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Universidade católica de Moçambique

Extensão de Guruè

Trabalho do 3º grupo

Tema: Da Coesão Social a Participação Democrática

Docente: Prof. Dr. Alberto B. Domingos Estudantes:

1. José António Malivija

2. Chanito José Nhamaele

3. Sandra Marcela António

4. Nelson J. António

5. Maria R.A.A. Caundane

Curso: Mestrado em Psicopedagogia/GAE

Disciplina: Teorias da Educação

Ano de Frequência: 1º

Gurue , Julho 2020

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Índice

Conteúdo………………………………………………………………………………..pagina
Introdução ............................................................................................................................. 3

1.Da coesão social à participação democrática....................................................................... 4

1.1. A diferença entre a sociedade moderna e tradicional ....................................................... 4

2. Factores da coesão social................................................................................................... 5

3. Precursores da coesão social .............................................................................................. 5

4. A Democracia ................................................................................................................... 5

4.1. Tipos de democracia. ...................................................................................................... 6

4.1.2. Democracia representativa ........................................................................................... 6

4.1.3. Democracia participativa ............................................................................................. 7

5. Da coesão social à participação democrática...................................................................... 7

6. Uma educação a prova da crise das relações sociais........................................................... 8

7. Educação e a luta contra as exclusões . .............................................................................. 8

8.Uma educação dinâmica social ........................................................................................... 9

9. Participação democrática ................................................................................................. 10

10. Os pilares da educação .................................................................................................. 12

10.1. Aprender a conhecer ................................................................................................... 13

10.2. Aprender a fazer ......................................................................................................... 14

10.3. Aprender a viver com os outros .................................................................................. 14

10. 4. Aprender a ser ........................................................................................................... 15

11. Considerações finais ...................................................................................................... 16

Referências Bibliográficas................................................................................................... 17

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Introdução

A educação hoje possui novos desafios: contribuir para o desenvolvimento, ajudar a entender
e dominar a globalização, favorecer a coesão social. Os professores possuem um papel
dominante na formação de atitudes positivas perante o estudo. Ele deve despertar a
curiosidade, desenvolver a autonomia, estimular o rigor intelectual e criar condições para o
sucesso da educação formal e da educação permanente.
Entretanto, para que esse maravilhoso sonho se transforme em realidade é preciso que haja
uma coesão social.
No entanto, pretende-se com esse trabalho se abordar assuntos que tem a ver com a coesão
social que é vista como chave principal para a participação democrática. É de inteira
compreensibilidade que, se não há união e comungação de ideias no seio da sociedade, não
haverá nenhum desenvolvimento. Pois, cada um lutará para sua parte.
Lembrar que é somente nessa coesão social em que um povo poderá efusivamente participar
democraticamente na tomada de certas decisões para o desenvolvimento do seu pais.
Além disso, há que salientar que a escola possui um papel ambicioso no desenvolvimento dos
indivíduos e das sociedades. Futuramente os indivíduos e poderes públicos considerarão a
busca do conhecimento como um fim em si mesmo. Assim, espera-se muito dos professores,
muito lhes será exigido, pois boa parte desta realização depende deles. A contribuição dos
professores aos jovens os faz encarar o futuro com confiança e até a construí-lo por si
mesmos, de maneira determinada e responsável.
O que deve-se perceber é que, o professor é um agente de mudança, que favorece a
compreensão mútua e a tolerância. Os nacionalismos mesquinhos devem dar lugar ao
universalismo, os preconceitos éticos e culturais à tolerância, compreensão e pluralismo, o
totalitarismo à democracia e um mundo tecnologicamente unido. Assim, pode-se entender
que são enormes as responsabilidades do professor, a quem cabe formar o carácter e o
espírito de união e solidariedade, onde cada um sabe das suas responsabilidades no seio da
sua comunidade, localidade, distrito até a nação.
Entenda-se que muitas das vezes a falta de participação democrática é influenciada por uma
má percepção na interpretação de algumas políticas governativas que, de certo modo criam
uma grave desintegração nos indivíduos. Por um lado, o analfabetismo joga um grande papel
nessa falta de coesão, visto que por não entender sobre o contexto, a pessoa acaba se
perdendo na defesa de mesquinhices, como é o caso de tribalismo, etnicidade, aspectos sócio-
políticos, partidários e muito mais

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1. Da coesão social à participação democrática.

