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Aula 00

Direito Empresarial p/ XX Exame de Ordem- OAB


Professor: Gabriel Rabelo

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Direito Empresarial XX Exame da OAB
Teoria e exercícios comentados
Prof. Gabriel Rabelo Aula 00

AULA 00: AULA DEMONSTRATIVA

SUMÁRIO

1 APRESENTAÇÃO...................................................................................................................................... 1
2 A ATIVIDADE EMPRESARIAL............................................................................................................... 6
2.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO HISTÓRICA, AUTONOMIA, FONTES E CARACTERÍSTICAS.
TEORIA DOS ATOS DO COMÉRCIO, TEORIA DA EMPRESA. ................................................................. 6
3 FONTES DO DIREITO EMPRESARIAL.................................................................................................. 7
4 AUTONOMIA DO DIREITO EMPRESARIAL ........................................................................................ 8
5 EMPRESÁRIO (ART. 966 DO CÓDIGO CIVIL) ..................................................................................... 8
6 EXCEÇÕES AO REGIME EMPRESARIAL ........................................................................................... 10
6.1 PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 966 – PROFISSIONAIS LIBERAIS ....................................... 10
6.2 SOCIEDADES COOPERATIVAS ....................................................................................................... 13
6.3 SOCIEDADES DE ADVOGADOS ...................................................................................................... 13
6.4 LEI 13.247/2016 – SOCIEDADE UNIPESSOAL DE ADVOGADOS ............................................... 14
6.5 PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS QUE EXPLOREM A ATIVIDADE RURAL ............................ 17
7 REGISTRO................................................................................................................................................ 18
8 CAPACIDADE E IMPEDIMENTO ......................................................................................................... 21
8.1 PONTO AVANÇADO – MENOR EMANCIPADO ............................................................................ 25
9 EMPRESÁRIO INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA .............................................. 29
10 SOCIEDADE DE SÓCIOS CASADOS, ENTRE SI OU COM TERCEIROS .................................... 36
11 EMPRESÁRIO CASADO .................................................................................................................... 37
12 EMPRESA X EMPRESÁRIO X ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL ....................................... 38
13 ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL ............................................................................................ 41
13.1 DEFINIÇÃO.......................................................................................................................................... 42
13.2 CUIDADOS A SEREM LEVADOS PARA A PROVA ....................................................................... 42
13.3 NATUREZA JURÍDICA DO ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL ............................................ 43
13.4 ALIENAÇÃO DO ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL (TRESPASSE) .................................... 44
13.5 CLÁUSULA DE NÃO-RESTABELECIMENTO ................................................................................ 46
13.6 CONTRATOS ANTERIORES NO TRESPASSE ................................................................................ 47
13.7 AVIAMENTO ....................................................................................................................................... 48
14 RESUMO – DIREITO EMPRESARIAL – AULA 00 .......................................................................... 51
15 QUESTÕES COMENTADAS .............................................................................................................. 54
16 GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA ..................................................... 58
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1 APRESENTAÇÃO

Olá, meus amigos. Como estão?!

Hoje, damos início, aqui no Estratégia Concursos, à sua preparação em


Direito Empresarial para o XX Exame de Ordem, a ser realizado na data
provável de 20 de março de 2016.

Antes de iniciar o nosso curso, gostaríamos de dar uma rápida “palavrinha”


acerca do Exame da OAB, que, sem dúvida, é um passo importantíssimo na
carreira de vocês! E, por ser um passo importante, merece receber grande
atenção.

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A prova da OAB vem se tornando cada vez mais difícil com o passar do
tempo. Analisando-se todos os exames já organizados pela Fundação Getúlio
Vargas – a conhecida FGV, a média histórica de aprovação é de 17,5%
dos inscritos. Ou seja, a cada 10.000 inscritos, apenas 1.750 são
aprovados. É uma média muito baixa.

Mas por que tanta gente não consegue a aprovação?


Há uma série de razões que explica isso. No entanto, consideramos que os 3
(três) principais problemas dos alunos são os seguintes:

a) Não ter o hábito de leitura: As provas da FGV estão apresentando textos


cada vez mais longos, exigindo que o candidato tenha se acostumado a ler
durante a sua preparação. No dia da prova objetiva, você vai ficar 5 horas em
intensa leitura. Se, durante a sua preparação, você não tiver lido bastante,
dificilmente conseguirá identificar as “pegadinhas” da banca.
b) Não conhecer a banca examinadora: É muito comum que o candidato
estude sem foco e perca muito tempo com assuntos pouco ou quase nunca
cobrados pela FGV no Exame de Ordem. Chega o dia da prova e cai tudo
diferente do que você tinha estudado.
c) Não resolver questões de provas anteriores: As questões da FGV têm
um estilo bastante peculiar de cobrança. Muitas delas, são casos práticos, que
exigem, além do conhecimento teórico, uma adequada interpretação do futuro
advogado.

A metodologia do Estratégia Concursos se direciona a combater exatamente


esses 3 (três) grandes problemas. Nos cursos do Estratégia para a OAB, você
terá acesso a:

a) Teoria Resumida (baseada em estatísticas): Os professores do Estratégia


Concursos explicarão a teoria apenas na medida do necessário para que você
consiga resolver todas as provas da OAB. Nem mais nem menos! Foco é a
nossa palavra de ordem! Você só vai ler aquilo que for essencial para a sua
prova!
b) Resolução de todas as questões das provas da OAB aplicadas pela
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FGV: Em nossos cursos, os professores irão comentar todas as provas


anteriores da OAB. Você terá a oportunidade de praticar bastante
c) Fórum de dúvidas, no qual você terá acesso direto ao professor.
d) Videoaulas específicas para o Exame da OAB: teremos vídeos
específicos e objetivos para a realização da prova de vocês. Serão 4 a 5 horas
de aulas em vídeo gravadas para a OAB! As aulas estão sendo gravadas
e serão disponibilizadas o mais breve possível.

Para que você tenha uma noção de como o nosso curso será construído,
apresentamos a seguir o Raio-X da OAB em Direito Empresarial. Essa análise
foi feita a partir de um exame detalhado de todos os exames da OAB aplicados
pela FGV, que nos indica as seguintes estatísticas de cobrança de questões (por
assunto):

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Assuntos N. de questões
Direito Societário 39
Cooperativas 1
EIRELI 3
Empresário 6
Escrituração 1
Estabelecimento Empresarial 3
Locação de shopping center 1
Operações societárias 1
Registro 2
Sociedade em comum 1
Sociedade em conta de participação 3
Sociedade Limitada 6
Sociedades Anônimas 8
Sociedades Simples 2
Subsidiária Integral 1
Contratos Mercantis 7
Agência 1
Alienação Fiduciária 1
Arrendamento Mercantil 1
Comissão 1
Factoring 1
Hedge 1
Franquia 1
Direito Falimentar 15
Falência 10
Recuperação Extrajudicial 1
Recuperação Judicial 4
Títulos de crédito 17
Aceite 1
Aval 00000000000
1
Cheque 5
Conceitos Gerais 2
Debêntures 1
Duplicatas 1
Endosso 1
Letra de câmbio 1
Nota Promissória 3
Protesto 1
Propriedade Industrial 5
Desenho Industrial 1
Invenção/Modelo de Utilidade 2
Marcas 1
Arbitragem 1

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Total 83

Em termos percentuais, temos o seguinte:

Assuntos N. de questões Percentual


Direito Societário 39 47%
Contratos Mercantis 7 8%
Direito Falimentar 15 18%
Títulos de crédito 17 20%
Propriedade Industrial 5 6%
Total 83 100%

Vejam, portanto, que metade das nossas questões são relativas ao direito
societário. Será o tópico ao qual daremos maior ênfase neste curso,
indubitavelmente.

Antes de começarmos, permita-me uma breve apresentação.

Meu nome é Gabriel Rabelo, sou Auditor Fiscal da Secretaria da Fazenda


do Estado do Rio de Janeiro, tendo também, dentre outros, exercido o cargo
de Auditor Fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado do Espírito Santo.

Sou professor colaborador de direito empresarial e contabilidade no sítio do


Estratégia.

Ministro, também, contabilidade e direito empresarial em cursos presenciais


preparatórios para concursos em Vitória e, em videoaula, no Eu Vou Passar.

Sou autor dos livros 1.001 Questões Comentadas de Direito Empresarial –


FCC e 1.001 Questões Comentadas de Direito Administrativo – ESAF,
este último em co-autoria com a professora Elaine Marsula, ambos publicados
pela Editora Método.
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Além disso, publiquei, com o professor Luciano Rosa, um livro de Contabilidade,


chamado Contabilidade avançada facilitada para concursos também pela
Editora Método – Teoria e Questões.

Nossas aulas, serão assim divididas:

AULA CONTEÚDO DATA


1 Do Direito de Empresa. 1.1 Do conceito de Empresa. 1.2 Do
Empresário. 1.3 Da caracterização e da inscrição. 1.4 Da
Aula 0 14.04.2016
capacidade. 1.6 Da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada. 4
Do Estabelecimento. 4.1 Disposições gerais. 4.2 Clientela e aviamento.
5 Dos Institutos Complementares: 5.1 Registro Público de Empresas
Aula 1 Mercantis, 5.2 Nome empresarial, 5.3 Dos prepostos e 5.4 Da 22.04.2016
escrituração.2 Da Sociedade. 2.1 Disposições gerais. 2.2 Da sociedade

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AULA CONTEÚDO DATA


não personificada. 2.3 Da sociedade em comum. 2.4 Da sociedade em
conta de participação. 2.5 Da sociedade personificada. 2.7 Da distinção
entre sociedade empresária e não empresária. 2.9 Das sociedades de
pessoas. 2.10 Da sociedade simples. 2.11 Da sociedade em nome
coletivo. 2.12 Da sociedade em comandita simples. 2.13 Da sociedade
limitada.
2 Da Sociedade. 2.1 Disposições gerais. 2.2 Da sociedade não
personificada. 2.3 Da sociedade em comum. 2.4 Da sociedade em conta
de participação. 2.5 Da sociedade personificada. 2.7 Da distinção entre
Aula 2 sociedade empresária e não empresária. 2.9 Das sociedades de 01.05.2016
pessoas. 2.10 Da sociedade simples. 2.11 Da sociedade em nome
coletivo. 2.12 Da sociedade em comandita simples. 2.13 Da sociedade
limitada. 2.15 Da sociedade cooperativa.
3.2 Da nacionalidade da sociedade e da sociedade dependente de
autorização. 6 Das Sociedades por Ações. 6.1 Lei n. 6.404/1976. 7 Dos
Valores Mobiliários. 7.1 Do Mercado de Valores Mobiliários. 7.2 Da
Comissão de Valores Mobiliários. 2.6 Desconsideração da personalidade
Aula 3 11.05.2016
jurídica da sociedade empresária 2.8 Sociedade de Propósito Específico
(SPE) 2.14 Da sociedade em comandita por ações. 2.16 Das sociedades
coligadas. 3 Da liquidação da sociedade. 3.1 Da transformação, da
incorporação, da fusão e da cisão das sociedades.
8 Da Recuperação Judicial, Extrajudicial e da Falência do Empresário e
Aula 4 20.05.2016
da Sociedade Empresária. 9 Dos Contratos Empresariais.

Aula 5 10 Dos Títulos de Crédito. 29.05.2016


12 Da Propriedade Intelectual. 12.1 Das Patentes. 12.2 Dos Desenhos
Industriais. 12.3 Das Marcas. 12.4 Das Indicações Geográficas. 12.5 Da
Concorrência Desleal. 12.6 Da Transferência de Tecnologia e da
Aula 6 Franquia. 13 Da proteção da propriedade intelectual de programa de 10.06.2016
computador – Lei nº 9.609/1998. 14. Defesa da Concorrência. Lei n.
12.529/2011. Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência. Infrações
da Ordem Econômica. Controle de Concentrações.

Aula 7 Contratos mercantis 19.06.2016

Portanto, pessoal, por enquanto é isso! Vamos começar a falar um pouco sobre
o direito empresarial?

Forte abraço.
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Gabriel Rabelo

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SONHAR GRANDE E SONHAR PEQUENO DÁ O MESMO TRABALHO!


(JORGE PAULO LEMANN)

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2 A ATIVIDADE EMPRESARIAL.

2.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO HISTÓRICA, AUTONOMIA, FONTES E CARACTERÍSTICAS.


TEORIA DOS ATOS DO COMÉRCIO, TEORIA DA EMPRESA.

Pressuposto básico para se estudar qualquer disciplina é saber do que ela trata.
E no direito empresarial isso ganha outro fator de relevância: as bancas
exploram seu conceito e evolução em provas.

Inicialmente, você deve saber o que é direito empresarial. E o que é,


professor?! Podemos defini-lo, em síntese, como o regime jurídico especial
de direito privado destinado à regulação das atividades econômicas e
dos seus agentes produtivos.

O direito empresarial tem origem na Idade Média, com o surgimento da


necessidade de normas que sistematizassem as transações realizadas pelos
comerciantes à época. Em sua criação, os próprios comerciantes ditavam as
normas que seriam aplicáveis às relações, era um direito feito pelas próprias
partes, assim vigendo por longo período.

Em uma segunda fase, já com a criação de Monarquias, no início do século XIX,


houve a criação do Código Napoleônico, que, bipartindo o direito privado em
civil e comercial, criou a teoria dos atos do comércio.

