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A IMPORTÂNCIA DO SILÊNCIO NOS GRAUS INEFÁVEIS

A palavra silêncio deriva do latim “silentiu” e significa interrupção de ruído ou estado


de quem se cala. É o estado de quem se abstém de falar, de quem se cala; privação de falar;
interrupção de ruído; segredo, sigilo.
Portanto aprender a calar-se é aprender a pensar e meditar.
No silêncio os pensamentos crescem e clareiam, e a verdade aparece como a palavra
que é transmitida no segredo da alma indivíduo.
A arte do silêncio é pois, uma arte complexa, que não consiste unicamente em calar a
palavra exterior, mas que requer para que seja realmente completa, que também ocorra o
silêncio interior do pensamento: quando soubermos calar nossos pensamentos então é quando
a verdade poderá intimamente revelar-se e manifestar-se em nossa consciência. Na Maçonaria,
o silêncio tem um rico significado e é sobre este aspecto que este trabalho se presta a estudá-
lo.

Por EMANOEL LOPES BENTES(Texto apresentado na Loja de Perfeição Salomão Eugrably, para obtenção de grau no R.´.E.´.A.´.A.´.)
Desde as primeiras civilizações, notadamente as que tinham sociedades iniciáticas, o
silêncio é um importante elemento cultural, imposto drasticamente para salvaguardar seus
segredos. Em quase todas é representado por uma criança com o dedo sobre os lábios.
No Antigo Egito, em função da característica misteriosa de seus rituais, existia até a
crença em um “deus” do silêncio, chamado Harpócrates. Entre os magos e sacerdotes egípcios,
os iniciados assumiam um estado de silêncio total, a fim de resguardarem-se os segredos e
incitar os neófitos à meditação, regra que seria adotada por todas as sociedades iniciáticas
posteriormente. O Budismo também valoriza o silêncio como condição para a contemplação e
a meditação, que somadas a introspecção e a autodisciplina levam ao desenvolvimento
espiritual. Os essênios, tinham como principais símbolos um triângulo contendo uma orelha e
outro contendo um olho, significando que a tudo viam e ouviam, mas não podiam falar, por não
terem boca.
Dentre os mistérios gregos encontramos o de Orfeu, que com a magia de seu canto e de
sua música executada numa lira, silenciava a natureza e a tudo magnetizava. Eurípedes no verso
470 de sua obra "Os Bacantes", diz que verdadeiros são os mistérios submetidos à lei do
segredo.
A palavra mistério deriva de "Myein", que significa "boca fechada". Pitágoras criou a
escola itálica e seus discípulos se distinguiam em 3 graus, sendo o 1º o "Acústico", assim
chamado porque era destinado aos aprendizes que só deviam ouvir e abster-se de manifestação.
Para os talhadores de pedras o segredo e o silêncio sobre sua arte era uma questão de
sobrevivência, constituindo-se inclusive num salvo-conduto. Os monges da Ordem de Císter
tinham como uma de suas principais regras o silêncio para a reflexão. A G:.L:.da Inglaterra
adotou, após sua unificação, a legenda "Audi, Vide, Tace", ou seja, "ouça, veja, cale". Como
pudemos perceber, há inúmeros exemplos da importância do silêncio ao longo da história.
Os primeiros rituais maçônicos diziam que os 3 pontos particulares que distinguiam o
maçom eram a fraternidade, a fidelidade e ser calado que representavam o amor, a ajuda e a
verdade entre os maçons. As antigas obrigações, pregavam o silêncio, a circunspecção e a
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compostura durante os trabalhos. Nos Landmarks, há referencia ao sigilo que o maçom deve
conservar sobre todos os conhecimentos que lhe são transmitidos e dos trabalhos em Loja,
sendo que as cartas constitutivas de todas as obediências contêm referências com o mesmo
sentido.
Para poder realizar esta disciplina do silêncio, temos igualmente de compreender o
significado e o alcance do segredo maçônico. O maçom deve calar-se ante as mentalidades
superficiais ou profanas sobre tudo aquilo que somente os que forem iniciados em sua
compreensão podem entender e apreciar.
A lei do silêncio é a origem de todas as verdadeiras iniciações e no transcorrer da
iniciação maçônica pode ser detectada em vários momentos. Logo no início, na câmara de
reflexão, o silêncio assume sua maior importância, uma vez que o candidato talvez não tenha
há muito tempo uma oportunidade igual de ficar a sós, em atitude contemplativa, em meditação,
para que possa ocorrer a maturação silenciosa de sua alma.
Ao longo do cerimonial, no decorrer dos interrogatórios, poderemos encontrar por
diversas vezes pausas silenciosas para que o candidato possa refletir sobre aquilo que acabou

