 ativa liberação de Ca2+ do retículo sarcoplasmático  aumento de
Ca2+ intracelular  DAG estimula associação de Ca com calmodulina 
complexo promove contração
c) Efeitos farmacológicos: vasoconstrição generalizada (↑ arteríola eferente
do rim), ↑ liberação de noradrenalina das terminações nervosas
simpáticas  vasoconstrição, ↑ FC e força de contração, estimulação
da reabsorção tubular proximal de Na, secreção da aldosterona do
córtex suprarrenal, crescimento celular no coração e nas artérias
d) Ver Inibidores do ECA

ANTIHIPERTENSIVOS
Aspectos epidemiológicos
o Uma das principais causas de hospitalização no Brasil.
o Aumento das pressões sistólica e diastólica com o passar dos anos: sintomas
surgem após os 40 anos.
o Incidência maior em mulheres na faixa entre 40-49 anos. Praticamente igual aos
50-59 anos.

Fatores predisponentes: idade, sexo, hábitos alimentares (sal, etanol e obesidade),


genética e ambiental (estresse).

Classificação
SISTÓLICA DIASTÓLICA
Leve 140-159 mmHg 90-99 mmHg
Moderada 160-179 mmHg 100-109 mmHg
Grave 180+ mmHg 110+ mmHg

FISIOPATOLOGIA
Fatores determinantes: PA = DC x RP
DC = volume sistólico (pré e pós-carga), contratilidade (FC – SNA e catecolaminas
circulantes).
RP = volume e viscosidade do sangue, diâmetro do vaso (peptídeos vasoativos e
catecolaminas circulantes).

Elevação crônica da pressão arterial  AVC, lesão vascular, IC e IAM, IR.


Consequências cardiovasculares: comprometimento do débito cardíaco (hipertrofia
VE) e elasticidade dos vasos (hipertrofia média, aterosclerose).

FARMACOLOGIA
Objetivo: reduzir o risco cardiovascular.

Classes de anti-hipertensivos
1. Diuréticos:
Uso clínico:
Síndromes edematosas: ICC, síndrome nefrótica, hiperaldosteronismo
primário (Síndrome de Conn) e secundário a cirrose hepática, edema periférico
idiopático e edema agudo de pulmão.
Síndromes não-edematosas: HAS, acidose tubular renal, hipercalcemia
idiopática, hipercalcemia, diabetes insípido
a) Tiazídicos: Hidroclorotiazida, Clortaridona, Indapamida
Os mais comumente prescritos, principalmente para hipertensão crônica.
Posologia: 1x dia.
Mecanismo de ação: ligam-se ao ponto do Cl- do sistema de cotransporte
tubular distal de Na/Cl  inibição do transportador  natriuerese.
Efeito farmacológico: diminuição do volume inicialmente, vasodilatação
tardia.
i. Início do tratamento: aumento RVP, redução V e redução PA.
ii. Semanas: relativa estabilidade de RVP, aumento ligeiro do V e
estabilidade de PAS.
iii. Meses: redução e estabilidade da RVP (valor menor que inicial),
estabilidade V (valor ligeiramente menor que inicial) e estabilidade
PAS (menor que inicial).
Conclusão: contração do volume sanguíneo  secreção de renina 
formação de angiotensina e secreção de aldosterona  retenção de
volume e atenuação do efeito. Logo, o efeito anti-hipertensivo
máximo é obtido com doses mais bases do que as necessárias para
efeito diurético máximo.
Vantagem: poucos efeitos colaterais.
Desvantagem: frequentemente deve ser combinado.
Uso terapêutico: Hipertensão Arterial Moderada, IC leve, edema periférico
grave, diabetes insipido nefrogênico* PA normaliza-se após 2 meses com 1
dose/dia de 12,5 mg.
*Diabetes: redução do volume urinário.
b) De alça: Furosemida, Bumetamida, Ácido Etacrínico
Posologia: 2-3x dia.
Uso terapêutico: hipertensão maligna (diuréticos mais potentes), doença
renal crônica avançada, edema agudo de pulmão, ICC, cirrose hepática
complicada por ascite, síndrome nefropática, tratamento da hipercalemia após
reposição de volume plasmático.
Mecanismo de ação: inibição do transportador Na-K-2Cl na alça de Henle
 aumento da oferta de Na+ ao néfron distal
Efeitos farmacológicos: maior excreção de Na, vasodilatação e diminuição
da responsividade vascular a vasoconstritores
Efeitos adversos: perda de Cl-  aumento da concentração de HCO3 
alcalose metabólica, gota (↓ excreção ácido úrico), hipocalemia.
Vantagem: eficácia maior na excreção de Na.

c) Bloqueadores de canais de Na+ ( Amilorida, Triantereno) Antagonista


de Aldosterona: (Espironolactona)
Mecanismo de ação: bloqueio da retenção de Na+ mediada pela aldosterona
ou do canal de Na.
Uso terapêutico: uso associado  correção ou atenuação da caliurese.
Desvantagem: ação diurética limitada (branda), se usado isoladamente;
predisposição à hipercalemia.
d) Inibidores de anidrase carbônica (atuam em tubo contorcido proximal)
Acetazolaminda
Mecanismo de ação: ligam-se no sítio catalítico da enzima. Efeito diurético
poderoso.
Uso clínico: glaucoma.
Efeito adverso: acidose metabólica – excreção de HCO3 e H2O.
e) Diuréticos osmóticos (atuam no glomérulo) Manitol
Mecanismo de ação: reduz reabsorção passiva de H2O em TCP, AH(des) e
DC.
Uso clínico: restrito (edema cerebral, glaucoma, prevenção IRA)
 Relação dosagem/eficácia e efeitos adversos: aumento da dosagem gera
aumento de efeitos colaterais e não-resposta, havendo uma faixa aceitável para o
uso de diuréticos = GERALMENTE COMBINADOS COM OUTROS
FÁRMACOS ANTI-HIPERTENSIVOS. Prescrições estão reduzindo. Porém,
ainda é o mais prescrito, seguido de antagonistas de Ca.
 Efeitos adversos: ↓ reabsorção renal de Na e Mg  diurese e salurese.
i. ↓ VP = ↓ fluxo renal  ↓ TFG  uremia (pré-renal), ↑ reabsorção
de purinas e Ca (hiperuricemia e hipercalcemia).
ii. ↓ DC = hipotensão postural
iii. ↑ SRA = ↑ aldosterona  kaliurese  hipocalemia  ↑ glicemia e
colesterol.

