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ESTER
O livro de Ester (Est) data provavelmente Temas específicos
do fim do período persa (c. 350 aC), embora – O nacionalismo religioso, o antijudaísmo e
o tema da perseguição leve alguns a situá-lo a desforra dos judeus. O fanatismo religioso que
no tempo de Antíoco Epífanes (c. 170 aC). pode transparecer neste escrito é anterior à
Veio até nós em duas formas: a forma mais visão de Cristo. Se se deve louvar a fidelidade
curta, em hebraico – certamente mais origi- ao Deus de Israel, não é preciso concordar com
nal – e a forma ampliada, em grego (na LXX), a desforra desprovida do espírito do Sermão da
considerada canônica pela Igreja católica. Montanha. “Examinai tudo e retende o que é
Os acréscimos da versão grega são do fim do bom” (1Ts 5,21). À luz da pregação de Jesus e
séc. 2º aC. Em nossa tradução, esses acrésci- da teologia de Paulo, o nacionalismo judaico
mos são postos entre { }, com a numeração de extremo não é aceitável para os cristãos, mas
versículos usada na Nova Vulgata. Outras edi- isso não justifica o antijudaísmo e as persegui-
ções assinalam por letras maiúsculas os blocos ções perpetradas pela cristandade. Conservan-
acrescentados. do este escrito, mesmo em sua forma mais radi-
cal, a Igreja nos lembra de nossas raízes no
Conteúdo geral povo eleito e nos estimula à compreensão ade-
quada desta parte de nossa memória.
O rei persa Assuero depõe a rainha Vasti, – Ester ocupa um lugar entre as “mulheres de
porque ela recusa apresentar-se para ser ad- valor”, na Bíblia: Sara, Agar, Rebeca, Raquel,
mirada no seu banquete. Ester – filha ado- Tamar, Rute, Débora, Judite. Com esta última,
tiva do israelita Mardoqueu – torna-se rai- ele tem em comum o uso de sua elegância para
nha, sem revelar sua origem. O funcionário defender seu povo junto ao dominador estrangei-
persa Amã convence Assuero a editar um ro. A diferença é que no caso de Judite o domi-
decreto contra os judeus, mas Mardoqueu nador estrangeiro era o tirano em pessoa (Holo-
convence Ester a intervir pelo seu povo, mes- fernes, pensado à imagem e semelhança de An-
mo com perigo de vida. Ester se apresenta tíoco Epífanes), enquanto no caso de Ester o
ao rei, que lhe dá ouvido. Num banquete que soberano estrangeiro é o rei persa, normalmente
reúne Assuero, Ester e Amã, este é desmas- tolerante para com os judeus, mas, no caso, en-
carado e em seguida enforcado na forca que ganado por um conselheiro perverso. Seja como
preparara para Mardoqueu. for,asmulheresjudaicassãofortes,comojádis-
seram as parteiras egípcias ao faraó que queria
O rei recompensa Ester e Mardoqueu e per- que eliminassem os recém-nascidos (Ex 1,19).
mite que enviem uma carta para todo o reino, – A intervenção de Ester em prol de seu povo
dando aos judeus direito de desforra caso se- suscitou, no cristianismo, a aplicação mario-
jam atacados. São organizados dias de des- lógica de alguns textos: também Maria inter-
forra na capital e no interior, que dão origem vém por seu povo, a Igreja, e por todos aque-
à festa de Purim (Sortes). les que buscam Deus (5,1b-2; 7,2b-3; festa de
A história é de evidente teor nacionalista, N. Sra. Aparecida). Esta interpretação, eviden-
reforçado ainda mais nos acréscimos da tra- temente, só se aplica a estes versículos, abs-
dução grega. tração feita do conjunto da obra.

[Situação. Sonho de Mardoqueu] {1aNo segundo ano do reinado de Arta-


1
Foi no tempo de Assuero, que reinou xerxes, o grande rei, no primeiro dia do mês Est
1 desde a Índia até a Etiópia sobre cento e
vinte e sete províncias.
de Nisã, Mardoqueu, filho de Jair, filho de
Semei, filho de Cis, da tribo de Benjamim,

 1,1-1k O judeu Mardoqueu, funcionário do rei da Pérsia e protetor de Ester, tem um sonho apocalíptico
Ester 1 532

1b
que servia na corte real, teve um sonho. 1cO do com abundância e de qualidade. 8Mas
sonho foi este: Apareceram vozes e tumulto, ninguém era obrigado a beber, pois o rei
trovões e terremotos, e uma grande perturba- havia determinado a todos os superintenden-
ção sobre a terra. 1dDe repente, avançaram dois tes do palácio, que agissem de acordo com a
enormes dragões, preparados ambos para vontade de cada um.
atacar. 1eSua luta ficou encarniçada, e eles co-
meçaram a vencer. Reuniram-se as nações, [A rainha Vasti recusa comparecer]
1f
num dia tenebroso e triste, e houve uma gran- 9
Também a rainha Vasti organizou, no pa-
de perturbação entre os habitantes da terra.
1g lácio real, onde o rei Assuero costumava re-
Temendo a destruição, 1hclamaram para
sidir, um banquete para as mulheres. 10No
Deus. Do som do seu clamor surgiu peque-
sétimo dia, como o rei estava mais alegre
na fonte, que se tornou um imenso rio e re-
por causa do vinho, deu ordem aos sete eu-
dundou num grande mar. 1iA luz e o sol apa-
nucos que o serviam – Maumá, Bazata, Har-
receram, os humildes foram exaltados e aca-
bona, Bagata, Abgata, Zetar e Carcás – 11que
baram com os nobres. 1kTendo tido este so-
introduzissem a rainha Vasti diante do rei,
nho, Mardoqueu, ao levantar-se do leito, re-
ela trazendo sobre a cabeça o diadema real.
fletiu sobre o que Deus quereria fazer. Fi-
Assuero queria exibir, diante de todos os
xou o sonho em sua mente, até que fosse
povos e príncipes a beleza da rainha. De fato,
revelado.}
era muito linda. 12Mas ela recusou-se a com-
parecer, apesar da ordem do rei, que lhe fora
[O banquete de Assuero]
transmitida pelos eunucos. Irado e ardendo
2
Depois de ter ocupado o trono do seu rei- em cólera, 13o rei interrogou os sábios, que
no na cidade de Susa, no terceiro ano do seu conheciam os tempos, e a cujo conselho re-
império, 3o rei ofereceu um grande banquete corria para tomar qualquer decisão, pois eles
a todos os seus príncipes e servidores, os eram entendidos nas leis e no direito dos
mais poderosos entre os persas e os medos, antepassados. 14Os mais próximos eram Car-
os nobres e prefeitos das províncias. 4Ele o sena, Setar e Admata, Tarsis e Mares, Marsa-
fez com a intenção de mostrar-lhes as rique- na e Mamucá, sete chefes dos persas e dos
zas da glória do seu reino, e o esplendor e a medos, que viam a face do rei e ocupavam
magnificência da sua grandeza. Isto, duran- os primeiros lugares no reino.
te muito tempo, a saber, cento e oitenta dias. Ele interrogou-os: 15“Segundo a lei, o que
5
Tendo-se completado os dias do banque- se deve fazer à rainha Vasti, que se recusou
te, ele convidou a todo o povo que se achava a cumprir a ordem do rei Assuero, mani-
em Susa, do maior ao menor. E durante sete festada a ela pelos eunucos?” 16Respondeu
dias mandou que se realizasse outro banquete Manucá, sendo ouvido pelo rei e os prínci-
no vestíbulo do jardim do palácio real. 6Es- pes: “A rainha Vasti ofendeu não só ao rei,
tendiam-se por toda parte cortinas de linho mas a todos os príncipes e povos que vivem
e de musselina e de jacinto, sustentadas por em todas as províncias do rei Assuero. 17Pois
cordões de linho e de púrpura, que se inse- a sua atitude chegará a todas as mulheres,
riam em círculos de prata e se apoiavam em fazendo que elas desrespeitem seus maridos,
colunas de mármores. Havia também divãs justificando-se assim: ‘O rei Assuero man-
de ouro e de prata, alinhados sobre o pavi- dou que a rainha Vasti se apresentasse a ele,
mento calçado com pedras de esmeralda e e ela recusou-se’. 18E nesse mesmo dia, to-
pário, e outras de várias cores. 7Os convida- das as esposas dos príncipes persas e medos
dos bebiam em copos de ouro, de formas e dirão aos príncipes do rei a palavra que ouvi-
tamanhos diferentes. Também o vinho, de ram da rainha. E o resultado vai ser despeito
Est acordo com a magnificência real, era servi- e indignação! 19Se o rei achar bom, promul-

