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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MATO GROSSO

CAMPUS JUÍNA
DISCIPLINA: Agricultura III – Castanha-do-brasil – 3º Tec. Agropecuário
Prof. Eng.º Agrº Dr. Luiz Maekawa
Juína – MT 2020

Baseado em:

MÜLLER, C. H.; FIGUEIRÊDO, F. J. C.; KATO, A. K.; CARVALHO, J. E. U. de; STEIN, R. L. B.;
SILVA, A. B. A cultura da Castanha-do-brasil / Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária,
Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Oriental: (Carlos Hans Müller...et al.) - Brasília:
EMBRAPA, 1995. 65p. Coleção planta; 23.

1. Qual o nome científico da castanheira e qual a sua importância econômica e


ambiental?
A castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa H. B. K) é uma das mais importantes espécies de
exploração extrativa na Amazônia. Pertence à família Lecythidaceae, com cerca de 300
espécies distribuídas em 25 gêneros, dos quais apenas 150 espécies e 10 gêneros ocorrem no
Brasil e que podem viver de 400 a 1.200 anos. Tem participação significativa na geração de
divisas para a região, com as exportações de suas sementes para os mercados internos e
externos. Na 3ª Convenção mundial de Frutos Secos ocorrida em 1992 em Manaus, com a
participação de mais de 300 empresários, convencionou-se de chamá-la de castanha-da-
Amazônia.

Castanheira Ouriços de castanheira

2. Quais são os principais nomes comuns da castanheira? Qual o maior o maior


exportador do mundo de castanha?
Ela é conhecida por vários nomes como castanha-do-pará, castanha-do-acre, ocari e tururi. No
exterior, é comumente associada ao Brasil (Brazil nut, noce del Brazile, noix du Para, etc.). O
Brasil, até 1990, era o líder no mercado mundial, com 80% do comércio internacional.
Entretanto, atualmente a Bolívia é o maior exportador do produto do mundo. Legalmente,
desde 1961, para efeito de comércio exterior, é denominada como castanha-do-brasil.
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3. Quais são os principais estados brasileiros produtores de castanha?


Principais estados produtores são: o principal é o Acre (11.521 toneladas), Amazonas (9.111
toneladas) e Pará (6.203 toneladas).

4. Por que a Bolívia tornou-se o maior exportador mundial de castanha a partir de 1991?
Houve a redução da produção brasileira para cerca de 30.000 toneladas, a Bolívia passou a ser
o maior exportador mundial, com volume da ordem de 50.000 toneladas anuais. Tem-se
observado que as exportações brasileiras diminuíram gradativamente de 51.195 toneladas
(1990) e 19.301 (1995/1996).

5. Quais foram as principais causas da perda de liderança na produção de castanha?


Além da diminuição da oferta do produto e destruição dos castanhais nativos, as barreiras não-
tarifárias, pela imposição de padrões fitossanitários mais rígidos por parte dos países
exportadores, como os da União Europeia, a deficiências na cadeia produtiva, em especial nas
logísticas de transporte e de armazenamento, a ausência de políticas e de programas de
incentivo à produção, de apoio direto à comercialização e de sustentação de renda ao
extrativista; a dificuldades de atendimento às exigências fitossanitárias para exportação,
especialmente quanto aos limites de tolerância para presença de aflatoxina.

6. Quais são os países que mais compram castanha do Brasil?


Os maiores compradores são os Estados Unidos, a Inglaterra, França, Alemanha e Itália.

7. Em que regiões a castanheira é encontrada?


É encontrado em estado nativo na Amazônia, localizando-se as maiores concentrações na
porção brasileira, principalmente no planalto que separa a bacia formada pelos afluentes do
baixo Amazonas, alto Tocantins e alto Moju, e em terras altas do Pará (sudeste do Pará) e nos
estados do Amazonas e Acre, até o alto Beni na Bolívia. Fora do Brasil, a espécie é encontrada
no Peru, Bolívia, Venezuela, Guianas e Colômbia.

Regiões de ocorrência de castanheira Castanheira no Amazonas

8. Quais as principais características das árvores de castanheiras?


A castanheira-do-brasil são árvores de grande porte, até 50m e 2m diâmetro na base; possui
caule cilíndrico, liso, desprovido de ramos até a fronde, casca escura; a floração - outubro a
dezembro e frutificação de outubro a março.
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9. Em quantos anos a castanheira entra em produção?


