Você está na página 1de 18

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Centro de Ciências Sociais


Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSOR: ANTONIO AUGUSTO PASSOS VIDEIRA


DISCIPLINA: IFC039337 - TÓPICOS DE FILOSOFIA DA CIÊNCIA
HORÁRIO: Segunda-feira, das 12:30h às 15:50h

Programa: O objetivo da disciplina consiste em analisar e discutir alguns aspectos específicos da


filosofia da ciência elaborada por Paul Feyerabend, ao mesmo tempo em que ela procura explicitar
e descrever as influências recebidas por ele, como, por exemplo, Nietzsche e Bohr. Os aspectos
específicos das concepções filosóficas de Feyerabend incluem os seguintes: razão, método, filosofia
da natureza e incomensurabilidade. Esta relação poderá ser ampliada a fim de atender os interesses
dos estudantes inscritos. A bibliografia será organizada a partir de uma seleção, a ser feita no
primeiro dia de aula, entre os capítulos, publicados nos 4 volumes já editados dos Philosophical
Papers do filósofo austríaco. Esses volumes podem ser encontrados na internet. A metodologia do
curso consistirá na apresentação oral, a ser feita pelos participantes do curso, à qual se seguirá uma
discussão livre. A avaliação será realizada a partir dos seminários e da redação de um breve ensaio
sobre um tema vinculado ao autor e que deverá ser escolhido ao longo do curso e em comum acordo
com o professor responsável.
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSORES: DIRCE SOLIS e RAFAEL HADDOCK-LOBO


DISCIPLINA: IFC039333 - TÓPICOS ESPECIAIS DE ESTÉTICA
HORÁRIO: Quarta-feira, das 12:30h às 15:50h

Programa: O curso tomará por base o texto Memórias de Cego de Jacques Derrida surgido a partir
de uma série de exposições inauguradas no Louvre de outubro de 1990 a janeiro de 1991 sob o
título Partis Pris. Derrida, um dos organizadores convidados não-especialistas em arte, mas cujo
trabalho intelectual era bastante significativo para este universo, irá, então, escolher o tema da
cegueira presente em desenhos e pinturas de artistas renomados. Nada mais instigante que deixar
falar através das obras, dos quadros, aquilo que pode ser pensado, sentido, sem ser propriamente
visto. Trata-se de, através das artes “visuais”, trazer o tema que parece estar invertido ou deslocado
– percebendo-se já a desconstrução aí – que é o tema do “não poder ver” com os olhos, não poder
enxergar. Para tanto irão falar os demais sentidos, principalmente o tato e sua relação imediata com
as mãos, o tato eleito pelo velho Demócrito como o sentido mais completo, e tal como irão atestar
algumas das obras pictóricas escolhidas por Derrida. Como afirma o autor: “O tema dos desenhos
de cego é antes de mais a mão. Esta se aventura, precipita-se, é certo, mas desta vez nas vezes da
cabeça, como que para a preceder, prevenir proteger” (DERRIDA, 2010, p. 12).
Um novo olhar sobre a arte que parece derivar de uma situação aporética: o desenho, a pintura que
ali estão para serem vistos, trazendo a relação entre o visível e o invisível, a arte visível retratando
aqueles que não veem de algum modo com o órgão da visão. Não ver com os olhos, entretanto,
significa ver com a alma, ver através da ou de uma ideia, fazendo surgir daí uma relação espectral, o
deslocamento espectral do não ver.

Bibliografia Básica:
DERRIDA, Jacques. Mémoires d’Aveugle, l’autoportrait et autres ruines. Museu do Louvre, 1991.
trad. Fernanda Bernardo Memórias de Cego. O auto-retrato e outras ruínas. Lisboa: Fundação
Calouste Gulbenkian. 2010.

___________________Pensar em não ver - escritos sobre as artes do visível (1979-2004).


Organização de Ginette Michaud, Joana Masó e Javier Bassas. Trad . Marcelo Jacques de Moraes.
Revisão técnica de João Camillo Penna. Florianópolis: Editora UFSC, 2012.