Logo a prior, antes de se aprofundar com as abordagens desse tema, há toda necessidade de
darmos o conceito de algumas terminologias que nos parecem importantes ao longo do
trabalho para o seu conhecimento e compreensão. Portanto, caso contrário a isso, deixaríamos
os indivíduos dúbios.

 “Coesão é o grau em que os indivíduos que participam de um sistema social se


identificam com ele e se sentem obrigados a apoiá-lo, especialmente no que diz
respeito a normas, valores, crenças e estrutura.” JOHNSON, (1997, p.41).

Se o autor refere-se da participação de indivíduos num sistema social e ao seu devido apoio,
então estaríamos numa coesão social, cujo este termo também nos importará a sua definição.

 A coesão social é o que mantém um grupo social unido e operando de forma


constante dentro da sociedade, sendo este maior ou menor. Ela tem a ver com a
identidade que um grupo é capaz de criar e reproduzir para si e para os outros, e
também tem a ver, então, com suas normas e valores, que o caracterizam.

Uma das questões que também merece realce é a diferença que existe entre sociedade
moderna e a tradicional.

1.1. A diferença entre a sociedade moderna e tradicional

Devido a certos interesses de cada época que, naturalmente não são iguais, há sempre uma
diferença entre a sociedade moderna e tradicional. Por exemplo, a sociedade tradicional se
unia em crenças típicas do contexto, para fins de caça e colecção de alimentos, para
actividades de noma1, etc.

Entretanto, para a sociedade actual a pirâmide se encontra invertida no sentido em que os


interesses são totalmente diferentes. Nota-se que as coesões actuais podem ser virtuais ou
mesmo presenciais, de índole académica ou politica e muito mais.

______________________

Noma1 é uma designação usada na antiguidade pelo homem primitivo para se referir do trabalho em grupo que, mais tarde
se chamou de cooperativas.

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"O que diferencia a sociedade moderna das tradicionais, de acordo com Durkheim, é uma
mudança fundamental no modo da coesão social, portanto, com o advento da
industrialização fez com que evoluísse uma nova forma de solidariedade," Thorpe et al,
(2016, p.36)

2. Factores da coesão social


Como já se referiu anteriormente, a coesão das sociedades tradicionais deriva do seu
compartilhar de costumes, valores, normas e crenças sociais, de forma que ela é bastante
homogénea.

Enquanto que a nova coesão ( a moderna) deriva do oposto, assim como Durkheim (1893)
afirma que provêm "da interdependência das partes do sistema industrial, politico,
académico, económico, agrícola, pensando em como as partes do social colaboram para a
produção do trabalho ."

É notório que todos sabem, um Homem por si só não pode sobreviver, aqui é chamado o
mutualismo onde cada um depende do outro para vários fins, então, é daqui onde vão se
formando grupos menores e maiores para a comungação de diversos interesses.

Nas escolas e universidades, os alunos ou estudantes vão se reunindo para a resolução de


trabalhos académicos e nos partidos políticos também os seus membros se agrupam para
discutirem sobre os seus desejos.

Isto não pára somente nestes campos, também temos a área agrícola, onde os camponeses
podem se formar em micro ou macro- associações para debater e implementar alguns
programas que toca com a sua vida quotidiana.

Portanto, é nesta perspectiva que a coesão social vai se manifestando para a participação
democrática. Aqui se usa o termo democrático no sentido em que os indivíduos se reúnem,
debatem as suas ideias livremente.

3. Precursores da coesão social


De entre vários, os proeminentes precursores no estudo da coesão social são: Durkheim
,Talcott Parsons, Karl Marx e Max Weber.

4. A Democracia
O termo democracia tem origem grega, podendo ser etimologicamente dividido da seguinte
maneira: demos (povo), kratos (poder). Em geral, democracia é a prática política de
dissolução, de alguma maneira, do poder e das decisões políticas em meio aos cidadãos.
Citação

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4.1. Tipos de democracia.

