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TRABALHO ESCRAVO NA EMPRESA JAYORO, FATO OU BOATO?

Radamézio Eduardo Velasques de Abreu1

Resumo: Pesquisa realizada para localizar indícios ou eventuais denúncias envolvendo a


Agropecuária Jayoro, empresa do ramo da Agro-Indústria/ Pecuária/ Pesca, de Grande porte, que
possui uma faixa oscilante de 500 a 1.000 funcionários no período da colheita, está localizada no
Município de Presidente Figueiredo/AM. A escolha do tema foi solicitada pelo Professor Adelson
Lima, titular da Disciplina Direito Coletivo e do Trabalho, do Curso de Direito da UEA. Pretende-se
verificar se de fato existe ação no curso ou transitada em julgado envolvendo a empresa, e qual foi a
repercussão posterior, as mudanças ocorridas para modificar o quadro da empresa. A Metodologia
utilizada envolveu pesquisa bibliográfica aos sites da internet, visitas ao Tribunal Federal e Estadual
do Trabalho ouvindo seus técnicos, e ainda ao Grupo Simões. Conclui-se ser muito vasto o número
de processos da Empresa Jayoro levados as instâncias do Judiciário e como é difícil, ou quase
inacessível o acesso de um acadêmico do Curso de Direito aos processos nas vara do Trabalho.

Palavras Chaves: Trabalho Escravo, Justiça do Trabalho, .

Introdução

No Brasil a proteção que faz frente ao trabalho escravo está prevista na


Constituição da República de 1988, bem como nas Convenções Internacionais sobre
direitos humanos. Porém é imperioso ressaltar o risco que as repercussões da
Reforma Trabalhista ferem o preceito constitucional propiciando o surgimento de
trabalho Escravo Contemporâneo.

O trabalho análogo ao de escravo, ou trabalho escravo contemporâneo,


embora relacionado ao direito do trabalho, ficou sem previsão legal na Consolidação
das Leis do Trabalho, posto que sua cominação esta no art. 149 do Código Penal
Brasileiro, assim definido como crime:

“reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a


trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições
degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua
locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto.

Além disso os são da mesma forma considerado crime as condutas que


restringem o uso de qualquer meio de transporte pelos trabalhadores, bem como
submeter os trabalhadores a vigilância ostensiva durante a jornada laboral, ou ainda
se apoderar de bens e objetos pessoais do trabalhador, todas com intuito de mantê-
los no local onde trabalho.

Se o art. 1º da Constituição Federal assevera que na República Federativa do


Brasil, a dignidade da pessoa humana e o valor social do trabalho combinados com
o Art. 3º desta mesma Carta, pretendem construir uma sociedade livre, justa e

1
Acadêmico de Direito da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Contato: reva.dir@uea.edu.br
solidária, erradicar a pobreza e marginalização, reduzir as desigualdades sócias e
promover o bem estar de todo. Não pode haver tampouco se admitir condições de
trabalho escravo ou análogo, posto que existindo estaria se transgredindo os
principais preceitos constitucionais.

Nos estados da Região Norte e Nordeste, mais longínquos dos Estados do


Sul, Sudeste e Centro Oeste, que o poder público não se faz presente em todos os
municípios e suas comunidades, é que a ganancia dos grandes empresários aliado
a falta de conhecimento das massas, faz com que seja possível a ocorrência de
espoliações laborais.

Agropecuária Jayoro

Realizando uma busca digital na World Wide Web (rede de alcance mundial,
também conhecida como Web ou WWW. um sistema de documentos em hipermídia
que são interligados e executados na Internet 2), um dos instrumentos eleitos para
alcançar os objetivos desta pesquisa, encontra-se a matéria abaixo, no site
Amazônia real.

Em Presidente Figueiredo, cidade distante a 1 (uma) hora e 43 minutos de


Manaus/AM, localizada no quilometro 127,6 km da BR-174, temos a empresa
denominada Agropecuária Jayoro, e conforme o site de notícias: Amazônia Real 3,
Ela atua no Amazonas desde a década de 70, tecendo em sua página a seguinte
descrição:

A empresa Jayoro, subsidiária da Coca-Cola no Amazonas, pertence à


família Magid, radicada em São Paulo. A empresa é proprietária de uma
área de 59 mil hectares desde a década de 70, embora os canaviais
ocupem uma faixa de 4 mil hectares. A empresa também ocupa 410
hectares com guaranazais.

