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CULTIVO DE TILÁPIA

REPRODUÇÃO E ENGORDA
REPRODUÇÃO E ENGORDA DA TILÁPIA

 Selecção e povoamento de reprodutores;


 Incubação e Produção de alevinos
 Sistemas de cultivo de tilápia
 Preparação e administração de alimento
 Métodos para obtenção de alevinos monossexo
SELECÇÃO DE REPRODUTORES

 Peso: 200 a 400 gramas;


 Idade:
 Machos: cerca de 4-6 meses;
 Fêmeas com idades entre 3-
5 meses;
CARACTERÍSTICAS DOS REPRODUTORES

Indivíduos sexualmente maduros:


 Fêmeas têm uma papila genital avermelhada
proeminente;
 Machos coloração avermelhada na borda da
Fêmea
barbatana caudal e dorsal;
 Indivíduos de cabeça estreita e espessura do peito
grossa em relação ao corpo, aparência saudável,
sem parasitas e malformações;
 Indivíduos de um mesmo ciclo que apresentem
Macho
maiores tamanhos.
POVOAMENTO DE REPRODUTORES

 Proporção: 3 a 5 fêmeas para cada macho;


 Densidade: 3 reprodutores/m2
Exemplo cálculo de reprodutores:
 Área de viveiro = 500 m2
 Densidade de povoamento = 3/m2
 Nº total de reprodutores = 1.500 peixes/m2;
 Proporção = 3:1
 Nº Machos = 375
 Nº Fêmeas = 1.125
INFRA-ESTRUTURA DE REPRODUÇÃO

 Os tanques utilizados para a


reprodução devem ser pequenos para
facilitar o manuseamento.
 Área de viveiro de reprodução : 100
a 500 m²;
 Profundidade: 100 a 150 centímetros;
Tipo de estruturas
 Tanques escavados
 Hapas
 Gaiolas flutuantes
 Tanques de betão
RECOLHA DE ALEVINOS E PRÉ-CRIAÇÃO

 Após 10 a 15 dias do povoamento dos


reprodutores, os alevinos recém eclodidos
podem ser observados nas margens dos
tanques;
 A recolha dos alevinos é efetuada através de
uma rede fina;
 Os alevinos passam para os tanques de pré-
engorda onde permanecem até atingir um
peso médio de 1-2 gramas.
RECOLHA DE ALEVINOS E PRÉ-CRIAÇÃO

 A quantidade de ovos produzidos por


cada fêmea pode ser estimada pela
fórmula F= 96.269W0.4504

 Onde:

 Fecundidade F = Nº de ovos;

 W = Peso médio das fêmeas (g)


REPRODUÇÃO ARTIFICIAL

 Capturam-se as fêmeas que têm a


boca inchada devido à presença
de ovos;
 Extraem-se os ovos para uma
bacia com água limpa;
 Usando uma mangueira sifonea-se
o fundo para remover qualquer
resíduo;
 Lavar e desinfetar os ovos;
 Colocar os ovos em incubadoras a
uma densidade de 10 ovos/cm3.
INCUBAÇÃO ARTIFICIAL

 Após 5 a 7 dias, inicia a recolha


dos alevinos eclodidos nas
incubadoras;
 Durante a incubação deve-se:
 Controlar constantemente a
pressão da água;
 Retirar os ovos com coloração
esbranquiçada (mortos);
 Retirar detritos e sujidade.
TRANSPORTE DE ALEVINOS

 O transporte deve ser


realizado nas horas mais
frescas para evitar câmbios
bruscos de temperatura;
 Os alevinos a serem
transportados devem ser
concentrados em tanques com
aeração ou fluxo continuo até
a hora da embalagem;
TRANSPORTE DE ALEVINOS

 Os alevinos não devem ser alimentados


no dia prévio ao transporte;
 Podem ser aplicados desinfetantes
como iodo, BKC, formalina ou cloro,
para evitar infeções causadas por
parasitos e/ou bactérias;
 Antes da embalagem é necessário
equilibrar a temperatura da agua (com
uso de gelo) à temperatura de 22 a
24°C.
TRANSPORTE DE ALEVINOS

