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Rosalina Moisés

A Conflitualidade Ética do Indivíduo na Pós-modernidade: A questão do Bem e da


Justiça social

Universidade Pedagógica

Maputo

2018

Rosalina Moisés
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A Conflitualidade Ética do Indivíduo na Pós-modernidade: A questão do Bem


e da Justiça social

Projecto de Investigação a ser


apresentado à Docente de Escrita
académica no âmbito da avaliação.
Docente: Prof. Doutora Carla Maciel

Universidade Pedagógica

Maputo

2018

Introdução
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O presente Projecto está subordinado ao tema A Conflitualidade Ética do Indivíduo na


Pós-modernidade: A questão do Bem e da Justiça social.
A nossa abordagem vai dar mais enfâse o período pós-moderno, pois, é neste, em que se
enquadra o problema deste projecto.
Lyotard usou a expressão a Condição Pós-moderna, expressão que ficou como título de
seu livro publicado em 1979. Com a expressão, Lyotard tencionava descrever as
transformações ocorridas na altura e não como um período histórico.
Segundo Lyotard (1979, p.28) a palavra pós-moderno foi usada no continente
americano, por sociólogos e críticos que pretendiam descrever a cultura e as
transformações que influenciaram as regras dos jogos da ciência, da literatura e das artes
a partir do final do século XIX.
Os autores que cunharam a expressão pós-modernidade pretendiam mostrar que havia
uma ruptura com os elementos da modernidade.
Nos anos de 1960 a 1970 registou-se o primeiro movimento de arquitectos
anglo-americanos que usou a expressão para designar uma nova arquitectura que se
desenvolvia na altura, embora reservasse os traços da modernidade.
Para Cruz (2015, p.16) o conceito pós-moderno foi igualmente usado em outras áreas
como as artes e a literatura como forma de mostrar a descrença com a modernidade. Na
Filosofia em particular, o termo foi usado para demonstrar a falência do projecto
moderno. Um projecto que buscava o progresso material e cultural da humanidade sem
buscar parâmetros em outras épocas, como chamou Lyotard, a pós-modernidade é a
incredulidade em relação as meta narrativas. Meta narrativas que foram usadas como
fundamento da própria modernidade.
Na visão de Lipovetsky (2004, p. 54) a partir de 1970 estava claro que se passavam
novos tempos da modernidade e anuncia algumas dessas transformações, como a rápida
expansão do consumo e da comunicação de massa, o enfraquecimento das normas
autoritárias e disciplinares, o surto do individualismo, a consagração do hedonismo,
perda da fé no futuro revolucionário, descontentamento com as paixões políticas e as
militâncias.
Portanto, era urgente dar-se nome a toda essa conjuntura que se apresentava. Entretanto,
ao mesmo tempo que se mostrava necessário dar uma nova designação as mudanças que
ocorriam, por um lado, por outro lado, Lipovetsky era de opinião de que, o que estava a
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acontecer não era necessariamente um novo modernismo mas, simplesmente uma


superação do período antecedente.
Diz ainda Lipovetsky (2004, p. 32) que, o devemos compreender é que a pós
modernidade não é uma ruptura, mas como um parêntese, bastante agradável, na
verdade, que perdurou dos anos 1960 aos anos 1980 e marcou a decadência dos grandes
discursos tradicionais contra os quais a modernidade em parte se construiu, a fim de
libertar o individuo de qualquer sujeição.
Lipovetsky citado por Bauman (1997, p.9) num estudo publicado sobre O
Crepúsculo do Dever diz que, entramos numa era pós-deontológica, pois, a conduta dos
indivíduos libertou-se dos vestígios opressivos dos deveres, mandamentos e obrigações
intermináveis.
Portanto, pode-se afirmar que na pós-modernidade o indivíduo encontra-se
“absolutamente livre”. Ninguém está mais preocupado em viver em função das normais
morais, tão pouco em lançar-se na busca do ideal ético. Nisto, afirma Bauman que, a
pós-modernidade é uma era do individualismo e de busca de boa vida, limitada apenas
pela busca de tolerância. Entretanto, Bauman adverte que pelo facto do indivíduo viver
um individualismo autocelebrativo e livre de escrúpulos, a tolerância perde o seu valor
ético, pois torna-se indiferença. Como podemos ainda ter indivíduos éticos.
Para Bauman (idem), os tempos que vem depois de Dever, só podem admitir uma ética
minimalista e em declínio.

