Você está na página 1de 8

A Paulistânia e as variações da Viola Caipira tradicional

Pra resumir bem: a viola caipira primitiva, é baseada nas violas portuguesas, e que nos chega primeiramente através
dos jesuítas católicos já nos primeiros tempos de fixação da colonização em São Paulo, na intenção de catequizar os
indígenas da região dos Campos de Piratininga(São Paulo e arredores). E nesse processo de catequização dos
indígenas paulistas, é aproveitado algumas de suas danças e rítmicas ao som das violas, originando os ritmos e danças
de cateretê, cururu e Santa Cruz.
Com o tempo, os bandeirantes que viviam nesse meio, passaram a construir suas próprias violas, tornando-a um
instrumento popular.
A princípio: uma viola simples, entre 12 ou 10 cordas naquele tempo. Sem tantos floreios, podendo ser chamada na
época de "viola de pinho", viola de caboclo, cítara e etc.

Foram estes bandeirantes os primeiros disseminadores da Viola Caipira fora dos Campos de Piratininga, e o
bandeirante é antes de mais nada um caipira em sua forma primitiva. Estes paulistas na procura de ouro e pedras
preciosas, fundaram e instalaram povoados, roças, arraiais e campos pastoris no Interior de São Paulo, Paraná, Minas
Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul(territórios de São Paulo até pelo menos 1719 até então).
E apesar de desmembrados pela Coroa Portuguesa, aqueles paulistas e as suas tradições permaneceram nessas
regiões, e ainda é tradição até os dias atuais. São as chamadas "regiões de cultura caipira", ou "paulistânia" segundo
historiadores e sociólogos como Alfredo Ellis Júnior e Antônio Cândido.

Com a descoberta das minas, surge o tropeiro, que era uma espécie de "bandeirante mercantil", um transportador de
mulas e também de cargas. Ele é um dos tipos paulistânicos mais presentes na história do Brasil e extremamente
importante para a configuração da cultura caipira. E é o tropeiro um dos maiores responsáveis pela popularização da
Viola Caipira.
Dando continuidade a tradição dos bandeirantes, os tropeiros popularizaram as modas de viola, os fandangos, os
catiras e os cururus por onde passavam, principalmente no Interior de São Paulo, Minas Gerais e Região Sul, levando
consigo esta Viola.

1) A Viola Caipira Popular:


Esta viola de desenho simples e porte médio, é a mais comumente associada as violas clássicas e modernas que
conhecemos hoje, é nela que a maioria dos luthiers, as violas genéricas e construtores artesãos de todo o mundo
caipira se baseiam.
É baseada na tradicional Viola Paulista de cravelhas, rústica e sem quase nenhum floreio, eram comuns em todos os
territórios de cultura caipira. E eram feitas daquilo que estavam ao alcance do caipira, podendo variar os tipos de
madeira s utilizadas, dependendo da região em que se encontrava. É também um dos mais antigos formatos,
carregando muito da essência bandeirista.

2) A Viola Paulista:
A Viola Paulista é o mesmo modelo da "Viola Popular" com o diferencial de ser semelhante a portuguesa
"amarantina" (com corações no meio do corpo), é um dos modelos tradicionais de violas paulistas, e é utilizada
principalmente em procissões católicas de São Paulo, como as Folias de Reis e Procissões do Divino, sendo chamada
também de "Viola de Louvação".

3) A Viola Sorocabana
Este modelo de viola caipira é semelhante às violas anteriores, o diferença é o seu tamanho, ela é uma "mini-viola".
Muita gente não sabe o motivo de ser pequena, mas era necessário uma viola portátil para que se pudesse utilizar em
longas viagens, sendo utilizada principalmente pelos tropeiros nas suas viagens, por ser mais prático e fácil de
carregar e guardar.
Era produzida principalmente em pinho, nesse caso o pinheiro de Araucária

Tem o nome "Sorocabana" porque eram fabricadas principalmente na cidade de Sorocaba, se popularizando por
outras regiões, principalmente entre tropeiros sorocabanos, do sudoeste paulista, médio-tietê e dos campos gerais no
Paraná.
Esta viola foi utilizada nas primeiras gravações das modas caipiras em 1929 pela Turma Caipira de Cornélio Pires, o
primeiro movimento de valorização da música tradicional caipira. As modas de Mariano e Caçula, Mandi e
Sorocabinha, entre outros, foram gravadas ao som da Viola Sorocabana

