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XXV Encontro Nacional de Tratamento

de Minérios e Metalurgia Extrativa

VIII Meeting of the Southern


Hemisphere on Mineral Technology

ANAIS
PROCEEDINGS
Volume 1

20 a 24 de outubro de 2013/ October 20st to 24st, 2013

ORGANIZADORES/ORGANIZERS
André Carlos Silva
Elenice Maria Schons Silva

Goiânia/GO – Brasil/Brazil
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa (ENTMME)
VIII Meeting of the Southern Hemisphere on Mineral Technology (MSHMT)

Anais do XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa (ENTMME) e VIII
Meeting of the Southern Hemisphere on Mineral Technology (MSHMT), 20 a 24 de outubro de 2013, Goiânia/GO
[recurso eletrônico], Volume 1. Organizado por: André Carlos Silva e Elenice Maria Schons Silva. Realização: Campus
Catalão, UFG. 618p.

Conteúdo Vol. 1: Aglomeração; Beneficiamento de Gemas; Beneficiamento de Minerais e Rochas


Industriais; Beneficiamento de Rochas Ornamentais; Bio-Hidrometalurgia; Caracterização; Classificação; Cominuição;
Controle e Instrumentação; Economia Mineral e Eletrometalurgia.

ISBN: (Volume 1)

1. Tratamento de Minérios. 2. Metalurgia Extrativa. 3. Mineração. 4. Anais.


Sumário / Summary
COMISSÃO ORGANIZADORA / ORGANIZING COMMITTEE ............................................... 9
COMISSÃO TÉCNICA / TECHNICAL COMMITTEE ................................................................. 9
APRESENTAÇÃO / PRESENTATION ......................................................................................... 11
PRÊMIO SLAWOMIR DOMINIK PIATNICKI ......................................................................... 13
SLAWOMIR DOMINIK PIATNICKI AWARD .............................................................................. 15
BOAS-VINDAS ................................................................................................................................ 17
WELCOME MESSAGE ................................................................................................................... 19
AGLOMERAÇÃO / AGGLOMERATION..................................................................................... 21
ALTERNATIVE BINDERS TO BENTONITE FOR IRON ORE PELLETIZING: PART I:
EFFECTS ON PHYSICAL AND MECHANICAL PROPERTIES .............................................. 23
ALTERNATIVE BINDERS TO BENTONITE FOR IRON ORE PELLETIZING : PART II :
EFFECTS ON METALLURGICAL AND CHEMICAL PROPERTIES ..................................... 33

BENEFICIAMENTO DE GEMAS / GEMS PROCESSING ....................................................... 41


PADRONIZAÇÃO E OTIMIZAÇÃO DE SISTEMAS DE TINGIMENTO DE GEMAS .......... 43

BENEFICIAMENTO DE MINERAIS E ROCHAS INDUSTRIAIS / INDUSTRIAL


MINERALS PROCESSING ............................................................................................................. 49
BENEFICIAMENTO DO QUARTZO DE TANHAÇU/BA VISANDO A PREPARAÇÃO DE
SILÍCIO GRAU METALÚRGICO de alta pureza ........................................................................ 51
CHECK LIST DO CREA-RN APLICADO A FISCALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES: ESTUDO
DE CASO NA VOTORANTIM CIMENTOS (UNIDADE MACAIBA - RN) ............................ 57
IMPORTÂNCIA DA VELOCIDADE DE CORTE NA OTIMIZAÇÃO DA ETAPA DE
POLIMENTO DE ROCHAS ORNAMENTAIS ........................................................................... 65
INFLUÊNCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA NA SEDIMENTAÇÃO CAULIM DO
EQUADOR/RN ............................................................................................................................. 71

BENEFICIAMENTO DE ROCHAS ORNAMENTAIS / ORNAMENTAL ROCKS


PROCESSING................................................................................................................................... 79
ASPECTOS DE MEIO AMBIENTE E SEGURANÇA DO TRABALHO NA UTILIZAÇÃO DA
ARGAMASSA EXPANSIVA PARA EXTRAÇÃO E BENEFICIAMENTO DE ROCHAS
ORNAMENTAIS........................................................................................................................... 81

BIO-HIDROMETALURGIA / BIO- HYDROMETALLURGY .................................................... 89


BIOLIXIVIAÇÃO DE CALCOPIRITA NA PRESENÇA DE ÍONS CLORETO ....................... 91
BIOLIXIVIAÇÃO DE COBRE CONTIDO EM PLACAS DE CIRCUITO IMPRESSO (PCI)
COM MICRO-ORGANISMOS MESÓFILOS ............................................................................. 97
BIOLOGICAL GENERATION OF SULPHURIC ACID FOR BIOLEACHING OF COPPER
OXIDE ORES .............................................................................................................................. 105
PLANTA PILOTO PARA A PRODUÇÃO DO COAGULANTE SULFATO FÉRRICO A
PARTIR DE PIRITA EM REJEITOS DE CARVÃO ................................................................. 111
5
CARACTERIZAÇÃO / MATERIAL CHARACTERIZATION ................................................. 119
ANÁLISE DE IMAGENS DINÂMICA - CARACTERIZAÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO DE
TAMANHO E FORMA DE PARTÍCULAS............................................................................... 121
AVALIAÇÃO DE DIFERENTES TÉCNICAS DE ANÁLISE DE TAMANHO DE
PARTÍCULAS PARA AMOSTRAS FINAS DE MINÉRIO DE COBRE ................................. 129
CARACTERÍSTICAS PETROGRÁFICAS DE ROCHAS ESCURAS E SUA
CORRESPONDÊNCIA COM ALTERABILIDADE, RESISTÊNCIAS E ÍNDICES FÍSICOS;
EXEMPLO DO PRETO SÃO MARCOS ................................................................................... 139
CARACTERIZAÇÃO DA FRAÇÃO ARGILOSA DO SOLO SUPERFICIAL NA REGIÃO DA
FUNDIÇÃO DE CHUMBO EM SANTO AMARO, BAHIA .................................................... 145
CARACTERIZAÇÃO DE OURO POR ANÁLISE DE IMAGEM AUTOMATIZADA POR
FEIXE DE ELÉTRONS............................................................................................................... 153
CARACTERIZAÇÃO DE PÓ DE ROCHA VULCÂNICA PARA USO EM ROCHAGEM NO
NORDESTE DO RIO GRANDE DO SUL ................................................................................. 161
CARACTERIZAÇÃO DE TALCO PURIFICADO DE RESÍDUOS DE PEDRA SABÃO ...... 169
CARACTERIZAÇÃO DO EFLUENTE E DA ÁGUA TRATADA DE UMA USINA DE
FABRICAÇÃO DE FERRO-LIGAS DE MANGANÊS DA REGIÃO DE OURO PRETO - MG
...................................................................................................................................................... 177
CARACTERIZAÇÃO E COMPORTAMENTO DE DUAS TIPOLOGIAS DE CAULINITA EM
TESTES DE MICROFLOTAÇÃO .............................................................................................. 185
CARACTERIZAÇÃO MINERALÓGICA DE CAULINS AMAZÔNICOS UTILIZANDO
ESPECTROSCOPIA DE REFLECTÂNCIA DIFUSA ............................................................... 193
CARACTERIZAÇÃO MINERALÓGICA EM MINÉRIO DE TÂNTALO E NIÓBIO DE
PORTO GRANDE - AP .............................................................................................................. 201
CARACTERIZAÇÃO MINERALÓGICA PARA FINS TURÍSTICOS DAS AREIAS DE
PONTA NEGRA – NATAL/RN/BRASIL .................................................................................. 209
CARACTERIZAÇÃO QUANTITATIVA E MINERALÓGICA DE MATERIAIS
PARTICULADOS EM SUSPENSÃO UTILIZANDO A DIFRAÇÃO DE RAIOS-X
ASSOCIADA AO MÉTODO RIETVELD ................................................................................. 217
CARACTERIZAÇÃO QUÍMICO-MINERALÓGICA DE MATÉRIAS PRIMAS DA
FORMAÇÃO CORUMBATAÍ (POLO CERÂMICO DE SANTA GERTRUDES, SP, BRASIL)
VISANDO ORIENTAÇÃO PARA O BENEFICIAMENTO MINERAL .................................. 225
CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA DA ARGILA UTILIZADA NO PROCESSO
PRODUTIVO DE CERÂMICA ARTESANAL DO DISTRITO DE ICOARACI, EM BELÉM
DO PARÁ .................................................................................................................................... 233
CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA DA ESCÓRIA Fe-Cr BAIXO CARBONO E
RECUPERAÇÃO DA LIGA METÁLICA POR MESA CONCENTRADORA ........................ 241
CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA DE CERÂMICAS OBTIDAS COM ARGILAS
CAULINÍTICAS DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO EM MISTURAS COM ADITIVOS
SEM VALOR ECONÔMICO ..................................................................................................... 249
CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA DE NEFELINA SIENITOS DA REGIÃO DE POÇOS
DE CALDAS, MG, VISANDO APLICAÇÃO COMO FUNDENTE NA INDÚSTRIA
CERÂMICA................................................................................................................................. 257

6
CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA DE UM CONCENTRADO DE FLOTAÇÃO DE
SUFETO DE COBRE .................................................................................................................. 265
CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA DE UMA AMOSTRA DE MINÉRIO DE FERRO .. 273
CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA E MINERALÓGICA DAS MINERALIZAÇÕES DE
AREIA DO RIO GRANDE DO NORTE .................................................................................... 281
CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA EM AMOSTRAS MINERALIZADAS A ESTANHO
DO ESTADO DE RONDÔNIA .................................................................................................. 287
DECOMPOSIÇÃO TÉRMICA DO SILICATO DE MANGANÊS ESPESSARTITA .............. 295
DETERMINAÇÃO DO TEOR DE APATITA EM AMOSTRAS DE PILHA DE
HOMOGENEIZAÇÃO POR ANÁLISE DE IMAGENS DIGITAIS ......................................... 301
ESTUDO DE CARACTERIZAÇÃO DA BAUXITA MARGINAL DO NORDESTE DO PARÁ
COM ELEVADO TEOR DE FERRO ......................................................................................... 309
ESTUDO DO COMPORTAMENTO TÉRMICO DA ROCHA FONOLITO ............................ 317
ESTUDOS DE CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA EM AMOSTRAS DE MINÉRIO DE
FERRO DE BAIXO TEOR ......................................................................................................... 325
MICROTOMOGRAFIA DE ALTA RESOLUÇÃO NO SETOR MINERAL ........................... 335
MINERAIS CONTAMINANTES DO CAULIM DA MINA IPIXUNA, NO ESTADO DO
PARÁ: CARACTERÍSTICAS E INTERFERÊNCIAS NO BENEFICIAMENTO MINERAL 345
PRODUÇÃO MAIS LIMPA NO TRATAMENTO DE MINÉRIOS: APROVEITAMENTO DE
REJEITOS DE MINERAÇÃO NA REGIÃO DE POÇOS DE CALDAS/MG .......................... 353
QUANTIFICAÇÃO DAS FASES CONSTITUINTES DE AGREGADOS RECICLADOS POR
ANÁLISE DE IMAGENS AUTOMATIZADA.......................................................................... 361
ROCHAS ORNAMENTAIS SILICÁTICAS DO ESTADO DE PERNAMBUCO ................... 369
SEPARABILIDADE DE AGREGADOS RECICLADOS PROVENIENTES DE RESÍDUOS DE
CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO DE DIFERENTES ORIGENS ............................................ 377
TESTE DE HETEROGENEIDADE PARA O MINÉRIO DE ALUMÍNIO DA MINA DA
ALCOA EM JURUTI, REGIÃO OESTE DO PARÁ ................................................................. 385

CLASSIFICAÇÃO / CLASSIFICATION AND SCREENING ................................................... 391


ANALYSIS OF THE PARTICLE SIZE DISTRIBUTION UNDER 500 μm WHEN THEY
DON´T MATCH WITH A ROSIN-RAMMLER BEHAVIOUR ............................................... 393
AVALIAÇÃO DA DESLAMAGEM DE UM MINÉRIO SULFETADO UTILIZANDO
DIFERENTES GEOMETRIAS DE HIDROCICLONES ........................................................... 401
DISTRIBUIÇÃO MÁSSICA NO QUARTEADOR DE CARROSSEL ..................................... 409
HIGH FREQUENCY VIBRATING SCREENS IN CLOSED GRINDING CIRCUITS ........... 417

COMINUIÇÃO / COMMINUTION ............................................................................................. 425


AVALIAÇÃO DA CINÉTICA DE MOAGEM DO MINÉRIO DA JACOBINA MINERAÇÃO
E COMÉRCIO ............................................................................................................................. 427
AVALIAÇÃO DO CONSUMO ESPECÍFICO DE CORPOS MOEDORES NA USINA DA
JACOBINA MINERAÇÃO E COMÉRCIO ............................................................................... 435
AVALIAÇÃO DO REGIME DE TRANSPORTE DE POLPA DE MOINHO ISAMILL EM
ESCALA DE LABORATÓRIO .................................................................................................. 443

7
AVALIAÇÃO DOS PARÂMETROS CINÉTICOS DE MOAGEM PARA AMOSTRAS DE
ITABIRITOS COMPACTO E FRIÁVEL ................................................................................... 451
BRITAGEM E MANUSEIO NO ÂMBITO DE MINA SUBTERRÂNEA ............................... 459
CARACTERIZAÇÃO DA DEGRADAÇÃO DE UMA ROCHA UTILIZANDO O MODELO
DE QUEBRA POR IMPACTO ................................................................................................... 469
CORRELACIÓN EMPIRICA PARA LA ESTIMACION DE CONSUMOS DE MEDIOS DE
MOLIENDA ................................................................................................................................ 477
DESENVOLVIMENTO E APLICAÇÃO DE BRITADORES PRIMÁRIOS PARA MINÉRIO
DE FERRO .................................................................................................................................. 487
ESTUDO DO DESGASTE DE REVESTIMENTO INTERNO DE UM MOINHO DE BOLAS
OPERANDO COM ROCHA FOSFÁTICA ................................................................................ 497
MOAGEM FINA DE MINÉRIO DE COBRE DE ALTA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA ......... 507
SOBRE A MEDIÇÃO DO BWI.................................................................................................. 515

CONTROLE E INSTRUMENTAÇÃO / PLANT CONTROL AND INSTRUMENTATION .. 525


CLASSIFICADOR QUALITATIVO DE TEOR DE SÍLICA NO CONCENTRADO DE
FLOTAÇÃO REVERSA DE MINÉRIO DE FERRO POR TAMANHO DE BOLHAS ........... 527
CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS SOBRE CONTROLE AVANÇADO DE PROCESSO
APLICADO A MOINHO DE BOLAS ........................................................................................ 535
TRABALHOS DESENVOLVIDOS COM O SOFTWARE I-SITE STUDIO LR4400 NA
ALCOA MINA DE BAUXITA DA ALCOA EM JURUTI, REGIÃO DO OESTE DO PARÁ 543

ECONOMIA MINERAL / MINERAL ECONOMICS ................................................................ 549


CENÁRIOS PROSPECTIVOS PARA O SETOR DE PELOTAS DE MINÉRIO DE FERRO
BRASILEIRO .............................................................................................................................. 551
LÍTIO, UMA VISÃO ATUALIZADA DO MERCADO MUNDIAL ........................................ 559
MERCADO DE AGREGADOS NO BRASIL............................................................................ 567
COOPERATIVISMO MINERAL COMO PROPULSOR DA ATIVIDADE GARIMPEIRA NOS
PEGMATITOS DE PICUÍ-PB .................................................................................................... 575
OS DESAFIOS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA PEQUENA
MINERAÇÃO NA PARAÍBA .................................................................................................... 583
PLANTAS DE BENEFICIAMENTO DE MINÉRIOS DA BAHIA: CARACTERÍSTICAS,
PERSPECTIVAS E DESAFIOS ................................................................................................. 589
TERRAS RARAS: CONSIDERAÇÕES SOBRE O PLANALTO DE POÇOS DE CALDAS,
MG NO NOVO CENÁRIO MUNDIAL ..................................................................................... 595

ELETROMETALURGIA / ELECTROMETALLURGY ............................................................ 603


COMPORTAMENTO ELETROQUÍMICO DA INTERAÇÃO GALVÂNICA ENTRE
CALCOPIRITA E GALENA ...................................................................................................... 605
INVESTIGAÇÃO DOS EFEITOS DE IMPUREZAS ORGÂNICAS POLARES E APOLARES
NA ELETRORRECUPERAÇÃO DE ZINCO E NAS CARACTERÍSTICAS DOS DEPÓSITOS
METÁLICOS ............................................................................................................................... 609

ÍNDICE DE AUTORES / AUTHORS INDEX............................................................................. 617

8
Comissão organizadora / Organizing committee
Presidente/ Chairman
Prof. Dr. André Carlos Silva

Vice-Presidente/ Co-chairman
Profa. M.Sc. Elenice Maria Schons Silva

Membros/ Members
Dr. Achilles Junqueira Bourdot Dutra – UFRJ
Eng. Horacídio Leal Barbosa Filho – ABM
Dr. José Affonso Brod – UFG
Dr. Marcos Leandro Silva Oliveira – Unilasalle
Dr. Maurício Leonardo Torem – PUC-RJ
Eng. Valdijon Estrela – DNPM/GO

Comissão técnica / Technical committee


Achilles Junqueira B. Dutra UFRJ José Affonso Brod UFG
Adão Benvindo da Luz CETEM José Aurélio M. da Luz UFOP
Ana Claudia Queiroz Ladeira CDTN José Aury de Aquino CDTN
André Carlos Silva UFG José Avelino Freire UFCG
Antônio Eduardo Clark Peres UFMG Laurindo de Salles L. Filho USP
Arthur Pinto Chaves USP Lucinewton Silva de Moura UFPA
Áureo Octavio D. Machado UFPE Luís Alberto D. Barbosa IFBA
Carlos Adolpho M. Baltar UFPE Luis Gonzaga S. Sobral CETEM
Carlos Alberto Pereira UFOP Luis Marcelo M. Tavares UFRJ
Carlos Hoffmann Sampaio UFRGS Luiz Alberto C. Teixeira PUC-RJ
Claudio Schneider CETEM Luiz Rogério P. de A. Lima UFBA
Denilson da Silva Costa UFPA Marcello Mariz da Veiga UBC
Eduardo de A. Brocchi PUC-RJ Marisa Bezerra de M. Monte CETEM
Elbert Valdiviezo Viera UFCG Maurício G. Bergerman UNIFAL
Elenice Maria Schons Silva UFG Maurício Leonardo Torem PUC-RJ
Ênio Leandro Machado UNISC Michelly dos Santos Oliveira CEFET
Érica Linhares Reis UFOP Monica Speck Cassola Clariant
Flora Nelly Bravo de Nahui UFCG Odair Alves de Lima AkzoNobel
Florian Kongoli Flogen Paulo Fernando A. Braga CETEM
Francisco José Moura PUC-RJ Rafael Teixeira Rodrigues UFRGS
George Eduardo S. Valadão UFMG Raquel Franco de Souza UFRN
Henrique Kahn USP Reginaldo Sabóia de Paiva UFPA
Homero Delboni Junior USP Roberto Galéry UFMG
Irineu Antônio S. de Brum UFRGS Roberto José de Carvalho PUC-RJ
Ivo André H. Schneider UFRGS Rosa Malena F. Lima UFOP
Jader Martins Hidroclean Sílvia Cristina A. França CETEM
Jaime Henrique B. da Costa IFPA Silvio Bispo do Vale UFPA
James Varela ThyssenKrupp Versiani Albis Leão UFOP
João Alves Sampaio CETEM Virgínia S. T. Ciminelli UFMG
João Bosco de A. Paulo UFRN Vladmir Kronemberger Alves Vale
Jorge Rubio UFRGS

9
Apresentação

O Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa (ENTMME) alcança a sua


25ª edição comemorando em 2013 quarenta anos de realização, constituindo-se no encontro mais
importante da classe em âmbito nacional. Em conjunto ao XXV ENTMME acontece a 8ª edição do
Meeting of the Southern Hemisphere on Mineral Technology (MSHMT). O XXV ENTMME/VIII
MSHMT é direcionado a pesquisadores, profissionais, gestores, professores e estudantes das
instituições de ensino e pesquisa dos setores mineral, metalúrgico, petrolífero, ambiental e de
recursos hídricos, além de empresas de serviços, consultoria e demais profissionais das áreas de
mineração, metalurgia e meio ambiente.

A escolha de Goiás como sede do XXV ENTMME/VIII MSHMT deve-se ao fato do estado ser um
grande produtor mineral, apresentando uma enorme variedade de minerais e rochas industriais, tais
como níquel (onde se destacam as cidades de Niquelândia, Barro Alto, Americano do Brasil),
manganês, ouro (onde se destacam as cidades de Fazenda Nova, Alto Horizonte e Faina), nióbio,
cobre (onde se destacam as cidades de Alto Horizonte, Catalão e Americano do Brasil), cobalto
(onde se destacam as cidades de Niquelândia, Barro Alto e Americano do Brasil), fosfato (destaque
para a cidade de Catalão), calcário, amianto (destaque para a cidade de Minaçu), esmeralda, cianeto
e vermiculita. Destaca-se também a produção de água mineral do estado. Os principais municípios
mineradores são Niquelândia, Barro Alto e Catalão, onde a UFG mantém o curso de Engenharia de
Minas.

Presentation
The Brazilian National Meeting of Mineral Treatment and Extractive Metallurgy (ENTMME) reach
its 25th edition and forty years of realization in 2013, being the most important meeting in mineral
treatment and extractive metallurgy in Brazil. Together with the XXV ENTMME happens the 8th
edition of the Meeting of the Southern Hemisphere on Mineral Technology (MSHMT). The XXV
ENTMME and VIII MSHMT are both directed to researchers, professionals, managers, professors
and students from mining, metallurgy, oil, environment and hydric resources sector.

The choice of the Goiania as host city of the XXV ENTMME/VIII MSHMT was due to the fact that
Goias state is a big mineral producer, showing a huge variety of minerals and industrial rocks, such
as nickel (highlight to the cities of Niquelândia, Barro Alto and Americano do Brasil), manganese
(Fazenda Nova, Alto Horizonte and Faina), niobium (Catalão), copper (Alto Horizonte, Catalão and
Americano do Brasil), cobalt (Niquelândia, Barro Alto and Americano do Brasil), phosphate rock
(Catalão), asbestos (Minaçu), limestone, emerald, cyanide and vermiculite. It is also remarkable the
production of mineral water of the state. The major counties are Niquelândia, Barro Alto and
Catalão, where the Federal University of Goias maintains the mining engineering graduation course.

11
Prêmio Slawomir Dominik Piatnicki
O prêmio Slawomir Dominik Piatnicki será entregue pela organização do XXV Encontro Nacional
de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa e VIII Meeting of the Southern Hemisphere on
Mineral Technology ao professor Dr. Antônio “Toninho” Eduardo Clark Peres.

Graduado em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal de Minas Gerais (1968), mestre
em Ciências Técnicas Nucleares pela Universidade Federal de Minas Gerais (1973) e doutor em
Mineral Engineering pela University of British Columbia (1979) o prof. Antônio Eduardo Clark
Peres é atualmente professor associado da Universidade Federal de Minas Gerais, sendo professor
titular aposentado da mesma instituição.

Tem como principal campo de atuação a físico-química de coloides e de superfícies em aplicações


voltadas para a Tecnologia Mineral. Sua linha de pesquisa Recuperação de Finos de Minérios
Brasileiros, embasada em conceitos fundamentais dos fenômenos interfaciais, tem trazido
relevantes contribuições para a produção de matérias primas minerais, incluindo os tradicionais
minérios metálicos (ferro, zinco, chumbo-zinco e ouro) e os minerais industriais empregados em
tecnologias inovadoras. Tem atuado ainda na recuperação, por flotação e separação magnética, de
espécies úteis contidas em rejeitos de processos de concentração.

Tendo orientado 75 dissertações de mestrado, 30 teses de doutorado e publicado mais de 240 artigos
completos em periódicos o professor Dr. Antônio Eduardo Clark Peres foi laureado com os
seguintes prêmios: Prêmio Oxigênio do Brasil (1969) e Prêmio Metal Leve (1978) ambos da
Associação Brasileira de Metais, Prêmio MALC - Automação e Informática da Revista Brasil
Mineral (1987), Comenda Individual Anual Christiano Ottoni – Engenheiro do Ano no Estado de
Minas Gerais conferida pelo Governo do Estado de Minas Gerais (2003) e o Prêmio CVRD da
Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (2006).

Por suas contribuições científicas e pela sua capacidade incomensurável de formar pessoas, a
organização do evento sente-se profundamente honrada em poder homenagear este profissional que
tanto ajudou a definir o cenário mineral brasileiro nos últimos quarenta anos.

13
Slawomir Dominik Piatnicki Award
The organizing committee of the XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia
Extrativa and the VIII Meeting of the Southern Hemisphere on Mineral Technology will give the
Slawomir Dominik Piatnicki award to the professor Dr. Antônio “Toninho” Eduardo Clark Peres.

Graduated in Metallurgy Engineering at Universidade Federal de Minas Gerais (1968), master in


Nuclear Technical Sciences at Universidade Federal de Minas Gerais (1973) and doctor in Mineral
Engineering at University of British Columbia (1979) the prof. Antônio Eduardo Clark Peres is
currently associated professor at Universidade Federal de Minas Gerais, Brazil, been retired titular
professor of the same institution. His major work field is colloids ad surface physic-chemistry
applied to Mineral Technology. Grounded in fundamental concepts of interfacial phenomena his
research line called Brazilian Ores Fines Recovery has brought relevant contributions for raw
materials productions including the traditional metallic ores (iron, zinc, lead-zinc and gold) and
industrial minerals used in innovative technologies. Have been acting also in the recovery of useful
species by froth flotation and magnetic separation presents in the mineral processing tailings.

Working as advisor the professor has formed 75 masters, 30 doctors and has published over 240
papers in journals. Professor Dr. Antônio Eduardo Clark Peres has been laureate with the following
awards: Prêmio Oxigênio do Brasil (1969) e Prêmio Metal Leve (1978) ambos da Associação
Brasileira de Metais, Prêmio MALC - Automação e Informática da Revista Brasil Mineral (1987),
Comenda Individual Anual Christiano Ottoni – Engenheiro do Ano no Estado de Minas Gerais
conferida pelo Governo do Estado de Minas Gerais (2003) e o Prêmio CVRD da Associação
Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (2006).

By his scientific contributions and his immeasurable capacity of train people the event organizing
committee fells deeply honored to honor this professional who helped so much to define the
Brazilian mineral scenery in the last forty years.

15
Boas-vindas
Caro congressista,

Sua presença em nosso evento, sediado pela primeira vez na região Centro-Oeste de nosso país,
muito nos honra e nos alegra. Ao longo dos dois últimos anos revemos antigos amigos e fizemos
inúmeros outros, os quais contribuíram de maneira ímpar para a realização desta edição de nosso
encontro bianual. Tivemos a oportunidade de conhecer célebres pesquisadores (do Brasil e do
mundo) que antes só conhecíamos como autores dos livros da área de processamento mineral e
metalurgia extrativa. Visitamos empresas, buscamos parceiros e conseguimos o tão desejado e
necessário apoio.

Por entendermos que a mineração possui um papel de significativa relevância quanto às questões
ambientais procuramos cumprir nosso papel através da utilização de papel reciclado e caneta
ecológica. Além disso, visando contribuir com alguma instituição que trabalhasse com obras
sociais, convidamos a Fundação Nova Vida (Fenova) de Catalão/GO para que confeccionasse os
cordões dos crachás do evento. A Fenova realiza, há 25 anos, atividades de apoio e proteção a
crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, visando promover a reinserção familiar e a inclusão social.
Agradecemos a todos que contribuíram para a realização do encontro de 2013, desejamos um bom
congresso e que sejam bem vindos à Goiânia e à Universidade Federal de Goiás.

Prof. André Carlos Silva Profa. Elenice Maria Schons Silva


Presidente do XXV ENTMME/VIII MSHMT Vice-Presidente do XXV ENTMME/VIII MSHMT

17
Welcome message
Dear delegate,

Your presence in our meeting, held for the first time in the Center-West region of Brazil, honor and
rejoice us. Along the last two years we had meet old friends and made innumerous ones, which ones
contributed in a singular way for the realization on this edition of our biannual meeting. We had the
opportunity to meet famous researchers previously only knew as authors of books from mineral
processing and extractive metallurgy (from Brazil and all over the world). We visited companies,
seek partners and were able to achieve the so desired and necessary support.

Because we understand that mining has a significant relevance role according environmental
questions we tried to fulfill our role through the utilization of recycled paper and ecologic pen.
Besides this, aiming to contribute to one institution which work with civil deeds we invited the New
Life Spiritist Foundation (Fenova) from Catalão/GO/Brazil to hand make the badges strings.
Fenova has been done over the last 25 years activities of support and protection to children and
teenagers from 7 to 17 years old promoting the familiar reinsertion and social inclusion. We thanks
everyone who contributed to the realization of the 2013 meeting, we whish you a wonderful
conference and you to be very welcome to Brazil, Goiânia and to Federal University of Goiás.

Prof. André Carlos Silva Profa. Elenice Maria Schons Silva


Chair of the XXV ENTMME/VIII MSHMT Co-Chair of the XXV ENTMME/VIII MSHMT

19
Aglomeração

Agglomeration

21
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

ALTERNATIVE BINDERS TO BENTONITE FOR IRON ORE


PELLETIZING: PART I: EFFECTS ON PHYSICAL AND MECHANICAL
PROPERTIES

SİVRİKAYA, O.1, AROL, A.I.2


1
Selçuk University, Mining Engineering Department, Konya, Turkey, osmansivrikaya@gmail.com
2
Middle East Technical University, Mining Engineering Department, Ankara, Turkey, arol@metu.edu.tr

ABSTRACT

The use of conventional bentonite binder is favorable in terms of mechanical and metallurgical
pellet properties, however, because of its acid constituents bentonite is considered as impurity
especially for iron ores with high acidic content. Therefore, alternative binders to bentonite have
been tested. Organic binders are the most studied binders and they yield pellets with good wet
strength; they fail in terms of preheated and fired pellet strengths. This study was conducted to
investigate how insufficient pellet strengths can be improved when organic binders are used as
binder. The addition of a low-melting temperature and slag bonding/strength increasing constituent
(free in acidic contents) into pellet feed was proposed. Addition of boron compounds such as
colemanite, tincal, borax pentahydrate, boric acid together with organic binders such as CMC,
starch, dextrin and some organic based binders, into iron oxide pellet was tested. Wet and thermally
treated pellet physical-mechanical qualities (balling - moisture content - size - shape - drop number
- compressive strengths - porosity - dustiness) were determined. The results showed that good
quality wet, dry, preheated and fired pellets can be produced with combined binders (an organic
binder plus a boron compound) when compared with bentonite-bonded pellets. While organic
binders provided sufficient wet and dry pellet strengths, the boron compounds provided the required
preheated and fired pellet strengths at even lower firing temperature. Especially, the contribution of
boron compound addition is most pronounced for hematite pellets which do not have strengthening
mechanism through oxidation like magnetite pellets during firing. Therefore, addition of boron
compound is beneficial to recover the low physical-mechanical qualities of pellets produced with
organic binders through slag bonding mechanism. Furthermore, lowering the firing temperature
thanks to low-melting boron compounds will be cost-effective for firing part of the pelletizing
plants.

KEYWORDS: iron ore pelletizing; bentonite; organic binder; boron compounds; colemanite,
physical and mechanical properties.

23
SİVRİKAYA, O., AROL, A.I.

1. INTRODUCTION

The main raw material for iron-steel industry is natural iron oxide ores. Natural iron oxide ores can
be typically classified as high grade (>65% Fe), medium grade (<65 and >62% Fe) and low grade
(<62% Fe) in terms of their Fe grades. High grade massive lump iron oxides (i.e. crushed and sized ore)
which can directly be used in the iron-steel facilities to produce metallic iron are not abundant in
earth’s crust to supply the increasing consumption of iron-steel industry. The exploitation of medium
and low grade iron ores is possible after enrichment. Low grade iron ores such as magnetite and
hematite with impurity gangue minerals containing e.g. Si, Al, Ca, Mg, Na, K, P and S compounds
have to be upgraded to an acceptable sufficient level of iron grade. This type low grade iron ores
require concentration before use. During concentration (removal of impurities), iron ores are
crushed and ground to achieve liberation before the implementation of separation techniques.
Liberation can mostly be achieved at a very fine particle size. Grinding and liberation process leaves
the iron ore in a finely ground state (e.g. 100% minus 106 μm or generally 80% minus 44 μm) that is not
easily transported or readily processed in iron-steel making facilities. The separation techniques are
mainly magnetic separation due to magnetic susceptibility of iron ores or flotation since it is
efficiently applied to fine size particles. After removal of impurities, concentrates with sufficient
iron grade are obtained, however, this time the concentrate obtained is not suitable to be charged
directly into the iron-making processes such as the blast furnace or the DR-plant without converting
it into suitably sized agglomerates. Hence, an agglomeration technique should be applied to fine
concentrates. The most commonly applied one is pelletizing in iron ore industry. Originally the
pelletizing process was developed in the USA to treat the ultra-fine mineral dressing products
obtained from the upgrading of Mesabi ore and has been utilized to provide a blast furnace feed
product with Fe grade of about 65% (Ball et al., 1973). In pelletizing, iron ore, water and a binder
are balled in a mechanical disc or drum to produce wet pellets.

Bentonite is the most widely used binder in iron ore pelletizing industry. The use of bentonite is
favorable in terms of physical, mechanical and metallurgical pellet properties, however, because of
its acid constituents (SiO2 and Al2O3) it is considered as a chemical impurity especially for
concentrate with high acidic content. This has prompted long-term interest in developing or
discovering binders free in silica. Therefore, alternative binders to bentonite have been tested for
many years. Because of good binding properties without contaminating the product pellets, organic
binders have attracted attention among researchers (Eisele and Kawatra, 2003, Sivrikaya, 2011).
Organic binders provided good wet pellet strength; however, they have found limited application in
industry. Ripke and Kawatra (2000) gave a statistic about the pellet plants in USA. Eight of the nine
plants utilized bentonite as binder, while the ninth plant used organic binder. The reason behind the
failure of organic binders in industry is their low burning temperatures. Organic binders which
burnt out at relatively low temperatures (<250oC) with virtually no or little residue can not provide
bonding to iron oxide grains at higher firing temperatures. In literature, the results showed that
organic binders produce good quality wet and dry pellets. However, they fail to impart enough
strength to the preheated and fired pellets as a result of reduced slag bonding (Kater and
Steeghs1984, Goetzman et al., 1988, Sivrikaya, 2011) which is especially more important in
hematite ore pelletizing due to lack of oxide bonding. As such, organic binders have hitherto failed
to be an alternative to bentonite, except a few cases of straight-grate pelletizing operation, where
there is no dynamic pellet bed. In recent years efforts have been focused on improving the
preheated and fired strength of pellets produced with organic binders. In this context, boron
compounds have been considered as an additive in conjunction with organic binders (Sivrikaya,
2011). A few researchers have investigated the use of boron compounds in iron ore agglomeration
and found promising results (Köroğlu, 1980, Timuçin et al., 1986, Malysheva et al., 1996, Schmitt,
2005, Akberdin and Kim 2008). This study was conducted to investigate how insufficient preheated
and fired pellet strengths can be improved when organic binders are used as binder. Boron
compounds with low-melting temperature and free of silica and alumina are thought to be a

24
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

potential solution to overcome the lack of slag forming constituents encountered with organic
binders as they are known for their low melting temperatures. Addition of a slag bonding/strength
increasing constituent into pellet feed to provide pellet strength with the use of organic binders was
proposed.

In this part of the study, the effects on addition of boron compounds such as colemanite, tincal,
borax pentahydrate, boric acid together with organic binders such as CMC, starch, dextrin and some
organic based binders (OBB), into magnetite and hematite pellet mixture was studied on pellet
physical-mechanical properties. Wet and thermally treated pellet physical-mechanical qualities
(balling characteristic - moisture content - size - shape - drop number - compressive strengths -
porosity - dustiness) were determined and presented.

2. MATERIALS AND METHODS

2.1. Raw Materials

Two magnetite concentrate samples a high grade hematite ore were used as iron oxide source. Two
different sodium bentonite samples were used as reference binder to compare the performances of
tested binders. The characteristics of the iron oxides and bentonites are given in Table I.

Table I. The chemical and physical characteristic of the iron oxides and bentonites.
Particle Size Blaine Specific Loss on
Chemical composition, wt% on dry basis
μm Number Gravity Ignition
Material Origin
Total
SiO2 Al2O3 CaO MgO Na2O K2O S P2O5 TiO2 P100 P80 cm2/g - %
Fe
Magnetite 1 Turkey 69.25 0.95 1.01 0.53 0.90 0.05 0.14 0.48 <0.1 <0.01 176 61.98 1617 ±24 5.10 -
Magnetite 2 USA 65.52 4.87 0.09 0.44 0.37 <0.01 0.02 0.03 0.05 0.01 62.23 27.60 2212 ±38 4.64 -
Hematite Brazil 66.62 5.71 3.05 0.048 0.017 <0.11 0.006 0.005 0.16 0.054 248.90 76.95 1891 ±35 4.90 -
Bentonite 1 Turkey 4.17 67.76 16.86 2.19 3.62 1.38 0.73 - - - 88.00 16.13 - - 2.93
Bentonite 2 USA 3.96 58.36 21.14 1.43 2.98 3.82 0.58 - - - 124.50 13.11 - - 6.75

Three common organic binders namely technical grade CMC, food grade corn starch, and dextrin,
were tested as alternative binders to bentonite. Three different specialty manufactured OBB
namely Ciba© DPEP06-0007 polymer, Superfloc® A150-LMW flocculant and Superfloc® A150-
HMW flocculant. were tested as alternative binders. Four different boron compounds (two natural
mineral and two derivatives) were tested as binder alone or together with an organic/manufactured
organic binder. The boron compounds selected for the study are colemanite, tincal, borax
pentahydrate and boric acid. Colemanite was used after calcining at 550oC, the other used as
powder. The chemical and physical characteristic of the boron compounds are given in Table II.

Table II. The chemical and physical characteristic of the boron compounds.
Particle Size Melting Specific Residual content
Chemical composition
μm Point Gravity at 1000oC
Material Origin As2O3
Chemical B2O3 SiO2 Na2O CaO SO3 o
ppm P100 P80 C - %
Formula % % % % %
Colemanite Turkey Ca2B6O11·5(H2O) 43.00 <6.50 - 28.00 0.50 <50 176.00 54.67 986 1.95 97.31
Tincal Turkey Na2B4O7.10H2O 36.47 - 16.24 - - <50 - - 62 1.71 -
Borax pentahydrate Turkey Na2B4O7.5H2O 47.76 - 21.25 - - <50 - - 200 1.81 67.89
Boric acid Turkey H3BO3 56.00 - - - - - - - 236 1.435 -

2.2. Pelletizing Experiment Procedure

The detailed laboratory scale pelletizing procedure was explained elsewhere (Sivrikaya, 2011). The
bentonite binders were used to produce reference pellets and the performances of the alternative

25
SİVRİKAYA, O., AROL, A.I.

tested binders on pellet qualities have been compared with those performances of reference pellets
bonded with bentonite. Different binder addition dosages (0.25-1.00%) and thermal treatment
temperatures were tested to determine their effects on pellet physical-mechanical qualities.

2.3. Determination of physical and mechanical pellet properties

2.3.1. Size and shape of pellets: Industrially, at least 90% of spherical pellets should be between 9.0
and 16mm with minus 5mm material of no more than 5%. A close size distribution is preferred for a
better permeability of the pellet bed in the firing machine in industry. Hence, the pellets were
produced in spherical shape in −12.7+ 11.2 mm diameter during laboratory pelletizing experiment.

2.3.2. Moisture content: Wet pellets should have optimum moisture for better balling in drum or
disc. Balling and agglomeration cannot be carried out while the excessive moisture content and low
moisture causes the fragile wet pellets. The optimum moisture lies between 8-10% depending of
some properties of concentrate. During wet pellet production the moisture content was tried to keep
constant at around 10%. After producing wet pellets in laboratory balling drum or disc, wet pellets
were put in a laboratory oven to dry them at 105oC. The moisture content was calculated by wet and
dry weight difference of wet and dry pellets.

2.3.3. Drop number: Number of the repeated drop of 9-16 mm wet pellets onto a steel plate from a
height of 46 cm without any cracks on the wet pellets is defined as drop number. Drop number
measures the ability of the wet pellets to retain their shape during transfer operations. An industrial
pellet should withstand at least 4 drops. Wet pellets were used to determine the wet pellet drop
number by dropping a single wet pellet repeatedly from a height of 46 cm onto a steel plate.

2.3.4. Compressive strengths: Compressive strengths of wet and thermally treated pellets at
different temperatures from 100-1300oC was determined in accord with the method described in the
related standard (ASTM E 382‐07).

2.3.4.1. Wet Compressive Strength: Wet pellets on conveyors and grates should withstand a certain
load. Wet compressive strength is a measure of how much load a wet pellet can bear and
determined by applying pressure onto a wet pellet until it cracks and the maximum load is recorded.
It should ideally be greater than 1.0 kg/pellet industrially.

2.3.4.2. Dry Compressive Strength: In travelling grate minimum dry pellet strength is necessary so
that the pellets withstand the load of pellet layers located above or the pressure of gases flowing
through the charge (Meyer, 1980). A dried pellet is crushed and the maximum load is recorded. It
measures the ability of dried pellets to survive handling during the firing process. Should be a mean
value at least 2.2 kg/pellet industrially (Kawatra and Ripke, 2002).

2.3.4.3. Pre-Heated Pellet Strength: Especially, when pellets are produced with the travelling
grate-rotary kiln-cooler technology, they are preheated in the travelling grate prior to firing in the
kiln. The preheated pellets from the grate are discharged by cascading into the kiln. Therefore, such
pellets should be strong enough not to disintegrate during cascading and tumbling in the rotary kiln.
In the case of weak pellets, dust and chips generated as a result of disintegration will cause losses in
plant efficiency, in terms of both productivity and quality.

2.3.4.4. Fired Compressive Strength: Fired pellet is crushed under pressure and the maximum load
is recorded. It measures the ability of product pellets to survive handling during shipment and
reduction. Pellets should have a mean product pellet compressive strength value of minimum 250
kg/pellet with the <150 kg/pellet fraction less than 5% industrially.

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on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

2.3.5. Porosity: Porosity of typical industrial wet and dry pellets should be in the range of 31 - 36%
whilst it should be 18 - 32% for fired pellets. Porosities of the dry and thermally treated pellets was
determined according to method which is based on the measurement of the real specific gravity and
apparent specific gravity of the pellets.

2.3.6. Dustiness: The dust generation potential of fired pellets at 1200oC was determined with a
novel dust tower apparatus. Dust Tower was designed to capture all of the airborne dust, during
dropping of fired pellets through from 11 inclined steel plates, onto a filter paper where it could be
weighed. The detailed dustiness experiment was explained, elsewhere (Copeland and Kawatra,
2005, Sivrikaya and Arol, 2013).

3. RESULTS AND DISCUSSION

Some of the organic binders and boron compounds were found insufficient to provide sufficient
physical-mechanical pellet qualities alone. All results were presented in the Ph.D. dissertation by
Sivrikaya, 2011, some selected results were presented below. The mean values of 20 randomly
pellet samples were given with the 95% confidence level (P95) in the graphs.

3.1. Moisture content and drop number of wet pellets

3.1.1. Wet pellet moisture content (WPMC): WPMCs varied from 8.38 to 10.22% (Figure 1). The
smallest WPMC was found to be 8.38% for the pellets produced without binder. The WPMCs of
pellets made with bentonite samples are 8.53% and 8.44%. The WPMC produced with only
calcined colemanite (CC) is 8.52 -about the same as bentonite bonded pellets. However, the
WPMCs are greater for the organic binders-bonded pellets. The value increased up to 10.22% for
the pellets produced with CMC plus CC addition. The water absorption capacity of the OBB is the
reason behind the relatively great WPMCs obtained with organic binder addition.

3.1.2. Wet pellet drop numbers (WPDN): The WPDNs obtained by using reference bentonite
binders was found to be 4.27 and 4.40, which are slightly over the limit so they are sufficient.
However, WPDN values for pellets made without binder and with only CC addition were
determined to be 3.17 and 3.21, respectively, which are a little lower than the required value.
Therefore, they can be considered insufficient and the production of pellets without binder or only
with CC addition seems impossible in terms of sufficient WPDN. The WPDNs produced with
organic binders were found sufficient (>10.00).
14 8
Calcined Organic Binders plus
No Binder Bentonites Organic Binders
12
Colemanite Calcined Colemanite 7
Wet pellet oisture content (%)

Wet and Dry pellet compressive strength

Wet pellet moisture content Wet pellet drop number


Wet pellet compressive strength Dry pellet compressive strength
Drop number (times)

6
10

5
(kg/pellet)

8
4
6
3

4
2

2 1

0 0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Binder codes

Figure 1. Moisture content, drop number, compressive strengths of wet and dry magnetite pellets (bentonite, CC
dosage:0.66% and organic binders dosage:0.10%)

27
SİVRİKAYA, O., AROL, A.I.

3.2. Compressive strengths of wet, dry and thermally treated pellets

3.2.1. Wet pellet compressive strengths (WPCS): WPCS values obtained with alternative organic
binders alone and in combination with CC are given in Figure 1. The compressive strength of wet
pellets produced in industry usually lies between 1.0 and 2.0 kg (Ball, et al., 1973). Therefore,
WPCS should be greater than 1 kg/p to meet this specification. All WPCS of pellets were found to
be greater than this required limit value. The sufficient WPCS is due to controlling of the wet
strength mainly by the viscous forces of liquid binder water.

3.2.2. Dry pellet compressive strengths (DPCS): DPCS are given in Figure 1 as well. In the drying
process, a minimum dry strength of 2.2 kg is essential in the critical phase of drying when the
weight of bed of pellets is supported by the-just dry pellets (Ball, et al., 1973). Hence, DPCS should
be, at minimum, 2.2 kg/p to withstand weight of the pellet bed. The DPCSs were found between
1.35 and 6.37 kg/p. The insufficient DPCS values were found when only CC used as binder.
However, the insufficient DPCS values were recovered when an organic binder used together with
CC.

3.2.3. Thermally treated pellet compressive strengths: Thermally treated magnetite pellet
compressive strengths are given in Figure 2. The increasing temperature increased the compressive
strength of pellets. The compressive strengths of preheated pellets at 1000oC made with organic
binders can be improved with the addition of colemanite. The effect of colemanite addition on the
pellet strength increase is more pronounced at 1100oC. The strengths of pellets with colemanite
addition are significantly greater than the bentonite bonded reference pellets. These strengths are
sufficient since the minimum industrially required strength for product pellets is 250 kg/p (Ball et
al., 1973). Firing temperature of iron oxides is generally 1250-1350oC depending on the genesis of
iron oxides. The industrially sufficient compressive strength was obtained for the pellets fired at
1100oC with the addition of 0.66% colemanite. This result shows that in the presence of colemanite
in pellet feed, the lower firing temperature is enough to get industrially sufficient strength. This
means if colemanite is added in pellet mixture, the energy consumption can be lowered by lowering
firing temperature. Especially, the contribution of addition of boron compound is most pronounced
for hematite ore pellets which do not have strengthening mechanism through oxidation like
magnetite ores during firing (Table III).

1200
Calcined Organic Binders plus
No Binder Bentonites Colemanite Organic Binders Calcined Colemanite
1000 800 C
Compressive Strength, kg/pellet

1000 C
800 1100 C
1200 C
1300 C
600

400

200

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Binder codes
Figure 2. Thermally treated magnetite pellet compressive strengths (bentonite, CC dosage:0.66% and organic
binders dosage:0.10%)

3.3. Porosity of pellets

Porosities of pellets produced with different binders and thermally treated at 105-800-1000-1100-
1200 and 1300oC were determined to see the effects of different binders and heating temperatures
on porosity of pellets (Figure 3). With increasing temperature, the porosity decreases for all pellets.
The porosities were determined to be about 18-21% for pellets fired at 1300oC. The porosity
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differences between pellets contain OBB and bentonite or CC is only about 2-3%. The product
pellets fired at 1200oC have the highest porosity about 25% was obtained for pellets produced with
OBB. If pellets contain bentonite or CC, this time porosity will be around 22-23% at the same
temperature. In literature, typical porosities for wet and dry pellets from high grade iron oxide are
mentioned in the range 31-36%, whilst a porosity of 22-30% for fired pellets is associated with
good reducibility (Ball et al., 1973). The porosities for pellets produced with different binder
addition were found in the industrial pellet porosity percentage interval.

Table III. Preheated and fired hematite pellet compressive strengths (kg/pellet).
Preheated strength Fired strength at
Binders and dosages
at 1000oC 1300oC
Bentonite 0.50% (reference pellets) 49.60 ±5.63 381.10 ±42.25
Calcined Colemanite 0.25% + 83.90 ±7.49 478.90 ±44.70
Calcined Colemanite 0.50% + 116.10 ±5.71 602.00 ±54.80
Calcined Colemanite 0.75% + 151.40 ±22.80 772.00 ±95.37
Calcined Colemanite 1.00% + 219.30 ±18.11 893.60 ±76.80
CMC 0.10% + Calcined Colemanite 0.50% 121.00 ±10.37 535.10 ±48.68
CMC 0.10% + Calcined Colemanite 1.00% 199.80 ±21.127 841.10 ±77.10
Corn starch 0.10% + Calcined Colemanite 0.50% 118.20 ±5.61 512.20 ±68.03
Corn starch 0.10% + Calcined Colemanite 1.00% 217.80 ±16.71 736.90 ±86.57
DPEP06-007 Polymer 0.10% + Calcined
127.50 ±11.98 457.70 ±51.86
Colemanite 0.50%
DPEP06-007 Polymer 0.10% + Calcined
173.80 ±14.25 789.70 ±86.88
Colemanite 1.00%

3.4. Dustiness of pellets

Relationship between dust generation and compressive strength of magnetite pellets produced with
different binders and fired at 1200oC were shown below in Figure 4. It can be seen from this Figure
that the compressive strengths of pellets bonded with OBB are lower than those of bentonite bonded
or CC bonded pellets. They are even lower than those pellets produced without binder. OBB lead
more porous pellet structure since they are decomposed and volatilized with fewer residues at such
elevated temperatures. The low compressive strength of those pellets would be due to the high
porosity generated by the decomposition of OBB and bad crystallized status in this firing condition.
As a result the presence of OBB in pellet mixture decreased the compressive strengths of sintered
pellets. On the other hand, the presence of CC has increased the compressive strengths of pellets
due to the low melting point of CC. The high compressive strength of pellets bonded with
colemanite is due to the bonding effect of melted CC between the magnetite mineral grains. The
results of dust measurement tests of those pellets showed that OBB and CC addition into the pellets
can decrease the dust emission of pellets. As much as 50% of the dust can be decreased by using
OBB and CC combination instead of bentonite.

29
SİVRİKAYA, O., AROL, A.I.
35

30

25
Pellet porosity, %

No binder
Lake Superior bentonite, 0.66%
20 Reşadiye bentonite, 0.66%
Calcined colemanite 0.66%
Technical CMC 0.10%
DPEP06-0007 polymer 0.10%
15 Superfloc A150-LMW 0.10%
Technical CMC 0.10% + Calcined colemanite 0.66%
DPEP06-0007 polymer 0.10% + Calcined colemanite 0.66%
Superfloc A150-LMW 0.10% + Calcined colemanite 0.66%
10
105 800 1000 1100 1200 1300
Heating Temperature, oC
Figure 3. Porosity of magnetite pellets. Figure 4. Relationship between dust generation and
compressive strength of magnetite pellets (bentonite,
calcined colemanite dosage:0.66% and organic
binders dosage:0.10%).
4. CONCLUSION

In the present study, the addition of boron compounds into pellet mixture was proposed to increase
the low pellet compressive strength encountered with use of organic binders in iron ore pelletizing.
The performances organic binders and boron compounds alone and in combination on physical-
mechanical pellet qualities were comparatively tested against bentonite binder performance. The
results showed that while organic binders provided sufficient wet and dry pellet physical strengths,
the boron compounds rendered the required preheated and fired pellet strengths at even lower firing
temperature like 1100oC. Especially, the contribution of addition of boron compound is most
pronounced for hematite ores pellets which do not have strengthening mechanism through oxidation
like magnetite ores during firing. Therefore, addition of a boron compounds thanks to melting
characteristic and slag bonding is beneficial to recover the low physical and mechanical qualities of
pellets produced with organic binders. Furthermore, lowering the firing temperature by means of
low-melting boron compounds will be cost-effective for firing part of the pelletizing plants.

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ALTERNATIVE BINDERS TO BENTONITE FOR IRON ORE


PELLETIZING : PART II : EFFECTS ON METALLURGICAL AND
CHEMICAL PROPERTIES

SİVRİKAYA, O.1, AROL, A.I.2


1
Selçuk University, Mining Engineering Department, Konya, Turkey, osmansivrikaya@gmail.com
2
Middle East Technical University, Mining Engineering Department, Ankara, Turkey, arol@metu.edu.tr

ABSTRACT

This study was started to find alternative binders to bentonite and to recover the low preheated and
fired pellet mechanical strengths of organic binders-bonded pellets. Bentonite is considered as a
chemical impurity for pellet chemistry due to acid constituents (SiO2 and Al2O3). Especially
addition of silica-alumina bearing binders is detrimental for iron ore concentrate with high acidic
content. Organic binders are the most studied binders since they are free in silica. Although they
yield pellets with good wet strength; they have found limited application in industry since they fail
to give sufficient physical and mechanical strength to preheated and fired pellets. It is investigated
that how insufficient preheated and fired pellet strengths can be improved when organic binders are
used as binder. The addition of a slag bonding/strength increasing constituent (free in acidic
contents) into pellet feed to provide pellet strength with the use of organic binders was proposed.
Addition of boron compounds such as colemanite, tincal, borax pentahydrate, boric acid together
with organic binders such as CMC, starch, dextrin and some organic based binders, into magnetite
and hematite pellet mixture was tested. After determining the addition of boron compounds is
beneficial to recover the low pellet physical and mechanical qualities in the first part of this study,
in this second part, metallurgical and chemical properties (reducibility - swelling index –
microstructure – mineralogy - chemical content) of pellets produced with combined binders (an
organic binder plus a boron compound) were presented. The metallurgical and chemical tests results
showed that good quality product pellets can be produced with combined binders when compared
with the bentonite-bonded pellets. Hence, the suggested combined binders can be used as binder in
place of bentonite in iron ore pelletizing without compromising the pellet chemistry.

KEYWORDS: iron ore pelletizing; bentonite; organic binder; boron compounds; colemanite,
chemical and metallurgical properties.

33
SİVRİKAYA, O., AROL, A.I.

1. INTRODUCTION

Bentonite is the most widely used binder in iron ore pelletizing. The use of bentonite is favorable in
terms of physical, mechanical and metallurgical pellet qualities, however, because of its acid
constituents (SiO2 and Al2O3) it is considered as an chemical impurity especially for concentrate
with high SiO2 content. These acid oxides are known for their adverse effects on the iron-steel
making economy. For example, the addition of 1% bentonite, containing 85% SiO2+Al2O3,
decreases the iron content of pellets by 0.6-0,7% by wt (de Souza et al.,1984, Kater and Steeghs,
1984).Any increase in silica content can lead to appreciable cost increases of the steel production
(Chizhikova et al., 2003, Schmitt, 2005). In the case of direct reduced pellets, every percent of acid
gangue addition is associated with an increased energy consumption of 30 kWh/ton (Heerema et al.,
1989).

The main disadvantage of bentonite and other binders based on silicate minerals is that they add
silica to the finished product pellet. Since the purpose of iron ore processing is to remove silicate
minerals from the ore, adding silicates back in the form of binder is counterproductive. This has
prompted long-term interest in developing or discovering binders that contain no silica. Therefore
alternative binders to bentonite have been tested for many years. Because of good binding
properties without contaminating the product pellets, organic binders have attracted attention among
researchers. (Eisele and Kawatra, 2003, Sivrikaya, 2011).

Organic binders provided good wet pellet strength; however, they have found limited application in
industry. Ripke and Kawatra (2000) gave a statistic about the pellet plants in USA. Eight of the nine
plants utilized bentonite clay as a binder, while the ninth plant used an organic binder. The reason
behind the failure of organic binders in industry is their low burning temperatures. Organic binders
which burnt out at relatively low temperatures (<250oC) with virtually no or little residue can not
provide bonding to iron oxide grains at higher induration temperatures. Therefore, in literature the
results showed that organic binders produce good quality wet and dry pellets. However, they fail to
impart enough strength to the pre-heated and fired pellets as a result of reduced slag bonding (Kater
and Steeghs1984, Goetzman et al., 1988, Sivrikaya, 2011) which is especially more important in
pelletizing of hematite ores due to lack of oxide bonding. As such, organic binders have hitherto
failed to be an alternative to bentonite, except a few cases of straight-grate pelletizing, where there
is no dynamic pellet bed. In recent years efforts have been focused on improving the pre-heated and
fired strength of pellets produced with organic binders. In this context, boron compounds have been
considered as an additive in conjunction with organic binders (Sivrikaya, 2011). A few researchers
have investigated the use of boron compounds in iron ore agglomeration and found promising
results on physical and chemical properties of product pellets (Köroğlu, 1980, Timuçin et al., 1986,
Malysheva et al., 1996, Schmitt, 2005, Akberdin and Kim 2008)

This study was conducted to investigate how insufficient preheated and fired pellet strengths can be
improved when organic binders are used as binder. Boron compounds free in acidic contents are
suggested to overcome the lack of slag forming constituents encountered with organic binders as
they are known for their low melting temperatures and also to decrease the melting temperatures of
silicates. Addition of a slag bonding/strength increasing boron compounds into pellet recovered the
low preheated and fired pellet strength with the use of organic binders (Sivrikaya and Arol, 2013).

In this part of the study, the effects of addition of boron compounds such as colemanite, tincal,
borax pentahydrate, boric acid together with organic binders such as CMC, starch, dextrin and some
organic based binders (OBB), into magnetite and hematite pellet mixture was tested on
metallurgical and chemical qualities of product pellets. Metallurgical and chemical properties of
thermally treated pellets (reducibility - swelling index - microstructure - mineralogy - chemical

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content) of pellets produced with combined binders (an organic binder plus a boron compound)
were determined and presented.

2. MATERIALS AND METHODS

Detailed information about raw materials used in the pelletizing experiments, their characterization
and the pelletizing experiment procedure are given in the first part of this study (Sivrikaya and Arol,
2013).

2.1. Determination of chemical and metallurgical pellet properties

2.1.1. Reducibility of pellets

Reducibility is the degree of ease with which oxygen can be removed from pellet composition. In
standard, the product pellets is heated upto 900oC under nitrogen and then the reducing test gas is
passed through the pellets at this temperature with the required flow rate. Gakushin reducibility test
method standatds were utilized for reducibility experiments. The reducibility experiments of
product pellets was carried out with an reducibility apparatus consisting of a vertical split furnace, a
sensitive balance and a control unit.

2.1.2. Swelling index of pellets

Pellets tend to swell during chemical reduction process in the reduction furnaces. Swelling of the
product pellets should not exceed 20% by volume for a trouble-free operation in the reduction
facilities. Swelling index of reduced pellets according to Gakushin method was calculated
according to volume change of pellets before and after reducibility test.

2.1.3. Microstructures of pellets

In order to understand the reason for compressive strength increase of pellets containing boron
compound, the microstructures of thermally treated pellets were examined under a scanning
electron microscope. The bonding mechanism of combined binders added to magnetite pellets was
explained by the physical changes (crystal change and crystal growth) in mineral grains of pellets
after thermal process. JEOL JSM-6400 scanning electron microscopy was used to obtain micro
images of pellets heated at 800-1300oC to see the effect of heating temperature and different binders
on crystal changes.

2.1.4. Mineralogy of pellets

In order to understand the reason underlying the strength increase after addition of boron
compound, changes in the mineralogy of the fired pellets were investigated by XRD method. A
Rigaku MiniFlex II XRD analyzer (X-ray diffractometer) was used to obtain the mineralogy of
thermally treated pellets.

2.1.5. Chemical content of pellets

Iron and chemical impurity contents are important for product pellets in terms of an economic iron
production in reduction facilities. In order to see the efect of addition of different binders on pellet
chemistry, chemical analyses of product pellets were determined with XRF method using a Spectro
IQ X-Ray fluorescence spectrometer.

35
SİVRİKAYA, O., AROL, A.I.

3. RESULTS AND DISCUSSION

The results of the physical and mechanical tests are presented in the first part of the study
(Sivrikaya and Arol, 2013) and according to those results; pellets with sufficient physical and
mechanical qualities were selected to determine their chemical and metallurgical properties. The
results of chemical and metallurgical tests of selected pellets are presented below and all results
were presented in the Ph.D. dissertation by Sivrikaya, 2011. The mean values of 20 randomly pellet
samples were given with the 95% confidence level (P95) in the graphs.

3.1. Reducibility of pellets

The reducibility tests of fired pellets at 1300oC revealed that the pellets produced with bentonite
binder were more reducible than those of produced with calcined colemanite addition (Figure 1).
The reason of the low reducibilities of calcined colemanite added pellets may be related with the
heavy melting of calcined colemanite at 1300oC. While the addition of calcined colemanite
increases the compressive strength of fired pellets through physical melting between ore grains, it
most probably blocks the porosity and cause closed pores then make difficult to remove oxygen
from the interior part of pellets during reducibility test. Therefore, by means of calcined colemanite
addition the mechanical strengths of fired pellets were increased at the same time the reducibility of
these pellets were affected adversely. Lower reducibilities of pellets made with calcined colemanite
addition are as a result of high temperature selected for sintering, namely 1300 oC. Hence the lower
firing temperatures such as 1100oC which provided the sufficient industrial compressive strength
may recover the low reducibilities of pellets containing calcined colemanite.

Figure 1. Reducibility of magnetite pellets sintered at 1300 oC and reduced at 900oC for 3 hour

3.2. Swelling index of pellets

The swelling indices of both fired magnetite and hematite pellets were determined between 10.32%
and 17.88% (Table I). These swelling indices are in the desired range since the industrially
acceptable swelling index should be lower than 20% for trouble-free reduction furnace operation.
Therefore, the additions of tested alternative binders do not have negative effect on swelling indices
of product pellets.

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Table I. Swelling indices of pellets sintered at 1300 oC and reduced at 900oC for 3 hours

3.3 Microstructures of pellets

SEM micro-images of pellets thermally treated at 800-1300oC were taken and only images for
pellets sintered pellets at 1100oC are given in Figure 2. In the images, separate grains of pellets can
be seen and the grains of pellets seem to be granular, sharp, cubic or angled (not rounded) for
pellets heated at 800 and 1000oC. The grains start to be rounded for pellets contain calcined
colemanite and heated at 1100oC as a result of relatively high temperature. However, this rounded
grain surface cannot be observed entirely for pellets bonded with bentonite and heated at same
temperature.

At 1200 and 1300oC the shape of grains are more rounded due to complete melting of bentonite or
calcined colemanite. Throughout the induration process bentonite or calcined colemanite used as
binder provided solid state bonding by inter-diffusion of contacting grains. This bonding type can
be shown as example for sinter bridges, partial melting or crystallization of soluble substances as
explained by (Pietsch, 2005).

Figure 2. Microstructures of pellets; bentonite bonded at left, calcined colemanite bonded at right.

3.4. Mineralogy of pellets

The X-ray diffraction patterns of magnetite pellets contain either bentonite or calcined colemanite
showed no new peaks arising from binder addition (Figure 3). As the addition levels of bentonite or
calcined colemanite were very low (0.50% of dry magnetite concentrate), the possible new
compounds formation and their differential peaks cannot be detected by XRD analyses. Oxidation
pattern of magnetite pellets and the peaks detected by XRD analyses well confirm with earlier
reports.

37
SİVRİKAYA, O., AROL, A.I.

Figure 3. X-ray diffraction patterns of dry magnetite concentrate (purple) and pellets made from this
concentrate and produced with 0.50% bentonite (red) or 0.50% calcined colemanite (blue) and heated at 600-
800-1000-1300oC for 30 minutes.

3.5. Chemical content of pellets

The Fe content of magnetite concentrate and product pellets made with this concentrate were
determined to be approximately 65.00%. (Table II) The main impurities of concentrate were SiO2
and Al2O3 and they were found 4.87% and 0.09%, respectively. No big differences in SiO2 and
Al2O3 contents were detected in pellets with addition of alternative tested binders. Since, the
addition levels of binders are not so much. Therefore, the detected contents of product pellets are
more or less similar to each other. However, the SiO2 contents of pellets contain bentonite binders
are a little greater than those produced with organic binders or calcined colemanite combination.

Table II. Chemical analyses of product pellets produced with different binder addition.

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4. CONCLUSION

In the first part of the study, the addition of boron compounds into pellet mixture was found to
improve the lower preheated and fired pellet physical strength encountered with use of organic
binders. According to those results found in first part, pellets with sufficient physical qualities were
selected to determine their chemical and metallurgical properties. The results showed that good
metallurgical and chemical quality product pellets can be produced with combined binders when
compared with bentonite-bonded reference pellets. Swelling indices of reduced pellets were found
in the range of industrial desired values. The other reducibility, microstructure and mineralogy of
pellets produced with combined binders were found to be comparable to those of bentonite-bonded
reference pellets. It was found that, organic binders and boron compounds did not contaminate the
pellet chemistry and thus not interfere with iron making, since the organic binders are being
eliminated during thermal processes and boron compounds do not contain acidic impurities. As a
result, the suggested combined binders can be used as binder in place of bentonite in iron ore
pelletizing without contaminating the pellet chemistry.

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40
Beneficiamento de gemas

Gems processing

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PADRONIZAÇÃO E OTIMIZAÇÃO DE SISTEMAS DE TINGIMENTO DE


GEMAS
ERICKSSON, C.1, BRUM, I.A.S.2, SILVA, J.T.3
1
Centro Tecnológico de Pedras, Gemas e Joias do Rio Grande do Sul/UPF, 6111@upf.br
2
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, irineu.brum@ufrgs.br
3
Centro Tecnológico de Pedras, Gemas e Joias do Rio Grande do Sul/UPF, tonezer@upf.br

RESUMO

O Estado do Rio Grande do Sul se coloca no cenário nacional e internacional como um grande
produtor de pedras preciosas, onde se destacam produtos como ametista, citrino e ágata. Entretanto,
apesar do imenso potencial que essa atividade mineira possui o setor ainda carece de melhor
infraestrutura para o bom desenvolvimento de suas atividades. De uma forma geral a produção
gaúcha ainda se concentra em garimpos e só recentemente muitos deles começaram a regularizar
atividades juntos a órgãos oficiais de controle mineiro. Aliado a isso muitas vezes faltam condições
adequadas para as atividades de extração e de controle ambiental. Outro problema que se coloca
como crítico é a falta de valor agregado aos produtos desses sítios mineiros, que, por falta acesso a
tecnologia e infraestrutura apropriada, na maioria das vezes são obrigados a negociar suas gemas
em estado bruto, repassando a maior parte do lucro para intermediários. Isso resulta em enorme
prejuízo para o produtor e para as comunidades envolvidas. É nesse cenário que este estudo visa a
definição de sistemas técnica e operacionalmente viáveis de serem implementados, objetivando a
agregação de valor pelo fenômeno de coloração das gemas produzidas. Foram analisados com
maior atenção a sistemas de tingimento por processos termoquímicos, a partir da análise de efeito
de insumos e parâmetros operacionais na cor final da gema.

PALAVRAS-CHAVE: gemas; pedras preciosas; tingimento; termoquímico.

ABSTRACT

The State of Rio Grande do Sul State appears in the national and international scene as an important
producer of precious stones, products such as amethyst, citrine and agate. However, despite the
immense potential of this mining activity, the sector still with a worst infrastructure to the best
development of their activities. In general the local production still focuses on artisanal mines and
many of them only recently began to regularize activities together to the national mining department
control. Linked to this, in the general are missing suitable conditions for extraction activities and
environmental control. Another problem that is placed as critical is the absence of aggregate value
to the products of these mining sites. The problem to access appropriate technology and
infrastructure, in most cases, require miners to negotiate their gems in the rough state, transferring
most of the profit to intermediaries. This result in great loss for the producer and for the
communities involved. Against this scenario, this study aimed at defining systems technically and
operationally feasible to implement, in order to add value by the phenomenon of color gems
produced. Were analyzed with greater attention thermochemical coloring systems, analysis of effect
of raw materials and operating parameters on the final color of the gem.

KEYWORDS: gems; precious stones; coloring; thermochemical.

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ERICKSSON, C., BRUM, I.A.S., SILVA, J.T.

1. INTRODUÇÃO

O Rio Grande do Sul é um dos maiores produtores brasileiros de pedras preciosas e um dos mais
importantes produtores mundiais de duas delas, ágata e a ametista, que juntamente com citrino
concentram a produção gaúcha de pedras preciosas, sendo que estas são variedades de quartzo. A
ametista é a mais valiosa das três pedras preciosas, sendo um quartzo de cor roxa, em tons que vão
do bem claro ao roxo profundo. Entretanto, mesmo com quantidade de material extraído e com o
potencial a ser explorado um dos grandes problemas enfrentados pelos produtores é a falta de
tratamento para as pedras. Um importante entrave para esses produtores é como fazer para agregar
valor a seus produtos, uma vez que estes não raramente necessitam tratamentos específicos para
adquirir cor, beleza e valorização no mercado (AGOSTINI e FIORENTINI, 1998; BRANCO,
1984).

A alteração cor de uma pedra é baseada em técnicas como tingimento, impregnação, recobrimento,
irradiação, processos termoquímicos e outros. Sendo que, apesar dos aparatos necessários,
complexidade de equipamentos e instalações os processos de irradiação são os mais utilizados no
mundo. Nesse processo de coloração a cor final é definida pela dose de radiação e pelas impurezas
da pedra, sendo que no Brasil esse é utilizada irradiação por raios gama. A fonte geradora da
radiação Gama é o Cobalto 60, sendo que esta radiação não deixa resíduos e o material processado
não se torna radioativo (STRIEDER, 2005; TUBINO, 1998).

Os processos termoquímicos estão baseados no emprego de determinados reagentes químicos, que


em combinação com temperatura de operação (entre 180 e 260 ºC), resultam em reações químicas
que possibilitam a fixação de cor em pedras preciosas. A vantagem desse processo é a possibilidade
de reprodução de condições operacionais ou, em outras palavras, reprodução exata de cores.
Independente do processo escolhido para alteração da cor das pedras o objetivo básico é agregar
valor ao produto bruto, viabilizando a sua comercialização em melhores condições. A seleção do
processo utilizado ou do conjunto de processos a serem empregados está intimamente relacionada
com as características da pedra a ser colorida, assim como com a finalidade da mesma e interesse de
mercado (BRUM e SILVA, 2010; DAMBROS, 2008)

2. METODOLOGIA

Em relação aos processos de tingimento, as gemas de calcedônia utilizadas precisam ser submetidas
ao processo de corte para disposição em chapas. Posteriormente, as mesmas passam para o processo
de lavagem com detergente, visando a limpeza do resíduo deixado pelo óleo empregado nos
equipamentos de serragem. Além do banho de imersão em sabão e/ou detergente, é realizado um
banho das gemas em xispa, produto comercial de caráter ácido, buscando assim uma melhor
remoção dos resíduos oleosos acumulados no processo de corte das gemas, bem como agregar
melhor brilho nas gemas após serem tratadas.

Quanto à escolha e classificação das gemas, a metodologia aplicada foi de amostras aleatórias,
separando-se apenas os lotes para recebimento de pigmentação. Para obtenção das colorações
descritas, torna-se necessário o tratamento prévio das gemas para a desobstrução dos poros,
conforme relatado anteriormente. Para tanto, foram medidos, em balança semi-analítica, a massa de
33,33 gramas de cada corante orgânico, neste caso, foi usada a rodamina B, como pigmento para a
coloração rosa; cristal violeta para a coloração roxa e verde brilhante para a coloração verde,
conforme Figura 1.

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Os corantes orgânicos são dissolvidos, individualmente, em 1 litro de álcool combustível e após


dissolução total do sistema, são mantidos em repouso por um período de, aproximadamente, trinta
minutos para verificar se houve decantação do aparente sistema homogêneo, conforme Figura 2.
Caso exista a presença de corpo de fundo nos recipientes, reinicia-se o processo de dissolução por
agitação do sistema. Após a certificação da formação de soluções homogêneas, as mesmas são
transferidas para os recipientes plásticos que serão levados ao banho-maria posteriormente

Figura 1. Medida de massa correspondente ao corante Figura 2. Sistemas em decantação contendo as


orgânico verde brilhante, em balança digital semi- soluções tingidoras de pigmentação com verde
analítica. brilhante, cristal violeta e rodamina B, da esquerda
para a direita, respectivamente.

Em seguida, são colocadas as soluções tingidoras nos respectivos recipientes plásticos, acrescidos
das gemas em chapas e devidamente lacrados com a tampa, conforme Figura 3. Os recipientes são
armazenados dentro do tanque de tingimento para desenvolvimento do banho-maria.

Os recipientes são mantidos em aquecimento por um período de quatro horas ininterruptas em


temperatura constante de 60ºC. Contudo, torna-se necessário o prévio aquecimento da água contida
no tanque até que seja alcançada a temperatura desejada, para posterior contagem do intervalo de
tempo de 4 horas. Decorrido um período entre 96 a 120 horas, sem aquecimento, as mesmas podem
ser removidas das soluções tingidoras. Neste caso, os recipientes plásticos são transferidos para o
tanque de lavagem (Figura 4), onde será recebido o primeiro banho com o mesmo solvente usado
para dissolução do pigmento, no caso, o álcool combustível.

Em seguida, as gemas são transferidas para outro recipiente previamente limpo e higienizado, para a
segunda lavagem, neste caso com água. Recolhe-se o efluente gerado na lavagem com água e
armazena-o em recipientes devidamente identificados, para posterior encaminhamento à
estabelecimento, licenciado pelo órgão ambiental competente, que irá desenvolver o tratamento do
referido efluente. Quanto ao álcool combustível usado na primeira lavagem das gemas, o mesmo
pode ser recolhido em recipiente para eventual reposição do próprio solvente na solução tingidora
que pode ter perda de volume por evaporação, quando submetido ao aquecimento em banho-maria.
Repetem-se os procedimentos descritos acima quantas vezes forem necessárias para total remoção
de resíduos deixados pelo corante na superfície das gemas. Tais procedimentos ocorrem,
sucessivamente, até que todas as gemas sejam removidas do interior dos recipientes que possuem as
soluções tingidoras.

45
ERICKSSON, C., BRUM, I.A.S., SILVA, J.T.

Figura 3. Recipientes plásticos vedados contendo as Figura 4. Primeira lavagem das gemas com álcool
gemas imersas nas soluções tingidoras para combustível, após serem removidas da solução
aquecimento em banho maria no tanque de tingidora.
tingimento.

Após término dos procedimentos mencionados, as gemas são acomodadas em papéis, afim de que
os mesmos possam absorver a umidade das gemas. Quando verificado a total secagem das gemas,
as mesmas são classificadas de maneira aleatória para serem submetidos a posteriores testes e
ensaios.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os procedimentos observados, durante a pesquisa, in loco tiveram que ser adaptados e modificados,
tendo em vista a precariedade das condições de trabalho e segurança, descontrole de fatores como
temperatura e tempo, assim como desconhecimento da quantidade dos reagentes usados e suas
classificações químicas. De certa forma, todos estes fatores prejudicam, em muito, o controle do
processo de tingimento. Outro fator relevante é a procedência das soluções tingidoras e reagentes
químicos usados, os quais são vendidos de forma fracionada, sem rótulos de identificação, sem
comprovante fiscal, assim como sem o devido controle ambiental pelos órgãos responsáveis.