De acordo com a teoria dos atos do comércio, sempre que alguém praticava
atividade econômica que o direito considerava ato de comércio, submeter-se-ia
às obrigações do Código Comercial, a ele se sujeitando. A caracterização de
uma pessoa como comerciante era feita com base em uma lista de
atividades. Funcionava basicamente assim: X praticava atividade de venda de
mercadorias, logo estava coberto por um manto jurídico, que era o regime do
direito comercial, gozando de uma série de privilégios que lhe seriam
garantidos, como concordata, celebração de contratos mercantis, etc.

Ocorre que muitas atividades importantes, como a prestação de serviços e as


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atividades rurais, não se encontravam na lista, o que, em certo momento,


tornou inaplicável a teoria dos atos de comércio, já difundida mundo afora.
Como um prestador de serviço poderia olhar para o vizinho que vendia
mercadorias e, ambos exercendo atividades econômicas, seriam submetidos a
tratamento tão diferenciado?

A teoria perdurou até a segunda guerra mundial, quando, na Itália,


revolucionariamente, surge a unificação do direito privado, com a criação da
teoria da empresa. E o que vem a ser?

Segundo a teoria da empresa, o direito empresarial não mais regularia a


atividade de setores específicos. A forma de produzir ou circular bens
ou serviços, a forma empresarial, é que seria agora levada em

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consideração. A partir daquele momento, não se olharia mais para quem era x
ou quem era y, mas, sim, para o modo como estes sujeitos organizavam seu
trabalho. Em regra, todo aquele que organizasse seu negócio profissionalmente,
para produzir ou circular bens ou serviços poderia usufruir das benesses trazida
pelo Direito Empresarial.

O Código Comercial brasileiro de 1850 fora fortemente influenciado pela teoria


dos atos do comércio. Todavia, leis esparsas anteriores ao Novo Código Civil de
2002 já previam a utilização da teoria da empresa, como o Código de Defesa do
Consumidor, juntamente de doutrina e jurisprudência.

O CC 2002 veio ao mundo apenas aniquilar a teoria dos atos do comércio de


nosso ordenamento.

Por esse motivo, torna-se, hoje, mais exata a denominação direito empresarial,
no lugar do já consagrado nome direito comercial (embora ambas sejam aceitas
doutrinariamente). A expressão comerciante designava determinadas categorias
que estavam sob o manto das regras da teoria dos atos do comércio. Já o
termo empresário é deveras mais moderno e abrangente.

Importante: o Código Civil de 2002 não adotou a teoria dos atos de


comércio, mas, sim, a teoria da empresa.

Empresário não é quem exerce a atividade X


ou Y, mas, sim, quem exerce atividade
econômica profissionalmente organizada para
a produção ou circulação de bens e serviços
(Código Civil, art. 966).

3 FONTES DO DIREITO EMPRESARIAL

A principal fonte do direito empresarial, como não poderia deixar de ser, é a lei.
O direito empresarial pauta-se, em primeiríssimo lugar, em nossa Constituição
Federal. Em seguida, temos outros textos normativos, como o Código Civil de
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2002, o Código Comercial de 1.850 (parte não revogada, sobre comércio


marítimo), e diversas leis esparsas, tais como a Lei de Falências e Recuperação
Judicial (11.101/2005), a lei que regula o exercício do comércio pelos micro e
pequenos empresários (Lei Complementar 123/2006), Lei das Sociedades
Anônimas (Lei 6.404/76), Lei do Cheque, entre outras diversas.

Ademais, como fonte secundária do Direito


Comercial, temos os usos e costumes.

Alguns doutrinadores negam à jurisprudência e


doutrina o status de fontes. Entretanto, não se pode
olvidar da importância destes instrumentos à
evolução do direito empresarial.

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4 AUTONOMIA DO DIREITO EMPRESARIAL

O direito do comércio tem hoje seu regulamento tratado, em boa parte, no


Código Civil de 2002. Muitos têm propalado que o direito civil e empresarial
teriam se unificado, formando o que doutrinadores denominam de direito
privado.

Tal assertiva deve ser analisada com cuidado. Primeiro, por que a Constituição
Federal prevê a distinção entre ambos:

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo,


aeronáutico, espacial e do trabalho;

Segundo, por que, embora o Código Civil tenha abordado relativa parte do
Direito Empresarial em seu bojo – Livro II, não há esgotamento da matéria ali.
O direito empresarial tem uma vasta legislação esparsa.

Por fim, defendemos a autonomia do direito empresarial também pelo fato de


ele guardar características distintas, que o diferenciam de qualquer outro ramo
do direito.

5 EMPRESÁRIO (ART. 966 DO CÓDIGO CIVIL)

Já sabemos um pouco sobre a evolução do direito empresarial (passando da


teoria dos atos de comércio para a teoria da empresa, da figura do comerciante
para a do empresário).

Pois bem, o conceito de empresário está esculpido no Código Civil, em seu


artigo 966, e sua importância para o nosso certame dispensa comentários.
Vejamos:
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Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade


econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

São estes, pois, os requisitos para que alguém seja classificado como
empresário:

Requisitos
Atividade econômica
Empresário Organização
Produção ou circulação de bens ou serviços
Capacidade/não impedimento

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1) Profissionalismo: O negócio não pode ser praticado em caráter eventual,
mas deve ser feito rotineiramente, assumindo-o o empresário como seu ofício.
Assim, uma pessoa que vende o seu único carro a um terceiro não será
caracterizada como empresária por este motivo.
2) Organização: A pessoa deve praticar a atividade de forma organizada,
dispondo do chamado estabelecimento empresarial, que é o conjunto de bens
móveis e imóveis, corpóreos e incorpóreos, utilizados para o exercício da
atividade.
3) Atividade econômica: Vejam que o Código arrolou tanto a circulação de
bens como a prestação de serviços, entre outras.
4) Capacidade e não impedimento: veremos mais à frente este conceito. Por
ora, devemos saber que a pessoa para ser empresária deverá ser considerada
como capaz de direitos e obrigações. Também não poderá ser impedida por lei
de exercer o empresariado.

Portanto, uma pessoa que exerce a atividade de venda de carros, possui uma
“garagem” e lá pratica organizadamente essa atividade econômica, será
considerada empresária.

Todavia, quando eu, Gabriel, resolvo vender meu fusca 1972, estarei excluído
do regime empresarial, posto que apenas o fiz esporadicamente, sem levar a
operação como profissão.

Basicamente é isso.

Caso eu resolva abrir uma concessionária para vender veículos, estarei


enquadrado no conceito de empresário individual. O negócio estará em meu
nome e assumirei os riscos do empreendimento, mesmo que haja o concurso de
colaboradores (empregados, gerentes, contabilistas, etc.). Quem responderá
pelo sucesso (ou pelo insucesso) da atividade serei eu.

Hipótese diferente, todavia, ocorre quando duas ou mais pessoas se reúnem


para explorar juntas um empreendimento. Suponha-se que Gabriel e José
decidem formar uma pessoa jurídica, chamada Carro Bom Sociedade LTDA.
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Neste caso, quem recebe os ganhos, quem efetua as vendas, quem contrai
obrigações, é a pessoa jurídica (e não Gabriel e José). Foi criada uma pessoa
(diferente da dos sócios) para que o negócio fosse explorado. E essa pessoa
(que também obedece aos requisitos estabelecidos no artigo 966) é chamada
de sociedade empresária. Portanto, neste caso, não são os sócios que
respondem pelas atividades empresariais, mas, a pessoa jurídica.

E qual a diferença entre os institutos?! Basicamente é a seguinte:

EMPRESÁRIO INDIVIDUAL SOCIEDADE EMPRESÁRIA


Pessoa jurídica (não se confunde
Pessoa física com os sócios - estes mantêm
relação com a sociedade)

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Patrimônio pessoal confunde-se com Patrimônio próprio, diferente do dos
o empresarial. Não há separação. sócios.
A pessoa física responde pelos A pessoa jurídica responde pelos
direitos e obrigações. direitos e obrigações. Não há
Responsabilidade pessoal do responsabilidade pessoal dos sócios,
empresário. em regra.

Esta distinção entre o empresário individual e a sociedade deve estar clara na


mente do candidato. O CESPE, acertadamente, cobrou este item no concurso
para Procurador da AGU, em 2013, com o seguinte item (correto): O
empresário individual é a própria pessoa física ou natural, respondendo
os seus bens pelas obrigações que ele assumir, seja civis, seja
comerciais.

Esta regra comporta exceção, o empresário individual de responsabilidade


limitada, visto a seguir.

6 EXCEÇÕES AO REGIME EMPRESARIAL

Meus amigos, o Código Civil estabelece que aquele que exerce atividade
organizada de modo profissional para a produção ou circulação de bens ou
serviços é considerado empresário. Mas devemos nos perguntar: esta regra
comporta exceção?! A resposta deve ser afirmativa.

Existem determinadas pessoas (físicas e jurídicas) que mesmo exercendo


atividades econômicas organizadas não estarão sob o manto do regime
empresarial.

As exceções são, em síntese, as seguintes:

6.1 PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 966 – PROFISSIONAIS LIBERAIS

O artigo 966, parágrafo único, do CC traz uma importante ressalva...


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Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade


econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão


intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o
concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da
profissão constituir elemento de empresa.

Exceções ao regime empresarial


Profissionais intelectuais Salvo se
Ainda que
Profissionais de natureza científica constituir
Exceções com
Profissionais de natureza literária elemento
auxiliares
Profissionais de natureza artística de empresa

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Com base no dispositivo acima, ressalvadas estão, via de regra, as atividades


intelectuais que possuam natureza intelectual, científica, literária ou
artística, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de
empresa. Como assim, professor? Explique-se melhor esse ponto. Um médico
que trabalhe sozinho, que tenha uma clientela que freqüenta sua clínica a fim
de prestigiar o bom trabalho por ele realizado, não será considerado
empresário, por conta do que ordena o artigo 966, parágrafo único, embora
possua todos os elementos contidos na questão: exploração profissional da
atividade, individual, direta, habitual e com fins lucrativos de uma atividade
econômica. O mesmo vale para dentistas, arquitetos, artistas, uma vez que
prestam serviços de natureza intelectual, científica, literária ou artística.

Todavia, o hospital de grande porte onde esse mesmo médico trabalha como
plantonista, ambiente cujos pacientes não sabem sequer de sua existência, não
vão lá por sua causa, mas, sim, por que o exercício da profissão (a medicina)
constitui elemento da empresa (hospital), será considerado sociedade
empresária.

Portanto, não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de


natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou
colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de
empresa.

Tal regra se aplica não só às pessoas que exploram a atividade sozinhas. Se


dois ou mais dentistas, por exemplo, se reunirem para formar um consultório,
não serão, igualmente, considerados empresários. Tal sociedade será chamada
de sociedade simples.

A sociedade empresária é aquela que se enquadra no artigo 966 do Código


Civil, já citado. A sociedade simples tem critério residual, isto é, será aquela
que não se enquadrar no conceito de sociedade empresária.

E por que há este nome?! Pois, de acordo com o próprio Código Civil:
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Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade


que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a
registro (art. 967); e, simples, as demais.

1. (FGV/Exame/OAB/2014) Alfredo Chaves exerce, em caráter profissional,


atividade intelectual de natureza literária, com auxiliares. O exercício da
profissão constitui elemento de empresa. Não há registro da atividade por parte
de Alfredo Chaves em nenhum órgão público.

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Com base nessas informações e nas disposições do Código Civil, assinale a


afirmativa correta.

A) Alfredo Chaves não é empresário, porque exerce atividade intelectual de


natureza literária.
B) Alfredo Chaves não é empresário, porque não possui registro em nenhum
órgão público.
C) Alfredo Chaves é empresário, independentemente da falta de inscrição na
Junta Comercial.
D) Alfredo Chaves é empresário, porque exerce atividade não organizada em
caráter profissional.

Comentários

Neste caso, temos a hipótese clara de exceção ao artigo 966, parágrafo único
do Código Civil. Senão vejamos.

Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade


econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão


intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o
concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da
profissão constituir elemento de empresa.

Portanto, como toda a atividade de Alfredo é feito com o intuito empresarial,


deverá ele ser considerado empresário. Ora, o Código Civil diz que em regra os
profissionais liberais não são empresários. Todavia, se essa atividade é feita
com o escopo empresarial, como dissemos na diferença entre um médico que
trabalha sozinho e um grande hospital, então estamos frente ao caso de se
enquadrar como empresário individual (Alfredo, por exemplo, que trabalha sem
sócios) ou sociedade empresária (se duas ou mais pessoas resolverem explorar
determinado empreendimento em conjunto).
00000000000

Agora, comentemos as assertivas.

A) Alfredo Chaves não é empresário, porque exerce atividade


intelectual de natureza literária.

O item está incorreto, pois o exercício da profissão constitui elemento de


empresa.

B) Alfredo Chaves não é empresário, porque não possui registro em


nenhum órgão público.

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O item está incorreto. Veremos na aula seguinte que o registro é uma condição
de regularidade para o empresário. Entretanto, o registro não é requisito para
que uma pessoa seja reconhecida como empresário. Tanto que não está
arrolado no artigo 966, caput, do Código Civil. Gravem, o registro é uma
condição de regularidade. Alfredo é empresário, independente do registro.

C) Alfredo Chaves é empresário, independentemente da falta de


inscrição na Junta Comercial.

Este é o nosso gabarito.

D) Alfredo Chaves é empresário, porque exerce atividade não


organizada em caráter profissional.

Item incorreto. Ele é empresário, pois pratica o exercício da empresa, conforme


menção expressa do enunciado.

Gabarito  C.

6.2 SOCIEDADES COOPERATIVAS

Estamos frisando que o importa para que uma pessoa física ou jurídica seja
considerada empresária é a organização dos fatores de produção para explorar
o objeto de modo lucrativo.