Numa abordagem tão sucinta, e segundo a Transparency International, (2006) "o sistema

democrático está dividido em três tipos básicos" que nos pontos subsequentes serão citados.

4.1.1. Democracia directa


Esta é a forma clássica de democracia exercida pelos atenienses. Não havia eleições de
representantes.
4.1.1.1 Breve historial
O seu historial reza que havia um corpo de cidadãos que legislava. Esses reuniam-se
na ágora, (um local público) que abrigava as chamadas assembleias legislativas, onde eram
criadas, debatidas e alteradas as leis da Atena, que é a capital da Grécia.
Portanto, cada cidadão podia participar directamente emitindo as suas propostas legislativas e
votando nas propostas de leis dos outros cidadãos.
A Transparency International, (2006) avança que:
os atenienses tinham muito apreço por sua política e reconheciam-se como privilegiados por
poderem participar daquele corpo tão importante para a cidade, por isso eles levavam a sério a
política. Os cidadãos preparavam-se, mediante o estudo da Retórica, do Direito e
da Política, para as assembleias. Eram considerados cidadãos apenas homens, em sua
maioridade, nativos de Atenas e livres. As decisões, então, eram tomadas por todos, o que era
viável devido ao número reduzido de cidadãos.

4.1.2. Democracia representativa


Transparency International, (2006) acrescenta também que "esta forma de participação
coesiva da democracia é mais comum entre os países republicanos do mundo
contemporâneo. Pela existência de vastos territórios e de inúmeros cidadãos, é impossível
pensar em uma democracia directa, como havia na Grécia."
No entanto, vários factores contribuíram para a formação desse tipo de democracia, dos quais
podemos destacar:
1. Sufrágio universal;

2. Existência de uma Constituição que regulamenta a política, a vida pública e os


direitos e deveres de todos;
3. Igualdade de todos perante a lei, o que está estabelecido pela Constituição;

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4. Necessidade de elegerem-se representantes, pois não são todos que podem
participar;

5. Necessidade de alternância do poder para a manutenção da democracia.

4.1.3. Democracia participativa


Esta se parece com uma democracia directa, como era feita na Antiguidade, e mas totalmente
indirecta, como acontece com a democracia representativa, a democracia participativa mescla
elementos de uma e de outra. Existem eleições que escolhem e nomeiam membros do
Executivo e do Legislativo, mas as decisões somente são tomadas por meio da participação
e autorização popular.
Essa participação acontece nas assembleias locais, em que os cidadãos participam, ou
pela observação de líderes populares, nas assembleias restritas, que podem ou não ter direito
a voto. Também acontecem plebiscitos para ser feita uma consulta popular antes de tomar-se
uma decisão política. Esse tipo de democracia permite uma maior participação cidadã,
mesmo com a ampliação do conceito de cidadania e pode ser chamada democracia semi-
directa.
As ilações dessas três democracias é que em todas elas há uma coesão popular na tomada de
decisões apesar de alguns ressaltos que não afectam significativamente o termo em alusão,
que é a coesão social.
Pois, de outra mão, desperta-nos a atenção que a segunda parece mostrar alguma semelhança
com a que é praticada no nosso país, pelo simples facto de estar a exibir algumas
similaridades que não fogem tanto a nossa lógica.

5. Da coesão social à participação democrática.


É esta legitimidade que permite que as autoridades públicas exerçam seus mandatos com
autoridade e eficiência, e o mínimo de coerção.

Entretanto, como revela a Transparency International, (2006) "quando esta legitimidade não
existe, a autoridade só pode se exercer seja pelo autoritarismo e violência, seja pelo uso da
corrupção, através da cooptação de aliados e eleitores; e, mais frequentemente, por alguma
combinação de ambos. "
Estes factos que parecem não serem visíveis no nosso pais, há sinais claros que a população
em algumas circunstâncias tem sido marginalizada devido a adopção e implementação de
politicas que não satisfazem os anseios da maioria.

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Outrossim, não há rigor no cumprimento das regras eleitorais, o que põe em causa a coesão e
a plena participação democrática. Nota-se com maior frequência a interferência de algumas
forças coerciva a fim de que uma ou outra vontade seja cumprida a favor de um certo grupo.

