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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

EXTENÇÃO DE GURUÉ

TRABALHO VII GRUPO

TEMA: EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Representantes do Grupo:
Maria Angélica Aramane (Mestranda em Psicopedagogia)
Júlio Fausto José (Mestrando em Psicopedagogia)
Joaquim Lourenço Marcos (Mestrando em Gestão e Administração Educacional)
Tito José Nossomarques (Mestrando em Gestão e Administração Educacional)
Ivaldo do Rosário Juca (Mestrando em Gestão e Administração Educacional)

Docente: Professor Doutor Alberto Bive Domingos

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Índice
Introdução .................................................................................................................................. 3
2. Educação para Desenvolvimento Sustentável ....................................................................... 4
2.1. Desenvolvimento Sustentável ............................................................................................. 4
2.1.2. Educação para o Desenvolvimento Sustentável .............................................................. 4
2.2. Educação e Sustentabilidade ............................................................................................... 5
2.3. Pressupostos teóricos do Desenvolvimento Sustentável..................................................... 6
2.3.1. A Institucionalização do conceito .................................................................................... 7
2.4. Desenvolvimento Sustentável: Uma alternativa para a sociedade contemporânea ............ 8
2.5. Educação Popular como alternativa do desenvolvimento sustentável ................................ 9
2.6. Educação formal e não formal e sustentabilidade............................................................. 10
2.6.1. Educação formal ............................................................................................................ 10
2.6.2. Educação não Formal ..................................................................................................... 11
2.7. Estratégias para o Desenvolvimento Sustentável ............................................................. 11
2.8. Educação para a Sustentabilidade Ambiental ................................................................... 12
2.9. Ética, Cidadania e Desenvolvimento Sustentável ............................................................. 14
2.9.1. Cidadania ....................................................................................................................... 14
2.10. Políticas públicas e legislação para a gestão sustentável: papel das ONG’s e governos;
Indicadores de sustentabilidade ............................................................................................... 15
2.10.1. Políticas Públicas ......................................................................................................... 15
2.10.2. Legislação para a Gestão Sustentável .......................................................................... 16
Quadro Legal para Conservação da Biodiversidade em Moçambique e Desafios sobre
Educação Ambiental) ............................................................................................................... 16
2.10.3. O papel das ONG’S e Governos na Educação Sustentável ......................................... 17
2.10.4. Indicadores de Sustentabilidade ................................................................................... 18
2.11. Contexto histórico, antropológico e sociológico da educação em Moçambique ............ 19
2.12. Modelos de formação dos professores em Moçambique ................................................ 21
Primeira fase: Antes da independência .................................................................................... 21
Segunda fase: Pós-independência ............................................................................................ 22
3. Metodologia ......................................................................................................................... 23
4. Considerações Finais…………………………………………………………………........24

4. Referencias Bibliográficas………………………………………………………………...25

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1. Introdução

A educação constitui o pilar central das estratégias para promover e enraizar os valores e
comportamentos que o desenvolvimento sustentável exige. Como alguns pensadores
assinalaram: “necessita-se de uma educação transformadora: uma educação que contribua a
tornar realidade às mudanças fundamentais exigidas pelos desafios da sustentabilidade. Para
acelerar o progresso em direção à sustentabilidade é necessário tornar as relações entre os seres
humanos e o mundo natural mais calorosas e afetuosas, e buscar formas de desenvolvimento
ambientais e sociais mais responsáveis”. A educação nos habilita como indivíduos e como
comunidades a compreendermos a nós mesmos e aos outros e as nossas ligações com um meio
ambiente social e natural de modo mais amplo.

As interações estabelecidas entre Desenvolvimento Sustentável e educação ganham


inicialmente visibilidade e abrangência a partir do momento em que se firmam nas discussões
e publicações resultantes de conferências em âmbito local e mundial. No entanto, a importância
da educação voltada para o desenvolvimento e, mais especificamente para a sustentabilidade,
é fortalecida no lançamento da Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável,
promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e gerenciada pela Organização das
Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

O presente trabalho de pesquisa tem como objectivo descrever a educação e desenvolvimento


sustentável em varias vertentes, tais como: área ambiental, económica, educacional. Visa ainda
descrever os pressupostos teóricos do desenvolvimento sustentável, as políticas públicas e
legislação para a gestão ambiental, as estratégias de sustentabilidade, a ética e cidadania, o
contexto histórico, antropológico e sociológico da educação em Moçambique e os modelos de
formação de professores.

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2. Educação para Desenvolvimento Sustentável

2.1. Desenvolvimento Sustentável

A Sustentabilidade refere-se ao princípio da busca pelo equilíbrio entre a disponibilidade dos


recursos naturais e a exploração deles por parte da sociedade. Ou seja, visa a equilibrar a
preservação do meio ambiente e o que ele pode oferecer em consonância com a qualidade de
vida da população.

As ideias que os indivíduos possuem sobre sustentabilidade variam, porquanto são orientadas
por posições políticas e ideológicas GUIMARÃES & TOMAZELLO (2004).

Segundo o Relatório Nosso Futuro Comum (1991, cit. em Santana, 2018), a Comissão mundial
sobre meio ambiente e desenvolvimento afirma que:

(...) o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a


exploração dos recursos, a direcção dos investimentos, a orientação do
desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e
reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender as necessidades e
aspirações humanas. (Santana, 2018, p. 4).

O conceito de desenvolvimento sustentável é um enfoque de desenvolvimento socioeconómico


orientado para a satisfação de necessidades básicas; o reconhecimento do papel fundamental
que a autonomia cultural desempenha nesses processos de mudança; oferecer um conjunto de
critérios para se avaliar a pertinência de ações mais específicas.

O aprofundamento e visibilidade nos debates em torno de uma proposta de desenvolvimento


sustentável, segundo Godard (1997), não tem sua origem no relatório de Brundtland, mesmo
reconhecendo sua contribuição, o referido autor aponta três principais correntes teóricas nos
meios científicos e dos especialistas vinculados na análise do desenvolvimento econômico e
de suas consequências sobre o meio ambiente.

2.1.2. Educação para o Desenvolvimento Sustentável

Segundo o relatório da UNESCO (2005), a Educação para o Desenvolvimento Sustentável foi


delineada para atender a uma educação restrita apenas à sustentabilidade. Todavia, influenciada
pela Agenda 21 e a Rio-92, além da produção de conhecimentos, passou a direcionar seu foco
para a preparação e envolvimento dos diversos actores sociais na caminhada em busca de um
mundo sustentável (BRASIL, 2001b).