Fonte: Página da empresa no


A ocupação de terras por empresas paulistas como a Jayoro em Presidente
FacebooK Figueiredo veio acompanhada de conflitos fundiários com posseiros, que se
estendem até os dias atuais. A reportagem tentou obter informações do
Programa Terra Legal, do governo federal, sobre a regularização fundiária
da área, mas não obteve retorno do coordenador do órgão no Amazonas,
Luiz Antônio Nascimento.

Em entrevista ao portal, o diretor da empresa, Camillo Pachikoski disse que


a empresa “deixou de queimar palha” em 2010 e que criou
“voluntariamente” um plano de mecanização. Segundo ele, a cana hoje é
cortada “100% crua com as máquinas”.

Ele contou que a Jayoro emprega 1.350 funcionários e tem uma produção
anual de 18 mil toneladas de açúcar. Uma parte da produção vai para a
Recofarma. Por obrigação de contrato, a Jayoro não informa a quantidade
de produção enviada para a Recofarma.

2
https://www.significados.com.br/world-wide-web/
3
https://amazoniareal.com.br/empresa-jayoro-atua-no-amazonas-desde-a-decada-de-70/
“Antes, era tudo pasto degradado. Fomos lá e plantamos cana. Hoje está
uma cobertura verde, como se fosse uma capoeira e o solo está protegido.
Não usamos inceticida. Usamos a linhaça como fertilizante e a o bagaço é
usado para fazer vapor, queimado em caldeira para gerar energia elétrica”,
disse Pachikoski. (sic)

Segundo ele, o excedente do bagaço é usado para briquetagem, processo


de compactação do bagaço que, conforme o diretor da empresa, gera o
“carvão verde”. “Também não plantamos cana perto de curso d´água.
Nunca teve nenhum incidente de resíduo que fosse parar em igarapés”,
disse Pachikoski, destacando que a Jayoro é uma empresa “que cuida do
meio ambiente e que leva emprego para a população de Presidente
Figueiredo”.

Sobre a ação movida pelo MPF, Camillo Pachikoski disse que a denúncia é
baseada em “fatos inverídicos, facilmente comprovados mediante simples
perguntas a qualquer um dos 29 mil habitantes de Presidente Figueiredo,
para o Prefeito, para o Presidente da Câmara ou para o Major da Polícia
Militar da Cidade”. 

O diretor da empresa também disse que, com base em documentos e


declaração de trabalhadores, “não existe registro de doença respiratória ou
de qualquer outra natureza que tenha como agente causador a queima da
palha da cana-de-açúcar”. O diretor também negou que a queima de palha
tenha provocado a morte de animais. Se porventura houvesse risco, o
animai tinha chance de fuga, segundo ele.

O portal Amazônia Real entrou em contato com a Recofarma para falar


sobre o processo judicial. A empresa enviou uma nota na qual nega os
danos ambientais. “A Recofarma exige compromissos de todos os
fornecedores de matérias-primas, entre os quais está a Jayoro, pelos quais
devem proteger o meio ambiente, apoiar direitos humanos e trabalhistas e
ajudar a construir comunidades mais sustentáveis”. Elaíze Farais, 2013.

Na tentativa de elucidar o fatos que levaram a empresa a sofrer esta ação do


Ministério Público Federal, avançando a pesquisa neste mesmo site, foi informado
que “o alvo de denúncia na Justiça Federal” foi “sob a acusação de causar danos
ambientais e à atmosfera, impactar a fauna silvestre e levar prejuízos à saúde
pública”.

 Nesta página a Agropecuária Jayoro Ltda, à época é classificada como


fornecedora de “matéria-prima para a empresa Recofarma Indústria do Amazonas
Ltda, subsidiária da multinacional Coca-Cola”. Na leitura da matéria a denúncia já
contavam com três anos pelo Ministério Público Federal do Amazonas. (grifei)

Na mesma matéria, A direção da empresa negou as acusações e o site


disponibiliza uma entrevista no portal possibilitando a empresa oferecer seu direito
ao contraditório, que volta ao leitor do site a matéria inicial já retratada neste artigo.