A Transparency International, (2006) refere que :


os regimes autoritários favorecem a corrupção, pelo cerceamento à expressão da opinião
pública, perda de autonomia do poder judiciário e uso discricionário do poder. Os regimes
corruptos, por sua parte, têm sempre uma tendência ao autoritarismo, buscando cercear a
liberdade de imprensa, a autonomia do judiciário, e o funcionamento livre das oposições.

6. Uma educação a prova da crise das relações sociais


O site pt.m.wikipedia.org, revela que " a Educação é um processo de ensino e de
aprendizagem, focado no homem, num horizonte pleno e social a fim de criar-lhe o amor ao
saber, libertando o seu coração e a razão construído por uma autonomia individual".

Infelizmente esta vontade proposta pela educação não é materializada. Nas escolas há graves
focos de violências sendo estas ficas e psicológicas, demonstrada pelos alunos e professores.

O bullying aparece também na lista como uma das formas que mostra claramente que as
relações sociais na educação estão em crise.

Por exemplo, Fenhane (2004) diz que “as relações com os colegas da escola devem ser de
ajuda mútua, não a discriminação pela cor, raça, religião ou qualquer outro critério. Deve
ainda haver perdão entre colegas e evitar conflitos no seio dela.”

Notemos que, se este espírito fosse de todos e seguida com rigor, existiria harmonia e
correspondência no seio da comunidade escolar. Mas, é muito frequente ver-se que há uma
grave violação destes ideais por parte de alguns em várias escolas. Uns, privilegiam os alunos
com pais economicamente estáveis em detrimentos dos desfavorecidos. Há por um lado
algumas tendências de existência de conflitos religiosos na escola, como é o caso dos alunos
crentes das Testemunhas de Jeová, que não aceitam com alguns valores patrióticos, por
exemplo, a entoação do Hino nacional. Também, esta rejeita pode-se verificar nos alunos do
7o dia, que vêm a sua crença em não trabalhar nos sábados gorada pelo regulamento escolar.

Apesar de um e outro que não constitui a maioria, terem espírito de ajuda mútua, mas os
casos mais visíveis mostram que em muitas escolas há grande falta de solidariedade.

7. Educação e a luta contra as exclusões .

É do domínio comum que a sociedade actual, é vácuo no concernente aos aspectos éticos e
morais, e esta deficiência é notória também nos estabelecimentos de ensino, que são o nosso
alvo, isto acaba excluindo e desmoralizando as classes desfavorecidas em detrimento aos
economicamente estáveis, tendo assim como consequência em algumas circunstâncias a fraca

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aderência da classe, no processo de Ensino e aprendizagem ou um declínio no
aproveitamento pedagógico.

Já que a educação é exigida uma inclusão social, catapultou-se na visão de que as crianças
menos carentes compartilham mesmo espaço com as economicamente desfavorecidas, onde
isto perde mérito visto que é consensual que a escola é primeiro local onde aprendemos a
lidar com regras e regulamentos oficiais. Opostamente, isso sufoca e exclui aos alunos das
famílias com baixa renda, que se desafiam com falta de dinheiro para aquisição do material
escolar a fim de cumprirem com regras institucional.

O PCEB2 (2008) enfatiza que,”a educação tem de ter em conta a diversidade dos indivíduos e
dos grupos sociais para que se torne num factor, por excelência, de coesão social e não de
exclusão,” (p.8).

Os disparalelismos sociais que enfrentamos no território nacional se agravam dia após dia.
Além de que, a população em situação de vulnerabilidade social é oscilante, e poderá atingir
níveis descontroláveis nos próximos momentos. Com esta realidade é indispensável que o
governo reveja as reformas educativas duma forma mais holística, acomodando a cada
especificidade individual, no sentido de que toda comunidade escolar goze dos mesmos
direitos e oportunidades.

Fenhane (2004) apoiando-se da constituição da República de Moçambique no seu artigo 88/


Novembro 2004, salienta que,”na república de Moçambique a Educação constitui direito e
dever de cada cidadão. O estado promove a extensão da Educação, a formação profissional
continua e a igualdade de acesso de todos os cidadãos ao gozo deste direito,”(p.52).

