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EXCERTOS E NOTAS QUE TÊM POR REFERÊNCIA A OBRA DE:

- Ciornai, Selma (Org.) (2004). Percursos em Arteterapia – Arteterapia Gestáltica, Arte em


Psicoterapia, Supervisão em Arteterapia. São Paulo: Summus Editorial

PERCURSOS EM ARTETERAPIA: ARTETERAPIA GESTÁLTICA

- “Arteterapia Gestáltica é um modo de usar recursos artísticos em e como terapia, com uma compreensão do
crescimento das pessoas e do trabalho terapêutico, fundamentada na Gestalt-terapia.” (p. 15)

- Esta perspectiva considera que a criatividade está estreitamente ligada com os processos de vida, “e que a
habilidade de expressão por diferentes linguagens verbais e não-verbais é um potencial natural de todos os seres
humanos.” (p. 15)

- Abordagem processual em que a elaboração e a reflexão sobre o que é produzido tem potencial valor terapêutico
– os arteterapeutas não têm a função de interpretar os trabalhos dos seus pacientes, mas induzi-los a encontrar
sentido nas suas próprias produções – os arteterapeutas são assim guias facilitadores na busca de realidades que
ajudem à compreensão de realidades interiores, à descoberta de novos caminhos e direcções.

ARTETERAPIA E GESTALT – breve introdução e contextualização histórica

- Desde a pré-história que o homem vem recriando imagens e rituais invocativos da natureza numa tentativa do seu
poder terapêutico;

- A crise da modernidade, sobretudo a partir da Primeira Grande Guerra, inaugura a arteterapia como disciplina
orientada para a profissão;

- A modernidade e a evolução tecnológica orientada para um desenvolvimento material centrou-se na razão e no


raciocínio lógico – foi a época do desenvolvimento científico e tecnológico, do culto da produção, dos movimentos
sindicais e ideológicos;

- Após a Primeira Guerra Mundial verifica-se uma mudança que tem a sua origem na “crise da ciência e da verdade”,
segundo Barbosa, 1979, citado por Ciornai – orientada para a compreensão do ser humano para além das lógicas e
do pensamento racional;

- Einstein e Freud aceleram esse processo de inteligibilidade do ser humano para além da pura racionalidade;

- O surgimento do “inconsciente” e da “subjectividade”, afastado do pensamento cartesiano (Descartes) - assente


na lógica e na racionalidade, passam a fazer parte do trabalho de Freud e Jung;

- Realidade repercutida na e pela arte, que transita de um naturalismo que retrata a realidade, para abordagens que
fazem emergir a emoção e subjectividade humanas – do Dadaísmo, ao Surrealismo, passando pelo Cubismo,
movimentos que buscaram no imaginário através do exagero, da incongruência, da deformação, … propostas que
abriram novas perspectivas de compreensão do universo humano;

- Essa nova realidade cultural introduz nas escolas um novo pensamento protagonizado por Piaget, Dewey e
Montessori, que defendem o desenvolvimento infantil a partir de uma educação integradora que forme para a
totalidade e não para a parcialidade – daqui surgem os contributos de Victor Lowenfeld e Florence Cane para a
educação artística;

- A educação para e pela arte privilegiava o exercício da criatividade e da linguagem artística tendentes ao
desenvolvimento integrado das potencialidades cognitivas, afectivas, motoras e criativas da criança;

- É após a Segunda Guerra Mundial, mais precisamente a seguir à era pós-industrial, que a educação artística e a
arteterapia emergem.
TRÊS VERTENTES PIONEIRAS DA ARTETERAPIA
NOS ESTADOS UNIDOS

MARGARETH NAUMBURG: “A ARTE EM TERAPIA”

- A ligação entre Margareth Naumburg e Florence Cane propiciaram uma educação de vanguarda centrada na arte-
educação o que vem influenciar a relação entre arte-terapia e a arte-educação desde o seu início;