Ainda de decurso da página, consta que:

Uma liminar da Justiça Federal acatou parcialmente a ação civil pública


ajuizada originalmente pelo Partido Popular Socialista (PPS), em 2010, e
assumida posteriormente pelo MPF. A liminar exigiu que a Jayoro praticasse
a queima de palha da cana-de-açúcar controlada. Com a decisão, a
empresa ficou proibida de queimar 75% da safra.
Em abril de 2013, MPF moveu uma outra ação reforçando a denúncia
anterior contra a Jayoro. Em novo processo, o Ministério Público Federal do
Amazonas reiterou pedido para que o Ipaam (Instituto de Proteção
Ambiental do Amazonas) se abstivesse de conceder licenciamentos
ambientais para Jayoro e passasse a prerrogativa para o Ibama (Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis).

O MPF também pleiteou na ação uma indenização por dano moral coletivo
devido aos riscos à saúde das comunidades vizinhas ao canavial. O
processo tramita na 7ª Vara Federal, especializada em matéria ambiental e
agrária. Está na fase final de análise, aguardando sentença.

Tendo em vista a página do site Amazônia informar que a Agropecuária


Jayoro seria fornecedora de matéria-prima para a empresa Recofarma Indústria do
Amazonas Ltda e subsidiária da multinacional Coca-Cola, realizou-se visita as
dependências do Grupo Simões (O Grupo Simões faz parte do Sistema Coca-Cola
Brasil e é uma das maiores franquias da marca no Brasil. 4), localizado na Av.
Joaquim Nabuco, 1012 - Centro, Manaus – AM.

Contudo, desde a recepção da empresa, entre os outros funcionários mais


antigos, e de instâncias superiores foram unânimes em informar que desconhecem o
vínculo da Agropecuária Jayoro com o Grupo Simões, o funcionário B. Chacon,
categoricamente após consultar sua chefia do Departamento de Bebidas ratificou,
não há vínculos entre ambas as empresas.

Prosseguindo a pesquisa na internet, no rol de localização com as palavras


chaves, localizava o seguinte conteúdo:
[PDF]
MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO CONSELHO ... - MPT
pgt.mpt.mp.br › externo › csmpt › sessoes › extraordinarias › atas
8 de mar. de 2019 - ERRADICAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO — CNCTE
... do Trabalho decidiu, à unanimidade, extinguir o processo com o
julgamento do ...... PRT/11ª REGIÃO - Interessado: AGROPECUÁRIA
JAYORO LTDA ...... VARA DE BETIM Relator: Conselheiro Dr. José Alves
Pereira Filho - Decisão: O Conselho.

todavia, quando explorava-se em detalhe a busca, o site do Ministério Público do


Trabalho <pgt.mpt.mp.br> dizia não ser possível acessar o site, conforme mensagem abaixo:

Não é possível acessar esse site:


A
página http://pgt.mpt.mp.br/externo/csmpt/sessoes/ordinarias/extratos/extrat
o_da_039a._sessao_ordinaria.pdf pode estar temporariamente indisponível
ou pode ter sido movida permanentemente para um novo endereço da Web.
Pesquise pgt mpt br externo csmt sessoes ordinarias extratos extrato 039a
sessao ordinaria no Google

Assim, conforme demonstrado, resta comprovado que não há na rede mundial de


computadores disponibilidade concreta da matéria tratada como trabalho escravo
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª via envolvendo a AGROPECUÁRIA JAYORO
LTDA.

4
http://www.gruposimoes.com.br/coca-cola.aspx
Decido a localizar os eventuais processos judiciais de trabalho escravo o
autor deste artigo se dirigiu a Justiça Federal do Trabalho e Justiça Estadual da
Trabalho. Posto que após contato telefônico foi lhe dito que o mesmo obteria as
informações caso fosse pessoalmente ao órgão, já que internet haviam mais de 180
processos da Agropecuaria Jayoro na Justiça do Trabalho.

Na segunda instância, Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região,


localizada na Rua Visconde de Porto Alegre, 1297, Praça 14 de Janeiro; foi
requisitado os números dos processos para que os técnicos pudessem fazer a
busca processual no sistema interno daquele órgão da justiça federal, assim não
podendo fornecer tal numeração, dirigiu-se até o protocolo geral administrativo,
localizado na Av. Tefé, 930, que fica na outra esquina. Porém, o atendente disse que
só recebe o malote dos processos e não haveria como localizar o número de
processos especificamente de uma ação judicial trabalhista, contra a empresa em
questão, porém recomendou que fosse até a 5ª Vara da Justiça Estadual e lá falasse
com o servidor Miller, que ele certamente poderia atender a solicitação.

