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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

EXTENSÃO GURUÉ

Trabalho do 6º Grupo

Sociologia de Educação

Membros do Grupo

Mestrandos em Psicopedagogia: - Adélio Gabriel Uacane

- Pelcida Bongisse Gando Francisco

- Pedro Toliua Consura

Mestranda em Gestão e Adm. Publica: - Maria Rita A. A. Caundane


Gurué, Julho de 2020
Sociologia de Educação

Trabalho de carácter avaliativo a apresentar


no Fórum da cadeira de Teoria de Educaçao,
no curso de Psicopedagogia e Gestão e
Administração Educacional da Universidade
Católica de Moçambique, Extensão Gurué.
Prof. Doutor Alberto Bive Domingos

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Gurué, Julho de 2020

Índice

Introdução...................................................................................................................................4

Objectivos...................................................................................................................................5

Geral:...........................................................................................................................................5

Metodologia do Trabalho............................................................................................................5

Recorreu-se também a Pesquisa Bibliográfica que na óptica de Gil (2008, p. 50);...................5

9. Sociologia de Educação..........................................................................................................6

9.1. Conceitos e objectos da sociologia e da educação...............................................................6

9.2. Antecedentes Histórico da Sociologia.................................................................................6

9.3. Componentes básicos da vida social....................................................................................8

9.3.1.Grupos sociais, status e posição social, estratificação social, organização social.............9

9.4. Teorias Sociológicas e tendências ideológica na educação...............................................10

9.5. Escola, estado e sociedade.................................................................................................11

9.5.1. Estado e Sociedade.........................................................................................................11

9.5.2. Sociedade Política e Sociedade Civil..............................................................................12

9.5.3. Os Intelectuais e a Organização da Cultura....................................................................12

9.5.4. O papel dos intelectuais na Educação.............................................................................13

Considerações finais.................................................................................................................15

Referencias Bibliográficas........................................................................................................16

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Introdução

A educação sendo responsável pela transmissão de valores é também objeto de transformação


social. Conclui-se, portanto que a sociologia da educação tendo como objeto de privilegiado
de estudo a escola e suas relações, não se caracteriza apenas enquanto formulação teórica,
sendo importante na construção da escola como uma instituição social capaz de fornecer
elementos para a construção do conhecimento sobre a sociedade.

Com base no pressuposto acima, o presente trabalho da cadeira de Teoria de Educação,


aborda sobre os pressupostos da Sociologia da Educação, objectivando em analisar objectos
da sociologia e da educação, antecedentes Histórico da Sociologia, componentes básicos da
vida social, grupos sociais, status e posição social, estratificação social, organização social,
teorias sociológicas e tendências ideológica na educação, escola, estado e sociedade:
Sociedade Política e Sociedade Civil; os intelectuais e a organização da cultura; o papel dos
intelectuais na Educação.

De salientar que o trabalho é em grupo, e ambos por unanimidade, optaram por usar certos
paradigmas de modo a se atingir os objectivos propostos, como é o caso do paradigma
Qualitativa, em conformidade com a pesquisa básica e explicativa, associado a pesquisa
Bibliográfica como técnica de recolha de dados.

Esperamos que o trabalho venha a contribuir para um debate mais produtivo na aquisição de
conhecimentos novos no que diz respeito ao tema em estudo.

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Objectivos

Geral: Analisar os pressupostos da Sociologia da Educação

Específicos:

 Identificar o objecto da sociologia e da educação


 Descrever os antecedentes Histórico da Sociologia
 Mencionar as teorias sociológicas e tendências ideológica na educação

 Falar do papel da escola, estado e sociedade: Sociedade Política e Sociedade Civil; os


Intelectuais e a Organização da Cultura e o papel dos intelectuais na Educação.