4) A Viola de Cabaça:
No século XIX este tipo de Viola Caipira fora registrada por viajantes como Debret e Rugendas entre meados de
1820-30, mas é provável que tenha surgido no século XVII(1600-1700), sendo referida na obra poética de Gregório
de Matos. Inicialmente feita para forma de substituir a madeira necessária pra fazer a Viola Tradicional. utilizava-se
então a cabaça/"porongo" pra fazê-la, tornado ela um modelo único entre as Violas, pois a Viola de Cabaça é feita de
um fruto nativo da América do Sul, muito estimada pelos paulistas e até mesmo entre membros da Côrte do Rio de
Janeiro.
Esta viola era bastante associada aos paulistas, como vemos em algumas aquarelas do século XIX por serem estes
vistos comumente com esse modelo de viola.
Apesar de comuns entre os paulistas, eram produzidas por brasileiros de outras capitânias fora da região da
Paulistânia que se utilizavam da cabaça para as suas violas e outros instrumentos, como as rabecas.

5) Viola de Queluz:
Específica da antiga cidade de Queluz (atual Conselheiro Lafaiete-MG), foi produzida entre o final do século XIX e
início do século XX pelas famílias de imigrantes portugueses Meireles e Salgado, a partir do modelo da viola toeira
de Portugal.. Existem antigos exemplares de violas de Queluz daquela época que estão restaurados.
Há até hoje um exemplar de uma Viola de Queluz que fora apresentada e tocada para Dom Pedro II.
O aspecto mais marcante da Viola de Queluz é a riqueza de detalhes na marchetaria. Esta viola mineira é com certeza
uma das mais bonitas dentre suas variações.

6) Viola do Norte de Minas, a Viola Geraizeira:


Parece com a Viola Queluz, mas não se trata da mesma. É uma Viola com características bem próprias daquela região
do norte de Minas Gerais, chegando primeiramente por intermédio dos bandeirantes paulistas que se instalaram nas
margens do Rio São Francisco no século XVIII.
Conforme as gerações iam passando, estas passaram por influências de outros povos, principalmente da marchetaria
portuguesa vinda da região central das minas, é uma marca da identidade do geraizeiro do norte de Minas. Zé Côco
do Riachão é um dos maiores nomes locais que se utilizam desta viola em suas modas.

7) Viola de Cocho
Comum nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. É produzida em uma peça de madeira inteiriça, cuja
forma lembra o antigo cocho rural (peça lavrada em tronco maciço de árvore, para colocação de alimentos para
animais), e sobre a peça escavada são afixados o tampo, o cavalete, o espelho, o rastilho e as cravelhas. As madeiras
mais usadas são a ximbuva e o sarã, a raiz de figueira branca, e o cedro. Com a função de trastes, são enrolados no
braço tiras de barbante comum revestido com cera de abelha, o que aumenta sua aderência à madeira. A viola de
cocho utiliza cinco cordas, denominadas prima, contra, corda do meio, canotio e resposta, sendo quatro cordas de
tripa ou de linhas de pescar e uma revestida de metal.
A Viola de Cocho é uma adaptação própria dessa região, e que são utilizadas principalmente nas danças de Cururu e
Siriri.

8) Viola de Buriti
Não se sabe ao a origem exata ou quando começou a serem produzidas, mas há alguns estudos que apontam que
tenha sido produzida pelos indígenas da região, a fim de imitar a Viola dos bandeirantes.
É típico no estado de Tocantins na Região Norte, elaborada partir da utilização da madeira do buriti.
A Viola de Buriti, também denominada "violinha de vereda", utiliza, em lugar da caixa de ressonância, troncos
escavados do buriti, com 4 cordas de náilon.
É parecida com a Viola de Cocho, e som desta faz lembrar uma Viola Caipira, tanto que os ritmos geralmente
utilizados nessas violas são ritmos tradicionais caipiras, como Cateretê e o Cururu e os ritmos próprios criados na
região.

