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O culto atual no Brasil exalta os dons do Espírito Santo e provoca uma mudança radical na

liturgia cristã. Em vez do reino espiritual e celestial de Cristo, esse culto busca a solução para
os problemas cotidianos. Além disso, privilegia o crente como receptor autônomo de revelações
sobrenaturais, o que fortalece o ministério e a autonomia dos leigos. As experiências de transe,
seja por falar em línguas, ter visões ou ser arrebatado em espírito, são predominantes. A
espiritualidade pentecostal e dos atuais worship's, dominada pela ênfase na experiência
tangível da salvação, encontrou nos elementos culturais africanos uma forma adequada de
expressão. Essa forma incorporou ao culto renovado uma liturgia emocional e corporal. Sob a
influência das religiões africanas, o sentimento vai sem dúvida tomar um caráter mais corporal.
A influência africana no pentecostalismo por meio dos clamores, cantos repetitivos, glossolalia,
aplausos, batidas de pés, tripúdios, saltinhos, balanço do corpo e danças, movimentos próprios
das religiões da África ocidental. Os cultos africanos estão ligados a um sistema de crenças
cujas figuras principais são forças da natureza, sendo os orixás as forças boas, e os exus as
forças más. O transe, em que estas forças se revelam, foi às vezes comparado ao estado de
consciência alterado que supõe, para alguns, o falar em línguas. O desenvolvimento do
pentecostalismo no Brasil, procurando graças exteriores e extraordinárias, e institucionalizando
o transe místico.
Os elementos místicos e populares, bem como a minimização da verdade objetiva das
Escrituras, favorecem a aproximação dos cultos renovados com a religião natural e com a
cosmovisão filosófica pós-moderna.
A adoração pentecostal e o denominado worship, impregnada de ritmo e adaptada à cultura
popular, amplia o espaço para o florescimento das experiências místicas, fortalece o vínculo
com a cultura primitiva dos orixás e consolida a ênfase na imanência divina, o que tende a uma
superação dos limites entre sagrado e profano. Nos cultos renovados, o uso de estilos musicais
populares, associado à pregação narrativa e de apelo emocional, é considerado elemento-
chave na busca pelo encontro com Deus. Para pentecostais entendem que o culto tradicional é
excessivamente racional e objetivo, e que, portanto, se torna pobre na experiência mística.
Desde os primórdios do pentecostalismo, a experiência com o Espírito Santo é a meta
primordial desse culto. Inicialmente, esse relacionamento era para ser manifestado pelo falar
em línguas. Hoje tal encontro místico pode ocorrer por meio de sinais diversos desde o falar,
orar ou cantar em línguas, ter visões, sair do corpo, saltar, gritar, rir ou chorar. A liturgia
pentecostal e worship tem o objetivo de levar o adorador a experimentar essa união com o
Espírito e vivenciar seus efeitos, os quais são expressos principalmente por meio de
manifestações corporais.