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Obrigações II

Caso III

A comprometeu-se perante B a não construir um muro com mais de dois metros – trata-se de uma prestação de
facto negativo (prestação/conduta tem por objeto uma omissão), mais propriamente non facere, aproximando-se de
uma prestação de serviços (art.º 1154º).
B comprometeu-se, perante A, a efetuar um tratamento adequado a curar uma doença de pele – trata-se de uma
prestação de meios, isto é, o devedor não está obrigado a atuar de forma a obter determinado resultado, mas sim a
atuar de modo diligente/cuidado de modo a que esse resultado possa vir a ser obtido pelo credor. Ao contrário das
prestações de facto (que entende uma conduta com vista a determinado resultado), nas prestações de meio não há
presunção de culpa (ROMANO MARTINEZ discorda), tendo o credor que provar que o devedor não atuou com as
diligências necessárias de modo a que, por consequência, viesse a atingir o resultado pretendido.
GOMES DA SILVA, demonstrou o fracasso da distinção argumentando que mesmo nas obrigações de meios existe a
vinculação a um fim, que corresponde a um interesse do credor, e que se o fim não é obtido presume-se sempre a
culpa do devedor. Efetivamente, em ambos os casos aquilo a que o devedor se obriga é sempre a uma conduta (a
prestação), e o credor visa um resultado, que corresponde ao seu interesse (398º/2). Por outro lado, ao devedor cabe
sempre o ónus da prova de que realizou a prestação (342º/2) ou de que a falta de cumprimento não procede de culpa
sua (799º), sem o que será sujeito a responsabilidade.

Prestação de resultado

1ª hipótese: 798º; 829º; 762º

2ª hipótese: prestação de meio; pomada adequada? Meio utilizado foi o adequado ao problema? Avaliamento
promissor do quadro clínico? Cabe ao credor fazer prova – 342º.

3ª hipótese: prestação de meios; 798º; 80º1; 483º; 280

CASO 30

441 – Vale como sinal - ilidível

Entrega como sinal – comissão de reserva/ preço de reserva


Não está vinculado à celebração do contrato definitivo. O sinal vale como indemnização.

Qual o interesse prático de um contrato-promessa?


As partes ainda não terem o financiamento disponível, por ex.:

Se alguém não é proprietário pode fazer contrato promessa desse bem? Sim. porque o contrato não significa a
transferência do bem.

Hipótese 6: não podemos recorrer à EE. Se as partes afastarem e presunção 830º/2 podia ocorrer.
Pode haver sinal em dobro. Não pode haver aumento valor da coisa – requisitos: traditio da coisa, valorização da coisa
e sinal. Só faz sentido quando há uma valorização significativa do valor da coisa.

Hipótese 7:
há direito de retenção? Não, não houve traditio.

Serve para garantir cumprimento.


754.
Tem sempre de haver entrega da coisa ou despesas.
Não serve como forma de chantagem.
O credor vai reter a coisa, mas vai eventualmente forma de alienar para obter o pagamento. Objetivo – possibilitar que
a coisa possa pagar a prestação em dívida.

Direito de retenção não e possível quanto ao sinal em dooro, mas já é quanto o aumento do valor da coisa
Caso 31

a)
No caso em apreço estamos perante um contrato promessa, isto é, convenção pela qual alguém (uma parte ou
duas) se obriga a celebrar novo contrato. Estamos assim perante um contrato preliminar de outro contrato que, por sua
vez, se designa de contrato definitivo/prometido (410ºCC).
Apesar de os contratos – preliminar e prometido - serem autónomos, a lei não deixou de sujeitar, em
princípio, o contrato-promessa ao mesmo regime do contrato definitivo (410º/1). É o que se denomina de princípio
da equiparação. Efetua-se uma extensão do regime do contrato definitivo ao contrato-promessa, sujeitando-se este,
em princípio, às mesmas regras que vigoram para o contrato definitivo, salvo duas exceções: as disposições relativas
à forma e as disposições que pela sua razão de ser não devam considerar-se extensivas ao contrato-promessa;
Relativamente à primeira exceção, dela resulta que a forma do contrato-promessa não seja necessariamente
a mesma do contrato definitivo, o que permite que ao contrato-promessa seja atribuída uma forma menos solene do
que a que seria exigida para o contrato definitivo.
Já quanto à segunda exceção, ela implica o afastamento de todas as disposições relativas ao contrato-
prometido, justificadas em função da configuração deste, e que não se harmonizem com a natureza do contrato-
promessa.
In casu sub judice estamos perante, à partida, um contrato bilateral, isto é, a vinculação ao contrato é
protagonizada por ambas as partes contratantes (410º CC).
Regra geral, o contrato-promessa tem eficácia obrigacional (interpartes) sujeito ao regime da relatividade
(art.º 406º) e ao concurso de credores, assim, podem ser celebrados 2, 3, 4 ou 100 contratos-promessa
incompatíveis (604º). Assim, não dizendo o caso, apesar de se tratar de um direito real (art.º 413º), entendemos que
o contrato é obrigacional, pelo que, se o promitente-alienante cumprir 1 dos contratos, responde pelo
incumprimento dos outros 99. Se incumprir os 100 contratos-promessa, aplica-se o 604.º.
Quanto à forma, a forma do contrato-promessa é um dos campos não abrangidos pelo princípio da
equiparação de regime com o contrato-definitivo (410º/1). Relativamente à forma, o contrato-promessa segue, por
esse motivo, o regime geral, que se baseia precisamente na liberdade de forma (219º princípio da
consensualidade). Há, no entanto, uma importante exceção, referida no art.º 410º, n.º 2, que nos refere que
quando a lei exige um documento, autêntico ou particular, (art.º 875º in casu) para o contrato prometido é
também exigido documento para o contrato-promessa, bastando, porém, um documento particular, ainda que o
contrato-prometido exija um documento autêntico. Assim, tratando-se de um caso de contrato-promessa de compra
e venda de um imóvel (874º e 875º), sujeita por lei a escritura pública (875º), pode realizar-se por simples
documento particular. Ressalva, embora não aplicável ao caso, para o facto de a exigência de forma escrita para o
contrato-promessa não é naturalmente preenchida com a simples outorga de um recibo de sinal.
Nos termos do art.º 410º/2, o referido documento tem de ser assinado apenas pela parte que se vincula à
celebração do contrato definitivo. Assim, se o contrato-promessa for unilateral, só terá de ser assinado pelo
promitente, apenas se exigindo a assinatura de ambos nos contratos-promessa bilaterais.
Uma questão que tem suscitado muita controvérsia tem sido a de averiguar se o contrato promessa
bilateral, que seja assinado apenas por um dos promitentes, pode ser válido como promessa unilateral, permitindo a
subsistência da obrigação por parte de quem assinou o documento.
A doutrina tem-se dividido sobre esta questão:
(I) a teoria da transmutação automática desse contrato em promessa unilateral - Caso faltasse ao contrato
promessa bilateral a assinatura de uma das partes, ele valeria automaticamente como promessa unilateral;
(II) a tese da nulidade total do contrato - A falta de assinatura de uma das partes é um elemento essencial para a
forma do contrato promessa, e que atenta a natureza sinalagmática desse contrato, a invalidade de uma das obrigações
irá necessariamente afetar a outra;
(III) a tese da conversão - Seria injusto não permitir o aproveitamento do negócio, devendo-se por isso utilizar um
mecanismo de conversão e não de redução, já que a redução pressupõe invalidade parcial, o que levaria à nulidade de
todo o contrato promessa (Artigo 292ºCC). Assim, proceder-se-á à transformação num negócio de tipo ou, pelo
menos, de conteúdo diferente, situação por isso sujeita ao artigo 293ºCC;
(IV) a tese da redução - Se no contrato promessa a lei só exige a assinatura para a declaração negocial do
contraente que se vincula à promessa, a nulidade por falta de forma no contrato promessa bilateral será parcial se
apenas um dos contraentes não assinar o contrato, o que justifica a aplicação do regime da redução – art.º 292º.
No art.º 410º/3, exige-se ainda que o contrato-promessa, quando respeite à constituição ou transmissão de
direito real (compra e venda, usufruto, arrendamento…) sobre edifício ou fração autónoma dele, já construído, em
construção ou a construir (tem de haver um projeto de construção), o documento referido no n.º 1 seja
acompanhado de reconhecimento presencial da assinatura e de certificação pelo notário da exigência de licença de
utilização ou construção. Neste caso, não se está perante uma exigência de forma, uma vez que não se revela por esta
via qualquer vontade negocial, tratando-se antes de formalidades, exigidas para a validade plena do negócio. A
exigência destas formalidades prendeu-se com a intenção de estabelecer um controlo notarial dos contratos-promessa
relativos a edifícios ou suas frações autónomas, por forma a evitar a sua celebração em casos de construção
clandestina, impondo-se por isso, no interesse do promitente adquirente, o reconhecimento presencial das
assinaturas e a certificação pelo notário, no próprio documento, da existência de licença de utilização ou construção.
Caso estes requisitos não sejam cumpridos, ocorrerá a invalidade do contrato-promessa que, no entanto, só poderá ser
invocada pelo promitente adquirente, a menos que seja provocada por sua culpa exclusiva, caso em que o
promitente alienante também a poderá invocar.
Daqui resulta que a referida invalidade não pode ser invocada por terceiros, nem conhecida
oficiosamente pelo Tribunal. A omissão destas formalidades não constitui para MENEZES LEITÃO, por isso, uma
verdadeira nulidade, sujeita ao regime do art.º 286º, mas antes uma situação de invalidade mista, estabelecida no
interesse do promitente adquirente em evitar a aquisição de um imóvel clandestino. Por esse motivo, o promitente
adquirente pode invocar essa invalidade a todo o tempo, admitindo-se, porém, que essa invocação possa ser
restringida com base no abuso de direito. LACERDA BARATA tem uma posição diferente da maioria da doutrina
nesta questão. Para ele, o art.º 410º/3 não obriga a dar uma mesma solução para os dois requisitos (reconhecimento de
assinatura e existência de licença) uma vez que, para o mesmo a ratio legis dos dois requisitos não é a mesma. Assim,
para LACERDA BARATA o reconhecimento presencial das assinaturas é uma garantia fiel das pessoas, não há
qualquer interesse público, portanto não é invocável por terceiros nem é de conhecimento oficioso. Por outro lado, a
existência de licenças de construção é do interesse público comum uma vez que permite evitar construções
clandestinas. Sendo assim, este requisito é de conhecimento oficioso e pode ser invocado por terceiros interessados.

