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HELOÍSA CAPELAS

RELACIONAMENTO
A DOIS

COMO O SEU
COMPORTAMENTO
CRIA A RELAÇÃO QUE VOCÊ TEM

UM GUIA PRÁTICO DE PERFIS PARA VOCÊ SE


RECONHECER E IDENTIFICAR O QUE LHE FALTA 
PARA O SUCESSO NA VIDA AMOROSA
Sumário

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I N T R O D U Ç Ã O

02
Introdução
N essas mais de três décadas em que trabalho com desenvolvimento
humano, recebi e continuo a receber muita gente que enfrenta sérias
dificuldades no que diz respeito à vida amorosa.

Os motivos são inúmeros. Há quem não consiga se apaixonar, criar vínculo


afetivo ou permanecer nas relações. Há também quem deseja sair de um
relacionamento, mas tem medo de tomar uma decisão precipitada (ou
decide por impulso e depois se arrepende). Isso sem falar dos que sentem
que se doam demais, dos que apenas desejam receber do outro sem
entrega, dos que fantasiam sobre o amor perfeito e, como não o encontram,
sentem-se profundamente frustrados e sozinhos.

E ainda, infelizmente, há os que se veem diante da depressão, do


isolamento, da raiva, da promiscuidade, da baixa autoestima... Enfim, de um
emaranhado de sentimentos negativos que acabam por afetar todas as
áreas da vida.

A maioria dos casais passa por algum obstáculo quando o assunto é amor,
ainda que não fale a respeito. Isso é comum e, por vezes, até proveitoso
para que ambos se conheçam melhor e exercitem suas capacidades de
empatia e negociação. Mas a questão principal está no “como e em que
grau” essas questões afetam você?

Se você sente que tem problemas no quesito amoroso, tranquilize-se, pois


existe caminho para a mudança. Você pode começar por identificar quais
aspectos seus podem ser aprimorados com o objetivo de,
consequentemente, transformar esse lado tão importante da sua vida.

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Digo isso porque a mudança mais concreta, real, duradoura e
sustentável sempre começará a partir de você mesmo. É, eu sei, você
deve estar ai me dizendo; “Como assim? Mas meu maior problema é que
‘fulano é’ ou ‘que fulano faz assim...”.

Quando se trata de relação a dois, o olhar de cada um e as queixas ficam


muitas, mas muitas vezes focadas apenas no outro. Mas a questão aqui é
que o maior exercício para a relação que você busca, saudável e de
harmonia, começa sempre com Autoconhecimento. Ou seja, é a partir
de você. Então, antes de olhar para o outro, minha proposta é “descubra
sobre si próprio”.

Esteja solteiro ou comprometido, quero que você perceba, desde já, que o
exercício de transformação é individual, começa em você. Criei esse e-book
pensando em lhe ajudar. A minha ideia é te apresentar comportamentos
muito comuns nos relacionamentos a dois (ainda que, neste momento, você
não esteja numa relação).

Espero que a leitura lhe alcance com amorosidade e se traduza numa


reflexão reveladora a respeito da pessoa mais importante em sua vida:
VOCÊ!

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S O N H A D O R
V E R S U S
R E A L I S T A

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Sonhador
versus
Realista
Uma queixa comum: a pessoa se envolve com outra, apaixona-se e, com o
tempo, “descobre” que a pessoa por quem se interessou inicialmente pouco
ou nada tinha a ver com aquilo que, de fato, é.

Isso é tão comum que existem diversos livros e obras escritas por
renomados especialistas da área comportamental sobre o assunto. São
inúmeras, também, as razões que levam alguém a passar por essa
experiência, que pode ser traduzida como um conflito entre expectativa e
realidade. Mas por que será que isso acontece?

Bem, a expectativa nasce das nossas próprias vivências. Trazemos,


internalizado, aquilo que acreditamos ser o ‘modelo perfeito’ de
relacionamento. E, sem perceber, projetamos esse desejo naqueles com
quem nos relacionamos. A realidade, por sua vez, se sobrepõe ao nosso
ideal: nem nós somos o ser idealizado que criamos e apresentamos ao
mundo, nem nossos parceiros o são.

