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SANEAMENTO

BÁSICO
ÍNDICE 5.1.3 - Volume de Água Necessária ............................................................. 12
5.2 - Consumo de Água para Combate a Incêndio............................................ 13
5.3 - Captação de Águas Superficiais................................................................ 13
5.4 - Captação em Rios ..................................................................................... 13
1 - GENERALIDADES ........................................................................................1 5.4.1 - Exame Prévio das Condições Locais................................................. 13
1.1 - Importância da Disciplina na Formação do Engenheiro..............................1 5.4.2 - Localização de Tomadas ................................................................... 14
1.2 - Conceitos Básicos Relacionados ao Saneamento ........................................1 5.4.3 - Partes Constitutivas de Captação em Rio .......................................... 14
2 - SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA ..........................................3 6 - ADUÇÃO DE ÁGUA..................................................................................... 16
2.1- Introdução.....................................................................................................3 6.1- Conceito..................................................................................................... 16
2.2- Importância Sanitária do Abastecimento de Água .......................................3 6.2- Traçado ...................................................................................................... 16
2.3 - Importância Econômica do Abastecimento de Água...................................3 6.3- Classificação .............................................................................................. 16
2.4 - Doenças Relacionadas Com a Água ............................................................3 6.3.1- Quanto a Natureza da Água Aduzida ................................................. 16
2.4.1 - Doenças Relacionadas Com a Ingestão de Água Contaminada ...........4 6.3.2 - Quanto a Energia para Conduzir a Água ....................................... 16
2.4.2 - Doenças de Transmissão Hídrica .........................................................4 6 .4 - Dimensionamento das Adutoras .............................................................. 17
2.4.3 - Doenças de Origem Hídrica .................................................................4 6.5 - Peças Especiais e Órgãos Acessórios........................................................ 20
2.5 - Água na Natureza ........................................................................................4 6.6 - Materiais Empregados em Adutoras ......................................................... 21
2.5.1 - Ciclo Hidrológico.................................................................................5 7 - RESERVATÓRIOS DE DISTRIBUIÇÃO .................................................. 22
2.6 - Qualidade da Água ......................................................................................5 7.1 - Tipos de Reservatórios de Distribuição .................................................... 22
2.7 – Classificação das Águas..............................................................................5 7.1.1 - Quanto à Localização no Sistema...................................................... 22
2.7.1 - Água Potável ........................................................................................5 7.1.2 - Quanto à Localização no Terreno...................................................... 22
2.7.2 - Água Poluída........................................................................................5 7.2 - Quanto ao Material de Construção ........................................................... 22
2.7.3 - Água Contaminada...............................................................................5 7.3 - Capacidade dos Reservatórios .................................................................. 22
2.8 - Características da Água para o Abastecimento............................................6 7.4 – Dimensões Econômicas. ......................................................................... 23
3 - ELABORAÇÃO DE PROJETO .....................................................................9 8 - REDE DE DISTRIBUIÇÃO ......................................................................... 24
3.1 - Planejamento de Sistemas de Abastecimento de Água................................9 8.1 – Definição.................................................................................................. 24
3.2 - Elementos Básicos para Desenvolvimento de Projetos ...............................9 8.3 - Cálculo da Vazão de Distribuição............................................................. 24
4 - ESTIMATIVA DE POPULAÇÃO................................................................10 8.4 - Vazão Especifica ...................................................................................... 24
4.1 - Objetivo.....................................................................................................10 8.5- Dimensionamento da Rede ........................................................................ 25
4.2 - Métodos de Previsão..................................................................................10 8.5.1- Método do Seccionamento Fictício .................................................... 25
4.2.1 - Processo de Extrapolação Gráfica......................................................10 8.5.2 - Marcha de Cálculo: ........................................................................... 25
4.2.2 - Processo Aritmético ...........................................................................10 8.6 - Condições para os Sistemas de Distribuição de Água .............................. 27
4.2.3 - Processo Geométrico..........................................................................11 8.7 - Materiais Empregados .............................................................................. 27
4.2.4 - Processo da Curva Logística ..............................................................11 9 - CAPTAÇÃO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS ............................................ 30
4.2.5 - População Flutuante ...........................................................................11 9.1 - Introdução ................................................................................................. 30
4.2.6 - Norma Casan - Comunidades de Pequeno Porte................................11 9.2 - Estudo dos Aqüíferos................................................................................ 30
4.3 - Distribuição da População.........................................................................11 9.3 – Conceitos e Definições das Águas Subterrâneas...................................... 31
5 - PREVISÃO DE CONSUMO .........................................................................12 9.4 - Vantagens do Uso de Águas Subterrâneas................................................ 32
5.1 - Variações de Consumo ..............................................................................12 9.5 – Qualidade da Água................................................................................... 32
5.1.1 - Variações Diárias ...............................................................................12 9.6 – Hidráulica de Poços.................................................................................. 32
5.1.2 - Variações Horárias.............................................................................12 9.7 – Desinfecção.............................................................................................. 33
9.7 1 - Quantidade de Desinfetante a Usar: ...................................................33 11.8.1 - Dimensionamento............................................................................ 50
9.7.2 - Técnica de Desinfecção: ....................................................................33 11.9 - Tratamento de Esgoto ............................................................................. 51
10 - TRATAMENTO DE ÁGUAS DE ABASTECIMENTO ...........................34 11.9.1 - Considerações Gerais ...................................................................... 51
10.1 - Principais Processos de Tratamento de Água ..........................................34 11.9.2 - Fases e Graus de Tratamento de Esgotos ........................................ 51
10.1.1 - Aeração ............................................................................................34 11.9.2 1 - Tratamento Secundário ............................................................ 51
10.1.2 - Coagulação e Floculação..................................................................34 11.9.3 – Lagoas de Estabilização.................................................................. 52
10.1.3 - Decantação .......................................................................................35 12 - POLUIÇÃO DE RECURSOS HÍDRICOS................................................ 53
10.1.4 - Filtração ...........................................................................................35 12.1 – Fontes de Poluição ................................................................................. 53
10.1.5 - Desinfecção......................................................................................37 12.2 – Levantamento Sanitário ......................................................................... 53
10.2 – Esquema Geral de uma Estação de Tratamento......................................38 12.3 – Avaliação de Cargas Poluidoras............................................................. 54
11 - SISTEMAS DE ESGOTOS SANITÁRIOS................................................39 12.4 – Assimilação de Cargas Poluidoras ......................................................... 54
11.1- Introdução.................................................................................................39 12.5 - Equação da Mistura ................................................................................ 54
11.2 - Características das Águas Resíduarias.....................................................39 12.6 - Equivalentes Populacionais .................................................................... 55
11.2.1 - Características Físicas ......................................................................39 12.7 – Oxigênio Dissolvido............................................................................... 55
11.2.2 - Características Químicas..................................................................40 12.9 – Demanda Química de Oxigênio ............................................................. 55
11.2.3- Características Biológicas .................................................................41 13 - REDE DE ESGOTO .................................................................................... 56
11.3 - Finalidade do Tratamento........................................................................41 13.1 - Generalidades ......................................................................................... 56
11.3.1 - Importância Sanitária .......................................................................41 13.2 - Sistemas de Esgotamentos ...................................................................... 56
11.3.2 - Importância Econômica ...................................................................42 13.3 - Hidráulica das Redes de Esgotos ............................................................ 56
11.4 - Soluções Individuais para Destino dos Despejos ....................................42 13.3.1 - Lâmina Líquida ............................................................................... 56
11.5 - Fossa Séptica ...........................................................................................42 13.3.2 - Diâmetro Mínimo ............................................................................ 56
11.5.1 - Histórico...........................................................................................42 13.3.3 – Tensão Trativa (σ) .......................................................................... 57
11.5.2 - Conceito ...........................................................................................43 13.3.4 - Declividade Mínima ........................................................................ 57
11.5.3 - Dimensionamento ............................................................................43 13.3.5 - Velocidades Mínimas ...................................................................... 57
11.5.3.1 - Volume .....................................................................................43 13.3.6 – Velocidade Máxima........................................................................ 57
11.5.3.2 - Geometria dos Tanques ............................................................44 13.3.5 - Profundidade Mínima e Profundidade mais Conveniente ............. 57
11.5.3.3 - Medidas Internas Mínimas........................................................44 13.3.6 - Simbologia ...................................................................................... 58
11.5.4 - Disposição do Efluente Líquido dos Tanques Sépticos ...................45 13.4 - Previsão de Vazão................................................................................... 58
11.5.5. - Disposição do Efluente Sólido ........................................................45 13.5 - Relação Água/Esgoto.............................................................................. 58
11.5.6 - Eficiência .........................................................................................45 13.6 - Perdas e Infiltrações................................................................................ 59
11.5.6.1 - Sólidos em Suspensão...............................................................45 13.7 - Traçado da Rede - Localização dos Coletores ........................................ 59
11.5.6.2 - Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO)...............................45 13.9 - Traçado dos Coletores ............................................................................ 59
11.5.6.3 - Influência de Outras Substâncias ..............................................45 13.10 - Traçado e Dimensionamento ................................................................ 59
11.6 - Filtro Anaeróbio ......................................................................................46 13.11 - Órgãos Acessórios das Redes Coletoras ............................................... 61
11.6.1 - Dimensionamento ............................................................................46 13.11.1 - Poços de Visita (PV) ..................................................................... 61
11.6.2 – Aspectos a Serem Observados na Construção do Filtro Anaeróbio 46 13.11.2 - Tubo de Inspeção e Limpeza (TIL) ou Poço de Inspeção (PI) ...... 62
11.7 - Sumidouro ...............................................................................................48 13.11.3 - Terminal de Limpeza (TL) ............................................................ 62
11.7.1 - Teste de Percolação..........................................................................48 13.11.4 - Caixa de Passagem (CP)................................................................ 62
11.7.2 - Aspectos a Serem Observados na Construção do Sumidouro..........49 13.11.5 - Tubo de Queda .............................................................................. 63
11.8 – Vala De Infiltração..................................................................................50 13.12 - Materiais Empregados .......................................................................... 63
13.12.1 - Critérios..........................................................................................63
13.12.2 - Requisitos.......................................................................................63
13.12.3 - Tubos..............................................................................................63
14 - REDE DE ESGOTO PLUVIAL ..................................................................65
14.1 - Introdução................................................................................................65
14.2 - Estimativa de Vazões de Projetos............................................................65
14.3 - Coeficiente de Escoamento Superficial (Runoff) ....................................65
14.4 - Cálculo de Sistema de Microdrenagem ...................................................67
14.4.1 - Introdução ........................................................................................67
14.5 - Capacidade Admissível das Sarjetas .......................................................67
14.6 - Cálculo das Galerias ................................................................................70
14.7 - Localização das Bocas de Lobo...............................................................73
14.7.1 - Cálculo e Tipos de Bocas de Lobos .................................................73
14.7.1.1 - Boca de Lobo com Abertura na Guia............................................73
14.7.1.2 - Boca de Lobo com Grade .........................................................74
15 - RESÍDUOS SÓLIDOS .................................................................................76
15.1 - Origem e Produção de Lixo.....................................................................76
15.2 - Origem e Formação do Lixo....................................................................76
15.3 - Fatores que Influenciam a Origem e Formação do Lixo .........................76
15.4 - Classificação do Lixo ..............................................................................77
15.5 - Destino Final ...........................................................................................78
15.5.1 - Aterro Sanitário................................................................................78
15.5.1.1 - Definição ..................................................................................78
15.5.1.2 - Classificação dos Aterros..........................................................78
15.2 - Compostagem..........................................................................................79
15.2.1 - Definição..........................................................................................79
15.3 - Incineração ..............................................................................................79
15.3.1 - Definição..........................................................................................79
15.3.2 - Classificação ....................................................................................79
16 - BIBLIOGRAFIA GERAL ...........................................................................80
Saneamento Básico

1 - GENERALIDADES visual e espacial, na segurança pública, do trabalho e social, na limpeza pública e


na higiene, etc.

1.1 - Importância da Disciplina na Formação do Engenheiro Dessa forma, o que se procura no Saneamento‚ é a qualidade do meio.
Para que se tenha qualidade do meio, exige-se qualidade da água, do ar, do solo,
Atualmente, os recursos naturais vêem sendo destruído devido às dos alimentos, dos meios de transporte, dos locais de habitação, recreação e
atividades humanas, que se multiplicam rapidamente, e que além de serem trabalho, entre outros.
numerosas, se diversificam.

Dessa forma, a relação, entre os recursos naturais, os espaços existentes, 1.2 - Conceitos Básicos Relacionados ao Saneamento
os homens e suas atividades, passa progressivamente a apresentar um resultado
negativo, que se traduz em prejuízos à qualidade do meio ambiente. SAÚDE: é um estado completo de bem estar físico, metal e social, e não apenas a
ausência de doenças ou enfermidades (OMS).
Pela existência de uma correlação entre qualidade do meio e qualidade de Saúde é a perfeita e contínua adaptação do organismo ao seu ambiente (H.
vida, pode-se afirmar que, à medida que o meio ambiente se deteriora a qualidade Spencer).
de vida é afetada.
SAÚDE PÚBLICA: é a ciência e a arte de promover, proteger e recuperar a saúde
Portanto são necessárias ações que ataquem os problemas e permitam através de medidas de alcance coletivo e de motivação da população
rápidos equacionamentos, apresentando soluções. Trata-se, portanto de ações
pertinentes à área do Saneamento. SANEAMENTO: é o controle de todos os fatores do meio físico do homem, que
exerceram ou podem exercer efeitos deletérios, sobre seu bem estar. Físico,
No saneamento, deve-se observar as PARTES que compõem o TODO, de Mental e Social (OMS).
acordo com uma visão de caráter global. Essas partes se referem aos recursos
naturais, aos recursos artificiais aos homens e suas atividades. Com o crescimento da população, principalmente, com a sua concentração em
grandes cidades, o saneamento passou a ter aumentadas suas atividades. A grande
Os recursos naturais são: água, ar, solo, flora, fauna, espaço. Os recursos quantidade de resíduos sólidos produzidos, o escoamento das águas pluviais, os
artificiais são: edificações e abrigos (casas, escritórios, fábricas, etc.), resíduos gasosos, a emissão de ruídos, e muitos outros problemas ambientais,
equipamentos (vias de circulação e outras, redes de água, esgoto, luz telefone, gás, resultaram na ampliação das ações do saneamento, as quais crescem a cada dia.
etc.), equipamentos/edificações (portos, aeroportos, rodoviárias e ferroviárias, As atividades do saneamento podem ser assim enumeradas:
barragens, represas, etc.)
Abastecimento de água; Coleta e disposição de águas residuárias (esgotos
Relacionando-se diretamente com os recursos naturais e artificiais, o sanitários, resíduos líquidos industriais, águas pluviais);Acondicionamento, coleta,
homem exige cuidados especiais quanto às suas atividades básicas, ou seja: transporte, tratamento e/ou destino dos resíduos sólidos, limpeza urbana;Controle
circulação, recreação, trabalho, habitação. de artrópodes (moscas mosquitos, baratas, etc.) e de roedores (ratos, etc.) de
importância em Saúde Pública;Saneamento de alimentos (leite, carne e outros);
Assim sendo, para satisfazer as necessidades do meio ambiente em geral, Saneamento nos meios de transporte; Saneamento de locais de reunião, recreação
deve-se preservar e controlar os recursos naturais e artificiais. Isso implica no e locais de trabalho; Saneamento de escolas, hospitais e das habitações;
controle de resíduos líquidos, gasosos, sólidos, etc., no conforto térmico, acústico, Saneamento no planejamento territorial; Saneamento em situação de emergência;
Aspectos diversos de interesse no saneamento do meio (cemitérios, ruídos, etc.).
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Saneamento Básico

SANEAMENTO BÁSICO: esta expressão é reconhecida no Brasil, no estágio


atual, como a parte do Saneamento do Meio que trata de problemas dos esgotos
sanitários, incluindo os resíduos líquidos industriais, o controle da poluição por
esses esgotos e, devido à exploração urbana em alguns centros, também à
drenagem urbana e o acondicionamento, coleta, tratamento e destino dos resíduos
sólidos.

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2 - SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA 2.3 - Importância Econômica do Abastecimento de Água

Sob o aspecto econômico, o abastecimento de água visa, em primeiro


2.1- Introdução lugar, o:
• aumento da vida média da população servida (diminuição da mortalidade,
A água constitui um elemento essencial a todo ser vivo inclusive o principalmente infantil);
homem, onde pode atingir 75% de seu peso. O homem tem necessidade de água de • redução do número de horas perdidas com doenças;
qualidade e em quantidade suficiente para todas suas necessidades, não só para • desenvolvimento industrial: matéria-prima (bebidas), meio de operação
proteção de sua saúde como também para o seu desenvolvimento econômico. A (caldeiras), resfriamento, etc.
presença de água tem sido primordial na formação de aglomerações humanas. • facilitar o combate a incêndios.

Através dos tempos, o homem aprimorou tecnologias, projetou e


construiu complexos sistemas urbanos de abastecimento de água, com o qual 2.4 - Doenças Relacionadas Com a Água
capta, trata, transporta e distribui este precioso líquido a comunidade.
De várias maneiras a água pode afetar a saúde do homem: através da
ingestão direta, ou na preparação de alimentos, ou pelo seu uso na higiene pessoal
2.2- Importância Sanitária do Abastecimento de Água ou na agricultura, indústria ou lazer.

Constitui o melhor investimento em beneficio da saúde pública. Os riscos para a saúde relacionados com a água podem ser distribuídos
em duas categorias principais:
A implantação ou melhoria dos serviços de abastecimento de água traz
como resultado uma rápida e sensível melhoria da saúde e das condições de vida • riscos relacionados com a ingestão de água contaminada por agentes
de uma comunidade, principalmente através de: biológicos (vírus, bactérias e parasitas) ou através de contato direto, ou por
• controle e prevenção de doenças meio de insetos vetores que necessitam de água em seu ciclo biológico;
• promoção de hábitos higiênicos • riscos derivados de poluentes químicos e radiativos, geralmente provenientes
• do desenvolvimento de esportes de esgotos industriais.
• da melhoria da limpeza pública
• melhoria do conforto e segurança coletiva: instalações de ar condicionado, Os principais agentes biológicos encontrados nas águas contaminadas são
combate de incêndio. as bactérias patogênicas, os vírus e os parasitas. As bactérias patogênicas
encontradas na águas e/ou alimentos constituem uma das principais fontes de
Segundo a OMS, aproximadamente ¼ dos leitos existentes em todos os morbidade e mortalidade em nosso meio. São responsáveis pelos numerosos
hospitais do mundo estão ocupados por enfermos, cujas doenças são ocasionadas casos de enterites, diarréias infantis e doenças, como a febre tifóide, com
pela água. resultados freqüentemente letais.

Na tabela 2.1, podem ser observado as principais doenças relacionadas à


ingestão de água contaminada e seus agentes causadores:

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2.4.1 - Doenças Relacionadas Com a Ingestão de Água Contaminada • Cobre, zinco e ferro: dão a água gosto metálico característico e são
responsáveis por certos distúrbios em determinadas operações industriais;
• água utilizada no asseio corporal ou a que, por razões profissionais ou outras • Nitratos: presentes na água em quantidades maiores provocam em crianças o
quaisquer, venha a ter contato direto com a pele ou mucosas do corpo humano estado mórbido denominado cianose ou metemoglobinemia.
(lavanderias, atividades recreativas, lagos, piscinas, etc.);
• água empregada na manutenção da higiene do ambiente: locais (domicilio, Obs.: Deve-se assinalar que a água é imprescindível ao ciclo biológico de muitos
restaurantes, bares, etc.), utensílios (preparo e apresentação de alimentos); vetores animados, de graves enfermidades, por exemplo, o mosquito que
• água utilizada na rega de hortaliça ou nos criadouros de moluscos (ostras, transmitem a malária e a febre amarela tem a fase larvária, obrigatoriamente no
mariscos e mexilhões). meio aquático.
A água é de importância básica na transmissão da cólera, febre tifóide e
Tabela 2.1 – Doenças relacionadas com a água esquistossomose, é de menor importância na transmissão das disenterias bacilar e
amebiana.
Doença Agente causador
Cólera Vibrio cholerae
Disenteria bacilar Shiggella sp. 2.5 - Água na Natureza
Febre tifóide Salmonella typhi
Febre Paratifóide Salmonella paratyphi A,B e C A água atualmente encontrada na terra é praticamente a mesma que
Gastroenterite Outros tipos de Salmonella, Shiggella,proteus sp. etc. existia há centenas de milhões de anos, quando se formou a primeira nuvem e caiu
Diarréia infantil Tipos enteropatogênicos e Escherichia coli a primeira chuva. Cerca de 97% de toda a água da terra estão nos oceanos, que
Leptospirose Leptospira sp. cobrem 71% da superfície do planeta. Somente 3% da água existente são água
doce (aproximadamente, 40 quatriliões de m3). Dessa água doce 75% estão
imobilizados nas capas ou calotas polares e 25% constituem as águas subterrâneas
2.4.2 - Doenças de Transmissão Hídrica e de superfície. Desses 25%, a quase totalidade, ou seja, cerca de 24,5% consistem
em água subterrânea e somente 0,5% estão nos rios, lagos e na atmosfera.
Relativo aos microrganismos patogênicos, as doenças de transmissão
hídrica podem ser ocasionadas por: A água subterrânea vem sendo acumulada no subsolo há séculos e
somente uma fração desprezível é acrescentada anualmente através das chuvas ou
• Bactérias: febre tifóide, febre paratifóide, disenteria bacilar, cólera;
retiradas pelo homem. Em compensação, a água dos rios é renovada cerca de 31
• Protozoários: amebiase ou disenteria amebiana;
vezes, em média, anualmente.
• Vermes e larvas: esquitossomiase;
• Vírus: hepatite infecciosa e poliomielite. A precipitação média anual, na terra, é de cerca de 86cm. Entre 70 a 75%
dessa precipitação voltam à atmosfera como evapotranspiração e os 30% restantes
correm na superfície, sendo que, destes, 65% voltam aos rios e o restante é
2.4.3 - Doenças de Origem Hídrica consumido e volta à atmosfera.
Contaminantes tóxicos:
• Flúor, selênio, arsênio, boro;
• Chumbo (acumulativo), empregado as vezes em tubulações. Doença:
saturnismo;
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2.5.1 - Ciclo Hidrológico 2.6 - Qualidade da Água

O ciclo hidrológico movimento da água em nosso planeta. A água da chuva, ao cair, é quase pura; ao atingir o solo, seu grande
poder de dissolver e carrear substância altera suas qualidades.
A água da superfície livre dos mares, rios e lagos está em constante
evaporação. Ao evaporar-se, aumenta extraordinariamente de volume e com isso Dentre o material dissolvido encontram-se as mais variadas substâncias
diminui sua densidade. A diminuição da densidade relativa da água em relação à como, por exemplo, substâncias calcárias e magnesianas que tornam a água dura;
do ar faz com que o vapor da água se eleve na atmosfera, formando nuvens. Em substâncias ferruginosas que dão cor e sabor diferentes à mesma e substâncias
conseqüência da condensação desse vapor, a água se precipita sob a forma de resultantes das atividades humanas, tais como produtos industriais, que as tornam
chuva, neve ou granizo. impróprias ao consumo. Por sua vez, a água pode carrear substâncias em
suspensão, tais como partículas finas dos terrenos por onde passa e que dão
Ao cair sobre a terra, parte da água escoa-se na superfície, formando turbidez à mesma; pode também carrear substâncias animadas, como algas, que
córregos, riachos e rios que vão ter aos lagos ou o mar. Uma parte infiltra-se no modificam seu sabor, ou ainda, quando passa sobre terrenos sujeitos à atividade
solo; desta, uma porção vai alimentar os lençóis subterrâneos que, por sua vez vão humana, podem levar em suspensão organismos patogênicos. Em conseqüência da
novamente alimentar os rios e os lagos; a outra porção é usada pelos vegetais que sua grande atividade, a água quimicamente pura não é encontrada na natureza.
dela se apropriam, eliminando, pela transpiração, uma parcela se evapora.