Compreende-se claramente a partir das fundamentações de Lipovetsky que, a pós-


modernidade, transforma-se numa e perfaz um conjunto de transformações próprias,
mas com referência a modernidade. É na mesma linha de pensamento de Lipovetsky
que, autores como Giddens, Augé e Bauman empregaram os conceitos de modernidade
reflexiva, supermodernidade e modernidade líquida respectivamente para qualificar as
mudanças que decorriam.
Para Giddens (1991, p.9) A desorientação manifesta na sensação dos indivíduos
em não encontrarem mais um conhecimento sistemático sobre a organização social
resulta do facto de muitos deles terem sido encontrados de surpresa com eventos que
pouco compreendiam e por isso, se apresentavam fora do seu controlo.
Nota-se aqui que, a desorientação das sociedades é a prova da perda de controlo da
ciência e da técnica que era até então o fundamento da modernidade. O homem
moderno que se tinha engajado para ter o controlo da humanidade através da ciência e
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da técnica estava desprovido de seus instrumentos. Portanto, apresentavam-se novas


características que não eram mais da modernidade. Isto fica mais claro quando
Lipovetsky (2004, p.70) afirma que na hipermodernidade, a fé no progresso foi
substituída não pela desesperança nem pelo niilismo, mas por uma confiança instável,
oscilante, variável em função dos acontecimentos e das circunstâncias. Acrescenta
Lipovetsky de que o nosso tempo instaurou uma revolução permanente do quotidiano e
do indivíduo com a privatização acelerada das identidades sociais, desgaste ideológico e
político, desestabilização acelerada das personalidades. Portanto, vive-se uma revolução
do individualismo.
É neste contexto que colocamos a seguinte pergunta: Como resgatar a moralidade dos
indivíduos numa sociedade desorientada e com indivíduos cada vez mais
individualistas?

O indivíduo é um ser singular, dotado de uma identidade e personalidade própria, e por


isso, diferente e distinta dos outros. Entretanto, não o fazem ser, um Ser, que se encerra
em si mesmo, pois, não se basta a si mesmo. Dai a necessidade de manter contacto com
os outros. A interacção e o contacto entre eles são necessários, não simplesmente pelo
facto de manifestar uma das características humanas da sociabilidade, mas pelo facto de
ser impensável, a possibilidade de uma vida humana redimensionada à uma Ilha.
Portanto, os indivíduos estabelecem relações entre si, constituindo deste modo uma
sociedade.

Uma vez formada a sociedade, significa que, cada indivíduo é membro da


mesma, tendo seus direitos e deveres. Embora possam eventualmente haver intenções
particularizadas dentro da mesma sociedade, a intenção colectiva deve prevalecer de
modo a alcançar o bem comum. Nisto, Cada cidadão, deseja que todos ajam de acordo
os princípios ou normas com os quais todos concordariam numa situação se igualdade.

Os valores que norteiam uma determinada sociedade têm consequências directas no


indivíduo, pois, é nesta, onde encontra bases e instrumentos para que seja humanamente
íntegro e por isso, um exemplo para os de mais. A acção de um indivíduo por seu lado,
também tem implicações na sociedade. Pois, se a vida dele for norteada por princípios
vigentes em tal sociedade, então será referência para os outros, o contrário, será uma
influência negativa, um desviante, pois a sua conduta ou comportamento atenta aos
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modelos, normas que até então, eram a base, para a formação da personalidade moral,
não só do indivíduo, mas da sociedade no seu todo.

O trabalho tem como objectivo geral, reflectir sobre a Ética na Pós-


modernidade e tem como objectivos específicos: identificar as razões da crise ética
na pós-modernidade; indicar as condições para a realizações de acções morais;

indicar princípios éticos que conduziriam a uma sociedade justa; Identificar


possibilidades para a superação da crise ética na pós-modernidade

O indivíduo não é um ser isolado, ele está em permanente interacção com os


outros, por um lado. Por outro, é inconcebível pensar numa sociedade, sem indivíduos.
A vida em sociedade requer dos indivíduos um aprimoramento dos princípios morais
fundamentais, pré- estabelecidos pela mesma sociedade, para que a convivência entre
eles seja boa e, por conseguinte, uma sociedade também moralmente boa. Portanto, uma
acção boa dos indivíduos, depende em parte de uma boa sociedade, posto que, ela é
anterior ao indivíduo, ao mesmo tempo, que é espelho. Contudo, se tomar-se em conta,
de que as normas, princípios, existentes em tal sociedade foram estabelecidos por
indivíduos, então, pode-se afirmar que uma boa sociedade depende de indivíduos com
acções moralmente boas.

