Você está na página 1de 33

Universidade Federal do Piauı́ - UFPI

Centro de Tecnologia - CT
Departamento de Engenharia Elétrica
Geração, Transmissão e Distribuição de Energia - CEE/CT034

Transmissão de Energia Elétrica

Prof. Me. Andrei Carvalho Ribeiro

Universidade Federal do Piauı́ - UFPI

26 de agosto de 2020

Teresina - Piauı́

1 / 33
Sumário

1 Estado da arte da transmissão

2 Comparações entre a transmissão em CA e em CC

3 Escolha da tensão de transmissão e escolha econômica da tensão de transmissão

4 Os sistemas CC de Transmissão
A transmissão HVDC

5 O Efeito Corona

2 / 33
Estado da arte da transmissão I

Aplicações de Eletrônica de Potência nos sistemas de transmissão: novas tec-


nologias são necessárias para atender aos requisitos das futuras redes. Dispositivos
mecânicos e de estado sólido com, por exemplo, velocidade de operação, escalabili-
dade de tensão e nı́vel de prontidão melhores são necessários.
Transmissão com supercondutores de alta temperatura: transporte de energia
com perdas elétricas extremamente baixas. Um supercondutor pode conduzir pelo
menos 300 vezes mais corrente elétrica para uma mesma secção em relação a um
condutor de cobre. Isto significa mais energia transmitida, menor espaço, e menores
perdas.
Algoritmos inteligentes para otimização do planejamento e expansão de siste-
mas de transmissão: considerando a complexidade do problema, fórmulas empı́ricas
e métodos tradicionais são substituı́dos ou complementados por ferramentas de in-
teligência computacional.

Para mais detalhes, pesquise!


Entre os temas apontados como estado da arte, pesquise artigos recentes
a respeito. Sinta-se a vontade para pesquisar e explorar outros temas.

3 / 33
Comparações entre a transmissão em CA e em CC I

A potência elétrica pode ser transmitida em CC ou CA.


Transmissão em CC: caracterizada por não ter fases, ela tem um
polo negativo e outro positivo. A frequência em uma linha de trans-
missão CC é zero, portanto não há com que se preocupar em relação
às variações de frequência entre os sistemas interconectados. Links de
alta-tensão são usados para transmitir elevada quantidade de energia
ao longo de grandes distâncias. Neste caso, conversores e inversores
são usados para fazer a conversão CA-CC e CC-CA, respectivamente.
Vantagens:
Não há indutância ou capacitância;
Não há efeito pelicular, portanto toda a área da seção circular do con-
dutor é usada;
Não há perdas dielétricas, particularmente no caso dos cabos;
Em uma linha CC, as perdas pelo efeito corona são menores em com-
paração com as linhas de transmissão CA;

4 / 33
Comparações entre a transmissão em CA e em CC II

No sistema de transmissão CC, não há dificuldades na sincronização e


problemas de estabilidade relacionados.
Desvantagens:
Não é possı́vel aumentar o nı́vel da tensão CC (o transformador não
funciona em CC), ou seja, a energia elétrica não pode ser gerada em
altos valores de tensão, devido a problemas de conversão;
O sistema de transmissão CC é mais complexo e caro em comparação
com o sistema de transmissão CA, os disjuntores e interruptores têm
suas próprias limitações.
Transmissão em CA: opção predominante em praticamente todos os
sistemas, incluindo a geração e a distribuição de energia elétrica.
Vantagens:
A potência pode ser gerada em altas-tensões;
A manutenção das estações é mais fácil e mais barata;

5 / 33
Comparações entre a transmissão em CA e em CC III

A tensão pode ser elevada ou abaixada por transformadores com facili-


dade e eficiência, o que permite transportar energias em altas-tensões e
distribuı́-la em nı́veis seguros.
Desvantagens:
Necessita de mais cobre do que a opção análoga em CC;
A construção da linha de transmissão é mais complicada do que a linha
em CC;
Devido ao efeito pelicular, a resistência efetiva da linha se torna maior;
A linha tem capacitância, havendo portando, uma perda contı́nua de
potência devido à corrente de carga (mesmo quando a linha estiver
aberta);
As linhas de transmissão CA provocam interferência em outras linhas de
comunicação;
Existe dificuldade em controlar a potência reativa.