que anuncia a queda dos poderosos. • 1h grande mar, lit.: muitas águas. • 1i acabaram com, lit.: devoraram.
 1,2-8 O rei organiza um grande banquete...  1,9-22 A rainha Vasti também também tinha organizado
um banquete e recusa apresentar-se para ser admirada no banquete do rei. • 10 >Dn 5,14. • 17 atitude,
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8
gue-se um decreto de tua parte, para ser in- Tendo-se tornado público o decreto do
cluído entre as leis dos persas e dos medos, rei, e segundo suas ordens, muitas jovens
que são irrevogáveis, para que nunca mais formosas foram levadas para Susa e con-
Vasti se apresente ao rei, e que outra mulher, fiadas a Egeu. Também Ester foi levada ao
melhor do que ela, receba o seu título de rai- palácio real e entregue às mãos de Egeu, o
nha. 20Divulgue-se isto em todo o vastíssimo guarda das mulheres. 9Ela agradou a Egeu
império das tuas províncias, e todas as espo- e encontrou graça a seus olhos, tanto que
sas, tanto as dos grandes como as do povo, ele lhe forneceu logo o necessário para seus
respeitarão os seus maridos”. 21A proposta enfeites e, além das provisões, deu-lhe sete
agradou ao rei e aos príncipes, e o rei fez o escravas belíssimas do palácio. Depois
que Mamucá tinha aconselhado. 22Enviou, transferiu-as, tanto Ester como suas com-
pois, cartas a todas as províncias do seu rei- panheiras, para os aposentos melhores do
no, conforme cada nação pudesse ouvir e ler, harém. 10Ester não o informara sobre o seu
nas diversas línguas e alfabetos, recordando povo e sua parentela, pois Mardoqueu a ins-
que os maridos são os príncipes e chefes em truíra para que nada dissesse a respeito. 11O
suas casas, e que devem manter submissas próprio Mardoqueu passava cada dia à fren-
as suas mulheres. te do vestíbulo do pavilhão onde se guar-
davam as moças escolhidas, preocupado
[Ester torna-se rainha] com a saúde de Ester e querendo saber o
1
Depois desses acontecimentos, e acal- que lhe acontecia.
2 mada a sua indignação, o rei Assuero
lembrou-se de Vasti, do que ela fizera e
12
Chegou o tempo da apresentação de cada
uma das jovens, por ordem, ao rei, depois de
como fora castigada. 2Disseram então os ser- terem cumprido o que dizia respeito ao trata-
vos e ministros do rei: “Sejam procuradas mento de beleza durante doze meses. De fato,
para o rei moças virgens e formosas. 3Sejam durante seis meses elas deviam ungir-se com
encarregados alguns de descobrir, por todas óleo de mirra, e outros seis meses, com cos-
as províncias, moças virgens e formosas, tra- méticos e aromas próprios para as mulheres.
13
zendo-as para a cidade de Susa e entregan- Para se apresentarem ao rei, recebiam o que
do-as ao harém real. Ali estarão às ordens pedissem para levar consigo, do harém até o
de Egeu, o eunuco, superintendente e guarda aposento real. 14A que tinha entrado à tarde,
das mulheres do rei, o qual lhes fornecerá o pela manhã era trazida de volta ao segundo
necessário para os seus enfeites. 4Aquela harém, confiado a Sasagaz, que cuidava das
que, entre todas, mais agradar ao rei, será concubinas. E não tinha a permissão de vol-
rainha em lugar de Vasti”. A proposta agra- tar para junto do rei, a não ser que este a de-
dou ao rei, o qual deu ordens para que assim sejasse e mandasse chamá-la pelo nome.
15
sefizesse. Passado o tempo dos turnos, aproximava-se
Havia um judeu na cidade de Susa, cha- o dia em que Ester, filha de Abiail, tio pater-
mado Mardoqueu, filho de Jair, filho de no de Mardoqueu, que a adotara como filha,
Semei, filho de Cis, da tribo de Benjamim. devia apresentar-se ao rei. Ela não pediu nada
6
Ele fora deportado de Jerusalém, com os mais além daquilo que lhe quis dar Egeu, o
cativos que vieram com Jeconias, rei de Judá, eunuco encarregado das mulheres, e aos olhos
a quem Nabucodonosor, rei de Babilônia, de todos parecia graciosa e amável.
havia exilado. 7Ele era o pai de criação da 16
Ester foi, pois, conduzida ao aposento do
filha do seu tio paterno, Edissa, também rei Assuero, no décimo mês, que chamam
chamada Ester, órfã de pai e mãe, muito bela de Tebet, no sétimo ano do seu reinado. 17E
e atraente. Tendo ela perdido seus pais, o rei a amou mais do que a todas as mulhe-
Mardoqueu a havia adotado como filha. res, e ela conquistou sua graça e favor acima
Est

lit.: palavra/discurso. • 22 >3,12; 8,9; Dn 3,4; 6,26.  2,1-18 A rainha Vasti é deposta
e Ester, filha adotiva de Mardoqueu, depois de escolhida para o harém, torna-se rainha,
sem revelar sua origem judaica. • 5s >{1,1a-c}. • 7 >8,1. • 8 >Dn 1,13-10. • 14 >4,11.
Ester 2–3 534