________________La Vérité en peinture .Paris: Éditions Flammarion ,1978.

________________.L’Écriture e la Différence. Paris :Seuil, 1967.

_________________Marges de la Philosophie. Paris: Minuit, 1972 (a)

_________________Positions. Paris: M
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSOR: EDGAR MARQUES e KARLA CHEDIAK


DISCIPLINA: IFC039309 - TEORIA DO CONHECIMENTO I
HORÁRIO: Quinta-feira, das 12:30h às 15:50h

Programa: Trataremos no curso da discussão entre Quine e Davidson acerca da possibilidade de


distinção entre elementos conceituais e elementos empíricos em uma linguagem.

Bibliografia:
Davidson, D. ‘On the Very Idea of a Conceptual Scheme’, in Davidson, Inquiries into Truth and
Interpretation, Oxford: Clarendon Press, 2001.
Davidson, D. Meaning, Truth and Evidence. In: Barrett, R.; Gibson, R. (Org.) Perspectives on
Quine. Cambridge: Blackwell, 1990.
Davidson, D. Subjective, Intersubjective, Objective. Oxford: Oxford University Press. 2001.
Davidson, D., “Truth and meaning”, in Inquiries into truth and interpretation, Oxford University
Press, Oxford, 1984, pp. 17-36.
Davidson, D., “Radical interpretation”, in Inquiries into truth and interpretation, Oxford University
Press, Oxford, 1984, pp. 125-140.
McGinn, M., “The Third Dogma of Empiricism”, Proceedings of the Aristotelian Society, New
Series, Vol. 82, 1981 - 1982, pp. 89-101
Quine, W. V. O. Two dogmas of empiricism. In: QUINE, W. V. O. From a Logical Point of View,
Harvard University Press: Cambridge, Massachusetts, 1953.
Quine, W. V. O. Dois Dogmas do Empirismo. In: Relatividade Ontológica e Outros Ensaios. Trad.
de Oswaldo Porchat de Assis Pereira da Silva. In Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril
Cultural, 1980.
Quine, W. V. O. Epistemologia Naturalizada. In: Relatividade Ontológica e Outros Ensaios. Trad.
de Oswaldo Porchat e Andréa Lopari. In: Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural,
1980.
Quine, W. V. O. Palavra e objeto. Trad. de Sofia Inês A. Stein e Desidério Murcho. Ed. Vozes,
2010.
Quine, W. V. O. On the Very Idea of a Third Dogma. In: Theories and things. Cambridge, MA:
Harvard University
Quine, W.V.O., “Two dogmas of empiricism”, in From a logical point of view,
Wang, X., “On Davidson’s refutation of conceptual schemes and conceptual relativism”, Pacific
Philosophical Quarterly 90, 2009, 140–164
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSOR: FABIANO LEMOS


DISCIPLINA: IFC039334 - FILOSOFIA DA ARTE I
HORÁRIO: Quarta-feira, das 16:00h às 19:20h

Tema: Políticas de gênero na estética moderna alemã

Programa: O curso discutirá o problema da formação e do ultrapassamento das categorias de gênero


nas teorias estéticas desenvolvidas na Alemanha, na passagem do século XVIII para o XIX, com
particular ênfase no Romantismo Alemão. O conceito de gênero será explorado em, sua
ambiguidade (como gênero narrativo - romance, poesia etc. - e como conjunto de relações entre o
feminino e o masculino). Serão apresentadas as figuras-limítrofes desse contexto: a formulação de
uma nova forma de poesia, a luta pela emancipação da escrita feminina, a imagem do autor
andrógino, a procura pela ironia como prática erótica. Por fim, serão levantadas questões
relacionadas à dominação epistemológica da misoginia na construção da estética como disciplina
filosófica e suas consequências políticas - bem como o debate sobre estratégias teórico-políticas
para seu enfrentamento.

Bibliografia:
ARNIM, B., Günderrode, tradução a ser fornecida pelo professor
DESPENTES, V., Teoria King Kong, São Paulo: N-1, 2016.
NOVALIS, Pólen, São Paulo: Iluminuras: 1998.
PRECIADO, P. B., Manifesto contrassexual, São Paulo: N-1, 2015.
SAÉZ, J. & CARRASCOSA, S., Pelo cu: políticas anais, São Paulo: Letramento, 2017.
SCHELLING, C. Correspondência, tradução a ser fornecida pelo professor
SCHLEGEL, F., Lucinde, tradução: Constantino Luz Medeiros, São Paulo: Iluminuras, 2018.
SOLOVIEFF, G., Cinq figures féminines méconnues du Romantisme allemand, Paris: L’Harmattan,
2005.
SPERO, N., "Manifesto feminista" In.: PEDROSA et. al. (org.), História das mulheres, histórias
feministas: Antologia, São Paulo: Masp, 2019.
WHITTLE, R., Gender, Canon and Literary History The Changing Place of Nineteenth-Century
German Women Writers, Berlin/Boston: de Gruyter, 2013.

