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UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS

PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO


COORDENAÇÃO GERAL DO PIBIC

PROGRAMA INSTITUCIONAL VOLUNTÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA - PIVIC

RELATÓRIO PARCIAL/FINAL

A TRADIÇÃO XERENTE E O COTIDIANO MEDIADO


NA ALDEIA PORTEIRA

NOME DO(A) BOLSISTA: ANA CAROLINA COSTA DOS ANJOS

ORIENTADOR(A) DO PROJETO: ADRIANA TIGRE LACERDA NILO

CAMPUS: PALMAS

CURSO: COMUNICAÇÃO SOCIAL/JORNALISMO

LOCAL DE EXECUÇÃO: PALMAS/TOCANTÍNIA

PROGRAMA: PIVIC

DATA DE INÍCIO: DATA DA CONCLUSÃO:

01/08/2009 31/08/2010

Data e Assinatura do Bolsista:

...................................................................................................................................

Data e Assinatura do Orientador:

...............................................................................................................................
APRESENTAÇÃO

GRANDE ÁREA DO CONHECIMENTO CIÊNCIAS HUMANAS, SOCIAIS APLICADAS


(UFT) E LETRAS

ÁREA DO CONHECIMENTO (CNPq): CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS

NOME DO GRUPO DE PESQUISA:

GRANDE ÁREA DO CONHECIMENTO DA UFT:

CIÊNCIAS AGRÁRIAS,
CIÊNCIAS BIOLÓGICAS/SAÚDE,
CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA,
CIÊNCIAS HUMANAS, SOCIAIS APLICADAS E LETRAS.
SUMÁRIO

Introdução........................................................................................................................................... 4

Objetivos ............................................................................................................................................. 5
Geral ............................................................................................................................................... 5
Específicos .....................................................................................................................................................5

Material e métodos ............................................................................................................................. 6

Resultado e discussão ......................................................................................................................... 8

Conclusões......................................................................................................................................... 10

Referências bibliográficas ............................................................................................................... 11

Relação de anexos............................................................................................................................. 12

Relação de trabalhos publicados .................................................................................................... 13

Parecer .............................................................................................................................................. 14
INTRODUÇÂO

O advento da modernidade consubstanciado pela ascensão e institucionalização dos meios de


comunicação (de massa ou não), e as novas formas de relação de poder - seja econômica, social
e/ou cultural – modificou o cotidiano dos indivíduos. A influência dos meios tecnológicos de
comunicação - que antes se restringiam à forma dialógica co-presencial, ou seja, face a face -
constituiu o objetivo desta pesquisa.
As barreiras limítrofes de espaço e tempo com a utilização destas “novas” tecnologias foram
transpostas, possibilitando transformação e reorganização das interações sociais. Segundo
Thompson (2008, p.77), “[...] o desenvolvimento dos meios de comunicação cria novas formas de
ação e de interação e novos tipos de relacionamentos sociais”. O redimensionamento dos contextos
interativos constitui a base da tese da nova ancoragem da tradição, isto é, tendo deixado de
restringir-se aos contextos práticos da vida cotidiana, a interação expandiu-se e renovou-se.
Os nativos da aldeia Porteira vivem o paradoxo da manutenção da tradição e, ao mesmo
tempo, o acesso aos meios de comunicação. A etnia Xerente enquadra-se no que se denomina grupo
de contato permanente que são “as tribos que, embora conservem certos elementos da tradição
ancestral, como a língua, a cultura material e outros, dependem do fornecimento de bens da
civilização, aos quais se habituaram e de que não mais podem prescindir” (RIBEIRO, apud
RIBEIRO, 2001, p. 27-28). Esta realidade configura um processo de transformação e reorganização
de cada um dos contextos interativos que, segundo Thompson (2008), são face a face; o mediado,
que se estabelece através do uso de recursos técnicos; e o quase mediado, cuja interação ocorre de
forma estendida no tempo e no espaço, com mediação dos meios de comunicação de massa. Esta
última envolve a produção e recepção de bens simbólicos em larga escala.
Os índios da aldeia Porteira vivem da agricultura de subsistência denominada „roçado de
toco‟, artesanato feito com sementes, penas, capim dourado e buriti, da pesca e de verbas advindas
de convênios com instituições governamentais e um programa de compensação de um empresa
particular, a Ivestco1. A aldeia conta com uma escola estadual de primeiro ciclo (no qual, o ensino
é bilíngüe, ou seja, em Akwe2 e em português e é ministrado por professores Xerentes), onde
também são transmitidos valores e a tradição3 da cultura Xerente como, por exemplo, o artesanato.