das outras jovens. Tanto assim que Assuero passagem, irou-se muito. 6E achou pouco
pôs o diadema real na cabeça de Ester e a atingir só a Mardoqueu, mas, tendo sabido
fez sua rainha, em lugar de Vasti. 18Preparou que ele era judeu, tomou a decisão de acabar
então um banquete magnífico, para todos os com toda a nação dos judeus que se encon-
príncipes e seus servos, em homenagem a trassem no reino de Assuero.
Ester. Concedeu também a remissão do tri-
buto a todas as províncias, e ofereceu pre- [Decreto de extermínio dos judeus]
sentes com liberalidade suprema. 7
No primeiro mês, chamado de Nisã, no
décimo segundo ano do reinado de Assuero,
[Mardoqueu e Amã]
lançou-se na urna, diante de Amã, o “Pur”,
19
Mardoqueu, no entanto, continuava junto isto é, a sorte, para se saber em que dia e
à porta do palácio real. 20Pois Ester, obede- mês o povo dos judeus devia ser extermina-
cendo às instruções dele, ainda não revelara do. E saiu o dia treze do décimo segundo
qual a sua família e o seu povo. Aliás, Ester mês, o mês de Adar. 8Disse Amã ao rei As-
continuava a obedecer ao que ele mandasse, suero: “Há um povo espalhado por todas as
como costumava fazer no tempo em que, ain- províncias do teu reino, separado entre os po-
da pequenina, fora por ele adotada. 21Por vos e obedecendo a leis estranhas, que os
aquele tempo em que Mardoqueu permane- outros não conhecem, e que além disso des-
cia junto à porta do palácio, dois eunucos do preza os decretos do rei. Não convém que o
rei, que eram porteiros, Bagatã e Tares, re- rei os deixe tranqüilos. 9Se te apraz, manda
voltaram-se e planejaram um atentado con- lavrar o decreto da sua exterminação, e eu
tra o rei. Mardoqueu o soube e logo avisou à entregarei dez mil talentos de prata aos caixas
rainha Ester. Esta comunicou-o ao rei, da do teu tesouro. 10O rei tirou da sua mão o anel
parte de Mardoqueu. 23Feita a investigação e que trazia e o deu a Amã, filho de Amadates,
comprovando-se a culpa, os dois foram en- da descendência de Agag, inimigo dos ju-
forcados. E o fato foi consignado no livro deus. 11E disse-lhe: “O dinheiro que prome-
dos anais, na presença do rei. tes seja teu. Quanto a esse povo, trata-o co-
1
Algum tempo depois, o rei Assuero mo achares melhor”.
3 promoveu Amã, filho de Amadat, que
era da descendência de Agag, e lhe concedeu
12
No dia treze do primeiro mês foram cha-
mados os escribas do rei. Como ordenara
um trono mais elevado que o de todos os Amã, mandaram-se cartas a todos os sátrapas
seus príncipes. 2Todos os servos do rei, que do rei e governadores das províncias e chefes
se encontrassem na entrada do palácio, do- dos diversos povos, em nome do rei Assuero.
bravam os joelhos e se inclinavam diante As cartas foram autenticadas com o seu anel,
13
dele: assim havia prescrito o rei a seu res- e logo enviadas, por estafetas, a todas as
peito. Só Mardoqueu não dobrava os joelhos províncias do reino. Nelas estava a ordem de
nem se inclinava perante ele. 3Disseram en- matar, exterminar e aniquilar todos os judeus,
tão a Mardoqueu os servos do rei, que ser- desde os meninos aos anciãos, crianças e mu-
viam na entrada do palácio: “Por que não lheres, num só dia, isto é, no dia treze do
observas o mandamento do rei?” 4Tendo-o décimo segundo mês, o mês de Adar, e que
advertido mais vezes, e como ele se recusas- seus bens fossem confiscados.
se a atender, avisaram a Amã. Queriam ver se {13aEis a cópia da carta: “O grande rei Ar-
Mardoqueu, que alegava ser judeu, continua- taxerxes aos sátrapas e governadores das cen-
ria o seu comportamento. 5Tendo Amã com- to e vinte e sete províncias que, desde a Índia
provado pessoalmente que Mardoqueu não até a Etiópia, estão sujeitas à sua autorida-
Est dobrava os joelhos nem se inclinava à sua de. Isto manda o rei: 13bEmbora governando

 2,19–3,6 Enquanto Mardoqueu continua orientando Ester, o funcionário Amã desenvolve


uma política contra os judeus. 21 >6,1s. • C. 3,1 promoveu, lit.: exaltou. • 3 serviam, lit.:
presidiam.  3,7-13h Amã convence Assuero a editar um decreto contra os judeus. • 7 >9,24.
• 8 >Nm 23,9; Dt 4,5-8. • 10 >8,2; Gn 41,42. • 13 >Gn 45,8. • 13b garantir, lit.: renovar.
535 Ester 3–4

muitas nações, e tendo subjugado ao meu publicado o decreto em Susa. Enquanto o


império todo o orbe, não quis de modo al- rei e Amã se banqueteavam, a cidade ficou
gum abusar da grandeza do meu poder, mas alvoroçada.
sempre governar a vida dos meus súbditos {15aTodas as etnias fizeram banquetes. O
agindo com clemência e bondade, sem usar próprio rei, com Amã, no interior do palácio
do terror. Mantendo meu reino em segurança real, entregava-se a excessos com os ami-
e com livre trânsito até as fronteiras, procu- gos. 15bPor outro lado, onde quer que se pu-
rei garantir a paz, almejada por todos. 13cPro- blicasse o texto da carta, rompia o pranto e
curando eu saber, de meus conselheiros, de o choro lancinante de todos os judeus. 15cE
que maneira se alcançaria este objetivo, um começaram a invocar o Deus de seus ante-
deles, que se distingue dos outros pela pru- passados, dizendo:
15d
dência, boa vontade e inabalável fidelidade, “Senhor Deus, tu só és Deus no céu
Amã, 13dinformou-me que, entre as tribos de lá em cima,
toda a terra, está espalhado um povo hostil, e não há outro além de ti.
15e
o qual, agindo por suas leis contra os costu- Se tivéssemos cumprido a tua lei e
mes de todas as nações, sempre despreza as teus preceitos,
ordens do rei, impedindo que se mantenha a teríamos continuado a viver em
concórdia das nações, por nós consolidada. segurança e em paz
13e
Tendo tomado conhecimento disto, vendo por todo o tempo da nossa vida.
15f
que só este povo rebelde segue leis perver- Agora, porém, porque não cumprimos
sas contra toda a raça humana e se opõe aos os teus mandamentos,
nossos interesses, comete os priores crimes caiu sobre nós toda esta tribulação.
15g
Tu és junto e clemente, excelso e
e impede a paz do reino, 13fmandamos o se-
grande, Senhor,
guinte: Que todos aqueles que são nomea-
e todos os teus caminhos são justos.
dos na carta de Amã, que preside os negó- 15h
Agora, Senhor, não entregues teus
cios do Estado e a quem honramos como a filhos ao cativeiro,
um pai, sejam completamente exterminados nem nossas esposas ao estupro e à ruína,
com suas mulheres e crianças, pela espada tu que tens sido propício a nós desde
de seus inimigos, no dia quatorze do décimo o Egito até agora.
segundo mês, o mês de Adar, do corrente 15i
Tem compaixão da tua parte escolhida
ano. Que ninguém tenha compaixão deles. e não entregues à infâmia a tua herança,
13g
Assim, essa gente, já há tempo criminosa, deixando os inimigos dominarem
descendo num só dia violentamente à man- sobre nós!”}
são dos mortos, deixará plenamente estável
e tranqüila a nossa administração. 13hQuem [Mardoqueu e Ester vão conjurar o perigo]
ocultar essa raça, não terá mais lugar para 1
Tendo tomado conhecimento de tudo o
viver nem entre as pessoas nem entre as aves,
e será queimado com fogo santo. E seus bens 4 que acontecera, Mardoqueu rasgou as
vestes, cobriu-se com pano de saco e espa-
serão confiscados para o reino! Passai bem”.}
lhou cinzas na cabeça. Na praça do centro da
[Promulgação do decreto]
cidade, clamava em alta voz e amargamente,
2
vindo dali até a entrada do palácio. No pa-
14
O texto das cartas devia ser promulgado lácio mesmo não podia entrar, vestido de
como lei em todas as províncias, para que pano de saco. 3Também em todas as provín-
todos os povos o soubessem e se preparas- cias, onde quer que tivesse chegado o edito e
sem para o referido dia. 15Apressaram-se os decreto real, era ingente o pranto entre os
estafetas, que tinham sido enviados, para judeus, o jejum, uivos e choro, muitos tendo Est
cumprir a ordem do rei. Imediatamente foi trocado o leito pelo pano de saco e as cinzas.