Obs.1: Outros textos deverão ser acrescentados ao longo do curso.

Obs2.: A plataforma a ser utilizada será o Jitsi. Não é necessário cadastro nem baixar nenhum
programa. O professor entrará em contato e-mail com os inscritos para as informações de acesso.
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSORA: IZABELA BOCAYUVA


DISCIPLINA: FC039292 - TÓPICOS DE FILOSOFIA ANTIGA
HORÁRIO: Terça-feira, das 12:30h às 15:50h

Programa: Leitura e tradução de O Sofista de Platão. Traduziremos três passagens do diálogo onde
é feita a nítida distinção da filosofia em relação aos sofistas (início do diálogo), em relação à
tradição (meio do diálogo) e em relação a Parmênides (parte final).
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSOR: JAMES ARÊAS


DISCIPLINA: IFC039339 - METAFÍSICA I
HORÁRIO: Segunda-feira, das 12:30h às 15:50h

Tema: Gilles Deleuze: Metafísica e Literatura

Programa: Ao longo de sua extensa colaboração Gilles Deleuze e Félix Guattari indicaram a
dimensão metafísica da literatura. A escrita literária que nos faz “ver e ouvir” é investigada sob
diferentes perspectivas como, por exemplo, no 8º Platô de Mil Platôs acerca das novelas e dos
contos. Trata-se, nesse curso, de explorar as condutas temporais das narrativas literárias.

Bibliografia Básica:
DELEUZE, Gilles. Crítica e clínica. Trad. Peter Pál Pelbart. São Paulo: Editora 34, 1997.

____________. O que é a Filosofia? Trad. de Bento Prado Jr. e Alberto Alonso Muñoz. Rio de
Janeiro: Editora 34, 1992.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Kafka - por uma literatura menor. Trad. Júlio Castañon
Guimarães. Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda, 1977.

____________. Mil platôs – capitalismo e esquizofrenia. Trad. Aurélio Guerra Neto et ali. 5 vol.
Rio de Janeiro: Editora 34, 1995-1997.

TADEU, Tomaz (org.) Quatro novelas e um conto. As ficções do platô 8 de Mil platôs, de Deleuze
e Guattari. Trad. Tomaz Tadeu. Belo Horizonte: Autêntica,

Obs.: Será fornecida bibliografia complementar


Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSOR: LUIZ CARLOS


DISCIPLINA: IFC039307 - TÓPICOS DE FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA
HORÁRIO: Quarta-feira, das 12:30h às 15:50h

Programa: O objetivo do curso é dar continuidade a leitura e discussão de textos que tratam de
questões ligadas ao domínio dos "Deep Disagreements".

Bibliografia:
Será fornecida ao longo do curso.
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSOR: MARCELO DE ARAUJO


DISCIPLINA: IFC038330 - ÉTICA I
HORÁRIO: Quinta-feira, das 16:00h às 19:20h

Programa: O objetivo deste curso é examinar a discussão recente sobre ética e mudanças climáticas.
Este não é um curso de introdução ao tema. O curso pressupõe a leitura do livro: Stephen M.
Gardiner, A Perfect Moral Storm: The Ethical Tragedy of Climate Change. Oxford: Oxford
University Press, 2011, 489pp.

Bibliografia Principal:
Broome, John. 2012. Climate Matters: Ethics in a Warming World. New York: W. W. Norton &
Company.

IPCC. 2018. Global Warming of 1.5°C. An IPCC Special Report on the impacts of global warming
of 1.5°C above pre-industrial levels and related global greenhouse gas emission pathways, in the
context of strengthening the global response to the threat of climate change, sustainable
development, and efforts to eradicate poverty. Disponível em: https://www.ipcc.ch/sr15/.

Meyer, Lukas; Pranay, Sanklecha (ed.). 2017. Climate Justice and Historical Emissions.
Cambridge: Cambridge University Press.