Em outras palavras, quando projetamos o nosso ideário em alguém,


passamos a enxergá-lo como queremos, sob o nosso ponto de vista
apenas, atribuindo ao outro sumariamente as qualidades que desejamos
que tenha e os defeitos com os quais aceitamos lidar, conviver, amar.

E, então, aos poucos, esses rótulos todos


dão lugar à realidade e vemos com quem, A expectativa nasce
de fato, estamos nos relacionando. das nossas próprias
Evidentemente, por vezes a realidade se vivências.
apresenta muito distante da expectativa Trazemos, internalizado,
ilusória que criamos por conta própria. o ‘modelo perfeito’ de
relacionamento

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Vale lembrar que, assim como nós, nossos parceiros percorrem o mesmo
caminho, ou seja, repetem o mesmo comportamento em relação a nós:
veem quem somos a partir de um ponto de vista internalizado e muito
particular, que raramente corresponde ao que somos de fato.

Você deve ter começado a entender, agora, porque essa conta quase
nunca fecha! Com tantas expectativas de ambos os lados, fica muito difícil
superar o momento em que, como dizem por aí, as máscaras caem (falo
mais sobre isso já já). E tem mais. O tal ‘modelo perfeito’ de relação envolve
os dois papeis, o do outro e o SEU. E, tal qual fazemos sobre o outro, nós
também criamos, reproduzimos e entregamos, inicialmente,
comportamentos que acreditamos serem os ideais – ainda que sejam
incompatíveis com quem de fato somos.

Veja um exemplo. Uma moça, que se dizia muito confiante, conheceu um


rapaz, que sedizia nada confiável. Por vezes, ela sentia que era tratada com
desrespeito, mas segurava as pontas para não demonstrar insatisfação.
Permaneceu firme, afinal, acreditava que aquele era seu papel – e, mais:
que se o questionasse, estaria o cobrando e, assim, assumindo uma
posição vulnerável dentro da relação. Ficou quieta até que, um dia, explodiu
e disse tudo o que estava engasgado.

Por sua vez, o rapaz, que acabou no papel de ‘canalha’, estava na verdade
bastante envolvido. Porém, acreditava que demonstrar seu sentimento
feriria sua virilidade e o deixaria vulnerável. Por isso, preferiu não se
comprometer apenas com o objetivo de se proteger.

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Resultado? Apegados que estavam ao que acreditavam que deveriam ser,
deixaram de demonstrar quem realmente eram e se perderam. Como
acontece com inúmeros casais espalhados por aí não é mesmo?

E o que dizer das descobertas que são feitas pós casamento? Muitas
pessoas acreditam que o ‘outro’ vai mudar quando estiverem casados.

PARA PRATICAR E REFLETIR


Anote, num papel, as características que você costuma apresentar quando está num
relacionamento amoroso. Busque identificar os comportamentos que mais se repetiram
nas relações, aqueles que lhe são mais típicos. Então, pergunte-se: “Quais consequências
obtive a partir desses comportamentos? Em quais situações eles lhe renderam resultados
positivos? E negativos? Quais se tornaram insustentáveis com o passar do tempo?
Avalie-se. Na resposta, está a mudança que pode lhe ajudar a fazer diferente daqui para
frente.

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Como disse antes, quando as máscaras caem, muitos amores se
desestruturam por completo. Mas, mais difícil que lidar com a verdade
alheia, quase sempre é enxergar a nossa realidade, ajustar as expectativas
sobre nós mesmos e entregar, ao outro, o que está ao nosso alcance (não o
que gostaríamos de ter para entregar).

As expectativas, é claro, vão sempre existir, desde que pautadas e criadas


no chão firme, não no mundo das ilusões. O casal fictício que acabo de
mencionar poderia ter vivido uma outra história, desde que ambos tivessem
equilibrado o que esperavam de si com o que poderiam efetivamente doar
ao outro; harmonizado o que esperavam do
outro com o que efetivamente poderiam [ESSE É O MEU CASO]
receber. Sair da expectativa para encarar a
realidade nada tem a ver com
Até mesmo os relacionamentos dignos otimismo ou pessimismo, ao
de um conto de fadas contam com a contrário do que muita gente insiste
em dizer. Pelo contrário: significa
dedicação, paciência, persistência e
viver com os pés no chão, com
equilíbrio dos envolvidos não somente consciência de onde se está e
para que cheguem ao “felizes para abertura para caminhar na direção
sempre”, mas essencialmente para dos objetivos que se deseja
que alcancem o “felizes diariamente”. alcançar.