B não assinar não há um problema de vinculação. É bivinculante.

Nulidade por falta de forma – 220º

Nem sempre se verifica a assinatura das partes no mesmo documento (por ex.: através da troca de partes com
assinatura em copia dos contratos).

Se nenhuma parte invocar falta de assinatura ela sana-se.

EE – 830º

b)

Como a regra nos contratos-promessa é a eficácia obrigacional podem ser celebrados 2, 3, 4 ou 100 contratos-
promessa incompatíveis. Este princípio resulta, implicitamente, do art.º 604.º. Se o promitente-alienante cumprir 1 dos
contratos, responde pelo incumprimento dos outros 99. Se incumprir os 100 contratos-promessa, aplica-se o 604.º.

413 declaração expressa. /eficácia absoluta, contra terceiros, erga omnes – clausula que expresse os efeitos decorrentes
vale como declaração expressa.

Contratos com eficácia real prevalecem

C) ?? Não seria possível. Só podia em hipótese de incumprimento. 442º/2 pedir sinal m dobro. Deveres
acessórios de conduta de indemnização.

Hipótese 4:

Questão da eficácia real: se houver alienação não afasta a possibilidade de invocada a EE – é possível fazer
prevalecer o direito do promitente fiel se cumpridos os pressupostos do 413º.

Oponível a terceiros

Como se exerce processualmente? Que ação vou intentar? Não há nenhuma disposição legal que fale em tal ação
salvo o 830º. Divergência: quem tem de estar naquele ação? ML – EE contra obrigado. 3º - venda de bens alheios –
litisconsórcio necessário - MC quando se faz a venda os bens ainda não eram alheios. Ação de reivindicação
(adaptada) – ação que qualquer proprietário pode intentar para reaver o seu bem.
Pacto de Preferência

A dono de um vistoso Porsche amarelo, celebrou um pacto de preferência com B, comprometendo-se, por escrito,
a dar preferência ao mesmo, B, no caso de algum dia, vender, alugar ou doar o carro.

Desconhece-se se foi atribuída eficácia real.

1ª HIPÓTESE: Um mês depois, C apresenta-se a B, provando, por testemunhas idóneas, que A lhe vendera o carro.

Por Pacto de Preferência entende-se a convenção pela qual alguém (o obrigado à preferência) assume a
obrigação de, no caso de decidir a vir contratar, escolher outrem (o preferente) como contraente, desde que este lhe
ofereça as mesmas condições negociadas com terceiro. Corresponde, tal como o contrato promessa, a um contrato
preliminar/preparatório (art.º 414º CC).

A celebrou um pacto de preferência com B, ou seja, nestes termos trata-se de uma preferência
convencional, proveniente da livre vontade de A.

Característico também deste regime é o seu caráter monovinculante/unilateral – apenas o obrigado


vinculado, apenas o obrigado à preferência assume uma obrigação, ficando a outra parte (o titular da preferência)
livre de exercer ou não o seu direito; e o seu caráter condicional, uma vez que este tipo de ato está sujeito a
condição suspensiva (só há direito de preferência que o obrigado à preferência decidir vender).

Quanto à forma, esta está redigida nos termos do artigo 416º CC, aplicando-se ao PP o disposto no art.º
410º/2 para o CP. Ora A celebrou com B um pacto de preferência por escrito de um automóvel. Este, por sua vez, é
considerado um bem móvel, nos termos do artigo 204º e 205º CC, não sendo exigida uma forma solene para a
celebração do pacto, regendo-se pela regra geral da liberdade de forma (art.º 219º e 410º/2 a contrário).

Como enunciado “desconhece-se se foi atribuída eficácia real” (ao pacto), pelo que, mais uma vez, seguimos
a regra geral: o pacto atribui apenas ao seu beneficiário (B) um direito de crédito contra a outra parte (A), tendo,
deste modo, eficácia meramente obrigacional, caracterizando-se pela sua eficácia interpartes e sendo inoponível a
terceiros.