Metodologia do Trabalho

De acordo com CERVO & BERVIAN (1989:10) ʽʽ metodologia é o conjunto, processos que
o espírito humano deve entregar na investigação e demonstração da verdade.ʼʼ

Para a realização deste trabalho, recorreu-se ao Paradigma qualitativa que de acordo Silveira
e Córdova (2009), este tipo de pesquisa não se preocupa com representatividade numérica,
mas sim, com o aprofundamento da informação.

Recorreu-se também a Pesquisa Bibliográfica que na óptica de Gil (2008, p. 50);

A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído


principalmente de livros e artigos científicos. A principal vantagem da pesquisa
bibliográfica reside no facto de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de
fenómenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar directamente.

Esta técnica auxiliou na fundamentação do mesmo, bem como serviu de guia para a realização
e implementação do trabalho. Portanto, o mesmo consistiu na leitura de certos livros que
abordam algo inerente ao tema.

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9. Sociologia de Educação

9.1. Conceitos e objectos da sociologia e da educação

Antes porem de debruçar-mos em torno da Sociologia de Educação, é necessário compreender


o termo Educação e Sociologia. Desta feita, Sociologia é um termo híbrido formado a partir
de duas línguas: do latim sócio com ideia de social, e do grego logos (razão), que exprime a
idéia de “palavra” ou “estudo”.

O termo Sociologia significa, portanto, “estudo do social” ou “estudo da sociedade. Essa


palavra foi criada em 1839 por Auguste Comte, filósofo francês, considerado o ‘pai da
Sociologia’. Comte achava que a Sociologia deveria ensinar os homens a aceitar a ordem
existente.

Já a educação é a acção exercida pelas gerações adultas sobre aquelas que ainda não estão
maduras para a vida social. Segundo Durkheim (2009, p. 53) tem por objecto suscitar e
desenvolver na criança um certo número de estados físicos, intelectuais e morais que lhe
exigem a sociedade política no seu conjunto e o meio ao qual se destina particularmente.

Em relação a Sociologia da Educação, há que destacar o próprio Emile Durkheim, um dos


principais expoentes da sociologia da educação, que argumentava o seguinte: “(…) a
educação é, por excelência, objecto da sociologia, visto que é um fenómeno social objectivo e
que deve ser estudado como tal”.

Desta feita, é possível compreender que, a escola, tal como a própria sociologia, também é um
objecto de transformação social, uma vez que se ocupa da transmissão de valores e da
formação de futuras gerações. Desta forma, nos dias actuais, a sociologia da educação propõe
como investigação realizar um mapa da realidade escolar, a fim de que este possa ser
analisado e reflectido por todos aqueles que se debruçam sobre os problemas educacionais.
Podemos dizer então que a escola e suas relações constituem o objecto privilegiado da
sociologia da educação.

9.2. Antecedentes Histórico da Sociologia

O surgimento da Sociologia ocorreu em um contexto histórico específico, que coincide com


os derradeiros momentos da desagregação da sociedade feudal, bem como da consolidação da
civilização capitalista. Assim, a Sociologia como “ciência da sociedade” não surgiu de

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repente, nem resultou das idéias de um único autor, mas é, de acordo com Tomazi (2000),
fruto de toda uma forma de conhecer e de pensar a natureza e a sociedade, que se desenvolveu
a partir do século XIV quando ocorreram transformações sociais significativas, como o fim do
Feudalismo e ascensão do Capitalismo.

Ela emergiu com mais evidência como campo científico a partir dos anos de 1960,
trazendo em seu discurso certa denúncia a um período precedente tido como
“otimista” pelos economistas que defendiam a tese do “capital humano” segundo a
qual a educação era um investimento produtivo, tanto do ponto de vista do indivíduo
quanto da sociedade. (Van Zanten, 2000, p. 6)
A sociologia da educação, a partir dos anos de 1960, adoptou um discurso crítico, que se
opunha a uma visão naturalista dos dons e habilidades intelectuais, fortemente presente na
teoria funcionalista de Durkheim e reactivada pelo sociólogo americano Talcott Parsons,
defensor da tese da selecção escolar com base nas habilidades e aproveitamento escolar
diferenciado, conjunto este que seria responsável pela preparação dos indivíduos para ocupar
postos sociais hierarquizados, em nome do equilíbrio harmonioso da sociedade, como
veremos a seguir.