As plantas oriundas de sementes entram na fase produtiva aos 8 anos e somente aos 12
atingem a produção normal, desde que plantadas a sol pleno. A produção de frutos é bastante
variável entre anos para uma mesma árvore como também entre árvores em um mesmo ano.
Há relato na literatura de castanheiras que produzem mais de 800 frutos por árvore (em média
66,2/árvore). O número médio de frutos produzidos foi de 23, com uma produção média de
4,07 kg de sementes por árvore.

10. Quais as características dos frutos da castanheira?


O fruto conhecido como ouriço, é uma cápsula indeiscente (que não abre espontaneamente),
com casca lenhosa muito dura e de formato esférico ou levemente achatado. Contém, em seu
interior, em média cerca de dezoito sementes, cujas amêndoas são altamente nutritivas. O
valor proteico da castanha-do-brasil é bastante expressivo, razão pela qual é conhecida como
“carne vegetal”, sugerida por um médico fisiologista italiano no início do século XX. A proteína
contida em duas amêndoas equivale à de um ovo. A castanha é recomendada para pessoas
desnutridas e lactantes.

Ouriço da castanheira Amêndoa da castanheira

11. Quais as características da amêndoas de castanha


De sua composição, 18% é pura proteína e tem minerais como fósforo, potássio, magnésio,
cálcio e vitamina B, além de ferro, selênio e zinco. Possui 8 aminoácidos essenciais. O peso
médio de uma semente gira em torno de 8,2g. Geralmente, a comercialização das sementes e
amêndoas é feita com base em valores volumétricos. A castanha é consumida, normalmente,
“in natura”, cozida ou cristalizada. É usada, também, em confeitarias e indústrias de chocolates.
Rica em antioxidantes; teor de Selênio (Se) superior às de outras nozes de árvores - atrai
apreciadores da dieta naturalista, esportistas e idosos.

Seleção das sementes de castanheira Amêndoa da castanheira


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12. Quais os principais problemas identificados na comercialização de amêndoas de


castanha-do-brasil?
Os principais problemas identificados na produção da castanha-do-Brasil são a elevada
contaminação por bactérias do grupo coliforme - prolongada exposição a fatores ambientais e
às condições de manipulação na indústria, além da contaminação por fungos produtores de
toxinas, no caso a aflatoxina. A ocorrência da aflatoxina é um forte entrave para a
comercialização do produto, principalmente de países europeus e Estados Unidos.

13 Como o Brasil vem tentando solucionar esse “problema”?


A Embrapa vem desenvolvendo ações de apoio ao setor produtivo para implementação do
sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), em toda a cadeia
produtiva (do campo à mesa do consumidor). O sistema é obrigatório na Comunidade Europeia
e nos Estados Unidos. É pré-requisito entre os países signatários da Organização das Nações
Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Além das vantagens, devido à preocupação com
a saúde do consumidor e às restrições comerciais impostas por outros países, houve
necessidade de instituir mecanismos que garantissem a segurança na cadeia produtiva.

14. A castanha é um alimento radioativo?


Sim, as raízes das castanheiras são tão extensas e crescem tão profundamente no solo que
absorvem níveis elevados de rádio, uma fonte natural de radiação. Mas não se preocupe, os
níveis presentes não são prejudiciais à saúde e nem causam mutações no organismo, pelo
contrário, a maior parte da radiação é eliminada na urina e nas fezes.

15. Das amêndoas de castanheira, tudo se aproveita?


O óleo da castanha, por suas características semissecativas, é um ótimo ingrediente para
elaboração de tintas. Na cozinha, ele pode substituir facilmente o azeite de oliva. Da
prensagem da amêndoa no processo de extração do óleo podemos obter a farinha e o farelo.

16. O selênio da castanha ajuda no combate ao câncer?


A castanha do Brasil é fonte privilegiada de selênio, que em conjunto com a vitamina E, impede
a degeneração da membrana que envolve a célula, protegendo-a da oxidação e contribuindo
para melhorar as defesas do organismo. Pode atuar na redução dos níveis de colesterol,
Alzheimer, câncer de mama e outras doenças crônico-degenerativas.