Posner, Eric A.; Weisbach. 2010. Climate Change Justice. Princeton: Princeton University Press.

Stephen M. Gardiner, A Perfect Moral Storm: The Ethical Tragedy of Climate Change. Oxford:
Oxford University Press, 2011, 489pp.
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSORES: MÁRCIA GONÇALVES e MARCOS GLEIZER


DISCIPLINA: IFC039343 - TÓPICOS ESPECIAIS DE METAFÍSICA
HORÁRIO: Quarta-feira, das 9:00h às 12:20h

Tema: Metafísica da liberdade: Um diálogo de Schelling com Espinosa.

Programa: O objetivo central do curso é compreender a concepção da liberdade tal como exposta
nas Investigações filosóficas sobre a Essência da Liberdade Humana (Philosophische
Untersuchungen über das Wesen der Menschlichen Freiheit), de Friedrich Schelling (1775-1854).
Em nossa leitura e interpretação desta obra de 1809 pretendemos privilegiar o diálogo de Schelling
com Espinosa, em especial na elucidação das seguintes questões:
1. A questão do panteísmo
2. Liberdade x determinismo; idealismo x realismo
3. O conceito de Deus e sua relação com a Natureza
4. O conceito de espírito (Geist) e a metáfora da luz
5. O problema do mal
6. Vontade, ação e decisão
7. O problema da criação
8. A questão da religiosidade

Bibliografia:
SCHELLING:
SCHELLING, F.W.J. Investigações filosóficas sobre a Essência da Liberdade Humana e os
Assuntos com ela relacionados. Trad. Carlos Morujão, Lisboa: Edições 70, 1993.
SCHELLING, F. W. J. Philosophische Untersuchungen über das Wesen der Menschlichen Freyheit.
In: Sämtliche Werke. Ed. K.F.A. Schelling. Part. I, vol. 7, pp. 331-416. Stuttgart: Cotta, 1856-
61. (Ed. Digital: Total Verlag, 1997).
SCHELLING, F. W. J. Philosophische Untersuchungen über das Wesen der Menschlichen Freyheit.
In: Friedrich Wilhelm Joseph Schelling. Historisch-Kritische Ausgabe. Reihe I: Werke 17.
Hrsg. Von Christoph Binkelmann, Thomas Buchheim, Thomas Frisch und Vicki Müller-
Lüneschhloss. Historisch-Kritische Ausgabe. Frommann-Holzboog. Stuttgart 2018.

ESPINOSA:
ESPINOSA, B. Ética Demonstrada à Maneira dos Geômetras. Trad. Tomaz Tadeu, Belo Horizonte:
Ed. Autêntica, 2008.

BIBLIOGRAFIA Básica Complementar:


AMORA, Kleber: Dinâmica da Natureza, de Deus e da Liberdade em Schelling. In Revista Conatus
– Filosofia de Spinoza – Volume 4 – Número 8 – dezembro 2010, pp. 65-72.
ASSUMPÇÃO, Gabriel Almeida: Liberdade e Ideia. A herança kantiana no jovem Schelling. In:
Outramargem: revista de filosofia. Belo Horizonte, n. 1, 2° semestre de 2014.
DELBOS, V. Le Problème Moral dans la Philosophie de Spinoza et dans l’Histoire du Spinozism.
Travaux et Documents n°3, Paris : PUF, 1990.
FERRAGUTO, Frederico: Filosofia da arte e arte de filosofar. Arte, linguagem e religião em Fichte
e Schelling (1807-1812). In: Kriterion, Belo Horizonte, n. 132, dez/2015, p. 473-494.
GLEIZER, M.A. Lições Introdutórias à Ética de Espinosa. Rio de Janeiro: Ed. Viavérita, 2014.
GONÇALVES, M. C. F. A Fundamentação do problema da liberdade sobre os princípios da
filosofia da natureza de Schelling. Analytica, Rio de Janeiro, vol. 15 n° 1, 2011, p. 91-108.
MORUJÃO, Carlos: Schelling e o problema da Individuação (1792-1809). Imprensa Nacional –
Casa da Moeda. Lisboa, 2004.
FÖRSTER, Eckart & MELAMED, Yitzhak Y.(eds). Spinoza and German idealism. Cambridge
University Press, New York 2012.