2. Inibidores adrenérgicos: inibem a síntese ou liberação de NA.


Fisiopatologia de Na
i. Síntese: conversão de dopamina a alfa-metil-NA por tirosina.
ii. Liberação: ligação a alfa2, ativa a adenilato ciclase com aumento de
AMPc, que ativa canais de Ca. Aumento de Ca intracelular gera fusão de
vesícula armazenadora a membrana, estimulando a liberação de alfa-
metil-NA e NA que se ligam a receptores alfa1.
a) Ação central:
- Alfa-metildopa
Mecanismo de ação: captada por neurônios noradrenérgicos  convertida a
alfa-metilnorepinefrina  não é convertida pela MAO, acumula-se e desloca a
norepinefrina das vesículas sinápticas. Pseudosubstrato para tirosina, enzima que
atua na conversão de dopamina a alfa-metil-NA.
Farmacocinética: necessária administração de 2 doses por dia parta
manutenção do efeito (atenua a HA).
Praticamente obsoleto  usado durante a gravidez.
Vantagem: não atravessa barreira placentária
Efeitos adversos: sedação.
- Clonidina:
Mecanismo de ação: agonista do receptor alfa2-adrenérgico que inibe a
exocitose  inibe controle central da vasoconstrição mediada pelo sistema
simpático.
Farmacocinética: uso contínuo aumenta a sobrevida. Interrupções gera maior
mortalidade.
Efeito adverso: perde sua seletividade com pequenos acréscimos na dose e pode
causar hipotensão postural.
b) Beta-bloqueadores: Propanolol e Atenolol
o Mecanismo de ação: competem com catecolaminas pela ligação ao receptor
beta-adrenérgico, impedindo ativação por via de sinalização Gs (ativação de
PKA, fosforilando canais de Ca em RS e MP que aumentariam o Ca
intracelular, gerando contração).
OBS: seletividade beta-1 perdida quando usados em altas doses.
o Efeito farmacológico: redução do débito cardíaco (consequente redução da
PA) , redução da liberação de renina pelas células justaglomerulares do rim,
redução da atividade simpática.
o Uso terapêutico: reduzem a mortalidade após IAM; tratamento da angina, HÁ
e arritmias.
o Atenolol e Metoprolol são cardiosseletivos (seletivos para beta1)
PROPANOLOL
o Vantagem: anti-anginoso.
o Efeitos colaterais: bloqueador beta não-seletivo (hipoglicemia,
broncoconstrição, fadiga, extremidades frias).
o Beta2: vasoconstrição em extremidades, reduz
glicogenólise hepática (glicose plasmática);
broncoconstrição (bloqueio em ML brônquico).
Evitar em asmáticos.
o Beta3: reduz lipólise de tecido adiposo (ácidos
graxos).
o Contraindicações: asma e diabéticos.
c) Alfa-bloqueadores: Prazosina
 Mecanismo de ação: competem com catecolaminas pela ligação ao receptor
alfa1-adrenérgico, o que geraria via de sinalização do tipo Gq (PLC gera IP3,
que ativa liberação de Ca, que se liga a calmodulina e gera contração) 
vasodilatação (↓ RVP)  queda da pressão arterial
 Uso terapêutico: reduz a PA média dos hipertensos. Com doses maiores,
reduz de normotensos. Não aumenta a sobrevida em comparação com
Propanolol e placebo.
 Desvantagem: hipotensão postural.
3. Bloqueadores de canais de Ca
1ª geração: Verapamil e Diltiazem
2ª geração: Nifedipina
o Vantagem: efeito imediato; desvantagem é edema em MMII (15%).
3ª geração: Lercanidipina
 Mecanismo de ação: impedem a entrada de Ca2+ para o interior da
célula, por antagonismo de canais regulados por ligante e tipo L,
reduzindo a concentração de Ca2+ intracelular (o que geraria contração).
 Farmacocinética: Nifedipina produz efeito dependente da dose.

4. Inibidores da ECA (Enzima Conversora de Angiotensina II).


SRAA: conversão de angiotensinogênio a angiotensina I por renina na
circulação  conversão de angiotensina I a angiotensina II e quebra de bradicinina por
ECA no pulmão  angiotensina II provoca aumento da FC e força de contração e
liberação de aldosterona no ducto coletor dos rins, aumentando a retenção de líquido,
além da contração vascular nos vasos.
Captopril e Enalapril
 Mecanismo de ação: inibem a síntese de angiotensina II
 Efeitos farmacológicos: inibição da contração vascular, redução da retenção de
líquidos e redução da FC e força de contração.
 Epidemiologia: Enalapril reduziu o número de hospitalizações e mortalidade de
pacientes hipertensos.
 Captopril (considerações):
 Vantagem: IC
 Desvantagem: tosse (inibe a degradação da bradicinina).
 Contraindicação: 10% negros e hiporeninêmicos em geral (IR, estenose da
artéria renal bilateral, gravidez, hiperpotassemia)

5. Antagonistas do receptor AT-1: Losartan e Valsartan


 Vasoconstrição: via de sinalização Gq (PLC converte PIP2 em IP3 e
DAG; IP3 ativa liberação de Ca do r.s; DAG estimula ligação de Ca a
calmodulina, promovendo contração.
 Mecanismo de ação: reduzem a concentração de Ca2+ intracelular.
 Epidemiologia: Losartan aumenta a sobrevida.
 Contraindicações: hiporeninêmicos (IR, estenose da A. renal bilateral,
gravidez, hiperpotassemia).

6. Vasodilatador direto: Hidralazina


 Mecanismo de ação: desconhecido.
 Efeito farmacológico: relaxamento direto do ML arteriolar, sem efeito
dilatador sobre as coronárias e veias.
 Epidemiologia: menor PAM após 30 dias de uso.

Conclusão:
Ação central  alfametildopa e Clonidina
RP  Prazosina, Nifedipina, Enalapril, Losartan e Hidralazina
DC  Propanolol e Timolol
Fluxo renal  Hidroclorotiazida.

Efeitos colaterais: comprometem a adesão do paciente ao tratamento.


Classe Atentar para
TIAZÍDICOS E DE ALÇA Diabetes, dislipidemia, hiperuricemia,
gota e hipopotassemia
ANTAGONISTAS DE Insuficiência renal e hiperpotassemia
ALDOSTERONA E RETENÇÃO
DE K+
AÇÃO CENTRAL Hipotensão postural
PROPANOLOL (beta-bloqueador Asma, DPOC, bloqueio cardíaco de
não cardiosseletivo) 2º/3º grau e diabetes.
INIBIDOR da ECA e AtgATII Insuficiência renal, estenose de artéria
renal bilateral, gravidez e
hiperpotassemia.
AtgCa IC, longa ação, bloqueio cardíaco de
2º/3º grau
VASODILATADORES DIRETOS Doença Arterial Coronariana Grave
Intervenções não-farmacológicas: redução de peso; restrição de sal e
moderação no consumo de álcool, prática regular de exercícios físicos e
incentivo ao abandono do tabagismo.

ANTI-ANGINOSOS E CHOQUE
ANGINA
Definição: desconforto subesternal compressivo e pesado. Fisiologicamente, um
desequilíbrio entre a oferta (fluxo sanguíneo coronariano) e consumo (frequência,
contratilidade e pressão do VE) de oxigênio = sintoma de episódio de isquemia do
miocárdio.
Classificação:
i. Estável: desaparece com interrupção do esforço físico.
ii. Instável: ocorre em repouso ou com esforço mínimo.
iii. Variante: episódios repetitivos ou intermitentes em repouso e nas horas
iniciais da manhã.
Etiologia e fisiopatologia:
Estenose aterosclerótica da coronária  redução da oferta de O2, por redução de fluxo
coronáriano (associada à diástole). Processo progressivo de lesão da camada íntima,
com rotura consequente.
Estenose aórtica e hipertensão arterial  aumento do consumo de O2 por
contratilidade, frequência e pressão VE (hipertrofia do miocárdio).

FÁRMACOS ANTIANGINOSOS
Aumentam oferta de O2 por dilatação coronária e reduzem consumo de O2 por redução
de trabalho cardíaco.