- Esta premissa validou a crença na importância da actividade criativa e o desenvolvimento humano nas diferentes
comunidades sociais;

- Naumburg constitui a figura que liderou a tendência arte em terapia – ou seja potenciou o valor da arte no
tratamento psico-terapêutico e psiquiátrico, dando relevância principal ao desvelar dos conteúdos simbólicos em
detrimento da realização de trabalhos;

- Valorização do significado simbólico implícito nas imagens produzidas como via para a obtenção de insights sobre
a imagética e o conteúdo simbólico dos conflitos inconscientes projectados nessas imagens;

- São considerados referenciais freudiano e junguiano na compreensão do inconsciente e da função simbólica de


acordo com a autora “o arte terapeuta deve esperar que o próprio cliente atribua significado às imagens simbólicas
que produziu.” ou seja o terapeuta não deve impor uma interpretação e visão suas aos seus clientes.

EDITH KRAMER: “A ARTE COMO TERAPIA”

- “Kramer atribui a seu conhecimento do desenvolvimento do grafismo infantil e seus métodos de ensino de arte
para crianças em grande parte Victor Lowenfeld, especialmente no que se refere ao trabalho que ele fez com
crianças cegas e com deficiências visuais”; (p.27)

- “Kramer sublinhava a importância da arte terapia nos processos de organização e maturação psíquica, assim como
nos processos sublimatórios e de fortalecimento do ego”; (p.28)

- A autora tinha uma acentuada preocupação social e acreditava que o ensino da arte e da expressão livre de
estereótipos poderiam promover e beneficiar a saúde colectiva;

- Defendia a ideia de arte como terapia em detrimento de uma psicoterapia que utiliza a arte como instrumento;

- Arte-terapia entendida como um meio para fortalecer o ego desenvolvera a identidade e a maturação geral;

JANIE RHYNE: “A ARTE COMO E EM TERAPIA”

- “para Rhyne o valor terapêutico da actividade artística está tanto no processo de criação quanto nas possíveis
reflexões e elaborações posteriores sobre os trabalhos realizados”; (p.29)

- Rhyne defendia uma abordagem Gestáltica no âmbito da arte-terapia, de acordo com a autora “A Experiência de
Arte Gestáltica é dirigida à auto-descoberta, ao crescimento, ao enriquecimento – todas as coisas desejadas pelos
que se engajam no desenvolvimento do seu potencial de forma auto-escolhida e mais ou menos auto-dirigida. A
experiência de arte gestáltica apresenta uso de materiais artísticos, em workshops e ou grupos de longa duração,
geralmente numa atmosfera aberta, em que a exploração descompromissada tem precedência sobre metas
terapeutas óbvias (1978)” (p.31);

- Rhyne promove nas suas experiências de arte-terapia “memórias pessoais, relatos de experiências com arte e
expressão, comentários sobre seus processos internos, como facilitador terapeuta dos processos individuais e
grupais de seus clientes, com suas percepções, fantasias e considerações teóricas sobre esses processos, sem dar
maior destaque a nenhuma das partes desse todo, mas fluindo de um componente ou outro, atenta à gestalt total
dessa interacção” (p.33);

- A autora promove o respeito e a genuína curiosidade pela singularidade individual, o posicionamento


fenomenológico e não interpretativo na leitura dos trabalhos produzidos, a observação e relação tanto com a
linguagem formal quanto a linguagem simbólica, bem como com o processo e com reflexões posteriores sobre o
mesmo – ou seja uma visão integradora da perspectiva gestáltica.

