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ROTEIRO PARA TELESSAÚDE

INVESTIGAÇÃO DE ÓBITOS RELACIONADOS AO TRABALHO NO RIO GRANDE DO SUL

700 mil acidentes/ano e 2,7 mil mortes/ano são os números oficiais de acidentes de trabalho no
Brasil, colocando o país no 4º lugar no ranking mundial da Organização Internacional do Trabalho
(OIT).

No RS, há registro de aproximadamente 44 mil acidentes e 150 mortes/ano em decorrência do


trabalho, porém a estimativa é de que ocorram cerca de 4 mil óbitos anuais relacionados a trabalho

Apesar de significativos, esses números não representam a realidade. Como indicadores de


subnotificação, pode-se utilizar:
- numa comparação entre a proporção de óbitos de trabalho e de óbitos de trânsito identificadas no
mundo e no Brasil, verifica-se uma inversão das prevalências (conforme gráfico abaixo)

- quanto à proporção de mortes por doença nos casos de óbitos relacionados ao trabalho, verifica-se
que, no Brasil, ao contrário das estimativas mundiais, os registros de óbitos por doença são raros (vide
gráficos); assim, óbitos por doenças tipicamente associadas a morte no trabalho não compõem
estatísticas oficiais.

A maioria dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho é previsível e prevenível e, ao contrário de


constituir obra do acaso, como sugere a palavra “acidente”, são fenômenos socialmente determinados,
relacionados a fatores de risco presentes nos sistemas de produção.
Os óbitos de trabalhadores – expressão de maior gravidade do acidente de trabalho – são indicadores
de condições de risco no trabalho que precisam ser eliminadas, além de causarem impacto social na
família e na comunidade e impacto financeiro em toda a sociedade. Por isso, são considerados um
problema de saúde pública e objeto de atuação da Vigilância em Saúde.

Entende-se por Vigilância em Saúde o processo contínuo e sistemático de coleta, consolidação,


análise de dados e disseminação de informações sobre eventos relacionados à saúde, visando o
planejamento e a implementação de medidas de saúde pública, incluindo a regulação, intervenção e
atuação em condicionantes e determinantes da saúde, para a proteção e promoção da saúde da
população, prevenção e controle de riscos, agravos e doenças.
A Vigilância em Saúde do Trabalhador compreende uma atuação contínua e sistemática, ao longo do
tempo, no sentido de detectar, conhecer, pesquisar e analisar os fatores determinantes e
condicionantes dos agravos à saúde relacionados aos processos e ambientes de trabalho, em seus
aspectos tecnológico, social, organizacional e epidemiológico, com a finalidade de planejar, executar e
avaliar intervenções sobre esses aspectos, de forma a eliminá-los ou controlá-los.

A investigação de cada óbito impõe-se a fim de que se corrijam as condições que os ocasionaram e
seja evitado ocorrência de novos casos. A urgência da investigação vai depender da magnitude dos
riscos envolvidos. Um acidente sempre deve ser investigado o mais breve possível, pois a motivação e
a memória de fatos recentes são fatores que ajudam no desenvolvimento da análise.

De acordo com o Protocolo Estadual de …, deve-se realizar análise sistemática dos registros no
Sistema de Informações em Saúde do Trabalhador (SIST), no Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (SINAN) e no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), determinando a
investigação e intervenção nos fatores que causaram o evento.

O óbito relacionado ao trabalho frequentemente extrapola limites territoriais, envolvendo diversos


municípios, requerendo, para sua investigação, a cooperação técnica entre os municípios do local
de ocorrência do acidente, de residência do(a) trabalhador(a), do local de trabalho, do local de
atendimento prestado (urgência/emergência, Instituto Médico Legal - IML, etc) e/ou outros.

A responsabilidade da investigação cabe ao município onde ocorreu o acidente, pois é onde estão os
riscos que determinaram o acidente.

A investigação de todos os óbitos deverá ser finalizada no prazo de 90 dias a partir da data do óbito.

EXPLICAR O PASSO A PASSO DA INVESTIGAÇÃO, CONFORME FLUXOGRAMA

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