6 / 33
Comparações entre a transmissão em CA e em CC IV
Questões para fixação
1 Cite vantagens e desvantagens da transmissão em CC.
2 Cite vantagens e desvantagens da transmissão em CA.

7 / 33
Escolha da tensão de transmissão I

Diversos fatores influenciam na escolha da tensão de transmissão. Ob-


viamente, a tensão que apresentar o melhor custo-benefı́cio será, em
tese, a empregada. É importante considerar as tensões já instala-
das nos sistemas vizinhos, atentando para os problemas inerentes
à interconexão de linhas com tensões distintas.
Existem dois critérios para esta escolha: (1) critério de Still; e (2)
critério da potência natural.
1 O critério de Alfred Still, dado pela Equação 1, apresenta resultados
satisfatórios para linhas de transmissão com dimensões superiores a 30
km.
V ∼
p
= 5, 5 0, 62` + P/100 (1)
em que V (kV) é a tensão entre as fases, ` (km) é o comprimento
da linha de transmissão, e P (kW) é a potência média que se deseja
transmitir.

8 / 33
Escolha da tensão de transmissão II
2 O critério da potência natural é mais usado no caso de linhas de
transmissão de alto comprimento, em que, para cada tensão, há um
valor ótimo de energia que é transmitido (e vice-versa), podendo não
ser aquele qual as perdas seriam mı́nimas.
De acordo com esse critério, a potência a ser transmitida P (MW) é
indicada pela tensão V (kV), que varia com Z , a impedância natural
da linha, conforme a Equação 2.

V = P ·Z (2)

A impedância Z não depende do comprimento da linha de transmissão,


apenas da configuração dos condutores.

9 / 33
Escolha da tensão de transmissão III
Questões para fixação
1 Utilize o critério de Still para calcular a tensão V em uma linha de
transmissão a ser projetada com ` = 100 km e P = 1,0 GW.
2 Utilize o critério da potência natural para calcular a tensão V em uma
linha de transmissão a ser projetada com as especificações anteriores e
impedância Z = 300 Ω. Compare os valores obtidos, qual o valor de
tensão seria escolhido?

10 / 33
Escolha econômica da tensão de transmissão I

Inicialmente, é necessário ter alguns dados para que se possa fazer uma
escolha econômica da tensão de transmissão. Três deles são básicos:
tensão de geração, potência a ser transmitida e comprimento da
linha de transmissão. Dessa maneira, nos Estados Unidos, a tensão
econômica de transmissão para uma linha trifásica é geralmente dada
por: p
V = 5, 5 0, 62` + 3P/150 (3)
em que V é a tensão da linha (kV), P é a potência máxima por fase a
ser entregue, e ` é o comprimento da linha de transmissão (km).
Uma linha em CC, por exemplo, pode ter vantagens econômicas em
relação a uma CA. O custo total para construir e operar uma linha de
transmissão em CC, incluindo as estações de conversão pode ser menor
do que o equivalente com uma linha em CA.

11 / 33
Escolha econômica da tensão de transmissão II

A Figura 1 mostra os custos comparativos das linhas de transmissão


CA e CC com a distância.

Figura 1: Comparação dos custos das linhas de transmissão CA e CC [1].

A curva de custo da transmissão CC intercepta a curva da transmissão


CA a uma distância aproximada de 600 a 800 km.

12 / 33
A transmissão HVDC I

Para transmitir grandes quantidades de potência por longas distâncias,


desde uma fonte remota para um centro de carga muito afastado, um
sistema de transmissão de corrente contı́nua pode ser mais econômico
que um sistema de transmissão CA conforme visto na Figura 1.
Em outras palavras, um sistema HVDC deve ser considerado para trans-
missão de um ponto para outro. Além disso, para a transmissão sub-
marina através de cabos, o sistema HVDC é quase sempre a escolha
preferida.
Ultimamente, por causa da estabilidade, sistemas de HVDC vêm sendo
construı́dos para transferir potência entre dois sistemas CA, principal-
mente em locais onde a adição de um elo CA poderia causar insta-
bilidade ao sistema. Embora a transmissão em CA seja dominante,
espera-se que a transmissão em CC seja cada vez mais utilizada no
futuro.

13 / 33
A transmissão HVDC II

As aplicações sistemas HVDC e outras que envolvam eletrônica de


potência tornam-se viáveis graças aos dispositivos semicondutores de
potência, cujos sı́mbolos são mostrados na Figura 2a. A capacidade de
conduzir potência e velocidade de chaveamento desses dispositivos são
indicadas na Figura 2b.