Obs.: Uma bibliografia mais extensa será oferecida no início do curso.


Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSORES: MARCO CASANOVA e PAULO GIL


DISCIPLINA: IFC039347 - TÓPICOS DE FILOSOFIA DA NATUREZA
HORÁRIO: Segunda-feira, das 12:30h às 15:50h

Programa: O progresso técnico-científico ainda se apresenta, em grande medida, no interior de uma


teleologia que carrega a promessa de um progresso da própria vida humana, quiçá, de um progresso
da vida em geral. Todavia, bem-estar, felicidade, abundância, longevidade, qualidade-de-vida,
aumento do tempo livre, preservação da natureza e tudo aquilo que diz respeito à sonhada
progressão infinita do IDH tem convivido com uma devastadora e desigual sociedade de consumo,
com uma medicina cada vez mais invasiva, com pandemias, inclusive e principalmente, de ordem
psíquica, com a crise climática, com sistemas cada vez mais sofisticados de controle e vigilância
que atentam contra a privacidade, com a disponibilidade ininterrupta para o trabalho por meio de
dispositivos tecnológicos; assim como, com o esgotamento, com uma espécie de transe que nos
torna muitas vezes suscetíveis a qualquer apelo identitário, mesmo que essa identidade salvadora
esteja exatamente na redentora tecnificação do corpo humano, outra das promessas dos apologistas
do progresso tecnológico da qual devemos suspeitar. Agora bem, será possível eliminar essas
contradições como se elas não tivessem nada a ver com a própria formulação do projeto teleológico
da Modernidade? O curso pretende, portanto, investigar o modo como o processo de consolidação
da hegemonia epistêmica da tecnociência se articula intimamente com essa série de controvérsias a
respeito de nossa relação com a natureza e como isso se articula com a questão de nossa própria
autointerpretação. Dito de outra maneira, a primazia do discurso tecnológico não se reduz às
alterações no terreno da especulação e da pesquisa científicas, mas implica inauditas transformações
no nosso modo de existência. Por exemplo, o predomínio da racionalidade instrumental parece ter
enfim colocado os seres humanos e a natureza a seu serviço, o que inviabiliza uma antiga
concepção de meios e fins, na qual nós nos concebíamos como sujeitos. Vivenciamos a época em
que essa racionalidade se autonomiza como vontade autoposicionada, de tal maneira que aquelas
instituições outrora reconhecidas como fenômenos históricos relacionados ao cuidado de si do ser
humano passam a ser geridas em virtude da perpetuação dessa própria forma de racionalidade.
Várias são as consequências nefastas dessa autonomização, uma delas é a severa restrição de nosso
horizonte de intenções de relação com a natureza, em outras palavras, a quase impossibilidade de
uma relação com a natureza que não esteja mediada por alguma modalidade de tecnologia. Outra
consequência decisiva, que cumpre investigarmos, revela-se na debilitação do humanismo
tradicional como suporte teórico para nossos projetos de autointerpretação. Para além do
saudosismo humanista, ou da celebração do fim dessa invenção “ser humano”, ou mesmo do
entusiasmo tecnófilo com o pós-humanismo, o transhumanismo, o meta-humanismo etc., a questão
que ainda precisa ser colocada é sobre em que medida importa conquistarmos para nós uma
especificidade enquanto o ente que somos. Por fim, não podemos deixar de pensar o problema da
supremacia da tecnociência também em nosso modo de organização social, na medida em que
temos observado uma diluição da política na administração tecnocrática da sociedade. [[advertência
de Benjamin sobre a velocidade da técnica dad qual também vai falar Stiegler]] Convém enfatizar,
entretanto, que todo esse conjunto de problemas aparecerá não de maneira aleatória e ensaística,
mas articulado rigorosamente a uma análise conceitual que possui no diagnóstico heideggeriano
sobre a técnica moderna seu ponto nodal, a partir do qual abordaremos os desdobramentos mais
atuais.
Bibliografia Primária
HABERMAS, Jürgen. O futuro da natureza humana: a caminho de uma eugenia liberal? São Paulo:
Martins Fontes, 2004.
HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.
HEIDEGGER, Martin. Ensaios e conferências. Petrópolis: Vozes, 2003.
_______. Caminhos da Floresta. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1998.
_______. Marcas do Caminho. Petrópolis: Vozes, 2011.
_______. Gesamtausgabe. [Obras Completas] Frankfurt am Main: Vittorio Klostermann.
IHDE, Don. Postphenomenology and technoscience. New York: SUNY, 2009.
JONAS, Hans. O princípio responsabilidade. Rio de Janeiro: Contraponto, 2007.
SLOTERDIJK, Peter. Regras para o parque humano: uma resposta à carta de Heidegger sobre o
humanismo. São Paulo: Estação Liberdade, 2000.
STIEGLER, Bernard. La técnica y el tiempo (2 vols.). Hondarribia: Cultura Libre, 2002.