Localizado o técnico Miller, da 5ª Vara do Trabalho, nas dependências do


Fórum Trabalhista Ministro Mozart Vicor Russomano, que fica na Rua Ferreira Pena,
546; o mesmo solicitou um prazo para realizar a busca, foi lhe dado mais de duas
semanas, para após este período, ouvirmos um simples: “não localizei nenhum
processo envolvendo a Empresa Jayoro Agropecuária em denúncias de Trabalho
Escravo”.

Para não dizer que esgotou-se a possibilidade de encontrar prova documental


a respeito do objetivo deste artigo, seguiu-se o conselho do Professor Jeibson, com
consulta direto a Agropecuário Jayoro; portanto, inicialmente realizou-se contato
telefônico (92) 2121-1200), com número fornecido na internet, sendo atendido pela
funcionária Rose, sendo encaminhado tanto e-mail para os endereços:
waltair@jayoro.com.br Cc: rechumano@jayorocom.br quanto um pedido privado na
página do Facebook endereço <https://www.facebook.com/pg/JayoroAmazonas/
about/?ref=page_internal>.

Contudo não fomos atendidos até o encerramento deste artigo. Cópia do e-


mail em anexo.

Ainda na internet, na busca sobre denúncia de trabalho escravo pela


Agropecuária Jayoro, o portal Repórter Brasil, numa matéria produzida por Thaís
Brianezi, do Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis, de 06/11/09, com o
título Coca-Cola usa açúcar de usina sem licença ambiental, traz o conteúdo abaixo:

[...]
Antigo projeto, novos investidores
 
O desmatamento na Agropecuária Jayoro ocorreu há mais de 30 anos, no
início dos anos 70. A usina nasceu no contexto do Pró-Álcool, com apoio da
Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), mas logo
entrou em decadência. Em 1995, quando o empreendimento foi retomado,
com novos investidores (entre eles a Coca-Cola). Eram apenas 300
hectares de canaviais destinados à produção de pinga.
"Hoje 70% de nossa cana vai para produção de açúcar e o restante para
etanol, com uma média de 8 milhões de litros por ano, que é a capacidade
máxima da nossa destilaria", informa o superintendente da Jayoro. Esse
combustível é vendido para pequenas distribuidoras (como a Atem´s e a
Distribuidora Nacional de Petróleo – DNP), que atuam no mercado local.
"Para eles, somos uma garantia de regularidade no fornecimento quando
atrasa a balsa [que traz etanol do Centro-Sul do país]", afirma Waltair Prata.

Já a produção de açúcar, além de atender a Recofarma – empresa do


Grupo Coca-Cola, que produz o concentrado do refrigerante nca capital
Manaus (AM) -, é vendida para pequenos empacotadores da capital
amazonense. "Atendemos cerca de 10% da demanda local de açúcar,
apenas. Os maiores fornecedores da região são usinas do Mato Grosso,
como a Imarati e a Jaciara", detalha o superintendente da Agropecuária
Jayoro.

O guaraná, com o qual se produz o concentrado do refrigerante Kuat,


também se destina à Recofarma. "Até o momento, temos vendido o guaraná
em xarope", revela Waltair, "mas estamos iniciando o processamento em
pó, que facilita a exportação para Atlanta [nos EUA, sede mundial da Coca-
Cola]. Isso também nos possibilita alcançar novos mercados, como o da
cosmética".

Boas práticas

José Mauro, diretor de Meio Ambiente da Coca-Cola Brasil, ressalta que a


empresa "audita regularmente" seus fornecedores, avaliando principalmente
suas práticas ambientais e trabalhistas. "Se algum aspecto for contraditório,
é necessário um plano de ajustamento", declarou o executivo. Questionado
sobre se essas auditorias periódicas já apontaram problemas na
Agropecuária Jayoro, ele pondera que "correções" fazem parte do processo
industrial. "Irregularidades ocorrem em qualquer local. Sempre há motivos
para planos de correção. Se você vier ao prédio da Coca-Cola no Rio de
Janeiro, agora, vai encontrar problemas", provoca o executivo.