(a) (b)

Figura 2: Dispositivos semicondutores de potência [2].

14 / 33
A transmissão HVDC III

Todos esses dispositivos permitem que a corrente flua somente no sen-


tido direto. Os transistores podem bloquear a tensão polarizada direta-
mente, enquanto os tiristores bloqueiam tanto a tensão de polarização
direta como a tensão reversa.
Em nı́veis elevadı́ssimos de potência algumas vezes utilizam-se tiris-
tores controlados de porta integrada (IGCT). A Figura 3a mostra as
tensões e correntes nominais de vários dispositivos semicondutores de
alta potência em uso, e a Figura 3b mostra as tensões e correntes
nominais necessárias em várias aplicações.

15 / 33
A transmissão HVDC IV

(a) (b)

Figura 3: Dispositivos semicondutores de potência [2].

16 / 33
A transmissão HVDC V

Os sistemas HVDC são representados pelo diagrama unifilar na Figura


4, em que a tensão CA na extremidade emissora é elevada e fornecida
a um conversor que atua como um retificador, convertendo CA em
CC, e a potência é transmitida em uma linha de transmissão HVDC.
Na extremidade receptora, há outro conversor atuando como inversor,
convertendo CC em CA, e a tensão pode assim ser rebaixada para o
nı́vel de tensão do sistema da extremidade receptora.

Figura 4: Diagrama unifilar de um sistema HVDC [2].

A direção do fluxo pode ser reversı́vel, invertendo assim a função dos


dois conversores. A Figura 5 mostra dois tipos de sistemas de HVDC.
A referência [2] pode ser consultada para mais informações.

17 / 33
A transmissão HVDC VI

(a) Elo de corrente (b) Elo de tensão

Figura 5: Sistemas HVDC.

Seguem abaixo algumas vantagens do sistema HVDC (High-Voltage Direct


Current):
São econômicos para transmitir grande quantidade de energia a longas
distâncias, já que o custo com condutores é reduzido;
Não há problemas de instabilidade na linha;
Uma maior transmissão de potência é possı́vel com o sistema DC;
As perdas por efeito corona são baixas, e a rádio interferência é menor;

18 / 33
A transmissão HVDC VII

Há fácil reversibilidade e controlabilidade do fluxo de potência;


A estabilidade transitória do fluxo de potência pode ser melhorada ao
se fazer uma conexão paralela de linhas HVAC e HVDC;
Ao acontecer uma falta, o controle da rede do conversor diminui signi-
ficativamente a corrente dela;
Estações intermediárias não são necessárias.
Seguem algumas desvantagens do sistema HVDC:
Uma grande quantidade de potência reativa é necessária nas estações
conversoras;
A manutenção dos isoladores precisa ser mais frequente;
Há perdas adicionais nos transformadores conversores. As perdas são
contı́nuas. O sistema de refrigeração tem de ser eficiente para dissipar
o calor;

19 / 33
A transmissão HVDC VIII

As estações conversoras são compostas por tiristores de alta potência,


uma tecnologia relativamente cara se comparada aos sistemas de cor-
rente alternada;
Introdução de harmônicos. Os conversores geram quantidade consi-
derável de harmônicos em ambos os lados, CA e CC. Alguns são filtra-
dos, mas outros permanecem no sistema, podendo interferir no sistema
de comunicação.

20 / 33
O Efeito Corona I

O efeito corona é uma descarga elétrica gerada pela ionização


do ar nos arredores do condutor, após exceder determinado limite e
em condições insuficientes para gerar um ar voltaico.
A alta voltagem das linhas de transmissão produz uma descarga (co-
rona) que gera ondas eletromagnéticas. A corona pode se manifestar
por meio de um ruı́do audı́vel, que ocorre em função dos máximos
gradientes de potencial na superfı́cie dos condutores.
O aumento das transmissões de rádio e TV levaram à ocorrência de
problemas ligados à interferência eletromagnética.
Essas ondas alteram a recepção do rádio e da TV, o que inclusive, já
resultou em protestos públicos e na oposição à construção de linhas
próximas às cidades.