No que diz respeito à impregnação do corante na gema, a fim de tonalizá-la, pode ser verificado
diferentes tipos de resultados. Em alguns casos, foi verificado que a parte interna da circunferência
da gema, em chapa, não sofreu impregnação pelo corante. Esta situação pode ser explicada pela
formação de macro cristais nesta região, diminuindo, assim, a porosidade e o interstício entre um
bico de cristal e outro, onde poderia ser acumulado o pigmento do corante.

Em relação à penetração do corante na gema, pode-se classificar como de boa qualidade, devido ao
fato do pigmento atingir toda a espessura da mesma. Quando a impregnação não se efetiva de
maneira satisfatória, verificar-se-ia que o corante penetraria apenas superficialmente ou em pequena
profundidade na espessura da gema. Contudo, este último, não foi observado nos resultados finais
do tingimento, em quaisquer das tonalidades testadas. Sendo assim, pode-se aceitar que o período
de imersão das gemas nas soluções tingidoras foi caracterizado como um período suficiente para a
total impregnação de cor na extensão de toda a espessura da gema, mas não caracteriza a
durabilidade do pigmento.

Como análise preliminar em relação à durabilidade do pigmento nas gemas, foram coletadas, de
maneira aleatória, uma amostra de cada um dos tipos de tingimentos desenvolvidos. Tais amostras

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foram submetidas à exposição solar por um período de trinta dias ininterruptos, sendo os resultados
observados nas Figuras 5, 6 e 7, a seguir.

Figura 5. Chapas de ágata, de Figura 6. Chapas de ágata, de Figura 7. Chapas de ágata, de


mesmo lote, tingidas com corante mesmo lote, tingidas com corante mesmo lote, tingidas com corante
cristal violeta. À esquerda, amostra rodamina B. À esquerda, amostra verde brilhante. À esquerda,
submetida ao escuro por trinta dias submetida ao escuro por trinta dias amostra submetida ao escuro por
e à direita, amostra exposta à e à direita, amostra exposta à trinta dias e à direita, amostra
radiação solar pelo mesmo período. radiação solar pelo mesmo período. exposta à radiação solar pelo
mesmo período.

Interpreta-se que o pigmento, mesmo com uma impregnação total em toda a espessura da gema,
sofreu degradação por reação de raios solares na superfície da gema, progredindo sucessivamente
para o interior da mesma. Sendo que esse efeito tem sido reportado por outros autores como
SCHNEIDER et al. (2000) e SILVA et al. (2007).

Para fins de comparação de resultados, pode-se verificar a degradação da cor das amostras expostas
à radiação solar comparadas com amostras armazenadas em abrigo e resguardo da luz.
Em relação ao tingimento na tonalidade verde, pode-se, ainda, ser observado que mesmo a amostra
sendo armazenada em ambiente seco e ao abrigo da luz, houve degradação parcial do pigmento
comparando com a amostra exposta aos raios solares. Tal observação remete às propriedades do
corante verde brilhante, que sofre degradação com maior facilidade que os demais testados, assim
como, apresentam maior dificuldade de penetração nos poros das gemas submetidas aos ensaios.
Contudo, fica a evidência do uso de um período maior de tempo em relação ao aquecimento em
banho-maria e/ou de imersão das gemas na solução tingidora verde.

4. CONCLUSÕES

Após a realização dos testes pode-se concluir que a metodologia criada para o processo de
tingimento de gemas, a partir de diferentes procedimentos nos processos de tingimento de gemas no
APL de pedras, mostrou-se eficaz. Essa análise está baseada no fato de que o fator de impregnação
do pigmento nas gemas e a coloração visual destas são as mesmas quando comparadas com as que
são comercializadas pelas pequenas empresas da região de Soledade, RS. Nesse sentido, é
importante perceber que os resultados obtidos são praticamente iguais aos observados nos locais
tradicionais de tingimento de gemas, onde não se observa e/ou controla a quantificação dos
reagentes utilizados.

Neste sentido, seguem-se os testes com os pigmentos, porém em escala de amostras na modalidade
de quadruplicata para cada tonalidade de cor, assim como ensaios de cor e degradação dos
pigmentos usados.

47
ERICKSSON, C., BRUM, I.A.S., SILVA, J.T.

Tendo em vista a grande dificuldade de acesso às informações importantes em relação aos reagentes
empregados, a falta de dados quantitativos e qualitativos, está sendo buscada uma série de
tingimentos alternativos para as gemas, alienada às questões ambientais de geração de resíduos,
assim como o devido tratamento e a periculosidade dos reagentes químicos hoje usados nos
processos acompanhados.

5. AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao CNPq pelo apoio financeiro obtido através do edital 12/2009 (chamada 2,
Tecnologias de Sistemas Produtivos Locais do Setor Mineral).

6. REFERÊNCIAS

AGOSTINI, I. M.; FIORENTINI, J. A. (Cap. 6, p. 103-132). Tecnologia de beneficiamento. In:


Ágata do Rio Grande do Sul. Brasília: DNPM, 1998.

BRANCO, P. M. Glossário gemológico, Ed. da UFRS, Porto Alegre, RS. pp. 19-20. (1984).

BRUM, IRINEU ANTÔNIO SCHADACH; SILVA, RODRIGO ALMEIDA (Cap. 15, p.205).
Sistemas de tingimento de gemas. In: Tecnologias para o setor de gemas, joias e mineração. Centro
Tecnológico de Pedras, Gemas e Joias do Rio Grande do Sul. IV. Universidade Federal do Rio
Grande do Sul: Instituto de Geociências. Porto Alegre: IGEO/UFRGS. 2010.

DAMBROS, V.S. Processo de tingimento de ágatas: medidas de produção mais limpa e estudo de
detoxificação de efluente. Dissertação de mestrado. UNISC, 2008.

SCHNEIDER, I.AH., PIZZOLATO, T.M., MACHADO, E.L. E CARISSIMI, E. Fotodegradação


solar e oxidação química de corantes empregados na indústria de tingimento de ágatas. XXVII
Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental. Associação Brasileira de
Engenharia Sanitária e Ambiental.

SILVA, R.A.; PETTER, C.O. e SCHNEIDER I.A. Avaliação da perda da coloração artificial em
ágatas. REM: Rev. Esc. Minas, Ouro Preto, 60(3): 477-482, jul. set. 2007

STRIEDER, A.J. Geologia e mineração em áreas de garimpo de pedras preciosas no estado do rio
grande do sul. Seminário – Relatório geral das atividades da UFRGS em geologia e mineração nos
distritos mineiros de pedras preciosas no estado do Rio Grande do Sul. Setembro, 2005. UFRGS.

TUBINO, LUIZ CARLOS B. Tratamento industrial da ágata em bruto no Estado do Rio grande do
Sul. Dissertação para obtenção do título de Mestre em Engenharia UFRGS, Porto Alegre, 1998.

48
Beneficiamento de minerais e
rochas industriais

Industrial minerals processing

49
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

BENEFICIAMENTO DO QUARTZO DE TANHAÇU/BA VISANDO A


PREPARAÇÃO DE SILÍCIO GRAU METALÚRGICO de alta pureza

DIAS R.S.S.1, SILVA, E.B.2, GARRIDO, F.M.S.3, SILVA, F.A.N.G.4, AMADO, R.S.5,
CARNEIRO, M.C.6, SAMPAIO, J.A.7
¹ Centro de Tecnologia Mineral (CETEM/MCTI); Escola de Química/ Universidade Federal do Rio de
Janeiro; rdias@cetem.gov.br
² Centro de Tecnologia Mineral (CETEM/MCTI); Instituto de Química/ Universidade Federal do Rio de
Janeiro; ebsilva@cetem.gov.br
³ Instituto de Química/ Universidade Federal do Rio de Janeiro; chico@iq.ufrj.br
4
Instituto de Química/ Universidade Federal do Rio de Janeiro; fnogueira@iq.ufrj.br
5
Instituto de Química/ Universidade Federal do Rio de Janeiro; roberto@iq.ufrj.br
6
Centro de Tecnologia Mineral (CETEM/MCTI); caneiro@cetem.gov.br
7
Centro de Tecnologia Mineral (CETEM/MCTI); jsampaio@cetem.gov.br

RESUMO

Este trabalho descreve as etapas de beneficiamento e a caracterização do quartzo de Tanhaçu, BA,


com o propósito de utilizá-lo como matéria-prima para a obtenção de um silício grau metalúrgico
(SiGM) com baixo nível de impurezas. A amostra de quartzo, após as etapas de britagem,
calcinação seguida de quenching e moagem autógena por 2 h resultou num produto com baixo
conteúdo de impurezas e elevado teor de SiO2 (> 99%), isto é, um aumento de aproximadamente
2% em relação a amostra original. A avaliação dos resultados indica que a amostra de quartzo
beneficiada possui potencial para ser usada na produção de SiGM de alta pureza.

PALAVRAS-CHAVE: silício grau metalúrgico; quartzo; beneficiamento.

ABSTRACT

This paper describes the steps of ore dressing and characterization of quartz from Tanhaçu/BA, for
using it as raw material for production of metallurgical grade silicon (SiGM) with low levels of
impurities. The quartz sample after steps of crushing, calcining followed by quenching and
autogenous grinding for 2 hours resulted in a product with low content of impurities and a high
SiO2 content (> 99%), an increase of nearly 2% compared to the original sample. The results
indicate that this quartz has potential to be used in the production of high purity SiGM.

KEYWORDS: metallurgical grade silicon; quartz; ore dressing.

51
DIAS R. S S., SILVA, E.B., GARRIDO, F.M.S. SILVA, F.A.N.G., AMADO, R.S., CARNEIRO, M.C., SAMPAIO,
J.A.
1. INTRODUÇÃO

O silício grau metalúrgico (SiGM) é a matéria-prima mais utilizada na obtenção do silício grau
solar, (SiGS) empregado na produção de células fotovoltaicas (RAJAM et al., 2011; KIM e
KWADWO, 2012). A obtenção do SiGM é feita por redução carbotérmica da sílica em fornos do
tipo arco submerso, para produção em larga escala (SERÓDIO, 2009). O conteúdo de Si no produto
final deve situar-se na faixa de 98,0 a 99,5 % (SOARES et al., 2012). O processo baseia-se na
redução do quartzo pelo carbono em temperaturas elevadas, de acordo com a reação, descrita por
meio da Equação 1.

SiO2 ( s )  2C( s )  Si( s )  2CO( g ) (1)

O quartzo é um mineral, que apesar do seu elevado teor de SiO2, possui impurezas que contêm os
elementos: alumínio, manganês, boro, molibdênio, cálcio, níquel, magnésio, zircônio, vanádio,
ferro, titânio, cobre, fósforo, cromo e outros (GUSO, 2008).

As impurezas existentes na estrutura do SiGM são responsáveis pelas alterações na condutividade


desse material. Essas impurezas provém da própria fonte de sílica, utilizada, ou foram incorporadas
ao SiGM durante as etapas de obtenção do mesmo. Muitas dessas impurezas podem ser removidas
pela solidificação direcional do silício fundido (SAFARIAN et al., 2012).

Contudo, a remoção de boro e de fósforo, por este processo, é difícil e dispendioso devido ao
elevado coeficiente de segregação destes elementos nos contornos dos grãos de silício (ZHAO et
al., 2011). Portanto, torna-se necessária a eliminação parcial destas impurezas da fonte de silício, o
quartzo, utilizada na obtenção de um SiGM de alta qualidade. Por conseguinte, ao se utilizar um
quartzo natural como matéria-prima, exige-se o desenvolvimento de novos processos de
beneficiamento e purificação do mesmo.

Neste trabalho, serão estudados processos químicos e metalúrgicos a serem aplicados ao quartzo do
município de Tanhaçu, BA, com o propósito de aproveitá-lo, como matéria-prima de elevada
pureza, na produção de um SiGM de alta qualidade.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

Para realização deste estudo, foi realizada a coleta de uma amostra no município de Tanhaçu, BA,
onde há uma jazida de quartzo com elevado grau de pureza. Na etapa de preparação da amostra,
efetuou-se o quarteamento da mesma em pilha de homogeneização, da qual foram coletadas
alíquotas de 5,0 kg, as quais foram lavadas com água de torneira para remoção de matéria orgânica
residual. Após a secagem, as amostras foram cominuídas em um britador de mandíbulas operando
em circuito fechado, com uma peneira de abertura de 6 mm, e quarteadas em pilha prismática.

Desse modo, foi realizada a análise granulométrica a úmido em um peneirador vibratório (684,5
rpm) equipado com um conjunto de peneira de abertura desde 2,36 mm a 37 µm, segundo a série
Tyler. Todas as frações da análise granulométrica foram secadas em estufa (80°C), pesadas e
enviadas à caracterização por meio da difração de raios X (DRX). Em paralelo, a amostra, provinda
do ensaio de britagem, foi calcinada a 900°C por 30, 60 e 90 min. Imediatamente, após a
calcinação, a amostra foi submetida á etapa de quenching, ou seja, foi retirada do forno de mufla e
resfriada bruscamente em um recipiente, de aço inox, com água destilada a baixa temperatura
(aproximadamente 2°C) e encaminhada à secagem em estufa à temperatura de 80°C.

52
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
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Os produtos resultantes da britagem e calcinação foram enviados à análise por emissão ótica por
plasma indutivamente acoplado (ICP-OES) e DRX, com o objetivo de verificar se o beneficiamento
por meio de modificações na estrutura organizada do silício seguida do rápido resfriamento permite
que impurezas sejam removidas da amostra.

A amostra obtida após a etapa de quenching foi moída em moinho autógeno por 2 h. Nos ensaios
utilizou-se 1,5 kg de corpos moedores, constituídos do próprio quartzo com o propósito de
minimizar a contaminação. Após essa etapa, as amostras foram enviadas à análise química por ICP-
OES e por DRX.

Todos os procedimentos experimentais, relativos à preparação da amostra e ao beneficiamento,


estão descritos por meio do diagrama de blocos da Figura 1.

QUARTZO

BRITAGEM
(BRITADOR DE MANDÍBULAS 6 mm)

PILHA DE
HOMOGENEIZAÇÃO

CALCINAÇÃO DRX E ICP-OES


900°C
30, 60 e 90 min

DRX
QUENCHING

MOAGEM DRX E ICP-OES


AUTÓGENA
2h

DRX E ICP-OES

Figura 1. Diagrama de blocos relativo às etapas de preparação e beneficiamento do quartzo de Tanhaçu, BA.

53
DIAS R. S S., SILVA, E.B., GARRIDO, F.M.S. SILVA, F.A.N.G., AMADO, R.S., CARNEIRO, M.C., SAMPAIO,
J.A.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A amostra de quartzo obtida após a britagem (6 mm) possui cerca de 45% das partículas abaixo de 2
mm e 5%, abaixo, de 74 μm (SOARES et al., 2012). A análise dos resultados indicaram que esta
amostra é composta, essencialmente, de quartzo com impurezas de microclínio (KAlSi3O8),
muscovita ((K, Na)(Al, Mg, Fe)2(Si3.1Al0.9)O10(OH)2), calcita (CaCO3), Figura 2, e um teor de SiO2
de 97,7%, Tabela 1. Os teores das principais impurezas, isto é, boro, fósforo, alumínio ferro e cálcio
são de 9, 49,1, 3.832, 2.868 e 983 ppm, respectivamente (Tabela 1). A interpretação dos resultados
obtidos para esta amostra reporta para um SiGM de baixa qualidade, tornando necessário a
realização de processos de beneficiamento deste quartzo, com o propósito de minimizar o conteúdo
de impurezas do mesmo.
Intensidade (u. a)

10 20 30 40 50 60 70 80
2 (graus)
Muscovita Microclínio Calcita
Figura 2. Difratograma de raios X (Cu Kα) da amostra de quartzo britada a 6 mm.

Após as etapas de calcinação e quenching, as amostras foram analisadas por ICP-OES, cuja
avaliação dos resultados, Tabela 1, indica uma diminuição nos teores de boro, de fósforo e das
outras impurezas, em relação à amostra de quartzo sem tratamento térmico.

Observa-se que após o tratamento térmico (calcinação/quenching), Tabela I, os teores de SiO2


aumentam significativamente, isto é, 98,7, 99,3 e 99,4% para 30, 60 e 90 min, respectivamente.
Esses valores são considerados satisfatórios, uma vez que, encontram-se na faixa de valores
definidos pela literatura como ideais para a obtenção de um silício SiGM de qualidade (98 a
99,5%). Em relação às principais impurezas, boro e fósforo, os ensaios de calcinação (30, 60 e 90
min) seguido do quenching, reduziram o teor desses elementos para 2, 6 e 2,3 e 34,1, 31,1 e 29,8,
respectivamente. No entanto, após as etapas de calcinação, quenching e moagem por 2 h, os teores
de boro e de fósforo diminuem numa média de aproximadamente 50% em relação aos ensaios onde
a moagem não foi realizada.

Os resultados obtidos por meio da DRX, Figura 3, corroboram com os descritos na Tabela 1, uma
vez que, apesar da DRX não detectar impurezas da ordem de ppm, os picos associados a muscovita
e a calcita, após as etapas de beneficiamento, não são mais observados. Como a muscovita e a
calcita possui, em suas estruturas cristalinas, elementos que são contaminantes na amostra de
quartzo estudada, observa-se que, após a calcinação, o quenching e a moagem, há uma redução nos
elementos que compõem esses minerais.

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Tabela I. Resultados das análises de ICP-OES para as amostras de quartzo antes e após o
beneficiamento.
Calcinação/Quenching Calcinação/Quenching/Moagem
LA Quartzo Tempo em minutos
Elementos SiGM Britado 30 60 90 30 60 90
Valores em Percentagens (%)
SiO2 98-99,5 97,70 98,70 99,30 99,40 99,10 99,10 99,30
Valores em ppm
Boro 0,2 9 2 6 2,3 1,7 1,9 1,8
Fósforo 10 49,1 34,4 31,1 29,8 28 27,8 22,4
Alumínio 1200 3832 3343 2000 2280 1907 1474 1390
Ferro 1600 2868 1633 1000 467 726 795 790
Cálcio 590 983 415 83,5 217 147 138 133
Bário - 21,3 17,5 10,2 10,4 12,6 9,9 9,4
Cobalto - <7,0 <7,0 <0,07 <7,0 <7,0 <7,0 <7,0
Cromo - 304 47,4 31,5 8,5 8,9 9,2 11,5
Cobre - 9,5 6,7 3,4 3,1 2,9 2,6 3
Potássio - 2638 2046 1100 1341 1198 884 818
Lítio - 4,7 2,5 <0,8 17,6 1,2 1,6 <0,4
Magnésio - 877 508 223 158 95,7 87,2 85,3
Sódio - 280 131 41,5 220 116 138 118
Estanho - <0,2 <0,2 <0,6 <0,2 <0,2 <0,2 <0,2
Estrôncio - 3,8 2,4 0,53 2,3 2,5 2,5 2,3
Vanádio - 3,3 2,3 <2,0 1,2 0,64 0,64 1
LA - Limites aceitáveis para SiGM

Britado
Intensidade (u. a)

C 30'

C 30' M 2

10 20 30 40 50 60 70 80
2 (graus)
Muscovita Microclínio Calcita
Figura 3. Difratogramas de raios X (Cu Kα) para as amostras de quartzo antes e após o beneficiamento.
Calcinação por 30 min (C 30’) e Calcinação (30 min) seguida de moagem por 2,0 h (C 30’ M 2).

55
DIAS R. S S., SILVA, E.B., GARRIDO, F.M.S. SILVA, F.A.N.G., AMADO, R.S., CARNEIRO, M.C., SAMPAIO,
J.A.

4. CONCLUSÕES

As etapas de tratamento, calcinação seguida de quenching e moagem por 2 h, são indispensáveis à


purificação da amostra de quartzo de Tanhaçu, BA, uma vez que os resultados obtidos por meio das
análises de DRX e ICP-OES, indicam um significativo aumento no teor de SiO2, de 97,7 para
99,4%, e uma diminuição considerável nos teores das principais impurezas, boro, e fósforo, e de
outras como: alumínio, ferro e cálcio, que também comprometem a qualidade do quartzo que
poderá ser utilizado a como matéria-prima à produção do SiGM.

Estudos de lixiviação, inclusive calcinação em outras temperaturas, encontram-se em andamento


com a finalidade de reduzir as impurezas existentes na amostra.

5. AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao CETEM e ao CNPq pela liberação de infraestrutura e recursos


respecativamente.

6. REFERÊNCIAS

KIM, E., KWADWO, O. Dissolution Windows for Hydrometallurgical Purification of


Metallurgical-Grade Silicon to Solar-Grade Silicon: Eh–pH Diagrams for Fe Silicides.
Hydrometallurgy, v.127-128, p. 178-186, 2012.

GUSO, P.L. Quartzo. In: LUZ. A.B., LINS, F.A.F. Rochas e minerais industriais, 2a Ed., Cap. 31,
681-722, 990p. CETEM/MCT, Rio de Janeiro, 2008

SERÓDIO, L. M.; Estado da arte da obtenção de Silício Grau Solar; Escola Politécnica/UFRJ; Rio
de Janeiro, Junho 2009

SOARES, L.G.L., DA SILVA, E.B., GARRIDO, F.M.S, DA SILVA, F.A.N.G., AMADO, R.S.,
SAMPAIO, J.A., Beneficiamento e caracterização do quartzo para obtenção de silício grau
metalúrgico. Holos, Ano 28, v.5, p. 3-10, 2012.

SAFARIAN, J., TRANELL, G., TANGSTAD, M., Processes for upgrading metallurgical grade
silicon to solar grade silicon. Energy Procedia, v. 20, p. 88-97, 2012.

ZHAO, L., WANG, Z., GUO, Z., LI, C., Low-temperature purification process of metallurgical
silicon. Transactions of Nonferrous Metals Society of China, v. 21, p. 1185-1192, 2011.

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CHECK LIST DO CREA-RN APLICADO A FISCALIZAÇÃO DAS


ATIVIDADES: ESTUDO DE CASO NA VOTORANTIM CIMENTOS
(UNIDADE MACAIBA - RN)

MEYER, M.F.1, MENEZES, R.2, SANTOS, E.N.D.3


1
Professor/ IFRN. mf.meyer@hotmail.com
2
Aluna - IFRN. romeicamenezes@hotmail.com
3
Professor - IFRN. edson_san@bol.com.br

RESUMO

Assim como toda atividade baseada na extração de recursos naturais, as pedreiras também causam
extremos impactos ambientais desde a fase de abertura da mina até sua exaustão. O material
produzido nas pedreiras destina-se exclusivamente ao ramo da construção civil. Por isso, estas
empresas necessitam situar-se próximas a centros urbanos para que o custo de transporte do
material não seja inviável. Entretanto, o crescimento desordenado das cidades, devido á falta de
planejamento urbano, por vezes, acaba por acentuar os impactos ambientais gerados pela atividade,
causando conflitos entre as comunidades que circundam a mina e donos do empreendimento. Com
o propósito de testar e aperfeiçoar o check-list elaborado pelo CREA para fiscalizar empresas de
mineração foi realizado um estudo de caso na unidade Macaíba da Votorantim Cimentos segundo
todos os aspectos contidos nesse check-list como geologia, lavra e beneficiamento o que
proporcionou a ampliação do mesmo, incluindo questões que ainda não haviam sido abordadas,
bem como sua maior eficácia.

PALAVRAS-CHAVE: check list; pedreira; beneficiamento.

ABSTRACT

Like any activity based on natural resource extraction, quarries also cause extreme environmental
impacts since the opening phase of the mine until its exhaustion. The material produced in the
quarries is intended solely for the construction business. Therefore, these companies need to be
located near urban centers to the cost of transporting the material is not feasible. However, the
uncontrolled growth of cities due to lack of urban planning, sometimes ends up accentuating the
environmental impacts generated by the activity, causing conflicts between the communities
surrounding the mine owners and the enterprise. In order to test and refine the check list prepared by
CREA to oversee mining companies was conducted a case study in Macaíba unit of Votorantim
Cement second all aspects contained in this check list as geology, mining and processing which
provided the extension thereof, including issues that had not been addressed, as well as its greater
effectiveness.

KEYWORDS: check list; quarry; processing

57
MEYER, M.F., MENEZES, R., SANTOS, E.N.D.

1. INTRODUÇÃO

Meio ambiente e segurança do trabalho

Assim como toda atividade baseada na extração de recursos naturais, as pedreiras também causam
extremos impactos ambientais desde a fase de abertura da mina até sua exaustão. O material
produzido nas pedreiras destina-se exclusivamente ao ramo da construção civil. Por isso, estas
necessitam situar-se próximas a centros urbanos para que o custo de transporte do material não seja
inviável. Entretanto, o crescimento desordenado das cidades, devido à falta de planejamento urbano,
por vezes, acaba por acentuar os impactos ambientais gerados pela atividade, causando conflitos
entre as comunidades que circundam a mina e donos do empreendimento.

A empresa

A Votorantim Cimentos está há 93 anos no mercado organizado em três áreas: Indústria, finanças e
novos negócios. Estão entre as 10 maiores empresas de cimento de mundo. Possui 16 unidades no
Brasil, sendo três destas localizadas no Rio Grande do Norte nos municípios de Ielmo Marinho
(Unidade Ielmo Marinho) e Macaíba ( Unidade Jundiaí e Unidade Macaíba).

A unidade Macaíba ocupa atualmente parte do espaço antes destinado a Pedreira Potiguar, pois a
transição entre as duas empresas, iniciada em Abril e 2010, ainda está em andamento. Em Maio de
2010 a Votorantim Cimentos assumiu a produção no local, estimando-se um rendimento de 300
toneladas de agregados por hora, totalizando, aproximadamente, 80000 a 90000 toneladas ao mês.
(figura 1). Entre 1992 e 2008, a produção nacional de britas e areias da Votorantim Cimentos
passou de 750 mil toneladas por ano para quase 10 milhões de toneladas por ano, e o número de
unidades industriais saltou para 22 em 2008. O portfólio de produtos expandiu de “agregados para
uso imediato na construção civil” e passou a contemplar também diferentes formas e tipos de britas
para uso nas construções. Hoje, o consumo per capita de agregados no país está em torno de 2 t/a,
sendo que a média dos países desenvolvidos fica entre 7 e 10 t/a. De olho nesse potencial de
crescimento do mercado, o Negócio Agregados lançou em 2007 um plano de expansão baseado em
aquisições que tem como meta elevar a produção para mais de 20 milhões t/a até o ano de 2012.

Figura 1. Unidade Macaíba da Votorantim Cimentos

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2. OBJETIVOS

O CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) é um órgão pertencente à esfera federal


cuja principal responsabilidade é a fiscalização do exercício das profissões e fazendo parte da área
de engenharia e geologia, as atividades mineiras são fiscalizadas e supervisionadas pelo CREA. No
entanto, os fiscais que analisam as atividades mineiras muitas vezes não possuem conhecimento
necessário sobre esta área, o que acaba dificultando e prejudicando a fiscalização. Desta forma, os
fiscalizadores do órgão necessitam de um guia fácil, prático e pertinente em relação às principais
questões das atividades mineiras para realizarem um bom trabalho.

A partir da necessidade em questão, elaborou-se um check-list com perguntas práticas e diretas que
visam atender aos itens considerados importantes para a fiscalização de uma área que exerce
atividades mineiras. Esta nova ferramenta foi elaborada recentemente pelo professor e Conselheiro
da CEGMA – CREA -RN Mauro Froes Meyer, e sua primeira aplicação se deu na empresa
Votorantim Cimentos, unidade Macaíba, no dia 27 de julho de 2012, quando foi realizado um
estudo de caso sobre os aspectos ambientais e de segurança do trabalho da empresa. Com base na
visita técnica e análise dos resultados obtidos foi possível avaliar a eficiência do questionário, bem
como proporcionar melhorias para que o mesmo venha a ser adotado pelo CREA – RN através de
sua validação.

3. MATERIAIS E METODOLOGIA

Para o estudo de caso utilizou-se o check-list do CREA - RN em análise que conta com quarenta
itens que englobam quatro categorias distintas: Geologia, lavra, beneficiamento, segurança e meio
ambiente. O estudo de caso foi efetuado a partir de entrevistas realizadas com o diretor do setor de
segurança do trabalho e técnicos da área, além da própria análise visual. Dessa forma, o check-list
foi preenchido ao longo da visita técnica, com base em conclusões e informações obtidas. (Tabela 1
- abaixo)

59
MEYER, M.F., MENEZES, R., SANTOS, E.N.D.

CHECK-LIST PARA FISCALIZAÇÃO DE EMPRESAS DE MINERAÇÃO – CREA -RN

INSPECIONADO POR:

DATA DA FISCALIZAÇÃO:

NOME DA EMPRESA:
SIM NÃO OBSERVAÇÕES
01- A empresa tem requerimento de pesquisa mineral?
02 – A empresa tem registro no CREA?
03 – A empresa tem algum profissional respondendo pelas operações da mina?
04 – O profissional da empresa é registrado no CREA?
05 – A empresa tem registro no DNPM do RAL?
06 – A empresa tem registro em algum órgão Ambiental? x O responsável garantiu ter todos os registros ambientais
necessários
07 – A empresa tem jazida própria para extração da matéria prima? x
08 – A empresa compra a matéria prima de terceiros? x
09 – A extração da mina é feita de modo manual? x
10 – A extração da mina utiliza equipamentos mecânicos? x São utilizados equipamentos mecânicos na quebra dos matacos.
11 – A mina trabalha com explosivos? x
12 – O explosivo é guardado em paiol da empresa? x A empresa apresenta paiol específico tanto para explosivos como
para acessórios.
13 – Os explosivos são adquiridos por empresas terceirizadas? x
14 – Os equipamentos de extração (carregadeiras e caminhões são da própria x A empresa apresenta 5 caminhões de produção (25 t), 2
empresa)? escavadeiras
e 2 rompedores (sendo que 1 deles não é próprio da empresa).
15 – Os funcionários são da própria empresa (mina)? x
16 – A empresa tem galpão para manutenção dos equipamentos? x
17 – A mina tem alguma sinalização de Segurança do Trabalho? x A mina apresenta apropriada sinalização se Segurança do
Trabalho.
18 – Os funcionários da empresa utilizam EPI’S? x Todos os funcionários encontrados utilizavam os EPI’S
apropriados para a atividade em execução.
19 – A mina tem algum plano de recuperação ambiental (PRAD)? x O plano de recuperação ambiental ainda não foi elaborado.
20 – A mina dispõe de algum levantamento geológico? x

60
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2013

21 – A mina trabalha com auxilio de topografia (topógrafo)? x


22 – O ambiente da mina apresenta alguma insalubridade como poeira, ruído em níveis A poeira gerada é amenizada com a utilização de água nas
elevados? operações.
23 – A mina tem algum caminhão pipa molhando as vias de acesso? x
24 – A mina dispõe de alguma área para o bota fora (depósito de estéril) do rejeito x Praticamente tudo que é extraído é aproveitado.
descartado pela mina?
25 – A mina é a céu aberto ou subterrânea? A mina é a céu aberto
26 – Caso sendo subterrânea a mina conta com dois acessos alternativos (poços e
rampas)?
27- A mina subterrânea conta com sistemas de ventilação e iluminação adequados?
28 – A mina subterrânea oferece as mínimas condições de Segurança para os
trabalhadores?
29 – A empresa tem a parte do beneficiamento (tratamento) de minérios? x
30 – O beneficiamento de minérios conta com britadores, moinhos e peneiras? x A empresa conta com britadores (mandíbulas e cônico) e
peneiras.
31 – O beneficiamento trabalha com etapas de concentração como flotação, separação x
magnética e eletrostática?
32 – O beneficiamento trabalha com equipamentos gravimétricos como calha simples, x
mesa oscilatória, jigue e outros?
33 – O beneficiamento tem uma sala de controle de suas operações (vídeo- x Apresenta uma sala de controle, mas não com vídeo
monitoramento)? monitoramento.
34 – Os equipamentos de beneficiamento são bastante modernos? x
35 – A empresa conta com alguma barragem de rejeito? x
36 – O minério extraído da mina é um mineral metálico? x
37 – A empresa tem algum sistema de transformação das matérias primas como x
(metalurgia, cerâmica, olarias e carvoarias)?
38 – A empresa produz minerais industriais que abastecem diretamente a construção x A unidade visitada trabalha com brita.
civil como areia, brita, rocha ornamental ( granito e mármore)?
39 – A empresa tem algum sistema de transporte do minério produzido como (trens, x A empresa utiliza-se de caminhões para o transporte do minério e
correias transportadoras, minerodutos, caminhões, etc)? de correias transportadoras entre as fazes de cominuição.
40- A diretoria (donos da empresa) se mostraram gentis com a fiscalização? x A diretoria apresentou-se disposta e gentil para com a
fiscalização.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tendo em vista ao exposto apresentado declaro verídica tais informações coletadas.
Atenciosamente:
Natal de 2012.
Assinatura do Responsável pela fiscalização:_______________________________________________________________

61
MEYER, M.F., MENEZES, R., SANTOS, E.N.D.

4. ANÁLISE E RESULTADOS

4.1. Geologia
A unidade Macaíba da Votorantim Cimentos localiza-se sobre um rochedo granodiorítico, cuja
extração e beneficiamento ocorrem no próprio local. Segundo a classificação da Votorantim
Cimentos, os produtos da mina visitada enquadram-se nos “Agregados”, pois seu tipo de litologia
resulta em materiais para uso imediato na construção civil, dentre os quais encontramos vários tipos
de brita e de areia, além do pó de pedra, do rachão e da bica corrida. O granodiorito em questão
apresenta um baixo grau de estabilidade, o que acarreta em um grande número de fraturas no local.
Como a Votorantim Cimentos deu continuidade às atividades já iniciadas pela antiga Pedreira
Potiguar.

4.2. Lavra
O plano de fogo da unidade Macaíba da Votorantim Cimentos não se adequa totalmente as
condições geomecânicas do maciço rochoso. Além disso, a pedreira possui bancada com alturas de
12m, 16m e 21m, enquanto a altura máxima recomendada estaria entre 7m e 8m. Nessas
condições, o desmonte de rocha acaba por gerar grande quantidade de matacos e repés nas
bancadas. Isto obrigou a empresa a comprar um rompedor e alugar outro.

4.3. Beneficiamento
Dentre as etapas do beneficiamento de minérios a empresa visitada trabalha apenas com a britagem,
uma vez que o produto a ser alcançado deve apresentar granulometria média sendo que Votorantim
Cimentos (Unidade Macaíba) é capaz de produzir 7 distintos produtos finais. A empresa produz 3
diferentes tipos de brita em circuito fechado e conta com as operações de 1 britador de mandíbulas
S 3800 e 2 britadores cônicos CH 440. O material britado era classificado por peneiras, as quais
possuíam abertura primária de 152 mm, secundária de 102 mm e terciária de 19 mm
respectivamente.

4.4. Segurança do trabalho e Meio Ambiente


A Votorantim Cimentos é uma empresa historicamente compromissada com o meio ambiente em
que atua e com a segurança de seus trabalhadores. Outro ponto positivo a se destacar quanto á
questão ambiental é o cultivo de mudas nativas da região em um viveiro próprio da empresa, que
serão utilizadas em um posterior replantio da área.

Figura 2. Viveiro próprio da pedreira

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As atividades de mineração requerem a utilização de grande quantidade de água, o que diminui a


geração de poeira. A água utilizada na Unidade Macaíba provém do que é acumulado pela chuva no
lago da empresa. Logo, há uma reutilização deste recurso natural de suma importância.

Figura 3. Placas de sinalização na pedreira.

Outra política de prevenção contra acidentes no trabalho adotada pela empresa é o DDS matinal,
também conhecido como minuto da segurança, que consiste em uma mini palestra de
aproximadamente 10 minutos de duração que ocorre diariamente na pedreira, abordando tanto
fatores relacionados à segurança no trabalho quanto à segurança fora do trabalho.

Porém é importante destacar algumas medidas que a empresa deve tomar em relação aos seus
paióis, locais onde são armazenados os explosivos e os acessórios dentro da mina, cada um em seu
paiol específico (nunca se deve manter em um mesmo ambiente explosivo e acessório). Como
estamos nos tratando de materiais perigosos, é importante que os paióis sigam o modelo padrão de
segurança estabelecido Exército, atitude que reduz as chances de acidente.

Figura 4 - Paiol de explosivos da Pedreira

63
MEYER, M.F., MENEZES, R., SANTOS, E.N.D.

4.5. Sugestões Observadas


O check-list do CREA utilizado no estudo de caso possibilitou uma maior agilidade e objetividade
durante a inspeção da empresa. Porém, algumas mudanças na sequência dos itens, redistribuindo-os
segundo a sua categoria, tornariam a visita ainda mais eficiente. A ordem das categorias estabelece-
se de acordo com a sequência normal das etapas da mineração.

5. CONCLUSÕES

A atividade da mineração requer um cuidado especial, tendo em vista que seus efeitos, como são
sabidos por todos, pode ocasionar sérios danos tanto ao meio ambiente como também ao ser
humano em geral. Em função disso, o CREA criou o CHECK LIST, uma importante ferramenta
para fiscalizar as atividades mineiras. O CHECK LIST passou pelo primeiro teste e as sugestões
observadas pelos alunos foram repassadas ao professor para as possíveis alterações adotando o
mesmo como uma ferramenta que de fato contribua de maneira simples e eficaz.

6. REFERÊNCIAS

BRASIL – Min. Agric. / Min. Inter. – Levantamento Exploratório – Reconhecimento de Solos


do Rio Grande do Norte. SUDENE, Recife – PE, 531p. 1971.

CAMPOS E SILVA, A. Contribuição ao estudo do Grupo Barreiras no Rio Grande do.


Norte. Natal: Arq. Inst. Antropologia de Natal/UFRN, 1969.

KING, L. C. – A geomorfologia do Brasil oriental. Revista Brasileira de Geografia. Rio de


Janeiro, 18(2): 147-265.1956.

Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT (NBR 13029) (1993) Coletânea de Normas de
Mineração e Meio Ambiente, Companhia Vale do Rio Doce, Rio de Janeiro.

IDEMA – Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte.


Manual de zoneamento ambiental. 1ª em. Natal: IDEMA, 2002.
http://www.rn.gov.br/secretarias/idema

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IMPORTÂNCIA DA VELOCIDADE DE CORTE NA OTIMIZAÇÃO DA


ETAPA DE POLIMENTO DE ROCHAS ORNAMENTAIS

CAMARGO, J.1, SILVEIRA, L.2, DORIGO, W.3, ARTUR, A.C.4


1
Centro de Tecnologia Mineral/ES. jcamargo@cetem.gov.br
2
Centro de Tecnologia Mineral/ES. leolysil@cetem.gov.br
3
Instituto Federal do Espírito Santo. wanadorigo@gmail.com
4
Universidade Estadual Paulista/Rio Claro/SP. acartur@rc.unesp.br

RESUMO

A etapa de polimento de rochas ornamentais ocorre em politrizes, as quais podem ser semi-
automáticas ou automáticas. Em ambas as máquinas, a velocidade de rotação do satélite é
invariável, e, por consequência, a velocidade de corte, que é a distância percorrida por um rebolo
abrasivo em função do tempo, permanece constante. A possibilidade de se alterar a velocidade com
que o rebolo abrasivo passa sobre a superfície da chapa de rocha pode permitir uma otimização
desse processo. Para esta pesquisa foram definidas 24 situações operacionais distintas, nas quais
variou-se a pressão de carregamento (1 e 2 kgf/cm2), velocidade de rotação de satélite (300, 400,
500 e 600 rpm) e a exposição do satélite sobre a rocha (1, 2 e 3). Para isso, foi instalado um inversor
de frequência em uma politriz semi-automática que possibilitou a variação da velocidade de rotação
de satélite para realização dos experimentos. Assim, foram realizados os testes de polimento, sendo
cada rocha submetida a 10 sequências de rebolos abrasivos do tipo magnesiano, a saber: 24, 36, 60,
120, 220, 400, 600, 800, 1200 e lustro, totalizando 720 amostras. Os resultados mostraram que no
sistema tribológico existente no polimento de rochas ornamentais a variável rocha atua como
elemento ativo, influenciando no desgaste do rebolo abrasivo e exibindo brilho de acordo com as
propriedades petrográficas.

PALAVRAS-CHAVE: polimento; tribologia; brilho.

ABSTRACT

The polishing of dimension stones at industrial scale is done in equipments called polishing
machines, and they may be semi-automatic or automatic. In both cases the rotation speed of the
polishing head is invariable, which implies in a constant cutting speed. The possibility of changing
the speed the griding tools pass over the surface of the slab of stone could allow an optimization of
this process. For this research 24 distinct operational situations were defined, varying pressure (1 to
2kgf/cm²), rotational speed of the polishing head (300, 400, 500 and 600 rpm) and the exposure
time of the polishing head onto the slab of stone (1, 2, and 3). A frequency inverter was installed in
a semi-automatic polishing machine which allowed the variation of the speed of the polishing head
for these experiments. The polishing tests were conducted applying, to each kind of stone, 10
sequences of abrasive tools of magnesium type, namely 24, 36, 60, 120, 220, 400, 600, 800, 1200
and lustrum, totalizing 720 samples. The results showed that the stone is an active element in the
tribological system of stones polishing, wearing out more or less abrasives and showing brightness
according to the petrographic properties and depending on the solicitation imposed.

KEYWORDS: polishing; tribology; brightness.

65
CAMARGO, J., SILVEIRA, L., DORIGO, W., ARTUR, A.C.

1. INTRODUÇÃO

O setor de rochas ornamentais tem grande importância para a economia do país, além de ser uma
área em crescente desenvolvimento. Segundo dados da Abirochas (2012), as exportações do período
janeiro-setembro de 2012 atingiram US$ 805,31 milhões e 1.700.823,34 t, mantendo variação
positiva comparada ao mesmo período de 2011. Apesar do Brasil ainda atuar de forma pouco
expressiva no desenvolvimento de pesquisas, nos últimos anos houve uma significativa melhora, em
especial no setor de beneficiamento de rochas ornamentais.

O beneficiamento de rochas ornamentais compreende uma sucessão de etapas, que vai desde o
desdobramento dos blocos em chapas, conhecido como beneficiamento primário, até o acabamento
final, ou beneficiamento secundário, na qual ocorre o polimento. No que diz respeito à qualidade do
polimento, Kaschner (1996) descreve que a intensidade do brilho de uma placa de rocha é função
das propriedades refletivas dos minerais que a compõem, sendo também inversamente proporcional
à rugosidade da superfície. Portanto, a eliminação destas rugosidades herdadas na etapa de serragem
e o fechamento dos poros, existentes entre os diferentes minerais que formam a rocha, é que vão
imprimindo o brilho e o lustro de cada material. Isto se dá com a utilização de ferramentas abrasivas
que, conduzidas em um movimento circular e de atrito sobre o material vão desbastando-o até
atingir o grau de polimento desejado, utilizando de abrasivos com granulometrias decrescentes. A
qualidade final do polimento ainda encontra-se determinada somente por métodos empíricos. Como
regra geral, tal parâmetro é inferido pela granulometria dos abrasivos utilizados durante as etapas de
polimento medido com o auxílio de um medidor de brilho, utilizado ainda por poucas empresas do
setor (RIBEIRO, et al., 2004). O termo abrasivo pode ser definido como uma partícula ou grão
capaz de causar rápido ou eficiente desgaste em uma superfície sólida (STACHOWIAK e
BATCHELOR, 1993 apud SILVEIRA, 2008) para o qual há diferentes granulometrias que vão
variar em sequência decrescente de acordo com a etapa de desbaste da chapa. Os rebolos abrasivos
são ferramentas constituídas por partículas responsáveis pelo corte, imersas em matrizes cerâmicas
(cimento Sorel), ou em matrizes poliméricas (poliéster ou epóxi) (FILGUEIRA e AIGUEIRA,
2006), sendo os de matriz cerâmica chamados de abrasivos magnesianos, cuja matriz ligante é
composta de óxido de magnésio (MgO) e o elemento abrasivo carbeto de silício (SiC) e os
resinóides produzidos com liga de poliéster ou epoxídicos e elemento abrasivo o diamante. O
processo de polimento de rochas ornamentais está inserido no contexto da Tribologia, que é a
ciência que estuda o atrito de superfícies em contato gerado por um movimento relativo (ZUM-
GAHR, 1987). Foi primeiramente concebida para a área metal-mecânica, de extrema importância
na compreensão dos fenômenos físicos existentes no beneficiamento de rochas ornamentais. O
desgaste abrasivo pode ser dividido em relação ao tipo de contato, podendo este ser a dois ou três
corpos. O polimento está inserido no contexto tribológico com o desgaste do tipo a dois corpos
(rebolo abrasivo e rocha), sendo que o terceiro elemento formador do sistema é a máquina de polir e
suas variáveis operacionais. Atualmente, as principais politrizes utilizadas no beneficiamento de
rochas ornamentais são classificadas em dois tipos: semi-automáticas e automáticas. Em ambos os
casos os rebolos abrasivos são acoplados em cabeçotes, também denominados satélites, no qual,
giram em velocidade constante. Acredita-se que a variação desta velocidade pode contribuir de
forma a otimizar esta etapa.

2. OBJETIVO

Estudar a resposta que algumas rochas apresentarão quando submetidas a uma nova variável
operacional “a variação da velocidade de rotação do satélite de polir”, com intuito de otimizar a
etapa de polimento de rochas ornamentais.

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3. MATERIAIS E MÉTODOS

Para estudar a influência da velocidade de rotação de satélite no polimento, foram selecionadas para
esta pesquisa três diferentes tipos de rochas ornamentais de aspectos petrográficos, texturais e
estruturais distintos, com o objetivo de analisar os resultados em função das características
intrínsecas de cada material na ação de desgaste. Além de relacionar o tempo de exposição das
chapas ao processo, às velocidades de rotação e a pressão do satélite da politriz. A saber: o gnaisse
Preto Indiano (Figura 1A), o granito Cinza Castelo (Figura 1B) e o charnoquito Verde Labrador
(Figura 1C). O Cetem/ES adquiriu 6 chapas de rocha bruta por material estudado, num total de 101
m², para realização dos experimentos.

Figura 1. Rochas utilizadas na pesquisa: (A) gnaisse Preto Indiano, (B) monzogranito Cinza Castelo, (C)
charnoquito Verde Labrador.

O polimento das rochas citadas foi realizado em uma politriz semi-automática de um cabeçote, da
marca Cimef (Figura 2), de propriedade do Laboratório de Beneficiamento de Rochas Ornamentais
do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) – Campus Cachoeiro de Itapemirim. Os cabeçotes
giram em uma velocidade constante nas politrizes, embora alguns equipamentos atualmente já
dispõem de motores controlados por inversores de frequência, não se sabe de fato qual a influência
na qualidade do polimento, pois a introdução desse dispositivo nesses equipamentos está
relacionada à economia de energia que o mesmo pode proporcionar. Foi instalado um inversor de
frequência da marca Delta (Figura 3), modelo VFD007B23, 230 v Trifásico de 1 HP (0.75kW), o
que possibilitou a variação da velocidade de rotação do satélite em 300, 400, 500 e 600 rpm. Em
conjunto com duas cargas (1 e 2 kgf/cm²) e a exposição ao processo (1, 2 e 3), propiciaram vinte e
quatro situações operacionais distintas.

Figura 2. Politriz semi-automática. Figura 3. Inversor de frequência.

67
CAMARGO, J., SILVEIRA, L., DORIGO, W., ARTUR, A.C.

3.1. Abrasivos Utilizados

Nesta pesquisa, foram utilizadas dez sequências de abrasivos do tipo magnesianos, que variou de
forma decrescente sua granulometria (#24, #36, #60, #120, #220, #400, #600, #800, #1200, Lustro)
(Figura 4).

Figura 4. Sequência de abrasivos utilizados.

As chapas foram então submetidas ao polimento (Figura 5A), na qual se variou a carga da politriz, a
velocidade de rotação do satélite e a exposição ao processo. Para cada situação operacional foi
coletada uma amostra em cada granulometria (Figura 5B), o que totalizou 240 amostras por rocha.
Em cada corpo de prova coletado foram realizadas 30 medições de brilho, com o auxílio de um
glossmeter modelo micro-tri-gloss da marca Gardner, gerando um total de 7200 medidas por
rocha(Figura 5C).

Figura 5. Etapas realizadas na pesquisa. (A) Polimento das chapas; (B) Recorte das amostras; (C) Medição do
brilho nos corpos de prova.

Após o polimento, os três diferentes tipos de rochas foram nomeados adotando uma nomenclatura
correspondente para cada etapa, de acordo com a figura abaixo:

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Figura 6. Exemplo da nomenclatura alfa numérica utilizada na pesquisa.

Legenda:
 Rocha: Verde Labrador/VL;
 Velocidade de Rotação do Satélite (RPM): 1=300; 2=400; 3=500; 4=600;
 Pressão de Carregamento do Satélite (Kgf/cm²): A=1; B=2;
 Exposição do satélite sobre a rocha: 1; 2; 3;
 Abrasivos (Mesh): 24; 36; 60; 120; 220; 400; 600; 800; 1200; Lustro.

4. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

Na Tabela I apresenta os resultados tribológicos de polimento com ênfase no maior brilho obtido
com uso de abrasivos da granulometria 120 mesh ao lustro para as três rochas estudadas.

Tabela I. Síntese dos resultados tribológicos de polimento.


ABRASIVO VELOCIDADE DE ROTAÇÃO
ROCHA MAIOR BRILHO NOMENCLATURA
(mesh ) DE SATÉLITE (rpm)
VL 14,80 2B3 400
120 CC 11,00 2B2 400
PI 18,40 1B3 300
VL 21,70 3B3 500
220 CC 18,90 4B3 600
PI 23,30 2B3 400
VL 40,40 2B2 400
400 CC 35,10 3B3 500
PI 40,10 1B3 300
VL 50,80 2A3 400
600 CC 58,80 4B3 600
PI 54,40 3B2 500
VL 63,10 1B3 300
800 CC 65,60 2B3 400
PI 67,50 2B2 400
VL 71,20 4B3 600
1200 CC 72,20 1B3 300
PI 77,00 3B3 500
VL 86,70 2B2 400
LUSTRO CC 84,00 1A3 300
PI 84,80 2B3 400

A análise dos resultados permite afirmar que os maiores valores de brilho foram obtidos em
situações operacionais distintas para os três tipos petrográficos testados. Este fato indica que as
propriedades petrográficas das rochas constituem os fatores determinantes no controle das demais
variáveis operacionais, inclusive influencia no consumo de abrasivos e na obtenção do brilho final.

69
CAMARGO, J., SILVEIRA, L., DORIGO, W., ARTUR, A.C.

Cabe salientar que a velocidade média de rotação do satélite de polir em politrizes semi-automáticas
e automáticas é de 550 rpm.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com as informações adquiridas nesta pesquisa constatou-se que o aumento da velocidade
com que os abrasivos passam pela superfície da chapa não implica no acréscimo de brilho (Tabela
1). A velocidade de rotação de satélite média/baixa (400/300rpm), na maior parte dos casos,
influenciou na obtenção dos melhores resultados de brilho.

Notou-se também que, em geral, os maiores valores de brilho foram alcançados quando foi
conjugada a maior pressão do satélite (2 kgf/cm²) com a exposição máxima ao processo (3). Esta
combinação garantiu maior capacidade de desbaste, planificação e fechamento dos poros na
superfície da chapa.

6. REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE ROCHAS ORNAMENTAIS


(ABIROCHAS). Balanço das exportações e importações brasileiras de rochas ornamentais no
período de janeiro a setembro de 2012. São Paulo. Disp.:
http://www.ivolution.com.br/news/upload_pdf/11360/Informe_13_2012.pdf. Acessado em: 10 de
novembro de 2012.

FILGUEIRA, M., AIGUEIRA, R. Mecanismos de resistência à abrasão de compósitos à base de


Poliéster-SicC para uso em coroas de polimento de Rochas Ornamentais. Polímeros: Ciência e
Tecnologia. Vol. 16, n° 3, p. 187-192, 2006.

KASCHNER, D. Tecnologias para beneficiamento. In: ARAÚJO, E.S.; LACERDA FILHO,


J.V., FERREIRA, M.C.B.; ARAÚJO, V.A. (orgs.). Anais do II Encontro do Centro-Oeste sobre
Granitos, Mármores e Pedras Ornamentais. p. 1-11, 1996.

RIBEIRO, R. P. Influências das características petrográficas de granito no processo industrial de


desdobramento de blocos. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. Escola de Engenharia de
São Carlos. São Carlos, 205p., 2005.

SILVEIRA, L. L. L. Polimento de Rochas Ornamentais: Um Enfoque Tribológico ao Processo.


2008. 203p. Tese (Doutorado) - Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo
(Brasil).

ZUM-GAHR, K. H. Microstructure and wear of materials. Institute of Materials Technology.


University of Siegen, Siegen, Federal Republic of Germany, v.10, 358p., 1987.

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XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

INFLUÊNCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA NA SEDIMENTAÇÃO CAULIM


DO EQUADOR/RN

PINHEIRO, V.S.1, LEITE, J.Y.P.2


1
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte. viviane_vsp@yahoo.com.br
2
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte. jyp.leite@ifrn.edu.br

RESUMO

A qualidade da água é de grande importância na flotação de minérios. Espécies químicas


dissolvidas no meio aquoso competem com o íon coletor para adsorver-se na superfície da partícula.
Essa competição pode trazer resultados que comprometem de maneira negativa a eficiência da
flotação. Esse trabalho tem como objetivo principal estudar a qualidade da água para sedimentação
de caulim do município de Equador, no Rio Grande do Norte. Inicialmente foi realizada análise
físico-química na água e posterior tratamento via flotação por ar dissolvido para remoção de
contaminantes. Em seguida foi realizado teste de flotação por ar dissolvido (FAD) usando como
meio aquoso: água bruta de Equador. A aplicação da água bruta e tratada foi usada com a finalidade
estudar os melhores parâmetros para sedimentação. Os resultados da análise de água mostraram
elevada quantidade de sais dissolvidos, com condutividade elétrica de 5210µS/cm e 955,50 mg/L
CaCO3 de dureza total; 127, 3 mg/L Ca+2 dureza de cálcio e 155,08 mg/L Mg+2 dureza de magnésio.
A medição de pH determinou valor de 7,53. O sódio encontrado pela técnica de fotometria por
chama foi de 528 mg/L Na+.

PALAVRAS-CHAVE: qualidade de água; sedimentação; flotação; caulim; mica.

ABSTRACT

The water quality is very important to mining flotation. Chemical species dissolved in water
compete with ion collector to particle surface. This competition can bring results that undertake in
negative way to flotation efficiency. This paper aims to study the water quality to kaolin flotation in
Equador county, at Rio Grande do Norte. Initially was realized physico-chemical analysis in water
and after treatment by dissolved air flotation to remove contaminants. Flotation tests was realized
at dissolved air flotation to aim the best removal contaminants. The results of water analysis showed
high levels of dissolved salts, 5210µS/cm of electrical conductivity and 955,50 mg/L CaCO3 total
hardness; 127, 3 mg/L Ca+2 calcium hardness and 155,08 mg/L Mg+2 magnesium hardness. The pH
measurement was 7,53. Sodiun found by technical by flame fhotometry was 528 mg/L Na+.

KEYWORDS: water quality; sedimentation; flotation; kaolin; mica.

71
PINHEIRO, V.S., LEITE, J.Y.P.

1. INTRODUÇÃO

O termo caulim é designado para denominar a rocha que contém a caulinita e também o produto do
beneficiamento. É uma rocha de granulometria fina, abaixo de 325 #. De acordo com Grim (1958)
apud Luz et al. (2004) é uma rocha constituída por material argiloso e de baixo teor de ferro. A
composição química do caulim é Al2O3.2SiO2.2H2O sendo assim chamado de silicato de alumínio
hidratado. Normalmente, o caulim do Nordeste Brasileiro é originado de rochas feldspáticas
enquanto que o de ocorrência no nordeste do Pará e região amazônica tem origem sedimentar
(Santos, et al., 2010).

As principais propriedades do caulim são a alvura, apresenta cor branca ou quase branca. É
quimicamente inerte podendo ser usado como carga de enchimento. É refratário, tem dispersão
fácil, baixa condutividade térmica e elétrica.

Na literatura foi encontrado trabalho científico de caracterização de caulim na qual a qualidade está
relacionada à elevada quantidade de caulinita e pequena quantidade de elementos contaminantes
(Santos, et al., 2010).

O caulim tem uma variedade de propriedades que atribui uso em várias áreas da indústria, como por
exemplo, na indústria cerâmica, na produção de fibra de vidro, na fabricação de materiais
refratários, no concreto, na produção de borracha e plásticos, na formulação de tintas e
principalmente na indústria de papel (Bertolino, et al., 2010).

O presente trabalho apresenta o estudo do caulim proveniente dos pegmatitos da região Seridó, na
cidade de Equador, Rio Grande do Norte (RN). O beneficiamento do caulim é feito passando-se o
caulim bruto sobre peneiras de diferentes aberturas seguidas de tangues de sedimentação. Após
obter o produto -325# o mesmo é passado por um filtro prensa para remoção do excesso de água.

Na etapa de sedimentação as fases sólidas e líquidas são separadas pela diferença de densidade
entre as fases. Para partículas sólidas de pequeno tamanho a eficiência de separação é baixa,
portanto torna-se necessária aperfeiçoar a operação com adição de floculante (Nunes, 2008).

Durante a etapa de sedimentação nos tangues, foi observado que devido ao pequeno tamanho das
partículas, o tempo de sedimentação é elevado. Dessa forma, ensaios foram realizados de maneira
que possa verificar o tempo de sedimentação e otimizar o processo existente com uso de floculante.
Então foram realizadas análises físico-químicas da água da cidade de Equador, ensaios de
sedimentação e densidade real.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

2.1. Análise físico-química da água

O método utilizado para as análises de dureza total, de cálcio e magnésio foram por titulometria
utilizando o ácido EDTA. Os demais parâmetros de alcalinidade total, alcalinidade de bicarbonatos
e bicarbonato também foram determinados pelo método da titulometria. O pH e a condutividade
elétrica foram aferidos por potenciometria. O sódio foi encontrado pela técnica de fotometria de
chama. A concentração de ferro dissolvido e nitrato na água foi medida pela técnica da colorimetria.

72
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on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

2.2. Ensaio de Sedimentação

O ensaio de sedimentação foi realizado pelo método da proveta. Foi utilizada uma proveta de 1 L e
uma polpa de concentração de caulim de 20%. Inicialmente a polpa foi homogeneizada e colocada
na proveta. Minutos após a agitação foi observada a formação da interface sólido-líquido. Os pontos
coletados para curva de sedimentação foram medidos a cada 5 minutos. No termino do ensaio não
ocorre mais a sedimentação das partículas de caulim onde se observou as partículas compactadas no
fundo da proveta. Ao completar 24 h foi marcada a altura da interface. O reagente comercial do tipo
floculante foi preparado numa concentração de 0,5 mg.g-1 para acelerar a velocidade de
sedimentação.

2.3. Ensaio de Densidade Real

O ensaio de densidade real é feito levando em consideração apenas à parte sólida e desconsiderando
o peso da água, do ar e os espaços vazios existentes entre os grãos. O método utilizado foi o do
picnômetro. A densidade real do sólido foi calculada de acordo com a seguinte equação:

( Pp  amostra)  ( Pp)
DR  (1)
( Pp  água)  ( Pp  amostra)  ( Pp)  ( Pp  água  amostra)

Onde: DR significa densidade real e Pp o peso do picnômetro.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1. Análise físico-química da água

As análises físico-químicas da água de Equador/RN estão apresentadas na Tabela I.

Tabela I. Caracterização físico-química da água utilizada nos tanques de sedimentação de caulim. Portaria MS
Nº 2914 DE 12/12/2011 (Federal); (ND) - Não Determinado pela Legislação.
Parâmetros Limites Permissíveis Resultados
Condutividade elétrica, µS/cm ND 5210,00
pH ND 7,53
Alcalinidade Total, mg/L CaCO3 ND 44,35
Alcalinidade a Bicarbonatos, mg/L CaCO3 ND 44,35
Dureza Total, mg/L CaCO3 500 955,50
Dureza de Cálcio, mg/L Ca+2 ND 127,30
Dureza de Magnésio, mg/L Mg+2 ND 155,08
+
Sódio, mg/L Na 200 528,00
Nitrato, mg/L N 10 0,01
+2
Ferro dissolvido, mg/L Fe 0,3 0,01
Bicarbonato, mg/L HCO3- ND 54,11

Os resultados apresentados na tabela mostram que a água contém elevadas quantidades de sais
dissolvidos. Esse fato pode ser evidenciado inicialmente com a medição de condutividade elétrica
que apresenta valores na ordem de 5210, 00 µS/cm. Os valores de dureza também demonstram a
grande quantidade de sais na água. De acordo com o limite determinado pela legislação (500 mg/L)
73
PINHEIRO, V.S., LEITE, J.Y.P.

o resultado de dureza total encontra-se superior ao estabelecido. O teor de nitrato mostrou-se de


forma positiva com valores abaixo do limite permitido, de 10 mg/L N, pela Portaria MS N° 2914.

3.2. Ensaio de Sedimentação

No ensaio de sedimentação foram medidos três pontos a cada 5 minutos e o quarto após 24 horas.
As curvas de sedimentação estão representadas nas Figuras 1, 2 e 3.

Figura 1. Curva de sedimentação resultante do ensaio de proveta para partículas +200 #.

Os resultados mostras os testes para dois tipos de água: água bruta de Equador e água flotada de
Equador. Ambas foram testadas também com adição de floculante. Os resultados da água bruta e
água flotada (curva azul e vermelha) apresentam resultados similares na Figura 1. Isto mostra que a
qualidade da água de Equador comparada com a água flotada teve pouca influência na
sedimentação das partículas de caulim.

A velocidade de sedimentação é diretamente proporcional ao tamanho das partículas, por isso


partículas de tamanhos menores tem baixa velocidade de sedimentação. Isso significa que há
necessidade de acrescentar um reagente do tipo floculante para acelerar a velocidade de
sedimentação.

Com a adição de floculante as curvas (verde e lilás) mostram que alturas da interface diminuíram
significativamente. Porém a água flotada de Equador com adição de floculante apresentou melhor
resultado.

74
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on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

Figura 2. Curva de sedimentação resultante do ensaio de proveta para partículas -200 # + 325 #.

A Figura 2 mostra resultado para partículas de tamanho -200 # + 325 # com comportamento
semelhante à Figura 1. O aumento na velocidade de sedimentação é visualizado para o teste feito
com água flotada de Equador com floculante. Isto é em razão da ação do floculante em conjunto
com a água tratada por flotação que apresentou qualidade superior.

Figura 3. Curva de sedimentação resultante do ensaio de proveta para partículas - 325 #.

A curva de sedimentação mostra que para as três amostras analisadas o deslocamento da interface é
feito de maneira lenta. Isto ocorre principalmente na amostra – 325 # devido ao pequeno tamanho

75
PINHEIRO, V.S., LEITE, J.Y.P.

da partícula que oferece maior resistência ao deslocamento. O aumento na velocidade de


sedimentação ocorre nos ensaios com floculante.

3.3. Ensaio de Densidade Real

A densidade real está representada na Tabela II. As amostras nas três diferentes granulometrias
possuem valores de densidade aproximados. Essa diferença é devido à presença de minerais
contaminantes em menor ou maior quantidade em cada faixa granulométrica. Estima-se que a
contaminação seja principalmente de quartzo e mica. Sampaio e Silva (2007) mostraram o resultado
de densidade real de um caulim dos pegmatitos do Rio Grande do Norte é de aproximadamente
2,33g/cm3.

Tabela II. Densidade real das amostras do processo de produção de caulim.


Amostra Densidade Real Desvio Padrão
+200 # 2,27 ± 0,050
-200 # +325 # 2,41 ± 0,109
-325 # 2,39 ± 0,053

4. CONCLUSÕES

A partir dos resultados obtidos neste trabalho pode-se afirmar a necessidade de adicionar um
reagente floculante para melhorar a velocidade de sedimentação nos tangues de caulim. Dessa
forma, permite reduzir perda de tempo na produção de caulim e melhoria no processo existente.

Os resultados da análise de água mostraram quantidade considerável de sais dissolvidos. Estes


elementos podem ter alguma influencia no resultado de sedimentação. Na água de Equador flotada
observou-se uma melhora na velocidade de sedimentação quando comparada a água bruta. Isto é
devido à remoção de contaminantes na etapa de flotação.

5. REFERÊNCIAS

BERTOLINO, L. C., ROSSI, A. M., SCORZELLI, R. B., TOREM, M. L. Influence of iron on


kaolin whiteness: An electron paramagnetic resonance study. Applied Clay Science v. 49, p. 170–
175, 2010.

LUZ, A. B, ALMEIDA, S. L. M. Estudo de Beneficiamento de Caulins Brasileiro. Comunicação


Técnica para VII Jornadas Argentinas de Tratamiento de Minerales. Buenos Aires, Argentina. Pág.
244-254. 20 a 22 de Outubro 2004.

NUNES, J. F. Estudo da Sedimentação Gravitacional de Suspensões Floculentas. Dissertação de


Mestrado. Pós-Graduação em Engenharia Química, Universidade Federal de Uberlândia, 80 p.,
2008.

SAMPAIO, J. A. SILVA, F. A. N. G. Determinação das Densidades de Sólidos e de Polpa. In.:


Tratamentos de Minérios: Práticas Laboratoriais. SAMPAIO, J. A., FRANÇA, S. C. A., BRAGA,
F. A. B. (editores), Rio de Janeiro: CETEM/MTC p. 35-51, 2007.

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on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

SANTOS, L. R., MELCHIADES, F. G., BISCARO, E., FERRARI, A., BOSCHI, A. O. Avaliação
de caulim sedimentar do Estado do Pará como matéria-prima para o setor cerâmico. Parte I.
Caracterização físico-química. Cerâmica Industrial, p. 19-24, Setembro/Dezembro, 2010.

77
Beneficiamento de rochas
ornamentais

Ornamental rocks processing

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ASPECTOS DE MEIO AMBIENTE E SEGURANÇA DO TRABALHO NA


UTILIZAÇÃO DA ARGAMASSA EXPANSIVA PARA EXTRAÇÃO E
BENEFICIAMENTO DE ROCHAS ORNAMENTAIS

MEYER, M.F.1, MENEZES, H.P.2, SANTOS, R.N.D.3, PONTES, J.C.4


1
Professor - IFRN. mf.meyer@hotmail.com
2
Aluna - IFRN. hydayanasej@hotmail.com
3
Aluna - IFRN. raquelrn10@hotmail.com
4
Professor - IFRN. juliocp@terra.com.br

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo analisar os fatores que influenciam diretamente ou
indiretamente no meio ambiente e na Segurança do trabalho utilizando a argamassa expansiva no
setor de rochas ornamentais comparados com outros métodos de extração nos aspectos da relação
custo benefício e aplicação da argamassa expansiva. Os resultados práticos foram obtidos através do
levantamento de dados da viagem de campo ao município de Casserengue – PB em visita a pedreira
Top Stone onde é realizado somente o método de lavra tendo como principal produto explorado o
Granito Preto São Marcos e na Granfuji Mármores e Granitos Ltda localizada no município de
Campina Grande – PB na qual se realiza todo o processo de beneficiamento do granito. Portanto
neste estudo de caso através da coleta de dados de campo e uma revisão bibliográfica de dados
relativos á técnica de utilização da argamassa expansiva foi possível observar a vantagem de utilizar
argamassa expansiva principalmente nos aspectos de segurança do trabalho na lavra e meio
ambiente no beneficiamento do granito.

PALAVRAS-CHAVE: argamassa expansiva; meio ambiente; segurança do trabalho.

ABSTRACT

This study aims to analyze the factors that influence directly or indirectly on the environment and
the safety of the work using the expansive mortar in the stone industry compared with other
extraction methods in the aspects of cost benefit and application of expansive mortar. The practical
results were obtained from data collection of field trip to the city of Casserengue - PB visiting the
quarry Top Stone is performed only where the mining method and its main product exploited the
Black Granite St. Mark and Granfuji Marble Ltd located in Campina Grande - PB takes place in
which the whole process of processing of granite. So in this case study surveyed the field with the
record photos and a literature review of technical data relating to the use of expansive mortar was
possible to observe the advantage of using expansive grout especially in terms of work safety in
mining and environment the processing of granite.

KEYWORDS: expansive mortar; environment; safety.

81
MEYER, M.F., MENEZES, H.P., SANTOS, R.N.D., PONTES, J.C.

1. INTRODUÇÃO

O Brasil é o quinto maior produtor de rochas ornamentais e revestimentos do mundo. Classificação


esta adquirida devido que suas empresas possuem uma visão global da indústria extrativa do setor
de rochas ornamentais. A empresa Granfuji (mármores e granitos), é uma dessas. Apresentando um
parque industrial moderno sendo dotada de equipamentos de última geração, voltados a atender as
mais exigentes demandas de mercado garante produtos de excelência de acordo com os padrões
internacionais de qualidade.

A importância desta empresa no Brasil está vinculada á sua destacada diversidade, com grande
disponibilidade de variedades de materiais. Apresentando-se como uma empresa em constante
expansão. A Top Stone Granitos e Mármores Ltda é uma empresa brasileira especializada em
exportação de granitos, foi idealizada por um grupo empresarial que atua há mais de 43 anos no
mercado de mineração de agregados, utilizados na construção civil, vislumbrando com isso,
expandir seu know-how de qualidade e atendimento para o setor de rochas ornamentais e assim
atender de forma satisfatória o mercado interno e externo.

A Granfuji e a empresa responsável pelo beneficiamento das rochas Ornamentais recebe material de
várias pedreiras, sendo a Top Stone a principal, designada como mina a céu aberto de maciços
rochosos. Ela é composta por três frentes de lavra, dos tipos fossa e poço, sendo duas fossas e um
poço, com bancadas altas e baixas. A tecnologia da empresa é bastante avançada. Os equipamentos
são de alta qualidade com maquinas italiana (Gaspari Menotti) de alta tecnologia com programação
computadorizada. As empresas acima citadas se localizam no estado Paraíba conforme o mapa
abaixo.

Figura 1. Mapa de localização das duas cidades (Campina Grande e Casserengue – PB).

A escolha do método de lavra nas rochas ornamentais é uma das decisões mais importantes que são
tomadas durante o estudo de viabilidade econômica (custo x benefício), e de introdução delas no
mercado, pois o melhor método é aquele com a menor quantidade de perdas (rejeito) durante a
produção de blocos. Também vale destacar o reaproveitamento da água na parte do
beneficiamento.

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2. ARGAMASSA EXPANSIVA

O uso da argamassa expansiva é um dos métodos mais procurados pelas empresas extrativistas,
devido às suas grandes vantagens comparados por outros métodos utilizados para tal objetivo.
Vantagens essa referente ao custo-benefício e as questões do meio ambiente e segurança do
trabalho.

Ao utilizar esse método da Argamassa expansiva, observamos que o impacto no meio ambiente é
pequeno comparado a outros métodos de lavra, como (método do jet flame, método de retirada
manual, método por uso de explosivos, método do fio diamantado nas rochas ornamentais).

A argamassa expansiva, aplicada ao longo de furos alinhados e devidamente espaçados, exerce nas
paredes dos furos uma pressão de expansão, em todas as direções, agindo como um esforço
compressivo. As forças dessa compressão induzem reações de tensões trativas, nos planos
perpendiculares àquelas forças compressivas atuantes no plano dos furos, promovendo, desta
maneira, a ruptura da rocha por tração.

Figura 2. Modo de preparo da argamassa expansiva.

O tempo de reação, para geração de um corte, varia em função da temperatura ambiente, do


espaçamento dos furos, das características petrológicas e mecânicas da rocha, além do seu aspecto
textural, e da quantidade e tipo de argamassa a ser usada. A pressão de expansão exercida pelo
produto pode chegar a 800 kg/cm2. Destaca ainda aspectos positivos relacionados à segurança do
trabalho e ao meio ambiente, visto ser um produto não toxico, de manuseio seguro, silencioso e
absolutamente inofensivo.

3. EXTRAÇÃO: ROCHAS ORNAMENTAIS

O processo de extração das rochas ornamentais depende de fatores diversos como: características
petrográficas e estruturais da rocha; método de lavra utilizado; valor mercadológico do material;
meio ambiente; e das disponibilidades financeiras da empresa.

Como e empregada à argamassa expansiva no processo de extração dos blocos estocados: As


argamassas expansivas são utilizadas para um melhor desempenho operacional das pedreiras, tanto
na extração em maciços rochosos, como na extração de capeados e matacões, e nos mais diversos
tipos de materiais, sejam granitos das mais variadas cores e texturas, quartzitos, mármores, etc.

83
MEYER, M.F., MENEZES, H.P., SANTOS, R.N.D., PONTES, J.C.

Figura 3. Blocos de granito após a utilização da argamassa.

Aplicações

A argamassa tem a finalidade de demolir qualquer formação rochosa, concreto armado, estruturas
de tijolos onde por razões de segurança ou preservação do meio ambiente. Ela é utilizada para
execução dos seguintes trabalhos:
• Demolição de fundações;
• Demolição de quebra-mares;
• Demolição de obras de tijolo ou refratários;

Elas são utilizadas tanto em lavras a céu aberto quanto em subterrânea. Na mineração:
• Blocos soltos
• Abertura de valas
• Demolições
• Abertura de frente de desmonte
• Corte de blocos para indústria de rocha ornamental.

4. MEIO AMBIENTE

Como todo processo da extração, a de rochas ornamentais também gera impactos visuais e
degradação do meio ambiente, gerados pela extração dos blocos, necessário para a confecção de
placas. Quanto à preservação, a pedreira Top Stone não cumpria todas as normas, observando assim
irregularidades, causando danos ao meio ambiente próximo à retirada do material rochoso, como foi
visto: alterações paisagísticas, formação de crateras, alteração do nicho dos seres que compõem esse
ecossistema, também foi observada uma grande precariedade quanto à utilização do rejeito gerado
durante a lavra de rochas ornamentais, os blocos rochosos são espalhados por todo o espaço de
forma altamente desarticulada, não obedecendo a um critério de reutilização de rejeitos, o
carregamento dos furos com a massa expansiva é feita de forma bem rudimentar, onde os
funcionários se arriscam ficando pendurados nos maciços rochosos fazendo o carregamento sem
nenhum tipo de equipamento de segurança e suporte, ficando propícios a qualquer tipo de
intervenção externa durante a realização de seus trabalhos na mina.

84
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
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Figura 4. Blocos rochosos espalhados

Mas algumas áreas vêm sendo implementados métodos de preservação, como replantio da área
degrada, onde vemos figuras abaixo:

Figura 5. Viveiro de mudas para replantio da área.

O compromisso com o meio ambiente pôde ser facilmente observado durante a visita a empresa
Granfuji. Ela desenvolve um programa de reciclagem e apresenta uma planta de tratamento de água.
Cerca de apenas 5% da água é perdida no sistema, graças á adição de um polímero e sistema de
decantação e reaproveitamento da lama com separação sólido-liquido por prensas.

Figura 6. Sistema de coleta seletiva e planta de recuperação de água.

85
MEYER, M.F., MENEZES, H.P., SANTOS, R.N.D., PONTES, J.C.

Figura 7. Filtro Prensa.

Com isso tanto o meio ambiente quanto a empresa ganha com sua forma de trabalhar com o
reaproveitamento da água, o impacto ambiental e preservado.

5. SEGURANÇA DO TRABALHO

Pode ser entendida como o conjunto de medidas que são adotadas visando eliminar ou minimizar os
acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, bem como proteger a integridade e a capacidade de
trabalho do trabalhador.