Ora a lei regula, nos artigos 416º a 418º CC, o regime da obrigação de preferência.
Nos termos do artigo 416º CC aquando da decisão de venda, o obrigado tem de efetuar uma comunicação para
preferência. (Ao não exigir a lei forma específica para a comunicação regemo-nos pela liberdade de forma – 219º.
Contudo, no caso de bens imóveis, MC argumenta que o art.º 415º º não diz apenas respeito à forma do PP, mas
também à forma da comunicação para preferência. ML, por sua vez, considera que a determinação do cumprimento
da obrigação e do eventual exercício ou caducidade do direito tornam-se difíceis de demonstração em tribunal. Daí
que na maior parte das vezes as partes obtém por fazer essas comunicações por escrito, como forma de se
precaverem.). Ao aludir a “projeto de venda e cláusulas, refere-se, também, a que a comunicação para a preferência
terá de ser efetuada antes da celebração de um contrato definitivo com o respetivo terceiro, acompanhada por uma
negociação prévia, pois, caso contrario, já teria ocorrido o incumprimento da obrigação de preferência.
Relativamente ao conteúdo trata-se das estipulações comuns (forma de pagamento, preço, local de entrega…).

O obrigado tem de indicar o nome de terceiro? (vide esquema, pp. 3 – querela doutrinária).

Voltando ao caso, e como observável, houve incumprimento do PP por parte de A. Sendo este um contrato com
eficácia obrigacional, este responde nos termos da responsabilidade civil obrigacional – art.º 798º CC.

 É possível pactos preferência de doação? 423º - doação é um contrato gratuito, não pode – retira a
liberdade associada.
 Preferibilidade – obrigacional vs. real

2ª HIPÓTESE: 15 dias após a celebração do pacto de preferência, B recebe uma carta de A, notificando-o para
exercer preferência, no prazo de 3 dias, uma vez que tinha uma proposta de D, que pretendia pagar o carro a
pronto 8 dias depois. B responde afirmativamente decorridos 5 dias.
 Mesmo raciocínio que anteriormente.
 Dever de comunicação – 416º
 Quanto à comunicabilidade (por parte de A) - não existe nenhum prazo para a comunicabilidade (contudo, é
preciso atender ao prazo lógico: têm de ser possível ao preferente responder em 8 dias). MENEZES
CORDEIRO, em termos dubitativos, apresenta a possibilidade de se aplicar analogicamente o prazo de 8 dias
do 416.º/2.
 O titular tem de exercer o seu direito no prazo de 8 dias, prazo supletivo, (416º/2), salvo se o pacto de
preferência o vincular a um prazo mais curto, ou se o obrigado lhe assinalar um prazo mais longo.
 O prazo nunca pode ser diminuído pelo obrigado à preferência por via unilateral; só pode ser diminuído se
as partes acordarem na diminuição.
 Quando não cumpre o prazo o direito caduca

3ª HIPÓTESE: Suponha que A comunica a B que o automóvel iria ser vendido a E, por 50 000 euros, mas em
conjunto com a garagem de que era proprietário e ficando E vinculado a tratar-lhe do jardim durante um ano.

 Venda de coisa juntamente com outras – 417º epígrafe; à partida é separável – paga o preço individualizado
do automóvel – união externa.
 Prestação acessória – 418º - trata apenas contratos complementares; este trata um contrato
múltiplo/combinado (prestação de serviços a título oneroso). Contraprestação.

4ª HIPÓTESE: B toma conhecimento de que A vendeu o carro a F, por 20 000 euros, mas que do contrato escrito
celebrado constava apenas o valor de 10 000 euros.

 Incumprimento pacto preferência – 798º e ss.


 Simulação do preço – 240º e ss.
 O que motiva? impostos
 Preço apresentado (10.000) inferior ao preço praticado (20.000).
 O preferente sustenta-se com base no negócio nulo, pelo que a preferência só poderia ser afastada através
da invocação dessa nulidade. Preferente não tem interesse em invocar a simulação porque a ele interessa-
lhe preferir pelo preço simulado (que é inferior ao real).
 Obrigado à preferência pode invocar a simulação? Problema: o art.º 243.º/1 proíbe a arguição da nulidade
proveniente da simulação por parte dos simuladores contra terceiros de boa fé, consistindo a boa fé, na
ignorância da simulação ao tempo em que foram constituídos os respetivos direitos (artigo 243º/2).
 Querela doutrinária – pp. 7 esquema
 Só se aplica simulação eficácia real

5ª HIPÓTESE: B toma conhecimento de que A vendeu o carro a G por 10 000 euros, mas que do contrato escrito
celebrado constava o valor de 20 000 euros.

 Incumprimento pacto preferência – 798º e ss.


 Se eficácia real – ação preferência – 1410º
 Simulação do preço – 240º e ss.
 Preço declarado superior ao real
 Artigos 240º/2 e 241º/1 – o preferente invoca que o negócio simulado é nulo e o dissimulado é válido. Logo,
o preferente prefere pelo preço real (inferior), que resulta do negócio dissimulado.

6ª HIPÓTESE: A escreve a B propondo vender-lhe o carro por 30 000 euros. B recusa, mas vem a saber que A
vendera o carro a H por 29 500 euros.

 Obrigação de comunicação por parte do obrigados nos termos do art.º 416


 Referencia a projeto de venda e cláusulas – referência a um contrato preferível, não podendo ser
considerada para preferência a emissão de propostas contratuais ou convites a contratar.
 Exigência de uma negociação com terceiro, com o qual sejam acordadas as cláusulas a comunicar,
designadamente o preço e as condições de pagamento.
 A comunicação para a preferência terá de ser efetuada antes da celebração de um contrato definitivo com o
respetivo terceiro, pois, caso contrario, já teria ocorrido o incumprimento da obrigação de preferência.
 Caso o titular da preferência rejeite a proposta contratual ou o convite a contratar, que aqui sucede, este
não perde o seu direito de preferência, mesmo que o contrato preferível tenha exatamente o mesmo
conteúdo que a proposta ou o convite a contratar rejeitados.
 Se, no entanto, vier a ser celebrado o contrato no âmbito dessa proposta ou convite, o que aqui não sucede
– B rejeitou, o direito de preferência extinguir-se-á por inutilidade.
 Consequência: eficácia obrigacional – responsabilidade civil obrigacional – art.º 798º
 Preço diferente – exige-se uma nova comunicação.

7ª HIPÓTESE: B tem conhecimento de que A vendera o automóvel ao seu inimigo I, por 50 000 e pretende anular a
venda ou obter uma indemnização de A e de I, já que quando A o notificou para exercer a preferência, informara-
o, para esconder que a venda seria feita a I, que a mesma iria ser feita a J.

 Dever de comunicação – 416º


 Querela doutrinária quanto à questão do dever de indicar o nome do terceiro ao preferente
1. OLIVEIRA ASCENSÃO: considera que a lei apenas faz referência a cláusulas do contrato e o nome do terceiro
não se pode considerar abrangido por essa referência, pelo que este não teria de ser indicado na
comunicação de preferência.
2. GALVÃO TELLES e MENEZES CORDEIRO: entendem que o princípio da boa fé impõe que o nome do terceiro
tenha de ser obrigatoriamente indicado na comunicação para a preferência.
3. PIRES DE LIMA, ANTUNES VARELA e CARLOS BARATA: sustentam que o nome do terceiro não tem
genericamente de ser indicado na comunicação para a preferência, devendo sê-lo nas situações em que
existe um interesse juridicamente atendível:
 o não exercício da preferência implique que fiquem a subsistir relações jurídicas entre o terceiro e o
titular da preferência, de que seriam exemplos a situação de comproprietário e arrendatário.
 JOÃO REDINHA acrescenta a estes casos outros em que a revelação do nome do terceiro corresponda a
um interesse essencial, digno de proteção legal do preferente e recognoscível para o obrigado, como na
hipótese de alienação a terceiros de bens familiares com valor estimativo (por exemplo uma joia/casa de
família).
4. MENEZES LEITÃO: considera que o nome do terceiro adquirente desde que esteja determinado tem sempre
de ser indicado na comunicação para a preferência, havendo que mencionar a situação de indeterminação
no caso contrário.