 Fazer contagem gravimétrica ou volumétrica de uma amostra para


determinar a quantidade de alevinos;
 Quando os alevinos são transportados em sacos plásticas, as bolsas
devem conter 25% de agua, 50% de oxigénio e o outro 25% para amarre
com elástico;
 Em 12 litros de agua contidos num saco plástico, podem transportar-se
uma biomassa de 800g de alevinos;
 Por exemplo: alevinos de 1g, podem ser transportados a razão de
800/saco plástico;
 Os alevinos podem também ser transportados em tanques
 Exemplo: Um tanque de 700 litros, com 600 litros de agua e aeração,
pode transportar 85 mil alevinos.
SISTEMAS DE CULTIVO DE TILÁPIA
CULTIVO EXTENSIVO

 Baixo investimento;
 Uso de fertilização orgânica e subprodutos
agrícolas;
 Densidade de povoamento baixa: 1-2
peixes/m2
 Produção: 2 a 3 Ton/ha/ano.
CULTIVO SEMI-INTENSIVO

 Requere renovação de agua da ordem dos 50-60%/semana;


 Sistema de filtração para impedir a entrada de outras espécies;
 Alimentação com uso de rações balanceadas;
 Densidade de povoamento de 3 a 8 peixes/ m2;
 Produção de 15 a 32 ton/ha/ano;
 Conversão alimentícia: 1.3 a 1.5.
CULTIVO INTENSIVO

 Tanques de betão com áreas de 100 a 500 m2;


 Viveiros escavados de 500 a 3,000 m2;
 Sistemas de bombagem e de aeração;
 Alimentação com ração de alta % de PB (28-40%)
 Densidade de povoamento: 10 a 15 peixes/ m2;
 Produção: 30 a 45 ton/ha/ano
 FCA: 1.4 a 1.6.
CULTIVO SUPER-INTENSIVO

 Tanques de betão 100-500 m2


 Gaiolas flutuantes de 48 a 180 m2;
 Renovação contínua de agua;
 Densidade de povoamento: 30 a 100 peixes/m3;
 Renovação de agua:>700%;
 Produção de 90-300 ton/ha/ano;
 FCA: 1.6 a 2.0;
 Aeração permanente: 8 HP/1,000 m2
ALIMENTAÇÃO
A ALIMENTAÇÃO NO PROCESSO DE
ENGORDA

 Quanto maior for a temperatura da água, maior será o


consumo de ração pela tilápia;
 Durante o cultivo recomenda-se alimentar pelo menos 3
vezes ao dia;
 Horário de Alimentação:
 8:00 (30% da ração);
 12:00 (35% da ração);
 16:00 (35% da ração.
CÁLCULO DA QUANTIDADE DE RAÇÃO
 Nos primeiros dias a alimentação das larvas depende dos nutrientes
presentes no saco vitelino;
 Quando a larva absorve 60-75% do saco vitelino, aumenta a
actividade e deve iniciar a alimentação com ração;
 No primeiro mês, a alimentação é feita com ração contendo 45% de
PB;
 A medida que o peixe cresce a % de PB reduz sucessivamente para
40%, 35%, 32% e por fim 28%;
 A quantidade a ser distribuída no viveiro é calculada a partir dos
dados da amostragem (biometria) que pode ser realizada semanal ou
quinzenalmente;
CÁLCULO DA QUANTIDADE DE RAÇÃO
(EXEMPLO)
 Tanque com área de 2,000m²;
 Povoamento 4 alevinos/m²;
 Total povoado 8.000 alevinos;
 Tamanho da mostra (1%): 80 alevinos.
 Peso médio:2g;
 Biomassa: 16.000g;
 Alimentando à taxa de 15% são 2400g/dia;
 Aplicados 3 vezes por: 800g/refeição.
TABELA DE ALIMENTAÇÃO
MÉTODOS PARA A OBTENÇÃO DE
ALEVINOS MONOSSEXO DE
TILÁPIA
MÉTODOS PARA A OBTENÇÃO DE ALEVINOS
MONOSSEXO
 Sexagem manual
 Hibridação,
 Manipulação cromossômica;
 Reversão sexual com a utilização de hormônios;
 Manejo da temperatura
O método mais utilizado em tilápias, por ser considerado mais
eficiente e economicamente viável, é a reversão sexual de larvas,
com a utilização de hormônios esteroides sexuais sintéticos;
 O hormônio pode ser incorporado na ração ou por meio de
banhos de imersão.
REVERSÃO SEXUAL