GESTALT-TERAPIA E ARTE TERAPIA GESTÁLTICA: FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS E FILOSÓFICOS

- “A visão existencial afirma a prevalência da existência sobre essência, isto é, afirma que não há essência definitiva
sobre o ser humano a ser descoberta nem conceitos sobre natureza última do ser humano a ser formulados” (p.35)

- Esta perspectiva acentua a capacidade humana de desenhar o seu próprio destino atendendo contudo a factores
externos que condicionam a acção do indivíduo – ou seja, o individuo não pode ser visto apenas como produto de
um meio mas afirmar-se de forma criativa e transformadora;

- De acordo com Sartre o homem tem que se submeter a quarto condenações nascer, morrer, ser social e ser livre. “
Assim, na visão existencial, o ser humano é visto sempre em possível estado de refazer-se e de escolher e organizar
a própria existência criativamente, sendo sujeito da própria história, artista da própria vida”; (p.35)

- Asserções que colocam o homem perante a estética como fundamento da ética;

- “Tanto na arte como na terapia manifesta-se a capacidade humana de perceber, configurar e reconfigurar as suas
relações consigo, com os outros e com o mundo, retirando a experiência humana da corrente rotineira e por vezes
automática do quotidiano, colocando sobre luzes novas estabelecendo novas relações entre seus elementos,
misturando o velho com o novo, o conhecido com o sonhado, o temido com o vislumbrado, trazendo assim novas
integrações, possibilidades e crescimento.” (p.36)

- Premissas que permitem concluir que sob ponto de vista psico-terapêutico, o objectivo de uma terapia de base
existencial será a expansão da consciência no sentido de tornar cada um autor da sua própria transformação;

- Esta expansão de consciência denominada em inglês awarness, é um conceito gestáltico que significa uma
consciencialização não só ao nível mental e cognitivo mas orgânica como um todo a partir do vivido;

- Esta abordagem deve induzir o terapeuta a estimular e facilitar o processo criativo e a expressão artística do
cliente sugerindo experiências e técnicas facilitadores da atribuição de significado às coisas.

A FUNDAMENTAÇÃO FENOMENOLÓGICA

- Etimologicamente a palavra fenomenologia significa o estudo de aquilo que aparece – ou seja, e de acordo como
Husserl o fenómeno não é a realidade em si mas aquilo a que temos acesso e que se manifesta através dos nossos
sentidos ou da nossa consciência;

- De acordo Augras (1986) “ o método fenomenológico propõe caminhos para a compreensão, visando respeitar a
complexidade do real e encontrar o sentido dentro do próprio fenómeno”; (p.38)

- Baseados nestes pressupostos o terapeuta deve adoptar uma postura dinâmica, envolvendo-se existencialmente
para de seguida se distanciar permitindo uma reflexão consciente que permita caracterizar a vivência de forma mais
rigorosa;

- “Nesse sentido o conhecimento de alguns modelos teóricos amplia nosso poder de observação, pois as categorias
do percebido dependem tanto do que é dado a um sujeito a observar, do que lhe é importante observar, como do
que ele sabe observar.” (p.39);

- “Já a gestalt-terapia por ser uma terapia existencial, ou seja, uma abordagem que privilegia a existência, enquanto
como método busca uma conduta aberta ao novo e um olhar na medida do possível desprovido de preconceitos e à
prior na relação com o outro, e baseia-se sobretudo no conhecimento que advêm da relação, da intersubjectividade
– não busca captar essências mas compreender o existir humano” (p.39).

- Gambini citado por Ciornai lista um conjunto de pressuposto comum a todos fenomenólogos: a insatisfação com
os métodos de pesquisa que exijam a adesão a uma definição prévia do que é real antes mesmo de abordá-lo;
- O reconhecimento de que a experiência humana em geral, e o que denominamos por dimensão psíquica
ultrapassa e muito os limites impostos pelos métodos de investigação de cunho naturalista;

- Uma necessidade quase visceral de conservar um frescor do olhar e do pensamento, uma conduta que se define
muito mais pelo desejo de aprender com o mundo do que dominá-lo e enquadrá-lo em categorias predefinidas de
pesquisa e análise;

