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Teoria da educação

Conceito e pressupostos teóricos:


Definido o que aprender (e ensinar) – a abrangência de conhecimentos, habilidades, atitudes,
capacidades, competências que o aluno deve saber, saber fazer ou querer ser ou fazer, emerge a
necessidade de organizar como esses conteúdos serão aprendidos (e ensinados).
Parafraseando Bôtner (1886), a teoria da educação é um sistema do saber generalizado sobre a
essência e o processo do desenvolvimento do homem, através de uma atividade consciente e
activamente para a realização dos ideais científicos.
- Examina e caracteriza opiniões cientificas sobre objetivos, conteúdos e princípios, os métodos
e a organização do processo educativo.
- Relaciona os factores objetivos e subjectivos do desenvolvimento da personalidade, no
processo educativo entre formação e educação, entre educação e ensino e entre educação e auto-
educação.
A teoria da educação está ligada inseparavelmente com a prática da educação. É a base e o
critério da teoria. Está dirigida para desenvolver e aperfeiçoar mais a prática educativa.
A metodologia da educação é um elemento importante da teoria da educação, experiências da
prática educativa, enriquecem a teoria.
No centro da teoria da educação ficam experiencias cientificas sobre a formação e o
desenvolvimento conseqüente e metódico de atitudes, convicções, idéias, idéias morais de valor,
qualidades de carácter, maneiras de comportamento e hábitos.
A educação nasceu e desenvolveu-se com o desenvolvimento da sociedade. Daí que, tem que
cumprir uma função social geral: a preparação das crianças para a vida, para o papel das relações
historicamente determinadas. Isto é, maneiras de comportamento, saber e experiências, aptidões, ideias
e normas que têm que ser transmitidas de geração a geração, por isso, a educação é uma atividade
humana especifica.
A função social concreto-histórica da educação só se pode explicar cientificamente da análise
objectiva das relações sociais, do modo de produção material das idéias.
A teoria da educação é a essência do processo educativo. Existem diversas teorias da educação.
As teorias da educação expressam tudo aquilo que se deve aprender, desde matérias clássicas, com seus
conceitos, princípios, enunciados e teoremas, para abarcar tudo o que possibilita o desenvolvimento das
capacidades e habilidades motoras, efectivas, de relação interpessoal e de interacção social.
As teorias indicam formas de organizar e seqüenciar conteúdos educacionais. São uma base
unificadora de representações, princípios gerais orientadores, pois os conceitos assumem significados
diferentes em contextos diferentes.
De acordo com Filatro & Cairo (2016), fundamenta-se em:

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a) O que se deve saber – conteúdos conceituais (conhecimentos). São conhecimentos
relacionados à dimensão cognitiva ou ao saber propriamente. Incluem factos como informações
isoladas e não articuladas, tais como, datas, nomes, localidades e códigos. Conceitos - objetos
concretos ou abstractos, acontecimentos e símbolos com algumas características comuns;
correspondem a uma representação mental e são identificados por um único nome. Princípios –
enunciados que descrevem como as mudanças que ocorrem em um conjunto de objetos,
acontecimentos, situações ou símbolos se relacionam com as modificações que ocorrem em
outros conjuntos de princípios.
b) O que se deve saber fazer – conteúdos procedimentais (habilidades). Relacionados à aplicação
produtiva do conhecimento, correspondem à dimensão operacional e psicomotora, quanto ao
saber fazer são ligados à motricidade (como saltar, recortar e desenhar) ou à cognição (como
ler, inferir e traduzir). Aqui incluem-se regras, técnicas, métodos e procedimentos, normas de
acção, critérios e protocolo que são directivos.
c) O que se deve saber ser – conteúdos atitudinais (atitudes). São aspectos sociais e afectivos,
dizem respeito a sentimentos ou predisposições individuais que determinam a conduta de uma
pessoa em relação aos outros, ao trabalho ou a situações de vida, é a dimensão do saber
ser/conviver. Incluem atitudes propriamente ditas (predisposições estáveis e consistentes sobre
como agir). Valores – princípios ou idéias éticas que regulam o comportamento das pessoas em
qualquer momento ou situação e lhes permitem emitir juízo sobre certas condutas, exemplo a
solidariedade, respeito ao próximo, responsabilidade). Normas – padrões ou regras de
comportamento que todos os membros de um grupo devem seguir.

Para Filatro & Cairo (2016:31-33), existem duas teorias:


A. A teoria de elaboração – desenvolvida por Charles Reigeluth e associados ao trabalho de
Bruner (currículo em espiral) e Ausubel (diferenciação progressiva). Essa teoria pressupõe que
os conteúdos devem ser organizados dos mais familiares para os menos familiares, das formas
mais elementares de um procedimento para as mais complexas. Trata-se do método da
simplificação de condições, desenvolvido a partir dessa teoria, divide-se em: 1. Epitomização
(sumário): definição mais simples do conteúdo a ser estudado, mas que ainda congrega os
aspectos mais fundamentais e representativos do tema global. 2. Elaboração (desenvolvimento):
apresentação de camadas sucessivas de complexidade a respeito do mesmo tópico de estudo.
Assim, a teoria de elaboração é uma contribuição bastante importante, porque fornece por meio
dos epitomes, dos níveis de elaboração e das seqüencias propostas, uma espécie de mapas ou
pontos de referência que minimizam o risco dos alunos se perderem no hiperespaço, conferindo-
lhe o necessário grau de estruturação. Permite responder a desafios importantes no
planejamento e na oferta de conteúdos educacionais, no que tange a questões de granularidade e