1
Através do PROCAMBIX - Programa de Compensação Ambiental Xerente. Este programa é resultado de um
convênio entre a FUNAI e a Empresa Ivestco, responsável pela construção da usina de Lajeado, inaugurada em 2001. O
programa previu um ressarcimento inicial de 1 milhão, destinado à construção de três enfermarias e à aquisição de dois
veículos Toyota. Posteriormente, entre os anos de 2001 e 2009, foram pagos dez milhões e cento e cinco mil em
dezesseis parcelas.
2
A língua Akwén é um dialeto ágrafo pertencente à família Jê que é, por sua vez, uma subdivisão do Tronco linguístico
Macro-Jê (MONTSERRAT 1998, p. 96).
3
Segundo Thompson (2008,p. 163), tradição em um sentido mais geral, significa um traditum - isto é, qualquer coisa
que é transmitida ou trazida do passado”. Afirma, ainda que existem quatro aspecto de tradição, sendo aspecto
hermenêutico – “um conjunto de pressupostos de fundo, que são aceitos pelos indivíduos ao se conduzirem na vida
cotidiana e transmitidos por eles de geração em geração. [...] um esquema interpretativo, uma estrutura mental para
entender o mundo (THOMPSON, 2008, p. 163). O aspecto normativo que é “um conjunto de pressuposições, crenças e
A comunidade desta aldeia utiliza, de forma recorrente, os meios de comunicação de massa,
principalmente, a televisão. A Porteira dispõe de um rádio amador para comunicação com as demais
aldeias, todavia, durante o período da pesquisa, o mesmo encontrava-se com defeito.

padrões de comportamentos trazidos do passado e que podem servir como principio orientador para as ações e as
crenças do presente [...] (ações) justificadas pela referência auto-reflexiva” (THOMPSON, 2008, p. 163 -164). O
aspecto legitimador que serve “com fonte de apoio para o exercício do poder e da autoridade”. Este aspecto pode se
tornar ideológico, “isto é, podem ser usadas para estabelecer ou sustentar relações de poder estruturadas
sistematicamente de maneiras assimétricas” (THOMPSON, 2008, p. 164). E, por último, o aspecto identificador - um
conjunto de material simbólico que permite o individuo a formação identitária pessoal e coletiva, ou seja, “criar um
sentido de pertença” (THOMPSON, 2008, p. 165).
OBJETIVOS

Geral

Analisamos de que forma que os índios da aldeia Porteira da etnia Xerente vivenciam cada
um dos contextos interativos, referenciando principalmente à interferência dos meios de
comunicação na reorganização social desta comunidade indígena.

Específicos

1. Realizamos um mapeamento das atividades cotidianas, desenvolvidas na aldeia,


relacionando-as aos seus respectivos contextos interativos, considerando, para tanto, as
variáveis “faixa etária” e “gênero” (feminino e masculino).

2. Produzimos um levantamento dos meios de comunicação disponíveis em cada um das


moradias, destacando: a) o tipo de mídia, b) a freqüência da audiência, c) o veículo, d) o tipo
de programação (entretenimento ou informativa) e e) os programas mais assistidos.