 Nas tilápias, o período critico para diferenciação celular das


gônadas compreende de 10 a 20 dias após a eclosão;
 Inicia com o final da reabsorção do saco vitelino;
 A diferenciação histológica das gônadas pode ser notada a partir
de 23 a 26 dias após a eclosão (tamanho de 15-18mm);
 O uso de androgénios como o 17α Metiltestosterona e ou o 17
etiniltestosterona permite a reversão fenotípica dos alevinos de
tilápia em machos;
 A temperatura é um parâmetro ambiental que também contribui
para a diferenciação sexual.
REVERSÃO SEXUAL POR HORMÔNIO
MASCULINIZANTE

 A reversão sexual consiste na alimentação dos alevinos


recém eclodidos com uma mistura feita de ração e hormônio
masculinizante 17α metil testosterona;
 Os alevinos para a reversão sexual podem ser obtidos:
 A partir de ovos retirados da boca das fêmeas e
colocados na incubação; e
 A partir de alevinos recém eclodidos, recolhidos nos
tanques e que ainda não absorveram o saco vitelino.
PREPARAÇÃO DE RAÇÃO PARA REVERSÃO
SEXUAL

SOLUÇÃO ESTOQUE
 Pesar 1g de hormônio 17α
Metiltestosterona;
 Diluir o hormônio em 1 litro de
álcool etílico 95% (esta é a
solução estoque de
hormônio);
 A solução estoque de
hormônio deve ser guardada
em refrigeração até o seu uso.
PREPARAÇÃO DE RAÇÃO PARA REVERSÃO
SEXUAL

RAÇÃO COM HORMÔNIO

 Retirar 60ml da solução estoque e


diluir em 500ml de álcool etílico 95%;
 Misturar a solução de 500ml de álcool
+ 60ml de hormônio com 1Kg de
ração para alevinos (a concentração
de hormônio será de 60mg/Kg de
ração)
PREPARAÇÃO DE RAÇÃO PARA REVERSÃO
SEXUAL

PREPARAÇÃO DE RAÇÃO
 Moer e Peneirar a ração de alevinos
(ração com 45% de PB ou farinha de
peixe);
 Granulometria fina (usar rede de 500µ);
 Pesar a quantidade necessária de ração
previamente peneirada;
 Para cada Kg de ração misturar 60ml da
solução estoque + 500ml de álcool
95%;
PREPARAÇÃO DE RAÇÃO PARA REVERSÃO
SEXUAL

MISTURA DE RAÇÃO E HORMÔNIO

 Misturar o hormônio com a ração até


obter uma mistura homogenia (usar
uma misturadora);
 Deixar secar a ração com hormônio
à sombra;
 Usar depois da completa evaporação
do álcool (5-7 dias).
ALIMENTAÇÃO DOS ALEVINOS

 Os alevinos são recolhidos da infraestrutura de


incubação ou tanques de reprodução com um
tamanho aproximado de 3-5 mm (peso médio
de 0,015-0,025 gramas;
 A alimentação inicia no segundo dia após o
povoamento nos tanques de reversão;
 A taxa de nutrição inicial é de 20% da
biomassa corporal. O alimento é fornecido a
cada 2 o 3 horas.
ALIMENTAÇÃO DOS ALEVINOS

