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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

SETOR DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE BIOPROCESSOS E
BIOTECNOLOGIA
CURSO DE ENGENHARIA DE BIOPROCESSOS E BIOTECNOLOGIA
DISCIPLINA: MATEMÁTICA APLICADA À BIOTECNOLOGIA I
PROFESSOR: LUIZ ALBERTO JUNIOR LETTI

PARTE 1

AULA 1

INTRODUÇÃO

Em diversos problemas de Física, Química, Engenharia, Ciências Biológicas e


mesmo de Ciências Sociais é necessário que sejam determinadas FUNÇÕES que
obedeçam a certas leis gerais, normalmente descritas por EQUAÇÕES matemáticas. A
maioria dessas equações contêm uma ou mais DERIVADAS da função de interesse.
São as EQUAÇÕES DIFERENCIAIS.

Exemplos:
 2ª Lei de Newton
d 2x
F m 2 (1)
dt
x : posição t : tempo F : força m : massa

 Equação da Difusão e Condução do Calor


2  u u
2
  (2)
x 2
t
u : temperatura x : posição t : tempo

 Equação da Destruição Térmica de Microrganismos


dN
 kN (3)
dt
N : número de microrganismos viáveis
t : tempo k : constante de destruição térmica

 Equações de Crescimento Populacional (Microbiano)


o Exponencial
dN
 N (4.1)
dt
N : número de células t : tempo  : velocidade específica de crescimento celular

o Logístico
dN  N 
  max N 1   (4.2)
dt  N max 
N : número de células t : tempo
 max : velocidade específica máxima de crescimento celular
N max : capacidade ambiental de sustentação

 Equação de Difusão e Reação em um Biocatalisador Esférico


 d 2C A 2 dC A 
L Ae  2
r  2r   rA r 2  0 (5)
 dr dr 
C A : concentração do substrato r : posição radial (a partir do centro da esfera)
L Ae : difusividade específica do substrato rA : taxa de reação

 Equação da Teoria Clássica de Filtração

1 dV f p
 (6)
A dt   Mc  
 f     rm 
  A  
V f : volume filtrado t : tempo A : área do filtro
p : diferença de pressão  f : viscosidade do filtrado
 : resistência específica média da torta M c : massa total de sólidos na torta
rm : resistência do meio filtrante.

Comumente, modelos empíricos também requerem a resolução de uma equação


diferencial, ou mesmo de sistemas de equações diferenciais, como é o caso da cinética
de Monod:
 dX  max SX
 dt  K  S
 S
 dS  max SX 1 (7)
    m X
K S  S YX
S
 dt S

X : concentração de biomassa S : concentração de substrato t : tempo


 max : velocidade específica máxima de crescimento celular
K S : constante de Monod m S : coeficiente de manutenção
Y X : rendimento de biomassa a partir do substrato
S

Resolver as equações diferenciais acima consiste em encontrar uma função que


satisfaça à equação original.

Seguem algumas equações diferenciais e algumas de suas soluções analíticas:

dy dy
 2  y  2x  4  4 x  y  2x 2
dx dx
dy dy
 2 y  0  y  7e 2 x  ex  y  ex
dx dx
2
d y dy
2
 5  6 y  0  y  5e 2 x  8e 3 x
dx dx
Classificação

As equações diferenciais podem ser classificadas de acordo com:


 Tipo
 Ordem
 Linearidade

A) Tipo
a. EDOs (equações diferenciais ordinárias)
Quando a equação diferencial contém apenas derivadas ordinárias de
uma ou mais variáveis dependentes em relação a uma única variável
independente.
dy du d 2 w d 2u
Exemplos:  5 y  3t  1;  2 x 2
dt dx dx dx
b. EDPs (equações diferenciais parciais)
Quando a equação diferencial envolve derivadas parciais de uma ou mais
variáveis dependentes em relação a duas ou mais variáveis independentes
u u u v  2u  2u  2u
Exemplos:  ; x   u;  2
y x x y x 2 t 2 xt

B) Ordem
A ordem de uma equação diferencial é, por definição, a ordem da maior derivada
da equação:
Exemplos:
dy
*  2y  4  0 (1ª ordem)
dx
5
d2y dy
*  2   5  xy  cos x (2ª ordem)
 dx  dx
 3u  2 u
* 3  u  0 (3ª ordem)
x xy

C) Linearidade
Equações diferenciais lineares são aquelas em que os coeficientes das variáveis
dependentes e de suas derivadas não são funções de variáveis dependentes. A
representação genérica de uma EDO linear de nésima ordem pode ser feita assim:
dny d n1 y
an x  n  ...  an1 x  n1  ...  a1 x   a0 x  y  g x 
dy
(8)
dx dx dx

Exemplos:
dy
* x y0 (linear)
dx
d2y
 sen3x   x 2 y  e x
dy
* 2
(linear)
dx dx
3
d y dy
* x 3 3  3x 5  5y  0 (linear)
dx dx
d2y dy
* y 2
2 x (não linear)
dx dx
d3y
* 3
 y2  0 (não linear)
dx
d 2
*  ksen  0 (não linear)
dt 2
AULA 2

EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS DE PRIMEIRA ORDEM –


SEPARAÇÃO DE VARIÁVEIS

Considere a seguinte EDO:


 f  x, y 
dy
(1)
dx
Se f x, y  é uma função que pode ser decomposta em f x, y   XY , com
X  X x  e Y  Y  y  , então a EDO (1) é dita separável.
Se (1) é separável, então pode ser reescrita como:
 X x  
1 dy
0 (2)
Y  y  dx
Na forma diferenciável (2) se torna:
 X x dx 
1
dy  0 (3)
Y y
Separando as variáveis em (3):
dy  X x dx
1
(4)
Y y
Para encontrar a solução da EDO, basta integrar (4) em ambos os membros:

 Y  y  dy   X xdx
1

A solução pode ser dada na forma explícita ( y  yx  ) ou na forma implícita


( g x, y   0 ), de acordo com a conveniência.
Exemplos:
1) Encontrar a solução das seguintes EDOs
dy
A) x
dx
dy
B)  3x 2 y
dx
C) 1  y dy  x 2 dx  0
D) e  x senydy  dx  0

PROBLEMA DE VALOR INICIAL (PVI)

Dada uma EDO de ordem “n” e “n” condições adicionais de forma conveniente,
é possível encontrar uma única solução para o problema. Se as condições forem dadas
em um mesmo ponto (ou se houver apenas uma condição), temos um PVI.

dy 8x 3
Exemplo: Resolver a seguinte EDO:  sujeita à seguinte CI
dx y2
(condição inicial): y1  2 .

Problemas:
1) Considere que a variação da altura de líquido de um tanque cilíndrico seja descrita
dh
por: A  bh , onde:
dt
A: área transversal do tanque
B: constante de proporcionalidade
h: altura de líquido
t: tempo
Encontre a função que relaciona a altura da coluna de líquido com o tempo.
Dados: no instante inicial (t=0), considere h  h0

2) Em uma cultura bacteriana há, inicialmente, N 0 células. 1 hora depois o número de


3
bactérias passa a ser N 0 . Se a taxa de crescimento é proporcional ao número de
2
bactérias presentes, determine o tempo necessário para que as bactérias tripliquem.
dN
Considere que o crescimento é dado por:  kN , onde:
dt
N: número de células
k: velocidade específica de crescimento celular
t: tempo

3) A datação por carbono radioativo (técnica importante em Arqueologia) foi


desenvolvida pelo químico americano Willard F. Libby. Através dessa técnica, é
possível determinar a idade de plantas, ossos humanos e animais, dentre outros artefatos
encontrados no subsolo. A datação por carbono radioativo é baseada no fato de que
plantas contêm quantidades residuais de carbono-14, um isótopo radioativo do carbono.
Esse isótopo é acumulado durante a vida da planta e começa a decair na sua morte.
Como a meia-vida do carbono é longa (aproximadamente 5730 anos) podem ser
medidas quantidades remanescentes de carbono-14 após muitos milhares de anos.
Mesmo que a fração da quantidade original de carbono-14 ainda presente seja muito
pequena, através de medidas adequadas feitas em laboratório, a proporção da
quantidade original da quantidade de carbono-14 que permanece pode ser determinada
precisamente. Em outras palavras, se Qt  é a quantidade de carbono-14 no instante t e
se Q0 é a quantidade original, então a razão Qt  Q0 pode ser determinada, pelo menos
se essa quantidade não for pequena demais. Técnicas atuais de medida permitem a
utilização desse método para períodos de tempo até em torno de 50.000 anos ou mais.
dQ
a) Supondo que Q satisfaz a equação diferencial  rQ , determine a constante de
dt
decaimento r para o carbono-14.
b) Encontre uma expressão para Qt  em qualquer instante t se Q0  Q0 .
c) Suponha que são descobertos restos de animais nos quais a quantidade residual atual
de carbono-14 é 8% da quantidade original. Determine a idade desses restos.

4) O modelo cinético mais simples para a concentração de um fármaco (droga), após


sua ingestão, no plasma sanguíneo é descrito por um modelo de decaimento
exponencial. Tal modelo considera que a taxa de eliminação da droga é proporcional à
concentração da droga. Definindo:
C: concentração da droga no plasma
t: tempo
k: taxa específica de eliminação

a) Escreva uma EDO que represente o fenômeno descrito, mediante as hipóteses


consideradas.

b) Resolva a EDO obtida no item a)

c) Se um indivíduo ingeriu 30 mg ( Q  30mg ) de uma certa droga em um certo


instante, calcule a concentração da droga no plasma do indivíduo 9 horas após a
ingestão.
Dados:
Q
*C
V
* Volume do plasma do indivíduo: V  3l
* Taxa específica de eliminação: k  0,1h 1

d) Se um indivíduo ingere 30 mg de uma certa droga a cada 12 horas (cada dose


possui exatamente 30mg), qual a concentração da droga 18 horas após a ingestão da
primeira dose?

e) Qual dos gráficos abaixo melhor representa a situação-problema descrita no item


d), para 0 < t < 48h?
C (mg/h)
C (mg/h)

0 12 24 36 48 60 0 12 24 36 48 60

t (h) t (h)
C (mg/h)

C (mg/h)

0 12 24 36 48 60 0 12 24 36 48 60
t (h) t (h)
AULA 3

EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS DE PRIMEIRA ORDEM –


EQUAÇÕES HOMOGÊNEAS

Definição 1: Função Homogênea.