21 / 33
O Efeito Corona II

A descarga corona gera pulsos de corrente de curta duração (alguns


microssegundos), podendo a faixa de frequência de repetição estar na
dos MHz.
Os condutores sob efeito corona produzem ozônio em seus arre-
dores. Também pode surgir corona em outros componentes das linhas,
como nas ferragens e nos isoladores, mas a intensidade dos ruı́dos ge-
rados é bem inferior à dos provenientes dos condutores.
Vale dizer que ferragens defeituosas e pinos mal ajustados podem
gerar pulsos eletromagnéticos que interferem na faixa de frequência
modulada (FM).

22 / 33
O Efeito Corona III

Para evitar o indesejável efeito corona, o campo elétrico superficial


do condutor deve ser menor do que o campo elétrico crı́tico da corona
(E ). Sendo este dado em kVpico /cm por meio da fórmula de Peek na
Equação 4:  
0, 3
E = 30 · m · δ · 1 + √ (4)
δr
em que m é o fator de rugosidade do condutor (adimensional), δ é
a densidade relativa do ar (1,2928 kg/m3 a 0o C e ao nı́vel do mar,
ou seja 1 atm), e r é o raio do condutor (cm). Para um condutor
perfeitamente cilı́ndrico, temos que m = 1 (de modo geral, adota-se
0,75 ≤ m ≤ 0,85 para uma representação mais realista, no caso de
uma linha de transmissão).

23 / 33
O Efeito Corona IV

Economicamente, não é possı́vel ainda se projetar uma linha de


transmissão aérea com tensões acima de 100 kV que não gere
radiointerferência. Existem, por outro lado, critérios de atenção que
resultam em nı́veis aceitáveis de perturbação para essas linhas.
As ondas de sobretensões propagadas ao longo da linha de trans-
missão são afetadas pelo efeito corona, fruto de descargas atmosféricas,
devendo-se ter, portanto, uma atenção especial ao estudo da proteção
do sistema.
O efeito corona é acompanhado por quatro caracterı́sticas: ruı́do
sonoro, produção de ozônio, perda de energia e interferência.
A formação do corona se dá em virtude de sempre haver alguma io-
nização do ar por causa dos raios cósmicos da radiação ultravioleta e
da radioatividade.

24 / 33
O Efeito Corona V

Em condições normais, o ar ao redor de um condutor sempre contém


partı́culas ionizadas e moléculas neutras. A descarga elétrica no ar
é geralmente iniciada por um campo elétrico que acelera os elétrons
livres já presentes. Essa descargas acontecem durante ambos os ciclos
(positivo e negativo) da tensão de operação da linha, porém aquelas
que acontecem durante os ciclos positivos são as que irradiam ruı́dos
capazes de interferir na frequência de recepção das transmissões em
AM (amplitude modulada), especialmente nas faixas de ondas médias.
Em uma linha de transmissão, as descargas corona podem acontecer
quando a diferença de potencial entre uma das fases e o solo ultrapassa
determinado valor crı́tico de ruptura. O valor desta tensão de ruptura
depende de uma gama de fatores, como a pressão atmosférica, a quan-
tidade de vapor d’água no ar e o tipo de tensão em questão (CA ou
CC).

25 / 33
O Efeito Corona VI

Proveniente do campo elétrico da linha de transmissão, a energia li-


berada pela corona representa uma perda, estas perdas levam a con-
sequências econômicas e são assunto de pesquisa já há mais de 50
anos. Só mais recentemente é que as pesquisas relacionadas a elas
avançaram significativamente.
As perdas que acontecem nas linhas de transmissão estão relacionadas
com as condições meteorológicas do local, mas também com a geome-
tria dos condutores com as tensões de operação e com os gradientes de
potencial nas superfı́cies desses condutores. As perdas por efeito corona
em linhas com tensões extra elevadas podem variar de alguns kW/km
até algumas centenas de kW/km sob condições climáticas adversas.

26 / 33
O Efeito Corona VII

Perdas medianas são verificadas apenas como parte das perdas por
efeito térmico (joule), mas há as que podem ter influência relevante
na demanda do sistema. Em condições de chuva, as perdas dependem
não apenas do ı́ndice de precipitação, mas também da quantidade de
gostas d’água que conseguem aderir à superfı́cie dos condutores. Essa
quantidade é maior nos condutores novos do que nos usados, já que as
gotas conseguem aderir mais facilmente neles.
O efeito corona é afetado pelo estado fı́sico da atmosfera, assim como
pelas condições climáticas, podendo então, acontecer durante os surtos
de sobretensões, durante a ocorrência de descargas atmosféricas ou de
operações de manobras e chaveamentos. O efeito indesejável da corona
também pode ocorrer em transformadores, motores elétricos, capacito-
res e geradores, prejudicando o isolamento interno destes dispositivos
e levando-os a falhas.