Diante das incertezas instaladas na pós-modernidade a Moral e a Ética se


apresentam como solução, embora num olhar mais profundo se possa dizer que elas
estariam igualmente em crise.

Ao falar da Ética pode-se confundir com a Moral, pois, constituem duas faces da mesma
moeda, na medida em que tem o mesmo objecto: a acção do indivíduo. Como afirma
Cortina (2003, p.14), tanto a moral assim como a ética, nas suas origens grega (ethos) e
latina (mos) significam quase a mesma coisa, carácter, costume.

Para Valls (1994, p.5), a palavra Ética deriva do grego ethos e tem dois
significados: hábito, costume, uso e neste caso, escreve-se (éthos), por um lado. Por
outro, significa, carácter, atitude e neste caso escreve-se (êthos). Portanto, compreende-
se claramente, que tanto a ética, tomada como éthos, assim como, a ética tomada como
êthos tem no centro de debate a acção do indivíduo.
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O éthos está intimamente ligado a educação que os pais dão aos filhos, e vai passando
de geração para geração. Os ensinamentos que os pais vão passando aos filhos
fundamentam-se em normas ou modelos vigentes na sociedade onde estão inseridos.
Portanto, para avaliar se a acção do indivíduo foi boa ou não, basta verificar se acção
por ele praticada foi em consonância de tais normas.

Cortina (2003, p.14) diz que a ética nas origens quer grega (ethos), quer latina
(mos), se confunde com a moral e significava a mesma coisa: carácter, costumes. O
carácter está ligado a natureza do indivíduo e o costume com as normas que lhe serão
inculcados ao longo da vida. Portanto, a ética assim como a moral, tem por objectivo,
formação de um bom carácter, que permita ser justo.

Aranguren, citado por Cortina (idem, p.15) apelidou a moral por moral vivida e a Ética
por moral pensada. Portanto, nota-se que, aparentemente são a mesma coisa, mas num
olhar profundo percebem-se as especificidades de cada uma delas. Enquanto a moral é
prescritiva, a ética é descritiva, numa dimensão reflexiva e crítica.

É compreensível que haja em parte, uma certa confusão entre a moral e a ética, devido a
similaridades existentes entre elas, no que concerne ao seu objecto de estudo e seus
objectivos, a acção humana, e a boa acção dos indivíduos, respectivamente. Entretanto,
numa abordagem filosófica, a moral é uma coisa e a ética é outra coisa. A primeira diz
respeito a normas ou regras vigentes numa determinada sociedade, e por isso, ela é
prescritiva. A segunda corresponde a uma reflexão sobre a moral. Nesta senda, pode
conceber-se a ética como aquele campo de saber que irá guiar o indivíduo para agir
racionalmente, no sentido de que não age cegamente.

O indivíduo que age racionalmente pressupõe-se, que faz uma prévia avaliação,
medição e antevê as consequências da prática de uma determinada acção. Exactamente,
pelo facto da razão humana ter a capacidade de sentir e a inteligência não só suficiente,
mas sobretudo, necessária para distinguir o verdadeiro do falso, o bem do mal.

Justificativa

A escolha do tema, A Conflitualidade Ética do indivíduo na Pós-modernidade: A


Questão do Bem e da justiça social prende-se com as seguintes: pretender a partir dos
autores ou teorias éticas contribuir para a existência de sociedades mais justas e
com indivíduos solidários.
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tese
É partir desta pretensão que defendemos a tese segundo a qual o comunitarismos é
a alternativa para superação da crise ética da pós-modernidade.

Em tempos hipermodernos, Lipovetsky (2004, p.14) diz que, é com a


modernidade que ocorre a ruptura, não para inserir o presente no cerne das
preocupações de todos, mas para inverter a ordem da temporalidade e fazer do futuro, e
não mais do passado, o lócus da felicidade vindoura e do fim dos sofrimentos. Portanto,
a pós-modernidade é o palco em que o indivíduo afasta tudo que lhe possa causar dor e
procura obter mais prazer e felicidade. Mas, se o comando é maximizar o prazer,
significa que o homem pode usar todos instrumentos de modo a obter prazer e isto
pode-o tornar lobo do outro homem como diria Hobbes.

Aqui podemos visitar Kant que se preocupou em encontrar princípios morais


universalizáveis. Isto, com o utilitarismo, não era possível, visto que fazer alguém feliz
não significa que o indivíduo tornou-se moralmente bom.