A segurança, em muitos locais de extração mineral, é um item indispensável na prevenção contra


acidentes, pois, sem ela a vida do trabalhador corre risco. Foram observados de forma bem visível à
falta de estrutura e organização na segurança do trabalho na mina em visita a pedreira Top Stone,
uma vez que não são utilizados ou são bem pouco utilizados os EPI’S necessários à prevenção dos
trabalhadores em seu ambiente de trabalho, ou seja, botas, luvas, capacetes, protetores auriculares,
entre outros tipos de EPI’S não são levados a sério como devem ser levados nessa empresa, embora
todos que fazem parte dela saibam perfeitamente dos riscos que são expostos ao não utilizarem tais
equipamentos de segurança.

Figura 8. Operação inadequada de carregamento de furos e queda de blocos.

Outro problema que a Top Stone enfrenta em sua lavra é que as cristas das bancadas não são
sinalizadas o que pode gerar graves acidentes para que possa haver uma reestruturação nos hábitos

86
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on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

de trabalho dessa empresa, faz-se necessário uma política de mudanças que vai desde a parte
ambiental, como a utilização de rejeitos, por exemplo, até a parte que envolve os meios de
segurança do trabalho e melhoria na qualidade de via dos funcionários.

Em campina Grande, na empresa Granfuji Mármores e Granitos, o meio ambiente e a Segurança do


trabalho são dois pontos importantíssimos no quesito organização. Na Granfuji são beneficiados os
blocos de rochas ornamentais vindos de toda a Paraíba, incluindo os que são lavados em
Casserengue, bem como de estados vizinhos, e todo esse processo e feito por máquinas, com isso o
cuidado com a segurança se torna ainda mais complexa.

Os funcionários utilizavam os equipamentos de segurança de acordo com a norma, como por


exemplo: protetores auriculares; óculos, capacete, placas de alerta e corrimão nas escadas.

Figura 9. Utilização correta dos EPI’S.

Há na empresa um projeto de segurança do trabalho muito bem elaborado, que inclui o uso de
EPI’S, de faixas de sinalização, de placas de orientação, de extintores de incêndio de todos os tipos,
dentre outros métodos de segurança utilizados. Quanto a essa questão foi observado durante a visita
que os funcionários utilizavam de EPI pra realização de suas atividades há um mapa de risco em
local visível. A Granfuji honra o nome da empresa por fazer todo um esforço de manter de pé a
bandeira do meio ambiente e da segurança do trabalho de forma tão ativa, uma vez que não se torna
fácil fazer com que todos os funcionários usem os EPI’S recomendados.

Figura 10. Mapa de Risco do setor Talha Blocos.

87
MEYER, M.F., MENEZES, H.P., SANTOS, R.N.D., PONTES, J.C.

6. CONCLUSÕES

Há cinco anos no mercado, a empresa Top Stone Granitos e Mármores Ltda se especializaram na
comercialização de rochas ornamentais brasileiras, oferecendo uma gama de produtos que são
vendidos para diversos mercados do mundo. A Top Stone possui uma licença ambiental, tornando-
se assim, um instrumento de proteção e melhoria no meio ambiente. A empresa utiliza para a
extração dos blocos a argamassa expansiva e fio diamantado que é usado na separação dos blocos.

O uso da argamassa expansiva tem grande importância em locais próximo às comunidades onde
vibrações, lançamentos de fragmentos, poeiras, ruídos etc. não são provocados em comparação com
os explosivos, assim diminuindo os conflitos existentes entre a empresa de mineração e a
população, além de possuir inúmeras vantagens na segurança do trabalhador, na área ambiental e
comparados com outros métodos de mesma finalidade.

7. REFERÊNCIAS

FICHA técnica – Argamassa expansiva de encunhamento.


<http://www.quimiflex.com/fichatecnica/FichaTecnica-ArgamassaExpansiva.pdf>. Acesso em 15
de Maio de 2011.

EXPLONORTE perfuração e desmonte de rocha.<http://www.explonorte.com/>. Acesso em 15 de


Maio de 2011.

MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA. Projeto cadastro de fontes de abastecimento por água


subterrânea – Estado de Paraíba –Diagnóstico do município de casserengue
<http://www.cprm.gov.br/rehi/atlas/paraiba/relatorios/CASS055.pdf>. Acesso em 16 de Maio de
2011.

CHIMICA EDILE.<http://www.chimicaedile.com.br/site/produtos_fractag.html>. Acesso em 18 de


Maio de 2011.

NETO, Tito. Problemas Gerados pela Extração de Rochas e Propostas para Mitigação do Impacto
Sonoro: Rio de Janeiro – RJ, Junho de
2006.<http://teses.ufrj.br/COPPE_M/TitoLuizDeAraujoNeto.pdf>. Acesso em 19 de Maio de 2011.

SOUSA, Antônio. Desenvolvimento de argamassa expansiva para lavra de rochas ornamentais


utilizando minerais não-metálicos da Região Nordeste do Brasil, 2007
<http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=9526
9>. Acesso em 21 de Maio de 2011.

88
Bio-hidrometalurgia

Bio- hydrometallurgy

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on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

BIOLIXIVIAÇÃO DE CALCOPIRITA NA PRESENÇA DE ÍONS CLORETO


VELOSO, T.C.1, MARTINS, F.L.2, SILVA, C.H.3, SILVA, L.A.M.D.4, PEIXOTO, J.J.M.5,
LEÃO, V.A.6
1
Universidade Federal de Ouro Preto. taciaveloso@yahoo.com.br
2
Universidade Federal de Ouro Preto. flaviol_martins@hotmail.com
3
Universidade Federal de Ouro Preto. carloshenrique2801@yahoo.com.br
4
Universidade Federal de Ouro Preto. larissamel10@yahoo.com.br
5
Universidade Federal de Ouro Preto. johnepeix@yahoo.com.br
6
Universidade Federal de Ouro Preto. versiane@demet.em.ufop.br

RESUMO

A calcopirita apresenta uma baixa taxa de dissolução durante a lixiviação em meio sulfúrico devido
ao fenômeno de passivação que ocorre durante a sua oxidação. Com o objetivo de aperfeiçoar o
processo de lixiviação da calcopirita investigam-se parâmetros que objetivam minimizar a intensa
passivação desse mineral. Há estudos que indicam que a utilização de micro-organismos termófilos
ou a presença de íons cloretos na solução lixiviante permitem obter uma maior extração de cobre.
Por esta razão, neste estudo buscou-se investigar o efeito da concentração de íons cloreto na
biolixiviação da calcopirita com micro-organismos termófilos extremos (S. acidocaldarius). Para
tanto, ensaios de biolixiviação foram realizados com um concentrado calcopirítico e com um
concentrado de sulfetos secundários de cobre. Os ensaios foram realizados em erlenmeyers de
250mL contendo 100mL de solução e densidade de polpa de 2.5% (p/v), mantidos em um shaker
termostatizado, a 70°C e a 150min-1 de agitação. A concentração do ânion em solução variou de 0 a
1mol/L. Os resultados obtidos mostraram que a presença dos íons cloreto nos sistemas de
biolixiviação favoreceu tanto a cinética de extração quanto a recuperação cobre. Nos ensaios com o
concentrado calcopíritico, sem a adição de cloreto, a extração de cobre não ultrapassou 30%
decorridos nove dias de experimento; já na presença de 0,5mol/L de cloreto a extração foi de 100%.

PALAVRAS-CHAVE: biolixiviação; calcopirita; íons cloreto; micro-organismos termófilos


extremos.

ABSTRACT

Chalcopyrite has a very low dissolution rate in sulfuric acid solutions, which is attributed to the
passivation of its surface, during oxidative leaching with oxygen or ferric iron, although extensive
research has been carried out aiming at improving such kinetics. It has been discovered that either
bioleaching by thermophilic microorganisms or chemical leaching in the presence of chloride ions
improve copper extraction from chalcopyrite. Nevertheless, studies comprising the combination of
these two parameters, namely chalcopyrite bioleaching by thermophilic microorganisms in the
presence of chloride ions, which is addressed in the present work, has been hardly described so far.
Bioleaching experiments were performed with an 86% chalcopyrite concentrate in the presence of a
strain of S. acidocaldarius. A series of 250mL Erlenmeyer flasks, containing DSMZ medium
(100mL) and each copper concentrate (2.5% a pulp density) were stirred in a shaker, at 150min -1
and 70°C. Chloride concentrations varied from 0 to 1mol/L. In the absence of chloride ions, copper
extractions did not exceed 30%, while 100% extraction was achieved with 0.5 mol/L chloride, after
nine days of bioleaching. Therefore, bioleaching with chloride ions can improve both metal
recovery as well as the kinetics of copper extraction from chalcopyrite.

KEYWORDS: bioleaching; chalcopyrite; chloride ions; extreme thermophilic microorganisms.

91
VELOSO, T.C., MARTINS, F.L., SILVA, C.H., SILVA, L.A.M.D., PEIXOTO, J.J.M., LEÃO, V.A.

1. INTRODUÇÃO

A obtenção de cobre a partir de minerais sulfetados dá-se majoritariamente por rotas


pirometalúrgicas. A busca por meios alternativos, como a hidrometalurgia, para o processamento
desses minerais é estimulada pelos problemas relacionados à pirometalurgia, tais como altas
emissões de dióxido de enxofre, mercado saturado de ácido sulfúrico, altos custos de operação e,
principalmente, limitações devido à presença de impurezas, como flúor, cloro e arsênio, nos
concentrados.

Por outro lado, a hidrometalurgia também possui suas limitações, especialmente quando se trata da
calcopirita (CuFeS2). A calcopirita mostra uma baixa taxa de dissolução devido ao fenômeno de
passivação que ocorre durante a sua oxidação e cujas causas vêm sendo constantemente estudadas.
Alguns autores propõem que durante a oxidação da calcopirita em meio sulfúrico, forma-se uma
camada de enxofre elementar que impede a transferência de elétrons, e, consequentemente, que a
reação prossiga. Outros autores afirmam que a camada trata-se de um polissulfeto metálico que
surge devido à difusão preferencial do ferro na rede da calcopirita. Existem ainda aqueles que
justificam a passivação com base na precipitação de jarosita de potássio (KFe3(SO4)2(OH)6) na
superfície do mineral (CÓRDOBA et al., 2008).

Com o objetivo de aperfeiçoar o processo de lixiviação da calcopirita e, dessa forma, viabilizar a


rota hidrometalúrgica para extração de cobre, avaliam-se parâmetros que objetivam minimizar a
intensa passivação desse mineral. Há estudos que indicam que com a utilização de micro-
organismos termófilos ou com a presença de íons cloretos na solução lixiviante consegue-se obter
uma maior extração de cobre durante a lixiviação, porém estudos envolvendo estes dois fatores ao
mesmo tempo, ou seja, a biolixiviação da calcopirita com micro-organismos termófilos na presença
dos íons cloreto são pouco descritos na literatura, até o momento (CHANG-LI et al., 2012; FENG
et al., 2013; WANG et al., 2013).

Os íons cloreto são elementos potencialmente tóxicos aos micro-organismos, porém, segundo
Gómez et al. (1999), alguns micro-organismos termófilos extremos, como S. metallicus, podem
crescer em concentrações de íons cloretos próximas à 0,5mol L-1 e até mesmo, uma espécie tida
como mais sensível, a S. rivotincti, é capaz de crescer em 0,1mol L-1 de cloreto. A concentração de
íons cloreto tolerada pela espécie S. acidocaldarius, utilizada neste trabalho, não foi encontrada na
literatura e, todas as concentrações de íons cloreto testadas (0 – 1mol L-1) não representaram um
fator inibitório para o crescimento microbiano, em todos os testes, independente da concentração de
íons cloreto, ao final do experimento, foram observadas populações microbianas da ordem de 1,0.
107 células/mL.

Tendo em vista que a presença de micro-organismos termófilos ou de íons cloretos na solução


lixiviante pode favorecer a cinética de lixiviação de cobre a partir de sulfetos metálicos e, além
disto, estudos envolvendo estes dois fatores ao mesmo tempo são pouco numerosos, no presente
trabalho foi avaliado como a concentração de íons cloreto na solução lixiviante pode impactar a
biolixiviação a partir da utilização de micro-organismos termófilos extremos (Sulfolobus
acidocaldarius)

2. MATERIAS E MÉTODOS

2.1 Amostras de concentrado

Neste trabalho, foram estudadas duas amostras de concentrados de sulfetos de cobre, uma trata-se
de um concentrado calcopirítico, contendo 86% de calcopirita, e a outra é um concentrado contendo
majoritariamente sulfetos secundários (11% de covelita, 31% de bornita, 50% de calcocita e 8% de

92
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

calcopirita). As amostras de minério foram cominuídas e partículas com tamanho menor que 74µm
foram utilizadas nos experimentos. As análises dos elementos químicos presentes nas amostras e
seus respectivos teores foram realizadas através de espectrofotometria de emissão atômica com
fonte plasma (ICP-OES, equipamento Varian 725). A digestão ácida do material para as análises
citadas foi feita utilizando-se ácido clorídrico, nítrico e fluorídrico.

2.2 Micro-organismo

A cultura de Sulfolobus acidocaldarius utilizada nos experimentos foi adquirida de coleções


depositas na Deutsche Sammlung von Mikrorganismen und Zellkulturen (DSMZ 639). Essa cultura
foi mantida em um shaker termostatizado (New Brunswick Scientific) a 70°C e sob agitação de
150min-1. Além de 50g L-1 de enxofre elementar, o meio de cultura empregado no cultivo das
células, que será denominado ao longo do trabalho de meio DSMZ 88 modificado, contém: 1,3g L-1
de (NH4)2SO4 , 0,28g L-1 de KHPO4, 0,25g L-1 de MgSO4.7H2O, 0,07g L-1 de CaCl2.2H2O, 0,02g L-
1
de FeCl3.6H2O, 1,80mg L-1 de MnCl2.4H2O, 4,5mg L-1 de NaB4O7.10H2O, 0,22mg L-1 de
ZnSO4.7H2O, 0,05mg L-1 de CuCl2.2H2O, 0,03mg L-1 de Na2MoO4.2H2O, 0,03mg L-1 de
VOSO4.2H2O, 0,01mg L-1 de CoSO4 e 0,1g L-1 extrato de levedura. Para realizar os experimentos
de biolixiviação, as culturas foram repicadas em meios onde o concentrado substituiu o enxofre
elementar. Após a adaptação das culturas ao novo substrato (definida por valores de população
bacteriana da ordem 108 células mL-1), estas culturas foram filtradas em membranas de celulose
(Millipore-0,22µm) e, posteriormente, ressuspendidas em água destilada com pH 2,0 e utilizadas
como inóculo nos experimentos de biolixiviação.

2.3 Ensaios de biolixiviação

Os experimentos de biolixiviação foram realizados em erlenmeyers de 250mL contendo 100mL de


meio DSMZ 88 modificado e percentual de sólidos de 2,5% (p/v). O volume de inóculo em todos os
experimentos foi 20% (v/v), gerando concentrações bacterianas iniciais da ordem de 1,5.106 a
3,0.106células mL-1. Os erlenmayers foram mantidos em um shaker termostatizado (New Brunswick
Scientific), a 70°C e 150min-1 (diâmetro da órbita de agitação de 5,0cm). Não houve adição de
sulfato ferroso nos sistemas de biolixiviação e a concentração de ferro observada nos experimentos
é proveniente da dissolução dos minerais contidos nas amostras estudadas.

O parâmetro avaliado nos experimentos foi a concentração de cloreto em solução. O composto


NaCl foi utilizado como fonte dos íons e monitoramento da concentração dos mesmos foi realizada
com um eletrodo de íons seletivos para cloreto modelo Hanna HI 4107. O pH da suspensão foi
mantido em 1,50 pela adição manual de solução 1mol L-1 de H2SO4 e 6mol L-1 de NaOH. A
medição e ajuste do pH foi realizada diariamente com um pHmetro (Hanna 2221), composto de
eletrodo de membrana de vidro e calibrado com tampões pH 4,0 e pH 7,0. O potencial de
oxirredução da suspensão também foi monitorado diariamente, utilizando-se um eletrodo de platina
com solução de prata saturada com cloreto de prata (Ehmetro-Digimed).

As amostragens para análise da concentração bacteriana e de íons (Fe2+, Fe3+, Cu2+, Cl-1) foram
realizadas em intervalos regulares. A determinação da concentração bacteriana foi feita por
contagem direta em um microscópio óptico (Leica) com o auxílio de uma câmara de Neubauer. As
concentrações de cobre e ferro total foram determinadas por espectrometria de emissão atômica, em
um equipamento ICP-OES Varian 725.

Durante os experimentos de biolixiviação, houve perda de água por evaporação devido à alta
temperatura do sistema e estas perdas foram compensadas diariamente pela adição de água

93
VELOSO, T.C., MARTINS, F.L., SILVA, C.H., SILVA, L.A.M.D., PEIXOTO, J.J.M., LEÃO, V.A.

destilada. Nos experimentos sem adição de micro-organismos (controle), timol e ácido cítrico foram
utilizados como bactericida.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

É fato conhecido que a adição de íons cloreto aumenta a velocidade de dissolução da calcopirita em
meio sulfato, LU et al. (2000) e mais recente RUIZ et al. (2011) concluíram em seus estudos que a
adição de cloreto de sódio aumenta significativamente a velocidade de dissolução da calcopirita até
concentrações de 0,5mol/L de NaCl, enquanto PALMER et al. (1981) e CARNEIRO & LEÃO
(2007) obtiveram acréscimos consideráveis na extração de cobre para adições de até 1,0mol/L de
NaCl.

A Figura 1 mostra o percentual de extração de cobre, a partir da amostra de calcopirita estudada, em


função do tempo, em diferentes concentrações de cloreto. A Figura 1(a) refere-se aos experimentos
na presença dos micro-organismos (Sulfolobus acidocaldarius) e a Figura 1(b) refere-se aos
experimentos realizados em condições abióticas. O intervalo de concentração de íons cloreto
avaliado foi de 0mol/L a 1mol/L.

100 100
(a) (b)
90 90 -
0.00 mol/L Cl
80 80 -
0.25 mol/L Cl
-
70 70 0.50 mol/L Cl
Extração de cobre (%)

Extração de cobre (%)

-
1.00 mol/L Cl
60 - 60
0.00 mol/L Cl
-
50 0.25 mol/L Cl 50
-
0.50 mol/L Cl
40 - 40
1.00 mol/L Cl
30 30
20 20
10 10
0 0
0 2 4 6 8 10 12 0 2 4 6 8 10 12
Tempo (dias)
Tempo (dias)
Figura 1. Evolução do percentual de extração de cobre com o tempo em diferentes
concentrações de Cl1+ na presença de micro-organismos (a) e em ambiente estéril (b).
Condições experimentais: densidade de polpa 2,5% (m/V), pH=1,50, temperatura 70°C,
agitação 150min-1, meio de cultura DSMZ 88, amostra de concentrado calcopirítico.

Na Figura 1, observa-se que o percentual de extração de cobre aumentou significativamente devido


à adição de íons cloretos, tanto na presença (Figura 1(a)) quanto na ausência de micro-organismos
(Figura 1(b)). Nos experimentos inoculados o percentual de extração aumentou de 20% nos
experimentos sem NaCl para 95% quando foram adicionados 1,0 mol/L de NaCl, em 11 dias de
experimento. Já nos experimentos abióticos este percentual foi aumentado de 5% para 35% no
mesmo intervalo tempo, confirmando o efeito positivo da presença de íons cloreto na dissolução da
calcopirita reportado na literatura.

Comparando-se a Figura 1(a) com a Figura 1(b) observa-se que tanto a velocidade de dissolução da
calcopirita quanto o percentual de extração de cobre são maiores na presença dos micro-
organismos. Nos experimentos realizados com 1mol/L de NaCl, observa-se que o aumento do

94
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

percentual de extração de cobre em decorrência da presença dos micro-organismos é 60%. Estes


resultados mostram que apesar dos íons cloretos serem considerados potencialmente tóxicos aos
micro-organismos, é possível realizar biolixiviação de calcopirita na presença dos mesmos, obtendo
ganhos significativos na cinética e percentual de extração de cobre. Estes resultados estão de acordo
com os obtidos por CHANG-LI et al. (2012), que também realizaram experimentos de biolixiviação
de calcopirita com micro-organismos termófilos na ausência e na presença de íons cloreto. A
espécie de micro-organismos utilizada pelos referidos autores foi a Acidianus manzaensis e,
segundo os mesmos, o aumento da dissolução da calcopirita em função da adição de NaCl pode ser
atribuído a uma redução da acumulação de camadas de enxofre elementar sobre a superfície do
mineral, favorecendo sua lixiviação.

Nos experimentos realizados com a amostra de sulfetos secundários também se observa que a
dissolução destes sulfetos é favorecida pela presença de micro-organismos e adição de íons cloreto,
conforme mostrado na Figura 2. Esta figura mostra o percentual de extração de cobre, a partir da
amostra de sulfeto secundário, em função do tempo, em diferentes concentrações de cloreto. A
Figura 2(a) refere-se aos experimentos na presença dos micro-organismos e Figura 2(b) refere-se
aos experimentos realizados em condições abióticas.

100 (a) 100 (b)

90 90
80 80
Extração de cobre (%)
Extração de cobre (%)

70 70
60 60
50 0.00 mol/L Cl
-
50
-
40 0.25 mol/L Cl 40
-
0.50 mol/L Cl
30 1.00 mol/L Cl
- 30 0.00 mol/L Cl
-

-
20 20 0.25 mol/L Cl
-
0.50 mol/L Cl
10 10 1.00 mol/L Cl
-

0 0
0 2 4 6 8 10 12 0 2 4 6 8 10 12
Tempo (dias)
Tempo (dias)
Figura 2. Evolução do percentual de extração de cobre com o tempo em diferentes
concentrações de Cl1+ na presença de micro-organismos (a) e em ambiente estéril (b).
Condições experimentais: densidade de polpa 2,5% (m/V), pH=1,50, temperatura 70°C,
agitação 150min-1, meio de cultura DSMZ 88, amostra de sulfetos secundários.

4. CONCLUSÕES

Os resultados obtidos neste trabalho mostram que apesar dos íons cloretos serem considerados
potencialmente tóxicos aos micro-organismos, é possível realizar biolixiviação de sulfetos de cobre
na presença dos mesmos, obtendo ganhos significativos na cinética e percentual de extração do
metal. Estes resultados podem ajudar a compreender a biolixiviação dos sulfetos e guiar operações
de plantas comerciais no futuro.

95
VELOSO, T.C., MARTINS, F.L., SILVA, C.H., SILVA, L.A.M.D., PEIXOTO, J.J.M., LEÃO, V.A.

5. AGRADECIMENTOS

Os autores gostariam de agradecer ao Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e


Tecnológico (CNPq), à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), à
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e à Financiadora de
Estudos e Projetos (FINEP) pelo apoio financeiro. As bolsas de pesquisa concedidas a V. A. Leão e
J. J. M. Peixoto pelo “Conselho Nacional de Pesquisas” – CNPq, e pelo “Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior” – CAPES para T. C. Veloso e F. L. Martins também são especialmente
agradecidas.

6. REFERÊNCIAS

CARNEIRO, M. F. C. E LEÃO, V. A. (2007). "The role of sodium chloride on surface properties of


chalcopyrite leached with ferric sulphate." Hydrometallurgy 87(3-4): 73-82.

CHANG-LI, L., JIN-LAN, X., ZHEN-YUAN, N., YI, Y. E CHEN-YAN, M. (2012) "Effect of
sodium chloride on sulfur speciation of chalcopyrite bioleached by the extreme thermophile
Acidianus manzaensis." Bioresource Technology 110(0): 462-467.

CÓRDOBA, E. M., MUÑOZ, J. A., BLÁZQUEZ, M. L., GONZÁLEZ, F. E BALLESTER, A.


(2008). "Leaching of chalcopyrite with ferric ion. Part III: Effect of redox potential on the silver-
catalyzed process." Hydrometallurgy 93(3-4): 97-105.

FENG, S., YANG, H., XIN, Y., GAO, K., YANG, J., LIU, T., ZHANG, L. E WANG, W. (2013)
"A novel and highly efficient system for chalcopyrite bioleaching by mixed strains of
Acidithiobacillus." Bioresource Technology 129(0): 456-462.

GÓMEZ, E., BALLESTER, A., GONZÁLEZ, F. E BLÁZQUEZ, M. L. (1999). "Leaching capacity


of a new extremely termophilic microorganism, Sulfolobus rivotincti." Hydrometallurgy 52(9): 349-
366.

LU, Z. Y., JEFFREY, M. I. E LAWSON, F. (2000). "An electrochemical study of the effect of
chloride ion on the dissolution of chalcopyrite in acid solutions." Hydrometallurgy 56: 145-155.

PALMER, B. R., NEBO, C. O., RAU, M. F. E FUERSTENAU, M. C. (1981). "Rate phenomena


involved in the dissolution of chalcopyrite in chloride bearing lixiviants." Metallurgical
Transactions B 12(3): 595-601.

RUIZ, M. C., MONTES, K. S. E PADILLA, R. (2011) "Chalcopyrite leaching in sulfate chloride


media at ambient pressure." Hydrometallurgy 109(1-2): 37-42.

WANG, Y., SU, L., ZHANG, L., ZENG, W., WU, J., WAN, L., QIU, G., CHEN, X. E ZHOU, H.
(2012) "Bioleaching of chalcopyrite by defined mixed moderately thermophilic consortium
including a marine acidophilic halotolerant bacterium." Bioresource Technology 121(0): 348-354.

96
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Tecnology, Goiânia – GO, 20 q 24 de Outubro 2013.

BIOLIXIVIAÇÃO DE COBRE CONTIDO EM PLACAS DE CIRCUITO


IMPRESSO (PCI) COM MICRO-ORGANISMOS MESÓFILOS

RODRIGUES, M.L.M.1, GAYDARDZHIEV, S.2, LOPES, K.C.S.3, LEÃO, V.A.4


1
Universidade Federal de Ouro Preto. mitchel.marques@yahoo.com.br
2
Universidade de Liège. S.Gaydardzhiev@ulg.ac.be
3
Universidade Federal de Ouro Preto. klingervas@hotmail.com
4
Universidade Federal de Ouro Preto. versiane@demet.em.ufop.br

RESUMO

Este trabalho investigou a biolixiviação de sucata eletrônica, especificamente placa de circuito


impresso (PCB). A lixiviação bio-assistida foi realizado com a At. ferrooxidans em frascos de
agitação, para avaliar a influência da presença de microrganismos no processo de dissolução de
cobre metálico. Os efeitos da concentração inicial de Fe2+ e da presença de pirita, como uma fonte
de ferro na dissolução de cobre foram analisados. Os experimentos foram realizados em um
agitador orbital nas seguintes condições: 34°C, velocidade de agitação de 150min-1, o tamanho de
partícula abaixo de 420μm e 0,5% de sólidos (w/v). Os resultados indicaram alta extração, cerca de
100% e mostraram a viabilidade de recuperar cobre a partir de PCB, através de biolixiviação.

PALAVRAS-CHAVE: biolixiviação; cobre; placas de circuito impresso (PCI); At. ferrooxidans.

ABSTRACT

This work investigated the bioleaching of electronic waste, specifically printed circuit board (PCB).
The bio-assisted leaching was carried out with At. ferrooxidans in shake flasks in order to evaluate
the influence of presence of microorganisms on the dissolution of metallic copper. The effects of
the initial Fe2+ concentration and the presence of pyrite, as a source of iron, on copper dissolution
were analyzed. The experiments were performed in an orbital shaker under the following
conditions: 34°C, stirring speed of 150 min-1, particle size below 420μm and 0.5% solids percent
(w/v). The results indicated high extraction, around 100%, and proved the feasibility of copper
recovering from PCB through bioleaching.

KEYWORDS: bioleaching; copper; printed circuit boards (PCBs); At. ferrooxidans.

97
RODRIGUES, M. L. M., LOPES, K.C.S., GAYDARDZHIEV, S., LEÃO, V. A.

1. INTRODUÇÃO

A questão do lixo eletrônico torna-se cada vez mais importante nos países em desenvolvimento,
especialmente para os BRIC´s. Estima-se que no mundo sejam gerados anualmente 40 milhões de
toneladas de sucata eletrônica sendo que a Europa responde por 25% desse total. Segundo o
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Brasil, México, Índia e China serão os países
mais afetados pela geração de sucata eletrônica enfrentando problemas ambientais e de saúde
pública (CHADE, 2010).

Recentes pesquisas sugerem impactos negativos ao meio ambiente, relacionados aos descartes
inapropriados de resíduos eletrônicos (BRANDL et al., 2001; YANG et al., 2009). No entanto, tais
materiais podem ser considerados uma fonte alternativa na extração de materiais valiosos como
metais base e metais preciosos.

De maneira geral, equipamentos eletrônicos possuem cerca de 60 diferentes tipos de elementos


químicos na sua constituição e, dentre estes, vários perigosos, como os metais tóxicos. A mais
complexa destas sucatas é a placa de circuito integrado (PCI), grande consumidora de metais na
indústria eletrônica. Particularmente, estes componentes são constituídos de uma grande variedade
de polímeros (PVC, PER, etc.) bem como metais de interesse como o cobre. Como ainda não há
uma política de reciclagem estabelecida para estes materiais, os metais contidos são descartados, o
que eleva a demanda pelos mesmos, gerando impactos ambientais extras relacionados à mineração
(ILYAS et al., 2007; YANG et al., 2009).

Segundo Zhu et al. (2011), tanto as rotas pirometalúrgicas quanto as hidrometalúrgicas são
utilizadas no tratamento de resíduos eletrônicos. Às operações pirometalúrgicas, normalmente estão
associados impactos ambientais importantes como a geração de gases do efeito estufa (derivados da
combustão de combustíveis fósseis) e a formação de dioxinas e gases ácidos gerados pela
combustão de material plástico. Nesse sentido, a hidrometalurgia é uma alternativa importante, pois
além não gerar efluentes gasosos, permite a recuperação dos diversos metais presentes no e-waste.

Dentre as rotas hidrometalúrgicas mais comuns, a biolixiviação aparece como uma tecnologia
viável, pois, além do aspecto econômico, visto que o processo requer menor gasto energético para a
recuperação de metais em fontes de baixo teor e alta carga de compostos orgânicos, tal processo é
ambientalmente mais amigável (LEWIS et al., 2011). Os processos bio-hidrometalúrgicos
colaboram para a ampliação das reservas de metais disponíveis, uma vez que podem ser aplicados
em operações de pequeno porte, como é o caso das operações de reciclagem (POULIN e
LAWRENCE, 1996).

Os processos de biolixiviação são desenvolvidos com a utilização de micro-organismos isolados ou


de consórcios microbianos. A biolixiviação de cobre metálico pode ser realizada na presença de
Fe2+ (equação 01) (CHOI et al., 2005), e, nesse caso, a utilização de micro-organismos capazes de
oxidá-lo a íons Fe3+ (principal agente oxidante na dissolução do cobre) se faz necessária
(WATLING, 2006). A reação que representa o fenômeno é:

2Fe3+ + Cu0 → Cu2+ + 2 Fe2+ (1)

Dessa forma, o presente trabalho aborda a biolixiviação de PCI´s. Estudos de biolixiviação de


cobre, em escala de bancada, com microrganismos mesófilos (Acidithiobacillus ferrooxidans) foram
realizados e os efeitos da suplementação de Fe2+ avaliada. O projeto se justifica pelo fato de ser um
passo importante para a avaliação da utilização de resíduos como fontes alternativas de metais base.

98
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Tecnology, Goiânia – GO, 20 q 24 de Outubro 2013.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

2.1. Fonte e descrição do resíduo

Utilizaram-se placas de circuito impresso oriundas de computadores considerados obsoletos, a partir


das quais componentes como capacitores e resistores foram retirados manualmente. As placas de
circuito desmontadas tiveram então suas dimensões reduzidas em guilhotina manual e
posteriormente cominuídas em um pulverizador de panelas a uma granulometria inferior 420µm
(35# Tyler).

2.2. Análise química do resíduo

Para a determinação dos teores das espécies metálicas presentes, a amostra cominuída foi submetida
a uma abertura química com água régia. Uma alíquota de 500mg da amostra foi então atacada e em
seguida transferida para um balão volumétrico (100mL), para posterior análise dos metais
dissolvidos via ICP-OES.

2.3. Micro-organismos e condições de cultivo

As culturas de micro-organismos foram mantidas separadamente e de forma ininterrupta em shakers


termostatizados (New Brunswick Scientific) sob temperatura e agitação constantes. As seguintes
condições de manutenção dos microorganismos foram adotadas: uma cultura composta basicamente
por Acidithiobacillus ferrooxidans, foi isolada de uma mina de sulfetos, cultivada em meio seletivo
e vem sendo mantida no laboratório por cerca de 8 anos a uma temperatura de 35°C e sob agitação
de 150min-1. Para o crescimento das bactérias foi empregado uma solução 1,0g/L de íons Fe2+ como
substrato e o meio de cultura Norris contendo as seguintes concentrações de sais: (NH 4)2SO4:
0,4g/L; MgSO4.7H2O: 0,8g/L e K2HPO4: 0,4g/L.

Previamente aos ensaios de biolixiviação, foi realizada a adaptação dos micro-organismos à pirita
e/ou ao resíduo (PCI) de acordo com as respectivas condições adotadas durante a manutenção da
cepa (parágrafo anterior). Para tal, uma amostra da cepa, obtida durante a fase lag de crescimento de
uma cultura estoque (crescida apenas na presença de Fe2+), foi colocada em contato com massas
crescentes do resíduo sólido e/ou da pirita, começando com uma concentração de 1,25g/L de PCI,
chegando a 5g/L. Repiques com teores crescentes foram realizados até que cada cultura promovesse
um potencial de oxidação acima de 600mV, com uma concentração de células superior a 107cel/mL.
Após este período de adaptação, os micro-organismos foram filtrados em membranas de celulose
(Millipore 0,22µm) e, em seguida, utilizadas como inóculo nos experimentos de biolixiviação.

2.4. Ensaios de biolixiviação

Os ensaios de biolixiviação foram conduzidos sempre à temperatura de 34°C, em erlenmeyers de


250mL e agitados em agitadores orbitais (“shakers”), a 150min-1 (órbita de 5,08cm). O volume de
solução utilizado foi de 100mL com uma porcentagem de sólidos de 0,5% p/v, sendo as perdas por
evaporação repostas com água destiladas. Sendo assim, foram avaliados os efeitos da concentração
inicial de Fe2+ (0,0g/L, 0,5 g/L, 1,5g/L e 2,5g/L) e a utilização de pirita (50g/L) como fonte de ferro,
sobre a biolixiviação dos resíduos. Aos ensaios realizados com pirita, a presença de ferro foi devida
somente pela dissolução desse mineral. O Eh e o pH das soluções foram monitorados diariamente
sendo o último ajustado, quando necessário, para 1,7±0,1 através da adição de uma solução de ácido
sulfúrico, de concentração 1mol/L. Também foi feito um controle abiótico sob as mesmas
condições dos ensaios bióticos, sem adição de Fe2+ e utilizando-se Timol como bactericida.

99
RODRIGUES, M. L. M., LOPES, K.C.S., GAYDARDZHIEV, S., LEÃO, V. A.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A tabela i apresenta os resultados da análise química por ICP-OES referentes à abertura química da
amostra cominuída. Os resultados mostraram que o cobre foi o metal com maior concentração na
amostra, e em função disto, focou-se o trabalho na sua recuperação.

Tabela I. Percentual de metais presentes nas placas de circuito impresso cominuídas.


Metais Cu Al Fe Ni Zn Mg
Teor (%) 16,38 0,40 0,75 0,70 0,04 0,36

Os efeitos deletérios da fração não metálica presente nas placas de circuito impresso (PCI) frente ao
crescimento bacteriano puderam ser observados durante a fase de adaptação da cultura mesófila.
Como observado na figura 1(a), na ausência de PCI o potencial de oxidação atingiu 700mV em três
dias de experimento. Para concentrações de PCI de até 2,5g/L, a toxicidade referente à amostra em
questão não afetou a bio-oxidação do Fe2+, entretanto o crescimento do Eh foi afetado para 5g/L de
PCI. Visando a realização de ensaios com maiores porcentagens de sólidos, subsequentes repiques
do sistema contendo 5g/L foram realizados e permitiram a adaptação da cultura ao meio sólido,
possibilitando que valores de Eh acima de 700mV também fossem alcançados.

a) b)
750 700
700 650
650
600
600 2+
550
Eh (mV)

Fe (2,5g/L)
Eh (mV)

2+
550 PCI (5g/L) Fe (1,5g/L)
500
PCI (2,5g/L) 2+
Fe (0,5g/L)
500 PCI (1,25g/L) 450 Controle abiótico
PCI (0g/L) Pirita (50g/L)
450
400
400
350
350
0 1 2 3 4 5 6 7 0 1 2 3 4 5
Tempo (dias) Tempo (dias)

Figura 1. Influência da concentração de placas de circuito impresso (PCI) (a), da utilização de pirita e da
concentração inicial de Fe2+ (b) sob o potencial de oxidação.

O íon Fe3+ gerado pela bio-oxidação do Fe2+ promoveu um aumento nos valores de Eh nas
condições onde houve a adição de sulfato ferroso, em 2 dias de ensaio, independente da
concentração inicial do íon ferroso (figura 1b). Já os ensaios com pirita (FeS 2) promoveram
potenciais de oxidação de, no máximo, 600mV devido à solubilização de ferro no sistema. A
reposição do íon Fe3+ consumido na dissolução das amostras, por sua vez, é catalizada entre 105 e
106 vezes por micro-organismos tais como At. ferrooxidans (BESTAMIN et al., 2007). Sendo
assim, a presença de micro-organismos mesófilos capazes de oxidar íons Fe2+ como os dos gêneros
Acidithiobacillus são importantes para a dissolução de cobre presente em PCI (BREED e
HANSFORD, 1999; DEMPERS et al., 2003), como mostra a equação 01.

3.1. Efeito da concentração inicial de Fe2+

Como mostra a equação 01, a solubilização do cobre metálico ocorre em meio ácido e requer um
ambiente oxidante, sendo afetada pela concentração do Fe3+ no sistema (BRANDL et al., 2001). Por

100
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Tecnology, Goiânia – GO, 20 q 24 de Outubro 2013.

sua vez, o pH é o principal parâmetro que afeta a concentração de Fe3+ em solução e valores entre
1,5 a 2,0 são considerados ótimos para evitar a precipitação do íon férrico na forma de jarosita,
favorecendo assim a manutenção de valores de Eh favoráveis (acima de 550mV). Como mostra a
figura 2, a bio-oxidação do Fe2+ promoveu inicialmente um aumento nos valores de pH (equação
02), o que não é desejado, pois a atividade microbiana é, em geral, afetada de forma negativa em
valores de pH superiores a 2 (PETERSEN e DIXON, 2007). Além disto, quando o micro-organismo
oxida o Fe2+ rapidamente, a formação de jarosita, que ocorre em valores de pH acima de 2,0, em
condições de crescimento de bactérias mesófilas, também deve ser evitada. Dessa forma, foi
definido o valor de pH 1,7±0,1, para realização dos ensaios (DOPSON et al., 2008; DOPSON et al.,
2009; TARIQ et al., 2012). Deve-se destacar também o menor pH final, observado no ensaio
realizado com pirita, devido à formação de ácido sulfúrico durante a oxidação do mineral.

2.2 2+
Fe (2,5g/L)
2+
2.1 Fe (1,5g/L)
2+
Fe (0,5g/L)
2.0 Controle abiótico
Pirita (50g/L)
1.9
pH

1.8

1.7

1.6

1.5
0 1 2 3 4 5
Tempo (dias)

Figura 2. Valores de pH para os ensaios de biolixiviação de placas de circuito impresso.

Fe2++ ¼ O2 + H + ⇄ Fe3+ + ½ H2O (2)

Os efeitos da suplementação de Fe2+ sobre a biolixiviação da fração metálica do resíduo podem ser
observados na figura 3, onde se tornou clara a contribuição da concentração inicial do substrato
sobre a extração do cobre, até o primeiro dia de ensaios. Um aumento na concentração inicial de
Fe2+ promoveu pequenos aumentos na velocidade de dissolução do cobre, indicando uma possível
biolixiviação via mecanismo indireto de não-contato (WATLING, 2006). Extrações máximas de
100% foram alcançadas, independentemente das concentrações iniciais de íons ferrosos, em até 2
dias de ensaio. Tal fato está de acordo com estudos de biolixiviação realizados por Lewis et al.
(2011) com um concentrado polimetálico contendo 10,34% de cobre, utilizando um consórcio de
micro-organismos mesófilos (Acidithiobacillus ferrooxidans, Acidithiobacillus thiooxidans e
Leptospirillum ferooxidans). Segundo os autores, a utilização de diferentes concentrações iniciais
de Fe2+ (1g/L-15g/L) não teve influência significativa na cinética de solubilização do cobre, a qual
alcançou valores da ordem de 95%, em 80 horas, independentemente da condição adotada.
Extrações da ordem 95% de cobre oriundo de placas de circuito impresso também foram observadas
por Zhu et al. (2011), para um período de 40 horas e utilizando 12g/L de Fe2+.

101
RODRIGUES, M. L. M., LOPES, K.C.S., GAYDARDZHIEV, S., LEÃO, V. A.

100

80

Extração de Cobre (%)


60

40 2+
Fe (2,5g/L)
2+
Fe (1,5g/L)
20 2+
Fe (0,5g/L)
Controle abiótico
0 Pirita (50g/L)

0 1 2 3 4 5
Tempo (dias)

Figura 3. Influência da utilização de pirita e da concentração inicial de Fe2+ sob a extração de cobre elementar.

O mecanismo indireto de não-contato pode ser comprovado através do ensaio controle, onde
nenhuma adição de ferro foi realizada. Extrações de cobre significativamente inferiores foram
observadas em comparação ao sistema inoculado. Desta forma, pode-se presumir que a lixiviação
do cobre é devida, nesse caso específico, à equação 03 (BRANDL et al., 2001). O ensaio controle
alcançou uma extração máxima igual a 50%, como observado no gráfico da figura 3.

2Cu0 + 4H+ + O2 → 2Cu2+ + 2H2O (3)

3.2. Efeito da adição de pirita como fonte de Fe2+

A utilização de pirita nos ensaios objetivou fornecer o ferro necessário aos processos de
biolixiviação, por se tratar de produto mais barato que o sulfato ferroso. A figura 4 mostra que a
dissolução da pirita (5% p/v) produziu uma concentração de ferro, em solução da ordem de 5g/L,
após 4 dias de ensaio. Observou-se, novamente que o cobre metálico foi rapidamente lixiviado,
alcançando-se valores de 100% de extração, em até 1 dia de ensaio (figura 3). A rápida dissolução
cobre na presença de pirita foi promovida pela rápida dissolução de ferro no sistema, sendo este
bio-oxidado a Fe3+ o qual atacou o cobre metálico. Tal fato pode também estar associado a efeitos
galvânicos. Segundo alguns autores, estas interações galvânicas desempenham um importante papel
nos processos de lixiviação do cobre, aumentando consideravelmente a cinética de reação (Mehta e
Murr, 1983; Ahmadi et al., 2012).

5000
Concentração de ferro (mg/L)

4000

3000

2000

1000

0
1 2 3 4 5
Tempo (dias)

Figura 4. Concentração de Fe2+ em solução proveniente da biolixiviação da pirita.

102
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Tecnology, Goiânia – GO, 20 q 24 de Outubro 2013.

4. CONCLUSÕES

Os resultados obtidos demonstraram a viabilidade do processo de biolixiviação de placas de circuito


impresso, onde extrações de 100% foram alcançadas em todas as condições inoculadas estudadas.
Com relação à suplementação de Fe2+, observou-se que um aumento nesta variável aumentou a
velocidade de dissolução do cobre, durante o primeiro dia de ensaio, alcançando 100% de extração
em 48 horas de ensaio. A utilização de pirita proporcionou as maiores taxas de extração, alcançando
100% de extração do cobre em apenas 24 horas de ensaio, provavelmente devido ao maior teor de
ferro em solução. Desta forma, estudos futuros serão realizados a fim de se avaliar os efeitos
combinados da dissolução de ferro da pirita bem como possíveis efeitos galvânicos envolvidos.
Nesse contexto, a biolixiviação surge como uma tecnologia promissora para o processamento de
resíduos eletrônicos, por permitir o desenvolvimento de processos de reciclagem de cobre seguindo
os preceitos do desenvolvimento sustentável.

5. AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à CAPES, ao CNPq, à FAPEMIG, à FINEP e à WBI pelo apoio.

6. REFERÊNCIAS

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chalcopyrite concentrates in chemical, biological and electrobiochemical systems. Minerals
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104
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

BIOLOGICAL GENERATION OF SULPHURIC ACID FOR BIOLEACHING


OF COPPER OXIDE ORES

OLIVEIRA, D.M.1, SOBRAL, L.G.S.2, ROCHA, P.M.1, PADRÃO, D.O.1


1
CETEM – Centre for Mineral Technology/Rio de Janeiro, Brazil, debimonteiro@gmail.com
2
CETEM – Centre for Mineral Technology/Rio de Janeiro, Brazil. Lsobral@cetem.gov.br

ABSTRACT

In the extractive metallurgy sector sulphuric acid is used for extracting metals from different
mineral species. From sulphide minerals, the metals can be extracted by using acidophilic
microorganisms that need low pH for the oxidation of such species to take place releasing the metal
of interest into solution for being further recovered through a particular downstream process. In the
case of a weathered ore, where it is found mineral species derived from previous sulphide species
weathering processes in nature, such oxides, carbonates, sulphates etc., one just needs to react these
species with sulphuric acid solution. However, operations such as metal leaching often have mines
and plants located in remote areas and in countries lacking the infrastructure necessary to handle the
extremely dangerous concentrated sulphuric acid. Most leaching operations use aqueous solutions
of such acid that contain less than 20 g.L-1 of sulphuric acid. Therefore, this technical contribution
goes a little bit further and aimed at generating sulphuric acid, biologically, mixing, in particular, a
copper oxide ore with elemental sulphur, in a bench scale, in a orbital shaker, where the ground
copper oxide ore and elemental sulphur were suspended in an acid solution bearing acidophilic
microorganism and nutrients (MKM medium) with initial pH adjust to 1.8. During the leaching
process the pH and Eh were monitored until the acid concentration reached nearly 4.17g.L-1, which
corresponds to pH 1.37, as a result of the bio-oxidation of elemental sulphur. The copper-bearing
drained solution, apart from being enough concentrated in copper, to be further used in the
downstream process, was enough concentrated in sulphuric acid for being detrimental to the
microorganisms metabolism. Finally, it was realized that running the leaching process for four days
nearly 90% of the copper was extracted.

KEYWORDS: bioleaching; sulphuric acid; copper oxide.

105
OLIVEIRA, D.M., SOBRAL. L.G.S, ROCHA. P.M., PADRÃO, D.O

1. INTRODUÇÃO

In times of economical down turn and, therefore, a period of lower copper prices, it is increasingly
important to improve current copper extraction processes regarding their efficiency. So far as we
can tell, approximately 20% of the world copper production are reached by hydrometallurgical
leaching processes, in particular by leaching oxide copper ores with sulphuric acid and subsequent
downstream processing of the leachate through solvent extraction followed by the electrowinning of
copper (SX-EW).
At present, heap leaching is a well-known industrial process for the treatment of minerals with
oxidized species and secondary sulphides from base metals, usually supported by bacterial
techniques. The latter, are now also being widely explored and tested in the treatment of primary
sulphides.

Sulphuric acid is used in a wide variety of commercial settings. In mining operations, such acid is
used in heap or run-of-mine stock-pile leaching of ore materials and recovery of desired metal
values through SX-EW. This acid supply for use in heap leaching of copper, and other base metals
can be obtained from different sources (US Patent, 2005). However, there are significant costs
associated with the production, purchase, transfer and transportation of acid that is generated by any
of these processes. In addition to the cost, the amount of acid required for heap leaching operations
varies with time depending on the availability of feed material for raising that heap. In general, this
demand has been increasing worldwide in recent years.

Conventionally, copper oxide ores have been leached in a heap using sulphuric acid solution and
leachate being further sent through downstream processes for getting pure metallic copper
(KORDOSKY, 2005). The Figure 1, as follows, shows the whole process for extracting copper
from oxide ore.

Figure 1. Conventional leach/solvent extraction/electrowinning flow sheet.

While various biological oxidation methodologies are known, such methodologies have uniformly
been used, so far, in connection with metal recovery processing techniques. Accordingly, a method
to produce low cost acid in an environmentally acceptable manner, such as through the use of
biological oxidation processing, would be advantageous. In this study, the ground ore mixed with
elemental sulphur powder were suspended in an acid solution bearing nutrients and mesophiles
microorganisms so as to produce most of the acid enough to solubilise the copper bearing minerals.

106
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

2. METHOLOGY

2.1. Mineral Sample

In this study a copper weathered ore was used. After crushing, grinding, and homogenization
procedures, a particle size varying from 0.105 and 0.149 mm was classified for being used in a
simplified technological characterization and in leaching experiments. The analyzes carried out by
atomic absorption spectrometry, after an appropriate acid digestion of a representative sample of the
ore, revealed a copper content of 0.64% .

The copper-bearing mineral species comprising the copper ore are: Brochantite (Cu4(SO4)(OH)6,
Malachite (Cu2(CO3)(OH)2), Yakhontovite (Na2.25K0.75Mg4Al4.5Mg2.5Si21.5Al2.5O60), Posnjakite
(Cu4(SO4)(OH)6), Woodwardite (Cu4.Al2(SO4)(OH)12), Lavendulan (NaCaCu5.(AsO4)4.Cl.5(H2O),
Byite (Cu.2Pb.4(SO4)(OH)8), Phosphofibrite (KCuFe3+.15(PO4)12.(OH)12.12(H2O)), Tsumebite
(Pb.2Cu(PO4)(SO4)(OH)), as shown in the difratogram of Figure 2.

Figure 2. Difratogram of the copper ore.

2.2. Micro-organism

The bacteria Acidithiobacillus thiooxidans (Strain FG01) used in that study was cultivated at 30ºC,
in orbital shaker at 150 rpm, using the modified 9K (GARCIA, 1991) culture medium (pH 2.8),
with the following composition: (NH4)2SO4 (1.0 g.L-1), MgSO4.7H2O (0.5 g.L-1), K2HPO4 (0.5 g.L-
1
), Sº (10 g.L-1)

107
OLIVEIRA, D.M., SOBRAL. L.G.S, ROCHA. P.M., PADRÃO, D.O

2.3. Leaching experiment

The experiments were accomplished in 500 ml Erlenmeyer flasks containing 200 ml of MKM
culture medium (OLIVEIRA, 2009) in a 1:5 dilution and 10 g of copper oxide ore (pulp density of
10% w/v). The culture medium had its pH adjusted to 1.5 with 5M H2SO4 solution with the
following composition (Table I):

Table I. Composition of the culture medium used in the bioleaching tests.


Reagent [g.L-1]
(NH4)2SO4 0.4
MgSO4.7H2O 0.4
K2HPO4 0.04

The microbial inoculum was added at a ratio of 10% v/v and 10 g.L-1 of elemental sulphur were
also added. Simultaneously, leaching tests were accomplished without adding elemental sulphur. In
this case, it was necessary to adjust the pH through the addition of sulphuric acid to maintain pH
around 1.5. The Erlenmeyer flasks were incubated in an orbital shaker under at 150 rpm, at a
temperature of 30o ± 1oC for 15 days. No sterilized samples were used looking for, thus,
establishing conditions close to reality before industrial application. The water losses by
evaporation were estimated by the mass losses and compensated by adding water before each
sampling.

3. RESULTS AND DISCUSSION

After 4 days of process 90%, approximately, of copper extraction were reached. The copper
extraction while running the leaching process adding elemental sulphur was similar to that achieved
in conventional chemical leaching as can be observed in Figure 3. The experiment was carried out
for fifteen days; however, it was not possible to extract the whole copper from the ore, as some of
the mineral species bearing copper are not ready soluble in the acid solution used.

Figure 3. Copper extraction in the leaching tests.

108
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on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

The Figure 4 shows the variation of the redox potential throughout the experiments. It was realized,
in the test where elemental sulphur was added, such potential values remained higher when
compared to conventional acid leaching where the raise of the redox potential is just due to the
available ion species in solution during the acid dissolution of minerals.

Figure 4. Variation of redox potential in the leaching tests.

Regarding the pH variation (Figure 5a), it was observed the same trend in both tests. The big
difference between these tests is that, in the test called "Conventional acid leaching", it was
necessary to add sulphuric acid for keeping the pH around 1.5. In the test where elemental sulphur
was added the generation of sulphuric acid took place according to Equation 1.

S 0  1.5O2  H 2O    H 2 SO4
A.thiooxidans
(1)

The oxidation of sulphur by the bacteria present in the reaction system has ensured the supply of
sulphuric acid required for dissolving the mineral species bearing copper.

(A) (B)

Figure 5. pH variation (A) and acid consumption (B) in the leaching tests.

109
OLIVEIRA, D.M., SOBRAL. L.G.S, ROCHA. P.M., PADRÃO, D.O

To extract 88.71 % of copper using conventional chemical leaching it was necessary to use 35.53
kilograms of sulphuric acid per tonne of ore. In the test with in situ acid production nearly 90% of
copper were extracted in the same period of time (4 days).

4. CONCLUSIONS

After running the leaching test for four days, in bench scale, it was possible to observe that:

i. Nearly 90% of the copper content in the ore were extracted by in situ biological generation
of sulphuric acid;

ii. In the test where elemental sulphur was mixed with the copper ore, the continuous
generation of sulphuric acid took place, which ensured the suitable pH and Eh for leaching
most of the copper-bearing mineral species due to the action of A. thiooxidans in the
operation conditions used;

iii. The copper extraction results wave for the possibility of leaching base metals oxide ores,
scaling up such technology so as to get the right figures for raising a demonstration heap
with in situ generation of sulphuric acid.

5. REFERENCES

GARCIA JR., O. Isolation and purification of Thiobacillus ferrooxidans and Thiobacillus


thiooxidans from some coal and uranium mines of Brazil. Revista de Microbiologia, v. 20, p.1-6,
1991;

KORDOSKY G.A., The Journal of The South African Institute of Mining and Metallurgy, Copper
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OLIVEIRA, D.M., Potencialidade do tensoativo (ramnolipídio) comercial na biolixiviação de


minério primário de cobre/ Débora Monteiro de Oliveira. Rio de Janeiro: UFRJ/EQ, 2009.

UNITED STATES PATENT, no. US 2004/0023350 A1, Feb. 2005.

110
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

PLANTA PILOTO PARA A PRODUÇÃO DO COAGULANTE SULFATO


FÉRRICO A PARTIR DE PIRITA EM REJEITOS DE CARVÃO

COLLING, A.V.1, THIESEN, R.F.T.2, MENEZES, J.C.S.D.S.3, SCHNEIDER, I.A.H.4


1
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. collingangeli@yahoo.com.br
2
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. renan.ftt@gmail.com
3
Universidade do Oeste de Santa Catarina. jean.menezes@ufrgs.br
4
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. ivo.andre@ufrgs.br

RESUMO

A mineração de carvão no Estado de Santa Catarina gera milhões de toneladas de rejeitos de carvão
que poluem o meio ambiente. Uma possível alternativa para reduzir os danos ambientais é o
processamento mineral dos rejeitos, separando e concentrando a pirita. Neste trabalho foi realizado
um estudo em escala piloto para o processamento bio-hidrometalúrgico de um concentrado de
pirita. O objetivo foi produzir um coagulante, o sulfato férrico Fe2(SO4)3, um reagente amplamente
empregado no tratamento de águas. A metodologia do trabalho consistiu no processamento de 300
kg de rejeito de carvão em uma pilha onde água foi recirculada. A água lixiviada foi monitorada em
relação ao teor de ferro (total, Fe2+ e Fe3+), sulfatos e concentração de bactérias acidofílicas
Acidithiobacillus ferrooxidans. Os resultados demonstram que, após 8 semanas, foi possível obter
500 L de uma solução de sulfato férrico com 24 g/L de Fe (praticamente 100% na forma Fe 3+).
Assim, após evaporação, foi possível produzir aproximadamente 190L de coagulante com 12% de
Fe por tonelada ao mês. Isso permite concluir que seria necessário processar 3.200 t/mês de
concentrado de pirita para abastecer com água tratada uma cidade com aproximadamente 200.000
habitantes.

PALAVRAS-CHAVE: biolixiviação; planta piloto; rejeito de carvão; sulfato férrico.

ABSTRACT

Coal mining in the State of Santa Catarina generates millions of tons of waste coal that pollute the
environment. A possible alternative to reduce the environmental damage is the mineral processing
tailings, separating and concentrating the pyrite. In this work, a study was conducted on a pilot scale
for bio-hydrometallurgical processing of a pyrite concentrate. The aim was to produce a coagulant,
ferric sulfate Fe2(SO4)3, a reagent widely employed in water treatment. The methodology of the
work consisted in processing 300 kg of coal waste in a pile where water was recirculated. The
leachate was monitored in relation iron content (total, Fe2+ and Fe3+), sulfates and concentration of
acidophilic bacteria Acidithiobacillus ferrooxidans. The results show that after 8 weeks, it was
possible to obtain 500 L of a solution of ferric sulfate with 24 g/L Fe (almost 100% as Fe3+). Thus,
after evaporation, it was possible to produce approximately 190L of coagulant with 12% Fe per ton
per month. This indicates that it would be necessary to process 3200 tons/month of concentrated
pyrite to supply treated water to a city with approximately 200,000 inhabitants.

KEYWORDS: bioleaching; pilot plant; coal tailing; ferric sulfate.

111
COLLING, A.V., THIESEN, R.F.T., MENEZES, J.C.S.D.S., SCHNEIDER, I.A.H.

1. INTRODUÇÃO

O carvão mineral utilizado no Brasil está concentrado principalmente na região sul do país (região
sul e central do Rio Grande do Sul, leste de Santa Catarina e sul do Paraná) possuindo aumento no
conteúdo de sulfeto de ferro (pirita), do sul para o norte. O principal uso do carvão mineral
brasileiro é na termoeletricidade. Embora o carvão catarinense contenha propriedades
coqueificantes, é necessária a eliminação dos minerais indesejáveis na sua composição. Por este
motivo, as usinas de beneficiamento de carvão mineral descartam cerca de 30 a 70% de todo o
material minerado. Volumes consideráveis deste rejeito são dispostos em áreas próximas ao local de
mineração, sendo considerado material sem valor comercial conforme Gaivizzo et al., 2000. Os
depósitos de rejeito permanecem a céu aberto e representam uma fonte de poluição com severo
controle ambiental por parte das entidades fiscalizadoras. O maior problema enfrentado, além das
grandes áreas ocupadas por rejeitos, é a oxidação da pirita. As reações de oxidação da pirita geram
um fenômeno conhecido, nas regiões de mineração, como drenagem ácida de minas (DAM). A
DAM contém elevadas concentrações de íons de metais dissolvidos e sulfato e baixo pH,
comprometendo a qualidade dos recursos hídricos regionais (Kontopoulos, 1998). Em períodos de
precipitação pluviométrica, a água de percolação das pilhas de rejeito contribui para o aumento do
ciclo auto-catalítico de acidez e da poluição do solo e água.

Para o controle da DAM em áreas de mineração de carvão, podem ser utilizados métodos
preventivos, de contenção e métodos de remediação (Kontopoulos, 1998). Nesta linha de raciocínio
é indispensável considerar a necessidade de pesquisa e de projetos alternativos em relação ao
destino dado aos rejeitos de beneficiamento. Trata-se de uma massa mineral não aproveitada e que,
até onde se sabe, deve-se justamente à falta de projetos de pesquisa e de ações voltadas ao
aproveitamento integral dos recursos minerais presentes na massa de rejeitos (Schneider, 2006).
Diante deste cenário, ferramentas da engenharia podem servir como alternativa para concentrar e
transformar a pirita, através de processos hidrometalúrgicos, gerando produtos ao invés da perda de
material com valor agregado na forma DAM. Os produtos gerados podem ser sais e óxidos férricos
e ferrosos como já mencionados por Menezes (2009); Colling (2010) e Silva (2009). O processo
está baseado, principalmente, no fato de que a oxidação da pirita, em presença de ar e água, gera o
sulfato férrico conforme as reações apresentadas abaixo:

A pirita, na presença de oxigênio atmosférico e água, se oxida pelo mecanismo direto:

2FeS2(s) + 7O2 + 2H2O → 2Fe2+ + 4H+ + 4SO42- (1)

A reação 1 produz acidez, se o potencial de oxidação for mantido, a oxidação do íon Fe2+ para Fe3+
ocorrerá, consumindo parte da acidez da pirita pelos íons H+. Esta reação é catalisada pelas
bactéricas acidofílicas, especialmente Acidithiobacillus ferrooxidans.

4Fe2+ + O2 + 4H+ → 4Fe3+ + 2H2O (2)

Nesse sentido, Menezes e Schneider (2007) propuseram a produção de sulfato férrico através da
lixiviação de rejeitos de carvão em células úmidas, porém a concentração do sulfato férrico em
meio aquoso foi baixa. Estudos mais recentes do mesmo autor (Menezes, 2009) demonstraram que
o processo apresenta um melhor desempenho em reatores de leito empacotado, atingindo valores
superiores de concentração de sulfato férrico. O autor reparou também que no processo há a
presença de bactérias acidofílicas. Contudo, em suas investigações, não houve controle das
condições microbiológicas que podem influenciar de forma significativa na velocidade do processo.
Posteriormente, Colling (2010) monitorou, em nível laboratorial, o comportamento microbiológico
do processo. Desta forma, aumentou em quatro vezes a extração de ferro da pirita presente nos
rejeitos de carvão utilizando uma composição sintética de nutrientes (principalmente fontes de

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nitrogênio e fósforo) e micro-organismos acidofílicos.

Nesse contexto, o presente trabalho enquadra-se nos métodos preventivos, aplicando a técnica bio-
hidrometalúrgica para a obtenção de um produto com valor agregado e de larga aplicação comercial
a partir da pirita presente em rejeitos do beneficiamento de carvão. Para atingir este objetivo foi
montada uma planta piloto na área da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As vantagens do
processo são o baixo consumo de energia e de reagentes para a obtenção do sulfato férrico com
potencial valor comercial.

2. EXPERIMENTAL

2.1. Rejeito de carvão

A amostra de rejeito de carvão mineral foi fornecida por uma empresa da região carbonífera do
Estado de Santa Catarina. O rejeito de carvão passou inicialmente por um processo de
rebeneficiamento utilizando jigagem. Após o processo de jigagem, o material foi disposto no pátio
industrial em uma pilha longitudinal. Nesta pilha foi coletada uma amostra que foi encaminhada ao
laboratório da UFRGS. No laboratório, as amostras foram secas, cominuídas e quarteadas. Foram
coletadas alíquotas para a caracterização do material e o restante foi armazenado em recipientes de
polietileno de alta densidade (PEAD) para posterior uso experimental. Para os ensaios realizados
nas escalas piloto a granulometria foi mantida entre 2-50 mm deixando o mais próximo possível da
condição real de trabalho industrial. A amostragem foi efetuada usando os procedimentos
recomendados na NBR 10 007 (ABNT, 2004). O rejeito foi caracterizado quimicamente em relação
ao teor de enxofre, composição mineralógica e análise imediata. O teor de enxofre total foi medido
em um analisador de enxofre Analisador CHNS da marca Elementar e modelo Vario Macro. Os
enxofres pirítico e sulfático foram determinados por via úmida conforme descrito na norma ISO 157
(1996). O enxofre orgânico foi calculado a partir da subtração do valor de enxofre pirítico e
sulfático do valor de enxofre total. Foram avaliados na análise imediata os seguintes parâmetros:
cinzas, matéria volátil e carbono fixo (ABNT, 1983). Foi realizada análise de fluorescência de raio-
x e avaliação semi-quantitativa das porcentagens de elementos contidos na amostra.

2.2. Água de circulação

A água de circulação utilizada nos ensaios de escala piloto foi a água de circulação chamada de
EDR4, que é uma água oriunda das valas intermediárias das pilhas de rejeito e sendo originada pela
precipitação pluviométrica. O uso da EDR4 como água de circulação no processo foi realizado pela
disponibilidade deste efluente no pátio industrial. Pode-se considerar esta iniciativa impulsionada
com a ideia de reaproveitamento da água da chuva. As características da água de circulação, a
EDR4 foram de pH 2,9; ferro total 110,5 mg.L-1 ; sulfato 18,5 mg.L-1 Número de bactérias A.
ferrooxidans, NMP:100 mL de 102.

2.3. Planta piloto

Foi construída na UFRGS uma planta piloto ocupando uma área de 3 m2. Foi utilizado o modelo de
biolixiviação em pilha utilizando dois reservatórios de capacidade de 0,5 m3. Um deles foi utilizado
como recipiente do rejeito e o outro reservatório contendo a solução concentrada de ferro. Os
aspectos construtivos da planta estão descritas na Figura 1: Difusor: chuveiro de PVC com diâmetro
de 30 cm; Pilha de biolixiviação: reservatório com capacidade de 0,5m3; Bomba de circulação:
bomba submersa Sarlo modelo SB 2000 resistente à acidez do meio; Recipiente do lixiviado:

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COLLING, A.V., THIESEN, R.F.T., MENEZES, J.C.S.D.S., SCHNEIDER, I.A.H.

reservatório com capacidade de 0,5m3 foi utilizado como depósito do concentrado; Sistema de
recirculação: mangueira flexível de látex, difusor, e bomba de recirculação.

No reservatório com capacidade de 0,5 m3 foi disposto 300 kg de rejeito. Uma bomba de circulação
foi colocada no reservatório inferior. A solução de início do processo foi 300 m 3 da solução EDR4.
Foram adicionados os seguinte nutrientes: 0,9kg de sulfato de amônio (NH4)2SO4; 150g de fosfato
hidrogeno de dipotássio K2HPO4; 150g de sulfato de magnésio MgSO4.7H2O; 30g de cloreto de
potássio KCl. A fonte de inóculo foi uma drenagem ácida do módulo B preparada em laboratório
em meio “9K”. Foram utilizados dois reservatórios de 0,25m3 com sistema de segurança de
vazamentos. O funcionamento da planta é obtido pela circulação direta da solução do reservatório
dois para o reservatório um. Esta passa pela pilha de biolixiviação e retorna para a caixa dois
passando por um sistema de retenção de partículas suspensas. Na Figura 1 é mostrada uma imagem
da planta montada. No detalhe da imagem está mostrada a pilha de rejeito e também a solução de
concentrado férrico obtido.

Figura 1. Aspecto construtivo da planta piloto montada na UFRGS. Fonte: Colling, 2012.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Caracterização do rejeito de carvão

Os resultados da caracterização do rejeito de carvão em relação à análise imediata e enxofre são


mostrados na Tabela I. A partir dos resultados obtidos observa-se que o material apresenta 37,3%
de enxofre total, sendo que 36,4% são de enxofre pirítico e 0,9% enxofre sulfático. Assim, o teor de
pirita na amostra foi calculado em aproximadamente 70%, sendo este o composto cristalino
majoritário.

Tabela I. Análises do rejeito de carvão.


Parâmetros Rejeito de carvão, %
Carbono fixo 13,7
Cinzas 59,9
Materiais voláteis 22,7
Umidade higroscópica 3,7
Enxofre sulfático 0,9
Enxofre pirítico 36,4
Enxofre orgânico ND*
Enxofre total 37,3
*ND=Não detectado.

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Nas análises de fluorescência de raio-x, mostrada na Figura 2, e de análise elementar é possível


verificar a presença de componentes como ferro (Fe) e enxofre (S). Identificou-se também silício
(Si), alumínio (Al), potássio (K) e oxigênio (O). É importante verificar que não foram detectados
nas análises metais como mercúrio (Hg) ou demais metais tóxicos que poderiam comprometer a
viabilidade da geração de produtos a partir do rejeito. O elemento platina (Pt) que aparece na
análise por EDS corresponde ao recobrimento do material para análise.

Elementos Porcentagem,%
Alumínio 4
Silício 7,9
Enxofre 37,5
Potássio 1
Cálcio 0,5
Ferro 49

Figura 2. Análise de fluorescência de raios-X do concentrado de pirita e porcentagens da presença de elementos


alumínio, silício, enxofre, potássio, cálcio e ferro na amostra de rejeito de carvão.

A avaliação semi-quantitativa de análise do rejeito através de fluorescência de raio-x mostra que o


ferro e o enxofre são apresentados como compostos majoritários como já citado anteriormente. A
porcentagem de enxofre total apresentou 37,5% de enxofre total e 49% de ferro. Além destas
porcentagens aparecem em menores quantidades o alumínio (4%), sílica (7,9%), potássio (1%) e
cálcio com 0,5%. Cabe ressaltar que esta análise é semi-quantitativa. Porém, os valores obtidos
nesta análise ficaram muito próximos aos obtidos por análise elementar de enxofre via CHNS.

3.2 Ensaios de biolixiviação em planta piloto

A Figura 3 mostra os resultados do acompanhamento semanal do pH do processo de bio-lixiviação


ao longo das nove semanas em escala piloto. Pode-se observar que houve a redução do pH foi mais
marcante nas 2 semanas iniciais, confirmando resultados já obtidos em laboratório. O valor de pH
na nona semana chegou a 0,9. O comportamento do potencial redox também foi semelhante ao
obtido em laboratório. O aumento significativo ocorreu principalmente a partir da segunda semana.
É possível observar que em todas as condições experimentais, houve a necessidade de uma semana
de adaptação. A partir da segunda e terceira semanas ocorreu uma melhor adaptação do processo
onde ocorreu uma diminuição drástica do pH, um aumento do potencial redox e os níveis de
extração de íons ferro e sulfato também foram aumentados. A adaptação dos micro-organismos ao
meio explica estes resultados, uma vez que na contagem de bactérias do gênero A. ferrooxidans
aparece um número considerável também a partir da segunda semana.

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COLLING, A.V., THIESEN, R.F.T., MENEZES, J.C.S.D.S., SCHNEIDER, I.A.H.

7 800

Potencial de oxi-redução, mV
6
600
5
4 400
pH

3
2 200
1
0 0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
Tempo, semana Tempo, semana

Figura 3. Comportamento do pH e potencial redox, mV no experimento piloto.

A Figura 4 mostra, respectivamente, as concentrações de ferro total e sulfato na água de lixiviação


no decorrer das nove semanas. Estes gráficos demonstram o aumento da oxidação da pirita, com a
consequente solubilização do ferro e sulfato.

50 200
40
Sulfato, g.L-1
Ferro, mg.L-1

150
30
100
20

10 50

0 0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
Tempo, semana
Tempo, semana
Figura 4. Comportamento de ferro e de sulfato, [g.L-1], na planta piloto.

Os resultados de A. ferrooxidans foram de 104 e 105 durante todas as semanas de biolixiviação,


exceto na primeira semana que apresentou concentração de 102. Os ensaios em nível piloto foram
também preliminares. Foram realizados alguns ajustes hidráulicos para os ensaios seguintes, como
distribuição homogênea de água circulante, menor taxa de afogamento do rejeito dentro do
reservatório. Espera-se aumentar as quantidades de extração de ferro total e sulfato a partir do
monitoramento de novos parâmetros. Os resultados demonstram que, após 08 semanas, foi possível
obter 500L de uma solução de sulfato férrico com 24 g/L de Fe (praticamente 100% na forma Fe 3+).
Assim, após evaporação, foi possível produzir aproximadamente 190L de coagulante com 12% de
ferro por tonelada ao mês.

3.3. Produção do Coagulante

O lixiviado obtido foi evaporado até uma concentração de ferro entre 100 e 120 g.L-1, exigido para
a comercialização como coagulante. Após o processo de evaporação foram realizadas análises no
coagulante final. A Tabela II apresenta os resultados das análises posteriores ao processo
evaporação. Para fins de comparação, é apresentada também a composição química de um
coagulante comercial de sulfato férrico.

116
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

Tabela II. Composição química do sulfato férrico, coagulante produzido da biolixiviação do rejeito de carvão em
planta piloto.
Especificação da
Parâmetro Sulfato férrico Sulfato férrico SABESP para o
planta piloto comercial sulfato férrico
Fe, (g.L-1) 122,0 115,0 120

Al, (g.L-1) 3,1 4,4 -

Ca, (g.L-1) 2,7 5,7 -

Mn, (g.L-1) 1,6 1,6 -

Zn, (mg.L-1) 24,1 22.4 -

pH 0,7 1,8 < 2,0

CT, (mg.L-1) <0,7 108 -

COT, (mg.L-1) 0,6 104 -

SO4-2, (g.L-1) 182 131 -

Densidade, (g.cm-3) -
1,4 1,4
Density,
A.
(g.cm -3) ferrooxidans, -
ND ND
(NMP:100mL-1)
*ND=Não detectado.

4. CONCLUSÕES

Através dos resultados obtidos no presente trabalho foi possível concluir que é possível, através do
processo bio-hidrometalúrgico, produzir um concentrado de ferro a partir do rejeito de carvão. O
teste em planta piloto é viável para estudos das condições ideais do processo. O extrato lixiviado,
quando evaporado, atingiu a concentração desejável de ferro para a comercialização como
coagulante que é cerca de 120g.L-1. A rota bio-hidrometalúrgica de produção de sulfato férrico a
partir da pirita pode resultar na diminuição do consumo de ácido sulfúrico, sucata ferrosa ou
minério de ferro para a produção de coagulantes. Ainda, pode trazer benefícios econômicos para as
empresas carboníferas a partir do material disposto nos módulos de rejeito, diminuindo seu
potencial poluidor representando ganhos econômicos para empresas do setor mineral. Com as
concentrações de ferro obtidas na planta piloto foi possível concluir que seria necessário processar
3.200 t/mês de rejeito de carvão contendo pirita para abastecer com água tratada uma cidade com
porte de 200.000 habitantes.

5. AGRADECIMENTOS

Rede de Pesquisa de Carvão Mineral, CNPq, Capes e Carbonífera Criciúma por ceder as amostras
de rejeito de carvão.

117
COLLING, A.V., THIESEN, R.F.T., MENEZES, J.C.S.D.S., SCHNEIDER, I.A.H.

6. REFERÊNCIAS

ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. Determinação do teor de cinzas. NBR 8289;
NBR 8290; NBR 8293. Rio de Janeiro, 1983.

ABNT –Associação Brasileira de Normas Técnicas. Amostragem de Resíduos: Procedimento. NBR


– 10.007. Rio de Janeiro: 2004.

COLLING, A. V.; Oxidação da Pirita a partir de rejeitos de carvão mineral para a obtenção de
sulfato férrico. Dissertação de Mestrado apresentada no Programa de Pós-graduação da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010.

COLLING, A. V. Qualificação de doutorado defendida no Programa de Pós-graduação em


Engenharia de Minas, Metalúrgica e Materiais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
2012.

GAIVIZZO, L. B.; VIDOR, C.; TEDESCO, M. J. Recuperação de Áreas Utilizadas para Depósitos
de Rejeito de Minas de Carvão. Cap. 14 do livro Carvão e Meio Ambiente – Centro de Ecologia
UFRGS – Editora da Universidade – UFRGS, p. 480-491, 2000.

ISO - International Organization For Standardization. Hard Coal - Determination of Forms of


Sulfur. ISO 157, 1996.

KONTOPOULOS, A. Acid Mine Drainage Control. In: Effluent Treatment in the Mining Industry.
Castro, S.H.; Vergara, F.; Sánchez, M.A (Editors), University of Concepciòn, p. 57-118, 1998.

MENEZES, J. C. S. S. Produção de Coagulantes Férricos na Mineração de Carvão. Tese de


Doutorado. Escola de Engenharia Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Minas,
Metalúrgica e de Materiais – PPGEM, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, 2009.