 Eficácia obrigacional, e por isso interpartes. Deste modo, é inoponível a terceiros. I não deve qualquer
indemnização.
 Incumprimento – 798º? Violação deveres de boa fé – 227º??? CIC

8ª HIPÓTESE: B tem conhecimento de que A vendera o automóvel a L. Intimado por B, A invoca a nulidade do
acordo celebrado entre ambos, já que, à data do mesmo, tinha prometido a L, que em qualquer futura celebração
de um acordo de preferência, lhe daria primazia.

 A compromete-se perante B - Pacto Preferência


 A vende o automóvel a L – incumprimento da preferência
 B intimida A; A invoca nulidade; tentativa de preferência sobre um contrato de preferência com L?
 Pacto de preferência de A com L?
 Invocação de A não aceitável
 Incumprimento; direitos de crédito;

 II - Coexistindo direitos de preferência concorrentes, cuja satisfação exclui a dos demais, e não cumprindo o
sujeito passivo o dever de comunicar o negócio projetado com terceiro a todos os preferentes (ou, pelo
menos, a cada um segundo a ordem de preferência sempre que a mesma seja do seu conhecimento), e
alienando ele o bem objeto das preferências a terceiro desprovido de tal direito, nada obriga qualquer dos
titulares do direito potestativo de preferência que pretendam acionar a tutela judicial do seu direito a
requerer a notificação dos demais preferentes, embora assim corram o risco de ver o titular de direito
prevalecente em relação ao seu (“melhor direito”) acionar por sua vez uma nova preferência contra si ou a
vê-lo intervir por incidente de oposição espontânea na ação que o primeiro haja intentado.
 III- Se a venda a terceiro se consumou, tornando definitivo o incumprimento desses deveres, e havendo
pluralidade de titulares de direitos de preferência, todos estes vêm incorporar-se na sua esfera tal direito
potestativo, cujo exercício no confronto do devedor da preferência (o vendedor), é autónomo e distinto do
dos demais.

Transmissão das obrigações

A proprietário de um antigo e vistoso Alfa Romeo, incumprira um contrato-promessa de compra e venda daquele
carro, que celebrara com B, ficando a dever a este 5 000 euros (sinal em dobro).

Por não ter dinheiro disponível e com o propósito de evitar a instauração de uma ação, A constituiu uma hipoteca
do carro a favor de B para pagamento do valor dos 5 000 euros no prazo de um ano, com juros convencionados à
taxa legal, ficando desde logo convencionado que em caso de não cumprimento, os juros seriam capitalizados.

O acordo assim estabelecido teve lugar no dia 31 de Janeiro de 2004.

1ª HIPÓTESE: B que deve a C 6 000 euros, acorda com este a extinção da dívida, mas ficando C credor de A nos
exatos termos em que o é B. Em Janeiro de 2006, C dirige se a A, exigindo os 5 000 euros mais os juros
capitalizados e ainda juros normais e ameaçando penhorar o automóvel.
A refere que não sabe quem é C, que o automóvel só foi dado como garantia a B e que a capitalização de juros é
ilegal.

 A – devedor de 5.000; B – credor de 5.000


 B – devedor de 6.000; C – credor de 6.000 (vai ser o cessionário)
 B/ C – cessão total de crédito – 577º - Transmissão de crédito que opera por virtude de um negocio jurídico,
regra geral um contrato – “acorda”. A cessão de créditos apresenta-se como um efeito desse mesmo
negócio, no qual se integra. Daí que a lei determine expressamente que os requisitos e os efeitos da cessão
entre as partes se definem em função do tipo de negócio que lhe serve de base (578º/1), nos termos do qual
se estabelece ainda a garantia quanto à existência e exigibilidade do crédito (587º). Assim, será através do
regime do negócio-base que se determinará qual a forma e o regime jurídico aplicável à cessão de créditos (a
compra e venda de um crédito está sujeita ao regime da consensualidade – 219º e 875º a contrario – a
doação terá de ser realizada por escrito – 947º/2).
 Não há se exige consentimento do devedor, para este é indiferente ser um ou outro a receber a prestação.
Há sim dever de notificação da respetiva cessão de créditos – 477º/1 e 583º. a lei dispõe que a cessão só
produz os seus efeitos em relação ao devedor após a sua notificação, aceitação (583º/1) ou conhecimento
(583º/2), sendo também a notificação ou aceitação pelo devedor que decide qual a cessão que vai
prevalecer em caso de dupla alienação do mesmo crédito (584º). A cessão de créditos apenas produz efeitos
em relação ao devedor, desde que lhe seja notificada, ainda que extrajudicialmente, ou desde que ele a
tenha aceite (art.º 583º/1). A notificação e a aceitação não estão sujeitas a forma especial (art.º 219º),
podendo inclusivamente a aceitação ser efetuada tacitamente (art.º 217º), como acontecerá no caso de o
devedor combinar com o cessionário qualquer alteração na obrigação (ex.: lugar e tempo do cumprimento,
garantias…).
 A cessão de créditos pressupõe ainda que não tenha sido convencionado entre o devedor e credor que o
crédito não seria objeto de cessão (577º). Nada dizendo o caso, presumimos que não.
 C dirige-se a A: com a transmissão é C quem passa a deter o direito de crédito, isto é, exigir uma prestação
da parte de A (pagamento da dívida). A transmissão do crédito verifica-se com todas as vantagens e defeitos
que o crédito tinha, abrangendo, portanto, garantias e outros acessórios (582º). Relativamente às garantias,
a lei determina que se transmitem as que não forem inseparáveis da pessoa do cedente, exceto se este as
tiver reservado ou consentir na cessão (582º/1). Assim, parece claro que as garantias do crédito como a
fiança (627º e ss.), a consignação de rendimentos (656º e ss.), o penhor (666º e ss.) a hipoteca (686º e ss.) se
transmitem para o cessionário, a menos que o cedente as reserve ao consentir a cessão. Neste último caso,
as garantias extinguir-se-ão, já que não ficarão a garantir qualquer crédito. (o que não se verifica, este último
caso).
 Parece não ter existido comunicação da cessão do crédito do cedente para o cessionário – cessão só produz
efeitos após a notificação – art.º 583º - NÃO CARRETA INEFICÁCIA DA CESSÃO, É APENAS UMA QUESTÃO
DE INOPONIBILIDADE (ex.: juros moratórios não serão oponíveis). Notificação pode ser feita por cedente ou
cessionário. Extinção do direito (de crédito) por caducidade?
 Permissão anatocismo? – convenção a posteriori – 560º não parece permitido.

Utilidade de vender um crédito: permite a pessoa que cede obter logo liquidez, mesmo que muitas vezes venda por
um preço inferior, mas que garante que tem logo acesso a capital. Ao cessionário é vantajoso quando compra mais
barato do que o crédito vale, aquilo que tem para exigir ao devedor, as empresas beneficiam muito também quanto
à primeira questão e em incumprimentos, nomeadamente com as moras, que começa logo a comprar juros.

