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A Síndrome de Asperger é um termo que está se popularizando, aparecendo em

programas de TV, novelas e várias outras atrações. Apesar disso, no dia a dia
clínico, cada vez mais encontramos pais preocupados com o diagnóstico que
receberam sobre a saúde dos seus filhos.
Embora a Síndrome esteja aparecendo mais na mídia e sendo debatida, ainda
existe pouco conhecimento a respeito. E essa desinformação acaba gerando
preocupação em pais que precisam, de fato, entenderem do que se trata o
problema e como lidar com a situação.

Hoje, a Síndrome está sendo mais debatida e estudada, o que faz com que novos
tratamentos surjam e mais profissionais se qualifiquem, de modo a oferecer ao seu
filho todo o cuidado que ele necessita para seguir com a sua vida normal, com
carinho e muita compreensão.

Então, que tal obter mais informações sobre o problema? Entender do que se trata,
conhecer as suas causas e compreender como lidar com essa síndrome no dia a
dia? Faça a leitura deste post e fique bem informado. Confira.

O que é a Síndrome de Asperger?


Trata-se de um transtorno oriundo de uma desordem genética que apresenta
características muito parecidas com o autismo. Afeta geralmente crianças do sexo
masculino. Seus sintomas podem surgir logo nos anos iniciais de vida da criança.
Os portadores da síndrome apresentam dificuldade de socialização.

Hoje, sabe-se que o Asperger é uma forma mais branda de autismo que se
caracteriza por uma série de sintomas capazes de causar sofrimento no paciente,
principalmente devido ao comprometimento da interação social.

Dessa maneira, podemos enquadrar a Síndrome de Asperger como sendo um


Transtorno Global de Desenvolvimento (TGD) que afeta, especialmente, as
capacidades de se socializar e se comunicar do paciente. A consequência é uma
dificuldade da pessoa interagir socialmente e de se relacionar com os demais.
Por falta de conhecimento a respeito do transtorno, muitos equívocos acontecem,
confundindo  o problema com depressão, esquizofrenia ou perturbação obsessivo
compulsiva entre outros.

É importante destacar que os portadores dessa síndrome não sofrem nenhum


atraso cognitivo ou de desenvolvimento da fala, apesar disso, muitas vezes devido
aos estereótipos e os padrões de comportamentos cruéis impostos pela sociedade,
são consideradas pessoas estranhas.

Há alguns anos, havia pouca informação sobre o autismo e a Síndrome de


Asperger. O diagnóstico era, na maioria dos casos, tardio e não havia um
delineamento certo sobre o tratamento. Hoje em dia, devido aos avanços ocorridos
essa situação está melhorando e as intervenções podem ser mais eficazes.
Transtornos do Espectro Autista (TEA)
Uma das dúvidas muito comuns dos pais que recebem o diagnóstico de Asperger é
se os seus filhos são autistas. Em 2013, foi lançada uma nova versão do Manual
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, com alterações significativas para
a comunidade médica. Entre elas está, principalmente, o uso de novos diagnósticos
e alterações de nomes de condições e doenças que já eram catalogadas.

Assim, a partir desse ano, tanto a Síndrome de Asperger como o Autismo passaram
a englobar uma nova denominação: o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Dessa
maneira, a comunidade médica passou a encarar o asperger como uma maneira
mais “branda” de autismo.

A principal diferença do surgimento do TEA é a capacidade de diagnosticar


diferentes tipos e níveis de autismo, baseado, principalmente, no quanto o paciente
tem de comprometimento na comunicação e interação social.

Dessa maneira, podemos entender que sim, o Asperger é um tipo de autismo,


porém, mais brando, ou seja, que não afeta de forma muito radical a capacidade de
comunicação e interação da criança, permitindo que ela tenha uma vida normal –
desde que seja acompanhada pelos profissionais certos.
De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, a
síndrome é considerada como um autismo “nível 1”. Ou seja, ela não cursa com
danos intelectuais ou verbais. Por isso, embora possua semelhanças com o autismo,
os pacientes com Asperger não sofrem com atrasos no desenvolvimento da fala e
nem déficits cognitivos de forma mais acentuada.

Como os sintomas são mais brandos, o Asperger também costuma ser


diagnosticado mais tardiamente do que o Autismo. Este último, por trazer sintomas
mais acentuados, costuma ser percebido de forma precoce, quando a criança tem
de 1 a 3 anos.

Como identificar a Síndrome de Asperger?