Os países do chamado Primeiro Mundo começaram a se preocupar com a modernização de


seus sistemas educacionais a partir do fim da década de 1950 e ao longo da década de 1960,
estavam entrando no período de crescimento econômico acelerado que se seguiu à
reconstrução da economia europeia depois da Segunda Guerra Mundial.

O desenvolvimento econômico fez com que se tornasse necessária uma mão de obra mais
qualificada e, de modo geral, uma população com nível de formação mais alto. Este período
foi marcado pela produção de vários relatórios de pesquisa financiados pelo Estado em
diversos países e marcou uma fase que via a educação como sinônimo de desenvolvimento
econômico.

Contrapondo-se à tese de que a educação corrigiria as desigualdades sociais, ao promover


uma política educacional com base na tese da equalização social, a sociologia da educação do
final dos anos de 1960 começou a ver a escola com certo desencantamento e, portanto, como
uma instituição distante para cumprir a promessa de que a democratização do ensino pudesse
representar um fator de equidade social, logo, de progresso econômico.

Desta forma, segundo autores como Nogueira, (1995) e Van Zanten, (2000), podemos falar de
dois momentos que são considerados particularmente importantes para esta disciplina:

 Primeiro momento: período que vai de Émile Durkheim, considerado “o pai fundador
da sociologia da educação”, até aproximadamente a Segunda Guerra Mundial;
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 Segundo momento: período posterior à Segunda Guerra Mundial até os dias atuais.

No primeiro momento, a sociologia da educação é especialmente marcada por três


características:

1°Ausência de investigação empírica, ou seja, os estudos nesta área se preocupavam mais


com os grandes modelos de análise estatística que se ancoravam em uma tradição mais
quantitativa e nos quais os sujeitos quase não apareciam;

2°. Sociologia “macroscópica”, tipo de abordagem que dificultava a investigação sobre o que
acontecia no interior da escola;

3°. A sociologia se reduz a uma matéria de ensino, ou seja, ela não havia se constituído ainda
em um campo de pesquisa e se debruçava em uma tradição mais histórico-filosófica.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Sociologia de Educação esteve marcada por um


movimento pendular entre as teorias da acção e as teorias estruturais. A abordagem
fenomenológica inspirou as perspectivas microssociais, ao passo que entre os defensores das
perspectivas macrossociais estão os adeptos do funcionalismo, das teorias sistêmicas e
estruturalistas de diferentes extracções teórico-ideológicas.

Pode-se dizer hoje que a sociologia da educação constitui um campo fértil de análise das
relações escolares, campo este aberto à interlocução com outras disciplinas, e está disposta,
enquanto disciplina e campo científico, a olhar tanto para as relações microscópicas, quanto
para as relações macroscópicas que acontecem dentro e fora dos muros escolares.

A sociologia da educação contemporânea tem buscado cada vez mais conjugar teoria e prática
de pesquisa, reabilitando a célebre assertiva de Durkheim: “Nossas pesquisas não valem mais
do que meia hora de reflexão se elas forem meramente especulativas.” Com base nesta
afirmação, Brandão (2001, p. 153) propõe uma discussão a respeito da superação dos
chamados “mecanismos metodológicos” no campo da pesquisa em sociologia da educação.

9.3. Componentes básicos da vida social

De acordo com Souza (2007, p.11) a sociologia de Educação torna-se importante uma vez que
o avanço das ciências sociais ampliou as possibilidades de entendimento das relações entre
escola e sociedade. Para tanto, o autor, parafraseando Wright Mills, diz como as sociedades
modernas se transformam rapidamente e, com isso, a vida das pessoas fica submetida às
injunções de novos contextos, novos problemas, trazendo um sentimento de incerteza.