MENEZES, J. C. S. M.; SCHNEIDER, I. A. H. Produção do Coagulante - Fe2(SO4)3 - para o


Tratamento de Águas e Efluentes a Partir da Pirita Presente em Rejeitos de Carvão. In: XXII
Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa, 2007, Ouro Preto. Anais.
Ouro Preto: UFOP/UFMG/CDTN, v.II, p. 393-399, 2007.

SCHNEIDER, I. A. H. Controle da DAM na Área do Capão da Roça – Relatório Técnico Copelmi,


2006.

SILVA, R. A.; Recuperação hidrometalúrgica de metais da drenagem ácida de minas por


precipitação seletiva. Tese de Doutorado. Escola de Engenharia, Programa de Pós-Graduação em
Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais – PPGE3M, Universidade Federal do Rio Grande
do Sul – UFRGS, 2010.

118
Caracterização

Material characterization

119
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

ANÁLISE DE IMAGENS DINÂMICA - CARACTERIZAÇÃO DA


DISTRIBUIÇÃO DE TAMANHO E FORMA DE PARTÍCULAS
HAWLITSCHEK, G.1, ULSEN, C.1, KAHN, H.1, MASINI, E.A.1, TOCCHINI, M.1
Universidade de São Paulo, Escola Politécnica. 1Depto de Eng. de Minas e de Petróleo.
gustav@lct.poli.usp.br; carina@lct.poli.usp.br; henrique@lct.poli.usp.br; eamfsini@usp.br

RESUMO

A distribuição granulométrica e a caracterização da morfologia das partículas são parâmetros que


exercem grande influência no comportamento de materiais particulados, que envolve setores desde
a mineração até indústrias farmacêuticas, alimentícias, dentre outros. Análises granulométricas são
conhecidas e utilizadas há décadas com o emprego de diferentes técnicas, sendo o peneiramento e a
difração a laser de baixo ângulo as mais comumente utilizadas no setor mineral. A possibilidade de
se avaliar a forma das partículas pode ser particularmente interessante em diversas áreas de atuação,
tais como: caracterização de partículas geradas por diferentes mecanismos de cominuição
(avaliação de britadores e moinhos), o efeito da morfologia das partículas na eficiência da flotação e
de processos de separações minerais que dependam do comportamento cinético das partículas
(hidrociclones, mesas vibratórias, espirais concentradoras, jigues). Publicações sobre a influência da
morfologia das partículas em diferentes processos de beneficiamento mineral são vastas, no entanto
pouca atenção vem sendo dada à sua compreensão, e as pesquisas existentes, em sua maioria, tratam
a forma das partículas apenas de uma maneira qualitativa principalmente pela falta de uma técnica
que determine quantitativamente tais parâmetros. Neste trabalho é apresentada uma revisão dos
métodos de caracterização de tamanho e forma de partículas e três casos de aplicação da técnica de
análise de imagens dinâmica.

PALAVRAS-CHAVE: morfologia de partículas; tamanho de partículas; análise de imagens


dinâmica.

ABSTRACT

The particle shape and size distribution are parameters that exerts great influence when working
with particulate material, involving from mining to pharmaceutical and food industries and others.
Size analyzes have been used for decades in different types of analysis (different techniques), which
the most commonly used are sieving and low angle laser scattering. However, shape analyzes
consist basically on static analyzes with strong limitations on the number of particles analyzed (low
statistical significance). In the mining industry, the possibility to evaluate the particle’s shape may
be particularly interesting in several areas, for example: characterization of particles generated by
different comminution mechanisms (evaluation of crushers and mills), the effect of particle
morphology in the efficiency of flotation, processes separation and minerals that depend on
particles kinetic behavior (hydrocyclones, vibrating tables, spirals concentrators, jigs). There are
several papers regarding the influence of particle morphology in various mineral beneficiation
processes; however, according to the international literature little attention has been given to its
understanding, and existing researches focus, mostly, with particle’s shape only on a qualitative
approach, mainly by the lack of a technique able to quantify these parameters. This paper presents a
review of characterization methods for particle size and shape and three case studies on the
application of the dynamic image analysis.

KEYWORDS: particles morphology; grain size analysis; dynamic image analysis.

121
HAWLITSCHEK, G., ULSEN, C., KAHN, H., MASINI, E.A., TOCCHINI, M.

1. INTRODUÇÃO

A distribuição granulométrica e a morfologia das partículas são parâmetros que exercem grande
influência quando se trabalha com material particulado, ou seja, inúmeros setores, dos quais se
destacam as indústrias de mineração, farmacêutica, alimentícia e automotiva, tintas, cosméticos,
aerossóis, polímeros, dentre outras.

Na indústria mineral, a possibilidade de se avaliar a forma das partículas pode ser particularmente
interessante em diversas áreas, como por exemplo: caracterização de partículas geradas por
diferentes mecanismos de fragmentação (avaliação de britadores e moinhos), efeito da morfologia
das partículas na eficiência da flotação e de operações unitárias de processamento mineral que
dependam do comportamento cinético das partículas (hidrociclones, mesas vibratórias, espirais
concentradoras, jigues), dentre outras.

Na indústria de construção civil, a distribuição granulométrica e a morfologia das partículas são


fatores extremamente importantes na utilização de agregados, uma vez que influenciam diretamente
no comportamento reológico do sistema e, consequentemente, no desempenho de argamassas e
concretos (OLIVEIRA, STUDART et al., 2000).

Para agregados graúdos (>4,8 mm), a morfologia das partículas é determinada segundo
procedimentos normativos (ABNT, 2008), através da medição manual do maior e menor diâmetro
de cada partícula utilizando um paquímetro em amostras cujas massas mínimas variam de 9 a 32 kg,
dependendo da granulometria. Para agregados miúdos (<48 mm), devido à impossibilidade de
realizar medidas com paquímetro, são utilizadas análises de forma estáticas, normatizadas pela ISO
13322-1/04 (ISO, 2004). Neste tipo de análise as partículas são dispostas sobre uma superfície
plana, suportes ou lâminas e as imagens adquiridas através de microscopia óptica ou eletrônica de
varredura. Esses métodos são extremamente morosos, imprecisos e possuem baixa reprodutibilidade
e representatividade estatística, uma vez que dependem do operador e a aquisição de um número
significativo de partículas ou imagens levaria um tempo extremamente elevado.

Atualmente, com o desenvolvimento de sistemas de análise de imagens dinâmica tem-se a


possibilidade de determinação dos parâmetros geométricos através da análise de imagens obtidas
por fluxo de partículas, possibilitando a caracterização de dezenas de milhares até milhões de
partículas em poucos minutos. Este método de medida é descrito na norma ISO 13322-2/06 (ISO,
2006), sendo a representatividade a principal vantagem em relação aos métodos estáticos; os
equipamentos disponíveis são: CAMSIZER (Retsch Technology1), QICPIC (Sympatec2), CPA
(Haver & Boecker3) e RapidVue (Beckman Coulter4).

O objetivo deste trabalho é apresentar alguns exemplos de aplicações da técnica de análise de


imagens por fluxo dinâmico de partículas, discutindo suas vantagens e limitações.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

Foram analisados três tipos de materiais com características distintas através das técnicas de
peneiramento e análise de imagens dinâmica. Num primeiro caso efetuou-se uma comparação entre
as duas técnicas citadas; num segundo discute-se aspecto morfológico de produtos britados e no
terceiro a influencia da morfologia dos agregados em argamassas.

1 http://www.retsch-technology.com/rt/products/digital-image-processing/camsizer/function-features /
2 http://www.sympatec.com/EN/ImageAnalysis/QICPIC.html
3 http://www.weavingideas.net/us/applications-products/particle-analysis-photo-optical/haver-cpa-models/haver-cpa-3-2.html
4 http://www.beckmancoulter.com/coultercounter/showDoc/doc.do?filename=&fileid=10124

122
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

O peneiramento é uma das técnicas mais antigas e utilizadas não só na indústria mineral como em
diversas outras áreas (SAMPAIO, FRANÇA et al., 2007). Contudo, a análise por peneiramento de
amostras com ampla distribuição é relativamente demorada. Caso haja mais de 5% em massa de
material com granulometria abaixo de 37 µm, torna-se necessário realizar o peneiramento a úmido,
o que aumenta ainda mais o tempo necessário e a eficiência é sempre prejudicada. Neste contexto,
equipamentos de análise de imagens por fluxo dinâmico mostram-se como uma alternativa já que
alguns possuem um módulo de análise em que material fino é disperso com um jato de ar,
resultando em uma distribuição granulométrica mais precisa.

Análises por sistemas de análise de imagens dinâmica foram efetuadas em equipamentos da marca
Retsch, modelos Camsizer L e Camsizer XT; em ambos os equipamentos o material passa por uma
área onde existe uma fonte de luz LED e duas câmeras que captam simultaneamente imagens que
são processadas por um software de análise de imagens. No CAMSIZER L as análises são efetuadas
com o material em queda livre (material seco) em uma área restrita com limites analíticos de 30 µm
a 30 mm; já no CAMSIZER-XT, que opera com material seco e também em meio líquido (<0,6
mm) e tem alcance de 1 µm a 3 mm.

A distribuição de tamanhos de partículas pode ser expressa tanto segundo equivalentes das séries de
peneiras Tyler ou ASTM, como em quaisquer outras faixas definidas pelo usuário (até 50 classes).
Os resultados podem ser expressos em termos de diferentes parâmetros de tamanho, tais como:
diâmetro minimo (x_min), área equivalente (x_area) e diâmetro de Ferret máximo (Fe_max), entre
outros; sendo o “x_min” o que mais se aproxima do peneiramento.

A análise das imagens possibilita também a determinação de diversos aspectos relativos a


morfologia das partículas, sendo os mais utilizados esfericidade (4π.Área / Perímetro2) e relação de
aspecto (x_min/Fe_max). A relação de aspecto (b/l) é de fácil visualização, quanto menores os
valores de b/l mais alongadas serão as partículas. Já a interpretação do parâmetro esfericidade, não é
tão trivial; da maneira como é calculada, representa a angulosidade da partícula, ou seja a
irregularidade do seu perímetro projetado. Portanto, quanto mais próximo de 1, mais uniforme será
uma superfície e quanto mais próximo de 0, mais irregular.

Caso 1 - Análise granulométrica de distribuições amplas

Nesta etapa do trabalho foi utilizada uma amostra de argamassa, composta por areia(-2,0+0,074
mm) e cimento (-30 µm). A análise no CAMSIZER foi realizada a seco com o módulo de pressão
de ar, com pressão de 400 KPa; já o peneiramento foi feito a úmido nas malhas 2,38, 1,19, 0,60, e
0,074 mm.

Caso 2 - Características das partículas geradas por britagem em VSI

A produção de areia artificial (gerada pela britagem de rochas) tem sido realizada por britagem de
impacto vertical (VSI – Vertical Shaft Impactor) desde os anos 90. A utilização do VSI é
principalmente recomendada para produção de areia de brita tipicamente abaixo de 4,8 (areia
grossa) ou 2,4 mm (areia média), por gerar um produto com partículas mais esféricas e
arredondadas, conferindo ao concreto melhor trabalhabilidade (CHAVES e PERES, 2006;
BENGTSSON e EVERTSSON, 2008).

Para avaliação do desempenho de um britador de impacto vertical (VSI) na geração de partículas


mais esféricas, uma amostra de brita, com granulometria abaixo de 19 mm (TQ), foi cominuída em
VSI abaixo de 3,36 mm em três velocidades de rotação: 55 m/s (VSI-55), 65 m/s (VSI-65) e 75 m/s
(VSI-75) e, posteriormente, analisada.

123
HAWLITSCHEK, G., ULSEN, C., KAHN, H., MASINI, E.A., TOCCHINI, M.

Caso 3 - Estudo preliminar da influência da morfologia das partículas em argamassas

Esta etapa consistiu em avaliar o aumento do consumo de água para que argamassas com diferentes
tipos de areia alcancem uma mesma consistência. Para isso, foram utilizadas areias comercializadas
na cidade de São Paulo e com a mesma distribuição granulométrica. É importante garantir que todas
as areias estejam com a mesma granulometria para que a diferença nos consumos de água seja
decorrente das diferenças na morfologia das areias (principalmente área superficial).

As argamassas foram preparadas com a proporção, em volume, de 25% de cimento e 75% de areia e
a água consumida para cada uma foi tal que proporcionasse um espalhamento de 250 mm no ensaio
de mesa oscilatória (ABNT, 2005).

3. RESULTADOS

Caso 1 – Análise granulométrica de distribuições amplas

A figura 1 apresenta as distribuições granulométricas comparativas obtidas por análise de imagens


dinâmica no equipamento Camsizer (parâmetro Xc_min) e por peneiramento a úmido. A
semelhança dos resultados das duas técnicas é evidente, com a vantagem de o Camsizer realizar
cada medida em cerca de 2 minutos, enquanto que o peneiramento, se realizado a seco, leva pelo
menos 20 minutos, e se for a úmido em horas. Além disso, a análise de imagens permite a
caracterização de partículas até a ordem de poucos micrometros, enquanto por peneiramento o
limite inferior é bem maior (dezenas de micrometros).

Adicionalmente, a análise no CAMSIZER apresenta uma elevada repetitividade e com o


detalhamento da curva granulométrica obtida, é possível diferenciar claramente os dois materiais
presentes: areia (>100 µm) e cimento (<30 µm). Com isso, é possível quantificar a proporção de
cada material da argamassa e, assim, realizar um controle de qualidade da formulação.

Areia

Cimento

Figura 1. Distribuição granulométrica comparativa entre análise de imagens e peneiramento de uma argamassa
(areia+cimento).

124
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

Caso 2 - Características das partículas geradas por britagem em VSI

Para efeitos comparativos, são mostradas na figura 2, as frequências de partículas com diferentes
relações de aspecto por faixa granulométrica, de modo que se observa que:
 Para a amostra TQ (somente frações entre 3,36 e 0,15 mm), a relação de aspecto, dentre as diferentes faixas
granulométricas, apresenta um comportamento semelhante, com uma distribuição ampla de valores (entre 0,2
e 0,9);
 Já para as amostras britadas em VSI (VSI-55, VSI-65 e VSI-75), a fração mais grossa (-3,36+2,8 mm)
apresenta uma distribuição bem mais estreita e com valores mais elevados (entre 0,5 e 0,9), em comparação
com as demais frações. A medida que o tamanho das partículas decresce, a amplitude da distribuição da
relação de aspecto aumenta, indicando que quanto menor o tamanho das partículas, maior é a presença de
partículas alongadas (com baixos valores de relação de aspecto).

Essa diferença na morfologia das partículas ao longo do intervalo granulométrico pode ser
explicada analisando-se o mecanismo de fragmentação no VSI. Neste tipo de britador, a quebra de
partículas é feita através do impacto das mesmas contra a câmara de britagem e dentre elas próprias.
Neste mecanismo, as irregularidades superficiais das partículas mais grossas se quebram, gerando
assim um produto com maior esfericidade e mais arredondado (maior relação de aspecto).

Contudo, tais irregularidades removidas durante este processo são partículas mais angulosas e que
se misturam às frações finas geradas, uma vez que não sofrem um novo mecanismo de quebra e
abrasão por terem massa muito reduzida. Isto indica que o VSI gera um produto com partículas
grossas mais arredondas, como descrito na literatura, porém, também gera partículas finas com
formas mais irregulares.

125
HAWLITSCHEK, G., ULSEN, C., KAHN, H., MASINI, E.A., TOCCHINI, M.

50 50
-3,36+2,8 mm -3,36+2,8 mm
-2,8+2,0 mm -2,8+2,0 mm
-2,0+1,18 mm -2,0+1,18 mm
frequência de partículas (%)

40 40

frequência de partículas (%)


-1,18+0,60 mm -1,18+0,60 mm
-0,60+0,30 mm -0,60+0,30 mm
-0,30+0,15 mm -0,30+0,15 mm
30 30

20 20

10 10

0 0
0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
b/l b/l
(a) TQ (b) VSI-55
50 50
-3,36+2,8 mm -3,36+2,8 mm
-2,8+2,0 mm -2,8+2,0 mm
-2,0+1,18 mm -2,0+1,18 mm
40 40
frequência de partículas (%)

frequência de partículas (%)


-1,18+0,60 mm -1,18+0,60 mm
-0,60+0,30 mm -0,60+0,30 mm
-0,30+0,15 mm -0,30+0,15 mm
30 30

20 20

10 10

0 0
0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
b/l b/l
(c) VSI-65 (d) VSI-75
Figura 2. Distribuição da relação de aspecto por faixa granulométrica

Caso 3 - Estudo preliminar da influência da morfologia das partículas em argamassas

As curvas granulométricas das três areias, obtidas pelo equipamento CAMSIZER, assim como o
peneiramento são ilustradas na figura 3. Todas as areias apresentam a mesma distribuição de acordo
com as 2 técnicas, portanto, a influência da granulometria na formulação da argamassa é mínima.

126
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

100
90
80

% acumulada abaixo
70
60
50
40 areia 1
30 areia 2
20 areia 3
10 peneiramento
0
0,1 1 10
tamanho de partículas (mm)

Figura 3. Distribuição granulométrica obtida por análise de imagens das areias

A esfericidade e relação de aspecto médios das amostras são apresentadas na Tabela I. A diferença
máxima de esfericidade é de 0,03 e de relação de aspecto (b/l) de 0,05.

Tabela I. Parâmetros médios das amostras


Areia de diferentes origens
Parâmetros de forma
areia 1 areia 2 areia 3
Esfericidade média 0,807 0,795 0,826
b/l médio 0,674 0,710 0,723

O teor de água, em massa, necessário para que as argamassas alcançassem a mesma consistência
(espalhamento de 250 mm no ensaio de mesa oscilatória) seguiu a ordem crescente: areia 3 - 13,5%
< areia 2 - 16%< areia 3 - 18%; inversa à de relação de aspecto, ou seja, quanto menor a relação de
aspecto das partículas , maior o consumo de água para a mesma trabalhabilidade.

Tomando-se como parâmetro a areia 1, a amostra areia 2 possui esfericidade 4% e relação de


aspecto 2% menores, o que ocasionou em um consumo de 18,5% a mais de água (porcentagem
relativa) para atingir a mesma consistência; já a amostra areia 3, com esfericidade 2% e relação de
aspecto 7% menores, teve um consumo de água 33,3% maior, demonstrando a íntima relação entre
a forma das partículas e o desempenho das argamassas.

4. DISCUSSÃO DE RESULTADOS E CONCLUSÕES

Apesar de publicações sobre a influência da forma das partículas nas operações de processamento
mineral serem vastas, a maioria retrata a morfologia apenas de uma maneira qualitativa. Neste
ponto, a técnica de análise de imagens dinâmica apresenta-se como uma importante ferramenta,
pois analisa milhares de partículas, gerando informações com elevada representatividade e precisão
estatística.

A distribuição granulométrica obtida por peneiramento e a obtida por meio da análise de imagens
no CAMSIZER, segundo o parâmetro “x_min”, apresentam uma elevada semelhança, com a
vantagem da análise de imagens dinâmica realizar a medida em poucos minutos com uma elevada
repetitividade e detalhamento da curva granulométrica, sendo assim possível quantificar
composições de diferentes materiais como areia e cimento, no caso de argamassas.

127
HAWLITSCHEK, G., ULSEN, C., KAHN, H., MASINI, E.A., TOCCHINI, M.

Com a possibilidade da técnica de análise de imagens dinâmica determinar a distribuição


morfológica das partículas por faixa granulométrica, a análise das amostras geradas por britagem
em VSI demonstraram que este gera um produto com partículas grossas mais arredondas, como
descrito na literatura, porém, também gera partículas finas com formas mais irregulares.

Naa formulação de argamassas com areias apresentando mesmas curvas de distribuição


granulométrica, porém com diferentes morfologias verifica-se que um aumento na relação de
aspecto médio de 0,05 pode resultar em um aumento de cerca de 30% no consumo de água para
uma mesma trabalhabilidade.

5. REFERÊNCIAS

ABNT: NBR 13276:2005: Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos -


Preparo da mistura e determinação do índice de consistência. 2005.

______: NBR-7809: Versão Corrigida - Agregado graúdo - Determinação do índice de forma pelo
método do paquímetro - Método de ensaio. 2008.

BENGTSSON, M.; EVERTSSON, C. M. Modelling of output and power consumption in vertical


shaft impact crushers. International Journal of Mineral Processing, v. 88, n. 1-2, p. 18-23, 2008.

CHAVES, A. P.; PERES, A. E. C. Britagem, peneiramento e moagem. 3. São Paulo: Editora


Signus, 2006. 250 p.

ISO. 13322-1 Particle size analysis - Image analysis methods - Part 1: Static image analysis
methods. STANDARDIZATION, I. O. F.: 39 p. 2004.

______. 13322-2 Particle size analysis -- Image analysis methods -- Part 2: Dynamic image analysis
methods. STANDARDIZATION, I. O. F. 2006.

OLIVEIRA, I. R.; STUDART, A. R.; PILEGGI, R. G.; PANDOLFELLI, V. C. Dispersão e


empacotamento de partículas: princípios básicos e aplicações em processamento cerâmico.
Fazendo Arte Editorial, 2000.

SAMPAIO, J. A.; FRANÇA, S. C. A.; BRAGA, P. F. A. Tratamento de minérios: prátricas


laboratoriais. Rio de Janeiro: CETEM/MCT, 2007. 507 p.

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XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern
Hemisphere on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

AVALIAÇÃO DE DIFERENTES TÉCNICAS DE ANÁLISE DE TAMANHO


DE PARTÍCULAS PARA AMOSTRAS FINAS DE MINÉRIO DE COBRE

LIMAVERDE, M.S.V.1, BERGERMAN, M.G.2, DELBONI JR., H.3


1
Universidade de São Paulo. stella.limaverde@usp.br
2
Universidade Federal de Alfenas. mauricio.bergerman@unifal-mg.edu.br
3
Universidade de São Paulo. hdelboni@usp.br

RESUMO

A caracterização física de partículas é de extrema importância para a indústria mineral como um


todo. O comportamento das partículas em circuitos de britagem e moagem, operações de
concentração e separações sólido-líquido é altamente dependente dos seus tamanhos. Existe hoje
uma ampla gama de métodos de análise de tamanho de partículas baseados em diferentes técnicas e
diferentes princípios físicos, medindo diâmetros equivalentes distintos. Como consequência, os
resultados obtidos com tais análises apresentam significados próprios, o que muitas vezes não é
levado em consideração. Este trabalho apresenta um estudo comparativo de diferentes técnicas de
análise de tamanho de partículas para amostras do circuito de remoagem de minério de cobre da
mina do Sossego, da Vale. As técnicas estudadas foram: analise dinâmica de imagens (CAMSIZER
XT); classificação (Cyclosizer); espalhamento de luz laser de baixo (Malvern Mastersizer 2000); e
peneiramento. Concluiu-se que a seleção do método mais adequado depende de uma série de
fatores, tais como: qualidade, custo, tempo e faixa de aplicação dos ensaios.

PALAVRAS-CHAVE: distribuição de tamanho de partículas; caracterização tecnológica; cobre.

ABSTRACT

Physical characterization of particles is extremely important for the mineral industry as a whole.
The particle behavior in crushing and milling, concentration and solid-liquid separation is size
dependent. A number of different techniques are currently available for particle size analysis, which
are based on different physical principles, measuring different equivalent diameters. As a
consequence, the results obtained according to each technique should be considered. This work
presents a comparative study of different techniques for particle size analysis as carried out on
samples obtained from the Sossego regrinding circuit. The studied methods were: dynamic image
analysis (CAMSIZER XT); classification (Cyclosizer); low angle laser light scattering (Malvern
Mastersizer 2000); and sieving. The selection of the most adequate method depends on: quality,
cost, time and application range.

KEYWORDS: particle size distribution; technological characterization; copper.

129
LIMAVERDE, M.S.V., BERGERMAN, M.G., DELBONI JUNIOR, H.

1. INTRODUÇÃO

A importância dos materiais particulados na sociedade moderna tem se tornado cada vez mais
notável. Na indústria mineral, mais especificamente na área de processos, cujo objetivo principal é a
obtenção de produtos com propriedades específicas, os sistemas de materiais particulados exercem
um papel de extrema importância desde o minério lavrado até o concentrado final.

Meloy e Clark (1986) afirmam que, na área de beneficiamento mineral, as seguintes características
das partículas são importantes para se determinar o comportamento das mesmas: tamanho,
densidade, características superficiais e forma. De acordo com Rhodes (2008), a caracterização de
tamanhos só pode ser realizada de forma fácil e acurada para populações que contenham apenas
partículas esféricas ou cúbicas. Entretanto, é preciso lembrar que partículas reais possuem formas
que requerem mais de uma dimensão para descrevê-las.

1.1. Tamanho de partículas

A caracterização dos tamanhos de partículas difere das outras formas de caracterização de materiais,
uma vez que, se não para partículas homogêneas e esféricas, um único resultado de tamanho não é
facilmente obtido. Para partículas não regulares diversos diâmetros podem ser utilizados para a
caracterização dos tamanhos, uma vez que essas partículas possuem três dimensões.

Geralmente, o diâmetro das partículas é expresso em termos do diâmetro da esfera equivalente. Esse
diâmetro reproduz o diâmetro de esferas com propriedades geométricas ou físicas semelhantes às
das partículas não esféricas, sendo que uma lista dos diâmetros equivalentes mais comumente
empregados na caracterização física de partículas pode ser observada em Allen (1997).

1.2. Técnicas de análise de tamanho de partículas

Segundo Davies (2001) os métodos de análise de tamanho de partículas podem ser classificados em
seis grupos, sendo eles: Métodos visuais; Métodos de separação; Métodos de varredura de fluxo;
Métodos de varredura de campo; Sedimentação; e Métodos de superfície.

Cada método possui uma faixa de aplicação, conforme ilustrado na tabela I, que é dada pelos limites
de medição e de detecção. O primeiro caracteriza a faixa em que a medição é restrita, ou seja,
partículas fora dessa faixa também são detectadas e quantificadas. Conforme, por exemplo, o
peneiramento. Já no segundo caso, partículas fora da faixa de detecção não são reconhecidas, apesar
de o método considerá-las como distribuídas dentro da mesma.

Tabela I. Faixas de tamanho recomendadas para cada método de determinação de tamanho de partículas
(WILLS e NAPIER-MUNN, 2006, adaptado pela autora).
Fracionamento da Faixa de aplicação
Método Seco ou úmido (μm)
amostra

Peneiramento Ambos Sim 5 – 100.000

Difração a laser Ambos Não 0,1 – 2.000

Microscopia óptica Seco Não 0,2 – 50

130
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern
Hemisphere on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

Microscópio eletrônico de 0,005 – 100


Seco Não
varredura
Elutriação (cyclosizer) Úmido Sim 4 – 45

Sedimentação (gravidade) Úmido Sim 1 – 40

Sedimentação (centrífuga) Úmido Sim 0,05 - 5

A análise dinâmica de imagens é um método óptico-eletrônico, que mede tamanho e forma de


partículas através da análise de imagens por fluxo dinâmico, em duas dimensões. O equipamento
CAMSIZER XT, fabricado pela empresa Retsch Technology, fornece resultados tanto de tamanhos
de partículas, quanto de aspectos morfológicos das mesmas, tais como: esfericidade, relação de
aspecto, convexidade e simetria. Os resultados podem tanto ser expressos em malhas de peneiras da
série Tyler e ASTM como em quaisquer outras faixas definidas pelo usuário.

A medição da distribuição de tamanhos dá-se pela avaliação, através de um software, das projeções
das partículas, que se movem por ação da gravidade, ar comprimido ou fluido, no campo de medida.
Conforme Westermann (2010), a velocidade de medição é de cerca de 275 imagens por segundo,
com aproximadamente 100 partículas por imagem. Para isso são utilizadas duas câmeras alinhadas e
opostas a duas fontes de luz, que realizam a iluminação. Uma das câmeras, com alta resolução,
detecta partículas menores em um pequeno campo de medida. A outra, com menor resolução,
detecta partículas maiores

A classificação, aqui referida como separação de partículas por tamanhos em meio fluido,
geralmente água ou ar, tem por base o movimento das partículas, suspensas em diferentes pontos,
sob diferentes forças, que podem ser gravitacionais, centrífugas ou de Coriolis. O cyclosizer,
equipamento utilizado, é composto por ciclones hidráulicos elutriadores, que realizam classificação
sequencial.

As medições por espalhamento de luz laser de baixo ângulo, realizadas no Malvern Mastersizer
2000, se enquadram nos métodos de varredura de campo. Segundo Allen (1997), nesses métodos a
distribuição de tamanhos de uma população de partículas é inferida pela interação entre a população
e o dispositivo de medida.

A distribuição de tamanhos gerada tende a ser ampliada devido ao fato de que as partículas são
medidas em todas as direções. Assim, partículas finas tendem a dar maior peso ao final da parte fina
da distribuição.

O peneiramento, considerado por Heywood (1970) como sendo a Cinderela dos métodos de análise
de tamanho de partículas é, certamente, o método mais utilizado, que faz o trabalho mais duro e
recebe o menor crédito.

O procedimento operacional consiste inicialmente na colocação de uma amostra sobre uma


superfície e na agitação da mesma. A separação depende somente da largura máxima e da espessura
máxima das partículas, sendo que o comprimento só afetará de fato o processo se for excessivo.

131
LIMAVERDE, M.S.V., BERGERMAN, M.G., DELBONI JUNIOR, H.

2. OBJETIVOS

Pretende-se com a realização do presente trabalho confrontar estimativas obtidas para tamanhos e
distribuições de tamanhos de partículas através de diferentes técnicas de análise, comparando
características tais como, qualidade, tempo e custo dos ensaios e estabelecendo desse modo
vantagens e desvantagens de cada método. Cabendo ainda ressaltar que a escolha de um método
mais adequado não fez necessariamente parte do escopo deste trabalho.

3. MATERIAIS E MÉTODOS

A realização dos ensaios contou com amostras de minério de cobre da mina do Sossego, que foram
retiradas de diferentes etapas do circuito de remoagem em diferentes dias. Ao todo foram utilizadas
dezesseis sendo:

 Nove de concentrado cleaner (CF1, CF2, CF3, CF4, CF5, CF6, CF7, CF8, CF9 e CF10);
 Duas de alimentação dos ciclones (AL1 e AL2);
 Duas de descarga do moinho vertical (DM1 e DM2);
 Duas do underflow dos ciclones (UF1 e UF2).

Tais amostras foram secas, desagregadas e ensaiadas em separado. Os equipamentos empregados


nos ensaios foram: CAMZISER XT, Cyclosizer, Malvern Mastersizer 2000 e peneiras. Foram
utilizadas peneiras com as seguintes aberturas: 610; 425; 300; 212; 150; 105; 75; 53; 45; e 38 μm.

A qualidade dos resultados de cada equipamento foi estudada através da análise da repetitividade
dos mesmos, sendo que a íntegra da metodologia adotada e dos resultados obtidos encontra-se em
Limaverde (2012).

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

No que se refere à determinação de tamanho de partículas, os ensaios realizados com o CAMSIZER


XT indicaram elevada aderência com os resultados obtidos nas medições por peneiramento,
conforme demonstra a figura 1.

Figura 1. Resultados dos ensaios no CAMSIZER XT e por peneiramento para a amostra UF2

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XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern
Hemisphere on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

Tal aderência deveu-se ao fato de que ambos as técnicas realizaram medições diretas da largura
máxima e da espessura máxima das partículas Para realizar a comparação entre os resultados
estudou-se a correlação através do coeficiente de Pearson estudando-se os valores de d95, d80 e d50.
Os resultados obtidos, indicados na tabela II, apontaram que os ensaios realizados através do
CAMSIZER XT e do peneiramento apresentaram alta correlação.

Tabela II. Resultados para correlação entre o CAMSIZER XT e peneiramento para a amostra UF1
CAMSIZER XT Peneiramento Coeficiente de
Tamanho
Ensaio Ensaio Ensaio Ensaio Ensaio Ensaio correlação de
(μm)
1 2 3 1 2 3 Pearson
d95 172 151 173 167 163 171 0,9
d80 93 92 99 93 95 97 0,8
d50 54 55 59 57 56 61 0,9

Os resultados obtidos para o Cyclosizer mostraram-se na mesma tendência que os demais, porém
indicando uma distribuição de tamanhos menores, quando comparados os valores de d50 com os
demais resultados, conforme ilustra a figura 2.

Figura 2. Resultados para o CAMSIZER XT, Malvern, peneiramento e Cyclosizer, o para a amostra DMV1.

O Malvern apresentou como característica marcante uma distribuição mais ampla de tamanhos. A
figura 3 ilustra tal fato, mostrando uma comparação entre os dois equipamentos com maior gama de
tamanhos medidos, CAMSIZER XT e Malvern.

Destaca-se também que, dentre todos os equipamentos estudados, o Malvern apresentou melhores
resultados quanto à detecção de partículas finas, abaixo de 1 μm, uma vez que nenhum dos outros
permitiu a medição de valores inferiores a esta faixa de tamanho.

Os resultados dos peneiramentos foram obtidos com limite inferior de medição, que caracteriza a
faixa em que a medição é restrita, neste caso o valor da menor abertura empregada, de forma que
todas as partículas menores que esse valor foram consideradas como undersize. Diante deste fato é

133
LIMAVERDE, M.S.V., BERGERMAN, M.G., DELBONI JUNIOR, H.

possível verificar que o método não é adequado para amostras com grande número de partículas
menores que a menos abertura de peneira utilizada, como é o caso das amostras de concentrado
final estudadas.

Figura 3. Resultados para o CAMSIZER XT e o Malvern para a amostra AL2.

Tratando-se de determinação da qualidade dos ensaios, podem ser observados, na tabela III, os
resultados de desvios padrões relativos obtidos para os ensaios realizados através do CAMSIZER
XT, Malvern, e peneiramentos.

Tabela III. Resultados obtidos para repetitividade para o CAMSIZER XT


Desvio Padrão Relativo (%)
Tamanho (μm)
CAMSIZER XT Malvern Peneiramento
d95 10 1,3 2,4
d80 8,2 1,5 2
d50 6,3 1,7 4,5
d10 21,7 4,4 *
*
Os valores de d10 não são de possível obtenção devido à faixa de medição do método.

É fundamental ressaltar os desvios padrões relativos obtidos têm acentuado aumento quando se trata
de diâmetros menores, no caso d50 e d10, com destaque para o CAMSIZER XT, que apresentou
valores de até 21,7% no estudo da repetitividade do d10. Tal conjuntura pode ser justificada pela
dificuldade de manipulação de amostras contendo partículas de tamanhos inferiores a 50 μm.

Devido à restrição na faixa de aplicação do método de sedimentação gravitacional optou-se por


estudar a repetitividade do mesmo a partir da porcentagem de material retido por tamanho de
partícula medido e não por valores de d95, d80, d50 e d10. Os desvios padrões relativos, em
porcentagem, para os tamanhos de 31, 23, 16, 11, e 8 μm, foram, respectivamente, 4,9; 9,6; 10,5;
7,8; e 4,9.

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Os resultados obtidos de estimativa de tamanho de partículas não possuíram uma forma de


comparação direta. Cada método estudado demonstrou possuir características próprias, sendo
algumas vantajosas e outras nem tanto. Dessa forma foi possível estabelecer parâmetros de
comparação para facilitar a escolha de um método mais adequado, conforme sugere a tabela 5.

A escolha deverá levar em conta a situação em que a medida será realizada. Por exemplo, em um
caso em que se precisa de uma medição contínua com boa repetitividade, recomenda-se a realização
de ensaios por espalhamento de luz laser de baixo ângulo, já no caso de se desejar obter resultados
para partículas grosseiras, com recuperação de alíquotas de frações discretas, o peneiramento é o
método mais adequado. Cada método estudado demonstrou possuir características próprias, sendo
algumas vantajosas e outras nem tanto. A análise dinâmica de imagens através do CAMSIZER XT
apresentou diversas opções de resultados, tais como, mais de um diâmetro equivalente, forma e
superfície específica. Além disso, os ensaios apresentaram boa correlação com o peneiramento,
método mais utilizado na indústria mineral.

Tabela IV. Comparação entre as principais características de cada método de medida


Análise dinâmica Espalhamento de
Classificação
de imagens luz laser de baixo Peneiramento
(Cyclosizer)
(CAMSIZER XT) ângulo (Malvern)
Custo aproximado
R$ 200,00 R$ 500,00 R$ 150,00 R$ 350,00
do ensaio
Custo de aquisição
Alto Médio Alto Baixo
do equipamento
Grau de automação Alto Baixo Alto Nenhum
Massa aproximada
Um grama Cinquenta gramas Cinco gramas Trezentos gramas
de amostra utilizada
Influência da
habilidade do Alta Alta Alta Média
operador
Qualidade dos
Média Média Boa Boa
ensaios
Tempo aproximado Cinco minutos Uma hora Cinco minutos Três horas
Possibilidade de
recuperação de Não é possível É possível Não é possível É possível
alíquotas discretas
Possibilidade de
Diâmetro
seleção em Da área projetada De volume Da peneira
equivalente medido
diferentes bases
Faixa de aplicação 1 - 3.000
4 – 45 0,02 – 2.000 5 – 100.000
(μm) 30 - 30.000

Todavia, quando se considerou sua repetitividade, o método perdeu robustez. Valores de desvio
padrão relativo altos foram observados tanto nas frações extremas. Tal fato pode ter sido acarretado
pela dificuldade de se obter uma amostra representativa com a massa necessária para a realização
do ensaio, bem como por uma possível aglomeração da amostra, uma vez que, para evitar algum
tipo de quebra, optou-se por não utilizar o dispositivo de ultrassom nas medidas. Estudos acerca de
tal fato estão sendo realizados de modo que possivelmente erros como esses possam ser
minimizados futuramente.

A classificação se mostrou um método de difícil execução e interpretação dos resultados, o que


justificou seu custo elevado. Entretanto, é importante levar em conta que fatores como tempo de

135
LIMAVERDE, M.S.V., BERGERMAN, M.G., DELBONI JUNIOR, H.

medida e possibilidade de recuperação de alíquotas com frações discretas forneceram ao Cyclosizer


destaque.

Os ensaios por espalhamento de luz laser de baixo ângulo através do Malvern se mostraram
extremamente eficientes quando são desejados resultados rápidos, com elevada qualidade e
confiabilidade. Além disso, é valido destacar sua eficiência na medição de partículas de pequeno
diâmetro, o que faz com que o método seja praticamente imbatível nessa faixa de tamanhos.

O peneiramento demonstrou fazer jus à sua popularidade, uma vez que, apesar da faixa de aplicação
com limite inferior restrito, apresentou bons resultados frente à repetitividade, além da extrema
facilidade operacional. É válido considerar que apesar do custo do ensaio ser ligeiramente elevado
quando comparado aos demais, o custo de aquisição do equipamento utilizado é inferior.

Em face do exposto, também é necessário considerar que cada método possui sua própria forma de
medição e, assim, apresenta valores distintos de tamanhos de partícula, que, se desejado, podem ser
combinados com a devida correção.

5. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Como principal conclusão, o presente trabalho demonstrou que de acordo com o princípio de
medida empregado no método de análise de tamanhos de partículas é obtido um tipo de diâmetro
equivalente. Assim, diferentes resultados de distribuição de tamanhos são obtidos para uma mesma
amostra.

A escolha do método mais adequado está diretamente associada a diversos fatores, como faixa de
tamanho em que se encontra a amostra, custo e tempo despendidos, qualidade desejada, massa
disponível, possibilidade de recuperação de alíquotas com frações discretas, meio de suspensão,
impacto da habilidade do operador nos resultados, diâmetro equivalente adequado e grau de
automação.

Nunca é demais insistir que não existe método melhor ou pior, uma vez que a adequação do método
varia conforme os fatores já citados. Do mesmo modo, recomenda-se que comparações diretas entre
as técnicas sejam evitadas, a não ser que para a mesma técnica ou com a aplicação correta de fatores
de correção e que para qualquer distribuição de tamanhos de partículas, o método de medição deve
ser citado, evitando-se, assim, uma possível interpretação errônea dos resultados.

6. REFERÊNCIAS

ALLEN, T. Particle size measurement. Volume 1. Powder sapling and particle size measurement.
London: Chapman & Hall. 1997. 5th ed. 525 p.

DAVIES, R. Size measurement. In: Powder technology handbook. Edited by Masuda, H,


Higashitani, K., Yoshida, H. Boca Raton: CRC Press. 2001. p. 13 a 32.

HEYWOOD, H. Proc. Particle Size Analysis Conf., Ed M.J. Groves and J.L. Wyatt-Sargent, Soc.
Analyt. Chem., 1970.150, 177.

LIMAVERDE, M.S.V. Técnicas para análise do tamanho de partículas: Um estudo comparativo.


2012. 93 p. Monografia (Trabalho de Formatura) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo,
São Paulo, 2012.

136
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern
Hemisphere on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

MELOY, T.P.; CLARK, N.N. Modern particle shape analysis: it’s meaning, relevance and
problems. In: Advances in mineral processing, 1986, Vancouver. Proceedings: Symposium
honoring Nathaniel Arbiter, 1986. Littleton: SME, 1986. p. 67 - 80.

RHODES, M. Introduction to fine particle technology.2 ed. Willey: West Sussex. 2008. 450 p.

WESTERMANN, J. Particle Size Distributions - Dynamic Image Analysis Beats Laser Diffraction
in a Micron to MillimiterRange.GIT Laboratory Journal Europe, v. 14, n 9/10, p. 34-41, 2010.

WILS, B.A.; NAPIER-MUNN, T. Wills’s mineral processing technology: an introduction to the


practical aspects of ore treatment and mineral recovery. Elsevier, 2006.

137
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

CARACTERÍSTICAS PETROGRÁFICAS DE ROCHAS ESCURAS E SUA


CORRESPONDÊNCIA COM ALTERABILIDADE, RESISTÊNCIAS E
ÍNDICES FÍSICOS; EXEMPLO DO PRETO SÃO MARCOS

FONTES, T.M.K.1, OLIVEIRA, F.M.C.1, SANTOS, R.B.1, MELO, E.B.1, SILVA, S.A.2
1
PPGEMinas/UFPE. thakalix@hotmail.com; felisbela.oliveira@ufpe.br; ar.arqeng@gmail.com;
evenildodemelo@yahoo.com.br;2Universidade Federal do Ceará. suelyandradeufc@gmail.com.

RESUMO

A rocha ornamental é destaque na cadeia produtiva do material pétreo. O reuso dos rejeitos das
pedreiras para produção de agregado graúdo promove o zelo ambiental e uso sustentado. Materiais
pétreos com minerais supramilimétricos apresentam menor alterabilidade, aqueles com
granulometria submilimétrica, tem maior resistência à compressão e maior alterabilidade. As rochas
silicáticas escuras, cuja composição apresenta mais plagioclásios e minerais ferromagnesianos,
sobretudo piroxênios, anfibólios e micas, mostram maior susceptibilidade de alterabilidade, seja em
meio anidro (oxidação), seja em meio aquoso, através da hidratação. Os fissuramentos da rocha
estão associados a manchas que resultam em padrões estéticos monitoráveis. Rochas escuras sofrem
limitações para aplicação otimizada, seja em ambientes muito úmidos, graças à susceptibilidade às
alterações. São dotadas de feições estéticas com brilhos localizados com iridiscência nas superfícies
de micas, ou cintilância das alterações carbonáticas dos seus minerais. Há grande quantidade de
rejeitos, seja pela forma inadequada de extração dos blocos associada ao estado de deformação
frágil-rúptil do local, seja pela falta de reprodutibilidade de alguns padrões estéticos. Daí a
importância de sua reutilização à produção de brita e areia para construção.

PALAVRAS-CHAVE: Preto São Marcos; minerais ferromagnesianos; gabros; reuso de rochas.

ABSTRACT

Dimension stone is featured in the production chain of stony material. The reuse of tailings from the
quarries to produce coarse aggregate promotes environmental care and sustainable use. Stony
materials with supramillimetric minerals show lower alterability, those with submillimeter grain
size, have greater compressive strength and greater changeability. The dark silicate rocks which
composition show more plagioclase and ferromagnesian minerals, especially pyroxene, amphiboles
and micas, show increased susceptibility alterability, either in anhydrous medium (oxidation) or in
aqueous medium, through hydration. The rock’s cracks are associated with stains that result in
aesthetic standards monitored. Dark rocks suffer limitations for optimized application, in extremely
humid environments, thanks to the susceptibility to changes. They are endowed with aesthetic
features with sparkles located with iridescence on the surfaces of mica, or shine from the changes of
its carbonate minerals. There are loads of wasting, either by improperly extracting of the blocks
associated with the state of brittle deformation of the brittle-site, either by lack of reproducibility of
some aesthetic standards. Hence the importance of reuse in production of sand and gravel for
construction.

KEYWORDS: São Marcos Dark; ferromagnesian minerals; gabbros; rocks reuse.

139
FONTES, T. M. K., OLIVEIRA, F. M. C., SANTOS, R. B., MELO, E. B., SILVA, S. A.

1. INTRODUÇÃO

É sabido que na cadeia produtiva do uso de material pétreo é destacada a aplicação como rocha
ornamental. Também compõem a referida cadeia produtiva as produções de pedra-rachão e cantaria.
Outrossim, a rocha ornamental é utilizada nas modalidades flamejada, apicoada, serrada, levigada
ou polida, o que caracteriza a amplitude de sua utilização.

Finalmente, rochas sedimentares, metamórficas e ígneas são extensivamente utilizadas com a


finalidade ornamental, dado que contribui ainda mais para a importância do material pétreo e,
consequentemente com as possibilidades de aproveitamento cada vez mais racionalizado, inclusive
com os estímulos ao pertinente zelo ambiental e o decorrente uso sustentado. Exemplos são
inumeráveis, mas podem ser destacados desde rochas sedimentares clásticas (o arenito tipo
Panetone), evaporíticas carbonáticas (calcário da região do Araripe, etc), rochas metamórficas
(metaconglomerado verde tipos Gauguin e Fashion, quartzito Azul Bahia, outros quartzitos, filitos e
ardósias, cordierita-xistos (“Black Cosmic”) até as rochas magmáticas mais predominantes, sejam
granitoides a gabróides.

Por fim ênfase cabível é para a utilização do material como agregado graúdo, dado que
consubstancia o aproveitamento otimizado das pedreiras.

2. APROVEITAMENTO OTIMIZADO DO MATERIAL PÉTREO

Os materiais pétreos têm variada utilização nas obras civis. Desde materiais de revestimento que
embelezam e protegem a obra até as pedras britadas que constituem os concretos, lastros, drenos,
etc. O conhecimento das características dos materiais pétreos orientam sua aplicação e uso.

2.1. Características do Material Pétreo

Materiais pétreos com minerais supramilimétricos possuem menor suscetibilidade à alterabilidade,


enquanto aqueles com granulometria mais fina, submilimétrica, desdobram maior resistência à
compressão, afora maior alterabilidade. Tal comportamento é mais extensivo nos minerais mais
presentes e, portanto, adiciona-se o fator composição molecular dos minerais essnciais, cujo
somatório totaliza cerca de 90% do volume da rocha.

Assim, feldspatos e seus intercrescimentos, bem como os minerais ferromagnesianos são aqueles
que precisam ser mais enfocados nas respectivas observações, sempre considerando o enfoque dos
parágrafos anteriores.

As rochas silicáticas de cor escura, não raro mais frequentes segundo os tipos petrográficos
gabróides (dioritóides ou monzonitóides) cuja composição envolve maior presença de plagioclásios
e minerais ferromagnesianos, sobretudo piroxênios, anfibólios e micas, apresentam maior
susceptibilidde de alterabilidade, seja em meio anidro (oxidação), seja em meio aquoso, através da
hidratação.

Quimicamente, os plagioclásios balanceiam os conteúdos em sódio e cálcio. Nas rochas mais


máficas, geralmente as espécies são andesínicas a labradoríticas, mais ricas em cálcio e daí, quando
alteram em meio aquoso, há maior chance de precipitação de hidróxidos de cálcio,
concentricamente e na forma de geles, incorrendo em correspondente aumento de massa no volume
da rocha.

140
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

Quando alteram em meio seco, são mais susceptíveis à oxidação, dado melhor observável nos
minerais férrico-ferrosos. Como a oxidação se desdobra na agregação de massa provoca expansão e
quebra do volume e da estrutura da rocha, incidindo em microfissuramentos, onde predominam as
cores dos óxidos e hidróxidos mais frequentes.

O resultado do conteúdo em ferro são as cores predominantes das suas substâncias minerais
formadas por ocasião da alteração, inclusive nas fissuras. A cor preta até alaranjada, associa-se com
presença de ghoetita ou limonita,respectivamente, quando em meio aquoso. Quando o meio é seco,
resulta na cor avermelhada a amarronzada que se associa com a presença da hematita.

Quanto à textura, ênfase para formas concêntricas, graças à precipitação dos hidróxidos formados
no meio aquoso, conforme supramencionado. Quando a oxidação é mais marcante, pois o meio é
seco, predominam formas desde irregulares a prismáticas, conforme o óxido dominante.

2.2. Índices Físicos

As amostras ocorrentes em Casserengue, Preto São Marcos, devem apresentar valores de massa
específica e densidade mais altos que outras rochas ornamentais, refletindo-se em baixos valores
dos índices de porosidade e absorção de umidade, que, todavia, variam inversamente com a
granulometria dos minerais. Outrossim, a ausência ou rara presença de quartzo deve contribuir com
maior valor para a massa específica aparente e também com baixo valor na absorção de umidade,
salvo ao longo de microfissuramentos intergrãos, localizadamente associados com campos de
deformação frágil-rúptil. Oportuna a ênfase quanto à alta resistência ao impacto que a ausência
desse mineral desdobra em rochas com minerais ricos em clivagem como é o caso dos feldspatos,
micas, anfibólios e piroxênios.

Finalmente, tratando-se de rocha com composição essencialmente silicática, a rara presença de


quartzo não interfere sobremodo na abrasividade, não restringindo portanto a aplicação melhor
otimizada, inclusive em pisos, desde que de baixa trafegabilidade.

Portanto os valores das massas específicas de rochas escuras, enquadráveis com ordem mais alta do
que as demais rochas ornamentais, média a baixa e, em contrapartida, os medianos índices de
porosidade e de absorção de água, mais a boa coesão da rocha, reforçam sua utilização ornamental.

2.3. Estética

É bastante oportuna a identificação e compreensão do aspecto estético, no qual, rochas ornamentais


escuras como as de Casserengue têm destaque em singularidades como a conjugação de
iridiscência, refletividade diferenciada e fechamento do brilho, acentuados pela associação de
alterações minerais distintas como oxidação, carbonatação e hidratação natural dos silicatos no
processo de cristalização de piroxênios, anfibólios, micas. Acrescente-se a relação da presença de
feldspatos, com geminações e intercrescimentos associados, com as alterabilidades naturais. A
tendência de vinculação entre as tonalidades de cor escura com o verde e marrom, também
integrante das feições estéticas, decorre da presença de associações de anfibólios e micas,
subordinadamente epidoto. Destaque-se, no caso do Preto São Marcos a ausência de cor verde, dado
associado com a pouca presença de epidoto, que o coloca no mercado, lado a lado com o Preto São
Gabriel, do Estado do Espírito Santo.

141
FONTES, T. M. K., OLIVEIRA, F. M. C., SANTOS, R. B., MELO, E. B., SILVA, S. A.

2.4. Alternativas De Uso

As correspondências conceituais supracitadas também dão origem às patologias dos concretos,


quando rochas com aquelas características são aproveitadas como matéria-prima integrante dos
agregados graúdos, isto é, britas.

Portanto, as patologias em concretos, sobremodo quando utilizados em paredes de barragens -


conhecidas como reação Reação Álcali-Silicato (RAS) - são contraindicadoras da utilização dos
rejeitos das pedreiras de rochas ornamentais que explorem rochas máficas férrico-ferrosas na
atividade da construção civil.

Logo, a utilização dos seus rejeitos à produção de brita, deve sempre ser cercada de análise das
condições reinantes no local de aplicação, principalmente e, sobretudo em obras mais susceptíveis
às patologias de concreto.

Por fim, quanto à construção civil, deve ser investigada a possibilidade de utilização dos rejeitos
dessas pedreiras na fração areia, graças à susceptibilidade e possibilidade de resultar num agregado
miúdo de maior resistência ao impacto, ao contrário das areias quartzosas naturais, embora com a
acentuação dos riscos à alterabilidade.

Todavia o conteúdo em magnésio pode permitir a sua utilização como um substrato agrícola
utilizável no sentido da melhoria da fertilidade e adequação de regiões de plantios extensivos ou
intensivos (preparação de mudas), sobremodo na otimização de planejamentos ao desenvolvimento
sócio-econômico.

É sempre oportuno lembrar que a disputa entre magnésio e alumínio, que possuem raios atômicos
próximos e cargas elétricas diferentes, tende a ocorrer na relação 3Mg:2Al, dado que se reflete na
inibição do alumínio e no comportamento pouco esturricado do substrato, permitindo melhor
desenvolvimento de mudas.

3. CONCLUSÕES

Do exposto, os campos de fissuramento da rocha estão associados com manchamentos que resultam
em padrões estéticos monitoráveis.

Portanto, rochas escuras sofrem fortes limitações para aplicação otimizada, seja para ambientes
exageradamente úmidos, seja para ambientes exageradamente secos, graças à susceptibilidade às
alterações, seja por oxidação, seja por hidratação via hidrólise. Entretanto, apesar da pouca
movimentação estrutural, são dotadas de peculiaridades e singularidades estéticas vinculadas com
nuances contemplativas, dentre as quais se destacam os brilhos localizados com iridiscência nas
superfícies de micas, ou a cintilância das alterações carbonáticas dos seus minerais

É observável a grande quantidade de rejeitos ns pedreiras, seja pela forma inadequada dos blocos
associada com o estado de deformação frágil-rúptil do local de origem, donde não devesse ter
havido explotação do material, seja pela falta de reprodutibilidade de alguns padrões estéticos.

Daí a importância de ser considerada a alternativa da utilização à produção de agregado graúdo, ou


brita, para a construção civil.

142
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on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

4. REFERÊNCIAS

KALIX, T. M. F., Estudo de Caracterização Tecnológica com ênfase em Alterabilidade dos Tipos
Comerciais do “Granito” Marrom Imperial, dissertação, UFPE, Recife, 2011.

SANTOS R. B., Estética e aplicabilidade do material pétreo “Preto São Marcos”, dissertação,
UFPE, Recife, 2012.

143
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on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

CARACTERIZAÇÃO DA FRAÇÃO ARGILOSA DO SOLO SUPERFICIAL


NA REGIÃO DA FUNDIÇÃO DE CHUMBO EM SANTO AMARO, BAHIA

DE ANDRADE LIMA, L.R.P.1, SOUZA, R.C.2, BERNARDEZ, L.A.3


1
Universidade Federal da Bahia. lelo@ufba.br
2
Universidade Federal da Bahia. rcs_mario@hotmail.com
3
Universidade Federal da Bahia. leticiab@ufba.br

RESUMO

O solo da região da fundição primária de chumbo de Santo Amaro apresenta concentrações


anômalas de Pb e Zn e outros elementos potencialmente nocivos como Cu, Cd e As, devido às
emissões atmosféricas da usina que operou por 33 anos. Visando compreender o processo de
liberação-retenção destes elementos, assim como a definição de estratégias de descontaminacao este
solo foi amostrado, tratado e caracterizado. Foi usada difração de raios-X, análise termo-
gravimétrica, espectroscopia de infravermelho e refletância difusa da fração argila previamente
separada e seca. Os resultados mostram que a fração argilosa deste vertissolo é composta por
montmorilonita, ilita e caulinita. Devido ao fato destes argilo-minerais possuírem afinidade com
vários cátions metálicos, a penetração dos elementos potencialmente tóxicos no solo da região da
fundição primária de chumbo de Santo Amaro é limitada apesar das altas concentrações verificadas
na superfície.

PALAVRAS-CHAVE: solo contaminado; chumbo; zinco; metais pesados, argila.

ABSTRACT

The soil of the region of the Santo Amaro lead smelter presents anomalous content of Pb and Zn
and other potentially toxic elements such as Cu, Cd and As, due to the emissions from the smelter t.
In order to understand the process of releasing-retention of these elements, as well as for the
definition of remediation strategies, this soil was sampled, processed and characterized. In this
study it was used X-ray diffraction, thermo-gravimetric analysis, infrared spectroscopy and diffuse
reflectance of clay fraction of this soil previously separated and dried. The results show that the clay
fraction of this vertisol is composed of kaolinite, montmorillonite and illite. Due to the fact that
these clay minerals have affinity with several metallic cations, the penetration of the potentially
toxic elements in soil of the region of Santo Amaro lead smelter is low, despite of high
concentrations at the top soil.

KEYWORDS: soil pollution; lead,; zinc; heavy metals; clay.

145
DE ANDRADE LIMA, L.R.P., SOUZA, R.C., BERNARDEZ, L.A.

1. INTRODUÇÃO

O risco da contaminação do solo por Pb, Cd, As e outros elementos potencialmente tóxicos é uma
fonte de preocupação especialmente em regiões próximas a usinas metalúrgicas que tratam sulfetos
metálicos. De 1960 a 1993 uma fundição de chumbo funcionou na cidade de Santo Amaro, Bahia,
próximo do rio Subaé. Estudos que tiveram origem nos anos 1970 demonstraram a existência de
contaminação por Pb e Cd no ambiente e na população na proximidade desta usina (SILVANY-
NETO et al. 1996; TAVARES et al., 1989; DE ANDRADE LIMA, 2010). Como a contaminação
por elementos potencialmente tóxicos está associada às emissões de material particulado que se
depositou no solo, a avaliação das características químicas e mineralógicas do solo nas
proximidades desta usina é importante para a compreensão do processo de liberação-retenção de
elementos potencialmente nocivos, assim como para a definição de estratégias de tratamento do
solo contaminado.

No município de Santo Amaro há uma formação geológica formada por folhelhos cinza
esverdeados a pretos, silititos e arenitos lenticulares aflorantes (NASCIMENTO E TEIXEIRA,
1986). Esta formação apresenta vertissolos originários de folhelhos esverdeados, intercalados com
calcários argilosos a muito argilosos, com predominância de argilas do grupo da montmorilonita.
Os vertissolos são encontrados em toda área da fundição de chumbo de Santo Amaro, sendo
definido cartograficamente por uma forma alongada, predominando a direção Norte/Sul, com cerca
de 70km de extensão e 10km de largura (NASCIMENTO E TEIXEIRA, 1986).

Nos cortes de solo nas proximidades da fundição de Santo Amaro podem ser vistas camadas
superficiais escuras de 10 a 40cm de espessura, seguidas por uma camada clara larga. Os teores de
Pb e Cd na camada superficial do solo pode chegar a 1,0737% e 50 mg/kg, respectivamente, o que
mostra o efeito da usina. A concentração de matéria orgânica e de água estrutural em minerais deste
horizonte são consideráveis o que é indicado por uma perda ao fogo de 21% (DE ANDRADE
LIMA et al., 2010).

(a) (b)
Figura 1. Localização do sítio estudado: a) Mapa da Baía de Todos os Santos e a indicação da cidade de Santo
Amaro. b) Foto da fundição de chumbo de Santo Amaro.

A figura 2 mostra os perfis de concentração de Pb, Zn, Cu e As no solo próximo à usina. A


superfície do solo tem concentrações elevadas, que são reduzidas à medida que ocorre a o
aprofundamento no solo, indicando a afinidade dos elementos com este.

146
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

(a)
0 0 0 0

50 50 50 50

100 100 100 100


Profundidade do Solo (cm)

Profundidade do Solo (cm)

Profundidade do Solo (cm)

Profundidade do Solo (cm)


150 150 150 150

200 200 200 200

250 250 250 250

300 300 300 300

350 350 350 350


0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 0 100 200 300 0 100 200 300 400
Concentração de Pb (mg/kg) Concentração de Zn (mg/kg) Concentração de Cu (mg/kg) Concentração de As (mg/kg)

(b)
Figura 2. a) Foto de um corte recente no solo nas proximidades da fundição de Santo Amaro. b) Perfis de
concentração de Pb, Zn, Cu e As no solo.

Neste trabalho a fração argilosa da camada superficial do solo próximo da fundição de Santo Amaro
foi isolada e usada para uma caracterização química e mineralógica, o que é útil para a definição de
rotas para o tratamento deste solo.

2. METODOLOGIA

2.1. Amostragem do solo

A vegetação rasteira foi removida e uma camada de cerca de 20cm do solo foi retirada em vários
pontos na área externa à fundição de chumbo de Santo Amaro, em uma região que não sofreu
movimentação de terreno. O solo coletado foi colocado em bandejas e deixado secar em um
ambiente com umidade relativa de cerca de 55% e temperatura de 21o C.

2.2. Extração da fração argilosa do solo

Para identificação dos argilo-minerais contidos no solo as amostras foram tratadas com as seguintes
etapas:

i) Remoção total de matéria orgânica: utilizou-se um erlenmeyer de 500mL contendo 200g de solo
seco ao ar no qual foram adicionados 250mL de água destilada, mantendo sob agitação durante 10

147
DE ANDRADE LIMA, L.R.P., SOUZA, R.C., BERNARDEZ, L.A.

minutos e posteriormente foram adicionados 10mL de peróxido de hidrogênio (H2O2) 30 volumes.


A solução restante foi aquecida em banho-maria a 40oC por um período de 24 horas.

ii) Remoção do ferro livre: adicionou-se 50mL de uma solução de citrato de sódio
(C3H4OH(COOH)2COONa) e elevou-se a temperatura do banho-maria para 75º C. Após atingir esta
temperatura adicionou-se 1,0g de ditionito de sódio (Na2S2O4), por duas vezes até o material ficar
claro, evidenciando a eliminação do ferro.

iii) Floculação: a suspensão foi mantida em repouso por 2 horas para facilitar a floculação.
Posteriormente o material foi centrifugado com remoção do líquido sobrenadante. Após este
processo retirou-se 60g da amostra que foi transferida para uma proveta de 1000mL. Nesta foi
adicionada uma solução de cloreto de sódio (NaCl) com concentração 2,0g/L. A suspensão foi
mantida em repouso durante 24 horas e posteriormente o pH foi ajustado para 9,5 com NaOH
0,1mol/L, visando facilitar a floculação.

iv) Separação da fração fina: ao longo de duas semanas o líquido sobrenadante na suspensão de
argila foi trocado a cada 24 horas e foi adicionada uma solução de NaCl com concentração de
2,0g/L seguida de agitação visando a dispersão em uma proveta com um bastão de vidro. Sabendo
que no fracionamento da suspensão de argila foi extraído apenas os 20cm superior da proveta, as
frações recolhidas têm o tamanho médio estimado, através da lei de Stokes, como inferior a 2,0mm.
Findada esta etapa, realizou-se o processo de lavagem contínua do material com água destilada, por
centrifugação a 800RPM. A repetição do processo teve o objetivo de reduzir a condutividade de
100μS para um valor inferior a 30μS, indicando expressiva eliminação de íons dissolvidos. Para
garantir a retirada do excesso de íons cloreto foram retiradas alíquotas de 1,0mL da solução e após a
adição de uma solução de nitrato de prata (AgNO3) a 0,1mol/L foi verificada o surgimento de
turbidez devido a formação de cloreto de prata.

2.3. Analise química e mineralógica

Após secagem as amostras da fração argila foram caracterizadas através de: i) difração de raios X
com o difratômetro Siemens modelo D-5000, ii) espectroscopia de plasma opticamente acoplado
(ICP–OES) usando o ICP Fisions ARL-Instruments modelo 3410, iii) análise termogravimétrica
(TD) usando o Shimadzu modelo TG–50, iv) espectroscopia infra-vermelho com transformada de
Fourier (FTIR) usando o Jasco modelo valor III, e v) espectroscopia UV–Vis no modo reflectância
difusa (DRS) usando o Varian modelo CARY–5.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A figura 3 mostra uma imagem da fração argilosa do solo feita no microscópio eletrônico de
varredura, em elétrons secundários. Nota-se que esta fração é composta essencialmente de
agregados de cristalitos em placa, cujo tamanho apresenta significativa variação.

148
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

Figura 3. Micrografia em elétrons secundários de uma amostra da fração argila concentrada do solo.

300
M: Montmorilonita
I I : Ilita
M K: Caulinita
M,I,K
200
Intensidade

K
I
K M,K
K
I
I M K
K I K
100 I I
K

0
5 10 15 20 25 30 35 40 45
2 Teta (grau)
Figura 4. Difratograma de raios X do concentrado de argila.

A difração de raios X da fração argilosa, mostrada na figura 4, confirma a presença de


montmorilonita (Na,Ca)0.33(Al,Mg)2(Si4O10)(OH)2•nH2O, mas mostra a presença de ilita
(K,H3O)(Al,Mg,Fe)2(Si,Al)4O10[(OH)2,(H2O)] e de caulinita, Al2Si2O5(OH)4. A montmorilonita é
formada por uma unidade de gibsita (γ–Al(OH)3) entre duas de sílica (SiO2) superpostas e a
interação entre duas camadas de sílica é fraca, permitindo a penetração de moléculas de água, o que
provoca apreciável variação volumétrica, assim como de cátions metálicos.

O resultado da análise química de alguns elementos na argila é mostrado na tabela I. Como a


montmorilonita tem basicamente composto de alumínio e magnésio na estrutura do silicato
hidratado, o elevado teor de ferro na argila pode ser explicado pela significativa concentração de
ilita.

Tabela I. Concentração dos maiores elementos na fração argila (em %)


Al2O3 22,3
Fe2O3 10,7
Na2O 0,3

149
DE ANDRADE LIMA, L.R.P., SOUZA, R.C., BERNARDEZ, L.A.

A análise termogravimétrica da fração argilosa, figura 5, revela a presença de três regiões de perda
de massa. A primeira região até cerca de 100º C referente à perda de água superficial. A segunda
região, entre 100 e 300º C refere-se à perda de água interlamelar. A terceira perda de massa, entre
300 e 600º C ocorre devido à perda das hidroxilas dos retículos cristalinos, tanto para a ilita, quanto
para a caulinita e sobretudo para a montmorilonita, com o colapso das estruturas (GRIM e
KULBICKI, 1961).
100

98

96
Perda de Massa (%)

94

92

90

88

86

84

100 200 300 400 500 600


o 700 800 900 1000
Temperatura ( C)
Figura 5. Curva termogravimétrica do concentrado de argila.

As figuras 6a e 6b mostram o espectro de infravermelho da fração argilosa para as regiões de


comprimento de onda média e longa, nos quais é possível identificar as bandas na região de 3800 -
3000cm-1 que correspondem ao estiramento dos diversos grupos OH- presentes nos minerais, seja
devido a grupos SiOH (silanóis), hidroxilas em ponte (Si–OH–Al, Si–OH–Mg ou Si–OH–Fe), mas
também devido à água de hidratação interlamelar. A banda em 1634cm -1 se deve à deformação
angular das ligações H–O–H das moléculas de água interlamelar. É possível identificar bandas em
3690 e 3649cm-1, que são atribuídas ao acoplamento em fase e fora de fase das vibrações O–H entre
as folhas octaédrica e tetraédrica.

A análise por espectrometria UV–Vis no modo reflectância difusa (DRS) é mostrada na figura 7.
Neste método espectroscópico a região entre 800 e 2500nm de infravermelho próxima do visível
que é a mais energética é usada visando encontrar harmônicos (sobretons) ou bandas de combinação
referentes às ligações químicas das moléculas. Na figura 7 nota-se que o sobretom referente a
vibração de estiramento do OH- estrutural que é encontrado em torno de 1389nm. Nota-se a
presença do sobretom para a vibração de estiramento do OH das moléculas de água (que
normalmente ocorre a 1408 e 1461nm) sugerindo a existência de dois tipos de água. A banda de
combinação ν + δ da água ocorre a 1900nm enquanto esta banda para os OHs estruturais ocorrem
em três bandas, 2210, 2318 e 2388nm, que dependem do ambiente dos grupos OH (CHE et al.,
2011).

150
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

0.24

Si-O-Mg
0.2

Absorbância (u.a.)

Si-O-Al

Si-O
0.16

SiO 2 (não cristalina)


Al-O-H
0.12

Fe Fe -OH
AlMg-OH

+2 +3
Si-O

Al2 -OH
0.08

Fe-O

Al-OH
SiOH
0.04
1200 1100 1000 900 800 700 600 500 400
Número de Onda (cm-1 )
(a)
0.4

Si-O-Si
Absorbância (u.a.)

0.3
(Mg,Al)-O-H

Si-O
Al-O-H
H-O-H

0.2

H-O-H
0.1

0
4000 3600 3200 2800 2400 2000 1600 1200
Número de Onda (cm-1 )
(b)
Figura 6. Espectros de infravermelho do concentrado de argila. a) Radiação infravermelha longa e
b) Radiação infravermelha média.

OH Estrutural
OH Água
Intensidade (u.a)

400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000 2200 2400
Comprimento de Onda (nm)
Figura 7. Espectro de reflectância difusa do concentrado de argila.

151
DE ANDRADE LIMA, L.R.P., SOUZA, R.C., BERNARDEZ, L.A.

4. CONCLUSÕES

O solo da região da fundição primária de chumbo de Santo Amaro, Bahia, foi amostrado, tratado e
analisado. Os resultados mostram que a fração argilosa deste vertissolo é composta por
montmorilonita, ilita e caulinita. Estes argilo-minerais possuem afinidade com vários cátions
metálicos (montmorilonita: Pb>Cu>Cd>Zn; ilita e caulinita: Pb>Cu>Zn >Cd), que interagem com a
superfície das argilas e em alguns casos, como na montmorilonita, com o espaço entre as lamelas.
Esta interação elementos-argila explica a difícil penetração dos elementos potencialmente tóxicos
no solo da região da fundição de Santo Amaro, apesar do longo tempo da deposição (de 1960 a
1993) e das altas concentrações verificadas na superfície do solo.Estes resultados indicam que o uso
de métodos de descontaminação dos elementos potencialmente tóxicos envolvendo solubilização
pode apresentar dificuldades devido a possível re-adsorção destes elementos.

5. AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem o apoio financeiro para este estudo do Conselho Nacional de


Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) através do processo n. 484094/2011-4.

6. REFERÊNCIAS

CHE, C., GLOTCH, T.D., BISH, D.L., MICHALSKI, J.R., XU, W. Spectroscopic study of the
dehydration and/or dehydroxylation of phyllosilicate and zeolite minerals. J. Geohys. Res., v. 116,
p.E05007, 2011.

DE ANDRADE LIMA, L.R.P., BERNARDEZ, L.A. Characterization of the heavy metals


contamination due to a lead smelting in Bahia, Brazil. In: Lead-Zinc 2010. SIEGMUND, A.,
CENTOMO, L., GEENEN, C., PIRET, N., RICHARDS, G., STEPHENS, R. (editors), Wiley - The
Minerals, Metals & Materials Society, p.917-927, 2010.

GRIM, R.E., KULBICKI, G. Montmorillonite: High temperature reactions and classification. Am.
Mineral., v.46, p.1329-1369, 1961.

NASCIMENTO, A.M., TEIXEIRA, L.R. Mapa Pedoquímico do Estado da Bahia: Texto


Explicativo, Superintendência de Geologia e Recursos Minerais, Bahia, 81p., 1986.

SILVANY-NETO, A.M., CARVALHO, F.M., TAVARES, T.M., GUIMARÃES, G.C., AMORIM,


C.J.B., PERES, M.F.T. Lead poisoning among children from Santo Amaro, Bahia, Brazil in 1980,
1985, and 1992. Bull. Pan Am. Health Organ., v.30, p.51-62, 1996.

TAVARES, T.M., BRANDÃO, A.M., CARVALHO CHAVES, M.E., SILVANY NETO, A.M.,
CARVALHO F.M. Lead in hair of children exposed to gross environmental pollution. Int. J.
Environ. Anal. Chem., v. 36, p.221-230, 1989.

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XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

CARACTERIZAÇÃO DE OURO POR ANÁLISE DE IMAGEM


AUTOMATIZADA POR FEIXE DE ELÉTRONS

NERY, G.P.1, ULSEN, C.1, KAHN, H.1, ULIANA, D.1, TASSINARI, M.M.M.L.1
1
Universidade de São Paulo, Escola Politécnica. Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo -
Laboratório de Caracterização Tecnológica – LCT. guilherme@lct.poli.usp.br; carina@lct.poli.usp.br

RESUMO

O processamento de metais preciosos é atualmente um dos mais desafiadores da indústria mineral


visto que tem se mostrado economicamente viável a teores cada vez mais baixos e em associações
mais complexas. Dessa forma, a identificação das associações de ouro com outros minerais, bem
como a determinação da proporção de sua ocorrência em partículas mistas (incluso ou exposto no
perímetro das mesmas) é de fundamental importância para a estimativa das recuperações
metalúrgicas, definição dos fluxogramas de processamento e ações para aumento de recuperação
em operações industriais. No presente trabalho é apresentada uma metodologia de caracterização de
minérios auríferos com baixos teores de ouro por mineralogia quantitativa por feixe de elétrons com
busca automatizada de partículas portadoras de ouro utilizando o sistema MLA (Mineral Liberation
Analyser – FEI). Os objetivos são identificar os grãos de ouro, determinar seu tamanho e forma de
ocorrência e as recuperações por cianetação.

PALAVRAS-CHAVE: caracterização tecnológica; ouro; microscopia eletrônica de varredura;


análise de imagens por feixe de elétrons.

ABSTRACT

The processing of precious metals is currently one of the most challenging in the mining industry
since it has been economically feasible even for lower grades and complex associations. Thereby,
the identification of gold associations with other minerals, as well as the proportion of its
occurrence in locked particles (enclosed or exposed on particle surface) is fundamental for the
estimation of metallurgical recoveries, definition of flow sheets and for supporting modifications in
industrial operations to increase recovery. This paper presents a methodology for characterization of
low grades ores by SEM-based quantitative mineral analysis for automated search of gold carrier
particles using the software MLA (Mineral Liberation Analyser – FEI). The goals are to identify the
gold grains, its size and occurrence and the recoveries in cyanidation tests.

KEYWORDS: process mineralogy; gold; scanning electron microscopy; automated image


analysis.

153
NERY, G.P., ULSEN, C., KAHN, H., ULIANA, D., TASSINARI, M.M.M.L.

1. INTRODUÇÃO

Atualmente, e em grande parte devido à atual conjuntura internacional, o preço do ouro tem
demonstrado um aumento progressivo. Dessa maneira, as jazidas de ouro de menor porte e com
minérios de menores teores e maior complexidade de beneficiamento entraram novamente nos
planos estratégicos das empresas, possibilitando a implantação de novos empreendimentos e a
expansão de outros já existentes. Assim, torna-se fundamental o aprofundamento no conhecimento
das características destes minérios e dos seus comportamentos frente aos processos de
beneficiamento.

A caracterização tecnológica para fins de beneficiamento se volta à avaliação dos parâmetros


básicos do corpo mineralizado, relacionados às alternativas tecnológicas de tratamento de minérios.
Assim, envolve o conhecimento de matérias primas minerais nos aspectos relativos aos seus
componentes minerais, desde que o beneficiamento tenha por objetivo a separação de seus
constituintes (SANT´AGOSTINO e KAHN, 1997).

Para minérios nos quais o mineral de interesse ocorre como traços, como no caso de ouro, a
caracterização difere da abordagem convencional devido ao baixo teor (ppm), o que significa
grande dificuldade de se encontrar a fase de interesse para análises qualitativas e quantitativas, uma
vez que sua distribuição no minério é heterogênea. Dessa forma, as separações preliminares visando
à concentração de minerais em determinadas frações e produtos tornam-se muito mais importantes
para concentrar a fase de interesse, uma vez que a própria avaliação desta vai depender de ela ser
encontrada (NEUMANN et al., 2002).