1. Vasodilatadores ou nitrovasodilatadores:
Nitratos orgânicos: Nitrito de amila, Trinitrito de gliceril
(Nitroglicerina), Dinitrito de Isossorbida
 Mecanismo de ação: NOSe ativa converte L-arginina a NO e citrulina. NO
ativa sGC que converte GTP em GMPc, ativando quinase que reduz Ca
intracelular no músculo liso vascular, promovendo vasodilatação.
 Efeito farmacológico: dilatam artérias e veias (↓ pré e pós-carga), reduzindo o
trabalho cardíaco (consumo de O2).
 Uso terapêutico: logo após episódio de angina pectoris por administração
sublingual, aliviando o desconforto; uso contínuo reduz episódios de angina.
 Contraindicações: hipotensão, paciente em uso de viagra, cefaleia.
o Novo: Molsidomina (tempo maior de ação)

2. Antagonistas dos canais de Ca2+: Diltiazem, Nifedipina, Verapamil


 Mecanismo de ação: impedem entrada de Ca2+ para o interior da célula
pelos canais regulado por Ligante e tipo L e saída do RS, reduzindo
concentração de Ca2+ intracelular (se aumentasse, este ligaria-se a
calmodulina, promovendo a contração).
 Efeitos farmacológicos: reduzem o trabalho cardíaco (↓ pré e pós-carga,
contratilidade cardíaca) e melhoram oferta de O2 (promovem dilatação
coronária).
 Uso terapêutico: maior efeito em redução de episódios de angina.
 Efeitos colaterais: edema pulmonar, disfunção ventricular esquerda.
 Novo: Nitrendipina (ausência de hipotensão ortostática)

3. Antagonistas dos receptores beta-adrenérgicos


 Beta não-seletivos: Propanolol e Metoprolol
 Beta1-seletivo: Timolol
 Mecanismo de ação: impedem via de sinalização do tipo Gs (aumento
de AMPc que ativa PKA, ativando canal de Ca do RSP e MP),
provocada por ligação de catecolamina a receptor beta1 do coração.
 Efeitos farmacológicos: reduzem frequência e força de contração (efeito
inotrópico negativo) = ↓ trabalho.
 Uso terapêutico: Metoprolol melhora tolerância ao exercício em
indivíduos com angina; Timolol aumenta tempo de sobrevida após IAM;
Atenolol aumenta sobrevida em pacientes com angina instável (uso
combinado com Nifedipina revela vantagem em reduzir episódios).
 Contraindicações: pacientes com FC inferior a 60 e PS inferior a 90.

4. Anti-coagulantes e trombolíticos
 Heparina: liga-se a antitrombina III, a qual inibe fatores de coagulação.
 Varfarina: inibe enzima vitamina K-redutase, a qual ativaria vitamina K (ativa
fatores de coagulação).
 Estreptoquinase: estimula conversão de plasminogênio em plasmina (ativa
fibrinólise)
 Trombolíticos (Aspirina): inibe COX-1, que promoveria agregação
plaquetária em plaquetas; estimula maior produção de prostaciclinas, que gera
vasodilatação e inibe agregação plaquetária. Deve ser usado com cautela em
pacientes que já sofreram cirurgia (risco de hemorragia).
 Observações (pesquisas):
o Pacientes que sofrem de angina e que sofreram infarto do miocárdio
apresentam maiores níveis de fatores pró-agregantes (fibrinogênio, fator
VII, tromboxano, serotonina) do que anti-coagulantes (proteína C)
o Grupo tratado com heparina apresentou maior mortalidade comparado ao
grupo estroptoquinase;
o Combinação aspirina + estreptoquinase revelou vantagem.

5. Inibidores da síntese de colesterol


 Fluvastatina, Atorvastatina, Sinvastatina
 Mecanismo de ação: inibição da HMG-CoA redutase (conversão dem
colesterol) e captação do colesterol pelos receptores de LDL no hepatócito.
 Efeito farmacológico: evita a progressão da placa aterosclerótica, atenuando
risco de trombose.

ANTIANÊMICOS
ANEMIA
1. Diminuição da massa de glóbulos vermelhos com redução da oferta de oxigênio
aos tecidos.
2. Diagnóstico: valores de hemoglobina e hematócrito.
3. Classificação
MORFOLÓGICA

Normocrômica Hipocrômica
Macrocítica o Déficit de B12 ou
ácido fólico = Anemia
megaloblástica
o Hepatopatias
Normocítica Perda aguda de sangue
Microcítica o Anemia ferropriva
o Talassemia
o Saturnismo

FISIOPATOLÓGICA
a) Perda aguda de sangue (trauma, ulceração da parede vascular, menstruação):
normocítica normocrômica
b) Perda crônica de sangue: microcítica hipocrômica
c) Diminuição na produção de eritrócitos
Alteração na síntese de Hb: hipocrômica (ferropriva)
Alteração na síntese de DNA: macrocítica (↓ fatores de maturação do
eritroblasto - ácido fólico e vitamina B12.
Alterações na célula-mãe.
d) Aumento da degradação dos eritrócitos: Hb alterada.

4. Tratamento
1) Anemia por perda aguda/crônica de sangue
i) Transfusão de sangue ou hemococnentrado.
ii) Estancar perda sanguínea.
iii) Uso de sulfato ferroso na anemia hipocrômica.
(a) Acima de 2g/dia  não tolerado (náusea, dor epigástrica, diarreia,
dor abdominal)
(b) Tratamento prolongado (4-6 meses)
(c) Intolerância ou emergência: fazer injeção intramuscular profunda.

2) Produção alterada de eritrócitos


i) Alteração na síntese de Hemoglobina
(a) Talassemia
1. Etiologia: Diminuição na produção de cadeia beta e aumento
da alfa.
2. Epidemiologia: comum em habitantes do Mediterrâneo.
3. Tratamento: quelantes de Fe (hemossiderose secundária) e
múltiplas e repetidas transfusões).
(b) Anemia falciforme
1. Etiologia: substituição do aminoácido glicina por valina na
cadeia beta.
2. Epidemiologia: 5-20% africanos.
3. Fisiopatologia: eritrócitos em forma de foice durante hipóxia
 hemólise.
4. Tratamento: transfusão a cada 6 meses, evitar hipóxia.
ii) Alteração na síntese de DNA
(a) Etiologia: deficiência de vitamina B12 e ácido fólico.
(b) Fisiopatologia: retardam divisão das células precursoras  aumento
do tamanho do precursor  maior parte destruída na medula,
restante cai na circulação  Anemia Macrocítica Megaloblástica.
Deficiência de vitamina Deficiência de ácido fólico
B12 (+ freq)
Causas Falta de FI no estômago: Alimentação inadequada,
gastrectomias ou produção alcoolismo, má absorção
de anticorpos antifator intestinal, hepatopatias, uso
intrínseco. de anticonvulsivantes,
metotrexato, aumento da
necessidade (gestação),
anemia hemolítica.
Tratamento Vitamina B12 parenteral 5 - 10 mg/dia
(hidroxicobalamina)
1ª semana: 100 uL/dia
6 meses = 100 ul/ 15 dias.
Resto da vida 100 uL/ mês

iii) Alteração da célula-mãe: ANEMIA APLÁSTICA


(a) Epidemiologia: mortalidade acima de 50% dos casos.
(b) Manifestações (esfregaço): redução de medula óssea hematopoética,
plaquetopenia, reticulócitos ausentes, leucopenia.
(c) Tratamento: identificação da causa e retirada; correção da anemia e
plaquetopenia por transfusão; profilaxia para infecções; andrógenos
para induzir hemopoese (Nandrolona).
1. Paciente abaixo de 40 anos = transplante da medula.