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Segundo Mills (1982, p.11), acreditava que eram as ciências sociais que poderiam ajudar no
desenvolvimento dessa imaginação “sociológica”: diz o autor, “(…) o que precisam é uma
qualidade de espírito que lhes ajude a usar a informação e a desenvolver a razão, a fim de
perceber, com lucidez, o que pode estar acontecendo dentro deles mesmos” (idem).

Por outro lado, Souza (2007, p. 13), ao evocar Mills, lembra as várias possibilidades que o
uso da imaginação sociológica pode trazer ao indivíduo: compreender a relação entre sua vida
particular e a história, elucidar como um indivíduo singular se situa na relação com outras
singularidades dentro de determinado período histórico e perceber as possibilidades que
podem ser compartilhadas entre eles.

Possuir imaginação sociológica é ser capaz de transitar de um lado a outro da relação entre
indivíduo e sociedade e ser capaz de compreender tanto o lugar dos indivíduos como agentes
na estrutura social quanto o que essa estrutura faz aos indivíduos (p. 13).

9.3.1.Grupos sociais, status e posição social, estratificação social, organização social

O processo de socialização ocorre durante toda a vida do indivíduo (SAVOIA, 1989); por
isso, esse processo é dividido em etapas:

1ª Etapa: socialização primária: ocorre na infância com os agentes socializadores como


família, escolas, que exercem uma influência significativa na formação da personalidade
social;

2ª Etapa: Socialização secundária: ocorre na idade adulta. Geralmente, nessa etapa, o


indivíduo já se encontra com sua personalidade relativamente formada, o que caracteriza certa
estabilidade de comportamento. Isso faz com que a ação dos agentes seja mais superficial,
mas abalos estruturais podem ocorrer, gerando crises pessoais mais ou menos intensas. Nesse
momento, surgem outros grupos que se tornam agentes socializadores, como grupo do
trabalho;

3ª Etapa: Socialização terciária: Ocorre na velhice. Pela própria fase de vida, o indivíduo
pode sofrer crises pessoais, haja vista que o mundo social do idoso muitas vezes se torna
restrito (deixa de pertencer a alguns grupos sociais) e monótono. Nessa fase, o indivíduo pode
sofrer uma dessocialização, em decorrência das alterações que ocorrem, em relação a critérios
e valores. O indivíduo, nesta fase, começa um novo processo de aprendizagem social para as
possíveis adaptações a nova fase da vida, o que implica em uma ressocialização.

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A estrutura social diz respeito à forma como uma sociedade se organiza, ou seja:
principalmente através de relações complexas e constantes, que se interligam, como as
relações estabelecidas entre os indivíduos, por meio dos papéis sociais que estes assumem.

De acordo com Ianni (1973, p. 36), “o conceito de estrutura social é um recurso analítico que
serve para compreender como os homens se comportam socialmente”. Precisamos considerar
que se as expectativas das normas sociais são importantes, por outro lado, essas mesmas
normas podem ser alteradas pelos atores sociais em seu cotidiano. Isso significa que os papéis
sociais podem mudar. Se aqueles tipos de relações sociais que caracterizam uma sociedade
não existissem, consequentemente aquela sociedade não seria a mesma.

Outro ponto importante é pensar que vários aspectos fazem parte da estrutura social, dentre
eles as relações de parentesco, uma vez que dizem respeito às relações sociais propriamente
ditas. Grosso modo, as relações de parentesco são marcadas por um modelo de relação
familiar, modelo esse que marca um padrão de funcionamento da família, importante
instituição social que exerce sua função na vida social.