"Em vez de cobrar que alguém lhe dê


exatamente aquilo que você espera,
mude suas expectativas para que
possa ser, você mesmo, aquilo que
espera para você e para os outros."

Heloísa Capelas

O QUE VOCÊ PRECISA SABER


Padrões de comportamento são hábitos, trejeitos e maneiras de ser e agir que
aprendemos na infância e reproduzimos na vida adulta. Por meio deles, temos nos
relacionado com nós mesmos e com o mundo ao nosso redor, mas, na maior parte do
tempo, sequer os percebemos. Nem sempre, esse ‘jeitão de ser’ traz resultados positivos
para nossa vidas. O Autoconhecimento é a única forma de encontrar essa resposta.

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Carente
versus
Individualista
“Vivo inseguro com minha parceira. Poucas demostranções de afeto,
fica fechada em si...”

“Demonstrar o que sinto é fraqueza; tenho que me manter superior...”

A pesar de parecerem tão opostos, esses comportamentos deram um


empurrãozinho para aproximar (sim, aproximar!) muitos casais. De um lado,
o ‘carente’: liga, cobra, reclama, pede, exige, quer e, enfim, nunca está
satisfeito com o que o outro dá. De outro, o individualista: atende, responde,
retorna, faz e acontece só quando assim deseja e, enfim, nunca está pronto
para reconhecer ou priorizar as vontades e necessidades do outro. Com
comportamentos aparentemente tão irreconciliáveis, você vai me perguntar,
por que é que esses dois tipos se atraem tanto?

Essas atitudes, quando não levadas ao exagero e combinadas com outras


características, podem se tornar complementares. Mas, fora do equilíbrio,
elas evidentemente ‘discutem’ entre si. Em suma, o que acontece com
ambos os perfis está intimamente ligado ao medo. Sim, porque o grande
desejo comum à maioria das pessoas é receber
amor e se sentir amado. E, justamente por isso, O grande desejo
temos muito medo de nos envolver e não das pessoas é
recebermos do outro o amor que desejávamos! receber amor e se
sentir amado.
Por isso, temos medo
de não
realizar tal desejo

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Isso costuma impulsionar o comportamento do carente e, também, do
individualista (para não falar de tantos outros tipos que também se
aplicariam a isso). Veja só.

Quando crianças, todos nós – eu, você e as demais pessoas com quem nos
relacionamos – desejávamos receber amor. Esse era nosso objetivo
sumário e, em busca de sua concretização, aprendemos maneiras de ser e
de agir que nos levaram a sentir que, de fato, recebíamos amor dos nossos
pais e familiares. E amor, com frequência, significa atenção e cuidado.

Pergunte-se por um instante: o que você fazia, quando criança, para sentir
que seus pais ou cuidadores estavam de olho em você? De que forma
conquistava a atenção deles? Como eles próprios demonstravam afeto e
cuidado em relação a você?

Essas respostas valem ouro. Muito provavelmente, elas trarão à tona


lembranças muito antigas e sentimentos que podem parecer infantis. E esse
é mesmo o caminho da autodescoberta, pois é lá, na sua infância, que mora
toda a raiz de seu aprendizado emocional. De volta aos dois perfis, existem
inúmeras possibilidades que podem ter feito com que se tornassem as
pessoas que são hoje.

Entre a pessoa que adota o comportamento compulsivo da expectativa


direcionada ao outro e a pessoa que pratica o “eu me basto” – o que
também não deixa de ser uma forma de carência – existem tantos outros
tipos de comportamentos que revelam o desejo de receber amor. Em outras
palavras, os carentes estão por todos os cantos, ainda que não se revelem
dentro do padrão impulsivo, cobrador etc. Como disse no início, as
carências específicas e a forma como são expostas por cada um podem,
sim, cruzar ao longo do caminho e virar atração.