Se uma função f: R 2  R satisfaz f tx, ty   t n f x, y  para um número real “n”,
então dizemos que f é uma função homogênea de grau “n”.

Exemplos:
a) f x, y   x 2  3xy  5 y 2 Homogênea de grau 2
b) f x, y   x 2  y 3 Não é homogênea
c) f x, y   3 x 2  y 2 Homogênea de grau 2/3
d) f x, y   x  y  5
5 5
Não é homogênea
e) f x, y   ln x y   3 y x Homogênea de grau 0
x/ y

f) f x, y   e  sen( y x)  tg x y  3
x3
4
7
4
 É homogênea?
x  y3
Definição 2: Equação Diferencial Homogênea.
Uma equação da forma:
M ( x, y)dx  N ( x, y)dy  0 (1)
É dita homogênea se ambos os coeficientes M e N forem funções homogêneas
de mesmo grau.

 Método de Solução
Uma EDO homogênea (eq. 1) pode ser resolvida por meio de uma substituição
algébrica. Mais especificamente:
y  ux
Onde “u” é uma nova variável independente. Essa substituição transformará a
equação homogênea em uma equação de variáveis separáveis.
OBS: em alguns casos é mais conveniente usar a substituição:
x  vy

Exemplo:
   
Resolva a seguinte EDO homogênea: x 2  y 2 dx  x 2  xy dy  0

Uma EDO homogênea pode ser escrita de uma maneira alternativa:


 f  y x  (2)
dy
dx

 Método de Solução Alternativo:


A expressão (2) pode ser simplificada pela introdução de uma nova variável “v”,
definida como:
v y x (3)
Substituindo (3) em (2):
 f v 
dy
(4)
dx
dy dv
Para expressar em função de , procede-se assim:
dx dx
dy d vx dv dx
  x v
dx dx dx dx
dy dv
 x v (5)
dx dx
Substituindo (5) em (4):
x  v  f v 
dv
(6)
dx
Esta mudança de variáveis reduz a eq. 6 à forma separável::
dx dv
 (7)
x f v   v
Cuja solução é:
dv
ln x   (8)
f v   v
Exemplo:
 dy
x  y  xe y x
Resolva o PVI  dx
 y 1  1
Exercícios:
Resolva as EDOs homogêneas:
a) 3x  y   x  3 y
dy
dx
dy
b) t 2  ty  y 2
dt
c) t  y   2t
dy
dt
AULA 4

EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS DE PRIMEIRA ORDEM –


EQUAÇÕES EXATAS

Definição 1: Equação Diferencial Exata.


A equação diferencial:
M x, y dx  N x, y dy  0 (1)
É dita exata se e somente se:
M N
 (2)
y x
Como conseqüência da definição, é possível mostrar que existe uma função
 x, y  tal que:
 
M e  N (3)
x y
E que a solução de (1) será dada por:
 x, y   C (4)
Onde “C” é uma constante.

 Método de Solução:
Dada a EDO (1) e verificado que ela é exata, pode-se seguir os seguintes passos
para a resolver:

1) Suponha que  M (5)
x
2) Integre (5) com relação a “x”, e obtenha:
 x, y    Mdx  g ( y) (6)

3) Derive (6) com relação a “y” e lembre que N:
y
 
gy
d
N 
y y  Mdx 
dy
(7)

gy :
d
Desta forma se determina
dy

g  y   N   Mdx
d
(8)
dy y
4) Integrar (8) com relação a “y” e substituir o resultado em (6)
5) Conhecido  x, y  a solução da EDO será  x, y   C
Exemplo:
Resolver a EDO 2 x  3dx  2 y  2dy  0
Exercícios:
1) Resolva a EDO abaixo:
   
y cos x  2 xe y dx  senx  x 2 e y  1 dy  0
2) Resolva o PVI:

   
 6 xy  y 3  4 y  3x 2  3xy 2

dy
dx
0

 y 0  2
AULA 5

EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS DE PRIMEIRA ORDEM –


EQUAÇÕES LINEARES

Definição 1: Equação Diferencial Ordinária de Ordem “n”


Uma EDO de ordem “n” tem a seguinte forma geral:
dny d n1 y
 a0 y  g x 
dy
a n n  a n1 n1  ...  a1 (1)
dx dx dx

Definição 2: Equação Diferencial Ordinária Linear de Ordem “n”


É uma EDO com a forma da equação (1), porém os coeficientes a n , a n 1 , ..., a1 ,
a 0 são funções exclusivas de “x”, a variável independente (note que podem ser
constantes; o que quebraria a linearidade seria a presença de uma função de “y”, a
variável dependente). A sua forma geral será:

dny d n1 y
an x     ...  a1 x   a0 x  y  g x  (2)
dy
n
 a n 1 x n 1
dx dx dx
Considerando a definição 2), podemos restringir um grupo particular de EDOs
lineares para n=1 (EDOs lineares de 1ª ordem):
a1 x   a0 x  y  g x 
dy
(3)
dx
Dividindo (2) por a1 x  , obtém-se a EDO linear de 1ª ordem em uma forma
mais conveniente (forma padrão):
 Px  y  f x  (4)
dy
dx
a x  g x 
Onde Px   0 e f x   .
a1 x  a1 x 

 Fator de Integração
A base da solução de uma EDO linear é a existência de um fator pelo qual a
equação original pode ser multiplicada de tal modo que o lado esquerdo da equação se
transforme em um coeficiente diferencial completo, em uma forma imediatamente
integrável. Esse fator é chamado fator de integração.
Multiplicando a equação (2) por um fator de integração (inicialmente
desconhecido):
u x   u x Px  y  u x  f x 
dy
(5)
dx
O objetivo é que o lado esquerdo de (5) seja imediatamente integrável.
Vejamos: ux yx ' é um termo facilmente integrável, pois:
uy ' dx  uy  C
O membro à esquerda de (5) pode ser escrito na forma uy ' , desde que u atenda
a alguns requisitos. Para entendermos quais são esses requisitos, vamos lembrar que:
uy '  uy' yu '
Então:
uy' yu '  uy' yuP  u'  uP
Destacando a conclusão:
u'  uP (6)
Integrando (6) com relação a x :
ln u   Pdx  C
Escolhendo C  0 (queremos apenas uma função u ):
u  e  Pdt (7)
Agora que u atende à propriedade desejada, (5) pode ser reescrita:
uy '  uf x (8)
Integrando (8):
uy   uf x dx  C
 uf x dx  C
y (9)
u
Substituindo (7) em (9):
 e  P  x dx f x dx  C
y x  
e  P  x dx
yx   e   P  x dx  e  P  x dx f x   Ce   P x dx (10)
A eq. (10) é a solução geral para EDOs lineares de 1ª ordem (escritas na forma
da eq. (4)).

 Método de Solução
I) Escrever a Edo linear na forma padrão:
 Px   f (x)
dy
dx
II) Identificar Px  e obter o fator de integração:
ux   e  P  x dx
III) Multiplicar a equação obtida em I) por u x  :

 Px e  P  x dx y  e  P  x dx f x 


dy
e  P  x dx
dx
IV) Substituir o lado esquerdo da equação obtida em III) pela derivada do
produto u x  y :

d  P  x dx
dx
e 
y  e  P  x dx f x 
V) Integrar ambos os lados da equação IV).

Alternativamente (em vez de seguir os passos de I a V), usar a equação 10.

Exemplo:
dy
Resolver x  4 y  x6e x
dx

Exercícios:
1) Resolva as seguintes EDOs lineares:

a) 1  e x  dy
dx
e x
y0
dy
b) x  2 y  e x  ln x
dx

2) Resolva os seguintes PVIs


 2 xy  x , com y0  2
dy
a)
dx
b) cos x  ysenx  1 , com y   5
dy
dx

3) Considere um açude contendo, inicialmente, 40 milhões de litros de água


fresca. O açude recebe um fluxo indesejável de produtos químicos a uma taxa de 20
milhões de litros por ano e a mistura sai do açude à mesma taxa. A concentração C t 
de produtos químicos na água que está entrando varia periodicamente com o tempo de
acordo com a equação Ct   5  2,5sen2t  g/l. Construa um modelo matemático desse
processo de fluxo e determine a quantidade de produtos químicos no açude em
qualquer instante. Faça um gráfico da solução e descreva, em palavras, o efeito da
variação na concentração de produtos químicos entrando. Nomeie Qt  a função que
descreve a quantidade (em gramas) de produtos químicos no açude ao longo do
tempo.
a) Qual é a quantidade de produtos químicos no sexto ano?
b) E qual é a concentração de tais produtos no mesmo ano?
c) De acordo com o modelo, Qt  não estabilizará para t   , mas ficará
contida num certo intervalo. Determine os limites inferior e superior de tal intervalo.
Mostre o que aconteceria com Qt  para t   se assumíssemos por hipótese que a
concentração C t  de produtos químicos na água que está entrando fosse simplesmente
C t   5 .
AULA 6

LINEARIZAÇÃO DE EDOs

Existem alguns tipos de equações diferenciais não lineares que podem ser
transformadas em equações lineares e, portanto, sua solução é dada pela equação (10)
da aula passada:
yx   e   P x dx  e  P  x dx f x dx  Ce   P x dx

 A Equação de Bernoulli
A equação diferencial:
 Px  y  f x  y n , n  , n  0 e n  1 (1)
dy
dx
É chamada Equação de Bernoulli.
Pode-se reduzir a equação (1) à forma linear mediante uma mudança de variável
adequada. Se multiplicarmos (1) por y  n obteremos:

 Px  y 1n  f x 
dy
y n (2)
dx
Definindo w  y 1n ( n  0 e n  1 ) segue que:

 1  n  y n
dw dw dy dy
 
dx dy dx dx
dy 1 dw
 (3)
dx 1  n  y dx n

Fazendo as devidas substituições, a equação (2) fica:


 Px w  f x  
1 dw
1  n dx
 1  n Px w  1  n  f x 
dw
(4)
dx
A equação (4) é uma EDO linear, cuja solução é conhecida. É importante
enfatizar que a solução de (4) será w  wx  . Depois de encontrar w é preciso voltar à
variável original do problema: y 1n  w e essa será a solução de (1).
dy 1
Exemplo: Resolver  y  xy 2
dx x