O superintendente da Jayoro confirma que a Coca-Cola, mais do que os


órgãos governamentais, pressiona pela adoção de boas práticas ambientais
e trabalhistas. "Com o incentivo dela, estamos em processo de certificação
ISO 14000", revela Waltair. O ISO 14000 é uma série de normas
desenvolvidas pela International Organization for Standardization que
estabelecem diretrizes sobre a área de gestão ambiental dentro de
empresas.

Entre as chamadas tecnologias limpas já adotadas pela Jayoro, está a


canalização e pulverização do vinhoto (líquido resultante da produção de
etanol, altamente poluente) nos canaviais, servindo como adubo
complementar. Há também o aproveitamento do bagaço da cana na
geração de energia elétrica. "Nesta safra, inauguramos um novo turbo
gerador de 5 megawatts, que consome menos bagaço e produz mais
energia que o anterior. Nossa moagem terminou no dia 29 de setembro,
mas conseguimos abastecer a agropecuária com energia própria até o dia
24 de outubro, e ainda estocamos um tanto de bagaço para a próxima
safra", comemora o superintendente.

Relações trabalhistas

O quadro fixo de funcionários da Jayoro é de 650 pessoas, mas na safra


esse número chega a 980 trabalhadores. Na retomada, em 1995, 70% dos
cortadores de cana eram trazidos do Maranhão, em aviões fretados. Hoje,
os migrantes são apenas 10% e boa parte da colheita (40%) é mecanizada.
"Quando fui contratado pela Jayoro, em 1999, a produtividade média diária
de cada cortador era de 4,8 toneladas de cana. Hoje já subiu para 6,7
toneladas", orgulha-se Waltair. "Para aumentá-la, a gente contratou os
cortadores mais produtivos e com menos acidentes como instrutores dos
demais. Durante duas safras, eles ganharam para ficar andando pelos
canaviais, dando dicas aos colegas", gaba-se o superintendente.

Outra estratégia adotada pela empresa é o sorteio anual de uma passagem


aérea ao Nordeste, com direito a acompanhante, entre os membros da
equipe recordista de dias livres de acidentes de trabalho. Todos os
funcionários participam do concurso, inclusive os da área industrial.

"A maior dificuldade que enfrentei foi pegar esses agricultores, que só estão
acostumados a plantar mandioca, a caçar de manhã para colher à noite, e
treiná-los", afirma o diretor da Agropecuária Jayoro, Eduardo Camillo, que
mora em São Paulo (SP). "Quando cheguei a Presidente Figueiredo,
mandei derrubar os barracões nos quais se alojavam os cortadores e
ordenei que construíssem alojamentos. Logo que entrei para o
empreendimento, eu fiz questão de declarar que ali não iríamos ter
bóias-frias", destaca. (Grifei)

Os auditores fiscais do trabalho Rômulo Machado e Silva e Klênio Fábio


Gomes Lima, da área de Segurança e Medicina, estiveram neste ano na
Jayoro. "A agropecuária sempre entra na nossa agenda de fiscalização.
A condição geral dela é boa, os trabalhadores usam EPIs
[equipamentos de proteção individual], há banheiro na lavoura, a
comida é razoável", comenta Rômulo. (Grifei)

Klênio, que fiscalizou a empresa pelo terceiro ano consecutivo, concorda


com a avaliação positiva. Ele ressalta que a Jayoro tem se adequado às
notificações feitas pelos auditores fiscais e citou como exemplos a
inserção de cinto de segurança no ônibus que faz o transporte dos
trabalhadores, a remodelagem do facão utilizado no corte manual da
cana (para evitar acidentes) e a construção de local apropriado para
refeições nas frentes de trabalho. (grifei)

O chefe da fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e


Emprego no Amazonas (SRTE/AM), Francisco Edson Rebouças, lembra,
porém, que o corte manual da cana é extenuante sob qualquer
condição climática, mas ainda pior no calor e umidade da região. "Não
é possível que um trabalhador esteja feliz cortando cana sob o sol de
40ºC do Amazonas". (grifei)

