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Dengue na Pediatria

PEDIATRIA UEA

encurtador.com.br/vxBV5

Ingrid Ribeiro da Silva Sousa – Residente de


Pediatria da UEA
PEDIATRIA UEA
Definição

•Doença febril grave causada por um arbovírus (vírus transmitidos por


picadas de insetos, especialmente os mosquitos). O transmissor
(vetor) da dengue é o mosquito Aedes aegypti (Ministério da Saúde)
encurtador.com.br/biz02

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Epidemiologia

• Brasil, 2019
•Casos de dengue: 1.544.987 (aumento de 488% em relação a 2018)
•Óbitos: 782
•Estado com maior número de casos: SP

•Amazonas

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Ciclo de transmissão

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Apresentação clínica

Dengue

Sintomática Assintomática

Febril Crítica Recuperação

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Apresentação clínica

• Febre (duração de dois a sete dias, geralmente


alta), cefaleia, adinamia, mialgias, artralgia, dor
Febril retroorbitária, exantema (50%)

• Defervescência da febre (entre o terceiro e o


sétimo dia do início da doença), acompanhada
Crítica do surgimento dos sinais de alarme

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Apresentação clínica

Sinais de alarme
- Dor abdominal intensa (referida ou à palpação) e contínua.
- Vômitos persistentes.
- Acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame
pericárdico).
- Hipotensão postural e/ou lipotimia.
- Hepatomegalia maior do que 2 cm abaixo do rebordo costal.
- Sangramento de mucosa.
- Letargia e/ou irritabilidade.
- Aumento progressivo do hematócrito

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Apresentação clínica

Choque

Hemorragias graves (HDA)

Disfunção orgânica (Encefalite, hepatite, miocardite,


insuficiência renal*)

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Classificação de caso

Suspeito Suspeito com Suspeito de Confirmado Descartado


• Área de sinais de dengue grave • Laboratorio • > 1 critério
transmissão de alarme • > 1 sinal de • IgM negativo,
dengue gravidade outro
• Defeverscência
• Febre + 2 da febre diagnóstico
sintomas laboratorial,
• >1 sinal de investigação
alarme compatível com
outra doença

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Prova do laço

encurtador.com.br/alq16

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Diagnóstico

• Anamnese + exame físico + laboratório

Sorologia NS1

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Tratamento

Grupo A

Grupo B

Grupo C

Grupo D

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Grupo A

• Ambulatório
•Sintomáticos (Não usar AINEs e AAS)
• Repouso, hidratação oral
• Reavaliar na defervescência da febre
•Notificar

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Grupo B

• Em leito de observação até resultado de


exames
•Exames complementares
(hemoconcentração)
• Hidratação oral (A) e sintomáticos
• Se hematócrito normal: alta e reavaliar em até
48h
• Se sinais de alarme: grupo C

• Notificar

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Grupo C

• Leito de internação
• Expansão volêmica com reavaliação
contínua em 1h (DU)
• Repetir até 3 vezes

•Exames de laboratório e de imagem


(sorologia/NS1)
•Notificar
•Sem melhora: grupo D

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Grupo D

• Leito de UTI
• Expansão volêmica com reavaliação
contínua em 15 – 30 minutos
• Avaliar complicações e realizar tratamento
direcionado às condições clínicas

•Exames de laboratório e de imagem


(sorologia/NS1)
•Notificar

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Critérios de alta hospitalar

• Estabilização hemodinâmica durante 48


horas.
• Ausência de febre por 48 horas.
• Melhora visível do quadro clínico.
• Hematócrito normal e estável por 24
horas.
• Plaquetas em elevação e acima de
50.000/mm

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Caso Clínico

•Paciente C.D.B, 10 anos, 30 Kg, sexo masculino, procedente de Rio


Preto da Eva, encaminhado Pronto socorro devido há 5 dias evoluir
com febre (38°c), em uso de ibuprofeno, além de cefaleia, mal estar,
adinamia, diarreia (3 evacuações líquidas sem muco ou sangue) e há 1
dia com manchas vermelhas pelo corpo, segundo relato da mãe. A
mesma relata que tem dado muita água de coco para o filho. Nega dor
abdominal, sangramento cutâneo – mucoso, síncope. Diurese
preservada
•HEpidemiológica: Morador de um ramal na AM010, onde os pais
possuem um sítio que criam pescado. Mãe relata que C.D.B já pegou
malária 3 vezes e que na vizinhança há 5 casos de dengue conhecidos

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Caso Clínico

•HPP: Nega transfusões sanguíneas e alergias medicamentosas.