É nesta perspectiva tão comovente que a educação deveria criar princípios aglutinantes a
diversidade e desigualdade, para que saia da etiqueta da visão da maioria, onde o aluno mais
carenciado não tem pernas para andar na sua aprendizagem.

8.Uma educação dinâmica social

Partindo da premissa de que a educação está intrinsecamente ligada a práticas sociais,


poderíamos ainda afirmar, que a educação é também o exercício do conhecimento, qualquer
tipo de conhecimento, sobre as bases de uma regra moral (conhecimento subjacente). Para
ilustrar esse pensamento imaginemos o conhecimento como um trem e a regra moral como
os trilhos.

Assim como o trem é guiado pelo curso dos trilhos para chegar ao destino planejado e assim
também cumprir com o propósito para o qual foi projectado, o conhecimento, da mesma
forma, torna- se educação quando é conduzido pelo curso de uma regra moral. Esta é a
combinação necessária para que a educação seja concebida como tal. Contudo, isso não
significa que o trem do conhecimento terá que estar sempre sobre os trilhos de uma regra
moral para ser considerado como trem. Existem outros trilhos sobre os quais ele pode ser
conduzido, porém, neste caso, será chamado apenas de “o trem do conhecimento”.

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“No entender de Comte, a sociedade apresenta duas leis fundamentais: a estática social e a
dinâmica social. De acordo com a lei da estática social, o desenvolvimento só pode ocorrer
se a sociedade se organizar de modo a evitar o caos, a confusão. Uma vez organizada,
porém ela pode dar saltos qualitativos, e nisso consiste a dinâmica social. Essas duas leis
são resumidas no lema ‘ordem e progresso’” Vasconcelos & Lagar et al., (2013, p. 18)

Os autores acima analisam ainda que:

em relação à educação, a ciência positiva de Comte não atendia aos critérios hoje esperados
pelos novos pensadores da educação, porém isso não a conduz ao pleno esquecimento, visto
que muitos dos seus itens são necessários à concepção actual de sociedade, de indivíduo, de
escola, de educação.

Dea-se credito que a história da sociedade é marcada ao longo do seu desenvolvimento, pela
busca da efectivação da educação para uma sociedade harmónica. Pois, apesar das
transformações sociais e da escola, sabemos que muito ainda temos a conquistar.

Vasconcelos & Lagar et al., (2013) olham que de certa forma o ensino tradicional ainda
prevalece na maioria das escolas, busca-se uma educação para a vida democrática onde o
homem seja capaz de criar e transformar o seu mundo em prol da humanidade.

Esta visão dos autores constitui uma realidade que de facto temos vivido aos nossos dias,
visto que, em muitas escolas os professores sentem que a sua autoridade entrou em causa com
a introdução de novas regras disciplinares que proíbem os castigos corporais que possam
criar danos no organismo. Além disso nota-se também a perpetuação dos métodos clássicos
na abordagem e transmissão de alguns conteúdos. A possibilidade de se usar métodos activos,
os ditos centrados no aluno, parece ser uma miragem ou mesmo inexequível.

Quist (2006) nas suas mais diversas abordagens ao longo do seu livro sempre incentivou a
criatividade tanto por parte dos alunos bem como nos professores.

Entretanto, em um mundo de constantes mudanças, nem os conhecimentos acumulados, nem


a conduta “correcta” são tão importantes quanto à capacidade crescente do estudante de
identificar os problemas existenciais e de pesquisar por soluções originais e criativas.
Tomando a educação como condição necessária para mudança social, deve ser construída
para o processo de democratização das relações de poder na sociedade, como também, pode
comportar, ao mesmo tempo, conservação e inovação, podendo funcionar como instrumento
para mudanças

9. Participação democrática

De acordo com AfriMAP (2009, p.13):

A participação dos cidadãos no processo político, a sua capacidade de influenciar a


formulação das políticas públicas, a receptividade do governo às demandas da população e a
transparência com que trata os seus assuntos são indicadores da qualidade da democracia.

Para além da forma mais elementar de participação política que é o voto livre e periódico
para a escolha dos representantes, um regime democrático deve oferecer aos cidadãos outras

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formas de participação e envolvimento no processo político. Tal participação depende não só
das liberdades e direitos formalmente estabelecidos por uma Constituição, mas, acima de
tudo, da capacidade real de organização, mobilização e advocacia da sociedade civil e
política.