- O desejo de encontrar um método que preserve a multiplicidade e a especificidade do que será estudo e que
possa ser sensível à sua irredutível singularidade;

- Uma característica marcante na abordagem fenomenológica no trabalho terapêutico é a ênfase no processo – o


terapeuta estará atento à presença e ao comportamento, centrado mais no como do que no porquê. É assim dada
importância ao tom e ritmo da voz, aos gestos, ao olhar, afinal formas de comunicação;

- Esta atitude centra-se na forma “como alguém se move, toca, olha, fala, se comporta, se expressa, se relaciona;
como sente; como pensa”; (p.42)

- “Os terapeutas gestálticos são treinados a perceber suas reacções, os próprios sentimentos, sensações e intuições
em relação ao cliente e aos temas abordados”; (p.43)

- “Assim, tanto Gestalt terapeutas quanto arte terapeutas que trabalham com uma linguagem Gestáltica estarão
não só aprimorando a percepção sobre si como ajudando seus clientes a entrar em contacto com suas sensações e
emoções, e a usá-las como informação sobre si e o que está ocorrendo, acreditando que esse processo pode
conduzir a insigts significativos”; (p.43)

- No campo das artes plásticas, quando estão em causa linhas, formas, cores, composição, etc., o terapeuta tem
necessidade de ter familiaridade e experiência pessoal com as linguagens plásticas para desenvolver um olhar mais
apurado sobre as artes visuais;

- “Um terceiro principio fundamental é a importância de acompanhar o processo de realização de uma criação
plástica, isto é, tanto a evolução e as transformações da obra até que este chegue a constituir-se no que aparece
como produto final, quando o processo de relação do autor com seu trabalho”; (p.44)

A POSTURA DIALÓGICA

- “Para Buber, o dialógico se dá no domínio do entre, e é caracterizado por duas polaridades – eu – tu e eu – isso –
que de acordo com ele são duas atitudes básicas que um ser humano pode assumir em relação a outros no mundos;
A relação eu e tu implica um interesse genuíno no outro como pessoa singular, distinta em sua auteridade, sem com
isso perder de vista nossa inter-humanidade, enquanto na relação eu-isso, como o próprio termo designa
relacionamo-nos com o outro de forma impessoal, objectificada, indiferente à sua personalidade”; (p.45)

- “Yontef (1981), um dos primeiros Gestalt terapeutas a resgatar na década de 1980, a importância do modelo
dialógico para a Gestalt terapia, descreve a relação dialógica como um encontro de duas pessoas em que uma se
deixa impactar e responder à totalidade da outra em que o interesse de ambas é no que acontece entre elas e não
em uma ou em outra, considerando-se 5 condições para que uma relação dessa natureza de estabeleça”; (p.46)

- A primeira será a inclusão (compromisso inter-pessoal), a segunda a presença (aceitação relacional), a terceira o
compromisso com o diálogo (abertura à comunicação), a quarta a experiência vivencial (disponibilidade relacional)
e a quinta a qualidade de não exploração (anti-manipulação);

- Em arte-terapia o diálogo é por isso fundamental para motivar a criação com recurso a conceitos multi-
disciplinares, em vês, de se assumir uma posição predominante, emitindo interpretações e julgamentos sobre os
trabalhos dos seus clientes;

- “Nesse sentido, o olhar de valorização, que curiosidade e interesse do terapeuta eliciarão também a valorização, a
curiosidade e o interesse do cliente por si e pelos próprios trabalhos, potencializando o processo de auto-
descoberta e muitas vezes, de construção de auto-estima, pois frequentemente o cliente chega à terapia com mais
criticas e julgamentos do que com curiosidade sobre si mesmo”; (p.50)
- De acordo com o Juliano “a escuta interessada do terapeuta é curativa por si só, uma vez que consegue, por
espelhamento fazer emergir o interesse da pessoa por si mesma, abrindo espaço para características que estavam
escondidas ou negadas”; (p.50)

