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Brasil teve uma mulher assassinada a cada duas horas em 2018, aponta Atlas da Violê...

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Taxa registra queda em relação a ano anterior; negras são o dobro de vítimas em
comparação às brancas

27.ago.2020 às 13h41

Thaiza Pauluze (https://www1.folha.uol.com.br/autores/thaiza-pauluze.shtml)

SÃO PAULO O Brasil teve uma mulher assassinada a cada duas horas em 2018,
apontou o Atlas da Violência (https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/09/numero-de-assassinatos-
no-brasil-cai-10-em-2018-mas-policias-matam-mais.shtml) 2020, divulgado nesta quinta-feira (27).

Foram 4.519 vítimas de homicídio, o que representa uma taxa de 4,3 para cada
100 mil habitantes do sexo feminino. Seguindo a tendência de redução da taxa
geral (https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/08/assassinatos-de-negros-aumentam-115-e-de-nao-negros-caem-129-
em-dez-anos-mostra-atlas-da-violencia.shtml), a taxa de homicídios contra mulheres teve queda

de 9% entre 2017 e 2018.

Mas a situação melhorou apenas para as mulheres brancas, já que a grande


maioria (68%) das vítimas era negra —a taxa que é praticamente o dobro na
comparação com não negras.

Em 11 anos (2008 a 2018), a taxa de homicídio de mulheres negras cresceu


12,4%; já a de não negras caiu 11,7%.

Nesse mesmo período, o Brasil teve um aumento de 4% nos assassinatos de


mulheres. Em alguns estados, a taxa de homicídios em 2018 mais do que
dobrou em relação a 2008: é o caso do Ceará, cujos homicídios de mulheres
aumentaram 278%, de Roraima (+186%) e do Acre (126%).

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/08/brasil-teve-uma-mulher-assassinada... 27/08/2020
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Cruzes são colocadas diante do Congresso Nacional pelo Dia Internacional de Combate à
Violência Contra a Mulher, em Brasília - Michel Jesus - 25.nov.19/Câmara dos Deputados

A pesquisadora Amanda Pimentel afirmou que o racismo no Brasil tem um


processo histórico e que os dados demonstram como as desigualdades são
demonstradas nos índices letais.

"Mesmo com a redução entre 2017 e 2018, a redução foi muito maior entre os
não negros do que entre os negros", disse. "Mulheres negras estão ainda mais
vulnerabilizadas: pela raça, gênero e classe", disse.

O estudo foi elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Ipea
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) com dados do Sistema de
Informação sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde. Os negros são
representados pela soma de pretos e pardos e os não negros são os brancos,
amarelos e indígenas, segundo a classificação do IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística).

O número de homicídios em geral caiu em 2018 no país, quando foram


registrados 57.956 casos, o que corresponde a uma taxa de 27,8 mortes por
100 mil habitantes —o menor nível de assassinatos em quatro anos e queda de

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12% em relação ao ano anterior. A diminuição aconteceu em todas as regiões,


em 24 estados, com maior intensidade no Nordeste.

Porém, os assassinatos diminuíram apenas para uma parte da população


(https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/08/assassinatos-de-negros-aumentam-115-e-de-nao-negros-caem-129-em-dez-

anos-mostra-atlas-da-violencia.shtml).
A taxa de homicídios de negros no Brasil saltou 11,5%
de 2008 a 2018 (de 34 para 37,8 por 100 mil habitantes), enquanto a morte de
não negros caiu 12,9% no mesmo período (de 15,9 para 13,9 por 100 mil).

Entre os anos de 2008 e 2018, foram registrados 628 mil homicídios no país,
sendo 91% homens, 55% na faixa entre 15 e 29 anos, e pico de mortos aos 21
anos de idade. O Atlas verificou a baixa escolaridade, com no máximo sete
anos de estudo entre as vítimas. Os dias de maior incidência dos crimes foram
sábados e domingos.

Entre o total de vítimas, os negros representaram 75%. Segundo o Atlas, a


discrepância entre as raças nas taxas de homicídio significa que, na prática,
para cada indivíduo branco morto naquele ano, 2,7 negros foram
assassinados.

O documento aponta que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)


diminuiu a escalada da violência contra jovens no Brasil. Antes do ECA, havia
crescimento médio de 8,3% ao ano entre vítimas de 15 a 18 anos, por exemplo.
Depois, baixou para 2,6%.

Pela primeira vez, o Atlas compilou também dados do Sinan (Sistema de


Informação de Agravos de Notificação) sobre a população LGBTQI+
(https://agora.folha.uol.com.br/ola/2020/07/elza-soares-faz-live-para-ajudar-mulheres-vitima-de-violencia-e-comunidade-

lgbtqi.shtml).

Eles apontam que houve aumento de 19,8% em casos de violência contra essas
pessoas entre 2017 e 2018. Cresceu em 10,9% a violência física, em 7,4% a
psicológica e em 76,8% outros tipos de violência. Houve queda de 7,6% nos
registros de tortura.

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