1. Fundamentos da moralidade

Kant pensava que para que uma acção fosse moral, a máxima subjacente teria de ser
universalizável, ou seja, o acto deveria ser de acordo com uma máxima que todos
aplicariam em circunstâncias análogas. Assim, se por exemplo o leitor roubar um livro
segundo a máxima: roube livros na biblioteca sempre que precisares fazer trabalhos.
Para que este acto seja moral, esta máxima teria de aplicar-se a qualquer outro indivíduo
que estivesse na sua situação. Entretanto, nota-se que roubar não é um acto moral, pois
não é moral desejar que todos os indivíduos agissem segundo a máxima supracitada.
Portanto, não é uma máxima moral e por isso, não pode ser lei universal.

Pode ser universalizável a máxima: não violente crianças, pois é desejável e possível
que todos obedeçam a esta máxima. Aqueles que não obedecerem, e, portanto,
violentarem crianças estará a agir imoralmente.

Para Warbuton (2007, p. 79), a noção de universalidade contrapõe-se a chamada


regra de ouro do Cristianismo: faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti.
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Alguém que agisse segundo a máxima: viva sempre à custa de outras pessoas. Tal
indivíduo, não estaria a agir moralmente, uma vez que seria impossível universalizar a
máxima. Tentá-lo seria enfrentar a pergunta: e se todos vivessem a custa dos outros? A
máxima não passa o teste de Kant e por isso não pode ser máxima moral.

Como se referiu na ética cristã, o cumprimento do dever pelo indivíduo obedece uma
obrigação ou proibição, que é um mandamento. E o mandamento na visão Kantiana
chama-se imperativo.

Segundo Kant (1785, p. 50), tem-se o imperativo hipotético quando a acção for
boa, apenas como meio para atingir uma determinada coisa, isto é, representa
possibilidade de uma acção como meio para alcançar algo que se quer, enquanto o
imperativo categórico representa a necessidade de uma acção incondicionalmente. Ou
seja, se a acção for boa em si, e, portanto, necessária para uma vontade que por si só
esteja em sintonia com a razão.

Portanto, pode-se afirmar que os imperativos hipotéticos e categóricos são instrumento


que irão ajudar o indivíduo a avaliar se a acção que pretende praticar será ou não moral.

Kant (idem, p. 59-72) formulou os seguintes imperativos:

1. Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que
ela se torne lei universal;

2. Age como se a máxima da tua acção se devesse tornar, pela tua vontade, em lei
universal da natureza;

3. Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa
de qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim e nunca simplesmente
como meio;

4. Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa
de qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim e nunca simplesmente
como meio.

No primeiro imperativo, o indivíduo está numa situação em que deve agir segundo a
máxima que ele não só deseje ou queira, mas também que seja universalizável. Por
exemplo: Um professor com uma carreira invejável pelas suas qualidades encontra-se
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num momento difícil de sua vida social o que influencia negativamente a sua produção
científica. Sem nenhuma perspectiva de recuperar o respeito e prestígio que manteve
durante anos, decide acabar com a sua própria vida, pois, ela já não tem mais sentido.

Agir numa perspectiva kantiana, o indivíduo deverá questionar-se, se a sua acção


poderia tornar-se numa lei universal. Portanto, acabar com a sua própria vida por
qualquer motivo que seja, pode tornar-se numa prática universal? Com certeza não,
porque o contrário destruiria a espécie humana.

O segundo imperativo apela para que da acção de um indivíduo, se tenha uma máxima
que deva se tornar em lei universal. Exemplo 1: Um docente que dá nota aos seus
estudantes em troca de dinheiro. Desta acção, pode-se ter a máxima: Se precisares de
dinheiro venda nota para os estudantes. Esta máxima deve-se tornar pela vontade do
indivíduo em lei universal?

Exemplo 2: Um docente que acompanha os seus estudantes tem melhores resultados.


Daqui, pode-se ter a máxima: se quiseres ter bons resultados, oriente seus estudantes.

Portanto, nota-se que no exemplo 1, a acção não é moral e por isso, não deve tornar-se
lei universal, pois todos docentes venderiam notas para os seus estudantes. Enquanto, no
segundo exemplo, tem-se uma acção moral e deverá querer -se que se torne numa lei
universal.

O terceiro imperativo apela para que o indivíduo pratique as acções, pensando


não só na sua pessoa como também nos outros, sempre e simultaneamente como fim e
nunca simplesmente como meio.