 Redução de Ordem
Algumas EDOs de 2ª ordem podem ser resolvidas por redução de ordem e a
subsequente aplicação dos métodos já estudados para resolver EDOs de 1ª ordem.
Em particular, EDOs do tipo:
d2y
a 2 x  2  a1 x   f x 
dy
(5)
dx dx
Podem ser reduzidas pela substituição:
dy
z (6)
dx
Que implica também em:
dz d 2 y
 (7)
dx dx 2
Trocando (7) e (6) em (5):
a 2 x   a1 x z  f x 
dz
(8)
dx
A equação (8) é linear de z em x . Após encontrar z , substituir o resultado em
(6) e integrar para obter a solução de (5).
d 2 y dy
Exemplo1: Resolver x 2   x2
dx dx
d 2 y dy  y 0  1
Exemplo 2: Resolver   2 , sujeita a 
 y ' 0  1
2
dx dx

Exercícios:
1) Resolva as seguintes equações de Bernoulli:
 dy 
a) x  1 y  1  y 2
 dx 
b)
dy
dx
 
 y xy 3  1 sujeita a y 0 
1
2

2) Resolva as seguintes EDOs de 2ª ordem:


d2y dy
a) x 2  2 3
dx dx
  
 y' 2
 senx , sujeita a   2 
d2y
b) 2
dx  y 0   4
AULA 7

SISTEMAS HOMOGÊNEOS DE EDOs LINEARES DE 1ª ORDEM COM


COEFICIENTES REAIS CONSTANTES

A modelagem matemática de fenômenos químicos e biológicos muitas vezes


resulta em sistemas de equações diferenciais. Em geral, tais sistemas são não
homogêneos e não lineares. Nesses casos, costuma-se lançar mão de métodos numéricos
para a resolução do problema. No entanto, alguns modelos simplificados resultam em
sistemas lineares e homogêneos. Vejamos um exemplo:
“Considere um ecossistema composto por duas espécies X e Y. Considere que,
dentro do horizonte de tempo de observação, a disponibilidade de nutrientes para o
crescimento de ambas as espécies é ilimitado, bem como o espaço para o crescimento.
Sabe-se que X produz uma substância tóxica a Y e que Y também produz um composto
que inviabiliza o crescimento de X. Ambas as toxinas são metabólitos primários
relacionados ao metabolismo energético dos seus respectivos produtores. Um modelo
simplificado para representar a situação acima é descrito pelas equações...”

 Sistemas homogêneos de EDOs lineares de 1ª ordem com coeficientes reais


constantes: forma geral

 dx1
 dt  a11 x1  a12 x 2  ...  a1n x n
 dx
 2  a 21 x1  a 22 x 2  ...  a 2 n x n
 dt (1)
 ...
 dx n
  a 21 x1  a 22 x 2  ...  a 2 n x n
 dt

 Sistemas homogêneos de EDOs lineares de 1ª ordem com coeficientes reais


constantes, de 2 variáveis:
 dx1
 dt  a11 x1  a12 x 2
 dx (2)
 2
 a 21 x1  a 22 x 2
 dt

 Solução de um sistema homogêneo de EDOs lineares de 1ª ordem, com


coeficientes reais constantes, de 2 variáveis:

Uma solução para um sistema de equações (2) é um vetor X  x1 x2  , onde


t

x1 e x 2 são funções de t que satisfazem simultaneamente a ambas as equações do


sistema.

 Forma matricial de sistemas homogêneos de EDOs lineares de 1ª ordem, com


coeficientes reais constantes, de 2 variáveis:
dX  a11 a 22 
   X , onde X  x1 x2 t (3)
dt  a 21 a 22 
dX
Daqui em diante, usaremos a notação simplificada  AX para representar o
dt
a a12 
sistema (3), onde A   11 
 21
a a 22 

 PVI modelado por sistemas homogêneos de EDOs lineares de 1ª ordem, de 2


variáveis, com coeficientes reais constantes:
dX
dt
 
 AX , sujeito a X x1 t 0  x2 t 0   x10 x20 (ou X t 0   X 0 ) (4)

 Teorema:
“Existe solução única para o PVI (4).”

 Teorema: Princípio da Superposição


“Sejam X 1 , X 2 , ..., X n soluções de um sistema homogêneo de EDOs lineares
de 1ª ordem (com pelo menos 2 variáveis), com coeficientes reais constantes.
Então, a combinação linear:

X  c1 X 1  c2 X 2  ...  cn X n , com c1 , c2 ,..., cn constantes (5)


É também solução para o problema no mesmo domínio.”

 Teorema: Solução Geral de sistema homogêneo de EDOs lineares de 1ª ordem


de “n” variáveis com coeficientes reais constantes:
“Dado um sistema homogêneo de EDOs lineares de 1ª ordem de “n” variáveis e
“n” soluções linearmente independentes X 1 , X 2 ,..., X n , então a solução geral
do sistema será dada por:
X  c1 X 1  c2 X 2  ...  cn X n , com c1 , c2 ,..., cn constantes (6)
O conjunto X 1 , X 2 ,..., X n é chamado conjunto fundamental de soluções. Tal
conjunto sempre existe para o tipo de sistemas em estudo.”

 Exemplos:
  
1) Verificar que X 1  e 2t  e 2t e X 2  3e6t 5e 6t constituem um 
conjunto fundamental de soluções para o sistema:
 dx1
 dt  x1  3 x2
 dx
 2  5 x1  3 x2
 dt
2) Verificar que X 1  e t
 t
  
 e e X 2  3e 4t 2e 4t constituem um conjunto
fundamental de soluções para o sistema:
 dx1
 dt  2 x1  3 x2
 dx
 2  2 x1  x2
 dt

Os exemplos sugerem que sempre é possível encontrar uma solução da


forma:
X  Ke t (7)

para os sistemas em questão.


De fato, é possível mostrar que isso é válido de forma geral. Segue que:

X '  AX  Ket  AKe t  AK  K   A  I K  0 


det  A  I   0 (8)

Em outras palavras, dado um sistema X '  AX , X  Ke t será sua solução


se e somente  for um autovalor de A e K um autovetor associado a  .

 Exemplos:
1) Encontre a solução geral para o sistema:
 dx1
 dt  x1  3 x2
 dx
 2  5 x1  3 x2
 dt

2) Encontre a solução geral para o sistema:


 dx1
 dt  2 x1  3 x2
 dx
 2  2 x1  x2
 dt
 Teorema:
“Dado um sistema homogêneo de EDOs lineares de 1ª ordem de “n” variáveis
com coeficientes reais constantes X '  AX e sejam 1 , 2 ,..., n “n” autovalores
reais distintos da matriz de coeficientes A do sistema, e sejam K1 , K 2 ,..., K n os
respectivos autovetores. Então, a solução geral do sistema será dada por:
X  c1 K1e1t  c2 K 2 e2t  ...  cn K n ent (9)”

 Teorema:
“Dado um sistema homogêneo de EDOs lineares de 1ª ordem de “n” variáveis
com coeficientes reais constantes X '  AX e seja K um autovetor correspondente
a um autovalor complexo 1    i . Então:
X 1  K1e 1t e X 2  K 2 e 1t (10)
São soluções LI do sistema.”

o Corolário:
o “Dado um sistema homogêneo de EDOs lineares de 1ª ordem de “n”
variáveis com coeficientes reais constantes X '  AX e seja K um
autovetor correspondente a um autovalor complexo 1    i . Então:
X 1  b1 cos t  b2 sent et e X 2  b2 cos t  b1sent et (11)
São soluções LI do sistema, onde
b1  K1  K1  e b1  K1  K1  ”
1 1
2 2
 Teorema:
“Dado um sistema homogêneo de EDOs lineares de 1ª ordem de “n” variáveis
com coeficientes reais constantes X '  AX e se houver apenas um autovetor
correspondente a um certo autovalor 1 de multiplicidade “m”, então sempre
poderemos encontrar “m” soluções linearmente independentes com a forma:
X 1  K11e 1t
X 2  K 21te 1t  K 22e1t
... (12)”
m1 m2
t t
X m  K m1 e 1t  K m 2 e 1t  ...  K mm e 1t
m  1! m  2!
Exercícios:

1) Resolver

 dx1 1 1 1 
  10 x1  5 x2 1 2  
a)  dt b) X '    X c) X '   1 2 1  X
dx  4 3
 2  8 x1  12 x2  0 3  1
 dt  
 6  1  1 1  3  1
d) X '    X e) X '    X f) X '    X
5 2    2  1  9  3
  1 3
g) X '    X
  3 5

2) Resolva os PVIs abaixo:


1 2 0 
a) X '    X , sujeito a X 0  3 5t
 1 1 2
 6  1
b) X '    X , sujeito a X 0   2 8t
5 4 

3) Sugira um modelo matemático que represente a situação-problema


enunciada no início da aula. Verifique se ela poderia ser resolvida pelos
métodos discutidos até aqui.
PARTE 2

AULA 1

EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS DE 2ª ORDEM -


INTRODUÇÃO

 Importância do estudo:
Resolução de problemas nas seguintes áreas envolvem o cálculo de soluções de
EDOs de 2ª ordem:
o Mecânica dos fluidos
o Condução do calor
o Movimento ondulatório
o Eletromagnetismo
o Teoria de Controle (Controle e Automação de Processos Industriais)
o Problemas de difusão (difusão de nutrientes através de membranas
celulares; reação e difusão de substratos em biocatalisadores)

Ao longo deste módulo abordaremos:


o EDOs com coeficientes constantes
 Homogêneas
 Não homogêneas
o EDOs com coeficientes variáveis
 Homogêneas
 Não homogêneas
 Soluções por Séries de Potências

 Introdução
Pelo fato de não existirem métodos gerais que forneçam soluções para EDOs de
2ª ordem não lineares, ou seja, soluções que possam ser escritas em termos de
funções elementares, vamos restringir nosso estudo ao caso das EDOs de 2ª
ordem lineares.
Definição 1: EDO linear de 2ª ordem – forma geral
a2 x y' 'a1 x y'a0 x y  g x  (1)
A equação (1) é dita não homogênea quando g x   0 . Caso contrário, ela é dita
homogênea (equação (2)):
a2 x y' 'a1 x y'a0 x y  0 (2)

 Problemas de Valores Iniciais (PVI) e Problemas de Valores de Contorno


(PVC)
Um PVI modelado por uma EDO linear de 2ª ordem é definido da seguinte
forma:
“Resolver
a2 x y' 'a1 x y'a0 x y  g x  (3a)
Sujeito a
 y  x0   y 0
 (3b)”
 y '  x0   y ' 0
As equações (3b) são as condições iniciais
OBS: repare que, em um PVI, as condições são especificadas em um mesmo
ponto ( x0 ).
A solução para o PVI é uma função que satisfaz a EDO em um intervalo I
pré-definido, e cujo gráfico passa por x0 , y0  , com inclinação y '0 neste
ponto.