 3,14-15i O decreto causa alvoroço entre as outras etnias e oração entre os judeus. • 15g justos, lit.:
juízos, julgamentos.  4,1-16 Mardoqueu convence Ester a aproximar-se do rei para intervir por seu
Ester 4 536

4
Aproximando-se de Ester, suas escravas e se encontram em Susa, e fazei um jejum por
os eunucos contaram-lhe tudo. Ouvindo isso, mim. Nada comais e bebais durante três dias
ela angustiou-se muito e mandou roupas para e três noites. Também eu com minhas escra-
que Mardoqueu se vestisse, tirando o pano vas jejuaremos da mesma forma. Depois me
de saco. Ele, porém, não quis. 5Então Ester apresentarei ao rei, mesmo contrariando o
chamou Atac, o eunuco que o rei pusera à preceito. Se for preciso morrer, morrerei”.
sua disposição, e lhe mandou que fosse ter
com Mardoqueu, para perguntar-lhe por que [Orações de Mardoqueu e de Ester]
fazia assim. 6Atac foi ter com Mardoqueu, 17
Mardoqueu pôs-se em ação e fez tudo o
que se encontrava de pé na praça da cidade,
que Ester lhe havia mandado.
diante da porta do palácio. 7Mardoqueu o
{17aReunido com os anciãos do povo, ras-
informou sobre tudo o que havia acontecido,
gou suas vestes, endossou o pano de saco e
especialmente a promessa de Amã de conse-
prostrou-se com a face por terra, de manhã
guir dinheiro para os tesouros do rei, em tro-
até a noite. 17bEle orou:
ca do extermínio dos judeus. 8Também lhe
“Ó Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus
entregou uma cópia do decreto, publicado em
de Jacó, tu és bendito!
Susa, sobre o extermínio dos judeus. Pediu- 17c
Senhor, Senhor, Rei todo-poderoso,
lhe que a mostrasse à rainha e a advertisse
em teu poder estão todas as coisas
para ir ter com o rei e o suplicasse, interce-
dendo em favor do seu povo. e não há quem possa resistir à tua vontade,
{8aAssim mandou dizer a Ester: “Lembra- se decidires salvar Israel.
17d
te dos dias em que eras pobre, quando foste Pois tu fizeste o céu e a terra
alimentada por minha mão. Amã, o segundo e todas as maravilhas que se encontram
depois do rei, falou contra nós, pedindo a nossa na abóbada celeste.
17e
morte. Quanto a ti, invoca o Senhor e fala ao Tu és o Senhor de todas as coisas
rei em nosso favor, livrando-nos da morte!”} e não há quem possa resistir à tua
9
Tendo voltado, Atac transmitiu a Ester majestade.
17f
tudo o que Mardoqueu lhe dissera. 10Ela, por Tu sabes, Senhor, que eu de boa
sua vez, mandou dizer a Mardoqueu: 11“To- vontade adoraria
dos os servos do rei, e todas as províncias as plantas dos pés de Amã, para
que estão sob seu domínio, sabem que há salvarIsrael.
17g
uma lei ordenando a morte imediata para Não o fiz, porém, para não colocar a
quem quer que seja, homem ou mulher, que glória de um ser humano
entre para dentro do átrio do rei sem ter sido acima da glória do meu Deus,
chamado. Isto, a menos que o rei lhe esten- e não adorarei a outro senão a ti,
da o cetro de ouro, para que possa continuar Senhor, meu Deus.
17h
vivo. Eu, porém, já faz trinta dias que não Não faço isto por arrogância,
sou chamada à presença do rei”. nem por vanglória, Senhor!
12
Tendo Mardoqueu ouvido isto, 13mandou Aparece, Senhor! Manifesta-te, Senhor!
17i
novamente dizer a Ester: “Não penses em Agora, Senhor e Rei, Deus de Abraão,
preservar somente a tua vida, entre todos os Deus de Isaac e Deus de Jacó,
judeus, porque vives no palácio real. 14Se tem compaixão do teu povo,
agora te calares, a libertação e salvação vi- pois nossos inimigos querem nos
rão aos judeus de outra parte, mas tu, com a exterminar
tua família, morrerás. Quem sabe se por isso e destruir a tua herança!
17k
mesmo chegaste à realeza, para que em tal Não desprezes a tua parte,
situação estivesses pronta para agir?” que resgataste para ti, da terra do Egito.
Est 15
Então Ester mandou este recado a Mar- 17l
Ouve a minha súplica e sê propício à
doqueu: 16“Procura reunir todos os judeus que tua herança:

povo, mesmo com risco de vida. • 8a dias em que eras pobre, lit.: dias da tua humildade. • 11
>
5,2; 8,4.  4,17-17kk Enquanto Ester prepara o encontro com Assuero, Mardoqueu fica orando.
537 Ester 4–5

transforma o nosso pranto em alegria, que tu concedeste um filho a Ana,


para que, vivendo, louvemos o teu em resposta à oração que brotava de
nome, Senhor. sua alma.
17aa
Sim, não feches a boca dos que cantam Ouvi, dos livros dos meus antepassados,
o teu louvor!” Senhor,
17m
E todo o Israel com todas as forças cla- que tu libertas, até o fim, a todos os
mou ao Senhor, porque uma morte certa os que agradam.
17bb
ameaçava. 17nTambém a rainha Ester, apavo- Agora, pois, ajuda-me, porque estou só,
rada com o perigo da morte iminente, pro- e não tenho ninguém senão tu, Senhor,
curou refúgio no Senhor. 17oTirando suas meu Deus!
17cc
vestes de luxo, cobriu-se com vestes de luto. Tu sabes que a tua serva tem abominado
Em vez dos perfumes finos, encheu a cabe- reclinar-se com os incircuncisos.
17dd
ça de cinza e humilhou duramente seu cor- Ó Deus, tu sabes que eu não tenho
po com jejuns. 17pProstrada por terra, com comido da mesa de suas maldições,
suas escravas, de manhã à noite, assim orou: nem bebido o vinho das suas libações.
17ee
17q
“Ó Deus de Abraão, Deus de Isaac e Tu sabes que, desde o dia de minha
Deus de Jacó, tu és bendito! coroação,
Socorre-me, pois estou sozinha, não tenho tido alegria senão somente
e não tenho outro defensor senão tu, em ti, Senhor.
17ff
Senhor, Tu sabes, ó Deus, que,
17r
agora que devo arriscar a minha vida! desde o momento em que este traje
17s
Ouvi, dos livros dos meus passou por minha cabeça,
antepassados, Senhor, eu o abomino como a um trapo imundo,
que tu salvaste Noé, no dilúvio. e não foi feliz o dia em que o revesti.
17gg
17t
Ouvi, dos livros dos meus antepassados, Agora, vem em auxílio a esta órfã,
Senhor, e inspira a palavra adequada à minha
que tu entregaste nove reis a Abraão, boca, diante do leão:
quando este dispunha de apenas torna-me graciosa a seus olhos
trezentos e dezoito homens. e muda o seu coração, para que odeie
17u
Ouvi, dos livros dos meus antepassados, quem nos ataca,
Senhor, para a perdição desse homem e dos que
que tu livraste Jonas do ventre da baleia. com ele consentem.
17hh
17v
Ouvi, dos livros dos meus antepassados, E a nós, livra-nos das mãos dos
Senhor, nossos inimigos;
que tu livraste Ananias, Azarias e Misael, converte o nosso luto em alegria
da fornalha de fogo. e as nossas dores em salvação!
17ii
17x
Ouvi, dos livros dos meus antepassados, Quanto aos que se levantam contra a
Senhor, tua herança,
que tu retiraste Daniel da cova dos leões. dá-lhes um castigo exemplar.
17kk
17y
Ouvi, dos livros dos meus antepassados, Aparece, Senhor! Manifesta-te, Senhor!”}
que tu te compadeceste de Ezequias, rei
[Ester apresenta-se ao rei]
dos judeus,
quando estava às portas da morte e 1
Ao fim de três dias, Ester revestiu-se
orava por sua vida,
e lhe concedeste mais quinze anos.
5 dos trajes de rainha e veio para o átrio
do palácio real, situado no interior, diante da
17z
Ouvi, dos livros dos meus antepassados, sala do trono. O rei estava sentado no seu
Senhor, trono, na sala de audiências, no lado oposto Est