9.4. Teorias Sociológicas e tendências ideológica na educação

A concepção de uma evolução linear, de estágios de sociedades mais simples para mais
complexas, nos séculos XIX e XX, influenciou a perspectiva etnocêntrica dos antropólogos
que consideravam as comunidades primitivas ou sociedades diferentes da sociedade
europeias. Sendo inferiores, deviam sofrer a intervenção das sociedades consideradas mais
avançadas, como ocorreu no século XIX e XX com a política colonialista inicialmente de
Portugal, Espanha, Inglaterra, França, Holanda, Alemanha, entre outros, em países da Ásia,
África, América Latina e Central.

O pensamento positivista de Comte exerceu uma ampla influência junto aos intelectuais nos
escalões do poder para manutenção da ordem em função do progresso. Essa abordagem
sociológica positivista não é a que irá colocar em questão os fundamentos da sociedade
capitalista, nem tampouco a em que o proletariado encontrará a sua expressão teórica e
orientação para suas lutas práticas.

Foi no pensamento socialista, em suas diferentes nuances, que o proletariado buscou


seu referencial teórico para levar adiante as suas lutas de classes. Com esses
parâmetros, as análises sociológicas permitem compreender a complexidade dos
fenómenos sociais e a importância que essas concepções tiveram para tomada de
decisões nos diferentes países, até os dias actuais. (Martins 1994, p33).

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É sabido que um aluno é filho de um pai cuja categoria socioprofissional deriva de uma
classificação, por exemplo, não permite captar de que maneiras este aluno vivenciam essa
condição (se é com orgulho, com vergonha, com desejo de superação etc). A relação com o
saber depende também de um processo de mobilização do aluno. Só aprende quem entra em
uma actividade intelectual e só ingressa nesse tipo de actividade quem está animado por um
desejo. Para Charlot (2007, p. 42), essa mobilização depende do sentido que o aluno confere à
escola, ao saber, ao fato de aprender, quer na escola, quer fora dela.

9.5. Escola, estado e sociedade

Para além da ideologia do dom, a teoria da reprodução também procurou sistematizar qual
seria o papel da escola (e não mais do indivíduo) na produção do fracasso escolar. Para esta
teoria, a escola contribui para a reprodução da desigualdade social e, sendo assim, o fracasso
escolar é funcional na sociedade capitalista. Em outras palavras, o fracasso pedagógico é um
sucesso social da classe dominante.

Para os principais expoentes da teoria da reprodução, Bourdieu e Passeron, a escola transmite


e avalia uma cultura que não é socialmente neutra. Assim, as crianças que receberam na sua
família e na sua classe social uma educação voltada para aquela cultura que a escola privilegia
têm mais chances de serem alunos bem-sucedidos na escola (Charlot, 2007, p. 31).

Por trás de uma aparência democrática, a escola favorece os mais favorecidos e desfavorece
ainda mais os já desfavorecidos, uma vez que, sob o signo de uma “suposta neutralidade”, ela
aproxima da cultura escolar os alunos que já receberam das suas famílias um certo património
cultural, distanciando aqueles que só podem esperar da escola o capital cultural legitimado
pelas classes dominantes.

A escola contribuiria, desta forma, para o papel de reprodução das desigualdades sociais,
reproduzindo estas desigualdades por meios específicos como as avaliações feitas pelos
professores, a transmissão de saberes, o veredicto escolar etc.

Através destes instrumentos, é possível dizer que a escola não somente reproduz as
desigualdades como também as legitima, transformando-as em diferenças de saber e de
competência.

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9.5.1. Estado e Sociedade

A relação Estado e Sociedade vem sendo construída com a história da própria humanidade. É
o resultado dos conflitos, dos interesses, das interações e dos sonhos. Tratar dessa relação é
falar sobre o poder e a vida gregária, como se organizar e como assegurar a sobrevivência da
espécie humana em nossa casa, a Terra, garantindo a um maior número de pessoas o acesso
aos recursos básicos que lhes possibilitem viver com dignidade.

Entende-se por restrito aquele Estado que estaria voltado para o interesse de uma única classe.
Por ampliado podemos entender o Estado que se abre a interesses de diferentes segmentos da
sociedade civil.