17. Qual o perigo de consumir castanhas contaminadas por fungos?


O consumidor deve ficar atento a respeito da procedência do produto e nunca ingerir castanhas
mofadas. Os fungos presentes nelas produzem as aflatoxinas que, num efeito inverso ao do
selênio, causam problemas de saúde com alto potencial cancerígeno.

18. Por que é importante cultivar a castanheira de forma comercial (I)?


Diminui o custo de produção das amêndoas. Os conhecimentos acumulados com a execução
de pesquisas fizeram com que o cultivo racional da castanha-do-brasil passasse a ser uma
opção para os investidores que têm expandido e diversificado suas atividades na Amazônia.
Estima-se que existam cerca de 3000 ha reflorestado ou safs com castanha-do-brasil.
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19. Por que é importante cultivar a castanheira de forma comercial (II)?


O cultivo da castanha-do-brasil tem grande significado no processo de ocupação de enormes
vazios demográficos no sul do Pará, em particular no denominado Polígono dos Castanhais,
onde a floresta primária, habitat natural dessa espécie, vem sendo sistematicamente destruída
e substituída por pastagens para sustentação da atividade pecuária. Foi proibida a derrubada
de castanhais nativos, uma vez que está inserida na “Lista Oficial de Espécies da Floresta
Brasileira Ameaçadas de Extinção”. Ao lado de outra essências florestais, a castanheira-do-
brasil é excelente alternativa para reflorestamento de áreas degradadas de pastagens ou de
cultivo anuais, tanto para produção de frutos como para a extração de madeira.

20. Como são desenvolvido a metodologia para o cultivo da castanheira?


A metodologia para cultivo de B. excelsa em larga escala foram orientadas pelo agrônomo
Hans Müller e colaboradores na Embrapa Amazônia Oriental, Belém, na década de 1980.
Essas metodologias foram adotada desde então por alguns produtores como a Faz. Cayabi
Alta Floresta (MT) e a pioneira Fazenda Aruanã no Amazonas. Existem plantios de castanheira
em Sistemas Agroflorestais (SAFs) e em áreas contínuas de monocultivos de larga escala.
Atualmente – discussão - economicidade do plantio de castanheiras em monocultivos, em
SAFs ou na recomposição de Áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, seja em
pé franco ou com enxertia.

21. Como deve ser o clima e solo para o desenvolvimento da castanheira?


A castanha-do-brasil desenvolve-se bem em regiões de clima quente e úmido. As maiores
concentrações da espécie ocorrem em regiões onde predominam os tipos climáticos tropicais
chuvosos com a ocorrência de períodos de estiagem definidos, embora seja encontrada
também em locais de chuvas relativamente abundantes durante todo o ano. 2 – 5 meses de
déficit hídrico (período seco = inferior a 100 mm de precipitação / mês). Na Amazônia brasileira,
as áreas produtoras de castanha-do-brasil apresentam temperaturas médias anuais que variam
entre 24,3 e 27,2ºC. Médias anuais de precipitação pluviométrica variam de 1.400 e 2.800mm.
A umidade relativa média anual de 80 a 85%. A espécie exibe bom desenvolvimento em áreas
de terra firme, não suportando as terras alagadas ou de grande retenção de água. As
populações de castanhais nativos estão situadas em solos argilosos ou argilo-arenosos. Áreas
de terra firme, não suportando as terras alagadas ou de grande retenção de água. As
populações de castanhais nativos estão situadas em solos argilosos ou argilo-arenosos.
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22. Explique a propagação da castanheira?


A castanheira pode ser propagada por sementes ou por enxertia como a grande maioria das
espécies perenes. No caso de propagação por enxertia, a semente é elemento essencial, pois
o porta-enxerto (cavalo) é obtido a partir de sementes da própria castanheira. Não é
recomendável a semeadura diretamente no campo. A propagação vegetativa, pela enxertia, é
utilizada com bastante sucesso na implantação de cultivos racionais, quando o objetivo
principal é a produção comercial de castanha. O tegumento (casca) deve ser retirado sem
danificar a amêndoa.