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Dentre os diversos temas que provocam discussões na sociedade contemporânea, a educação e
o Desenvolvimento Sustentável emergem com crescente visibilidade ao longo do século XX.
Esse século presenciou fortes e danosos impactos da atuação do homem na natureza,
desencadeando debate sobre a necessidade de se rever a forma de ver a natureza e o modo de
com ela se relacionar.

2.2. Educação e Sustentabilidade

Vivemos período de crise jamais enfrentado por uma sociedade humana, o que, mais que
convergência de ideias, provoca atritos e confrontos entre seres humanos e destes com o meio
natural, ampliando os problemas de ordem socio ambiental. Essa percepção impõe a
necessidade de repensar a forma de ser e de agir da humanidade. Nesse contexto, o principal
instrumento para modificar a trajetória da humanidade é tornar efetivamente sustentável, em
todas as dimensões, o desenvolvimento, o que implica, necessariamente, o aprimoramento das
relações e do diálogo entre sustentabilidade e educação. A educação constitui,
indubitavelmente, um dos pilares de sustentação de um novo projecto de desenvolvimento,
uma vez que a ela cabe fomentar a construção e difusão de valores que estimulem, promovam
e consolidem novos comportamentos na relação homem – natureza, na linha do proposto em
“Educação: um tesouro a descobrir”:

Uma das principais funções reservadas à educação consiste, antes de tudo, em


prover a humanidade da capacidade de dominar o seu próprio desenvolvimento.
Ela deve de facto, fazer que cada um tome nas mãos o seu destino e contribua
para o progresso da sociedade em que vive, baseando o desenvolvimento na
participação dos indivíduos e das comunidades. (DELORS et al., 2012, p. 67).
Pode-se afirmar com segurança que, parafraseando Paulo Freire, se a educação sozinha não
promove o desenvolvimento assentado em sustentabilidade, sem ela a sustentabilidade estará
com certeza ausente do desenvolvimento em qualquer de suas dimensões.

Não há desenvolvimento sem a participação das próprias pessoas, mas realça-se aqui uma
participação consciente que possa condicionar o bem-estar da sociedade onde o
desenvolvimento se faz acontecer.

A Organização das Nações Unidades (ONU) em sua agenda 2030, consta a Educação de
qualidade, a qual inclui entre suas metas a promoção da educação para o desenvolvimento
sustentável e abordagens relacionadas, como a educação inclusiva, a educação para a cidadania
global, entre outros.

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Na mesma sequência, a agência da ONU destaca que a Educação para o desenvolvimento
sustentável visa despertar uma nova consciência nos indivíduos, ajudando-os a entenderem
melhor o mundo em que vivem, incluindo questões que ameaçam o futuro, como a pobreza, o
consumo predatório, a degradação ambiental, a saúde, a deterioração urbana e muito mais.

Por esta base a UNESCO tem a educação um pré-requisito para se atingir o desenvolvimento
sustentável, também um instrumento essencial à boa governação, para a tomada de decisão e a
promoção da democracia. Face a isso, a UNESCO desenvolve um programa designado "Ensino
e Aprendizagem para um futuro Sustentável", que proporciona o desenvolvimento profissional
dos professores e responsáveis pelos currículas, de políticas educativas e actores de materiais
educativos.

2.3. Pressupostos teóricos do Desenvolvimento Sustentável

A noção de desenvolvimento sustentável atingiu patamar de razão estruturante do estado de


direito ambiental. Sua ideia serve de principal referencial para a aplicação dos ditames
ambientais, tendo em vista que acabou se tornando sinônimo de defesa ecológica considera-se
legítima aquilo que promove o desenvolvimento sustentável. De fato, o consenso em torno da
expressão influi nas decisões e iniciativas dos mais diversos setores da sociedade, desde o poder
público, grandes corporações e indústrias, mídia, passando por comunidades científicas,
organizações não-governamentais e até mesmo movimentos sociais. Sua utilização – na
maioria das vezes de modo vazio ou impreciso – por grupos tão distintos parece residir
precisamente na indeterminação de seu conteúdo.

Todavia, como se sabe e verá, por detrás da aparente unanimidade subsiste uma série de
confrontos ideológicos e dificuldades técnicas. Eis que, sob o ponto de vista epistemológico,
verifica-se uma concreta dificuldade de estabelecimento, de maneira satisfatória, das causas,
efeitos e soluções para as mais variadas formas de degradação ambiental, uma vez presente
uma realidade cada vez mais complexa e conflituosa. Tal complexidade, transposta da
realidade para a teoria científica e compreendida como o conjunto de processos de associação
das partes com o todo e vice-versa (CAMPOS, 2010, p. 13), advém justamente da constatação
de que o todo é maior do que a soma das partes (CAPRA, 2006) e que tudo está inter-
relacionado e é interdependente, em contraposição a uma visão reducionista e unidimensional
da realidade.

Desse modo, a fim de se ultrapassar o plano da retórica e estabelecer a correspondência jurídica


da expressão com o direito ambiental, há de ser feita uma avaliação mais criteriosa das

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dimensões que o termo abarca, isto é, uma análise jurídica do princípio do desenvolvimento
sustentável que explicite a força e determine o alcance de sua aplicação. A propósito, cabe a
ponderação metodológica de Brugger:

O termo desenvolvimento sustentável tem sido reivindicado por diferentes


setores sociais, como forma de minimizar ou mesmo remediar a atual crise
ambiental planetária […]. Para que possamos, no entanto, nos posicionar
criticamente diante dessa nova fórmula de “salvação do planeta”, é preciso
analisar não apenas o universo ideológico contido em cada palavra
separadamente, mas, também, o momento histórico em que elas apareceram
juntas.(BRUGGER, apud NOGUEIRA, 2005, p. 49-50).

2.3.1. A Institucionalização do conceito

A primeira pauta de questionamento sobre o assunto em nível internacional ocorreu nas


instâncias da Conferência de Desenvolvimento Humano e Meio Ambiente, em Estocolmo
(1972), tendo residido justamente no debate da existência ou não de compatibilidade entre o
crescimento econômico da sociedade capitalista e a preservação dos recursos naturais. Tal
embate se deu em meio às repercussões do polêmico Relatório Meadows (Limites to Growth),
idealizado pelo Clube de Roma, em 1972.

Todavia, pelo que tudo indica, a ideia de um “não crescimento” nunca foi uma opção para os
representantes governamentais presentes na conferência. Na realidade, como se sabe, da parte
dos países industrializados sempre se tratou muito mais de um compartilhamento de
responsabilidades pela degradação ambiental, pela observância de determinados
compromissos.