Em setembro, outra equipe de auditores da SRTE esteve na empresa e


aplicou cinco autos de infração. Os funcionários faziam mais que duas
horas-extras diárias permitidas por lei; as horas-extras eram pagas ou
compensadas, mas não registradas integralmente no cartão de ponto; o
período de pagamento ou compensação das horas-extras, às vezes,
excedia o prazo legal de um ano; e o tempo de deslocamento dos
trabalhadores até a empresa não entrava na contagem da jornada de
trabalho. Houve atraso nos salários. (grifei)

Na matéria do Portal Repórter Brasil a Empresa Jayoro diz ter se adequado


às notificações feitas pelos auditores fiscais, desde cinto de segurança no ônibus,
remodelagem do facão para evitar acidentes, e a construção de local apropriado
para refeições, se estas forem as analogias comparadas ao trabalho escravo, ainda
em 2009, as medidas corretivas haviam providenciadas.
E nas tratativas do site Amazônia Real, datada de 2013, as questões eram
relacionadas a não licença ambiental, conforme se vê abaixo:
A não renovação da licença das lavouras é motivada por irregularidades
fundiárias que afetam a averbação da Reserva Legal (80% na Amazônia),
segundo Eduardo Costa, analista ambiental do Ipaam. A área ocupada pela
Jayoro tem 59 mil hectares, dos quais apenas 13% estão desmatados (4,4
mil hectares com plantações de cana e guaraná; 600 hectares com estradas
e construções e 2,67 mil hectares com pastagem degradada). 

fazendo uma exploração da matéria foi que o site abordou questões relacionadas as
“Boas Práticas e Relações Trabalhistas” o que motivou a extração/recorte da matéria
e inserção no artigo, trazendo correlação ao assunto de uma forma geral, mas não
exatamente trabalho escravo.

Portanto, não se vê nenhuma matéria concreta veiculando notícia de


denuncia crime sobre trabalho escravo, embora ela possa ter ocorrido não foi
encontrando nos sítios eletrônicos do judiciário, ou nas matérias da imprensa que a
rede mundial de computadores dispõem.

Considerações Finais

Destaca-se quão impertinente um acadêmico pode representar aos órgãos do


judiciário na Justiça do Trabalho, quer seja nos seus sites ou nos balcões de
atendimento nas Varas Estaduais e Federal, se uma busca processual representa
um entrave para o acadêmico o passe inicial para sua jornada de aprendizado, ele
não deve se limitar a esta pois na primeira negativa desistirá de todo o desvelar que
ainda poderá surgir.

O Trabalho escravo ou Trabalho Análogo ao de escravo no Amazonas, pode


ter tantas facetas e estar tão bem camuflado pelas partes que não se torna um
assunto que é discutido, debatido ou até mesmo noticiado pela mídia.

Sabe-se muitas vezes que há matérias sensacionalistas que dão venda aos
jornais e rendem mais que simples cliques a cada compartilhamento nas redes
sociais. Mas nem todo material produzido é divulgado com a rapidez de notícias que
não ser ver publicada, divulgado, ou ainda bloqueado, como é o caso envolvendo
grandes figurões do cenário político.

Assim, como fazer uma produção segura e confiável quando não se tem
muitos recursos, tempo, influencia e rede de contatos suficiente para esgotar um
assunto. Mas fica a expectativa não encerrada deste acadêmico em esclarecer o
objetivo desta pesquisa e deixar o compromisso para um trabalho futuro que
contemple tudo aquilo que neste pequeno rascunho não pode mensurar.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Agropecuária Jayoro, pagina no Facebook. Disponível em <https://www.


facebook.com/pg/JayoroAmazonas/about/?ref=page_internal> acesso em 13 nov
2019.

Trabalho escravo contemporâneo – “desafios e perspectivas / Lívia Mendes Moreira


Miraglia, Adriana Augusta de Moura Souza, José Eduardo de Resende Chaves
Júnior, coordenadores. São Paulo: LTr, 2018.

Farias, Elaíze. Empresa Jayoro atua no Amazonas desde a década de 70. Portal
Amazônia Real, disponível em < Fonte: https://amazoniareal.com.br/empresa-jayoro-
atua-no-amazonas-desde-a-decada-de-70/> acessado em 28 out 2019.

___________. Subsidiária da Coca-Cola no AM enfrenta ação por dano ambiental.


Portal Amazônia Real, disponível em <https://amazoniareal.com.br/subsidiaria-da-
coca-cola-no-am-enfrenta-acao-por-dano-ambiental/> acesso em 13 nov 2019.
ANEXOS