2.7 – Classificação das Águas

2.7.1 - Água Potável

Chama-se água potável a que é própria para o consumo humano, pelas


suas qualidades organoléticas (odor e sabor), físicas, químicas e biológicas. Em
outras palavras, água potável é a que, não contém, germes patogênicos, nem
substâncias químicas além dos limites de tolerância, não são desagradáveis pelo
seu aspecto.

2.7.2 - Água Poluída

É a água que contém substâncias que modificam suas características e a


tornam imprópria para o consumo.

2.7.3 - Água Contaminada

É a que contém germes patogênicos.

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2.8 - Características da Água para o Abastecimento • Dureza: substâncias causadoras de dureza, como os cloretos, sulfatos e
bicarbonatos de cálcio e magnésio. As águas duras consomem mais sabão e,
A - CARACTERÍSTICAS FÍSICAS: estão relacionadas, principalmente, com o além disso, são inconvenientes para a indústria, pois incrustam-se nas caldeiras
aspecto estético da água, temperatura. e podem causar danos e explosões.

Inclui-se nestas características: • Agressividade: é uma característica da presença de gases em solução na água,
como o oxigênio, o gás carbônico e o gás sulfídrico. Uma água agressiva pode
• Cor: resulta da existência, na água, de substância em dissolução na água e não causar a corrosão de metais ou de outros materiais, tais como o cimento.
afeta sua transparência. Estas características é acentuada quando da presença, • Ferro e Manganês: são produtos que, em excesso na água, podem causar
na água, de matéria orgânica, de minerais como o ferro e o manganês, ou de problemas, tais como: coloração avermelhada no caso do ferro, ou marrom,
despejos coloridos contidos em esgotos industriais. Mede-se em mg/l por devida ao manganês, produzindo: manchas em roupas, peças sanitárias, sabor
comparação, em aparelhos chamados colorímetros. A escala que serve de metálico, em doses elevadas, podem ser tóxicos.
comparação é a de platino-cobalto. Nos padrões de potabilidade a cor máxima
admissível é de 20 unidades-padrão (uH). A unidade de cor é atualmente a • Compostos de Nitrogênio: o nitrogênio segue um ciclo, podendo estar
unidade Hazen , sendo que Hazen é o que na antiga escala seria 1 mg/l; presente em diversas formas - amoniacal, nitritos, nitratos. Estes compostos
ocorrem na água originários de esgotos domésticos e industriais ou da
• Turbidez: causada pela presença de materiais em suspensão na água, tais drenagem de áreas fertilizadas. Podem ser usados como indicadores da “idade”
como, partículas insolúveis de solo, matéria orgânica e organismos da carga poluidora (esgoto), dependendo do estágio em que se encontram.
microscópios, a turbidez perturba sua transparência. É medida em mg/1, em Teores elevados de nitratos são responsáveis pela incidência de uma doença
aparelhos denominados turbidímetros, sendo o mais comum o de Jakson. Nos infantil chamada metemoglobinemia (ou cianose), que provoca a descoloração
padrões de potabilidade, a turbidez máxima admissível; e de 5 unidades-padrão da pele.
(uT).
• Cloretos: estes compostos podem estar presentes na água, naturalmente ou
• Sabor e Odor: resultam da presença, na água, de alguns compostos químicos como conseqüência da poluição devida a intrusão da água do mar, de esgotos
(Ex.: sais dissolvidos produzindo sabor salino, alguns gases(sulfidrico), sanitários ou industriais. Em teores elevados causam sabor acentuado, podendo
resultando em maus odores) ou de outras, tais como a matéria orgânica em ainda provocar reações fisiológicas ou aumentar a corrosividade da água. Os
decomposição, ou ainda, de algas. Assim estas características estão, quase cloretos são usados, também, como indicadores de poluição por esgotos
sempre associadas às impurezas químicas ou biológicas da água; sanitários.

• Fluoretos: quando em teores adequados, o flúor é benéfico, sendo um


B - CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS: determinação quantitativa de qualquer preventivo de cáries dentárias. No entanto, em doses mais elevadas, pode
substância orgânica ou inorgânica que possa ser venenosa, injuriosa ou resultar em problemas para o homem, tais como provocar alterações ósseas ou
inconveniente, dosagem de substâncias desejáveis, pesquisa de compostos que ocasionando a fluorose dentária (aparecimento de manchas escuras nos
sirvam de índices de poluição. dentes).

• Salinidade: presença de sais dissolvidos como bicarbonatos cloretos, sulfatos. • Compostos tóxicos: alguns elementos ou compostos químicos, quando
presentes na água, a tornam tóxica, podemos citar: cobre, zinco, chumbo,
cianetos, cromo hexavalente, cádmio, arsênio, selênio, prata, mercúrio, bário e

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o boro. Estas impurezas podem alcançar a água a partir dos esgotos industriais C - CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS
ou de usos agrícolas.
O meio aquático é habitado por um grande número, de formas vivas,
• Fenóis: os fenóis e seus compostos, existentes em resíduos industriais, além de vegetais e animais. Nestas, encontram-se os microrganismos, entre os quais
serem tóxicos, causam problemas em sistemas de tratamento d’água, pois acham-se os tipicamente aquáticos ou os que são introduzidos na água a partir de
combinam-se com o cloro, produzindo odor e sabor desagradáveis uma contribuição externa.

• Detergentes: os detergentes, principalmente os não biodegradáveis, são Os microrganismos aquáticos desenvolvem, na água, suas atividades
causadores de alguns problemas, quando incorporados à água: sabor biológicas de nutrição, respiração excreção, etc. Provocando modificações de
desagradável; formação de espuma em águas agitadas; problemas operacionais caráter químico e ecológico no próprio ambiente aquático.
em estações de tratamento de água e de tratamento de esgoto, devido à espuma;
toxidez, em teores mais elevados. Os microrganismos de origem externa (Ex.: microrganismos patogênicos
introduzidos na água junto com matéria fecal) normalmente não se alimentam ou
• Pesticidas: são substâncias químicas usadas no combate às pragas, tais como: se reproduzem no meio aquático, tendo apenas caráter transitório neste ambiente.
inseticidas, raticidas, herbicidas, fungicidas, formicidas, e outros. Acima de
certos teores, os pesticidas são tóxicos ao homem, peixes e outros animais. O Exames Bacteriológicos: indicam a presença ou não de microrganismos
uso, cada dia mais intenso, destes produtos tem causado a mortandade de patogênicos, através da contagem do número de coliformes. Os coliformes são
peixes e prejuízos ao abastecimento público d’água. bactérias que habitam os intestinos dos animais de sangue quente (sua presença
indica poluição fecal), assim, a quantidade de coliformes presentes representa uma
Substâncias indicadoras de poluição por matéria orgânica medida do grau de poluição. A pesquisa de coliforme tem maior significado
sanitário que a pesquisa direta de micróbios patogênicos, porque evidencia a
• Compostos nitrogenados: nitrogênio amoniacal, nitritos e nitratos. Os poluição por excreta; em conseqüência , deve-se temer que organismos
compostos de nitrogênio provêm de matéria orgânica e sua presença indica patogênicos ocorram de um momento para outro, mesmo na hipótese de exames
poluição recente ou remota. Quanto mais oxidados são os compostos de específicos os revelarem ausentes na ocasião. A água em questão será
nitrogênio, tanto mais remota é a poluição. Assim, o nitrogênio amoniacal caracterizada como potencialmente contaminada. Sua determinação se faz por
indica poluição recente e os nitratos indicam que a poluição ocorreu há mais técnicas bem estabelecida, os resultados são expressos em número de coliformes
tempo. por 100 ml de amostra de água. Atualmente o número de coliformes ‚ expresso
pelo denominado “Número Mais Provável” (N.M.P.), que é obtido através de
• Oxigênio consumindo: A água possui normalmente oxigênio dissolvido em estudos estatísticos; representa a quantidade mais provável de coliformes
quantidade variável conforme a temperatura e a pressão. A matéria orgânica existentes em 100 ml de água da amostra.
em decomposição exige oxigênio para sua estabilização; conseqüentemente,
uma vez lançada na água, consome o oxigênio nela dissolvido. Assim, quanto Os coliformes totais constituem um grande grupo de bactérias
maior for o consumo de oxigênio, mais próxima e maior terá sido a poluição. encontradas na água, no solo, e em fezes de seres humanos e de outros animais de
sangue quente. Os coliformes fecais integram um grupo de bactérias originárias do
• Cloretos: existem normalmente nos dejetos animais. Estes, sob certas trato intestinal humano e de outros animais. A Escherichia coli inclui-se entre os
circunstâncias, podem causar poluição orgânica dos mananciais. coliformes fecais, sendo um dos mais importantes indicadores.

Embora os coliformes totais sejam usados como indicadores de


características bacteriológicas da água, a determinação de coliformes fecais é mais
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recomendada, pois os mesmos mostram, com maior precisão, a presença de Entre os contaminantes químicos estão compreendidos os elementos ou
matéria fecal. compostos de radiações ionizantes.

Os coliformes fecais não são, de um modo geral, patogênicos. No entanto, Entre os contaminantes biológicos são citados organismos patogênicos,
como existem em grande quantidade nas fezes, a sua presença na água indica que a principalmente vírus, bactérias, protozoários e vermes que, veiculados pela água,
mesma recebeu dejetos, podendo, então, conter microrganismos patogênicos. possam parasitar o organismo humano por ingestão ou simples contado.
Os requisitos de ordem estética são principalmente; baixos índices de cor
Uma água com coliformes fecais é suspeita de conter microrganismos e turbidez e ausência de propriedades organolépticas; odor e sabor.
causadores de doenças. Por isso, os padrões de qualidade da água para consumo
humano (padrões de potabilidade) exigem a ausência total de coliformes fecais nas
amostras de água destinada ao abastecimento da população

Os coliformes fecais foram escolhidos como indicadores da qualidade


bacteriológica da água, pelas seguintes razões:

• existem em grande quantidade nas fezes; sua presença na água indica


que a mesma recebeu dejetos.
• sua sobrevivência na água é, de um modo geral, comparável à dos
microrganismos patogênicos; não havendo coliformes, não deve haver
microrganismos patogênicos;
• são de determinação relativamente fácil em laboratório.

D - PADRÕES DE POTABILIDADE

Os padrões de potabilidade indicam ou fixam os limites gerais aceitáveis


para as impurezas contidas nas águas destinadas ao abastecimento público.

Os padrões podem ser estabelecidos, exigidos, adotados ou recomendados


por:

• Órgãos internacionais - (Organização Mundial de Saúde)


• Instituições técnicas - (Associação Brasileira de Normas Técnicas)
• Entidades governamentais.
O critério de potabilidade adotado é:

“A água destinada ao consumo humano deve ser isenta de contaminantes químicos


ou biológicos, além de apresentar certos requisitos de ordem estética”.

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3 - ELABORAÇÃO DE PROJETO • O período de atendimento das obras projetadas, também chamado de alcance
do plano, varia normalmente entre 10 e 30 anos.
• Estimativa de população para o período de alcance.
3.1 - Planejamento de Sistemas de Abastecimento de Água • Consumo de água
• Importância do abastecimento de água: aspectos sanitários e aspectos
econômicos.

• Importância do Planejamento das obras de saneamento básico: Obter


soluções que: ofereçam continuidade de funcionamento, ou seja, captação
segura, não interrupção por acidentes freqüentes. Que ofereçam segurança
(qualidade de água). Que ofereçam uma operação facilitada. Que sejam
viáveis.

• Requisitos necessários para um bom planejamento: informações abundantes


e seguras. Levantamentos adicionais de campo envolvendo aspectos
hidrológicos, geológicos, demográficos, econômicos, geo-politicos,
administrativos. Profissionais experientes e qualificados.

• Etapas de elaboração de projetos: relatório preliminar (R.T.P.), onde são


abordados: dados da cidade, dados de população, dados dos mananciais, dados
de projetos, com pré-dimensionamento e orçamento das alternativas
apresentadas.

• Projeto Executivo: projeto detalhado para fins de execução; projeto estrutural,


projeto hidráulico, projeto elétrico, projetos especiais. Acompanhamento
técnico das obras (fiscalização). Cadastro técnico final, conforme obra
construída.

3.2 - Elementos Básicos para Desenvolvimento de Projetos

Para a implantação de um sistema de abastecimento público de água, faz-


se necessária a elaboração de estudos e projetos com vistas à definição precisa das
obras a serem empreendidas. O projeto de um sistema de abastecimento de água
deverá atender eficazmente a uma população futura (P) durante um determinado
intervalo de tempo: período de projeto (T).

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4 - ESTIMATIVA DE POPULAÇÃO Prolonga-se a curva em observância à sua tendência natural de


crescimento de modo que o novo trecho forme com o primeiro um conjunto
harmonioso.
4.1 - Objetivo Gráfico 4.1 – Prolongamento manual da curva de crescimento
Uma das condições de um sistema de abastecimento eficiente é que a 70
água distribuída seja capaz de atender à demanda. Sem dúvida alguma a demanda
60
de água cresce com a população.

Pop. (mil hab)


50
Um sistema de abastecimento, quando instalado, deve ter condições de 40
fornecer água em quantidade superior ao consumo. Todavia, depois de certo 30
número de anos, a demanda passa a corresponder à capacidade máxima de adução
20
e, então, diz-se que o sistema atingiu o seu limite de eficiência.
10
A população futura tem que ser definida por previsão. Como esta é sujeita

00

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20
a falhas, encontram-se sistemas atingindo o seu limite de eficiência antes ou depois
de decorridos os n anos. O importante é que a previsão seja feita de modo anos
criterioso, com base no desenvolvimento demográfico do passado próximo, a fim
de que a margem de erro seja pequena.
b) Comparação com curvas de crescimento de outras cidades
Geralmente n varia de vinte a trinta anos, prazo geralmente necessário à
amortização integral do capital investido nas obras.
As cidades pesquisadas devem apresentar características análogas,
população superior a da cidade em estudo.
4.2 - Métodos de Previsão As cidades devem ser da mesma região geo-econômica.
4.2.1 - Processo de Extrapolação Gráfica A transladação da curva não deve ser superior a 30 anos.
a) Prolongamento Manual:
4.2.2 - Processo Aritmético
Num sistema de coordenadas, leva-se ao eixo das abscissas os diversos
anos para os quais se dispõe dos valores populacionais e estes no eixo das
Calcula-se o incremento populacional:
ordenadas para tanto utilizando-se escalas convenientes.
r = (P1 – P0) / (t1 – t0)
Em seguida, marcam-se os diversos pontos correspondentes aos pares de
valores ano - população, pelos quais faz-se passar uma curva.
sendo :
P0 = população do primeiro censo representativo, realizado no ano t0
P1 = população do segundo censo, realizado no t1
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A população de projeto P, referente a data futura t é calculada pela formula: 4.2.5 - População Flutuante

P = P0 + r (t – t0) Quando significativa, deverá ser levada em consideração a população


flutuante das zonas balneárias e estações hidrominerais.

4.2.3 - Processo Geométrico 4.2.6 - Norma Casan - Comunidades de Pequeno Porte

Razão do crescimento geométrico no período conhecido: a) Quando a população prevista para o 20o ano for inferior ao dobro da população
de início do plano, adotar-se-á como população de projeto a correspondente ao
dobro.
q = t1−t 0 P1
P 0
b) Quando a população de 20o ano for superior ao dobro da população do inicio do
plano, adotar-se-á como população a correspondente ao triplo.
População de projeto P:

P = P0 (q)t-to
4.3 - Distribuição da População

Em complementação à estimativa de população, faz-se necessária a


4.2.4 - Processo da Curva Logística
previsão de como essa população ficará distribuída na cidade, o que será de maior
importância sobretudo para o dimensionamento da rede de distribuição.
Dados: P1, P2, P3 relativas a três datas anteriores: t1, t2, t3
Costuma-se definir o número de habitantes por hectare ou o número de
A curva definida por estes três pontos obedece a equação logística
habitantes por metro de canalização. No primeiro, caso, temos a densidade
demográfica, geralmente usada no dimensionamento das redes pelo método de
P = Ps Hardy Cross. O número de habitantes por metro de canalização é útil no cálculo
1 + e a + bt das redes ramificadas ou nas redes malhadas dimensionadas pelo processo de
seccionamento fictício.
Onde P = população em determinado ano
Ps = população de saturação Analisar a distribuição da população futura, influenciada por: condições
e = base dos logaritmos neperianos topográficas, facilidades de expansão da área urbana, preços do terreno, planos
a, b = parâmetro da curva diretores e urbanísticos, zoneamento, facilidades de transporte e comunicação,
t = alcance de projeto mais a diferença entre os tempos do último e do hábitos e condições sócio-econômicas dos moradores, etc. Consultar os
primeiro censo. (ex. alcance de projeto 30 anos, primeiro censo 1970 último censo 1990, t = 30 + 20 = 50) levantamentos cadastrais.
Condições: (T3 – T1) = 2(T2 – T1) , P1< P2 < P3 e P22 > P3 x P1 A densidade demográfica interessa principalmente ao projeto da rede de
distribuição.
P22 ( P1 + P3 ) − 2 ⋅ P1 ⋅ P2 ⋅ P3 ⎡ P − P1 ⎤ 1 ⎡ P ⋅ ( Ps − P2 ⎤
Ps = a = ln ⎢ s ⎥ b= ⋅ ln ⎢ 1 ⎥
P22 − P1 ⋅ P3 ⎣ P1 ⎦ T2 − T1 ⎣ P2 ⋅ ( Ps − P1 ) ⎦

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5 - PREVISÃO DE CONSUMO K1 = 1,2 - Normas CASAN

k1 é‚ utilizado na determinação da vazão de dimensionamento para: captação,


A elaboração de um projeto de abastecimento de água exige o adução, estações de tratamento e elevatórias.(da captação até o reservatório).
conhecimento das vazões de dimensionamento das diversas partes constituintes do
sistema. Por sua vez, a determinação dessas vazões implica no conhecimento da
demanda de água na localidade que é função do número de habitantes à serem 5.1.2 - Variações Horárias
atendidos e do consumo per capita.
K2 = vazão da hora de maior consumo, varia entre 1,5 e 3,0
- Normas das entidades federais: vazão média horária no dia

a) Para cidades com P < 50.000 hab. K2 = 1,5 - Normas CASAN


Recomendado - 150 a 200 l/hab.dia
Mínimo - 100 l/hab.dia K2 é utilizado para o dimensionamento da rede de distribuição (desde o
reservatório até a rede).
- Normas da CASAN:

a) Para cidades de pequeno porte P < 5.000 hab. q = 150 a 200 l/hab.dia 5.1.3 - Volume de Água Necessária

b) Para cidades com P > 5.000 hab. q ≥ 150 l/hab.dia Vazão Média

Dentre os fatores que afetam o consumo per capita de água pode-se Q = P x q / 3600 x h (l/s)
destacar: O clima; padrão de vida da população; hábitos da população; sistema de
fornecimento e cobrança (serviço medido ou não); qualidade da água fornecida; onde:
custo da água (tarifa); pressão na rede distribuidora; consumo comercial; consumo Q = vazão média, l/s;
industrial; consumo público; perdas no sistema; existência de rede de esgotos; P = população abastecível a ser considerada no projeto, hab.;
entre outros fatores. q = taxa de consumo per capita em l/hab.dia;
h = números de horas de funcionamento do sistema .

5.1 - Variações de Consumo


Vazão dos Dias de Maior Consumo
A água distribuída para uma cidade, não tem vazão constante, mesmo
considerada invariável à população consumidora. Q = P x q x K1 / 3600 x h (l/s)

Vazão dos Dias de Maior Consumo e na Hora de Maior Consumo


5.1.1 - Variações Diárias
Q = P x q x K1 x K2 / 3600 x h (l/s)
k1 = maior consumo diário do ano, varia entre 1,2 e 2,0
vazão média diária do ano
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5.2 - Consumo de Água para Combate a Incêndio • Mananciais

O consumo anual destinado a combate de incêndio é desprezível. Os mananciais superficiais são constituídos pelos córregos, rios, lagos,
represas e reservatórios artificialmente construídos.
A vazão instantânea requerida pelos incêndios influem consideravelmente
no dimensionamento dos reservatórios e redes de distribuição.
5.4 - Captação em Rios
Para cidades pequenas, não deverão ser previstas demandas especiais para
combate a incêndios. Empregam-se as vazões normais disponíveis. A captação de rios tem sido em muitas regiões do país, a forma mais
usual de utilização das águas de mananciais de superfície para o abastecimento de
Para cidades de maior porte, fica a critério do projetista o estabelecimento cidades em extensas regiões do país. As obras são relativamente simples, na
do tipo e amplitude da proteção contra incêndio a ser dada. maioria dos casos.

Para P > 50.000 hab. deverão ser previstos hidrantes nas tubulações Freqüentemente, os cursos d’água no ponto de captação, acham-se
principais da rede de distribuição separados de 600 m no máximo. localizados em cota inferior à cidade; por isso, as obras de tomada estão quase
sempre associadas à instalações de bombeamento. Essa circunstância faz com que
Para áreas de P > 150 hab./ha, os hidrantes deverão possibilitar uma os projetos das obras de captação propriamente ditas, fique condicionado ás
vazão de 30 l/s. possibilidades e limitações dos conjuntos elevatórios.

Para as demais áreas é permitida uma vazão de 15 l/s.


5.4.1 - Exame Prévio das Condições Locais

5.3 - Captação de Águas Superficiais • Inspeção Local:


Î possibilidade de implantação da obra;
• Obras de Captação Î se a geologia ou natureza do solo da região atravessada pelo rio favorece a
presença de areia em suspensão na água.
Conjunto de estruturas e dispositivos construídos junto ao manancial, para
a tomada de água destinada ao sistema de abastecimento. • Dados Hidrológicos (coletar ou medir diretamente)
Î vazões (máximas, médias e mínimas)
As obras de captação devem ser projetadas e construídas de forma que em Î oscilações do nível de água
qualquer época do ano sejam asseguradas condições de fácil entrada, d’água o,
tanto quanto possível, da melhor qualidade encontrada no manancial em • Exames Sanitários
consideração. Outrossim, deve-se ter sempre em vista, ao desenvolver um projeto, Î pesquisar focos de poluição
facilidades de operação e manutenção ao longo do tempo. Î coletar e analisar a água (T ≥ 1 ano)

Por tratar-se, geralmente, de estruturas construídas junto ou dentro • Levantamento Topográfico


d’água, sua ampliação é, por vezes, muito trabalhosa. Por isso, recomenda-se a Î batimetria e sondagens geológicas
construção das partes mais difíceis numa só etapa de execução, mesmo que isto
acarrete maior custo inicial.
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5.4.2 - Localização de Tomadas • Flutuadores:

Î Implantar em trechos retilíneos ou margem côncava (velocidades maiores, mais Para impedir a entrada, no sistema, de materiais flutuantes e em suspensão
difíceis à ocorrência de bolsões de areia). folhas, galhos de árvores, plantas aquáticas e ainda peixes, répteis e moluscos,
utilizam-se como flutuadores peças que se conservam em cima d’água, nas
proximidades da tomada, para manter afastados os materiais flutuantes.

• Grades:

Barras metálicas afastadas de 3 a 7 cm.


Limpeza: manual ou mecanizadas.