FÁRMACOS ANTIVIRAIS
Objetivo: inibir seletivamente eventos específicos do ciclo de vida viral, sem afetar a
célula hospedeira.
1) Inibidores de entrada (Enfuvirtida e maraviroc)
2) Inbidores de desnudamento (Amantadina e rimantadina)
3) Inibidores da síntese de ácidos nucleicos
i) Anti-herpesvirus (Aciclovir, Ganciclovir)
ii) Antirretrovirais (Zidovudina, Lamivudina, Efavirenz, Nevirapina)
4) Inibidores da maturação viral
i) Inibidores da protease (Ritonavir, Saquinavir)
5) Inibidores da liberação viral
i) Inibidores da neuramidinase (Zanamivir e Oseltamivir)

1. Vírus da imunodeficiência humana - HIV


Considerações gerais
o Lentivirus da família dos retrovirus
o Subtipos HIV-1 e HIV-2
o Alvos: linfócitos T CD4, células dendríticas e macrófagos.
o Infecção evolui para síndrome complexa (AIDS), caracterizada pela depleção
dos linfócitos T CD4 e maior susceptibilidade a infecções e neoplasias.

Terapia anti-HIV
i) Inibidores nucleosídicos/nucleotídicos da transcriptase reversa
a) Primeira classe de antirretrovirais aprovada para uso clínico.
b) Mecanismo de ação: inibidores competitivos da transcriptase
c) reversa do HIV, atuando como falsos substratos.
o Atividade depende de: entrada na célula infectada e fosforilação a
metabólitos 5'-trifosfatos.
o Alongamento da fita de DNA viral é interrompido = resistência
viral???
d) Destaques
o Análogos de pirimidinas: Zidovudina, Zalcitabina, Stavudina,
Lamivudina
o Análogos de purinas: Didanosina, Abacavir, Tenofovir
e) Farmacologia clínica
o Ativos contra HIV-1 e 2, administrado por via oral.
o Presentes em quase todas as terapias antirretrovirais combinadas.
o Eliminação lenta = administração 1-2x/dia.
o AZT  ITNR de escolha para prevenção da transmissão vertical do
HIV mãe/filho e para a exposição ocupacional ao vírus.
f) Efeitos adversos: inibição da DNA polimerase mitocondrial (anemia,
granulocitopenia, neuropatia periférica e pancreatite), hiperpigmentação
de pele e unhas, náuseas, dor de cabeça, flatulência, elevação dos níveis
séricos de transaminases hepáticas, anorexia e insônia

i) Inibidores não-análogos de nucleosídeos da transcriptase reversa


a) Mecanismo de ação: inibidores não-competitivos da transcriptase
reversa do HIV-1. Não precisam ser fosforilados para inibirem a
atividade da enzima - atuam em sítio alostérico.
o Resistência viral?
b) Farmacologia clínica
o Não utilizados em casos de infecção por HIV-2.
o Administração oral (sempre terapia combinada)
o Longa meia-vida plasmática - administração 1-2x/dia
o Efavirenz  amplamente utilizado na HAART
o Nevirapina e etravirina  potentes indutores da CYP3A4
o Delavirdina  potente inibidor da CYP3A4
c) Efeitos adversos: complicações GI, erupções cutâneas, distúrbios
psiquiátricos e insônia (Efavirenz)

ii) Inibidores de protease


a) Mecanismo de ação: inibição competitiva da protease, responsável
pela conversão de proteínas precursoras de componentes estruturais e
enzimas do vírus a proteínas estruturais maduras.
b) Efeito farmacológico: inibe a maturação do vírion na fase final do
ciclo de replicação.
c) Resistência viral: mutações no sítio ativo da protease do HIV
(primárias) e fora do sítio ativo (secundárias)
d) Farmacologia clínica
o Ativos contra HIV-1 e 2
o Administrados por via oral
o Metabolismo hepático pela enzima CYP3A4.
o Ritonavir  inibidor potente da CYP3A4, usado como
potencializador farmacocinético de outros inibidores da
protease do HIV.
e) Efeitos adversos:
o Curto prazo: complicações GI
o Longo prazo: dislipidemias (hipercolesterolemia,
hipertriglicerinemia, intolerância à glicose e diabetes);
Síndrome da redistribuição e acúmulo de gordura corporal
(acúmulo de gordura no abdome, na base do pescoço e seios),
alterações hepáticas (aumento da bilirrubina e disfunção
hepática).

iii) Inibidores de fusão/entrada: inibem a entrada de HIV na célula


hospedeira, a qual requer interação de proteínas do envelope viral com
receptores CD4 e correceptores (CCR5 ou CXCR4)
a) Maraviroc - antagonista do receptor CCR5 (atividade restrita a cepas do
HIV com tropismo pelo receptor).
o Resistência viral: modificações no tropismo por mutações na
subunidade gp120.
b) Enfuvirtida - peptídeo análogo a uma sequência da subunidade gp41 do
HIV-1 - interage com esta subunidade e impede a fusão do envelope do
vírion com a membrana celular.
o Único administrado por via parenteral.
o Indicada para o tratamento de pacientes que já não apresentam boa
resposta aos demais esquemas antirretrovirais.

iv) Inibidores da integrase (Raltegravir)


a) Mecanismo de ação: bloqueia a integração do genoma do HIV ao da
célula hospedeira.
b) Ativo contra: HIV-1 e 2.
c) Indicação: tratamento de pacientes que já não apresentam boa resposta
aos demais esquemas antirretrovirais.
Resistência viral: mutações na integrase.

2) HAART - Terapia Antirretroviral combinada


 Redução máxima e durável da viremia plasmática
 Redução do desenvolvimento de resistência viral ao tratamento
 Manutenção da contagem de linfócitos T CD4 em níveis normais.

HERPESVIRUS
Destaques
Herpesvirus simples: conjuntivite; ulcerações mucosas; doenças na genitália;
lábios e pele; encefalite (grave).
Citomegalovirus: retinite, esofagite, meningite, pneumonia.
Vírus varicela-zoster: catapora, herpes zoster.
Fármacos
a) Geralmente: análogos de nucleosídeos naturais:
Penciclovir, Ganciclovi, Aciclovir
Pró-fármacos: Valaciclovir, Fanciclovir, Valganciclovir
Idoxuridina, trifluridina, cidofovir
Aciclovir
o Mecanismo de ação: bloqueio do alongamento da vita de DNA por
inibição da DNA polimerase viral. Depende da entrada na célula
infectada e fosforilação ao metabólito 5'trifosfato pela timidina
quinase viral.
Resistência viral: inibição da expressão da timidina quinase
viral, redução da afinidade da timidina quinase viral pelo
aciclovir, mutações na DNA polimerase viral.
b) Farmacocinética: administração via oral, tópica ou IV.
c) Uso terapêutico: tratamento e/ou profilaxia de infecções locais ou
sistêmicas por herpesvirus em pacientes com função imunológica normal ou
suprimida.
d) Efeitos adversos: toxicidade renal e SNC (Aciclovir, principalmente por
via parenteral); mielossupressão, neurotoxicidade e alterações da função
hepática (Ganciclovir).