• 17o vestes de luxo, lit.: de glória. • (perfumes) finos, lit.: de soberba. • 17cc incircuncisos
= não-judeus. • 17ff trapo imundo, lit.: pano de menstruação.  5,1-2p O rei dispõe de vida
e morte. Ester se apresenta, e o rei se agrada. • 1 sala do trono, lit.: basílica do rei.
Ester 5 538

à porta. 2Quando ele viu a rainha Ester, ale- [Ester prepara o confronto entre Assuero e Amã]
grou-se em vê-la, e estendeu em sua direção 3
Disse-lhe então o rei: “Que queres, rainha
o cetro de ouro que tinha nas mãos. Ela, apro- Ester? qual é o teu pedido? Ainda que pe-
ximando-se, tocou na ponta do cetro. disses a metade do meu reino, ela te seria
{2aResplandecendo nos trajes de rainha, concedida”. 4Ester respondeu: “Se for do
e tendo invocado a Deus, Salvador e Se- agrado do rei, peço-te que venhas hoje, e
nhor de todas as coisas, ela havia tomado Amã contigo, para o banquete que preparei”.
consigo duas escravas, 2bapoiando-se numa, 5
Imediatamente o rei determinou: “Chamai
com elegância, 2cenquanto a outra seguia sua logo Amã, para que se cumpra o desejo da
senhora, carregando a cauda do vestido. 2dA rainha Ester!”
própria Ester, com o rosto enrubecido e o Vieram, pois, o rei e Amã, para o banque-
olhar gracioso e resplandecente, escondia te preparado pela rainha. 6Disse a ela o rei,
um ânimo triste e angustiado, pelo medo depois de ter tomado vinho: “Que me pedes,
da morte. 2eTendo transposto todas as portas, para que te seja dado? Qual o pedido que
ela postara-se no átrio interior, à vista do tens? Se me pedisses a metade do meu reino,
rei, o qual estava sobre o trono com as ves- a receberias!” 7Respondeu Ester: “Eis o meu
tes reais, refulgindo em ouro e pedras pre- pedido, a minha súplica: 8Se encontrei graça
ciosas. Era terrível o seu aspecto, com o aos olhos do rei, e se ao rei agradar a conces-
cetro de ouro na mão. 2fTendo levantado os são do meu pedido, o atendimento da mi-
olhos e vendo-a, num primeiro momento, nha súplica, venha o rei e Amã a mais um
como touro enfurecido, havia pensado em banquete, que vou preparar, e amanhã direi
matá-la, clamando em tom ameaçador: o que desejo”.
“Quem ousou entrar na sala real sem ter 9
Saiu dali Amã alegre e contente. Ao ver
sido chamado?” A rainha estremeceu e, mu- Mardoqueu sentado à porta do palácio, per-
dada sua cor em palidez, deixou-se cair cebendo que ele não só não se levantara,
sobre a cabeça da escrava que a antecedia. mas nem sequer se movera da sua posição,
2g
Nesse momento, o Deus dos judeus e ficou furioso. 10Disfarçando a raiva, chamou
Senhor de toda a criação, infundiu mansidão os amigos e sua mulher, Zares, 11e mostrou-
no espírito do rei, o qual, com receio e de- lhes o fausto de suas riquezas, o número de
pressa, desceu do trono. Sustentando-a nos seus filhos e de quanta glória o rei o havia
braços, até que ela se refizesse, com pala- cumulado acima de todos os seus príncipes
vras apaziguadoras a confortou: 2h“Que e servos. 12E acrescentou: “A própria rainha
tens, rainha Ester, minha irmã e participante Ester não chamou a mais ninguém para o
do meu reinado? Sou teu irmão, não temas, banquete com o rei, senão a mim. E com
2h
não morrerás! Esta lei foi feita para todos, ela novamente amanhã devo tomar a refei-
menos para ti! 2kAproxima-te!” 2lLevantan- ção, junto com o rei! 13Entretanto, mesmo
do o cetro de ouro, tocou com ele o pesco- tendo tudo isso, é como se não tivesse nada,
ço de Ester e beijou-a, dizendo: “Fala comi- enquanto continuar a ver Mardoqueu, o ju-
go!” 2mEla respondeu: “Eu te vi, meu se- deu, sentado à porta do rei”. 14Responde-
nhor, como um anjo de Deus, e meu coração ram-lhe Zares, sua esposa, e os outros ami-
se perturbou pelo temor da tua glória. 2nPois gos: “Manda preparar uma forca de cin-
tu és muito admirável, meu senhor, e a tua qüenta côvados de altura, e dize pela manhã
face é cheia de graça!” 2oAo falar assim, de ao rei para que nela seja enforcado Mardo-
novo estremeceu e quase desmaiou. 2pO rei queu. Assim irás alegre, com o rei, para o
ficou preocupado, e da mesma forma os banquete”. Agradou-lhe a proposta, e ele
Est seus servos.} mandou levantar a forca.

• 2b com elegância, lit.: quase com prazer.  5,3-14 Com a intenção de confrontar Amã e
Assuero, Ester pede a este o favor de um banquete a três. Amã manda preparar a forca para
Mardoqueu. • 3 >5,6; 7,2; 9,12; Mc 6,23(p). • 5 desejo, lit.: palavra. • 9 direi o que desejo, lit.:
farei segundo a palavra do rei (que sugeriu um pedido); outra trd.: responderei à sua sugestão.
539 Ester 6–7