Î Estabelecer com precisão, as cotas de todas as partes da obra, tendo em vista: • Crivos:
Æ permitir a entrada permanente de água para o sistema
Æ proteger contra enchentes o equipamento eletromecânico Peças adaptadas na extremidade de tubos imersos na água. São feitos de
Î Estudar o acesso permanente ao local da captação chapas perfuradas (válvulas de pé)
Î Pesquisar o fornecimento de energia elétrica
• Telas:

5.4.3 - Partes Constitutivas de Captação em Rio Peças com passagens pequenas, confeccionadas com fios metálicos.

a) Barragens de nível, vertedores d) Dispositivos para controlar a entrada de água:

Quando: Qmin ≥ Qdemanda, executam-se estas obras para elevar o NA e Regulam ou vedam a entrada de água no sistema, para possibilitar reparos ou
permitir a captação. limpeza em caixas de areia, poços de tomada, válvulas de sucção ou em
tubulações.
b) Barragem de regularização

Quando: Qdemanda > Qmin, constroem-se estas obras para armazenar água • Comportas (stop-log)
em períodos de estiagem.
Placa de vedação
Condição: Qmédio ≥ Qdemanda movediça, que desliza
em canaletas verticais.
c) Dispositivos retentores de materiais estranhos São instaladas em
• Caixas de areia (desarenadores): canais ou entradas de
tubulação de grande
Retém os sólidos decantáveis (areia), assegurando escoamento a velocidade diâmetro.
baixa.
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• Válvulas ou registros f) Poços de tomada ou sucção:

Regula ou interrompe o fluxo de água em condutos fechados Os poços de tomada destinam-


se, essencialmente, a receber as
tubulações e peças que compõem o
trecho de sucção das bombas. Deverão
ter dimensões apropriadas em planta e
em elevação, para facilitar o trabalho de
colocação ou reparação das peças e para
assegurar entrada d’água ao sistema
elevatório, qualquer que seja a situação
do nível no rio.

O projeto deverá prever condições que evitem a formação de


• Adufas redemoinhos (vórtex) no interior do poço de tomada; para isso há necessidade de
se estudar convenientemente o ponto de entrada da água, em função da posição
Semelhantes as comportas, adaptadas na das tubulações ligadas à bomba.
extremidade inicial de tubos de pequeno diâmetro.

e) Canais e tubulações de interligação

A ligação entre o rio e a caixa de areia ou poço das bombas, quando


afastada das margens, é feita por: - canais abertos
- tubulações fechadas

Tubos - tomada no meio do rio


- margens muito elevadas

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6 - ADUÇÃO DE ÁGUA 6.3.2 - Quanto a Energia para Conduzir a Água

a) adutora por gravidade


6.1- Conceito
- em conduto forçado
A adução é a parte de um sistema de abastecimento de água constituída de
canalizações, que se destinam a conduzir água entre unidades que precedem a rede
distribuidora. Não possuem derivações para alimentar distribuidores de rua ou
ramais prediais. Há, entretanto, casos em que da adutora principal partem
ramificações (sub-adutoras) para levar água a outros pontos fixos do sistema.
Interligam captação, estações de tratamento e reservatório.

São canalizações de importância vital para o abastecimento das cidades,


normalmente quando constituídas de uma só linha, como acontece na maioria dos
casos. Qualquer interrupção que venham a sofrer, afetam o abastecimento da
população, com conseqüências significativas. - em conduto livre ou aqueduto

6.2- Traçado

Considerar:

• topografia - evitar regiões muito acidentadas pois dificulta e onera a


construção e manutenção.
• características do solo - evitar terrenos rochosos e solos agressivos (atacam a
tubulação).
- combinação de conduto forçado e livre
• obras complementares - evitar obras dispendiosas ou que encareçam a
operação e a manutenção.
• facilidade de acesso - para construção, operação e manutenção.

6.3- Classificação

6.3.1- Quanto a Natureza da Água Aduzida

) adutora de água bruta


) adutora de água tratada

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b) adutora por recalque Para os condutos livres, têm sido comumentemente aplicadas as fórmulas
de Bazin, Ganguillet & Kutter ou ainda a chamada fórmula de Kutter simplificada.

Normalmente as adutoras são dimensionadas para a vazão do dia de


maior consumo.

Q = P x q x K1 / 3600 h
onde:
Q = vazão de adução (Q max. Diária) (l/s)
q = consumo per capita (l/hab. dia)
P = população abastecivel
K1 = coef. de variação diária
c) adutora mistas
• cálculo da velocidade
) parte por recalque e parte por gravidade
A velocidade é dada pela expressão de Chezy:

6 .4 - Dimensionamento das Adutoras V = C (RI)1/2


onde:
Para o dimensionamento de uma adutora há necessidade do conhecimento V = velocidade
prévio dos seguintes elementos: C = coeficiente que depende da natureza e do estado das paredes do
conduto.
) vazão de adução (Q) R = raio hidráulico
) comprimento (L) I = declividade
) material do conduto, que determina a rugosidade (por exemplo: Coeficiente C Segundo Bazin: C = 87 (R)1/2 / m+(R)1/2
da fórmula de Hazen & Williams,α β da fórmula de Bazin, n da fórmula de
Ganguillet & Kutter e também de Manning). A fórmula de Bazin pode também ser escrita sob a forma de V = Rx I0,5

A vazão de adução, Q, é estabelecida em função da população a ser Onde: C e x dependem da categoria da parede do canal.
abastecida, da quota percapita, do coeficiente relativo ao dia de maior consumo
(K1) e do número de horas de funcionamento. Segundo Kutter C = 100 (R)1/2 / m+(R)1/2

A diferença entre os níveis de água e o comprimento, em geral são dados A fórmula de Kutter pode ser escrita ainda com: V = CRxI0,5
físicos conhecidos.
Onde: C e x são valores tabelados que dependem da categoria das paredes.

a) Adutoras por gravidade Os valores de C e x estão expressos na tabela 6.1.

Î Condutos livres:
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cálculo da área da seção

A = Q/V

Î Condutos forçados:

Para os condutos forçados é de uso mais corrente, a fórmula de Hazen-


Williams

V = 0,355 x C x D0,63 x J0,54 Q = 0,2785x C xD2,63 xJ 0,54

onde:
Q = Vazão (m³/s)
V = velocidade na tubulação (m/s)
C = coeficiente rugosidade do material (tabela 6.2)
D = diâmetro (m)
J = perda de carga unitária (m/m)

Tabela 6.2 - Valores de C para cálculos de condutos forçados Hazen Hilliams


Material C
Condutos muito lisos (cimento ou argamassa muito lisos; cimento amianto; 140-145
cobre, lado ou plástico)
Condutos lisos (condutos novos de ferro fundido, concreto ou argamassa 130
lisos; tubos de cimento amianto com muitos amos de serviço, lado, bronze ou
chumbo em condições médias)..
Condutos lisos (madeira, ferro fundido com 3 anos de serviço, aço soldado, 120
concreto com revestimento de argamassa em condições médias)
Condutos de chapas de aço soldadas; condutos de ferro fundido com grande 115
diâmetro e 10 amos de serviço
Condutos novos de aço rebitado; ferro fundido com 10 anos de serviço; 110
condutos cerâmicos, vitrificados, em boas condições
Condutos de ferro fundido, com 13 a 20 anos de serviço; condutos de esgoto; 100
alvenaria de tijolo bem executado
Condutos de aço rebitado, com 15 a 20 anos de serviço 95
Condutos de ferro fundido com 20 a 30 anos de serviço; condutos de pequeno 90
diâmetro com 15 a 20 anos
Condutos de ferro fundido com 30 a 40 amos 80
Tubos de aço corrugado 60
Túneis em rocha, sem revestimento 38 a 50

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b) Adutoras por Recalque onde:


P = potência requerida pelo conduto moto-bomba em CV
São elementos conhecidos: Q = vazão de adução Q = vazão aduzida em l/s
L = extensão da adutora Hmt = altura manométrica total em (m)
C = coeficiente de rugosidade do material utilizado W = peso específico da água em kgf/m3, na prática igual a 1000 kgf/m3
H = altura geométrica total η = rendimento global do conjunto moto-bomba (bomba x motor)

Pré - Dimensionamento (fórmula de Bresse) Hmt é a soma das alturas geométricas com a perda de carga total.

A solução do problema é hidraulicamente indeterminada. Um pré- A potência também pode ser calculada em KW pela fórmula:
dimensionamento, que determina o diâmetro das adutoras por recalque é realizado
através da fórmula de Bresse, onde: P = 0,736 QH/75η
A experiência mostra que a solução mais conveniente é aquela ligada a onde:
um diâmetro D que para dada vazão Q proporcione a velocidade em torno de P = potência requerida pelo conduto moto-bomba em KW
0,90m/s, que é denominada velocidade econômica. Q = vazão aduzida em l/s
Hmt = altura manométrica total em (m)
D = K (Q)1/2 (bombeamento: 24 horas) η = rendimento global do conjunto moto-bomba (bomba x motor)
Onde:

D = diâmetro da tubulação de recalque em (m)


K = coeficiente de Bresse - varia de 1,0 á 1,4 (para fofo K= 1,2)
Q = vazão de adução em m3/s

Para bombeamento menor do que 24 horas

D = 1,3 (n/24)1/4 x Q1/2 (n = no de horas de bombeamento)

Dimensionamento Final

Calcular “D”, estuda-se entre três diâmetros comerciais com valores em


torno do calculado pela fórmula de Bresse, o que torne as instalações mais
econômicas.(tabela 6.3) A potência consumida em CV pelo conjunto moto-bomba,
será calculada pela expressão:

P = Q x Hmt x W/ 75 x η

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Tabela 6.3 - Quadro comparativo 6.5 - Peças Especiais e Órgãos Acessórios

a DIÂMETRO (mm) Numa adutora por gravidade, em condutos forçados, aparecem


b Velocidade de escoamento (m/s) normalmente as seguintes peças especiais:

c Perda de carga unitária J (m/km) • Válvulas ou registros de parada - destinam-se a impedir o escoamento na
tubulação adutora, para tanto apenas um, localizado da extremidade de
d Perda de carga ao longo da tubulação (m) montante seria suficiente.
• Válvulas ou registros de descarga - localiza-se nos pontos baixos das
e Perdas localizadas (m) adutoras, em derivações à linha para permitir a saída de água sempre que for
necessário.
f Perda de carga total (m) • Ventosas - localiza-se nos pontos altos da rede. Facilitam a saída de ar da rede,
quando está estiver sendo cheia e quando a rede esta sendo esvaziada permite a
g Altura manométrica total – Desnível + Perda entrada de ar. É de praxe colocar-se um registro em todos os pontos altos do
de carga total (m) conduto, entre as duas ventosas. Quando utilizada uma ventosa, solução menos
h Potência consumida com rendimento de desejável, deverá ficar a jusante da mesma. Tais registros serão adicionados de
η = 60% (kW) mais dois, um na extremidade de montante e outro na de jusante do conduto.
i Energia consumida por dia (kWh)

j Dispêndio anual com energia ($)

l Custo total dos tubos ($)

m Custo de 2 conjuntos moto-bomba e


equipamentos elétricos ($)
n Custo total dos tubos + moto-bomba ($)

o Amortização anual e juros referentes a tubos


e moto-bomba ($) Nas adutoras por recalque aparecem também:
p Dispêndio anual global = soma de j + o ($)
• Válvulas de retenção – são instaladas no
início das adutoras por recalque, quase
sempre no trecho da saída de cada
bomba. Destinam-se a impedir o retorno
brusco da água contra as bombas na sua
paralisação por falta de energia elétrica
ou por outra causa qualquer.

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• Válvulas redutoras de pressão – são dispositivos intercalados na rede para


permitir uma diminuição permanente de pressão interna na linha, a partir do
ponto de colocação. Desempenham função semelhante às caixas de quebra de
pressão, com a diferença de que a água não entra em contato com a atmosfera
e, portanto não há perda total da pressão.

6.6 - Materiais Empregados em Adutoras

Devido ás diferenças existentes entre os materiais e métodos de


fabricação de tubos e acessórios, a aplicabilidade de cada tipo deverá ser estudada
criteriosamente em cada caso, tendo-se em conta principalmente às condições de
funcionamento hidráulico da adutora, a pressão interna e a durabilidade do
material, face às características do solo, às cargas externas e à natureza d’água
transportada.

Os materiais normalmente empregados para as linhas adutoras e sub-


adutoras são: ferro fundido, revestido ou não internamente; ferro dúctil; aço
soldado; concreto armado simples; concreto armado protendido; cimento-amianto;
materiais especiais (PVC, plásticos, fibra de vidro, etc.).

Nas adutoras em conduto forçado funcionando por gravidade, utilizam-se


extensamente os tubos de ferro fundido, de aço, de cimento-amianto e de concreto
simples ou armado.

Já nas adutoras de recalque, devido à maior ocorrência de golpes de


aríete, são preferidos os tubos de ferro fundido ou de aço, em vista da maior
resistência que oferecem à pressão interna.

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7 - RESERVATÓRIOS DE DISTRIBUIÇÃO 7.1.2 - Quanto à Localização no Terreno

Podem ser:
São unidades destinadas a compensar as variações horárias de vazão e
garantir a alimentação de distribuição em casos de emergência, fornecendo água • Reservatórios enterrados - tem formato ditado pela economia: retangular ou
necessária à manutenção de pressões na rede. circular;
• Reservatórios semi-enterrados
A colocação do reservatório entre o sistema – captação – adução – • Reservatórios elevados - geralmente contribuem para o embelezamento
tratamento – rede de distribuição possibilita adotar uma vazão constante para os paisagístico.
diversos órgãos do abastecimento de água.

7.2 - Quanto ao Material de Construção


7.1 - Tipos de Reservatórios de Distribuição
Podem ser construídos de diversos materiais:
7.1.1 - Quanto à Localização no Sistema
• alvenaria
a) Reservatório de montante NA LINHA PIEZOMETRICA • concreto armado comum
LP
• concreto protendido
O reservatório situado à • aço
montante da rede de distribuição • madeira
causa uma variação relativamente • em terra com paredes revestidas etc.
grande da pressão nas extremidades
de jusante da rede.
ETA

7.3 - Capacidade dos Reservatórios

• Método da Senóide
b) Reservatório de jusante
LINHA PIEZOMETRICA Hipótese: a variação de consumo diário
Também chamado de NA
de uma cidade é representada por uma
reservatório de sobras porque recebe senóide
LP
água durante as horas de menor Æ área inferior = volume em excesso
consumo e auxilia o abastecimento nas horas de menor consumo
da cidade durante as horas de maior Æ área superior = volume em déficit,
consumo. Este reservatório relativo à adução nas horas de maior
possibilita uma menor oscilação de ETA consumo
pressão nas zonas de jusante da
rede.

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O reservatório armazena água durante o tempo em que QAD > QDEM e • manter uma reserva para atender as condições de emergência (acidentes,
abastece a cidade durante as horas de maior consumo QDEM > QAD, completando a reparos nas instalações, etc.,(um acréscimo de 33% sobre a soma das parcelas
adução anteriores);
QDEM = QAD + QR • atender à demanda no caso de interrupções de energia elétrica (sistemas com
recalques)
Capacidade do reservatório • manutenção de pressões na rede distribuidora.

Cm = k2 - 1 x V
π 7.4 – Dimensões Econômicas.

onde: V = volume do dia de maior consumo (V = P q K1) Os reservatórios têm seu formato ditado pela economia de material
K2 = coef. da hora de maior consumo necessário para sua confecção, em geral são construídos com duas câmaras, no
caso de reservatórios elevados os mesmos devem contribuir para o embelezamento
Acrescer margem de segurança para atender outras demandas paisagístico, mantendo assim uma certa harmonia com o espaço urbano.

No Brasil, utiliza-se para capacidade total do reservatório A figura a seguir mostra as dimensões econômicas de reservatórios bem
como as canalizações de entrada e saída.
CT = V/3

em casos especiais CT = V/2 e até mesmo CT = V

No caso de reservatórios elevados, por medida econômica, tolera-se o


dimensionamento na base de 1/5 do volume a ser distribuído em 24 horas.

Quando existirem reservatórios elevados e enterrados, a capacidade total


deverá corresponder a 1/3 do volume distribuído em 24 horas. A capacidade da
torre é estabelecida de modo a evitar uma freqüência excessiva de partidas e
paradas das bombas e garantir uma reserva mínima em cota elevada, para o caso
de possíveis interrupções nos fornecimentos de energia elétrica (30 minutos ou
mais).

OBS.: Os reservatórios de distribuição são dimensionados para satisfazer as


seguintes condições:

• funcionar como volantes da distribuição, atendendo à variação horária do A altura recomendada varia de 3 a 5 metros.
consumo, (capacidade superior 1/6 do volume consumido em 24 horas);
• assegurar uma reserva de água para combate a incêndio, (parcela mínima:
pequenas
cidades = 250 m3, e preferivelmente 500 m3);
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8 - REDE DE DISTRIBUIÇÃO c) redes malhadas (condutos principais


formam “círculos ou anéis”, lembrando a ETA
disposição em malhas.)
8.1 – Definição

É a unidade do sistema que conduz a água para os pontos de consumo 8.3 - Cálculo da Vazão de Distribuição
(residências, indústrias, etc.). É constituída de tubulações e peças especiais
dispostas convenientemente a fim de garantir o abastecimento das unidades Q = P x q x K1 x K2 / 86400
componentes da localidade abastecida. onde:
Q = vazão máxima horária
Os condutos formadores da rede de distribuição podem ser assim q = consumo per capita
classificados: P = população
K1 = coeficiente do dia de maior consumo
a) condutos principais; K2 = coeficiente da hora de maior consumo

Dá-se a denominação de condutos principais aos condutos de maior


diâmetro, responsáveis pela alimentação dos condutos secundários. 8.4 - Vazão Especifica

b) condutos secundários; É a vazão a partir da qual são determinadas as vazões de


dimensionamento. Podem ser calculadas:
Os condutos secundários, de menor diâmetro, são encarregados do
abastecimento direto as residências a serem atendidos pelo sistema. - por unidade de comprimento: qd = P x q x K1 x K2 (l/s.m)
86400 x Lt

8.2 - Tipos de Rede


- por unidade de área: qd = P x q x K1 x K2 (l/s ha)
Em função da disposição dos condutos principais as redes podem ser: 86400 x A

onde:
Lt = extensão total da rede em metros
a) rede em espinha de peixe ETA A = área abrangida pela rede em hectares

A tabela 8.1 apresenta valores típicos para estimar a taxa de ocupação por
hectare, sugerida pelo professor J. M. Azevedo Neto.

ETA

b) rede em grelha

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Tabela 8.1 – Densidade demográfica. 8.5.2 - Marcha de Cálculo:


Áreas Típicas População
(hab/ha) 1) Traçam-se a lápis, na cópia da planta da cidade, fazendo uso de régua e curva
Áreas periféricas, casa isoladas (lotes grandes) 27 a 75 francesa (se necessário), as tubulações da rede, que geralmente devem
Casas isoladas, lotes médios e pequenos 50 a 100 coincidir com o eixo das ruas. Não devem passar pelos eixos nos seguintes
Casas germinadas ( 1 pavimento) 75 a 150 casos:
Casas germinadas ( 2 pavimentos) 100 a 200 • se a rua só tiver construção de um lado. Então, a tubulação deve passar
Prédios de apartamentos : pequenos 150 a 300 próxima a essas construções para reduzir o custo das ligações
grandes 300 a 900 domiciliárias;
Áreas comerciais 50 a 150 • se a rua for bastante larga, a ponto de tornar mais econômico o emprego
Áreas industriais 25 a 75 de duas tubulações, ao invés de uma, tendo-se em vista as ligações
Densidade média global 50 a 150 domiciliárias. Neste caso as tubulações devem ser lançadas nos passeios.

2) Na mesma planta, determinam-se os comprimentos de todos os trechos da


8.5- Dimensionamento da Rede rede, os quais são limitados pelos pontos de cruzamento (nós) e pelas
extremidades livres das tubulações. Se os trechos, assim definidos, possuíres
8.5.1- Método do Seccionamento Fictício grande extensão ou apresentarem cotas topográficas intermediárias bem
superiores ou inferiores às das extremidades, então serão devidamente
O método baseia-se na transformação da rede malhada em outras desdobrados.
ramificadas, através de pontos de seccionamento que dão origem a extremidades
livres, na realidade inexistentes. 3) Ainda sobre a mesma planta, calculam-se, com base nas curvas de nível de
metro em metro, as cotas topográficas dos cruzamentos e das extremidades
rede malhada rede ramificada livres, cotas essas que serão anotadas ao lado desses pontos.

4) Copia-se em folha de papel transparente o esboço da rede, inclusive


comprimentos e cotas topográficas, definidos nos três itens procedentes.

5) Transforma-se, através de um seccionamento criterioso, a rede malhada em


outra ramificada. Para tanto, a partir do reservatório, faz-se com que todos os
pontos de cruzamento e extremidades livres da rede sejam atingidos pelo
menor percurso de água. Nesta operação, desenha-se uma pequena seta ao
lado de cada trecho, para indicar o sentido de escoamento da água, bem como
A escolha dos pontos de seccionamento deve ser feita de modo que o um pequeno traço cortando a extremidade de jusante do trecho que for
percurso da água até eles, a partir do ponto de alimentação, seja o menor possível. secionado para indicar que essa extremidade funciona como se fosse livre.

No projeto de um sistema de distribuição de água é usual o emprego de 6) Numeram-se todos os trechos com números arábicos de acordo com o sentido
planilha de cálculo. crescente das vazões.

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7) Levam-se para planilha de cálculo, convenientemente preparada, todos os 10) Com a extensão, a vazão fictícia de dimensionamento e com o diâmetro,
trechos, dispostos em ordem numérica, de modo que para eles constem: nome determina-se a perda de carga em cada trecho, através da fórmula de Hanzen-
da rua; extensão do trecho e as cotas topográficas. Williams.

8) Na planilha, calcula-se, para cada trecho, a vazão de jusante, marcha, hp = l x 10,649 x C-1,852 x D-4,87 x Q1,852
montante e fictícia. com:
Jusante: quando diferente de zero, é igual á soma das vazões de montante C = 100 para ferro fundido
dos trechos alimentados pelo trecho em estudo. C = 130 para cimento-amianto e ferro fundido cimentado
C = 140 para material plástico
Marcha: a vazão de distribuição em marcha é obtida multiplicando-se o
comprimento do trecho pela vazão unitária de distribuição, expressa em litros por Salvo indicações em contrário para esses coeficientes, fazendo-se uso de
segundo e por metro. tabelas. Ábacos ou monogramas.

Q’ = qu x l 11) Para o ponto da rede de condições mais desfavoráveis no que tange à cota
topográfica e/ou à distância em relação ao reservatório, estabelece-se a cota
Montante: soma-se a vazão de jusante com a de distribuição em marcha. O dinâmica mínima de 10 a 15 metros ou estática máxima de 60 metros,
cálculo é iniciado nos trechos seccionados ou de extremidade livres, uma vez que conforme o caso. O limite inferior é estabelecido, a fim de que a rede possa
neles a vazão de jusante é conhecida e igual a zero. abastecer diretamente prédios de até dois pavimentos e o superior, para
prevenir: maiores vazamentos nas juntas das tubulações; danos nas instalações
Qm = Qj + Q’ prediais (válvulas de flutuador).

Fictícia: a vazão fictícia de dimensionamento é a media da vazão de jusante e 12) A partir da cota piezométrica do ponto mais desfavorável (pressão máxima ou
de montante. mínima preestabelecida mais a cota topográfica), calculam-se as cotas
piezométricas de montante e de jusante de cada trecho, com base nas perdas
Qf = Qm + Qj /2 de carga já definidas.