Exemplificando: um homem casado descobre que está infectado pelos vírus da SIDA.
Entretanto, a sua esposa não. Passado algum tempo, ele começa a ficar doente e a
esperança de vida que o médico deu é apenas de um mês. O homem desesperado, e com
o medo de perder sua esposa para um outro homem: se realmente me amas tens de
morrer comigo, como prova do amor que sentes por mim. Nesta situação, o homem
estaria a instrumentalizar a esposa. Portanto, o homem não só vai acabar com a sua vida,
mas também de sua esposa. Universalizar esta máxima significa usar a humanidade
como meio e não como fim. Mas isto colocaria em perigo a existência da humanidade.
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A ideia de suicidar-se não estaria em consonância com a ideia da humanidade como fim
em si mesma, porque se o indivíduo para escapar do sofrimento a que está sujeito decide
eliminar-se, serve-se da pessoa como simples meio.

Para Kant (1785, p. 70), o homem não é uma coisa, um objecto que possa ser utilizado
simplesmente como meio, mas pelo contrário deve ser considerado sempre em todas as
suas acções como fim em si mesmo. Daí que ele não pode ser mutilado, degradado ou o
morto.

No quarto e último imperativo, Kant concebeu a vontade do indivíduo como


sendo legisladora universal, no sentido de que a vontade não deve estar apenas
submetida à lei, mas submetida de tal maneira que tem de ser considerada também
como legisladora ela mesma, e só a partir dai é submetida à lei. Portanto, a vontade
pode-se olhar como autora.

Na compreensão de Kant (idem, p. 74), o facto da vontade humana ser ela mesma
legisladora significa que obedece à lei a uma que ela própria cria, o que significa que
não depende de nenhum outro interesse. Se tal vontade fosse dependente de algo
implicaria ter-se outra lei que pudesse limitar o interesse do seu amor-próprio.

Os princípios universalizáveis são morais e totalmente a priori, na medida em que são


livres de todo o empírico, e só um ser racional tem a capacidade de agir segundo
representação de leis ou princípios.

Para Kant (1785, p. 87), os princípios que forem adoptados a partir de realidades
empíricas não podem servir para fundamentar leis morais, porque a universalidade que
com ela se deve tomar para todos os seres racionais sem distinção e a necessidade
prática incondicional que por isso lhe é imposta, desaparece quando o fundamento dela
se deriva das circunstâncias contingentes da natureza humana.

2. Os princípios da justiça

Na perspectiva de Rawls (1971, p. 35), conceber a justiça como equidade implica


compreender os participantes numa situação inicial como seres racionais e mutuamente
desinteressados. Contudo, adverte, que não significa que tais participantes sejam
egoístas, muito menos movidos por certos interesses como riqueza, prestígio ou poder.
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São apenas concebidos como não tendo interesse nos interesses dos outros. Portanto, a
ideia da justiça como equidade corresponde aos princípios que regulam os acordos,
especificam as formas de cooperação social que podem ser introduzidas, bem como as
formas de governo que podem ser estabelecidas.

Assim para salvaguardar este ideal, Rawls avança os princípios que seriam escolhidos
na posição original:

1. Princípio da Liberdade- cada indivíduo deve ter um direito igual irrevogável a


um sistema de liberdades básicas que sejam compatíveis com o mesmo sistema
de liberdade para todos;

São consideradas liberdades básicas as seguintes:

a) Liberdade Política (direito de votar e de ocupar uma função pública);

b) Liberdade de expressão e de reunião;

c) Liberdade de consciência e de pensamento;

d) Liberdade da pessoa que inclui a proibição da opressão psicológica e da


agressão física, direito à integridade pessoal, o direito à propriedade privada
e à protecção face a detenção e à prisão arbitrária de acordo com o princípio
do domínio da lei e de acordo com o primeiro princípio. Estas liberdades
devem ser iguais para todos.

Embora os indivíduos possam ser diferentes em termos de dons naturais (talentos,


capacidade racional), no que concerne a distribuição dos direitos e deveres devem ser
iguais. No princípio de igualdade pretende-se salvaguardar este ideal, dai que o
objectivo é de garantir que cada pessoa, tenha o mesmo direito e que seja compatível
com o mesmo esquema de liberdades para todos.

2. Princípio de Igualdade: as desigualdades sociais e económicas devem ser


ordenadas de tal modo que sejam ao mesmo tempo:
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a) Consideradas como sendo vantajosas para todos dentro dos limites do


razoável

(princípio da diferença);

b) Vinculadas a posições e cargos acessíveis a todos (princípio da igualdade de


oportunidade).