3. Analisamos e relativizamos os dados levantados para produção do relatório final.


MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa propôs uma análise dos contextos interativos dos índios da aldeia Porteira.
Utilizando, para tanto, uma metodologia interdisciplinar da sociologia da comunicação, história oral
e antropologia cultural, na qual trabalhamos sob a perspectiva de tradução de culturas4.
Preocupamo-nos primeiramente em fazer um levantamento bibliográfico a respeito da etnia a ser
estudada e dos procedimentos a serem adotados para que os objetivos fossem alcançados.
Os primeiros contatos consistiram em conversações com as lideranças internas, da aldeia
Porteira, e também externas, como é o caso da Vanda Sibakadi Gomes da Silva Xerente
coordenadora de cultura e cidadania do PROCAMBIX, que tinham representatividade política
perante a sociedade envolvente e não mora na aldeia. Com isto, pretendíamos contextualizar a
comunidade acerca dos objetivos da pesquisa, obter a concessão para entrevistas e aplicação de
questionários e, também integrarmo-nos o ambiente estudado conforme fundamentos teórico-
metodológicos relativas a contatos com culturas particulares, como é o caso.
A pesquisa, embora seja de caráter qualitativo, recorremos primeiramente à quantificação de
dados oriundos de um questionário aplicado na primeira etapa. Segundo Malinowski (1978, p.27), o
levantamento de dados ou survey permite ao pesquisador conhecer o “esqueleto da constituição
tribal”, todavia não é suficiente compreensão das vivências e fenômenos sociológicos. Desta forma,
a fim de documentar mais especificamente às atividades desenvolvidas em cada um dos contextos
interativos e perceber a existência da chamada nova ancoragem da tradição5 nesta comunidade,
demos prosseguimento aos pressupostos teóricos e metodológicos da História Oral, com base nos
quais obtivemos depoimentos, dos considerados “guardiões da memória6”.
Seguimos a linha anglo-saxônica dentro da metodologia da História Oral, na qual
desenvolvemos um pré-roteiro de entrevista para delimitar a subjetividade dos depoentes e associá-
la a documentos oficiais. Durante a pesquisa interagimos com os índios, registramos e
transcrevemos entrevistas recolhemos impressões, comentários e descrições.

4
Sobre a tradução cultural, Priscila Faulhaber (2008, p. 1.), menciona que seu uso é recorrente desde os primeiros
trabalhos antropológicos, onde os pesquisadores precisavam comunicar-se com a comunidade estudada. Afirma ainda,
que “incorpora a história, uma vez que cada tradução é uma atualização de conhecimentos prévios ou pré-constituídos e
que a novidade enunciativa é entendida em referência ao presente. [...] A tradução consiste em uma tentativa de
decifração do sentido através da procura de aproximações entre várias esferas de intimidade. [...] a antropologia abarca
a tradução cultural como uma forma de pensar o cruzamento de diferentes campos sociais, políticos e simbólicos”.
5
Segundo Thompson (2008, p160). „[...] as tradições transmitidas oralmente continuaram a desempenhar um papel
importante na vida cotidiana de muitos indivíduos. E mais, as tradições mesmas foram transformadas à medida que seu
conteúdo foi sendo assumido pelos novos meios de comunicação.
6
Segundo GOMES, (1996, p.7) guardião da memória é um narrador privilegiado da história de um grupo a que
pertence e está autorizado a falar. “Ele guarda/ possui as “marcas” do passado sobre o qual se remete, tanto porque se
torna um ponto de convergência de histórias vividas por muitos outros grupos (vivos e mortos) [...]”.
RESULTADO E DISCUSSÃO

Os contatos com os nativos na aldeia Porteira, a aplicação de questionários nas 48 casas,


seleção7 e a entrevista com os “guardiões da memória”, somado ainda à leitura do material teórico
nos levou a perceber que o processo de relação com a sociedade não-índia tem ocasionado
modificações estruturais e socioculturais. Os nativos preservam a cultura tradicional; o artesanato,
a narrativa, os mitos e as lendas. Todavia, o tempo ora atribuído somente a essas vivências
particulares é atualmente dividido com o usufruto dos meios de comunicação, bem como o contato
com a sociedade (cada vez mais) envolvente.
Tais transformações perpassam questões institucionais e suas interferências acontecem de
forma escalonada. Os índios, na aldeia Porteira, convivem com representantes religiosos, igreja
protestante, uma escola, meios de comunicação e (para alguns) contato cotidiano com a sociedade
não-índia, assim, agregam valores e hábitos modificando-se, em um processo lento, porém contínuo
o ethos8 Xerente. Assim o cacique Ribamar, explicou a relação dos meios tecnológicos e as
instituições na aldeia Porteira;