VIRUS INFLUENZA

a) Classificação: segundo proteínas centrais (A, B e C); segundo origem


(aviária, suína etc.)
b) Influenza A  hemaglutinina (H1 - 18) e neuraminidase (N1-8). Alvos
cruciais para ação de fármacos.
c) Fármacos
d) Inibidores de desnudamento: Amantadina e Rimantadina
o Mecanismo de ação: impedem o processo de liberação do genoma do
vírus influenza a para o citoplasma da célula.
o Farmacocinética: via oral.
o Uso terapêutico: tratamento e/ou profilaxia de infecções por
Influenza A sazonais ou epidêmicas.
o Efeitos adversos: SNC (perda de apetite, tontura ou irritabilidade), GI
(náusea e vômito).
e) Inibidores da neuramidinase
o Mecanismo de ação: inibidores competitivos reversíveis da
neuramidinase, inibindo a produção de vírions que repercutem na
inibição da liberação do vírus influenza da superfície celular.
o Farmacocinética: via oral (Oseltamivir) ou inalatória (Zanamivir)
o Uso terapêutico: tratamento e/ou profilaxia de infecções por
Influenza a e B
o Oseltamivir: associado com adamantinas para tratamento de infecção
pro H1N1.
o Efeitos adversos: náusea, vômito e dor abdominal.
o Zanamivir  broncoespasmo e desconforto nasal. Uso
contraindicado em pacientes com doenças pulmonares crônicas.

QUIMIOTERAPIA ANTIMICROBIANA
 Quimioterápicos: substância química definida que, introduzida no organismo,
age de modo seletivo sobre o causador da infecção, comportando-se de forma
mais inócua possível para o organismo afetado.
 Antimicrobiano: substância capaz de destruir microorganismos ou de suprimir
sua multiplicação ou crescimento.
 Antibióticos: quimioterápico produzido por organismos (microorganismos,
vegetais superiores ou animais) ou cuja porção fundamental da molécula tenha
sido obtida a partir de produtos de organismos vivos. É um tipo de
quimioterápico.
o Quimioterápico “não-antibiótico”, ou seja, não produzido por organismo
vivo: as sulfas (Bactrim).
o Bacteriostático: previnem o crescimento e replicação de bactérias
o Bactericida: matam as bactérias
Princípio do tratamento – TOXICIDADE SELETIVA segundo diferenças
estruturais e bioquímicas. Exemplo: penicilina atua na parede da célula bacteriana –
componente ausente nos eucariontes.
o Gram POSITIVA: parede polar, recoberda por ácido teicoico e ribonucleato de
magnésio.
o Gram NEGATIVA: membrana externa de lipoproteínas ligadas ao
peptidioglicano, canais repletos de água.
o Mais quantitativa do que qualitativa – a quantidade de fármaco é insuficiente
para promover a inibição da mesma enzima no eucarionte.

1. Tipos: espectro de ação


a. Amplo espectro
 Efetivos contra um grande número de microorganismos
 Vantagem: resposta rápida.
 Desvantagens: destruição da microbiota, favorece o
aparecimento de microorganismos multirresistentes.
b. Pequeno espectro
 Efetivos contra um número limitado de microorganismos.
 Vantagem: resposta específica.
 Desvantagem: tempo para descobrir o microorganismo.

2. Definir o uso do antibiótico: Teste de Sensibilidade Bacteriana


a. Semiquantitativos: resistentes, mediamente sensíveis ou sensíveis.
b. CIM = concentração inibitória mínima
c. Difusão em placa: antibiótico A e B em discos de papel de filtro ou em
cilindro oco na superfície do Agar  placa contendo microorganismo
teste  incubação 24-48h  presença ou ausência de halo de inibição.
Classificação em resistentes, mediamente sensíveis ou sensíveis.
d. Diluição em tubo: microorganismo teste em várias diluições do
antibiótico  transferência para outros tubos contendo caldo nutriente 
incubação por 24-48h  observação do tubo quanto ao crescimento
microbiano (turvação) ou não (límpido).

3. Seleção do agente antimicrobiano


a. Fatores farmacocinéticos: localização da infecção, barreiras biológicas
(ex: hematoencefálica), função renal e hepática do paciente.
b. Fatores relativos ao hospedeiro: humorais (imunocompetentes –
agentes bacteriostáticos; imunodeficiência – agentes bactericidas).
c. Fatores locais: pus (fagócitos, restos celulares e proteínas que se ligam
aos fármacos); focos infecciosos confinados, próteses (formação de
biopelícula bacteriana que dificulta fagocitose), patógenos intracelulares
(M. tuberculosis, Brucella, Salmonella etc.)
d. Outros fatores: idade, gestação, amamentação, alergia.

4. Formas de tratamento
a. Empírico (amplo espectro): patógeno desconhecido, manifestações
clínicas sugestivas, coloração Gram
b. Definitivo (espectro restrito e toxicidade baixa): microorganismo
identificado.
c. Profilaxia: evitar infecções em produtos de origem animal (ovo, carne,
leite).

5. Consequência do tratamento com agentes antimicrobianos combinados


a. Sinergismo antibiótico: inibição do crescimento pela combinação de
concentrações iguais ou menores do que 25% CIM de cada fármaco
isolado. Ex: aminoglicosídeo + inibidor da síntese da parede
celular).
b. Aditivo: necessário metade da CIM de cada fármaco para produzir
inibição.
c. Antagônico: necessário mais do que a metade da CIM de cada fármaco
(ex: bacteriostáticos vs. Bactericidas) – em vez de potencializar, o efeito
é reduzido. Ex: Tetraciclina e penicilina. Tetraciclina reduz a síntese
proteica e, como consequência, a eficácia da penicilina.

6. Uso incorreto do tratamento


a. Tratamento de infecções não-responsivas aos antibióticos.
b. Tratamento de febre de etiologia desconhecida
c. Dosagem inadequada
d. Confiabilidade inadequada no tratamento farmacológico apenas
e. Falta de informações bacteriológicas adequadas.

7. Resistência bacteriana
a. Aquisição: mutação e seleção (eventos randômicos) ou por transferência
horizontal de genes (elementos genéticos móveis/plasmídios) e
conjugação/pelos sexuais ou pontes).
b. Fármaco não atinge o alvo: membrana externa das bactérias gram
negativas (administração de medicamento para gram positivas); porinas
(ausência, mutação ou perda de uma porina específica); bombas de
efluxo de fármacos (fator de virulência).
c. Inativação do fármaco: ação de enzimas (beta-lactamases)
d. Alteração do alvo: modificações do alvo ou aquisição de uma forma
resistente ao alvo suscetível (exemplo: alteração da proteína de ligação a
penicilina ou proteção ribossômica).