Mas é preciso ter em mente que o outro existe para nos acompanhar e não
para resolver questões internas que dizem respeito apenas a nós mesmos.
Com o piloto automático ligado, você tem dificuldade de saber sobre si, ou
seja, de reconhecer um padrão de comportamento tão bem instalado,
arraigado e compulsivo que lhe prejudica.

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Há carentes que não encontram motivação para se valorizar e dedicar a si
mesmo o amor que têm para doar, assim como há aqueles que buscam, na
individualidade, força para não demonstrar fraqueza (o que lhes geraria
uma grande dor). E alguém está certo ou errado, é mais ou menos que o
outro? Claro que não! São pessoas repetindo emoções que aprenderam. E
isso tudo é INCONSCIENTE, está no automático até que essas pessoas
levem luz às suas histórias.

O ponto de equilíbrio está justamente em trazer, primeiro para si, a


harmonia e o amor-próprio para, então, ter a oportunidade de oferecer o
mesmo às relações. No final das contas, muitas pessoas estão
‘dependentes’ do afeto (e da relação) que vêm de ‘fora’ – e não têm ideia de
como lidar com isso.

PARA PRATICAR E REFLETIR


Para encerrar esses padrões, é preciso resgatar o amor-próprio, ou seja, amar a si
mesmo incondicionalmente, com todas as suas qualidades e defeitos, para aprender a se
posicionar de maneira positiva ante os acontecimentos da vida. Reconheça que você é
uma pessoa de valor e diga “eu me amo”. É necessário colocar o autoamor em prática,
que é a habilidade de dar sem esperar nada em troca e afastar a carência de esperar que
alguém faça por você o que somente você pode fazer com precisão: amar-se.

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As respostas para o que você é hoje
estão naquilo que viveu lá atrás
É provável que pessoas muitos carentes possam ter vivenciado dois
caminhos na infância: foram filhos mimados, superprotegidos, que, na fase
adulta, não conseguem lidar com a ideia de não serem o centro das
atenções; ou exatamente o contrário: é possível que se sentiram deixados
de lado na infância e, hoje, rejeitam por completo a ideia de vivenciarem
essa sensação novamente (ainda que a vivenciem).

Por sua vez, os individualistas podem ter sido criados para que tivessem
ampla autonomia, influenciados pela ideia de que precisariam fazer tudo por
conta própria. Sempre que davam um passo em direção à suposta
independência, esperavam reconhecimento por parte dos pais e cuidadores
e, muitas vezes, acabavam frustrados. Ou, ainda, podem também ter sido
igualmente superprotegidos e dependentes de seus pais e, portanto, hoje,
buscam independência.

Veja que citei duas possibilidades para cada perfil, mas poderia fazer uma
lista muito mais extensa. Isso significa que não
existe uma resposta pronta. Como disse, todos [ESSE É O MEU CASO]
nós tivemos, lá atrás, quando pequenos, lições Em uma relação a dois, a história
e aprendizados que nós trouxeram para o do outro é tão importante quanto
momento presente. a sua. Procure entender as
razões alheias por de trás de cada
comportamento simultaneamente
E mesmo que não nos lembremos, pode ter
ao processo de compreender a si
certeza, nada passou em branco. Termino mesmo. Autorize você e ao outro a
esse capítulo reiterando algo de extrema alcançar o equilíbrio e,
importância: não há nada de errado em se consequentemente, o bem-estar na
identificar com o carente ou individualista; relação. Lembre-se: autonomia
significa ter a capacidade de
só haverá se esse comportamento lhe trouxer
gerenciar suas próprias emoções
sofrimento ou às pessoas que você ama. para, então, lidar com as
emoções alheias. Comece por você!

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"É preciso voltar no tempo e analisar
como nos contruímos como a pessoa
que somos hoje. Quem nos ajudou?
Quem nos influenciou? Quais escolhas
fizemos? Porque as fizemos."