 A quantidade de alimento é aumentada


de acordo com o peso médio dos
alevinos;
 A reversão dura de 21 a 30 dias e o
tamanho dos alevinos atinge os 18-
20mm;
 A eficiência da reversão deve ser superior
a 95%.
INFRAESTRUCTURA PARA
REVERSÃO
TANQUES DE BETÃO

 Volume de 10 a 20 m3;
 Sistema de areação ou
fluxo contínuo;
 Densidade de 1.000 a
3.000 alevinos/m3
HAPAS

 Volume de 1 a 10 m3;
 Feitos de rede mosquiteira;
 Suportadas por estacas;
 Devem ser limpas ou trocadas
semanalmente para garantir a
circulação de agua;
 A densidade nas hapas é de 3,000 a
5,000 alevinos por metro cúbico.
VIVEIROS (TANQUES ESCAVADOS)

 Área de 50-100 m2; 1m de


profundidade;
 Depois da alimentação deve ser feita
a troca de água;
 Reduzir ao máximo o alimento natural
para que os alevinos consumam a
ração com hormônio;
 Densidade de 200 a 300 alevinos/m3
REVERSÃO SEXUAL POR TEMPERATURA

 As flutuações de temperatura encontradas pelos peixes em seus


locais naturais de vida, podem alterar as sinalizações envolvidas na
determinação do sexo e influenciar as proporções de machos e
fêmeas;
 Tratamentos com altas temperaturas (acima de 32 a 34ºC) durante
o período sensível aos hormônios, podem induzir a diferenciação
das gônadas para testículos funcionais;
 Por não ser um produto químico tal como os hormônios sintéticos,
constitui uma opção de baixo custo e ambientalmente aceitável;
SEXAGEM MANUAL

 Procedimento manual que permite separar os


juvenis machos com peso de 30-40g pela
observação da papila urogenital;
 O dimorfismo sexual pode ser feito com a
aplicação de tinta de china ou de azul de metileno
sobre a papila urogenital;
 Tem o inconveniente de eliminar 50% da
população (fêmeas);
 A eficiência depende da experiencia da pessoa
que faz a sexagem.
HIBRIDAÇÃO

 Método genético para


obter machos híbridos;
 Consiste no cruzamento
de duas espécies
geneticamente
diferentes;
 Permite o melhoramento
das características
fenotípicas.
MANIPULAÇÃO GENÉTICA
(TILÁPIA GENETICAMENTE MACHO)

 Os “SUPERMACHOS” são machos que apresentam o


genótipo YY com dois cromossomas a determinarem
o sexo masculino em lugar de um como normalmente
ocorre no genótipo masculino normal (XY).
TÉCNICA PARA PRODUZIR “SUPERMACHOS”

 Selecionar peixes com as melhores


características ;
 Administrar hormônios
feminizantes a uma parte dos
peixes (tanto machos como
fêmeas), para converter os machos
em fêmeas funcionais;
 Obtêm-se uma % de fêmeas XX e
outra de fêmeas XY que embora
sejam genotipicamente XY,
fenoticamente são fêmeas com
capacidade reprodutora;
TÉCNICA PARA PRODUZIR “SUPERMACHOS”

 As fêmeas XY são cruzadas com


machos normais também XY;
 Na descendência obtêm-se fêmeas
XX, machos normais XY e
“supermachos YY
 Para identificar os supermachos no
conjunto de machos, é preciso
ainda cruza-los com fêmeas
normais XX e observar a
descendência.
TÉCNICA PARA PRODUZIR “SUPERMACHOS”

 Enquanto a geração filial procedente


de machos normais XY esta
composta tanto por fêmeas como
por machos, a descendência dos
supermachos é toda formada
geneticamente por machos normais
XY;
TÉCNICA PARA PRODUZIR “SUPERMACHOS”

 Para perpetuar a linha dos


supermachos, são necessárias
fêmeas que sejam geneticamente
supermachos YY, que cuando
cruzadas com supermachos YY toda
a descendência sejam supermachos
YY.

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