ANTIBIÓTICOS
1. Interferência no metabolismo do ácido nucleico
a) Inibidores do metabolismo de folato:
 NÃO É UM ANTIBIÓTICO porque não provém de outro
organismo.
 Ácido fólico: vitamina que participa de diversas reações
enzimáticas envolvendo a transferência de unidades de um
carbono, as quais são essenciais para a síntese de DNA, RNA e
alguns nucleotídeos. Estrutura contém sistema de anel de
pteridina, ácido para-aminobenzoico (PABA) e aminoácido
glutamato.
o Bactérias são incapazes de aproveitar o ácido fólico
exógeno – precisam sintetizá-lo.
o Síntese: ácido para-aminobenzoico (PABA) dihidropteroato sintase
>
ácido di-hidrofólico (ácido fólico) di-hidrofolato redutase  ácido
tetra-hidrofólico (útil para o organismo)  purinas,
timidinas, metioninas (DNA e RNA)
Sulfonamidas
 Mecanismo de ação: análogos do PABA, inibindo a ação da
enzima di-hidropteroato sintetase.
 Farmacocinética: via de administração oral; distribuição por
todos os tecidos e fluidos do organismo; biotransformação
hepática; excreção renal (filtração glomerular).
 Efeitos colaterais: reações alérgicas (hipersensibilidade),
alterações nos componentes do sangue (diminuição), aparelho
urinário (deposição em cristais).
o Reações adversas: cristalúria, Síndrome de Stevens-
Johnson, kernicterius, distúrbios hematopoiéticos (anemia
aplástica, anemia hemolítica, agranulocitose,
metemoglobinemia)
 Interações medicamentosas: anticoagulantes (Warfarim),
hipoglicemiantes (Tolbutamida), anticonvulsivantes
(Hidantoína).
 ↓ Efeito farmacológico: pus e produtos de degradação tecidual
(Timidina e Purina), anestésicos locais (procaína), resistência.
 Mecanismos de resistência virais: alteração enzimática,
diminuição da captação, destruição (inativação do fármaco),
aumento da síntese de PABA
 Usos clínicos: DII (Sulfasalazina), profilaxia da febre reumática
(Sulfisoxazol), infecções oftálmicas (Sulfacetamida),
queimaduras infectadas (Sulfadiazina de Ag)
 Classificação
o Grau de absorção
a. Curta duração: absorvidos e eliminados
rapidamente.
b. Ação longa e ultralonga: absorvidas
rapidamente, eliminadas lentamente. Ex:
Sulfadoxina.
c. Mal absorvidos: absorvidas e eliminadas
lentamente. Ex: Sulfas intestinais
o Substituições
a. N1-derivados: mais ativos, mais solúveis e de uso
sistêmico (ação rápida): Sulfacetamida (TU),
Sulfapiridina (pneumonia), Sulfadiazina
(meningite).
b. N4-derivados: menos ativos, praticamente
abandonados. Se houver substituição – o composto
não tem ação. Exemplo: Prontosil.
c. N1-N4-derivados: compostos pouco solúveis,
praticamente inabsorvíveis quando administrados
por via oral, desenvolvidos para produzirem
efeitos gastrintestinais (D.I.I). Exemplo: “sulfas
intestinais”. Sulfalazina, Sulfapiridina, 5-
aminosalicilato
Trimetroprima, Pirimetamina (“anti-folínicos)
o Mecanismo de ação: inibe a di-hidrofolatoredutase,
sendo seletiva para a enzima bacteriana (100.000x).
o Amplo espectro.
o Terapia combinada: Cotrimoxazol = sulfametoxazol e
trimetoprima (previne o aparecimento de resistência).
Possuem perfis farmacocinéticos relacionados.
o Efeitos adversos: reações de hipersensibilidade,
anemia megaloblástica, trombocitopenia
Usos terapêuticos: infecções de vias urinárias, infecções respiratórias
(Nocardia), Pneumonia por Pneumocystis jiroveci (associação co-
trimoxazol), infecções respiratórias, infecções gastrintestinais, infecções
na próstata e TU,

1. Inibidores da parede celular: espectro sobre G+.


a. Beta-lactâmicos:
o Clássicos (Penicilinas e Cefalosporinas) e não
clássicos (monobactâmicos, carbapenens, tentativa de
controlar resistência bacteriana aos clássicos).
o Composição química: anel beta-lactâmico.
o Mecanismos de ação: interferência na síntese do
substrato para formação da parede; transporte desse
substrato; polimerização.
o Espectro de ação: G-
o Bactericidas
o Penicilina G:
o Mecanismo de ação: inibe a síntese da parede.
Impedem a ação da proteína ligadora da penicilina
- um domínio realiza glicosilação, outro faz a
transpeptidação (ligação cruzada das cadeias
peptídicas), conferindo estabilidade à parede
celular.
o Farmacocinética
i. Inativada pelo suco gástrico 
administração IM (tipos cristalina – sal
solúvel; procaína; benzatina - benzetacil,
da mais solúvel para a menos solúvel
GRÁFICOS!).
ii. Ampla distribuição.
iii. Metabolismo baixo (praticamente não
biotransformada) e excreção rápida (via
renal).
iv. Sensível a penicilinase ou beta-lactamase
(produzida por bactérias resistentes).
o Modificações: ácido-resistentes (uso para
amigdalites e faringites), resistentes a beta-
lactamases (uso para estafilococos resistentes a
penicilina G), penicilinase e ácido resistentes (uso
contra estafilococos) e penicilinas de amplo
espectro (Ampicilina e Carbanicilina).
o Anti-bactérias G-: Piperacilina e Mozlocilina,
o Efeitos colaterais e toxicidade:
hipersensibilidade.
o Cefalosporinas
o Semelhantes às penicilinas em estrutura, espectro
de ação (atuam na polimerização para formação da
parede celular) e farmacocinética.
o Efeitos colaterais e toxicidade: potencialmente
nefrotóxica (Cefaloridina).
o Uso terapêutico: agentes terapêuticos e
profiláticos, tratamento de infecções hospitalares.
o Classificação:
i. 1ª Cefalexia, Cefazolina (ativos contra
estafilococos)
ii. 2ª Cefuroxima, Cefoxitina, Cefotetan
(melhora espectro para G-, E. coli,
Klebsiellaspp, Proteus e Providencia spp.)
iii. 3ª geração Cefotaxima, ceftriaxona
(atua contra Pseudomonas aeruginosa).
iv. 4ª geração Cefepime e cefpiroma
o Outros (não clássicos): altamente tóxicos – uso restrito a
hospitais. Neurotoxicidade em concentrações elevadas
(hiperreflexia e convulsões).
o Monobactâmicos (Aztreonam): resistem a
maioria das beta-lactamases.
o Carbapenens (imipenen): amplo espectro.
b. Polipeptídeos: uso mais restrito.
o Mecanismos de ação: etapas intermediárias de síntese da
parede (substrato e carreador).
o Vancomicina
o Nefro, oto, hepato e cardiotoxicidade.
o Farmacocinética: via oral.
o Uso terapêutico: tratamento de infecções graves
por uso prolongado de antibióticos. Exemplo:
Clostridium difficile, da colite
pseudomembranosa.
o Bacitracina
o Nefrotoxicidade (alta incidência).

2. Atuam diretamente na membrana celular


a. Polimixinas (Polimixina B e colistina).
b. Mecanismo de ação: detergentes catiônicos, contendo grupamentos
polares e apolares. Interagem com fosfolipídios da membrana celular,
desagregando sua estrutura.
i. Gramicidina A: forma poros e canais na dupla membrana
lipídica.
c. Espectro de ação: G-.
d. Farmacocinética: mal-absorvidos.
e. Efeitos adversos: neurotóxica e nefrotóxica. Uso restrito (esterilização
intestinal e uso tópico).