A Síndrome é um comprometimento neurológico que atinge aproximadamente de
3 a 7 em cada 1.000 crianças. São diversos sintomas e não há uma precisão de
comportamentos para se estabelecer um diagnóstico. No entanto, vários
comportamentos podem sugerir a síndrome.

Vale ressaltar que é extremamente importante uma investigação antes de tomar


posse de um diagnóstico precipitado, já que isso pode trazer consequências graves.
Veja alguns sintomas comuns em pessoas que têm a síndrome.

Uma pessoa com Asperger não tem prejuízo linguístico, porém, a sua linguagem
oral pode apresentar algumas características interessantes. Por exemplo, é comum
que ela use em seu repertório um vocabulário diferente com palavras que não
fazem parte do nosso cotidiano.

Dificuldade para decifrar linguagens não verbais


A comunicação verbal com uma pessoa que tem a síndrome pode acontecer
normalmente. Entretanto, ela vai ter dificuldade em entender outros aspectos das
nossas relações, como o uso da linguagem corporal, a expressão de emoções e as
brincadeiras com as palavras (ironias, piadas de duplo sentido etc).

Inadequação às regras sociais


Por ter Asperger, a aprendizagem social é um desafio para as pessoas. Assim,
compreender algumas regras nas relações é algo muito complexo. Portanto, é
normal, por exemplo, que os pais precisem alertar a criança o tempo todo para
aguardar a sua vez de falar e não interferir na fala dos outros indivíduos.

Introspecção
A individualidade e a independência são comportamentos presentes nos
portadores de Asperger. Normalmente, há dificuldade de iniciar ou manter
conversas, necessitando passar um tempo maior sozinhas. Além disso,
a empatia não é uma habilidade muito presente. Para entender o que as outras
pessoas estão sentindo, elas precisam que isso seja comunicado verbalmente de
forma clara.
Apego à rotina
Lidar com muitos estímulos gera desorganização e incômodo às pessoas com esse
transtorno. Por isso, elas preferem um cotidiano rígido e não gostam de passar por
mudanças. Ter um cronograma e horários organizados facilita muito a vida. As
atividades fora da rotina, mesmo que sejam prazerosas, precisam ser planejadas.

Fixação por uma área de interesse


Junto do apego à rotina, as pessoas com a Síndrome têm também interesses
limitados. Geralmente, elegem uma área principal e focam muito da sua energia
nela. Esse é um dos motivos pelos quais elas alcançam sucesso profissional, mesmo
com tantas dificuldades de interação.

Alguns ficam, inclusive, famosos pelos seus feitos. Conheça algumas personalidades
que apresentam ou apresentaram sintomas da Síndrome de Asperger:

 Messi, jogador de futebol;


 Bill Gates, inventor do sistema Windows;
 Van Gogh, pintor;
 Albert Einstein e Isaac Newton, cientistas.
Comportamentos repetitivos
É comum que uma pessoa com asperger se envolva durante horas em uma mesma
atividade. Ao observar crianças com a síndrome, um comportamento que chama
atenção são as brincadeiras muito repetitivas. Elas também são capazes de
conversar por muito tempo sobre o mesmo assunto, fazendo descrições ricas e em
detalhes de um jogo que gostam, por exemplo.

Dificuldade para lidar com as emoções


Quem tem esse transtorno se sente mais à vontade em situações racionais. Lidar
com aspectos emocionais, seja dele mesmo ou dos outros, é bastante cansativo. É
comum que a pessoa se sinta exausta depois de um período prolongado de
socialização, por exemplo. Também pode haver um quadro de hipersensibilidade a
estímulos sensoriais, como barulhos, luzes ou toque.
Como é realizado o diagnóstico?
Pelo que você percebeu, muitos sintomas do Asperger podem se confundir
facilmente com situações cotidianas ou características de personalidade. Você
provavelmente conhece pessoas tímidas e de pouco envolvimento social. É possível
até que você seja uma delas. Por isso, diagnosticar essa condição é algo bastante
delicado e só deve ser feito por profissionais competentes.

É recomendado que o diagnóstico seja concluído por uma equipe multidisciplinar,


composta por um neurologista ou psiquiatra, por psicólogos clínicos e
educacionais, sem precipitação com muita cautela e profissionalismo.