Tabela 8.2 – Limites de velocidade As pressões dinâmicas em cada trecho são a diferença entre a cota
9) Ainda na planilha, em função da vazão Diâmetro Velocidade Vazão piezométrica e a cota do terreno. No final da operação, ficará definido o nível
fictícia de dimensionamento e dos (mm) máxima máxima médio de água do reservatório, que corresponde cota piezométrica de
limites de velocidades indicados, na (m/s) (l/s) montante do trecho de número mais elevado.
tabela 8.2 assinala-se para cada trecho o 40 0,55 0,62
50 0.60 1.20
valor do seu diâmetro. 75 0.70 3.20
Essa mesma operação pede ser feita de modo inverso, começando-se por
100 0.75 6.10 atribuir uma cota ao nível médio de água do reservatório, o que permitirá a
Obs.: Para obter-se os valores máximos de 125 0.80 10.40 determinação das pressões disponíveis em todos os trechos.
velocidade para os demais diâmetros, pode- 150 0.80 14.60
se usar a fórmula sugerida por Azevedo 175 0,90 21,7 13) Verifica-se para cada nó, onde houve seccionamento de um ou mais trechos,
Neto. 200 0.90 29.20 as diferentes pressões resultantes de percursos diversos da água e determina-se
250 1.00 50.70
V = 0,6 + 1,5D 300 1.00 72.80
a média, da qual nenhuma pressão deve se afastar de 10 por cento.
350 1.10 109.18
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14) Altera-se o traçado da rede, o seu seccionamento ou o diâmetro de algumas 8.7 - Materiais Empregados
tubulações, se o afastamento considerado no item anterior superar ou 10%,
bem como se as pressões máximas e mínimas preestabelecidas forem • ferro fundido: é usado praticamente em todas as obras de engenharia
ultrapassadas, ou se for impraticável a localização do reservatório numa cota sanitária:
definida pelo cálculo. - adutoras
- redes de distribuição
15) No final deste capitulo é apresentado um modelo de tabela, para ser usada no - canalizações dos reservatórios
dimensionamento de uma rede de distribuição de água pelo método do - estações de tratamento de água
seccionamento fictício. - redes de distribuição

• tubos de concreto:
8.6 - Condições para os Sistemas de Distribuição de Água - adutoras
- redes de distribuição (é raríssimo)
• O sistema de distribuição de água deve ser projetado e construído para
funcionar, durante todo o tempo, com a pressão adequada em qualquer ponto • tubos de aço:
da rede. - adutoras de grande diâmetro
estes tubos podem ser: - sem revestimento
• A segurança oferecida pela água deve ser mantida em toda a rede, sem - com revestimento (asfalto, por ex.)
alteração de qualidade. - tubos galvanizados

• O sistema deve incluir registros e dispositivos de descarga em todos os pontos • tubos de plásticos:
convenientes para possibilitar reparos e descargas, sempre que houver - rede de distribuição
necessidade sem interrupções prejudiciais para o abastecimento.
• Polietileno de alta Densidade (PEAD)
• O sistema deverá estar protegido contra poluição externa, os reservatórios
deverão ser cobertos e deve ser evitada qualquer possibilidade de introdução de • Fibra de Vidro
água nas canalizações.

• Sempre que possível, as canalizações de água potável devem ser assentadas em


valas situadas a mais de 3,00m dos esgotos. Nos cruzamentos, a distância
vertical não deveria ser inferior a 1,80m. Quando não for possível guardar estas
separação, recomendam-se cuidados especiais para proteção da canalização de
água contra a contaminação pelos esgotos. Esses cuidados podem incluir
revestimento dos condutos de esgoto com concreto, ou emprego de tubos de
ferro fundido com juntas estanques.

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REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA – FOLHA DE CÁLCULO


CIDADE Coeficiente de rugosidade = q= l/sm
Vazão (l/s) Cota Perda de Cota Cota do Terreno Pressão Disponível
Trecho Rua Extensão Diâmetro Velocidade Piezométrica carga Piezométrica (m) (m)
Jusante Marcha Montante Fictícia Montante Total Jusante Montante Jusante Montante Jusante OBS.
(m) (mm) (m/s) (m) (m) (m)

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VERIFICAÇÃO DAS PRESSÕES


PONTOS PRESSÕES VALOR AFASTAMENTO % DO VALOR
DIMÂMICAS MÉDIO MÉDIO
P1 P2

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9 - CAPTAÇÃO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS como um vasto reservatório ou conjunto de reservatórios naturais, cuja capacidade
é o volume total dos poros nas rochas que se encontram cheias de água.

9.1 - Introdução A espessura da zona de saturação é variada, sendo determinada através do


conhecimento da geologia local, disponibilidade de poros nas formações
Denomina-se água subterrânea, a água presente no subsolo, ocupando os geológicas, capacidade de recarregamento e do movimento da água que se
interstícios, fendas, falhas ou canais existentes nas diferentes camadas geológicas, processa na zona, desde as áreas de recarregameato, até as áreas ou pontos de
e em condições de escoar, obedecendo aos princípios da hidráulica. descarga.

As fontes, minas e nascentes, são formas de surgência natural da água A figura 9.1 apresenta o inter-relacionarnento da água superficial com a
subterrânea na superfície do terreno. Os poços rasos ou profundos destinados a subterrânea.
permitir a retirada artificial da água subterrânea das camadas em que se
encontram. Figura 9.1 – Inter-relacionamento das águas superficiais e subterrânea.

A técnica de extração de água do sub-solo tem vasto campo de aplicação


na engenharia civil. Destacam-se as obras de rebaixamento de lençóis para
permitir a construção de estruturas, de drenagem de pântanos, para fins de
saneamento ou recuperação de terras e em particular, as obras para obtenção de
água para abastecimento às populações e as industrias, ou para utilização na
agricultura e pecuária.

9.2 - Estudo dos Aqüíferos

O estudo dos tipos de captação da água subterrânea que abrange cerca de


97% da água doce existente na Terra, exige o conhecimento da sua distribuição no
subsolo.

A ocorrência é conhecida através do estudo da distribuição vertical da água


nas formações geológicas situadas abaixo da superfície da crosta terrestre. As formações ou camadas situadas no interior da zona saturada das quais
se pode obter água subterrânea para utilização pelo homem são denominadas
A parte superior da crosta, normalmente porosa até uma certa profundidade, aqüíferos.
denominada zona de fratura da rocha, apresenta poros ou aberturas que podem
estar total ou parcialmente cheios de água. Uma unidade geológica é considerada um aqüífero quando possui poros
cheios de água suficientemente grandes para permitir que a água se escoe através
A camada superior do solo onde as aberturas estão só parcialmente ocupadas deles para os poços ou fontes, com uma vazão de saída nestes pontos que serve
pela água é denominada zona de aeração e a situada imediatamente abaixo, zona para suprir o abastecimento de água das comunidades.
de saturação. A zona de saturação é a mais importante, podendo ser considerada

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Os aqüíferos que se situam no topo da parte saturada de formação 9.3 – Conceitos e Definições das Águas Subterrâneas
geológica têm a água que enche os seus poros submetida à pressão atmosférica,
como se ela estivesse ocupando um reservatório aberto, e são denominados Para melhor compreensão dos fenômenos ligados a água subterrânea por
aqüíferos freáticos. meio de poços, torna-se indispensável significado dos termos abordados a seguir.

A carga hidráulica para qualquer nível dentro do aqüífero freático é igual Porosidade (P). A porosidade é a percentagem de vazios (poros)
à profundidade abaixo do nível estático da água nele contida. Quando um poço é existentes no material.
perfurado, o nível d’água dentro dele atinge o nível estático do aqüífero. Em certos
casos, pode existir uma zona de saturação localizada acima do aqüífero principal. P = (Volume de vazios/ volume total) x 100

Esta situação pode ocorrer quando existir uma camada impermeável Quando um material se encontra saturado, todos os seus vazios ficam
dentro da zona de aeração capaz de interromper a percolação da água, forçando a preenchidos com água, de modo que multiplicando-se a porosidade pelo volume
água a se acumular numa área limitada acima do aqüífero. do material obtém-se o volume da água de saturação.

A zona de saturação pode conter camadas de solo permeáveis e V s = Vm x P


impermeáveis, as camadas permeáveis constituindo os aqüíferos. A figura 9.2
mostra a distribuição da água subterrânea no solo. Aliás, a determinação do volume da água de saturação é um meio de que
se lança mão para o conhecimento da porosidade.
Quando um aqüífero se situa entre duas camadas impermeáveis, é
denominado aqüífero confinado ou artesiano e, em virtude disto, a água nele A porosidade é tanto maior quanto maior for o número e dimensões dos
contida não fica submetida à pressão atmosférica, e sim à pressão maior que esta. poros. Depende pois do tamanho, forma, uniformidade e arrumação dos grãos que
compõem o material.

Quando a granulométria do material é uniforme, a porosidade é maior que


em se tratando de partículas de tamanhos diferentes, pois neste caso as menores
ocupam os vazios deixados pelas maiores. O coeficiente de uniformidade,
conceituado mais adiante, tem, portanto, alguma ligação com a porosidade.

De modo geral tem-se como grande toda porosidade superior a 20%,


média entre 5 e 20% e pequena, inferior a 5%.

Produção especifica. A ação da gravidade é incapaz de retirar de um


material toda a sua água de saturação, já que uma parcela desta fica retida nos
interstícios devido à atração molecular da película que envolve os grãos.

A produção específica de um material granular é justamente a percentagem


de sua água de saturação que se liberta pela ação da gravidade.

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Para calcular a produção específica, coloca-se num cilindro de fundo 9.6 – Hidráulica de Poços
afunilado e provido de torneira (fechada) o material seco que em seguida é
saturado.

Abrindo-se totalmente a torneira, a água começa a escoar-se com vazão


decrescente até chegar a formar gotas, as últimas muito se distanciando no tempo
de uma para outra.
Então tem-se:

Produção específica = (volume libertado / volume de saturação)x100

Pelo exposto, a produção especifica independe do tempo. Em outras


palavras, para materiais de mesma produção específica pode ser diferente o tempo
em que se libera, totalmente, a água drenável.

A produção específica é da ordem de 25% em pedregulho, de 10 % em


areia fina e de 3 % em argila.

9.4 - Vantagens do Uso de Águas Subterrâneas • Nível estático do poço - é o nível de equilíbrio da água no poço, quando o
mesmo não está sendo bombeado.
Pode-se resumir as vantagens do aproveitamento de águas subterrâneas
em três pontos: • Nível dinâmico do poço - é o nível de água no poço, quando o mesmo estiver
sendo bombeado. O nível dinâmico está relacionado com a vazão de água
a) qualidade, geralmente satisfatória, para fins potáveis; retirada e com o tempo decorrido desde o início do bombeamento. Quando,
b) relativa facilidade de obtenção; para um dada vazão o nível se estabiliza, tem-se o denominado nível dinâmico
c) possibilidade de localização de obras de captação nas proximidades das áreas de equilíbrio, relativo à vazão em causa. Neste caso, portanto se estabelece um
de consumo. regime permanente.

• Abaixamento ou depressão - é a distância vertical compreendida entre os


9.5 – Qualidade da Água níveis estáticos e dinâmico do interior do poço.

- Físicas – Normalmente boas devido a filtração lenta reduz a cor e a turbidez • Superfície piezométrica de depressão ou cone de depressão - em poços
- Biológicas – a filtração lenta possibilita a inexistência de bactérias, a menos freáticos, é a superfície real formada pelos níveis de água em volta do poço,
que o lençol esteja sendo atingido por uma fonte poluidora perto do ponto de quando em bombeamento. Em poços artesianos‚ a superfície imaginária
captação. formada pelos níveis piezométricos. Em ambos os casos, tem a forma de um
- Químicas – pode conter sais solúveis em excesso. A dureza pode ser elevada, funil com o vértice no próprio poço.
em alguns aqüíferos.

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• Curva de abaixamento ou de depressão - é a curva formada pela interseção 9.7 1 - Quantidade de Desinfetante a Usar:
da superfície piezométrica por um plano vertical que passa pelo poço. Os dois
ramos da curva nem sempre são simétricos. A assimetria‚ mais acentuada em - solução a 50 mg/l de Cl, — tempo de contato 12 horas;
lençóis freáticos e no plano coincidente com a direção de escoamento da água - solução a 100 mg/l de Cl, — tempo de contato 4 horas;
subterrânea. Pode-se conhecer a curva de abaixamento abrindo poços de - solução a 200 mg/l de Cl, — tempo de contato 2 horas.
observação num plano diametral em relação ao poço em bombeamento, e
medindo os respectivos níveis de água.
9.7.2 - Técnica de Desinfecção:
• Zona de influência do poço - é constituída por toda a área atingida pelo cone
de depressão de um poço. Um outro poço qualquer perfurado dentro dessa - cubar o reservatório ou poço a ser desinfectado;
zona, terá, quando bombeado, uma redução em seus níveis estáticos e - calcular o desinfetante a ser usado;
dinâmicos, sendo, portanto prejudicado pelo bombeamento do primeiro. Não é - preparar a solução desinfetante a 5%, pesando o produto e despejando-o em
possível, sem conhecer as características do aqüífero e a vazão de água limpa. Agitar bem e depois deixar em repouso;
bombeamento de um poço, prever a extensão da zona de influência. - desprezar a borra e derramar a solução no poço.

• Regime de equilíbrio - Situação que se verifica em um poço quando o nível Agitar o mais possível e deixar a solução permanecer em contato com o
dinâmico no seu interior para uma vazão de bombeamento constante mantém- poço o tempo necessário, de acordo com a dosagem, 2 - 4 - 12 horas. Findo o
se inalterável no decorrer do tempo. Essa condição ocorre quando a vazão de prazo, esgotar o poço até que nenhum cheiro ou gosto de cloro seja percebido na
escoamento da água subterrânea, na faixa abrangida pela zona de influência do água.
poço, equilibra a vazão retirada. Portanto, atingido o regime de equilíbrio, a
superfície piezométrica de depressão, a curva de abaixamento e a zona de Se possível, confirmar o resultado da desinfecção pela análise
influência do poço, não mais variam com o tempo. O tempo necessário para se bacteriológica antes de utilizar a água para bebida.
obter o equilíbrio perfeito do nível dinâmico, varia amplamente com a vazão
de bombeamento e as características do aqüífero. Poderá não ser nunca Observação:
alcançada. - A desinfecção com solução forte de 100mg/l de Cl, deve ser precedida de
limpeza, com escovas, de todas as superfícies do poço, paredes, face interna
da tampa, tubo de sucção;
9.7 – Desinfecção - As amostras para análise bacteriológica devem ser colhidas depois que as
águas não apresentem mais nenhum odor ou sabor de cloro;
Após a construção das obras o poço deverá ser desinfetado. Só assim a - A desinfecção de um poço elimina a contaminação presente no momento, mas
água a ser fornecida estará em condições de uso. não tem ação sobre o lençol de água propriamente dito, cuja contaminação
pode ocorrer antes, durante e depois da desinfecção do poço.
Os agentes desinfetantes mais comumente usados são os compostos de
cloro:
- hipoclorito de cálcio (superior a 65% de Cl);
- cloreto de cal (cerca de 30% de Cl,);
- hipoclorito de sódio (cerca de 10% a 15% de Cl);
- água sanitária (cerca de 2% a 2,5% de CL).

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10 - TRATAMENTO DE ÁGUAS DE ABASTECIMENTO 10.1.2 - Coagulação e Floculação

A coagulação é um processo químico que visa aglomerar impurezas que


Os serviços públicos de abastecimento devem garantir um fornecimento se encontram em suspensões finas, em estados coloidal, em partículas sólidas que
de água segura e de boa qualidade de acordo com os padrões de potabilidade. possam ser removidas por decantação ou filtração. As partículas agregam-se,
constituindo formações gelatinosas inconsistentes, denominadas flocos. Os flocos
A necessidade de tratamento e os processos utilizados deverão ser iniciais são formados rapidamente e a eles aderem as partículas.
determinados de acordo com os resultados representativos obtidos de analise dos
mananciais escolhidos. Os reagentes em geral empregados são:

O tratamento deverá ser adotado e realizado apenas depois de a) coagulantes, compostos de elementos que produzem hidróxidos gelatinosos,
demonstrada sua necessidade e, sempre que a purificação for necessária, como os compostos de alumínio e de ferro;
compreender somente os processos imprescindíveis à obtenção da qualidade que b) álcali para prover e manter a alcalinidade necessária ao processo (tais como
se deseja, com custo mínimo. hidróxido de cálcio, carbonato de sódio, sempre que necessário).

O tratamento é a técnica que tem por finalidade reduzir as impurezas O coagulante mais empregado é o sulfato de alumínio, Al(OH)3, pelo fato
prejudiciais e nocivas. O tratamento tem como finalidade fundamental melhorar a de ser facilmente obtido e de baixo custo.
qualidade da água natural, sob os seguintes aspectos:
Modernamente, verifica-se que as condições de floculação podem ser
• sob o ponto de vista sanitário: remoção de bactérias, protozoários e outros muito melhoradas mediante o emprego de agentes auxiliares de coagulação, tais
organismos, substâncias venenosas, teor excessivo de compostos orgânicos; como:
a) sílica ativada;
• sob o ponto de vista estético: correção da cor, turbidez, odor e sabor; b) polieletrólitos;
c) argila fina preparada (bentonita).
• sob o ponto de vista econômico: redução da corrosividade, dureza, ferro, etc.
Todo o processo de tratamento químico e preparação da água para a
decantação e filtração compreende três fases distintas:
10.1 - Principais Processos de Tratamento de Água
a) mistura rápida que consiste na adição dos compostos químicos ou reagentes e
10.1.1 - Aeração sua dispersão uniforme na água;
b) formação de flocos;
A aeração das águas pode ser realizada com os seguintes objetivos: c) desenvolvimento ou condicionamento dos flocos.

a) remoção de gases dissolvidos em excesso nas águas (CO2 , H2S); A primeira fase pode ser efetuada no próprio dispositivo de medição de
b) remoção de substância voláteis; vazão da estação de tratamento (normalmente calha Parshall) ou em câmaras
c) introdução de oxigênio (inclusive para a oxidação de ferro). especiais denominadas câmaras de mistura rápida, com agitadores mecânicos.

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A fase seguinte se realiza em câmaras de agitação lenta ou floculadores. 10.1.4 - Filtração


Esses floculadores podem ser hidráulicos (chicanas com movimento horizontal ou
vertical da água) ou mecanizados (de eixo vertical ou de eixo horizontal). A filtração d’água como processo de purificação consiste em fazê-la
atravessar camadas porosas capazes de reter impurezas. O material poroso
geralmente empregado como meio filtrante é a areia, sendo que outros materiais
10.1.3 - Decantação têm sido utilizados com sucesso, entre os quais o carvão duro (antracito) e a
granada.
A decantação ou sedimentação é um processo dinâmico de separação de
partículas sólidas suspensa na água. Essas partículas, sendo mais pesadas que a Em sistemas públicos de abastecimento de água são empregados dois
água, tenderão a cair para o fundo, verificando-se então a referida separação. tipos principais de filtros de areia:

Na técnica de purificação das águas de abastecimento, emprega-se a - filtros lentos


decantação com as seguintes finalidades: - filtros rápidos
a) remoção de areia;
b) remoção de partículas sedimentáveis finas, sem coagulação (decantação
simples); a) Filtros Lentos
c) retenção de flocos: decantação após coagulação.
Os filtros lentos são tanques geralmente de forma retangular, com paredes
Sob o ponto de vista prático, os decantadores podem ser classificados de alvenaria de pedra ou totalmente de concreto armado, providos de uma camada
como segue. de areia, através da qual a água se desloca de cima para baixo, sob a ação da
gravidade, para libertar-se de certas impurezas.
- Em função do escoamento da água no seu interior.
a) decantadores de escoamento horizontal, onde a água se movimenta Além da ação de coar, impedindo que partículas maiores que os vazios da
longitudinalmente entrando por uma extremidade e saindo pela outra. areia atravessem o leito filtrante, os filtros lentos retêm partículas bem menores,
b) decantadores de escoamento vertical, nos quais a água‚ dirigida para a parte devido à sedimentação e à aderência a que ficam sujeitas nos grãos de areia. Além
inferior, elevando-se a seguir em movimento ascendente. do mais, os filtros lentos são capazes de remover a quase totalidade das bactérias
patogênicas e quistos de ameba, bem como, parte do gosto e odor da água, em
- De acordo com as condições de funcionamento: decorrência de ações biológicas e bioquímicas, promovidas pela película de
sujeira, conhecida por schmutzdecke, que envolve os grãos de areia situados nos
a) decantadores do tipo clássico ou convencional, que recebem a água floculada, primeiros milímetros superiores de leito filtrante. Tal película só se forma depois
podendo. Nesse caso, a remoção de lodo ser mecanizada ou não; de certo tempo de funcionamento do filtro, geralmente um a três meses,
b) decantadores com contato de sólidos, do tipo dinâmico ou compacto: são conhecidos por período de maturação.
unidades compactas que promovem simultaneamente a agitação, a floculação
e decantação, existindo atualmente vários tipos patenteados; A resistência ao escoamento, inicialmente pequena, cresce à medida que a
c) .+decantadores tubulares, onde a decantação é feita com o emprego de areia vai-se colmatando pelas impurezas retidas, até atingir certos valores, quando
módulos tubulares (decantação laminar) estão determina a limpeza do filtro, para que este retorne às condições inicias de
funcionamento.

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As taxas de filtração variam, normalmente, de 2 a 6m3/m2/dia, conforme a biológica com as impurezas retidas. Terminada a operação, o filtro retorna ao
qualidade da água. funcionamento normal.

Devem ser utilizadas, no mínimo, duas unidades filtrantes, para que uma As raspagens, intervaladas de um a seis meses, a depender da qualidade
mantenha o suprimento d’água, enquanto a outra estiver fora de uso para limpeza da água, são feitas até que a espessura da camada filtrante fique reduzida a 60 cm,
ou reparo. oportunidade em que os 40 cm retirados em diversas operações devem ser
repostos, de uma só vez, com areia original já devidamente lavada.
São utilizados nos casos em que a água bruta apresenta pouca turbidez e
baixa cor, não exigindo tratamento químico (coagulação - decantação). A camada Corte longitudinal de um filtro lento.
filtrante é constituída de areia mais fina e a velocidade com que a água atravessa a
camada filtrante é relativamente baixa.

Detalhes de projeto. A altura interna do filtro, geralmente com três metros, é


desdobrada de cima para baixo pela folga de 0,40m, pela camada de água de
1,30m, pelo leito de areia de 1,00m e pela camada de 0,30m de cascalho.

A areia, depois de convenientemente selecionada, deve possuir tamanho


efetivo de o,25 a 0,35 mm e coeficiente de uniformidade de 2 a 3.

O cascalho é constituído de subcamadas que, de cima para baixo, b) Filtros Rápidos


possuem espessura de 5cm, 8cm e 17cm, com grão variando, respectivamente, de
1,5 a 3,5mm, de 10 a 20mm e de 20 a 50mm. A filtração rápida consiste na passagem da água através de um material
poroso, com velocidade bem superior à da filtração lenta.
Para evitar que o jato d’água de entrada abra crateras no leito de areia
costuma-se usar um dispositivo amortecedor, como a placa semicircular como Nos filtros rápidos convencionais, a velocidade de filtração é da ordem de
vertedor. 120m3m2/dia.

Limpeza do filtro. Quando o filtro entra em funcionamento, a perda de carga é A filtração rápida por si mesma é incapaz de remover a cor da água. Por
pequena, raramente ultrapassando 6 cm, o que pode ser constatado com um tubo outro lado, a colmatação do leito filtrante processa-se tanto mais rapidamente
piezométrico transparente, instalado na tubulação efluente. Com o decorrer do quando maiores a turbidez e a velocidade de filtração. Daí a razão de os filtros
tempo, a areia vai-se colmatando e, quando a perda de carga atinge seu valor rápidos serem mais utilizados para complementar a coágulo-sedimentação, já que
limite de 1,20m, oportunidade em que o nível d’água no tubo piezométrico fica a esta tem condições de produzir água de baixa cor e turbidez. Estão cabe aos filtros
10cm acima do nível da areia, a limpeza desta deve ser providenciada. a ação, quase exclusiva, de reter os flocos que escapam aos decantadores. E tanto
assim é, que pesquisas estão sendo feitas visando a evitar essa fuga, o que
Para a limpeza do filtro, começa-se por esvaziá-lo de água para em dispensaria a posterior filtração da água.
seguida ser procedida a raspagem superficial do leito de areia, do qual são
retirados os primeiros centímetros, justamente onde se encontra a camada

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Por outro lado, resultados satisfatórios estão sendo obtidos com a inicialmente bastante escura, vai gradativamente clareando-se num período de
filtração de baixo para cima (ascendente), livre da coágulo-sedimentação prévia, cinco a sete minutos, findo o qual a areia já se encontra limpa, oportunidade em
desde que a turbidez da água não ultrapasse certos limites. que são fechados os registros 4 e 3, e abertos os de n0 1 e 5, este quando o nível
d’água atingir sua posição normal de filtração.
Detalhes de projeto. No filtro rápido convencional utiliza-se uma camada de areia Diferem dos filtros lentos não só pela velocidade de filtração como pela
com espessura da ordem de 0,75m, tamanho efetivo de 0,45 a 0,55mm e sua construção e modo de operação. São constituídos com condições de
coeficiente de uniformidade de 1,3 a 1.7, situada sobre uma camada de pedregulho autolavagem através da inversão do fluxo normal de funcionamento. Os filtros
com cerca de 0,40m de espessura, ficando o conjunto dentro de uma caixa, rápidos recebem, geralmente, água tratada quimicamente e podem ser constituídos
geralmente de concreto armado e de base retangular. de concreto armado (filtros de gravidade) ou de chapas metálicas (filtros de
pressão).
A camada de pedregulho assenta sobre uma placa provida de orifícios,
denominados fundo falso, situada pouco acima do fundo verdadeiro.