23. Como deve ser a conservação das sementes e a preparação das amêndoas para
produção de mudas?
As sementes adequadas para a produção de mudas são as novas e não desidratadas, de
tamanho grande, largas e cheias (não flutuam quando imersas em água), com amêndoa de
coloração branco leitosa e sem odor característico de óleo rançoso. O ideal é que as sementes
sejam semeadas imediatamente após a coleta (os frutos não são colhidos mas catados no
chão após a queda) em germinadores com pó-de-serra curtido e úmido e protegido de
roedores. A prática tem mostrado que a exposição de sementes ao sol, durante dois dias,
provoca perda significativa do poder germinativo.

24. Por que o descascamento das amêndoas das castanhas deve ser cuidadosa?
O descascamento é uma operação trabalhosa, que requer bastante prática. É realizada com o
auxílio de prensa e de alicate adaptados para essa operação ou com canivete bem afiado. O
primeiro processo é mais rápido, mas provoca maiores perdas de sementes por danos
mecânicos. No segundo, o rendimento de mão-de-obra é menor, mas é possível obter maior
número de amêndoas sem danos. Em ambos os caso, é importante a habilidade do operador.
As amêndoas não podem estar danificadas.

25. Como proceder o tratamento das amêndoas.


As sementes devem ter a casca removida antes de serem semeadas, para facilitar e acelerar a
expansão do embrião. As sementes semeadas com casca podem levar mais de 12 meses para
germinar, enquanto as sem casca normalmente germinam a partir do vigésimo dia, ou, mais
tardar, até seis meses depois da semeadura. Para facilitar a remoção da casca, as sementes
são imersas na água, que deve ser trocada diariamente, por um período máximo de três dias.
Essa prática permite obter maior número de amêndoas em condições adequadas de
semeadura, pois é possível eliminar, de imediato, as sementes que flutuam, normalmente
chochas (estéreis).

26. Como deve ser construídas as sementeiras de castanha? A composição do


substrato?
As sementes ou canteiros deve ser suspenso e ter protetores contra ataques de roedores e
formigas, os maiores causadores de danos às amêndoas semeadas. Essas sementeiras são
feita em forma de caixas, com pernas de madeira, como se fossem uma mesa. Nas pernas são
fixadas lâminas de folha de frandes, em forma de funil invertido, que impede a subida de
roedores. Cobrem-se as sementeiras para reduzir os problemas causados às amêndoas e às
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mudinha recém-nascidas pelo excesso de umidade do substrato decorrente de chuvas


abundantes. O excesso de água no substrato favorece ocorrência de fungos e provoca o
apodrecimento das amêndoas. O substrato é constituído de mistura de serragem curtida fina e
areia branca, na proporção volumétricas de 1:1 (partes iguais). Na composição do substrato,
deve ser evitado o uso de matéria orgânica fresca, pois o processo de fermentação concorre
para a ocorrência de fungos.

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Sr Gildo Zan e Sr. Geraldo Bento

27. Como deve ser a semeadura das castanheiras?


Deita-se a semente de modo que o polo radicular (PR) de onde se originará a raiz, seja
posicionado para baixo, e a caulicular (PC) fique a um centímetro abaixo da superfície do
substrato (Fig. 6).

A fim de facilitar o controle da germinação, é aconselhável adotar um espaçamento de 5 cm


entre linhas e entre sementes, que permitirá a densidade de 400 unidades/m². Antes da
semeadura, selecionam-se as amêndoas, eliminando as que sofreram rachaduras na
prensagem ou danos físicos acentuados no descascamento. As sementes com rachaduras
geralmente não germina. É conveniente realizar essa seleção antes do tratamento das
amêndoas com fungicida, a fim de evitar riscos de contaminação para o responsável pela
execução dessa tarefa.

Emissão do caulículo e radícula Plântula de castanheira


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28. Como deve ser a repicagem das mudas de castanheiras?


Normalmente, a muda é repicada antes da abertura das primeiras folhas, no estágio
denominado “ponto de palito”. Nesta fase de desenvolvimento, o caulículo pode ter entre 1 a
6cm de altura. Só devem ser repicadas as mudinhas com caulículo e radícula. As mudas sem
radícula devem ser transferidas para outras sementeiras com a mesma composição de
substrato, onde permanecerão até o segundo lançamento de folhas, que, muitas vezes, é
indicativo do surgimento do sistema radicular. As plântulas que até essa fase não tenham
desenvolvido radícula não podem ser aproveitadas e devem ser eliminadas.