2ª HIPÓTESE: D compromete-se para com B, que aceita, a pagar a dívida de A.


Em Janeiro de 2006, B, perante a insolvência de D, escreve a A exigindo o pagamento da dívida sob pena de
imediata execução e penhora do automóvel.
A responde que o devedor é D.

 A - devedor; B – credor; D – terceiro/novo devedor


 Assunção de dívida – 595º/1-bº) – assunção externa
 A transmissão só exonera/liberta o antigo devedor (primitivo) havendo declaração expressa do devedor
(595º/2). Nada dizendo o caso presume-se que não houve, respondendo o antigo devedor solidariamente
com o novo obrigado.
 600º caso de insolvência do devedor, havendo exoneração do devedor antigo, que como vimos aqui não
houve, não se aplicando. De qualquer maneira só tinha aplicação se houvesse ressalva para a
responsabilidade do primitivo, sendo esta subsidiária.
 599º – transmissão de garantias e direitos acessórios
 Solidariedade - ambos responsáveis, mas é uma solidariedade imperfeita – não é solidariedade do regime da
estudado, aqui o direito de regresso só existe se for o antigo devedor a cumprir a totalidade da dívida. E os
meios de defesa do 598º é diferente das de solidárias.
 Temos uma assunção de divida cumulativa.

NÃO CONFUNDIR: Com a ratificação não temos uma assunção de dívida liberatória, temos de ter uma declaração
expressa nesse sentido.

3ª HIPÓTESE: Uma vez que o automóvel de A é destruído num acidente, B exige uma outra garantia. A consegue
que o seu amigo E preste fiança.
Interpelado por B, em Janeiro de 2006, E paga a dívida e quando pretende ser reembolsado por A, esteve recusa-
se.

 Sub-rogação– instrumento utilizado para o pagamento de uma divida, substituindo-se o sujeito da


obrigação, mas sem extingui-la, passando o devedor secundário a assumir a posição de credor.
 Sub-rogação legal – 592º: sempre que o terceiro tiver garantido o cumprimento ou estiver por qualquer
outra causa diretamente interessado na satisfação do crédito. O requisito geral da sub-rogação legal é,
assim, o de que o terceiro tenha interesse direto no cumprimento, o que sucederá sempre que a não
realização da prestação lhe possa acarretar prejuízos patrimoniais próprios, independentes das
consequências do incumprimento para o devedor ou o cumprimento se torne necessário para acautelar o
seu próprio direito.
 Sub-rogado adquire os poderes que competiam ao credor, passa este a ter direito de crédito – 593º. O
crédito respetivo não se extingue, mas antes se transmite por efeito desse cumprimento para o terceiro que
realiza a prestação ou forneceu os meios necessários para o cumprimento.
 O caso mais comum de interesse direto no cumprimento é o de o terceiro ser garante da obrigação, uma vez
que nesse caso a não realização do cumprimento implica a execução dos seus bens pelo credor. Assim, se o
terceiro for fiador (627º) do devedor ou tiver constituído um penhor ou hipoteca sobre bens seus para
garantia do cumprimento, a lei determina a sub-rogação como efeito direto do cumprimento,
independentemente de outros requisitos (para a fiança 644º).

 Art.º 594º - remissão 582º e ss. – transmissão das garantias.

4ª HIPÓTESE: Aflito com a dívida a B, cuja paciência se esgotara, A pede ao seu amigo F um empréstimo do
montante da quantia mutuada em dívida.
Apesar da prontidão com que acudiu ao seu amigo, F é confrontado, meses depois, com a recusa, por parte de A,
em pagar-lhe os juros da quantia emprestada, sendo que F pretende cobrar juros nos exacos termos em que o
vinha fazendo a B.

CASOS – CUMPRIMENTO

Caso 1

A dona de uma joia, celebrou com B um contrato de depósito da mesma por um ano, com início a 1 de Fevereiro; a
título de remuneração foi ajustada a quantia de 120 euros. A obrigação a cargo de B foi garantida pelo penhor de um
anel constituído por C.

1a HIPÓTESE: Em Outubro, C vendeu a D o anel objeto do penhor. D exige a B a imediata entrega do anel
empenhado, pelo que este pretende saber se pode entregar a joia a A e exigir de imediato os 120 euros.

O regime do prazo da prestação encontra-se regulado a título supletivo no art.º 777º e ss., onde se
determina tanto a pagabilidade como a exigibilidade ou vencimento da dívida.
In casu, estamos perante uma obrigação com prazo certo, uma vez que ficou estipulado no contrato (art.º
777º/1), ou seja, aquelas em que a exigibilidade do cumprimento ou a possibilidade da sua realização é diferida
(prolongada; adiada) para um momento posterior, ainda que a sua constituição já se tenha verificado, ao contrário
do que sucede com as obrigações condicionais. Estas obrigações, cuja estipulação do prazo é feita pelas partes ou
pela lei – art.º 777º/1 proémio – caracterizam-se por o decurso do prazo constituir o devedor em mora, conforme
determina o art.º 805º/2 a).
O penhor não se extingue por venda da coisa, pelo que não há diminuição das garantias e, portanto, não há
perda do benefício do prazo (780º, nº1). Não havendo perda do benefício do prazo, o credor não tem direito a exigir
imediatamente o pagamento dos 120€.
Além disso, mesmo que neste caso a venda da coisa resultasse numa diminuição das garantias, este
comportamento não é imputável ao devedor, mas sim a terceiro, pelo que não há perda do benefício do prazo
conforme resulta do art.º 780º, nº1. O benefício do prazo continua a ser para o devedor (779º).

2a HIPÓTESE: Em Janeiro do ano seguinte, A pretende a restituição da joia, propondo-se pagar a B apenas 110 euros,
uma vez que não esgotara o prazo previsto no contrato.

No presente caso, não poderia A pretender a restituição da joia em janeiro, devido à violação do principio da
pontualidade, de acordo com o artigo 406º/1º, apesar de neste artigo aparecer associada aos contratos, ela é
aplicável a todas as obrigações. Este principio significa a exigência de uma correspondência integral em todos os
aspetos, e não apenas a nível temporal, entre a prestação efetivamente realizada e aquela que o devedor se
encontrava vinculado, sem o que se verificará uma situação de incumprimento, ou, pelo menos, de cumprimento
defeituoso. benéfico do devedor. Pagabilidade da dívida.

Para além do mais, também iria contra o principio da integralidade do artigo 763º, ao pagar apenas 110
euros. Isto porque o devedor deve realizar a prestação de uma só vez, ainda que se trate de uma prestação divisível,
ou seja, pudesse ser fracionada em partes sem prejuízo para o interesse do credor. Trata-se, no entanto, de uma
norma supletiva, pelo que se admite a estipulação de convenção em contrário, bem como se referem exceções
resultantes da lei ou dos usos.
Relativamente a esta convenção em contrário, caso esta seja celebrada, deverá ser naturalmente realizada a
prestação em partes. É o que sucede nas obrigações fracionadas do artigo 781º, como a venda de prestações (934º).
Neste caso, o cumprimento deve ser realizado em prestações, nas datas do seu vencimento, colocando-se uma
situação de enriquecimento do credor se o devedor, por erro desculpável, decide realizar logo a prestação por
inteiro. (476º/3º)
Quanto às exceções resultantes da lei, elas consistem em situações em que a lei impõe ao credor a aceitação do
pagamento parcial, como por exemplo a imputação do cumprimento previsto no 784º/2º no caso da pluralidade de
fiadores, que gozem do beneficio da divisão (649º).