9) Viola Caiçara
Apesar de não estar atrelada a musicalidade caipira planaltina, não poderíamos deixar de mencionar uma viola típica
do mundo paulistânico, que são as violas litorâneas.
São chamadas as "Violas de Fandango" ou viola fandangueira, viola branca, que acompanham as Rabecas Caiçaras.
São comuns principalmente no litoral de São Paulo, Paraná e litoral sul do RJ, onde esta recebe a variação com o
nome de "Viola Angrense". Estas violas possuem 5 ordens
de cordas as quais, muitas vezes se soma a turina (também chamada de cantadeira ou periquita, corda que se insere
entre o braço e o bojo nestas violas).
Enfim, tradição do vicentino caboclo que as utilizavam nas Danças do Vilão, na Chiba(como é conhecido o cateretê),
no Anu, Chimarrita, Nhô Chico e etc. A musicalidade caiçara é considerada uma das mais antigas tradições da
América ainda vivas.

Apesar das variações regionais, estas violas são caipiras(com exceção da caiçara), pois todas geralmente estão dentro
de um mesmo contexto cultural do mundo caipira, dentro de uma mesma raiz em comum, que são os ritmos e as
afinações que se originaram principalmente a partir dos bandeirantes.

AFINAÇÕES:
São várias: Boiadeira, Cebolinha, Rio Acima, Rio Abaixo, Cebolão, Cana Verde, Paulistinha.
As mais tradicionais são Cebolão e Rio Abaixo.

Há diversas lendas e histórias a respeito das afinações da viola. O nome da afinação "Cebolão" seria do fato de as
mulheres chorarem, emocionadas ao ouvir o som dessa afinação, como quem corta cebola.
Segundo a sabedoria popular, é afinação que São Gonçalo ensinou. E é uma afinação que pode ter sido aprimorada
primeiramente pelos bandeirantes.

"Rio Abaixo" é um tipo de afinação utilizada na viola caipira, sendo uma das afinações mais comuns no Brasil. Sua
característica é a de produzir um acorde de sol maior com as cordas tocadas soltas.
A afinação Rio Abaixo seria originada na lenda de que o Diabo costumava descer os rios tocando viola nessa
afinação e, com ela, seduzindo as moças e as carregando rio abaixo. Do violeiro que utiliza esta afinação diz-se,
eventualmente, que pode estar enfeitiçado ou ter feito pacto com o demônio, porém a afinação tem provável origem
portuguesa, presente na região de Amarante.

RITMOS:
Os principais ritmos e danças tradicionais utilizadas nas Violas Caipiras são:
Cateretê, catira, cururu, toada, moda de viola, fandango, batuque, limpa-banco, cana-verde, querumana, rasqueado,
valseado, arrasta-pé, calango, lundu, folia d de reis, congada, moçambique, fandango de chilenas e tamancos,
guaiano, mangangá, inhuma e etc.

______________________

É importante deixar claro que a luthieria é muito importante para música caipira, mas ainda mais importante é
mantermos as tradições vivas para que nossa identidade não morra. É por isso que valorizamos o modelo tradicional
de Violas Caipiras de cravelhas e o trabalho artesanal de quem não deixa essa tradição morrer, como eram feitas
desde os primórdios.

Se caso queiram adquirir estes modelos de violas artesanais, procurem por "Violas Machado" que produz as violas
mencionadas. São violas caipiras de excelente qualidade e fidelidade nessa tradição.

Enfim, este é um resumo breve retirado das fontes que consultamos, não é um estudo conclusivo, são informações
breves para que vocês possam conhecer por cima um pouco das variações regionais que existem e como se deram,
pois de certo que é um assunto muito mais extenso.
Que possamos com esse breve resumo interessar vocês a procurar saber mais profundamente sobre este assunto, e
principalmente para darmos continuidade as nossas tradições.

Ass referências e fontes foram obtidas aqui, logo no final do link abaixo
https://www.scielo.br/scielo.php…
Outras retiradas de livros como "Parceiros do Rio Bonito" para a definição de "Paulistânia" e a fixação do paulista
primitivo no interior do Brasil.