A EXPERIÊNCIA SENSORIAL E A IMPORTÂNCIA DO EXPERIMENTO

- “ O conceito de experimento é básico em Gestalt-Terapia. Alicerça-se no que poderíamos chamar de


epistemologia da directa experiência sensorial, ou seja, o entendimento de que informação, conhecimento e
sabedoria não são sinónimos, e que o verdadeiro saber tem de ser aprendido organísmica e experiencialmente”;
(p.50)

- De acordo com Zinker “o experimento é a pedra fundamental da aprendizagem experiencial. Transforma o falar
em fazer, o recordar inócuo e o teorizar em um tornar-se totalmente presente com imaginação, energia e
excitação”; (p.52)

- “O objectivo de um terapeuta a sugerir um experimento é, frequentemente, ajudar a intensificar e a aprofundar o


contacto da pessoa com um tema que esteja sendo emergente, proporcionando-lhe possibilidade de vê-lo e
vivencia-lo de outras perspectivas”; (p.52)

- Em arte terapia gestáltica experimentos que utilizam recursos artísticos e imagéticos;

- A análise de imagens é um exercício fundamental na exploração de cores, formas e movimentos que sensibilizam
cada um de uma forma particular.

PENSAMENTO TERAPÊUTICO EM GESTALT-TERAPIA

- A afinidade da gestalt-terapia com as artes plásticas, as artes dramáticas e a literatura existe desde há muito;

- A gestalt-terapia terá uma relação com a criatividade fundada na existência humana – o indivíduo é entendido
como possível artista de si, alquimista da sua existência;

- Fundada nas teorias sistémicas e holística, assume-se como uma perspectiva psicossocial, promovendo uma visão
do homem como um ser-no-mundo, por sua vez associado ao sistema organismo-meio;

- “Nessa perspectiva, o indivíduo é visto como um ser relacional, em constante processo de devir e intercâmbio
criativo com o meio.” p. 55

- “Mediante os múltiplos e variados contatos que vivência, o indivíduo cresce e se desenvolve, idealmente
assimilando o que o enriquece e nutre e alienando de si o que lhe é nocivo, respondendo às requisições, exigências
e convites do meio num contínuo processo de ajustamento criativo. A totalidade desse processo chama-se auto-
regulação organísmica.” p. 58

- “Ajustamento criativo e contato são conceitos-chave ne Gestalt-terapia, pois implicam não apenas “ajustamento”,
mas “ajustamento criativo” e não só “contato”, mas “contato criativo”. p. 58

- “No funcionamento saudável, no processo de intercâmbio criativo com o ambiente, a energia de uma pessoa flui
livremente, como as ondas do oceano, num eterno processo de formação e destruição de figura-fundo, ou seja, de
figuras da nossa atenção.” p. 62

- A terapia vem facilitar a elaboração interna antes comprometida, libertando-se a energia retida em situações
antigas e inacabadas – potenciando novas possibilidades de relação e experiência do indivíduo consigo próprio, com
os outros e com o mundo.

A LINGUAGEM VISUAL: A PSICOLOGIA DA GESTALT E A CONTRIBUIÇÃO DE RUDOLPH ARNHEIM


- “Os objectos naturais frequentemente possuem forte dinâmica visual, pois suas formas são os indícios das forças
físicas que os criaram […]. A curva altamente dinâmica de uma onda oceânica é o resultado do impulso para o alto
da água que se curva devido à atracção oposta pela gravidade. As marcas da onda na areia molhad devem seus
contornos ondulados ao movimento da água; e nas convexidades expansivas das nuvens e nas elevações e
contornos interrompidos das montanhas, percebe-se imediatamente a natureza das forças mecânicas que os
geraram. As formas tortuosas, torcidas e em expansão dos troncos, ramos, folhas e flores de uma árvore retêm e
repetem os movimentos de crescimento.” Arnheim citado por Ciornai (p. 90);