Os métodos automatizados de análise por imagem têm demonstrado uma importância crescente no
setor mineral devido à confiabilidade dos resultados adquirida nos últimos anos, à complexidade
das informações que podem ser avaliadas e à representatividade estatística propiciada pela análise
de um grande número de partículas. Aliado a um microscópio eletrônico de alta resolução, sistemas
como o Mineral Liberation Analyser (MLA) têm a capacidade de localizar e identificar minerais
com partículas em uma faixa granulométrica de 1 mm até cerca de 1 µm (GU, 2003).

No presente trabalho utilizou-se o MLA, integrado a microscópio eletrônico de varredura (MEV)


com fonte de emissão de campo (FEG) aliado a detector de dispersão de energia (EDS) no estudo
de duas amostras de minério aurífero com teores da ordem de 0,2 ppm. Os resultados refletem a
composição mineralógica da amostra, as associações minerais, a distribuição do tamanho de grãos
de ouro, fração em área dos grãos de ouro com perímetro exposto, entre outros.

O ouro exposto pode ser recuperado por processos de flotação ou cianetação, ao passo que o ouro
incluso pode ou não ser acessado. Quando o ouro encontra-se incluso em sulfetos, a flotação pode
focar na concentração destes para gerar um concentrado rico em sulfetos e ouro; nesse caso, a
concentração densitária também pode ser uma alternativa para gerar um concentrado rico em
sulfetos. Quando o ouro encontra-se associado a silicatos, a extração destes dependerá de outros
métodos de concentração e recuperação, sendo usual a cianetação após a adequada cominuição,
extraindo-se o ouro tanto exposto quanto o acessível a partir de micro fraturas existente na ganga
silicatada.

1.1. Objetivo

O objetivo deste trabalho foi estabelecer um procedimento de caracterização das associações


minerais de minérios auríferos de elevada complexidade mineralógica e correlacionar tais
propriedades com a recuperação potencial de ouro na lixiviação por cianeto.

154
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

2. MATERIAIS E MÉTODOS

O estudo foi realizado em duas amostras mineralizadas a ouro e obtido em campanhas de


amostragem como apoio ao desenvolvimento de processos de beneficiamento. As alíquotas “tal
qual” apresentam teores médios de 0,25 e 0,15 ppm de ouro; tais amostras foram denominadas
respectivamente B-020 e S-020.

O procedimento iniciou-se através da etapa de cominuição, abaixo de 0,3 mm em britador de rolos,


seguida de peneiramento a úmido em 0,21; 0,15; 0,074; 0,037 mm. Com o objetivo de se elevar a
estatística de partículas de minerais pesados, incluindo-se o ouro, e também diminuir a quantidade
de seções a serem estudadas no MEV-MLA, cada fração granulométrica, excetuando o passante em
0,037 mm, foi concentrada por separação em líquido denso (2,95 g/cm3) para as observações
sistemáticas dos grãos de ouro contidos nos produtos afundados (GOODALL e SCALES, 2007).

Ao final da etapa de separação, os produtos flutuado (d<2,95 g/cm3) e afundado (d>2,95 g/cm3) de
cada fração granulométrica, foram encaminhados para etapa de lixiviação por cianeto, gerando
assim uma solução cianetada e um resíduo sólido, os quais foram objeto de análises químicas para
determinação dos teores de ouro.

Alíquotas representativas de cada produto afundado, por fração granulométrica, foram amostradas
em amostrador rotativo para confecção de seções polidas para as observações ao MEV-MLA. A
caracterização das associações do ouro foi realizada somente no produto afundado a fim de se
determinar as formas de ocorrência deste e as associações com outros minerais, sejam silicatos ou
sulfetos. No produto flutuado, o ouro ocorre em tamanhos diminutos e associados à ganga silicatada
e será recuperado essencialmente por cianetação, sendo as perdas referentes à parcela de ouro não
acessível.

Inicialmente, a diferenciação de fases é baseada nos diferentes tons de cinza nas imagens de
elétrons retroespalhados (contraste de número atômico) e pela composição química determinada
pela microanálise (espectros de raios X característicos). As análises por MEV foram efetuadas em
equipamento Quanta 600FEG (FEI) com espectrômetro de energia dispersiva (EDS) Quantax 400
(Bruker); análises químicas de ouro em amostras foram efetuadas por fire assay.

Um banco de dados das fases minerais identificadas é criado, contendo o espectro de raios X
relativo à composição química de cada fase; a classificação é efetuada por comparação do espectro
do banco com o espectro coletado em cada grão durante a busca automatizada.

Para a busca do ouro e outros minerais de elevado número atômico, é estabelecido como critério a
faixa de tons de cinza relativa a estes minerais (contraste BSE) e, em cada imagem coletada,
somente partículas portadoras de fases presentes nesta faixa são analisadas por EDS (modo MLA-
SPL_Lt). As coordenadas (X,Y) de cada partícula analisada são armazenadas e, após a varredura de
toda a seção, cada partícula pode ser observada em detalhe para aferir sua classificação e determinar
as associações de ouro e de outros eventuais elementos de interesse presentes (Ag, Te, Pt, Pd, dentre
outros), bem como a composição química das fases identificadas.

A busca automatizada permite a identificação de uma grande quantidade de partículas em espaço de


tempo relativamente curto, sendo impraticável ou extremamente moroso de outra forma. As
condições operacionais adotadas permitiram detectar a presença de grãos de ouro com dimensões de
até 0,5 µm.

155
NERY, G.P., ULSEN, C., KAHN, H., ULIANA, D., TASSINARI, M.M.M.L.

Adicionalmente, ressalta-se que a análise de imagens deve ser precedida por algum outro tipo de
análise, física e/ou química, para prover uma compreensão total da composição do minério
(GOODALL e SCALES, 2007). No estudo realizado foram efetuadas análises mineralógicas
qualitativas por difratometria de raios X, microanálises ao MEV-EDS antes da cominuição das
amostras e análises químicas por fluorescência de raios X sem padrões.

3. RESULTADOS

Através da análise de imagens por feixe de elétrons (MEV/MLA) foram determinadas as


distribuições do ouro e suas associações, distribuição de tamanho e forma das de grãos de ouro,
perímetro exposto e recuperação. A partir das análises químicas nos produtos da cianetação, pode-
se correlacionar a recuperação potencial em escala laboratorial com as características
microestruturais do ouro observadas no MEV/MLA.

3.1. Caracterização das associações do ouro

As imagens resultantes do estudo mostram as diversas fases presentes segundo critério de cores
estabelecido. Na figura 1, observam-se os grãos de ouro (amarelo) de diferentes dimensões e formas
de associações.

-0,30+0,21 mm -0,21+0,15 mm -0,21+0,15 mm -0,074+0,037 mm


(grão incluso) (grão acessível) (grão exposto) (grão livre)

Figura 1. Imagens retratando as diferentes formas de associação e tamanho dos grãos de ouro.

3.1.1. Associações do ouro

O sistema foi eficiente na detecção de número significativo de grãos de ouro, identificando 136
grãos de ouro em 110 partículas portadoras na amostra B-020 e 149 grãos de ouro em 129 partículas
portadoras na amostra S-020.

Uma vez identificados os grãos de ouro por análise de imagens, é possível determinar a parcela de
ouro em contato com outras fases ou exposto no perímetro das partículas (tabela I).

Tabela I. Sumário das associações minerais do ouro (total +0,037 mm) no produto afundado
Associações (% em perímetro de contato)
Amostra
Au exposto pirita calcopirita CuS silicatos outros
B-020 27 17 26 1,7 23 5,7
S-020 20 25 20 24 10 1,1
CuS - Covelina/calcosita, silicatos - mica, feldspato sódico e outros silicatos, Outros - óxido de ferro e outros

Nas amostras estudadas, vemos então grãos de ouro expostos no perímetro das partículas (Au
exposto), associados a sulfetos e também a silicatos. Na amostra S-020, nota-se a presença
156
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

expressiva de ouro associado à fase CuS (covelina/calcosita), enquanto na amostra B-020, as


associações com silicatos também são relevantes.

No caso de se optar pela flotação de ouro com sulfetos objetivando a concentração de ouro, devem-
se considerar as associações do ouro com pirita, calcopirita; já para a amostra S-020 deve-se
também considerar a presença de sulfetos secundários de Cu (covelina/calcosita).

3.1.2. Distribuição do tamanho dos grãos de ouro

A distribuição de tamanho dos grãos de ouro (% em massa) obtida, para cada fração granulométrica
e o total, é mostrada na figura 2. As curvas de distribuição acumuladas abaixo dos grãos de ouro
não seguem a mesma tendência das curvas granulométricas, ou seja, frações mais grossas podem
conter ouro com distribuição mais fina (vide amostra S-020) e vice-versa.

100 100
-0,30+0,21 -0,30+0,21

Distribuição acumul. abaixo (%)


Distribuição acumul. abaixo (%)

80 -0,21+0,15 80 -0,21+0,15

-0,15+0,074 -0,15+0,074
60 60 -0,074+0,037
-0,074+0,037
Total +0,037 Total +0,037
40 40

20 20

0 0
1 10 1 10
Tamanho dos grãos de Au (µm) Tamanho dos grãos de Au (µm)
Amostra B-020 Amostra S-020
Figura 2. Distribuição granulométrica dos grãos de ouro (MLA) para as duas amostras.

A forma dos grãos de ouro pode estar relacionada ao mecanismo de formação do depósito e foi
também avaliada. A frequência de grãos de ouro (número de grãos) por tamanho (em termos de
ECD - diâmetro do círculo equivalente) é apresentada na figura 3.

Ao todo foram analisados 241 grãos de ouro, cujo tamanho médio em ambas as amostras é da
ordem de 3 µm (com poucos grãos de ouro acima de 8 µm – 1,5%; figura 3). Quando ponderados
pela massa, têm-se que 50% dos grãos de ouro encontram-se abaixo de 5 µm (figura 3).

50 50
Número de grãos de Au

Número de grãos de Au

40 40

30 30

20 20

10 10

0 0
1 2 3 4 5 6 7 8 >8 1 2 3 4 5 6 7 8 >8
Diâmetro equivalente (µm) Diâmetro equivalente (µm)
Amostra B-020 Amostra S-020
Figura 3. Frequência de grãos de ouro por tamanho (diâmetro do círculo equivalente).

157
NERY, G.P., ULSEN, C., KAHN, H., ULIANA, D., TASSINARI, M.M.M.L.

3.1.3. Liberação do ouro e ocorrência em partículas livres ou mistas

Através da análise de imagens no MLA, é possível determinar quantitativamente a fração em área


de ouro exposto no perímetro das partículas portadoras ou a parcela totalmente inclusa nas mesmas.
As informações a serem obtidas estão diretamente relacionadas com o processo a ser empregado; no
caso em que o ouro ocorre associado a sulfetos e considerando-se uma etapa de concentração por
flotação, é relevante determinar a proporção de ouro associado às diferentes fases sulfetadas e a
porcentagem em que os sulfetos ocorrem com superfície exposta. Já para a cianetação, deve-se
considerar tanto a proporção de ouro exposto como acessível por microfraturas, sendo esta última
impossível de ser determinada por análise de imagens 2D.

As porcentagens em área dos grãos de ouro com perímetro exposto a partir de medidas 2D por
MEV-MLA são apresentadas na figura 4 e indicam que no produto afundado das frações acima de
0,037 mm, 63% em área do ouro da amostra B-020 encontra-se exposto e 47% para a amostra S-
020.

100 80
Au exposto - 2D (%)
Au exposto - 2D (%)

80 89 74
60
78 74 61
60
63 51 47
40
40
35
20
20
12
0 0
+0,21 +0,15 +0,074 +0,037 Total +0,21 +0,15 +0,074 +0,037 Total
Fração (mm) +0,037 Fração (mm) +0,037

Amostra B-020 Amostra S-020


Figura 4. Fração em área do total de grãos de ouro com perímetro exposto no produto afundado para as
amostras estudadas.

3.2. Extração do ouro por lixiviação por cianeto

Os resultados da lixiviação por cianeto nos produtos da separação em líquido denso e nos finos
abaixo de 0,037 mm são apresentados na tabela II, bem como as recuperações de ouro passíveis de
serem obtidas na solução cianetada e a perdas remanescentes no resíduo sólido.

Tabela II. Distribuição de ouro nas amostras após etapa de lixiviação


Recuperação de Au no Recuperação de Au na
Fração (mm) / Produto da Teores (ppm)
ensaio (%) amostra (%)
Produto cianetação
B-020 S-020 B-020 S-020 B-020 S-020
FLUTUADO Solução 0,074 0,028 78,2 93,4 24,7 17,3
d<2,95 g/cm3 Resíduo 0,021 0,002 21,8 6,6 6,9 1,2
Total calculado 0,094 0,030 100,0 100,0 31,6 18,5
AFUNDADO Solução 0,741 0,383 71,4 54,5 29,7 19,5
d<2,95 g/cm3 Resíduo 0,297 0,320 28,6 45,5 11,9 16,3
Total calculado 1,038 0,702 100,0 100,0 41,5 35,8
- 0,037 mm Solução 0,305 0,240 76,6 81,4 20,5 37,2
Resíduo 0,093 0,055 23,4 18,6 6,3 8,5
Total calculado 0,398 0,295 100,0 100,0 26,8 45,7
Total na amostra Solução 0,085 0,045 75,0 73,9 75,0 73,9
(P80 = 0,21 mm) Resíduo 0,028 0,016 25,0 26,1 25,0 26,1
Total calculado 0,226 0,122 100,0 100,0 100,0 100,0

Do total de ouro contido na amostra, para a amostra B-020, verifica-se que 31,6% estão associados
ao produto flutuado, 41,5% ao afundado e 26,8% encontra-se junto aos finos abaixo de 0,037 mm.

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Para a amostra S-020, 18,5% do ouro contido encontram-se junto ao produto flutuado, 45,7% nos
finos e apenas 35,8% no produto afundado.
Na amostra B-020, a recuperação do ouro por cianetação indica recuperações entre 71 a 79%, nos
ensaios, ou seja, entre 22 a 29% do ouro não é passível de ser recuperado por cianetação. Já na
amostra S-020, as recuperações de ouro são bastante elevadas no produto flutuado (93,4%) e nos
finos (81,4%), e medianas no produto afundado (73,9%).

Comparando-se os resultados obtidos no ensaio de lixiviação por cianeto com a fração em área de
grãos de ouro com perímetro exposto, pode-se observar que a recuperação no produto afundado foi
de 71,4% e 54,5% para as amostras B-20 e S-20 respectivamente, enquanto que a fração de ouro
exposto é 63% e 47% para as amostras B-20 e S-20.

As recuperações de ouro por cianetação são maiores do que a proporção de ouro exposto no
perímetro das partículas (fração em área do total de grãos de ouro com perímetro exposto), pois os
resultados de MLA referem-se a duas dimensões gerando dados de acessibilidade potencial
inferiores à realidade tridimensional (valores mínimos de extração); adicionalmente, microfissuras
nos minerais de ganga podem aumentar ainda mais a extração do ouro por cianetação.

4. CONCLUSÕES

A identificação das diferenças de composição mineralógica e, principalmente, das associações do


ouro são fundamentais para o direcionamento do processamento de minérios auríferos, sendo que a
análise de imagens por feixe de elétrons permite essa quantificação com robustez estatística.

A conjugação de métodos de caracterização, visando à identificação das associações de ouro, bem


como a determinação da proporção de ouro livre ou misto, incluso, exposto ou refratário, é
fundamental para a estimativa das recuperações metalúrgicas, definição dos fluxogramas de
processamento e ações para aumento de recuperação em operações industriais. Em projetos em
curso, os estudos contribuem para o entendimento do comportamento do minério frente aos
processos de beneficiamento empregados, possibilitando a identificação de possíveis perdas junto
aos rejeitos e em processos ineficientes. Cabe ressaltar que as recuperações de ouro estimadas por
análises 2D tendem a ser inferiores do que as alcançadas por cianetação em escala laboratorial; no
entanto, as recuperações metalúrgicas em escala industrial deverão ser intermediárias a ambas.

5. REFERÊNCIAS

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Primas Minerais. In.: Tese (Boletim técnico) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São
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CARACTERIZAÇÃO DE PÓ DE ROCHA VULCÂNICA PARA USO EM


ROCHAGEM NO NORDESTE DO RIO GRANDE DO SUL

KAUTZMANN, R.M.1, OLIVEIRA, C.2, TAFFAREL, S.3, RAMOS, C.G.4, SYDNEY, S.5,
SILVA, L.F.O.6, BORBA, R.F.7
1
Centro Universitário La Salle - Unilasalle. rubensm@unilasalle.edu.br
2
Centro Universitário La Salle - Unilasalle. cristiane.rodrigues@unilasalle.edu.br
3
Centro Universitário La Salle - Unilasalle. silvio.taffarel@unilasalle.edu.br
4
Centro Universitário La Salle - Unilasalle. claudeterms@brturbo.com.br
5
Centro Universitário La Salle - Unilasalle. sabedot@unilasalle.edu.br
7
DNPM-RS Departamento Nacional da Produção Mineral. roberto.borba@dnpm.gov.br

RESUMO

Realizou-se a caracterização química, mineralógica e de disponibilidade de nutrientes minerais em


quatro amostras de material fino gerado em usinas de britagem. Todas as amostras são originárias
de rochas da Formação Serra Geral, nordeste do RS, de composição petroquímica
predominantemente de intermediária à básica. As análises visando investigar a qualidade
agronômica dessas rochas, pulverizadas para aplicação na técnica de rochagem, objetivando a
fertilização de solo mediante a incorporação de pó de rocha. As técnicas analíticas utilizadas foram:
difração de Raios – X, espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado (ICPMS) e
qualidade agronômica. Também foram realizados ensaios de extração, empregando a metodologia
de extração com ácido cítrico (diluído a 2%) em colaboração de análise com a Central Analítica da
EMBRAPA Clima Temperado - Pelotas/RS. Os resultados mostraram a potencialidade da aplicação
em rochagem, dadas as características da composição com conteúdo relevante de Ca e Mg na forma
de carbonatos, bem como alta alcalinidade. A disponibilidade de fósforo foi satisfatória e a de
potássio mediana, havendo ainda micronutrientes como zinco, boro, cobre, ferro e manganês,
passíveis de disponibilidade.

PALAVRAS-CHAVE: caracterização mineral; pó de rocha; basalto RS; rochagem.

ABSTRACT

Chemical, minerals and agronomics properties were analyzed in four samples of fines material, of
four crusher plants. All samples are to vulcanic rock originate of formation Formação Serra Geral in
the NE of RS, Brazil. The analysis aimed to research the agronomic quality of these four samples,
to application in rocks for crops. The analytical techniques used were: X-ray diffraction X, mass
spectrometry with inductively coupled plasma (ICPMS ) and agronomic quality. Extraction tests
were performed, using the methodology of extraction with citric acid (diluted to 2%) analysis in
collaboration with the analytical Center of Embrapa Temperate Climate - Pelotas /RS. Already
observed in other studies, the results show the potential of the application stonemeal as the
following aspects: provides content of Ca and Mg in the form of carbonates and alkalinity. Showed
also, a good provides of phosphorus and moderately to potassium, as well as, micronutrients such as
zinc, boron, copper, iron and manganese to be available.

KEYWORDS: characterization; rock dust; basalto RS; rock for crops.

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KAUTZMANN, R.M., OLIVEIRA, C., TAFFAREL, S., RAMOS, C.G., SYDNEY, S., SILVA, L.F.O., BORBA, R.F.

1. INTRODUÇÃO

É do conhecimento comum e científico (THEODORO, 2011; FERNANDES et al., 2010) os efeitos


positivos que a incorporação de pó de rocha de basalto traz a diferentes cultivos, sabidamente
também na região Nordeste do RS. A rochagem, remineralização do solo ou “petrofertilização”
designa a técnica de fertilização do solo empregando o processo natural de aplicação de pó de rocha
(MACHADO et al., 2009). A incorporação de frações minerais pulverizadas permite o
rejuvenescimento do solo agrícola, na medida em que os minerais da rocha, por meio do processo
de intemperismo, são alterados e os elementos agronutrientes disponibilizados ao solo. O elevado
grau de moagem facilita a disponibilização dos nutrientes pela maior exposição superficial dos
minerais aos agentes das reações de alteração e lixiviação.

Segundo Theodoro (2011) os basaltos estão entre as rochas mais testadas e com maiores
possibilidades de fornecimento de nutrientes para o solo, especialmente fósforo, cálcio, magnésio,
além de outros micronutrientes. Theodoro et al. (2010) analisou oito amostras de basaltos
brasileiros, sendo quatro do RS, cujos resultados indicam níveis baixos de disponibilidade de K2O e
P2O5, mas que devem ser desconsiderados, e com maior presença nas lixívias dos nutrientes Ca, Mg
e P.

Na região de estudo, exemplificada pelo Distrito Mineiro de Nova Prata (SANTOS et al., 1998)
encontram-se rochas vulcânicas básicas, intermediárias e ácidas. No topo e na parte mediana do
platô as rochas ácidas ocorrem intercaladas com rochas básicas e intermediárias. Os solos da região
do estudo são originados do intemperismo de matriz rochosa, condicionados às variações dos
afloramentos das secções dos derrames. Segundo Streck et al. (2002), na região Nordeste do RS três
classes de solos são encontradas: Latossolos Vermelhos Distróficos, em áreas de modelado de
coxilhas na borda do planalto; Chernossolos Argilúvicos Férricos, nos vales e perfis de vertente de
declividade moderada; os Neossolos Líticos Distróficos nas áreas de montanha e escarpa, ocorrendo
também em topo de coxilhas. Esta região desenvolve culturas de cereais, vinhedos,
hortifrutivegetais e atividade de silvicultura, demonstrando a pertinência e necessidade da aplicação
de insumos para a adubação e a correção dos solos.

O presente trabalho mostra os primeiros resultados da pesquisa de caracterização do pó de rocha


amostrados em instalações de britagem, com o objetivo de buscar a resposta à aplicação do pó de
rocha de basalto no solo, visando melhorar o desenvolvimento de espécies vegetais.

O Distrito Mineiro de Nova Prata concentra a atividade de produção de pedras de talhe no RS, o
que implica também em um grande passivo ambiental, pela geração de rejeitos. São
empreendimentos de micro e pequeno porte, que em 2012 contavam com 235 Registros de Licença
em vigor no DNPM (DNPM, 2012), não incluindo os empreendimentos irregulares e clandestinos.
Este quadro gerou em 2010 um retorno de R$ 477.730,63 às prefeituras da região, referentes
somente à compensação financeira pela extração mineral (CFEM), mas podendo alcançar um
aumento da adimplência em aproximadamente R$ 1.350.000,00.

O conflito entre as atividades de mineração e as áreas de proteção permanentes (APPs) foi avaliado
por Araujo et al., (2010), com base em carta topográfica vetorizada na escala 1:50.000, mostrando
que para o município de Nova Prata, aproximadamente 73,9% das pedreiras no ano base de 2007
encontravam-se fora de APPs.

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2. METODOLOGIA

Quatro tipos de material gerados em usinas de britagem foram coletados para análise. Na Tabela I
são apresentados os tipos e locais de origem das amostras. Três (B1, NP2 e Z1) são provenientes de
pedreiras do DM Nova Prata (SANTOS et al., 1998): e uma (C1) do Distrito Mineiro do Baixo
Antas (KAUTZMANN et al., 2009).

Tabela I. Locais de procedência das amostras estudadas.


Amostra Tipo Local Coordenadas Datum SAD69
B1 Pó de rocha Casca - RS 28o36’39,38”S
< 0,6 mm 51o51’33,56’W
C1 Pedrisco Bento Gonçalves 29o07’39,30”S
- RS 51o29’37,50’W
NP 2 Pó de britagem Nova Prata - RS 28o46’27,37”S
peneira secundária (Locas Gramado) 51o38’16,61’W
Z1 Pedrisco Nova Prata - RS 28o45’09,20”S
51o38’38,16’W

Todas as amostras foram secas à temperatura ambiente sobre a sombra. Para a realização das
análises químicas e mineralógicas, alíquotas das amostras foram pulverizadas. Para a amostra B1
não foi realizada qualquer preparação, constituindo-se em material passante na peneira 30#
(0,6mm). As amostras C1, Z1 e NP2 foram peneiradas e enviadas para análise de frações 100%
passantes em 0,6mm.

A análise semiquantitativa dos constituintes minerais presentes nas amostras foi realizada no
Laboratório de Difratometria de Raios-X/UFRGS (difratômetro Siemens BRUKER-AXS D5000) e
tratado no software DiffracPlus® Siemens-Bruker-Axs, Versão 11. As amostras ensaiadas foram
previamente pulverizadas abaixo de 74 micrometros. No laboratório da Acmelabs - Acme
Analytical Laboratories Ltd., Vancouver e da SGS Geosol Laboratórios Ltda. foram realizadas
análises químicas pelas técnicas de ICPMS (espectrometria de massa com plasma indutivamente
acoplado) e de fluorescência de raios X.

Com o propósito de avaliar a disponibilidade dos agronutrientes do pó de rocha, amostras não


pulverizadas foram analisadas na condição de “solo” pelo Laboratório de Solos da UFRGS.
Amostras semelhantes às analisadas pelo Laboratório de Solos da UFRGS foram submetidas a
ensaios de extração, empregando a metodologia descrita por Theodoro, Leonardos e Almeida
(2010), que utiliza a extração com ácido cítrico (diluído a 2%) para simular a condição ácida do
solo na remoção de agronutrientes minerais. Na extração pelo método do ácido cítrico, transferiu-se
1,0 g de amostra para erlenmeyers de 250 mL e adicionaram-se 100 mL de ácido cítrico contendo
20 g/L. A solução foi mantida sob agitação por 30 minutos, com cerca de 30 a 40 oscilações por
minuto e após esse período as soluções foram filtradas e determinadas imediatamente. As soluções
de extração foram analisadas pela Central Analítica da EMBRAPA, Clima Temperado - Pelotas/RS.
Os dados de concentrações de íons cálcio, magnésio, hidrônio, alumínio, potássio e manganês
foram utilizados para determinar a capacidade de troca catiônica (CTC) teórica das amostras, de
acordo com a metodologia da EMBRAPA (1999).

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KAUTZMANN, R.M., OLIVEIRA, C., TAFFAREL, S., RAMOS, C.G., SYDNEY, S., SILVA, L.F.O., BORBA, R.F.

3. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

3.1. Caracterização química e mineralógica

A análise dos óxidos (Tabela II) mostra conteúdos composicionais semelhantes para as quatro
amostras. Considerando tratar-se de amostras processadas sujeitas a segregação de minerais e, com
base nas suas localizações e classificação de Nardy et al. (2008), estas podem ser classificadas com
rochas vulcânicas ácidas do grupo Palmas. Entre os óxidos simples ressalta-se a maior presença de
SiO2 devido a predominância dos silicatos e alumino silicatos.

Tabela II. Composição química dos elementos maiores na forma de óxidos das amostras de pó de rocha.
Óxidos B 1 (%) C 1 (%) NP 2 (%) Z 1 (%)
SiO2 65,1 66 63,8 65,1
Al2O3 13,21 13,14 13,66 12,95
Fe2O3 6,99 6,86 7,52 6,98
CaO 3,94 3,54 2,65 3,92
K2O 3,58 3,75 3,26 3,52
Na2O 3,34 3,19 2,65 3,25
MgO 1,42 1,39 1,16 1,48
P2O5 0,27 0,25 0,23 0,26
MnO 0,12 0,12 0,19 0,13

Na composição de elementos traços encontrou-se concentrações da ordem de partes por milhão


(ppm) conforme Tabela III. As composições apresentadas nas Tabelas II e III apenas indicam a
existência do elemento, no entanto sua disponibilidade agronômica depende da reatividade destes
nos minerais ou massa mineral que os contém.

Tabela III. Composição química de elementos traços das amostras de pó de rocha por ICPMS.
Elementos traços B 1 (ppm) C 1 (ppm) NP 2 (ppm) Z 1 (ppm)
Boro – B 4,00 3,00 3,00 2,00
Cobalto – Co 45,50 7,30 26,50 7,30
Cobre – Cu 51,05 49,15 70,16 49,90
Enxofre – S < 200 < 200 < 200 < 200
Manganês – Mn 388 351 1.076 381
Molibdênio – Mo 0,35 1,24 0,67 0,90
Níquel – Ni 3,20 4,10 5,50 2,90
Zinco – Zn 48,40 48,60 57,30 44,40

Segundo Nardy et al. (2008) o conteúdo amorfo presente nas rochas do tipo Palmas está em torno
de 63%. A técnica utilizada para determinação mineral, por DRX não detecta este material,
implicando que os resultados do conteúdo de minerais cristalinos é relativo a proporção de 47% da
massa mineral nas amostras, apresentadas na Tabela IV. Na fase cristalina observa-se a
predominância da labradorita indicando afinidade química cálcica das rochas estudadas e em menor
grau a presença de quartzo. Algumas amostras apresentam proporções interessantes de alguns
argilominerais como a esmectita e a caulinita. A presença de gesso (gipsita) pode ser tanto natural
como de fonte externa, pelo fato de existir próximo ao local de coleta uma usina de concreto. Em
todo caso, é uma contaminação benéfica, pois o gesso é um suprimento de enxofre e cálcio
interessante à rochagem, sendo mais reativo que a barita.

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Tabela IV. Principais espécies minerais presentes na fase cristalina nas amostras, analisadas por Difração de
Raios X.
Mineral B1 C1 NP2 Z1
Labradorita 34,5 24,0 24,4 28,7
Quartzo 4,2 8,9 7,1 6,1
Augita 2,8 - 5,6 6,1
Feldspato alcalino 2,4 7,1 - -
Esmectita 1,4 3,3 4,7 -
Barita 0,9 1,4 1,9 1,9
Hematita 0,5 0,5 0,9 0,9
Heulandita 0,2 - - -
Gipsita - 1,9 - -
Caulinita - - 2,4 3,3
Soma 47 47 47 47

Conhecendo as fases cristalinas é possível avaliar, com base no comparativo descrito por Krauskopf
(1972), as diferentes reatividades dos minerais do pó sob a ação dos agentes de intemperismo,
quando incorporado ao solo. Os minerais foram classificados em quatro categorias de reatividade:
minerais não reativos (quartzo e hematita); pouco reativos (barita e caulinitas); reativos (labradorita,
augita e feldspato alcalino); muito reativos (esmectita e heulandita). A Tabela V apresenta a
distribuição dos minerais de cada amostra, considerando o potencial de reatividade dos mesmos.
Tabela V. Classificação da potencialidade de reatividade para disponibilização de agronutrientes dos pós de
rocha estudados.
Classe mineral B 1 (%) C 1 (%) NP 2 (%) Z 1 (%)
Não reativos 4,7 9,7 8 7,1
Fraca reatividade 0,9 1,3 4,2 5,2
Reativos 39,7 30,9 30,1 34,7
Muito Reativos 1,6 5,1 4,7 0

Espera-se que em virtude da maior predisposição de feldspato e piroxênio estes venham a alterar-se
em argilominerais, e com isto disponibilizando nutrientes vegetais, como também contribuindo para
no aumento do pH do solo e da capacidade de troca catiônica (CTC) que é dependente dos
argilominerais a serem formados. Quanto à massa mineral amorfa das rochas vulcänicas, segundo
Nardy et al. (2008), esta altera-se com maior facilidade, o que permitiria incluí-la também como
“Reativa”.

3.2. Caracterização da disponibilidade de nutrientes

Neste sentido, correlaciona-se a grande presença dos minerais de maior climatização nas amostras
estudadas (KRAUSKOPF, 1972) com os níveis de nutrientes identificados nas análises de solo
apresentadas na Tabela VI. O pó de rocha, apesar de não ser classificado como solo, foi submetido
como tal à análise das suas características agronômicas no Laboratório de Solos do Departamento
de Agronomia da UFRGS, cujos resultados estão apresentados na Tabela VI.

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KAUTZMANN, R.M., OLIVEIRA, C., TAFFAREL, S., RAMOS, C.G., SYDNEY, S., SILVA, L.F.O., BORBA, R.F.

Tabela VI. Teores de agronutrientes disponíveis nas amostras de pó de rocha e propriedades agronômicas.
Elementos B1 C1 NP 2 Z1
Alumínio (%) 0 0 0 0
Cálcio (%) 0,1 0,11 0,12 0,12
Magnésio (ppm) 1,0 1,1 2,2 0,9
Manganês (ppm) 3,0 2,0 6,0 2,0
Fósforo (ppm) >100 >100 >100 >100
Potássio (ppm) 152 59 104 76
Boro (ppm) 0,2 0,2 0,2 0,2
Cobre (ppm) 8,4 4,0 2,2 4,8
Enxofre (ppm) 1,4 1,3 139 1,8
Zinco (ppm) 1,6 1,7 1,9 1,8
pH 7,7 8,6 6,7 8,6
CTC ( cmolc/dm3) 8,79 8,95 11,6 9,49
Argila (%) 12 6 51 6

Para a classificação de qualidade agronômica dos resultados utilizou-se a interpretação de


Malavolta (1992), aplicada para solos do Rio Grande do Sul. Neste trabalho, os teores dos
agronutrientes são classificados em: limitante, muito baixo, baixo, médio, suficiente e alto. A partir
destes teores elaborou-se a Tabela VII para os resultados de análises realizados no Laboratório de
Solos da UFRGS.

Tabela VII. Classificação da qualidade agronômica com base em Malavolta (1992) para os teores de
agronutrientes a partir da análise no Laboratório de Solos da UFRGS.
B1 C1 NP 2 Z1
Fósforo (P) alto alto alto alto
Potássio (K) alto médio suficiente médio
Cálcio (Ca) alto alto alto alto
Mg (Mg) médio médio médio alto
Enxofre (S) médio médio alto médio
Boro (B) médio médio médio médio
Zinco (Zn) alto alto alto alto

Esta avaliação mostra valores interessantes de disponibilidade de nutrientes pelos pós de rocha
analisados. Destacam-se como pontos positivos o elevado pH do pó de rocha, entre 6,7 e 8,6 (o que
não agravaria a condição normalmente ácida dos solos da região de estudo) e conseqüente
inexistência de cátion alumínio trocável Altroc., elemento tóxico e inibidor da atividade de troca
catiônica dos argilominerais. Apesar dos valores significativos de nutrientes das amostras, os
valores de CTC são baixos. Esta condição pode ser atribuída à pequena quantidade de
argilominerais nas amostras analisadas, com exceção da NP2.

Pode-se também simular as condições de reatividade dos minerais em solo empregando ácido
cítrico a 2% (THEODORO; LEONARDOS; ALMEIDA, 2010). Os ácidos orgânicos, em especial o
ácido cítrico, são comumente exsudados pelas raízes das plantas, permanecendo em alta
concentração na rizosfera (SONG, HUANG, 1988). Estes ácidos apresentam alta capacidade de
interagir com metais, formando complexos orgânico-metálicos na solução do solo e induzindo as
liberações dos nutrientes pelos minerais do solo (MARTIN, SPARKS, 1983; MELO et al., 1995). A
Tabela VIII apresenta os resultados desta extração para os elementos K, Ca, Mg, Zn, Cu, Fe e Mn.

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Tabela VIII. Teores de agronutrientes extraídos de 1 g de amostras pela lixiviação em 100 ml de solução de acido
cítrico a 2%.
Elementos B 1 (ppm) C 1 (ppm) NP 2 (ppm) Z 1 ppm)
Cálcio 237 119,4 282,2 11,3
Cobre 6,1 13,9 11,3 14,4
Ferro 387,9 418 601,5 576,7
Magnésio 6,52 2,71 13,47 10,37
Manganês 86,6 46,1 200,3 181,5
Potássio 7,81 1,43 9,96 0,39
Zinco 3,53 9,55 9,83 7,4

Os ensaios de extração com ácido cítrico diluído a 2%, como esperado, não coincidiram com os
resultados da análise agronômica clássica. As extrações de Ca, Mg e K com ácido citrico diluído
foram menores em comparação a análise agronômica, enquanto o Cu e Zn apresentaram extrações
semelhantes aos dois métodos.

4. CONCLUSÕES

As características e propriedades de liberação de nutrientes vegetais observadas neste trabalho


mostraram a potencialidade das amostras de rocha cominuidas para utilização em condicionamento
de solos. Como aspectos positivos para aplicação em rochagem dos pós de rocha analisados se pode
citar: 1) a predominância da fase mineral reativa aos agentes de intemperismo, promovendo a boa
disponibilização de nutrientes vegetais e em tempo de atuação na ordem de anos, 2) melhora na
condição da alcalinidade do solo; 3) isenção de alumínio trocável. A propriedade agronômica de
menor contribuição é a CTC, sendo que a melhoria deste indicativo em períodos mais longos, ainda
merece maiores estudos.

5. AGRADECIMENTOS

Ao CNPq pelo apoio em recursos ao projeto, ao Sindicato da Indústria de Extração de Pedreiras de


Nova Prata e DNPM pelo apoio técnico e de logística, e às empresas Basel Ind. e Com. de Minerais,
Concresul Britagem e Zilli Basalto e Britagem, pelo apoio no custeio das análises. Ao Engº
Agrônomo Carlos Augusto Posser Silveira e à Química Mariana da Luz Potes e à Embrapa Clima
Temperado pela realização de análises químicas e importantes conselhos na condução desta
pesquisa.

6. REFERÊNCIAS

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CARACTERIZAÇÃO DE TALCO PURIFICADO DE RESÍDUOS DE PEDRA


SABÃO

GARCIA, N.H.1, RODRIGUES, M.M.L.2, LIMA, M.M.F.3, LIMA, R.M.F.4


1
Universidade Federal de Ouro Preto. neylor_henrique@hotmail.com
2Universidade Federal de Ouro Preto. mitchel.marques@yahoo.com
3
Universidade Federal de Ouro Preto. margarida@em.ufop.br
4
Universidade Federal de Ouro Preto. rosa@demin.ufop.br

RESUMO

Nesse trabalho estão apresentados os resultados dos ensaios de caracterização de talco purificado de
resíduos de pedra sabão, oriundos de Santa Rita de Ouro Preto, após lixiviação de concentrados de
flotação com ditionito de sódio (Na2S2O4) e ácido clorídrico (HCl). A caracterização tecnológica
desses materiais constou de análise granulométrica, efetuada por espalhamento de raios laser (Cilas
1064), difração de raios X (método do pó total), análises químicas, efetuadas por espectroscopia
ótica de emissão-plasma de acoplamento indutivo além da determinação de alvura ISO. Para os
concentrados de flotação lixiviados com ditionito de sódio e ácido clorídrico foram obtidas alvuras
de 73,7 e 79,6%, respectivamente, representado aumento de 3 e 9% em relação a alvura do
concentrado da flotação. Verificou-se que cerca de 80% das partículas das amostras de talco
lixiviadas encontravam-se abaixo de 10 µm. Os minerais identificados nos difratogramas de raios X
foram talco e clinocloro. O maior aumento da alvura do produto lixiviado com HCl, está
relacionado com a diminuição dos teores de Fe2O3, Ni, Zn em relação à alimentação (concentrado
da flotação).

PALAVRAS-CHAVE: talco; pedra sabão; alvura; resíduos; flotação, lixiviação.

ABSTRACT

This work present the results of technological characterization performed with purified talc from
soapstone residues from Santa Rita de Ouro Preto, after leaching flotation concentrates with sodium
dithionite and hydrochloric acid. The technological characterization consisted of size distribution
performed by laser diffraction (Cilas 1064), X ray diffraction (total powder method), chemical
analysis, performed by optical emission spectroscopy – inductively coupled plasma, density and
whiteness ISO determinations. The whiteness of purified talc with sodium dithionite and
hydrochloric acid were of 70.3 and 79.6%, respectively. This means an increase of 3 and 9%
compared with flotation concentrate whiteness. About 80% of talc particles in leached samples were
smaller than 10 μm. The minerals talc and chlinoclore were identified in X ray patterns. The higher
increase in whiteness with hydrochloric acid is related with the decrease of Fe2O3, Ni, Zn compared
with feed (flotation concentrate).

KEYWORDS: talc; soapstone; whiteness; residues; floatation; leaching.

169
GARCIA, N.H., RODRIGUES, M.M.L., LIMA, M. M. F., LIMA, R M.F.

1. INTRODUÇÃO

As rochas talcosas são provenientes de calcários e de rochas ígneas ultrabásicas com teores de MgO
e SiO2 acima de 20 e 50%, respectivamente. Dependendo da região podem receber denominações
diferentes, esteatito, pedra sabão e saponito, que é uma rocha constituída por 35% de talco e acima
de 25% dos minerais clorita, quartzo, calcita, dolomita, magnesita, tremolita, anfibólio, piroxênio e
hematita (Dana, 1984, Pinheiro, 1974, Kusvart, 1984).

Na região de Ouro Preto existem diversas pedreiras de esteatito ou pedra sabão, que é extraída e
exportada em forma de blocos para a Europa onde, após o desdobramento dos blocos em placas, é
utilizada na construção de lareiras. Outra aplicação dessa rocha é na fabricação de ornatos em
cantaria, como balaústres e colunas. É o produto mais valorizado. Além da rocha “sã” de boa
qualidade são produzidas e vendidas para o artesanato (fabricação de panelas, objetos de adorno,
etc.) rochas de qualidade inferior (“mais mole”) e o talco, que ocorre em bolsões, que também é
vendido para empresas de cerâmica.

Na tabela I estão apresentadas as composições químicas de oito amostras de quatro pedreiras da


região de Bandeiras de Santa Rita de Ouro Preto, utilizadas em oficinas de artesanato daquela
localidade, as quais produzem grande quantidade de partículas de diversos tamanhos, desde o corte
das peças e durante o polimento dos objetos, que são descartados como entulho próximo aos
córregos, o que posteriormente pode provocar o assoreamento dos mesmos.

Tabela I. Composição química de amostras de pedra sabão da região de Bandeiras - Santa Rita de Ouro Preto –
MG.
Elementos (ppm) Oxidos (%)
Amostra
Pb As Mn Cu SiO2 Al2O3 MgO CaO Fe2O3 PPC
I < 0,25 28,83 881 53,3 37,12 3,53 35,23 1,73 6,71 15,68
II <0,25 2,07 740 26,14 33,95 1,59 37,20 0,25 5,05 21,96
III < 0,25 1,021 1133 49,37 34,44 1,51 35,51 1,28 7,79 19,36
IV <0,25 <0,05 216,9 <0,01 57,22 1,00 33,15 0,12 3,43 5,08
V < 0,25 1,638 742 40,56 30,99 0,60 37,24 0,12 7,54 23,51
VI < 0,21 4,349 1576 14,72 25,57 0,69 40,40 0,61 3,50 29,23
VII < 0,25 3,657 871 4,024 34,48 0,80 38,33 0,30 4,07 22,02
VIII < 0,25 12,55 2523 16,6 7,52 0,14 41,48 4,41 2,54 43,91
Fonte: Lima et al. (2009).

Devido a baixa dureza e maciez do talco (1 na escala de Mohs), alta habilidade de cobertura, alto
ponto de fusão, inércia química, baixa condutividade elétrica, alta capacidade de absorção de
gordura, cor, óleos, resinas, baixa higroscopia e cor branca, quando puro, o mesmo é utilizado na
indústria têxtil para impregnação de tecidos, indústria de sabonetes, pasta de dentes, indústria de
cosméticos de modo geral, indústria de borracha (produção de tubos isolantes de fiações elétricas e
na vulcanização), na indústria química como catalisador devido a grande área superficial. Quando
puro é utilizado na indústria farmacêutica. No caso de pureza variável é uma importante matéria
prima para cerâmica elétrica (Kusvard, 1984; Pontes e Almeida, 2005).

Nos ensaios de purificação de resíduos de uma oficina de artesanato, que trabalhava exclusivamente
com rocha da região de Bandeiras, usando deslamagem e separação magnética, foram obtidas
especificações para inseticidas e indústria têxtil, empregando flotação foram alcançadas
especificações para aplicações em tintas (espalhador) e papel (carga). Após lixiviação com ácido

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clorídrico foram alcançadas especificações para indústria de plástico além das aplicações citadas
anteriormente (Rodrigues, 2010; Rodrigues e Lima, 2012).

Nesse trabalho são apresentados os resultados de caracterização tecnológica dos concentrados de


flotação após a lixiviação com ditionito de sódio e ácido clorídrico.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

Neste trabalho, foi utilizada uma amostra de resíduo de pedra sabão abaixo de 74 µm (200#),
proveniente de Santa Rita de Ouro Preto. A densidade da mesma era 2,9818g/cm3, área superficial
igual a 2,7861 m2/g, alvura ISO de 54% e d80 igual a aproximadamente 36 µm (Rodrigues, 2010).

Na Figura 1 está apresentado o fluxograma dos ensaios de purificação e caracterização da amostra


de resíduo de pedra sabão.

Figura 1. Fluxograma de purificação e caracterização da amostra de resíduo de pedra sabão.

2.1. Ensaios De Purificação

Os ensaios de deslamagem foram efetuados da seguinte forma: transferência de 500 g de resíduo de


pedra sabão para a cuba de 4 l, descida do rotor da célula de flotação da marca Cimaq para a
posição desejada e finalmente adicionava-se 2820 ml de água para obtenção de uma polpa com 15%
de sólidos. Posteriormente, ajustava-se a rotação da célula para 1200 rpm e deixava-se a polpa sob
agitação por 3 minutos. Finalmente, desligava-se a célula, levantava-se o rotor e deixava-se a
polpa sedimentando por 10 minutos. Em seguida, era efetuado o sifonamento do “sobrenadante”.
Este procedimento era repetido por duas vezes. Finalmente, o material sifonado e afundado eram
filtrados, secados a temperatura de 105 ºC em estufa por 1 hora e meia.

Os ensaios de flotação efetuados com as amostras de resíduo previamente deslamado foram


efetuadas nas condições otimizadas por Rodrigues (2010) com porcentagem de sólidos de 14 %,
500 g/t de metassilicato de sódio e 150 g/t de metil isobutil carbinol (MIBC).

O preparo das soluções de reagentes (metassilicato de sódio e MIBC) utilizadas nos ensaios de
flotação foi efetuado da seguinte forma:

171
GARCIA, N.H., RODRIGUES, M.M.L., LIMA, M. M. F., LIMA, R M.F.

i – para o preparo da solução de metassilicato de sódio a 0,5 % p/v, pesou-se 0,5g de metassilicato
que foi diluído em 100 ml de água destilada em um balão volumétrico;
ii – para o preparo da solução de MIBC a 0,25% p/v, pesou-se 0,25g de MIBC e diluindo-o com
água destilada em balão volumétrico de 100 ml.

Os ensaios de lixiviação do produto flotado com ditionito de sódio e ácido clorídrico foram
efetuados nas condições otimizadas por Rodrigues (2010) conforme descrito abaixo:
a) Ditionito de sódio: uma solução com concentração de Na2S2O4 a 1% p/v, 20% de sólidos e tempo
de lixiviação igual a 120 minutos. O procedimento adotado foi o seguinte:
i - preparar a solução de ditionito de sódio a 1% p/v, colocando 2,5 g de diotionito de sódio em um
balão de 250 ml completando-o com água destilada;
ii - introduzir 23 g de talco purificado por flotação em um béquer de 200 ml e adicionar 87 ml de
água destilada em pH 5 (ajustado com solução de ácido sulfúrico) e 6 ml de solução de ditionito de
sódio ficando com uma suspensão com 20 % de sólidos;
iii - verificar o valor do pH e deixar agitar em uma rotação de 600 rpm por 120 minutos em
temperatura ambiente;
iv – efetuar a filtragem e secar o produto a uma temperatura aproximadamente de 105 oC por 1 hora
e meia.

b) Ácido clorídrico
Uma solução de HCl a 4M, temperatura de 80 ºC, porcentagem de sólidos de 15% e tempo de
lixiviação igual a 60 minutos. O procedimento adotado foi o seguinte:
i - preparar uma solução de HCl a 4M colocando 168 ml de HCl em um balão volumétrico de 500
ml completando-o com água destilada;
ii - transferir 95 ml da solução de HCl a 4M para um béquer contendo 17 g de talco purificado por
flotação, formando uma suspensão com 15% de sólidos;
iii - aquecer essa suspensão até 80 oC. Logo em seguida agitar em uma rotação de aproximadamente
700 rpm por 60 minutos. Sendo a temperatura verificada por um termômetro nesse período,
variando-a em uma faixa entre 78 e 82 oC;
iv – filtrar e secar o produto em estufa a 105 ºC por um tempo de 1 hora e meia.

2.2. Caracterização Tecnológica

Os ensaios de caracterização física das amostras lixiviadas constaram de análise granulométrica


utilizando granulômetro a laser CILAS 1064, determinação de densidade usando um picnômetro a
gás Ultrapcnometer 1000 e determinação da área superficial das partículas usando o equipamento
BET Nova 1200 do Laboratório de Propriedades Interfaciais do Departamento de Engenharia de
Minas da UFOP.

A caracterização mineralógica foi feita através da difração de raiosX (método do pó total). Para a
obtenção dos difratogramas de raios X (2º a 70º), foi utilizado o difratômetro de raios X tipo

11076186 da PanAnalytical do Laboratório de Difração de Raios X do DEGEO/UFOP. A radiação


utilizada foi KαCu = 1,54 Å.

As análises químicas das amostras foram efetuadas por espectrofotometria de emissão atômica com
fonte de plasma (ICP-OES) modelo Ciros CCD da marca Spectro do Laboratório de Geoquímica do
Departamento de Geologia/UFOP. Os elementos químicos analisados foram Al, As, Ca, Cu, Fe,
Mg, Ni, Pb, Ti e Zn. O teor de SiO2 foi obtido por diferença.

Para determinação de alvura ISO dos produtos da deslamagem, flotação e das amostras lixiviadas
foi utilizado o espectrofotômetro Color Touch model do Laboratório de Propriedades Interfaciais do

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DEMIN/UFOP. O procedimento para a confecção das pastilhas para medida de alvura das amostras
constou de:
i - quartear o produto até obter uma alíquota de aproximadamente 50 g;
ii – secar a amostra em estufa a uma temperatura aproximadamente de 105 ºC em um vidro relógio;
iii - pulverizar a amostra por 1 minuto em um moinho orbital, usando panela de tungstênio;
iv – confeccionar um corpo de prova para o teste, utilizando a prensa Powder Press Apparatus. Essa
confecção foi feita em um pequeno cilindro oco, que era colocado em cima de uma superfície lisa
de vidro sobre uma balança, em seguida colocou-se o material no cilindro e aplicou-se uma força de
aproximadamente 56,70 kgf.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observa-se pela Figura 2 que não houve diferença entre as distribuições granulométricas das
amostras de talco lixiviado com ditionito de sódio e com ácido clorídrico. Ou seja, o d80 das
mesmas foi de aproximadamente 75µm e que cerca de 10% das partículas encontravam-se abaixo
de 10 µm.

Na Tabela II estão apresentadas as composições químicas e a alvura do produto afundado, das


amostras lixiviadas com ditionito de sódio e com ácido clorídrico.

As densidades das amostras de talco lixiviadas com Na2S2O4 e com HCl foram de 2,8929 g/cm3 e
2,9471 g/cm3, respectivamente. Estes valores estão dentro das especificações para a aplicação em
tintas (2,8 a 2,9 g/cm3) e são ligeiramente menores do que o valor de densidade da amostra de
resíduo de pedra sabão (2,9818g/cm3), provavelmente, devido à remoção parcial de sulfetos e
magnetita, que são minerais de densidades mais altas. As áreas superficiais foram de 1,8259 m 2/g e
2.6639m2/g, respectivamente para as amostras de talco, previamente purificadas por flotação,
lixiviadas com Na2S2O4 e HCl, respectivamente. Esta diferença entre os valores medidos não está
coerente com as distribuições granulométricas, que foram praticamente iguais para as duas amostras
(Figura 2). No entanto, pode-se afirmar que os menores valores das áreas superficiais das amostras
lixiviadas em relação à alimentação (2,7861 m2/g) estão relacionados com a distribuição
granulométrica (d80 = 74 µm) das mesmas serem mais grosseiras do que da alimentação (d80 = 36
µm), devido à remoção das partículas finas com a operação de deslamagem antes da flotação. No
entanto, há de salientar que a análise granulométrica da alimentação foi efetuada por peneiramento
e dos produtos lixiviados por granulômetro a laser, cujos valores de tamanho de partículas,
normalmente são maiores do que os tamanhos medidos por peneiramento.

Lima et al. (2012) através de difratometria de raios X dos resíduos de pedra sabão da região de
Bandeiras identificaram os seguintes minerais: talco (Mg3SiO4O10(OH)2, caolinita
(SiO2Al2O5(OH)4, clorita ((Mg,Al)6(Si,Al)4O10(OH)8) e nimita ((Ni,Mg,Al)(Si,Al)O(OH) em todas
as faixas granulométricas analisadas. Através de microspia ótica e microscopia eletrônica de
varredura de amostras de pedra sabão de Bandeiras, Lima et al. (2009) identificaram sulfetos: pirita
(FeS2), arsenopirita (FeAsS), pentlandita ((Fe,Ni)9S8); carbonatos: magnesite (MgCO3), dolomite
(CaMg(CO3)2) e óxidos: magnetita/hematita (Fe3O4/F2O3), ilmenita (TiO2). Logo, os teores dos
compostos e elementos químicos presentes na alimentação e nos produtos lixiviados estão
coerentes com a mineralogia de amostras de pedra sabão da região de Bandeiras.

173
GARCIA, N.H., RODRIGUES, M.M.L., LIMA, M. M. F., LIMA, R M.F.

(a) (b)
Figura 2. Distribuição granulométrica da amostra de talco lixiviada com ditionito de sódio (a) e ácido clorídrico
(b)

Tabela II. Composição química das amostras de talco lixiviadas com ditionito de sódio e com ácido clorídrico.
Amostra de talco
Teor
Alimentação Lixiviado com Na2S2O4 Lixiviado com HCl
Al2O3 2,27 1,355 0,013
MgO 27,7 31,41 30,11
(%) CaO 0,580 0,028 0,036
TiO2 0,051 0,054 0,050
Fe2O3 4,7 3,43 3,55
SiO2 58,55 57,42 59,78
PPC 5,98 6,12 6,28
Ni 1956 1727 1715
(ppm) Cu 13,4 - -
Zn 85,8 65,8 59,3
As 11,1 - -
3
Densidade (g/cm ) 2,982 2,893 2,947
Alvura % (ISO) 54,00 73,7 79,6
*Alvura ISO do produto flotado – 70,9%
**Alvura ISO do produto afundado – 59,5

Nos difratogramas de raios X das amostras lixiviadas tanto com ditionito de sódio e como com
ácido clorídrico foram identificados os minerais talco e clinocloro. Na Figura 3 está apresentado o
difragrama típico das amostras lixiviadas, com os picos principais dos minerais identificados. Os
demais picos são atribuídos à superposição de picos dos dois minerais identificados. A não
identificação dos demais minerais identificados em trabalhos prévios (Lima et al., 2012) pode estar
relacionada com o baixíssimo teor dos minerais nas amostras analisadas.

Observa-se pela Tabela II diminuição acentuada do teor de Al2O3 em relação à alimentação, que
provavelmente está relacionado com a remoção de caolinita na deslamagem do material e remoção
de nimita pela lixiviação com HCl, uma vez que não foi identificado este mineral na difração de
raios X dos produtos lixiviados. Observa-se também que houve pequena remoção de pentlandita da
amostra, uma vez que a redução do teor de Zn foi pequena em relação a teor de Zn na alimentação.

A diminuição do teor de Fe2O3 no produto lixiviado com ditionito de sódio e consequente aumento
da alvura em relação à alimentação (produto flotado), está relacionado com a redução do Fe3+ da
magnetita para Fe2+ (Luz et al., 1990). Pela redução dos teores de CaO e MgO e aumento
considerável da alvura com lixiviação da amostra com HCl, pode-se inferir que houve remoção de
carbonatos e sulfetos da amostra lixiviada (Ahmed et al., 2007).

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Figura 3. Difratograma de raios X típico das amostras lixiviadas.

Pelos resultados de teores e alvura dos produtos lixiviados foram alcançadas especificações para as
seguintes aplicações: inseticida (granulometria abaixo de 43 μm), tintas pigmentos (alvura 77 a
87%, MgO: 24 a 32 % , SiO2 : 50 a 65%, CaO ≤ 9 % , MgO + SiO2 ≥ 88 %, CO2 ≤ 1 %
Al2O3+Fe2O3 ≤ 6 %, H2O + MV ≤ 1 % PPC ≤ 7 %, peso específico entre 2,8 a 2,9 g/cm3) e
espalhador (granulometria 100% abaixo de 74 μm e 96,5% abaixo de 43 μm, alvura – 65 a 87%,
SiO2+MgO ≥75% Al2O3 ≤2% H2O+M.Vol. <1%, PPC- ≤7%, peso específico entre 2,8 e 2,9 g/cm3 e
partículas lamelares (Rodrigues e Lima, 2012 e 2011)), carga para papel (95 % menor que 37 μm,
alvura 54 e 75%) e plástico (100% menor que 74 μm e alvura superior a 74 μm) (Pontes e Almeida,
2005).

4. CONCLUSÕES

A distribuição granulométrica dos produtos lixiviados foi maior e consequentemente, as áreas


superficiais dos mesmos foram maiores do que da alimentação, provavelmente devido à remoção
das partículas finas pela deslamagem, especialmente a caolinita. A menor densidade dos produtos
lixiviados em relação à alimentação está relacionada com a remoção de sulfetos. Os minerais
identificados nos difratogramas das amostras lixiviadas foram talco e clinocloro. Levando em
consideração os teores obtidos após lixiviação do produto flotado com ditionito de sódio verificou-
se aumento da alvura do produto lixiviado de cerca de 3% em relação ao produto flotado (70,9%),

que está relacionado à remoção da magnetita, que ocorre pela redução de Fe3+ para Fe2+. Na
lixiviação do produto flotado com ácido clorídrico foi alcançada alvura de 79,6%, que está
relacionada com a solubilização e remoção de sulfetos e carbonatos, presentes no material. Com
esses valores de alvura o talco pode ser aplicado para fabricação de papel (carga), tintas (pigmento)
e plástico.

175
GARCIA, N.H., RODRIGUES, M.M.L., LIMA, M. M. F., LIMA, R M.F.

5. AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à Fapemig pelo apóio financeiro, à CAPES pela bolsa de mestrado, ao CNPq
pela bolsa de produtividade em pesquisa e à UFOP pela bolsa de iniciação científica.

6. REFERÊNCIAS

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CARACTERIZAÇÃO DO EFLUENTE E DA ÁGUA TRATADA DE UMA


USINA DE FABRICAÇÃO DE FERRO-LIGAS DE MANGANÊS DA REGIÃO
DE OURO PRETO - MG

SILVA, A.C.1, REIS, É.L.2, LOPES, A.S.3


1
Universidade Federal de Ouro Preto. alinecostasilva.acs@gmail.com
2
Universidade Federal de Ouro Preto. erica@demin.ufop.br
3
Departamento de Manganês e Ferro-Ligas/VALE. anderson.silveira@vale.com

RESUMO

Nas unidades de fabricação de ferro-ligas de manganês, são gerados efluentes líquidos advindos,
principalmente, de calhas de drenagem hídrica dos pátios de estocagem de matéria-prima, produto e
processo de resfriamento da escória. Esses efluentes, em geral, podem conter partículas que terão
dificuldades em sofrer decantação natural, conferindo à água características de turbidez e cor. Deste
modo, o presente trabalho teve como finalidade a caracterização do efluente e da água tratada do
tanque de decantação de uma usina de fabricação de ferro-ligas, localizada na região de Ouro Preto,
Minas Gerais. As principais características examinadas foram: turbidez, sólidos totais (ST), sólidos
em suspensão (SS), sólido dissolvidos (SD), pH, Eh, DQO e análise química. A turbidez antes do
tratamento foi de 417 NTU e, após a passagem pelo tanque, obteve-se valor igual a 44 NTU, valor
superior aos padrões de emissão para classe 1 regulamentados pela legislação ambiental brasileira
em vigor (Resolução CONAMA n° 357/2005). Os valores de ST, SS e SD do efluente foram iguais
a 225, 114,3 e 110 mg/L, respectivamente. Na água tratada os valores foram de 93, 48,3 e 45 mg/L
para ST, SS e SD, respectivamente. O processo de decantação foi capaz de reduzir até 21% da
DQO. As concentrações dos elementos Fe, Al, Mn e S estavam acima dos valores máximos
permitidos pela Resolução n° 357 de 2005 do CONAMA.

PALAVRAS-CHAVE: efluente; caracterização; ferro-ligas de manganês.

ABSTRACT

In the manufacturing units of iron-manganese alloys are generated liquid effluents arising mainly
from gutters of drainage water from warehouse of raw material, product and cooling process of the
slag. These effluents, in general, may contain particles that will suffer difficulty to naturally decant,
giving the water turbidity and color characteristics. Thus, this study aims to characterize the effluent
and the treated water from the settling tank from a manufacturing plant of iron alloys, located in the
region of Ouro Preto, Minas Gerais. The main characteristics examined were: turbidity, total solids
(TS), suspended solids (SS), dissolved solids (DS), pH, Eh, COD and chemical analysis. The
turbidity before treatment was 417 NTU and after passing through the tank got value equal to 44
NTU, a figure slightly higher than the emission standards for Class 1 regulated by the Brazilian
environmental legislation in force (Dictum CONAMA no. 357/2005 ). The values for TS, SS and
DS of the effluent were equal to 225, 114.3 and 110 mg/L, respectively. For the treated water the
values were 93, 48.3 and 45 mg/L for TS, SS and DS, respectively. The decantation process was
able to reduce by 21% of the COD. The concentrations of the elements Fe, Al, Mn and S were
above the maximum permitted by Resolution no. 357 of 2005 of CONAMA.

KEYWORDS: effluent; characterization; iron-manganese alloys.

177
SILVA, A.C., REIS, É.L., LOPES, A.S.

1. INTRODUÇÃO

As normas redigidas pelos órgãos ambientais, que foram se tornando cada vez mais restritivas,
estabelecem padrões de enquadramento para os resíduos e efluentes a serem descartados no meio-
ambiente. Com o objetivo de avaliar se um resíduo e/ou efluente necessita ou não de tratamento e,
caso necessário, qual o procedimento mais adequado, é imprescindível que se realize a
caracterização do mesmo, a qual é obtida a partir de diversos testes que mensuram o teor de
poluição.

Com base na discussão anterior, procedeu-se à caracterização do efluente e da água tratada de uma
usina de fabricação de ferro-ligas de manganês da região de Ouro Preto - MG, a qual apresentou em
2010, segundo dados internos da empresa, uma produção de aproximadamente 62 mil toneladas de
ferro-ligas, constituindo-se, portanto, uma empresa de grande importância para o setor mineral
brasileiro e que gera, também, uma quantidade significativa de resíduos.

Os efluentes da usina são provenientes de calhas de drenagem hídrica de pátios de estocagem de


matéria-prima, produtos e rejeitos e também, do resfriamento da escória. Essas calhas conduzem os
resíduos até um tanque de decantação de aproximadamente 1200 m2, o qual funciona em três
etapas: enchimento, esgotamento e limpeza, que ocorre quando a espessura do resíduo sólido
presente no fundo do tanque é igual a 0,4 m. Foi realizada a caracterização do efluente bruto, isto é,
do material que chega ao tanque de decantação e também do efluente tratado, ou seja, do material
que será despejado no corpo receptor. A partir da comparação entre os resultados das amostras, foi
possível a avaliação da eficiência do tratamento utilizado e também, se o material a ser descartado
apresentava parâmetros físicos e químicos que se enquadravam nas normas exigidas pela Resolução
n° 357 de 2005 do CONAMA.

Há grande preocupação no período chuvoso, quando aumenta a carga de partículas carreadas pelas
águas que passam pelo tanque de sedimentação da referida empresa. As partículas do tanque em
questão variam desde as coloidais, que sedimentam muito vagarosamente, até aquelas grosseiras,
que se arrastam ao longo da corrente por distâncias que dependem de suas dimensões. A alta
concentração de partículas de dimensões coloidais é responsável pela turbidez persistente e pela
coloração das águas.

Dependendo das características do efluente tratado poderá haver assoreamento e poluição por
materiais tóxicos e, consequentemente, comprometimento da fauna e da flora do manancial hídrico
local. Portanto, o presente trabalho teve como objetivo caracterizar o tratamento utilizado no tanque
de decantação da usina de fabricação de ferro-ligas de manganês como forma avaliar a eficiência do
processo utilizado.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

As amostras foram coletadas no período chuvoso e os frascos de coleta foram preenchidos,


fechados, transportados e armazenados sob resfriamento para uso em análises posteriores. O pH foi
medido utilizando potenciômetro da marca Digimed, modelo DM-22. E o potencial redox (Eh) foi
obtido a partir de um condutivímetro portátil da marca Instrutherm.

As medidas de turbidez foram realizadas a partir do turbidímetro de marca Alfakit, com faixa de
medição de 0 a 1000 NTU. As concentrações de Sólidos Totais (ST) foram determinadas através da
medida da massa de resíduos contida, após secura por 1 hora em estufa a 105°C, em 100,00 mL de
suspensão do efluente. A concentração de Sólidos Suspensos (SS) foi determinada por meio da
massa de sólidos retidos no papel de filtro quantitativo, faixa azul, sendo que esses sólidos estavam
178
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

presentes também em 100,00 mL de suspensão. Os sólidos dissolvidos foram determinados


subtraindo-se a concentração de SS da concentração de ST (GUEDES, 2004).

Conforme SILVA e OLIVEIRA (2001), métodos titulométricos foram utilizados nas análises dos
seguintes parâmetros: alcalinidade, cloreto, demanda química de oxigênio (DQO) e oxigênio
dissolvido (OD). A alcalinidade foi determinada por titulometria da amostra, na presença dos
indicadores fenolftaleína e metilorange, respectivamente, e o resultado encontrado foi expresso em
função da concentração de carbonato de cálcio (CaCO3).

A determinação da concentração de cloreto foi realizada a partir do método argentométrico,


conhecido também como método de Mohr, no qual a amostra foi titulada, após o seu adequado pré-
tratamento, com uma solução padrão de nitrato de prata. Durante essa titulação, os íons cloreto
foram precipitados na forma de cloreto de prata, AgCl. O indicador utilizado foi o cromato de
potássio, K2CrO4, o qual formou, com um excesso de nitrato de prata, o precipitado vermelho de
cromato de prata, AgCrO4.

O teste de demanda química de oxigênio (DQO) foi realizado a partir da oxidação da matéria
orgânica por uma mistura de ácidos crômico e sulfúrico (dicromato de potássio, K2Cr2O7, em meio
ácido). A determinação foi possível a partir da titulometria indireta, isto é, ocorreu por meio da
titulação do excesso de K2Cr2O7 presente na solução que sofreu oxidação com solução padrão de
sulfato ferroso amoniacal 0,025 N em presença do indicador ferroína.

A determinação de oxigênio dissolvido (OD) foi realizada a partir do método iodométrico, também
conhecido como método de Winkler. Nesse procedimento, foi adicionada à amostra solução de
manganês bivalente (Mn2+) seguido de base forte, sendo que, sob condições alcalinas, o oxigênio
fez o Mn2+ passar a Mn4+. Com a adição, em seguida, de íons iodeto em meio acido, o manganês
oxidado voltou ao estado bivalente liberando uma quantidade de iodo equivalente à concentração
inicial de oxigênio dissolvido. O iodo foi titulado com solução padronizada de tiossulfato de sódio
(Na2S2O3) na presença do indicador amido, sendo, portanto, um método titulométrico indireto.

Os elementos majoritários presentes nas amostras foram quantificados por espectroscopia de


emissão atômica. O equipamento utilizado nas análises foi o espectrofotômetro de emissão atômica
com fonte plasma da marca Spectro, modelo Ciros CCD.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na tabela I estão apresentados os valores dos parâmetros analisados para os efluentes bruto e
tratado. Os resultados encontrados para o efluente bruto e para o efluente tratado foram comparados
entre si para se verificar a eficiência do tanque de decantação Alguns resultados obtidos para o
efluente tratado foram comparados com os padrões de emissão para classe 1 regulamentados pela
legislação ambiental brasileira em vigor, no caso, a Resolução n° 357 de 2005 do CONAMA.

Comparando-se os valores de pH obtidos para o efluente bruto e para o tratado, não ocorreu grande
variação sendo que o valor permaneceu em torno de 8, isto é, o valor do pH de ambos são próximos
da neutralidade. Para haver enquadramento na classe 1, o pH deve estar entre 6,0 e 9,0.

Em relação à alcalinidade, que equivale à soma das bases tituláveis, pode-se dizer que não há
variação significativa entre os valores dos efluentes bruto, (91,7 ± 0,319) mg.L-1 CaCO3, e tratado,
(94,8 ± 0,803) mg.L-1 CaCO3, o que já era de se esperar observando-se os valores de pH, que não
apresentam diferença significativa. A alcalinidade é uma medida que representa a capacidade da
água de neutralizar ácidos, servindo para expressar a sua competência de tamponamento

179
SILVA, A.C., REIS, É.L., LOPES, A.S.

(OHLWEILER, 1974). A maioria das águas naturais apresentam valores de alcalinidade entre 30 e
500 mg/L de CaCO3, portanto o efluente a ser descartado se encontra nessa faixa (PIANTÁ, 2008).

Tabela I. Análises físico-químicas e o desvio-padrão dos efluentes bruto e tratado do tanque de decantação de
uma usina de fabricação de ferro-ligas de manganês da região de Ouro Preto –MG e parâmetros do CONAMA.

PARÂMETROS
EFLUENTE BRUTO EFLUENTE TRATADO CONAMA

pH 8,22 ± 0,00 7,80 ± 0,147 6,0 a 9,0

ST (225,0 ± 3,647) mg.L-1 (93 ± 5,2) mg.L-1 -


SS (114,3 ± 25,85) mg.L-1 (45,0 ± 5,77) mg.L-1 -
SD (110,8 ± 29,43) mg.L-1 (48,3 ± 7,10) mg.L-1 ≤ 500 mg.L-1

Turbidez (416,71 ± 0,36790) NTU (43,90 ± 0,1070) NTU ≤ 40 NTU

Eh (174 ± 2,94) mV (104,7 ± 0,334) mV -


(91,7 ± 0,319) mg.L-1 (94,8 ± 0,803) mg.L-1 -
Alcalinidade
CaCO3 CaCO3
DQO (61,36 ± 3,839) mg.L-1 O2 (48,0 ± 4,24) mg.L-1 O2 -

OD (14,0 ± 0,0704) mg.L-1 O2 (12,4 ± 0,0704) mg.L-1 O2 ≥ 6 mg.L-1 O2

Cloreto (2,7 ± 0,98) mg.L-1 Cl- (3,8 ± 0,48) mg.L-1 Cl- ≤ 250 mg.L-1 Cl-

Antes do tratamento, a turbidez, originada de materiais insolúveis, isto é, em suspensão, foi de 417
NTU e, após a passagem pelo tanque de decantação, o valor foi igual a 44 NTU. Segundo a
Resolução n° 357 de 2005 do CONAMA, para águas classe 1, é permitido um valor máximo igual a
40 NTU. Em relação aos sólidos totais presentes, pode-se dizer que, tanto para o efluente bruto
quanto para o tratado, aproximadamente 50% deles correspondem a sólidos suspensos e 50% a
sólidos dissolvidos, conforme pode ser visualizado na figura 1.

Efluente bruto Efluente tratado

SS: 114,3 SS: 45,0


mg/L 48% mg/L
49%
51% SD: 110,8 52% SD: 48,3
mg/L mg/L

Figura 1. Porcentagens de SS e SD nos efluentes bruto e água tratada do tanque de decantação de uma usina de
fabricação de ferro-ligas de manganês.

Os valores de sólidos totais para os efluentes bruto e tratado foram, respectivamente, 225,0 mg.L-1 e
93 mg.L-1. Portanto, após tratamento, houve redução de aproximadamente 59% dos sólidos totais.
Em relação aos sólidos suspensos, houve redução de aproximadamente 61%. De acordo com a
Resolução n° 357 de 2005 do CONAMA, é permitido uma concentração máxima igual a 500 mg.L-1

180
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

de SD, portanto, o efluente se encontra dentro das normas quanto a esse quesito, já que a
concentração de SD encontrada para o efluente tratado foi igual a 48,3 mg.L-1.

Os valores de OD encontrados para o efluente antes e após a passagem pelo tanque de decantação
foram (14,0 ± 0,0704) mg.L-1 O2 e (12,4 ± 0,0704) mg.L-1 O2, respectivamente. De acordo com a
Resolução n° 357 de 2005 do CONAMA, o valor mínimo permitido para a água de classe 1 é igual
a 6 mg.L-1 de O2. É de extrema importância a determinação do valor de OD na avaliação da
qualidade das águas porque o oxigênio está envolvido em praticamente todos os processos químicos
e biológicos. No caso da vida aquática, por exemplo, conforme SANTOS (2008), a exposição a
concentrações menores do que 2 mg.L-1 de O2, pode levar os organismos à morte. Em relação à
DQO, que é também um parâmetro importante para se avaliar a carga poluidora do efluente, pode-
se dizer que, após tratamento, o valor diminuiu aproximadamente 22%, ou seja, houve redução de
poluentes, que é um resultado favorável à qualidade do efluente que será despejado.

A concentração máxima de cloreto permitida é 250 mg/L, portanto a concentração desse


componente no efluente tratado, 3,8 mg.L-1, está abaixo do valor máximo permitido pela norma.
Altas concentrações de Cl- provocam sabor salgado à água, podem causar corrosão de estruturas
metálicas e apresentam influência negativa nos ecossistemas aquáticos por provocar alteração da
pressão osmótica em células de micro-organismos, sendo, portanto, um parâmetro que sempre deve
ser mensurado em caracterizações (SANTOS, 2008).

A tabela II apresenta os teores dos elementos majoritários presentes no efluente bruto e na água
tratada do tanque de decantação da usina de fabricação de ferro-ligas.

Tabela II – Elementos majoritários dos efluentes bruto e tratado do tanque de decantação da usina de fabricação
de ferro-ligas de manganês da região de Ouro Preto – MG e parâmetros do CONAMA.
Al Ba Ca Cu Fe K Mn S Sr

Unidade mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L

Efluente 0,0918
0,1415 0,00703 0,01792 0,00527 0,082 0,01523 0,753 0,012
bruto
Efluente 0,0977
0,1875 0,01452 0,01643 0,00861 0,3071 0,01263 0,789 0,00828
tratado
Parâmetr
os do -
0,1 0,7 - 0,009 0,3 - 0,1 0,002
CONAM
A

Não houve variação significativa na concentração dos elementos após tratamento, com exceção do
ferro e do bário. A concentração de Fe no efluente bruto foi de 0,082 mg.L-1 e, no efluente tratado,
0,3071mg.L-1. Já para o bário, a concentração no efluente bruto foi 0,00703 e, no efluente tratado,
foi 0,01452 mg.L-1. Isso provavelmente é devido a uma espécie de pré-concentração da fase em
suspensão na água tratada.

A Resolução n° 357 do CONAMA estabelece valores máximos permitidos para concentrações de


alguns elementos em águas de classe 1. Comparando-se os valores encontrados para o efluente
tratado com o que é exigido pela norma, é possível afirmar que as concentrações de Al e Fe se
encontram acima, tendo em vista que os valores máximos permitidos para esses elementos são,
respectivamente, 0,1 mg/L e 0,3 mg/L.