Superiormente o filtro é provido de canaletas para receber a água de


lavagem e, lateralmente, de uma câmara onde cai essa mesma água de lavagem.

Funcionamento. A água que sai do decantador tem acesso ao filtro através de


uma tubulação cujo registro 1 se encontra aberto, bem como aberto está o de n0 2
do conduto que dá saída à água filtrada, conduzindo-a ao reservatório. Os demais
registros 3, 4 e 5 permanecem fechados.

Enquanto a filtração descendente da água vai se processando à velocidade


constante, graças ao controlador de vazão 6, a areia vai colmatando-se
gradativamente pelas partículas em suspensão (flocos), que vão sendo retidas. Em
decorrência, a perda de carga também vai aumentando gradativamente até atingir
um valor limite que não deve ser ultrapassado.

Limpeza. Atingida a perda de carga limite, o que ocorre geralmente após um dia Esquema de um filtro rápido convencional .
de funcionamento do filtro, a areia deste deve ser lavada por inversão de corrente.
Para tanto. Inicialmente fecha-se o registro 1 e, em seguida, o 2, este no momento
em que o nível d’água, ao baixar, atinge o nível superior da camada de areia. 10.1.5 - Desinfecção
Então é aberto o registro 3 e logo após o 4, cuja tubulação conduz a água de
lavagem para o fundo falso, água esta que vai subindo no filtro com velocidade A desinfecção d’água para fins de abastecimento constitui medida que,
cerca de oito vezes maior que a filtração convencional. Com a subida da água a em caráter corretivo ou preventivo, deve ser obrigatoriamente adotada em todos os
areia expande-se dando condições para que as partículas retidas, relativamente sistemas públicos. Somente um processo de desinfecção bem controlado, antes
leves, como os flocos, sejam arrastadas e conduzidas para as canaletas de lavagem, d’água atingir o ponto de consumo, é que poder garantir a qualidade d’água. Do
de onde passam para a câmara lateral, encontrando saída pela tubulação de esgoto. ponto de vista da saúde pública.
A água de lavagem ao transbordar para as canaletas e daí para a câmara lateral,

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Os produtos normalmente utilizados para desinfecção d’água de


abastecimento público são:

a) cloro (cloro gás ou cloro liquido);


b) hipoclorito de cálcio (ClO)2Ca, encontrado comercialmente sob a forma de pó;
c) hipoclorito de sódio (ClONa), encontrado comercialmente sob a forma
de solução;
d) cal clorada (CaOCl2), encontrada no comércio sob a forma de pó.

Para a adição desses produtos à água em geral são utilizados dosadores


denominados, de acordo com o produto a ser utilizado, cloradores ou
hipocloradores.

10.2 – Esquema Geral de uma Estação de Tratamento

CASA DE QUÍMICA
Sulfato Cal Cloro Fluor
O O O O

Água bruta Distribuição


Mistura Rapida
Floculação Decantação Flitração
Reservatório

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11 - SISTEMAS DE ESGOTOS SANITÁRIOS Matéria sólida

Das características físicas, o teor de matéria sólida é o de maior


11.1- Introdução importância em termos de dimensionamento e controle de operação das unidades
de tratamento. A remoção da matéria sólida é fonte de uma série de operações
Os dejetos humanos podem ser veículos de germens patogênicos de unitárias de tratamento, ainda que represente apenas cerca de 0,1% dos esgotos (a
várias doenças, dentre as quais febre tifóide e paratifóide, diarréias infecciosas, água compõe os restantes 99,9%).
amebíase, ancilostomíase, esquistossomose, teníase, ascaridíase etc. Por isso,
torna-se indispensável afastar as possibilidades de seu contado com: Classificação da matéria sólida
- o homem - águas de abastecimento
- vetores (moscas, baratas) - alimentos a) em função das dimensões das partículas:
• sólidos em suspensão;
Observa-se que, devido à falta de medidas práticas de saneamento e de • sólidos coloidais;
educação sanitária, grande parte da população tende a lançar os dejetos • sólidos dissolvidos.
diretamente sobre o solo, criando, desse modo, situações favoráveis à transmissão
de doenças. b) em função da sedimentabilidade:
• sólidos sedimentáveis;
A solução ideal é a construção de privadas com veiculação hídrica, • sólidos flutuantes ou flotáveis;
ligadas a um sistema público de esgotos, com adequado destino final. Essa solução • sólidos não sedimentáveis.
é, contudo, impraticável no meio rural e às vezes difícil, por razões principalmente
econômicas, em muitas comunidades urbanas e suburbanas. Nesses casos são c) em função da secagem, a alta temperatura (550 a 600oC)
indicadas soluções isoladas para cada domicílio. • sólidos fixos;
• sólidos voláteis.
11.2 - Características das Águas Resíduarias d) em função da secagem em temperaturas médias (103 a 105oC)
• sólidos totais;
11.2.1 - Características Físicas • sólidos em suspensão;
• sólidos dissolvidos.
As características físicas dos esgotos podem ser interpretadas pela
obtenção das grandezas correspondentes às seguintes determinações:
Temperatura
• matéria sólida;
• temperatura; A temperatura dos esgotos é, em geral pouco superior à das águas de
• odor; abastecimento (pela contribuição de despejos domésticos que tiveram as águas
• cor; aquecidas). Pode, no entanto, apresentar valores reais elevados, pela contribuição
• turbidez. de despejos industriais. Normalmente, a temperatura nos esgotos está acima da
temperatura do ar, à exceção dos meses mais quentes do verão, sendo típica a faixa
de 20 a 25oC.

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Em relação aos processos de tratamento sua influência se dá, despejos industriais, como por exemplo, dos despejos de indústria têxteis ou de
praticamente: tintas.

• nas operações de natureza biológica ( a velocidade de decomposição do esgoto A turbidez não é usada como forma de controle de esgoto bruto, mas
aumenta com a temperatura, sendo a faixa ideal para a atividade biológica 25 a pode ser medida para caracterizar e eficiência do tratamento secundário, uma vez
35oC, sendo ainda 15oC a temperatura abaixo da qual as bactérias formadoras que pode ser relacionada à concentração de sólidos em suspensão.
do metano se tornam inativas da digestão anaeróbia);
• nos processos de transferência de oxigênio (a solubilidade do oxigênio é menor
nas temperaturas mais elevadas); 11.2.2 - Características Químicas
• nas operações em que ocorre o fenômeno da sedimentação (o aumento da
temperatura faz diminuir a viscosidade melhorando as condições de A origem dos esgotos permite classificar as características químicas em
sedimentação). dois grandes grupos: da matéria orgânica e da matéria inorgânica.

Odor Basicamente 70% dos sólidos do esgoto são de origem orgânica.


Geralmente estes compostos orgânicos são uma combinação de carbono,
Os odores característicos dos esgotos são causados pelos gases formados hidrogênio, algumas vezes com nitrogênio.
no processo de decomposição.
Os grupos de substância orgânica dos esgotos são constituídos
Há alguns tipos principais de odores, bem característicos: principalmente por:
• odor de mofo, razoavelmente suportável, típico do esgoto fresco;
• odor de ovo podre, “insuportável”, típico do esgoto velho ou séptico, que • compostos de proteínas (40 a 60%);
ocorre devido á formação de gás sulfídrico proveniente da decomposição do • carboidratos (25 a 50%);
lodo contido dos despejos; • gordura e óleos (10%);
• odores variados, de produtos podres, como de repolho, legumes, peixe, podres; • uréia, sulfatantes, fenóis, pesticidas (típicos de despejos industriais, em
de matéria fecal; de produtos rançosos; de acordo com a predominância de quantidade), etc.
produtos sulfurosos, nitrogenados, ácidos orgânicos, etc.
Demanda bioquímica de oxigênio
Quando ocorrem odores diferentes e específicos, o fato se deve à
presença de despejos industriais. A forma mais utilizada para se medir a quantidade de matéria orgânica
presente é através da determinação da DBO, mede a quantidade de oxigênio
Cor e turbidez necessária para estabilizar biologicamente a matéria orgânica presente numa
amostra, após um tempo dado (tomado para efeito de comparação em 5 dias) e a
A cor e a turbidez indicam de imediato, e aproximadamente, o estado de uma temperatura padrão (20oC, para efeito de comparação).
decomposição do esgoto, ou sua “condição”.
A tonalidade acinzentada da cor é típica do esgoto fresco. A cor preta é Normalmente a DBO5 dos esgotos domésticos varia entre 100 e 300 mg/l,
típica do esgoto velho e de uma decomposição parcial. Os esgotos podem, no de acordo com a condição, e nos tratamentos completos, deseja-se atingir uma
entanto, apresentar qualquer outra cor, nos casos de contribuição importante de redução de DBO5 até uma faixa de 20 a 30 mg/l.

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As formas de nitrogênio Indicadores da poluição

Pode-se conhecer a presença e estimar o grau de estabilização da matéria Há vários organismos cuja presença num corpo d’água indica uma forma
orgânica pela verificação da forma como estão presentes os compostos de qualquer de poluição. Para indicar no entanto a poluição de origem humana e para
nitrogênio na água residuaria. medir a grandeza destas contribuição, usa-se adotar os organismos do grupo
coliforme como indicador.
O nitrogênio presente no esgoto fresco está quase todo combinado sob
forma de proteínas e uréia; as bactérias no seu trabalho de oxidação biológica As bactérias coliforme são típicas do intestino do homem e de outros
transformam o nitrogênio presente primeiramente em amônia, depois em nitritos e animais de sangue quente (mamíferos em geral), e justamente por estarem sempre
depois em nitratos. presente no excremento humano (100 a 400 bilhões de coliforme/hab. dia) e serem
de simples determinação, são adotadas como referência para indicar e medir a
Demanda química de oxigênio grandeza da poluição. A bactéria coliforme, sozinha, não transmite qualquer
doença; mas se excretada por indivíduo doente, portador de um organismo
A DQO corresponde à quantidade de oxigênio necessária para oxidar a patogênico, ela virá acompanhada destes organismos capaz de trazer as conhecidas
fração orgânica de uma amostra que seja oxidável pelo permanganato ou doenças de veiculação hídrica.
dicromato de potássio em solução ácida.
A medida dos coliforme é data por uma estimativa estatística de sua
Demanda total de oxigênio concentração, conhecida como o Número Mais Provável de Coliforme (NPM/ml
ou NPM/100ml), determinada por técnicas próprias de laboratório.
Consiste em uma determinação instrumental capaz de não ser afetada por
certos poluentes que interferem mesmo no teste da DQO. O esgoto bruto contém cerca de 109 a 1010 NMP/100 ml de coliformes
totais, e de 108 a 109 NMP/100 ml de coliformes fecais.
Demanda teórica de oxigênio

Corresponde à quantidade de oxigênio que estequeometricamente seria 11.3 - Finalidade do Tratamento


necessário para oxidar completamente um dados composto.
11.3.1 - Importância Sanitária

11.2.3- Características Biológicas Sob o aspecto sanitário, o destino adequado dos dejetos humanos visa,
fundamentalmente, ao controle e à prevenção de doenças a eles relacionadas. As
Os principais organismos encontrados nos rios e nos esgotos são: as soluções a serem adotadas terão os seguintes objetivos:
bactérias, os fungos, os protozoários, os vírus e os grupos de plantas e de animais.
• evitar a poluição do solo e dos mananciais de abastecimento de água;
As bactérias constituirão talvez o elemento mais importante • evitar o contado do solo e dos mananciais de abastecimento de água;
deste grupo de organismos, responsáveis que são pela decomposição e • evitar o contato de vetores com as fezes;
estabilização da matéria orgânica, tanto na natureza como nas unidades • propiciar a instituição de hábitos higiênicos na população;
convencionais de tratamento. • promover o conforto e atender ao senso estético.

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11.3.2 - Importância Econômica b - Soluções não sanitárias:

A ocorrência de doenças, principalmente doenças infecciosas e • privada com receptáculos móveis


parasitárias ocasionadas pela falta de condições adequadas de destino dos dejetos,
pode levar o homem à inatividade ou reduzir sua potencialidade para o trabalho, • fossa negra : é denominação dada a toda fossa destinada a dejetos e efluentes
transformando-o de unidade produtiva a uma carga para a saciedade. de tanques sépticos que atinja diretamente o lençol subterrâneo de água. É uma
solução condenável em saneamento. Será tolerada desde que não se utilize nem
Assim, tem-se em vista, em primeiro lugar, preservar a capacidade de se considere a possibilidade de utilizar água subterrânea, para abastecimento na
produção do homem. Outros aspectos também são considerados: área em que se localizar a fossa.

• aumentar a vida média do homem, pela redução da mortalidade em • Privada construída sobre curso de água: utilizada por habitantes da zona
conseqüência da redução dos casos de doenças; rural que residem na proximidade de córregos. A casinha é construída sobre
• diminuir as despesas referentes ao tratamento das doenças evitáveis; estacas à beira do córrego, geralmente próxima de barrancos. Os dejetos são
• reduzir o custo do tratamento da água de abastecimento, através da prevenção lançados diretamente dentro da água.
da poluição dos mananciais;
• controlar a poluição das praias e dos locais de recreação com o objetivo de • Privada sem fossa: possui apenas a casinha construída a pequena altura do
promover o turismo e obter o conseqüente aumento da renda; solo. Os dejetos são lançados diretamente na superfície do solo e ingeridos por
• preservar a fauna aquática, especialmente os criadouros de peixes. porcos e galinhas.

• Privada de vaso sanitário cujo efluente é lançado na superfície do solo,


11.4 - Soluções Individuais para Destino dos Despejos geralmente em pequenas valas.

a - soluções sanitárias
11.5 - Fossa Séptica
Não existindo água encanada, usam-se:
11.5.1 - Histórico
• privada com fossa seca
• privada com fossa estanque As pesquisas de caráter histórico registram como inventor das fossas
• privada com fossa de fermentação sépticas Jean Louis Mouras que, em 1860, construiu um tanque de alvenaria, no
• privada química qual eram coletados, antes de serem encaminhados para um sumidouro, os
esgotos, restos de cozinha e águas pluviais de uma pequena habitação em Veoul,
Existindo água encanada no domicílio, pode ser utilizada privada de vaso na França. Este tanque, aberto 12 anos mais tarde, não apresentava acumulada a
sanitário, mas, quando a localidade não dispõe de sistema de esgotos sanitários quantidade de sólidos que foi previamente estimada em função da redução
(rede de esgoto), o efluente do vaso sanitário é conduzido a: apresentada no efluente líquido do tanque.

• tanque séptico Posteriormente, em colaboração com o Abade Moigne, autoridade


• tanque Imnhoff ou OMS científica da época, J. L. Mouras realizou uma série de experiência e, em face dos

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resultados obtidos, registrou a patente do modelo testado em 2 de setembro de 11.5.3.1 - Volume


1881.
V = 1000 + N(CT + KLf)
A fossa Mouras consistia em um tanque hermético, no qual o afluente era Onde:
encaminhado para o interior da fossa através de tubulações conectadas a uma peça V = volume útil em litros
submersa na massa líquida; o efluente era descarregado através de tubulação a N = número de pessoas
jusante. C = contribuição de despejos, em litros/pessoa x dia (tab 11.1)
T = período de detenção, em dias (Tab 11.2)
K = taxa de acumulação de lodo digerido em dias equivalente ao tempo de
11.5.2 - Conceito acumulação de lodo fresco (Tab 11.3)
Lf = contribuição de lodo fresco, em litros/pessoa x dia (Tab 11.1)
Fossa séptica é um dispositivo de tratamento de esgotos destinado a
receber a contribuição de um ou mais domicílios e com capacidade de dar aos Tabela 11.1 - Contribuição diária de esgoto (C) e de lodo fresco por tipo de
esgotos um grau de tratamento compatível com a sua simplicidade e custo. prédio e de ocupantes
Contribuição Contribuição
Como os demais sistemas de tratamento, deverá dar condição aos seus Prédio Unidade de esgoto (C) de lodo
efluentes de: fresco (Lf)
1 – Ocupantes permanentes
• impedir perigo de poluição de mananciais destinados ao abastecimento - residência
domiciliar; padrão alto pessoa 160 1
• impedir alteração das condições de vida aquática nas águas receptoras; padrão médio pessoa 130 1
• não prejudicar as condições de balneabilidade de praias localidades de recreio padrão baixo pessoa 100 1
e esporte; - hotel (exceto lavanderia e cozinha) pessoa 100 1
• impedir perigo de poluição de águas subterrâneas, de água localizadas (lagos - alojamento provisório pessoa 80 1
ou lagoas, de cursos d’água que atravessem núcleos de população, ou de águas 2 - Ocupantes temporários
utilizadas na dessedentação de rebanhos e na horticultura, além dos limites - fabrica em geral pessoa 70 0,30
permissíveis, a critérios do órgão local responsável pela Saúde Pública. - escritório pessoa 50 0,20
- edifícios públicos ou comerciais pessoa 50 0,20
- escolas (externatos) e locais de
11.5.3 - Dimensionamento longa permanência pessoa 50 0,20
- bares pessoa 5 0,10
A fossa séptica deverá ser projetada de modo que as suas dimensões - restaurantes e similares refeição 25 0,10
atendam satisfatoriamente a vazão afluente e que permita manutenção fácil, - cinemas, teatros locais de curta
econômica e segura. (NBR 7229/93) permanência lugar 2 0,02

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Tabela 11. 2 - período de detenção dos despejos, 11.5.3.2 - Geometria dos Tanques
por faixa de contribuição diária
Contribuição diária Tempo de detenção Os tanques sépticos podem ser cilíndricos ou prismáticos retangulares. Os
(L) (dia) cilíndricos são empregados em situações onde se pretende minimizar a área útil
Até 1500 1 em favor da profundidade; os prismáticos, nos caso em que sejam desejáveis
De 1501 a 3000 0,92 maior área horizontal e menor profundidade.
De 3001 a 4500 0,83
De 4501 a 6000 0,75
De 6001 a 7500 0,67 11.5.3.3 - Medidas Internas Mínimas
De 7501 a 9000 0,58
Mais de 9000 0,50 As medidas internas dos tanques devem observar o que segue:

Tabela 11.3 - taxa de acumulação total de lodo (K), em dias, por • profundidade útil: varia entre os valores mínimos e máximos recomendados na
intervalo entre limpezas e temperaturas do mês mais frio tabela 4, de acordo com o volume útil;
Intervalo entre Valores de K por faixa de temperatura • diâmetro interno mínimo - 1,10m;
limpezas (anos) ambiente (t) em 0C • largura interna mínima - 0,80m;
t <= 10 10 <= t <=20 t >= 20 • relação comprimento/largura para tanques prismáticos retangulares: mínimo
1 94 65 57 2:1, máximo 4:1
2 134 105 97 • a, b ≥ 5 cm; c = 1/3 h
3 174 145 137
5cm
4 214 185 177
5 254 225 217 5cm
Entrada Saída
C
5cm

Tabela 11.4 - Profundidade útil mínima e máxima, por faixa de


volume útil
Volume útil (m3) Profundidade útil Profundidade útil
mínima (m) máxima (m)
Até 6,0 1,20 2,20
De 6,0 a 10,0 1,50 2,50
Mais que 10,0 1,80 2,80

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11.5.4 - Disposição do Efluente Líquido dos Tanques Sépticos 11.5.6 - Eficiência

O efluente líquido é potencialmente contaminado, com odores e aspectos A eficiência do tanque séptico é normalmente expressa em função dos
desagradáveis, exigindo, por estas razões, uma solução eficiente de sua disposição. parâmetros comumente adotados nos diversos processos de tratamento. Os mais
usados são: Sólidos em suspensão e Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). As
Entre os processos eficientes e econômicos de disposição do efluente quantidades de cloretos, nitrogênio amoniacal, material graxo e outras substâncias
líquido das fossas têm sido adotados os seguintes tipos: podem interessar em casos particulares, A tabela .5 Apresenta dados de eficiência
• diluição (cornos d’água receptores): para o Tanque Séptico a proporção é de das unidades de tratamento.
1:300;
• sumidouro;
• vala de infiltração e filtração; 11.5.6.1 - Sólidos em Suspensão
• filtro de areia;
• filtro anaeróbio. O tanque séptico, projetado e operado racionalmente, poderá obter
redução de sólidos em suspensão em torno de 60%.
A escolha do processo a ser adotado deve considerar os seguintes fatores:
• natureza e utilização do solo;
11.5.6.2 - Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO)
• profundidade do lençol freático;
• grau de permeabilidade do solo; A remoção de DBO poderá ser da ordem de:
• utilização e localização da fonte de água de subsolo utilizada para consumo
humano; • vazão em tomo de 2000 1/dia— 35 a 61%;
• •volume e taxa de renovação das águas de superfície. • vazão em torno de 1000 1/dia— 49 a 60%.

11.5.5. - Disposição do Efluente Sólido 11.5.6.3 - Influência de Outras Substâncias


A parte sólida retida nas fossas sépticas (lodo) deverá ser renovada Os esgotos contendo sabões nas proporções normalmente utilizadas, de
periodicamente, de acordo com o período de armazenamento estabelecido no 20 a 25mg/l, não prejudicam o sistema. No entanto, sob nenhum propósito deverá
cálculo destas unidades. A falta de limpeza no período fixado acarretará ser lançado, nos tanques, soluções de soda cáustica, que além da interferência em
diminuição acentuada da sua eficiência. sua eficiência, provocará a colmatação dos solos argilosos.
Pequeno número de tanque séptico instalados e de pouca capacidade não Estudos realizados demonstraram não haver qualquer evidência de que os
apresentam problemas para a disposição do lodo. Nestes casos, o lançamento no detergentes usualmente utilizados nas residências, nas proporções em que
solo, a uma profundidade mínima de 0,60m, e mesmo em rios, poderá ser uma normalmente encontradas nos esgotos, possam ser nocivos para o funcionamento
solução, desde que o local escolhido não crie um problema sanitário. Quando o dos tanques sépticos.
número de tanque séptico for bastante grande ou a unidade utilizada é de grande
capacidade, o lodo não poderá ser lançado no solo e nem nos rios, mas sim
encaminhado para um leito de secagem.