Heloísa Capelas

O QUE VOCÊ PRECISA SABER


O Autoconhecimento não se dá do dia para a noite. É preciso dedicação, persistência e
paciência para percorrê-lo de forma produtiva. Ao mesmo tempo, só conseguimos
desvendar a nós mesmos se pudermos nos olhar sem autocrítica excessiva e com
honestidade. Acerte na medida: você diria para um amigo as coisas que diz para si
mesmo a seu próprio respeito? Fale de você para você com o mesmo carinho e cuidado
que direcionaria ao outro.

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Submisso
versus
Autoritário
“Vivo inseguro com minha parceira. Poucas demostranções de afeto,
fica fechada em si...”

“Por mais que me esforce, acabo cedendo à vontade do outro e me coloco


sempre em segundo lugar”

Os relatos acima acontecem também com muitas pessoas. Não importa


quantas relações tenham sido vivenciadas por elas, ao final, sempre parece
que os parceiros/parceiras têm o mesmo perfil que os anteriores.
Certa vez, uma ex-aluna me falou sobre sua atração por pessoas
‘inferiores’. Em nosso primeiro encontro, contou-me o quanto se sentia bem-
sucedida. Tinha carreira estável, conquistara grande poder aquisitivo em
curto espaço de tempo, viajara pelo mundo inteiro. Sua única dificuldade,
dizia, estava no relacionamento a dois. Queria se apaixonar, amar, casar-
se, mas não conseguia evitar o padrão mencionado.

O autoritarismo e a [ESSE É O MEU CASO]


Assumir a responsabilidade por
permissividade na infância nós mesmos e por nossas decisões
é um dos passos mais essenciais
Bem, assim como disse no capítulo anterior, em direção à transformação positiva
propus a ela que evisitasse sua infância dos comportamentos de
para que pudéssemos começar nosso trabalho. autoritarismo/submissão. Isso
significa compreender que é nosso
Inicialmente, ela tinha dificuldades em se
papel estabelecer para aonde
lembrar do seu lar de infância. queremos ir e como desejamos
chegar lá – e que essa escolha cabe
Suas poucas memórias davam conta de que somente a nós. Significa também
tinha medo, muito medo de seu pai quando compreender profundamente que
pequena. Em suas palavras, recordava-se de não temos direito ou controle sobre o
um homem arrogante, pouco acessível ou outro. Dois seres com consciência
amoroso. de que são responsáveis por si
tornam-se mais capazes de
assumirem a responsabilidade
pela relação.

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Nas poucas vezes em que falava, costumava dirigir a ela palavras duras,
críticas e cobranças. Mais descobertas foram feitas até que percebeu, com
o tempo, que se tratava de algo muito parecido com o que ela própria fazia
em relação aos homens com quem se envolvia.

Ela se reconhecia como alguém prepotente. Não sabia exatamente como


isso acontecia, mas se interessava apenas por homens os quais, de alguma
forma, tornavam-se submissos a ela.

E, uma vez em que instalava em definitivo a relação de submissão, desistia


do namoro. A vivência dessa moça serve de exemplo para o que tenho
afirmado aqui: na infância, estão as respostas de que precisamos para nos
transformar. Nesse caso e em tantos outros, o aprendizado obtido a partir
de pais muito autoritários ou permissivos pode colaborar na formação de
pessoas submissas ou prepotentes/autoritárias.

A transformação positiva de padrões é


uma escolha

As crianças aprendem por cópia e repetição. E essas informações se


tornam cada vez mais inconscientes à medida em que elas crescem. Na
fase adulta, reproduzem tudo aquilo que viram e assimilaram sem saber ao
certo o porquê. Por isso a reflexão a respeito da infância é tão reveladora.

No caso dos submissos e dos prepotentes, por exemplo, é muito provável


que encontrem, ao longo do caminho de autoavaliação, referências
incansáveis desses comportamentos. A ideia de que precisavam ser
obedientes ou imponentes para conquistarem amor ficou incutida e, por
isso, passaram a repetir esse modelo.

Enquanto eu quiser controlar a ação dos outros para que tudo saia do meu
jeito ou permitir que o outro decida por mim, o autoritarismo/submissão
prevalecerão. Mas, se eu puder pensar que somos todos iguais e
desejamos as mesmas coisas para as nossas vidas, deduzo que o que
queremos, como seres humanos, é que sejamos aceitos e amados.