Muito embora as cooperativas tenham todas as


qualificações para atenderem ao disposto no artigo
966, deixam de ser sociedades empresárias por
força de disposição expressa no Código Civil.

Art. 982, Par. Único. Independentemente de


seu objeto, considera-se empresária a
sociedade por ações; e, simples, a
cooperativa.
00000000000

6.3 SOCIEDADES DE ADVOGADOS

Grave-se o seguinte para a prova: o Estatuto da Advocacia e da Ordem dos


Advogados do Brasil (Lei 8.906/1994) dispõe que a sociedade de advogados
é sempre sociedade simples, isto é, que explora o seu objetivo de forma não
empresarial.

Ademais, o registro para sua constituição é feito na própria OAB, como se


depreende do dispositivo a seguir do diploma legal citado acima:

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Art. 15. § 1º A sociedade de advogados adquire personalidade jurídica com o


registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em
cuja base territorial tiver sede.

6.4 LEI 13.247/2016 – SOCIEDADE UNIPESSOAL DE ADVOGADOS

Basicamente, essa lei criou a chamada sociedade unipessoal de advocacia,


o que pretende trazer ganhos de tributação e as mesmas vantagens das
sociedades de advogados para aqueles que não desejam constituir sociedade.

Cabe lembrar que a Lei Complementar n. 147/2014 incluiu as sociedades


de advogados como pessoas jurídicas que podem ser beneficiadas pelo
Simples Nacional. Todavia, aqueles advogados que trabalhavam sozinhos não
poderiam usufruir deste regime benéfico de tributação, da Lei Complementar
123, problema que irá se resolver com a criação da sociedade unipessoal de
advocacia.

E quais são os possíveis ganhos para os advogados com a edição desta Lei
13.247? Principalmente...

- Possibilidade de redução da carga tributária, pois o advogado deixará de


recolher tributo como pessoa física e passará a arcar com uma tributação
equivalente à das sociedades.
- Formalização de empregos, já que, com o registro das sociedades unipessoais
de advocacia, muitos empregados destes advogados terão seus empregos
formalizados.
- Haverá possibilidade de separar a responsabilidade pessoal da profissional,
pela limitação do valor das quotas.

Existem basicamente dois tipos societários: as sociedades empresárias e as


sociedades simples. Sabemos que a sociedade empresária é aquela que explora
o seu objeto conforme o artigo 966 do Código Civil:

Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade


00000000000

econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade


que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a
registro (art. 967); e, simples, as demais.

Pois bem! Por força do disposto no Estatuto da OAB (Lei n. 8.906, de 4 de


julho de 1994), as sociedades de advogados são sempre consideradas
sociedades simples, aplicando-se-lhes o regime próprio previsto na lei citada.

Segundo a referida Lei (em sua redação anterior):

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Art. 15. Os advogados podem reunir-se em sociedade civil de prestação de


serviço de advocacia, na forma disciplinada nesta lei e no regulamento geral.

§ 1º A sociedade de advogados adquire personalidade jurídica com o registro


aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja
base territorial tiver sede.
§ 2º Aplica-se à sociedade de advogados o Código de Ética e Disciplina, no que
couber.

Agora, com as mudanças da Lei 13.247/2016, a legislação passa a ter a


seguinte redação:

Estatuto da OAB – Com as alterações da Lei 13.247/2016.

Art. 15. Os advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação de


serviços de advocacia ou constituir sociedade unipessoal de advocacia, na forma
disciplinada nesta Lei e no regulamento geral. (Redação dada pela Lei nº
13.247, de 2016)

§ 1o A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia


adquirem personalidade jurídica com o registro aprovado dos seus atos
constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede.
(Redação dada pela Lei nº 13.247, de 2016)

§ 2o Aplica-se à sociedade de advogados e à sociedade unipessoal de


advocacia o Código de Ética e Disciplina, no que couber. (Redação dada pela
Lei nº 13.247, de 2016)

§ 4o Nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de advogados,


constituir mais de uma sociedade unipessoal de advocacia, ou integrar,
simultaneamente, uma sociedade de advogados e uma sociedade unipessoal de
advocacia, com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho
Seccional. (Redação dada pela Lei nº 13.247, de 2016)
00000000000

§ 5o O ato de constituição de filial deve ser averbado no registro da sociedade


e arquivado no Conselho Seccional onde se instalar, ficando os sócios, inclusive
o titular da sociedade unipessoal de advocacia, obrigados à inscrição
suplementar. (Redação dada pela Lei nº 13.247, de 2016)

§ 7o A sociedade unipessoal de advocacia pode resultar da concentração por


um advogado das quotas de uma sociedade de advogados, independentemente
das razões que motivaram tal concentração. (Incluído pela Lei nº 13.247,
de 2016)

Principais pontos do artigo 15:

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- Agora, há possibilidade de constituição da sociedade unipessoal de advocacia,
ou seja, não há mais necessidade de sócios. O nome de “sociedade” para um só
soa estranho, mas é como está disposto na lei.
- O registro da sociedade de advogados e da sociedade unipessoal de advocacia
deve ser feito na OAB, quando adquirirão personalidade jurídica.
- Um advogado não pode estar:

a) em mais de uma sociedade de advogados.


b) em mais de uma sociedade unipessoal de advocacia.
c) em uma sociedade de advogados e uma sociedade unipessoal de advocacia.

Atenção: as regras são válidas para sede ou filial na mesma área


territorial do Conselho Seccional.

- Há possibilidade de constituição de filial para a sociedade individual de


advocacia.
- Se tínhamos uma sociedade de advogados e, por qualquer motivo, há
concentração de quotas em um único advogado, pode haver transformação em
sociedade individual de advocacia.

Estatuto da OAB – Com as alterações da Lei 13.247/2016.

Art. 16. Não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as espécies
de sociedades de advogados que apresentem forma ou características de
sociedade empresária, que adotem denominação de fantasia, que realizem
atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou titular de
sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou
totalmente proibida de advogar. (Redação dada pela Lei nº 13.247, de
2016)

§ 4o A denominação da sociedade unipessoal de advocacia deve ser


obrigatoriamente formada pelo nome do seu titular, completo ou parcial, com a
expressão ‘Sociedade Individual de Advocacia’. (Incluído pela Lei nº
13.247, de 2016) 00000000000

Portanto, o caput do artigo 16 proíbe o registro de sociedades de advogados


que:

- Apresentem formas ou características de sociedades empresárias.


- Adotem denominação de fantasia (o que a Lei quer dizer, na verdade não se
pode utilizar denominação social ou nome de fantasia).
- Realizem atividades estranhas à advocacia.
- Incluam como sócio (no caso de sociedade de advogados) ou titular
(no caso de sociedade unipessoal de advocacia) pessoa não inscrita
como advogado ou proibida de advogar.
- O nome utilizado pela sociedade unipessoal de advocacia é o nome do titular
+ sociedade individual de advocacia.

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Por fim, temos o artigo 17, que trata da responsabilidade da sociedade de


advogados e agora, também, da sociedade unipessoal de advocacia. Vejamos:

Estatuto da OAB – Com as alterações da Lei 13.247/2016.

Art. 17. Além da sociedade, o sócio e o titular da sociedade individual de


advocacia respondem subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados aos
clientes por ação ou omissão no exercício da advocacia, sem prejuízo da
responsabilidade disciplinar em que possam incorrer. (Redação dada pela Lei
nº 13.247, de 2016)

Portanto, assim como na sociedade de advogados, a sociedade individual de


advocacia terá responsabilidade ilimitada pelos danos causados aos clientes,
seja pela ação, seja pela omissão no exercício da advocacia.

Segundo o Conselho Federal da OAB “a sociedade individual acabará por igualar


os advogados a todos os outros profissionais do mercado, que, no exercício de
suas atividades, podem escolher organizar-se em sociedades limitadas, de
modo a separar a responsabilidade pessoal da profissional, limitando-a no valor
de suas cotas. E não se diga que a responsabilidade limitada reduziria o zelo, a
ética e a qualidade na prestação dos serviços advocatícios. Tais padrões
continuariam garantidos, pois o projeto de lei prevê a aplicação, também para
as sociedades individuais, da regra prevista no art. 17 do Estatuto da OAB,
acima citado, que impõe responsabilidade pessoal e ilimitada por ações ou
omissões no exercício da profissão, sem prejuízo da responsabilidade
disciplinar”.

6.5 PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS QUE EXPLOREM A ATIVIDADE RURAL

Há, por fim, uma última exceção a pessoas que, inobstante exerçam atividade
econômica, atendendo a todos os requisitos do artigo 966 do Código Civil, não
são tidas como empresárias. São as pessoas físicas e jurídicas que explorem
atividade rural. Senão vejamos: 00000000000

Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão,
pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos,
requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva
sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos,
ao empresário sujeito a registro.

E...

Art. 984. A sociedade que tenha por objeto o exercício de atividade própria de
empresário rural e seja constituída, ou transformada, de acordo com um dos
tipos de sociedade empresária, pode, com as formalidades do art. 968, requerer
inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da sua sede, caso em que,

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depois de inscrita, ficará equiparada, para todos os efeitos, à sociedade
empresária.

Assim, em regra, aquele que exerce atividade econômica rural não está sujeito
ao regime jurídico empresarial, salvo se expressamente fizer opção, mediante
registro na Junta Comercial (onde se registram os empresários).

Temos, de tudo o que vimos até aqui, o seguinte:

Regra geral: Todo aquele que exerce atividade


Empresário individual ou econômica organizada, de modo profissional,
sociedade empresária habitual, para a produção ou circulação de bens
ou serviços (CC, art. 966).
Profissionais liberais e sociedades liberais (CC,
art. 966, parágrafo único)
Exceções (pessoas que
Sociedade de advogados (Estatuto da OAB)
mesmo explorando
Sociedade cooperativa (CC, art. 982, parágrafo
atividade econômica não
único)
estão sob o manto
empresarial) Aqueles que exercem atividades rurais
(pessoas físicas e jurídicas) - (CC, art. 971 e
984)

7 REGISTRO

Empresário: Aquele que exerce profissionalmente atividade econômica


organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

Pergunto a vocês, caros alunos, falou-se aqui, em algum momento, no registro


do empresário como requisito para caracterização como tal?

A resposta deve ser um sonoro não! Contudo, o Código Civil estabeleceu que:

Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no


registro público de empresas mercantis da respectiva sede,
00000000000

antes do início de sua atividade.

O que podemos concluir disso? O registro é obrigação legal a todos os


empresários imposta. Não obstante, um empresário que não o faça não
deixará de sê-lo por este motivo. Encontrar-se-á, tão-somente, em
situação irregular.

- O registro tem natureza declaratória.


- O registro não tem natureza constitutiva.

Algumas consequências advêm da não providência do registro, como exemplo:

1) A vedação de requerer para si recuperação judicial ou extrajudicial;

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2) A responsabilidade pessoal e ilimitada dos sócios.

Ademais, poderá ser requerida a falência do empresário irregular. Decretando-


a, incorrerá o empresário irregular em ilícito penal, previsto no artigo 178 da
Lei de Falência, cuja sanção é detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa, se
o fato não constituir crime mais grave.

Repita-se: a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis não é


requisito previsto no artigo 966, mas é obrigação imposta aos empresários no
artigo 967, um empresário que não o faça não deixará de sê-lo por este motivo.

O empresário individual e a sociedade


empresária devem se registrar no
Registro Público de Empresas
Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais.
Já os outros tipos societários devem
proceder ao registro no Registro Civil
de Pessoas Jurídicas. De acordo com o
Código Civil:

Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro


Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade
simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às
normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos
tipos de sociedade empresária.

Para o empresário individual prega o Novo Código que:

Art. 968. A inscrição do empresário far-se-á mediante requerimento que


contenha:

I - o seu nome, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o regime de


bens;
II - a firma, com a respectiva assinatura autógrafa que poderá ser substituída
00000000000

pela assinatura autenticada com certificação digital ou meio equivalente que


comprove a sua autenticidade, ressalvado o disposto no inciso I do § 1o do art.
4o da Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006; (Redação
dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014)
III - o capital;
IV - o objeto e a sede da empresa.

Ademais, essa inscrição seguirá uma ordem. Se hoje é registrado o empresário


de número 1.000, amanhã será o de n. 1.001. Além disso, quaisquer alterações
que houver na configuração deste empresário devem ser averbadas, isto é,
anotada, na Junta Comercial. Neste sentido são os parágrafos §1º e §2º do
artigo 968.

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§ 1o Com as indicações estabelecidas neste artigo, a inscrição será tomada por


termo no livro próprio do Registro Público de Empresas Mercantis, e obedecerá
a número de ordem contínuo para todos os empresários inscritos.

§ 2o À margem da inscrição, e com as mesmas formalidades, serão averbadas


quaisquer modificações nela ocorrentes.

Por fim, imagine-se que da venda do fusca 1972 deste humilde colega que vos
dirige a fala surge uma visão incrível de negócios e eu decida trazer uma
concessionária Lamborghini para Vitória/ES. A venda de carros foi um sucesso,
decido, então, expandir o meu negócio e levarei uma concessionária também
para São Paulo.

Veja o teor do artigo 969 do Código Civil:

Art. 969. O empresário que instituir sucursal, filial ou agência, em lugar sujeito
à jurisdição de outro Registro Público de Empresas Mercantis, neste deverá
também inscrevê-la, com a prova da inscrição originária.

Parágrafo único. Em qualquer caso, a constituição do estabelecimento


secundário deverá ser averbada no Registro Público de Empresas Mercantis da
respectiva sede.