Internação prévia devido pneumonia aos 4 anos de idade
•História Perinatal: Pré – Natal: 3 consultas. Sorologias da gestação:
sem alterações. ITU na gestação. Parto vaginal, a termo, 39 semanas,
peso ao : 3500g, comprimento ao nascer: 45 cm, PC: 40 cm.
• Testes de triagem neonatal: sem alterações
•HFam: Mãe é costureira, com ensino médio incompleto. Pai é
agricultor com ensino médio completo. Genitores hipertensos e
diabéticos. Irmãos hígidos

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Caso Clínico
• Somatoscopia: REG, ativo e reativo, comunicativo, AAA, hipocorado (2+/4+), hidratado,
eupneico em ar ambiente
• C/P: Ausência de adenomegalia palpável em cadeias cervicais, occipitais, retro-orbitárias,
supra claviculares
• Rinoscopia anterior: Palidez de mucosa nasal com hipertrofia de cornetos
• Oroscopia: amigdalas grau I de Brodsky.
• Inspeção tórax: Tórax simétrico. Expansibilidade preservada. Percussão: som claro
pulmonar
• AR: MVF s/ RA. FR: 24 irpm. SatO2: 99% em ar ambiente
• AC: RCR 2T BNF S/ RA
• ABD: Plano, flácido, RHA presentes, indolor a palpação superficial e profunda, s/ VMG,
traube livre
• Extremidades: Sem edema de MMII. TEC<3s. Pulsos radial e carotídeo cheios, simétricos
• Pele e fâneros: exantema máculo-papular em região de tronco, antebraços e pernas, não
pruriginoso

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Caso Clínico

1.Mediante o caso exposto, baseado na sua principal suspeita clínica, qual


(is) seria (m) sua (s) orientação (ões) para a mãe do paciente?
• Suspender o ibuprofeno, orientar que continue ofertando bastante líquido para a criança, além da hidratação oral, orientar
quanto as medidas de combate aos criadouros do mosquito.

2. Essa criança tem indicação de internação?


• Não

3. Quais são os critérios de internação/sinais de alarme?


• Dor abdominal intensa (referida ou à palpação) e contínua, Vômitos persistentes, Acúmulo de líquidos (ascite, derrame
pleural, derrame pericárdico), Hipotensão postural e/ou lipotimia, Hepatomegalia maior do que 2 cm abaixo do rebordo
costal, Sangramento de mucosa, Letargia e/ou irritabilidade, Aumento progressivo do hematócrito

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Caso Clínico

4.Exemplo da receita de alta


• Uso Oral
• Soro de reidratação oral--------------------03 saches (80 ml/Kg/dia = 80 x 30 = 2400 ml/dia)
• Diluir 1 sache em 1L de água e dar 200 ml (1 copo de extrato de tomate) de 6/6h (1/3 do volume total:800 ml de
2400ml – 80ml/Kg/dia)
• Dar mais 8 copos de 200ml por dia com água, suco ou água de coco
• Dipirona ou paracetamol gotas-----------01frasco
• Dar 30 gotas de 6/6h se dor ou febre
• Não dar ibuprofeno ou AAS
• Procurar o médico após melhora da febre
• Ficar em repouso em casa
• Voltar ao pronto socorro se apresentar:: dor na barriga muito forte e que não melhora, vômitos que não melhoram, desmaio,
sangramento (boca, nariz), está irritado

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Pontos importantes

•Dengue em tempos de COVID19

•Sinais de alerta

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Referências Bibliográficas
• Fundação de Vigilância em ´Saúde do Amazonas. Boletim Epidemiológico de Arboviroses. Ano 2020, n°02 de 4
de Março de 2020. Disponível em:
http://www.fvs.am.gov.br/media/publicacao/boletim_arboviroses_02_1603.pdf. Acesso em 09 de Agosto de
2020.
• G1. Brasil teve aumento de 488% nos casos de dengue em 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/ciencia-
e-saude/noticia/2020/01/13/brasil-teve-aumento-de-488percent-nos-casos-de-dengue-em-2019.ghtml.
Acesso em 09 de Agosto de 2020
• Instituto Oswaldo Cruz. Dengue: Vírus e Vetor. Disponível em:
http://www.ioc.fiocruz.br/dengue/textos/sobreovirus.html#:~:text=O%20ciclo%20de%20transmiss%C3%A3o
%20da,capaz%20de%20transmitir%20enquanto%20viver. Acesso em 09 de Agosto de 2020
• MINISTÉRIO DA SAÚDE. Dengue. Diagnostico e manejo clínico: adulto e criança. Disponível em:
https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2016/janeiro/14/dengue-manejo-adulto-crianca-5d.pdf.
Acesso em 01 de Agosto de 2020
• OPAS Brasil. Casos de dengue nas Américas chegam a 1,6 milhão, o que destaca a necessidade do controle de
mosquitos durante a pandemia. Disponível em:
https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6205:casos-de-dengue-nas-
americas-chegam-a-1-6-milhao-o-que-destaca-a-necessidade-do-controle-de-mosquitos-durante-a-
pandemia&Itemid=812. Acesso em 31 de julho de 2020.

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