A Paulistânia e as variações da Viola Caipira tradicional

Pra resumir bem: a viola caipira primitiva, é baseada nas violas portuguesas, e que nos chega primeiramente através dos
jesuítas católicos já nos primeiros tempos de fixação da colonização em São Paulo, na intenção de catequizar os indígenas da
região dos Campos de Piratininga(São Paulo e arredores). E nesse processo de catequização dos indígenas paulistas, é
aproveitado algumas de suas danças e rítmicas ao som das violas, originando os ritmos e danças de cateretê, cururu e Santa
Cruz.

Com o tempo, os bandeirantes que viviam nesse meio, passaram a construir suas próprias violas, tornando-a um instrumento
popular.

A princípio: uma viola simples, entre 12 ou 10 cordas naquele tempo. Sem tantos floreios, podendo ser chamada na época de
"viola de pinho", viola de caboclo, cítara e etc.

Foram estes bandeirantes os primeiros disseminadores da Viola Caipira fora dos Campos de Piratininga, e o bandeirante é
antes de mais nada um caipira em sua forma primitiva. Estes paulistas na procura de ouro e pedras preciosas, fundaram e
instalaram povoados, roças, arraiais e campos pastoris no Interior de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato
Grosso e Mato Grosso do Sul(territórios de São Paulo até pelo menos 1719 até então).

E apesar de desmembrados pela Coroa Portuguesa, aqueles paulistas e as suas tradições permaneceram nessas regiões, e
ainda é tradição até os dias atuais. São as chamadas "regiões de cultura caipira", ou "paulistânia" segundo historiadores e
sociólogos como Alfredo Ellis Júnior e Antônio Cândido.

Com a descoberta das minas, surge o tropeiro, que era uma espécie de "bandeirante mercantil", um transportador de mulas e
também de cargas. Ele é um dos tipos paulistânicos mais presentes na história do Brasil e extremamente importante para a
configuração da cultura caipira. E é o tropeiro um dos maiores responsáveis pela popularização da Viola Caipira.

Dando continuidade a tradição dos bandeirantes, os tropeiros popularizaram as modas de viola, os fandangos, os catiras e os
cururus por onde passavam, principalmente no Interior de São Paulo, Minas Gerais e Região Sul, levando consigo esta Viola.

1) A Viola Caipira Popular:

Esta viola de desenho simples e porte médio, é a mais comumente associada as violas clássicas e modernas que conhecemos
hoje, é nela que a maioria dos luthiers, as violas genéricas e construtores artesãos de todo o mundo caipira se baseiam.

É baseada na tradicional Viola Paulista de cravelhas, rústica e sem quase nenhum floreio, eram comuns em todos os territórios
de cultura caipira. E eram feitas daquilo que estavam ao alcance do caipira, podendo variar os tipos de madeira s utilizadas,
dependendo da região em que se encontrava. É também um dos mais antigos formatos, carregando muito da essência
bandeirista.

2) A Viola Paulista:
A Viola Paulista é o mesmo modelo da "Viola Popular" com o diferencial de ser semelhante a portuguesa "amarantina" (com
corações no meio do corpo), é um dos modelos tradicionais de violas paulistas, e é utilizada principalmente em procissões
católicas de São Paulo, como as Folias de Reis e Procissões do Divino, sendo chamada também de "Viola de Louvação".

3) A Viola Sorocabana

Este modelo de viola caipira é semelhante às violas anteriores, o diferença é o seu tamanho, ela é uma "mini-viola". Muita
gente não sabe o motivo de ser pequena, mas era necessário uma viola portátil para que se pudesse utilizar em longas
viagens, sendo utilizada principalmente pelos tropeiros nas suas viagens, por ser mais prático e fácil de carregar e guardar.

Era produzida principalmente em pinho, nesse caso o pinheiro de Araucária

Tem o nome "Sorocabana" porque eram fabricadas principalmente na cidade de Sorocaba, se popularizando por outras
regiões, principalmente entre tropeiros sorocabanos, do sudoeste paulista, médio-tietê e dos campos gerais no Paraná.