O regime do prazo da prestação encontra-se regulado a título supletivo no art.º 777º e ss., onde se
determina tanto a pagabilidade como a exigibilidade ou vencimento da dívida.
In casu, estamos perante uma obrigação com prazo certo, uma vez que ficou estipulado no contrato (art.º
777º/1), ou seja, aquelas em que a exigibilidade do cumprimento ou a possibilidade da sua realização é diferida
(prolongada; adiada) para um momento posterior, ainda que a sua constituição já se tenha verificado, ao contrário
do que sucede com as obrigações condicionais. Estas obrigações, cuja estipulação do prazo é feita pelas partes ou
pela lei – art.º 777º/1 proémio – caracterizam-se por o decurso do prazo constituir o devedor em mora, conforme
determina o art.º 805º/2 a).

Concluindo, A não pode modificar a sua prestação. Mesmo quando exija a restituição coisa antes de findar o
prazo o depositante satisfará por inteiro a retribuição do depositário, salvo no caso de haver justa causa (podem ser
situações em que o depositante tenha receio face ao cumprimento do contrato, ao local onde a coisa está
depositada…) - (1194º).

Caso prático 2

Numa deslocação ao Porto, A residente em Lisboa, vendeu a B o seu automóvel, que guardava numa garagem de
recolha em Cascais, pelo preço de 10 000 euros, a pagar em 4 prestações mensais de igual valor (2 500 euros).
Ficou acordado que o vencimento da 1a prestação seria em 10 de Março, data em que o carro seria entregue.

A vendeu a B a sua vivenda na Foz, por 500 000 euros, por escritura lavrada num cartório notarial da cidade do
Porto, ficando este devedor de metade do preço.
1–
Em relação à primeira prestação – com prazo certo – 2500 euros – 774º; 885º e 885º/2 e 774

Obrigação de entrega do carro – com prazo certo –773º - obrigação de colocação; 885º

2–
Exceção de não cumprimento – 428º

3 – Em 10 de março, B pagou, contra a entrega do carro, 2500€ a A, mas em 10 de abril nada paga
779º
805º/2-a)
780º
781º - falha uma pode o credor exigir o pagamento de todas. Devedor pede o beneficio do prazo.
934º norma especial que se aplica nos casos de compra e venda a prestações, fracionado, distinta do 781º. 934
quando excede 1/8 do preço ou não excede, mas é um comportamento reiterado.

Na hipótese excedia 1/8.

Insolvência – incumprimento generalizado das prestações. O devedor tem prestações a cumprir superiores aos
rendimentos. Devedor não tem recursos suficientes para fazer face às suas obrigações

4 – Considerando o descrito na hipótese anterior, A exige a B os 7 500 euros. C apresenta-se, oferecendo-se para
pagar apenas 5 000 euros.

934º perdeu o beneficio do prazo.


763º; 767º/1 e 2
A pode aceitar o pagamento oferecido por C ou pode recusar com o fundamento de que o cumprimento oferecido é
apenas parcial (763º). Neste momento, porque B está em mora e dado que por essa razão as prestações em falta
venceram, A tem direito a exigir a totalidade do preço. Como tal, não é obrigado a receber o cumprimento parcial.

5ª - B envia no final de Março, a A um cheque no valor de 7 500 euros; quando em 10 de Abril, A exige a B o
pagamento da 2a prestação, este responde-lhe que já pagara a totalidade do carro. Contudo A, contrapõe-lhe que
imputara os 7 500 euros na dívida da casa.

763º
Como o devedor não designou qual a dívida no momento do pagamento, não se aplica o nº1 do art.º 783º. Assim
sendo, temos de aplicar os critérios supletivos do art.º 784º

Caso prático 3

A estudante de Direito, comprou a B um computador pessoal. O preço acordado foi de 1 000 euros, pagáveis em 4
prestações iguais (250 euros), a primeira das quais vencia-se no momento da celebração do contrato e as restantes,
sucessivamente, no último dia dos três meses seguintes. Segundo o acordado, o computador, com características
especificas, deveria ser entregue no dia imediato à celebração do contrato na casa de A.

1ª hipótese: No dia do vencimento da 2º prestação, A pede a D que passe no escritório de B para pagar os 250€. D,
por confusão, entrega o dinheiro a E. 8 dias depois, B, que, entretanto, cedeu o seu crédito respeitante às duas
últimas prestações a E, escreve uma carta a A exigindo o pagamento dos 750€ em dívida e juros respetivos.

767º
774º
Este facto não extingue a obrigação, o devedor continua obrigado a cumprir perante o verdadeiro credor.
Portanto, no dia em que o pagamento é feito ao credor errado, constitui-se uma situação de não cumprimento, que
se traduz em mora do devedor – 804º. – ESC por prestação
762/1
Cessão - 770º/c? não será aplicável não pertence à prestação correspondente

A mora sobre obrigações pecuniárias pressupõe o pagamento de juros moratórios (806º) e, por se tratar de um
pagamento a prestações, o devedor, neste caso, perde o benefício do prazo (781º), sem prejuízo do disposto no
artigo 934º.
Entretanto, B cedeu o crédito correspondente às duas últimas prestações a E. é uma cessão de créditos parcial e
produz efeitos independentemente do conhecimento do devedor. A partir do momento em que se deu a cessão, o
credor passa a ser E, pelo que B não pode exigir o pagamento dos 750€ em falta e dos juros respetivos. Apenas pode
exigir 250€ (correspondentes à 2º prestação) e os juros moratórios sobre esses.
Mas na hipótese de A pagar os 750€ a B por desconhecer a cessão de créditos, isso não lhe é oponível (583º).
E adquiriu um crédito vencido (porque A não pagou a 2º prestação), pelo que E pode exigir imediatamente a 3º e a
4º prestações (781º).

2ª hipótese: No dia do vencimento da 2a prestação, D apresenta-se na casa de A com uma procuração de B para
receber a quantia devida. A recusa-se a pagar, razão pela qual B exige o imediato pagamento da quantia
correspondente às prestações em dívida.

769º e 771º - não é obrigado a receber se não houver convenção

D apresenta-se na casa de A – obrigação de entrega, que deve ser feita no lugar do domicilio do credor – 774º e
885º, embora nada obste que, ao abrigo da autonomia privada, as partes convençam que a entrega de proceda
noutro lugar.
Em caso de representação voluntária, a lei estabelece que “o devedor não é obrigado a satisfazer a prestação ao
representante voluntário do credor, nem à pessoa por este autorizada a recebê-la, se não houver convenção nesse
sentido” (art.º 771º), solução que ML critica, uma vez que contraria as tendências da atual sociedade económica,
fazendo aplicar o regime da mora do credor [art.º 813º], ao invés de permitir a aceitação de prestações recebidas
mediante procuração. O devedor pode recusar a prestação perante o representante voluntário [PIRES DE LIMA e
ANTUNES VARELA interpretam restritivamente esta disposição, não aplicável ao núncio nem ao encarregado de
cobrança, contra MENEZES LEITÃO].