Exemplo: a solução da EDO y' '  0 é y  C1 x  C2


Algumas das soluções são representadas a seguir:

Figura 1

 y 1  1
Analisemos agora o PVI: y' '  0 , sujeito a 
 y ' 1  1
Teorema: Existência de solução única para o PVI (3a)  (3b):
“Seja uma EDO linear de 2ª ordem (3a). Sejam a2 x  , a1 x  , a0 x  e g x 
contínuas em um dado intervalo I , com a2 x   0 , a2 x   x  I . Se
x  x0  I então existe uma solução única para o PVI definido pelas
equações (3ª) e (3b) no intervalo I .”

Exemplo: Verificar se a função yx   3e 2 x  e 2 x  3x é a solução para o


PVI:
 y 0  4
y' '4 y  12 x , sujeita a 
 y ' 0  1

OBS: y C1e 2 x  C2 e 2 x  3x é a solução geral (família de soluções) para a


EDO, mas a única função desta família que também atende às condições
iniciais (CI) é y  3e 2 x  e 2 x  3x

Um PVC modelado por uma equação deiferencial linear de 2ª ordem é


definido assim:
“Resolver
a2 x y' 'a1 x y'a0 x y  g x  (4a)
Sujeito a
 y a   y0
 (4b)”
 y b   y1
As equações (3b) são as condições de contorno.
Outros tipos de condições de contorno (CC) podem ser especificadas.
Vejamos:
 y ' a   y '0  y a   y0
 (4c)  (4d)
 y b   y1  y ' b   y '1
 y ' a   y '0
 (4e)
 y ' b   y '1
Um PVC pode ter: solução única; várias soluções; ou nenhuma solução.
AULA 2

EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS LINEARES DE 2ª ORDEM


HOMOGÊNEAS COM COEFICIENTES CONSTANTES

 Definição: Dependência e Independência Linear de Funções


Duas funções f x  e g x  (de  em  ) são ditas linearmente independentes
(LI) se, e somente se:

k1 f x   k2 g x   0  k1  0 e k 2  0 , k1 , k2  

Do contrário, elas são ditas linearmente dependentes (LD). Ou seja, se


uma delas for múltipla da outra ( k1  0 ou k 2  0 ) elas são dependentes.
Digamos que seja o caso, e que k1  0 . Segue que:

k1 f x   k 2 g x   0  f x    2 g x  , com k1  0
k
k1
Exemplos:
* f  3e 2 x e g  12e 2 x são LD;
* f  3sen 2 x  4 cos 2 x e g  5 cos 2 x  15 são LD;
* f  e x e g  e  x são LI;
* f  senx e g  e x são LI;
* f  2e x e g  senhx   coshx  são LD;

A definição de funções LI pode ser generalizada para um conjunto de “n”


funções:
Dadas “n” funções f1 , f 2 ,..., f n (de  em  ) elas serão ditas
linearmente independentes (LI) se, e somente se:

k1 f1 x   k2 f 2 x   ...  kn f n x   0  k1  k2  ...  kn  0 , com k1 , k2 ,..., kn  

 Teroema: Teste de dependência linear de funções de  em  :


“São dadas “n” funções f1 , f 2 ,..., f n , todas diferenciáveis pelo menos “n-1”
vezes. Se o Wronskiano W  f1 , f 2 ,..., f n  dado por...
f1 f2 ... fn
f1 ' f2 ' ... fn '
W  f1 , f 2 ,..., f n  
...
... ... ...
n 1 n 1 n 1
f1 f2 ... f n
...for não-nulo, o conjunto de funções é LI. Caso contrário, o conjunto é LD.
Vejamos:
* f  3e 2 x e g  12e 2 x :
f g 3e2 x 12e2 x
W  f , g  
f ' g' 6e2 x 24e2 x
* f  sen 2 x ; g  3 cos 2 x e h  5
f g h sen 2 x 3 cos 2 x 5
W  f , g   f ' g ' h'  2senx cos x  6senx cos x 0

f ' ' g ' ' h' ' 2 cos 2 x  sen 2 x  
6 sen 2 x  cos 2 x  0

 Solução para EDOs lineares de 2ª ordem


Inicialmente, avaliaremos as soluções de EDOs lineares homogêneas
com coeficientes constantes:
d2y dy
a2 2  a1  a0 y  0 , com a2  0 (1)
dx dx
Consideremos o seguinte exemplo:
d2y
y0 (2)
dx 2
A solução para (2) deve ser uma função cuja derivada segunda seja igual
d2y
a ela própria ( 2  y ). Mas qual tipo de função poderia atender a esse critério?
dx
Vejamos:
y  ex ,   
y  ex  y'  ex  y' '   2ex
Para o exemplo acima, fica evidente que se   1 então y' '  y .
Assim, y  e x é solução de (2). E o que dizer dos múltiplos de e x ?
Vejamos: y  2e x  y'  2e x  y' '  2e x
Assim, y  2e x também é solução de (2).
De forma geral, y  C1e x é solução de (2).
E se   1 ? Teríamos:
y  e  x  y'  e  x  y' '  e  x
Logo, y  C2 e  x também é solução de (2).
Vejamos agora a soma das duas funções que verificaram a equação (2):
y  C1e x  C2e  x  y'  C1e x  C2e  x  y' '  C1e x  C2e  x
Essa é a solução global (geral de (2)):
y  C1e x  C2 e  x

 Teorema 1 (Princípio da Superposição):


“Dada a equação (1) e conhecidas duas soluções y1 e y 2 , então a combinação
linear C1 y1  C2 y2 também é uma solução para quaisquer valores reais de C1 e
C 2 .”

 Teorema 2 (Solução Geral de EDOs Lineares Homogêneas):


“Dada a EDO: an x y n   an1 x y n1  ...  a1 x y  0 e conhecidas “n”
soluções y1 , y 2 ,..., y n linearmente independentes, então toda solução da
referida equação pode ser escrita assim: y  C1 y1  C2 y2  ...  Cn yn (solução
geral) para quaisquer valores reais de C1 , C 2 ,..., C n .”
 Teorema 3 (Construção de solução LI)
“Dada a EDO y' ' Px y'Qx y  0 e conhecida uma solução y1 é possível
determinar uma solução linearmente independente de y1 da seguinte forma:
e   P  x dx
y2  y1  2
dx ”
y1
Voltando à equação (2):
d2y
y0
dx 2
Vimos que a solução geral da equação acima é: y  C1e x  C2 e  x
Para a equação (2), as soluções foram combinações lineares de e x e e  x . Mas como
seria a natureza da solução geral de uma EDO qualquer com o formato da equação (1)
( a2 y' 'a1 y'a0 y  0 )?
Consideremos as funções com a forma e rx , com r   .
Tomemos:
a2 y' 'a1 y'a0 y  0 (1)
E façamos:
y  e rx (3)
Como consequência de (3) segue que:
y'  rerx (4)
E:
y' '  r 2 e rx (5)
Trocando (3), (4) e (5) em (1):

       
a2 r 2 e rx  a1 rerx  a0 e rx  0  e rx a2 r 2  a1r  a0  0 (6)

Para resolver (6):


* Ou e rx  0 (o que é impossível)
* Ou a2 r 2  a1r  a0  0 (7)
A equação (7) é chamada de equação característica da equação (1)
Em outras palavras, resolvendo (7) obteremos r1 e r2 e consequentemente a solução
de (1), que será:

y  C1e r1x  C2 e r2 x (8)

Exemplos:
a) Resolver y' '5 y'6 y  0
b) Resolver y' '3 y'4 y  0

Exercícios:
1) Resolver as seguintes EDOs:
a) y' '7 y'  0
b) y' '4 y  0
c) y' '21y'110 y  0

2) Resolver os seguintes PVIs:


a) y' '7 y'  0 , sujeita a y(1)  2e 7 e y' 1  7e 7
b) y' '4 y  0 , sujeita a y(0)  5 e y' 0  2
c) y' '21y'110 y  0 , sujeita a y(0)  25 e y' 0  262
AULA 3

BLOCO 1: EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS LINEARES DE 2ª ORDEM


HOMOGÊNEAS COM COEFICIENTES CONSTANTES

Na aula anterior vimos que a solução da EDO...


a2 y' 'a1 y'a0 y  0 (1)
... é dada por:
y  C1e r1x  C2 e r2 x (2)
Quando  1 e  2 , as raízes da equação característica associada a equação (1),
são reais e distintas. Lembrando que a equação característica é uma equação algébrica
de 2º grau:
a2 r 2  a1r  a0  0 (3)
No entanto, é necessário avaliar os outros casos possíveis:

A) Equação característica com raízes reais e iguais ( r1  r2 ), que chamaremos


simplesmente de r
Nesse caso, uma das soluções da equação (1) será dada por:
y  e rx (4)
E pelo Princípio da Superposição sabemos que a família de funções...
y  C1e rx (5)
... também será solução de (4)
Mas pelo Teorema da Solução Geral de EDOs Lineares Homogêneas (Teorema
2 da aula 2), fica evidente que (5) ainda não é a solução geral. É preciso encontrar uma
função linearmente independente de e rx que seja também solução de (1) para então
compor a solução geral.
O Teorema 3 da aula 2...
“Dada a EDO y' ' Px y'Qx y  0 e conhecida uma solução y1 é possível
determinar uma solução linearmente independente de y1 da seguinte forma:
e   P  x dx
y2  y1  2
dx ”
y1
... mostra como obter essa solução. Ela será:
y  xe rx (6)
Portanto, a solução geral de (1) para o caso A) é:
y  C1e rx  C2 xe rx (7)

B) Equação característica com raízes complexas ( r    i )


No domínio dos complexos, poderíamos escrever a solução de (1) como:
y  A1e i x  A2e i x (8)
Mas existe uma maneira de levar essa solução ao domínio dos reais, pelo uso da
famosa Relação de Euler:
eix  cos x  isenx (9)
Aplicando (9) em (8) e alguns passos algébricos, teremos a solução global nos
reais, para o caso B):
y  ex C1 cosx   C2 senx  (10)
Exemplos:
c) Resolver y' '4 y'5 y  0
d) Resolver y' '2 y' y  0 sujeita a y0  7 e y' 0  11