Esta viola foi utilizada nas primeiras gravações das modas caipiras em 1929 pela Turma Caipira de Cornélio Pires, o primeiro
movimento de valorização da música tradicional caipira. As modas de Mariano e Caçula, Mandi e Sorocabinha, entre outros,
foram gravadas ao som da Viola Sorocabana

4) A Viola de Cabaça:

No século XIX este tipo de Viola Caipira fora registrada por viajantes como Debret e Rugendas entre meados de 1820-30, mas
é provável que tenha surgido no século XVII(1600-1700), sendo referida na obra poética de Gregório de Matos. Inicialmente
feita para forma de substituir a madeira necessária pra fazer a Viola Tradicional. utilizava-se então a cabaça/"porongo" pra
fazê-la, tornado ela um modelo único entre as Violas, pois a Viola de Cabaça é feita de um fruto nativo da América do Sul,
muito estimada pelos paulistas e até mesmo entre membros da Côrte do Rio de Janeiro.

Esta viola era bastante associada aos paulistas, como vemos em algumas aquarelas do século XIX por serem estes vistos
comumente com esse modelo de viola.

Apesar de comuns entre os paulistas, eram produzidas por brasileiros de outras capitânias fora da região da Paulistânia que se
utilizavam da cabaça para as suas violas e outros instrumentos, como as rabecas.

5) Viola de Queluz:

Específica da antiga cidade de Queluz (atual Conselheiro Lafaiete-MG), foi produzida entre o final do século XIX e início do
século XX pelas famílias de imigrantes portugueses Meireles e Salgado, a partir do modelo da viola toeira de Portugal.. Existem
antigos exemplares de violas de Queluz daquela época que estão restaurados.

Há até hoje um exemplar de uma Viola de Queluz que fora apresentada e tocada para Dom Pedro II.

O aspecto mais marcante da Viola de Queluz é a riqueza de detalhes na marchetaria. Esta viola mineira é com certeza uma das
mais bonitas dentre suas variações.

6) Viola do Norte de Minas, a Viola Geraizeira:


Parece com a Viola Queluz, mas não se trata da mesma. É uma Viola com características bem próprias daquela região do norte
de Minas Gerais, chegando primeiramente por intermédio dos bandeirantes paulistas que se instalaram nas margens do Rio
São Francisco no século XVIII.

Conforme as gerações iam passando, estas passaram por influências de outros povos, principalmente da marchetaria
portuguesa vinda da região central das minas, é uma marca da identidade do geraizeiro do norte de Minas. Zé Côco do
Riachão é um dos maiores nomes locais que se utilizam desta viola em suas modas.

7) Viola de Cocho

Comum nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. É produzida em uma peça de madeira inteiriça, cuja forma lembra
o antigo cocho rural (peça lavrada em tronco maciço de árvore, para colocação de alimentos para animais), e sobre a peça
escavada são afixados o tampo, o cavalete, o espelho, o rastilho e as cravelhas. As madeiras mais usadas são a ximbuva e o
sarã, a raiz de figueira branca, e o cedro. Com a função de trastes, são enrolados no braço tiras de barbante comum revestido
com cera de abelha, o que aumenta sua aderência à madeira. A viola de cocho utiliza cinco cordas, denominadas prima,
contra, corda do meio, canotio e resposta, sendo quatro cordas de tripa ou de linhas de pescar e uma revestida de metal.

A Viola de Cocho é uma adaptação própria dessa região, e que são utilizadas principalmente nas danças de Cururu e Siriri.

8) Viola de Buriti

Não se sabe ao a origem exata ou quando começou a serem produzidas, mas há alguns estudos que apontam que tenha sido
produzida pelos indígenas da região, a fim de imitar a Viola dos bandeirantes.

É típico no estado de Tocantins na Região Norte, elaborada partir da utilização da madeira do buriti.

A Viola de Buriti, também denominada "violinha de vereda", utiliza, em lugar da caixa de ressonância, troncos escavados do
buriti, com 4 cordas de náilon.

É parecida com a Viola de Cocho, e som desta faz lembrar uma Viola Caipira, tanto que os ritmos geralmente utilizados nessas
violas são ritmos tradicionais caipiras, como Cateretê e o Cururu e os ritmos próprios criados na região.