O impasse culminou numa carta de compromissos, cuja maior parte dos princípios voltou-se
às iniciativas de redução da desigualdade entre os povos e do subdesenvolvimento como
solução para a crise ambiental (NOGUEIRA, 2005, p. 33). Ainda que não tivesse sido cunhado
o termo desenvolvimento sustentável, sua ideia base – a ser trabalhada adiante – já constava no
documento mencionado em seu princípio primeiro:

O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade, a condições de


vida adequadas, num ambiente com uma qualidade que permita uma vida com
dignidade e bem-estar, e o homem porta uma responsabilidade solene na
proteção e melhoria do meio ambiente para as gerações presentes e futuras.
(ONU, 1972)
A criação da expressão em si ocorreu apenas em 1986, na conferência da União Internacional
pela Conservação da Natureza, a partir do termo ecodesenvolvimento, que até então era
utilizado para se referir a uma concepção alternativa de desenvolvimento econômico

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compatível com a proteção e melhoria do meio ambiente para as presentes e futuras gerações.
Contudo, foi no célebre Relatório Brundtland de 1987, elaborado pela Comissão Mundial da
ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento após três anos de avaliação dos rumos tomados
desde Estocolmo, que se definiu e se estruturou o desenvolvimento sustentável da forma como
é entendido hoje, concebendo-o como “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades
presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias
necessidades” (ONU, 1988, p. 46). O conceito seria composto pela indissociabilidade entre
viabilidade econômica, satisfação das necessidades sociais e sustentabilidade ambiental.
Conforme esclarece Veiga, o relatório teria dirimido a confusão de significações que reinava
até ali, fornecendo uma baliza internacional mais precisa (VEIGA, 2005, p. 196.).

2.4. Desenvolvimento Sustentável: Uma alternativa para a sociedade contemporânea

O paradigma capitalista contemporâneo, que vem se consolidando mais firmemente desde o


fim da década de 1960, tem suas bases calcadas principalmente nas tecnologias de ponta, na
supervalorização do capital financeiro, no avanço das telecomunicações, no aumento da
produtividade, na flexibilização dos modos de produção, de acumulação e das relações de
trabalho e na internacionalização econômica.
Caracterizando-se por múltiplas dimensões, a internacionalização econômica, também
denominada globalização, vai além da diluição de limites entre o nacional e o internacional, e
atinge todo o modo de relacionamento entre os distintos países, povos e culturas. Nesse
processo, as grandes corporações empresariais passam a buscar inserção em diversos países,
de acordo com interesses de comercialização de seus produtos e/ ou de barateamento dos custos
de produção.
Nesse contexto, a reestruturação produtiva e adopção de formas de organização da produção
passarão a representar um instrumento chave para o alcance da denominada vantagem
competitiva das empresas nos mercados nacionais e internacionais; e a adopção de sistemas
flexíveis de produção tornar-se-á condição primeira para a “sobrevivência” das empresas diante
das necessidades de uma produção customizada, de alta qualidade e sem grandes estoques.
O desenvolvimento da produtividade econômica elimina massivamente
empregos de baixa e média qualificação, produzindo desemprego estrutural. As
sociedades desenvolvem um processo de dualização: os incluídos (que podem
ir da quase totalidade da população em países com nível educacional muito alto,
até minorias ínfimas em países de baixa internacionalização e os excluídos da
economia globalizada. (Viola; 1997, p. 65)

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O desenrolar do processo de globalização, torna ainda mais evidente a relação indissolúvel
entre as questões econômicas, políticas, sociais e ambientais, de tal modo que, refletir sobre
perspectivas de desenvolvimento na contemporaneidade implica, invariavelmente, em
reflexões que analisam o problema do desenvolvimento sob a ótica multifacetada dos
elementos que o perpassam, bem como sob a visão dos diversos atores sociais neles envolvidos.

Até recentemente, o planeta era um grande mundo no qual as atividades


humanas e seus efeitos estavam nitidamente confinados em nações sectores
(energia, agricultura, comércio) e amplas áreas de interesse (ambiental,
econômico, social). Esses compartimentos começaram a se diluir. Isto se aplica
em particular às várias “crises” globais que preocuparam a todos, sobretudo nos
últimos 10 anos. Não são crises isoladas: uma crise ambiental, uma crise do
desenvolvimento, uma crise energética. São uma só. (Nosso Futuro Comum;
1991: p. 04-05).

Dessa forma, o direcionamento dado ao crescimento econômico na atualidade acaba por


revelar-se insustentável. O descompasso existente entre a utilização e a preservação dos
recursos naturais disponíveis no vasto ecossistema mundial gera uma profunda desarmonia na
relação homem/ natureza e esse tipo de “desenvolvimento” econômico alicerçado na
degeneração dos recursos naturais reflete em problemas sócio ambientais de grande magnitude.
É justamente em meio a esse cenário que se faz mister o envolvimento de componentes do
poder público, da iniciativa privada e, também, da sociedade civil na discussão, proposição e
implantação de formas alternativas de desenvolvimento, ou seja, modelos de desenvolvimento
pautados na idéia de sustentabilidade da própria vida.

2.5. Educação Popular como alternativa do desenvolvimento sustentável

A Educação Popular é uma metodologia educacional que envolve uma prática pedagógica
problematizadora, que considera os saberes prévios e a realidade sociocultural dos envolvidos
na construção de novos saberes para emancipação do conhecimento e dos sujeitos. Estimula a
participação dialógica e um olhar crítico sobre a comunidade Sendo assim, uma ferramenta no
incentivo para as transformações sociais.
A Educação popular acompanha, apoia e inspira ações de transformação social.
Nela, o processo educativo se dá na ação de mudar padrões de conduta, modos
de vida, atitudes e reações sociais. Portanto, se a realidade social é ponto de
partida do processo educativo, este volta a ela para transformá-la.
(WERTHEIN, 1985, p. 22).
A educação popular surgiu no final do século XIX, constituiu historicamente num contexto de
luta de classes, em contradição ao sistema capitalista, visando à transformação da sociedade.
Contudo, o modo como a sociedade capitalista organiza-se hoje difere do início das discussões

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acerca da educação popular. Desse modo, e no intuito de situar o leitor na temática faz-se
necessária uma breve abordagem histórica sobre a EP, em seus aspectos: conceituais e
políticos.

Primeiramente apresentaremos uma das figuras mais importantes para educação popular Paulo,
Freire foi importante pedagogo brasileiro que desenvolveu trabalhos voltados para a educação
como ferramenta emancipadora do indivíduo.

Arroyo (2007) afirma que a educação popular resgata a preocupação com o papel da educação
na conscientização, politização e formação cultural, o que faz com que se tornem evidentes as
dimensões éticas envolvidas nesse processo. Assim, o autor afirma que tanto a reflexão teórica
quanto a preocupação prática com a ética e com a formação moral só podem existir onde a
função educativa é reconhecida.

