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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
R S
FCV
Nº 71003528015
2011/CÍVEL

REPARAÇÃO DE DANOS. ACIDENTE DE


TRÂNSITO. VEÍCULOS QUE CIRCULAVAM NO
MESMO SENTIDO. VIA DE MÃO ÚNICA.
MANOBRA ABRUPTA DE CONVERSÃO À
ESQUERDA. ULTRAPASSAGEM. CULPA
CONCORRENTE. IMEDIATIDADE. PARCIAL
PROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS.
Incontroverso que ambos os veículos trafegavam no
mesmo sentido, em via de mão única, larga e com
amplo espaço para ultrapassagem.
Evidenciado o agir culposo de ambos recorrentes,
derivando a culpa da autora da realização de manobra
abrupta de conversão à esquerda, em que inicialmente
abriu para o lado direito e após passou a converter no
sentido oposto, ainda que sinalizada, atingindo o
veículo do adverso, que, por sua vez, efetuou a
manobra de ultrapassagem sem as cautelas esperadas,
mormente quando o automóvel que se encontrava à
sua frente estava reduzindo a velocidade.
Culpa concorrente configurada, ante o agir negligente
de ambos os condutores, arbitrada na proporção de
70% a 30%, admitindo-se a compensação.
RECURSO IMPROVIDO.

RECURSO INOMINADO SEGUNDA TURMA RECURSAL CÍVEL

Nº 71003528015 COMARCA DE PASSO FUNDO

ELIANA VIEIRA DA SILVA RECORRENTE

CAMILA PALOSCHI RECORRIDO

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos.

Acordam os Juízes de Direito integrantes da Segunda Turma


Recursal Cível dos Juizados Especiais Cíveis do Estado do Rio Grande do Sul,
à unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.

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Participaram do julgamento, além da signatária, os eminentes


Senhores DRA. VIVIAN CRISTINA ANGONESE SPENGLER
(PRESIDENTE) E DR. EDUARDO KRAEMER.

Porto Alegre, 29 de fevereiro de 2012.

DRA. FERNANDA CARRAVETTA VILANDE,


Relatora.

RELATÓRIO
(Oral em Sessão.)

VOTOS
DRA. FERNANDA CARRAVETTA VILANDE (RELATORA)

A sentença atacada merece ser confirmada por seus próprios


fundamentos, nos termos do artigo 46 da Lei nº. 9.099/95, o qual prevê que
“o julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a
indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva.
Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do
julgamento servirá de acórdão”.
Cumpre salientar que a prova dos autos é eminentemente oral,
e, desta forma, deve-se privilegiar a avaliação feita pelo Juiz Leigo instrutor,
porquanto teve contato direto com as partes e testemunhas.

Com efeito, pelo princípio da imediatidade,


“(...) o juiz, atuando sem intermediários, colhe a prova oral direta, efetiva e concretamente.
Interessa à oralidade, ainda, que a prova, colhida imediatamente pelo juiz, permaneça
presente em sua mente. (...) Espera-se, com isso, que o juiz sinta o pulso de quem relata,

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perceba se ela fala a verdade ou não e a importância de suas reticências. Isso certamente
oferecerá dados para melhor avaliação da prova oral.” 1

Nesse sentido, oportuno transcrever a posição jurisprudencial:

“ACIDENTE DE TRÂNSITO. COLISÃO EM LOCAL REGIDO POR SEMÁFORO. VERSÕES


CONFLITANTES SOBRE A QUAL DOS CONDUTORES FAVORECIA O SINAL. PRINCÍPIO
DA IMEDIATIDADE. DEVE SER PRESTIGIADA A CONVICÇÃO DO JULGADOR
MONOCRÁTICO QUE COLHEU A PROVA ORAL E ESTAVA EM MELHORES CONDIÇÕES
DE AFERIR A CREDIBILIDADE DAS TESTEMUNHAS, ESPECIALMENTE QUANDO SUA
CONVICÇÃO ESTÁ LASTREADA EM PROVA IDÔNEA. RECURSO DESPROVIDO.”2

“INDENIZATÓRIA. DANO MORAL. DISCRIMINAÇÃO. ALEGAÇÃO DE AFRONTA AO


ESTATUTO DO IDOSO. ESPERA INJUSTIFICADA PARA A AQUISIÇÃO DE PASSAGEM
EM GUICHÊ DE RODOVIÁRIA. ESPERA CONSTRANGEDORA E INJUSTIFICADA PARA
EMBARCAR EM ÔNIBUS INTERMUNICIPAL. (...) Em face do principio da imediação, sendo a
prova escassa e não muito segura, deve prevalecer o sentir do julgador no contato pessoal com as partes e
testemunhas. Caso em que não restou plenamente caracterizada a discriminação em razão da idade do
autor. Prova oral que também revela o tratamento digno conferido pela empresa de ônibus aos idosos
beneficiários de desconto, tal com o autor. Confirma-se, por seus fundamentos, a sentença de
improcedência da ação. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO. 3”

VOTO, POIS, PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO INTERPOSTO.

DEVERÁ O RECORRENTE ARCAR COM AS CUSTAS PROCESSUAIS E

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, OS QUAIS FIXO EM 20% SOBRE O VALOR DA CAUSA, DE

ACORDO COM O ARTIGO 55 DA LEI Nº. 9.099/95, CUJA EXIGIBILIDADE FICA SUSPENSA,

DIANTE DO BENEFÍCIO DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA.

DRA. VIVIAN CRISTINA ANGONESE SPENGLER (PRESIDENTE) - De


acordo com o(a) Relator(a).
DR. EDUARDO KRAEMER - De acordo com o(a) Relator(a).

1
PORTANOVA, Rui. Princípios do Processo Civil.Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1997, p. 221-2.
2
Recurso Cível Nº 71001760461, Terceira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Eugênio Facchini Neto, Julgado
em 23/09/2008.
3
Recurso Cível Nº 71000895201, Primeira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Mylene Maria Michel, Julgado
em 20/07/2006.

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DRA. VIVIAN CRISTINA ANGONESE SPENGLER - Presidente - Recurso


Inominado nº 71003528015, Comarca de Passo Fundo: "NEGARAM
PROVIMENTO AO RECURSO. UNÂNIME."

Juízo de Origem: 3. VARA CIVEL PASSO FUNDO - Comarca de Passo


Fundo