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Tabela 11.5 - Eficiência das Unidades de Tratamento onde:


Unidade de Tratamento Eficiência na Remoção N = número de contribuintes
de DBO (%) C = contribuição de despejos (l/pessoa x dia) (tab. 1)
Tanque séptico de câmara única ou de câmara 30 a 50 T = período de detenção (dias) (tab. 6)
sobreposta
Tanque séptico de câmara em série 35 a 65 b) seção horizontal (S)
Valas de filtração 75 a 95
Filtro anaeróbio 70 a 90 S = V / 1,20

Tabela 11.6 – Tempo de detenção hidráulica de esgoto(T) por faixa de vazão e


11.6 - Filtro Anaeróbio temperatura do esgoto (em dias)
Vazão Temperatura média do mês mais frio
O filtro anaeróbio é usado para: L/dia Abaixo de 15 oC Entre 15 e 25 oC Maior eu 25 oC
Até 1500 1.17 1.00 0.92
• dotar o efluente líquido das fossas sépticas de características dentro dos
padrões de qualidade exigidos para o corpo d’água receptor 1501 – 3000 1.08 0.92 0.83
• dotar as normas de opção entre as soluções para o problema gerado pela 3001 – 4500 1.00 0.83 0.75
inviabilidade de infiltração de efluente líquidos da fossa séptica no terreno. 4501 – 6000 0.92 0.75 0.67
6001 – 7500 0.83 0.67 0.58
O filtro pode ter forma cilíndrica ou prismática, com fundo falso 7501 - 9000 0.75 0.58 0.50
perfurado.
Acima de 9000 0.75 0.50 0.50
O leito filtrante já incluso a altura do fundo falso deve ser limitada a 1,20
m, que é constante para qualquer volume obtido no dimensionamento. O fundo
falso deve ser limitado a 0,60m, já incluso a espessura da laje. O material filtrante 11.6.2 – Aspectos a Serem Observados na Construção do Filtro Anaeróbio
deve ter a granulometria mais uniforme possível, podendo varias entre 0,04m e
0,07m ou ser adotada a pedra britada no4. • O volume útil mínimo do leito filtrante deve ser de 1000 litros;
• A altura do leito filtrante, já incluindo a altura do fundo deve ser limitada a
O volume útil mínimo do leito filtrante deve ser de 1000 litros. 1,20 m.;
• A altura do fundo falso deve ser limitada a 0,60 m, já incluindo a espessura da
Deve ser prevista uma perda de carga hidráulica entre o nível no tanque laje;
séptico e o nível no filtro anaeróbio de 0,10m. • No caso de haver dificuldades de construção do fundo falso, todo o volume do
leito pode ser preenchido por meio filtrante. Neste caso, o esgoto afluente
deve ser introduzido até o fundo, a partir do qual é distribuído sobre todo do
11.6.1 - Dimensionamento filtro através de tubos perfurados.

a) volume útil (v) V = 1,60 NCT Detalhe de um filtro circular.

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Filtro anaeróbio tipo retangular totalmente enchido de brita

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11.7 - Sumidouro Em três pontos do terreno onde vai ser utilizado para disposição do
efluente da fossa séptica :
Os sumidouros são também conhecidos como poços absorventes,
recebendo os efluentes diretamente das fossa sépticas, tendo, portanto, vida útil • Com o trado de 150mm de diâmetro, escavar um cava vertical de modo que o
longa devido à facilidade de infiltração do liquido praticamente isento dos sólidos fundo da cava esteja aproximadamente no mesmo nível previsto para o fundo
causadores da colmatação do solo. Esta é a principal diferença entre sumidouros e do campo de infiltração.
outros dispositivos de lançamento dos esgotos em covas: latrina, fossa seca, etc. • Retirar o material solto no fundo da cava e cobrir o fundo com cerca de 0,05m
Os sumidouros devem ter as paredes revestidas de alvenaria de tijolos, assentes de brita.
com juntas livres, ou de anais (ou placas) pre-moldadas de concreto, • Encher a cava com água a profundidade de 0,30m do fundo e manter esta
convenientemente furadas, e ter enchimento no fundo de cascalho, ou pedra altura durante pelo menos 4 horas, completando com água na medida em que
britada de pelo menos 0,50m de espessura. desce o nível. Este período deve ser prolongado para 12 horas ou mais se o
solo for argiloso; esta constitui uma etapa preliminar para saturação do solo;
As lajes de cobertura dos sumidouros devem ficar no nível do terreno, ser • Se toda a água inicialmente colocada infiltrar no solo dentro de 10 minutos,
de concreto armado e dotadas de aberturas de inspeção com tampão de fechamento pode-se começar o ensaio imediatamente;
hermético, cuja menor dimensão em seção seja de • Exceto para solo arenoso, o ensaio de percolação não dever ser feito 30 horas
0,60m. após o inicio da etapa de saturação do solo.
O fundo do sumidouro deverá estar a uma profundidade de 1,5m acima Determinação da taxa de percolação K
do lençol de água, para evitar a poluição da água subterrânea.
• Colocar 0,15m de água na cava acima da brita, cuidando-se para que durante
As dimensões dos sumidouros são determinadas em função da capacidade todo o ensaio, não seja permitido que o nível da água supere 0,15m;
de absorção do terreno. Devendo ser considerada como superfície útil de absorção • Imediatamente após o enchimento, determinar o abaixamento no nível d’água
a superfície do fundo e das paredes laterais até o nível de entrada do efluente do
na cava a cada 30 minutos (queda do nível) e após cada determinação colocar
tanque séptico.
mais água e retornar ao nível de 0,15m;
• O ensaio deve prosseguir até que se obtenha diferença de rebaixamento dos
A= V
níveis entre as duas determinações sucessivas inferior a 0,015m, em pelo
Tma
menos três medições necessariamente;
• No solo arenoso, quando a água colocada se infiltra no período inferior a 30
onde:
minutos, o intervalo entre as leituras deve ser reduzido para 10 minutos,
V = volume total diário de esgoto (m3dia);
durante uma hora, assim sendo, nesse caso, o valor da queda a ser utilizado é a
Tma = taxa máxima de aplicação diária e infiltração em litros por (m³/m² dia).
queda da última leitura;
• Calcular a taxa de percolação para cada cava escavada, a partir dos valores
11.7.1 - Teste de Percolação apurados, dividindo-se o intervalo de tempo entre determinações pelo
rebaixamento lido na última determinação.
O teste de percolação pode ser feito da seguinte maneira:

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Por exemplo: se o intervalo utilizado é de 30 minutos e o desnível Detalhe de um sumidouro circular


apurado é de 0,03m, temos a taxa de percolação de 30/0,03 = 1000 min/m;

• O valor médio da taxa de percolação da área é obtido calculando a média


aritmética dos valores das cavas;
• O valor real a ser utilizado no cálculo da área necessária da vala de infiltração,
deve ser especificado na tabela 11.7;
• Obtém-se o valor da área total necessária para área de infiltração, dividindo-se
o volume total diário estimado de esgoto (m³/dia) pela taxa máxima de
aplicação diária.

Tabela 11.7 – Conversão de valores de taxa de percolação em taxa de


aplicação superficial
Taxa de Taxa máxima Taxa de Taxa máxima de
percolação de aplicação percolação aplicação diária
(min/m) diária (min/m) (m³/m² dia)
(m³/m² dia)
40 ou menos 0.20 400 0.065
80 0.14 600 0.053
120 0.12 1200 0.037
160 0.10 1400 0.032
200 0.09 2400 0.024

11.7.2 - Aspectos a Serem Observados na Construção do Sumidouro

• A distância máxima na horizontal e vertical entre furos é de 0,20m;


• Diâmetro mínimo dos furos pe de 0,015m;
• A distância D entre os sumidouros deve ser maior que 3 vezes o diâmetro dos
mesmos e nunca menor que 6 metros.

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11.8 – Vala de Infiltração Detalhes da vala de infiltração.

O sistema de vala de infiltração consiste em um conjunto de canalização


assentado a uma profundidade determinada, em um solo cujas características
permitam a absorção do esgoto efluente do tanque séptico. A percolação do
líquido através do solo permitirá a mineralização dos esgotos, antes que os
mesmos se transforme em fonte de contaminação das águas subterrâneas e de
superfície. A área por onde são assentadas as canalizações de infiltração também
são chamados de “campo de nitrificação”

11.8.1 - Dimensionamento

Para determinação da área de infiltração do solo, utiliza-se a mesma


fórmula do sumidouro, ou seja: A = V/Tma. Para efeito de dimensionamento da
vala de infiltração, a área encontrada se refere apenas ao fundo da vala.

No dimensionamento tem que se levar em conta as seguintes orientações:

• em valas escavadas em terreno, com profundidade entre 0,60m e 1,00m,


largura mínima de 0,30m, devem ser assentados em tubos de drenagem de no
mínimo l00mm de diâmetro;
• a tubulação deve ser envolvida em material filtrante apropriado e
recomendável para cada tipo de tubo de drenagem empregado, sendo que sua
geratriz deve estar a 0,30m acima da soleira das valas de 0,50m de largura ou
até 0,60m, para valas de 1,00m de largura. Sobre a câmara filtrante deve ser
colocado papelão alcatroado, laminado de plástico, filme de termoplástico ou
similar, antes de ser efetuado o enchimento restante da vala com terra;
• a declividade da tubulação deve ser de 1:300 a 1:500;
• deve haver pelo menos duas valas de infiltração para disposição do efluente
de um tanque séptico;
• Pode-se optar por três valas, cada uma com 50% da capacidade total.
• comprimento máximo de cada vala de infiltração é de 30m;
• espaçamento mínimo entre as laterais de duas valas de infiltração é de no
mínimo 2,00 m;

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11.9 - Tratamento de Esgoto 11.9.2 - Fases e Graus de Tratamento de Esgotos

11.9.1 - Considerações Gerais 11.9.2 1 - Tratamento Secundário

Se colocássemos o esgoto em uma batedeira de bolo e o agitássemos por a) tratamento preliminar


um certo tempo, ele deixaria de ser esgoto e passaria a ser água com um pouco de
sais minerais. Do ponto de vista prático, este “milagre” originou-se da turbulência É constituído por:
provocada pela hélice da batedeira, captando oxigênio do ar. Na verdade, porém, * grades
ente mecanismo é mais complexo, uma vez que o oxigênio para estabilizar ou * caixas de areia
oxidar as matérias orgânicas tem necessidade da co-participação de * desintegradores
microrganismos aeróbios. Trata-se, pois de um mecanismo biológico que é o * tanques de remoção de óleos e graxas
responsável pelo fenômeno de autodepuração dos rios.
b) tratamento primário
O mesmo resultado poderia ser obtido se, em lugar da agitação violenta,
introduzíssemos ar no esgoto, com auxilio de uma bomba de ar (usada dos Além dos processos do tratamento preliminar, inclui:
aquários ornamentais) ou, ainda, pulverizando o esgoto em forma de garoa, cuja * decantação simples (primária)
gotículas, em um contado com o ar, absorvessem o seu oxigênio. Finalmente, se * precipitação química
colocássemos esse esgoto em um aquário cheio de algas e exposto à luz, * digestão do lodo
obteríamos igualmente a sua depuração, graças ao oxigênio produzido pela * secagem do lodo
fotossíntese. Estes são, na verdade, as três alternativas básicas para tratamento * desinfecção do efluente.
biológico aeróbio dos esgotos.
c) tratamento secundário
O tratamento biológico dos esgotos nada mais é que uma imitação de
processos que ocorrem normalmente na natureza, os quais recebem globalmente a Em adição aos tratamentos preliminares e primários, incluem-se:
denominação de autodepuração. Neste processo, transformações cíclicas e * processos biológicos
decomposição biológica da matéria orgânica dos esgotos continuam nas águas - filtração biológica
receptoras; esses fenômenos, aliados à ação de agentes físicos, químicos, - lodo ativado
bioquímicos e biológicos, fazem com que as águas retomem as características * decantação final (secundária)
anteriores à poluição.
d) tratamento terciário
A auto depuração é definida como o processo pelo qual as águas poluídas
restauram suas primitivas condições de pureza, através da ação de agentes naturais Complementa os processos anteriores quando se exigir maior depuração o
que tendem a tornar estáveis e inócuos as substâncias estranhas presentes que pode ser feito por:

O mecanismo básico da depuração aeróbia apoia-se na atividade de • filtros intermitentes de areia


bactérias, alimentando-se de matéria orgânica dos próprios resíduos e de oxigênio • lodos ativados em seqüência à filtração biológica
para a sua respiração. • lagos de estabilização.
e) desinfecção de efluentes

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possível associada a lagoas facultativas ou aeradas.


Geralmente consiste em uma cloração do efluente da estação de
tratamento. b) Lagoas Facultativas

A desinfecção deve ser feita sempre que o problema a ser resolvido for o O seu funcionamento é através da ação de algas e bactérias sob a
da contaminação por bactérias, desejando-se manter as condições sanitárias do influência da luz solar (fotossíntese). A matéria orgânica contida nos despejos é
corpo de água receptor, utilizando, por exemplo, para abastecimento de água ou estabilizada, parte transformando-se em matéria mais estável na forma de células
para atividades desportivas; é feita particularmente no caso de efluentes de de algas e parte em produtos inorgânicos finais que saem com efluente. Estas
hospitais e de sanatórios onde existem portadores de doenças transmissíveis. lagoas são chamadas de facultativas devido as condições aeróbias mantidas na
superfície liberando oxigênio e às anaeróbias mantidas na parte inferior onde a
Os agentes desinfetantes utilizados são o cloro e seus compostos, em matéria orgânica é sedimentada. Têm profundidade variando de 1,0 a 2,5m e áreas
dosagem de acordo cos as características das águas de esgoto. relativamente grande.

No caso de ser utilizada a desinfecção dos efluentes numa estação de c) Lagoas de Maturação
tratamento de esgotos, esta geralmente é a última fase de todo o tratamento.
A sua principal finalidade é a redução de coliformes fecais, contido nos
despejos de esgotos. São construídas sempre, depois do tratamento completo de
11.9.3 – Lagoas de Estabilização uma lagoa facultativa ou outro tipo de tratamento convencional. Com adequado
dimensionamento, pode-se conseguir índices elevados de remoção de coliformes,
As lagoas de estabilização são o mais simples método de tratamento de garantindo assim uma eficiência muito boa. As profundidades normalmente
esgotos existente. São construídas através de escavação no terreno natural, cercado adotadas, são iguais as das lagoas facultativas.
de taludes de terra ou revestido com placas de concreto. Geralmente têm a forma
retangular ou quadrada. d) Lagoas Aeróbias ou de Alta Taxa.

Podem ser classificadas em quatro diferentes tipos: Têm como principal aplicação a cultura colheita de algas. São
projetadas para o tratamento de águas residuárias decantadas. Constituem um
• lagoas anaeróbias; poderoso método para produção de proteínas, sendo de 100 a 1000 vezes mais
• lagoas facultativas; produtivas que a agricultura convencional. E aconselhável o seu uso, para
• lagoas de maturação; tratamento de esgoto, quando houver a viabilidade do reaproveitamento da
• lagoas aeróbias (de alta taxa). produção das algas. A sua operação exige pessoal capaz e o seu uso é restrito. A
profundidade média é de 0,3 a 0,5m.
a) Lagoas Anaeróbias

Têm a finalidade de oxidar compostos orgânicos complexos antes do


tratamento com lagoas facultativas ou aeradas. As lagoas aneróbias não dependem
da ação fotossintética das algas, podendo assim ser construídas com profundidades
maiores do que as outras, variando de 2.0 a 5,0m. São projetadas sempre que

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• Águas do escoamento superficial.


12 - POLUIÇÃO DE RECURSOS HÍDRICOS • De origem agropastoril: excrementos de animais, pesticidas, fertilizantes.
• Águas de drenagem de minas.
• Lixo.
Podemos definir poluição como sendo a degradação da qualidade
ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente:
12.2 – Levantamento Sanitário
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem – estar da população;
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; O levantamento sanitário de recursos hídricos tem por objetivo apresentar
c) afetem desfavoravelmente a biota; um diagnóstico das condições de suas águas e das cargas poluidoras. Este
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; levantamento deve constituir a etapa inicial de qualquer programa de utilização ou
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais de proteção de recursos hídricos.
estabelecidos.
Em trabalhos visando à preservação de recursos hídricos, é importante
Assim, poluição tem um sentido amplo, não se restringindo apenas ao que seja feito o estudo completo das condições da bacia hidrográfica com um
prejuízos que possa causar ao homem ou aos seres vivos. Desde que uma alteração todo. Este diagnóstico é denominado Levantamento Sanitário da Bacia
provocada em um meio prejudique um uso benéfico definido para ele, dizemos Hidrográfica, e compreende duas etapas:
que houve poluição. - Estudo das características da bacia e das condições sanitárias dos corpos
d’água; e levantamento das fontes de poluição, com avaliação de suas cargas
Dentro desta visão, podemos entender a poluição de um recurso hídrico poluidoras.
como: qualquer alteração de suas características, de modo a torná-lo prejudicial às - Estudos das condições dos corpos d’água e das bacias contribuintes.
formas de vida que ele normalmente abriga ou que dificulte ou impeça um uso
benéfico definido para ele. Assim, uma água com certos teores de impurezas pode Este levantamento é feito através da coleta de informações sobre os
ser considerada poluída para determinado uso e não ser para outro. recurso hídricos em estudo, e de suas bacias hidrográficas respectivas, devendo
constar, principalmente, de:
Quando a poluição de um determinado recurso hídrico resulta em
prejuízos à saúde do homem, dizemos que há contaminação. - Dados fisiográficos da bacia: aspectos geológicos; precipitações
pluviométricas e escoamento; variações climáticas; temperatura; evaporação;
etc.
12.1 – Fontes de Poluição - Informações sobre o comportamento hidráulico dos recursos hídricos: vazão
máxima e mínimas; volumes de reservatórios; etc.
As principais fontes de poluição da água são: - Condições de uso/ocupação do solo: tipos; densidades; perspectivas de
crescimento.
• de origem natural: decomposição de vegetal, erosão das margens, salinização, - Caracterização sócio-econômica: demografia, desenvolvimento econômico,
etc. etc.
• esgoto domestico. - Levantamento dos usos múltiplos das águas da bacia.
• Esgoto industrial. - Localização das principais fontes de poluição. Identificação de áreas críticas.

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- Diagnóstico do estado das águas, em termos de características físicas, Todo manancial tem uma certa capacidade de depurar as cargas que
químicas e biológicas. recebe. Esta autodepuração ocorre através de fenômeno de natureza física, físico-
O diagnóstico das condições sanitárias das águas é feito através da coleta química e biológica.
e exame de amostras obtidas em pontos significativos dos recursos hídricos. Os Desta maneira após ser feito um lançamento de poluentes em corpos
mais utilizados são: d’água, iniciam-se processo de assimilação dos mesmos, ocorrendo, com relação a
alguns deles, uma depuração completa.
- Oxigênio Dissolvido
- Demanda Bioquímica de Oxigênio Alguns fenômenos interferem na autodepuração, estes fenômenos
- Bactérias do grupo coliforme acontecem de forma conjunta, sendo, muitas vezes, difícil distinguí-los
- Temperatura isoladamente. Dentre os fenômenos podemos destacar:
- pH - Turbulência;
- Nitrogênio e Fósforo - Sedimentação;
- Condutividade tóxica - Luz solar;
- Cloretos - Temperatura;
- Sólidos - Diluição

Entre os fenômenos químicos de autodepuração podemos destacar as


12.3 – Avaliação de Cargas Poluidoras reações de oxidação e redução. As reações de oxidação de matéria orgânica
ocorrem devido aos processos de respiração dos organismos e, quando realizadas
Em muitos trabalhos de levantamentos de cargas poluidoras ou de por seres aeróbios, provocam redução no oxigênio do meio.
estimativas futuras das mesmas. Adotam-se parâmetros já conhecidos em função
do tipo de fonte de poluição, para avaliá-las. Entre os processos de redução química, destacam-se os de sínteses
orgânicas, sendo mais importante o da fotossíntese, o qual resulta na produção de
Assim, a avaliação das cargas poluidoras de um determinado recurso oxigênio.
hídrico, pode ser feita a partir de fatores já determinados, disponíveis na literatura

Conhecendo-se a concentração de determinado poluente e a vazão do 12.5 - Equação da Mistura


esgoto, determina-se a carga diária do mesmo através da expressão:
É possível calcular a concentração de determinada substância, ou
Carga poluidora (kg/dia) = Concentração (g/m³) x Vazão (m³/dia) parâmetro indicador de poluição, em um corpo receptor, após o mesmo receber
1000 uma carga poluidora.

Obs.: g/m³ = mg/l = ppm A expressão que determina o valor desta concentração é a chamada
equação da mistura, a qual tem a seguinte forma:

12.4 – Assimilação de Cargas Poluidoras Cm = Qd . Cd + Qr . Cr


Qd + Q r

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Onde: 12.9 – Demanda Química de Oxigênio

Cm = concentração do poluente, no corpo receptor, após a mistura com o despejo A demanda química de oxigênio (DQO) é a quantidade de oxigênio
(mg/l) molecular necessária à estabilização da matéria orgânica, por via química. Não
Cd = concentração do poluente, no despejo (mg/l) existe uma correlação entre a DBO e a DQO. No entanto, a DQO é sempre maior
Cr = concentração do poluente, no corpo receptor, antes de receber o despejo que a DBO, devido a oxidação química decompor matéria orgânica não -
(mg/l) biodegradável.
Qd = vazão do despejo (m³/s)
Qr = vazão do corpo receptor (m³/s)

12.6 - Equivalentes Populacionais

Entende-se por população equivalente o número de pessoas capas de


contribuir com uma carga poluidora igual à produzida por uma indústria.

12.7 – Oxigênio Dissolvido

O teor de oxigênio dissolvido é um indicador de suas condições de


poluição por matéria orgânica. Assim, uma água não poluída (por matéria
orgânica) deve estar saturada de oxigênio. Por outro lado, teores baixos de
oxigênio dissolvido podem indicar que houve uma intensa atividade bacteriana
decompondo matéria orgânica lançada na água.

12.8 – Demanda Bioquímica de Oxigênio

A demanda bioquímica de oxigênio (DBO) é a quantidade de oxigênio


molecular necessária à estabilização da matéria orgânica decomponível
aerobicamente por via biológica. Portanto, a DBO é um parâmetro que indica a
quantidade de oxigênio necessária, em um meio aquático, à respiração de
microrganismos aeróbios, para consumirem a matéria orgânica introduzida na
forma de esgotos ou de outros resíduos orgânicos. A determinação da DBO é feita
em laboratório, observando o oxigênio consumido em amostras do líquido,
durante 5 dias, á temperatura de 20 oC.

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13 - REDE DE ESGOTO • sistema de esgotamento adotado (unitário ou separador);


• traçado de rede viária da cidade;
• topografia, geologia e hidrografia da área;
13.1 - Generalidades • limites legais a observar;
• posição do lançamento final e/ou da estação depuradora.
A rede de esgoto é um conjunto de condutos ramificados com traçado que
lembra no seu funcionamento, um sistema fluvial. O desenvolvimento dos
condutos, todos escoando livremente, faz-se sempre com declividade positiva 13.2 - Sistemas de Esgotamentos
partindo das extremidades, onde estão os pontos mais altos e os trechos de
menores dimensões, até os pontos mais baixos onde estão os trechos de maiores As redes de esgotos podem ser classificadas em três categorias:
dimensões.
• Sistema unitário
Os condutos de pequenas dimensões afluem para os condutos cada vez • Sistema misto ou separador parcial
maiores até atingir os condutos principais do sistema de esgotos. • Sistema separador absoluto
Ao longo do traçado, esses condutos, dispostos nas vias públicas, vão
recebendo os despejos dos prédios. O fluxo dos esgotos, a princípio irregular nas 13.3 - Hidráulica das Redes de Esgotos
extremidades, vai-se tornando contínuo e mais regular a medida que vai atingindo
condutos de maiores dimensão. As canalizações de esgotos são calculadas como condutos livres, com
exceção dos sifões invertidos e das canalizações de recalque que escoam como
O sistema compreende condutos secundários e condutos principais. condutos forçados.
A distinção entre ambos poderia ser feita admitindo-se um diâmetro
limite para os condutos secundários. A partir desse valor estariam os condutos 13.3.1 - Lâmina Líquida
principais. Não há critério universal para fixar esse limite, ele poderia depender do
tamanho do distrito ou da cidade a esgotar, dos consumos de água específicos dos Como condutos livres, os coletores de esgotos são calculados para
prédios e das variações desses consumos. funcionarem à meia seção, escoando a vazão máxima (dia e hora de maior
contribuição) do fim do plano.
O conduto secundário serve a um pequeno trecho, recebendo as
contribuições de despejos líquidos de pequena área. O conduto principal, tendo
numerosos condutos secundários como afluentes, recebe o esgoto de áreas mais 13.3.2 - Diâmetro Mínimo
extensas.
A norma NBR 9649 de 1986 da ABNT, admite o diâmetro de 100 mm
A rede de esgoto quanto ao traçado dos condutos principais pode formar com mínimo a ser utilizado em redes coletoras de esgotos sanitários. Entretanto,
um conjunto de condutos que define um aspecto peculiar. O traçado depende em São Paulo, o diâmetro mínimo adotado é de 150 mm. Excepcionalmente, em
fundamentalmente de: casos especiais, tais como coletores auxiliares com vazões pequenas, pode ser
utilizada o diâmetro de 100 mm.