29. Qual a finalidade da enxertia e os cuidados pós-enxertia?


A enxertia é a prática utilizada com a finalidade de garantir a reprodução das plantas com boas
características de produtividade, tamanho do fruto, precocidade de produção e porte mais
baixo. A enxertia é executada no campo, em plantas com idade de um e meia a dois anos de
plantadas ou com altura de 1,5 a 2 m. Na enxertia, deve ser utilizado material de clones ou
matrizes com seleção baseada na produtividade. As plantas a serem enxertadas devem estar
na fase denominada de “dando casca” (quando a casca pode ser destacada sem desfibrar-se).

30. Como devem ser os ramos fornecedores de gemas para a enxertia?


Os ramos fornecedores de gemas devem ter o diâmetro aproximado do porta-enxerto.
Eliminam-se suas folhas oito dias antes da enxertia, para facilitar a retirada do escudo ou
porção da casca com a gema para acelerar a brotação de gemas. As hastes com as gemas são
retiradas das plantas matrizes no dia da enxertia, evitando-se expô-las ao sol por muito tempo.
Faz-se o enxerto a 1 m do solo. Ao ser inserido o escudo, deve-se fazer com que sua parte
superior coincida com o corte horizontal feito no porta-enxerto, de modo a haver contato direto
com as células do câmbio. O contato maior entre essas células aumenta a probabilidade de
pegamento.
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31 . Quando e quais as práticas após se verificar o “pegamento da enxertia”?


Verifica-se o pegamento do enxerto no trigésimo dia após a enxertia. Nessa ocasião, faz-se o
anelamento – retirada de um anel da casca do porta-enxerto, numa faixa de 10 cm de largura e
1 cm da parte superior do escudo (enxerto). O anelamento provoca a morte gradativa do
“cavalo” acima do ponto de enxertia, evita o excesso de brotações do porta-enxerto e
uniformiza os brotos dos enxertos realizados. Os resultados práticos indicam ser fácil alcançar
o índice de 90% de pegamento do enxerto (considerado bom).

32. Quais os espaçamentos e densidades utilizados no cultivo da castanheiras?


Cultivos solteiros – nos cultivos solteiros ou exclusivos de castanheira-do-brasil, o
espaçamento mínimo recomendado é de 10 x 10m, com distribuição das plantas em triângulo
equilátero, que possibilita a colocação de 115 plantas/ha.
Consórcio com pastagem – castanheiras-do-brasil pode ser espaçadas de 15m x 10m ou 20
x 10m (50 plantas/ha) ou 15 x 25m (26 plantas/ha) ou 20m x 20m.
Consórcio com culturas perenes – em cultivos com outras espécies perenes, como cacau,
guaraná e pimenta-do-reino, recomendam-se os espaçamentos de 10 x 25m ou 15 x 25m.

33. Como ocorrem a floração e frutificação das castanheiras?


A castanheira proveniente de semente, denominada pé franco, pode, ocasionalmente, entrar
em produção a partir do oitavo ano, a contar da data de plantio no campo. No, entanto, em
plantas a céu aberto, normalmente as plantas entram em produção somente aos doze anos.
As plantas enxertadas podem iniciar a produção de frutos com apenas 3,5 anos de idade,
precocidade ligada à posição de onde foi retirada, na planta-mãe ou matriz, a gema que deu
origem. Normalmente, as plantas enxertadas iniciam a produção a partir do sexto ano após a
enxertia.

34. Quando as mudas de castanheiras estão prontas para ir para o campo?


As mudas de castanheira-do-brasil estão aptas para o plantio no campo ao atingirem de 20 a
40cm de altura, quando apresentam aproximadamente dezesseis folhas abertas. Caso as
mudas tenham sido repicadas para copos de plástico, a altura máxima não deve ultrapassar
30cm. O tempo de permanência das mudas no viveiro depende dos tratamentos aplicados e
pode variar de quatro a oito meses, após a repicagem.