[Desgraça de Amã] apressou-se em voltar para casa, abatido e


1 com a cabeça coberta. 13Ele contou a Zares,
Naquela noite, o rei não conseguiu dor-
6 mir. Mandou então que lhe trouxessem
o livro dos registros, os anais dos tempos
sua esposa, e aos amigos, tudo o que lhe ti-
nha acontecido. Então os sábios, com os
quais se aconselhava, bem como sua mulher,
antigos. Tendo-se começado a leitura, 2che-
lhe disseram: “Se este Mardoqueu, ante o
gou-se à passagem onde estava escrito como
qual começaste a cair, é de descendência
Mardoqueu tinha denunciado as tramas de
judaica, nada poderás contra ele. Pelo con-
Bagatã e de Tares, os dois eunucos encarre-
trário, hás de cair à sua frente!” 14Eles ainda
gados das portas, que tinham planejado er-
estavam falando, quando vieram os eunucos
guer a mão contra Assuero. 3Ouvindo isto,
do rei e logo o levaram para o banquete que
perguntou o rei: “Que honra ou prêmio re-
a rainha havia preparado.
cebeu Mardoqueu por esta prova de fideli-
dade?” Responderam-lhe seus servos e mi-
[Amã no banquete de Ester]
nistros: “Absolutamente nada!” 4Perguntou
1
ainda o rei: “Quem se encontra no átrio?” O rei e Amã entraram no banquete, para
Nesse momento, Amã tinha entrado no átrio
exterior do palácio, com a intenção de suge-
7 beberem com a rainha. 2No segundo dia,
disse a ela o rei, já sob o efeito do vinho:
rir ao rei que mandasse enforcar Mardoqueu, “Então, qual o teu pedido, Ester, para seja
na forca que lhe havia sido preparada. 5Res- atendido? Que queres que eu te faça? Repi-
ponderam os servos ao rei: “É Amã que está to: Mesmo se pedires a metade do meu rei-
no átrio”. Disse o rei: “Que entre!” 6Tendo no, tu a alcançarás!” 3Ela respondeu: “Se en-
Amã entrado, o rei perguntou-lhe: “Que se contrei graça a teus olhos, ó rei, e se te agra-
deve fazer à pessoa a quem o rei deseja hon- da, concede-me a vida, pela qual suplico, e
rar?” Pensando no seu íntimo, e achando que a vida do meu povo, pelo qual te peço. 4Pois
o rei não quereria honrar a outro senão a ele fomos entregues, eu e meu povo, para ser-
mesmo, 7Amã respondeu: “O homem a quem mos esmagados, mortos, aniquilados. Se ao
o rei deseja honrar 8deve ser revestido das menos fôssemos vendidos como escravos e
vestes reais, que o próprio rei já usou, deve escravas, eu me calaria: essa tribulação não
montar o cavalo que é da montaria do rei, e mereceria preocupar o rei!” 5Assuero pergun-
receber o diadema real sobre sua cabeça. 9E tou: “Quem é esse, e onde está, quem ouse
o primeiro dos mais nobres príncipes reais fazer isso?” 6Respondeu Ester: “Nosso ini-
seja aquele que o deve revestir, e depois migo e perverso adversário é este aí, Amã!”
conduzir o seu cavalo pela praça da cidade, Ouvindo essas palavras, Amã ficou aturdi-
indo à frente e proclamando: ‘Assim é hon- do, diante do rei e da rainha. 7O rei levan-
rado aquele a quem o rei quer honrar!’” tou-se, indignado, e do lugar do banquete
10
Disse-lhe então o rei: “Depressa, providen- saiu para o jardim do palácio. Amã também
cia pelas vestes e o cavalo e, como disseste, levantou-se, para pedir à rainha Ester por sua
faze-o para o judeu Mardoqueu, que se en- vida, pois percebera que o rei já tinha deci-
contra sentado à porta do palácio. Toma dido a sua desgraça. 8Voltando o rei, do jar-
cuidado para não omitires nada daquilo que dim para a sala do banquete, viu que Amã se
falaste!” 11Assim, Amã teve de providenciar tinha atirado sobre o divã onde Ester estava
pelas vestes e o cavalo e, tendo revestido reclinada, e disse: “E ele ainda se atreve a
Mardoqueu e tendo-o feito montar a cavalo, violentar a rainha, na minha presença, em
foi à frente dele pela praça da cidade, pro- minha casa?” Não saíra ainda a palavra da
clamando: “É digno desta honra aquele a boca do rei, e logo cobriram o rosto de Amã.
quem o rei quer honrar!” 12Mardoqueu re- 9
Disse Harbona, um dos eunucos que esta-
tornou para a porta do palácio, enquanto Amã vam a serviço do rei: “Há uma forca na casa
Est

 6,1-14 Assuero fica sabendo da lealdade de Mardoqueu e lhe prepara recompensa. • 2


>
2,21-23.  7,1-10 No segundo banquete de Ester, Assuero e Amã, este é desmascarado
e em seguida enforcado na forca que preparara para Mardoqueu. • 2 >5,6. • 9 >Mt 7,2p.
Ester 7–8 540

de Amã, com cinqüenta côvados de altura, de Mardoqueu. As cartas eram dirigidas aos
que ele preparou para Mardoqueu, aquele que judeus e aos governadores, procuradores e
falou em defesa do rei”. Assuero ordenou: príncipes, que presidiam as cento e vinte e
“Enforcai-o nela!” 10De fato, Amã foi enfor- sete províncias desde a Índia até a Etiópia,
cado na mesma forca que erguera para a cada província e cada povo segundo suas
Mardoqueu. E a ira do rei se acalmou. línguas e em seus alfabetos, e também aos
judeus em sua língua e em seu alfabeto.
[Benevolência do rei para com os judeus. Cartas] 10
Essas cartas, enviadas em nome do rei e
1
No mesmo dia, o rei Assuero entregou autenticadas com o seu anel, foram reme-
8 à rainha Ester os bens de Amã, o adver-
sário dos judeus. Quanto a Mardoqueu, ele
tidas por meio de mensageiros montados
em cavalos escolhidos, da cavalaria real.
11
compareceu à presença do rei, pois Ester re- Nelas o rei permitia aos judeus, em cada
velara a este o que Mardoqueu representava cidade, que se reunissem e se defendessem
para ela. 2O rei tirou o anel, que havia reto- e, ainda, que matassem e exterminassem to-
mado de Amã, e o entregou a Mardoqueu. dos os seus inimigos, com as mulheres e os
Ester, por sua vez, confiou a Mardoqueu a filhos, apoderando-se de seus bens. 12Para
administração dos bens que haviam sido de todas as províncias foi marcado o dia da
Amã. 3Mas Ester tornou a falar ao rei. Caiu vingança, a saber, o dia treze do duodécimo
aos pés dele, chorando, e suplicou que o rei mês, o mês de Adar.
tornasse nulas as maquinações perversas que {12aEis a maneira como ele mandou-os
Amã, o agagita, na sua malícia, havia plane- servir-se de suas leis em todas as cidades,
jado contra os judeus. 4O rei, como de cos- ser ajudados por elas e dispor dos seus inimi-
tume, estendeu-lhe com a mão o cetro de gos e adversários como quisessem, no mes-
ouro. Ela, erguendo-se, de pé diante dele, mo dia, 12bem todo o reino de Artaxerxes, no
5
assim falou: “Se agrada ao rei, e se encon- dia quatorze do duodécimo mês, o mês de
trei graça diante dele, e a minha súplica não Adar. 12cEste é o teor da carta:
12d
lhe pareça inconveniente, e se se sou aceita “O grande rei Artaxerxes, aos governa-
a seus olhos, peço que as cartas de Amã, filho dores das cento e vinte e sete províncias des-
de Amadat, o agagita, opositor e inimigo dos de a Índia até a Etiópia, e a todos os que obe-
judeus, pelas quais fora ordenado que estes decem à nossa autoridade, saudações. 12eMui-
deveriam perecer em todas as províncias do tos, para sua soberba, têm abusado da excessi-
rei, sejam invalidadas por novas cartas. 6Pois, va bondade dos príncipes e da honra que lhes
como poderia eu suportar a desgraça que foi conferida. 12fE não só procuram oprimir
atingiria o meu povo, o extermínio da minha os que são obedientes aos reis, mas ainda,
nação?” 7Respondeu o rei Assuero à rainha não sabendo usufruir da glória que lhes foi
Ester e ao judeu Mardoqueu: “Entreguei os dada, tramam ciladas contra os seus benfei-
bens de Amã a Ester e mandei enforcar esse tores. 12gE não contentes em suprimir a grati-
homem, porque ele ousou estender a mão dão das pessoas, ainda excitados pela van-
contra os judeus. 8Escrevei, pois, aos judeus, glória dos que não têm nenhuma experiência
o que achardes melhor, em nome do rei, do bem, julgam poder escapar à sentença do
autenticando as cartas com o meu anel. O próprio Deus, que tudo julga, e odeia o mal.
12h
que for escrito em nome do rei, e for auten- Freqüentemente, também, muitos, que fo-
ticado, não poderá ser anulado!” ram constituídos em autoridade, por conse-
9
Tendo sido convocados os escribas do rei lho de amigos aos quais tinham sido confia-
– era o tempo do terceiro mês, chamado dos encargos, tornaram-se participantes do
Sivã, no vigésimo terceiro dia – foram es- derramamento de sangue inocente e foram
Est critas as cartas, de acordo com a vontade implicados em calamidades irremediáveis.