Entretanto, como mostra o trecho acima, pode-se afirmar que a participação democrática de
um povo é também feita através da sociedade civil, que neste caso, é um grupo de pessoas
não pertencentes a uma organização política, que unidos pela mesma causa da fiscalização de
transparência da governação, acompanham passo a passo sobre como o governo implementa
as diversas políticas do desenvolvimento do seu país.

E assim como aborda o nosso tema, se este grupo tem acesso a interpretação das diversas
politicas desenvolvidas pelo governo, portanto estamos perante uma coesão social com a
intenção de participar democraticamente na governação.

No entanto, essa participação democrática não se limita somente em fiscalização da


implementação das políticas governativas, mas também na reunião de uma população de uma
zona ou região ou mesmo uma comunidade para a discussão de alguns interesses da sua vida.

Ora vejamos, de uma forma representativa, nota-se que nas comunidades ou localidades por
exemplo, há alguns grupos formados em comissões para discutirem sobre o desenvolvimento
dessa mesma zona. Não só esta questão, mas também, pode-se encontrar os parlamentos onde
os indivíduos em forma de representação do povo vão discutindo os assuntos da população.
Ai temos, parlamentos da assembleia provincial e nacional.

Ao nível regional, a Carta Africana dos Direitos dos Homens e dos Povos, a recém -aprovada
Carta sobre Democracia, Eleições e Governação e outros padrões endossados pelo
Mecanismo Africano de Revisão de Pares (a cuja revisão Moçambique foi recentemente
submetido) avançam princípios e padrões que devem ser seguidos pelos estados africanos no
tocante à participação política.

Assim, a Constituição da Republica de Moçambique no seu artigo 45, nas alíneas a, e, f e g,


respectivamente, abre o seguinte espaço," todo cidadão deve servir a comunidade nacional,
pondo ao seu serviço as suas capacidades físicas e intelectuais; defender e conservar a saúde
pública, o ambiente e o bem público."(1990,p.45)

No que toca ao caso em alusão nas alíneas do artigo acima, já mostra que se o dito todo
cidadão de uma forma individual ou colectivo reunir-se para esta missão, estaria de igual
maneira a participar democraticamente.

Tão importante aos processos democráticos quanto à liberdade de expressão e de imprensa


são as liberdades de reunião e manifestação, de acordo com o estabelecido na Carta
Africana dos Direitos dos Homens e dos Povos. Em termos jurídicos, não existem
impedimentos claros ao seu exercício, apesar de alguns dispositivos legais permitirem
interpretações demasiado restritivas.

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Como pode-se ver, a ideia que a carta acima revela é também apoiada pela Constituição da
República de Moçambique, no seu artigo 48 no ponto 1 , que revela,"todos os cidadãos têm
direito a liberdade de expressão, a liberdade de impressa, bem como o direito a
informação"(1990, p.14)

Apesar desta liberdade ser de algum modo polémico, nos últimos dias parece existir alguma
vontade quanto a sua implementação pelo governo, embora não duma forma efectiva.

Entretanto, uma visão que não pode ser descartada quanto a participação democrática é o
direito que a mesma constituição abre no seu artigo 51, no seu ponto 1, que relata que,"todos
cidadãos têm direito a liberdade de reunião e manifestação nos termos da lei," (1990, p.15)

Analisado afincadamente o artigo acima, pode-se concluir que é nestas liberdades expressivas
que os cidadãos vão participando e expondo as suas ideias a quem é de direito duma forma
livre, o que mostra uma clara manifestação do espírito democrático.

Na visão do mesmo documento, no seu artigo 52, enaltece ainda que," os cidadãos gozam da
liberdade de associação"(1990,p.16).

Também sem um levantamento de alguma margem de dúvida, o artigo aclara o espírito


democrático da participação da população, o que lhes mostra uma integração política e
democrática.

Outrossim, acredita-se que a participação democrática pode-se manifestar através do próprio


exercício democrático, como é a eleição dos representantes de um pais, assim como podemos
ler, ”uma das formas mais comuns de expressar a democracia é a eleição dos órgãos do poder
através de do voto secreto e directo," Fenhane ,J. & Capece, J. (2004, p.58).