181
SILVA, A.C., REIS, É.L., LOPES, A.S.

Para os elementos Mn e S, os valores máximos permitidos pela Resolução n° 357 do CONAMA são
0,1 mg/L e 0,002 mg/L, respectivamente. Portanto, as concentrações encontradas para o efluente
tratado são superiores ao que é permitido, sendo que a concentração de Mn, 0,789 mg.L-1, é cerca
de sete vezes maior do que o exigido pela norma; e a de S, 0,00828 mg.L-1, é aproximadamente
quatro vezes maior. No solo da região, não é característico a presença de Mn, portanto, como o
efluente é gerado em uma usina produtora de ferro-ligas de manganês, é possível afirmar que ele
possivelmente vem da matéria-prima minério de manganês, dos finos da liga produzida e/ou da
escória resfriada (REIS, 2005).

O bário encontra-se em concentração abaixo do limite exigido pela legislação ambiental (Resolução
n° 357 do CONAMA) que estabelece também limites para os metais pesados Hg, Cr, Cu, mas suas
concentrações não foram mensuradas na análise, pois estão em teores menores do que o limite
quantificado pelo ICP-OES. Portanto, como o limite de quantificação do aparelho é baixo (0,00851
mg.L-1 e 0,00364 mg.L-1 para Cr e Cu, respectivamente), pode-se afirmar que o efluente a ser
descartado no corpo receptor não apresenta toxicidade causada por Ba, Hg, Cr ou Cu.

4. CONCLUSÕES

A partir da realização deste trabalho, pôde-se concluir que:

 O efluente tratado encontra-se dentro dos valores estabelecidos para água classe 1 da
Resolução n° 357 do CONAMA quanto aos parâmetros pH, concentração de sólidos
dissolvidos, oxigênio dissolvido (OD) e concentração de cloreto (Cl-).

 Após o tratamento, houve redução de aproximadamente 90% da turbidez, mas o valor obtido
para o efluente tratado, 43,90 NTU, ainda se encontra acima do valor máximo permitido
pelo CONAMA para águas enquadradas na classe 1. Desse modo, é necessário melhorar o
tratamento, o que pode ser feito a partir de testes nos quais se adiciona agentes auxiliares no
processo de separação sólido-líquido.

 As concentrações dos elementos Al e Fe, respectivamente, 0,1875 mg.L-1 e 0,3071, estão


um acima do que é exigido pela legislação.

 As concentrações dos elementos Mn e S, respectivamente, 0,789 mg.L-1 e 0,00828 mg.L-1,


estão acima dos valores máximos permitidos pela legislação ambiental, sendo que a
concentração de Mn é cerca de sete vezes maior e a de S oito vezes aproximadamente.

 O efluente tratado não apresenta risco de contaminar o corpo receptor com metais pesados
tais como Ba, Cr, Cu e Hg, que é um resultado muito positivo, já que esses metais são
extremamente tóxicos para os para os organismos vivos.

É necessário melhorar o tratamento para enquadramento de alguns parâmetros, conforme já citado,


o que está sendo realizado pelo grupo de pesquisa.

5. AGRADECIMENTOS

As autoras agradecem ao CNPq, a UFOP, a Fundação Gorceix e a VALE/Manganês.

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XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

6. REFERÊNCIAS

CONAMA. Resolução CONAMA n° 357/2005. Qualidade das águas. p. 280-303, 2005.

GUEDES, C. D. Coagulação/floculação de águas superficiais de minerações de ferro com turbidez


elevada. Tese de Doutorado. Universidade Federal de Ouro Preto, 2004.

OHLWEILER, O. A. Química analítica quantitativa. Livros Técnicos e Científicos, Rio de Janeiro,


1974.

PIANTÁ, C. A. V. Emprego de coagulantes orgânicos naturais como alternativa ao uso de sulfato


de alumínio no tratamento de água. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, 2008.

REIS, É. L. Caracterização de resíduos provenientes da planta de beneficiamento do minério de


manganês sílico-carbonatado da RDM - Unidade Morro da Mina. Dissertação de Mestrado.
Universidade Federal de Ouro Preto – Escola de Minas, 2005.

SANTOS, E. S. Análises físico-químicas de águas e de solos. Paraná, 2008.

SILVA, S.A. & OLIVEIRA, R. Manual de Análises Físico-Químicas de Águas de Abastecimento e


Residuárias. Campina Grande, DEC/CCT/UFPG, 2001.

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XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

CARACTERIZAÇÃO E COMPORTAMENTO DE DUAS TIPOLOGIAS DE


CAULINITA EM TESTES DE MICROFLOTAÇÃO

RODRIGUES, O.M.S.1, FERREIRA, B.T.2, OLIVEIRA, G.J.R.3, NUNES, A.P.L.4


1
Departamento de Engenharia de Minas/Universidade Federal de Ouro Preto otaviarodrigues@demin.ufop.br
2
Departamento de Engenharia de Minas/Universidade Federal de Ouro Preto brunotf30@yahoo.com.br
3
Departamento de Engenharia de Minas/Universidade Federal de Ouro Preto gui_jose_oliveira@hotmail.com
4
Departamento de Engenharia de Minas/Universidade Federal de Minas Gerais alinepl66@yahoo.com.br

RESUMO

A caulinita é um dos silicatos mais abundantes na superfície da crosta terrestre. Ela se apresenta
como mineral-minério quando constitui os depósitos de caulim, tendo várias aplicações industriais,
por exemplo, fabricação de tintas e cerâmica. A caulinita também tem ocorrência em depósitos de
minério de ferro e bauxíticos. Nestes casos sua presença é indesejável, uma vez que se apresenta
como mineral de ganga prejudicando a qualidade dos concentrados. Este artigo mostra a
caracterização de duas amostras de caulinita que se diferenciam pela cor, uma branca e outra verde.
Os resultados sugerem que a amostra verde não pode ser utilizada para fabricação de pigmentos ou
produtos de coloração branca. O matiz verde é consequência da presença de cromo e níquel. Além
da caracterização também realizou-se um estudo baseado em testes de microflotação para encontrar
promissoras condições para separar a caulinita, por flotação, quando presente na forma de ganga em
minérios de ferro e bauxíticos. AQ142 e EDA desempenharam bem a função de coletor para as duas
amostras em pH 10.

PALAVRAS-CHAVE: caracterização; flotação; caulinita.

ABSTRACT

Kaolinite is one of the most abundant mineral in the Earth’s crust surface. It is the main mineral in
kaolin ores and it is used to manufacture paints and ceramic. The kaolinite also occurs in deposits of
iron and bauxite ores. In this case, kaolinite is a gangue mineral and its presence in undesirable as it
impairs the quality of concentrates. This article shows the characterization of two samples of
kaolinite, which have different colors, one is white and other one is green. The results suggest that
green sample cannot be used to produce pigment or products with white color. The green color is
consequence of presence of nickel and chrome. Also it was realized a microflotation study that
showed the collectors AQ142 and EDA as good reagents to float kaolinite.

KEYWORDS: characterization; flotation; kaolinite.

185
RODRIGUES, O.M.S., FERREIRA, B.T., OLIVEIRA, G.J.R., NUNES, A.P.L.

1. INTRODUÇÃO

A palavra caulinita se originou da palavra chinesa kauling que significa colina alta, nome de uma
colina próxima à cidade Jauchu Fa, onde se obtém o minério caulim (Dana e Hurlbut,1974). A
argila branca encontrada na região montanhosa de Jauchu Fa era chamada de Kauling. O primeiro
registro do termo “terra de kauling” foi em 1604 em um documento chinês, durante a dinastia Ming.
Em 1682 o termo foi encontrado na literatura History of Fouliang-Hsien e em 1815 no livro Ching-
teh-chien Tau Luh (Chen et al., 1997).

O principal valor do caulim na fabricação de produtos de cerâmica está no fato de que, quando
úmido, pode ser moldado em qualquer forma desejada e depois, quando aquecido, parte da água
combinada é expulsa produzindo uma substância dura e permanente. Com este material também se
pode fabricar, por exemplo, tijolos de pavimentação, telhas e manilhas para esgoto (Dana e Hurlbut,
1974). Além da importância do caulim para produção de porcelana também se podem citar muitas
outras aplicações industriais. Tais aplicações são decorrentes de suas diversas propriedades ópticas,
químicas ou físicas, como: inércia química, coloração branca, baixa condutividade térmica e
elétrica, maciez e pouca abrasão, capacidade de cobrir superfícies quando usado como pigmento.
De acordo com suas características, o caulim pode ser usado nas indústrias de papel, cerâmica, tinta,
plástico, concreto, cimento, vidro, borracha, cosméticos etc.

Além da abundância de caulinita nos minérios de caulim esse mineral também se encontra
amplamente disseminado em outros tipos de depósitos. Caulinita e alguns minerais de ferro e de
alumínio são formados a partir de processos de laterização, daí a grande presença do primeiro
mineral como ganga em minérios bauxíticos e ferrosos, por exemplo, do tipo anfibiolítico.

Dizer que o minério bauxítico tem alta sílica reativa é o mesmo que dizer que o minério possui alta
quantidade de caulinita, pois ela reage com a soda cáustica adicionada no processo Bayer sem
resultar em produção de alumina. Em relação à presença desse mineral no minério de ferro sabe-se
que ela é prejudicial no processo de redução direta no alto forno. Na redução direta da caulinita
eleva o teor de sílica e alumina no ferro esponja prejudicando a eficiência na aciaria elétrica. Na
produção do ferro gusa ela resulta em um maior volume e viscosidade da escória. O número de
artigos referentes à flotação de caulinita em minérios bauxíticos ainda é relativamente pequeno e em
relação à flotação de caulinita em minérios ferrosos é praticamente inexistente. Como a caulinita é
muito friável e nas operações de fragmentação gera partículas muito pequenas, a flotação se
apresenta como um possível método para sua separação na indústria mineral, quando apenas a
deslamagem não é suficiente suprimi-la até níveis aceitáveis.

O conhecimento profundo dos tipos de caulinita é essencial, tanto na avaliação de sua destinação
para produção de cerâmicas, tintas etc, como para elaboração de processos que permitam separá-la
na indústria mineral quando está presente na forma de ganga.

A ocorrência de caulinita esverdeada é algo extremamente raro o que ganha grande importância em
termos científicos. A caracterização química e mineralógica permite verificar a pureza das amostras
bem como explicar o porquê da diferença de coloração entre elas, se é algo intrínseco à sua
constituição ou consequência de contaminação.

O primeiro objetivo deste trabalho foi caracterizar duas amostras de caulinita que se diferenciam
pela coloração, uma é branca e a outra verde. Segundo, buscou-se encontrar condições promissoras
para flotação das amostras a partir de testes de microflotação e medidas de potencial zeta. Durante
os testes de microflotação observou-se que a solução de coletor condicionada com a caulinita
branca ficava, progressivamente, mais turva conforme avançava o tempo do teste. Por isso,

186
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

estabeleceu-se a investigação da evolução na turbidez das soluções de coletor em função do tempo


como o terceiro objetivo.

2. METODOLOGIA

2.1. Caracterização Da Caulinita

A determinação dos metais nas amostras foi realizada por análise química no equipamento ICP-
OES, marca Spectro, modelo Ciros. Para tal, as amostras foram digeridas pelo método de digestão
total (Savillex). Para completar a caracterização química das amostras também se realizaram
espectrometria de fluorescência de raios-X (FRX) e análise termogravimétrica (AT).

As análises químicas semi-quantitativas, por espectrometria de fluorescência de raios-X, foram


realizadas no espectrômetro marca Philips, modelo PW-2400, com pastilhas prensadas utilizando
KBr para a preparação. As análises termogravimétricas foram obtidas no instrumento TA/Q50,
marca TA Instruments com rampa de aquecimento de 10°C/min desde a temperatura ambiente até
chegar à temperatura de 1000°C. A caracterização mineralógica foi realizada no Difratômetro
Philips, modelo PW1710, utilizando radiação CuKα e cristal monocromador de grafita, velocidade
de varredura 0,06°2θ/s, tempo de contagem de 1s, intervalo de varredura de 3° até 90° (2θ). A
interpretação dos difratogramas de raios-X, de cada amostra, foi feita baseando-se na comparação
dos valores das distâncias interplanares e das intensidades dos picos nos difratogramas das amostras
analisadas e uma amostra de referência, utilizando o padrão do banco de dados PDF-2 do ICDD –
International Centre for Diffraction Data.

A caracterização física das amostras constituiu-se da determinação de densidade, área superficial e


dureza. A determinação de dureza das amostras foi realizada pela escala de Mohs. Apesar desse tipo
de determinação ser válida para partículas minerais, essa medida mostra a diferença entre a
friabilidade das duas amostras, ou seja, dos dois agregados de caulinita. A densidade foi
determinada por picnometria gasosa no equipamento fabricado pela Quantachrome, modelo
Ultrapic 1200e. Cominuiu-se e peneirou-se as amostras para constituir duas frações granulométricas
(i) +106µm -300µm, destinada aos testes de microflotação e medidas de turbidez e (ii) -38µm,
destinada às medidas de potencial. A área superficial das amostras foi determinada para ambas as
frações (i) e (ii). A análise foi realizada no equipamento Quantachrome Instruments, modelo Nova
1200e, utilizando-se o modelo BET e o método de multiponto.

2.2. Testes De Microflotação

Os testes de microflotação foram realizados em tubo de Hallimond adaptado com extensor para
evitar arraste hidrodinâmico de finos. A agitação foi mantida no menor nível possível, porém
garantindo que todas as partículas estivessem em suspensão. Como coletores utilizaram-se uma
etermonoamina fabricada pela Clariant, Flotigam EDA (EDA), e um sal quaternário de amônio
produzido pela Air Products (AQ142). Os testes de microflotação foram realizados na presença de
AQ142 e EDA em concentrações iguais a 1x10-5 mol/L, 5x10-5 mol/L e 1x10-4 mol/L. O gás
utilizado foi N2(g) em vazão de aproximadamente 150 ml/min.

Os tempos de condicionamento e coleta foram definidos a partir de estudo cinético. O tempo de


condicionamento utilizado em todos os testes de microflotação foi de 1 minuto. O tempo de coleta
para os testes realizados na presença de EDA foi 4 minutos para a caulinita verde e 6 minutos para a

187
RODRIGUES, O.M.S., FERREIRA, B.T., OLIVEIRA, G.J.R., NUNES, A.P.L.

caulinita branca. Utilizando AQ142 fixaram-se 3 minutos de coleta para a caulinita branca e 2
minutos para a verde.

2.3. Medidas de Potencial Zeta

As medidas de potencial zeta foram realizadas no Zeta-Meter System 4.0, utilizando uma voltagem
de 75 Volts. A escala de medida adequou-se às diferentes velocidades de movimentação das
partículas dentro do capilar. Utilizaram-se as escalas cheia, 1/4 e 1/8.

As suspensões foram feitas pela mistura da solução de coletor, eletrólito indiferente e partículas
minerais. Foram usados os mesmos coletores utilizados na microflotação em concentrações de
1x10-4 mol/L, sob uma condição de pH igual a 10. O eletrólito indiferente foi NaCl na concentração
de 1x10-3 mol/L.

2.4. Medidas de Turbidez

A turbidez das amostras foi determinada no Turbidímetro Plus V1.25, marca Alfa Kit. Realizaram-
se as medidas de turbidez da solução de coletor simulando a metodologia usada no teste de
microflotação sem passagem de fluxo de ar. Adicionou-se a amostra mineral no fundo do tubo de
Hallimond, em seguida adicionou-se solução de coletor e submeteu o sistema à agitação por
determinado tempo (correspondente ao tempo de condicionamento somado ao tempo de coleta).
Desligou-se a agitação, retirou-se uma alíquota da suspensão (mineral + solução de coletor) e
mediu-se a turbidez da mesma.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Caracterização

A determinação de dureza do agregado de caulinita branca (b) indicou um valor menor que 2. Por
outro lado, a dureza determinada para o agregado de caulinita verde (v) ficou entre 2 e 3. Os valores
determinados para densidade das amostras (b) e (v) foram, respectivamente, 2,72 g/cm3 e
2,62 g/cm3, ou seja, próximos do valor apresentado na literatura, 2,65 a 2,70 g/cm3 (Dana e Hurlbut,
1974), o que já exibe a tendência de pureza da amostra.

A tabela 1 apresenta a área superficial determinada para as amostras (b) e (v) nas duas
granulometrias estudadas ((i) +106µm -300µm destinada aos testes de microflotação e (ii) -38 µm
destinada aos testes de potencial zeta).

Tabela I. Área superficial específica das amostras (b) e (v).


Área (m2/g)
Granulometria
Branca Verde
- 0,038 mm 15,57 20,57
-0,3mm +0,106 mm 14,50 14,21

A tabela 2 apresenta o resultado das análises químicas das amostras. Observa-se que a concentração
de cromo e níquel na caulinita verde é bem superior à concentração destes elementos na caulinita
branca. A presença de Cr3+ e Ni2+ confere coloração verde ao material ou solução, por isso acredita-
188
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

se que o matiz esverdeado da amostra (v) seja consequência da presença desses elementos. Outro
aspecto que pode ser observado é maior presença de Fe e Ti na amostra (b), fato coerente tendo em
vista a observação de pequenos pontos avermelhados na constituição desta amostra.

Tabela II. Análise química por ICP-OES das amostras branca e verde.
Concentração do metal (mg/kg)
Amostra
Al Ca Cr Fe K Mg Ni P Ti V Zr
Branca 186.320 352 125 13.476 102 107 22 234 7.151 140 158
Verde 195.871 145 2.428 2.708 104 41 207 300 161 10 110

Os resultados fornecidos pela espectrometria de fluorescência de raios-X confirmam o resultado da


análise química. As figuras 1 e 2 apresentam os espectros gerados pelo cristal LiF200 para as
amostras (b) e (v), respectivamente.

Fe

Ti
Ni Cr

Figura 1. Espectro de fluorescência de raios-X gerado pelo cristal 3-LiF200 para a amostra (b) (caulinita
branca).

Fe Cr
Ni

Figura 2. Espectro de fluorescência de raios-X gerado pelo cristal 3-LiF200 para a amostra (v) (caulinita verde).

A figura 3 apresenta as curvas de análise termogravimétrica e de análise térmica diferencial das


amostras (b) e (v), respectivamente. Observa-se que as curvas são muito semelhantes, verifica-se a
ocorrência de um processo endotérmico que resultou em uma perda de massa de 14,34% para a
caulinita branca e 15,37% para a caulinita verde a aproximadamente 500°C. Tal perda é
consequência do processo de desidroxilação da caulinita.

189
RODRIGUES, O.M.S., FERREIRA, B.T., OLIVEIRA, G.J.R., NUNES, A.P.L.

A figura 4 apresenta os difratogramas de raios-X das amostras (b) e (v). Pela interpretação dos
difratogramas identifica-se apenas a caulinita como fase mineralógica nas duas amostras. A
difratometria de raios-X assim como a análise térmica, análise química e a espectrometria por
fluorescência de raios-X, indica alta pureza das amostras, uma vez que não apontam para presença
significativa de outros componentes.

Figura 3. Curva de análise termogravimétrica e análise térmica diferencial da caulinita (b) e (v).

C
3,58Å

1200 1200
C
3,56 Å

C C - caulinita
1000
7,18Å

1000

C
800 C
2,34Å

2,33 Å

800
Intensidade (cps)
Intensidade (cps)

C
C
C
1,49Å

CC
7,10 Å

600 CC
1,48 Å
4,35 Å

C
4,43 Å

C
2,48 Å
2,55 Å

600 C CC
2,28 Å
4,14 Å
2,57Å
2,50Å
4,47Å

C C C
C
2,37 Å
2,30Å

400
1,66 Å
1,66Å

400 C C C C C
C C
1,98 Å
2,38Å

1,61 Å

C C C
3,84Å

C C C
1,28 Å

1,23 Å
3,37Å

C C
1,99Å

2,18 Å

1,54 Å

C C
200
1,93 Å

1,30 Å

C
1,84 Å
1,78 Å

C C C
1,62Å

C C
1,28Å

1,23Å

C
1,89Å

C C
1,45Å

1,31Å
1,94Å

C
1,79Å

200
1,54Å
2,19Å

1,34Å
1,39Å
1,84Å

0
0
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100
2 () 2 ()

Figura 4. Difratograma de raios-X da amostra (b) e (v).

3.2. Microflotação

A figura 5 apresenta os resultados dos testes de microflotação usando os coletores EDA e AQ142
para as duas amostras, (b) e (v), em pH igual a 10. A flotabilidade máxima ocorre na concentração
de 1x10-4 mol/L. Concentrações maiores dos coletores resultam em perda de recuperação,
provavelmente, devido às interações entre as cadeias hidrocarbônicas dos coletores de modo que a
característica superficial das partículas volta a ser hidrofílica, conforme descrito por Rodrigues et
al. (2011).

190
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

3.3. Potencial Zeta

As curvas apresentadas na figura 6 mostram que o ponto isoelétrico da caulinita branca ocorre em
pH ligeiramente maior se comparado ao da caulinita verde. Também é possível notar que as duas
curvas seguem uma tendência. A presença de ambos os coletores deixa o potencial zeta das duas
amostras mais positivos até valores de pH próximos a 9. A partir deste ponto apenas a presença de
AQ142 resulta em valores de potencial zeta mais positivos. O pka da EDA é aproximadamente 10.
Ou seja, em valores de pH próximos a este inicia-se a dissociação da espécie R-NH3+ resultando na
ocorrência, progressivamente maior com o aumento do pH, da espécie R-NH2 que não resulta em
alteração do potencial. O AQ142 é um sal quaternário de amônio, essa espécie possui carga positiva
em toda faixa de pH, por isso deixa o potencial zeta mais positivo em toda a extensão da faixa de
pH.

100 100,0
Flotabilidade (%)

80 80,0
Flotabilidade (%)
60 60,0

40 40,0

20 20,0

0 0,0
1,0E-05 1,0E-04 1,0E-03 1,0E-02 1,E-05 1,E-04 1,E-03 1,E-02

Concentração de EDA (mol/L) Concentração de AQ 142 (mol/L)

Verde Branca Verde

Figura 5. Flotabilidade das duas amostras de caulinita com EDA (esquerda) e AQ142 (direita) em pH 10.

Figura 6. Curva de potencial zeta para as caulinitas branca e verde.

191
RODRIGUES, O.M.S., FERREIRA, B.T., OLIVEIRA, G.J.R., NUNES, A.P.L.

3.4. Turbidez

Os valores de turbidez das suspensões dos dois coletores com as duas amostras de caulinita em
função do tempo estão apresentadas na figura 7. Observa-se que os valores de turbidez das
suspensões com caulinita branca são maiores se comparados aos encontrados para as suspensões
com caulinita verde. Este fato é consequência da maior friabilidade da amostra branca. Durante os
testes observa-se a cominuição da caulinita branca causada pela agitação magnética. Também é
possível verificar o tempo em que a suspensão exibe o pico de turbidez, sendo 4 minutos para EDA
e 2 minutos para AQ142.
250

200

Branca - EDA
Turbidez (NTU)

150 Branca - AQ142


Verde - EDA

100 Verde - AQ142

50

0
0 1 2 3 4 5 6 7
Tempo (minutos)
Figura 7. Curva de turbidez entre as duas caulinitas estudadas.

4. CONCLUSÕES

O agregado de caulinita branca mostrou-se mais friável que o agregado de caulinita verde
resultando em um aumento da turbidez da solução durante os testes de microflotação. O matiz verde
da amostra (v) é devido à presença de níquel e cromo, sendo assim, esta amostra não é adequada
para produção de tintas e papel devido à sua coloração. Os coletores AQ142 e EDA desempenham
bem a função de coletor para os dois tipos de caulinita em pH 10.

5. AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao CNPq e CAPES pelo apoio financeiro na forma de bolsas de iniciação
científica. Aos laboratórios dos Departamentos de Engenharia de Minas e de Engenharia
Metalúrgica e de Materiais da UFMG por realização de análises. Aos laboratórios do Departamento
de Engenharia de Minas da UFOP, também pela realização de análises. E à Fundação Gorceix pelo
apoio financeiro.

6. REFERÊNCIAS

Dana, J. D., Hurlbut, C. S. Manual de Mineralogia. Livros Técnicos e Científicos Editora S.A.,
volume2, 642p (p 506 – 508). Rio de Janeiro, 1974.
Chen, P. Y., Lin, M. L., Zheng, Z. On the original of the name kaolin deposits of the Kauling and
Dazhou areas, Kiangsi, China. Applied Clay Science, v.12, n.1-2, p.1-25, fev, 1997.
Rodrigues, O. M. S.; Amorin, B. G; Peres, A. E. C. Seletividade na separação entre caulinita e
gibbsita por flotação. Anais...XXIV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia
Extrativa. Salvador, 2011.

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XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

CARACTERIZAÇÃO MINERALÓGICA DE CAULINS AMAZÔNICOS


UTILIZANDO ESPECTROSCOPIA DE REFLECTÂNCIA DIFUSA

GONÇALVES, I.G.1, PETTER, C.O.2, MACHADO, J.L.3, SCHEFFER, G.4


1
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. italogoncalves@ibest.com.br
2
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. cpetter@ufrgs.br
3
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. jaquelepkoski@gmail.com
4
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. gerson_scheffer@hotmail.com

RESUMO

Os caulins in situ geralmente estão contaminados por hematita (Fe2O3), goethita (FeOOH) e
anatásio (TiO2), minerais de forte coloração que podem prejudicar a qualidade do produto final.
Variações no tamanho de partícula e grau de substituição de elementos químicos causam um grande
impacto sobre as propriedades óticas destes minerais, assim como na sua resposta às operações
unitárias de beneficiamento. O Fe total determinado através de fluorescência de raios-X apresenta
uma baixa correlação com a alvura do caulim, devido à sua inabilidade em diferenciar o Fe contido
nos óxidos/hidróxidos e aquele contido na estrutura cristalina da caolinita, especialmente quando os
óxidos/hidróxidos ocorrem em pequenas quantidades. Este trabalho apresenta uma nova técnica
para quantificar a concentração de impurezas no caulim, utilizando a curva de reflectância na região
visível do espectro eletromagnético (400-700 nm). Esta técnica é baseada em uma reinterpretação
da teoria de Kubelka-Munk, capaz de contabilizar o efeito da concentração e tamanho de partícula
de cada mineral na curva de reflectância de uma mistura, apresentando assim um grande potencial
para redução de custos na lavra e beneficiamento do caulim.

PALAVRAS-CHAVE: caulim; alvura; reflectância; Kubelka-Munk.

ABSTRACT

Brazilian kaolin ores are usually contaminated by hematite (Fe2O3), goethite (FeOOH), and anatase
(TiO2), whose strong colors degrade the quality of the final product. Variations in particle size and
degree of element substitution cause a great impact over these minerals’ optical properties, as well
as in their response to processing operations. The total Fe content obtained through X-Ray
Fluorescence (XRF) shows a poor correlation with the brightness of kaolin, due to the inability to
differentiate between the Fe contained in the oxides/hydroxides and the Fe present inside the
crystalline structure of kaolinite, especially when the Fe-bearing minerals occur in small quantities.
This paper presents a new generic technique to quantify oxide/hydroxide impurities in kaolin, based
on reflectance measurements in the visible range of the spectrum (400-700 nm). This technique is
based on a new interpretation of the Kubelka-Munk (K-M) theory, which takes into account the
effect of each mineral’s particle size on a sample’s reflectance spectrum, thus showing a great
potential for cost savings in the mining and processing of the kaolin ore.

KEYWORDS: kaolin; brightness; reflectance; Kubelka-Munk.

193
GONÇALVES, I.G., PETTER, C.O., MACHADO, J.L., SCHEFFER, G.

1. INTRODUÇÃO

Para a maioria dos minerais industriais, a cor está diretamente associada com o valor econômico.
Em termos físicos, a principal propriedade que define o termo “cor” é a intensidade de luz refletida
(ou transmitida) por um objeto na banda visível, compreendida entre 400 e 700 nm. Este espectro de
reflectância serve como ponto de partida para diversos fatores colorimétricos, os mais comuns na
indústria mineral sendo a alvura (TAPPI, 1977 e 1986) e o sistema L*a*b* (HunterLab, 2008).
Especificações de qualidade para produtos minerais são geralmente baseadas nesses parâmetros.

O principal parâmetro de qualidade na indústria do caulim é a alvura, uma média ponderada de


valores de reflectância na faixa de 400-510 hm (TAPPI, 1977). Devido à falta de uma propriedade
melhor, os produtores tendem a usar a alvura como uma medida da qualidade do minério in situ e
ao longo das operações unitárias. Porém, o caulim bruto está frequentemente acompanhado de
minerais “contaminantes”. Nos caulins amazônicos, que são o foco deste estudo, os principais
contaminantes são a hematita (Fe2O3), a goethita (FeOOH) e o anatásio (TiO2).

Cada um destes minerais contaminantes possui uma cor distinta e reage de forma diferente durante
o processamento do caulim. Hematita e goethita em particular são pigmentos bastante fortes e em
concentrações de apenas 100 ppm eles podem fazer a diferença entre o produto e o rejeito de uma
usina. Como cada mineral contendo Fe possui uma cor diferente e reage de forma diferente às
operações unitárias, a alvura in situ tende a apresentar uma correlação baixa com a alvura do
produto final.

Medidas de alvura são algumas vezes complementadas com análises de fluorescência de raios-X
para Fe e Ti, mas os teores de óxido total fornecidos por esta técnica também possuem baixa
correlação com a qualidade do produto porque o Fe pode estar sob a forma de hematita, goethita ou
ainda substituindo o Al dentro da estrutura cristalina da caolinita (Al2Si2O5(OH)4). Portanto, uma
técnica mais robusta e capaz de diferenciar cada fase mineral se faz necessária.

A espectroscopia de reflectância difusa tem sido usada para analisar óxidos/hidróxidos de Fe tanto
qualitativamente (TORRENT e BARRÓN, 2003; LIU et al., 2011) quanto quantitativamente (JI et
al., 2002 and 2006). Estes autores correlacionam inclinações e pontos de inflexão em bandas
características de absorção com a concentração de óxidos/hidróxidos em solos naturais.

A abordagem apresentada aqui envolve o uso extensivo da teoria de Kubelka-Munk, que já foi
utilizada para acerto de cor (SCHABBACH et al., 2009 e 2011) e determinação de tamanho de
partícula (OTSUKA, 2004) em uma forma simplificada. Infelizmente, a constante de espalhamento
S é difícil de ser medida para pós, porque as equações exigem uma película fina de material.
Tentativas foram realizadas (GONÇALVES e PETTER, 2007, e GONÇALVES, 2009) mas o erro
experimental tende a ser alto.

Portanto, este trabalho visa desenvolver uma ferramenta para a quantificação de contaminantes
minerais no caulim baseada na teoria de Kubelka-Munk dispensando medidas sobre películas finas.
Esta ferramenta é baseada em uma nova abordagem de duas constantes, que leva em conta
diferenças no poder de espalhamento dos materiais ao longo de todo o espectro medido. O banco de
dados experimental consiste do espectro de reflectância de misturas entre caulins processados e
pigmentos sintéticos de Fe.

194
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

2. TEORIA

As próximas seções descrevem o comportamento do caulim do Rio Capim em termos de alvura e


como a teoria de Kubelka-Munk pode ser utilizada para determinar concentrações a partir do
espectro de reflectância.

2.1. Alvura

É esperado que um produto final de caulim seja o mais branco possível. Uma das maneiras mais
comuns de se quantificar a “brancura” de uma amostra é a alvura ISO (TAPPI, 1977), que é uma
média ponderada de valores de reflectância na faixa compreendida entre 400 e 510 nm. No caso do
caulim, as impurezas minerais exercem um grande efeito sobre a alvura, já que possuem um poder
de absorção de luz maior nesta faixa.

A alvura é um parâmetro eficiente e simples para se comparar diferentes produtos minerais. Porém,
como um parâmetro de controle de qualidade ela deixa a desejar. Cada contaminante exerce um
impacto diferente sobre a cor de uma amostra, e a alvura não é capaz de diferenciar um do outro.
Além disso, cada contaminante responde de forma diferente às operações de processamento,
resultando em uma baixa correlação entre a alvura do material in situ e a do produto final (Figura
1). Teores de Fe e Ti medidos através de fluorescência de raios-X são algumas vezes utilizados
como um complemento para as medidas de alvura, mas essas medidas também falham em
caracterizar adequadamente a qualidade de uma amostra (Figura 2). Apesar de a fluorescência de
raios-X ser uma técnica bastante precisa, ela não é capaz de diferenciar entre o Fe estrutural e o Fe
contido nos óxidos/hidróxidos. Em amostras de alta alvura, o teor de Fe estrutural pode ser maior do
que o teor contido nos contaminantes. Ainda, um contaminante de alta absorção em concentração da
mesma ordem de magnitude do limite de detecção da fluorescência de raios-X (geralmente 0.01-
0.05%) pode ter um grande impacto sobre a alvura da amostra. E fatores como tamanho de
partícula, agregação de partículas, substituição de elementos, etc. fazem com que duas amostras
com o mesmo teor de Fe e Ti possam ter alvuras bastante diferentes.

Figura 1. Dispersão da alvura do material in situ (após peneiramento em 44 µm) e após processo simulado em
laboratório. O processo consistiu de centrifugação, separação magnética e branqueamento com ditionito de
sódio. A baixa correlação é devida a variações nas proporções entre os minerais contaminantes.

195
GONÇALVES, I.G., PETTER, C.O., MACHADO, J.L., SCHEFFER, G.

Figura 2. Dispersão da alvura da amostra contra teores de Fe e Ti determinados através de fluorescência de


raios-X. Apesar de os dados apresentarem uma tendência geral, fatores como variabilidade nos teores de
contaminante, tamanho de partícula e Fe estrutural impedem o estabelecimento de uma correlação útil.

2.2. A teoria de Kubelka-Munk

A teoria de Kubelka-Munk é largamente utilizada em indústrias como a do papel (principal


consumidora do caulim do Rio Capim), tintas e têxteis, onde a cor é uma propriedade importante.
As Equações 1 e 2 são descritas por Kortüm (1969) em sua compilação das deduções de Kubelka e
Munk:
𝐾 (1 − 𝑅∞ )2
𝐹= = (1)
𝑆 2𝑅∞

1 1 − 𝑎𝑅0
𝑆𝑑 = 𝑐𝑜𝑡ℎ−1 (2)
𝑏 𝑏𝑅0

onde K é o coeficiente de absorção de luz por unidade de comprimento, S é o coeficiente de


espalhamento de luz por unidade de comprimento, R∞ é a reflectância de uma camada opaca de
material, R0 é a reflectância de uma camada fina sobre um fundo preto, 𝑎 = 0.5(1⁄𝑅∞ + 𝑅∞ ), 𝑏 =
√𝑎2 − 1, d é a espessura da camada, e F é o valor da função de Kubelka-Munk (adimensional). A
Eq. 1 é aplicável no caso opaco (onde a película é espessa o suficiente para que não haja
transmitância) e a Eq. 2 é utilizada películas finas e transparentes. À medida em que 𝑑 → ∞, R0
tende para R∞ e a Eq. 2 tende para a Eq. 1. Utilizando ambas é possível calcular as constantes K e S
de um dado material em um dado comprimento de onda .

Em alguns casos a preparação de uma camada fina e homogênea de material e a medida da sua
espessura é complicada. Isto é especialmente verdadeiro para pós secos. De acordo com a Eq. 2,
quanto maior for o espalhamento de um dado material, mais espessa a película pode ser para que R0
e R∞ tenham um contraste alto o suficiente que possibilite o cálculo das constantes com uma boa
precisão. Gonçalves (2009) obteve películas de caulim de 30-50 µm de espessura, porém não
homogêneas. Além disso, as películas não reproduziam o estado em que o caulim se encontra
durante as medidas de alvura.

Portanto, a fim de evitar estes erros experimentais, foi testada uma nova metodologia proposta por
Gonçalves et al. (2012), que envolve somente medidas sobre as pastilhas prensadas, ou seja, no
caso opaco. De acordo com os autores, o valor de F para uma mistura de minerais pode ser dada por
∑𝑚
𝑖=1 𝐹𝑖 ∝𝑖𝑅 𝑐𝑖
𝐹= (3)
∑𝑚
𝑖=1 ∝𝑖𝑅 𝑐𝑖

196
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

Onde ci representa a concentração do mineral i e αiR representa a sua razão de espalhamento, ou


seja, a proporção entre o poder de espalhamento do material e o de uma referência. Utilizando a
mesma referência para todos os minerais é possível então evitar medidas com películas finas.

Em geral, a reflectância é medida em um conjunto de n comprimentos de onda, e n > m.


Manipulando a equação acima e repetindo-a para cada comprimento de onda medido é possível
chegar ao seguinte sistema:

𝛾11 𝛾12 ⋯ 𝛾1𝑚 0


𝑐
𝛾21 𝛾22 ⋯ 𝛾2𝑚 𝑐1 0
⋮ ⋮ ⋱ ⋮ [ ⋮1 ] = ⋮ (4)
𝛾𝑛1 𝛾𝑛2 ⋯ 𝛾𝑛𝑚 0
[ 1 𝑐𝑚
1 ⋯ 1 ] [1 ]

Onde 𝛾𝑖𝑗 = 𝛼𝑖𝑗 (𝐹𝑖𝑗 − 𝐹𝑗 ).

A solução deste sistema (por mínimos quadrados, uma vez que o número de linhas é maior que o de
colunas) é o vetor de concentrações que fornece o melhor ajuste possível para o espectro de
reflectância medido. Para evitar que as regiões mais escuras (de maior F) do espectro medido
recebam maior peso que as regiões claras, é recomendado que se normalize cada vetor γ. Uma vez
que a Eq. 4 pode ser interpretada como uma condição de ortogonalidade entre dois vetores, a
normalização de γ não afeta a sua validade.

3. MATERIAIS E MÉTODOS

Para testar e exemplificar a nova técnica, hematita e goethita sintéticas (d50 = 0.23 e 0.21 µm,
respectivamente) foram sistematicamente misturadas com uma amostra de caulim processado do
Rio Capim (d50 = 4.2 µm, alvura 90.3 ISO). As medidas de reflectância foram realizadas com um
espectrofotômetro Technidyne ColorTouch 2 na faixa de 400-700 nm com um intervalo de 5 nm.
Seguindo o procedimento padrão para o preparo de amostras na indústria do caulim (TAPPI, 1986),
amostras secas foram pulverizadas por 30 segundos em um pulverizador Technidyne Anglo, que
também serviu como instrumento de mistura. Em seguida, amostras de 40 mm de diâmetro foram
prensadas manualmente para formar uma pastilha (≈ 250 KPa) e medidas no espectrofotômetro.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A técnica foi validada utilizando quinze misturas entre os três materiais, no intervalo de 0-25000
ppm. Os valores de reflectância de cada mistura foram transformados para F (Eq. 1) e as
concentrações de pigmento foram calculadas (Eq, 4). O modelo funcionou bem, com um erro
máximo absoluto de aproximadamente 1800 ppm (Tabela I). O modelo mostrou uma boa precisão
mesmo para misturas de alvura bastante baixas (35-50).

197
GONÇALVES, I.G., PETTER, C.O., MACHADO, J.L., SCHEFFER, G.

Tabela I. Comparação entre as concentrações reais e calculadas de hematita e goethita.


Concentração (ppm)
Mistura Alvura Real Calculada
Hematita Goethita Hematita Goethita
1 85.0 233 108 277 113
2 76.2 516 1505 533 1439
3 74.9 1023 765 1118 780
4 71.4 972 2160 1026 2084
5 60.3 2624 4163 2874 4426
6 65.5 3098 174 3561 249
7 70.9 166 3553 198 3664
8 51.1 4692 9155 4786 8989
9 50.8 8805 5585 7681 4334
10 37.7 18567 8907 17739 8876
11 36.1 11678 25155 11385 24551
12 50.8 7192 8766 6164 6941
13 49.4 9463 3069 9311 3201
14 55.9 3184 7077 3310 6982
15 66.1 1884 2100 2160 2346

5. CONCLUSÕES

A espectroscopia de reflectância difusa demonstrou o potencial para ser uma ferramenta rápida,
barata e precisa para a determinação das concentrações de hematita e goethita no caulim baseando-
se somente em medidas de pastilhas prensadas, utilizadas corriqueiramente nesta indústria. Ao
contrário das técnicas mais comuns, ela permite a quantificação de cada fase mineral em pequenas
quantidades, fornecendo mais informações sobre a qualidade e processabilidade do caulim bruto.

Com a possibilidade de determinar qualquer concentração de óxidos/hidróxidos possível, este


modelo pode ser utilizado como uma ferramenta auxiliar no planejamento da lavra e controle do
processo sem forçar o produtor de caulim a se apoiar somente em medidas de alvura e análises de
fluorescência de raios-X.

A fim de implementar esta técnica na prática industrial, é necessário estudar os contaminantes


naturais da jazida, levando em consideração as diferenças de tamanho de partícula.

Ao se trabalhar no estado opaco, as constantes absolutas K e S podem ser substituídas por F


(facilmente medido ou estimado) e a constante relativa , evitando assim medidas no estado
transparente.

A formulação apresentada é genérica e utilizável em qualquer caso em que a teoria original seja
válida. Medidas em um espectro mais amplo (incluindo o ultravioleta e o infravermelho) podem
melhorar a precisão da técnica.

6. AGRADECIMENTOS

CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior

Imerys pigments for paper and packaging

198
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

7. REFERÊNCIAS

GONÇALVES, I.G. (2009), Determinação da concentração de contaminantes no caolim através da


teoria de Kubelka-Munk. M.Sc. Dissertation, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto
Alegre, Brazil, 68 pp.

GONÇALVES, I.G., PETTER, C.O. (2007), Kubelka-Munk theory applied to industrial minerals:
prediction of impurity content in kaolin. Revista Escola de Minas, 60, 491-496.

GONÇALVES, I.G., PETTER, C.O., MACHADO, J.L. (2012) Quantification of hematite and
goethite concentrations in kaolin using diffuse reflectance spectroscopy: a new approach to
Kubelka-Munk theory. Clays and Clay Minerals, 60, 473-483.

HUNTERLAB (2008), CIE L*a*b* color scale, Insight on Color, 8, 4 pp.

JI, J., BALSAM, W., CHEN, J., AND LIU, L. (2002), Rapid and quantitative measurement of
hematite and goethite in the Chinese loess-paleosol sequence by diffuse reflectance spectroscopy.
Clays and Clay Minerals, 50, 208–216.

JI, J., ZHAO, L., BALSAM, W., CHEN, J., WU, T. AND LIU, L. (2006), Detecting chlorite in the
Chinese loess sequence by diffuse reflectance spectroscopy. Clays and Clay Minerals, 54, 266–276.

KORTÜM, G. (1969), Reflectance spectroscopy. Springer-Verlag, Berlim.

LIU, Q. S., TORRENT, J., BARRÓN, V., DUAN, Q. Z. AND BLOEMENDAL, J. (2011),
Quantification of hematite from the visible diffuse reflectance spectrum: effects of aluminium
substitution and grain morphology. Clay Minerals, 46, 137-147.

OTSUKA, M. (2004), Comparative particle size determination of phenacetin bulk powder by using
Kubelka–Munk theory and principal component regression analysis based on near-infrared
spectroscopy. Powder Technology, 141, 244-250.

SCHABBACH, L.M., BONDIOLI, F., FERRARI, A.M, PETTER, C.O. AND FREDEL, M.C.
(2009), Efficiency of Kubelka–Munk model in glazes with a black pigment and opacifier. Journal
of the European Ceramic Society, 29, 2685–2690.

SCHABBACH, L.M., BONDIOLI, F. AND FREDEL, M.C. (2011), Colouring of opaque ceramic
glaze with zircon pigments: Formulation with simplified Kubelka–Munk model. Journal of the
European Ceramic Society, 31, 659–664.

SCHEINOST, A.C., CHAVERNAS, A., BARRÓN, V. AND TORRENT, J. (1998), Use and
limitations of second-derivative diffuse reflectance spectroscopy in the visible to near-infrared
range to identify and quantify Fe oxide minerals in soils. Clays and Clay Minerals, 46, 528-536.

TAPPI (1977), “Brightness of pulp, paper and paperboard (directional reflectance at 457 nm).”
Technical standard.

TAPPI (1986), “Brightness of clay and other mineral pigments (d/0 diffuse).” Technical standard.

TORRENT, J. AND BARRÓN, V. (2003), “The visible diffuse reflectance in relation to the color
and Crystal properties of hematite.” Clays and Clay Minerals, 51, 309–317.

199
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

CARACTERIZAÇÃO MINERALÓGICA EM MINÉRIO DE TÂNTALO E


NIÓBIO DE PORTO GRANDE - AP

SILVA, J.P.P.1, SILVA, R.P.2, MEIRA, L.D.A.S.3


1, 2, 3
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amapá.
1
joão.silva@ifap.edu.br
2
robertop.silva@hotmail.com
3
lidia.meira@ifap.edu.br

RESUMO

Este trabalho apresenta os resultados dos estudos de caracterização mineralógica em duas amostras
de minério Tantalita-Columbita. A metodologia utilizada para a realização dos estudos envolveu a
execução de análises granulométricas do material “in natura” nas faixas de -0,147(100#); -
0,104(150#); -0,074(200#) e -0,044(325#) mm, separações minerais por líquido denso, seguidas de
estudos químico-mineralógicos através de fluorescência e difração de raios X, visando identificar as
fases minerais presentes. A coleta das amostras foi pontual, realizada na cabeceira da margem de
uma drenagem e numa profundidade de 70 cm, onde constituiu a primeira amostra. Já a segunda
amostra foi composta após três sequencias de bateia, constituindo um concentrado de bateia. As
amostras estudadas apresentam diferente teor de Ta; Ti; Fe; Zr e Nb, a maior diferença observada
refere-se ao aumento do teor de Tântalo e Titânio e diminuição do conteúdo de silício. Trabalhos
artesanais e de forma incipiente realizados nesta mesma região registram teor de Ta entre 50 a 55%.

PALAVRAS-CHAVE: caracterização de minério; tântalo; nióbio; meio denso.

ABSTRACT

This work presents the results of mineralogical characterization studies on two ore samples
Tantalite-Columbite. The methodology used for the studies involved the execution of analysis
characterization in size distribution in ranges of -0,147(100#); -0,104(150#); -0,074(200#) and
-0,044(325#) mm, mineral separations by liquid heavy, followed by chemical-mineralogical studies
using fluorescence and X-ray diffraction, aiming identify the minerals phases present. The sample
collection was punctual, realized at the head margin of the drainage and a depth of 70 cm, where
was constituted the first sample. Already the second sample was composed after three bateia
sequences. The studied samples present different content different concentrations of Ta; Ti; Fe; Zr
and Nb, the largest difference observed refers to the increase in the content of tantalum and titanium
and decrease of the content of silício. Handmade works and incipient form realized this region
register content of Ta between 50 to 55%.

KEYWORDS: characterization of ore; tantalum; niobium; dense medium.

201
SILVA, J.P.P., SILVA, R.P., MEIRA, L.D.A.S.

1. INTRODUÇÃO

O Brasil é o maior produtor mundial de nióbio, seguido pelo Canadá e Austrália, e responde por
98% da demanda mundial. O nióbio possui afinidade geoquímica com o tântalo, o que permite que
sejam encontrados juntos na maioria deste minério. O principal mineral destes elementos é
denominado de tantalita quando apresenta teor mais elevado de tântalo ou columbita quando o teor
de nióbio prevalece (Rodrigues, 2009).

O tântalo é um elemento metálico com características como extraordinária resistência ao calor, alta
capacitância elétrica, altíssima resistência à corrosão e à intrusão química. Seu principal uso, sob a
forma de pó, é na manufatura de capacitores empregados em telefones celulares, computadores,
pagers, telas de TV, câmeras digitais, entre outros. Por outro lado, sob a forma de metal, é
empregado na manufatura de lâminas de turbinas a jato, peças de mísseis e reatores nucleares, entre
outros (Lima, 2009).

Segundo Oliveira (2010), no estado do Amapá a extração da tantalita vem sendo desenvolvida e
ocupa a segunda posição entre os minerais mais explorados por atividade garimpeira. Os municípios
que apresentam ocorrência deste mineral são: Calçoene, Pedra Branca do Amapari, Tartarugalzinho
e Porto Grande.

No município de Porto Grande, registram-se explorações dos minérios de Tântalo e Nióbio de


forma artesanal, porém indicando percentuais elevados de aproximadamente 50% destes elementos.

O estudo dos recursos minerais disponíveis e não renováveis é essencial para o seu aproveitamento
adequado e, consequentemente, em particular para o município de Porto Grande-AP, que tem a
atividade mineral como uma das principais atividades econômicas.

A caracterização de minérios é uma etapa fundamental para o aproveitamento de recursos minerais


de forma otimizada, o que fornece subsídios mineralógicos e texturais necessários para etapas de
beneficiamentos. Análises químicas e mineralógicas, bem como separação por liquido denso, são
consideradas eficaz na caracterização dos produtos de minérios e de diversas separações (Silva,
2009).

Dessa forma, o trabalho apresenta resultados preliminares de caracterização mineralógica e química


em amostras de minério tantalita-columbita do município de Porto Grande – Amapá, visando
conhecer sua característica granulométrica, fases constituintes e a distribuição dos elementos (Nb e
Ta), possibilitando assim conhecer melhor o potencial do minério desta região.

2. METODOLOGIA

2.1. Material

As amostras foram coletadas na região de Porto Grande-AP na margem da cabeceira de uma


drenagem, em uma profundidade de 70 cm. A coleta constituiu-se de forma pontual, obtendo-se a
primeira amostra (01) “in natura”. Já a segunda amostra (02) foi obtida após sequencias de bateia,
constituindo-se do concentrado de bateia. A figura 1 ilustra o procedimento de bateia.

202
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Figura 1. Procedimento de bateia em amostra minério de columbita-tantalita.

O material coletado foi submetido à homogeneização e quarteamento para obter uma distribuição
mais uniforme dos constituintes pelo método da pilha cônica, realizado no Laboratório de
Tratamento de Minérios e Resíduos do IFRN. Em seguida, foram utilizadas 500g da amostra 01 e
500g da amostra 02 como alíquotas representativas. A partir daí, foram realizados os ensaios de
caracterização da amostra minério.

A figura 2 mostra o fluxograma de com as etapas realizadas neste trabalho.

Figura 2. Fluxograma com os passos realizados.

2.2. Separação granulométrica

Após de separadas as alíquotas das amostras 01 e 02, foi realizado o peneiramento via úmido. A
mostra foi passada em um conjunto de peneiras da série Tyler, com abertura de 3327, 833, 417, 177,

203
SILVA, J.P.P., SILVA, R.P., MEIRA, L.D.A.S.

149, 105, 74 e 44 micrômetros. Depois foram removidas todas as frações retidas nas peneiras e, em
um recipiente apropriado, secados em estufa na temperatura de 110°C, por 24 horas. Em seguida foi
realizada pesagem de cada fração para o cálculo da distribuição granulométrica.

2.3. Separação em líquido denso (Diiodometano)

As amostras com granulometria 149, 105 e 74 μm foram submetidas a ensaios de separação por
meio denso, utilizando-se Diiodometano: fórmula química: (CH2I2); densidade (3,32 g/cm³),
desdobrando-se cada alíquota em duas frações: flutuados e afundados.

Os ensaios em meio denso foram realizados no laboratório de Análise Química Industrial, Mineral e
Ambiental - ANQUIM. A figura 3 ilustra o local onde se realizou a separação em líquido denso.

Figura 3. Separação em líquido denso nas amostras 01 e 02 estudadas.

2.4. Análises química e mineralógica (FRX e DRX)

Foi usada a técnica de fluorescência de raios-X por energia dispersiva (FRX) para análise química
da amostra “in natura” e da amostra concentrado de bateia. As análises foram realizadas no
laboratório de processamento mineral de resíduos (LPMR), IFRN, usando o equipamento EDX 720,
da marca Shimadzu.

As amostras foram moídas até a granulometria inferior a 200 malhas. Os resultados obtidos são
apresentados na forma dos óxidos mais estáveis dos elementos químicos presentes.

Para análise mineralógica foi utilizada a técnica difração de raios-X (DRX), com moagem dos
materiais abaixo de 200 malhas. O ensaio foi realizado no Laboratório de Processamento Mineral e
de Resíduos (LPMR) do IFRN, utilizando o equipamento XRD – 7000 da marca SHIMADZU com
tubo de Cu (λ = 1,54056 Å), com varredura variando de 2° a 80° para 2θ, com velocidade de
2°/mim.

204
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3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Distribuição granulométrica

A distribuição granulométrica por meio da percentagem do passante acumulado em relação à


abertura das peneiras utilizadas em micrometros, das amostras 01 (in natura) e 02 (concentrado de
bateia), é apresentada, respectivamente, nas Figuras 4 (A) e 4 (B).

Figura 4 (A). Distribuição granulométrica da amostra “in natura”.

A amostra (01) apresentou 10% de massa retida em 3,32 mm e 3% passante em 0,074 mm.
Classificando-se, assim, como amostra de granulometria fina. Portanto, não necessitando de etapa
de cominuição para obter-se o mineral de interesse com a estimativa de grau de liberação elevado.

Figura 4 (B). Distribuição granulométrica da amostra concentrado de bateia.

O resultado granulométrico da amostra (02) indicou que 60% desta tem granulometria menor do
que 0,17 mm (80#). Confirmando-se como amostra de granulometria fina, e dessa forma, com
tamanhos interessantes para ser submetida a etapa de concentração mineral.

3.2. Análise química (FRX)

A análise química da amostra “in natura” estudada é apresentada na Tabela I. Já a Tabela II mostra
a análise da amostra concentrado de batei.

205
SILVA, J.P.P., SILVA, R.P., MEIRA, L.D.A.S.

Tabela I. Resultado de análise química (FRX) na amostra “in natura”.


SiO2(%) Al2O3(%) K2O(%) Fe2O3(%) TiO2(%) SO3(%) ZrO2(%) Ta2O5(%) NbO(%)
72,38 24,48 1,65 0,8 0,35 0,2 0,05 0,03 0,01

Tabela II. Resultado de análise química (FRX) na amostra concentrado de bateia.


SiO2(%) Al2O3(%) K2O(%) Fe2O3(%) TiO2(%) MnO(%) ZrO2(%) Ta2O5(%) NbO(%)
30,43 2,10 0,10 13,67 19,28 1,22 5,54 20,78 4,07

A amostra do concentrado de bateia apresenta acentuado enriquecimento no teor de tântalo, titânio e


ferro, bem como enriquecimento visível no teor de zircônio, nióbio e manganês. Já na amostra “in
natura” o teor de silício, alumínio e potássio são os que predominam. De acordo com Pereira et al.
(2008), que denominaram cristais de columbita-tantalita, em função dos teores destes elementos
(nióbio e tântalo), nesse estudo foi observado que o teor do tântalo é mais elevado do que o do
nióbio (Tabela 2), considerando-se o mineral em estudo como sendo a tantalita-columbita (Figura
5).

3.3. Análise mineralógica (DRX)

Os resultados da difratometria de raios-X realizado nas amostras, “in natura” e concentrado de


bateia, são mostrados, respectivamente, na Figura 5(A) e 5(B).

Figura 5 (A). Difratograma de raios-X da amostra Figura 5 (B). Difratograma de raios-X da amostra
“in natura”. concentrado de bateia.

O resultado do (DRX) da amostra “in natura” apresenta minerais como quartzo, caulinita,
muscovita e anortita, caracterizando-se como um pegmatito rico em plagioclásios. Já a amostra
concentrado de bateia apresenta a partir do (DRX) minerais de metais com ótimas propriedades e
grande importância industrial como ilmenita (titânio), tantalita-columbita (tântalo e nióbio),
zirconita (zircão), entre outro. No entanto, a fase mineral predominante é a ferro-tantalita-
columbita, tendo em vista que, na análise por FRX o percentual do elemento nióbio é inferior ao
dos elementos tântalo e ferro.

3.4. Separação com líquido denso (Diiodometano)

As análises em meio denso realizadas, com a amostra “in natura” e com a amostra concentrado de
bateia, nas faixas de 149#; 105# e 74# são mostrados, respectivamente, nas figuras 6(A) e 6(B) que
indicam o percentual de massa de mineral leve (d < 3,3 g/cm³) e pesado (d > 3,3 g/cm³) em relação
à abertura das peneiras.

206
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Figura 6(A). Separação em meio denso da amostra Figura 6(B). Separação em meio denso do
“in natura”. concentrado de bateia.

Os resultados da separação com líquido denso nas faixas de 149#; 105# e 74# mostraram uma
diminuição de aproximadamente 50% de massa dos minerais com densidades menores do que 3,3
g/cm³ e, por conseguinte, um aumento também perto de 50% de massa dos minerais com
densidades maiores do que 3,3 g/cm³. Indicando que os minerais como zircão, ilmenita, tantalita-
columbita, entre outros, apresentam-se em maior massa na faixa de 0,104 mm (149#).

4. CONCLUSÕES

A amostra “in natura” do minério de Porto Grande é constituída essencialmente por SiO2 (72%)
com Al2O3 (24%) e K2O (1,6%) subordinados; Fe2O3 corresponde a 0,8%; TiO2 e 0,35%; portanto,
representada pelos minerais caulinita, quartzo, muscovita e anortita.
Já a amostra de concentrado de bateia apresenta-se constituída essencialmente por SiO2 (30%) com
Ta2O5 (20%); TiO2 (19%) e Fe2O3 (13%) subordinados; ZrO2 corresponde a 5,5% e NbO a 4%,
deste modo, sendo representada pelos minerais tantalita-columbita, ilmenita, zirconita e outros
óxidos de tântalo.
As amostras possuem granulação fina, o que também a torna interessante, pois seu beneficiamento
poderá não necessitar de etapas de cominuição, sinalizando para um processo com menores custos.
O teor de elementos como o tântalo, titânio e nióbio são interessantes, pois apenas com o
procedimento de concentração por bateia, os seus teores foram expressivamente elevados.
Evidenciando, assim, seu potencial econômico para o município de Porto Grande.

5. REFERÊNCIAS

LIMA, J. M. G. Perfil da mineração da tantalita. Desenvolvimento de estudos para a elaboração do


plano duodecenal (2010-2030) de geologia, mineração e transformação mineral. MME. Brasília,
2009.

OLIVEIRA, M. J. Diagnóstico do setor mineral do estado do Amapá. Instituto de pesquisas


científicas e tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA). 148p. Macapá, 2010.

PEREIRA, R. M., CASTRO, C., NEUMANN, R. e ÁVILA, C. A. Minerais de metais e elementos


raros associados ao granito desemborque, São Paulo. In: Revista brasileira de geociências. Ed: 38;
Vol. 4. p591-597. UERJ. Rio de Janeiro, 2008.

207
SILVA, J.P.P., SILVA, R.P., MEIRA, L.D.A.S.

RODRIGUES, A. F. S. Economia Mineral do Brasil – Brasília-DF: DNPM. 2009.

SILVA, J. P. P., PINHEIRO, V. S., ARAÚJO, F. S. D. e LEITE, J. Y. P. Caracterização do rejeito


de lavra garimpeira de esmeralda. In: IV Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte Nordeste
de Educação Tecnológica. Belém - PA. 2009.

208
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on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

CARACTERIZAÇÃO MINERALÓGICA PARA FINS TURÍSTICOS DAS


AREIAS DE PONTA NEGRA – NATAL/RN/BRASIL

LEITE, J.Y.P.1, ARAÚJO, B.M.S.D.2, ARAÚJO, F.D.S.D.D.3


1
Instituto Federal do Rio Grande do Norte. jyp.leite@ifrn.edu.br
2
Instituto Federal do Rio Grande do Norte. bruna.soares@ifrn.edu.br
3
Instituto Federal do Rio Grande do Norte. franciolliaraujo@gmail.com

RESUMO

A praia de Ponta Negra esta localizada em Natal, capital do Rio Grande do Norte, sendo esta o
principal cartão postal do Estado que é caracterizado por uma grande duna margeada pela Mata
Atlântica. Com o objetivo de gerar produtos voltados para desenvolvimento do turismo, associando
temas da área mineral foi coletada amostra próximo ao Morro do Careca, seguida de classificação
granulométrica, separação em meio denso e identificação mineralógica com técnicas de microscopia
ótica e em MEV. Em seguida, as imagens foram tratadas e gerados produtos associando os minerais
identificados (quarzto, epidoto, rutilo, magnetita, titanita, ilmenita, zirconita) na areia de praia com
a paisagem da região. As imagens deverão ser utilizadas na geração de produtos, tais como cartões
postais, pôsteres, camisetas, bateias, folders, livros, entre outros. Este trabalho elevará a divulgação
e valoração da área mineral, bem como fomentará empreendimentos voltados para a divulgação
científica.

PALAVRAS-CHAVE: mineralogia; areia de praia; caracterização; turismo; divulgação científica.

ABSTRACT

The Ponta Negra beach is located in Natal, the capital of Rio Grande do Norte State.It is the main
postcard of the state and is characterized by a large dune bordered by the Atlantic Forest. Aiming to
generate products for tourism development, combining themes of the mineral sciences, samples
were collected near the Morro do Careca, followed by particle size classification, dense medium
separation and mineralogical identification with optical microscopy and SEM. Then the images
were generated by associating the identified mineral components (quarzto, epidote, rutile,
magnetite, titanite, ilmenite, zirconite) of the beach sand with the landscape. Images can be used in
products such as postcards, posters, t-shirts, folders, books and others. This work will increase
dissemination and valuation of mineral sciences and encourage enterprises aimed at these goals.

KEYWORDS: mineralogy; beach sand; characterization; tourism; scientific dissemination.

209
LEITE, J.Y.P., ARAÚJO, B.M.S.D., ARAÚJO, F.D.S.D.D.

1. INTRODUÇÃO

O Governo brasileiro observa que é necessário ampliar as ações de difusão científica, tendo em
vista alertar a sociedade para a importância do investimento em ciência e tecnologia. Essa
importância é refletida pelo lançamento de editais de fomento para a popularização da ciência, bem
como a valorização de espaços no currículo Lattes do CNPq para esta área (CNPq, 2012). É
observada uma grande mobilização nacional para a criação de olimpíadas com este objetivo, tais
como as de Matemática, Física, Química, Biologia, entre outras.

A área mineral responde por 4,2 % do PIB (Plano Nacional de Mineração 2030, 2011) e não é
observada uma política de difusão científica para a área com o objetivo de estimular a juventude.

Dantas et al. (1997) utilizaram técnicas de análise granulométrica, separação em meio denso e
microscopia por lupa binocular para caracterizar as areias da praia de Ponta Negra, concluindo que
89% do material encontra-se na faixa -420# +210#, sendo classificadas do ponto da sedimentologia
como areias, onde predominam os minerais epídoto, ilmenita, magnetita, quartzo, rutilo, titanita e
zirconita, com a proporção de quartzo reduzindo-se com a redução da granulometria, característica
de sua alta resistência ao intemperismo. Dentre os minerais pesados, predomina a ilmenita.

Este trabalho propõe apresentar as características dos minerais presentes em amostra coletada na
praia de Ponta Negra, em Natal-RN, criando alternativas de valoração e difusão científica à área de
tecnologia mineral.

Trabalhos de caracterização granulométrica, mineralógica e microscópica (óptica e eletrônica de


varredura) se propõem desenvolver alternativas não convencionais para divulgação da tecnologia
mineral, associando os recursos minerais a produtos turísticos, utilizando-se, para isto, as imagens
dos minerais microscópicos encontrados nos areias da Praia de Ponta Negra e a paisagem de
recursos naturais como o Morro do Careca (um dos principais cartões postais da cidade).

Esforços para a valoração da geodiversidade brasileira podem ser observados em trabalho


realizados por Machado & Ruchkys (2010) do IGC da UFMG e programas com estes objetivos
precisam ser intensificados no país.

A demanda por profissionais para a área de engenharia mineral se mostra crescente, mas a
quantidade de profissionais no mercado ainda é insuficiente para atendar a demanda (Koppe, 2010).
Dessa forma, é necessário realizar esforços para despertar o interesse da juventude nesta área de
conhecimento, o que pode ser feito através da associação da caracterização de bens minerais com o
uso intensivo de novos equipamentos.

2. PROCEDIMENTOS EXPERIMENTAIS E RESULTADOS

A amostra foi coletada a partir de uma malha retangular de 1.000 m2 (espaçamento de 10 m entre os
poços e profundidade de até 20 cm).

A amostra gerada pesou aproximadamente 240 kg, a qual foi seca em estufa a 110 ºC por 24 h,
sendo então homogeneizada e quarteada pelos métodos de pilha longitudinal e pilha cônica,
obtendo-se alíquotas de 2 kg para ensaio de separação por meio de bateia.

O material retido foi seco em estufa a 110 ºC por 24 h, homogeneizado e quarteado, sendo geradas
alíquotas com aproximadamente 1 g para análise por microscopia eletrônica de varredura (MEV) e
EDS para verificação da composição química dos grãos analisados.

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XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

A Figura 1 apresenta o fluxograma utilizado para realização dos ensaios.

Figura 1. Fluxograma de preparação da amostra da areia de praia de Ponta Negra

As imagens geradas pela microscopia eletrônica de varredura mostram partículas de quartzo (Figura
2), predominante em faixas granulométricas maiores, como cristais de forma não definida.

Figura 2. Cristal de quartzo com magnificação de 317x. À esquerda, imagem gerada por elétrons
retroespalhados e a direita imagem gerada por elétrons secundários.

211
LEITE, J.Y.P., ARAÚJO, B.M.S.D., ARAÚJO, F.D.S.D.D.

Os grãos de elementos pesados (densos) apresentam formatos mais regulares e definidos, apesar de
sua granulação mais fina. A figura 3 apresenta um grão de formato prismático, cuja composição é
apresentada na Tabela I.

Figura 3. Grão em formato zirconita no centro da imagem com tamanho aproximado de 145 µm.

Tabela I. EDS do grão prismático apresentado na Figura 3.


ELEMENTO %
O 36,77
Al 0,39
Si 13,59
Ti 5,23
Fe 0,57
Zr 49,64

Somente a composição química não é suficiente para determinar o mineral, mas a presença de
elementos pesados em sua composição, com alto teor de zircônio, pode ser um indicativo de que o
mineral seja zirconita, elemento comum nas areias de praia.

Outros grãos apresentam-se na forma de triângulos, como o grão de ilmenita exibido na Figura 4,
cujo EDS é apresentado na Tabela II.

A difusão científica e tecnológica para a área mineral será realizada através da associação das
imagens captadas no MEV dos minerais e suas variações em formas geométricas e químicas,
associando-as com as belas paisagens dos recursos naturais do litoral potiguar, como mostrado nas
Figuras 5 e 6.

212
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

Figura 4. Grão de ilmenita com tamanho aproximado de 140 µm.

Tabela II. EDS do grão triangular apresentado na Figura 4.


Óxido %
MgO 0,09
Al2O3 0,38
SiO2 0,49
TiO2 57,02
MnO 2,16
FeO 39,86

Figura 5. Cartão postal de Ponta Negra – Natal/RN, com grãos de zirconita em destaque.

213
LEITE, J.Y.P., ARAÚJO, B.M.S.D., ARAÚJO, F.D.S.D.D.

Figura 6 – Cartão postal de Ponta Negra – Natal/RN, com grão de ilmenita em destaque.

A associação de caracterização tecnológica com os eventos turísticos possibilita valorar a área de


mineração no cenário brasileiro, bem como estimulará a juventude a despertar o interesse científico
pela área mineral e suas técnicas de caracterização.

Essa iniciativa deve estar associada à criação de espaços permanentes de divulgação científica,
como a disposição de painéis ao longo da orla, apresentando a composição mineralógica, suas
técnicas e importância econômica, transformando estes espaços em um ambiente de divulgação
científica voltada ao fortalecimento da área mineral brasileira.

3. CONCLUSÕES

As características geométricas dos minerais pesados identificados, associados às belas paisagens


dos recursos naturais do litoral do Rio Grande do Norte, nos levam a propor uma aplicação não
convencional à área de tecnologia mineral, ou melhor, associar os minerais presentes em cada
localidade turística com uma paisagem representativa daquele lugar. Assim, poderá se desenvolver
cartões postais, vídeos educativos e Turísticos, folders e outros produtos vinculados ao Turismo e a
Educação.

As aplicações propostas possibilitam uma grande divulgação da área de tecnologia mineral, amplia
o interesse da sociedade e, ao mesmo tempo, ampliará os interesses da juventude para a área
mineral.

Outro fator relevante, neste trabalho, é que esta aplicação vem associada com um produto visual
contemplativo para o lazer e elevado impacto para formalização de perguntas para a área de
tecnologia mineral. O que vem a melhorar a visão da sociedade sobre a área de Mineração, que esta
habituada à imagem que a mídia criou, de um setor econômico que contribui apenas para a
degradação ambiental, sem levar em consideração sua grande contribuição para o desenvolvimento
econômico da sociedade moderna e do país.

214
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
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4. REFERÊNCIAS

CNPq. Popularização da Ciência. 2012. Disponível em: http://goo.gl/7FSbE

DANTAS, J. H. A., BAYER, M. M., LIMA, L. A. S., LEITE, J. Y. P. Areia de Ponta Negra – uma
aplicação não convencional. In: XVII Simpósio de Geologia do Nordeste, v. único, p. 499-501,
Fortaleza, Brasil, 1997.

MACHADO, M. M. M., RUCHKYS, U. Z. Valorizar e Divulgar a Geodiversidade: Estratégias do


Centro de Referência em Patrimônio Geológico CRPG - MHNJB/UFMG. GEONOMOS 18 (2): 53-
56. 2010.

KOPPE, J. C. A Lavra e a Indústria Mineral no Brasil – Estado da Arte e Tendência Tecnológicas.


In: Tendências Tecnológicas Brasil 2015 – Geociências e Tecnologia Mineral.2007. pp 97-99.

Plano Nacional de Mineração 2030. Ministério de Minas e Energia. 2011. Disponível em:
http://goo.gl/Ry1Sy

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XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
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CARACTERIZAÇÃO QUANTITATIVA E MINERALÓGICA DE


MATERIAIS PARTICULADOS EM SUSPENSÃO UTILIZANDO A
DIFRAÇÃO DE RAIOS-X ASSOCIADA AO MÉTODO RIETVELD

PAIVA, P.R.P.1, FERREIRA, A.M.1,2, ARANTES, J.P.3, SILVA, G.C.1


1
Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Recursos Minerais, Água e Biodiversidade - INCT-Acqua
2
Departamento de Química, CEFET-MG, Brasil.
3
Mestrando do Departamento de Engenharia de Materiais, CEFET-MG, Brasil.

RESUMO

A caracterização e a quantificação das fases presentes no material particulado suspenso (poeiras em


suspensão) em regiões de mineração e em regiões urbanas são de fundamental importância para o
acompanhamento, monitoramento e avaliação do seu impacto ambiental. O tratamento de dados de
difração de raios-X (DRX) em conjunto com o método de Rietveld mostra-se como uma alternativa
promissora no sentido de proporcionar, de modo simultâneo e com boa exatidão, a identificação e a
quantificação de fases minerais. No presente trabalho são apresentados resultados da quantificação
mineralógica de poeiras em suspensão provenientes de uma região localizada próxima a uma
mineração. Esse trabalho faz parte de um estudo mais amplo de aplicação do método Rietveld na
quantificação mineralógica de amostras ambientais, como rejeitos, solos, sedimentos e poeiras.

PALAVRAS-CHAVE: refinamento Rietveld; DRX; poeiras.

ABSTRACT

The characterization and quantification of phases present in the airborne dust from mining regions
and urban regions are fundamental for monitoring, tracking and evaluating its environmental
impact. The treatment of XRD data combined with the Rietveld method has proved to be a very
promising alternative in providing, simultaneously and with good accuracy, identification and
quantification of mineral phases. In this paper we present the results of mineralogical quantification
of airborne dust from a region located next to mining. This work is part of a larger study of
application of the Rietveld method to quantify mineralogy of environmental samples, such as
tailings, soil, sediments and dust.

KEYWORDS: Rietveld refinement; XRD; dust.

217
PAIVA, P.R.P., FERREIRA, A.M., ARANTES, J.P., SILVA, G.C.

1. INTRODUÇÃO

A atividade mineradora altera as condições ambientais, pois envolve a extração de um grande


volume de material rochoso, que provoca impacto para o meio físico e biótico. Dentre os impactos
gerados pela mineração destaca-se o material particulado atmosférico. A legislação ambiental em
vigor no Brasil (CONAMA N° 003/1990) determina os parâmetros de qualidade do ar que devem
ser monitorados apresentando padrões de qualidade do ar para MP10 (material particulado de
diâmetro inferior a 10μm) e PTS (partículas totais em suspensão).

Apesar do grande número de estudos sobre caracterização de material particulado (HUERTAS et


al., 2012; FRIEDRICHS and BEHRENDT, 1997; XIE et al., 2005; LIUA et al,. 2006; KIM and
HOPKE, 2008; PIPAL et al., 2011), poucos estudos envolvendo caracterização mineralógica de
material particulado utilizando o método Rietveld foi encontrado (ESTEVE et al., 1997).

O método Rietveld é um método de refinamento de estruturas cristalinas, que faz uso de dados de
difração de raios-X ou nêutrons, por pó (RIETVELD, 1969). O método permite realizar,
refinamento de cela unitária, refinamento de estrutura cristalina, análise quantitativa de fases e
determinação de orientação preferencial (YOUNG, 1993). Essa análise permite determinar e
quantificar materiais, como por exemplo, silicatos e carbonatos, contendo diferentes fases
mineralógicas (DEYSEL, 2007). O refinamento Rietveld baseia-se no ajuste matemático de um
padrão real (modelo experimental) com um padrão calculado (modelo teórico), minimizando a
diferença entre pontos medidos e cálculos, para isto utiliza-se o método dos mínimos quadrados. O
padrão calculado é obtido nos bancos de dados cristalográficos (ICSD, NIST, CSD), que fornecem
a simetria do grupo espacial, posições atômicas, posições de ocupação e parâmetros de rede.

Diante desse contexto, o presente trabalho visa mostrar as perspectivas da aplicação do método
Rietveld à quantificação de materiais particulados em suspensão. Além da técnica de quantificação
pela difração de raios-X combinada com a metodologia Rietveld, esse trabalho também apresenta
resultados de fluorescência de raios-X (FRX) e de microscopia eletrônica de varredura (MEV)
acoplada à espectrometria de dispersão de energia de raio-X (EDS).

2. MATERIAIS E MÉTODOS

2.1. Amostras

Neste estudo foram utilizadas amostras de poeiras em suspensão coletadas numa região que
apresenta atividade de mineração e urbana. Para a coleta das poeiras em suspensão foram utilizados
filtros (PTS, Hi-Vol) acoplados a amostradores de alto volume, onde o ar passa de forma forçada
por 24 horas. Os filtros com as partículas totais suspensas foram coletados a cada 6 dias. Os pontos
de coletas foram definidos da seguinte forma: Amostra 1F: ponto localizado a 8 km da mina (não
sofre influência desta); Amostra 2F: ponto localizado a 150 m da mina; Amostra 3F: ponto
localizado a uma distancia de aproximadamente 2 km da mina. Para efeito de comparação também
foi realizada a análise de uma amostra do minério (AM).

2.2. Microscopia eletrônica de varredura (MEV) aclopada à espectrometria de dispersão de


energia de raio-X (EDS)

As análises no MEV foram realizadas no equipamento Shimadzu SSX-550 equipado com detector
de elétrons secundários, onde serão geradas as imagens da morfologia das amostras de poeiras. As
análises químicas das partículas de poeiras foram obtidas no EDS, Superscan, com detector de SiLie
resolução de 150 eV, acoplado ao MEV. Para tal, as amostras foram recobertas com ouro e as
análises foram realizadas com um aumento de 1000X.

218
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
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2.3. Fluorescência de raios-X (FRX)

A determinação química semiquantitativa das amostras por FRX foi executada no equipamento
Shimadzu EDX-720. As análises foram conduzidas sob vácuo.