 8,1-17 O rei recompensa Ester e Mardoqueu e permite que emitam uma carta para todo o reino, dando
aos judeus direito de desforra caso sejam atacados. 1s >Pr 13,22. • 8 >1,19; 3,2. • 9 governadores, lit: sátrapas.
• 8,12d-17 A tradução grega apresenta um texto muito vingativo do mencionado decreto. Institui-se o dia
541 Ester 8–9

12i
Isto, porque esses amigos iludiam a since- de observar suas leis. 12yDeveis auxiliá-los
ra benignidade dos príncipes com artifícios para que eles, no dia quatorze do duodécimo
perversos e enganosos. 12kEsse fato se com- mês, o mês de Adar, possam defender-se
prova não só com casos antigos, mas por contra os que os atacarem no tempo da tribu-
aqueles fatos que acontecem no presente, lação. 12zPois esse dia, destinado para o ex-
diante dos que os contemplam, e que foram termínio da raça escolhida, o Deus todo-po-
perpetrados pela maldade dos que indigna- deroso converteu-o em dia de alegria para
mente exercem o poder. 12lPor isso, é preciso eles. 12aaPor isso, também vós considerai esse
daqui para a frente tomar providências para dia como especial entre os vossos dias festi-
a paz de todas as províncias. 12mSe mandar- vos e celebrai-o com toda a alegria. 12bbE isto
mos coisas diversas, aquelas que caem sob para que, agora e no futuro, para nós e para
os olhos, discerniremos sempre com a mais os partidários dos persas, ele seja memória
benévola atenção. 12nPois Amã filho de Ama- de salvação, enquanto, para aqueles que nos
dat, macedônio, na realidade estrangeiro ao tramaram o mal, seja memória de perdição.
12cc
sangue persa e muito distante da nossa bon- Quanto à cidade ou província que não
dade, foi por nós acolhido como hóspede. 12oE quiser participar desta solenidade, que pe-
recebeu em si mesmo tanta benevolência, que reça pela espada e pelo fogo. E de tal modo
aliás demonstramos para com qualquer na- seja destruída, que não só para os seres hu-
ção, que chegou a ser publicamente chama- manos seja inabitável, mas até para as feras
do de nosso pai e foi reverenciado por todos e os pássaros se torne para sempre abomi-
como o segundo depois do rei. 12pEle, no en- nável. Passai bem!”}
13
tanto, deixou-se levar por um tão grande im- Uma cópia da carta em forma de lei de-
pulso de arrogância, que chegou a tentar pri- via ser promulgada em todas as províncias,
var-nos do reino e até da vida. 12qPois, recor- para que se tornasse público a todos os po-
rendo a falsos e sutis artifícios, chegou tam- vos que os judeus estariam preparados para,
bém a tramar a morte do nosso salvador e naquele dia, se vingarem dos seus inimigos.
14
perene benfeitor Mardoqueu e da irrepreen- Então partiram estafetas velozes, levando
sível consorte do nosso reino, Ester, com todo as notícias, e o decreto do rei foi promulga-
o seu povo. 12rIsto ele tramava para que, es- do em Susa. 15Entretanto, Mardoqueu, ao sair
tando mortos os judeus, nós ficássemos iso- do palácio e da presença do rei, brilhava com
lados, passando então o reino dos persas para vestes reais, de côr violeta e branca, com uma
os macedônios. 12sNós, porém, constatamos grande coroa de ouro na cabeça e com um
que os judeus, destinados à morte por esse manto de seda e púrpura. Toda a cidade sal-
pior dos mortais, não têm qualquer culpa. Ao tava de alegria. 16Para os judeus parecia ter-
contrário, observando leis justíssimas, 12teles se levantado um novo dia, de gozo, honra e
exultação. 17Em todos os povos, cidades e
procedem como filhos do Deus altíssimo,
províncias, onde quer que as ordens do rei
máximo e sempre vivo, por cuja bondade o
chegassem, os judeus exultavam, e promo-
reino foi da melhor forma conduzido por nós,
viam banquetes, comidas e festas. A tal ponto
como também por nossos predecessores.
12u que muitos de outras nações e crenças ade-
Fareis bem, portanto, não atendendo às
riam à religião e aos ritos deles, pelo grande
cartas que Amã, filho de Amadat, vos dirigiu.
12v temor que agora inspiravam.
Pelo seu crime, que tramou com toda a
sua família, ele foi enforcado ante as portas
[Os dias de desforra]
desta cidade de Susa. Deus, que governa
1
todas as coisas, depressa lhe deu o que mere- Portanto, no dia treze do duodécimo
cia. 12xUma cópia deste edito, que agora vos
enviamos, seja publicado em todas as cida-
9 mês, o mês de Adar, quando se devia
cumprir a palavra e o decreto do rei, quando Est
des, para que os judeus tenham a liberdade os inimigos dos judeus esperavam domi-

de desforra para os judeus. • 12r Pressupõe que os judeus foram leais para com os persas durante a guerra
contra os macedônios (Filipe) no séc. 4º aC. • 17 >Sl 105,38.  9,1-19a São organizados dias de desforra
Ester 9 542