Portanto, o bem-estar de todos depende de um sistema de cooperação, sem o qual


ninguém poderia ter uma vida satisfatória. Contudo, este sistema de cooperação tem
uma relação directa com a divisão dos benefícios, pois esta deve ser feita de modo a
provocar a cooperação voluntária de todos os que nele tomam parte, incluindo os que
estão em pior situação.

Mas que princípios seriam escolhidos para evitar as desigualdades sociais e


económicas?

Sandel (2013, p. 189) reconhece que existe o risco dos indivíduos estarem na miséria.
Entretanto, apresenta uma solução, que consistiria numa distribuição igual de renda e
riqueza.

Em que consiste o princípio da diferença? Imagine-se uma situação, em que ao permitir


desigualdades, como salários altos para professores do que para auxiliares de uma
escola, se pudesse melhorar a situação daqueles quem tem menos, aumentando deste
modo, o acesso dos pobres aos serviços de Educação.

Segundo, imagine-se a situação em que, professores bem remunerados proporcionassem


melhor educação nas zonas rurais de baixa renda.

E por último, imagine-se que a remuneração mais alta dos professores não tivesse
nenhum impacto nos serviços de educação, apenas aumentasse o número de mestres.

Do ponto de vista do princípio da diferença proposto por Rawls, para os primeiros


casos, a diferença salarial seria aceitável, mas não seria, para a última situação porque
seria difícil justificar a diferença salarial. À luz do princípio da diferença, são aceitáveis
as desigualdades sociais e económicas, na condição em que estas visam o benefício dos
membros menos favorecidos da sociedade.
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Portanto, parecem ser justificáveis os salários milionários dos músicos, futebolistas, na


medida em que a teoria de Rawls não tem por objectivo avaliar se o salário dessa ou
daquela pessoa é justo, preocupa-se apenas com a estrutura básica da sociedade e a
forma como ela distribui direitos e deveres, renda e fortuna, poder e oportunidade, por
um lado, e por outro lado, é fundamental também reflectir, se o salário milionário, do
músico, futebolista, é parte de um sistema que como um todo trabalha em benefício dos
menos favorecidos. Neste último significa que a fortuna estaria sujeita a um sistema
progressivo de impostos sobre a renda do rico, no sentido de poder contribuir para os
menos favorecidos.

Daqui conclui-se que o princípio da diferença, embora salvaguarde em si o ideal da


igualdade, não leva à igualdade efectiva entre os indivíduos, na medida em que os
efeitos das diferenças salariais dependem das circunstâncias sociais e económicas dos
indivíduos. Por exemplo, os benefícios que os menos favorecidos podem ter, como
resultado da aplicação do princípio da diferença, nunca os irá colocar ao mesmo nível,
de possibilidades económicas, sociais com os mais favorecidos.

Até aqui, analisamos os princípios de justiça, propostos por Rawls, mas a quem se
aplicam?

Os princípios da justiça são aplicáveis as instituições, assim como aos sujeitos


individuais. O objecto primário dos princípios da justiça é a estrutura básica da
sociedade.

Para Rawls (1971, p. 63), as instituições correspondem a um sistema público de


regras que determinam as funções e posições, fixando os respectivos direitos e deveres,
bem como poderes e imunidades.

O princípio da liberdade é anterior e superior ao princípio da igualdade. O princípio da


igualdade de oportunidades é superior ao princípio da diferença. Rawls citado por
Sandel (2013, p. 60) diz que esta prioridade significa que ao aplicar um princípio parte-
se do pressuposto de que os princípios anteriores já foram plenamente satisfeitos.
Busca-se um princípio de distribuição que vigore no contexto de instituições de fundo
que garantam as liberdades básicas iguais, bem como igualdade equitativa de
oportunidades.
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A igualdade equitativa de oportunidades exige que não só cargos públicos e


posições sociais estejam abertos no sentido formal, mas que todos tenham uma
oportunidade equitativa de acesso a eles: para especificar a ideia de oportunidade igual:
supondo que haja uma distribuição de dons naturais, aqueles que têm o mesmo nível de
talentos e habilidades e a mesma disposição para usar esses dons deveriam ter a mesma
perspectiva de sucesso, independentemente de sua classe social de origem, a classe em
que nasceram e se desenvolveram até a idade da razão. Em todos os âmbitos da
sociedade deve haver praticamente as mesmas perspectivas de cultura e realização para
aqueles com motivação e dotes similares.