2.4. Difração de raios-X (DRX) e refinamento Rietveld

As análises de DRX, pelo método do pó, para identificar as fases presentes nas amostras de poeiras,
foram realizadas no equipamento Shimadzu 7000 nas seguintes condições de operação: Radiação
Cu Kα (35 KV/ 40 mA), velocidade do goniômetro 0,02° 2θ por passo, com tempo de contagem de
5 segundo por passo e coletados de 7° a 70° 2θ. A interpretação do espectro foi efetuada por
comparação com padrões contidos no banco de dados PDF 02 (ICDD, 2003). Para o refinamento foi
utilizado o programa GSAS (LARSON & VON DREELER, 2001) e a interface EXPGUI (TOBY,
2001) com a função de perfil pseudo-Voigt de Thompson-Cox-Hastings e a radiação de fundo
ajustada pelo polinômio de Chebyschev. Foram refinados o fator de escala, cela unitária, radiação
de fundo, assimetria do perfil, parâmetros da largura total a meia altura a partir dos parâmetros de
alargamento instrumental obtidos com um padrão, posição atômica, deslocamentos atômicos
isotrópicos e fatores de ocupação dos cátions.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1. Microscopia eletrônica de varredura aclopada à espectrometria de dispersão de energia


de raio-X (MEV/EDS)

A Figura 1 mostra a composição química elementar por EDS. Pode-se observar que existe uma
pequena diferença entre a amostra de minério AM e as amostras de poeira em suspensão 1F, 2F e
3F. Na amostra AM não foi detectada a presença do Ti.

Figura 1. Espectros de EDS mostrando composição química elementar das amostras AM, 1F, 2F e 3F.

219
PAIVA, P.R.P., FERREIRA, A.M., ARANTES, J.P., SILVA, G.C.

A Figura 2 mostra as imagens obtidas no MEV. Ressalta-se que as amostras 1F, 2F e 3F foram
analisadas impregnadas nos filtros e, por isso, suas imagens mostram as fibras provenientes destes.
Observa-se que todas as amostras apresentam grãos com morfologia semelhante, indicando que as
fases majoritárias devem ser as mesmas.

Figura 2. Imagens obtidas no MEV destacando a morfologia das amostras 1F, 2F, 3F e AM.

3.2. Fluorescência de raios-X (FRX)

A Tabela I mostra os resultados da análise quimica semiquantitativa por FRX. Pode-se observar que
as amostras AM, 1F, 2F e 3F apresentam predominantemente os elementos Si, Al, Fe, Ca e K. Esse
resultado corrobora a análise química realizada por EDS (Figura 1). A FRX também permitiu
avaliar a presença dos elementos de menor concentração, tais como S, As e Mn. Observa-se que o
As e o Mn foram encontrados somente na amostra AM.

Tabela I. Análise química semiquantitativa obtidas por FRX.


Amostras
Elementos
AM 1F 2F 3F
Si 29,29% 43,26% 51,43% 49,85%
Fe 35,20% 4,60% 1,00% 1,47%
Al 12,34% 16,44% 9,83% 10,05%
K 16,15% 7,65% 8,27% 7,57%
S 1,75% 0,53% 0,73% 0,65%
Ti -- 0,70% 1.02% 0,94%
Ca 2,14% 5,33% 5,56% 6,41%
As 2,37% -- -- --
Mg 0,35% 1,05% 0,42% 0,56%
Mn 0,41% -- -- --
Outros (elementos presentes no papel do filtro) -- 20,44% 21,68% 22,49%

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3.3. Difração de raios-X (DRX) e refinamento Rietveld

Os resultados de DRX e do refinamento estão apresentados nas Figuras 3, 4, 5 e 6. A presença do


amorfismo observado nas amostras 1F, 2F e 3F é devida ao papel do filtro. Pode-se observar nas
imagens de MEV (Figura 2, amostras 1F, 2F e 3F) que as partículas estão dispersas na superficie do
filtro. A proposta para solucionar este problema nas futuras coletas seria aumentar o tempo de
exposição do filtro, com isto teriamos uma camada mais espessa de material aderida ao filme. Essa
camada mais espessa aumentaria a porção de partículas banhada pelos raios-X e, consequentemente,
diminuiria o amorfismo característico do papel de filtro. Mas, vale ressaltar que o amorfismo não
influenciou no resultado do refinamento, pois o difratograma calculado (Figuras 4, 5 e 6)
acompanha a banda característica do amorfismo do filtro eliminando essa porção do cálculo.

Figura 3. Difratograma mostrando os resultados do refinamento para a amostra AM.

Figura 4. Difratograma mostrando os resultados do refinamento para a amostra 1F.

221
PAIVA, P.R.P., FERREIRA, A.M., ARANTES, J.P., SILVA, G.C.

Figura 5. Difratograma mostrando os resultados do refinamento para a amostra 2F.

Figura 6. Difratograma mostrando os resultados do refinamento para a amostra 3F.

A análise visual dos resultados (Figuras 3, 4, 5 e 6) demonstra que, em geral, que houve boa
concordância entre os difratogramas teórico e experimental. Todavia, os parâmetros de ajuste Rwp,
obtidos no refinamento, para as amostras são maiores do que aqueles normalmente obtidos para
refinamentos de fases minerais simples (WEIDLER, et al., 1998, YOUNG, 1993). Mas, em
contrapartida, o ajuste para as amostras em estudo está na gama encontrada para sistemas contendo
mutiminerais naturais (HILL et al., 1993, MUMME et al., 1996). O bom refinamento para essas
amostras é demonstrado pelo valor de X2 encontrado (McCUSKERet al., 1999).

Pode-se observar a presença das fases quartzo, moscovita, caulinita e albita em todas as amostras, o
que já era esperado por se tratar de materiais compostos basicamente por Si, Fe, Al e K (Figura 1 e
Tabela I). A mineralogia, tanto em relação aos minerais essenciais quanto em relação aos minerais
acessórios, é muito semelhante para todas as amostras de poeira em suspensão (Figuras 4, 5 e 6).
222
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

São compostas predominantemente por moscovita e quartzo, que juntos perfazem em torno de 60%
a 80% da composição. Os minerais acessórios são o clinocloro, albita, dolomita, calcita e a caulinita
e cada um deles variam de 1,5% a 13%. Essas variações, quando correlacionados entre si, podem
ser muito úteis na discriminação das amostras. É importante salientar que as fases arsenopirita e
siderita, presentes na amostra de minério AM (Figura 3), não foram identificadas no material em
suspensão. As amostras de poeira também diferem da amostra de minério AM por apresentarem as
fases calcita e dolomita.

A presença das fases calcita e dolomita e ausência das fases arsenopirita e siderita nas poeiras em
suspensão, além da semelhança entre as amostras coletadas em pontos distintos, são um indicativo
de que a mina não é a principal responsável pela composição dessas poeiras. As fases constituintes
do próprio solo da região deve ser a principal origem dessa composição. Para confirmar essa
hipótese é necessário realizar um estudo mineralógico mais apurado do solo fora da fronteira da
mina.

O estudo mineralógico da amostra de minério e das poeiras em suspensão mostra a complexidade


que envolve os processos de formação de um depósito mineral e o processo de geração e
identificação da origem das poeiras. Os resultados obtidos até o momento indicam a necessidade de
aprimoramento de alguns aspectos relacionados ao método de coleta das amostras e a análise
química por FRX de modo a se obter maior eficiência no uso do método de Rietveld. Nesse sentido,
as próximas etapas do trabalho serão realizadas nessa linha de pesquisa.

4. CONCLUSÕES

O método de Rietveld apresenta elevado potencial de utilização em quantificações mineralógicas de


materiais particulados em suspensão ou de poeiras geradas durante o processo de mineração, desde
que se utilizem modelos de estrutura adequados e se os significados fisicos de todos os parametros
forem verificados após cada etapa do refinamento.

Foi possível verificar que as poeiras em suspensão coletadas em pontos bem distintos apresentam
fases comuns. Isso sugere uma importante contribuição do solo da região na composição dessas
poeiras. Novos estudos estão em andamento para melhorar as condições de coleta das amostras o
que irá permitir uma melhor correlação entre as composições das poeiras, do minério e do solo da
região.

5. AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao INCT-Acqua, ao CEFET/MG e ao CNPq pelo apoio financeiro.

6. REFERÊNCIAS

CONAMA Nº 003 (1990) – Conselho Nacional de Meio Ambiente. Disponível em


<http://www.mma.gov.br/port/conama/>.

DEYSEL, K. Leucoxene study: a mineral liberation analysis (MLA) investigation. The 6th
International Heavy Minerals Conference ‘Back to Basics’, The Southern African Institute of
Mining and Metallurgy. 2007.

223
PAIVA, P.R.P., FERREIRA, A.M., ARANTES, J.P., SILVA, G.C.

ESTEVE, J.; CARDA, J.; AMIGÓ, J.M.; REVENTÓS, M.M. Quantitative X-ray diffraction phase
analysis of airborne particulate collect by a cascade impactor sampler using the Rietveld full-pattern
fitting method. International Centre for Diffraction Data. [S0885-7156(97)00702-1].

FRIEDRICHS, K., BEHREND, H. Characterization of ambient air particle size fractions in three
German cities with the aid of electron microscopy. Arch Environ Contam Toxicol 1997, 32, 229–
231.

HILL, R.J., TSAMBOURAKIS, G. & MADESEN, I.C. 1993. Improved petrological modal
analysis from X-ray powder diffraction data by use of the Rietveld method. I. Selected igneous,
volcanic, and metamorphic rocks. Journal of Petrology, 35, 867–900.

HUERTAS J.I., HUERTAS, M.E., SOLIS D.A. Characterization of airborne particles in an open pit
mining region. Science of the Total Environment 423 (2012) 39–46

KIM, E., HOPKE, P. Source characterization of ambient fine particles at multiple sites in the Seattle
area. Atmos Environ 2008, 42, 6047–6056.

LARSON, A. C.; VON DREELE, R. B. General structure analysis system (GSAS). Los Alamos:
National Laboratory, 2001.

LIUA, X., ZHUB, J., VAN ESPENB, P., ADAMS, F., XIAOA, R., DONG, S. Single particle
characterization of spring and summer aerosols in Beijing. Formation of composite sulfate of
calcium and potassium. Atmos Environ 200, 5, 39, 6909–6918.

McCUSKER L.B., VON DREELE R.B., COX D.E., LOUER, D., SCARDI, P. Rietveld refinement
guidelines. Journal of Applied Crystallography, V. 32, p. 36-50, 1999.

MUMME, W.G., TSAMBOURAKIS, G., MADSEN, I.C. & HILL, R.J. 1996. Improved
petrological modal analysis from X-ray powder diffraction data by use of the Rietveld method. II.
Selected sedimentary rocks. Journal of Sedimentary Research, 66, 132–138.

PIPAL, A.S., KULSHRESTHA A., TANEJA, A. Characterization and morphological analysis of


airborne PM2.5 and PM10 in Agra located in north central India. Atmospheric Environment. V.
45, p. 3621-3630, 2011.

RIETVELD, H.M. A profile refinament method for nuclear and magnetic structures. J. Appl. Cryst.
2, 65-71, 1969.

TOBY B.H. EXPGUI. A graphical user interface for GSAS. Journal Applied Crystallography
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WEIDLER, P.G., LUSTER, J., SCHNEIDER, J., STICHER, H. & GEHRING, A.U. The Rietveld
method applied to the quantitative mineralogical and chemical analysis of a ferralitic soil. European
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XIE, R. K.; SEIP, H. M.; LEINUM, J. T.; WINJE, T.; XIAO, J. S. Chemical characterization of
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YOUNG, R.A. 1993. The Rietveld Method. International Union of Crystallography, New York.

224
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

CARACTERIZAÇÃO QUÍMICO-MINERALÓGICA DE MATÉRIAS


PRIMAS DA FORMAÇÃO CORUMBATAÍ (POLO CERÂMICO DE SANTA
GERTRUDES, SP, BRASIL) VISANDO ORIENTAÇÃO PARA O
BENEFICIAMENTO MINERAL

ROVERI, C.D.1, ZANARDO, A.2, MORENO, M.M.T.2, ROCHA, R.R.2, GODOY, L.H.2,
ROMERO, E.G.3
1
Universidade Federal de Alfenas - UNIFAL - MG. carolina.roveri@unifal-mg.edu.br
2
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” - UNESP. azanardo@rc.unesp.br;
mmoreno@rc.unesp.br; roger.rocha@rochaforte.com.br; leticiahirata@gmail.com
3
Universidad Complutense de Madrid - UCM. mromero@geo.ucm.es

RESUMO
O Polo cerâmico de Santa Gertrudes, localizado a 140 quilômetros da cidade de São Paulo, usa, na
formulação de massas, unicamente matéria-prima da Formação Corumbataí. Esta é moída por via
seca em quase todas as cerâmicas, em moinhos de martelos e pendulares. A unidade geológica
minerada para fornecimento de argilas é constituída por siltitos, siltitos argilosos, argilitos siltosos e
arenitos feldspáticos, bancos calcários e veios de quartzo e/ou carbonato. Visando nortear as etapas
de beneficiamento deste minério, importante na fabricação de pisos e revestimentos cerâmicos no
maior polo produtor das Américas, foram estudadas quatorze amostras, que contemplam todos os
tipos de matérias-primas da unidade, sendo caracterizadas por análises químicas por Fluorescência
de Raios X, Difração de Raios X , Microscopia Óptica e Microscopia Eletrônica de Varredura. Os
resultados mostraram que os materiais da base e do topo da unidade apresentam características
químico-mineralógicas distintas, que influenciam diretamente as propriedades tecnológicas. As
características advêm de: tectônica regional, alteração superficial das rochas, fluidos hidrotermais e
distribuição de tamanho de grãos dos minerais. Dessa forma, estas informações podem ser
utilizadas para orientar a explotação e beneficiamento dos minérios de argila e blendagem de
matérias-primas, visando melhorar a qualidade dos produtos, assim como a variedade de produtos
no Polo Produtivo de Santa Gertrudes.
PALAVRAS-CHAVE: matéria-prima; argilas; Santa Gertrudes; propriedades tecnológicas.

ABSTRACT
The Santa Gertrudes´ Pole, located 140 kilometers from São Paulo, uses in the formulation of
ceramic masses, only raw materials from the Corumbataí Formation. It´s ground in hammer and
PIG mills. The geological unit for supply of mined clays consists of siltstones, clayey siltstones,
silty mudstones and sandstones, limestone banks and veins of quartz and/or carbonate. Aiming to
guide the improvement of the processing of this ore, important in manufacturing of flooring and
ceramic tile in the biggest producer in the Americas, fourteen samples were studied, which include
all types from raw material of this unit, the samples were characterized by X-ray Fluorescence, X-
Ray Diffraction, Optical Microscopy and Scanning Electron Microscopy. The results show that the
materials from the base and from the top of the studied unit have distinct chemical-mineralogical
characteristics, which directly influence the technological properties. These characteristics come
from: regional tectonics, surface alteration of the rocks, hydrothermal fluids and size distribution of
mineral grains. Thus, this information can be used to guide the exploitation and processing of
mineral clay and blending of raw materials, to improve product quality, and product variety in Santa
Gertrudes Production Pole.
KEYWORDS: raw material; clays; Santa Gertrudes; technological properties.

225
ROVERI, C.D., ZANARDO, A. MORENO, M.M.T., ROCHA, R.R., GODOY, L.H., ROMERO, E.G.

1. INTRODUÇÃO

Na indústria de revestimentos cerâmicos brasileira observa-se que há uma contínua modernização


nas indústrias, sobretudo buscando atualizações em equipamentos para aumento de produtividade e
competitividade. Constatou-se, em levantamentos efetuados pela ASPACER, em 2012, que a
produção paulista de placas cerâmicas via seca está em torno de 30 milhões de metros quadrados
por mês, dos quais 27 milhões são produzidos no Polo Cerâmico de Santa Gertrudes. Este Polo
fabricou 450 milhões de m2 de placas em 2012, e é o maior das Américas. Este Arranjo Produtivo
Local está localizado no interior do Estado de São Paulo (Figura 1), conta com várias dezenas de
plantas industriais de placas cerâmicas para revestimento, sendo responsável por cerca de 50% da
produção brasileira dessas placas e 90% da produção do Estado de São Paulo (ASPACER, 2012;
ANFACER, 2012). Em relação ao setor extrativo mineral, admitindo-se um consumo médio de 1
tonelada de argila para a fabricação de 55 m2 de placa cerâmica, estima-se a produção de cerca de
500 mil toneladas/mês de argila para a produção mensal dos 30 milhões de metros quadrados de
placas. Toda essa matéria-prima é extraída praticamente da Formação Corumbataí, unidade
geológica paleozóica existente em abundância na região do Polo, por cerca de 20 empreendimentos
atuais.

Figura 1. Localização dos principais elementos que compõem o Polo Cerâmico de Santa Gertrudes: fábricas,
minas, cidades, etc. (modificado de IPT, 2002).

O surgimento e desenvolvimento do Polo se deram pelo fato de ocorrer na região matéria-prima


cerâmica com qualidade especial e em grande quantidade, proveniente da Formação Corumbataí. A
região entrou no ramo cerâmico no início do século XX com a manufatura de tijolos e telhas e, a
partir da década de 60, passou a produzir “lajotões coloniais”. No início da década de 80, com
auxílio de uma indústria de equipamentos italiana, descobriu-se que era possível a produção de
revestimentos cerâmicos por moagem a seco, prensagem, esmaltação e monoqueima em fornos a
rolo, utilizando apenas matérias-primas locais. Isto levou à mudança no processo produtivo, com a
aquisição de tecnologia e equipamentos italianos, possibilitando a produção em grande escala com
lucro alto, fato que por um lado acirrou a competitividade e, por outro, possibilitou no início da
década de 90 o investimento na melhoria de qualidade e aumento de produção. Estas inovações,
apesar de não terem dado a devida importância ao conhecimento técnico da matéria-prima,
possibilitaram a queima em ciclos inferiores a 25 minutos e, ao mesmo tempo, novas indústrias e
linhas de produção foram instaladas o que aumentou vertiginosamente a capacidade produtiva.
Atualmente a lavra é feita a céu aberto, com o uso de tratores, retroescavadeiras, escavadeiras e
caminhões. Alguns empreendimentos maiores utilizam caminhões fora de estrada (Figura 2).

226
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

Figura 2. Aspectos gerais de uma lavra de argila de médio porte, em atividade há cerca de dez anos, no Polo
Cerâmico de Santa Gertrudes (IPT 2002).

O desmonte é realizado com o uso de explosivos leves, como ANFO (Ammonium Nitrate Fuel Oil,
explosivo leve produzido pela mistura de hidrocarbonetos líquidos com nitrato de amônio) e
emulsões encartuchadas. As cavas mais organizadas são divididas em bancadas e têm
acompanhamento técnico. Após a extração, a argila passa por um processo de secagem em pátio
aberto, em áreas próximas às minas. Este processo vem sendo, nos últimos anos, amplamente
condenado, em função de problemas ambientais, relacionados à emissão de particulado (CETESB,
2011). Informações obtidas diretamente com mineradores mostram que o preço da argila por
tonelada, como minério Run Of Mine, gira em torno de R$ 15,00. O preço da tonelada da argila
como minério Free on Board é de R$ 25,00. No passado, a escolha dos locais para retirada da
matéria-prima era feita por meio de tentativa e erro, acarretando em lavras rudimentares, sem
registro ou acompanhamento algum. Na atualidade, o Polo aparenta ter atingido um patamar de
demanda que está exigindo modificações no modelo existente, fato que tem levado algumas
indústrias a abrirem filiais em outras regiões do país, estudos de diversificação de produtos e,
consequentemente, inovações tecnológicas. Este aspecto é agravado pelo conflito de interesse no
uso do solo e pelas crescentes exigências ambientais, especialmente em relação à secagem das
argilas em pátios amplos, métodos de explotação e emissões gasosas, aspectos que vêm
pressionando o Arranjo Produtivo Local no sentido de conhecer melhor a matéria-prima e, a partir
daí, definir os rumos das inovações referentes à prospecção, lavra, regularização dos
empreendimentos, moagem, secagem, homogeneização, método de produção e diversificação dos
produtos. A quase totalidade das indústrias do Polo utiliza o processo de cominuição denominado
“via seca”, utilizando britadores e moinho de martelos e pendulares, cujos corpos básicos (sem
receber esmalte de recobrimento) são fabricados exclusivamente com as argilas da Formação
Corumbataí produzidas na região. A exceção fica por conta de poucas unidades que fabricam, por
via úmida (utilizando moinhos de bolas), placas convencionais e peças especiais, várias empresas
de pequeno porte que por via plástica (extrusão, conformação por prensagem e torneamento)
fabricam tijolos, lajes, telhas e produtos artesanais (vasos). O processo via seca caracteriza-se pela
utilização de massa simples, constituída exclusivamente de argila, que é moída e, então, segue para
a umidificação, granulação e prensagem. Da prensagem às etapas finais de produção (decoração,
queima e expedição), o processo é semelhante à via úmida. Na via úmida, se utiliza moinhos de
bolas (comumente de alumina ou de seixos de quartzo arredondados), onde a argila é moída na
forma de suspensão, denominada barbotina, com cerca de 70% de sólidos. Após esta etapa, a massa
moída é seca em atomizadores verticais, que conferem às partículas formato esférico, facilitando a
prensagem. O Polo, apesar de um aparente estágio de estagnação tecnológica, em função do alto
volume de vendas, vem se conscientizando que necessita conhecer melhor a matéria-prima,
adequar-se a normas ambientais e de produto, além de investir em novas tecnologias. O objetivo
227
ROVERI, C.D., ZANARDO, A. MORENO, M.M.T., ROCHA, R.R., GODOY, L.H., ROMERO, E.G.

disto é apresentar um diferencial marcante em relação a outros produtos existentes no mercado


(sejam revestimentos cerâmicos oriundos de outras localidades, rochas ornamentais ou pisos de
madeira). Em relação à lavra de argila, os sistemas de extração irregulares vêm sendo
sistematicamente banidos, dando espaço a áreas regularizadas. Nos próximos anos, os números
divulgados relativos à mineração na região serão mais reais e as minas, com melhores condições de
trabalho e segurança e maior número de geólogos e outros profissionais da área trabalhando
(DNPM, 2012). Quanto aos aspectos tecnológicos, o melhor conhecimento da Formação
Corumbataí levará ao desenvolvimento de novos produtos e/ou mudanças em processos produtivos,
como por exemplo, o tipo e moagem. De 2003 a 2006 todas as empresas da região instalaram filtros
nas chaminés dos fornos e têm até 2014 para cessar as emissões de flúor provenientes destes
(CETESB, 2011). Poderá haver melhoria da moagem a seco, levando à diminuição da
granulometria do pó obtido ou migração para a moagem via úmida, em função das questões
ambientais, pois esta medida eliminaria os trabalhos de pátio na região. O conhecimento da matéria-
prima, aliado ao desenvolvimento tecnológico e observação de tendências internacionais estão
impulsionando o Polo a investir no desenvolvimento de produtos, como porcelanato via seca
esmaltado, massas pigmentadas e produtos rústicos, o que levará a um aumento do poder de venda
das empresas (ASPACER, 2012).

2. MÉTODOS

As amostras escolhidas, representativas de toda a coluna da Formação Corumbataí explotada na


região, foram caracterizadas através de análise macroscópica e microscópica. A análise
microscópica foi realizada em Microscópio Óptico monocular Leitz (Wetzlar, Sm – Lux Pol, com
aumentos de 40X, 100X, 250X e 630X) e em Microscópios Binoculares Olympus D1600 e Zeiss
XT200. O método utilizado foi o de luz transmitida e em alguns poucos casos, em função da
presença significativa de fases não transparentes, utilizou-se também da luz refletida. A
caracterização mineralógica por Difração de Raios X foi realizada em equipamento Siemens D
5000, radiação de Cobre (WL= 1,5408Å). A velocidade do goniômetro foi definida com passo de
0,05 graus e tempo de exposição de 0,8s por cada passo. A interpretação foi realizada no programa
EVA 11.0. As análises geoquímicas de elementos maiores foram realizadas por fluorescência de
raios X, em aparelho Phillips modelo PW 2510, usando pastilhas vitrificadas, seguindo os métodos
de Nardy et al. (1997). As análises químicas de elementos traço foram realizadas pelo Laboratório
Acme Labs, no Canadá, pelo método 4B Full Suite, por ICP-MS. As análises por microscopia
eletrônica de varredura foram realizadas no “Centro de Microscopia Electrónica Luís Brú”, da
Universidad Complutense de Madrid em equipamento JEOL OXFORD SUPERPROBE, modelo
JXA 8900M WD/ED Combined Microanalyzer, de 200 kV, com resolução de 3,0 Å. O
equipamento apresenta múltiplos espectrômetros de dispersão de energia de raios X Link, modelos
AN 20000. O metalizador de grafite utilizado foi de modelo Emitech K 550X.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Na tabela I é apresentada a composição química média encontrada nas matérias-primas da região do


Polo Cerâmico de Santa Gertrudes, SP.

Na tabela II são apresentados os dados referentes às 14 amostras direcionadas, que caracterizam os


diferentes litotipos, encontrados no minério de argila da região do Polo Cerâmico de Santa
Gertrudes.

228
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Tabela I. Composição química média (%) das matérias-primas cerâmicas da região do PSG.
Perda
SiO2 Al2O3 Fe2O3 Na2O K2O CaO MgO P2O5 TiO2 MnO ao
Fogo
64 13 4,5 1 1,5 0,5 1,5 0,1 0,5 0,1 4
a a a a a a a a a a a
67% 17% 6% 2% 2,5% 2% 2,5% 0,2% 0,8% 0,2% 6%

Tabela II. Análises químicas das amostras direcionadas.


Perda
Amostra SiO2 Al2O3 Fe2O3 TiO2 MnO CaO MgO Na2O K2O P2O5
ao fogo
CDR-1 66.68 12.16 3.14 0.52 0.08 2.12 2.94 3.42 2.30 0.11 6.54
CDR-2 70.21 13.91 4.82 0.67 0.08 1.60 0.40 2.54 3.25 0.11 2.42
CDR-3 82.93 8.72 0.80 0.38 0.07 0.44 0.74 2.78 1.72 0.14 1.29
CDR-4 71.88 10.43 4.52 0.53 0.07 1.57 2.41 2.19 2.85 1.31 2.23
CDR-5 71.38 11.77 5.11 0.58 0.05 2.36 1.10 2.04 2.92 0.47 2.23
CDR-6 72.64 14.31 3.20 0.68 0.02 1.39 0.33 3.25 2.13 0.10 1.92
CDR-7 66.73 11.57 5.74 0.52 0.05 2.60 2.66 2.92 2.76 0.22 4.24
CDR-8 59.52 13.13 6.19 0.66 0.10 3.30 3.53 3.60 2.88 0.15 6.92
CDR-9 22.65 5.02 1.37 0.19 0.21 10.47 38.45 19.20 0.69 0.07 28.42
CDR-10 66.16 14.00 5.32 0.67 0.14 2.38 1.21 2.49 3.85 0.11 3.67
CDR-11 66.59 14.78 6.43 0.49 0.02 2.13 0.42 2.32 2.30 0.09 4.39
CDR-12 61.71 9.54 2.88 0.39 0.07 4.21 6.01 1.74 1.90 0.14 11.41
CDR-13 71.13 13.40 3.26 0.62 0.03 2.23 0.69 3.61 3.23 0.21 1.59
CDR-14 44.20 14.29 3.50 0.62 0.12 6.00 12.42 0.96 0.94 0.18 16.77

A amostra que apresenta mais baixo teor de sílica é rica em carbonatos, tendo teor de CaO alto e
alto teor de Perda ao Fogo (LOI). Os teores de álcalis giram em torno de 3,5% e estão relacionados
à presença de feldspatos neoformados e illita. A amostra 14, que se trata de um dique clástico,
apresenta cerca de 5% de Na2O, em função de ser formada por grande quantidade de albita
neoformada. Os teores de manganês estão ligados à formação de películas superficiais e os de óxido
de fósforo, à presença de coquinas e bone beds. Na figura 3 são apresentados alguns aspectos do
minério de argila encontrado na região, observados ao microscópio óptico. A granulometria é um
fator que varia bastante de amostra para amostra, assim como a presença de óxidos de ferro,
feldspatos e carbonatos.

A 150 µm B

C D

Figura 3. Amostra CDR 1(A) e CDR4 (B), onde são observados argilominerais primários e Amostra CDR 11 (C)
e CDR 14 (D), onde se observa argilominerais secundários, em rochas da Formação Corumbataí.

229
ROVERI, C.D., ZANARDO, A. MORENO, M.M.T., ROCHA, R.R., GODOY, L.H., ROMERO, E.G.

Na figura 4 são observadas algumas feições observadas ao microscópio eletrônico de varredura, das
amostras direcionadas, buscando mostrar variedades encontradas na mineralogia das amostras, que
influenciam a qualidade do minério.

Figura 4. Exemplos de imagens obtidas das amostras: (A) CDR10, região rica em illita; (B) CDR1,
possivelmente esmectitas; (C) CDR12, grãos recobertos por argilas e hematita; (D) CDR7, cristais de feldspatos e
fibras, que podem ser illita ou paligorskita; (E) CDR8, illitas recobertas por hematita e analcima; (F) CDR9,
illitas e esmectitas (ROVERI, 2010).

Na tabela III são apresentadas as fases minerais encontradas nas análises de Difração de Raios X.
Estes dados corroboram os dados encontrados nas análises químicas e microscópicas.

Tabela III. Caracterização Mineralógica por Difração de Raios X das amostras.


Mineralogia localizada em
Fase Mineral Mineralogia Geral
algumas camadas
Illita X
Quartzo X
Albita X
Hematita X
Analcima X
Clorita e Interestratificados X
Fosfatos/Restos Fósseis X
Barita X
Carbonatos e Sais X

4. CONCLUSÕES

De maneira geral as análises realizadas contribuíram para a compreensão de como é o


comportamento dos materiais da Formação Corumbataí tanto lateralmente, como verticalmente
justificando a necessidade de informações mais precisas para o planejamento de lavra e
beneficiamento mineral, facilitando o controle de qualidade das matérias-primas e dos produtos. A

230
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diversidade química encontrada, dentro de certos limites, influencia a fabricação de pisos e


revestimentos cerâmicos, uma vez que está diretamente relacionada às reações que ocorrem durante
a secagem e queima das peças, sem deixar de considerar que a forma em que os elementos estão
ligados nos respectivos minerais é importante para disponibilizar os mesmos para reagir a altas
temperaturas. Um dos fatores que qualifica a matéria prima da Formação Corumbataí como
excelente é a disponibilidade dos elementos alcalinos a temperaturas relativamente baixas pela
albita (Na) e illita (K). A diversidade mineralógica da matéria-prima disponível na região do Polo
Cerâmico de Santa Gertrudes influencia diretamente os processos de beneficiamento mineral, pois
cada tipo de rocha apresenta propriedades distintas, exigindo uma rota particular de tratamento.

5. AGRADECIMENTOS

À Fapemig e à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da UNIFAL-MG, pelo apoio concedido.

6. REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO DAS CERÂMICAS DE REVESTIMENTO DO ESTADO DE SP – ASPACER.


2012. O mercado cerâmico no país e no Polo Cerâmico de Santa Gertrudes. Disponível em: <http://
www.aspacer.com.br>. Acesso em 30 mai. 2012.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS FABRICANTES DE CERÂMICA - ANFACER. 2012


Perspectivas para o Setor Cerâmico Brasileiro. 2008. Disponível em: <http://www.anfacer.org.br>.
Acesso em: 20 jul. 2012.

COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO - CETESB. 2011. Diretrizes para a


administração de finos na região de Rio Claro – Notícias. Disponível em:
<http://www.cetesb.gov.br>. Acesso em 05 ago.2011.

DEPARTAMENTO NACIONAL DE PRODUÇÃO MINERAL - DNPM. Anuário de mineral


2011: argila. Disponível em: <http://www.dnpm.gov.br/assets/galeriaDocumento/AMB2005/
substancia%20a-e.pdf. Acesso em 12 jul. 2012.

INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS DO ESTADO DE SÃO PAULO - IPT. Bases


técnicas para o desenvolvimento da indústria mineral do pólo cerâmico de Santa Gertrudes – SP.
IPT/SCTDET (Rel. IPT 64.402). 92 p. 2002.

NARDY, A.J.R.; ENZWEILER, J.; BAHIA FILHO, O.; OLIVEIRA, M.A.F.; PENEREIRO,
M.A.V. 1997. Determinação de Elementos maiores e menores em rochas silicáticas por
espectrometria de fluorescência de raios x: resultados preliminares. Congresso Brasileiro de
Geoquímica, 6. Anais... Salvador: Sociedade Brasileira de Geoquímica, v.2, p. 346-348.

ROVERI, C.D. Petrologia Aplicada de Rochas da Formação Corumbataí (Região de Rio Claro -
SP) e Produtos Cerâmicos. 2010, 190p. Tese (Doutorado em Geologia Regional). IGCE/UNESP,
Rio Claro, 2010.

231
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on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA DA ARGILA UTILIZADA NO


PROCESSO PRODUTIVO DE CERÂMICA ARTESANAL DO DISTRITO DE
ICOARACI, EM BELÉM DO PARÁ

COSTA, J.H.B.1, RODRIGUES, M.C.G.2, SILVA, S.S.3


1
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Campus Belém. jaime.costa@ifpa.edu.br
2
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Campus Belém.
eng.marcellyrodrigues@hotmail.com
3
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Campus Belém.
samara_santos20@hotmail.com

RESUMO

O artesanato tem grande importância socioeconômica para o Brasil, pois é fonte geradora de renda e
trabalho, contando com uma participação de 2% do PIB brasileiro. No Distrito Administrativo de
Icoaraci, em Belém, capital do Estado do Pará, localiza-se o bairro do Paracuri, maior centro
divulgador do patrimônio arqueológico e produtor de peças cerâmicas artesanais pré-colombianas
da Região Amazônica, com mais de 2 mil postos de trabalhos ceramistas. A matéria-prima utilizada
na produção das peças cerâmicas é um composto argiloso extraído da várzea do rio Paracuri, cujos
defeitos gerados pela não uniformidade das propriedades físico-químicas, possibilitaram o interesse
no estudo de caracterização através de análises granulométricas por peneiramento, difração de raios
X e microscopia eletrônica de varredura, a fim de obter melhorias da qualidade no processo
produtivo. Todas as amostras analisadas apresentaram mais de 60% da massa com tamanho inferior
a 0,037 mm, composição mineral compatível com paragênese típica de rochas granitoides, presença
essencial da caulinita, quartzo e da gohetita e conteúdo carbonoso maior que 10%.

PALAVRAS-CHAVE: caracterização; argila; cerâmica artesanal; Icoaraci.

ABSTRACT

The handcraft has great socioeconomic importance for Brazil, because it is a source of income and
employment, with a share of 2% of the Brazilian Internal Products. In Administrative District of
Icoaraci, located and part of the Belém City, Capital of State of Pará, in the neighborhood Paracuri,
most of the archaeological heritage center, promoter and producer of handmade ceramic pre-
Columbian in Amazon Region, with more than 2000 workstations potters. The raw material used in
the ceramic clay production is a compound extracted from Paracuri floodplain river, which the
effects by the non-uniformity of the physicochemical characteristics, possibilited the interest in the
study of characterization by size analysis by sieving, X-ray Diffraction and Scanning Electron
Microprobe, purposing to obtain up quality improvements in the production process. All samples
showed more than 60% by weight smaller than 0,037 mm, paragenetics mineral compositions in
accordance to typical granitic rocks, the essential presence of kaolinite, quartz and gohetite and
carbonaceous content greater than 10%.

KEYWORDS: characterization; clay; handmade pottery; Icoaraci.

233
COSTA, J. H. B., RODRIGUES, M. C. G., SILVA, S. S.

1. INTRODUÇÃO

O artesanato tem uma grande importância socioeconômica no cenário atual do Brasil, pois é fonte
geradora de renda e trabalho, contando com uma participação de 2% do Produto Interno Bruto
(PIB) brasileiro. Estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
(MDIC) apontaram, em 2003, uma movimentação anual de recursos da ordem de R$ 28 bilhões e o
envolvimento de 8,5 milhões de pessoas na atividade (SEBRAE, 2008).

No Estado do Pará, na Região Metropolitana de Belém (RMB), encontra-se um dos principais polos
de artesanato em cerâmica da região norte, chamado Icoaraci. A comunidade ceramista do distrito
de Icoaraci abriga inúmeras olarias onde a produção é fruto da tradição oral herdada de antigas
civilizações Marajoaras e Tapajônicas. No distrito e arredores existem grandes quantidades e
variedades de argilas em cores e texturas variegadas, o que provavelmente, explica a milenar
tradição da cerâmica local.

No bairro do Paracuri, localizado no centro do distrito, existem aproximadamente 2 mil postos de


trabalho entre diretos e indiretos, gerados pelo polo de cerâmica artesanal. Neste bairro famílias
inteiras sobrevivem da confecção de peças em argila. Em 2010, de acordo com o Sistema de
Cadastro de Artesãos existiam 212 artesãos no bairro do Paracuri, onde se concentra 90% da
comunidade ceramista de toda Icoaraci, cuja produção é facilitada pela proximidade das jazidas de
argila, principal matéria-prima para os artesãos (DOS SANTOS, 2002).

Apesar da grande importância econômica e social da cerâmica artesanal no Brasil, a maioria dos
jazimentos de argila não é devidamente estudada, não havendo, em geral, dados técnico-científicos
que orientem sua aplicação industrial de maneira mais racional e otimizada possível (MENEZES et
al, 2001), o que se reflete na produção de produtos de má qualidade na maioria das olarias do país.
No Estado do Pará não é diferente, pois não há o conhecimento adequado e necessário acerca das
características tecnológicas das argilas utilizadas nas olarias da região.

Para utilização das argilas nos mais diversos processos é importante e indispensável uma
identificação completa do tipo de argila e de suas propriedades, para estabelecer quais as
formulações e condições de processamento mais adequadas para se obter produtos com as
propriedades finais desejadas (MORAIS & SPOSTO, 2006).

As propriedades do produto final estão estreitamente relacionadas às características iniciais das


matérias-primas, como granulometria, plasticidade e composição mineralógica, dentre outras
(DUTRA et al., 2006). O conhecimento de suas matérias-primas contribui diretamente para a
melhoria das propriedades do produto final e possibilita ao fabricante flexibilidade, redução de
custos de produção e aumento no valor agregado de seu produto. Assim, o conhecimento das
características das argilas não tem valor apenas acadêmico, mas também grande interesse comercial
(SOUZA et al., 2005).

Diante dos fatores problemáticos deste setor, o presente trabalho visou realizar caracterização física
e mineralógica do material argiloso utilizado na produção oleiro-cerâmica do Distrito de Icoaraci,
com o intuito de determinar a causa da má qualidade dos produtos fabricados no mesmo, propondo
melhorias na qualidade do processo.

234
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

2. METODOLOGIA

2.1. Amostragem

A coleta e preparação das amostras foram realizadas de acordo com o fluxograma da figura 1.

Figura 1. Esquema das etapas de amostragem realizada.

Foram coletados cinco blocos de argila, já beneficiados por um equipamento chamado “maromba”,
com o objetivo de formar uma única amostra primária, de 50 Kg aproximadamente, levados para o
Laboratório de Tratamento de Minério do Instituto Federal do Para (IFPA), no qual iniciou-se a
etapa de preparação da amostra I, identificadas pela operação de homogeneização em meio líquido
e quarteamento em polpa da amostra primária.

Na etapa de preparação da amostra primária, os blocos coletados foram dissolvidos em dois


recipientes de 50 l cada, contendo água, para homogeneização da argila e posterior quarteamento
em polpa. Durante o período de duas semanas, a polpa foi agitada todos os dias para verificar a
completa homogeneização e após esta ficar totalmente desagregada deu-se início ao quarteamento,
sendo retirados 3000 ml de cada recipiente para formar uma amostra de 6000 ml, essa alíquota foi
dividida em quatro baldes. Ainda na etapa de quarteamento, retirou-se 50 ml de cada alíquota,
somando um total de 200 ml de amostra final, colocado em uma bandeja para secagem na estufa a
100ºC, durante 3 horas. O material seco foi transferido para preparação da amostra II, identificada
com a operação de pulverização e quarteamento da amostra final.

Na preparação da amostra II, pulverizou-se o material em graal de ágata com pistilo. Após a
pulverização, quarteou-se a amostra II em pilha cônica, gerando 50 g de amostra final, esta foi

235
COSTA, J. H. B., RODRIGUES, M. C. G., SILVA, S. S.

guardada em recipiente para realização dos ensaios de análise mineralógica. As alíquotas dos quatro
baldes foram transferidas para a etapa de análise granulométrica por peneiramento.

2.2. Análise granulométrica por peneiramento

Executou-se o peneiramento de cada alíquota, para a separação do material em 10 classes


granulométricas, segundo a escala Tyler. A série de peneiras utilizada foi a seguinte: 0,837 mm;
0,592 mm; 0,419 mm; 0,296 mm; 0,209 mm; 0,148 mm; 0,105 mm; 0,074 mm; 0,052 mm e 0,037
mm.

Foi realizado peneiramento a úmido, no qual as bacias foram preenchidas com água até a metade e,
com a peneira submersa em água realizou-se a sequência do peneiramento, partindo da peneira de
maior abertura. Os retidos, com ajuda de picetas, foram colocados em recipientes de alumínio. O
passante foi peneirado na segunda peneira de abertura imediatamente menor, repetindo-se o
processo até a última peneira de menor abertura.

Depois de finalizado o peneiramento, as frações retidas foram secas em estufa, a 100ºC, durante 3
horas. Após esse período, anotou-se a massa medida em balança analítica de precisão de cada
retido. Com os dados da massa de cada fração granulométrica, calculou-se a porcentagem retida em
cada peneira e a fração modal das alíquotas.

2.3. Ensaio de caracterização mineralógica por Difração de Raios-X (DRX)

Para as análises de DRX, o material pulverizado foi colocado em uma lâmina para o ensaio no
difratômetro tipo Philips 1730, do laboratório de difração de raios X do Instituto Federal do Pará
Campus Belém. O aparelho de raios X foi operado nas seguintes condições: Voltagem de
aceleração constante: 40 kV; Corrente do feixe de elétrons: 30 mA; Anodo de Cobre (radiação kα,
λ=1,5406 Å); Varredura em passo: 0,02 (2θ); Tempo de acumulação: 1s/ passo; Faixa de varredura:
5 a 60 (2θ). Para a aquisição dos difratogramas utilizou-se o programa APD da Phillips e a base de
dados do computador. Este procedimento permitiu a análise dos picos de cada mineral identificados
na amostra.

Ao se caracterizar argilominerais, a utilização da técnica de DRX é a mais indicada, porém os


elevados teores de quartzo na amostra resultam em picos bem definidos e de grande intensidade,
prejudicando a identificação e caracterização das demais fases, levando a necessidade de se utilizar
outros métodos de caracterização, como a Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) com
Espectroscopia de energia dispersiva (EDS).

2.4. Ensaio de caracterização mineralógica por MEV/EDS

O ensaio de caracterização mineralógica foi realizado pelo método de MEV/EDS, através do


microscópio modelo LEO-1430, no Centro de Geociências da Universidade Federal do Pará. As
amostras foram metalizadas com ouro (19,32 g/cm3), com uma corrente de 25 A e o tempo de
recobrimento dos stubs foi de 2 minutos dentro do metalizador. Os dados operacionais do
microscópio eletrônico de varredura foram: voltagem de aceleração de 20 kv, corrente do feixe de
elétrons de 90 µA e distância de trabalho de 15 mm. As condições de análises para as imagens de
elétrons retroespalhados foram: corrente do feixe de elétrons = 90 µA, voltagem de aceleração
constante = 10 kv, distância de trabalho = 15 mm.

236
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3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Diagnóstico do ciclo de produção

A atividade ceramista regional iniciou-se em função do processo da ocupação humana nesta região,
a fim de abastecer o setor da construção civil. O ciclo de produção consiste em extração e
beneficiamento da argila pelos produtores cerâmicos ou “barreirenses”, confecção e vendas das
peças pelos artesãos de acordo com as seguintes etapas (Figura 2).

Figura 2. Ciclo de produção artesanal no distrito de Icoaraci.

3.2. Análise granulométrica por peneiramento

A análise granulométrica por peneiramento permitiu a confecção de um gráfico da porcentagem


média dos passantes acumulados pelas aberturas das peneiras utilizadas (Figura 3).

Figura 3. Gráfico da porcentagem média dos passantes acumulados em cada peneira.

A partir das análises realizadas verificou-se que a granulometria predominante encontra-se na faixa
granulométrica abaixo de 0,037 mm, com aproximadamente 65% do material passante, cujos grãos
estão compreendidos na classificação silte e argila.

A presença de raízes visíveis a olho nu no material retido nas primeiras 6 peneiras, mostrou uma
deficiência no processo de beneficiamento realizado pelos “barreirenses”, pela ausência de uma
etapa de peneiramento e; deficiência na preparação da argila realizada pelos artesãos, nas etapas de
retirada de raízes e vazios da massa para confecção das peças.

237
COSTA, J. H. B., RODRIGUES, M. C. G., SILVA, S. S.

Além das raízes, foram verificadas partículas com granulometrias de proporções muito
diferenciadas, pois a argila não passa por uma etapa de peneiramento no processo de
beneficiamento.

3.3. Análise mineralógica por difração de raios X

Observa-se no difratograma (Figura 4) representativo da amostra os seguinte minerais: quartzo


(SiO2), caulinita [Al2Si2O5 ( OH )4] e muscovita [KAl2.20 ( Si3Al )0.975O10 ( ( OH )1.72O0.28
)].

Figura 4. Difratograma representativo da amostra.

De acordo com os picos predominantes e suas intensidades pode-se dizer que esta amostra é uma
argila. A presença de região amorfa mostra-se que há presença de matéria orgânica no material.

3.4. Análise mineralógica por MEV/EDS

Durante a caracterização mineralógica pela MEV foram obtidas seis imagens e pelo EDS
identificou-se quimicamente 67 regiões. Assim, confirmou-se a presença marcante de argilomineral
caulinita e do mineral quartzo, presentes em todas as regiões, além do elemento carbono,
caracterizado como matéria orgânica decomposta ou não decomposta (raízes).

A média dos cálculos da mesornorma em cada região (Figura 5), apresentou 11% de quartzo, 66%
de caulinita e 12% de carbono aproximadamente. Segundo SEICOM (2005), o percentual médio de
material carbonoso maior que 10% é fator favorável à produção ceramista, permitindo obter-se
artefatos de melhor resistência ao fogo e com melhor durabilidade.

238
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Figura 5. Gráfico da Composição mineral do insumo oleiro-cerâmico.

Além da presença de quartzo, caulinita e carbono, observou-se em quase todas as regiões a presença
de óxido/hidróxido de ferro, representados pela gohetita com 8% e óxido de ferro e titânio,
representado pela ilmenita abaixo de 1%. Por outro lado, foram encontradas algumas regiões de
maior concentração de quartzo, que inviabilizam a produção de materiais cerâmicos, salvo quando é
elaborada uma mistura de material mais ou menos rico em quartzo.

Deste modo, a caracterização mineralógica por MEV/EDS foi muito importante para a confirmação
de caulinita, quartzo, material orgânico, identificados pela DRX. Ainda pelo método do MEV, foi
possível verificar a presença de outros minerais acessórios, provavelmente não identificados por
DRX, por causa dos altos picos de quartzo na amostra.

4. CONCLUSÕES

As principais conclusões pertinentes ao trabalho foram:

a) As áreas produtoras de argila constituem-se em pequenos e médios depósitos, que juntamente


com as olarias da região do Baixo Tocantins, abastecem a cidade de Belém e seu entorno.

b) No diagnóstico técnico do ciclo de produção foram identificadas as etapas de extração e


beneficiamento do material argiloso pelos “barreirenses” e confecção, queima, pintura e venda dos
artefatos pelos oleiros.

c) As análises de caracterização efetuadas nas amostras mostraram que o material argiloso tem
qualidade adequada a sua utilização na atividade oleiro-cerâmica;

d) Necessita-se de uma etapa de peneiramento para diminuição do percentual de raízes no material;

e) Inclusão de estufa no processo para não dependência dos fatores climáticos na etapa de secagem,
precedente a etapa de queima dos artefatos cerâmicos;

f) Inclusão de forno no processo para controle de temperatura e evitar superaquecimento na etapa de


queima dos artefatos cerâmicos.

239
COSTA, J. H. B., RODRIGUES, M. C. G., SILVA, S. S.

5. AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao IFPA Campus Belém pelo apoio na realização deste trabalho através da
concessão de bolsas de iniciação científica.

6. REFERÊNCIAS

DOS SANTOS, T. S. A Cerâmica Marajoara Modificando a Produção Ceramista em Icoaraci.


Belém, 2002.

DUTRA, R.P.S. ; NASCIMENTO, R. M.; PASKOCIMAS, C. A.; GOMES, U.U. ; VARELA, M.


L. ; MELO, P.T. . Avaliação da Potencialidade Argilas do Rio Grande do Norte - Brasil. Cerâmica
Industrial. Vol. 11. Ed. São Paulo. São Paulo – SP, 2006. Pag. 42-46.

MENEZES, R. R.; FERREIRA, H. C.; NEVES, G. A. Mapeamento de Argilas do Estado da


Paraíba. Cerâmica. Vol. 47. Ed. São Paulo. São Paulo - SP, 2001. Pag. 77-81.

MORAIS, D. M.; SPOSTO, R. M. Propriedades Tecnológicas e Mineralógicas das argilas e suas


influências na qualidade de blocos cerâmicos de vedação que abastecem o mercado do Distrito
Federal. Cerâmica Industrial, Vol.11. Brasília, 2006. Pag. 35-38

SEBRAE. SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS.


Relatório sobre Produtos em cerâmica para decoração e utilitários. Brasília, 2008. Disponível em:
<http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/39e94cc638e47777832574dc00466424/$file/nt00
039076.pdf>. Acesso em: 18 de ago. 2012. p. 28.

SOUZA, G. P. de; TERRONES, L. A. H.; SOUSA, J. G.; HOLANDA, J. N. F. de. Mineralogical


analysis of Brazilian ceramic sedimentary clays used in red ceramic. Cerâmica. Vol. 51. Ed. São
Paulo. São Paulo - SP, 2005. Pag. 382-387.

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CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA DA ESCÓRIA Fe-Cr BAIXO


CARBONO E RECUPERAÇÃO DA LIGA METÁLICA POR MESA
CONCENTRADORA

TEIXEIRA, A.M.S.1; SAMPAIO, J.A.2; BERTOLINO, L.C.3; CARDOSO, E.F.4; BORGES,


L.C.P.5
1
Universidade Federal do Rio de Janeiro. haline_santos@ufrj.br
2
Centro de Tecnologia Mineral. jsampaio@cetem.gov.br
3
Centro de Tecnologia Mineral. lcbertolino@cetem.gov.br
4
Companhia de Ferro e Ligas da Bahia S/A. eros@ferbasa.com.br
5
Companhia de Ferro e Ligas da Bahia S/A. lucasborges@ferbasa.com.br

RESUMO

A escória Fe-Cr baixo carbono, é um dos principais resíduos advindos do processo metalúrgico para
obtenção de liga de Fe-Cr. Este resíduo não possui aplicação e encontra-se acumulado em pátios,
conforme regulamentação de órgãos ambientais. Este trabalho teve por finalidade caracterizar, sob
os aspectos químicos e físicos, a escória Fe-Cr baixo carbono, pertencente à Companhia de Ferro e
Ligas da Bahia S/A, FERBASA. Também foram realizados ensaios de concentração gravítica com a
finalidade de remover a liga de Fe-Cr ainda residual na escória. As amostras da escória, após as
etapas de preparação, foram submetidas aos ensaios de classificação granulométrica, FRX, lupa
binocular e MEV-EDS. A análise dos resultados obtidos por lupa binocular indicou a existência, na
escória, de grãos de quartzo, fragmento de rocha/minério e de fases metálicas e vítreas. As análises
químicas revelaram teores de 30% de CaO, 15% de MgO e 12% de Cr2O3, com partículas metálicas
contendo os elementos Fe e Cr associados. As investigações realizadas em mesas concentradoras
possibilitaram a obtenção de um concentrado com aproximadamente 25% de Cr, sugerindo a
reutilização do mesmo no processo siderúrgico de obtenção da liga de Fe-Cr.

PALAVRAS-CHAVE: escória de Fe-Cr; caracterização; reaproveitamento.

ABSTRACT

Low carbon ferrochrome slag is a major waste produced by the metallurgical process of Fe-Cr
alloy. Not there is application for this waste and currently it is accumulated in courtyards, according
to regulation of environmental agencies. The objectives of this paper were to evaluate the Fe-Cr
slag's physical and chemical characteristics, of Company and Ferro Alloys Bahia S/A, and to
recover the Fe-Cr alloy contained in the slag using a table concentrator. After preparation, slag
samples were submitted for testing particle size classification, FRX, binocular microscope and
SEM-EDS. The results indicated that slag is composed of grains quartz, fragments of rock/ore and
metallic phases and vitreous. Slag has about 30% CaO, 15% MgO and 12% Cr2O3, with particles
containing metallic elements associated with Fe and Cr. The evaluation of results obtained with the
table concentrator revealed the possibility of obtaining a concentrate gravitational with
approximately 25% Cr suggesting the reuse of slag in the process of obtaining the iron alloy.

KEYWORDS: LCFeCr slag; characterization; reuse.

241
TEIXEIRA, A.M.S.; SAMPAIO; J.A., BERTOLINO, L.C.; CARDOSO, E.F.; BORGES, L.C.P.

1. INTRODUÇÃO

As escórias, de um modo geral, podem ser aplicadas em vários setores da economia, para os mais
diversos fins, como na composição de cimento, pavimentação, massa de concreto e vitrocerâmica,
inclusive na indústria de tintas, como pigmentos, e na agricultura. No entanto, esses setores
possuem baixo potencial de consumo e/ou restrições técnicas de uso, o que implica no aumento da
quantidade de escória confinada em ambiente especial (NOBILE, 2009).

A escória de ferro-cromo com baixo carbono (FeCrBC) é um dos principais resíduos advindos do
processo metalúrgico para a obtenção da respectiva liga. O processo de obtenção da liga FeCrBC se
resume em fundir o minério de cromo com cal (fundente do minério de cromo), obtendo-se uma
liga rica em Cr2O3, com cerca de 30% Cr, que posteriormente, reage com uma liga de FeCrSi
resultando em na liga FeCrBC e uma escória contendo sílica e pobre em cromo. A proporção entre
as quantidades de liga produzida e escória gerada é de aproximadamente 2:1 (PRADO e NATALE,
2004). Além disso, durante o processo de resfriamento de escórias de alto-forno, elementos como
nitrogênio, carbono, hidrogênio e enxofre são liberados, causando estruturas com alta porosidade
(ZETTERMANN, 2001).

A liga FeCrBC é muito utilizada no controle de impurezas na produção de aços de diversas


qualidades, como em processos convencionais de produção de aços inoxidáveis, na utilização de
ligas a base de níquel com elevados teores de Fe e, para aplicações em setores de tecnologia
avançada, como o aeronáutico e aeroespacial (ZETTERMANN, 2001).

No entanto, em relação à escória FeCrBC, existem poucas informações disponíveis, provavelmente,


devido às altas concentrações do elemento cromo que impõe limitações ao seu emprego
(ZETTERMANN, 2001). Um exemplo é o estudo da aplicação da escória FeCrBC, com 34,0 g/kg,
para produção de matéria seca de mudas de maracujazeiro, que revelou o aumento linear do pH do
solo, porém com diminuição do acúmulo de nutrientes e na produção de matéria seca 1 (PRADO e
NATALE, 2004).

Em Zimbábue, as ligas remanescentes nas escórias de diferentes produtos e na escória FeCrBC,


foram recuperadas por processos de jigagem e sucessivamente separadas por meios magnéticos. As
escórias resultantes dos processos de recuperação das ligas foram utilizadas como pasta para
briquetes durante aglomeração, para controle de pH em processo de beneficiamento de minérios de
ouro, construção civil e para fins agrícolas (CHIRASHA e SHOKO, 2010).

Iniciativas inovadoras devem sempre fazer parte dos objetivos estratégicos do setor de produção de
ligas de FeCr para assegurar a sustentabilidade, por meio da utilização de concentrados de minérios,
bem como melhorar a produtividade, com menor consumo energético, menor quantidade de escória
gerada e maior recuperação de cromo metálico. Ademais, a reutilização de resíduos pode contribuir
para solucionar obstáculos ambientais em indústrias de siderúrgicas (NOBILE, 2004). Uma vez
que, atualmente, espera-se que em um processo de produção não sejam gerados resíduos e sim
subprodutos, ou seja, recursos renováveis e, portanto, ambientalmente amigáveis.

Neste contexto, este trabalho tem por finalidade caracterizar sob os aspectos químicos e físicos a
escória FeCrBC, inclusive realizar ensaios em mesa concentradora para a recuperação da liga
metálica contida na escória. A escória FeCrBC em estudo pertence à Companhia de Ferro e Ligas
da Bahia S/A, localizada no município de Pojuca, BA e, atualmente, encontra-se confinada em
pátios apropriados, conforme regulamentação de órgãos ambientais, em decorrência do teor de
cromo.

242
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
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2. MATERIAIS E MÉTODOS

O estudo teve início com o recebimento de uma amostra contendo cerca de 500 kg da escória
FeCrBC pelo CETEM-MCTI. O material foi homogeneizado e quarteado para a obtenção de uma
amostra de aproximadamente 150 kg, cuja fração remanescente foi devidamente identificada e
armazenada (SAMPAIO et al., 2007; LUZ et al., 2002).

2.1. Caracterização Tecnológica

Na preparação da amostra, a escória foi submetida as etapas de britagem, por meio de britadores de
mandíbulas e de rolos, e classificação granulométrica para a obtenção de uma amostra com
granulometria abaixo de 6,37 mm. O material foi homogeneizado e quarteado, por meio de pilhas
cônica e pilha prismática, para obtenção de alíquotas de 10 e 1,0 kg (SAMPAIO et al., 2007). Em
seguida, alíquotas da escória foram submetidas as análises de distribuição granulométrica,
fluorescência de raios X (FRX), lupa binocular e microscopia eletrônica de varredura (MEV-EDS).

A distribuição granulométrica da escória FeCrBC foi determinada por meio do procedimento


clássico de peneiramento a úmido utilizando peneiras de 2,362 a 0,037 mm, série Tyler, e um
peneirador vibratório (SAMPAIO et al., 2007). As frações granulométricas obtidas foram secadas a
70°C e pesadas.

A composição química das frações foram determinadas em um espectrômetro de fluorescência de


raios X PanAlytical, modelo Axios com tubo de Rh, utilizando um detector de dispersão de
comprimento de onda (WDS). Os resultados foram expressos como óxidos e normalizados a 100%.

A análise em lupa binocular foi realizada com a propósito de determinação dos constituintes por
intervalo granulométrico.

O microscópio eletrônico de varredura, FEI Quanta 400, acoplado com um sistema de microanálise
química por dispersão de energia (EDS), Bruker Quantax, em modo de alto vácuo foi utilizado para
determinar a distribuição das partículas metálicas, por meio de seções polidas da amostra de escória
FeCrBC.

2.2. Ensaio em Mesa Concentradora

Uma alíquota de aproximadamente 40 kg da amostra foi cominuída em circuito fechado por meio
de britadores de mandíbula e rolos até obtenção de partículas com granulometria inferior a 0,297
mm. No entanto, cerca de 10 kg da amostra permaneceu retida na peneira de 0,297 mm. Esta fração
constituída apenas da liga, foi chamada de fração metálica. Na etapa seguinte a amostra foi
submetida a um peneiramento a úmido para remoção da fração fina, abaixo de 0,053 mm, cuja
fração fina foi pesada e secada em estufa a 70ºC.

A fração com granulometria entre 0,297 e 0,053 mm, após secagem, foi submetida ao ensaio em
mesa oscilatória. Na alimentação da mesa foi utilizado um alimentador vibratório, por meio do qual
a amostra de escória foi descarregada diretamente na mesa concentradora. Os parâmetros
operacionais, como amplitude de pulsação e inclinação do tablado da mesa, foram ajustados (LUZ
et al., 2002). Em seguida, iniciou-se a alimentação da mesa com fração entre 0,297 e 0,053 mm,
cujo ensaio, após atingir o estado de equilíbrio, teve a duração de 55 min. Na etapa seguinte foram
coletadas três amostras denominadas de concentrado, misto e leve. Os teores de Cr foram
determinados nas frações obtidas no ensaio de mesa oscilatória, pela técnica de absorção atômica
com chama C2H2/N2O/ar.
243
TEIXEIRA, A.M.S.; SAMPAIO; J.A., BERTOLINO, L.C.; CARDOSO, E.F.; BORGES, L.C.P.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1. Caracterização Tecnológica

A análise dos resultados da distribuição granulométrica da escória, Figura 1, revela que o material
possui aproximadamente 50% das partículas com dimensões superiores a 2,362 mm e cerca de 10%
das partículas com granulometria inferior a 0,147 mm.

Figura 1. Distribuição granulométrica da escória FeCrBC.

A análise dos resultados das composições químicas das frações, Figura 2, indica que a escória
possui 30% de CaO; 15% MgO. Esses teores são considerados satisfatórios para o uso desta escória
na agricultura, porém o teor de Cr2O3 de 12% inviabiliza o aproveitamento da escória no setor
agrícola. Além disso, o teor de Cr2O3 é superior aos dados encontrados na literatura para este tipo
de escória, que possui em média 5% Cr2O3 (KONARBAEVA et al. 2010; PRADO E NATALE,
2004).

Figura 2. Composição química das frações granulométricas da escória FeCrBC.

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Nas fotografias das frações granulométricas obtidas por meio da lupa binocular, Figura 3, foi
observada que os fragmentos de escória possuem forma irregular, textura porosa e brilho vítreo, e
um segundo tipo, com forma esférica e brilho metálico. Constatou-se a existência de partículas
metálicas em todas as frações analisadas e liberadas abaixo de 0,297 mm, com predominância nas
frações entre 0,147 a 0,053 mm.

Figura 3. Fotografias das frações granulométricas + 2; + 0,84; + 0,21; + 0,147 mm da escória FeCrBC.

A análise das micrografias das seções polidas da amostra de escória Fe-Cr BC, Figura 4, indica que
o Fe-Cr está distribuído segundo pequenas partículas esféricas, dispersas na amostra, de
aproximadamente 400 µm, que pode dificultar sua efetiva separação durante o processamento da
escória (ZETTERMANN, 2001).

Figura 4. Imagens de elétrons retroespalhados da escória FeCrBC.

245
TEIXEIRA, A.M.S.; SAMPAIO; J.A., BERTOLINO, L.C.; CARDOSO, E.F.; BORGES, L.C.P.

A forma esférica que as partículas metálicas assumem é devido ao fenômeno da tensão interfacial
entre metal e escória. Quando imersa em um fluido, cada molécula (ou partícula) está envolvida por
moléculas possuindo campos de força de atração com intensidades similares e, portanto, o campo
total agindo em cada partícula é uniforme em todas as direções (ZETTERMANN, 2001).

Ademais, por meio do EDS, Figura 5, foi observado que as partículas possuem os elementos cromo
e ferro associados.

Figura 5. Imagens de elétrons retroespalhados da escória FeCrBC e EDS das partículas claras.

3.2. Ensaio em Mesa Concentradora

Na Tabela I estão relacionados os teores de Cr das frações obtidas no ensaio de mesa concentradora.

Tabela I. Teores de Cr das frações obtidas no ensaio de mesa oscilatória com da escória FeCrBC.
Produtos Massa (kg) % Cr (m/m)
+0,297 mm 10 12,2
-0,053 mm 9,55 5,5
Leve 5,9 6,0
Concentrado 1,2 25,5
Misto 8,8 4,61

A avaliação dos resultados permite dizer que a fração leve, obtida pelo processo de separação por
mesa oscilatória, possui cerca de 6% de Cr na sua composição. Este teor compromete o uso da
escória, fração leve, como corretivo de solos agrícolas, já que o teor mínimo de Cr admitido pelo
MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento é de 500 mg/kg (BRASIL, 2006).

4. CONCLUSÕES

A composição química da escória Fe-Cr BC possui elevados teores de Cr2O3, CaO, Al2O3, Fe2O3,
MgO e SiO2. A escória britada abaixo de 6,73 mm é constituída principalmente de fragmentos de
escória metálica e vítrea, grãos de quartzo e fragmentos de rocha/minério.

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As análises das imagens de MEV-EDS e lupa binocular revelaram que as partículas metálicas são
esféricas, com tamanhos de partículas de aproximadamente 400 µm e possuem o elemento cromo
associado ao ferro, corroborando com os resultados de FRX e as partículas metálicas estão liberadas
abaixo de 0,297 mm.

Os resultados preliminares obtidos nos ensaios de mesa concentradora revelam que é possível à
obtenção de concentrado gravítico com aproximadamente 25% de Cr e, portanto, com
características adequadas para sua reutilização no processo siderúrgico de obtenção da liga de Fe-
Cr, proporcionando melhor aproveitamento econômico da escória.

5. AGRADECIMENTOS

Ao CETEM-MCTI e a Companhia de Ferro e Ligas da Bahia S/A.

6. REFERÊNCIAS

BRASIL. Instrução Normativa nº 35, de 04 de Julho de 2006. Diário Oficial da União, República
Federativa do Brasil, Brasília, DF, 12 jul. 2006. Seção 1, p. 32.

CHIRASHA, J.; SHOKO, N.R. Zimbabwe Alloys Ferro Chromium Production: from Cradle to
Grave Sustainably. Proceedings of the 12th International Ferroalloys Congress: Sustainable Future,
p. 391-399, Helsinki, Finland, 2010.

KONARBAEVA, A.; AKUOV, A.; TOLYMBEKOV, M. Petrographic Anaysis of Low-Carbon


Ferrochrome Slag. Proceedings of the 12th International Ferroalloys Congress: Sustainable Future,
p. 245-248, Helsinki, Finland, 2010.

LUZ, A. B.; SAMPAIO, J.A.; ALMEIDA, S.L.M. Tratamento de Minérios. 4 edição.


CETEM/MCTI, Rio de Janeiro, p. 858, 2002.

NOBILE, F.O. Uso Agronômico da Escória de Siderurgia. Rev. Uniara, n. 22, p. 108-128, 2009.

PRADO, R.M; NATALE, W. Efeito da Aplicação da Escória de Siderurgia Ferrocromo no Solo, no


Estado Nutricional e na Produção de Matéria Seca de Mudas de Maracujazeiro. Rev. Bras. Frutic.,
v. 26, n. 1, p. 140-144, 2004.

SAMPAIO, J.A.; FRANÇA, S.C.A.; BRAGA, P.F.A. Tratamento de Minérios: Práticas


Laboratoriais. CETEM-MCTI, Rio de Janeiro, p. 570, 2007.

ZETTERMANN, L.F. Caracterização da escória de Aço Inoxidável com vistas a seu


reaproveitamento no Processo de Produto do Aço. Dissertação de Mestrado. Escola de Engenharia,
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 68 p., 2001.

247
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on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA DE CERÂMICAS OBTIDAS COM


ARGILAS CAULINÍTICAS DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO EM
MISTURAS COM ADITIVOS SEM VALOR ECONÔMICO

PERALTA-SÁNCHEZ, M.G.1, MORALES-CARRERA, A.M.2, VARAJÃO, A.F.D.C.3


1
Coordenação de Mineração. Departamento de Áreas Acadêmicas II. Instituto Federal Goiás.
Universidade Federal de Ouro Preto. peraltage@gmail.com
2
Coordenação de Mineração. Departamento de Áreas Acadêmicas II. Instituto Federal Goiás.
anamc73@gmail.com
3
Deparatmento de Geologia. Universidade Federal de Ouro Preto. angelicavarajao@gmail.com

RESUMO

Um estudo prévio sobre cinco ocorrências de argilas cauliníticas do Quadrilátero Ferrífero apontou
a necessidade de uso de aditivos para melhorar suas características tecnológicas, visando seu
aproveitamento em cerâmica estrutural. Portanto, nesse trabalho foi realizada a caracterização
tecnológica de produtos cerâmicos fabricados a partir de 50 misturas dessas cinco argilas (ACM,
DB, R5, FS e AM) com os aditivos filito (F) do embasamento das argilas, rejeitos de quartzito (Q)
da fabricação de placas de revestimento e, resíduos de esteatito (E) da indústria de panelas de pedra
sabão da região. As misturas foram feitas com cada uma das argilas e com os aditivos em
proporções entre 5, 10, 15, 25, 30 e 50 %. Com essas misturas, contendo umidade de 8 %, corpos
prismáticos foram conformados por prensagem e queimados a 900 e a 1.100°C. Os corpos
cerâmicos foram caracterizados mineralogicamente e submetidos a ensaios tecnológicos. Os
resultados apontaram que, de maneira geral, os corpos queimados a 1.100°C podem ser aplicados
como materiais de construção. Dessa maneira avigora-se a possibilidade do aproveitamento desses
recursos minerais com baixo valor econômico atual, inclusive, o encaminhamento ambientalmente
correto de rejeitos e resíduos minero-artesanal da região, considerado como poluidores ambientais.

PALAVRAS-CHAVE: argilas cauliníticas; Quadrilátero Ferrífero; cerâmica; filito; quartzito;


esteatito.

ABSTRACT

A previous study on five deposits of kaolinite clays from Quadrilátero Ferrífero pointed out the
need to use additives to improve their technological characteristics for use in structural ceramics.
Therefore, this work performed technological characterization of ceramics products from 50
mixtures of these five clays (ACM, DB, R5, FS and AM) with additives phyllite (F) from the
basement of the clay deposits, quartzite (Q) tailings from the manufacture of flooring boards and
steatite (E) waste from the pot industry. The mixtures were made with each of clays and additives in
proportions 5, 10, 15, 25, 30 and 50%. With these mixtures, containing 8 % of moisture, prismatic
bodies were shaped by pressing, dried and burned at 900 and 1,100 ° C. The ceramic samples were
mineralogically characterized and technological tested. The results showed that, the bodies burned
at 1,100 ° C can be used as building materials. Thus, this work invigorates the possibility of
exploitation of these mineral resources, which currently have low or no economic value, including
the environmentally correct routing of tailings and waste from mining and craft activities of the
region, considered as environmental polluters.

KEYWORDS: kaolinitic clays; Quadrilátero Ferrífero; ceramics; phyllite; quartzite; steatite.

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PERALTA-SÁNCHEZ, M.G., MORALES-CARRERA, A.M., VARAJÃO, A.F.D.C.

1. INTRODUÇÃO

Vários tipos de rochas e minerais industriais como argilas cauliníticas, filito, esteatito e quartzito,
que atualmente não possuem interesse industrial e inclusive, no caso dos dois últimos, representam
fontes de poluição ambiental, ocorrem no Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais (Figura 1).

Matérias-primas:
Argila caulinítica:
∆ N
Filito:

Figura 1. Localização das ocorrências das matérias-primas oriundas da região do Quadrilátero Ferrífero, Minas
Gerais, que foram utilizadas na confecção de corpos cerâmicos (Adaptado de Ferreira et. al., 2004).

Neste sentido, tendo em vista que os estudos de caracterização mineralógica, química, física e
tecnológica dos corpos cerâmicos obtidos com as argilas cauliníticas do Quadrilátero Ferrífero
(PERALTA-SÁNCHEZ, et al., 2011, MORALES-CARRERA, et al., 2010) mostraram que cinco
dessas argilas não apresentaram resultados satisfatórios para a sua aplicação direta na indústria
cerâmica, objetivou-se neste trabalho o uso de aditivos para melhorar este resultados.

Na pesquisa atual as cinco argilas cauliníticas foram utilizadas como principal matéria-prima para a
obtenção de massas cerâmicas misturadas com diferentes proporções dos três abundantes aditivos
do Quadrilátero Ferrífero: filitos do embasamento dessas argilas, resíduos de esteatito e de quartzito
provenientes da fabricação artesanal de panelas e placas de revestimento, respectivamente, e que
atualmente podem ser consideradas como fontes de poluição ambiental.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

2.1. Materiais

As matérias-primas para a fabricação de tijolos foram cinco amostras de argilas cauliníticas e três
aditivos, da região do Quadrilátero Ferrífero. As argilas formam parte de duas fácies do depósito de
Padre Domingos no sinclinal Moeda (SANTOS, 2003), previamente definidas como arenito coesivo

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XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

maciço (ACM) e diamictito branco (DB); uma amostra de um talude (R5) da rodovia BR-356; e
duas fácies do depósito Morro do Caxambu no sinclinal Dom Bosco, que foram previamente
definidas como argilosa maciça (AM) e argilosa friável (FS) (SANTOS, 1998, SANTOS, et al.
1999). Os aditivos foram filito (F) localizado no embasamento dos depósitos de argilas; quartzito
(Q) coletado dos rejeitos do corte de placas para revestimento e esteatito (E) coletado dos resíduos
produzidos da fabricação artesanal de panelas.

2.2. Métodos

Cada amostra coletada foi secada em uma estufa da marca FABBE a uma temperatura aproximada
de 60 ºC, em seguida foram destorroadas, homogeneizadas, quarteadas e peneiradas a 0,425 mm
(35#). Alíquotas, para as diferentes análises laboratoriais e ensaios tecnológicos, foram retiradas do
passante da peneira.

A umidade de matérias-primas foi determinada previamente à preparação das misturas, com o


auxílio de uma balança ID200 da Marte.

A mineralogia de cada matéria-prima natural e de cada corpo cerâmico obtido foi analisada através
de difratogramas de raios X, em preparações não orientadas, utilizando um difratômetro de marca
RIGAKU GEIGERFLEX D/MAX-B (com radiação monocromática CuKα), com faixa angular
entre 2 e 70 º e velocidade de leitura de 1,2 °/min.

As cores apresentadas pelas amostras naturais foram determinadas comparando-as com os padrões
da escala de MUNSELL (1975).

Análises químicas dos elementos maiores e menores das matérias-primas foram feitas utilizando o
equipamento de fluorescência de raios-X da Philips - PANalytical, modelo MagiX com amostrador
automático PW 2540, equipado com tubo de ródio a 2,4 kW.

Foram preparadas 50 misturas, adicionando-se a cada amostra de argila ACM, DB, R5, FS e AM
proporções de 5, 10, 15, 25, 30 e 50 % dos aditivos F e Q. Em outras misturas foram adicionadas
proporções de 10 % de E. Essas misturas foram denominadas de acordo com o nome da amostra e o
teor de aditivo, assim:

 ACM+10F, ACM+30F, ACM+50F, ACM+10Q, ACM+30Q, ACM+50Q, ACM+5F+5Q,


ACM+15F+15Q, ACM+25F+25Q, ACM+10F+10E+30Q;

 DB+10F, DB+30F, DB+50F, DB+10Q, DB+30Q, DB+50Q, DB+5F+5Q, DB+15F+15Q,


DB+25F+25Q, DB+10F+10E+30Q;

 R5+10F, R5+30F, R5+50F, R5+10Q, R5+30Q, R5+50Q, R5+5F+5Q, R5+15F+15Q,


R5+25F+25Q, R5+10F+10E+30Q;

 AM+10F, AM+30F, AM+50F, AM+10Q, AM+30Q, AM+50Q, AM+5F+5Q, AM+15F+15Q,


AM+25F+25Q, AM+10F+10E+30Q;

 FS+10F, FS+30F, FS+50F, FS+10Q, FS+30Q, FS+50Q, FS+5F+5Q, FS+15F+15Q,


FS+25F+25Q, FS+10F+10E+30Q.