É evidente o caráter transformador da educação, que se desenvolvida e praticada pelos


educadores com o objetivo da emancipação do homem, poderá contribuir para a construção de
um novo mundo, que seja baseado nos direitos sociais e culturais dos cidadãos. Dessa forma,
é necessário que se encare a educação como um movimento ético, que busca uma reflexão
profunda acerca das situações complexas que cercam o ser humano.

Por conseguinte, é necessário que se sensibilize a população para uma visão holística e
integradora de mundo, a qual não se restrinja a uma visão simplista da natureza como centro
das preocupações, mas que se busque pensar na integração homem-natureza como um todo

2.6. Educação formal e não formal e sustentabilidade

2.6.1. Educação formal

Gohn (2006, p. 28) define a educação formal como sendo aquela que é desenvolvida nas
escolas, com conteúdos previamente demarcados; a informal como aquela que os indivíduos
aprendem durante o seu processo de socialização – na família, bairro, clube, amigos, etc.-
carregada de valores e culturas próprias, de pertencimento e sentimentos herdados; e a
educação não formal é aquela que se apende no “mundo de vida”, via os processos de partilha
de experiências, principalmente em espaços e acções colectivas quotidianas.

A educação formal nesse contexto deve, prioritariamente, promover um aprendizado capaz de


transformar ações que economizem recursos, evitem desperdícios e gerem hábitos mais
saudáveis, ou seja, deve servir para viabilizar outro modelo de desenvolvimento.

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2.6.2. Educação não Formal

Pode-se afirmar que na educação não formal, as atividades se dão na maioria das vezes
desvinculadas do espaço escolar, de horários ou currículos. É neste processo que são
constituídos os conhecimentos que são compartilhados, por meio das relações socioculturais
entre os indivíduos. Desta forma, o processo ensino-aprendizagem ocorre espontaneamente,
contribuindo para a formação de um cidadão autônomo, crítico, reflexivo.

A educação não formal pode acontecer em diferentes proporções, pois ela


envolve o engajamento político, as experiências que se adquire ao longo da
vida, o trabalho e a identificação de potencialidades, compreensão sócio-
política da sociedade e suas organizações, construção da identidade coletiva,
uma vez que “na educação não-formal, as metodologias operadas no processo
de aprendizagem parte da cultura dos indivíduos e dos grupos” (GOHN, 2006,
p. 31).
De acordo com Gohn (2006) na educação não formal, os processos educativos dão em
territórios que acompanham as trajetórias de vida de grupos e indivíduos, em um ambiente
externo ao espaço escolar. São nestes locais que a educação não formal socializa os indivíduos,
atitudes fazendo com que os mesmos desenvolvam hábitos, comportamentos, modos de pensar
e de se expressar, segundo valores constituídos nestes espaços.

Pode-se afirmar que a educação ambiental não formal contribui efetivamente para a mudança
de postura e comprometimento das pessoas que utilizam os diferentes espaços de vivência.
Além disto, deve-se entender que tanto a educação ambiental formal e não formal tem o papel
de motivar a busca individual e coletiva em seus cotidianos, por meio de atitudes e
comportamentos ecologicamente orientados.

É importante ressaltar que há a necessidade de que haja a inter-relação entre os processos da


educação formal com a educação não formal. Acredita-se que em ambos os processos
educativos tanto formal como não formal, podem estar permeados pelas práticas de educação
sustentável, em ambos os espaços. É por isso que se defende que estas atividades educativas
sejam estimuladas, devendo ocorrer no espaço escolar e por consequência fora dele, para que
assim reflita na sociedade, bem como na melhoria do meio.

2.7. Estratégias para o Desenvolvimento Sustentável


A agenda 21 local é um processo pelo qual as entidades nacionais se envolvem com a
comunidade civil na elaboração de uma estratégia conjunta, e com um plano de acção que vise
melhorar a qualidade de vida a nível local. Têm como objectivo aplicar as recomendações
envolvendo as entidades governamentais locais, sector empresarial e industrial e sociedade

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civil. Consiste em um documento formulado durante a conferência Econo-92 que tem como
objetivo propor diretrizes para o desenvolvimento sustentável com uma forte base socio
ambiental. Existem sete pontos chaves abordados de maneira prioritária nesse documento
como estratégias de desenvolvimento sustentável que são:

 Alterações climáticas e energia limpa: As alterações climáticas provocadas pela


intensa atividade industrial desde a revolução industrial no século 19 resultaram em
diversos fenômenos climáticos que só poderão ser minimizados com a adopção de
energias limpas como, por exemplo, a eólica.
 Transporte Sustentável: A utilização de transportes coletivos ou que utilizem energia
limpa, sem combustíveis fósseis permitirá a diminuição do fluxo de veículos nas
grandes cidades e diminuição das taxas de emissão de gás carbônico.
 Consumo e produção sustentáveis: a reciclagem, consumo responsável de alimentos
e utilização responsável dos recursos hídricos para que a sociedade possa desfrutar sem
restrições mais severas desses recursos.
 Conservação e gestão dos recursos naturais: a conservação de áreas verdes e bacias
hídricas deve ser compromisso dos governos.
 Saúde pública: a manutenção da saúde pública através de políticas básicas de
saneamento.
 Inclusão social, demografia e migração: As inclusões através de políticas
assistenciais, estudantis e de qualificação profissional devem ser priorizadas para
diminuir os índices de vulnerabilidades sociais.
 A pobreza no mundo: Diminuir a pobreza atacando as suas raízes que são o
analfabetismo, concentração de renda, ausência de políticas democráticas entre outras,
são compromissos que devem constar nos planos de ação do estado.

2.8. Educação para a Sustentabilidade Ambiental

O meio ambiente, como patrimônio da humanidade, não pode ser tratado como algo a ser
dominado, destruído. A época em que sobrevivência significava dominar a natureza está muito
distante. O homem evoluiu e hoje tem consciência de que viver é buscar uma harmonia
constante com a natureza.

Segundo Morgado (2000) a Educação Ambiental deve ser vista como um instrumento
fundamental para um processo de alteração de valores, mentalidade e atitudes de modo a criar

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uma consciencialização profunda e duradoura, na sociedade, dos problemas associados com as
questões ambientais (Pereira, 2009).

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na Declaração Universal dos
Direitos Humanos, proclama como ideal comum a todos os povos e todas as nações, que os
governos se esforcem pelo ensino e pela educação, a fim de desenvolver o respeito dos direitos
e liberdades e para promover, através de medidas progressivas de ordem nacional e
internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universal, ética e efetiva na questão
sustentabilidade ambiental.