O que eu disse, sempre... Hoje nós temos meios tecnológicos... „Capaz‟ de registrar
e de documentar tudo... Os Xerentes... Depende de nós mesmos. Depende também
dos „não índio‟, porque hoje os... Hoje o Xerente ainda não dispõem de gravadores,
hoje tudo é... Depende de organização dos Xerentes, para buscar também estes
recursos. Hoje tem o PDPI, tem o MNE que financiam esta... Esses vídeos estas
gravações da cultura na aldeia né... E... Após isto, tudo registrado a escola... E o
passo mais importante, porque futuramente [...]. Na prática... A prática... O índio
pode praticar durante a festa indígena que vai ter, mas para que não se perca ele vai
ter que ter aquilo em mente registrado. E isto hoje muitos índios estão fazendo isto
né... „Tem índios nas aldeias hoje que estão‟... Os próprios índios estão registrando
o dia-a-dia para que futuramente... Ele sabe que futuramente os filhos deles 'vai'
depender daquilo ali [...]9.

O próprio artesanato, por exemplo, quase não mais é ensinado de forma tradicional, ou seja,
sem um sistema metódico10, pois foi institucionalizado pela escola, conforme nos demonstrou dona
Rosalina11.
As narrativas da tradição ao serem relatadas pelos „guardiões da memória‟ demonstrou-nos
uma circularidade12 de culturas. Pois ao serem verbalizadas, imbricavam aos depoimentos, eventos,

7
A escolha dos “guardiões da memória” aconteceu segundo critérios da metodologia da História Oral, ou seja, pessoas
que representavam a memória coletiva. Neste caso, foram escolhidos “guardiões” que também representavam as faixas
etárias e gêneros (masculino e feminino).
8 O termo aqui é entendido conforme defende Certeau (1980), como sendo um determinado modo de ser e estar no
mundo.
9
Entrevista com o cacique Ribamar Wẽkazaté, cedida em 22 de maio de 2010.
10
Neste caso, refere-se a um ensino empírico, que segundo Geertz (2001, p. 121); “não é transmitido através de
qualquer ensino sistemático e sim passado de geração a outra, de uma forma lenta e casual, durante a infância e nos
primeiros anos da maturidade”.
11
Em entrevista cedida por dona Rosalina, no dia 23 de maio que também nós afirmou que ensinar artesanato na escola
faz parte do seu projeto de conclusão de curso de pós-graduação.
símbolos, imagens, raciocínios e sentimentos oriundos da memória coletiva e de assimilações
ocorridas devido ao contato com a sociedade envolvente. As narrativas constituem-se de
acontecimentos verídicos, no sentido de históricos, narrativa mitológica e associações de elementos
não pertencentes à tradição Xerente. O conjunto de memórias existentes e a dimensão simbólica
dinâmica, ou seja, em constante assimilação de valores, consubstanciam-se em uma narrativa
repleta de códigos culturais peculiares. Como demonstra este breve fragmento da entrevista
realizada com os senhores, Severo e Sõze.
[...] Ele falou que... Não foi... É muito pouco, que ele ia vindo quando Jesus 'tava'
aqui na terra, mas o Pedro. O Pedro só vivia „rodiado‟ com Jesus... É sabido... Foi
isso ele que completo dizendo... De... Nossa... Nossa filha foi nascendo de qualquer
barriga... Cada... Cada nação tem... Onde nasceu... Cada clã tem a convivência
nossa... Então... „Quando nós era bravo‟... Aí ninguém conhecida „o‟ farinha,
ninguém conhecia saco, ninguém conhecia o café conhecia nada. „A troco do fruta
do mato‟.

Os índios mais jovens, pelo contato e vivência e por terem nascido em um contexto já em
transformação, estão mais propensos a viverem estas modificações. Para Malinowski (1978, 24),
alguns indivíduos pertencentes e sob influência de instituições não percebem as estruturas, pois “...
pertecem a ela e nela se encontram, sem ter visão da ação integral do todo e, menos ainda, sem
poder fornecer detalhes de sua organização...”, como seria o caso desta faixa etária da comunidade
da aldeia Porteira.
Percebemos que os índios da Porteira estão cada vez mais inseridos em contextos interativos
mediados, pois mais 91% das casas têm um aparelho televisor. A audiência é diária, realizada
individualmente ou em família, semelhante a que se observada na sociedade não-índia. O usufruto
do veículo midiático televisão, é um fenômeno mediante o qual as famílias da aldeia Porteira têm
características semelhantes às das famílias da sociedade envolvente (moderna e capitalista), ou seja,
como unidades sociais de um todo, diferente do que propúnhamos antes de procedermos ao
levantamento dos dados. Sobre a audiência televisiva, uma questão relevante refere-se ao fato dos
telejornais serem apontados como o gênero de programa preferido e, por tal, os mais assistidos
dentro do conjunto da programação televisiva, embora não sejam totalmente compreendidos, pelo
que foi possível observar durante a realização da pesquisa de campo.