35. Quais as podas que devem ser realizadas em plantas enxertadas?


Para o adequado desenvolvimento da castanheira-do-brasil, devem ser realizados dois tipos de
podas, para formação do fuste e da copa. Para a formação do fuste, a poda consiste em
eliminar gradualmente os ramos mais baixos, até 2 metros de altura, e efetua-se em plantas
enxertadas há mais de dois anos. A poda de formação da copa somente é feita quando o
enxerto apresenta poucas ramificações. Visa aumentar o número de ramificações
responsáveis, mas tarde pela frutificação. Esses ramos devem ser podados a uma distância de
meio metro ou um metro do tronco, eliminando-se, em seguida, quatro ou cinco folhas logo
abaixo do corte. A poda de formação da copa é comumente realizada nas brotações
plagiotrópicas (de crescimento lateral) dos enxertos que geralmente apresentam baixa
ramificação, mesmo depois de corrigidos seu direcionamento para crescimento vertical.
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36. Quais os principais tratos culturais da cultura da castanheira?


Coroamento – consiste em capinas efetuadas em torno das plantas, com cuidado para não
ferir o caule. Pode ser manual, com enxada, ou com o emprego de herbicidas, e se realiza a
cada quatro meses. Roçagem – as entrelinhas de plantio são roçadas, manual ou
mecanicamente, no momento da realização do coroamento. A vegetação cortada na roçagem
pode ser aproveitada, como cobertura morta, em volta da castanheira, prática muito importante
em áreas onde ocorrem períodos de estiagem.

37. Como deve ser o controle de pragas e doenças das castanheiras?


A ocorrência de doenças, causando prejuízos na cultura de castanheira-do-brasil, quase não
tem sido constatada. De qualquer modo, aconselha-se a fiscalização periódica do castanhal,
conforme recomendada para outras culturas perenes. A praga de ocorrência mais comum e
capaz de provocar danos é a saúva, que pode ser controlada com iscas específicas,
distribuídas na área.

38. Como é a polinização das flores de castanheira?


A polinização das flores da castanheira-do-brasil é do tipo entomófila, ou seja, realizada por
abelhas grandes (conhecidas como mamangavas) dos gêneros Bombus, Centris, Eulaema,
Eufriesea, Epicharis e Xylocopa. Essas abelhas têm tamanho que varia entre 2,5 e 4 cm, são
capazes de voar longas distâncias, e quando pousam na flor forçam a abertura do capuz com
movimentos vigorosos das pernas anteriores, abaixando o capuz e conseguindo entrar total ou
parcialmente na câmara corolífera. Dessa forma, aproveitam todos os seus recursos. Neste
caso o percentual de vigamentos dos frutos vai depender do número de insetos presentes na
área.

Mamangava e a flor de castanheira Polinização da castanheira do brasil

39. Projeto castanha-do-brasil x café guarani e milho. Engº Florestal Dr. Eliazel Vieira
Rondon. Campus Experimental - Empaer Juína. Outubro de 1990.
Espaçamento da castanheira 10mx 10m; 15m x 10m e 20m x 10m.
Enxertado no ano seguinte a um metro de altura do solo com material vegetativo da
Agropecuária Aruanã – AM.
Café – espaçamento 3m x 3m.
A renda média obtida nos três primeiros anos de milho, foi suficiente para cobrir os custos de
implantação do experimento, sem contar com a produção do primeiro ano do café.
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40. Reserva Extrativista Resex Chico Mendes. Globo Rural 2020.


Área – 970.570 ha. Pode atingir 50 m de altura e 5 m de diâmetro. Ouriços que podem pesar 2
kg e abrigar de 8 a 24 sementes ricas em fibras, selênio e vitaminas. Expectativa de vida
supera 500 anos. Lista de espécies vulneráveis a extinção da União Internacional para a
Conservação da Natureza (IUCN). Chegaram a quebrar 1.000 latas de castanha por safra e
atualmente não passa de 700 latas. R$5,90 o quilo de castanha in natura. A Cooperacre vende
com certificação orgânica para todo o Brasil, Europa, árabes, Estados Unidos e Rússia. A
castanha foi o principal produto exportado pelo Estado do Acre. A produção de castanha anual
era de 5 a 8 milhões de quilos e atualmente caiu para 2,5 milhões.