No que toca a esta parte de eleição, muita das vezes é manifestada não só na eleição dos
órgãos de soberania nacional, mas também, nas escolas para o apuramento dos chefes das
turmas, e embora nem sempre, verifica-se também nos bairros na eleição dos secretários.

10. Os pilares da educação


De acordo com Delors (2003) num dos relatórios da UNESCO aponta que, "a educação se
assenta sobre quatro pilares que são aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a
conviver e aprender a ser."

"A prática pedagógica deve prever a formação contínua, levando em conta os quatro pilares,
Não se deve, focar somente no "aprender a conhecer" e "aprender a fazer", pois acaba sendo
recorrente dentro das instituições de ensino," Delors (2003,p.95).

Japiassu, H. (1995) citado por Ruben defende que :

“O homem não é um ser-substância de quem poderíamos descrever e coisificar as atitudes


comportamentais. Não é um ser estático e acabado, cujo comportamento teria o privilégio de
assemelhar-se à sua essência, isto é, a uma definição de seu ser inscrita na “natureza humana”.

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Porque antes de constituir um ente como outro qualquer, o homem é um existente que se
constrói constantemente por sua presença no mundo: é um ser histórico, em devir, que sempre
se coloca em questão,” ( p.6)

Os Métodos e metodologias em educação estão em constante mudança. Tradicional,


construtivistas, sócio-interacionistas, montessorianos, é tudo uma questão de escolha.
Segundo a UNESCO e Delors, J. (2003), responsável pelo relatório da Comissão
Internacional Sobre a educação do Século XX, salienta que:

Para dar conta de sua missão e promover uma aprendizagem ao longo da vida, a educação
deve se organizar em torno de quatro aprendizagens fundamentais. Aprendizagens estas que
se transformarão para cada indivíduo em pilares do conhecimento e da formação continuada.
Sem eles, não estaremos realmente preparando nossos alunos para viver em sociedade.

10.1. Aprender a conhecer


Isto reflecte-se quando tornamos prazerosos no acto de compreender, descobrir ou construir o
conhecimento.

A capacidade de compreender sobre um determinado assunto é um dos requisitos primários


da aquisição de um conhecimento. Não existe a obtenção de um saber a margem da
compreensão. Pois, se o facto tivesse acontecido seria uma mera memorização mecânica.

No entanto, tendo se em espírito o conteúdo, aqui há toda necessidade de se colocar a


informação adquirida de uma forma estrutural e sistemática para que melhor se compreenda.
Desta feita, estamos perante a construção do próprio conhecimento.

Mwamwenda (2004) afirma que, "um dos componentes que também não se pode deixar de
lado é a descoberta. Isto é, quando individuo chega a uma conclusão exaustiva sobre um
conteúdo." Para esta questão muitas vezes existe uma produção da interjeição "ah" como
forma de ter descoberto o que se encontrava na zona de penumbra.

É o interesse nas informações, libertação da ignorância. Com a velocidade em que o


conhecimento humano se multiplica, muitas vezes deixamos de lado essa necessidade de nos
aprimorar, se desinteressando pelo outro, pelo novo. Sendo assim, o aprender a conhecer
exercita a atenção, a memória e o pensamento.

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10.2. Aprender a fazer
Esse pilar é essencial, á que vivemos em sociedades assalariadas e que, frequentemente, o
trabalho humano é trocado pelas máquinas, o que exige uma realização de tarefas mais
intelectuais e mentais

No que concerne a essa temática, "É ir além do conhecimento teórico e entrar no sector
prático. Aprender a fazer faz com que o ser humano passe a saber lidar com situações de
emprego, trabalho em equipe, desenvolvimento corporativo e valores necessários para cada
trabalho," Delors (2003, p.96)

Entretanto, só para ter se em mente sobre o que se fala, em vários campos de emprego é
frequente ouvir-se as palavras administrativas tais como eficiência e eficácia. Estas
terminologias gémeas só podem ser materializáveis se bem sabermos fazer. Não existe a
consumação destas somente em aprendizagem mecânica. O indivíduo precisa saber fazer.

