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Métodos e técnicas de pesquisa

Prof. Cristiano Santiago

Estudo de caso 50% - Parte 1

A estudante Arianne Pacheco Rodrigues, 19 anos, entrou com uma ação na Justiça contra o Instituto
Adventista Brasil Central (IABC), um colégio interno que fica no interior de Goiás. Expulsa da escola, a
jovem alega ter sido vítima de homofobia. A diretoria da escola havia descoberto um romance entre
duas garotas e, após reunião com a comissão disciplinar, os pastores e professores que analisaram as
cartas de amor trocadas entre as meninas decidiram que elas deveriam ser expulsas imediatamente.
Traumatizada, a jovem entrou com um processo contra a escola logo em seguida, pedindo R$ 50 mil de indenização por danos
morais. “O objetivo do processo é evitar que outras pessoas sejam vítimas de um comportamento tão monstruoso, tão bárbaro,
próprio da idade média, da inquisição”, afirma Marilda Pacheco, mãe de Arianne.

Ariane hoje mora com a mãe em Orlando, nos Estados Unidos. Marilda diz que a filha foi vítima de homofobia e
torturada psicologicamente. “Essa Arianne que você vê hoje aqui é totalmente diferente. Minha filha chegou aqui, que mal
conversava, parecia um bichinho acuado, se achando o pior dos seres”, conta Marilda. Quase sempre de cabeça baixa, a
menina desabafa: “Não tive chance de falar. Eu pedi só para eles uma chance, só que eles falaram que não dava, porque eles
não aceitavam aquilo no colégio, namorar outra menina”. Arianne conta que ficou sabendo da decisão da diretoria pouco antes
de entrar na sala de aula: “Eu fui segunda-feira para aula, e o pastor pegou no meu braço e disse que eu iria embora naquele
momento. Eu pedi para me despedir dos meus amigos e ele falou que não. Já era para arrumar as malas. E eu fui arrumar as
malas”. De lá, Arianne foi levada para casa de um tio, Mauro Miranda. Ele conta que a estudante estava tão nervosa que
passou mal, a ponto de ir ao pronto-socorro: “Quem viu aquela menina como ela chegou, chorando, um trapo humano. Teve
que internar.
“Discriminação é uma coisa ruim e pode acabar muito com uma pessoa só por uma pessoa falar algumas coisas.
Não precisa nem fazer, só falar”, ressalta a jovem. Arianne perdeu contato com a maioria dos ex-colegas de escola e nunca
mais viu a ex-namorada. Ela revela que está com dificuldades em se adaptar à vida nos Estados Unidos, mas, para o Brasil,
não deve voltar tão cedo: “Eu não gosto de morar aqui, mas é bom um lugar diferente eu não preciso ficar lembrando as coisas
do passado”.

A escola negou as acusações de homofobia e alega que a jovem foi expulsa porque manteve relações sexuais com
a namorada. “A verdade é que ela infringiu uma regra clara da escola e, por isso, recebeu a sanção do afastamento, a questão
da intimidade sexual. O afastamento do aluno independente se é um relacionamento homossexual ou heterossexual. Ele
recebe a mesma consequência”, afirma o diretor da instituição, Wesley Zukowski. O colégio considera como faltas graves o
uso de droga, armas e o ato sexual. A punição é o desligamento imediato do aluno. “A informação chegou por meio das
amigas. Ouviram os comentários sobre o que elas tinham feito”, declara o diretor.

Mas Arianne nega que tenha feito sexo com a namorada. Ela mostra na ata da reunião da escola a prova do que,
para ela, foi o verdadeiro motivo de sua expulsão. Lá consta a frase "postura homossexual reincidente".

(Adaptado de: http://g1.globo.com/goias/noticia/2012/06/aluna-expulsa-por-namorar-colega-acusa-colegio-de-homofobia-em-go.html. Acessado em 30.07.18)