Desde a Antiguidade os grupos sociais se organizam para atender as demandas de seus


membros. No Egito, na Pérsia, entre os hebreus, gregos, romanos, chineses e hindus, o Estado
foi construído como opção de organização social.

Na Idade Média, a organização da sociedade se dava de forma descentralizada, o poder era


dividido entre os donos das maiores terras, os senhores feudais. A base da economia no
período era a posse da terra e o desenvolvimento de atividades inerentes a ela.

9.5.2. Sociedade Política e Sociedade Civil

Analisar o papel do Estado implica em compreender a dinâmica das relações sociais, uma vez
que o Estado em contextos sociais, econômicos e políticos distintos pode ora assumir
características restritas, ora ampliadas. Entende-se por restrito aquele Estado que estaria
voltado para o interesse de uma única classe. Por ampliado podemos entender o Estado que se
abre a interesses de diferentes segmentos da sociedade civil.

Para Siqueira (2005), nas sociedades ocidentais, a partir do século XVI, as discussões
filosóficas e políticas sobre o papel do Estado e da sociedade civil contribuíram no
estabelecimento de novas configurações nas relações entre Estado e sociedade, configurando
assim um Estado Moderno. Nesta perspectiva, se pressupunha a garantia da representação
popular, bem como a publicitação das decisões no âmbito do Estado, estabelecendo um novo
conceito de lei através de uma Constituição escrita.

É com o desenho moderno de Estado que se estabelece a distinção entre Estado e Sociedade
Civil, “[...] muito embora Estado seja a expressão da sociedade civil” (Siqueira, 2005, p.15).

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9.5.3. Os Intelectuais e a Organização da Cultura

Todos os homens são intelectuais, apesar de nem todos assumirem na sociedade a função de
intelectuais. Apesar das atividades sociais serem distintas, todos os homens possuem, mesmo
de maneira fragmentada alguma cosmovisão, sob a qual baseia o seu comportamento moral,
contribui ou não para manter ou mudar uma determinada forma de pensar.

Os intelectuais possuem uma função orgânica bastante importante no processo da reprodução


social, na medida em que ocupam espaços sociais de decisão prática e teóricas. A principal
função destes se encontra na formação de uma nova moral e uma nova cultura, que podem ser
entendidas também como uma contra-hegemonia, já que o objetivo final das lutas
organizativas seria, no seu momento histórico, o socialismo.

E não seria possível falar de intelectuais e hegemonia sem falar em educação e escola, objecto
de intensa preocupação, por ser um aparelho privado de hegemonia, chamado assim ao lado
de outras formas organizativas da sociedade civil. Assim apontamos, neste trabalho algumas
idéias adensando a perspectiva da formação humana para a emancipação, tendo também a
escola como um espaço de desenvolvimento ideológico.

Nas sociedades primitivas a figura do intelectual estava representada pelos eclesiásticos, que
dirigiram ideologicamente quinze séculos e representavam organicamente a aristocracia
fundiária. Ao lado destes nasceram também categorias diferenciadas como os
administradores, filósofos, cientistas, favorecidas e engrandecidas pelos poderes das
monarquias.

Os intelectuais têm a função de unificar os conceitos para criação de uma nova cultura, que
não se reduz apenas à formação de uma vontade coletiva, capaz de adquirir o poder do
Estado, mas também a difusão de uma nova concepção de mundo e de comportamento. Nessa
empreitada, torna-se fundamental o papel das instituições privadas da sociedade civil como a
igreja, escola, sindicatos, jornais, família e outros, como entidades concretizadoras de uma
nova vontade e moral social.

9.5.4. O papel dos intelectuais na Educação

A escola pode e deve ser uma instituição construtora de conhecimentos emancipatórios, que
contribuam para possibilitar o indivíduo agir conscientemente; engajando-se na luta por
transformações das condições perversas, injustas e negadoras da dignidade humana. Para isso,
é necessário construir outra hegemonia diametralmente oposta a que está posta.