Acredita-se que o processo educativo formal articulado, em todos os níveis e modalidades em


caráter formal e não-formal, com enfoque humanista, holístico, democrático e participativo
pode auxiliar na formação de educandos comprometidos com a sustentabilidade socio
ambiental. No entanto, a falta de conhecimento sobre o assunto em questão e muitas vezes a
falta de compromisso por parte da gestão e comunidade escolar, permite que a sustentabilidade
não faça parte destes espaços. Reflexo disso são educadores sem capacitação, desatualizados,
sem formação e especialização técnico-profissional, escolas sem recursos, práticas educativas
não integradas, e sem continuidade nos níveis no ensino formal

A educação ambiental deve ser tratada de forma interdisciplinar, integrando o tema nos
currículos de língua portuguesa, matemática, ciências naturais, história, geografia, literatura,
ciências sociais, políticas e econômicas contínua e permanente, através de actividades dentro e
fora da escola e em todos os níveis de ensino, e abrangente, buscando envolver os diversos
segmentos sociais na solução dos problemas ambientais da comunidade.

A preocupação com a conservação e preservação do meio ambiente ecologicamente sustentável


é recente, a necessidade pela busca da diversidade encontrada no ecossistema leva a
preocupação de uma reflexão acerca da preservação da espécie, por meio da produção do
conhecimento que privilegie as relações entre o homem e a natureza. A responsabilidade da
família e dos educadores na educação de um aluno é fundamental na formação de visão de
mundo e de futuro, para moldar o seu caráter. Pois, educar é elemento integrante da vida.
Através da educação socio ambiental, o homem atinge o seu ideal supremo, viver em toda a
plenitude e desenvolver todas as suas potencialidades, sem agredir o meio ambiente e não
somente sobreviver.

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2.9. Ética, Cidadania e Desenvolvimento Sustentável
A ética é vista no âmbito filosófico como ramo que lida com o que é moralmente bom ou mau,
certo ou errado. E que, as palavras ética e moral têm a mesma base etimológica: a palavra grega
ethos e a palavra latina moral, ambas significam hábitos e costumes.

Com tudo, a ética é o conjunto de princípios e valores que usamos para decidir nossa conduta
social.

A Ética na educação tem como objectivo formar um indivíduo consciente de seus deveres e
direitos dentro de uma sociedade.

Para um convívio regular entre as sociedades sempre se exigiu um comportamento que, ao


longo da história se baseia nas leis estabelecidas nos pólis gregos e mais tarde, na Idade Média,
baseadas em leis estabelecidas com fundamentos no Cristianismo. Isto para proporcionar uma
margem de respeito mútuo e a sí próprio, havendo assim a responsabilidade inerente de se
repassar esses padrões a gerações futuras, que através de instituições de ensino são dadas as
bases para a adaptação na sociedade actual. Dando-se assim a ética na educação e consistindo
nesse objectivo de formação de um indivíduo consciente de seus deveres e direitos dentro de
uma sociedade.

2.9.1. Cidadania
Segundo o sociólogo britânico T.H.Marshall (1893-1981), a cidadania é um conjunto de
direitos e obrigações que compreendem três grupos de direitos. Os direitos civis, políticos e
sociais.

Com tudo, a cidadania é o conjunto de direitos e deveres exercidos por um indivíduo que vive
em sociedade, no que se refere ao seu poder e grau de intervenção no usufruto de seus espaços
e na sua posição em poder nele intervir e transformá-lo.

A prática da cidadania constitui um processo participado, individual e colectivo, que apela à


reflexão e à acção sobre os problemas sentidos por cada um e pela sociedade. O exercício da
cidadania implica por parte de cada indivíduo e daqueles com quem interage, uma tomada de
consciência, cuja evolução acompanha as dinâmicas de intervenção e transformação social.

Enquanto processo educativo, a educação para a cidadania visa contribuir para a formação de
pessoas responsáveis, autónomas, solidárias, que conhecem e exercem os seus direitos e
deveres em diálogo e no respeito pelos outros, com espírito democrático, pluralista, crítico e
criativo.

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A escola constitui um importante contexto para a aprendizagem e o exercício da cidadania e
nela se reflectem preocupações transversais à sociedade, que envolvem diferentes dimensões
da educação para a cidadania, tais como: educação para os direitos humanos; educação
ambiental/desenvolvimento sustentável; educação rodoviária; educação financeira; educação
do consumidor; educação para o empreendedorismo; educação para a igualdade de género;
educação intercultural; educação para o desenvolvimento; educação para a defesa e a
segurança/educação para a paz; voluntariado; educação para os media; dimensão europeia da
educação; educação para a saúde e a sexualidade.

Os direitos e deveres de um cidadãos devem andar sempre juntos, uma vez que o direito de um
cidadão implica necessariamente numa obrigação de outro cidadão. Não só, o conjunto de
direitos, meios, recursos e práticas, dá à pessoa a possibilidade de participar activamente da
vida e do governo de seu povo.

Nesta senda, remete-nos a saber que a Cidadania como conjunto dos direitos e deveres civis e
políticos de um indivíduo na sociedade.

Com tudo, a Ética e cidadania são dois conceitos fulcrais na sociedade humana. A ética e
cidadania estão relacionadas com as atitudes dos indivíduos e a forma como
estes interagem uns com os outros na sociedade.

O desenvolvimento sustentável é também critério de valoração ética, numa abordagem em que


se pode questionar o próprio conceito de desenvolvimento. Este conceito ético de
desenvolvimento afasta-se de uma noção meramente economicista, na qual se acredita que o
progresso económico pode resolver todos os problemas sociais através da “mão invisível” do
mercado. Um desenvolvimento humano e integral nunca poderá ser verdadeiramente humano
e integral se ignorar as necessidades das gerações futuras. Tem, necessariamente, de assentar
numa ideia de solidariedade e de justiça entre gerações, em consonância com o progresso
económico.

2.10. Políticas públicas e legislação para a gestão sustentável: papel das ONG’s e
Governos; Indicadores de sustentabilidade

2.10.1. Políticas Públicas

Políticas públicas são conjuntos de programas, acção e decisões tomadas pelos governos
(nacionais, estaduais ou municipais) com a participação, directa ou indirecta, de

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entes públicos ou privados que visam assegurar determinado direito de cidadania para vários
grupos da sociedade.

Vargas Velasques define o termo como "conjunto de sucessivas iniciativas, decisões e acções
do regime político frente a situações socialmente problemáticas e que buscam a resolução
delas, ou pelo menos trazê-las a níveis manejáveis"

As políticas educacionais fazem parte do grupo de políticas públicas sociais do país. Dessa
forma, constituem um elemento de normatização do Estado, guiado pela sociedade civil, que
visa garantir o direito universal à educação de qualidade e o pleno desenvolvimento do
educando.