- “Assim, em arteterapia, muitas vezes é reproduzindo em acção ou em imaginação o movimento do braço ou do


corpo que criou um traço ou um desenho, que o sentido mais profundo do movimento interno do cliente se revela.”
(p. 90)

- “Na abordagem gestáltica em arteterapia, o arteterapeuta estará sempre considerando cada cliente, cada grupo,
como um sistema único e especial, e cada trabalho de arte como uma totalidade em si, não redutível nem à
compreensão de suas partes nem a leituras que não levem em conta o contato vivo e directo com a pessoa que o
criou, sua história, sua subjetividade, sua exigência.” (p. 91)

A experiência gestáltica de arte


e a Arteterapia Gestáltica de Janie Rhyne

- Para Janie a arteterapia gestáltica contitui ”recursos artísticos como uma forma de viajar pelo mundo interior da
consciência” (p. 92)

- “Parece-me que as necessidades de qualquer pessoa predispõem-na a uma percepção seletiva, não apenas no que
percebe, como também em como age.” (p. 92)

- Janie propunha uma estratégia terapêutica através do discurso na primeira pessoa, “Eu sou uma composição de
linhas retas, todas negras mas algumas suaves, claras, outras fortes e intensas (…)” (p. 93)

- No discurso interpretativo há uma certa personificação dos elementos a partir da análise e interpretação pessoais
que é feito deles;

- Ao mesmo tempo encorajava o discurso sobre os trabalhos dos clientes, ao mesmo tempo que afirmava,
“Desencorajo analisar, explicar ou mesmo interpretar imagens, e encorajo a descrição das figuras em termos de
awereness perceptiva da autodescoberta ao criar formas” (p. 94)

Arte em Gestalt-terapia: contributo de Joseph Zinker

- “O motivo pelo qual o desenho ou pintura podem ser “terapêuticos” é que, quando experienciados como
processos, possibilitam ao artista se conhecer como pessoa inteira em um espaço de tempo relativamente curto.
Ele se conscientiza não só de seus movimentos internos em relação à completude da experiência, como também
recebe confirmação visual de tais movimentos dos desenhos que produz.” p. 96

FOTOGRAFIA: RESSIGNIFICANDO A PRÓPRIA HISTÓRIA

- “Em cada transposição, as lembranças emergem trazendo as emoções, as sensações vividas. É o encontro do
passado no presente. A imagem fotográfica contém uma série de informações de um momento passado que,
quando visto, faz que a memória traga à tona um contato mais ampliado com o tempo vivido.” p. 231

- É um objecto que resgata memórias, sujeito a reinterpretações várias, carregado de símbolos, …;

- De algum modo os registos efectuados pelo homem ao longo do tempo carregam esse desejo de perpetuar o
tempo e o espaço vividos;

- “O fragmento da realidade gravado na fotografia representa o congelamento do gesto e da paisagem, e, portanto


a perpetuação de um momento, em outras palavras, da memória: memória do indivíduo, da comunidade, dos
costumes, do fato social, da paisagem urbana, da natureza. A cena registrada na imagem não se repetirá jamais. O
momento vivido, congelado pelo registro fotográfico é irreversível. (Frayse, 1988)” (p. 232)
- A possibilidade do encontro entre o “eu-hoje com o eu-ontem” – exploração de recordações, sentimentos, factos,
…;

- “A fotografia é um meio de conhecimento do passado, mas não reúne em sua imagem o conhecimento definitivo
dele. Esse conhecimento mais amplo viria com a narrativa de cada cliente, com aquilo que podiam e precisavam
revelar.” (p. 233)

- A experiência de uso de fotografias para a reelaboração da história no momento presente, poderá modificá-la
aditando ou retirando elementos participantes na imagem, enfim reelaborá-la - isso permite uma multiplicidade de
cruzamentos que suscitam ao mesmo tempo a emergência de múltiplos momentos.

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