Por EMANOEL LOPES BENTES(Texto apresentado na Loja de Perfeição Salomão Eugrably, para obtenção de grau no R.´.E.´.A.´.A.´.)
de ouvir. Voltaremos a nos deparar com o silêncio ao realizarmos a 3ª viagem, a qual é feita no
mais absoluto silêncio. Finalmente, ele será o mote principal do juramento que realizamos ao
final da iniciação.
No que diz respeito ao ritual maçônico, é certo que boa parte das formalidades em uso
na sociedade não permaneceram inteiramente secretas. Mas, é igualmente certo que não podem
ser de utilidade verdadeira senão para os maçons, da mesma maneira que os instrumentos de
determinada arte só servem para os obreiros conhecedores e capacitados nessa arte.
Do ponto de vista deste enfoque ritualístico, percebemos que o silêncio está presente em
diversos momentos, desde a abertura dos trabalhos quando ouvimos o 2º Diácono responder ao
V:.M:. que deve zelar para que os irmãos se mantenham em suas colunas com respeito,
disciplina e ordem. Na abertura do L:.L:., ouvimos que "no princípio era o verbo", onde reinava
o silêncio. No transcorrer dos trabalhos, os VVig:. anunciarão o silêncio das colunas, o que
significa que democraticamente foi concedido o direito à palavra. Finalmente, encerramos a
sessão, jurando manter, o mais absoluto silêncio, sobre tudo o que foi visto, ouvido e falado em
Loja.
O Silêncio nada mais é do que um perpétuo exercício do Pensamento. Calar não consiste
somente em nada dizer, mas também pode significar deixar de fazer qualquer reflexão dentro
de si, quando se escuta alguém falar. Não se deve confundir silêncio com mutismo. O primeiro
é um prelúdio de abertura para a revelação, o segundo é o encerramento da mesma. O silêncio
envolve os grandes acontecimentos, o mutismo os esconde. Um assinala o progresso, o outro a
regressão.
Somente o homem capaz de guardar o silêncio será disciplinado em todos os outros
aspectos de seu ser, e assim poderá se entregar à meditação. O silêncio é a virtude maçônica
que desenvolve a discrição, corrige os defeitos, permite usar a prudência e a tolerância em
relação aos defeitos e faltas dos semelhantes. Finalmente, cabe salientar que os maçons se
reúnem em templos, e "O templo representa a fortaleza da paz e do silêncio".

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Ser maçom é ser amante da virtude, da sabedoria, da justiça e da humanidade. É ser
amigo dos pobres e desgraçados, dos que sofrem, dos que choram, dos que têm fome e sede de
justiça. é propor como única norma de conduta o bem de todos e o seu progresso e
engrandecimento.
Ser maçom é derramar por todas as partes os esplendores divinos da instrução, é educar
a inteligência para o bem, conceber os mais belos ideais do direito, da moralidade e do amor, e
praticá-los. É ser amigo da ciência e combater a ignorância, render culto à razão e à sabedoria.
É realizar o sonho áureo da fraternidade universal entre os homens, porém o mais importante
de tudo, de forma discreta e sem agir buscando louros ou prêmios.
O silêncio em relação aos conhecimentos, a ritualística e simbologia maçônicas são
vitais, a fim de que profanos desavisados e despreparados não teçam interpretações errôneas
sobre preciosos ensinamentos. Nenhuma razão justifica que o maçom viole o segredo ao qual
se obrigou , espontaneamente, em solene juramento; sobre a forma de reconhecimento entre os
irmãos e o caráter de seus simbólicos, nem sequer quando lhe parecer útil para sua própria
defesa ou para a defesa da ordem.

Por EMANOEL LOPES BENTES(Texto apresentado na Loja de Perfeição Salomão Eugrably, para obtenção de grau no R.´.E.´.A.´.A.´.)
Vale de Alenquer-Pará-Brasil, em 15 de agosto de 2019.

Por EMANOEL LOPES BENTES

Referencias:
1-CASTELLANI, José. O Mestre Secreto. Ano 1991.

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