É o seguinte. Se determinado empresário/sociedade empresária tem sede no


Espírito Santo, seu registro deverá ser feito na Junta Comercial do Espírito
Santo. Todavia, com planos de expansão, deseja instalar uma filial em São
Paulo. Deverá, assim, proceder ao registro de uma nova inscrição em São Paulo
referente à filial, provando nesta, em SP, a existência da matriz no Espírito
Santo. Outrossim, deverá também averbar a constituição da filial em SP no
registro do Espírito Santo.

Esta questão caiu na prova para Auditor Fiscal da SEFAZ/ES, certame realizado
pelo CESPE (item incorreto):
00000000000

(Auditor Fiscal da Receita Estadual do ES/Cespe) Considere que antes do


início de sua atividade, determinado empresário procedeu à inscrição no
registro público de empresas mercantis da respectiva sede, situada no estado
do Espírito Santo. Após dois anos de atividade, e considerando o crescimento
da empresa, decidiu abrir filial no estado de São Paulo. Nessa situação, o
empresário não precisa inscrever-se junto ao registro público da nova
jurisdição, bastando, para a abertura de filial, a prova da inscrição originária.

Atenção! Pessoal, em que pese o Código Civil utilizar os termos sucursal, filial
ou agência, utilizamos esses termos quase como sinônimos, parar tratar de
uma unidade que seja dependente da matriz.

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Vamos dar mais um exemplo, utilizando-nos de uma questão subjetiva da prova
do Exame da OAB (2ª fase):

(FGV/Exame/OAB/2010/2ª fase) Diogo exerce o comércio de


equipamentos eletrônicos, por meio de estabelecimento instalado no Centro do
Rio de Janeiro. Observe-se que Diogo não se registrou como empresário
perante a Junta Comercial.

Com base nesse cenário, responda:

a) São válidos os negócios jurídicos de compra e venda realizados por Diogo no


curso de sua atividade?
b) Quais os principais efeitos da ausência de registro de Diogo como
empresário?

Comentários:

A questão exige basicamente conhecimentos dos seguintes dispositivos do


Código Civil:

Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade


econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

Diogo atende a todos os requisitos para que seja enquadrado como tal!

Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de


Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade.

Vejam que Diogo não fez o respectivo registro. E agora? Bom, ainda será
considerado empresário. A falta do registro competente não o desnatura como
tal. O registro tem natureza declaratória. Mas, e aí, professor? Diogo será
considerado irregular! E quais são as consequências para tanto?

- Primeiramente, os negócios jurídicos praticados por ele serão válidos. Não


00000000000

poderá um empresário irregular se beneficiar de sua própria torpeza.


- Segundo, alguns efeitos advêm da falta de registro, tais como a
impossibilidade de requerer a falência de devedor seu, a impossibilidade de
requerer para si, a recuperação judicial ou extrajudicial, a impossibilidade de
participar de procedimentos licitatórios.

8 CAPACIDADE E IMPEDIMENTO

Falaremos agora sobre a capacidade e impedimento para o exercício da


empresa...

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Segundo o artigo 972 do Código Civil, podem exercer a atividade de empresário
os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem
legalmente impedidos.

Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que


estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem
legalmente impedidos.

Atente-se que não basta o pleno gozo da capacidade civil - que, em regra, se
dá aos 18 anos, quando a pessoa se torna capaz para todos os atos da vida civil
- é necessário, também, que não seja o empresário pessoa legalmente
impedida, como são os magistrados, militares, servidores públicos federais.

Adendo já cobrado em prova! Inexiste, no ordenamento jurídico, proibição a


que o analfabeto exerça a atividade empresarial. Todavia, se o empresário é
analfabeto, deve possuir procurador constituído, com poderes específicos, por
instrumento público.

Frise-se: deve o empresário atender cumulativamente os dois requisitos: não


ser impedido e estar no pleno gozo da capacidade civil.

A regra é o pleno gozo da capacidade civil. Porém, existem casos em que o


incapaz poderá continuar – e nunca dar início – a atividade empresarial,
adquirindo status de empresário. São as seguintes situações:

1) Incapacidade superveniente. Determinada pessoa era capaz e, após


determinado acontecimento, torna-se incapaz para os atos da vida civil.
2) Falecimento ou ausência dos pais.

Ressalve-se que em ambos os casos é exigida autorização judicial. Além disso,


exige-se que o incapaz seja representado ou assistido, conforme seja
absoluta ou relativa a incapacidade.

Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente


00000000000

assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus
pais ou pelo autor de herança.

§ 1o Nos casos deste artigo, precederá autorização judicial, após exame das
circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da conveniência em
continuá-la, podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os pais,
tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos
direitos adquiridos por terceiros.

Estas regras citadas acima valem tão-somente para o caso do exercício do


empresariado como empresário individual. É o empresário individual, enquanto
pessoa física, que deve ser capaz e não estar impedido. Situação distinta ocorre

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quando esta pessoa pretende ser sócia de sociedade empresária. Explicaremos
a seguir.

Artigo 974 - Válida para o empresário individual


Regra Capacidade
Incapacidade superveniente
Exceção Falecimento ou ausência dos pais ou autor da
herança
Autorização judicial
Análise de riscos
Condições
Revogável a qualquer tempo
Devidamente representado ou assistido

Mas, e se, porventura, aquele que abriu uma panificadora, como empresário
individual, sendo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, for “pego”, mesmo
estando na situação de impedido. O que ocorre?

A resposta está no artigo 973 do Código Civil.

Art. 973. A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de


empresário, se a exercer, responderá pelas obrigações contraídas.

Com efeito, aquele que exerce a atividade empresarial, estando impedido,


deverá responder pelas obrigações que contrair. É uma questão de isonomia
para aqueles que exercem suas atividades de modo regular. Caso não houvesse
responsabilidade, estar-se-ia premiando o cometimento de ilegalidades no
exercício do comércio.

Esse artigo 973 é extremamente cobrado em provas! Decorem.

Pois bem. Voltando ao assunto. Dissemos que o empresário, além de capaz,


não pode ser impedido por lei de atuar como tal. Esta regra é válida para o
empresário individual. Dissemos que quando duas ou mais pessoas pretendem
explorar atividade empresarial em conjunto formam uma pessoa jurídica, que
00000000000

será autônoma, juridicamente falando (é ela quem será sujeito dos direitos e
obrigações). As pessoas que formaram essa pessoa jurídica são apenas sócios
desta sociedade. Pois bem, mas poderá um incapaz ser sócio de uma
sociedade empresarial?! Vejam que, neste caso, não é ele (o incapaz) quem
exercerá os atos empresariais, mas, sim, a pessoa jurídica.

A resposta para tanto tinha apenas sede doutrinária e jurisprudencial. Contudo,


no ano de 2011, ganhou conotação legal e se encontra no Código Civil,
introduzido pela Lei 12.399/2011, cujo teor prescreve:

Art. 974. § 3o O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas


Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade

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que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os
seguintes pressupostos: (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011)

I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; (Incluído


pela Lei nº 12.399, de 2011)
II – o capital social deve ser totalmente integralizado; (Incluído pela Lei nº
12.399, de 2011)
III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente
incapaz deve ser representado por seus representantes legais. (Incluído pela Lei
nº 12.399, de 2011)

Portanto, um incapaz pode ser sócio de sociedade empresária, desde que:

- não seja administrador desta sociedade;


- o capital social esteja totalmente integralizado;
- haja assistência ou representação, conforme a incapacidade seja,
respectivamente, relativa ou absoluta.

Atenção! É importante salientar que esta hipótese prevista no artigo 974,


parágrafo terceiro vale para a sociedade empresária, enquanto que o caput,
parágrafo primeiro e segundo valem para o empresário individual. No caso de
sociedade, não há necessidade de autorização judicial, inclusive, caso um sócio
venha se tornar incapaz. O registro pode até mesmo ser inicial, já com um
sócio incapaz. Para o empresário individual esta regra não é válida, devendo a
incapacidade ser superveniente.

Vamos outra questão discursiva inteligente explorada pela FGV que vai elucidar
este ponto.

(FGV/Exame/OAB/2012) Pedro, 25 anos, Bruno, 17 anos, e João, 30 anos,


celebraram o contrato social da sociedade XPTO Comércio Eletrônico Ltda.,
integralizando 100% do capital social. Posteriormente, João é interditado e
declarado incapaz, mediante sentença judicial transitada em julgado. Os sócios
desejam realizar alteração contratual para aumentar o capital social da
00000000000

sociedade.

A) João poderá permanecer na sociedade? Em caso positivo, quais condições


devem ser respeitadas?
B) Quais critérios legais a Junta Comercial deve seguir para que o registro da
alteração contratual seja aprovado?

Comentários:

João, mesmo tornando-se incapaz, poderá permanecer na sociedade. Conforme


prega o artigo 974, parágrafo terceiro, do Código Civil:

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Art. 974. § 3o O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas


Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade
que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os
seguintes pressupostos: (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011)

I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; (Incluído


pela Lei nº 12.399, de 2011)
II – o capital social deve ser totalmente integralizado; (Incluído pela Lei nº
12.399, de 2011)
III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente
incapaz deve ser representado por seus representantes legais. (Incluído pela Lei
nº 12.399, de 2011)

Atenção: não se aplicam nesta hipótese o artigo 974 caput, parágrafo primeiro
e segundo, já que estes dizem respeito ao empresário individual e, na questão,
estamos frente a uma sociedade.

Assim, a continuidade de João como sócio está condicionada somente ao artigo


974, parágrafo terceiro. Vejam que este artigo dispensa a necessidade de
autorização judicial.

Deve-se anotar, ainda, que caso a incapacidade seja relativa, o sócio será
assistido. Caso a incapacidade seja absoluta, o sócio será representado.

8.1 PONTO AVANÇADO – MENOR EMANCIPADO

Já vimos que segundo o Código Civil:

Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade


econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

E também:

Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno


00000000000

gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos.

Vamos para a questão da capacidade civil. Segundo o CC:

Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica
habilitada à prática de todos os atos da vida civil.

Portanto, uma pessoa se torna capaz aos 18 anos. Contudo, em algumas


hipóteses, a incapacidade pode cessar para o menor.

Art. 5º. Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:

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I - Pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante
instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por
sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos;
II - Pelo casamento;
III - Pelo exercício de emprego público efetivo;
IV - Pela colação de grau em curso de ensino superior;
V - Pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de
emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos
tenha economia própria.

O menor emancipado está em pleno gozo da capacidade civil, podendo,


assim, exercer a empresa tal como o maior de 18.

Todavia, se o menor não for emancipado, não há possibilidade de dar


início à atividade empresarial. Anotem!

Vamos ver como isso é cobrado na OAB?

2. (FGV/Exame/OAB/2011) Em relação à incapacidade e proibição para o


exercício da empresa, assinale a alternativa correta.

(a) Caso a pessoa proibida de exercer a atividade de empresário praticar tal


atividade, deverá responder pelas obrigações contraídas, podendo até ser
declarada falida.
(b) Aquele que tenha impedimento legal para ser empresário está impedido de
ser sócio ou acionista de uma sociedade empresária.
(c) Entre as pessoas impedidas de exercer a empresa está o incapaz, que não
poderá exercer tal atividade.
(d) Por se tratar de matéria de ordem pública e considerando que a continuação
da empresa interessa a toda a sociedade, quer em razão da arrecadação de
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impostos, quer em razão da geração de empregos, caso a pessoa proibida de


exercer a atividade empresarial o faça, poderá requerer a recuperação judicial.

Comentários

Comentemos item a item...

(a) Caso a pessoa proibida de exercer a atividade de empresário


praticar tal atividade, deverá responder pelas obrigações contraídas,
podendo até ser declarada falida.

Este é o nosso gabarito. Reproduz exatamente o excerto do artigo 973 do


Código Civil, a seguir:

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Art. 973. A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de


empresário, se a exercer, responderá pelas obrigações contraídas.

Ademais, sobre a parte final do item “podendo até ser decretada falida”,
estamos falando sobre um tópico que será visto adiante.

A falência ocorre com a “quebra” do empresário, isto é, quando não terá mais o
negócio capacidade para arcar com as suas obrigações.

Um empresário irregular, por qualquer que seja o motivo, poderá ser decretado
falido. Todavia, por não ser constituído com todos os requisitos previstos
legalmente, não poderá requerer a falência de empresários outros que o
devam.

(b) Aquele que tenha impedimento legal para ser empresário está
impedido de ser sócio ou acionista de uma sociedade empresária.

Este item está incorreto. Os impedimentos para o empresariado estão previstos


nas mais diversas legislações especiais (estatuto dos militares, Lei 8.112/1990,
entre outros). Todavia, podemos dizer que a regra dessas legislações é que um
servidor, um auditor fiscal, por exemplo, não poderá ser empresário individual,
isto é, não poderá, por si só, abrir um negócio em que contrate pessoas, atenda
ao público, venda mercadorias, estabeleça obrigações empresariais diversas.
Entretanto, poderá ser sócio quotista de uma entidade. O sócio quotista não
exerce atividades de administração na entidade, participando, geralmente,
apenas dos resultados obtidos ou de atribuições previstas em lei (que não
impliquem administrar).

Portanto, gravem! Uma pessoa impedida não poderá ser empresário individual
ou sócio gerente (caso estejamos frente a uma sociedade). Contudo, em regra,
as diversas legislações especiais permitem que esta pessoa seja acionista ou
sócio de uma sociedade.
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(c) Entre as pessoas impedidas de exercer a empresa está o incapaz,


que não poderá exercer tal atividade.