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A saída está na CONSCIÊNCIA da nossa própria história, no PERDÃO dos
nossos próprios erros e na construção de um novo caminho, que começa
por reconhecer onde estamos e quem somos, com honestidade e abertura.

Do meu ponto de vista, o começo da mudança pode ser a reflexão e a


aceitação de que todos nós podemos ter tido o autoritarismo/submissão
como caminho aprendido, mas esse caminho pode ser positivamente
transformado se assim nós quisermos.

"O perdão é uma questão de


inteligência. Do contrário, quem
alimenta o rancor somos nós; quem
sofre com ele também somos nós."

Heloísa Capelas

O QUE VOCÊ PRECISA SABER


Olhar para trás, relembrar a infância e reviver história de lembranças que estavam
adormecidas pode ser um trabalho doloroso. A culpa e a mágoa costumam surgirem meio
a esse processo – afinal, tendemos a responsabilizar aos nossos pais por terem agido de
de terminada forma, assim como a nós mesmos por termos feito determinadas escolhas.
Por isso, o PERDÃO é tão essencial nessa trajetória. Tudo o que aconteceu, aconteceu
por um motivo. Nossos pais e familiares fizeram o que podiam de melhor por nós, assim
como nós também o fizemos. É preciso reconhecer, compreender e perdoar os erros para
que os acertos tenham oportunidade de acontecer.

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Fechado
versus
Exposto
“Tenho dificuldade em expor meus sentimentos,
mesmo depois do casamento”
“Gosto de demonstrar tudo o que sinto”
“Não consigo me apaixonar”
Quando a dificuldade em expor seus sentimentos ou de se entregar traz
desgaste, tristeza ou qualquer tipo de emoção negativa, seja para si mesmo
ou para a pessoa que está ao seu lado, vale investigar o que está por
detrás disso, pois, como disse anteriormente, sempre existem passos para
uma mudança emocional/comportamental.

Antes de prosseguir, gostaria de reiterar: todas as questões abordadas


nesse capítulo só devem ser vistas e tratadas como problemas se
despertarem consequências negativas.

Do contrário, estaremos nós, do lado de fora, questionando a alguém sobre


sua capacidade de amar ou de se entregar apenas porque aquilo é um
incômodo nosso, não necessariamente da pessoa. Dito isso, é preciso
identificar o desencadeador da dificuldade.

Quando faço essa pergunta – “por que você acha que isso acontece com
você?” –, muita gente me apresenta questões como medo de se machucar,
traumas em relacionamentos anteriores, o desejo de se dedicar
exclusivamente à vida profissional, a cobrança excessiva (direcionada a si
e/ou ao outro) ou mesmo a incapacidade em criar empatia suficiente para
estabelecer relacionamentos saudáveis.

Essas respostas são, na realidade, desdobramentos do problema, não sua


origem. Por isso, é importante que a pessoa vá além e investigue a si
mesma para identificar as profundas razões que geram esse bloqueio.

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Por exemplo: a afetividade na infância, tenha sido ela excessiva ou mínima,
tende a ser um fator desencadeador da dificuldade de
envolvimento/exposição para muitas pessoas, enquanto, para outras, a
motivação principal está em outros aspectos também ligado ao aprendizado
infantil – tal como a falta de diálogo e/ou de respeito entre os pais, o que
gerou, na criança (e, consequentemente, no adulto), a crença de que as
relações ‘funcionam’ assim.

Quanto às pessoas que se apaixonam e se


A partir do momento
envolvem com rapidez e facilidade,
em que o
é igualmente importante identificar como e de
envolvimento parece
que forma esse comportamento se instalou
impossível,
desde a infância. Muito provavelmente, trata-se
é preciso investigar
de alguém com padrão de carência
a si mesmo
(veja mais no capítulo 2).

Mas sabe o que é mais curioso? Muitas vezes,


nem as pessoas que apresentam os padrões citados acima,
nem as que têm os perfis abordados anteriormente, sabem por ou como
se tornaram assim. A maioria, aliás, sequer reconhece seus padrões.