Recusa legítima

3ª hipótese - F, amigo de A, constatando que este estava mal de finanças, apresenta-se no escritório de B para
pagar os 250 euros da 2a prestação, mas B, posto ao corrente da situação refere que tem direito a exigir a
totalidade, a não ser que F garanta o cumprimento do restante.

A – devedor de 1000 euros


B – credor de computador pessoal

B – devedor de um computador pessoal

1000 euros pagáveis em 4 prestações – compra e venda a prestações – 763º e 934º

1ª prestação no momento de celebração do contrato – 773º e 774º e 772º convenção de local diferente de entrega
do computador – obrigação de colocação. 885º

767º/1 – legitimidade ativa

B invoca insolvência do devedor nos termos do artigo 780º/1. Por insolvência entende-se o incumprimento
generalizado das prestações, ou seja, o devedor que não tem recursos suficientes para fazer face às suas obrigações,
não parecendo tal definição coadunar-se com o estar mal de finanças.

768º/1 – recusa do credor – incorre em mora – 813º

No caso de o devedor se encontrar numa situação de insolvência, B pode invocar o art. 780º, nº1. Pode também
recusar os 250€ oferecidos por F nos termos do art. 763º. Dado que, pelo facto de o devedor estar numa situação de
insolvência, as prestações venceram, então o credor não tem de aceitar receber menos do que a totalidade da
obrigação. 804º

Casos práticos compensação

Caso pratico 1

A é devedor de B no montante de 5 000 euros.

1a HIPÓTESE: A contratou B, empreiteiro, para efetuar uma reparação na casa daquele, tendo ambos fixado o
valor da obra em 6 000 euros. Ultrapassado o prazo convencionado para a reparação sem que esta tivesse sido
feita, A recebeu uma carta de B, na qual este se afirmava exonerado da sua obrigação, em virtude de já ter
ocorrido o vencimento da dívida de 5 000 euros.

A deve a B 6000
B devia a A 5000

B é o empreiteiro de A por 6000, NÃO fazendo a obra

Neste caso podemos equacionar se estamos perante uma compensação, isto é, quando duas pessoas estejam
reciprocamente obrigados a entregar coisas fungíveis da mesma natureza é admissível que ambas as obrigações
sejam extintas, total ou parcialmente, pela dispensa de ambas de realizar as suas prestações ou pela dedução a uma
das prestações da prestação devida pela outra parte. Como vimos, não estão preenchidos os requisitos exigidos pelo
art.º 87º não estando por isso perante o regime da compensação. Parece ser apenas um caso de incumprimento do
contrato por causa imputável a B – 798º e ss.

A devedor de prestação de coisa


B devedor de prestação de facto (pretsaçoes de facto ficam de fora da alínea b do 847)
Logo não está cumprido o requisito da fungibilidade. Não há direito a compensação

2a HIPÓTESE: A dívida de A corresponde ao valor da indemnização fixada judicialmente, numa ação proposta por
B, por acidente de viação causado negligentemente por A. Porém este considera que nunca se constituiu devedor
de B, dado que este ainda não entregara os 6 000 euros que lhe emprestara há um ano pelo prazo de 6 meses.

Indemnização fixada judicialmente – art.º 847º/a)


Obrigações reciprocas – 847º proémio
Fungíveis – 847º-b) diz respeito à espécie e qualidade. Mas são da mesma qualidade? Visto que uma tem por base
um facto ilícito (483º e ss.) e outra um contrato de mútuo (1142)? Sim – prestação de coisa – obrigações pecuniárias
Não sendo de valor equivalente, procede-se à compensação da parte correspondente (B tem de dar a A 1000 euros)
– 847º/c.

853º - créditos não compensáveis, mesmo reunidos os requisitos, devido à fonte.

Pode-se excluir pelo 853º/a? NÃO, este artigo é apenas para os factos ilícitos dolosos (intencional), sendo que na
hipótese fala e negligência (não tomados os cuidados devidos) embora ambos tenham por base a culpa – juízo de
censura comportamental.

Seria possível operar a compensação. Necessário declaração, que poe ser tácita – 848º - 854º

Dolo eventual – conforma-se com o quadro final

3a HIPÓTESE: Entretanto, B causou, intencionalmente, danos no automóvel de A, em montante a liquidar em


execução de sentença. De imediato A telefonou a B declarando-se exonerado da sua obrigação.

Nos termos do art.º 853º a lei esclarece que não podem extinguir-se por compensação os créditos provenientes de
factos ilícitos dolosos. A lei pretende reprimir este tipo de comportamentos e retirar os benefícios que deles
poderiam resultar. Assim quem sendo credor de outra pessoa furtou o dinheiro dela ou destruiu os seus bens não
pode depois evitar a restituição das ou a indemnização devida declarando a compensação do seu crédito com a
obrigação em que se constituiu. No entanto, nada impede que o lesado, A, venha, nessas circunstâncias, invocar a
compensação para extinguir a sua dívida.

Não obstante, o montante dos danos causados na viatura de A ainda tinham de ser apurados. Podia suceder que os
danos ascendessem ou fossem inferiores a 5.000, valor da dívida de A, caso em que, uma vez não sendo as dívidas
de montante equivalente, pode dar-se a compensação na parte correspondente - 847º/1-b)
847º/3 – averiguação do montante.

4a HIPÓTESE: O crédito de B, ainda não vencido, é objeto de um penhor, constituído para a garantia de um crédito
de D. Entretanto B furtou a A um quadro avaliado em 5 000 euros, tendo sido condenado a restituí-lo.
Neste circunstancialismo, A e B celebraram um acordo escrito, tendo por objeto a imediata extinção de ambas as
obrigações.

A deve a B 5.000 – crédito ainda não vencido que foi objeto de penhor - penhor confere ao credor o direito à
satisfação do seu crédito, bem como dos juros, se os houver, com preferência sobre os demais credores (D), pelo
valor de certa coisa móvel, ou pelo valor de créditos ou outros direitos não suscetíveis de hipoteca, pertencentes ao
devedor ou a terceiro.

B roubou a A um quadro de 5.000 – 847º e 853º/1

Não pode ser feita compensação se o crédito ainda não estiver vencido – 849º

Penhor prejudicaria 3º - 853º/2


No entanto, estamos perante uma compensação convencional – que em vez de ocorrer através de uma declaração
unilateral, resulta de um acordo realizado entre as partes (contrato de compensação). Sendo este celebrado ao
abrigo da autonomia privada, naturalmente que as partes já não estarão sujeitas à maior parte dos pressupostos e
limites estabelecidos para a compensação legal. Parece que para esta compensação se exigirá apenas que as partes
disponham de créditos que pretendam extinguir através do contrato, não sendo necessário que se trate de
créditos recíprocos, nem que eles sejam exigíveis, nem sequer que tenham por objeto prestações homogéneas.
Também se admite esta quanto ao artigo 853º/1.

Caso prático 2

A é credor de B em 1000 euros e juros. A obrigação vence a 31 de Dezembro.

1a HIPÓTESE: Em 31 de Outubro, B pretende pagar os 1000 euros acrescidos de juros até esse mês. Face à recusa
de A, B deposita os 1000 euros e juros contados até 31 de Outubro no Banco C, dando a este indicações no sentido
de permitir a movimentação por A daquele montante; por carta, B informa A do depósito e
respetivas condições.
Em Março seguinte, face à intimação de A para pagar os 1 000 euros, acrescidos de juros compensatórios e
moratórios, B informa-o de que considerava a dívida extinta desde Outubro anterior.