Bibliografia Secundária
ANDERS, Günther. La obsolescencia del hombre (2 vols.). Valência: Pre-Textos, 2011.
HAUSKELLER, Michael. Better Humans? Understanding the enhancement project. Durham:
Acumen, 2013.
HUSSERL, Edmund. A crise das ciências europeias e a fenomenologia transcendental. Rio de
Janeiro: Forense Universitária, 2012.
KURZWEIL, Ray. The singularity is near: when humans transcend biology. New York: Viking
Penguin, 2005.
LATOUR, Bruno. Nous n'avons jamais été modernes. Essai d'anthropologie symétrique. Paris: La
Découverte, 2006.
LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. O futuro do pensamento na era da informática. São
Paulo: Editora 34, 2004.
SIMONDON, Gilbert. Sur la technique. Paris: Presses Universitaires de France, 2014.
SORGNER, Stefan Lorenz. Nietzsche, the overhuman and transhumanism. Journal of evolution and
technology, v. 20, n. 1, pp. 29-42, March 2009.
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSORA: MARIA HELENA LISBOA


DISCIPLINA: IFC039336 - QUESTÕES DE FILOSOFIA DA ARTE
HORÁRIO: Terça-feira, das 16:00h às 19:20h

Programa: Máscaras e Paródias: “O que esconde a máscara?” Do Dioniso-Zagreu da Grécia Arcaica


ao Dioniso-Crucificado de Nietzsche.

Bibliografia:

1) Détienne, M./Vernant, J.P. Les ruses de l'intélligence (la métis des grecs). Paris: Flammarion,
1974.

2) Idem, Dioniso a céu aberto. RJ: Zahar, 1988.

3) Franco Ferraz, M. C. Nietzsche, o bufão dos deuses. RJ: Relume Dumará, 1994.

4) Lichtenstein. J. A cor eloqüente. SP: Siciliano, 1994.

5) Nietzsche, F. Além do bem e do mal. SP: Companhia das Letras, 1992.

6) Idem, Ecce homo. SP: Max Limonad, 1986.


Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSORES: REGINA SCHÖPKE, CAMILA JOURDAN e RODRIGO GUÉRON


DISCIPLINA: IFC039308 - TÓPICOS ESPECIAIS DE FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA
HORÁRIO: Sexta-feira, das 12:30h às 15:50h

Programa: Sem dúvida, o desmoronamento da metafísica tradicional, com a crítica da razão, da


moral e da verdade empreendidas pela filosofia nietzschiana, continua ressoando e está na base das
grandes transformações do espírito humano nos dois últimos séculos, tendo em Deleuze um grande
aliado no que diz respeito à mudança radical da forma como enxergamos o humano. Para o bem e
para o mal, vivemos hoje imersos em um mundo sem parâmetros muito definidos, múltiplo, plural,
que está levando à falência as ideias de hierarquia e de superioridade que constituíram desde sempre
o humano, servindo de argumento para toda forma de exploração e escravidão de vidas. É a partir
desta reflexão que tentaremos entender de que maneira se tornou possível hoje uma ampliação da
luta contra esta forma-homem opressora, tentando ir além do sonho megalômano humano do grande
senhor da natureza e do universo para recolocá-lo no mundo, na vida, como parte do ser e não como
um ser à parte. Estritamente falando, desejamos problematizar a respeito da construção da forma-
homem opressora, em seus mais diversos âmbitos, desde o mais geral, a opressão que serve a todos
(a dos animais, por exemplo, subjugados e explorados desde sempre pela humanidade, que insiste
em negar a eles qualquer direito à liberdade e à vida), até às lutas humanas seculares, onde
opressores e oprimidos estão sempre em confronto, embora nem sempre com absoluta consciência
de seus papéis e funções - o que não impede que as marcas da exploração e a invizibilização dos
próprios explorados ditem os rumos da vida humana. Da exploração das vidas, humana e animal,
até a problemática do fascismo em nosso tempo, estes são os temas primordiais do curso, que
contará com a colaboração da Prof. Camila Jourdan e do Prof. Rodrigo Guéron.
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSOR: ROGÉRIO DA COSTA