ná-los, aconteceu o contrário: os judeus ven- tenta e cinco mil dos seus perseguidores, no-
ceram seus adversários. 2Eles se concentra- vamente sem tocarem em nada dos seus bens.
17
ram em cada cidade, para atacarem seus ini- A data da matança geral foi o dia treze do
migos e perseguidores. Ninguém ousou re- mês de Adar, seguindo-se o repouso no dia
sistir, porque o temor que inspiravam tomou quatorze. Esse dia foi por eles instituído como
conta da população. 3Todos os príncipes e dia de banquetes e de alegria. 18Aqueles, po-
governadores e procuradores das províncias, rém, que estavam na cidade de Susa e ali se
e todos os funcionários que chefiavam os reuniram, ocupados na matança nos dias tre-
vários postos e obras, apoiavam os judeus, ze e quatorze do mesmo mês, repousaram no
pelo medo que tinham de Mardoqueu. 4Pois dia quinze. Para eles, esse foi o dia dos ban-
sabiam que ele era o administrador do palá- quetes e da alegria. 19Os outros judeus, que
cio real e tinha grande poder. Aliás, sua fama moravam em vilas fortificadas e em aldeias,
se espalhava a cada dia e andava de boca em designaram o dia quatorze do mês de Adar
boca. 5Assim, os judeus feriram à espada to- como o dia dos banquetes e da alegria, para
dos os seus inimigos, matando e exterminan- nele se alegrarem e trocarem seus presentes.
do, fazendo com eles o que eles tinham pla- Quanto aos que moram em cidades, celebram
nejado fazer. 6Só em Susa mataram quinhen- o dia quinze do mês de Adar com alegria e
tos homens, além dos dez filhos de Amã, o banquetes e como dia festivo, no qual trocam
agagita, inimigo dos judeus. Eis seus nomes: seus presentes.
7
Farsandata, Delfon e Esfata, 8Forata, Adalia {19aOs governadores das províncias, como
e Aridata, 9Fermesta, Arisai, Aridai e Jezata. os príncipes e os escribas do rei, glorifica-
10
Tendo-os executado, não quiseram apode- vam a Deus, pois o temor de Mardoqueu
rar-se dos seus bens. havia tomado conta deles. O decreto do rei
11
Imediatamente comunicou-se ao rei o era comentado em todo o reino.}
número dos que tinham sido mortos em Susa.
12
Disse então o rei a Ester: “Só na cidade de [Instituição oficial da festa de “Purim”]
Susa, os judeus mataram e exterminaram qui- 20
Mardoqueu registrou por escrito todos
nhentos homens, além dos dez filhos de Amã. esses acontecimentos, e por carta os comu-
Quantos não terão exterminado em todas as nicou a todos os judeus que moravam em
províncias? Que pedes mais e o que desejas, todas as províncias do rei, tanto as próximas
para que eu mande que se faça?” 13Ela res- como as distantes. 21Ordenou-lhes que ob-
pondeu: “Se parece bem ao rei, dê-se poder servassem como datas festivas os dias qua-
aos judeus de Susa para que continuem a fa- torze e quinze do mês de Adar, e com a de-
zer amanhã o que hoje fizeram, e os cadáve- vida honra os celebrassem a cada ano. 22Isto
res dos dez filhos de Amã sejam enforcados”. porque, nesses dias, os judeus haviam fica-
14
O rei deu a ordem, imediatamente foi publi- do livres dos seus inimigos e, nesse mês, seu
cado o decreto, e os cadáveres dos dez filhos luto e tristeza se convertera em alegria e
de Amã foram enforcados. 15Assim, os judeus gozo. Esses dias deviam ser de banquetes e
de Susa reuniram-se também no dia quatorze alegria, nos quais também deveriam trocar
do mês de Adar, e mataram mais trezentos presentes e fazer doações aos pobres.
homens, sem que os bens destes fossem sa- 23
Os judeus transformaram em rito solene
queados por eles. 16Os outros judeus, por to- tudo o que naquela ocasião começaram a fa-
das as províncias submetidas à autoridade do zer e que Mardoqueu determinara por escrito
rei, reunidos para se defenderem e para fica- que fizessem. 24Pois Amã, o filho de Amadat,
rem seguros de seus inimigos, mataram se- da estirpe de Agag, adversário de todos os

Est na capital e no interior, para acabar com os inimigos dos judeus. Os judeus não tomam os bens dos
castigados. • 10 >3,13; 9,15; Jt 15,6s.11. • 19 presentes, lit.: porções dos banquetes.  9,20-32 Quinze
dias antes do fim do ano persa e judaico, celebrar-se-á a festa de Purim (Sortes), em comemoração
da desforra dos judeus. • 21 Na realidade trata-se da antiga festa do fim do inverno, fev.-março, que
na Europa deu origem ao carnaval. O nome da festa, Purim (= Sortes), significa a inversão das sortes
(do tempo meteorológico), agora aplicada aos judeus: antes oprimidos, agora vencedores. • 24 >3,7
543 Ester 9–10

judeus, tramara o mal contra eles para des- [Elogio de Mardoqueu]


truí-los,ehavialançado“Pur”,istoé,asorte, 1
Quanto ao rei Assuero, ele impôs tri-
para prejudicá-los e exterminá-los. 25Mas
depois que Ester se apresentou ao rei, este 10 buto ao seu território e às ilhas do
mar. 2A sua bravura e poder soberano, e a
ordenou, por documento escrito, que o mal
que ele tinha tramado contra os judeus recaísse dignidade e grandeza com que exaltou Mar-
na sua cabeça, e ele foi enforcado, juntamen- doqueu, estão registradas no livro dos anais
te com seus filhos. 26É desde essa época, pois, dos reis medos e persas. 3Aí consta também
que esses dias começaram a ser chamados de como Mardoqueu, da raça judaica, tornou-
“Purim”, por causa do nome “Pur”. Em razão se o segundo depois do rei Assuero, enalte-
de todas essas coisas, que estão contidas na cido entre os judeus e muito considerado
carta, 27e por causa daquelas coisas que eles entre a multidão dos seus irmãos, procuran-
mesmos tinham visto e que lhes tinham acon- do o bem para o seu povo e falando o que
tecido, os judeus resolveram e assumiram contribuía para a paz de sua gente.
como um solene rito imutável – eles em seu {3aDisse Mardoqueu a todos: “Estas coisas
próprio nome e no da sua descendência, e no são obra de Deus!” 3bE recordou o sonho que
de todos os que pretendessem aderir à sua re- tivera, prenunciando exatamente esses fatos.
ligião – que celebrariam esses dois dias se- Aliás, nada do que foi visto foi omitido. 3cE
gundo o preceito e no tempo devido, a cada continuou: “Se a pequena fonte transformou-
ano. 28Esses dias seriam comemorados e ce- se num rio, e havia luz e sol e abundância de
lebrados por cada geração, em cada parentela, água, a fonte e o rio é Ester, que o rei esco-
em todas as províncias e cidades, e nenhuma lheu como esposa e quis que fosse rainha.
3d
cidade haveria na qual os dias de “Purim” não Os dois dragões, sou eu e Amã. 3eE os po-
fossem observados pelos judeus e pela sua vos que se reuniram, são os que tentaram
descendência. apagar o nome dos judeus. 3fE o meu povo,
29
A rainha Ester, filha de Abihail, e Mardo- isto é, Israel, são os que clamaram ao Se-
queu, o judeu, confirmaram por escrito, com nhor. E o Senhor salvou o seu povo e livrou-
todo o empenho, esta segunda carta de “Pu- o de todos os males, fazendo grandes sinais
rim”. 30E a todos os judeus, que moravam e prodígios, que não são feitos entre as na-
nas cento e vinte e sete províncias do rei ções. 3gFoi Ele quem mandou lançar duas
Assuero, enviaram uma mensagem de paz sortes, uma do povo de Deus e outra, de to-
e de verdade, 31mandando que os dias de das as nações. 3hAs duas sortes aconteceram
“Purim” fossem observados no tempo certo. no tempo marcado e no dia do juízo, diante
Assim o determinaram Mardoqueu e Ester, de Deus, para todas as nações. 3iE Deus re-
e assim os próprios judeus assumiram, por cordou-se do seu povo e fez justiça para a
si e por sua descendência, acrescentando as sua herança. 3kPor isso serão celebrados es-
cláusulas dos jejuns e das súplicas. 32Desse tes dias do mês de Adar, quatorze e quinze
modo, o decreto de Ester confirmou as nor- desse mês, como dias de reunião e alegria e
mas relativas aos dias de “Purim” e ficou gozo diante de Deus, ao longo de vossas
registrado num livro. gerações, no povo de Israel”.}

Est

 10,1-3k Constatação oficial do mérito de Mardoqueu para o reino persa. O texto grego acrescen-
ta (como no início) um comentário apocalíptico do próprio Mardoqueu. • 3 >2Mc 15,14. • gente, lit.:
descendência.

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