Segundo Rawls citado por Sandel (idem, p.62) a igualdade equitativa de oportunidades
significa igualdade liberal. Para alcançar seus objectivos, é preciso impor certas
exigências à estrutura básica além daqueles do sistema liberal natural. É preciso
estabelecer um sistema de mercado livre no contexto de instituições políticas e legais
que ajuste às tendências de longo prazo das forças económicas a fim de impedir a
concentração excessiva da propriedade e da riqueza, sobretudo aquela que leva à
dominação política.

Portanto, daqui infere-se que a sociedade também tem de estabelecer, entre outras
coisas, oportunidades iguais de educação para todos independentemente da renda
familiar.

O primeiro princípio, conforme foi explicado abarca os elementos constitucionais


essenciais.

O segundo exige igualdade equitativa de oportunidades e que as desigualdades sociais e


económicas sejam governadas pelo princípio da diferença. O que distingue os dois
princípios não está em que o primeiro expresse valores políticos e o segundo não.

Ambos os princípios, expressam valores políticos. A estrutura básica da sociedade tem


duas funções coordenadas, sendo o primeiro, que se aplica a uma e o segundo à outra.
Em uma das funções, a estrutura básica determina e garante as liberdades básicas iguais
dos cidadãos e estabelece um regime constitucional justo. Sua outra função é
demonstrar as instituições de fundo da justiça social e económica na forma mais
apropriada a cidadãos considerados livres e iguais.
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2. O Bem

A teoria do Bem desenvolvida por Rawls dá uma explicação detalhada dos bens
primários, sem os quais não seria possível alcançar os princípios da justiça. É também a
partir da teoria do bem que é possível identificar quais dentre os membros do sistema de
cooperação são os menos favorecidos na sociedade.

A teoria do bem serve para defender a teoria da justiça como equidade contra algumas
objecções. Por exemplo: os membros na posição original sabem muito pouco sobre a
sua situação em relação ao acordo racional sobre os princípios da justiça, posto que eles
não sabem quais são os seus objectivos e pode ser que os projectos por eles formulados
caiam a ruina em detrimento dos princípios pelos quais deram o seu consentimento, dai
que, lhes seria difícil obter uma decisão imparcial. Assim, a racionalidade de uma
escolha não depende do conhecimento dos membros que a efectuam, mas da forma
como eles raciocinam a partir de informações que dispõem. Portanto, a teoria do bem
diz apenas quem são os membros menos favorecidos e não se eles estão sendo
prejudicados.

O acordo ou a aceitação pelos membros da sociedade é o pressuposto para se


chegar a uma teoria do Bem. Eles têm a missão de garantir a sua liberdade e o seu
respeito próprio, e para prosseguirem os seus objectivos pessoais exige uma quantidade
de bens primários.

Os membros ao aderirem o acordo inicial supõem que as suas concepções do bem tem
uma estrutura determinada, que lhes permita proceder numa base racional à escolha dos
princípios. Aqui pode-se colocar a seguinte questão: Possuir e manter o sentido da
justiça numa sociedade bem ordenada é condição para que se possa considerar um bem?

O entendimento que os indivíduos têm da noção do bem, está em conformidade


com os princípios do justo, que são publicamente reconhecidos e reservam um lugar
adequado para os diversos bens primários.
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1. A é um bom X se, e apenas se, A tiver as propriedades, em grau superior as


do X, que é racional desejar que X possua, atendendo à utilização do X, ou
aquilo que dele se espera;

2. A é um bom X para K (se K for sujeito) se, e apenas se, A tiver as


propriedades que é racional para K desejar um X, considerando as
circunstâncias em que se encontra K e as capacidades e projectos de vida, e
portanto, aquilo que ele deseja fazer com X (cf. Rawls, 1971, p.305).

Um indivíduo racional, com projectos de vida, poderá desejar um objecto, se este tiver
propriedades, ou características que possa desejar. Por exemplo, um bom carro é aquele
que possui as características que são desejadas num carro. O que significa afirmar que,
se existirem alguns objectos com propriedades desejadas por muitas pessoas, então,
estes objectos são um bem humano.

Portanto, possuir um sentido de justiça constitui na verdade um bem e uma


sociedade bem ordenada deve repousar na teoria do bem, no sentido de que, as atitudes
morais são o fundamento de uma sociedade bem ordenada. Entretanto, é preciso notar,
que tais atitudes devem ser desejadas pelos membros integrantes da mesma sociedade.