Exercícios:
3) Resolver as seguintes EDOs:
a) y' '8 y'16 y  0
b) y' '2 y'3 y  0

4) Resolver os seguintes PVIs:


a) 2 y' '2 y'5 y  0 sujeita a y0  5 e y' 0  19 2
b) y' '2 y  y  0 sujeita a y0  1 e y' 0  2

5) Resolva os seguintes PVCs:


a) y' '2 y  y  0 sujeita a y0  e 1 e y' 0  e 1
b) y' '2 y  y  0 sujeita a y0  0 e y' 0  e 1

BLOCO 2: EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS LINEARES DE 2ª ORDEM


NÃO HOMOGÊNEAS COM COEFICIENTES CONSTANTES:
MÉTODO DA VARIAÇÃO DE PARÂMETROS

Considere a equação abaixo:


a2 y' 'a1 y'a0 y  g x  (11)
Teorema:
“Um conjunto fundamental de soluções para a equação (11) é dado por:
y  C1 y1  C2 y2  yP (12)
Onde y1 e y 2 são soluções Lis de (11) e y P é chamada solução particular de
(11).”
Em outras palavras, para resolver (11) é preciso antes resolver a equação
homogênea associada (idêntica a (11) mas trocando g(x) por 0) e depois calcular a
solução particular, que, evidentemente dependerá de g(x).
O Método da Variação de Parâmetros (MVP) se presta a calcular y P .

Vejamos os procedimentos para o MVP:


1) Primeiramente escrever a equação (11) na forma padrão (dividi-la por a2 ) e
obter:
y' ' Py 'Qy  f x  (13)

2) Resolver a EDO homogênea associada e obter y H (a parte homogênea da


solução):
yH  C1 y1  C2 y2 (14)

3) Calcular o Wronskiano W  y1 , y2  :
y1 y2
W
y '1 y '2

4) Determinar as funções auxiliares u1 e u 2 definidas assim:


W W
u1   1 dx e u 2   2 dx (15)
W W
Onde:
0 y2 y 0
W1  e W1  1 (16)
f x  y'2 y '1 f x 

5) Calcular a solução particular:


yP  u1 y1  u2 y2 (17)

6) Finalmente, obter a solução geral:


y  yH  yP (18)

Exemplo:
Resolva a seguinte EDO não homogênea: y' '4 y'4 y  x  1e 2 x

Exercícios:
4) Resolva as seguintes EDOs não homogêneas:
a) 4 y' '36 y  cos sec x
x
b) 4 y' ' y  xe 2
AULA 4

EDOs LINEARES DE 2ª ORDEM COM COEFICIENTES VARIÁVEIS –


MÉTODO DE CAUCHY-EULER

Equações diferenciais de 2ª ordem lineares com coeficientes variáveis


apresentam soluções mais complexas que EDOs com coeficientes constantes, e, em
geral, não podem ser expressas através de funções elementares ( senx , cos x , log x , x n ,
e x ), Algumas delas, no entanto, apresentam soluções analíticas bem conhecidas, e a elas
daremos atenção especial.
EDOs de 2ª ordem lineares com coeficientes variáveis possuem a seguinte forma
geral:
a2 x y' 'a1 x y'a0 x y  g x  (1)
Tais equações são comuns nos seguintes tipos de problemas, dentre outros:
 Determinação do perfil de temperaturas em geometrias esféricas
 Difusão e reação em biocatalisadores

Estudaremos 3 métodos particulares:


 Método específico para Equações de Cauchy-Euler
 Soluções em forma de Séries de Potências
 Método de Frobenius

EQUAÇÕES DE CAUCHY-EULER

Observemos a equação abaixo:


a2 x 2 y' 'a1 xy 'a0 y  g x  (2)
Ela possui a forma geral da equação (1), e possui a seguinte particularidade: o
coeficiente do termo com derivada de 2ª ordem é de 2º grau na variável independente
(x), o coeficiente do termo com derivada de 1ª ordem é de 1º grau na variável
independente (x), e o coeficiente do termo com a variável dependente (y) é constante. A
Equação (2) é chamada de Equação de Cauchy-Euler de 2ª ordem. Poderíamos
estender a definição para Equações de Cauchy-Euler de ordem “n”, mas não é esse o
nosso objetivo.
A equação (2) pode ser homogênea (se g x   0 ) ou não homogênea (se
g x   0 ).
* Método de Solução
Tomemos uma Equação Homogênea:
a2 x 2 y' 'a1 xy 'a0 y  0 (3)
Geralmente, as soluções da Equação de Cauchy-Euler homogênea terão a
seguinte forma:
y  xm (4)
Onde “m” é uma constante a ser determinada.
Pela hipótese acima, teremos como consequência as relações (5) e (6):
y'  mxm1 (5)
y' '  m  1mx m 2
(6)
Trocando (4), (5) e (6) em (3) segue que:
   
ax 2 m  1mxm2  bx mxm1  cx m  0 (7)
Logo:
 
x m am2  b  a m  c  0 (8)
Para que (8) seja verdadeira é preciso que:
am 2  b  a m  c  0 (9)
A equação (9) é a equação algébrica associada à (3), e suas soluções ( m1 e m2 )
serão usadas para a construção da solução geral de (3):
y  C1 x m1  C2 x m2 (10)
Mas (10) será a solução de (3) somente se (9) tiver duas raízes reais e distintas
( m1 e m2 ). Vejamos os outros dois casos possíveis:
 Equação associada com raízes reais e iguais ( m )
o Solução de (3): y  C1 x m  C2 x m ln x (11)
 Equação associada com raízes complexas ( m    i )
o Solução de (3): y  x C1 cos ln x   C2 sen ln x  (12)
Para Equações de Cauchy-Euler não Homogêneas, usar o MVP (aula 3)

Exercícios:
1) Use a teoria desenvolvida até a equação (10) e também alguns Teoremas de
aulas anteriores para mostrar a validade das equações (11) e (12)
2) Resolva as seguintes equações de Cauchy-Euler de 2ª Ordem:
a) x 2 y' '2 xy '4 y  0
b) 4 x 2 y' '8xy ' y  0
c) x 2 y' '3xy '3 y  0

3) Resolva os seguintes PVIs


a) x 2 y' '3xy '  0 , sujeita a y1  7 e y' 1  20
b) x 2 y' '9 y  0 , sujeita a y2  0 e y' 2  3

4) Resolva as seguintes Equações de Cauchy-Euler não Homogêneas (use o


MVP):
a) x 2 y' '2 xy '2 y  x
b) x 2 y' '2 xy '  x 2
AULA 5

SOLUÇÕES PARA EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS NA FORMA DE


SÉRIES DE POTÊNCIAS

Preliminares:
Algumas definições...
1) Série numérica: é o somatório dos termos de uma sequência numérica
infinita.
Exemplos:
 n
1 1 1 1
1.1.     1     ...  2
n 0  2  2 4 8

1 1 1 1
1.2.   1     ...
n 1 n 2 3 4

2) Série numérica convergente: uma série numérica a
n k
n é convergente se
m
existe lim n  an
nk
3) Uma série que não converge é dita divergente
4) Séries de potências: possuem a seguinte forma geral...

 a x  x 
n
n 0
nk
Exemplos:

4.1.  x  2  x  2  x  2  x  2  ...
1 n 1 2 1 3

n 1 n! 2 6

1 n 1 1
4.2.  x  1  x  x 2  ...
n 0 n  1 2 3

Quando uma série de potências é calculada em um valor específico de “x” ela se


torna uma série numérica. Assim, uma série de potências pode ser convergente para
determinados valores de “x” e divergente para outros. Toda série de potências será
convergente para x  x0 . Além desse fato, algumas serão convergentes em uma certa
vizinhança de x0 , e outras serão convergentes para todo x   .

Seguem algumas propriedades das séries de potências:


  
  Cn x  x0    Bn x  x0    Cn  Bn x  x0 
n n n
Soma:
n 0 n 0 n 0

 Troca dos índices: o índice do somatório é uma variável “muda”. Vejamos:


1 n2  1 k 1  1 l

n 0 n  1
x  x 
k 1 k l 2 l  1
x
5) Raio de convergência é um número não negativo  para o qual a série

 a x  x 
n 0
n
converge quando “x” pertence ao intervalo x0   , x0    e
n 0

diverge quando x  x0   .

6) Ponto ordinário. Dada uma EDO de 2ª ordem na forma...


y' ' Px y'Qx y  0 (1)
... dizemos que x0 é um ponto ordinário de 1) se Px  e Qx  forem analíticas
em (1) (ou seja, se for possível as calcular).

Teorema 1): Existência de Soluções para a EDO (1) na forma de Séries de


Potências. Se x  x0 for um ponto ordinário de (1), sempre é possível encontrar duas
soluções LI para a EDO na forma de séries de potências centradas em x0 . Elas terão a
forma:

 C x  x 
n
n 0 (2)
n 0
A série acima será convergente para um raio de convergência não nulo.

Exemplo: Resolver a EDO abaixo propondo soluções na forma de séries de


potências em torno do ponto x0  0
y' '2 xy  0
Exercícios:

1) Resolver as EDOs abaixo propondo soluções na forma de séries de potências em


torno do ponto x0  0
a) 1  x y' ' y  0
b) y' ' x 2 y  0

2) Resolver os seguintes PVIs (para as EDOs, proponha soluções na forma de séries


de potências em torno do ponto x0  0 )
 
a) 2  x 2 y' ' xy ' y  0 , sujeita a y0  1 e y' 0  3
b) y' ' xy '2 y  0 , sujeita a y0  4 e y' 0  1
AULA 6

SOLUÇÕES PARA EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS AO REDOR DE


PONTOS SINGULARES

Na aula anterior vimos que é possível encontrar uma solução em forma de série
de potências para a EDO...
a2 x y' 'a1 x y'a0 x y  0 (1)
... em torno de um ponto ordinário.
Porém, se x  x0 for um ponto singular, nem sempre é possível estabelecer tais
soluções em séries. Uma das formas de contornar esse problema é propor uma solução
do tipo...

yx    Cn x  x0 
n r
(2)
n 0
... onde “r” é uma constante a ser determinada. Essa solução é conhecida como: Método
de Frobenius.

