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A CULTURA DO SENADO – SÉCULO I a.C.

A
III d.C. ARTE ROMANA
ROMA
Diz a lenda que Roma foi fundada em 753 a.C. Na sua evolução política
Roma passou da Monarquia à Republica e desta ao Império.

A partir do século III d.C., a decadência começou e Roma foi conquistada


pelos povos bárbaros.

O latim, a língua de origem sofreu influências do etrusco, gaulês,


cartaginês e grego – os primeiros documentos escritos em latim são do
início do século V a.C.. A língua teve o ponto mais alto no tempo de
Cícero no século I a.C. A língua foi se espalhando em zonas periféricas,
dando lugar ao latim do limes – que deu origem aos falares medievais da
Europa ocidental.

OCTÁVIO CESAR AUGUSTO


Foi o primeiro Imperador Romano, através da sua virtude clemência e
piedade. Com o poder absoluto, Octávio estendeu a sua ação no aspeto:

➢ Militar – Conquistou territórios e estabeleceu a paz romana (pela força


das armas), era o supremo comando militar;

➢ Político – Reformou o aparelho administrativo e reduziu os poderes do


Senado. Reforçou a sua autoridade com o Conselho Imperial e a Guarda
Pretoriana;

➢ Social – Reorganizou a sociedade segundo o sistema censitário (este


imposto estava relacionado com os bens imobiliários dos cidadãos) o que
permitiu a paz social;

➢ Cultural – Desenvolveu as artes e letras (protegendo artistas e sábios)


e patrocinou obras públicas (deu início ao conceito de mecenato);

➢ Religioso – Vinculou o culto ao imperador com a religião tradicional.

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A paz romana /”Paz de Augusto”, as reformas administrativas, o
desenvolvimento económico, social, cultural e urbanístico de Roma,
contribuíram para que o Senado (depois da sua morte) o divinizasse.
Hoje o seu tempo de vida é conhecido como o século de Augusto.

O SENADO
O Senado foi o maior e o único órgão permanente da estrutura política do
povo Romano desde a Monarquia até ao fim do Império. Era constituído
por ex-magistrados e tinha funções:

• Ordinárias – política externa, decisões de guerra e de paz, gestão


das festas, administração das finanças e decisões relativas à ordem
pública;
• Extraordinárias – suspender tribunais, intervir no governo das
províncias, na gestão do exército, etc.

O Senado tinha reuniões na Cúria onde aprendiam a arte de falar


(retórica) que era fundamental para o sucesso dos oradores, para discutir
propostas e conquistar votos. Assim o Senado era o palco da vida
política durante a República.

Durante o Império, o Senado foi reduzido de 900 a 300 senadores e as


suas funções passaram a ter apenas legislativo e deliberativo.

ALEI
No tempo da República, a Lei Romana, um dos elementos de
romanização, resultou na compilação das leis surgidas ao longo da
História de Roma e caracteriza-se pela sua racionalidade, pragmatismo e
abrangência.

A estas juntaram-se as leis dos imperadores que também controlavam o


poder judicial.

O INCÊNDIO DE ROMA EM 64
Durou mais de 7 dias e devastou palácios imperiais, templos, basílicas,
zonas residenciais ricas e pobres.

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Este incêndio aconteceu durante o governo de Nero, e parte da
população pereceu. Depois do incêndio Nero ajudou o povo e reconstruiu
a cidade segundo planos urbanísticos modernos e sumptuosos. No
entanto sempre culpabilizou os cristãos pelo incêndio e perseguiu-os e
martirizou-os.

O ÓCIO
A ideia de ócio foi uma herança dos Gregos. Nos lares adotaram-se
hábitos de luxo, interesse pela filosofia, pela música e pelas artes. O ócio
era a ocupação de templos livres com festas e banquetes – a paz, e
prosperidade económica contribuiu para isto.
Durante o Império popularizou-se divertimentos públicos como os jogos
(corridas de cavalos); as representações teatrais (influências das
tragédias e comédias gregas) e os combates nos anfiteatros (com feras e
gladiadores) – o sacrifício humano era entendido como uma oferta aos
deuses.

ETAPAS DA ARTE ROMANA

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ARQUITETURA ROMANA
A arquitetura romana caracteriza-se pela utilidade, força, grandeza,
solidez e poder e foi feita para a glória de homens e do Império (assim
como a escultura, pintura e mosaico).

A arquitetura romana parte de tradições ítalo-etruscas (com sentido


funcional como pontes, esgotos, estradas) e de conhecimentos greco-
helenísticos (no uso decorativo das ordens arquitetónicas). Apresenta
soluções criativas como:

• A variedade e plasticidade dos materiais – opus caementicium


semelhante ao cimento atual (inovador);
• Uso de sistemas construtivos baseados no arco;
• Desenvolvimento técnico e instrumental – técnicas de
terraplanagem, grampos de metal para reforçar as dos blocos
construtivos (a genialidade e o sentido prático fizeram da sua
arquitetura a arte mais perfeita da antiguidade);
• Gosto pela decoração exagerada – utiliza as ordens gregas dórica e
jónica e acrescente as ordens toscana e compósita.

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A Arquitetura Religiosa
➢ Templos – planta retangular construído sobre um pódio, único acesso
frontal, colunas e entablamento apenas com função decorativa.

Panteão (Império)

Templo de Fortuna Virilis (República)

➢ Ara ou Altar – pequena construção com uma mesa para os sacríficios.

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➢ Santuário – construção em anfiteatro, com templos, alojamentos para
sacerdotes, lojas e outros equipamentos.

