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Modelo de texto de justificativa

Título do projeto: A Nova Funcionária

"A Nova Funcionária" é um drama estruturado a partir do ponto de vista de Juliana, uma
jovem negra, de classe média, vivendo seu primeiro dia de trabalho em uma grande empresa
de construção civil. Aquela, sem dúvida, é uma grande oportunidade para Juliana, e tudo
acontece naturalmente até que ela se vê vítima de uma situação de assédio sexual cometida
por um de seus chefes. A questão é que aquela não é a primeira vez que Juliana é assediada,
há um trauma de infância que a assombra e a atormenta e, após esse terrível incidente, o
trauma de Juliana ressurge ainda mais forte e destrutivo, levantando questões sobre
impunidade e culpa que a levarão a tomar uma importante decisão. Ela se calará ou
denunciará?

Não seria exagero afirmar que nunca se falou tanto sobre machismo, assédio sexual e
feminicídio quanto nos dias de hoje, seja na imprensa ou nas redes sociais. A verdade é que
acontecimentos recentes aliados a expansão do movimento feminista impulsionaram a
sociedade de maneira geral a se mobilizar e discutir esse assunto tão sério e tão presente no
cotidiano das mulheres. Contudo, uma matéria no jornal A Folha, de agosto desse ano, revela
que a crise econômica e o desemprego frearam as denúncias de assédio sexual no ambiente
de trabalho que vinham crescendo desde 2012, o que nos leva a concluir que as vítimas
passaram a se calar para proteger seus empregos e não que os assédios cessaram,
infelizmente.

Durante o processo de pesquisa para a realização desse projeto foram colhidos relatos que vão
desde comentários e brincadeiras desagradáveis e degradantes até o abuso físico em si. É
simplesmente chocante. Promover o diálogo e a reflexão acerca desse tema é fundamental,
pois só o diálogo e a reflexão podem despertar uma mudança na mentalidade e no
comportamento machista tão enraizado em nossa sociedade. Nossa contribuição social acerca
desse tema é esse filme, no qual pretendemos transmitir uma ideia muito simples de respeito
e empatia.

É importante apontar que o racismo também é um assunto que o filme irá abordar, não é por
acaso que a personagem de Juliana é uma mulher negra, uma vez que as mulheres negras
estão historicamente associadas a figuras “exóticas” e mais fortemente relacionadas a uma
ideia de hipersexualização e objetificação. Em seu livro “O negro brasileiro e o cinema”, de
1988, o autor João Carlos Rodrigues destaca alguns estereótipos comumente associados aos
personagens negros e, no que diz respeito as mulheres, é fácil observar como as mesmas estão
quase sempre relacionadas a uma conotação sexual exacerbada. Infelizmente, de 1988 para
cá, parece não ter mudado muita coisa. A mídia em geral ainda costuma retratar a mulher
negra dentro do estereótipo da “negra sensual”, podendo ser ainda acrescido ou não (isso
varia) ao estereótipo de empregos subalternos, como a empregada doméstica ou a a
cozinheira.

"No mundo ideal, nós nem precisaríamos fazer um filme como esse". Essa é a primeira
conclusão da nossa reunião sobre esse projeto, da qual participam a diretora e montadora
(Tamiris Tertuliano), a produtora (Daiane Martins), a diretora de fotografia (Hellen Braga), a
diretora de arte e figurinista (Amandha Levandowski), a técnica de som direto (Carmem
Agulham).
Vale lembrar que também nunca se falou tanto sobre a questão da representatividade e o
papel da mulher no cinema, seja por trás das câmeras ou em frente, portanto, não seria nada
mais do que apropriado destacar que este filme também possui uma equipe técnica e artística
predominantemente feminina, que encontrou no audiovisual uma oportunidade para ter voz e
se fazer ouvir sobre de um assunto que as aflige e as pertence.

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