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combinação. Confere plasticidade que viabiliza ajustes ou mudanças em curto período do
tempo, a um custo razoável.
B. Teoria da flexibilidade cognitiva - é uma teoria construtiva do ensino e aprendizagem,
desenvolvida por Rand Spiro e colaboradores. Tem a ver com aquisição de conhecimentos de
nível avançado, em domínios complexos e pouco estruturados. Segundo essa teoria, a
apresentação seqüencial de conteúdos não gera problemas quando a informação tratada é
simples e bem estruturada, ou na fase inicial de aprendizagem de conceitos e teorias básicos.
Propõe a apresentação dos conteúdos em diversas formas e aplicados a diferentes situações, por
meio de vários casos e exemplos, de modo que o aluno possa aprender o problema como um
todo, identificando a complexidade presente entre idéias que se inter-relacionam. Considera-se
de flexibilidade cognitiva como a capacidade de uma pessoa reestruturar seus conhecimentos
para resolver uma situação ou um problema novo. Ela sugere sete princípios: 1. Demonstrar a
complexidade e a irregularidade, evidenciando situações que parecem semelhantes, mas,
quando analisada, revelam-se diferentes. 2. Utilizar múltiplas representações do conhecimento,
em diferentes contextos. Centrar a exploração do currículo em estudos de casos. 4. Enfatizar o
conhecimento aplicado a situações concretas em vez do conhecimento abstracto. 5.
Proporcionar a construção de esquemas flexíveis pela apresentação de situações às quais
determinados conceitos se aplicam. 6. Evidenciar múltiplas conexões entre conceitos e
minicasos (as chamadas “travessias temáticas”), evitando a compartimentalização do
conhecimento. 7. Estimular a participação activa do aluno por meio de orientação especializada
preparada por especialistas no assunto, proporcionando uma visão multifacetada.

Para Filatro & Cairo (2016), na disposição e interacção entre disciplinas propõe o modelo de
Jantsch:
i - A multidisciplinaridade – sistema de um só nível de objetivos múltiplos, sem cooperação.
Justaposição de disciplinas que coexistem lado a lado em torno de um mesmo tema ou problema. Aqui o
grau ou a relação entre profissionais representantes de cada área no plano técnico ou científico inexiste
ou é baixíssima, exemplo funcionamento isolado de diferentes unidades dentro da mesma universidade.
ii- A pluridisciplinaridade – sistema de um só nível e de objetivos múltiplos: Cooperação sem
coordenação. Efectivo relacionamento entre disciplinas, havendo coordenação por parte de umas delas
ou por um elemento externo. São estabelecidos objetivos comuns, que impulsionam estratégias de
cooperação para atingi-los. Prevalece a idéia de complementaridade, em que uma área preenche
eventuais lacunas de outra. Exemplo, uma mesa redonda constituída de especialistas convidados a
debater um tema específico.
iii - A interdisciplinaridade – sistema de dois níveis e de objetivos múltiplos: cooperação
procedendo de nível superior. Distingue-se por relações menos verticais entre disciplinas, que operam

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sob conceitos comuns e se empenham em esclarecer às demais o jargão próprio de cada área. Exemplo
saúde mental – resulta da convergência entre psiquiatria, psicologia, psicanálise, sociologia e saúde
colectiva.
iv - A transdisciplinaridade – sistema de níveis e de objetivos múltiplos: coordenação com
vistas a uma finalidade comum. Segundo a concepção de Jean Piaget (1972) – etapa superior, em que os
conhecimentos se dariam sem fronteiras disciplinares.

Objetivos educacionais e competências


Segundo Filatro & Cairo (2016) existem duas tipologias sobre objetivos educacionais:
a) A tipologia de conteúdos educacionais de Zabala;
b) Tipologia de taxonomia de objetivos de Blomm (categoriza aprendizagem em três domínios:
cognitivo – conhecimentos e habilidades intelectuais; Psicomotor – habilidades motoras e
afectivo – interesses e atitudes).
As tipologias ora apresentadas, é possível traçar um paralelo próximo com a noção de
competências, as quais podem ser entendidas, como a mobilização de conhecimentos, habilidades e
atitudes. Quer dizer, aprende-se para a vida, para o mundo, para sociedade, e não para a escola ou para a
universidade.
A questão dos objetivos educacionais vem da área da psicologia educacional que advoga que a
efectividade da aprendizagem aumenta quando o estudo é guiado por objetivos claros e precisos.
Um objetivo educacional é a descrição de um resultado que se deseja que os alunos sejam capazes de
exibir ao final de uma situação didáctica.
Consistem em especificar claramente quais os resultados esperados. A seguir são definidas as
estratégias para alcançá-los e, em seguida, avalia-se se os objetivos propostos foram realmente
atingidos.

Os objectivos educacionais são classificados conforme o grau de abrangência:


a) Gerais – estabelecem o propósito de um programa, um curso, uma disciplina ou uma unidade de
estudo e, por isso, são mais complexos, alcançáveis a médio e longo prazo, são ligados à
organização curricular do que ao planejamento das unidades.
b) Específicos – são de alcance em espaços de tempo mais curtos, são realistas ao que se espera em
uma unidade de estudo ou uma atividade de aprendizagem. São mais simples, diretos e
concretos. Quando estabelecidos de forma coerente e complementar, possibilitam o alcance dos
objetivos gerais.
Uma das questões mais presentes na discussão sobre objetivos educacionais é como descrever a
conduta desejada para o aluno. Em termos pontuais, a recomendação é que o objectivo seja

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composto por um verbo de acção no infinitivo, seguido daquilo que o aluno deverá saber (domínio
cognitivo), fazer (domínio psicomotor) ou ser (domínio afectivo)

Referências bibliográficas
Filatro, A. & Cairo, S. (2016). Produção de conteúdos educacionais. São Paulo: Saraiva.
Bôtnaer, H. (1986). Teoria de Educação Comunista. In WITTE, K. (Org.). Compêndio de Pedagogia.

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