Este item está igualmente incorreto. Falamos no presente tópico sobre a


capacidade e o impedimento. Ambos são coisas distintas.

A capacidade, tão estudada no direito civil, diz respeito à possibilidade de


exercer os direitos da vida civil enquanto pessoa. Por exemplo, uma pessoa
menor de 16 anos é incapaz de exercer o empresariado (não poderá ser
empresário), pois não tem condições de gerir um negócio de maneira segura. O
mesmo vale para uma pessoa com enfermidade ou doença mental.

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O impedimento é diferente. A pessoa pode ser capaz para os atos da vida civil
(um militar, por exemplo), mas está impedida de ser empresário por conta de
proibição legal.

Vê-se, portanto, claramente a diferença entre os institutos.

(d) Por se tratar de matéria de ordem pública e considerando que a


continuação da empresa interessa a toda a sociedade, quer em razão da
arrecadação de impostos, quer em razão da geração de empregos, caso
a pessoa proibida de exercer a atividade empresarial o faça, poderá
requerer a recuperação judicial.

Pessoal, o cerne deste item está em saber o que é a recuperação judicial? Esse
assunto será estudado mais à frente. Por ora, gravem que é um instituto pelo
qual o empresário, face a dificuldades econômico-financeiras, socorre-se ao
Poder Judiciário para tentar reorganizar as sua vida, sem que isso explique o
fim de sociedade. Como o próprio nome sugere, o empresário (empresário
individual ou sociedade empresária) vai se recupera judicialmente. A falência,
recuperação judicial e recuperação extrajudicial são institutos que estão
previstos na Lei 11.101/2005.

Veja o que diz a Lei 11.101 sobre os requisitos para se requerer a recuperação
judicial:

Art. 48. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no


momento do pedido, exerça regularmente suas atividades há mais de 2
(dois) anos e que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente:

I – Não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por sentença


transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes;
II – Não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação
judicial;
III - Não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação
judicial com base no plano especial de que trata a Seção V deste Capítulo;
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(Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014)


IV – Não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio
controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta Lei.

Portanto, nota-se claramente que o devedor deve ser regular há mais de 2 anos
para que possa requerer a recuperação judicial.

Gabarito  A.

3. (FGV/Exame/OAB/2014) Olímpio Noronha é servidor público militar ativo


e, concomitantemente, exerce pessoalmente atividade econômica organizada
sem ter sua firma inscrita na Junta Comercial.

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Em relação às obrigações assumidas por Olímpio Noronha, assinale a


alternativa correta.

A) São válidas tanto as obrigações assumidas no exercício da empresa quanto


estranhas a essa atividade e por elas Olímpio Noronha responderá
ilimitadamente.
B) São nulas todas as obrigações assumidas, porque Olímpio Noronha não pode
ser empresário concomitantemente com o serviço público militar.
C) São válidas apenas as obrigações estranhas ao exercício da empresa, pelas
quais Olímpio Noronha responderá ilimitadamente; as demais são nulas.
D) São válidas apenas as obrigações relacionadas ao exercício da empresa e
por elas Olímpio Noronha responderá limitadamente; as demais são anuláveis.

Comentários

Nunca é demais repetir os artigos da lei que caem no concurso. Vocês já devem
conhecer o artigo 972, segundo o qual:

Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno


gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos.

Ora, não cuidou o texto supra de proibir este ou aquele, no exercício do


empresariado. Pelo contrário, as proibições estão difundidas em leis esparsas.
Nesta hipótese, Olímpio é legalmente impedido.

O militar está proibido de se enquadrar como empresário. Segundo a Lei


6.880/80 (Estatuto do Militar):

Art. 29. Ao militar da ativa é vedado comerciar ou tomar parte na administração


ou gerência de sociedade ou dela ser sócio ou participar, exceto como acionista
ou quotista, em sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada.

Todavia, tendo exercido o empresariado, não poderia se beneficiar de sua


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própria torpeza, devendo responder pelas obrigações que contraiu enquanto


praticava o comércio.

Gabarito  A.

9 EMPRESÁRIO INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA

O empresário individual de responsabilidade limitada - EIRELI, instituído com a


Lei 12.441/2011, que modificou o Código Civil.

E o que vem a ser o EIRELI?! A definição do que é o empresário individual de


responsabilidade limitada consta do artigo 980-A do Código Civil.

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Definição: A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída


por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente
integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-mínimo
vigente no País.

Portanto, trata-se de uma única pessoa cujo capital “social” não será inferior a
100 vezes o salário mínimo vigente no país. Esse capital deve estar
devidamente integralizado.

O empresário individual de responsabilidade limitada não responderá


com a totalidade de seu patrimônio pessoal pelas obrigações sociais,
mas apenas com aquilo que afetar às atividades empresariais.

Outro aspecto importante é que a Lei 12.441 conferiu personalidade jurídica


ao EIRELI. O empresário individual cuja responsabilidade não é limitada não
possui personalidade jurídica.

Grave-se!
Empresário individual “simples”  não possui personalidade jurídica,
responsabilidade ilimitada.
Empresário individual de responsabilidade limitada  possui
personalidade jurídica, responsabilidade limitada.

Cada pessoa somente poderá figurar em uma única empresa da modalidade


EIRELI. O nome empresarial poderá ser firma ou denominação social,
acrescido da expressão EIRELI.

Ademais, caso tenhamos, por exemplo, João e Maria como sócios de uma
sociedade limitada, e Maria venha a falecer, João poderá optar por transformar
essa sociedade em uma empresa individual de responsabilidade limitada.

Ainda, segundo o CJF (enunciados da Jornada de Direito Comercial – 2012):

3. A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada – EIRELI não é sociedade


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unipessoal, mas um novo ente, distinto da pessoa do empresário e da


sociedade empresária.

Vê-se, pois, que o EIRELI não é sociedade unipessoal. Trata-se, apenas, de um


novo ente, que não se confunde com o empresário, eis que não responde com o
patrimônio pessoal, nem com a sociedade, eis que formada por apenas uma
pessoa.

Segundo o Código Civil:

Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:

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VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº
12.441, de 2011) (Vigência)

Portanto, atenção! O EIRELI é uma nova espécie de empresário, a saber, uma


pessoa que, sozinha, resolve explorar determinada atividade, a quem o Código
Civil atribui personalidade jurídica.

Difere:

- Da sociedade empresária: em que os sócios formam um ente para explorar o


objeto social, sendo a responsabilidade diferente para cada tipo societário
previsto no Código Civil (se for sociedade limitada, anônima, comandita
simples, etc).
- Do empresário individual: em que a pessoa natural explora determinada
atividade, respondendo ilimitadamente pelas obrigações que contrair
(patrimônio pessoal).

Nesse sentido vai o Enunciado n 469 do Conselho de Justiça Federal, que diz:

469 – Arts. 44 e 980-A: A empresa individual de responsabilidade limitada


(EIRELI) não é sociedade, mas novo ente jurídico personificado.

Por fim, há basicamente três institutos que podem confundir o concurseiro na


hora de resolver questões, a saber, o microempreendedor individual, o
empresário individual de responsabilidade limitada e o empresário individual
propriamente dito.

- Microempreendedor individual - MEI: Previsto no LC 123. Empresário


individual. Só pode ter 1 funcionário. Paga uma quantia fixa de tributos. Está no
Simples. Receita de até 60.000,00.
- Empresário individual: Não há restrição de valor, mas, se quiser ser
microempresa ou empresa de pequeno porte, deverá estar nos limites previstos
na Lei Complementar 123/2006, de R$ 360.000,00 e R$ 3.600.000,00,
respectivamente. Responde com seus bens de maneira ilimitada.
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- Empresário individual de responsabilidade limitada - EIRELI: É


empresário individual, mas deve ter capital social mínimo integralizado de 100
salários mínimos. Isso, em 2015, dá R$ 78.800. Veja que é um limite maior do
que o MEI suporta. Responsabilidade limitada.

As principais características do EIRELI são:

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Pessoal, vamos exemplificar a figura do EIRELI.

Em 2013, Maria, cozinheira, tem como fonte de renda a produção e venda de


refeições para os moradores de seu bairro. Para a produção das refeições, Maria
precisa comprar grande quantidade de alimentos e, por vezes, para tanto,
necessita contrair empréstimos.

Com o dinheiro que economizou ao longo de anos de trabalho, Maria montou


uma cozinha industrial em um galpão que comprou em seu nome, avaliada em
R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Maria também acabou de adquirir sua casa
própria e está preocupada em separar a sua atividade empresarial, exercida no
galpão, de seu patrimônio pessoal.

Nesse sentido, com base na legislação pertinente, responda, de forma


fundamentada, aos itens a seguir.

A) Qual seria o instituto jurídico mais adequado a ser constituído por Maria para
o exercício de sua atividade empresarial de modo a garantir a separação
patrimonial sem, no entanto, associar-se a ninguém?
B) Como Maria poderia realizar a referida divisão?

Comentários:

Vamos lá! Obviamente, a melhor maneira para que Maria possa exercer a sua
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atividade, sem arriscar os seus bens pessoais e responder de maneira ilimitada,


é o Empresário Individual de Responsabilidade Limitada – EIRELI. Se ela quer
garantir a separação do patrimônio pessoal do empresarial, essa será a melhor
forma.

Repetimos. No EIRELI os bens afetados à atividade empresarial são distintos do


patrimônio pessoal.

O artigo 980-A do Código Civil exige que o valor seja no mínimo 100 vezes
superior ao salário mínimo vigente, exigência esta atendida à época de 2013
(salário mínimo R$ 678,00). Este valor deve estar devidamente integralizado.

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Ademais, como Maria está preocupada em separar sua casa própria da
atividade empresarial que será exercida no galpão onde montou sua cozinha
industrial, ela poderia realizar a integralização do capital da EIRELI com a
cozinha indutrial, avaliada R$ 80.000, 00 (oitenta mil reais), portanto em valor
superior a 100 (cem) vezes o maior salário mínimo vigente no País. Desta
forma, a cozinha industrial passaria a compor o patrimônio da pessoa jurídica e
serviria à sua atividade empresária, resguardando a casa no patrimônio pessoal
da instituidora.

4. (FGV/Exame/OAB/2012) José decidiu constituir uma Empresa Individual


de Responsabilidade Limitada (EIRELI) para atuar no município “X” e consultou
um advogado para obter esclarecimentos sobre a administração da EIRELI.

Assinale a alternativa que apresenta a informação correta dada pelo advogado.

A) A designação de administrador não sócio depende do voto favorável de 2/3


(dois terços) do capital social, se este não estiver integralizado.
B) A administração atribuída pelo contrato a qualquer dos sócios da EIRELI não
se estende de pleno direito aos que posteriormente adquirirem essa qualidade.
C) O administrador da EIRELI, seja o próprio instituidor ou terceiro, responde
por culpa no desempenho de suas atribuições perante terceiros prejudicados.
D) O titular da EIRELI poderá usar a firma ou denominação, sendo vedado seu
uso pelo terceiro, ainda que seja designado administrador.

Comentários

Comentemos item a item...

A) A designação de administrador não sócio depende do voto favorável


de 2/3 (dois terços) do capital social, se este não estiver integralizado.
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B) A administração atribuída pelo contrato a qualquer dos sócios da


EIRELI não se estende de pleno direito aos que posteriormente
adquirirem essa qualidade.

Essas duas alternativas devem ser descartadas de plano, meus amigos. Mas por
quê? Ora, no direito empresarial, o empresário pode ser tanto empresário
individual (quando sozinho decide montar um negócio, assumindo os riscos)
como sociedade empresária (quando dois ou mais sócios se reúnem para
explorar determinado empreendimento, criando um ente para tanto – no caso,
a própria sociedade).

O empresário individual de responsabilidade limitada – EIRELI – é uma espécie


de empresário individual. E as regras previstas nos itens A e B da questão em

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comento são aplicáveis às sociedades empresárias. Ora, incabível se falar, pois,
na sua aplicação para os EIRELIs. Ok? Fácil a compreensão?

C) O administrador da EIRELI, seja o próprio instituidor ou terceiro,


responde por culpa no desempenho de suas atribuições perante
terceiros prejudicados.

O artigo 980-A, parágrafo sexto, prega que: § 6º Aplicam-se à empresa


individual de responsabilidade limitada, no que couber, as regras previstas para
as sociedades limitadas.

Tudo bem? Portanto, havendo omissão no que atine aos EIRELIs, buscamos as
respostas no capítulo das sociedades limitadas, o que faz sentido, já que vige
para o EIRELI a limitação da responsabilidade pelas dívidas sociais.

Agora, na parte tocante às sociedades limitadas, não há essa previsão de


responsabilidade por culpa no desempenho das atribuições. Esse item encontra-
se na parte que diz respeito às sociedades simples (isso tudo será estudado
mais adiante), com a seguinte redação:

Art. 1.016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade


e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções.

Agora, uma pergunta interessante. Seria isso aplicável às sociedades limitadas


e, consequentemente, ao EIRELI? Sim! Por quê? Pois, no Código Civil, temos a
seguinte lição:

Art. 1.053. A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo, pelas
normas da sociedade simples.

Com efeito, podemos concluir que o administrador da EIRELI, seja o


próprio instituidor ou terceiro, responde por culpa no desempenho de
suas atribuições perante terceiros prejudicados.
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Lembrando que o empresário individual pode ter empregados, gerente,


administrador, contador.

D) O titular da EIRELI poderá usar a firma ou denominação, sendo


vedado seu uso pelo terceiro, ainda que seja designado administrador.