9) Viola Caiçara

Apesar de não estar atrelada a musicalidade caipira planaltina, não poderíamos deixar de mencionar uma viola típica do
mundo paulistânico, que são as violas litorâneas.

São chamadas as "Violas de Fandango" ou viola fandangueira, viola branca, que acompanham as Rabecas Caiçaras. São
comuns principalmente no litoral de São Paulo, Paraná e litoral sul do RJ, onde esta recebe a variação com o nome de "Viola
Angrense". Estas violas possuem 5 ordens

de cordas as quais, muitas vezes se soma a turina (também chamada de cantadeira ou periquita, corda que se insere entre o
braço e o bojo nestas violas).

Enfim, tradição do vicentino caboclo que as utilizavam nas Danças do Vilão, na Chiba(como é conhecido o cateretê), no Anu,
Chimarrita, Nhô Chico e etc. A musicalidade caiçara é considerada uma das mais antigas tradições da América ainda vivas.
Apesar das variações regionais, estas violas são caipiras(com exceção da caiçara), pois todas geralmente estão dentro de um
mesmo contexto cultural do mundo caipira, dentro de uma mesma raiz em comum, que são os ritmos e as afinações que se
originaram principalmente a partir dos bandeirantes.

AFINAÇÕES:

São várias: Boiadeira, Cebolinha, Rio Acima, Rio Abaixo, Cebolão, Cana Verde, Paulistinha.

As mais tradicionais são Cebolão e Rio Abaixo.

Há diversas lendas e histórias a respeito das afinações da viola. O nome da afinação "Cebolão" seria do fato de as mulheres
chorarem, emocionadas ao ouvir o som dessa afinação, como quem corta cebola.

Segundo a sabedoria popular, é afinação que São Gonçalo ensinou. E é uma afinação que pode ter sido aprimorada
primeiramente pelos bandeirantes.

"Rio Abaixo" é um tipo de afinação utilizada na viola caipira, sendo uma das afinações mais comuns no Brasil. Sua
característica é a de produzir um acorde de sol maior com as cordas tocadas soltas.

A afinação Rio Abaixo seria originada na lenda de que o Diabo costumava descer os rios tocando viola nessa afinação e, com
ela, seduzindo as moças e as carregando rio abaixo. Do violeiro que utiliza esta afinação diz-se, eventualmente, que pode estar
enfeitiçado ou ter feito pacto com o demônio, porém a afinação tem provável origem portuguesa, presente na região de
Amarante.

RITMOS:

Os principais ritmos e danças tradicionais utilizadas nas Violas Caipiras são:

Cateretê, catira, cururu, toada, moda de viola, fandango, batuque, limpa-banco, cana-verde, querumana, rasqueado, valseado,
arrasta-pé, calango, lundu, folia d de reis, congada, moçambique, fandango de chilenas e tamancos, guaiano, mangangá,
inhuma e etc.

______________________

É importante deixar claro que a luthieria é muito importante para música caipira, mas ainda mais importante é mantermos as
tradições vivas para que nossa identidade não morra. É por isso que valorizamos o modelo tradicional de Violas Caipiras de
cravelhas e o trabalho artesanal de quem não deixa essa tradição morrer, como eram feitas desde os primórdios.

Se caso queiram adquirir estes modelos de violas artesanais, procurem por "Violas Machado" que produz as violas
mencionadas. São violas caipiras de excelente qualidade e fidelidade nessa tradição.
Enfim, este é um resumo breve retirado das fontes que consultamos, não é um estudo conclusivo, são informações breves
para que vocês possam conhecer por cima um pouco das variações regionais que existem e como se deram, pois de certo que
é um assunto muito mais extenso.

Que possamos com esse breve resumo interessar vocês a procurar saber mais profundamente sobre este assunto, e
principalmente para darmos continuidade as nossas tradições.

Ass referências e fontes foram obtidas aqui, logo no final do link abaixo

https://www.scielo.br/scielo.php…

Outras retiradas de livros como "Parceiros do Rio Bonito" para a definição de "Paulistânia" e a fixação do paulista primitivo no
interior do Brasil.