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De volta aos perfis deste capítulo, em ambos os casos – de quem é fechado
ou se expõe demais –, quando as dificuldades são detectadas de forma
profunda,o medo se torna uma emoção muito evidente. Afinal, a pessoa
olha para si e passa a enxergar nitidamente seus temores: ficar sozinha,
não encontrar nunca um amor verdadeiro, sofrer, ser incapaz de amar
verdadeiramente.

E tudo isso deriva do medo da solidão e da rejeição. Não à toa, diante dele,
muitas pessoas se colocam e permanecem em situações que lhes são
prejudiciais. Repetem para si que não têm outra opção a não ser essa –
permanecer numa relação negativa, fugir da paixão sempre que possível,
boicotar possibilidades etc.

Por isso, é tão importante que as pessoas se descubram, conheçam-se,


saibam quais comportamentos estão no piloto automático e precisam ser
revistos e mudados em prol de sua autoliderança emocional, franca, e do
seu melhor relacionamento amoroso.

"Compreender o nosso melhor nos faz


amar tudo aquilo que já somos;
conhecer o nosso pior nos ajuda a
saber que ainda temos muito a
aprender."

Heloísa Capelas

O QUE VOCÊ PRECISA SABER


Temos muito mais coisas boas que ruins, mas temos uma tendência enorme em colocar
foco apenas no ‘ruim’. Olhe e reconheça o seu mal e o seu bem. Valorize aquilo que
você tem de bom. Tomar consciência representa 50% do trabalho de
Autoconhecimento e significa você se enxergar sem nenhum tipo de julgamento,
nenhuma crítica, sem autodefesas ou justificativas, com total honestidade.

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Relação, como o próprio nome diz, só existe quando estamos com o outro.
Mas mudança você só pode fazer por SI MESMO; para o outro mudar, ele
também precisa querer. Comece já, dê mais atenção a você e a como age
em suas relações.

Avance na descoberta sincera do que não está bom e procure outra forma
de se relacionar. Vale a tentativa e o erro com o exercício de reconhecer
que você está buscando ser uma pessoa melhor.

[ESSE É O MEU CASO]


Todas as relações têm a negociação como base. Negociar significa encontrar
soluções em que todos concordem em abrir mão de algo e, mesmo assim, saiam
ganhando – nem a sua e nem a vontade do outro prevalece, ambas simplesmente
entram em acordo. Se você não sabe exatamente quem é, possivelmente não sabe
exatamente o que quer. Então, como vai negociar?

"O perdão é uma questão de


inteligência. Do contrário, quem
alimenta o rancor somos nós; quem
sofre com ele também somos nós."

Heloísa Capelas

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Conclusão
Seja lá qual for seu perfil, você deve ter notado algo: a explicação por
detrás do seu comportamento (e eventualmente dos seus parceiros) está
totalmente ligada ao seu aprendizado emocional na infância.

Reiteirei essa informação por diversas vezes para deixar claro o quanto e
o porquê é preciso olhar para si mesmo quando se deseja alcançar
resultados melhores e mais positivos, em qualquer âmbito de sua vida.

Lembro, ainda, que nós, seres humanos, somos gregários. Isso significa
que não existimos sozinhos no mundo. É a convivência e a vivência ao lado
de outras pessoas que valida a nossa existência e nos possibilita
compreender profundamente quem somos e qual papel queremos cumprir
em nossas vidas.

Por isso, agora lhe pergunto:

Quem você quer ser?

Onde quer chegar?

Qual legado quer deixar?

Quem você quer que esteja ao seu lado nessa trajetória?

Ouça suas respostas. E trabalhe a cada dia para que elas se tornem
realidade. Espero ter lhe ajudado!

Obrigada pela companhia.

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HELOÍSA CAPELAS

Heloísa Capelas é uma das maiores especialistas em


autoconhecimento e método Hoffman do Brasil. Palestrante,
escritora e treinadora, atua há 35 anos na área do
Desenvolvimento Humano. Aplica o curso Processo Hoffman,
avalizado por Harvard como um dos trabalhos mais eficazes de
mudanças de paradigmas para a vida.

Para falar com Heloísa: heloisa@centrohoffman.com.br


Visite também: www.centrohoffman.com.br
www.heloisacapelas.com.br