O psiquiatra, ou psicólogo, realiza um profundo trabalho de investigação. É preciso


conhecer o contexto de vida da pessoa, a sua história e a qualidade das suas
interações sociais em diferentes cenários de convívio familiar, escolar e profissional.
Também são feitos diversos testes e exames para compreender a situação de forma
global.
Esse diagnóstico acontece com mais frequência na infância, normalmente a partir
da entrada na escola, pois nesse período, ficam mais claras as dificuldades de
interação. Entretanto, como esse transtorno era pouco conhecido há alguns anos,
ainda são feitos diagnósticos tardios – muitas pessoas chegam à vida adulta
convivendo com os sintomas sem investigá-los.
Quais os principais grupos de risco?
Embora as causas do autismo e do Asperger ainda sejam obscuros para a medicina,
estudos recentes mostram que há uma forte ligação genética com o problema.

Por isso, as crianças que possuem parentes próximos com algum Transtorno do
Espectro Autista têm chances maiores de virem a desenvolver a Síndrome ou outro
tipo de autismo. Além disso, os meninos estão mais predispostos a sofrerem com o
problema do que as meninas.

Embora essa última informação ainda esteja sendo estudada pela ciência. Estudos
recentes mostram que, na verdade, as meninas com Asperger conseguem “fingir”
melhor em situações sociais – o que dificulta o diagnóstico que passa a ser feito
apenas tardiamente, fazendo com que os médicos acreditem que essa é uma
condição mais aparente em meninos.

Outro dado é que nas garotas o Asperger pode ter sintomas diferentes, já que elas
conseguem imitar melhor as reações das outras pessoas em ambientes sociais,
mascarando e dificultando o diagnóstico.

Como é a Síndrome de Asperger em meninas?


Como dissemos, estudos recentes têm mostrado que existem diferenças
significativas entre os sintomas das meninas e meninos com Asperger. Isso se deve,
basicamente, pela maneira diferenciada como as garotas se expressam e se
socializam.
O comportamento agressivo, que pode ser um dos sintomas mais claros do
Asperger e que traz preocupação aos pais, nem sempre aparece nas meninas. Isso
porque, elas tendem a ter um comportamento mais passivo e tímido, se tornando
menos propensas a agirem de forma agressiva quando estão chateadas,
sobrecarregadas ou confusas. Porém, elas apresentam uma tendência maior a
desenvolverem quadros de ansiedade e depressão.

Um dos sintomas mais comuns tanto em meninos como meninas é o foco


excessivo em determinado tema. Nas garotas, esse foco mais frequente é em
filmes, animais, músicas ou literatura clássica. No Asperger, mais do que apenas
interesse, elas vão apresentar um conhecimento íntimo e apurado sobre o tema.
Outra característica da síndrome nas garotas é o fato de elas continuarem brincado
com bonecas e com os amigos imaginários em outras fases de desenvolvimento,
como na adolescência.

Como os sintomas costumam ser mais sutis nas meninas, os pais precisam de
atenção redobrada para conseguir detectar possíveis alterações. Em caso de
dúvidas, o mais recomendado é sempre buscar atendimento especializado para
uma orientação adequada e o correto diagnóstico. Lembrando que quanto mais
cedo ele for feito, melhor será o desenvolvimento da criança.

Quais são as principais causas da Síndrome?


A ciência ainda não tem clara as causas que levam ao Asperger. O que se sabe é
que os transtornos do especto autista possuem relação com fatores genéticos. Mas,
também, acredita-se que a família é capaz de influenciar na parte social – que é
uma das características da doença.

Ou seja, os pesquisadores já entendem que há um componente genético, contudo


o modo como a criança é criada e os laços afetivos familiares também podem ter
relação com as dificuldades de interação social, linguagem, comportamento e
habilidades sociais que os pacientes com Asperger apresentam.

Os conflitos tendem a surgir logo na infância, quando os pais querem que o filho
tenha comportamentos semelhantes aos das outras crianças. Muitos insistem para
que ela jogue bola, por exemplo, não compreendendo que ela prefere ler sobre
aviões ou outro tema do seu interesse.

Embora já tenhamos avançado muito no mapeamento de sintomas e nas opções


de tratamento, as causas do autismo e do Asperger ainda não estão
completamente esclarecidas. Sabe-se que se trata de um transtorno
neurobiológico, que tem relação com alterações no funcionamento cerebral.

É importante ressaltar que os portadores dessa Síndrome não são limitados (como
algumas pessoas podem pensar). Pelo contrário, eles possuem habilidades
intelectuais bem elevadas, mas para conseguirem se desenvolver plenamente
precisam ser estimulados nas suas áreas de habilidades específicas, garantindo que
terão as mesmas condições de alcançarem o sucesso em suas vidas profissionais.