Definição 1): Pontos Singulares Regulares e Irregulares.


Considere a equação (1) na forma padrão:
y' ' Px y'Q( x) y  0 (3)
Se o fator x  x0  aparecer no denominador de Px  com multiplicidade menor
do que ou igual a 1 e no denominador de Qx  com multiplicidade menor que ou igual a
2 então x  x0 será dito ponto singular regular. Caso contrário ele será um ponto
singular irregular.

Exemplo 1: Identificar os pontos ordinários, singulares regulares e singulares


irregulares da EDO abaixo...
 
x 2  4 y' 'x  2y' y  0

Exemplo 2: Identificar os pontos ordinários, singulares regulares e singulares


irregulares da EDO abaixo...
 
x 2 x  1 y' ' x 2  1 y'2 y  0
2

 Método de Frobenius
Teorema 1: “Se x0 for um ponto singular regular da EDO
a2 x y' 'a1 x y'a0 x y  0 então existe pelo menos uma solução na forma
abaixo, com raio de convergência positivo:

yx    Cn x  x0 
n r
(4)”
n 0

Assim, o Método de Frobenius consiste em identificar uma singularidade regular


x0 , substituir y(x) (equação (4)) e suas derivadas na EDO (1) e determinar o expoente
“r” e as constantes “ C n ”
Exemplo: Resolver 3xy ' ' y' y  0 ao redor de x0  0

Exercício: Resolver as seguintes EDOs, centrando a solução em x0  0


1) xy ' 'x  6y'3 y  0
2) xy ' '3 y' y  0
3) xy ' ' y'4 y  0
AULA 7

SOLUÇÕES PARA EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS AO REDOR DE


PONTOS SINGULARES - CONTINUAÇÃO

Dada a EDO:
a2 x y' 'a1 x y'a0 x y  0 (1)
E imposta a solução pelo Método de Frobenius, ao redor de um ponto singular
regular x0 :

y   Cn x  x0 
n r
(2)

Resultarão uma equação indicial (em “r”) e uma relação de recorrência (para os
" Cn ”).
Dependendo das raízes da equação indicial ( r1 e r2 ) 3 casos são possíveis:
1º: r1  r2   Z
2º: r1  r2   Z
3º: r1  r2
OBS: ainda seria possível um 4º caso, com r    i . As soluções obtidas
estariam no domínio dos números complexos. Esse caso não será escopo da nossa
disciplina.
Caso 1) r1  r2   Z : sempre existirão duas séries LI y1 e y 2 . A solução de (1)
será uma combinação linear das séries y1 e y 2 .

Caso 2) r1  r2   Z : pode-se ou não determinar duas séries LI. Se for possível a
solução será análoga ao do caso anterior. Caso contrário, a 2ª solução ( y 2 ) será obtida a
partir da primeira (da mesma forma que obtivemos a solução completa para EDOs com
coeficientes constantes,e também para as EDOs de Cauchy-Euler). A relação a ser
empregada é:
 P  x dx
e 
y2  y1  2
dx (4)
y1
Diferentemente dos casos encontrados em aulas anteriores, aqui não será tão
simples resolver a equação (4), pois agora y1 não é uma simples função com finitos
termos, mas sim uma série. Para contornar esse problema,usaremos uma propriedade de
séries polinomiais, que torna a equação (4) facilmente integrável:
“Se s1 x  é a série polinomial s1 x   1  a1 x  a2 x 2  a3 x 3  ... e s2 x  é outra
1
série, de tal forma que 2  s2 então
s1
  
s2 x   1  2a1 x  3a1  2a2 x 2  6a1a1  2a3  4a1 x 3 ”
2 3

Assim, para calcular (4) basta resolver a seguinte equação, que é facilmente
integrável:
 P  x dx
y  y ze 
2 1  1 (5)
1
Onde: 2
 z1
y1
Caso 3) r1  r2 : Quando as raízes da equação indicial forem iguais, somente uma
solução em série será obtida. A 2ª solução será obrigatoriamente calculada pela relação
(4), conforme mostrado anteriormente.

Exemplos:
“Resolver as seguintes EDOs ao redor do ponto x  0 ”
a) xy ' 'x  6y'3 y  0
b) xy ' '3 y' y  0
c) xy ' ' y'4 y  0

Exercícios:
1) Resolver as seguintes EDOs ao redor do ponto x  0
a) xx  1y' '3 y'2 y  0
b) xy ' '1  x y' y  0
c) xy ' 'x  1y'2 y  0

2) Além de ser uma ferramenta útil para resolver a Equação de Laplace em


coordenadas esféricas, a Equação de Legendre encontra também importante campo de
aplicação na Física para obter o potencial de uma carga pontual sentida em um ponto A
enquanto esta carga está localizada em um ponto B. A equação de Legendre de ordem
 é dada por:
 
1  x 2 y' '2 xy '   1y  0
Resolva-a
a) Ao redor de x  0
b) Ao redor de x  1

3) As funções de Bessel também podem ser usadas para resolver as Equações de


Laplace e Helmholtz em coordenadas cilíndricas ou esféricas. Encontram campo de
aplicação em eletromagnetismo, problemas de difusão (de calor, de solutos,...) e
também em eletrônica (processamento de sinais). A Equação de Bessel de ordem 0 é
dada por:
x 2 y' ' xy ' x 2 y  0
Resolva a equação de Bessel de ordem 0, com centro em x  0 .

4) As funções de Laguerre tem importante aplicação na Medicina Nuclear: são


usadas para determinar as curvas de eliminação de contrastes. Tais funções são as
soluções da Equação Diferencial de Laguerre:
xy ' '1  x y'x  0
Resolva a Equação de Laguerre ao redor de x  0 e considere que   Z .
PARTE 3

AULA 1

TRANSFORMADA DE LAPLACE:
INTRODUÇÃO

Definição 1)
Dada uma função f t  :     , a integral imprópria:

e
 St
f t dt
0

É chamada Transformada de Laplace de f t  , desde que convirja.



Notação: L f t   F S    e St f t dt
0
OBS: S é a variável no domínio de Laplace.

Exemplos:
a) L1 b) Lt

Propriedade: Linearidade da Transformada de Laplace


A Transformada de Laplace é um operador linear. Sejam f t  e g t  funções de
 em  , e  e  constantes. Então:
Lf t   g t   L f t   Lgt 
Exemplo:
Calcular a TL de cada uma das funções abaixo:
a) f t   5 b) f t   3t c) f t   8t  7

Definição 2) Ordem exponencial


“Uma função é de ordem exponencial se existem números c , M  0 e T  0
tais que f t   Mect para todo t  T ”.
Definição 3) Função contínua por partes
“Uma função f t  é dita contínua por partes em um intervalo a, b se e
somente se o intervalo puder ser dividido em um número finito de intervalos a, t1  ,
t1 , t2  , t2 , t3  ,..., tn , b tal que f ' t  seja contínua em cada um desses intervalos e que
existam limites laterais finitos em cada extremidade de cada intervalo”.

 Condições suficientes para a existência de L f t 


“Seja f t  uma função contínua por partes no intervalo 0,   e de ordem
exponencial para t  T ; então sua Transformada de Laplace existe para todo S  c ”.

Exemplos:
 
a) L e 3t existe, pois f t   e 3t é contínua t   e e 3t  e 3t , t  0

Le  
3t 1
, S  3
S 3
b) L2 cos t existe, pois f t   2 cos t é contínua t   e 2 cos t  2e 0t  2 ,
t  0
L 2 cos t 
2S
, S 0
S2 1

 TLs de algumas funões básicas


L1  , S  0
1
1.
S
2.  n!
L t n  n1 , n  1,2,3,... e S  0
S
3.  
L et 
1
S 
, S 

Lsenkt  2
k
4. , S 0
S  k2
Lcoskt  2
S
5. , S 0
S  k2
Lsenhkt  2
k
6. , Sk
S  k2
Lcoshkt  2
S
7. , Sk
S  k2

Exercício: Calcule as Transformadas de Laplace das seguintes funções:


a) f t   t 2
b) f t   3e 2t
c) f t   2sen5t 
d) f t   2t 3  7t  3
e) f t   e 2t  e 2t
f) f t   3 cosh2t 
2 0  t  5
g) f t   
 3t t  5
AULA 2

TRANSFORMADA INVERSA
E 1º TEOREMA DA TRANSLAÇÃO

Dada uma função no domínio de Laplace ( F S  ), pode-se encontrar a função


correspondente no domínio do tempo (cuja transformada é F S  ) pela aplicação da
transformada inversa.
Simbolicamente: L1F S   f t  .
Algumas transformadas inversas:
1   n!   1  1  k 
1. L1    1 2. L1  n1   t n 3. L1    e 4. L  2
at
2
 senkt
S  S  S  a S  k 
 s   k   S 
5. L1  2 2
 coskt 6. L1  2 2
 senhkt 7. L1  2 2
 cosh kt
S  k  S  k  S  k 

 Propriedade: a transformada inversa é um operador linear.


Ou seja: L1aF S   bGS   aL1F S   bL1GS 
Exemplos:
Calcular:
1  2   2S  7 
a) L1  4  b) L1  2  c) L1  2 
S  S  9 S  4
Exercício: Calcular as seguintes transformadas inversas:
1 S  1
1  1 
 3
  1 48 
a) L  3  b) L   c) L1  3  5 
S  S S 
4
 S 
1 1 1   1   5 
d) L1  2    e) L1   f) L1  2 
S S S  2  4 S  1  S  49 
 4S 
g) L1  2 
 4 S  1

Teorema 1) Se f t  é contínua por partes em 0,   e de ordem exponencial


para t  T , T   , então: lim S  L f t   F S   0 . Consequência: não existem, por
 S 2  1  S  3  1 3
exemplo: L1  , L   
, L S .
 S  1  S  1
 
Teorema 2) 1º Teorema da translação: Se a   , então: L e ax f t   F S  a  ,
onde F S   L f t .
 