É preciso se ter a mente brilhante e mãozinhas talentosas para que verdadeiramente possa
convencer a equipa da entidade empregadora. Caso o indivíduo não se disponha desses
requisitos, poderá ver os seus anseios frustrados no mercado de emprego.

É necessário se frisar que, esta selecção de candidatos talentosos não acontece somente no
mercado de emprego formal, mas também nos sectores informais, como é o caso de
actividades domésticas, simples abertura de uma latrina, trabalhos do campo, etc.

10.3. Aprender a viver com os outros


Essencial à vida humana, e que, muitas vezes, se torna um empecilho para a convivência em
uma sociedade interactiva. É preciso então, aprender a compreender o próximo, desenvolver
uma percepção, estar pronto para gerenciar crises e participar de projectos comuns. É
necessário deixar a manifestação da oposição de forma violenta de lado e progredir a
humanidade.

Assim refere a UNESCO e Delors, J. (2003) que é preciso:

Descobrir que o outro é diferente e saber encarar essas diversidades, faz parte da elevação
educacional de cada um. Ir, além disso, e lidar com objectivos comuns no qual todos passarão
a fazer parte de uma mesma acção, e poder conduzir este trabalho aceitando as diferenças
individuais, é o que melhora a vida social.

Conclusivamente pode-se dizer que é aquilo que sempre se chama saber viver na diferença.
Saber ser tolerante nos aspectos e contextos achados intolerantes em todas dimensões.

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10. 4. Aprender a ser

Desenvolver o pensamento crítico, autónomo, incitar a criatividade e elevar o crescimento


de conhecimentos, além de ter em mente um sentido ético e estético perante a sociedade. Isto
é aprender a ser. Não podemos negligenciar o potencial de cada indivíduo, é preciso
contribuir para o seu total desenvolvimento, adquirindo ferramentas que formulam os juízos e
valores do ser autónomo, intelectualmente. A diversidade de personalidades é o que gera a
inovação dentro da sociedade

Rubem A. (1989) analisa e valoriza:

O processo de ensino e aprendizagem e o educando de uma forma holística, trabalhando o


todo e não somente as partes, demonstrando o processo e não somente o os fins. Neste
sentido, o educador deixa de oferecer o conteúdo pronto e ensina o educando a pensar, a
desenvolver o pensamento crítico, autónomo, participativo e actuante em todo o processo
educacional.

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11. Considerações finais

O povo hoje em dia parece estar de costas viradas. Esta atitude tem sido motivada por
compreensões desadequadas sobre as diversas matérias do pais e do mundo em geral. Ao
demais, como as leis e políticas são interpretadas e implementadas constituem uma receita
primordial para que os indivíduos não se entendam e consequemente uma grande
desintegração social.

Para tal, convêm-nos afirmar que nos dias de hoje a sociedade é exigida a estar unida para
que compartilhem as suas ideias. Essa união poderá ser em grupos menores ou maiores
dependendo do que se pretende alcançar. Este tipo de espírito, de estar juntos para acarinhar
um determinado assunto de interesse comum é o que se chama de coesão social.

Mas, perceba-se que para que haja essa coesão social é preciso que as leis que regulam o
cidadão estejam bem claras, abram o espaço para que este povo encontre e discuta as suas
ideias livremente. Eis a razão que nos motivou a definição da democracia e a própria coesão
social, termos os quais sentimos que são chaves desse trabalho.

Pois, é neste corolário de entendimento que a educação é chamada para que alfabetize os
cidadãos de forma que eles compreendam os reais motivos e benefícios dessa coesão social.

Outrossim, os partidos políticos, o governo e os demais intervenientes estejam empenhados


na mobilização do cidadão e na quebra de barreiras que poderão criar promiscuidade social.

Portanto, aqui o nosso foco é a união dos indivíduos para a liberdade de participação
democrática igualitária.

Só para se finalizar, há que se concluir que é de inteira compreensibilidade que, se não há


união e comungação de ideias no seio dos indivíduos, não haverá nenhum desenvolvimento
na sociedade. Pois, cada um lutará para sua parte, abrindo-se espaço á má governação e
corrupção e abusos de poder.

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Referências Bibliográficas

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2020
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