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As mudanças ocorridas no âmbito socioeconômico (supremacia do mercado), político e
cultural (poderio da comunicação), trouxeram alterações significativas na própria natureza das
atividades intelectuais. Contudo, os horizontes culturais e históricos defendidos por Gramsci
ainda necessitam ser vislumbrados, destacando que a função dos novos intelectuais se
constitua hoje como algo fundamental.

A actuação dos intelectuais entre a classe trabalhadora é de fundamental importância, mesmo


que estes não pertençam a esta classe, mas desde que se coloquem no lugar desta e lutem pela
sua transformação. Logo, é cada vez mais necessário insistir na formação de intelectuais da
classe trabalhadora para que ela alcance emancipação através de uma consciência humanística
em detrimento da consciência posta, qual seja, a de mercado, desenvolvendo, assim, sua
cultura e sua educação.

Os intelectuais possuem uma função orgânica bastante importante no processo da reprodução


social, na medida em que ocupam espaços sociais de decisão prática e teórica. Mas, para
Gramsci, a principal função destes se encontra na formação de uma nova moral e uma nova
cultura, que podem ser entendidas também como uma contrahegemonia, já que o objetivo
final das lutas organizativas seria, no seu momento histórico, o socialismo.

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Considerações finais

Em jeito de considerações finais, podemos notar que em relação a Sociologia da Educação, há


que destacar o próprio Emile Durkheim, um dos principais expoentes da sociologia da
educação, que argumentava o seguinte: “(…) a educação é, por excelência, objecto da
sociologia, visto que é um fenómeno social objectivo e que deve ser estudado como tal”.

Pode-se dizer hoje que a sociologia da educação constitui um campo fértil de análise das
relações escolares, campo este aberto à interlocução com outras disciplinas, e está disposta,
enquanto disciplina e campo científico, a olhar tanto para as relações microscópicas, quanto
para as relações macroscópicas que acontecem dentro e fora dos muros escolares.

Ė possível afirmar que a sociologia da educação contemporânea tem buscado cada vez mais
conjugar teoria e prática de pesquisa, reabilitando a célebre assertiva de Durkheim: “Nossas
pesquisas não valem mais do que meia hora de reflexão se elas forem meramente
especulativas.”

Espera-se com a efectivação do trabalho, possa trazer contributos com ideias novas acerca do
conteúdo em estudo.

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Referencias Bibliográficas

Brandão, Z. (2001). A dialética micro/macro na sociologia da educação. Cadernos de


Pesquisa, n. 113, p.153-165, jul.

Cervo, B. (1989). Introdução à Metodologia do Trabalho Científico: elaboração de trabalhos


na Graduação. 2ª Ed. São Paulo: Atlas.

Charlot, B. (2007). Sucesso escolar: visões e proposições. In: IRELAND, Vera (Coord.).
Repensando a escola: um estudo sobre os desafios de aprender, ler e escrever.
INEP/UNESCO, p. 22-63.

Durkheim, E. (2009). Educação e Sociologia. Lisboa: Edições 70. NOGUEIRA, Maria Alice.
Tendências atuais da sociologia da educação. Leituras & Imagens, Florianópolis,
UDESC/FAED, p. 23-43, 1995.

Gil, A. C. (2008). Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. (6ª ed). São Paulo, Brasil: Atlas.

Mills, C. W. (1982). A imaginação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar

Savoia, M. G.(1982). Psicologia social. São Paulo: McGraw-Hill

Souza, J. V. A. de. (2007). Introdução à sociologia da educação. Belo Horizonte: Autêntica,

TOMAZI, Nelson Dacio (org.). Iniciação à Sociologia. 2.ed. São Paulo: Atual, 2000.

Van Zanten, A. (2000). Les sciences sociales et l’école. In: _____. (Dir.). L’école-l’état des
savoirs. Paris: La Découverte, p. 5-14.

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