DISCIPLINA: IFC039340 - METAFÍSICA II
HORÁRIO: Segunda-feira, das 12:30h às 15:50h

Tema: MIRCEA ELIADE, L'Épreuve du Labyrinthe

Programa: MIRCEA ELIADE, L'Épreuve du Labyrinthe, p.163

''Um historiador das religiões, quaisquer que sejam suas opiniões, considera, com efeito, que seu
dever primordial é capturar o significado original de um fenômeno sagrado e interpretar a sua
história.''

O fato primordial da História das Religiões, segundo o grande estudioso das religiões
romeno Mircea Eliade, é a existência universal daquilo que ele usou denominar de hierofania, isto é,
a manifestação do sagrado. As hierofanias podem estar relacionadas a realidades tão comuns como
uma pedra ou uma árvore ou a acontecimentos grandiosos, como a Encarnação e descida de Deus
no mundo. Seja qual for o objeto em que a hierofania acontece, ele torna-se outro sem jamais deixar
de ser ele mesmo. Uma pedra sagrada ainda é pedra, embora manifeste algo para muito além dela
mesma. Para o homem religioso - ao qual Eliade também chama de homem arcaico -, o Cosmos
inteiro pode ser ocasião de hierofanias.
Contudo, o que é o sagrado? Segundo Eliade, a hierofania é a manifestação do poder, do Ser,
em uma palavra, da realidade. O sagrado é a manifestação da realidade na sua forma mais própria, é
uma saturação de Ser. Por conseguinte, o profano, o não-sagrado, é aquilo que não é o real em si
mesmo, é o deficitário de Ser, é, de certa forma, o não-Ser. Assim, para o homem religioso, viver no
sagrado é propriamente viver na realidade. Por causa da hierofania, o espaço do homem religioso
não é um espaço homogêneo, contínuo e linear. Ao contrário, no espaço do homem religioso há
rupturas e desníveis. Nele há o lugar sagrado. O lugar sagrado marca a hierofania e esta marca a
revelação do eixo do mundo, o ponto fixo, aquilo que é realíssimo e que a tudo sustenta.
O desejo do homem religioso é viver o mais que pode no real e no eficiente, isto é, no
sagrado. Por essa razão, o mundo – o Cosmos - está onde há o sagrado e tudo o que está para além
do mundo é o caos, o estrangeiro, o larvar, o inimigo. A "nostalgia das origens'' é uma expressão da
necessidade do homem religioso de retornar sempre ao Ser, de recolocar-se periódica e
constantemente na fonte geradora última de tudo o que há. Só se é plenamente homem quando se
imita os feitos dos deuses ou dos heróis. Os relatos míticos fornecem o repertório de ações e de
realizações que serão os modelos de toda ação e de toda realização plenamente humanas. O mundo
arcaico, de acordo com Eliade, nada sabe a respeito de atividades profanas. Todos os atos possuem
significado definido – a caça, a pesca, a agricultura – de algum modo participam do sagrado.
Tudo o que é sagrado tem um modelo extra-humano. As únicas atividades profanas são
aquelas que não possuem qualquer significado mítico, isto é, que carecem de modelos exemplares.
No mundo religioso, qualquer atividade responsável em busca de um propósito definido é um ritual.
Um objeto ou um ato somente torna-se real se serve para imitar ou repetir um arquétipo. A realidade
é alcançada somente na repetição e na imitação. O que não tem arquétipo não é real.
O objetivo do curso é fornecer ao aluno uma introdução ao pensamento de Mircea Eliade
sobre a natureza do sagrado e do profano, bem como os significados simbólicos e existenciais dos
ritos, doutrinas e práticas ascéticas das diversas tradições religiosas e espirituais.