Após várias pesquisas sobre o autismo, alguns estudiosos da área de saúde mental
elencaram causas comportamentais, como a falta de interação da mãe com o bebê
ou algum tipo de abuso. Relações desse tipo, entretanto, não são comprovadas
cientificamente. Atualmente, as pesquisas indicam maior relação com fatores
genéticos e disfunções cerebrais.

Como funciona o tratamento?


Precisamos ressaltar que a Síndrome de Asperger não tem cura. Contudo, o
diagnóstico precoce e a intervenção terapêutica correta conseguem oferecer a
essas crianças chances de se desenvolverem melhor e tornarem-se adultos mais
independentes.

Como em todo e qualquer tratamento, o portador do asperger precisa ser


compreendido e respeitado, deve-se evitar julgamentos e comparações, cada
pessoa é única. É importante que a família busque ajuda de um psicólogo para que
construam juntos as melhores estratégias e proporcione melhor qualidade de vida
para o paciente.

Nos últimos anos, com o aumento da demanda e as pesquisas nessa área, surgiram
diversas opções de tratamentos interdisciplinares para facilitar a rotina de quem
tem a síndrome, bem como viabilizar mais segurança e informações para a família.

O tratamento medicamentoso com psiquiatra pode ser necessário para controlar


alguns sintomas, como a agitação ou ansiedade excessivas, mas não é a única
opção como era antes, hoje o apoio psicológico é tão necessário que em
determinados casos é mais viável do que o próprio medicamento. Portanto, se
tornou um aliado importante para o tratamento.

O apoio psicológico é a possibilidade que a pessoa tem de compreender suas


vivências, expor suas angústias, medos, ter maior contato com as próprias emoções,
aprender importantes habilidades sociais e superar os diversos desafios diários,
sem se preocupar em ser julgada, ou seja, é o espaço no qual poderá se despir de
tudo aquilo que a incomoda.

Além desses atendimentos, é comum que crianças e adultos com Síndrome de


Asperger se envolvam em outras terapias. Podem ser benéficas, por exemplo,
fonoaudiologia e psicopedagogia. Aliar isso com tratamentos alternativos também
costuma dar bons resultados — alguns pesquisadores têm trabalhado com os
benefícios da interação entre pessoas autistas e animais de estimação.

Uma parte importante do tratamento é a educação dos pais e de pessoas próximas.


Geralmente, os profissionais realizam breves orientações com a família, para que
ela também aprenda a lidar melhor com as particularidades do problema. Quando
todos entendem os desafios e aprendem a se comunicar, a melhora é significativa.

Como é o dia a dia de uma pessoa com


Asperger?
Alguns déficits motores podem dificultar a participação em jogos envolvendo
habilidades motoras, o que pode impactar nas interações sociais com outras
crianças. As habilidades acadêmicas como a escrita e atividades de artes também
podem ser reduzidas.

Porém, apesar de desafiador, o cotidiano pode ser tranquilo à medida que a pessoa
compreende suas dificuldades e aprende estratégias para contorná-las, é possível
viver com mais qualidade de vida. Vale, ressaltar que o incentivo é fundamental

Para facilitar o seu dia a dia, é importante que as pessoas à sua volta respeitem seu
ritmo e particularidades, comunique de forma mais clara e direta, respeite suas
limitações sociais, evite julgamentos e as não trate como incapazes. Tais
comportamentos, sem dúvida, os ajudarão a aceitar a sua condição reconhecendo
os seus limites. Mas, com a certeza que pode viver como qualquer outra pessoa,
superando os obstáculos que surgem constantemente.

Finalizando, é válido lembrar que dificuldades todos têm, alguns muitas, outros
poucas, emocionais e/ou comportamentais, mas elas não são impedimentos para
uma viver uma vida ativa e de qualidade. Portanto, não se acomode, é possível lidar
bem com a Síndrome de Asperger e ser feliz. Busque ajuda, um psicólogo
competente pode ser o suporte essencial para caminhar junto com você e
encontrar o melhor caminho a seguir.

Então, o que você achou deste post? Se você se identificou com os sinais ou
conhece alguém que pode ter a Síndrome de Asperger, o melhor a fazer é buscar
um profissional capaz de lhe orientar. Aproveite e baixe o nosso e-book com várias
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