3. Inibidores da síntese proteica


a. Cloranfenicol, Tetraciclina, Macrolídios
b. Mecanismo de ação: ligam-se à subunidade 50s do ribossomo e inibem
a atividade da peptidil-transferase.
c. Espectro de ação: amplo espectro.
d. Cloranfenicol
o Farmacocinética
o Absorção: rápida e completa.
o Distribuição: ampla pelos tecidos e líquidos
corporais, incluindo líquido cefalorraquidiano, 30-
40% liga-se a proteínas no plasma (competição).
o Metabolização: hepática.
o Excreção: 10% excretado sob forma inalterada.
o Efeitos indesejáveis: supressão da medula óssea,
Síndrome do Bebê Cinzento (metabolismo incompleto do
cloranfenicol gera acúmulo de metabólitos tóxicos que
conferem pigmentação acinzentada ao bebê, além de
náusea, vômitos e cianose).
e. Tetraciclinas
o Farmacocinética
o Administração: via oral.
o Distribuição: ampla (atravessa a placenta).
o Excreção: bile (circulação enterro-hepática) e rins
(filtração glomerular).
o Interações: Ca, Mg, Fe e Al.
o Efeitos indesejáveis
o Destruição da flora intestinal normal  aumento
de infecções secundárias.
o Mancha e deteriorização da estrutura de ossos e
dentes – contraindicada para crianças.
f. Macrolídios
o Mecanismo de ação: impedem a translocação do
ribossomo sobre o RNA mensageiro.
o Espectro de ação: G+ - semelhante a penicilina.
o Farmacocinética
o Absorção: oral.
o Distribuição: rápida e ampla (placenta e líquido
prostático).
o Excreção: bile e urina.
o Efeitos indesejáveis: distúrbios GI e infecções
oportunistas.
o Uso terapêutico: sífilis, tratamento profilático da febre
reumática, alternativa para o uso da penicilina.

4. Indutores de síntese fraudulenta (Aminoglicosídeos).


Estreptomicina, Canamicina, Gentamicina, Neomicina.
o Mecanismo de ação: reconhecimento do códon/anticódon
anormal. Resulta em leitura incorreta da mensagem.
o Espectro de ação; bactérias G-. Uso restrito hospitalar, exceto
Neomicina e outros.
o Farmacocinética: absorção pequena (IM ou IV), distribuição
pequena, excreção por filtração glomerular.
o Efeitos indesejáveis: ototoxicidade e nefrotoxicidade, bloqueio
da junção neuromuscular.

5. Alteram a síntese proteica


Rifampicina (Rifampina)
o Mecanismo de ação: liga-se a RNA polimerase DNA-
dependente e inibe a iniciação da síntese de mRNA.
Bactericida.
o Espectro de ação: amplo espectro (tratamento da
tuberculose).
o Farmacocinética
o Absorção: via oral.
o Distribuição: ampla (tecidos e líquidos
corporais).
o Metabolização: fígado.
o Excreção: urina e bile.
o Efeitos indesejáveis: erupções cutânea, febre e distúrbios
GI.

QUINOLONAS
1. Relação com íons metálicos.
2. Espectro de ação: G- > G+. Muitos atuam sob Pseudomonas aeruginosa.
3. Mecanismo de ação: inibem as DNA-girase e a topoisomerase IV (reduzem a
tensão do DNA, abrindo a fita para transcrição).
4. Absorção comprometida por: antiácidos a base de Al e Mg.

Interações entre os antibióticos


 SINERGISMO: amplificação do efeito. Exemplo: aminoglicosídeos e
penicilinas.
 ANTAGONISMO: inibição do efeito. Exemplo: bactericidas e bacteriostáticos.

ANTIHELMÍNTICOS
HELMINTOS DE INTERESSE MÉDICO
Nematelmintos: Ascaris lumbricoides (↑), Ancylostoma duodenalis (↑), Ancylostoma
braziliensis, Necator americanus, Trichuris trichiura, Enterobius vermicularis,
Strongyloidis stercoralis
Filárias: Wuchereria bancrofti, Onchocerca volvulus
Platelmintos
Cestódeos (hermafroditas): Taenia solium, Taenia saginata, Hymenoleps
nana, Ecchinoccocus granulosis
Trematódeos: Schistosoma sp.

FISIOLOGIA DOS HELMINTOS


Seres multicelulares simples.
Ciclo de vida
Coordenação neuromuscular: movimentos de alimentação e manutenção de
localização favorável no hospedeiro.
Metabolismo de carboidratos: glicose é a principal fonte de energia.
Integridade dos microtúbulos: postura de ovos, incubação, desenvolvimento
larval, transporte de glicose e atividade enzimática.
FÁRMACOS ANTI-HELMÍNTICOS
Estrutura química variada.
Objetivo: inibir processos bioquímicos vitais do ciclo de vida do verme, eliminando-o
no hospedeiro.
1) Interferem na formação de microtúbulos
Benzimidazois (Albendazol, Tiabendazol e Mebendazol)
(1) Mecanismo de ação: ligam-se à beta-tubulina e inibem a formação dos
microtúbulos no tegumento e no tubo digestivo do verme.
(2) Efeito terapêutico: inibição da divisão celular, captação da glicose e
exocitose.
(3) Anti-helmínticos de amplo espectro: altamente ativos conta nematódeos
GI’s, incluindo áscaris, ancilóstomos e tricúris (ação ovicida, larvicida e
vermicida).
(4) Farmacocinética: variada – influencia na eficácia contra manifestações
intestinais e extraintestinais.
(i) Albendazol – absorção oral variável; rápida biotransformação a
sulfóxido de albendazol.
(ii) Tiabendazol – boa absorção oral.
(iii) Mebendazol – baixa absorção oral.
(5) Efeitos adversos: Tiabendazol – único não seguro. Náusea, vômitos,
tontura, diarreia e hepatotoxicidade.
(6) Não recomendados durante gravidez.
2) Interferem na função neuromuscular
a) Ivermectina
o Mecanismo de ação: promove abertura de canais de Cl- regulados
pelo glutamato e do receptor ionotrópico GABAa na célula muscular
do helminto  hiperpolarização  paralisia
o Uso terapêutico: oncocercose (“cegueira do rio”), filariose e
estrongiloidíase. Eficaz contra nematódeos intestinais e
extraintestinais e artrópodes.
o Desvantagem: não mata filárias adultas (somente microfilárias). Não
ativa contra platelmintos.
o Farmacocinética: boa absorção oral e ½ vida plasmática longa
(aproximadamente 60h). Bem tolerada por humanos.
o Efeitos adversos: reações inflamatórias ou alérgicas graves por
morte de microfilárias.
b) Pirantel
o Mecanismo de ação: agonista de receptores nicotínicos. Promove
bloqueio despolarizante da neurotransmissão muscular, provocando
paralisia espástica.
o Farmacocinética: baixa absorção pelo TGI (ativo contra helmintos
intestinais).
o Uso terapêutico: tratamento de 2ª linha contra infecções por
nematelmintos, útil em infestações severas por áscaris.
c) Piperrazina
3) Outros mecanismos de ação
a) Dietilcarbamazina (DEC)
o Mecanismo: danos às organelas das microfilárias e indução da
apoptose; desarranjo da superfície do nematelminto, expondo
antígenos anteriormente inacessíveis ao sistema imune do
hospedeiro.
o Efeitos adversos: náusea, vômitos, dor de cabeça e anorexia.
o Uso terapêutico: tratamento de 1ª linha contra infecções por filárias
(como monoterapia ou em associação com albendazol), possui
atividade contra microfilárias e, em menor grau, contra filárias
adultas (W. brancrofti).
b) Praziquantel
o Mecanismo de ação: aumento da permeabilidade ao Ca2+,
provocando paralisia espástica; desarranjo da superfície do parasita,
expondo antígenos anteriormente inacessíveis ao SI do hospedeiro.
o Uso terapêutico: alta atividade contra cestódeos e trematódeos 
indicado para tratamento de esquistossomose e teníase.
o Desvantagem: não possui atividade contra esquistossomos imaturos.
o Efeitos adversos: náusea, dor de cabeça, dor abdominal, tontura,
diarreia, febre.
c) Oxamniquina
o Mecanismo de ação: captação da oxamniquina pelo verme 
conversão em espécie reativa pela ação de esterases do verme 
alquilação do DNA do parasita, promovendo ação citotóxica.
o Uso terapêutico: ativa contra trematódeos (vermes adultos ou
imaturos).
d) Niclosamida
o Mecanismo de ação: inibição da fosforilação oxidativa das
mitocôndrias do parasita  inibição da produção de ATP  ação
vermicida.
o Uso terapêutico: 2ª linha para tratamento de teníases; não é ativa
contra proglotes e não mata cisticercos da T. solium.