27 / 33
O Efeito Corona VIII

Sistemas de alta-tensão geram campos eletromagnéticos de baixa frequênc


(60 Hz) e de alta (na faixa dos MHz), devido, principalmente, ao efeito
corona presente nos cabos e equipamentos das linhas de transmissão.
Na prática, isso resulta em problemas de dois tipos: segurança pessoal
e interferência em equipamentos eletrônicos.
O ruı́do da linha de transmissão pode ser transmitido por três meios:
condução, indução ou radiação. Na indução, a interferência se dá
quando a linha de transmissão está suficientemente próxima do receptor
ou mesmo de outra linha de transmissão. A condução e a indução são,
geralmente, responsáveis pelas interferências de baixa frequência, já
que a intensidade da corrente elétrica conduzida rapidamente diminui
com a frequência.

28 / 33
O Efeito Corona IX

Há dois tipos de ruı́dos de linhas de transmissão: o intervalo de centelha


em isoladores e a descarga de corona. Os ruı́dos causados por falhas
em isoladores são os responsáveis pela maioria das interferências de
linhas de transmissão.
O centelhamento (faı́sca) acontece quando uma diferença de potencial
é gerada entre dois condutores, o que ioniza o ar, diminuindo sua re-
sistência. Desse modo, a corrente flui pelo meio do ar ionizado, cuja
resistência varia e provoca alterações na corrente que podem ser in-
duzidas e propagadas nas linhas de transmissão. As ondas resultantes
contêm energia harmônica suficientemente forte, podendo causar in-
terferência até mesmo na região de frequência muito alta (VHF).

29 / 33
O Efeito Corona X

Diferente do efeito corona, o ruı́do de centelhamento pode, inclusive,


desaparecer durante a chuva, já que a precipitação causa um curto-
circuito nos intervalos entre os isoladores e nas peças usadas na estru-
tura de sustentação dos cabos que estão alocados no poste. O ruı́do de
centelhamento e o da corona se apresentam com um zumbido sonoro.
Na década de 1960, o campo elétrico ao redor de uma linha de alta-
tensão se tornou assunto de preocupações públicas, o mesmo ocorrendo
na década seguinte com relação ao campo magnético de uma linha de
transmissão. Na época, vários artigos de jornais comentavam sobre os
efeitos nocivos à saúde causados pelos campos magnéticos, o que levou
a intensas pesquisas sobre o assunto por todo o mundo.

30 / 33
O Efeito Corona XI

A preocupação principal era a de que a exposição aos campos magnéticos


causaria câncer, na maioria das vezes, leucemia. O governo dos Es-
tados Unidos relatou que não havia nenhuma evidência de que um
campo magnético moderado de 60 Hz causaria câncer. No entanto,
essa opinião não foi compartilhada por todos.
O primeiro estudo que liga a ocorrência de leucemia na infância aos
campos magnéticos gerados por correntes elétricas foi publicado em
1979 por Wertheimer e Leeper [3]. Esse estudo foi rejeitado por causa
de algumas inconsistências, voltando a ser analisado em 1988 por Savitz
e outros [4].

31 / 33
O Efeito Corona XII
Questões para fixação
1 Explique em detalhes o efeito corona.
2 Por que esse efeito é indesejável?
3 Quais fatores influenciam as perdas por efeito corona?

32 / 33
Referências I

Milton Oliveira Pinto. Energia elétrica: geração, transmissão e


sistemas interligados. LTC, Rio de Janeiro, 2014.
Ned Mohan. Sistemas Elétricos de Potência: curso introdutório.
LTC, Rio de Janeiro, 2016.
Wertheimer, Nancy e Leeper, ED. Electrical wiring configurations and
childhood cancer. American Journal of Epidemiology. Oxford
University Press, 1979.
Savitz, David A et al. Case-control study of childhood cancer and
exposure to 60-Hz magnetic fields. American Journal of
Epidemiology. Oxford University Press, 1988.

33 / 33