O item está incorreto.

A resposta para este item sai por utilização das regras das limitadas. O artigo
1.064 do Código Civil prega que:

Art. 1.064. O uso da firma ou denominação social é privativo dos


administradores que tenham os necessários poderes.

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Isso quer dizer que um administrador poderá se utilizar do nome do empresário


para contrair direitos e obrigações em nome deste, desde que tenha os
necessários poderes.

Gabarito  C.

5. (FGV/Exame/OAB/2014) Almino José consultou seu advogado com o


intuito de constituir uma Empresa Individual de Responsabilidade Limitada –
EIRELI.

Com base na legislação aplicável à EIRELI, assinale a opção que apresenta a


resposta correta dada pelo advogado.

A) O administrador da EIRELI deverá ser nomeado no ato constitutivo e será


apenas o sócio, seu cônjuge ou parente até o 3º grau dessas pessoas.
B) O ato constitutivo da EIRELI deverá ser arquivado no Registro Civil de
Pessoas Jurídicas, independentemente do objeto.
C) As deliberações infringentes da lei que Almino José vier a tomar acarretarão
sua responsabilidade ilimitada pelas obrigações da pessoa jurídica.
D) Caso a receita bruta anual da EIRELI seja inferior a R$ 100.000,00 (cem mil
reais), será possível enquadrará microempreendedor individual (MEI).

Comentários

A) O administrador da EIRELI deverá ser nomeado no ato constitutivo e


será apenas o sócio, seu cônjuge ou parente até o 3º grau dessas
pessoas.

Item que deve ser respondido prontamente partindo do fato de que na figura do
Empresário Individual de Responsabilidade Limitada – EIRELI – não existem
sócios. É um único empresário individual (isso mesmo, como o nome sugere).
Portanto, assim como na questão anterior, o gabarito está incorreto.
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B) O ato constitutivo da EIRELI deverá ser arquivado no Registro Civil


de Pessoas Jurídicas, independentemente do objeto.

O item está incorreto. Veremos na aula seguinte que o registro é feito do


seguinte modo:

- Caso estamos frente a uma das hipóteses de empresário previstas no Código


Civil: Registro na Junta Comercial.
- Casos não estejamos, ou seja, caso o objeto seja não empresarial: Registro
no Registro Civil de Pessoas Jurídicas.

Por enquanto, gravem desta maneira.

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C) As deliberações infringentes da lei que Almino José vier a tomar


acarretarão sua responsabilidade ilimitada pelas obrigações da pessoa
jurídica.

Segundo o Código Civil:

Art. 1.080. As deliberações infringentes do contrato ou da lei tornam ilimitada a


responsabilidade dos que expressamente as aprovaram.

Portanto, se as deliberações forem infringentes, responderá Almino José de


maneira ilimitada.

D) Caso a receita bruta anual da EIRELI seja inferior a R$ 100.000,00


(cem mil reais), será possível enquadrará microempreendedor
individual (MEI).

O item está incorreto. O microempreendedor individua (MEI) será estudado


adiante, mas serve para empresários com receita bruta inferior a R$ 60.000,00
por ano. Item, pois, incorreto.

Gabarito  C.

10 SOCIEDADE DE SÓCIOS CASADOS, ENTRE SI OU COM TERCEIROS

Vimos que o empresário previsto no artigo 966 do Código Civil pode ser tanto
empresário individual (pessoa física que, por sua conta e risco, assume as
atividades sozinho) ou sociedade empresária (quando dois ou mais sócios o
fazem por meio da criação de uma pessoa jurídica). Pois bem. Pode acontecer,
e é comum, que duas pessoas casadas resolvam instituir sociedade juntos.
Porém, antes da constituição, há uma regra no Código Civil a ser observada.
Vamos direto ao dispositivo legal:

Art. 977. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com


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terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de


bens, ou no da separação obrigatória.

Não basta, porém, a simples exposição do dispositivo. Vamos interpretá-lo.

O artigo em comento se refere à possibilidade de os cônjuges formarem


sociedade. Portanto, em primeiro lugar, não se trata da possibilidade de virem
os cônjuges a serem empresários individuais, mas, sim, de formarem
sociedade, entre si ou com terceiros.

Portanto, se eu, Gabriel, sou casado com Joana, sob o regime de comunhão
universal, poderei tranquilamente explorar abrir uma lanchonete e explorar o
empreendimento sozinho, sem ter Joana como sócio. Todavia, se quisermos eu

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e Joana iniciarmos o negócio juntos, como sócios, incidiremos na vedação do
artigo 977.

Outra hipótese, plenamente possível, é que eu, Gabriel, e João (terceiro)


celebremos uma sociedade. Não poderemos, porém, eu, João e Joana
participarmos, pois incidiremos nas proibições do art. 977.

Cônjuges (Comunhão universal


Terceiro
e separação obrigatória) Situação
A B C
X X Proibido
Sociedade X X X Proibido
entre X X Permitido
X X Permitido

11 EMPRESÁRIO CASADO

Segundo o Código Civil:

Art. 978. O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal,


qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o
patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real.

Art. 979. Além de no Registro Civil, serão arquivados e averbados, no Registro


Público de Empresas Mercantis, os pactos e declarações antenupciais do
empresário, o título de doação, herança, ou legado, de bens clausulados de
incomunicabilidade ou inalienabilidade.

Vamos lá. Para a prática de determinados atos, a lei exige que a pessoa casada
tenha o consentimento do outro cônjuge (marido ou esposa). Essa autorização
é o que se denomina outorga uxória. Segundo o artigo 978, é necessária a
outorga uxória para alienar ou gravar de ônus os bens empresariais? Não!
Gravem: Se eu, Gabriel Rabelo, sou empresário individual e sou casado com
00000000000

Maria, não precisarei do consentimento dela para alienar um imóvel que esteja
afetado às atividades empresarias, nem para gravá-lo de ônus real.

Por fim, a sentença que decretar ou homologar a separação judicial do


empresário e o ato de reconciliação não podem ser opostos a terceiros, antes
de arquivados e averbados no Registro Público de Empresas Mercantis (CC, art.
980).

6. (FGV/Exame/OAB/2015) Paulo, casado no regime de comunhão parcial


com Jacobina, é empresário enquadrado como microempreendedor individual

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(MEI). O varão pretende gravar com hipoteca o imóvel onde está situado seu
estabelecimento, que serve exclusivamente aos fins da empresa. De acordo
com o Código Civil, assinale a opção correta.

A) Paulo pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o


regime de bens, gravar com hipoteca os imóveis que integram o seu
estabelecimento.
B) Paulo não pode, sem a outorga conjugal, gravar com hipoteca os imóveis
que integram o seu estabelecimento, salvo no regime de separação de bens.
C) Paulo, qualquer que seja o regime de bens, depende de outorga conjugal
para gravar com hipoteca os imóveis que integram o seu estabelecimento.
D) Paulo pode, sem necessidade de outorga conjugal, gravar com hipoteca os
imóveis que integram o seu estabelecimento, salvo no regime da comunhão
universal.

Comentários

Como dissemos:

Art. 978. O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal,


qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o
patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real.

Gabarito  A.

12 EMPRESA X EMPRESÁRIO X ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL

Um aspecto essencial no que diz respeito aos estudos do direito empresarial é


saber discernir entre o conceito de empresa, empresário e estabelecimento.

Empresa é a atividade economicamente organizada, para produzir ações


coordenadas para a circulação ou produção de bens ou serviços.

Empresário, por seu turno, é o sujeito de direito, pessoa física (empresário


00000000000

individual) ou jurídica (sociedade empresária), que exerce a empresa.

O estabelecimento empresarial é o conjunto de bens corpóreos e


incorpóreos organizadamente utilizados para a exploração negocial.

Tomemos como exemplo a Casa de Carne Sociedade Ltda. Empresário é a


própria pessoa que a explora, neste caso a própria sociedade Casa da Carne.

A empresa é a atividade ali existente, a venda de carnes em si.

Já o estabelecimento é o conjunto de bens que o empresário utiliza para a


consecução de seus objetivos (terreno, edificações, máquinas, equipamentos,
etc).

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Assim:

Empresa  Atividade.
Empresário  Pessoa
Estabelecimento  Conjunto de bens

7. (FGV/Exame/OAB/2015) Assinale a alternativa correta em relação aos


conceitos de empresa e empresário no Direito Empresarial.

A) Empresa é a sociedade com ou sem personalidade jurídica; empresário é o


sócio da empresa, pessoa natural ou jurídica com responsabilidade limitada ao
valor das quotas integralizadas.
B) Empresa é qualquer atividade econômica destinada à produção de bens;
empresário é a pessoa natural que exerce profissionalmente a empresa e tenha
receita bruta anual de até R$ 100.000,00 (cem mil reais).
C) Empresa é a atividade econômica organizada para a produção e/ou a
circulação de bens e de serviços; empresário é o titular da empresa, quem a
exerce em caráter profissional.
D) Empresa é a repetição profissional dos atos de comércio ou mercancia;
empresário é a pessoa natural ou jurídica que pratica de modo habitual tais
atos de comércio.

Comentários

Comentemos item a item...

A) Empresa é a sociedade com ou sem personalidade jurídica;


empresário é o sócio da empresa, pessoa natural ou jurídica com
00000000000

responsabilidade limitada ao valor das quotas integralizadas.

Item incorreto. Empresa é a atividade economicamente organizada, para


produzir ações coordenadas para a circulação ou produção de bens ou serviços.

B) Empresa é qualquer atividade econômica destinada à produção de


bens; empresário é a pessoa natural que exerce profissionalmente a
empresa e tenha receita bruta anual de até R$ 100.000,00 (cem mil
reais).

Empresa é, sim, a atividade. Empresário é o sujeito de direito, pessoa física


(empresário individual) ou jurídica (sociedade empresária), que exerce a

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empresa. A questão peca ao dizer que empresário é pessoa natural, pois pode
ser pessoa jurídica, além de estabelecer uma limitação indevida.

C) Empresa é a atividade econômica organizada para a produção e/ou a


circulação de bens e de serviços; empresário é o titular da empresa,
quem a exerce em caráter profissional.

Item perfeito. Essa é a correta definição do que estamos falando na aula.

D) Empresa é a repetição profissional dos atos de comércio ou


mercancia; empresário é a pessoa natural ou jurídica que pratica de
modo habitual tais atos de comércio.

O item está incorreto.

Gabarito  C.

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13 ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL

Antes de começarmos a falar sobre o estabelecimento empresarial, necessário


se faz repassar todos os dispositivos do Código Civil que a ele dizem respeito:

TÍTULO III - Do Estabelecimento

CAPÍTULO ÚNICO - DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado,


para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária.

Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios


jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua
natureza.

Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou


arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros
depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade
empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na
imprensa oficial.

Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu
passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de
todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito,
em trinta dias a partir de sua notificação.

Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos


débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados,
continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano,
a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da
data do vencimento.
00000000000

Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento


não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subseqüentes à
transferência.

Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a


proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato.

Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-


rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do
estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir
o contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer
justa causa, ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante.

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Art. 1.149. A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido
produzirá efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento da
publicação da transferência, mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé pagar
ao cedente.

13.1 DEFINIÇÃO

O que vem a ser o estabelecimento empresarial? Segundo a definição legal (e


essa é a mais importante para concursos):

Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado,


para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária.

O estabelecimento é, pois, todo o complexo de bens organizado, para o


exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária. Trata-se
de elemento indispensável ao exercício da empresa. Todo empresário deve
possuí-lo.

O primeiro aspecto digno de nota é que o Código Civil fala em complexo de


bens. Pois bem, este complexo é o conjunto de bens tangíveis e intangíveis, isto
é, corpóreos e incorpóreos. Devemos aqui, portanto, afastar a errônea noção de
que o estabelecimento empresarial corresponde aos terrenos e edificações em
que o empresário exerce suas atividades. Algumas questões em prova exploram
este conhecimento. Como exemplos de bens materiais, temos máquinas,
utensílios, equipamentos, veículos, mercadorias, terrenos. De imateriais,
propriedade industrial, marca, patentes de invenção, entre outros.

A FGV acertadamente explorou este tópico no concurso para Agente Fiscal de


Rendas do Estado do Rio de Janeiro, com a seguinte assertiva (item correto):

(FGV/AFRE/ICMS/RJ) O estabelecimento empresarial inclui, também, bens


incorpóreos, imateriais e intangíveis.

13.2 CUIDADOS A SEREM LEVADOS PARA A PROVA


00000000000

O estabelecimento, como dito, é constituído por bens tangíveis e intangíveis.


Todavia, alguns cuidados devem ser tomados para a prova que se aproxima.

1) Não confundir o estabelecimento empresarial com o terreno em que


o empresário exerce suas atividades. O terreno é somente um dos
componentes do estabelecimento empresarial.
2) Não confundir o estabelecimento empresarial (complexo de bens
organizado) com empresa (atividade) e com a pessoa do empresário
(que é o titular do estabelecimento). Já vimos esta distinção em aula.
Contudo, não custa reprisar. Tomemos como exemplo a Casa de Carne
Sociedade Ltda. Empresário é a própria pessoa que a explora, neste caso a
própria sociedade Casa da Carne. A empresa é a atividade ali existente, a

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venda de carnes em si. Já o estabelecimento é o conjunto de bens que o
empresário utiliza para a consecução de seus objetivos (terreno, edificações,
máquinas, equipamentos, etc).
3) Não confundir, por fim, o estabelecimento empresarial com o
patrimônio do empresário ou da sociedade empresária. Imagine-se que
João possua dois veículos (A e B). Sabe-se que ele é empresário individual,
possui um restaurante, com diversos empregados. João se utiliza do veículo A
em suas atividades. O automóvel B, por seu turno, só é utilizado para que
sejam resolvidas questões pessoais. O veículo A integra seu estabelecimento
empresarial. Já B integra o seu patrimônio, somente. Contudo, haja vista que
não se encontra afetado nas atividades empresariais, não pertence ao
estabelecimento.