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13.3.3 – Tensão Trativa (σ) 13.3.5 - Velocidades Mínimas

A tensão trativa é definida como a tensão tangencial exercida sobre a As canalizações de esgotos devem ser calculadas com velocidade de
parede do conduto pelo líquido em escoamento, ou seja, é a componente escoamento que evitem deposições excessivas de substâncias sólidas minerais que
tangencial do peso líquido sobre a unidade de área da parede do coletor e que atua normalmente são transportadas pelo líquido em escoamento.
sobre o material sedimentado, promovendo seu arraste, e conseqüentemente
promovendo a autolimpeza. No Brasil é comum adotar como limite mínimo de velocidade 0,75m/s.

A equação da tensão trativa é dada por:


13.3.6 – Velocidade Máxima
σ = γR H I
Nos condutos de esgotos deve-se evitar que a velocidade ultrapasse certos
onde:
valores máximos a fim de evitar a ação erosiva de partículas sólidas duras que são
σ = Tensão trativa em Pa; transportadas pelo esgoto.
γ = Peso específico do líquido em N/m³ (γ esgoto = 104 N/m³)
RH = Raio hidráulica, em m; Diversos autores indicam para esse limite, valores bem discordantes:
I = Declividade da tubulação em m/m
• Metcelf & Eddy aconselham:
- para tubos cerâmicos vidrados : 2,40 3 3,6m/s.
13.3.4 - Declividade Mínima - para tubos de concreto : 1,50m/s
- para tubos de concreto revestido de material vidrado: 2,40m/s.
Os coletores são projetados de modo a se ter a sua autolimpeza, desde o
inicio do plano. Para a autolimpeza, deve-se garantir, pelo menos uma vez por dia,
• Seelye adota os seguintes valores:
uma tensão trativa de 1,0 Pa.
- para tubos de concreto: 2,40m/s
- para tubos vidrados: 3,45 a 6,00m/s.
A declividade a ser adotada deverá proporcionar, para cada trecho da
rede, uma tensão trativa média igual ou superior a 1,0 Pa, calculada para vazão
inicial. A declividade mínima que satisfaz essa condição pode ser determinada
13.3.5 - Profundidade Mínima e Profundidade mais Conveniente
pela expressão aproximada, para coeficiente de Manning n = 0,013:
A profundidade mínima dos coletores está relacionada com a
Imin = 0,005 5 Q-0’47
possibilidade de escoamento de compartimentos sanitários situados a uma certa
distância da frente do lote e em cota inferior à da via pública.
onde: Imin = declividade mínima, em m/m
Qi = vazão de jusante do trecho no início do trecho, em l/s

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Este valor deve ser definido e limitado pelo órgão concessionários dos 13.3.6 - Simbologia
serviços de esgotos da cidade.
início de rede sentido de
n0 do trecho escoamento extensão do trecho

1-1 L
I D

declividade diâmetro cota do terreno profundidade


cota do coletor

13.4 - Previsão de Vazão

A determinação das vazões de contribuição dos esgotos domésticos


depende fundamentalmente:

• da população e de sua distribuição;


• da variação do consumo de água;
H = h + 0,50 + 0,02L + 0,30 + D • da quota “per capita” do abastecimento de água.

onde:
h = desnível entre o leito da via publica e o piso do compartimento sanitário a 13.5 - Relação Água/Esgoto
esgotar:
0,50 = dimensão aproximada da caixa de inspeção em metros: Existe uma estreita relação entre a água fornecida à população e o esgoto
0,02L = desnível no coletor predial de diâmetro mínimo 100mm, na declividade recebido na rede de esgoto.
mínima correspondente (2%):
0,30 = dimensão aproximada da curva de ligação do coletor predial ao coletor da A relação entre o volume de esgotos recebidos na rede e o volume de
via pública, em metros: água fornecido à cidade pode variar entre 0,70 e 1,30 tendo-se em conta todos os
D = diâmetro do coletor público em metros. tipos de abastecimento da cidade (públicos e particulares).
Limite de profundidade mínima dos coletores é estabelecido entre 1,50m
e 2,00m sendo o primeiro mais comum, para coletores localizados em passeios Considerando-se entretanto o abastecimento de água público, cerca de
pode-se adotar profundidades menores 0,90m. 0,70 a 0,90 do volume de água fornecido é recebido como esgoto na rede. No
Brasil normalmente são utilizados valores de 0,75 a 0,85.
Deve-se também ter em conta no projeto não ultrapassar profundidades
acima de um certo valor (4,00m a 4,50m) devido ao aumento dos custos de
instalação.

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13.6 - Perdas e Infiltrações 13.9 - Traçado dos Coletores

A água penetra nos condutos de esgotos através de juntas defeituosas, Como princípio geral o traçado da rede de coletores de esgotos é
tubos rompidos, parede dos poços de visita, orifícios dos tampões dos poços de orientado pelo traçado viário da cidade.
visitas e drenagem de porões inundados. Durante a estiagem praticamente só a
água que é perdida por vazamento na rede de distribuição é parcialmente recebida A primeira providência do projetista é o estudo da planta da cidade para
na rede de esgotos por infiltração. nela identificar os divisores de água e os fundos de vale.

A quantidade de água infiltrada depende, principalmente, das Sendo o conjunto de condutos um sistema em que o escoamento‚ é livre,
características do solo (permeabilidade principalmente) da posição do nível do os coletores terão os seus traçado a partir dos pontos altos, até os fundos de vale
lençol de água relativamente à da canalização de esgotos e do estado dos condutos (pontos baixos da área).
e das estruturas dos poços de visita.
Feita esta identificação, estuda-se qual a saída natural para o conduto
No Brasil empregam-se valores compreendidos entre 0,0002 e 0,0008 principal de toda a área, devendo-se ter uma idéia precisa do destino dos esgotos,
l/sm. ou seja:

• ponto de lançamento obrigatório;


13.7 - Traçado da Rede - Localização dos Coletores • conduto emissário, interceptor ou outro conduto que receberá contribuição de
toda a área;
As Normas e especificação para a elaboração de projetos de esgotos • localização da estação de tratamento de esgotos.
indicam a seguinte orientação para a localização dos coletores:
a) o coletor de esgotos deve ser localizado ao longo das vias públicas e Divide-se a área em bacias naturais de esgotamento e em sub-bacias, e
eqüidistante dos alinhamentos laterais das edificações; estuda-se a posição dos condutos principais de fundo de vale.
b) em áreas acidentadas, o coletor será assentado, de preferência, do lado para o
qual ficam os terrenos mais baixos; Tendo-se em vista a economia da obra, é conveniente que se de aos
c) a existência de estruturas ou canalizações de serviços públicos, tais como condutos de diâmetro mínimo o melhor aproveitamento, evitando-se o rápido
águas pluviais, distribuidores de água, adutoras, cabos elétricos, telefônicos, aumento dos diâmetros com um traçado inadequado.
etc., podem entretanto determinar o deslocamento dos coletores de esgotos
para posições mais convenientes; A topografia, sendo uma das principais norteadoras do traçado, para bem
d) para vias públicas preferenciais pavimentadas e dotadas de linhas de adaptar os condutos ao terreno, é conveniente indicar a declividade natural dos
transportes coletivos, assim, como para aquelas com largura superior a 18m trechos de via públicas por pequenas setas, indicando o sentido da declividade
ou avenidas, deverão ser projetados dois coletores, sendo implantado um em positiva.
cada passeio lateral da rua ou avenida;
e) quando existirem na mesma via pública dois coletores laterais, eles deverão
ser, tanto quanto possível, independentes um do outro, evitando-se ao máximo 13.10 - Traçado e Dimensionamento
a sua interligação no sentido transversal à via pública.
O traçado e o dimensionamento de uma rede de esgotos exigem uma
planta topográfica atualizada da área a ser esgotada. Essa planta deverá estar

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desenhada em escala 1:2000 ou 1:2500 e ter as curvas de nível eqüidistantes de 1 Onde: n - Coeficiente de rugosidade
m, de preferência. Além disso, deve fazer parte dos trabalhos topográficos o R – Raio hidráulico
nivelamento dos pontos onde serão localizados os poços de visitas (cruzamento de I – Declividade
vias públicas, mudanças de direção ou de declividade, etc.).
Pode-se também lançar mão de tabelas que fornecem os valores de Q1/2 e
A partir da planta dada deve-se: V1/2.em função do diâmetro da tubulação e da declividade.

a) delimitar a área a ser esgotada, traçando-se os limites da bacia. Para obtenção dos valores de vazão e velocidade para tubulação
b) indicar em cada trecho, por meio de pequenas setas, o sentido do escoamento parcialmente cheia, usa-se o ábaco mostrado a seguir.
natural da superfície do terreno;
c) representar por meio de pequenos círculos os poços de visitas a serem
construídos;
d) identificar os pontos baixos da área, tendo em vista o traçado do conduto
principal;
e) por meio de estudo criterioso, escolher o traçado a ser dado á rede, indicando
em cada trecho o sentido de escoamento;
f) indicar no interior do círculo representativo do poço de visita o traçado das
canaletas de escoamento;
g) na fixação dos sentidos de escoamento, procurar seguir, tanto quanto possível,
os sentidos de escoamento natural do terreno, e aproveitar ao máximo a
capacidade limite de cada coletor;

Para o dimensionamento deverão ser obtidas as vazões de contribuição,


as quais são calculadas apartir dos seguintes dados gerais:

• população de projeto da área a ser esgotada;


• consumo "per capta" de água;
• coeficientes de variação diária, horária, e de retorno; (C - varia entre 0,70 e
1,30)
• vazões de infiltração;
• contribuição especifica de indústrias ou similares.

Para o calculo da capacidade admissível da tubulação, pode ser usada a


formula de Manning.

1 2 3 12
V = R I
n

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13.11 - Órgãos Acessórios das Redes Coletoras

13.11.1 - Poços de Visita (PV)

Trata-se de uma câmara que, através de abertura existente em sua parte


superior, permite o acesso de pessoas e equipamentos para executar trabalhos de
manutenção.

Tradicionalmente, se utilizavam poços de visita (PV) em todos os


pontos singulares de rede coletora, tais como, no inicio de coletores, nas mudanças
de direção, de declividade, de diâmetro e de material, na reunião de coletores e
onde há degraus e tubos de queda. A distância máxima entre PVs, era aquela que
permitia o alcance dos instrumentos de limpeza, normalmente 100 m.

Quando se dispõe de equipamentos adequados de limpeza das redes de


esgoto, o poço de visita pode ser substituído por tubo de inspeção e limpeza (TIL),
terminal de limpeza (TL) e caixas de passagem (CP). Os poços de visita são
obrigatórios nos seguintes casos:

• na reunião de coletores com


mais de três entradas;
• na reunião de coletores
quando há necessidade de
tubo de queda;
• nas extremidades de sifões
invertidos e passagens
forçadas;
• profundidades maiores que
3,0 m;
• diâmetro de tubos igual ou
superior a 400 mm.

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13.11.2 - Tubo de Inspeção e Limpeza (TIL) ou Poço de Inspeção (PI) 13.11.3 - Terminal de Limpeza (TL)

Dispositivo não visitável que permite inspeção visual e introdução Dispositivo que
de equipamentos de limpeza. Pode ser usado em substituição ao PV nos seguintes permite introdução de
casos: equipamentos de limpeza,
• na reunião de coletores (até 3 entradas e uma saída); localizado na cabeceira do
• nos pontos com degrau de altura inferior a 0,60m; coletor. Pode ser usado em
• a jusante de ligações prediais cujas contribuições podem acarretar problemas substituição ao PV no
de manutenção; inicio dos coletores.
• em profundidades até 3,0 m.

O TIL em alvenaria é normalmente utilizado para profundidades até 1,80 m,


devido a problemas construtivos e o TIL em aduelas de concreto até 3,0 m de
profundidade.

No inicio da rede, onde se prevê futuro prolongamento de rede, deve ser


implantado o TIL ou PV.
13.11.4 - Caixa de Passagem (CP)

Câmara sem acesso, localizada em pontos singulares por necessidade


construtiva e que permite a passagem de equipamento para limpeza do trecho a
jusante.

Pode ser utilizada em substituição ao PV nos casos em que houver


mudanças de: direção, declividade, diâmetro e material. Para uma única caixa, o
ângulo de mudança de direção deverá ser menor que 45º. Para mais de duas
caixas, a somatória dos ângulos das caixas de passagens em relação ao plano
horizontal a partir do PV ou TIL não deve ser superior a 45º. A caixa só poderá ser
executada quando a declividade de montante for maior ou igual a 0.007 m/m para
D = 150 mm e 0,005 m/m para D = 200 mm, com exceção dos pontos de
cabeceira.

As caixas de passagem (CP) podem ser substituídas por conexões nas


mudanças de direção e declividade, quando as deflexões coincidem com as dessas
peças. As conexões utilizadas devem ser ancoradas. É importante ressaltar que as
posições das caixas de passagem (CP) e das conexões utilizadas têm de ser
obrigatoriamente cadastradas.

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13.11.5 - Tubo de Queda • facilidade de ser conseguida a disponibilidade do material escolhido no local
de sua utilização;
Dispositivo instalado no • custo do material indicado;
poço de visita (PV), conforme • custo competitivo da aplicação do material escolhido, considerando o ônus de
detalhes apresentados na figura transporte e o custo de assentamento, inclusive a mobilização de
4.13, ligando um coletor afluente equipamentos.
em cota mais alta ao fundo do
poço.
13.12.2 - Requisitos
O tubo de queda deve ser
colocado quando o coletor afluente Geralmente o material escolhido deve proporcionar:
apresentar degrau com altura maior
ou igual a 0,60 m para evitar • baixa rugosidade, para permitir melhor coeficiente de escoamento;
respingos que prejudiquem o • resistência adequada as cargas externas;
trabalho no poço. Não se deve • resistência à abrasão;
colocar tubos de queda em TIL.
• resistência ao ataque químico e bacteriano;
• fraca permeabilidade;
• disponibilidade dos diâmetros necessários.
13.12 - Materiais Empregados

A indústria Nacional coloca á disposição dos construtores de redes de


esgotos domésticos vários materiais, cuja escolha criteriosa geralmente se 13.12.3 - Tubos
processa na fase de projeto, quando ficam indicados para a construção e cotejados
Excetuadas as linhas de grande capacidade, geralmente interceptores e
nos respectivos orçamentos das obras.
emissários, as redes coletoras são construídas com tubos pré-fabricados
normalmente de seção circular.
Nenhum dos materiais disponíveis para a construção de coletores de
esgotos satisfaz a todas as exigências impostas pelas características dos resíduos a
Os tipos mais usados na prática brasileira, são:
coletar, ou pelas condições de projetos.
• tubos cerâmicos
Cabe, portanto, ao projetista, selecionar materiais que se possam adaptar • tubos de concreto
satisfatoriamente as diferentes situações particulares. • tubos de cimento-amianto
• tubos de plásticos
• tubos de ferro fundido
13.12.1 - Critérios • tubos de aço

De modo geral, a escolha de materiais deve levar em consideração:


• a sua adequação as condições de trabalho indicadas em projeto;

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PLANILHA DE CÁLCULO PARA REDES DE ESGOTOS SANITÁRIOS

Cidade Bacia Coef. de Contr. Linear l/sm Folha


Coef. de Rugosidade (n) Data
Vazão (l/s) min. 2,2 l/.s Cota do terreno Cota do Coletor Vazão Profundidades (m)
Trecho Rua Compr. Coletor (m) (m) I D de h/D V σ OBS
Contribuinte Mont. Trecho Jusante Mont. Jusante Mont. Jusante (m/m) (m) Cálculo (m/s) Mont. Jus. P.V.
(m) (l/s) (Pa) Jus.

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14 - REDE DE ESGOTO PLUVIAL 14.2 - Estimativa de Vazões de Projetos

Diversos métodos permitem estimativas das descargas de projeto em


14.1 - Introdução sistemas urbanos de drenagem, onde se destacam:
) medições diretas;
Dá-se o nome de sistema de drenagem de águas pluviais ao conjunto de ) processos comparativos;
obras e instalações destinadas a dar escoamento águas provenientes das ) método racional;
precipitações pluviométricas que escorrem superficialmente numa determinada ) fórmulas empíricas.
área. ) Método Racional

Os projetos de drenagem implicam necessariamente em estudos O método racional para avaliação da vazão de escoamento superficial
hidrológicos, tanto para a caracterização das condições em que ocorre o consiste na aplicação da seguinte expressão
escoamento superficial como também, e principalmente, para estimativa das
descargas de pico. Em bacias urbanas, as estimativas de vazões de projeto são Q = CiA/3,6
utilizadas no dimensionamento hidráulico de galerias, bueiros e canais.
onde: Q = vazão, em m3/s, na seção considerada;
O sistema urbano de drenagem requer estudo muito particulares porque, C = coeficiente de escoamento superficial da bacia;
geralmente, as bacias urbanas possuem tamanhos reduzidos, as superfícies são i = intensidade média da chuva de projeto, em mm/h;
pavimentadas ou, de alguma forma, parcialmente impermeabilizadas e o A = área da bacia que contribui para a seção, em km2.
escoamento se faz por estruturas hidráulicas artificiais (bocas de lobo, galerias e
canais revestidos), cujos tempos de concentração são reduzidos. Recomenda-se a aplicação deste método para valores de “A” menores do
Q(m3/s) que 1 km2.

Qpu
14.3 - Coeficiente de Escoamento Superficial (Runoff)

Qpr O volume de água que é admitido em uma galeria de águas pluviais, ou


em um bueiro, é uma parcela da quantidade total de água que se precipita na bacia
contribuinte: outras parcelas correspondem as porções que se infiltram no terreno
as, que são retiradas, ou se evaporam.

A relação entre essa parcela que vai ter às galerias e a quantidade total de
água precipitada denomina-se coeficiente de escoamento superficial ou coeficiente
de deflúvio.

tcu tcr t(h) A tabela a seguir mostra os valores usuais de C, CETESB, 1980
fig. 1 Comparação entre hidrogramas de bacias rurais e bacias urbanas

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Natureza da bacia C β
α+
Área comercial P =T Tγ
[at + b log(1 + ct )]
central 0,70 - 0,95
bairros 0,50 - 0,70 onde: P = precipitação máxima em mm
Área residencial T = tempo de recorrência em anos
residências isoladas 0,35 - 0,50 t = duração da chuva em horas
unidades múltiplas (separadas) 0,40 - 0,60 α, β = valores que dependem da duração da precipitação
unidades múltiplas (conjugadas) 0,60 - 0,75
γ, a, b, c = constantes para cada posto
lotes com 2000 m2 ou mais 0,30 - 0,45
Áreas com prédios de apartamentos 0,50 - 0,70
Tabela 14.1 - Valores de α no fator de probabilidade
Área industrial Duração 5min 15min 30min 1h 2h 4h 8h 14h 24h 48h 3d 4d 6d
industrias leves 0,50 - 0,80
α 0,108 0,122 0,138 0,156 0,166 0,174 0,176 0,174 0,170 0,166 0,160 0,156 0,152
industrias pesadas 0,60 - 0,90
Parques , cemitérios 0,10 - 0,25
Playgrounds 0,20 - 0,35 Tabela 14.2 - Valores de β no fator de probabilidade
Pátios de estradas de ferro 0,20 - 0,40 Postos Duração
Áreas com melhoramentos 0,10 - 0,30 5 min 15 min 30 min 1ha6h
Blumenau - 0,08 0,08 0,08 0,08
Para os casos em que a área apresentar mais de um coeficiente de Florianópolis - 0,04 0,12 0,20 0,20
deflúvio, torna-se necessário uma estimativa do valor médio do coeficiente a ser São Fco do Sul 0,00 0,08 0,08 0,16
atribuído à área. Este valor é obtido pela média ponderada dos valores dos
coeficientes de deflúvio pelas porcentagens de áreas que representam. Valores de γ para todos os postos = 0,25

Cmédio =
A1C1 A2C2
+
AC
+ ⋅⋅⋅⋅ n n
Valores de a, b, c para cada posto para T = 1 ano
AT AT AT - Blumenau = 0,2t + 24 log (1 + 20t)
- Florianópolis = 0,3t + 33 log (1 + 10t)
A intensidade de precipitação do projeto é obtida a partir de curvas - São Fco do Sul = 0,3t + 37 log (1 + 10t)
intensidades versus duração, para cada período de retorno escolhido. Estas curvas,
denominadas de curvas intensidades-duração-frequência, são obtidas a partir da
análise do pluviogramas. Entretanto, não são muitos os locais que possuem um Equação de chuvas para Florianópolis por C.A. Pompêo
sistema de medição de precipitações por pluviografo, sendo mais freqüente a
existência de pluviômetros que realizam medidas dos totais diários de 145 ⋅ T 0, 25 Onde:
i= para t ≤ 60 minutos
(t − 3)
precipitação. 0 , 34
Também pode-se determinar a intensidade duração das chuvas através de i = intensidade duração da chuva em mm/h
equações como as apresentadas a seguir: T = período de retorno em anos
Curvas intensas no Brasil – Otto Pfafstetter posto analisados para Santa 597 ⋅ T 0,32 t = duração da chuva em minutos
Catarina Blumenau, Florianópolis e São Francisco do Sul. i= para t > 60 minutos
(t − 3)0,73

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i(mm/h) pontos onde haverá necessidade de captar a água que escoa nas mesmas, por
80 intermédio de bocas de lobo, evitando-se assim inundações das ruas.