Essas políticas públicas são hoje vistas como conjunto de acções e decisões do governo,
voltadas para a solução (ou não) de problemas da sociedade. Podem-se definir os planos de
educação como documentos (políticas públicas), com força de lei, que estabelecem metas para
que a garantia do direito à educação de qualidade avance em um município, estado ou país, no
período de dez anos.
Com isso, as políticas educacionais devem promover o engajamento escolar visando garantir,
a todo cidadão brasileiro, o direito ao acesso à educação em seu estado e município. ... Essa
modalidade facilita, por exemplo, o acesso à educação de jovens e adultos que precisam
conciliar trabalho e estudo.

2.10.2. Legislação para a Gestão Sustentável

Legislação é um conjunto de leis que regulariza determinada matéria ou ciência, ou ainda um


conjunto de leis que organiza a vida de um país, ou seja, o que popularmente se chama de
ordem jurídica e que estabelece condutas e acções aceitáveis ou recusáveis de um indivíduo,
instituição, empresa, entre outros.

Em uma sociedade, a função das leis é controlar os comportamentos e ações dos indivíduos de
acordo com os princípios daquela sociedade. No âmbito do Direito, a lei é uma regra tornada
obrigatória pela força coercitiva do poder legislativo ou de autoridade legítima, que constitui
os direitos e deveres numa comunidade.

Quadro Legal para Conservação da Biodiversidade em Moçambique e Desafios sobre


Educação Ambiental)

 Constituição da República de Moçambique de 2018


 Política Nacional sobre o Ambiente (Resolução 5/1995 de 3 de Agosto).
16
 Lei do Ambiente (Decreto 20/97 de 1 de Outubro).
 Regulamento sobre o Processo de Avaliação do Impacto Ambiental (Decreto nº
45/2004 de 29 de Setembro e Decreto nº 42/2008 de 4 de Novembro) Piso Salarial.
 Recursos Aquáticos- Regulamento sobre a Qualidade da Água para o Consumo
Humano (Diploma Ministerial 180/2004).
 Regulamento para a Prevenção da Poluição e Protecção do Ambiente Marinho e
Costeiro (Decreto nº 45/2006, de 30 de Novembro)
 Lei de Florestas e Fauna Bravia (Lei nº 10/99, datada de 7 de Julho).
 Lei das Pescas (Lei nº 3/90 datada de 26 de Setembro).
 Regulamento da Lei de Florestas e Fauna Bravia (Decreto nº 12/2002, de 6 de Junho)

2.10.3. O papel das ONG’S e Governos na Educação Sustentável

O mundo contemporâneo tem presenciado um expressivo crescimento das atividades


voluntárias organizadas, assim como, o surgimento de organizações sem fins lucrativos com o
objetivo de atender a demandas por serviços sociais, favorecer o desenvolvimento econômico
local, obstar a degradação ambiental, defender os direitos civis e procurar atender muitos outros
anseios da sociedade, ainda não atendidos, ou deixados sob a responsabilidade do Estado.

O alcance e a escala desse fenômeno são grandes, caracterizando uma revolução associativa
global, que resulta na formação de um terceiro setor, que vem crescendo em razão de diferentes
pressões, necessidades e demandas dos indivíduos, como cidadãos, das instituições e até dos
próprios governos refletindo um conjunto de alterações sociais, e a globalização dos riscos
ambientais

Actualmente, ONG representa um grupo social organizado, entidade privada sem fins
lucrativos, descentralizadas e vinculadas às questões locais na grande maioria, voltadas a
educação. Todavia, constituído formal e autonomamente, por acções de solidariedade no
campo das políticas públicas e pelo legítimo exercício de pressões políticas em proveito de
populações excluídas das condições da cidadania.

As ONGs de desenvolvimento sustentável só podem ser criadas em cima de leis respeitando a


cidadania e a democracia para que ela possa contribuir com a sociedade, conservando a
natureza, harmonizando a atividade humana com a conservação da biodiversidade e com o uso
racional dos recursos naturais, para o benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações.

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O estado, tem como principal papel, regular a forma de educação, os seus planos e políticas,
também tem a obrigação de garantir educação pública e gratuita para as pessoas mais pobres,
por exemplo, através da criação de escolas de nível fundamental, médio e superior.

É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: I - ensino fundamental, obrigatório e


gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. O não oferecimento
do ensino obrigatório pelo poder público ou sua oferta irregular importa responsabilidade da
autoridade competente.

2.10.4. Indicadores de Sustentabilidade

Indicadores de desenvolvimento sustentável são instrumentos essenciais para guiar a acção e


subsidiar o acompanhamento e a avaliação do progresso alcançado rumam ao desenvolvimento
sustentável. Devem ser vistos como um meio para se atingir o desenvolvimento sustentável e
não como um fim em si mesmos.

Um instrumento utilizado para monitorar o desenvolvimento sustentável são os indicadores de


sustentabilidade, os quais são responsáveis por capturar tendências para informar os agentes de
decisão, orientar o desenvolvimento e o monitoramento de políticas e estratégias.

Conforme os pesquisadores Spangenberg (2002) e Malheiros, Phillip Jr. e Aguiar (2005) os


indicadores para o desenvolvimento sustentável podem ser divididos em 4 seguimentos:

 Indicadores Sociais: Diz respeito ao nível de empregabilidade, igualdade e exclusão


social, falta de recursos e distribuição de recursos, qualidade de vida, e outros.

 Indicadores económicos: Refere-se à produção, consumo, uso de bens não renováveis


como energia eléctrica, aumento dos aspectos económicos, dentre outros.

 Indicadores ambientais: Uso sustentável do meio ambiente, preservação do solo,


cuidados com as questões climáticas e outros elementos.

 Dimensão institucional: as organizações são o resultado de procedimentos


interpessoais, tais como a comunicação e cooperação, que norteiam a informação e
sistemas de normas que dirigem os membros da sociedade.

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2.11. Contexto histórico, antropológico e sociológico da educação em Moçambique

Desde sua colonização, Moçambique teve seu território dividido segundo interesses
econômicos e utilitários de Portugal. As relações humanas eram pautadas pela racionalização,
o que gerou situações extremas, como a escravização. A prática de classificação da população
em indígenas e colonos fez parte dos processos históricos que marcaram a formação de
Moçambique e precisam ser considerados quando se discute a formação social, enfaticamente
no que diz respeito à educação e ao sistema de ensino no país Cabaço (2007).