É de se concluir, assim, que o patrimônio compreende a totalidade dos bens do


empresário (veículos A e B). O estabelecimento, contudo, compreende apenas
aqueles que são utilizados nas atividades empresariais. Isso falamos para o
empresário individual.

Já para a sociedade empresária, temos um princípio na contabilidade que se


chama princípio da entidade, segundo o qual, o patrimônio dos sócios é distinto
do patrimônio da sociedade.

13.3 NATUREZA JURÍDICA DO ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL

Há grande discussão doutrinária sobre a natureza jurídica do estabelecimento


empresarial. FCC, CESPE e ESAF consideram que é a de universalidade de
fato.

Universalidade de fato é um conjunto de bens que pode ser destinado de acordo


com a vontade do particular. Universalidade de direito é um conjunto de bens a
que a lei atribui determinada forma (por exemplo, a herança), imodificável por
vontade própria.

Portanto, se cair em provas, talvez o posicionamento mais seguro, seguindo as


00000000000

grandes bancas, seria tratá-lo como universalidade de fato. Por quê?


Observe o que diz o artigo 1.143 do Código:

Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de


negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a
sua natureza.

Assim, é livre a alienação do estabelecimento, dos bens que o compõem,


transferência, arrendamento.

Levem isto para a prova: O estabelecimento empresarial pode ser objeto


de direito e negócios jurídicos, compatíveis com a sua natureza.

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Diferentemente do nome empresarial, cuja regra veda a sua alienação.

PARA A PROVA

Estabelecimento  Pode ser alienado.


Nome empresarial  Via de regra, não pode ser alienado.

13.4 ALIENAÇÃO DO ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL (TRESPASSE)

O estabelecimento pode ser alienado. Essa alienação recebe o nome de


trespasse.

Inicialmente, vamos transcrever aqui os artigos do Código Civil relativos ao


trespasse para leitura (são importantíssimos):

Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios


jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua
natureza.

Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou


arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros
depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade
empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na
imprensa oficial.

Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu
passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de
todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito,
em trinta dias a partir de sua notificação.

Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos


débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados,
continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano,
a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da
00000000000

data do vencimento.

O que devemos saber sobre o trespasse?

1) O trespasse é a alienação do estabelecimento como um TODO e não


fragmentada. Ou seja, a empresa procede à transferência de todo o
complexo de bens.

2) Só produz efeito frente a terceiros quando averbado no Registro de


Empresas Mercantis/Junta Comercial e publicado na Imprensa Oficial (CC,
art. 1.144).

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3) Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a
eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os
credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em
TRINTA DIAS a partir de sua notificação.

SIM
Alienante Tem bens para Eficácia independe
pagar o passivo? do consentimento
dos credores.
NÃO

Expresso
Eficácia depende
do consentimento
dos credores.
Tácito: decurso de
30 dias da
notificação

4) O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos


anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados,
continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um
ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos
outros, da data do vencimento. Atente-se para o fato de que a
responsabilidade é solidária. Não é subsidiária como já proposto em
algumas questões de concursos.

Portanto, deste item 4 extrai-se que a adquirente passa a responder pelas


dívidas que estiverem regularmente contabilizadas. Todavia, o alienante possui
responsabilidade solidária na alienação, pelo prazo de um ano.

Exemplifique-se. Suponha que ALFA aliene o seu estabelecimento empresarial


para BETA. A publicação do trespasse se dá em 31.03.X1. ALFA tinha duas
dívidas com ZETA, uma com vencimento em 31.01.X1 e outra com vencimento
00000000000

em 25.05.X1. Neste caso, para a dívida que já venceu (em 31.01.X1), a


solidariedade de ALFA será contada a partir da publicação, em 31.03.X1, e se
dará até 30.03.X2. Já para a dívida que vencerá em 25.05.X1, começará nesta
data a perdurar a solidariedade de ALFA, vigendo até 24.05.X2.

Ressalve-se, contudo, que para o direito tributário temos regras próprias, como
vemos no artigo 133 do Código Tributário Nacional:

Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra,
por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial
ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra
razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos
ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato:

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I - integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou


atividade;
II - subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou
iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no
mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão.

Outra exceção que deve ser feita é para a aquisição no caso de falência ou
recuperação judicial, onde o adquirente está livre de que qualquer ônus, como
se vê na Lei de Falências:

Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa ou


de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata este
artigo:
II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão
do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária,
as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de
trabalho.

13.5 CLÁUSULA DE NÃO-RESTABELECIMENTO

Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento


não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subseqüentes à
transferência.

Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a


proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato.

O artigo 1.147 estabelece que, não havendo autorização expressa, o alienante


do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos CINCO
anos subseqüentes à transferência.

É conhecida esta cláusula nos contratos de trespasse como cláusula de não


restabelecimento. 00000000000

Imagine-se que hoje A aliena seu estabelecimento empresarial X, que já possui


uma imensa clientela, a B. Amanhã A abre outra loja no mesmo ramo ao lado
da loja de B. Seria justo? Não! Por isso a disposição no Código Civil neste
sentido.

Em razão do art. 170, Constituição Federal de 1988, a cláusula de não


restabelecimento deve apresentar limites materiais (ramo de atividade),
territoriais (âmbito geográfico) e temporais (prazo de não concorrência) para
não ofender os princípios constitucionais da livre iniciativa e da livre
concorrência.

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A cláusula de não restabelecimento que vede a exploração de qualquer
atividade econômica ou não estipule restrições temporais ou territoriais não
gera o efeito pretendido pelas partes, por ser logicamente inconstitucional.

O objetivo maior do dispositivo é coagir a utilização da má-fé por partes dos


alienantes.

13.6 CONTRATOS ANTERIORES NO TRESPASSE

De acordo com o Código Civil:

Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-


rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do
estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir
o contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer
justa causa, ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante.

Nos termos do artigo 1.148, há a sub-rogação do adquirente nos contratos


anteriormente firmados. Todavia, se houver justa causa, os terceiros podem
rescindir o contrato em 90 dias, a partir da publicação.

Os contratos que têm caráter pessoal não se transmitem automaticamente.

Vamos explicar um pouco melhor este artigo 1.148. Vamos por partes, pois ele
é importante para provas:

- Salvo disposição em contrário: A primeira coisa importante é que o


contrato social pode estipular disposições diversas de tudo o que será visto a
seguir.
- A transferência importa a sub-rogação do adquirente nos contratos
estipulados para a exploração do estabelecimento: Os contratos não
integram o estabelecimento, já que não são bens. Todavia, são essenciais para
o bom funcionamento dele. Sub-rogar é trocar uma pessoa por outra: o
alienante pelo adquirente. Então, o Código Civil prevê a transferência dos
00000000000

contratos junto do estabelecimento, para manter a continuidade das atividades.


- Se não tiverem caráter pessoal: os contratos que tenham caráter pessoal
(intuitu personae) não são transferidos.
- Podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da
publicação da transferência, se ocorrer justa causa: Vejam que o Código
não estabelece a necessidade de anuência da outra parte que contratou
(cedido). Contudo, se houver justa causa, eles poderão rescindir o contrato no
prazo de 90 dias. Não há definição do que vem a ser justa causa, devendo a
análise ser feita no caso concreto.
- Ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante: Caso ocorra
justa causa e o cedido decida rescindir o contrato, o alienante não terá
responsabilidade.

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Ainda, de acordo com o artigo 1.149:

Art. 1.149. A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido


produzirá efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento da
publicação da transferência, mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé pagar
ao cedente.

Já tratamos da transferência das dívidas e dos contratos. Todavia, nem só de


elementos negativos se constitui o estabelecimento empresarial. Há também a
transferência de créditos.

O artigo supracitado, em síntese, diz o seguinte: ALFA é titular de


estabelecimento empresarial e o aliena para BETA. A partir da publicação, o
trespasse tem efeitos perante terceiros. ZETA, que era devedor de ALFA, passa
a dever BETA. Contudo, se ZETA, de boa-fé, proceder ao pagamento para ALFA,
não caberá à BETA cobrar o valor de ZETA, pois este ficará exonerado do
pagamento, mas, sim, de ALFA, em ação regressiva.

13.7 AVIAMENTO

Na lição de Fábio Ulhoa Coelho, o estabelecimento é a reunião dos bens


necessários ao desenvolvimento da atividade econômica. Ao reunir bens de
diversas naturezas para exercer a atividade, ele acaba por agregar valor à
empresa, o que faz com que o seu valor seja maior do que a simples soma dos
bens.

Com efeito, se o estabelecimento X possui máquinas no montante de R$


10.000,00 e edificações no valor de R$ 50.000,00, mas funciona há muito
tempo, já possuindo clientela e tradição no local, poderá ser vendido por mais
do que R$ 60.000,00 (R$ 10.000,00 + R$ 50.000,00).

Esse plus, juridicamente, é chamado de aviamento.

Vamos praticar? 00000000000

8. (FGV/Exame/OAB/2013) No contrato de alienação do estabelecimento da


sociedade empresária Chaves & Cia Ltda., com sede em Theobroma, ficou
pactuado que não haveria sub-rogação do adquirente nos contratos celebrados
pelo alienante, em vigor na data da transferência, relativos ao fornecimento de
matéria-prima para o exercício da empresa. Um dos sócios da sociedade
empresária consulta sua advogada para saber se a estipulação é válida.
Consoante as disposições legais sobre o estabelecimento, assinale a afirmativa
correta.

A) A estipulação é nula, pois o contrato de alienação do estabelecimento não


pode afastar a sub-rogação do adquirente nos contratos celebrados
anteriormente para sua exploração.

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B) A estipulação é válida, pois o contrato de alienação do estabelecimento pode
afastar a sub-rogação do adquirente nos contratos celebrados anteriormente
para sua exploração.
C) A estipulação é anulável, podendo os terceiros rescindir seus contratos com
a sociedade empresária em até 90 (noventa) dias a contar da publicação da
transferência.
D) A estipulação é considerada não escrita, por desrespeitar norma de ordem
pública que impõe a solidariedade entre alienante e adquirente pelas obrigações
referentes ao estabelecimento.

Comentários

Segundo o Código Civil:

Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-


rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do
estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir
o contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer
justa causa, ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante.

Portanto, a estipulação é válida, pois o contrato de alienação do


estabelecimento pode afastar a sub-rogação do adquirente nos contratos
celebrados anteriormente para sua exploração.

Gabarito  B.

9. (FGV/Exame/OAB/2013) Lavanderias Roupa Limpa Ltda. (“Roupa Limpa”)


alienou um de seus estabelecimentos comerciais, uma lavanderia no bairro do
Jacintinho, na cidade de Maceió, para Caio da Silva, empresário individual. O
contrato de trespasse foi omisso quanto à possibilidade de restabelecimento da
“Roupa Limpa”, bem como nada dispôs a respeito da responsabilidade de Caio
da Silva por débitos anteriores à transferência do estabelecimento.
00000000000

Nesse cenário, assinale a afirmativa correta.

A) O contrato de trespasse será oponível a terceiros, independentemente de


qualquer registro na Junta Comercial ou publicação.
B) Caio da Silva não responderá por qualquer débito anterior à transferência,
exceto os que não estiverem devidamente escriturados.
C) Na omissão do contrato de trespasse, Roupa Limpa poderá se restabelecer
no bairro do Jacintinho e fazer concorrência a Caio da Silva.
D) Não havendo autorização expressa, “Roupa Limpa” não poderá fazer
concorrência a Caio da Silva, nos cinco anos subsequentes à transferência.

Comentários

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Comentemos item a item...

A) O contrato de trespasse será oponível a terceiros,


independentemente de qualquer registro na Junta Comercial ou
publicação.

O item está incorreto. Segundo o Código Civil:

Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou


arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros
depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade
empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na
imprensa oficial.

B) Caio da Silva não responderá por qualquer débito anterior à


transferência, exceto os que não estiverem devidamente escriturados.

O item também erra. Conforme dissemos:

Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos


débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados,
continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano,
a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da
data do vencimento.

C) Na omissão do contrato de trespasse, Roupa Limpa poderá se


restabelecer no bairro do Jacintinho e fazer concorrência a Caio da
Silva.

O item está errado. Vimos que a cláusula de não-restabelecimento opera do


seguinte modo:

Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento


não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subseqüentes à
00000000000

transferência.

Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a


proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato.

D) Não havendo autorização expressa, “Roupa Limpa” não poderá fazer


concorrência a Caio da Silva, nos cinco anos subsequentes à
transferência.

Este, por fim, é o nosso gabarito, já que, sendo omisso, prevalece a cláusula de
não concorrência pelo prazo de cinco anos.

Gabarito  D.

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14 RESUMO – DIREITO EMPRESARIAL – AULA 00

- Teoria dos atos do comércio: Sempre que alguém praticava atividade


econômica que o direito considerava ato de comércio, submeter-se-ia às
obrigações do Código Comercial, a ele se sujeitando. A caracterização de
uma pessoa como comerciante era feita com base em uma lista de
atividades. Código Comercial de 1850.