Exemplo: calcule L e3t t 4

Teorema 2) na forma inversa: Se a   , então L1F S  a   e at f t  , onde


F S   L f t , onde F S   L f t 
 2 
Exemplo: calcule L1  2 
 S  4S  12 
Exercício: Usando decomposição em frações parciais e o 1º teorema da
translação, calcule as seguintes transformadas inversas:
 S 1 
a) L1  
 S  3S  2
 4S 
b) L1  
 S  1 S  2
2

 3 
c) L1 
 
 S  6 S  9 
2 
AULA 3

2º TEOREMA DA TRANSLAÇÃO, TRANSFORMADAS DE FUNÇÕES


PERIÓDICAS, TRANSFORMADAS DE DERIVADAS E RESOLUÇÃO DE EDOs
PELO USO DE TRANSFORMADAS

 Função Degrau Unitário


Definição 1) Função Degrau Unitário
A função  t  a  , com a  0 é definida por:
0, 0  t  a
 t  a   
 1, t  a
Abaixo segue a representação gráfica da função degrau unitário:

Figura 1

A função degrau unitário é capaz de “cancelar” partes de funções, sendo útil, por
exemplo, na representação de funções periódicas defasadas (transladadas). Também
auxilia na representação de funções definidas por leis de formação distintas em
intervalos distintos.
Exemplos:
a) f t    cost  t   

t , 0t 2
b) g t    2
 t  2, t  2

 0, 0  t  2

c) ht   sent , 2  t  
 0, 4  t

d) Dada pt   sent , vejamos a comparação entre:


d1) f t , t  

d2) f t , t  0

 
d3) f  t  , t  0
 2

   
d4) f  t    t  , t  0
 2  2

 Teorema (2º Teorema da Translação)


“Se a é uma constante positiva, então: L f t  a  t  a   e  aS F S  ”.
 
Forma inversa: L1 e  aS F S   f t  a  t  a 
 aS
Corolário: L t  a  
e
S
Exemplos:
a) L t  3

b) Lt  6 t  6

  2 S 
 5e 
c) L1  2 
 S  16 
 

d) Lcost  3 t  3

e) Lt  2 t  5

 
f) L t 2  6  t  6 
 Transformada de Funções Periódicas
Teorema:
“Se f t  é contínua por partes em 0,   e de ordem exponencial e, além disso,
for periódica, com período T, então:
T
L f t   e St f t dt ”
1
1  e ST 0
Exercício: demonstre o teorema acima.

Exemplo: calcular a transformada da função abaixo:


 t, 0  t  1
f t    e f t  2  f t 
0, 1  t  2

1, 0  t  1
Exercício: calcular F S  , dada f t    e f t  3  f t 
0, 1  t  3

 Transformada de Derivadas
Teorema:
“Se f t  , f ' t  , f ' ' t  ,..., f n 1 t  forem contínuas em 0,   , de ordem
exponencial, e se f n t  for contínua por partes em 0,   e, além disso, for conhecida
F S   L f t , então:
 
L f n t   S n F S   S n 1 f 0  S n  2 f ' 0  ...  Sf n  2 0  f n 1 0 ”

Exemplos:
a) L f ' t 
b) L f ' ' t 

c) L f ' ' ' t 

Exercício: Demonstre o teorema acima.

 Resolução de EDOs pelo uso de Transformadas de Laplace


O teorema anterior, aliado à propriedade de linearidade da Transformada de
Laplace, fornece uma alternativa interessante para a resolução de EDOs lineares com
coeficientes constantes (de qualquer ordem) sujeitos a condições iniciais.

Exemplo: Resolver os seguinte PVIs, usando Transformada de Laplace:


 3 y  e 2t , sujeito a y0  1
dy
a)
dt
d2y dy  y 0  0
b)  4  3 y  0 , sujeito a 
 y ' 0  1
2
dt dt
AULA 4

TRANSFORMADA DE LAPLACE – EXERCÍCIOS E PROBLEMAS

3
1) Um tanque cilíndrico com raio m opera continuamente (em estado estacionário)

com vazões de entrada e saída de 300 l/h e volume útil de 500 l.

a) Encontre uma relação no domínio de Laplace para o nível do fluido em função


das vazões de entrada e saída, supondo que estas vazões sejam variáveis ao
longo do tempo.
b) Suponha que a vazão de saída seja constante e que a vazão de entrada aumente
abruptamente para 350 l/h. Calcule ht  .
c) Suponha que a vazão de entrada siga o perfil ilustrado abaixo:

Figura 1
e que a vazão de saída seja constante (300 l/h). Calcule ht  .
d) Resolva o item c) supondo o mesmo perfil para a vazão de entrada e o seguinte
perfil para a vazão de saída:

Figura 2

2) Considere um reator de mistura perfeita, operando isotermicamente e com volume


constante. Admita que dentro desse reator ocorra uma reação irreversível de 1ª ordem
K
A  B . Deseja-se saber qual será a concentração de A no estado estacionário,
considerando que em t  t0 a concentração de alimentação de A ( C Ai ) foi aumentada
abruptamente de 0 para 1g / l .

3) Considere um tanque agitado com volume V  1,6m3 operando com uma vazão
mássica de entrada W  200kg / min de um líquido com C p  0,32kcal / kgº C e
densidade   62,4kg / m3 . A temperatura da corrente de entrada é Ti  70º C e a taxa
de calor cedido pela serpentina é de Q  1920kcal / min .
a) Determinar a expressão que relaciona a variável resposta (temperatura na corrente de
saída, T ) e as variáveis de entrada (temperatura da corrente de entrada Ti ; e calor
cedido pela serpentina, Q ).
b) Determine a temperatura das correntes de saída para as condições descritas acima.
c) Suponha que a temperatura da corrente de entrada ( Ti ) mudou para 90º C e Q
mudou para 1600kcal / min . Qual é a resposta do sistema ( T t  ) para as novas
condições de operação?

4) Considere controladores automáticos industriais cujas ações de controle são:


proporcional; integral; proporcional e integral; proporcional e derivativo; proporcional,
derivativo e integral. As funções de transferência desses controladores são dadas
respectivamente por:
U S 
I)  KP
E S 
U S  Ki
II) 
E S  S
U S   1 
III)  K P 1  
E S   iS 
U S 
IV)  K p 1   d S 
E S 
U S   1 
V)  K P 1    d S 
E S   iS 
Onde U S  é a transformada de Laplace de u t  , a saída do controlador, e E S  é a
transforamada de Laplace de et  , o sinal de erro atuante. Esboce as curvas de u t 
contra t para cada um dos cinco tipos de controladores quando o sinal de erro atuante
for:
a) Função degrau unitário
b) Função rampa unitária (OBS: reta com coeficiente angular 1 e coeficiente linear
nulo)
Considere os seguintes valores para os parâmetros:
 Ganho proporcional: K p  4
 Ganho integral: Ki  2
 Tempo integrativo:  i  2s
 Tempo derivativo:  d  0,8s
PARTE 4

AULA 1

EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS

 INTRODUÇÃO

Equações diferenciais parciais são equações que envolvem derivadas parciais de


uma ou mais variáveis dependentes com relação a mais de uma variável independente.
A maioria das equações diferenciais parciais não possui solução geral em termos
de funções elementares. No entanto, grande parte das equações que modelam problemas
de Engenharia e Ciências Biológicas são lineares e podem ser resolvidas por um método
bastante simples, como veremos mais adiante.
Equações diferenciais parciais lineares de 2ª ordem com duas variáveis
independentes ( x e y ) têm a seguinte forma geral:
 2u  2u  2u u u
A  B  C D E  Fu  G (1)
x 2
xy y 2
x y
Onde A, B, C,..., G são funções de x e y , com A  0 ou B  0 ou C  0 .
Se G  0 a EDP é dita homogênea.
Se G  0 a EDP é dita não homogênea.
A maioria dos problemas de interesse pertence ao grupo das homogêneas e,
ainda, possui coeficientes constantes:

 2u  2u  2u u u
a 2 b c 2 d  e  fu  0 (2)
x xy y x y
Onde a, b, c,..., f são constantes, com a  0 ou b  0 ou c  0 .
A equação (2) pode ser classificada como:
A) Parabólica (quando b2  4ac  0 )
B) Elíptica (quando b2  4ac  0 )
C) Hiperbólica (quando b2  4ac  0 )

Seguem algumas equações clássicas:


I) Equação do calor (difusão) – Lei de Fick
2  u u
2
c  , com c  0 (3)
x 2
t
II) Equação da onda (pontes, vigas, cordas,...)
 2u  2u
c 2 2  2 , com c  0 (4)
x t
III) Equação de Laplace (distribuição de calor em placa plana no E.E.)
 2 u  2u
 0 (5)
x 2 y 2
Outras aplicações de interesse do Engenheiro de Bioprocessos:
 Difusão em membranas/biocatalisadores;
 Comportamento global de reações (bio)químicas;
 Fenômeno de adsorção (colunas de leito fixo, HPLC)
 Transmissão de impulso nervoso;
 Crescimento de tumores.

Estudaremos em maiores detalhes os problemas I), II) e III), que são problemas
clássicos e possuem soluções bem conhecidas.

 MÉTODO DA SEPARAÇÃO DE VARIÁVEIS (MSV)

Esse método supõe que (1) tem solução do tipo:


u  XY (6)
Onde X  X (x) e Y  Y  y 
Ou seja, a hipótese é que a solução possa ser escrita como um produto, em que
um dos fatores depende exclusivamente de x (podendo eventualmente ser uma
constante) e o outro depende exclusivamente de y (podendo eventualmente ser uma
constante).
Se tal solução de fato existir, podemos trocar (6) e as derivadas de u em (1), e a
EDP (1) será reduzida a duas EDOs (uma em x e a outra em y ). Depois, basta resolver
as EDOs (calcular X e Y) e escrever a solução final ( u  XY ).
Consequência de (6):
u  2u u  2u
 X 'Y ,  X ' ' Y ,  XY ' ,  XY ' ' (7)
x x 2 y y 2
Onde:
dX dY d2X d 2Y
X ' Y ' X '' Y ' ' 
dx dy dx 2 dy 2

Exemplo:
1) Resolver a seguinte EDP pelo MSV:
 2u u
4
x 2
y

Exercício:
1) Aplique o MSV para resolver, quando possível, as seguintes EDPs:
u u u u  2u u
a)  b) x y c) 4 
x y x y x 2 y
 2u  2 u  2u u u
d) y u  0 e)  u f)  u
xy x 2 y 2 x y
AULA 2

PROBLEMAS CLÁSSICOS MODELADOS POR EQUAÇÕES DIFERENCIAIS


PARCIAIS

Relembrando algumas EDPs clássicas:


I) Equação do calor (difusão) – Lei de Fick
2  u u
2
c  , com c  0 (1) (parabólica)
x 2
t
II) Equação da onda (pontes, vigas, cordas,...)
 2u  2u
c 2 2  2 , com c  0 (2) (hiperbólica)
x t
III) Equação de Laplace (distribuição de calor em placa plana no E.E.)
 2 u  2u
 0 (3) (elíptica)
x 2 y 2

Em problemas reais:
I) será sujeita a 1 CI e 2 CC
II) será sujeita a 2 CI e 2 CC
III) será sujeita a 4 CC (2 e em “x” e 2 em “y”)

 Condições iniciais
Normalmente possuem uma das formas abaixo:
u
a) ux,0  f x  b)  g x 
t t 0

 Condições de Contorno
São três formas possíveis:
1) (Dirichilet): ua, t   f t  (onde “a” é uma das extremidades)
u
2) (Neumann):  g t  (onde “a” é uma das extremidades)
x x a
u
3) (Robin):  u a, t   ht  (onde “a” é uma das extremidades)
x x a

 Equação do Calor
Considere uma haste metálica delgada com coeficiente de condutividade térmica
K , densidade  e capacidade calorífica C p , de área transversal circular e comprimento
L . Deseja-se determinar o perfil de temperaturas ao longo da barra ( x ) e ao longo do
tempo ( t ). Considerar que para uma seção transversal qualquer da barra, a temperatura
seja sempre homogênea. Considerar, ainda, que a barra seja isolada termicamente em
toda a sua extensão, exceto nas extremidades, salvo seja dada outra informação.