Tal como a situação de seu território, a população também se encontrava dividida. Os


colonizadores, a esta altura, propuseram ainda uma classificação entre as pessoas que ali
residiam, separando quem era considerado “cidadão”, como os colonos e filhos dos colonos,
dos considerados “indígenas”, que eram a parcela da população moçambicana e dos africanos
negros.

O Estatuto do indigenato trazia consigo questões que envolviam principalmente os costumes


para definir a classificação quanto à “identidade indígena” ou não, fazendo surgir uma nova
categoria classificatória: a dos assimilados. Segundo alguns autores Cabaço (2007), Hernandez
(2008), Zamparoni (2000), compunham essa categoria os indivíduos que apresentassem
determinados requisitos exigidos pelo governo português: abandonar os “usos e os costumes
maternos”; conhecer a língua portuguesa de maneira avançada (leitura, fala e escrita); adotar a
monogamia; trabalhar com uma profissão compatível com a visão portuguesa; não ter sido
notado como refratário ao serviço militar nem dado como desertor.

A categoria de assimilado foi uma classificação colonial instituída com o intuito de separar os
africanos e criar novas barreiras entre eles: aqueles que seguiam as tradições africanas eram
considerados indígenas e não tinham acesso aos bens sociais, como escola, serviços
assistenciais, empregos, saúde, entre outros; já aqueles que demonstrassem deixar sua cultura
e tradições, aliando-se ao governo português, poderiam ter acesso a estes recursos. O título não
era vitalício, podendo ser retirado a qualquer momento: caso fosse, por exemplo, provado que
a pessoa continuasse a exercer suas práticas religiosas de matrizes africanas (Cabaço2007),
Hernandez (2008), Zamparoni (2000).

Tais medidas caracterizavam os “indígenas” como um não-cidadão, alargando as fronteiras


entre africanos e colonizadores, nas quais umas parcelas de “direitos” eram ofertadas em forma
de concessão.

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Para as crianças “indígenas” as escolas ofertadas de ensino gratuito eram insuficientes, sendo
as existentes regidas por missões católicas. Segundo Selimane (2012), os objetivos da educação
colonial eram ligados a um propósito discriminatório, bem como os propósitos da colonização:
a educação possuía um cunho rácico e marginalizante, com currículos distintos entre os filhos
dos colonos e as demais crianças moçambicanas, na qual os moçambicanos deviam ser
“civilizados” e a educação devia, sobretudo, estar voltada para a formação em trabalhos
manuais, legitimada por um discurso que afirmava que os indígenas, mais habituados ao clima,
poderiam ser educados só na medida e na exigência do trabalho muscular, perpetuando a
opressão e discriminação aos mesmos Basílio (2010), Castiano, Ngoenha & Berthoud (2005).

O sistema educacional era unificado a todo o império pelo modelo em vigor na metrópole. Na
escola primária, em Moçambique, estudava-se até meados da década de 1960, em textos que
se referiam à vida rural em Portugal, sua vegetação e fauna, sua paisagem, seus “usos e
costumes”. Era a tentativa de alienação física do espaço sociocultural e da natureza que cercava
a criança das colônias. Tal situação fez surgir no país uma onda de reivindicações, que
começaram a se espalhar entre os moçambicanos.

Entre 1964 e 1975, Moçambique passou por uma guerra de libertação, contra o colonialismo
português. Com o fim da guerra e a conquista da independência nacional, a educação passou a
ser uma das prioridades do novo governo. Foram adoptadas disciplinas com conteúdos,
referenciais e objetivos que dialogassem com a realidade moçambicana, no intuito de
democratizar e ampliar o acesso à educação, pautados na organização das instituições políticas
do Estado e de sistemas educacionais que visassem a reconstrução do território e simbologia
nacional Macamo (2015).

Em 1983, com a introdução da SNE (Sistema Nacional de Educação), foram definidas as bases
e diretivas do sistema educativo, revisadas em 1992, incorporando as mudanças adotadas com
a nova Constituição da República, assinada no acordo de paz em 1992 e acrescentando na
educação aspectos relevantes para a ampliação e alcance do ensino, como, por exemplo, a
perspectiva da multiculturalidade presente no ensino e de uma ligação estreita entre escola e
comunidade, com valorização e desenvolvimento das línguas nacionais e a oferta de um ensino
que garanta a igualdade de oportunidades aos cidadãos (Mugime & Leite, 2015, p. 91),
Selimane (2012).

Como estratégia global, o governo moçambicano adoptou, em 1995, a Política Nacional de


Educação, definiu a educação básica (crianças a partir de 6 anos) e a alfabetização e educação

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de adultos como prioridades e expandiu o número de escolas (a maioria havia sido devastada
durante o período da guerra civil).

Os estudos universitários foram apenas introduzidos nos anos 60, com a criação de uma escola
superior. Os cursos de Ciências Sociais e Humanas, estavam restringidos apenas a algumas
disciplinas, onde não havia lugar para estudos relativos à Sociologia, à Antropologia e às
Ciências Políticas. A táctica de ‘dividir para reinar’ que tão bem caracterizou vários processos
de colonização no mundo, foi também aplicada pelo governo colonial no direccionamento da
produção intelectual em Ciências Sociais, como o atestam as formas como o regime manipulou
a produção científica nos campos da História e da Antropologia.

Neste processo, jogou um papel vital o Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo
Mondlane, particularmente no domínio da pesquisa, onde as práticas de campo e a necessidade
de combinar o trabalho empírico e o teórico foram valorizadas, e a Faculdade de Letras da
mesma universidade, que através de debates, reformas curriculares e produção científica,
trouxe também novas contribuições.

Depois da independência nacional, Moçambique tinha apenas uma universidade, hoje, tem
varias universidades de entre elas públicas e privadas, para a formação de pessoal.

2.12. Modelos de formação dos professores em Moçambique

Em Moçambique tiveram espaço vários modelos de formação de professores, de acordo com a


vontade política do momento e o tipo de cooperação adoptado pelo país para a formação do
corpo docente. Diversas experiências foram aplicadas entretanto, pode-se distinguir duas
grandes fases da formação dos professores: antes da independência e pós-independência.