A umidade de cada mistura foi ajustada até atingir 8%, utilizando a mesma balança da Marte.
Seguidamente, cada mistura foi depositada em um molde de aço e, com auxílio de uma prensa

251
PERALTA-SÁNCHEZ, M.G., MORALES-CARRERA, A.M., VARAJÃO, A.F.D.C.

hidráulica da ALFRED JAMSLER & Co e aplicando uma pressão de 5 t, foram confeccionados


corpos de prova retangulares de dimensão aproximada de 7,0 cm x 2,0 cm x 1,5 cm.

Os corpos de prova obtidos foram secados a temperatura ambiente durante 24 horas e em seguida,
queimados a 900 e 1.100°C utilizando, respectivamente, quatro e cinco patamares de aquecimento.
Esses patamares e o tempo de aquecimento foram: 110 °C durante 6 horas, 450 °C durante 2 horas,
a 700 °C durante 2 horas e a 900 °C durante 3 horas. Outros corpos cerâmicos foram queimados
com os mesmos patamares, adicionando um último patamar a 1.100 °C durante 3 horas.

Os corpos cerâmicos (corpos de prova queimados) foram submetidos a três tipos de ensaios
tecnológicos:

 Retração Linear: medindo as dimensões dos corpos de prova (antes da queima) e dos corpos
cerâmicos (após a queima) para verificar as variações que ocorreram.

 Absorção de água: de acordo com a norma NBR 8947 (ABNT, 1985), as massas dos corpos
cerâmicos antes e após fervê-los em uma panela com água por duas horas, utilizando a mesma
balança ID200 da Marte.

 Resistência à compressão: de acordo com a norma NBR 6460 (ABNT,1984), os corpos de prova
foram submetidos a ensaios mecânicos de resistência à compressão, utilizando a mesma prensa
hidráulica da ALFRED JAMSLER & Co, aumentando lentamente a pressão até o rompimento do
corpo. Os ensaios foram realizados aplicando a pressão na maior dimensão dos corpos cerâmicos,
de aproximadamente 7 cm.

3. RESULTADOS

A umidade das amostras antes de serem misturadas (Tabela I) permitiu ter uma idéia inicial dos
volumes de água a adicionar na preparação das misturas. De uma maneira geral, a umidade das
matérias-primas prontas para a preparação das misturas é baixa, entretanto as argilas apresentam
umidade média de 1,3 % que é maior do que a umidade dos aditivos, 0,4 % para F e E, e 0,1 % para
o Q. Dessa maneira, em geral a umidade das misturas foi inferior a 1 %.

Tabela I. Valores da umidade das amostras prévias às misturas


Amostra Umidade (%)
Depósito Padre Domingos
ACM 1,7
DB 1,3
Depósito da Rodovia-356
R5 1,1
Depósito Morro do Caxambu
AM 1,1
FS 1,3
Aditivos
F 0,4
Q 0,1
E 0,4

A mineralogia das matérias-primas argila (ACM), filito, quartzito e esteatito e dos corpos cerâmicos
obtidos após queima a 1.100° C (A e B) é apresentada na Figura 2. Na amostra ACM pode-se
identificar caulinita (K), mica (M), feldspato (Fd), hematita (H) e quartzo (Qz). Essa mineralogia é,

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on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

em geral, similar em todas as amostras de argilas. Nos aditivos foram identificados, no filito (F)
mica e caulinita; no quartzito (Q), quartzo; e no esteatito (E) talco (Tc) e clorita (Cl). A mineralogia
das misturas aquecidas a 1.100° C (Figura 1B) mostrou a presença de quartzo, mulita (Mu) e rutilo
(Ru).

A formação de mulita a temperaturas menores aos 1.200 °C pode ser atribuída à presença de
minerais fundentes (CARNEIRO et al. 2003).

As cores apresentadas pelas amostras naturais, de acordo com MUNSELL (1975), são: branco para
ACM (5YR-8/1) e DB (5YR-8/1), vermelho amarelado (5YR-5/6) para FS, amarelo (10YR-8/6)
para R5 e vermelho para AM (2.5YR-4/6).

A composição química (Tabela II) das amostras compostas indica a relação SiO2/Al2O3 próxima de
1. A composição química das argilas cauliníticas reflete a coloração avermelhada apresentada pelas
amostras do depósito Morro do Caxambu, pois seu conteúdo em Fe2O3 varia em torno de 17,5 %,
enquanto que as amostras de cor branca possuem menores proporções de Fe2O3 com valores
próximos a 2 %.

A retração linear (Tabela III) é muito baixa, atingindo um máximo de 0,5 % no corpo cerâmico
fabricado com a mistura AM+5F+5Q e queimado a 1.100 ºC. Para os corpos cerâmicos queimados
a 900 ºC, na maior parte dos casos resultaram em valores negativos, que estariam relacionados com
expansão após queima.

A absorção de água (Tabela III) atingiu um máximo de 10,5 % no corpo cerâmico fabricado com a
mistura R5+50F e queimado a 900 ºC e de 9,18 % no corpo feito com a mistura R5+50F após
queima a 1.100 ºC.

A resistência à compressão foi muito alta (Tabela III), atingindo valores máximos para os corpos
queimados a 1100 ºC, como de 101,04 MPa para o corpo DB+10Q e 69,25 MPa para o corpo
DB+10F. Valores elevados também foram observados nos corpos queimados a 900 ºC, de 63,03
MPa para o corpo DB+10F+10E+30Q e 61,35 MPa para DB+10F.

4. CONCLUSÕES

O resultado do estudo mineralógico, físico, químico e comportamento mecânico das matérias-


primas e dos corpos cerâmicos obtidos com misturas das matérias-primas da região do Quadrilátero
Ferrífero, mostrou que:

 A cor dos corpos cerâmicos em relação às argilas naturais praticamente não mudou.

 Os argilominerais das amostras naturais são destruídos dando lugar, em geral, à formação de
mulita, que é uma espécie mineral comum nos produtos refratários cerâmicos e que lhe
conferem resistência mecânica.

 Os copos cerâmicos apresentam características interessantes para a indústria cerâmica,


principalmente na sua resistência à compressão, atingindo valores muito maiores do que o
mínimo requerido, que segundo a literatura é de 1 MPa.

253
PERALTA-SÁNCHEZ, M.G., MORALES-CARRERA, A.M., VARAJÃO, A.F.D.C.

Figura 2. Difratogramas representativos das matérias primas naturais (argila e aditivos) e dos dez corpos
cerâmicos obtidos após a queima a 1.100° C dos corpos feitos com as misturas dessas matérias primas em
diferentes proporções. ACM - Argila, F - filito, Q - quartzito, E - esteatito. Qz: quartzo, K: caulinita, M: mica, H:
hematita, Fd: feldspato, Go: goetita, Cl: clorita, Tc: talco, Mu: mulita, Ru: rutilo.

Tabela II. Composição química das matérias-primas naturais

SiO2 Al2O3 Fe2O3 K2O TiO2 MgO P2O5 MnO CaO Na2O PF

(%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%)
Amostra Depósito Padre Domingos
ACM 45,71 34,63 2,04 1,87 1,97 0,52 0,133 0,006 0,05 <0,001 12,56
DB 46,38 35,20 1,58 1,34 1,72 0,33 0,065 0,003 0,03 0,014 12,53
Depósito da rodovia BR-356
R5 43,14 34,69 5,37 0,54 2,02 0,04 0,083 0,017 0,05 0,013 13,27
Depósito Morro do Caxambu
FS 40,22 27,16 17,76 0,96 1,80 0,13 0,063 0,011 0,03 0,043 10,90
AM 37,5 29,70 17,08 0,86 2,22 0,26 0,088 0,116 0,04 <0,001 11,46
Aditivos
F 50,33 26,29 8,91 7,92 1,02 0,63 0,050 0,004 0,05 0,334 4,11
Q 86,70 4,30 3,70 0,16 1,02 0,07 0,070 0,001 0,06 0,030 3,81
E 45,58 4,53 7,11 0,01 0,10 27,35 0,020 0,130 2,61 0,040 10,94

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XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

Tabela III. Valores da retração linear, absorção de água e resistência à compressão dos corpos cerâmicos.
Retração Linear Absorção de água Resistência à compressão
Amostra (%) (%) (MPa)
1.100 ºC 900 ºC 1.100 ºC 900 ºC 1.100 ºC 900 ºC
Depósito Padre Domingos
ACM+10F 0,40 0,04 4,99 8,04 52,93 38,50
ACM+30F 0,23 -0,05 5,91 8,61 31,96 29,69
ACM+50F 0,13 -0,10 6,77 8,57 23,68 31,16
ACM+10Q 0,35 0,09 5,63 7,90 58,57 57,98
ACM+30Q 0,09 0,01 6,45 6,83 51,36 42,84
ACM+50Q 0,01 -0,01 6,19 6,23 38,96 27,76
ACM+5F+5Q 0,29 0,06 6,26 7,91 62,92 39,93
ACM+15F+15Q 0,19 -0,02 6,31 7,72 36,92 30,62
ACM+25F+25Q 0,06 -0,06 5,95 7,10 31,00 34,00
ACM+10F+10E+30Q 0,07 -0,04 5,99 6,39 31,30 39,38
DB+10F 0,25 0,03 5,56 7,77 69,25 61,35
DB+30F 0,18 -0,07 5,74 7,95 4,16 44,33
DB+50F 0,11 -0,11 5,85 8,17 50,33 33,29
DB+10Q 0,27 0,09 5,41 6,55 101,04 52,21
DB+30Q 0,10 0,02 5,76 6,21 39,73 32,63
DB+50Q 0,00 -0,02 5,35 5,47 66,68 30,84
DB+5F+5Q 0,24 0,04 5,68 7,19 77,48 51,83
DB+15F+15Q 0,13 -0,01 5,61 6,85 63,63 53,65
DB+25F+25Q 0,09 -0,07 5,35 6,35 61,37 46,88
DB+10F+10E+30Q 0,08 -0,02 5,02 5,83 61,22 63,03
Depósito da Rodovia-356
R5+10F 0,19 0,05 8,94 9,66 48,42 28,31
R5+30F 0,10 -0,06 8,93 10,28 35,56 24,68
R5+50F 0,03 -0,10 9,18 10,49 28,56 22,78
R5+10Q 0,21 0,53 8,64 9,30 54,77 31,49
R5+30Q 0,09 0,02 7,97 8,04 32,24 31,39
R5+50Q 0,00 -0,01 7,25 6,72 35,59 30,72
R5+5F+5Q 0,21 0,06 8,93 9,68 47,45 28,86
R5+15F+15Q 0,11 -0,02 8,51 8,85 42,39 25,35
R5+25F+25Q 0,03 -0,08 7,73 8,16 34,47 23,96
R5+10F+10E+30Q 0,04 -0,03 7,45 7,52 41,04 27,67
Depósito Morro do Caxambu
AM+10F 0,54 0,06 4,46 8,85 39,06 33,47
AM+30F 0,27 -0,02 6,60 8,89 9,90 23,75
AM+50F 0,14 -0,11 7,82 9,43 17,68 21,92
AM+10Q 0,39 0,05 4,81 7,62 45,70 46,74
AM+30Q 0,18 -0,07 6,35 8,02 22,87 16,41
AM+50Q 0,03 -0,02 6,13 6,60 12,52 33,35
AM+5F+5Q 0,51 0,06 4,39 8,30 43,52 33,69
AM+15F+15Q 0,26 -0,04 5,77 7,73 19,62 29,72
AM+25F+25Q 0,11 -0,09 6,40 8,05 18,76 25,26
AM+10F+10E+30Q 0,09 -0,03 5,58 6,52 22,86 39,44
FS+10F 0,33 0,03 6,56 9,21 47,85 36,74
FS+30F 0,15 -0,06 7,73 9,38 28,57 29,59
FS+50F 0,00 -0,09 8,87 9,62 22,61 27,60
FS+10Q 0,22 0,06 7,89 8,73 60,62 37,48
FS+30Q 0,08 0,01 7,48 7,50 59,62 33,69
FS+50Q 0,00 -0,02 6,99 6,84 44,45 32,51
FS+5F+5Q 0,58 0,07 5,33 8,91 50,10 35,82
FS+15F+15Q 0,28 -0,02 5,99 8,31 25,51 35,08
FS+25F+25Q 0,14 -0,07 5,86 7,37 16,34 36,65
FS+10F+10E+30Q 0,13 -0,03 6,19 7,09 17,29 39,08

255
PERALTA-SÁNCHEZ, M.G., MORALES-CARRERA, A.M., VARAJÃO, A.F.D.C.

5. AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem a contribuição financeira da FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do


Estado de Minas Gerais- PPM-00131-10) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico Projeto nº 5501712010-0) e, a colaboração técnica dos laboratórios de:
Materiais Cerâmicos, Difração de Raios-X e Fluorescência de Raios-X, do Departamento de
Geologia; BET e de Tratamento de Minérios do Departamento de Minas; e de Ensaios Mecânicos
do Departamento de Metalurgia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

6. REFERÊNCIAS

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alvenaria - Verificação da resistência à compressão - Método de ensaio”, Rio de Janeiro, RJ, 1984.

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SANTOS, M.C. Caracterização dos depósitos argilosos da porção centro-sul do Sinclinal Moeda,
Quadrilátero Ferrífero, MG: macromorfologia, micromorfologia, cristaloquímica, gênese e
considerações industriais. Departamento de Geologia-Escola de Minas-UFOP, Ouro Preto, Tese de
Doutorado, 199p., 2003.

SANTOS, M.D.C. Gênese dos corpos argilosos do Morro do Caxambu e da Mina do Vermelhão,
Sinclinal Dom Bosco, Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais. Departamento de Geologia-UFOP,
Ouro Preto, Dissertação de Mestrado, 176p., 1998.

SANTOS, M.D.C., VARAJÃO A.F.D., CASTRO, P.T.A. MOREIRA, A.P.A. Gênese dos
“depósitos argilosos” da Mina do Vermelhão e do Morro do Caxambu, Sinclinal Dom Bosco, M.G.
In: SBG/Núcleo Brasília, Simpósio de Geologia do Centro-Oeste e Simpósio de Geologia de Minas
Gerais, Resumos Expandidos, p 40., 1999.

256
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern
Hemisphere on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA DE NEFELINA SIENITOS DA


REGIÃO DE POÇOS DE CALDAS, MG, VISANDO APLICAÇÃO COMO
FUNDENTE NA INDÚSTRIA CERÂMICA

JERÔNIMO, G.C.C.1, GONÇALVES, C.C.2, DEL ROVERI, C.3, BERGERMAN, M.G.4,


NAVARRO, F.C.5
1
Universidade Federal de Alfenas. gabriel.ccjeronimo@gmail.com
2
Universidade Federal de Alfenas. carolinec.gon@gmail.com
3
Universidade Federal de Alfenas. carolina.roveri@unifal-mg.edu.br
4
Universidade Federal de Alfenas. mauricio.bergerman@unifal-mg.edu.br
5
Universidade Federal de Alfenas. fabiano.navarro@unifal-mg.edu.br

RESUMO

O potássio é um elemento fundente em massas cerâmicas, contribuindo com a formação de fases


líquidas viscosas, responsáveis pela microestrutura das peças. É encontrado em diversas matérias-
primas, dentre elas, nos feldspatos e feldspatóides. Na região de Poços de Caldas, MG, são
encontrados nefelina sienitos, que são rochas magmáticas ricas em potássio. Atualmente, uma
parcela destas rochas é utilizada na fabricação de fertilizantes de liberação lenta. Porém, há um
volume bastante grande de material na região sem destinação definida. O objetivo deste trabalho foi
estudar o comportamento fundente de duas amostras de nefelina sienito provenientes de Poços de
Caldas, MG, adicionados, em diferentes proporções, a uma argila não plástica, também da região.
Foi realizada a caracterização tecnológica das formulações, visando a avaliação do comportamento
fundente das mesmas, visando futuros testes na composição de massas de porcelanato. Os ensaios
foram realizados com base nas normas brasileiras que regem a caracterização de materiais
cerâmicos para revestimentos. Os resultados mostraram que há viabilidade de uso dos nefelina
sienitos como matérias-primas fundentes para a indústria cerâmica.

PALAVRAS-CHAVE: sienito; caracterização; fundente; cerâmica; potássio.

ABSTRACT

Potassium is an melt element in ceramic masses, contributing to the formation of viscous liquid
phases, responsible for the microstructure of parts. It is found in various raw materials, among
them, the feldspars and feldspathoids. In the region of Poços de Caldas, MG, nepheline syenite are
found, which are magmatic rocks rich in potassium. Currently, a portion of these rocks is used in
the manufacture of fertilizers. However, there is a large volume of material in the region with no
destination set. The objective of this work was to study the melting behavior of two samples of
nepheline syenite from Poços de Caldas, MG, added in different proportions, not a plastic clay, also
in the region. The technological characterization of the formulations in order to evaluate the
behavior of the same flux was made, aiming future tests in the composition of bodies of porcelain.
The tests were conducted based on Brazilian standards governing the characterization of ceramic
materials for coatings. The results showed that there feasibility of use of nepheline syenite as
starting materials for the ceramics industry fluxes.

KEYWORDS: syenite; characterization; melting; ceramics; potassium.

257
JERÔNIMO, G.C.C., GONÇALVES, C.C., DEL ROVERI, C., BERGERMAN, M.G., NAVARRO, F.C

1. INTRODUÇÃO

O Maciço Alcalino de Poços de Caldas (MAPC) localiza-se na divisa dos estados de Minas Gerais e
São Paulo, região pertencente ao limite nordeste da Bacia Sedimentar do Paraná (MORAES, 2005).
A cidade, que dá o nome ao complexo, dista aproximadamente 450 km da capital mineira, Belo
Horizonte e 250 km da capital paulista, São Paulo. As principais vias de acesso ao local são as BR-
459 e BR-381. O maciço, que possui cerca de 800 km², é composto, predominantemente, por rochas
magmáticas de uma chaminé alcalina que datam do Cretáceo Superior. O complexo é constituído
por uma associação sienítica sub-saturada, onde há um predomínio de rochas alcalinas, como rochas
plutônicas, hipoabissais e efusivas complexas com diferentes variações (ALBERTI, 2008;
MORAES, 2005). Admite-se ainda, que a caldeira do maciço possui rochas encaixantes como
granitos e granitoides proterozóicos (ALBERTI, 2008).A litologia, mais detalhadamente, é
constituída de foiaitos (plutônicas), tinguaítos (sub-vulcânicas), com presença de fonólitos,
leucititos, lavas ankaratríticas, tufos, aglomerados e brechas vulcânicas, distribuídos ao longo do
planalto. Como os fonólitos, tinguaítos e foiaitos possuem praticamente a mesma composição
química, pode-se dizer que suas composições mineralógicas predominantes são formadas por
anortoclásio, nefelina, aegirita e sanidina, e como acessórios destacam-se a magnetita, fluorita,
zircão, titanita, entre outros. Um produto do metassomatismo ocorrido na região é conhecido como
Rochas Potássicas, que nada mais é que um foiaito rico em potássio; assim, o foiaito inalterado
contém cerca de 7 a 8% de K2O, enquanto que a rocha potássica possui entre 10 e 14% de K2O. Há
também as nefelinas sienitos, que também são denominadas de foiaitos. Essas rochas de origem
plutônica possuem textura variando de média a grossa, coloração cinza quando inalterada e rósea
quando alterada. As rochas potássicas, que estão associadas a processos de metassomatismo e
alterações hidrotermais, são rochas de textura fina que apresentam alto teor de potássio e possuem
coloração que varia entre cinza claro e cinza escuro (UNESP, 2008). O MAPC apresenta uma
variedade dessas rochas potássicas tais como nefelinas sienitos e fonólitos. De acordo com Faquin
et al. (1986), essas rochas potássicas são alcalinas, insaturadas em sílica e denominadas por
feldspatos potássicos, nefelina e igirina. Guardani (1981 apud Nascimento, et al., 2008) destaca que
o planalto apresenta uma reserva total de aproximadamente 3,2 bilhões de toneladas das referidas
rochas, correspondendo um montante de aproximadamente 350 Mt de K2O.

As rochas potássicas têm sido estudadas, como nos diz Brasil (2009), como matéria-prima para a
técnica denominada rochagem. Porém, há um volume bastante grande de material na região sem
destinação definida. O objetivo deste trabalho foi estudar o comportamento fundente de duas
amostras de nefelina sienito provenientes de Poços de Caldas, MG, adicionados, em diferentes
proporções, a uma argila não plástica, também da região. Foi realizada a caracterização tecnológica
das formulações, visando a avaliação do comportamento fundente das mesmas, visando futuros
testes na composição de massas de porcelanato.

2. METODOLOGIA

2.1. Coleta das amostras em campo e preparação

Foram coletadas seis amostras das referidas rochas potássicas em diferentes regiões. Dentre as
amostras, duas foram escolhidas para a realização dos ensaios tecnológicos, denominadas de AM1 e
AM3. As amostras foram britadas, homogeneizadas e quarteadas (em quarteador Jones) e suas
frações de 10 kg acondicionadas individualmente, a fim de se obter representatividade em todas as
etapas da pesquisa.

258
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

2.2. Ensaios cerâmicos

Com o intuito de verificar a viabilidade da utilização das amostras estudadas como fundente na
fabricação de pisos e revestimentos cerâmicos foram realizados ensaios tecnológicos em duas delas,
quais sejam as que contêm maior (AM1) e menor teor de potássio (AM3). Os ensaios cerâmicos
consistiam na produção de corpos de prova constituídos de uma argila não plástica, de
comportamento conhecido, denominada S-45 e por cada uma das amostras em questão. Tanto a
argila quanto a rocha potássica foram moídas até se tornarem cem por cento passantes em peneira
ABNT #80. Foram produzidos 20 corpos de prova com três diferentes proporções das amostras
fundentes (5%, 10% e 15%) em potencial (rocha potássica). A porcentagem de umidade para
conformação dos corpos de prova foi de 10% nas três composições. As amostras foram prensadas
em prensa manual marca luxor e suas dimensões, bem como suas massas foram tomadas a verde
com paquímetro. Depois foram levadas à estufa por 24 h para que os mesmos dados pudessem ser
tomados a seco. O passo seguinte foi a queima de corpos de prova de cada composição. Foram
realizadas 2 queimas conduzidas da seguinte maneira: cinco corpos de prova (numerados de 1 a 5) a
uma temperatura de queima de 1050°C com patamar de 2h e taxa de aquecimento de 3°C/min e na
segunda queima, a 1100°C, outros cinco corpos de prova (numerados de 6 a 10). As amostras foram
resfriadas naturalmente dentro da própria mufla e depois de retiradas, foram medidas suas novas
dimensões e massas pós queima.

Foi determinada a absorção de água dos corpos, para tanto, os que haviam sido queimados foram
submersos em água por 24h e suas massas úmidas foram aferidas depois desse período. A massa
imersa dos mesmos corpos de prova também foi determinada, para a quantificação da porosidade.
Foi seguida a norma ABNT NBR 13818/1997.

Foram realizados ensaios de determinação da resistência mecânica a flexão em corpos de prova


secos e queimados nas duas temperaturas. Os ensaios foram realizados utilizando equipamento de
flexão em três pontos Nannetti CC96/2006, pertencente ao Departamento de Petrologia e
Metalogenia da UNESP de Rio Claro.

Além disso, foram realizados ensaios de fusibilidade segundo procedimento padrão interno da
empresa Endeka Ceramics, onde as amostras AM1 e AM3 de rocha potássica sofreram fusão,
gerando botões de vidro, para fomentar a verificação de viabilidade de uso na fabricação de
esmaltes cerâmicos e vidros.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Ensaios Cerâmicos - Amostra AM1

Nas figuras seguintes são apresentados os resultados referentes à caracterização tecnológica da


amostra AM1. Na figura 1A se pode observar os dados referentes à densidade geométrica desde à
verde até a queima de temperatura mais alta. Verifica-se tendência a aumentar a densidade nas
maiores temperaturas, pela formação de fases líquidas na queima, que promove a sinterização das
peças. À medida que a geração de fases líquidas por capilaridade aproxima os grãos na sinterização,
há a diminuição nas dimensões das peças, que pode ser observada na figura 1B.

259
JERÔNIMO, G.C.C., GONÇALVES, C.C., DEL ROVERI, C., BERGERMAN, M.G., NAVARRO, F.C

A B
Figura 1. (A) Densidade Geométrica dos Corpos de Prova confeccionados com a amostra AM1. (B) Retração
Linear de Secagem e de Queima, dos Corpos de Prova confeccionados com a amostra AM1.

Na figura 2 pode se verificar a evolução da absorção de água e da porosidade aparente para os


corpos de prova confeccionados com a amostra AM1. Verifica-se que a absorção de água decresce
com o aumento do percentual de amostra fundente na composição. O mesmo ocorre com a
porosidade aparente.

A B
Figura 2. (A) Absorção de Água dos Corpos de Prova confeccionados com a amostra AM1. (B) Porosidade
Aparente dos Corpos de Prova confeccionados com a amostra AM1.

O aumento no teor de amostra fundente promove o aumento da resistência mecânica (Figura 3),
pela diminuição da porosidade aparente. Nas temperaturas de queima de 1100C, a resistência
mecânica apresentada, em relação ao padrão, é muito mais elevada.

260
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
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Figura 3. Resistência Mecânica dos Corpos de Prova confeccionados


com a amostra AM1

3.2. Ensaios Cerâmicos - Amostra AM3

Nas figuras seguintes são apresentados os resultados referentes à caracterização tecnológica da


amostra AM3. Na figura 4 pode-se observar a mesma tendência apresentada pela caracterização da
amostra AM1.

A B
Figura 4. (A) Densidade Geométrica dos Corpos de Prova confeccionados com a amostra AM3. (B) Retração
Linear de Secagem e de Queima, dos Corpos de Prova confeccionados com a amostra AM3.

Na figura 5 se pode observar os resultados referentes à Absorção de Água e Porosidade Aparente


dos corpos de prova constituídos pela amostra AM3. Verifica-se que inicialmente, ambas as
propriedades apresentam valores mais elevados em relação ao padrão. Porém, com o aumento de
temperatura, houve um decréscimo significativo em ambas as propriedades.

261
JERÔNIMO, G.C.C., GONÇALVES, C.C., DEL ROVERI, C., BERGERMAN, M.G., NAVARRO, F.C

A B
Figura 5. (A) Absorção de Água dos Corpos de Prova confeccionados com a amostra AM3. (B) Porosidade
Aparente dos Corpos de Prova confeccionados com a amostra AM3.

Na figura 6 observa-se que a resistência mecânica sofreu incremento em relação ao padrão, para
todas as situações de ensaio.

Figura 6. Resistência Mecânica dos Corpos de Prova confeccionados com a amostra AM3.

Na figura 7 se pode observar o teste comparativo de fusibilidade para uso em vidros e esmaltes. As
amostras AM1 e AM3 foram comparadas ao padrão e a uma amostra de sienito da região. Pode-se
observar que a coloração é bastante escura, principalmente comparada ao padrão, mostrando que o
possível uso para as aplicações citadas está condicionado à tratamentos físicos e químicos para
retirada de óxido de ferro das amostras (que atua como colorante).

262
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

Figura 7. Teste de Fusibilidade para vidros e esmaltes das amostras.

4. CONCLUSÕES

Com base nos ensaios preliminares de cerâmica realizados, se pode verificar que há potencial para
uso das amostras na fabricação de pisos e revestimentos cerâmicos, pois as amostras incrementaram
o poder de sinterização da amostra padrão, melhorando os resultados das propriedades gerais. Para
uso na fabricação de vidros e esmaltes há a necessidade de retirada do óxido de ferro, por métodos
físicos ou químicos, com a finalidade de tornar a coloração das amostras mais próximas do branco.
Os ensaios de fusão mostraram que o material pode ser utilizado na fabricação de vidro, em especial
âmbar, e que, mostra potencial para uso em massas de porcelanato, como matéria-prima nobre, de
natureza fundente. Cabe ressaltar que a limpidez do fundido, em relação aos restos de feldspatos,
sugere que a fusão total resultará em material de tonalidade bem mais clara e com ou sem
pontuações escuras muito menores, porém vidro incolor ou praticamente incolor aparenta não ser
possível de ser obtido sem beneficiamento, e teria que envolver lixiviação, separação magnética,
gravitacional e/ou flotação.

5. AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à Fapemig e à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da UNIFAL-MG,


pelo apoio concedido.

6. REFERÊNCIAS

ALBERTI, H. L. C. Caracterização fisiográfica e avaliação hidrológica na bacia do Ribeirão das


Antas, Planalto de Poços de Caldas, MG. 2008. 114 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Geologia
e Recursos Naturais, Departamento de Instituto de Geociências, Universidade Estadual de
Campinas, Campinas, 2008. Cap. 1. Disponível em:

263
JERÔNIMO, G.C.C., GONÇALVES, C.C., DEL ROVERI, C., BERGERMAN, M.G., NAVARRO, F.C

<http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000446684&fd=y>. Acesso em: 08


mar. 2012.

FAQUIN, V.; KINJO, T.; MALAVOLTA, T. Efeito do tratamento térmico e da adição de calcário
dolomítico na cinética de liberação de potássio do sienito nefelinico de Poços de Caldas.
Universidade de São Paulo, USP. Piracicaba, SP, 1986.

GÜLSOY, Ö. Y.; CAN, N. M.; BAYRAKTAR, I. Production of potassium feldspar concentrate


from a low-grade pegmatite ore in Turkey. Mineral Processing and Extractive Metallurgy. v.114.
2005.

MORAES, F. T.; JIMÉNEZ-RUEDA, J. R. Importância de estudos fisiográficos no planejamento


municipal: exemplo do Jardim Botânico de Poços de Caldas, MG. Revista Brasileira de
Geociências, São Paulo, v. 24, n. 3, p.255-266, 2005. Mensal. UNESP.

UNESP. Estudo de caracterização geológico-geotécnica aplicado ao planejamento rural e urbano do


município de Poços de Caldas, MG. Rio Claro, 2008.

264
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA DE UM CONCENTRADO DE


FLOTAÇÃO DE SUFETO DE COBRE

MAGALHÃES, D.G.1, SILVA, J.P.2, VELOSO, T.C.3


1
Universidade Federal de Ouro Preto. douglasgmagalhaes@gmail.com
2
Universidade Federal de Ouro Preto. josepedro.josepedro@yahoo.com.br
3
Universidade Federal de Ouro Preto. taciaveloso@yahoo.com.br

RESUMO

O estudo em questão visou caracterizar tecnologicamente uma amostra de concentrado


calcopirítico. Através de técnicas de caracterização tecnológica obteve-se a distribuição
granulométrica, com P80 de 0,053 mm e D50 de 0,028 mm, a mineralogia, identificando calcopirita,
magnetita, muscovita e caulinita, 27,91% de Cu total, superfície específica de 1.387 m²/g e 5.99·10 -
4
cm³/g de volume de poros. Os parâmetros encontrados forneceram informações que orientará o
estudo de rotas de alternativas para extração de cobre metálico. O desenvolvimento de tais rotas
fundamenta-se no fato de que os processos pirometalúrgicos são restritos a concentrados com alto
teor metálico e baixo conteúdo de impurezas, que estão se tornando cada vez mais escassos.

PALAVRAS-CHAVE: caracterização; concentrado calcopirítico; processos metalúrgicos.

ABSTRACT

The aforementioned study has aimed to technologically characterize a chalcopyrite concentrated


sample. Through technological characterization techniques a particle sizing distribution, with P80 of
0,053 mm and D50 of 0,028 mm, mineralogy, identifying chalcopyrite, magnetite, muscovite and
kaolinite, 27.91% Cu total, surface area of 1,387 m² and 5.99·10-4 cm³/g of pore volume. The
parameters found provided information that will guide the study of alternative routes for the
extraction of copper metal. The development of such routes is based on the fact that the
pyrometallurgical processes are restricted to concentrated with high metal content and , which are
becoming increasingly scarce.

KEYWORDS: characterization; chalcopyrite concentrate; metallurgical process.

265
MAGALHÃES, D.G., SILVA, J.P., VELOSO, T.C.

1. INTRODUÇÃO

A calcopirita compõe cerca de 70% dos depósitos de cobre conhecidos e por isso é a mais
importante fonte do elemento para a produção do metal. Em termos de metalurgia extrativa, em
torno de 80% da produção de cobre ocorre via pirometalurgia, utilizando majoritariamente
concentrados calcopirítico (VIERA, 2007). Desde o século XIX, esta rota domina a produção de
cobre, mas requer normalmente concentrados de alto teor e com baixo conteúdo de impurezas
deletérias, como por exemplo, flúor, cloro, comuns aos minérios de cobre brasileiros (DOPSON et
al., 2008). Extensivas pesquisas no campo da hidrometalurgia têm sido conduzidas com o objetivo
de desenvolver um processo eficiente para extrair cobre a partir de minérios ou concentrados
calcopiríticos (DU et al., 2007), porém sem grande sucesso até o momento.

Do ponto de vista metalúrgico, existem numerosas opções de processamento que podem ser
consideradas quando se avalia um projeto de extração de cobre em particular, sendo que as quatro
principais são: Fusão a mate (smelting), lixiviação in situ, lixiviação em tanques e lixiviação em
pilhas. Destas opções, apenas a fusão a mate corresponde a uma rota pirometalúrgica, sendo as
outras três rotas hidrometalúrgicas. Segundo Helle et al. (2010) a escolha da tecnologia de
processamento depende de uma série complexa de parâmetros relacionados tanto com a viabilidade
do projeto quanto às características do minério em questão. Dentre os parâmetros citados, os três
últimos são determinados através da caracterização tecnológica de minérios/concentrados.

A caracterização tecnológica de uma amostra, de modo geral, não se limita somente à identificação
dos constituintes da amostra, mas apresenta também avaliações quantitativas ou semiquantitativa
destes constituintes. Além disso, fornece informações a respeito de parâmetros físicos, tais como
densidade, porosidade e distribuição granulométrica do material. A partir do conhecimento destas
características consegue-se prever, com certa segurança, tanto o comportamento da amostra, bem
como os problemas e dificuldades que poderão ocorrer no desenvolvimento de estudos de
beneficiamento (PORPHÍRIO et al., 2010) e estudos que envolvem a extração dos metais a partir
dos seus minérios/concentrados, como a extração de cobre a partir de um concentrado calcopirítico.

Dentro do contexto apresentado, ressaltando a importância da caracterização tecnológica na escolha


adequada da rota de processamento para extração de cobre utilizando-se um concentrado
calcopirítico, buscou-se, neste trabalho, caracterizar um concentrado calcopirítico cedido pelo
laboratório de Bio&Hidrometalurgia da Universidade Federal de Ouro Preto.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

Todos os ensaios, propostos para o estudo, foram realizados nos laboratórios dos Departamentos de
Engenharia de Minas e Engenharia Metalúrgica da Universidade Federal de Ouro Preto.

2.1. Preparação da amostra

O material caracterizado neste trabalho é um concentrado calcopirítico, proveniente do processo de


flotação. O estudo partiu de uma amostra primária de aproximadamente 11 kg que foi
homogeneizada utilizando a técnica de homogeneização em lona e quarteada em quarteador tipo
Jones. Foram obtidas 11 alíquotas de aproximadamente 1 kg cada uma.

De posse de uma destas alíquotas partiu-se então para sucessivas etapas de homogeneização e
quarteamento até a retirada das alíquotas necessárias para a execução dos ensaios de caracterização
tecnológica propostos.

266
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

As amostras destinadas à análise química e à difração de raios-X foram pulverizadas em moinho de


panela, homogeneizadas e quarteadas. As etapas de caracterização são mostradas na figura 1.

AMOSTRA PRIMÁRIA
11 Kg

HOMOGENEIZAÇÃO ARQUIVO
E QUARTEAMENTO

ALÍQUOTA – 1Kg

HOMOGENEIZAÇÃO
E QUARTEAMENTO

ÁREA
ANÁLISE PESO
PULVERIZAÇÃO SUPERFICIAL ARQUIVO
GRANULOMÉTRICA ESPECÍFICO
EPOROSIDADE

HOMOGENEIZAÇÃO
E QUARTEAMENTO

ANÁLISE DIFRAÇÃO
ARQUIVO
QUÍMICA DE RAIOS-X

Figura 1. Fluxograma de caracterização.

2.2. Análise granulométrica

A distribuição granulométrica foi analisada utilizando as técnicas de peneiramento e difração a


laser, de forma combinada. Todo procedimento descrito foi realizado em triplicata.

O peneiramento foi realizado, seguindo a série Tyler, na faixa de tamanho compreendida entre
9.525 µm e 37 µm. Na faixa entre 9.525 µm e 1.000 µm foi realizado peneiramento a seco. As
frações retidas foram identificadas e pesadas, o material passante em 1.000 µm foi homogeneizado
e quarteado até a obtenção de uma alíquota com o peso adequado para o peneiramento na série
compreendida entre 1.000 µm e 37 µm. Esta alíquota foi lavada na malha de 37 µm, sendo o retido
identificado, pesado elevado à estufa e o passante filtrado em filtro de pressão. Após secagem o
material foi peneirado a seco nas faixas entre 1.000 µm e 37 µm, sendo que a fração retida em cada
malha foi identificada, pesada. O passante em 37 µm foi integrado ao passante da etapa de lavagem.

A massa máxima que pode ficar retida em cada malha ao final do peneiramento foi calculada de
acordo com Gaudin. Sendo assim, as peneiras devem reter uma massa menor do que aquela
estimada pela equação 01:

𝑑𝑖 + 𝑑𝑠
𝑀𝑚á𝑥 = ( ) ρ. A. n (01)
2
Onde:
Mmáx: Massa máxima retida em cada peneira (g);

267
MAGALHÃES, D.G., SILVA, J.P., VELOSO, T.C.

di: Abertura da peneira em estudo (cm);


ds: Abertura da peneira imediatamente acima da escala (cm);
ρ: Densidade da amostra a ser ensaiada (g/cm3);
A: Área da malha da peneira (cm2);
n: Camadas de partículas.

O material passante na malha de 37µm foi novamente homogeneizado, quarteado e enviado para
análise no granulômetro a laser CILAS – 1064.

2.3. Análise mineralógica

Os minerais constituintes da amostra global foram identificados por difração de raios-X, utilizando
a técnica do método do pó total.

2.4. Análise química

As análises dos elementos químicos presentes na amostra e seus respectivos teores foram realizadas
por espectrometria de emissão atômica com fonte plasma de acoplamento indutivo – Inductively
Coupled Plasma – ICP (equipamento VARIAM 725-ES). Todo procedimento descrito foi realizado
em triplicata.

2.5. Área superficial específica e porosidade

A área superficial específica e a porosidade da amostra em estudo foram determinadas pelo


aparelho NOVA 1200, marca Quantachrome. O peso específico da amostra, previamente
determinado pelo método do picnômetro a gás hélio, foi inserido para a realização do teste.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A partir dos ensaios realizados foram obtidos os resultados apresentados e discutidos a seguir.

3.1. Análise granulométrica

3.1.1 Massa máxima

A massa máxima para cada malha utilizada foi calculada com base na equação (01) de Gaudin. O
valor obtido foi comparado com a respectiva massa retida em cada malha no ensaio de
peneiramento. Conclui-se que o peneiramento foi eficiente, pois não foi observada em nenhuma
malha que o valor da massa retida fosse maior do que a massa máxima calculada.

3.1.2 Distribuição granulométrica

A figura 2 apresenta a distribuição granulométrica obtida a partir da análise combinada utilizando as


técnicas de peneiramento e de difração a laser. A amostra em análise, se tratando de um
concentrado de flotação, revelou um P80 de 0,053 mm.

268
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

Distribuição Granulométrica
100
90
80
70
( % ) Passante

60
50
40
30
20
10
0
1 10 100 1.000 10.000
abertura ( micrômetros )

Figura 2. Curva de análise granulométrica.

3.2. Análise mineralógica

A análise por difratometria de raios-X da amostra em estudo revelou, além da presença do mineral-
minério, neste caso a calcopirita (CuFeS2), a presença dos minerais: magnetita, muscovita e
caulinita como pode ser visto no difratograma de raios-X mostrado na figura 3.

A muscovita é um silicato hidratado de potássio do grupo das micas e a caulinita é uma silicato de
alumínio hidratado cuja fórmula química pode ser expressa por Al2Si2O5(OH)4. Os silicatos e a
magnetita são componentes da ganga mineral do sulfeto de cobre. A presença destes contaminantes
no concentrado deve-se às restrições de seletividade dos processos de flotação.

Figura 3. Difratograma de raios-x da amostra global do concentrado calcopirítico.

269
MAGALHÃES, D.G., SILVA, J.P., VELOSO, T.C.

3.3. Análise química

A tabela abaixo mostra o teor dos principais elementos contidos na amostra e confirmam os
resultados obtidos por difratometria de raios-X. O cobre, o ferro e o enxofre são os elementos
constituintes da calcopirita, sendo que o ferro também constitui a magnetita, já o alumínio e o
magnésio são elementos estruturais dos silicatos.

Tabela I. Distribuição dos elementos químicos e teores do concentrado calcopirítico.


Elemento Teor (%) Desvio

Cu 27.91 0.45

Fe 26.32 1.40

S 29.49 0.99

Al 0.51 0.04

Mg 0.67 0.08

3.4. Área superficial específica e porosidade

O teste de BET, realizado para avaliar os parâmetros de porosidade e superfície específica da


amostra, gerou os seguintes resultados:

Tabela II. Resultados dos parâmetros avaliados pelo ensaio de adsorção de nitrogênio – método B.E.T
Parâmetro Medido Concentrado Calcopirítico

Área de Microporos 1.686 m²/g


Superfície Específica 1.387 m²/g

Volume Total de Poros 5.99·10-4 cm³/g

Peso Específico 3,85g/cm³

Os resultados obtidos poderão dar suporte a futuros estudos de cinética de lixiviação do cobre. Pois,
a variação dos parâmetros obtidos pelo ensaio de BET esta diretamente relacionada com a
velocidade na qual o cobre é extraído. Por exemplo, se após uma reação a superfície apresentar
maior volume de poros, provavelmente a cinética na mesma foi favorecida, já que a presença destes
favorece a difusão dos reagentes na superfície da calcopirita.

4. CONCLUSÕES

O minério em estudo é um concentrado calcopirítico e sua utilização é servir de matéria prima dos
processos pirometalúrgicos ou hidrometalúrgicos para a produção de cobre metálico.

A distribuição granulométrica indicou um P80 de 0,053 mm e um D50 de 0,028 mm, já que se trata
de um concentrado de flotação. Esta granulometria relativamente fina pode ser favorável ao

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processo de extração de cobre por lixiviação, pois quanto menores as partículas maior a área
superficial, ou seja, maior a superfície de contato.

Através da caracterização mineralógica do concentrado em estudo, verificou-se que o mesmo é


composto basicamente por calcopirita, magnetita, muscovita e caulinita.

A amostra apresenta 27,91% de Cu total. De modo geral o teor de cobre obtido através do processo
de flotação está entre 25% e 30% portanto, o teor observado na amostra em estudo encontra-se
dentro da faixa esperada.

A caracterização tecnológica forneceu informações que orientarão o estudo de rotas de alternativas


para extração de cobre metálico. O desenvolvimento de tais rotas fundamenta-se no fato de que os
processos pirometalúrgicos são restritos a concentrados com alto teor metálico e baixo conteúdo de
impurezas, que estão escassos

5. REFERÊNCIAS

DOPSON, M., HALIEN, A., RAHUNEN,N., BOSTRÖM, D. Silicate Mineral Dissolution During
Heap Bioleaching. Biotechnology and Bioengineering, p. 811-820, 2008.

DU, C.A., BATTY, J.D., DEW, D.W. Commercial Aplications of Thermophile Bioleaching, in:
Bioming, RAWLING E JOHNSON (editors), Berlin, p. 57-78,2007.

HELLE, S., JEREZ, O., KELM, U., PINCHEIRA, M., VARELA, B. The influence of rock
characteristics on acid leach extraction and re-extraction of Cu-oxide and sulfide minerals.
MineralsEngineering, p. 45-50, 2010.

PORPHÍRIO, N.H., BARBOSA, M.I.M., BERTOLINO, C.L. Caracterização Mineralógica de


Minérios, in: Tratamento de Minérios, LUZ, SAMPAIO E FRANÇA (editores), CETEM, Rio de
Janeiro, p. 57-81,2010.

VIERA, M. Recovery of zinc, nickel, cobalt and other metals by bioleaching, in: Microbial
Processing of Metal Sulfides, DONATI E SAND (editors), Dordrecht. p. 103-129,2007.

271
XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA DE UMA AMOSTRA DE MINÉRIO


DE FERRO

DUARTE, R.S.1, MILHOMEM, F.O.2, ANDRADE, L.R.3, LIMA, R.M.F.4


1
Universidade Federal de Ouro Preto. renaduarte@gmail.com
2
Universidade Federal de Ouro Preto. felipe.milhomen@hotmail.com
3
Universidade Federal de Ouro Preto. laisrandrade@gmail.com
4
Universidade Federal de Ouro Preto. rosa@demin.ufop.br

RESUMO

No presente trabalho são apresentados os resultados de caracterização física, química e


mineralógica de um minério de ferro denominado HBA, oriundo do Quadrilátero Ferrífero - MG.
As análises granulométricas foram efetuadas por peneiramento a úmido. Para determinação de
densidade foi utilizado o picnômetro a hélio ultrapycnoter 1000 e para determinação de área
superficial e porosidade foi utilizado o BET Nova 1200e, ambos do Laboratório de Propriedades
Interfaciais do Departamento de Engenharia de Minas – DEMIN/UFOP. A densidade do minério, a
área superficial e o volume dos poros foram de 4,66 g/cm3; 45,11 m2/g e 0,02 cm3/g,
respectivamente. Por meio de difratometria de raios X foram identificados os minerais hematita,
goethita, quartzo, magnetita e caulinita. As análises químicas revelaram um alto teor de Fe (63,4%).
No entanto, a perda por calcinação - PPC (4,99%) e o teor de P (0,15%) estavam acima dos valores
máximos admissíveis nos produtos de minério de ferro. Através de cálculo estequiométrico
determinou-se a proporção dos minerais constituintes da amostra: 46,6% de goethita, 45,8% de
hematita, 2,5% de magnetita, 1,8% de caolinita e 3,04% de quartzo e outros.

PALAVRAS-CHAVE: minério de ferro; área superficial; hematita; goethita.

ABSTRACT

In this paper are presented the results of physical, chemical and mineralogical characterizations
carried out on a Brazilian iron ore denominated HBA from Quadrilátero Ferrífero – MG. The size
distributions were carried out by wet sieving. The density was determined by helium pycnometer
(Ultrapycnometer 1000) and the surface area by BET Nova 1200e of the Laboratorio de
Propriedades Interfaciais of DEMIN/UFOP. The ore density, surface area and porous volume were
of 4.66 g/cm3; 45.11 m2/g e 0.04 cm3/g, respectively. The minerals identified by X-ray
diffractometry were hematite, goethite, quartz, magnetite and kaolinite. The chemical analysis
showed a high Fe content (63.4%) but, the loss on ignition – LI (4.99%) and the P content (0.15%)
were above the maximum values accepted in iron ore products. Stoichiometric calculations yielded
the following proportions of minerals in the ore: 46.7% of goethite, 45.8% of hematite, 2.5% of
magnetite, 1.8% of kaolinite and 3.04 of quartz and others minerals.

KEYWORDS: iron ore; surface area; hematite; gothite.

273
DUARTE, R.S., MILHOMEM, F.O., ANDRADE, L.R., LIMA, R.M.F.

1. INTRODUÇÃO

O Brasil possui a segunda reserva mundial de minério de ferro (17,4%). Em 2011, o país foi
responsável por 14,2% da produção mundial de minério de ferro beneficiado. Do período de 2005 a
2011, 16,6% do total das exportações brasileiras foram desta importante matéria prima para a
indústria siderúrgica (DNPM, 2011).

Os produtos de minério de ferro são classificados em função da granulometria como granulado


(fração granulométrica acima de 6,3mm) e finos (sinter feed – fração granulométrica entre 6,3 e
0,15mm e pellet feed – fração granulométrica abaixo de 0,15mm) (Jesus, 2010). Na Tabela I estão
apresentadas as principais especificações granulométricas e químicas dos principais produtos de
minérios de ferro.

Tabela I. Principais produtos de minérios de ferro.


Produtos Tamanho % Fe %P Umidade (%)
(mm)
"Lump" 12,5 - 152,4 68 - 69 0,045 1
Comum 15%  12,5
"Lump" 12,5 - 152,4 68 - 69 0,045 4-7
10%  12,5
"Pebble" 10 -75 66 - 68 0,050 2-4
20%  10
"Natural 5 - 25 66 - 68 0,060 2-4
Pellet Ore" 10% 5
"Standart  6,35 64,5 0,070 4-6
Sinter Feed" máx. 10%  6,35
máx. 42%  0,15
"Pellet  0,15 67,5 0,018 8
Feed Fines" min. 80 - 90%  0,044
"Standart sinter feed" - SiO2 - 4,0 a 6,0%
"Pellet feed fines" - SiO2 < 2,0%
Fonte: Lima, 1997.

Pela Tabela I, observa-se que os teores de Fe dos produtos comercializados são todos acima de
64,5%. Por essa razão, os minérios brasileiros produzidos no estado de Minas Gerais e Mato Grosso
do Sul, na maioria das vezes, necessitam ser concentrados para alcançarem os valores das
especificações comerciais para a indústria siderúrgica.

Segundo Araújo et al. (2003) a escolha da técnica de concentração (concentração gravítica,


separação magnética de baixa e alta intensidade, flotação) para as frações granulométricas finas de
minérios brasileiros, sinter feed e pellet feed, é efetuada levando-se em consideração a proporção
dos minerais-minérios de ferro e dos minerais de ganga presentes nos mesmos. Para sinter feed,
empregam-se concentração magnética, concentração gravítica (meio denso, espirais e jigagem). A
concentração magnética de alta intensidade não é recomendada para minérios em que a magnetita e
o quartzo são os minerais predominantes. A flotação inversa catiônica de pellet feed é fortemente
recomendada para minérios, cujo mineral-minério predominante é a hematita e cuja ganga é
constituída principalmente pelo quartzo com baixa proporção de minerais de alumínio. A mesma é

recomendada também para minérios, cujos minerais portadores de ferro predominantes são a
magnetita e goethita associadas ao quartzo com baixas proporções de alumino-silicatos.

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Pelo exposto anteriormente, fica evidente a importância da caracterização tecnológica de minérios


para a escolha da rota de beneficiamento, visando maximizar a recuperação dos mesmos e a
viabilização da utilização de minérios, que no passado eram considerados marginais. Logo, este
trabalho teve por objetivo efetuar a caracterização tecnológica preliminar de uma amostra de
minério de ferro, denominada de HBA, proveniente do Quadrilátero Ferrífero-MG.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

O minério de ferro, utilizado neste trabalho foi coletado na frente de lavra de uma mina de minério
de ferro do Quadrilátero Ferrífero-MG. Como pode ser observado pela Figura 1, o mesmo era
constituído de fragmentos compactos, recobertos com material ocre.

Figura 1. Foto evidenciando a direita o local de retirada da amostra de minério de ferro e a esquerda a
fragmentos “compactos” recobertos com um material de cor ocre.

Para os ensaios de caracterização tecnológica preliminares (Figura 2), o minério HBA, coletado na
frente de lavra foi previamente fragmentado em granulometria abaixo de 1,27 cm e uma amostra de
cerca de 15 kg do mesmo foi enviada para o Laboratório de Tratamento de Minérios do
DEMIN/UFOP.

Figura 2. Fluxograma dos ensaios de caracterização tecnológica do minério HBA.

Após a homogeneização e quarteamento da amostra recebida no laboratório, retirou-se uma alíquota


de carca de 200 g para análise granulométrica, visando à determinação da proporção do minério que

275
DUARTE, R.S., MILHOMEM, F.O., ANDRADE, L.R., LIMA, R.M.F.

já se encontrava abaixo de 2,00 mm. Então, após a separação do material acima de 2,00 mm, usando
peneira de 50 cm de lado, todo o material retido foi fragmentado, usando britador de rolos, moinho
de barras e moinho de disco. Em cada uma das etapas de fragmentação efetuava-se a separação do
minério abaixo de 2,00 mm e somente a fração retida era fragmentada novamente. Esse
procedimento foi repetido até que toda a amostra foi reduzida para granulometria abaixo de 2,00
mm.

Tanto o peneiramento da amostra recebida no laboratório (peneiramento 1), quanto da amostra após
fragmentação (peneiramento 2) foram efetuados a úmido, usando a série Tyler de peneiras de 12,7 a
0,037 mm (peneiramento 1) e de 1,68 a 0,037 mm (peneiramento 2).

Para determinação da densidade da amostra fragmentada abaixo de 2,00 mm, foi utilizado o
picnômetro a gás (Ultrapycnometer 1000 da marca Quantachrome Instruments). Para determinação
da área superficial e porosidade utilizou-se o BET modelo Nova 1200e (Quantachrome
Instruments), ambos do Laboratório de Propriedade Interfacial do DEMIN/UFOP.

A determinação dos constituintes mineralógicos, por faixa granulométrica, foi efetuada por
difratometria de raios X (método do pó total). O equipamento utilizado foi difratômetro modelo
11076186 PanAnalytical do Laboratório de Difração de raios X do DEGEO/UFOP. A radiação
utilizada foi de 1,54Å (KɑCu) e ângulo de medida de 2 a 70°.

As análises químicas por faixa granulométrica foram efetuadas pelo Laboratório de Análises
Químicas da CSN. Os elementos químicos e/ou compostos analisados foram: Fetotal (espectrometria
por fluorescência de raios X), FeO (volumetria), SiO2, Al2O3, P, Mn (espectrometria ótica de
emissão- plasma de acoplamento indutivo) e PPC por gravimetria.

A proporção dos minerais identificados por difratometria de raios X foi efetuada por cálculo
estequiométrico, utilizando os resultados de análise química.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na Figura 3 estão apresentadas as distribuições granulométricas da amostra fragmentada abaixo de


1,27 cm e após fragmentação abaixo de 2,00 mm. Conforme pode ser observado, houve aumento de
aproximadamente 5% de finos (partículas menores do que 0,037 mm) após a preparação da amostra
para os ensaios de caracterização.

A área superficial da amostra HBA foi de 45,11 m2/g (BET-Multipoint). A área superficial dos
poros foi de 6,835 m2/g, volume total de 2,1 x 10-2 cm3/g e raio médio de 17,97 Å (BJH).

Pelos difratogramas de raios X foram identificados em todas as faixas granulométricas picos dos
minerais hematita e goethita (maiores proporções) e dos minerais magnetita, quartzo e caolinita, que
devido às menores proporções dos mesmos presentes nas amostras analisadas foram identificados
somente alguns picos desses minerais, especialmente, em sobreposições com os picos da hematita e
goethita. Na Figura 4 está apresentado o difratograma de raios X típico da amostra de minério de
ferro HBA.

Na Tabela II está apresentada a os resultados da análise granuloquímica da amostra de minério de


Ferro HBA, onde observa-se que a mesma possui alto teor de Fe (63,36%), baixo teor de SiO2
(2,96% ). No entanto, o teor de P (0,15%) é muito alto.

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100

80
Passante (%)

60

40

20

0
0,01 0,1 1 10 100
Tamanho (mm)

Amostra inicial Amostra após moagem


Figura 3. Distribuição granulométrica da amostra antes e após a preparação para os ensaios de caracterização
tecnológica.

Figure 4. Difratograma de raios X típico da amostra de minério de ferro HBA (Ge – gothita, He – hematita, Mg –
magnetita, Ca – caolinita e Qz – quartzo).

277
DUARTE, R.S., MILHOMEM, F.O., ANDRADE, L.R., LIMA, R.M.F.

A fração granulométrica acima de 0,21 mm representa 65,4% da amostra. Os teores de Fe (64,5%),


SiO2 (<2,3%) e Al2O3 (~0,6%), exceto de P desta fração granulométrica estão dentro das
especificações do produto “stander sinter feed” (Tabela I). Observam-se também pela Tabela II, que
os teores de Al2O3 (1,79%) e PPC (7,68%) são maiores na fração granulométrica abaixo de 0,4 mm,
que pode estar relacionado com a maior proporção de argila (caolinita) nesta fração granulométrica.

Tabela II. Análise granuloquímica da amostra de minério de ferro HBA.


F.G. Peso Teores (%) Distribuição (%)
(%) Fet FeO SiO2 Al2O3 P PPC Fet FeO SiO2 Al2O3 PPC

+1,41 22,4 64,86 1,03 1,14 0,58 0,16 4,84 29,7 8,6 18,3 21,7 29,7
+0,84 8,1 64,46 0,75 1,64 0,64 0,16 4,74 7,8 4,5 7,3 7,7 7,8
+0,50 18,5 64,37 0,69 1,79 0,63 0,16 4,73 16,4 11,2 16,4 17,5 16,4
+0,21 16,4 64,46 0,7 2,3 0,5 0,13 4,27 14,8 12,7 11,6 14,0 14,8
+0,10 10,9 62,3 0,66 5,45 0,52 0,13 4,2 9,2 20,0 8,0 9,1 9,2
+0,40 13,7 60,51 0,68 6,8 0,67 0,16 5,2 12,0 31,4 12,9 14,3 12,0
-0,40 10,1 60,54 0,77 3,39 1,79 0,21 7,68 10,1 11,6 25,6 15,6 10,1
A.R. 100 63,36 0,78 2,96 0,71 0,15 4,99 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
F.G. – faixa granulométrica; A.R. – Alimentação recalculada

Tomando-se como base os teores de Fet, FeO, SiO2, Al2O3 e PPC foram determinadas as
proporções dos principais minerais presentes no minério de ferro HBA (Tabela III).

Tabela III. Composição mineralógica da amostra do minério de ferro HBA.


Mineral % peso
Hematita (Fe2O3) 45,77
Goethita (Fe2O3.H2O) 46,88
Magnetita (Fe3O4) 2,51
Caolinita (Al2Si2O5(OH)4) 1,80
Quartzo (SiO2) e outros 3,04

De uma maneira geral pode-se dizer que pelo fato do minério de ferro HBA analisado possuir alto
teor de Fe (63,36%) e teores de SiO2 (2,96%) e Al2O3 (0,71%) dentro das especificações de
produtos de minério de ferro, não se justifica nenhum método de concentração para o mesmo.
Logo, o aproveitamento deste minério pode ser efetuado pela blendagem do mesmo com
concentrados de minérios com menores teores de P, visando à obtenção de um produto com teor de
P dentro das especificações.

Estudos do perfil térmico deste minério e de misturas do mesmo com diferentes proporções de
outros tipos de minérios para aglomeração por sinterização e pelotização podem viabilizar o
aproveitamento do mesmo, dando subsídio para o aproveitamento de minérios goethíticos,
considerados até então como minérios marginais, e consequentemente aumento da vida útil das
minas do Quadrilátero Ferrífero - MG.

4. CONCLUSÕES

O minério de ferro HBA embora possua alto teor de Fe e baixo teor de SiO2 é considerado um
minério marginal devido ao seu alto teor de goethita e P. Para o seu aproveitamento, necessita de
estudos mais detalhados sobre o comportamento do mesmo e misturas deste minério com outros
minérios de ferro, visando a adequação da mistura para os processos de sinterização e pelotização.

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5. AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à Fapemig pelo apoio financeiro, à CAPES pelas bolsas de mestrado para
dois dos autores, ao CNPq pela bolsa de produtividade em pesquisa para um dos autores.

6. REFERÊNCIAS

ARAÚJO, A. C. et al. Ore mineralogy and its relevance for selection of concentration methods in
processing of Brazilian iron ores. Mineral Processing and Extractive Metallurgy. April 2003. v.112,.
n.1. p. C54-C64.

LIMA, R. M. F. Adsorção de amido e amina na superfície de hematita e do quartzo e sua influência


na flotação. Belo Horizonte, 1997. Vol.1. 238p.Tese. (Curso de Pós-Graduação em Engenharia
Metalúrgica e de Minas – Área de Concentração: Tecnologia Mineral).

http://www.dnpm.gov.br. Sumário Mineral 2012. V.32 (acessado em 01/03/2013 às 10:30h).

http://www.dnpm.org.br. JESUS, C. A. G. Economia Mineral do Brasil em 2009. Capítulo 3:


Mineração de Metais Ferrosos: Ferro/Aço. p.99-116 (acessado em 14/11/2011 às 15:34h).

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CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA E MINERALÓGICA DAS


MINERALIZAÇÕES DE AREIA DO RIO GRANDE DO NORTE

MEYER, M.F.1, NASCIMENTO, P.H.M,2, ROCHA, B.M.S3, SOUZA, M.M4


1
Professor - IFRN. mf.meyer@hotmail.com
2
Aluno – IFRN. paulin.show@hotmail.com
3
Aluna – IFRN. brunamartinellisr@hotmail.com
4
Professor – IFRN. mmsouza2003@yahoo.com.br

RESUMO
O presente trabalho abordará ensaios de caracterização tecnológica nas áreas de extração de areia do
Rio Grande do Norte. Foram discutidos no projeto ensaios de porosidade, permeabilidade, ensaios
de retração, salinidade e calor importantes para o mercado da construção civil. Foi realizada a coleta
de amostras de algumas áreas de exploração de areia do RN. Estes ensaios de caracterização física
foram feitos nos laboratórios do IFRN e a parte de caracterização química foi feita em Belo
Horizonte - MG. O trabalho é uma continuação dos estudos sobre a importância da areia para o Rio
Grande do Norte mostrando a sociedade á importância de se conhecer a qualidade das areias
extraídas no RN. Os resultados parciais mostraram a viabilidade da aplicação da areia para a
atividade da construção civil de onde se poderá fazer um diagnóstico da qualidade da areia das
regiões analisadas no projeto.

PALAVRAS-CHAVE: caracterização; areia; construção civil.

ABSTRACT

This paper will address technological characterization tests on sand extraction areas of Rio Grande
do Norte. We discussed the design of trials porosity, permeability, shrinkage tests, salinity and heat
important for the construction market. We performed a sampling of some areas of exploitation of
sand RN. These physical characterization tests were performed in the laboratories of IFRN and part
of the chemical was made in Belo Horizonte - MG. The work is a continuation of studies on the
importance of sand to the Rio Grande do Norte showing the importance of society will know the
quality of the sand extracted in RN. Partial results show the viability of applying sand to the
construction activity where one can make a diagnosis of the quality of the sand regions analyzed in
the project.

KEYWORDS: characterization; construction; sand.

281
MEYER, M.F, NASCIMENTO, P.H.M,, ROCHA, B.M.S, SOUZA, M.M

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho irá abordar ensaios de caracterização tecnológica nas áreas de extração de areia
do Rio Grande do Norte. Serão discutidos no projeto ensaios de porosidade, permeabilidade,
ensaios de retração, salinidade e calor importantes para o mercado da construção civil. Será
realizada a coleta de amostras de algumas áreas de exploração de areia do RN. Estes ensaios de
caracterização serão feitos nos laboratórios do IFRN com a geração mínima de custos. O trabalho é
uma continuação dos estudos sobre a importância da areia para o Rio Grande do Norte.

A exploração desse recurso mineral também contribuirá para a geração de emprego e impostos para
os municípios e o Estado do RN que dependem da atividade da extração de areia. A definição da
área de influência dos impactos ambientais foi desenvolvida em função de alguns aspectos como:
distância do transporte do material em suspensão proveniente do processo de extração, fontes de
geração de emprego e viabilidade econômica da extração.

Pesquisa de mercado junto ás empresas compradoras de areia nos revela que o valor comercial do
minério a ser lavrado apresenta uma ótima aceitação e preço junto ao mercado consumidor. O
projeto apresentado visa mostrar os ensaios de caracterização tecnológica como resistência a
compressão, salinidade, etc. para construção civil tendo como resultado a aplicação da areia no
setor de obras importante para as obras de mobilidade social da COPA de 2014 tendo natal como
uma da sede.

O presente projeto terá importância de mostrar a sociedade á importância de se conhecer a


qualidade das areias extraídas no RN. Para a comunidade acadêmica este trabalho trará informações
pertinentes à pesquisa e incentivos do quadro de discentes alunos (as) e a inserção dos mesmos em
projetos de maior magnitude acadêmica e também órgãos de Mineração e ambiental como DNPM,
IDEMA e CREA-RN.

Foram submetidas a ensaios quatro amostras de areia amostrada e coletada pelo Interessado em
18/09/2012.

2. METODOLOGIA

Neste item será descrito os principais procedimentos e metodologias adotados nesta pesquisa. Toda
à parte de campo será feita através de ensaios de caracterização tecnológica e mineralógica das
áreas de mineralizações que já exploraram ou ainda estão em atividade na exploração da areia, ou
seja, o antes e depois da exploração da areia. A sequência metodológica do trabalho é:
 Identificação das empresas que exploram areia no RN, ou seja, através dos estudos das
potencialmente produtoras de areia no RN.
 Coleta de dados das mineralizações produtoras de areia do RN;
 Ensaios de caracterização tecnológica e mineralógica a serem realizados nos laboratórios
dos cursos de Mineração e construção civil do IFRN.
 Análise e interpretação dos resultados dos ensaios dos laboratórios;
 Adequação dos resultados a indústria da construção Civil;
 Publicação de artigos técnicos em revistas, periódicos e congressos;
 Atividades de acompanhamento/ financeiro;
 Publicação de artigos técnicos em revistas, periódicos e congressos.

Portanto os materiais utilizados seguem a descrição abaixo:


1. Laboratório de tratamento de minérios, contendo:

282
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on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

 Britador de mandíbula e martelos;


 Peneiras da série Tyler;
 Separador magnético.

2. Laboratório de processamento mineral e resíduos , contendo:


 Moinhos de bolas e periquito;
 Peneiras da série Tyler;
 Balança digital 5 kg e 10 kg
 Balança de precisão;
 Fornos de moderada á alta temperatura (estufa e mufla).
 Três salas com computadores para o desenvolvimento da pesquisa

Os ensaios seguiram as Normas Brasileira Regulamentadoras conforme descrito nos itens abaixo:

 NBR 7211 - Agregado para concreto – Especificação


 NBR 7810 - Agregado em estado compactado seco – Determinação da massa unitária
 NBR NM30 - Agregado miúdo – Determinação da absorção de água
 NBR NM46 - Agregados – Determinação do material fino que passa através da peneira 75
micrômetro, por lavagem
 NBR NM49 - Agregado fino – Determinação de impurezas orgânicas
 NBR NM52 - Agregado miúdo – Determinação de massa específica e massa específica
aparente
 NBR NM248 - Agregados – Determinação da composição granulométrica
 NBR 7218 - Determinação do teor de argila em torrões e materiais friáveis
 NBR 7251 - Agregado em estado solto – Determinação da massa unitária

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os resultados parciais mostraram a possibilidade da aplicação da areia para a atividade da


construção civil de onde se poderá fazer um diagnóstico da qualidade da areia das regiões
analisadas no projeto.
O presente projeto terá importância de mostrar a sociedade á importância de se conhecer a
qualidade das areias extraídas no RN. Para a comunidade acadêmica este trabalho trará informações
pertinentes à pesquisa e incentivos do quadro de discentes (alunos (as) ) e a inserção dos mesmos
em projetos de maior magnitude acadêmica e também órgãos de Mineração e ambiental como
DNPM, IDEMA e CREA-RN.

283
MEYER, M.F, NASCIMENTO, P.H.M,, ROCHA, B.M.S, SOUZA, M.M

AREIA FINA

AREIA MÉDIA-MISTA

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XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

AREIA MEDIA

AREIA DE CASCALHO

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados apresentados não atendem às exigências da norma NBR 7211 quanto à granulometria
da areia fina. Quando o material fino que passa através da peneira 75 µm por lavagem (NBR NM
46) forem constituídos totalmente de grãos gerados durante a britagem de rocha, o teor de material
pulverulentos podem ter seus limites alterados de 3% para 10% e de 5% para 12%, desde que seja
possível comprovar, por apreciação petrográfica (NBR 7389) que os grãos constituintes não
interferem nas propriedades do concreto.

285
MEYER, M.F, NASCIMENTO, P.H.M,, ROCHA, B.M.S, SOUZA, M.M

Os resultados apresentados não atendem às exigências da norma NBR 7211 no que se refere à
composição granulométrica (peneiras 9,5 mm, 6,3 mm, 4,8 mm, 2,4 mm, 1,2 mm e 0,6 mm).
Quando o material fino que passa através da peneira 75 µm por lavagem (NBR NM 46) forem
constituídos totalmente de grãos gerados durante a britagem de rocha, o teor de material
pulverulento podem ter seus limites alterados de 3% para 10% e de 5% para 12%, desde que seja
possível comprovar, por apreciação petrográfica (NBR 7389) que os grãos constituintes não
interferem nas propriedades do concreto.

5. CONCLUSÕES

A areia sempre foi uma questão complexa no Rio Grande do Norte, devido à presença de muitas
dunas e areia de praia que não são de boa qualidade para a construção civil, pois a salinidade
prejudica a mistura com o cimento.

Portanto diante do exposto nos ensaios de laboratório das areias de cascalho e fina, mostram que os
constituintes mineralógicos presentes não interferem nas propriedades do concreto, sendo que as
principais jazidas de areia do RN atendem as especificações segundo as normas brasileiras
regulamentadoras para a construção civil.

6. REFERÊNCIAS

BIGARELLA, J. J. – Rochas do Brasil. Rio de Janeiro. Livros Técnicos e Científicos, 1985.

COSTA, M. L. da – Minerais, Rochas, e Minérios, Riquezas Minerais do RN. Natal, Editora


Falangola, 1996. 309p.

ERNST, W. G. – Minerais e Rochas. Série de textos Básicos de Geociências. São Paulo, Editora
Ededard Blucher.

KLEIN, C. & HURLBUT, Jr. – Manual de Mineralogy. (After James D. Dana). New York, John
Wiley & Sons, 1985.

LEINZ, V. & AMARAL, S. E. – Geologia Geral. São Paulo, Ed. Nacional.

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XXV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa & VIII Meeting of the Southern Hemisphere
on Mineral Technology, Goiânia - GO, 20 a 24 de Outubro 2013

CARACTERIZAÇÃO TECNOLÓGICA EM AMOSTRAS MINERALIZADAS


A ESTANHO DO ESTADO DE RONDÔNIA

BRAZ, A.B, KAHN, H., CONTESSOTTO, R., ULSEN, C., TASSINARI, M.M.M.L.
Universidade de São Paulo, Escola Politécnica. Depto de Eng. de Minas e de Petróleo.
henrique@lct.poli.usp.br

RESUMO

A crescente demanda por estanho no cenário mundial vem promovendo maior interesse no estudo
de mineralizações primárias e mais complexas. Nesse contexto, estudos de caracterização
tecnológica foram efetuados em duas amostras (sulfetada e oxidada), provenientes do norte do
Brasil, Estado de Rondônia, com o objetivo de verificar as características da cassiterita e dos
sulfetos presentes e suas associações com a ganga. Os estudos envolveram análises granulométricas,
separações minerais e estudos de mineralogia quantitativa por microscopia eletrônica de varredura
(MEV/EDS) utilizando análise de imagens automatizada (Mineral Liberation Analyser - MLA),
possibilitando a obtenção da composição mineral, as características de associação e de liberação dos
minerais de interesse e a partição dos elementos químicos nos minerais portadores. Os resultados
indicam que as amostras têm teores semelhantes de estanho e de zinco e a mesma assembleia
mineralógica, variando apenas a proporção relativa entre os minerais presentes. Os grãos de
cassiterita têm dimensão média de 0,5 a 0,7 mm e os de esfalerita de 0,3 a 0,45 mm. O grau de
liberação da cassiterita para o material cominuído abaixo de 3,36 mm é da ordem de 40 a 50%. Os
estudos sugerem que o processamento da cassiterita poderia ser efetuado em duas etapas de
cominuição conjugados com concentração gravítica; os mistos e rejeitos, a depender dos teores de
Sn e Zn, poderiam ser remoídos para a recuperação da esfalerita por flotação, obtendo-se ainda um
eventual concentrado acabado de estanho.

PALAVRAS-CHAVE: cassiterita; caracterização tecnológica; análise de imagens automatizada.

ABSTRACT

The growing demand for tin has encouraged studies of primary deposits and more complex ores.
This article shows the results of mineralogical and technological characterization carried out in two
samples of tin ores (sulfide and oxidized ore) from Rondônia state, Brazil, aiming the to quantify
the cassiterite and other sulfides associations with gangue minerals. The studies comprised sieve
analysis, mineral separation and quantitative mineralogical studies by scanning electron microscope
(SEM/EDS) coupled to automated image analyses (Mineral Liberation Analyser - MLA) for
obtaining the mineral composition, association and liberation of minerals of interest and partition of
elements in the bearing minerals. The results show that both samples have similar mineralogical
composition but differ in proportions; the grades of tin and zinc are also comparable. The average
dimensions of cassiterite grains are between 0.5 to 0.7 mm and for the sphalerite grains 0.3 to 0.45
mm. The liberation degree of cassiterite for the material crushed below 3,36 mm is about 40 to
50%. The studies indicate that the tin processing could be carried out in two stages of comminution
combined to gravity concentration; the middlings and gravity tailings, depending on their Sn and
Zn contents, should be regrinding for sphalerite flotation, obtaining any further tin concentrated.

KEYWORDS: cassiterite; technological characterization; SEM-based quantitative mineralogy.

287
BRAZ, A.B, KAHN, H., CONTESSOTTO, R., ULSEN, C., TASSINARI, M.M.M.L.

1. INTRODUÇÃO

A descoberta de depósitos de cassiterita em Rondônia, no final da década de 80, juntamente com a


jazida de Pitinga (AM), levou o Brasil à condição de maior produtor mundial de estanho entre 1988
e 1990. Na década seguinte, no entanto, com o esgotamento dos depósitos de alto teor, essa posição
foi perdida para a China que atualmente lidera a produção mundial.

A crescente demanda de estanho e tendência de preços crescentes tem promovido o interesse na


avaliação da potencialidade de mineralizações primárias e mais complexas do ponto de vista de
extração e beneficiamento, para as quais são necessários estudos detalhados de caracterização
tecnológica.

Neste contexto, este trabalho apresenta os resultados de estudos de caracterização tecnológica


efetuados em duas amostras provenientes de mineralizações primárias de Rondônia, tendo por
objetivo verificar a forma de ocorrência da cassiterita e sulfetos presentes e suas associações com a
ganga contida, bem como a partição do estanho e zinco dentre os minerais portadores, a composição
mineralógica das amostras por fração granulométrica, de modo a obter subsídios para posterior
desenvolvimento de alternativas de processo visando o seu aproveitamento.

Os estudos envolveram a realização de análises granulométricas e separações minerais, aliadas a


análises mineralógicas por microscopia eletrônica de varredura (MEV), microanálises químicas por
EDS, difratometria de raios X e análise de imagens automatizada por feixe de elétrons em sistema
MLA (Mineral Liberation Analyser - MLA) acoplado a microscópio eletrônico de varredura. A
análise de imagens ao MEV-MLA permitiu determinar, para cada amostra, a composição
mineralógica e química, a distribuição dos elementos nas fases portadoras, a liberação da cassiterita,
e o tamanho dos grãos de cassiterita e de esfalerita.

Sistemas de análise de imagens automatizados, além das características mencionadas acima,


permitem também a obtenção de informações bem mais consistentes e acuradas que aquelas
apresentadas por técnicas tradicionais de estereologia (PETRUK, W, 1989; KAHN et al., 1996;
KRAMER et al., 1994; LASTRA et al., 1997; FANDRICH et al., 2007).

2. MATERIAIS E MÉTODOS

As amostras denominadas oxidada e sulfetada, oriundas das amostragens de superfície do depósito


foram submetidas ao procedimento experimental descrito a seguir:

Cominuição do material abaixo de 3,36 mm em britador de mandíbulas e de rolos.

Análise granulométrica por peneiramento a úmido em peneiras de aberturas nominais de 2,80 mm,