- Teoria da empresa: o direito empresarial não mais regulaa a atividade


de setores específicos. A forma de produzir ou circular bens ou
serviços, a forma empresarial, é que seria agora levada em
consideração. A partir daquele momento, não se olharia mais para quem era x
ou quem era y, mas, sim, para o modo como estes sujeitos organizam seu
trabalho. Em regra, todo aquele que organize seu negócio profissionalmente,
para produzir ou circular bens ou serviços poderia usufruir das benesses trazida
pelo Direito Empresarial. Código Civil de 2002.

- Direito empresarial: é autônomo.

- Fontes: lei, usos e costumes.

- Empresário: considera-se empresário quem exerce profissionalmente


atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de
bens ou de serviços.

Requisitos
Atividade econômica
Organização
Empresário
Produção ou circulação de bens ou serviços
Capacidade/não impedimento

- Exceções:
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Exceções ao regime empresarial


Profissionais intelectuais Salvo se
Ainda que
Profissionais de natureza científica constituir
com
Profissionais de natureza literária elemento
auxiliares
Exceções Profissionais de natureza artística de empresa
Cooperativas
Sociedade de advogados
Rurais (pessoa natural e sociedade)

- Registro: O registro é obrigação legal a todos os empresários imposta


(CC, art. 967). Não obstante, um empresário que não o faça não deixará
de sê-lo por este motivo. Encontrar-se-á, tão-somente, em situação
irregular.

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- O registro tem natureza declaratória.
- O registro não tem natureza constitutiva (exceto para os rurais).

- O empresário individual e a sociedade empresária devem se registrar no


Registro Público de Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais. Já os
outros tipos societários devem proceder ao registro no Registro Civil de Pessoas
Jurídicas.

Empresário e sociedade empresária: Junta Comercial.


Sociedades simples: Registro Civil de Pessoas Jurídicas.

- Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo


da capacidade civil e não forem legalmente impedidos.

- Analfabeto: pode ser empresário, desde que tenha procurador constituído,


com poderes específicos, por instrumento público.

- A regra é o pleno gozo da capacidade civil. Porém, existem casos em que o


incapaz poderá continuar – e nunca dar início – a atividade empresarial,
adquirindo status de empresário. São as seguintes situações:

1) Incapacidade superveniente. Determinada pessoa era capaz e, após


determinado acontecimento, torna-se incapaz para os atos da vida civil.
2) Falecimento ou ausência dos pais ou autor da herança.

- Um incapaz pode ser sócio de sociedade empresária, desde que:

- Não seja administrador desta sociedade;


- O capital social esteja totalmente integralizado;
- Haja assistência ou representação, conforme a incapacidade seja,
respectivamente, relativa ou absoluta.

Nesta hipótese, não necessita de autorização judicial e o registro pode ser


inicial. 00000000000

- A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário,


se a exercer, responderá pelas obrigações contraídas.

- Empresário Individual de Responsabilidade Limitada:

- Uma pessoa natural titular de todo o capital social.


- Capital social devidamente integralizado.
- Capital social maior que 100 vezes o salário mínimo vigente no país.
- Código Civil atribui personalidade jurídica.
- Responsabilidade é limitada.
- Nome empresarial: firma ou denominação + EIRELI.
- Pode resultar da concentração de quotas, independentemente do motivo.

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- Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde


que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou no da
separação obrigatória.

Cônjuges (Comunhão universal


Terceiro
e separação obrigatória) Situação
A B C
X X Proibido
Sociedade X X X Proibido
entre X X Permitido
X X Permitido

- O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer


que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da
empresa ou gravá-los de ônus real.

Estabelecimento empresarial:

- Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para


exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária

- Estabelecimento: universalidade de fato.


- Efeitos do trespasse (CC, art. 1.144): Depois de averbado na Junta e
publicado.

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- Responsabilidade do adquirente: Solidariedade do alienante: 1 ano. Dos


débitos vencidos, da publicação do trespasse. Dos vincendos, do vencimento.

- Cláusula de não restabelecimento: cinco anos, salvo autorização expressa do


adquirente. No caso de arrendamento, vale o prazo do contrato.

- Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-rogação do


adquirente nos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, se
não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir o contrato em

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noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer justa causa,
ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante (CC, art. 1.148).

Trocando em miúdos.

- Salvo disposição em contrário, a transferência do estabelecimento importa a


transferência dos contratos de exploração.
- Os contratos pessoais não são transferidos.
- Os terceiros podem rescindir o contrato em 90 dias, se houver justa causa.
Nesta hipótese, não haverá responsabilidade do alienante.

- A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produzirá


efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento da publicação
da transferência, mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé pagar ao
cedente.

Exemplo: ALFA é titular de estabelecimento empresarial e o aliena para BETA. A


partir da publicação, o trespasse tem efeitos perante terceiros. ZETA, que era
devedor de ALFA, passa a dever BETA. Contudo, se ZETA, de boa-fé, proceder
ao pagamento para ALFA, não caberá à BETA cobrar o valor de ZETA, pois este
ficará exonerado do pagamento, mas, sim, de ALFA, em ação regressiva.

15 QUESTÕES COMENTADAS

1. (FGV/Exame/OAB/2014) Alfredo Chaves exerce, em caráter profissional,


atividade intelectual de natureza literária, com auxiliares. O exercício da
profissão constitui elemento de empresa. Não há registro da atividade por parte
de Alfredo Chaves em nenhum órgão público.

Com base nessas informações e nas disposições do Código Civil, assinale a


afirmativa correta.

A) Alfredo Chaves não é empresário, porque exerce atividade intelectual de


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natureza literária.
B) Alfredo Chaves não é empresário, porque não possui registro em nenhum
órgão público.
C) Alfredo Chaves é empresário, independentemente da falta de inscrição na
Junta Comercial.
D) Alfredo Chaves é empresário, porque exerce atividade não organizada em
caráter profissional.

2. (FGV/Exame/OAB/2011) Em relação à incapacidade e proibição para o


exercício da empresa, assinale a alternativa correta.

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(a) Caso a pessoa proibida de exercer a atividade de empresário praticar tal
atividade, deverá responder pelas obrigações contraídas, podendo até ser
declarada falida.
(b) Aquele que tenha impedimento legal para ser empresário está impedido de
ser sócio ou acionista de uma sociedade empresária.
(c) Entre as pessoas impedidas de exercer a empresa está o incapaz, que não
poderá exercer tal atividade.
(d) Por se tratar de matéria de ordem pública e considerando que a continuação
da empresa interessa a toda a sociedade, quer em razão da arrecadação de
impostos, quer em razão da geração de empregos, caso a pessoa proibida de
exercer a atividade empresarial o faça, poderá requerer a recuperação judicial.

3. (FGV/Exame/OAB/2014) Olímpio Noronha é servidor público militar ativo


e, concomitantemente, exerce pessoalmente atividade econômica organizada
sem ter sua firma inscrita na Junta Comercial.

Em relação às obrigações assumidas por Olímpio Noronha, assinale a


alternativa correta.

A) São válidas tanto as obrigações assumidas no exercício da empresa quanto


estranhas a essa atividade e por elas Olímpio Noronha responderá
ilimitadamente.
B) São nulas todas as obrigações assumidas, porque Olímpio Noronha não pode
ser empresário concomitantemente com o serviço público militar.
C) São válidas apenas as obrigações estranhas ao exercício da empresa, pelas
quais Olímpio Noronha responderá ilimitadamente; as demais são nulas.
D) São válidas apenas as obrigações relacionadas ao exercício da empresa e
por elas Olímpio Noronha responderá limitadamente; as demais são anuláveis.

4. (FGV/Exame/OAB/2012) José decidiu constituir uma Empresa Individual


de Responsabilidade Limitada (EIRELI) para atuar no município “X” e consultou
um advogado para obter esclarecimentos sobre a administração da EIRELI.

Assinale a alternativa que apresenta a informação correta dada pelo advogado.


00000000000

A) A designação de administrador não sócio depende do voto favorável de 2/3


(dois terços) do capital social, se este não estiver integralizado.
B) A administração atribuída pelo contrato a qualquer dos sócios da EIRELI não
se estende de pleno direito aos que posteriormente adquirirem essa qualidade.
C) O administrador da EIRELI, seja o próprio instituidor ou terceiro, responde
por culpa no desempenho de suas atribuições perante terceiros prejudicados.
D) O titular da EIRELI poderá usar a firma ou denominação, sendo vedado seu
uso pelo terceiro, ainda que seja designado administrador.

5. (FGV/Exame/OAB/2014) Almino José consultou seu advogado com o


intuito de constituir uma Empresa Individual de Responsabilidade Limitada –
EIRELI.

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Com base na legislação aplicável à EIRELI, assinale a opção que apresenta a


resposta correta dada pelo advogado.

A) O administrador da EIRELI deverá ser nomeado no ato constitutivo e será


apenas o sócio, seu cônjuge ou parente até o 3º grau dessas pessoas.
B) O ato constitutivo da EIRELI deverá ser arquivado no Registro Civil de
Pessoas Jurídicas, independentemente do objeto.
C) As deliberações infringentes da lei que Almino José vier a tomar acarretarão
sua responsabilidade ilimitada pelas obrigações da pessoa jurídica.
D) Caso a receita bruta anual da EIRELI seja inferior a R$ 100.000,00 (cem mil
reais), será possível enquadrará microempreendedor individual (MEI).

6. (FGV/Exame/OAB/2015) Paulo, casado no regime de comunhão parcial


com Jacobina, é empresário enquadrado como microempreendedor individual
(MEI). O varão pretende gravar com hipoteca o imóvel onde está situado seu
estabelecimento, que serve exclusivamente aos fins da empresa. De acordo
com o Código Civil, assinale a opção correta.

A) Paulo pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o


regime de bens, gravar com hipoteca os imóveis que integram o seu
estabelecimento.
B) Paulo não pode, sem a outorga conjugal, gravar com hipoteca os imóveis
que integram o seu estabelecimento, salvo no regime de separação de bens.
C) Paulo, qualquer que seja o regime de bens, depende de outorga conjugal
para gravar com hipoteca os imóveis que integram o seu estabelecimento.
D) Paulo pode, sem necessidade de outorga conjugal, gravar com hipoteca os
imóveis que integram o seu estabelecimento, salvo no regime da comunhão
universal.

7. (FGV/Exame/OAB/2015) Assinale a alternativa correta em relação aos


conceitos de empresa e empresário no Direito Empresarial.

A) Empresa é a sociedade com ou sem personalidade jurídica; empresário é o


00000000000

sócio da empresa, pessoa natural ou jurídica com responsabilidade limitada ao


valor das quotas integralizadas.
B) Empresa é qualquer atividade econômica destinada à produção de bens;
empresário é a pessoa natural que exerce profissionalmente a empresa e tenha
receita bruta anual de até R$ 100.000,00 (cem mil reais).
C) Empresa é a atividade econômica organizada para a produção e/ou a
circulação de bens e de serviços; empresário é o titular da empresa, quem a
exerce em caráter profissional.
D) Empresa é a repetição profissional dos atos de comércio ou mercancia;
empresário é a pessoa natural ou jurídica que pratica de modo habitual tais
atos de comércio.

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8. (FGV/Exame/OAB/2013) No contrato de alienação do estabelecimento da
sociedade empresária Chaves & Cia Ltda., com sede em Theobroma, ficou
pactuado que não haveria sub-rogação do adquirente nos contratos celebrados
pelo alienante, em vigor na data da transferência, relativos ao fornecimento de
matéria-prima para o exercício da empresa. Um dos sócios da sociedade
empresária consulta sua advogada para saber se a estipulação é válida.
Consoante as disposições legais sobre o estabelecimento, assinale a afirmativa
correta.

A) A estipulação é nula, pois o contrato de alienação do estabelecimento não


pode afastar a sub-rogação do adquirente nos contratos celebrados
anteriormente para sua exploração.
B) A estipulação é válida, pois o contrato de alienação do estabelecimento pode
afastar a sub-rogação do adquirente nos contratos celebrados anteriormente
para sua exploração.
C) A estipulação é anulável, podendo os terceiros rescindir seus contratos com
a sociedade empresária em até 90 (noventa) dias a contar da publicação da
transferência.
D) A estipulação é considerada não escrita, por desrespeitar norma de ordem
pública que impõe a solidariedade entre alienante e adquirente pelas obrigações
referentes ao estabelecimento.

9. (FGV/Exame/OAB/2013) Lavanderias Roupa Limpa Ltda. (“Roupa Limpa”)


alienou um de seus estabelecimentos comerciais, uma lavanderia no bairro do
Jacintinho, na cidade de Maceió, para Caio da Silva, empresário individual. O
contrato de trespasse foi omisso quanto à possibilidade de restabelecimento da
“Roupa Limpa”, bem como nada dispôs a respeito da responsabilidade de Caio
da Silva por débitos anteriores à transferência do estabelecimento.

Nesse cenário, assinale a afirmativa correta.

A) O contrato de trespasse será oponível a terceiros, independentemente de


qualquer registro na Junta Comercial ou publicação.
B) Caio da Silva não responderá por qualquer débito anterior à transferência,
00000000000

exceto os que não estiverem devidamente escriturados.


C) Na omissão do contrato de trespasse, Roupa Limpa poderá se restabelecer
no bairro do Jacintinho e fazer concorrência a Caio da Silva.
D) Não havendo autorização expressa, “Roupa Limpa” não poderá fazer
concorrência a Caio da Silva, nos cinco anos subsequentes à transferência.

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16 GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA

QUESTÃO GABARITO
1 C
2 A
3 A
4 C
5 C
6 A
7 C
8 B
9 D

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