12
Termo utilizado por Janaína Amado (1995) no texto, O grande mentiroso: Tradição, Veracidade e Imaginação em
CONCLUSÕES

Na aldeia Porteira da etnia Xerente, pelo que foi possível perceber, a comunidade vivencia
os contextos interativos de uma forma re-ancorada. Ou seja, prima-se (de acordo com os relatos
recolhidos) pela preservação das tradições e da cultura Xerente e usufruem concomitantemente dos
meios de comunicação. A utilização destes meios se dá de forma dicotômica, isto é, informação e
entretenimento – como na sociedade não índia tal como, por exemplo, o registro da tradição em
audiovisual. Ainda que algumas casas tenham aparelhos de DVD, os índios não utilizam como
forma de reforço das tradições Xerentes13.
A cultura não índia adentra o contexto Xerente através de instituições pertencentes à
sociedade envolvente e também os meios de comunicação. Esta relação promove o confronto de
valores destas culturas discrepantes, possibilitando à comunidade indígena a reafirmação de seus
valores e de sua tradição. Todavia, vale ressaltar que relações deste caráter promovem trocas, assim,
ao mesmo tempo em que, reafirma-se o ethos indígena também se acresce novas características.
A nova ancoragem da tradição e o redimensionamento dos contextos interativos foram
elucidados em ações como a gravação de um CD com músicas em Awkẽ, legitimação da escola
como local de aprendizado de artesanato Xerente. Porém, não podemos afirmar que os índios da
aldeia Porteira vivenciam plenamente a nova ancoragem da tradição, pois embora tenham a
iniciativa de registrar utilizando os meios tecnológicos de comunicação, não usufruem dos mesmos
efetivamente para a manutenção da tradição Xerente.
Neste contexto, percebemos mudanças de hábitos da tradição hermenêutica, ainda que, os
índios da aldeia Porteira afirmem que vão continuar cultivando tais tradições, os mesmos estão
inseridos na macro-estrutura da sociedade envolvente, na qual novas instituições são enquadradas
em uma estrutura tradicional e peculiar que não as contemplava.

História Oral.
13
As produções em audiovisual, foram feitas com verbas oriundas do PROCAMBIX e ficam armazenadas na Casa da
Cultura no município de Tocantínia, e futuramente serão utilizadas pelas escolas primárias das aldeias, pois tem um
caráter educativo. Informações concedidas pelo Cacique Ribamar Wẽkazaté, na entrevista do dia 22 de maio, ver anexo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMADO, Janaína. O grande mentiroso: Tradição, Veracidade e Imaginação em História Oral. In


Revista de História Oral. São Paulo: Unesp, 1995.

CERTEAU, Michael. (1980) A invenção do cotidiano: artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

GEERTZ ,Clifford James. O saber local: novos ensaios em antropologia interpretativa.


Petrópolis, Vozes, 2001.

FAULHABER, Priscila. Produto parcial do projeto “Etnografia e Tradução Cultural na


Amazônia”. http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/bmpegch/v3n1/v3n1a02.pdf

GOMES, Angela de Castro. A guardiã da memória. Disponivel em:


http://cpdoc.fgv.br/producao_intelectual/arq/538.pdf> . Acesso em 05 out 2009.

MALINOWSKI, Bronislaw. “Introdução”. In: Os argonautas do Pacífico Ocidental. São Paulo: Ed.
Abril, 1978. Coleção Os Pensadores.

MONTSERRAT, Ruth Maria F. Línguas indígenas no Brasil contemporâneo. In: GRUPIONI, Luís
D. B. (org). Índios no Brasil. São Paulo: Global; Brasília: MEC, 1998.

RIBEIRO, Berta Gleizer. O Índio na História do Brasil. São Paulo, Global editora, 2001.

SCHROEDER, Ivo. Política e parentesco nos Xerente. São Paulo: USP, 2006. 303 p. Dissertação –
Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.

THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade - uma teoria social da mídia. Petrópolis,


RJ:Vozes,1998.

Consulta eletrônica

Xerente. Povos indígenas. Site :Povos Indígenas no Brasil. Disponível em:


http//pib.socioambiental.org/pt/povo/xerente. Acesso em jul 2010.
RELAÇÃO DE ANEXOS

Consideramos por bem não anexar à tabulação, nem as transcrições uma vez que esta constitui se a
rigor como apêndice da pesquisa.
RELAÇÃO DE TRABALHOS PUBLICADOS NO PERÍODO DA BOLSA

Apresentação de trabalho oral publicado como resumo no VI Encontro Regional de História


Oral intitulado “As contribuições da História Oral para a investigação do cotidiano mediado na
aldeia porteira da etnia Xerente”.

ANJOS, Ana Carolina Costa dos, UFT- Comunicação Social, (graduanda), NILO, Adriana
Tigre Lacerda, UFT- Comunicação Social, (Doutora). “As contribuições da História Oral para a
investigação do cotidiano mediado na aldeia porteira da etnia Xerente”.

Publicação e apresentação de artigo no XII Congresso de Ciências da Comunicação na


Região Centro-Oeste – Goiânia, GO, intitulado “A Cultura Xerente e a Influência da Mídia no
Redimensionamento dos Contextos Interativos na Aldeia Porteira do Tocantins”.

ANJOS, A.C. C, UFT (Graduanda); FRAGA, C.K, UFT (Graduanda); NILO, A.T.L,
UFT (Doutora). A Cultura Xerente e a Influência da Mídia no Redimensionamento dos Contextos
Interativos na Aldeia Porteira do Tocantins.
PARECER DO ALUNO A RESPEITO DO PROFESSOR

O ato de trabalhar com pesquisa, ainda que seja de caráter de iniciação cientifica, acresce
muito na formação enquanto acadêmica, proporciona crescimento intelectual e humano. Sendo
assim, as divergências pessoais (que existiram) acabam por se condicionarem em um segundo
plano. Desta forma, administramos nossas discrepâncias segundo esta perspectiva. As orientações
ocorreram oficialmente toda semana. Discutíamos e compartilhávamos textos, nesta segunda etapa
fizemos várias viagens, além da orientadora também ministrar aulas que cursei durante o período da
pesquisa, assim as conversas se estenderam a outros contextos extra-oficiais. Algumas questões,
referentes a encaixes de horário, uma vez que eu desenvolvo trabalhos remunerados, como estágio e
free lance, constituíram-se como problemáticas. Todavia, as relações de âmbito pessoal não
impediram a conclusão desta pesquisa.

PARECER DO PROFESSOR A RESPEITO DO ALUNO

Reitero, de forma sintética, o teor do parecer parcial quanto à participação desta aluna nesta
pesquisa. O seu trabalho confirmou a hipótese da pesquisa quanto ao o tipo de influência exercido
pela mídia na comunidade da aldeia Xerente, relativizando a sua forma de ocorrência.
A aluna cumpriu as atividades previstas no cronograma do seu plano, conciliando tais tarefas
com o acompanhamento do plano de atividade da colega que também integra o programa de
iniciação científica desenvolvido nesta pesquisa. Avalio que o conhecimento adquirido, tanto na
revisão literária teórica quanto na pesquisa de campo, tenha contribuído para a sua formação
acadêmica, bem como para reflexão acerca de pontos inerentes ao caráter da investigação de uma
cultura peculiar, como a indígena Xerente, a exemplo de questões como alteridade e diversidade
sócio-cultural.
Ressalto que desempenhei a orientação presencial, teórica e em campo, até a 1ª quinzena do
mês de julho, do corrente ano, quando iniciei um processo de adoção, pelo qual encontro-me de
licença maternidade (assegurada por lei), a partir do dia 26 do mês passado. Mesmo estando isenta
das demais atividades acadêmicas, que concorrem com a pesquisa, tais como gestão (do curso de
Pós-graduação), extensão, ensino e demais orientações, preservei a orientação da pesquisa de
iniciação científica, por email e telefone, fazendo duas revisões na edição deste relatório final,
devido ao dever moral de cumprir com o edital, que rege esta pesquisa, cujo término ocorre somente
no dia 31 do mês corrente.

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