Os indivíduos na Posição Original aceitam a concepção do bem e dão como certo o seu
desejo de igual liberdade, igual oportunidade e de meios para atingirem os seus fins.
Tendo presentes os objectivos, como o de garantir o bem primário, do respeito próprio,
eles avaliam as concepções da justiça que lhes oferecem na posição original, a igual
liberdade e a igual oportunidade, sendo que o rendimento, a riqueza e o respeito próprio,
são bens primários.

Um indivíduo bom é aquele que possui em grau superior à média as


propriedades que é racional, os indivíduos desejarem encontrar uns nos outros; em
segundo lugar, um indivíduo bom pode ser interpretado como exigindo uma avaliação
de conjunto ou avaliação da média de forma que são consideradas mais importantes e,
finalmente, pode haver propriedades que é racional desejar em indivíduos quando elas
são vistas relativamente a qualquer das suas funções sociais.
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Rawls (1997, p. 335) distingue as virtudes morais dos talentos e das qualidades naturais,
estes últimos como poderes naturais desenvolvidos pela educação e pela formação e
muitas vezes exercidos de acordo com certos padrões característicos, intelectuais ou não
por referência aos quais podem ser medidos de forma aproximada. Enquanto as virtudes
são sentimentos e atitudes habituais que levam a agir de acordo com certos princípios do
justo.

Um indivíduo bom ou com um valor moral é alguém que tem em grau superior à média,
as características de base geral do carácter moral, e é racional para os indivíduos na
Posição Original desejarem encontrar uns nos outros. Compreende-se que os indivíduos
na posição original desejariam que os outros tivessem sentimentos morais que
reforçassem adesão a este princípio, Ou por outra, uma pessoa boa tem as características
de carácter moral que é racional para os membros de uma sociedade bem ordenada
quererem nos seus semelhantes.

Um acto bom é aquele em que o indivíduo tem a liberdade para praticar ou não,
não há exigências do dever ou da obrigação natural que imponha o facto de fazer ou
não, o bem de outra pessoa. Assim, uma boa acção pode ser compreendida como um
acto bem realizado em nome do bem de outrem. Um acto bom promove o bem de outra
pessoa e é praticado com base no desejo de que a outra pessoa obtenha esse bem. Esta
concepção de uma boa acção traz perdas ou riscos consideráveis para o praticante, no
sentido de que este tem apenas em vista apenas, causar um bem elevado a outra pessoa.

Para uma melhor compreensão do conceito do bem moral é necessário discutir os


princípios de justiça e de justo. Por exemplo, um bom professor deve possuir as
características próprias que a sua profissão exige: ser competente, imparcial, ouvir as
opiniões dos alunos, tirar as dúvidas. Estas características são necessárias, mas podem
não ser suficientes. A descrição de como deve ser uma boa mãe, um bom irmão, um
bom pai, assenta-se na virtude, o que pressupõe os princípios do justo.

Para Rawls (1997, p.312), a teoria do bem é usada para dar conselhos e
orientações, pois, quando alguém pede conselho espera uma opinião sobre qual teria a
melhor orientação. Por exemplo, um chefe de cozinha que aconselha o outro sobre os
temperos a usar, o tempo de cozedura de determinados alimentos, coloca-se na posição
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do outro e recomenda aquilo que julga ser melhor para que seja um óptimo chefe de
cozinha.

Para Rawls (idem, p. 314), a noção do bem, também é aplicada aos projectos da vida. E
o projecto de vida de uma pessoa é racional se, e só se, for um dos projectos que seja
coerente com os princípios da escolha racional quando aplicados a todas as
características relevantes da situação a que se encontra e se for o projecto que de entre
todos aqueles que respeitam esta condição for escolhido pela pessoa em causa a partir
de uma deliberação inteiramente racional.

Ou seja, o indivíduo deve ter total consciência das consequências que poderão advir das
suas escolhas. Assim, um projecto racional deverá ser compatível com os princípios da
escolha racional, pois para Rawls (1971, p. 302), a decisão é racional se tiver em conta
as circunstâncias e se corresponder ao melhor de que os membros forem capazes. O que
significa que os membros podem chegar a uma decisão racional e a certas concepções
de justiça que poderão ser melhores do que as outras.

Para Rawls (1997, p. 337), o projecto de vida só terá interesse, se os outros valorizarem
e apreciarem o que um indivíduo faz. Percebe-se claramente que os objectivos quando
não são apreciados pelos outros, dificilmente se mantem a convicção de que eles valem
a pena, posto que os outros tendem a valorizar os objectivos somente se aquilo que se
faz merece a sua admiração ou então se lhes dá prazer.
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