60 Uma vez que as guias possuem alturas de 15cm, considera-se que a


lâmina admissível seja igual a 13cm para que não ocorra transbordamento. De
40 posse de dados sobre declividade, rugosidade e comprimento de uma sarjeta,
calcula-se a vazão máxima que a mesma pode transportar para esta lâmina. Este
20 cálculo pode ser feito com a fórmula de IZZARD que‚é uma adaptação da fórmula
de Manning para sarjetas:

wo = yo.tgθo
1 2 3 4 5 6 t(h)
fig. 2 - Exemplo de curvas de intensidade-duração-frequencia
yo 1
z=tgθo
14.4 - Cálculo de Sistema de Microdrenagem
fig.4 - Corte lateral de uma sarjeta
14.4.1 - Introdução
- área da sarjeta
O projeto de um sistema de microdrenagem é composto por três
conjuntos de cálculos: A = (W x yo) / 2 onde: W = yo x z

) capacidade admissível de sarjeta - Vazão


) sistema de galerias Qo = 0,375 yo8/3(z/n) I1/2
) bocas de lobos
onde: Qo = vazão de descarga em (m3/s)
A determinação capacidade admissível das sarjetas está intimamente yo = lâmina d' água em (m)
ligada à escolha do traçado da rede de galerias pluviais, visto que esta rede inicia- I = declividade do trecho em (m/m)
se quando uma sarjeta não é capaz de conter o escoamento sem trasbordamento. O n = coeficiente de rugosidade de Manning
cálculo das bocas de lobos pode ser realizado posteriormente, conhecendo-se os z = tangente do ângulo entre a sarjeta e a guia.
pontos de localização das mesmas.
- Velocidade

14.5 - Capacidade Admissível das Sarjetas Vo = 0,958 x 1/(Z1/4) x (I1/2/n)3/4 x Qo1/4

O sistema de drenagem inicial‚ composto por: ruas, sarjetas, bocas de - Tempo de Percurso
lobo, galerias e pequenos canais. O cálculo das sarjetas permite a definição dos
tp = L / (60 Vo) (min)

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A capacidade da sarjeta a ser utilizada no projeto, capacidade admissível ) a altura da guria de uma sarjeta é de 15cm e a largura da sarjeta é de 60cm;
deve ser minorada, por um fator de redução (FR) da capacidade teórica que ) a velocidade máxima admissível para projeto da sarjeta é de 3,5m/s;
considera a possibilidade de obstrução ao escoamento, provocada pela deposição ) os cálculos acima descritos resultam em vazões para uma única sarjeta,
de sedimentos. Ver tabela 14.3. portanto quando se considerar os dois lados da rua, os valores das vazões
deverão dobrar;
Tabela 14.3 - – Fator de redução da capacidade de escoamento das sarjetas.
Declividade da sarjeta (%) Fator de Redução (FR) A tabela a seguir pode ser usada como modelo para o cálculo da
0,4 0,50 capacidade admissível das sarjetas.
1–3 0,80
5 0,50
6 0,40
8 0,27
10 0,20

Para facilitar os cálculos, pode ser utilizado o seguinte roteiro:

I - Identificação do Trecho
• nome da rua;
• trecho; nome da rua a montante e nome da rua a jusante;
• cotas de montante e de jusante (m) ;
• diferença de cotas entre jusante e montante (m);
• comprimento do trecho L (m);
• declividade da sarjeta no trecho I (m/m);
• declividade do talude do canal triangular formado pela sarjeta Z (m/m);
• declividade transversal do trecho, correspondente ao perfil da rua Z (m/m);
• coeficiente de rugosidade de Manning para a sarjeta, para concreto n = 0,013;
• lâmina d’água na sarjeta yo = 0,13 m;

Observações

Para a realização dos cálculos referentes à capacidade de escoamento das


sarjetas é importante observar que:

) a declividade transversal mínima de uma rua é de 1%, para garantir o


escoamento;

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DRENAGEM URBANA - SARJETAS Data folha


Rua Trecho Comprimento Cota do terreno (m) Declividade Vazão Área Velocidade Tempo de Fator de Vazão Vazão OBS
(m) Montante Jusante (m/m) (m³/s) (m²) de percurso percurso Redução admissível admissível
(m/s) (min) FR (m3/s) p/ 2sarj. (m3/s)

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14.6 - Cálculo das Galerias • coeficiente de deflúvio C da sub-bacia contribuinte;


• intensidade da chuva i (mm/h) correspondente a tc, obtida apartir da curva
Para o cálculo das galerias de água pluviais que receberão o escoamento intensidade-duração para o local de projeto;
proveniente das bocas de lobo é necessário que sejam determinas as vazões de • vazão de projeto (m3/s);
contribuição em cada trecho, utilizando-se o método racional. • vazão admissível para duas sarjetas (m3/s);
• declividade da sarjeta no trecho I (m/m);
Algumas observações importantes quanto ao tempo de concentração: • diâmetro da galeria (mm);
• velocidade de percurso (m/s);
• na entrada do sistema de drenagem, o tempo de concentração pode ser
• tempo de percurso (min);
estimado ou arbitrado pelo projetista entre 5 a 20 minutos de acordo com sua
experiência;
• ao final do primeiro trecho da sarjeta o tempo de concentração será igual ao II - cálculo das vazões e diâmetros
tempo de entrada acrescido do tempo de percurso do trecho. Adota-se este
tempo de percurso o valor obtido para sarjeta operando em sua capacidade
• vazão de projeto pelo método racional
máxima;
• da mesma forma, na galeria o tempo de concentração em um ponto de jusante Q = C i A / 3,6 (m3/s)
é o tempo de concentração à montante acrescido do tempo de percurso no
trecho. O tempo de percurso no trecho é obtido considerando-se que a seção
• diâmetro da galeria
esteja operando cheia;
• para o cálculo dos tempos de percurso, deveriam ser consideradas as vazões de D = 1,55 [Q n / I1/2] 3/8 (m)
projeto reais que escoam nos trechos da sarjeta ou galeria. Quando se
consideram seções plenas, conforme acima descrito, os cálculos resultam em • velocidade do escoamento seção plena
velocidades menores que aquelas obtidas com as vazões de projeto,
implicando em tempos de percursos maiores e, conseqüentemente, reduzindo
Vplena = 0,397 [D2/3 I1/2] / n (m/s)
as intensidade de precipitação utilizadas no projeto. Uma vez que o método
racional tende a superestimar as vazões de projeto, o procedimento adotado
• tempo de percurso
comporta-se no sentido inverso.
tp = L / (60 Vplena) (min)
Para facilitar os cálculos, pode ser utilizado o seguinte roteiro:
A vazão a seção plena será igual ao produto entre a área da seção de
I - identificação
escoamento e a velocidade plena.
• nome da rua;
• trecho; Observações
• ponto de jusante;
• comprimento do trecho (m); As recomendações abaixo devem ser observadas no dimensionamento das
• área da sub-bacia contribuinte para o trecho km2; galerias de água pluviais:
• tempo de concentração tc em (min) até a extremidade de montante do trecho;

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• diâmetro mínimo das galerias 0,40m;


• diâmetros comerciais; 0,40 , 0,60, 0,80, 1,00, 1,20m ;
• seções que exijam diâmetros superiores a 1,20m devem ser substituídas por
seções quadradas ou retangulares;
• recobrimento mínimo 1,00m;
• o dimensionamento é feito considerando-se escoamento a superfície livre em
regime permanente e uniforme com seção plena em galerias circulares e com
folga de 10cm em galerias de seção retangular;
• o coeficiente de rugosidade de Manning deve ser de 0,011 para galerias
quadras ou retangulares executadas in loco, para galerias circulares em
concreto, adota-se n = 0,013;
• no sentido de jusante as dimensões da galeria não podem reduzir-se
• velocidade mínima a seção plena 0,60m/s;
• a velocidade máxima deve ser de 5,0m/s nas galerias de concreto;
• se possível à declividade da galeria deve acompanhar a declividade da rua,
evitando-se custos elevados de escavação;
• nas mudanças de diâmetro de galerias, as geratrizes superiores devem
coincidir.

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DRENAGEM URBANA - GALERIAS Data folha


Rua Trecho Ponto Comprimento Cota do Terreno Intensidade Coef. de esc. Vazão de Vazão Declividade Diâmetro Diâmetro Velocidade Tempo de OBS
(m) Montante Jusante da chuva Superf. projeto admissível da galeria (mm) comercial. de percurso percurso
(mm/h) C (m3/s) p/sarj. I (mm) Vp tp
(m3/s) (m/m) (m/s) (min)

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14.7 - Localização das Bocas de Lobo Figura.14.1 - Detalhes da boca de lobo, sem grade e entrada pela guia.

A primeira boca de lobo do sistema de drenagem deve ser colocada no


ponto em que a vazão de projeto, estimada por intermédio do método racional,
torna-se superior à capacidade admissível da sarjeta. Neste ponto, a sarjeta não‚
capaz de conter o escoamento superficial sem ocorrência de trasbordamento;
assim, é necessário iniciar o sistema de galerias para receber o escoamento.

Em qualquer ponto de entrada na galeria, não é necessário que todo o


escoamento superficial seja removido; o dimensionamento do trecho de galeria é
realizado apenas com a parcela que efetivamente escoa através dela.

A interligação entre as bocas de lobo e o poço de visita ou caixa de


passagem é feita com ramais de bocas de lobo cuja declividade mínima deve ser
de 1%. A capacidade destes ramais versus diâmetros são apresentados por
WILKEN (1978) e reproduzido na tabela abaixo.

diâmetro (cm) vazão máxima (l/s)


40 100
50 200
60 300

14.7.1 - Cálculo e Tipos de Bocas de Lobos


Para dimensionamento da boca de lobo sem depressão, emprega-se a
14.7.1.1 - Boca de Lobo com Abertura na Guia seguinte equação, proposta por Wilken;

Neste caso a caixa de coleta fica localizada no passeio; a sarjeta pode ser Q/L = [(5,44 k) / (tgθ)9/16]x (nQo / I1/2)9/16
continua ou com depressão a figura 14.1 mostra um esquema das bocas de lobo
desse tipo. onde: Q = vazão captada pela boca de lobo (m3/s);
Qo = vazão à montante da boca de lobo (m3/s);
I = declividade da sarjeta (m/m)
θ = ângulo entre a seção transversal da sarjeta e a vertical;
k = coeficiente igual a 0,23, 0,20 e 0,20, respectivamente para tgθ igual a
12, 24 e 48;
L = comprimento da abertura da boca de lobo na guia (m);
n = coeficiente de Manning

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As bocas de simples também podem ser calculadas como vertedores. W = largura da grade (m)
Tucci propõem a seguinte fórmula para calculo da boca de lobo quando a lâmina Lo = comprimento da grade para captar a vazão Qo (m)
de água acumula-se com uma altura menor do que a abertura da guia. Vo = velocidade de esc. na sarjeta montante da boca de lobo(m/s)
g = aceleração da gravidade (m/s2)
Q = 1,7 L y 3/2 yo = altura da lâmina líquida na sarjeta montante da boca de lobo (m)
m = coeficiente igual a 4 quando a grade for constituída somente de barras
Onde: Q = vazão em m³/s longitudinais é igual a 8 quando houver algumas barras transversais.
L = comprimento da soleira em m;
Y = altura da água próximo da abertura em m. Observações:
- Se L > Lo – uma grade com o tamanho igual ao calculado L é suficiente
Quando a altura de água sobre o local for maior do que o dobro da - Se L < Lo – será necessário mais de uma grade sendo que a resultante deverá
abertura na guia a vazão é calculada por: ser L ≥ Lo

Q = 3,101 L h3/2 (yl/h)1/2 Figura 14.2 Monograma para calculo de M’


Onde: Q = vazão em m³/s;
L = comprimento da abertura em m;
H = altura da guia em m;
yl = carga da abertura da guia em m. (yl = y – h/2)

14.7.1.2 - Boca de Lobo com Grade

A figura 14.2 apresenta, esquematicamente, uma boca de lobo com grade

As equações básicas para o dimensionamento das bocas de lobo com


grades:

L = (M’Qo1/4 / tgθ01/2) x (Wo - W)1/2 e

Lo = m x Vo x (yo /g)1/2

onde:
L = comprimento da boca de lobo (m)
M' = parâmetro, determinado mediante o emprego do monogramo da fig.14.2
Qo = vazão afluente boca de lobo (m3/s)
θo = ângulo entre a seção transversal da sarjeta e a vertical (guia)
Wo = largura da sarjeta ocupada pelo escoamento Qo (m)

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Figura 14.2 - Boca de lobo com grade

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15 - RESÍDUOS SÓLIDOS Assim, a identificação destes fatores é uma tarefa muito complexa e
somente um intenso estudo, ao longo de muitos anos, poderia revelar informações
mas precisas no que se refere à origem e formação do lixo no meio urbano.
15.1 - Origem e Produção de Lixo Entretanto, é comum definir como lixo todo e qualquer resíduo que resulte das
atividades diárias do homem na sociedade. Estes resíduos compõem-se
A problemática do lixo no meio urbano abrange alguns aspectos basicamente de sobras de alimentos, papéis, papelões, plásticos, pratos, couros,
relacionados à sua origem e produção, assim como o conceito de inesgotabilidade madeiras, latas vidros, lamas, gases, vapores, poeiras, sabões, detergentes e outras
e os reflexos de comprometimento do meio ambiente, principalmente a poluição substâncias descartadas pelo homem no meio ambiente.
do solo, do ar e dos recursos hídricos.

Sumariamente, podemos dizer que o lixo urbano resulta da atividade 15.3 - Fatores que Influenciam a Origem e Formação do Lixo
diária do homem em sociedade e que os fatores principais que regem sua origem e
produção são basicamente, dois: o aumento populacional e a intensidade da Como dissemos anteriormente, muitos são os fatores que influenciam a
industrialização. Observando o comportamento destes fatores ao longo do tempo, origem e formação do lixo no meio urbano, e a distinção destes mecanismos é uma
podemos verificar que existem fortes interações entre eles. Por exemplo, o tarefa complexa e de difícil realização. Entretanto, a título de informação,
aumento populacional exige maior incremento na produção de alimentos e bens de citaremos alguns deles:
consumo direto. A tentativa de atender esta demanda faz como que o homem
transforme cada vez mais matéria-prima em produtos acabados, gerando, assem, - número de habitantes do local;
maiores quantidades de resíduos que, dispostos inadequadamente, comprometem o - área relativa de produção;
meio ambiente. Assim sendo, o processo de industrialização constitui-se nem dos - variações sazonais;
fatores principais da origem e produção de lixo. - condições climáticas;
- hábitos e costumes da população;
Quanto aos aspectos epidemiológicos relacionados com os resíduos, - nível educacional;
dependendo da forma de disposição final, muitas são as possibilidades de - poder aquisitivo;
comprometimento do meio ambiente, que colocam em risco a vida do homem - tempo de coleta;
moderno. - eficiência da coleta;
- tipo de equipamento de coleta;
- disciplina e controle dos pontos produtores;
15.2 - Origem e Formação do Lixo - leis e regulamentações específicas.

Não é uma tarefa fácil definir lixo urbano, pois sua origem e formação Vale ressaltar que um dos fatores mais importantes é a componente
estão ligadas a inúmeros fatores, tais como: econômica.
- variações sazonais,
- condições climáticas, Além destes fatores primários, temos os chamados secundários que
- hábitos e costumes, também influenciam na formação e caracterização do lixo. Alguns destes são
- variações na economia etc. citados a seguir.

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O teor de umidade, que representa a quantidade de água contida na Considerando-se o critério de origem e produção, podemos classificá-lo
massa do lixo, é sem dúvida importante, principalmente para a escolha do sistema como: residencial, comercial, industrial, hospitalar, especial e outros.
de tratamento e aquisição de equipamentos de coletas. Por exemplo, nos sistemas
que visam gerar ou recuperar energia a partir dos resíduos, o teor de umidade tem Lixo residencial. Também chamado de lixo domiciliar ou doméstico, é
influência notável sobre o poder calorífico dos resíduos, assim como nos constituído, em geral, por sobras de alimentos,, invólucros, papéis, papelões,
tratamento por processos biológicos, onde a umidade atua na velocidade de plásticos, vidros, trapos etc.
decomposição dos materiais biodegradáveis presentes na massa de lixo. O teor de
umidade no lixo depende diretamente das condições climáticas, variando Lixo comercial. É oriundo de estabelecimentos comerciais como lojas,
sensivelmente portanto de um lugar para outro. No Brasil, o valor médio do teor lanchonetes, restaurantes, escritórios, hotéis, bancos etc.
de umidade do lixo domiciliar é da ordem de 60%.
Lixo industrial. É todo e qualquer resíduo resultante de atividades
O peso específico, que representa a relação entre o peso e o volume industriais, estando neste grupo o lixo proveniente das construções. Em geral, esta
(kgf/m3), também é importante na escolha de sistemas de coleta e tratamento, pois classe de resíduo é responsável pela contaminação do solo, ar e recursos hídricos,
sendo o lixo uma substância compressível, o conhecimento do peso específico devido à forma de coleta e disposição final, que na maioria dos centros urbanos
determina a capacidade volumétrica dos meios de coleta, tratamento e destino fica a cargo do próprio produtor. Assim é freqüente observar o lançamento de
final. resíduos industriais ao relento e nos recursos hídricos. Os resíduos industriais são
classificados em quatro categorias:
As mudanças de hábitos e costumes também vêm contribuído para a
modificação gradual do peso específico do lixo, percebendo-se uma redução na Categoria 1. Incluem-se nesta categoria os resíduos considerados
média destes índices nos países industrializados que no início do século estava perigosos, ou seja, que requerem cuidados especiais quanto à coleta,
entre 500 e 800kgf/m3 e hoje entre 150 e 300kgf/m3. acondicionamento, transporte e destino final.

No Brasil, o peso específico médio atual é da ordem de 192kgf/m3, Categoria 2. Incluem-se nesta categoria os resíduos potencialmente
segundo os estudos realizados pela CESP - Companhia Energética de São Paulo. biodegradáveis e/ou combustíveis.
Categoria 3. Incluem-se nesta categoria os resíduos considerados inertes
O teor de matéria orgânica, representa a quantidade, em peso seco, de e incombustíveis.
matéria orgânica contida na massa do lixo em geral, é subdividido em: matéria
orgânica não putrescível, incluindo papel, papelão, madeira, trapos, estopa, couro Categoria 4. Incluem-se nesta categoria os resíduos constituídos por uma
etc., e matéria orgânica putrescível, composta de verduras, folhas, restos de mistura variável e heterogênea de substâncias que individualmente poderiam ser
alimentos, carnes, animais mortos etc. Em países em desenvolvimento, o teor de classificados nas categorias 2 ou 3.
matéria orgânica costuma representar a maior fração em peso.
Lixo hospitalar. Geralmente divididos em dois tipos, segundo a forma de
geração: resíduos comuns, compreendendo os restos de alimentos, papéis,
15.4 - Classificação do Lixo invólucros etc.; resíduos especiais, que são os restos oriundos das salas de
cirurgias, das áreas de internação e isolamento. Estes últimos também podem ser
Considerando-se o lixo quanto à sua natureza e estado físico, podemos denominados lixos sépticos, e seu acondicionamento, armazenamento local, coleta
classificá-lo da seguinte forma: sólido, líquido, gasoso e pastoso. e disposição final exigem atenção especial devido aos riscos que podem oferecer.

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Lixo especial. Trata-se de resíduos em regime de produção transiente, permite uma confinação segura, em termos de controle da poluição ambiental e
como veículos abandonados, podas de jardins e praças, mobiliário, animais proteção ao meio ambiente.
mortos, descargas clandestinas etc.
As vantagens do aterro sanitário são inúmeras, porém o relativo baixo
Outros. Neste tipo de lixo estão incluídos os resíduos não contidos nos custo que envolve esta prática é o que a torna interessante. Algumas vantagens,
itens anteriores e aqueles provenientes de sistemas de varredura e limpeza de além desta, são:
galerias e bocas de lobo.
- disposição do lixo de forma adequada;
- capacidade de absorção diária de grande quantidade de resíduos;
15.5 - Destino Final - condições especiais para a decomposição biológica da matéria orgânica
presente no lixo.
15.5.1 - Aterro Sanitário
Os problemas associados a este método incluem a possibilidade da
A prática de aterrar lixo como forma de destino final não é privilégio da poluição das águas superficiais e lençóis subterrâneos pela ação do liquido
civilização moderna, pois também os antigos já faziam uso dela. Os nabateus na percolado (chorume), além da formação de gases nocivos e de odor desagradável.
Mesopotâmia 2.500 anos antes de Cristo enterravam seus resíduos domésticos e
agrícolas em trincheiras escavadas no solo. Passando algum tempo as trincheiras Os fatores limitantes deste método são basicamente quatro:
eram abertas e a matéria orgânica, já decomposta, era removida e utilizada como
fertilizante orgânico na produção de cereais. A história conta que no ano 150 o - disponibilidade de grandes áreas próximas aos centros urbanos que não
povo romano que morava na zona urbana, assustado com a grande quantidade de comprometam a segurança e conforto da população;
roedores e insetos que apareciam em torno dos locais onde o lixo era disposto, - disponibilidade de material de cobertura diária;
resolveu abrir valas e aterrar todos os resíduos, eliminando os inconvenientes - condições climáticas de operação durante todo o ano;
causados pelos vetores. Este relato pode ser comprovado, pois os registros - escassez de recursos humanos habilitados em gerenciamento de aterros.
mostram que durante este período o povo romano foi vítima da peste bubônica.

O aterro sanitário é uma das práticas mais utilizadas no presente em 15.5.1.2 - Classificação dos Aterros
virtude de sua relativa simplicidade de execução e de seu relativo baixo custo,
tendo como fator limitante à disponibilidade de áreas próximas aos centros Os aterros podem ser classificados conforme a técnica de operação ou
urbanos. pela forma de disposição.

- aterros comuns, caracterizados pela simples descarga de lixo sem


15.5.1.1 - Definição qualquer tratamento, também denominados lixões, lixeiras, vazadouros etc.

Segundo a CETESB - Companhia de Tecnologia e Saneamento - aterros controlados, uma variável da prática anterior em que o lixo
Ambiental, o aterro sanitário é definido como um processo utilizado para a receber uma cobertura diária de material inerte. Esta cobertura é realizada de
disposição de resíduos sólidos no solo, particularmente o lixo domiciliar, que forma aleatória não resolvendo satisfatoriamente os problemas de poluição
fundamentado em critérios de engenharia e normas operacionais específicas, gerados pelo lixo, uma vez que os mecanismos de formação de líquidos e gases
não são levados a termo.

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- aterros sanitários, são executados segundo os critérios e normas de 15.3.2 - Classificação


engenharia e atendem os padrões de segurança preestabelecidos.
Os processos de incineração de lixo podem ser classificados em dos tipos:
estáticos e dinâmicos.
15.2 - Compostagem
- Incineradores estáticos ou de bateladas: caracterizam-se por seu
15.2.1 - Definição funcionamento intermitente. Em geral são de fácil operação e tecnologia
extremamente simples, o processo envolve quatro estágios ou fases principais:
A compostagem é definida como o ato ou a ação de transformar os 1) alimentação do formo;
resíduos orgânicos, através de processos físicos, químicos e biológicos, em uma 2) combustão dos resíduos;
matéria biogênica mais estável e resistente à ação das espécies consumidoras. 3) resfriamento e tratamento dos gases e produtos da combustão;
4) emissão dos gases e escórias.
O composto é a denominação genérica dada ao fertilizante orgânico
resultante do processo de compostagem. São mais recomendados para pequenos estabelecimentos onde a produção
de lixo é limitada pelas etapas de produção dos sistemas gerados de resíduos.
No processo de compostagem a matéria orgânica atinge dois estágios
importantes: digestão, que ocorre em primeiro lugar, correspondendo à fase de - Incineradores dinâmicos ou contínuos: caracterizam-se por seu
fermentação na qual a matéria alcança a bioestabilização. O segundo estágio é a funcionamento direto. Em geral são mais complexos e sua operação requer
maturação, no qual a matéria atinge a humificação. maiores atenções. O processo envolve seis estágios:
1) alimentação do forno;
A usina de compostagem é um complexo eletromecânico formado por 2) secagem do lixo;
diversos eventos destinados a preparar cientificamente o composto orgânico. Nas 3) combustão dos resíduos;
usinas de compostagem. Em geral, todas as fases do processo de digestão e 4) resfriamento dos gases e outros produtos da combustão;
maturação são controladas e monitoradas diariamente, obtendo-se, no final do 5) filtragem e tratamento dos gases da combustão;
processo, um produto de qualidade aceitável. 6) emissão dos gases e escórias.

15.3 - Incineração

15.3.1 - Definição

A incineração é definida como o processo de redução de peso e volume


do lixo através de combustão controlada. Os remanescentes da incineração do lixo
são, geralmente, gases como dióxido de carbono (CO2); dióxido de enxofre (SO2);
nitrogênio (N2); gás inerte proveniente do ar utilizado como fonte de oxigênio e do
próprio lixo; oxigênio (O2) proveniente do ar em excesso que não consegue ser
completamente queimado; água (H2O); cinza e escória que se constituem de
metais ferroso e inertes com vidros e pedras etc.

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16 - BIBLIOGRAFIA GERAL
LINSLEY, R.K. e FRANZINI, J.B. - Engenharia de Recursos Hídricos. Editora
Técnicas de abastecimento e Tratamento de água vários autores. CETESB, McGraw Hill do Brasil, São Paulo, SP.
Volumes 1 e 2
VILLELA, S.M. e MATTOS, A. - Hidrologia Aplicada, Editora McGraw Hill
Sistemas de Esgotos Sanitários. Vários autores. CETESB. do Brasil, São Paulo, SP.

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Tecnologia de Saneamento Ambiental, São Paulo, SP.
BATALHA, Ben Hur Luttenbark. Controle de Qualidade da Água para
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Dacach, Nelson Gandur. Sistemas Urbanos de Água. Livros Técnicos e IPT, Lixo Municipal Manual de Gerenciamento Integrado. Cempre 2000.
Científicos Editora SA.

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FENDRICH, R et alii - Drenagem e Controle da Erosão Urbana. Editora


Universitária Champagnat, Curitiba, PR.

FUGIA, O. (coord.) - Drenagem urbana - Manual de Projeto. Companhia de


Tecnologia de Saneamento Ambiental.

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