Figura 1
Considerar duas situações:
1) Sejam conhecidas:
CI: o perfil da temperatura ao longo da barra em t  0 ( T x,0  f x  )
CC1: a temperatura na extremidade esquerda é mantida constante ( T 0, t   T1 )
CC2: a temperatura na extremidade direita é mantida constante ( T L, t   T2 )
O problema acima é modelado da seguinte forma:
T x,0  f x , 0  x  L
K  2T T 
 , sujeito a  T 0, t   T1 , t0
C p x 2
t T L, t   T ,
 2 t0

2) Sejam conhecidas:
CI: o perfil da temperatura ao longo da barra em t  0 ( T x,0  f x  )
CC1: a extremidade esquerda é isolada termicamente, ou seja, não há fluxo de
T
calor neste ponto. Logo: 0
x x 0
CC2: a extremidade direita é exposta à temperatura ambiente ( T ). Ocorre troca
T
de calor por convecção nesta extremidade. Logo:  hT L, t   T  .
x x  L
Onde h é o coeficiente de convecção e T é a temperatura ambiente.
O problema acima é modelado da seguinte forma:

T x,0  f x , 0 xL
K  T T
2 
 T
 , sujeito a   0, t0
C p x 2
t  x x 0
 T  hT L, t   T , t  0
 x x  L

 Equação da onda
A forma mais comumente encontrada é:
u  x,0   f x , 0  x  L
 u
2  u
2
 2u   g x , 0  x  L
a  , com   t 
 u 0, t   u 0 ,
t 0
x 2 t 2 t0
 u  L, t   u , t0
 1

 Equação de Laplace
As 4 CCs podem assumir quaisquer das 3 formas apresentadas (Dirichilet,
Neumann, Robin). Vejamos um exemplo:
 T
 T  T
2 2  x x 0  0 e T a, y   T1 , 0  y  b
  0 , com  T
x 2 y 2 T x,0  T2 e  0, 0  x  a
 y y b
T x,0  f x , 0  x  L
 2
 
, sujeito a  T 0, t   0,
T T
Exemplo: Resolver a 2 2  t 0
x t  T L, t   0,
 t0
AULA 3

SÉRIES DE FOURIER

Considere a série:
a0    mx   mx 
  a m cos   bm sen  (1)
2 n 1   L   L 
A série (1), se convergente, definirá um valor finito para cada x  I , onde
I   . Então, é possível definir uma função f x  em I , de maneira que assuma o
valor da série (1) para todo x . Dessa forma, (1) é dita Série de Fourier de f x  .
a0    mx   mx 
f x     a m cos   bm sen  (2)
2 n1   L   L 
Se f x  tiver desenvolvimento em Série de Fourier, ela será periódica, com
2L
período fundamental . Um período comum para todos os termos da série será 2L.
m
Dada uma função com as características descritas acima, é possível calcular as
constantes a m e bm do seu desenvolvimento em Série de Fourier.
 Procedimento para o cálculo de a m :
 nx 
Multiplicar a equação (2) por cos  , onde n  1,2,3,... e considerar
 L 
propriedades de ortogonalidade de funções periódicas, além de propriedades
de funções pares e ímpares. O resultado será:
 nx 
L
a n   f x  cos
1
dx (3)
L L  L 
 Procedimento para o cálculo de bm :
O procedimento é análogo com relação ao anterior, mas o fator a ser
 nx 
empregado é sen  . Teremos:
 L 
 nx 
L
bn   f x sen
1
dx (4)
L L  L 
Para calcular a 0 , basta integrar (2) de –L a L:
L
f x dx
1
L L
a0  (5)

Para algumas funções (ímpares), os termos a 0 e a n serão nulos. Teremos,


assim, a Série de Fourier dos Senos:

 nx 
f x    bn sen  (6)
n 1  L 
Com bn dado pela equação (4)
Para outras funções (pares), o termo bn será nulo. Teremos, nesse caso, a
Série de Fourier dos Cossenos:
a 
 nx 
f x   0   a n cos  (7)
2 n1  L 
Com a n dado pela equação (3) e a 0 pela equação (5).
Em posse dessa ferramenta, podemos concluir o problema da aula anterior...
AULA 4

EDPs PARABÓLICAS SUJEITAS A CONDIÇÕES DE CONTORNO NÃO


HOMOGÊNEAS

 Problema da Condução do Calor com condições não homogêneas:


Para resolver o seguinte problema...
T x,0  f x , 0  x  L 2
2  T T 
2
a  (1) , sujeito a  T 0, t   T1 , t0 3
x 2 t T L, t   T ,
 2 t0 4
... é proposto o uso de uma variável auxiliar ( vx  ) que representará a
distribuição de temperaturas no estado permanente (estacionário).
Dessa forma;
T x, t   vx   wx, t  (5)
Onde wx, t  representa a diferença entre o valor atual da temperatura e o valor
da temperatura no estado permanente para um mesmo ponto “ x ” da barra.
Sabe-se que a configuração no estado estacionário deve respeitar também a
equação do calor, logo:
d 2v
0 (6)
dx 2
Além disso, de (3) e (4) segue que:
v0  T1 (7) e vL   T2 (8)
Resolvendo (6):
vx   Ax  B (9)
Com A e B constantes a serem determinadas.
Trocando (7) e (8) em (9):
T T 
vx    2 1  x  T1 (10)
 L 
A análise da figura abaixo facilita a compreensão do fenômeno físico e da
abordagem adotada para a resolução do problema:

Figura 1
Repare que:
w0, t   T 0, t   v0  w0, t   T1  T1  w0, t   0 (11)
wL, t   T L, t   vL  wL, t   T2  T2  wL, t   0 (12)
As equações (11) e (12) dão as condições de contorno para a variável wx, t 
Além disso:
T T 
wx,0  T x,0  vx   wx,0  f x    2 1  x  T1 (13)
 L 
A equação (13) é a condição inicial para a a variável wx, t  .
Pela hipótese adotada (equação (5)) e considerando a equação que modela o
problema a ser resolvido (equação 1), temos que:
2  v  w v  w 2  v  2 w  v w
2 2
a  a  2  2  
x 2 t  x x  t t
v  2v
Como  0 (e consequentemente 2  0 ) segue que:
t x
 w w
2
a2 2  (14)
x t
Nosso trabalho será resolver o PVI/PVC dado por (14), sujeito às condições
(11), (12) e (13), que é o mesmo problema (homogêneo) resolvido na aula anterior.
Depois, basta trocar o resultado em (5).
Após todas essas etapas, teremos a solução do problema (1)  (4):
T T  
 n 
T x, t    2 1  x  T1   bn e a n  t  L sen
2 2 2 2
x (15)
 L  n 1  L 
Onde:
2 
L
T T    n 
bn    f x    2 1  x  T1  sen x dx (16)
L0  L    L 

Exemplo:
Resolver o seguinte PVI/PVC com condições não homogêneas:

T x,0  30, 0 xL


 2T T 
 , sujeito a  T 0, t   20, t0
x 2 t T L, t   50,
 t0
AULA 5

EDPs PARABÓLICAS NÃO HOMOGÊNEAS SUJEITAS A CONDIÇÕES DE


CONTORNO NÃO HOMOGÊNEAS

Em alguns casos, a EDP que modela um fenômeno físico, químico ou biológico


não pode ser resolvida pelo MSV. Nesses casos, a estratégia para resolver a equação
consiste em empregar uma mudança de variável, de tal forma que as novas equações
geradas sejam homogêneas, bem como as condições de contorno que a elas se aplicam.

Figura 1

Por exemplo, considere uma haste delgada onde calor é gerado a uma taxa
constante (K) no seu interior:

Figura 2

A forma da equação do calor, nesse caso fica:


2  T T
2
a K  (1)
x 2
t
Logo:
 2T T
a2 2    K (2)
x t
A equação (2) é não homogênea e não separável.
A mudança de variável apresentada a seguir é adequada para a resolução do
problema em questão...
T x, t   wx, t    x  (3)
... desde que wx, t  defina uma EDP homogênea com condições de contorno
homogêneas!
Como “forçar” essa condição para wx, t  ?
Vejamos o exemplo:
Resolver:
T x,0  f x , 0  x  1 5
2  T T 
2
a K  (4) sujeita a  T 0, t   0, t0 6
x 2
t T 1, t   T ,
 0 t0 7
AULA 6

EDPs HIPERBÓLICAS

 Equação da onda
Considere uma corda fixa pelas extremidades ( y0, t   0 e yL, t   0 ), com
uma configuração inicial conhecida ( yx,0  f x  ) e que no instante inicial da
dy x,0
observação parte do repouso (  0 ).
dt
Teremos, assim, o seguinte:
2 y 2 y  y 0, t   2 (2) y L, t   0 (3)

a2 2  2 (1)  y x,0  f x  ( 4)
dy  x ,0  0
x t 
(5)
 dt
Para resolver a equação acima, basta usar o MSV e as condições iniciais e de
contorno. Depois de aplicar a última condição inicial, será necessário considerar a teoria
das Séries de Fourier.