(tentativa de) Consignação em depósito – necessariamente judicial – 841º e ss.


A recusou legitimamente. Requisito do art.º 841º preterido/não cumprido.

2a HIPÓTESE: Em 31 de Outubro, C pretende pagar os 1 000 euros, acrescidos de juros contados até Dezembro,
informando A, que a quantia em causa se reportava à dívida de B. A recusa-se a receber, uma vez que diz que não
conhece C de parte nenhuma.
Perante a recusa de A, C pretende consignar em depósito, mas B ao ter conhecimento dessa intenção, proíbe-o,
terminantemente de o fazer.

3a HIPÓTESE: Afinal a dívida não era só de B, mas também em solidariedade de C. Por acordo entre A e B, A
comprometeu-se a não exigir o cumprimento de B, deixando claro que não prescindia de exigir a totalidade a C. C
veio efetivamente a pagar os 1 000 euros e respetivos juros e quando pretendia exigir de B 90 % do que pagara
(proporção nas relações internas) este opõe-lhe o acordo feito com A.

4a HIPÓTESE: A dívida não era só de B, mas também de C, desconhecendo-se o regime de solidariedade ou


parciariedade. A morre, sendo B o seu único herdeiro. B exige a C o pagamento do 1000 euros e respetivos juros,
mas este recusa-se a pagar mais de 10 %, única proporção a que se considerava obrigado.

5a HIPÓTESE: A dívida não era só de B, mas também de C, em regime de solidariedade. B morre sendo A seu
herdeiro. C apresta-se a informa que se considera exonerado.
CASO PRÁTICO 2– NÃO CUMPRIMENTO

 Interesse contratual negativo vs. positivo


 Querela doutrinária sobre a resolução do contrato – indemnização – 801º/2 – impossibilidade culposa e
incumprimento definitivo = regime

A comerciante grossista, celebrou com B, comerciante retalhista em 15 de Janeiro, um contrato de compra e


venda pelo qual aquele vendia a este cem fardos de bacalhau que tinha em armazém.
Convencionaram ambos, que embora o preço acordado fosse pago no ato da celebração do contrato – o que
realmente aconteceu – a entrega da mercadoria teria lugar apenas em 15 de Fevereiro, ficando a mesma,
entretanto, depositada no armazém de A.

1ª HIPÓTESE: Em 2 de Fevereiro, um incêndio provocado dolosamente por um rival de A, destruiu as instalações


do armazém em que a mercadoria se encontrava, perdendo-se esta totalmente e impedindo que A procedesse à
sua reposição em tempo de satisfazer as encomendas de terceiros. Pretende B a restituição do preço pago e a
reparação dos prejuízos sofridos.

 Contrato sinalagmático
 Prazo certo
 Não cumprimento devido a impossibilidade do objeto – 790º - não imputáveis ao devedor. Não há
cumprimento porque não se pode cumprir aquilo que é impossível.
 Impossibilidade física – deriva da natureza material da coisa. Fardos deixaram de existir com o incendio.
 Impossibilidade absoluta, no sentido de que a prestação se torne efetivamente irrealizável, não
podendo, de todo, ser efetuada ou recebida.
 Impossibilidade definitiva. se for temporária o devedor não responde pelo atraso no cumprimento nos
termos do 792º/1º, mas continua adstrito a realização da prestação. Poderíamos considerar que era
temporária por o facto de ele dizer que que não consegue proceder a sua reposição a tempo de
satisfazer as encomendas, - credor 808?????? Fungibilidade
 O resultado não é a nulidade, porque o negocio é valido a data da sua celebração, a obrigação é que se
extingue – 791º/1.
 Risco ocorre por conta do adquirente (B) – 796º/ 1 e 408º/1; ou risco só se transfere com o vencimento
do termo ou entrega da coisa? (796º/2) se já houve transmissão da propriedade sobre a coisa objeto da
obrigação de entrega, o seu perecimento não possa importar a extinção do direito à contraprestação,
conforme resulta do art.º 796.º, n.º 1. O devedor fica assim exonerado da sua obrigação, mas o credor,
uma vez que suporta o risco, continua onerado com a sua contraprestação. A transferência da
propriedade acarreta, assim, a transferência do risco pela perda ou deterioração da coisa.
 Restituição do preço pago – 795º/1

Correção:
796º resolvia a questão – artigo para quando há transferência do domínio/do direito real sobre determianda da
coisa
Contrato sinalagmático
Prazo certo
Impossibilidade temporária torna-se definitiva + 808

790º - regra geral, mas tem de ceder perante normas especiais, como o 795º e 796º

Obrigação genérica (regra geral só se torna especifica quando há cumprimento)

2ª HIPÓTESE: Admita agora que o incêndio de que resultou a perda da mercadoria foi causado por B.

 Neste caso, não deixa de se verificar a exoneração do devedor em relação à sua obrigação, mas já não
pareceria correto que essa exoneração viesse a acarretar também a extinção da correspondente
obrigação do credor, uma vez que lhe é imputável a situação. Daí que a lei disponha que, quando a
prestação se torna impossível por causa imputável ao credor, este não fica desobrigado da
contraprestação, sucedendo apenas que, se o devedor tiver algum benefício com a exoneração, pode
esse benefício vir a ser descontado na contraprestação (art.º 795.º, n.º 2).

CASO PRÁTICO - CUMPRIMENTO/NÃO CUMPRIMENTO/ MORA DO CREDOR

A comprometeu-se para com B a guardar-lhe uma viatura durante um ano, tempo correspondente à
ausência temporária deste no estrangeiro. No fim do ano (dia x), B apresentar-se-ia no domicílio de A para levantar a
viatura e pagar os 500 euros como retribuição.
No dia combinado, B que já regressara, não compareceu no domicílio de A e telefona-lhe a exigir que este
lhe vá entregar a viatura. A recusa-se a fazê-lo porque se apercebe que B se ‘’esquecera’’ do carácter oneroso do
contrato. Quinze dias depois o telhado da garagem de A ruiu por completo, danificando seriamente o automóvel de
B.

1ª HIPÓTESE: Quid iuris se 8 dias antes A foi alertado pelos serviços camarários do mau estado do telhado e do
perigo de desmoronamento.

Contrato de deposito
Obrigação com prazo certo
Obrigação de colocação
Mora do credor – 813º; obrigação de indemnização nos termos do 816º, que não assenta propriamente num ato
ilícito, mas antes responsabilidade por atos lícitos. 814º
Local do cumprimento convencionado pelas partes – 1195º é meramente supletivo
815º - inversão do risco; maioria da doutrina pressupõe que não há presunção de culpa do 799º.
Conduta dolosa do devedor (dolo eventual, não mera negligencia), conforma-se com o prejuízo que advenha para o
automóvel.

2ª HIPÓTESE: Suponha agora que o automóvel fica totalmente destruído e que A consegue receber de uma
companhia o seguro quantitativo razoável, relativo à garagem e ao automóvel.

Impossibilidade definitiva – 815º/2


813 – mora; não exonerado na contraprestação; 794; 801º; 803º
Commodum de representação
Dolo do devedor

3ª HIPÓTESE: Admita agora que o lugar combinado para a entrega da viatura era o domicílio de B e que a se recusa
a fazer essa entrega enquanto B não lhe entregar no seu domicílio (de A), os 500 euros.

Exceção de não cumprimento – 428º