Bibliografia Básica:
A bibliografia será fornecida pelo professor na primeira aula.
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSOR: ULYSSES PINHEIRO


DISCIPLINA: IFC039329 - ESTÉTICA I
HORÁRIO: Quinta-feira, das 16:00h às 19:20h

Programa: O curso consistirá no exame da obra Origem do drama trágico alemão, de Walter
Benjamin, a qual tem como foco principal a determinação do significado do barroco, tanto no
âmbito da crítica de arte e da teologia quanto no da política. Será dada uma importância especial à
breve menção a G.W. Leibniz feita no “Prólogo epistemológico-crítico” dessa obra, tomando tal
menção como o fio condutor para a compreensão das principais teses do livro. Dentre essas teses, a
que trata da caracterização da tragédia através da distinção entre a tragédia “antiga” e a “moderna”
será o exemplo privilegiado para se entender o modo como Leibniz pode esclarecer as ideias de
Benjamin sobre o barroco.

Bibliografia:
Uma bibliografia secundária será fornecida no primeiro dia de aula.

BENJAMIN, Walter. Ursprung des deutschen Trauerspiels. In: Walter Benjamin Abhandlungen.
Gesammelte Schriften. Band I.1. Frankfurt am Main: Suhrkamp Verlag, 1974, p. 203-430.
______. Origem do drama trágico alemão. Tradução de João Barrento. Belo Horizonte: Autêntica
Editora, 2013.
LEIBNIZ, G. W. Discours de métaphysique suivi de Monadologie. Édition et notes par Michel
Fichant. Paris: Gallimard, 2004.
______. Principes de la Nature et de la Grace fondés en raison. Principes de la Philosophie ou
Monadologie. Edição de André Robinet. Paris: PUF, 1954, pp. 1-23.
______. Discurso de Metafísica e Monadologia. In: Leibniz/Newton - Os Pensadores. São Paulo:
Abril Cultural, 1983.
DELEUZE, Gilles. Le pli. Leibniz et le baroque. Paris: Les Éditions de Minuit, 1988.
______. A dobra. Leibniz e o barroco. Campinas: Papirus, 1991.
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

PROFESSORA: VERA PORTOCARRERO


DISCIPLINA: IFC039319 - QUESTÕES DE ÉTICA
HORÁRIO: Quarta-feira, das 16:00h às 19:20h

Programa: Será desenvolvida uma análise crítica do projeto genealógico de elaboração de um


diagnóstico do presente, realizado por Michel Foucault, através de um recuo histórico ao
pensamento greco-romano, com ênfase no curso Le Courage de la vérité. Le gouvernement de soi et
des autres II. Cours au Collège de France, 1984. Paris, Éditions de l'École des Hautes Études en
Sciences Sociales, Gallimard, Éditions du Seuil, coll. « Hautes Etudes », 2009. A questão
privilegiada será o vínculo entre as noções de práticas de si, dizer-verdadeiro e práticas sociais,
estabelecido no pensamento tardio de Foucault, a partir do qual afirma sua hipótese do surgimento,
no pensamento greco-romano, de uma nova ética da relação verbal com o outro.

Bibliografia Básica:
FOUCAULT, M. Discourse and truth: The problematization of Parrhesia. Six lectures given by
Michel Foucault at Berkeley, Oct.-Nov. 1983. www.foucault-info./ Michel Foucault. Fearless
Speech. Editado por Joseph Pearson. Los Angeles: Semiotext (e), 2001. / Michel Foucault.
Discurso y verdad en la antigua Grécia. Trad. Espanhola. Barcelona; Buenos Aires; México:
Ediciones Paidós, 2004.

____. História da Sexualidade 3. O cuidado de si. Tradução brasileira. Rio de Janeiro: Graal, 1985.

____. A Hermenêutica do sujeito. Edição estabelecida sob a direção de François Ewald e


Alessandro Fontana, por Frédéric Gros. Tradução de Marcio Alves da Fonseca e Salma Tannus
Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2004. (Aula de 27 de janeiro de 1982).

____. Le Courage de la vérité. Le gouvernement de soi et des autres II. Cours au Collège de France,
1984. Paris, Éditions de l'École des Hautes Études en Sciences Sociales, Gallimard, Éditions du
Seuil, coll. « Hautes Etudes », 2009.

Obs. os livros citados têm tradução para o português