Primeira fase: Antes da independência

De acordo com Niquice (2006), nesta fase existiam dois tipos de escolas de formação de
professores a saber:

a) A primeira escola de habilitação de professores, foi criada em 1930 para a formação de


professores do ensino primário rudimentar. Os mesmos professores podiam ser colocados
nas escolas oficiais, particulares ou nas missões religiosas. Esta escola destinava-se à
formação dos indígenas.
b) Magistérios Primários (de 1962 a 1966), foram criados para formar professores do ensino
primário com habilitação legal para ensinar os filhos dos colonos. Nesta primeira fase, os

21
candidatos à formação de professores tinham que possuir a quarta classe e, por sua vez, a
formação tinha uma duração de três anos. A questão central que levou Moçambique a
alterar o Sistema Nacional de Educação, foi a exclusão do povo moçambicano no sistema
público de Educação pelo regime colonial português, pois, foi um sistema menos
abrangente, no qual grande parte da população não teve oportunidade de ingresso, causando
um elevado número de população analfabeta. Na visão de Mazula (1995), as recapitulações
históricas evidenciam que o sistema de Educação colonial, estava organizado em dois
subsistemas de ensino: “Oficial” destinado aos filhos dos colonos e assimilados, sendo
dependentes das estruturas governamentais e um outro sistema para os africanos, os
“indígenas”, um ensino rudimentar dirigido pelas missões com o objectivo de elevar de
uma forma gradual a vida “selvagem” à vida civilizada.

Segunda Fase: Pós-independência

Depois da independência nacional, em Junho de 1975, a situação mudou. Com isso, houve
necessidade de formar um “homem novo” liberto dos pesadelos da colonização e capaz de
desenvolver o país, como afirmava Samora Machel: “o futuro de Moçambique necessitaria de
gente bem formada para desenvolver o país” Duarte (2009).

Em 1982 e 1983, foram introduzidos modelos de tipo 6ª+1 e 6ª+3 anos de formação, com os
seguintes objectivos: adquirir conhecimentos que permitissem melhorar o ensino no país;
formar o professor com capacidades reflexivas e muni-lo de conhecimentos relacionados com
a área de pedagogia e didáctica, sendo esta a base para a prática docente Funes (2012). Em
1991 introduziu-se o modelo de 7ª+3 anos de formação. Esta mudança de 6ª +1 para 7ª +3 anos
de formação, como afirmam Golias e Tomo, citados por Funes (2012) deveu-se à constatação
segundo a qual “os cursos de duração igual ou inferior a um ano não asseguravam aos futuros
professores o desenvolvimento de um conjunto de habilidades e capacidades para exercer o seu
ofício com competências mais adequadas ao ritmo do desenvolvimento do país”. Os princípios
gerais que acompanhavam esse processo de formação eram segundo MINED (1995), como
citado em Funes (2012), a articulação da teoria com a prática, isto é uma interligação entre o
que se aprendia na sala com o que acontecia realmente nas escolas (o estágio ajudava a viver
essa interligação); a transferência de conhecimentos, atitudes e competências profissionais para
a profissão e o princípio da inovação e investigação, o que significa que sempre foi preocupação
das instâncias formadoras de professores, inculcar desde a formação a cultura da pesquisa
porque acreditava-se no conhecimento e na ciência sempre dinâmicos e em construção. Neste

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novo modelo, a formação ajustou-se à nova realidade de Moçambique, caracterizada pelo
multipartidarismo.

De acordo com Duarte (2009), citado em Funes (2012), em 1996 entrou em vigor o curso de
10ª+2 anos de formação docente nos Institutos de Magistérios Primários (IMAP`s). Introduziu-
se este modelo para formar professores habilitados em matérias pedagógicas tendo em vista a
inovação. Neste currículo “privilegiou-se uma perspectiva integrada teórico-prática, facilidade
na transmissão dos conhecimentos, atitudes e competências para a prática profissional futura,
a inovação e a investigação. Segundo DNFPTE (2004), em 2008 entram em vigor os modelos
de formação de professores de tipo 10ª +1 e 12ª+1, com o objectivo principal de formar um
professor/educador com apetrechos profissionais, capaz de conciliar a teoria com a prática e,
acima de tudo, um professor pesquisador.

No quadro da implementação da lei 18/2018 do Sistema Nacional de Educação, aprovado em


Dezembro de 2018, entrou em vigor o novo modelo do de formação de professores para o
Ensino Primário e educação de adultos, na modalidade 12ª classe + 3 anos, cujo objectivo é
melhorar a qualidade de formação do corpo docente, de modo a resultar na elevação das
competências dos alunos.

3. Metodologia

Para a efectivação do presente trabalho de pesquisa recorreu-se a pesquisa de aporte teórico,


de paradigma qualitativa com enfoque descritivo.

De acordo com Gil (1989, p.175) a pesquisa qualitativa proporciona o aprofundamento da


investigação das questões relacionadas ao fenómeno em estudo e das suas relações, mediante
a máxima valorização do contacto directo com a situação estudada.

Quanto aos objectivos é descritiva, para Gil (2001), ʿʿA pesquisa descritiva visa descrever as
características de determinada população ou fenómeno ou estabelecimento de relações entre
variáveis.

No que diz respeito as técnicas de recolha de dados, o estudo teve como base a consulta
bibliográfica. Para Fonseca (2002, p. 32) “a pesquisa bibliográfica é feita a partir do
levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e
eletrônicos”. A pesquisa bibliográfica baseou-se nas obras de alguns autores que retratam sobre
o tema em estudo.

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4. Considerações Finais
O presente trabalho concluir que a sustentabilidade refere-se ao princípio da busca pelo
equilíbrio entre a disponibilidade dos recursos naturais e a exploração deles por parte da
sociedade. Ou seja, visa a equilibrar a preservação do meio ambiente e o que ele pode oferecer
em consonância com a qualidade de vida da população.

O desenvolvimento sustentável, visto o despertar de consciência da sociedade como um todo


para a ideia de que os recursos naturais não são infinitos como muitos pensavam. As inúmeras
discussões por parte da comunidade científica acerca das questões relacionadas ao meio
ambiente e sua intensa degradação por parte da ação antrópica também colocaram esse termo
em evidência. As políticas educacionais devem promover o engajamento escolar visando
garantir, a todo cidadão brasileiro, o direito ao acesso à educação em seu estado e município.
Essa modalidade facilita, por exemplo, o acesso à educação de jovens e adultos que precisam
conciliar trabalho e estudo.

A conservação e preservação do meio ambiente ecologicamente sustentável é recente, a


necessidade pela busca da diversidade encontrada no ecossistema leva a preocupação de uma
reflexão acerca da preservação da espécie, por meio da produção do conhecimento que
privilegie as relações entre o homem e a natureza

Em Moçambique tiveram espaço vários modelos de formação de professores, de acordo com a


vontade política do momento e o tipo de cooperação adoptado pelo país para a formação do
corpo docente. Diversas experiências foram aplicadas entretanto, pode-se distinguir duas
grandes fases da formação dos professores: antes da independência e pós-independência.

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5. Referências Bibliográficas
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cruzamentos, dos hibridismos a outros contributos. Medi@ções – Revista Online da
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doutorado em Antropologia Social, Departamento de Antropologia, Faculdade de
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