ANTINEOPLÁSICOS
Epidemiologia:
Principais tumores no Brasil.
Homens: próstata, árvore brônquica, cólon e reto.
Mulheres: mama, cólon e reto, colo do útero.]
14 milhões de casos novos/ano; 8,2 milhões de mortes em 2012.

Câncer
a) Definição: doença caracterizada pela multiplicação e disseminação
descontroladas de formas anômalas de células do próprio corpo.
b) Gênese: ativação de proto-oncogenes a oncogenes; inativação de genes de
supressão de tumor; ambientes + fatores epigenéticos.
c) Características
i. Proliferação descontrolada: ativação de oncogenes ou inativação de
genes de supressão tumoral; resistência à apoptose; angiogênese do
tumor.
ii. Desdiferenciação e perda de função.
iii. Invasividade: fatores de sobrevida específicos do tecido.
iv. Metástase.
d) Terapias clássicas.
i. Cirurgia
ii. Radioterapia
iii. Quimioterapia ou terapia com fármacos.

CLASSES DE QUIMIOTERÁPICOS
1) Agentes alquilantes
a) Mostardas nitrogenadas (Ciclofosfamida) ou derivados de platina
(Cisplatina)
o Mecanismo de ação: alquilam ou intercalam-se por ligação cruzada com
nucleotídeos do DNA de dupla hélice  dupla fita torna-se incapaz de se
abrir para duplicação gênica  células não podem mais se dividir.
FÁRMACO Efeito adverso Considerações
Mostardas nitrogenadas
Ciclofosfamida Náuseas e vômitos Atenuados com ↑
(acroleína) ingestão de
Ifosfamida – V.O Depressão da líquidos e
medula óssea. doadores de
- I.V Cistite hemorrágica sulfidrila
- I.M (acetilcisteína).
Mefalana (V.O) Depressão da Náusea (raro).
medula óssea
Clorambucil Depressão da 10-14 dias após
(V.O) medula óssea e início do
cistite hemorrágica tratamento.
Recuperação após
21-28 dias.
Nitrosoureias
Iomustina Náusea e vômitos Lipossolúveis –
Carmustina Depressão de atravessam BHE.
medula óssea
Derivados da platina
Cisplatina Nefrotóxica. Esquemas de
Supostamente: produção de hidratação e
radicais livres e consequente
apoptose nas células diurese.
tubulares.

2) Antimetabólitos
a) Interferem na formação de moléculas chave incluindo nucleotídeos,
bloqueando a síntese de DNA e RNA.
b) Análogos de ácido fólico:
(a) Metotrexato.
o Mecanismo de ação: liga-se a DHFR (diidrofolato
redutase) ???
o Farmacocinética: administração por v.o, i.m, i.v e intratecal.
o Efeitos adversos: depressão da medula óssea e lesão do
epitélio ao TGI, nefrotoxicidade (altas doses).
o Considerações: captado por células tumorais. Metabólito é
ativo e permanece por semanas mesmo após a interrupção da
administração.
c) Análogos de nucleosídeos: apresentam estrutura semelhante a um
nucleotídeo, competindo com esse e interferindo na síntese de DNA.
(a) 5-Fluorouracila
o Mecanismo de ação:
o Farmacocinética: administração por i.m e i.v
o Efeitos indesejáveis: lesão do epitélio do TGI e
mielotoxicidade – podem ocorrer distúrbios cerebelares.
(b) Citarabina
o Mecanismo de ação:
o Efeitos indesejáveis: depressão da medula óssea e lesão do
epitélio TGI (náuseas e vômitos).
(c) Gencitabina
o Mecanismo de ação:
o Efeitos indesejáveis: lesão do epitélio do TGI menos intensa
e menor mielotoxicidade.
(d) Análogos de purinas: Tiopurina (Mercaptopurina e
Tioguanina), Cladribina, Fludarabina.
o Efeitos indesejáveis: mielossupressores.

3) Antibióticos citotóxico – múltiplos efeitos na replicação do DNA (ação de


topoisomerase II).
a) Antraciclinas: Doxorrubicina
b) Mecanismo de ação: inibem a toposiomerase II (acentuada em células em
proliferação)  duplas fitas de DNA relaxadas  impede replicação.
c) Efeitos indesejáveis:
(a) Doxorrubicina (IV): lesão cardíaca cumulativa dose-dependente
(produção de radicais livres). Cautela na infusão (extravasamento 
necrose local).
(b) Idarrubicina, epirrubicina, aclarrubicina: menos cardiotóxicas.

4) Alcaloides vegetais – previnem a divisão ao interferirem nos componentes do


citoesqueleto – impedem ou bloqueiam a formação do fuso mitótico.
a) Alcaloides da vinca (Vimblastina, Vincristina, Vinorelbina).
(a) Mecanismo de ação: ligam-se a dímeros de tubulina. Inibindo
polimerização desta.
(b) Efeito adverso: mielossupressão leve; alterações sensoriais; fraqueza
muscular. (Relativamente atóxicos :D)
b) Taxanos (Paclitaxel)
(a) Mecanismo de ação: “congelam” microtúbulos.
(b) Efeito adverso: supressão da medula óssea e neurotoxicidade
cumulativa, retenção de líquidos (edema das pernas).
5) Inibidores de proteínas quinases – inibição de quinases envolvidas na transdução
do sinal de receptores de fator de crescimento e proliferação.
a) Mesilato de Imatinibe, GEFITINIB
b) Mecanismo de ação:
c) *Sinalização tirosina-quinase: ligante  dimerização do receptor 
domínios tirosina-quinase ativados e fosforilação dos resíduos 
reconhecimento por outras proteínas  cascata intracelular.
(a) No câncer:
o Excesso de fatores de crescimento  superexpressão de
receptores para fatores de crescimento
o Mutações formam ligações covalentes no domínio
extracelular de receptores e dimerização com outras proteínas
quinases.

6) Anticorpos monoclonais: anticorpos altamente específicos para um determinado


epítopo.
a) Produção: hibridomas produzindo o anticorpo desejado é cultivado 
isolamento  purificação.
b) Terapia
(a) Radioimunoterapia dirigida: conjugação com isótopos radioativos.
o Anticorpos anti CD20 com iodo-131 (Tositumomabe).
o Anticorpos anti CD30 com ítrio-90 (Ibritumomabe
tiuxetana).
o Dificuldade: radiação.
7) Hormônios antagonistas
a) Glicocorticoides – inibem a proliferação de leucócitos = LEUCEMIA
b) Estrogênios (Fosfestrol) – bloqueiam o efeito dos androgênios =
TUMORES DE PRÓSTATA
c) Antagonistas do estrógeno (Tamoxifeno) = CÂNCER DE MAMA
d) Progestinas (Megestrol e Medroxiprogesterona) = NEOPLASIAS
ENDOMETRIAIS E TUMORES RENAIS
e) Antagonistas de androgênios (Flutamina e Ciproterona) = TUMORES
BENIGNOS DE PRÓSTATA.

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