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A Arquitetura Pública
Do período Republicano encontramos as estradas, pontes e aquedutos.

Do período Imperial encontramos a basílica, de planta retangular,


dividida em três ou cinco naves, cobertas por abóbadas de aresta e de
berço, com fachadas ornamentadas. As basílicas tinham muitas funções
como as de tribunal, cúria e faziam parte de mercados e palácios. Mais
tarde os bispos cristãos tornaram-nas nas primeiras igrejas.

Arquitetura de lazer pública:

• Fórum – praça pública central da cidade que reflete o desejo de


poder e grandeza dos imperadores;
• Teatros – Semelhantes aos gregos com a decoração exterior igual
às basílicas;
• Estádios-hipódromos – arena retangular com duas pistas e uma
divisória central;
• Termas/ Balneários Públicos – planta simétrica, com piscinas
interiores com água quente, tépida ou frias, ou espaços ao ar livre:
ginásios, estádios, bibliotecas etc. Eram ricamente decoradas
internamente com mosaicos→símbolo de poder político;
• Anfiteatro – construções de lazer onde se realizavam os jogos
circenses. Eram semelhantes aos teatros numa planta circular ou
elíptica. Exemplo: Anfiteatro de Fávio/ Coliseu de Roma (séc.I). Este
monumento:

• Tem 4 metros de altura


Interior com túneis, galerias e corredores que permitiam a
evacuação do edifício;
• Fachada decorada com colunas das três ordens gregas: dórica,
jónica e coríntia;
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• Exterior revestido com diversos tipos de opus e placas de mármore
unidas por grampos de metal;
• Era inovador → consistência no edifício devido às características
antissísmicas.

A Arquitetura Comemorativa
Fazem parte os arcos de triunfo (construídos nas portas das cidades ou
fóruns) e colunas triunfais que serviam para evidenciar as vitórias
políticas e militares.

A Arquitetura Privada

Salientam-se:

• Domus – casa de família, construção baixa em torno de um ou dois


pátios interiores (átrio e peristilo). Decorada com mármores,
mosaicos e frescos nas paredes e chão;

• Villae – localizadas em zonas rurais, com áreas ajardinadas. Os


imperados possuíam as mais belas e grandiosas;

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• Insulae – prédios urbanos que alojavam famílias pobres, de 4 a 7
andares com o rés de chão para atividades comerciais. Feitos em tijolo,
madeira e taipa, sem água nem esgotos.

O Urbanismo
O urbanismo foi a materialização do Império e deu resposta às
necessidades:
• Políticas – passagem de cortejos triunfais;
• Militares – movimentação de tropas;
• Económicas – abastecimento da cidade;

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Planta de cidades reconstruídas em rede octogonal em torno do fórum,
seguido por ruas paralelas e perpendiculares onde estavam casas,
teatros, termas e outras construções. Roma foi acumulando fóruns
porque era uma cidade antiga e todos os imperados queriam deixar
construções com o seu nome.

ESCULTURA ROMANA
A escultura romana é caracterizada pelo realismo extremo e pela técnica
perfeita. Dá maior importância ao retrato de caráter realista (são
evidenciados defeitos e marcas do tempo da pessoa) e baixo relevo
narrativo ou histórico.
Tinha funções políticas e propagandísticas. Com a decadência do
Império o retrato tornou-se mais simplificado.

O relevo era subordinado à arquitetura, com narrativas históricas,


decorando altares, arcos de triunfo, colunas, etc. Quer o relevo quer a
estatuária eram pintados, como na Grécia. Exemplo: (Ara Pacis - Altar) e
A Coluna de Trajano:

• 200 metros de relevos em espiral com narrativa histórica;


• 2500 figurantes, onde é destacado o Imperador, no topo;
• Função comemorativa da estabilidade e grandeza do Império.

PINTURA ROMANA

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A pintura romana tem influências orientais, egípcias e gregas – com
sentido prático, documental e realismo. A pintura mural era feita a
“fresco”, mas haviam também painéis de madeira pintados. A
temática era:

➢ Pintura triunfal – retratava cenas históricas;

➢ Temas mitológicos – com mistérios e vida de deuses;

➢ Paisagens de caráter bucólico;

➢ Naturezas-mortas;

➢ Cenas do quotidiano com muitos pormenores;

➢ Retratos

Exemplo: Os Frescos de Pompeia (ano 79). Tinham uma perspetiva


linear e aérea, revelando o gosto pela luz e imaginação decorativa.

• 1º Estilo (Estilo Estrutural)→paredes organizadas em três zonas


horizontais, com painéis pintados de uma só cor, imitando lajes de
mármore;

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• 2º Estilo (Estilo Arquitetónico)→Três zonas horizontais pintadas em
falsas perspetivas com paisagens e cenas mitológicas, com cores
contrastantes;

• 3o Estilo (Estilo Ornamental)→ Painéis de fundos lisos onde são


pintadas cenas que parecem pequenos quadros, impressões da
realidade;

• 4o Estilo (Estilo Cenográfico/Ilusório)→Painéis de fundo vermelho


com cenas detalhadas, rodeadas de grinaldas, animais fantásticos,
máscaras, etc.

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MOSAICO ROMANO
A origem está ligada ao Oriente. Utilizavam materiais como o vidro,
mármore e outras pedras em forma de pequenos cubos, cobrindo chãos,
paredes (interiores e exteriores) e tetos. Desenhos muito coloridos
imitando a pintura e com as mesmas temáticas.

Os Romanos divulgaram o uso do mosaico por todo o Império.

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