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Programa de Formação e Certificação para Empresas

INICIAÇÃO À TECNOLOGIA
DE REDES DE DISTRIBUIÇÃO – BT e MT
Federação das Indústrias do Rio de Janeiro
Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira
Presidente

Diretoria-Geral do Sistema FIRJAN


Augusto Cesar Franco de Alencar
Diretor

Diretoria Regional do SENAI-RJ


Roterdam Pinto Salomão
Diretor

Diretoria de Educação
Andréa Marinho de Souza Franco
Diretora
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INICIAÇÃO À TECNOLOGIA
DE REDES DE DISTRIBUIÇÃO – BT e MT
Programa de Formação e Certificação para Empresas

Iniciação à tecnologia de redes de distribuição – BT e MT


1ª ed. 2004; 2ª ed. 2008.
Armando de Freitas Ferreira

Todos os direitos reservados

SENAI
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – RJ
Gerência de Educação Profissional – GEP
Rua Mariz e Barros, 678 – Tijuca
20270-903 – Rio de Janeiro – RJ
Tel.: (21) 2587-1323 – Fax: (21) 2254-2884
gep@rj.senai.br
http://www.firjan.org.br

A publicação desta série é uma co-edição entre o SENAI e a AMPLA

SENAI–RJ
Diretoria de Educação
Gerência de Educação Profissional – GEP

AMPLA
Diretoria de Recursos Humanos
Processo de Qualidade e Gestão de Serviços Contratados

FICHA CATALOGRÁFICA

FERREIRA, Armando de Freitas


Iniciação à tecnologia de redes de distribuição – BT e MT
Rio de Janeiro: SENAI–RJ, 2005
46 p – Série Programa de Formação e Certificação para Empresas
Programa de Formação e Certificação para Empresas

INICIAÇÃO À TECNOLOGIA DE REDES DE DISTRIBUIÇÃO – BT E MT

Sumário

Apresentação ............................................................................................. 7

Conceitos ................................................................................................... 9

Como a energia chega até o cliente .................................................. 11

Padrões de rede de distribuição ......................................................... 13

Rede aérea com condutores nus ............................................................................. 13


Rede aérea para ambiente agressivo ..................................................................... 14
Rede aérea compacta de MT ................................................................................... 18
Rede aérea com condutores de BT isolados ............................................................ 23
Rede AMPLA ............................................................................................................ 24

Tipos de clientes ligados na rede de distribuição ........................... 29

Clientes do Grupo A ................................................................................................ 29


Clientes do Grupo B ................................................................................................ 31
Condomínios de medição agrupada ........................................................................ 31

Equipamentos de rede de distribuição .............................................. 33

Equipamentos de proteção ..................................................................................... 33


Equipamentos de seccionalização e manobra ......................................................... 37
Equipamentos de correção ...................................................................................... 38

Exercícios ................................................................................................ 41

Referências bibliográficas ..................................................................... 45


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Apresentação

Para um melhor entendimento da rede de distribuição, vamos abordar, neste módulo, particu-
laridades da distribuição de energia pelas concessionárias, mostrando como a energia é produ-
zida e distribuída, os vários padrões de redes de distribuição e os tipos de clientes.

Sendo assim, você entenderá melhor como funciona a rede de energia elétrica, facilitando seus
estudos nos outros módulos técnicos.

As intervenções são feitas normalmente por equipes de atendimento 24 horas (equipes de


operação). Os eletricistas que fazem parte destas equipes devem estar capacitados para identificar
defeitos ou falhas na rede elétrica, eliminando ou isolando os mesmos, e, para isso, é preciso
conhecer bem como funciona uma rede de distribuição.

Bom estudo!
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Conceitos

Este módulo trata especificamente de rede de distribuição. Para uma visão mais ampla dos
conceitos que serão apresentados, eles serão enfocados tanto para distribuição quanto para
transmissão e subestação. Para facilitar o seu estudo, a compreensão destes conceitos é muito
importante. São eles:

Usina – É o local onde é gerada a energia elétrica.

Subestação – Parte de um sistema de potência, concentrada em um dado local, que com-


preende primordialmente as extremidades de linhas de transmissão e/ou de distribuição,
com os respectivos dispositivos de manobra; pode também incluir transformadores, equipa-
mentos conversores e/ou outros equipamentos.

Linha de Transmissão – É a rede elétrica que leva a energia das usinas até as subestações
abaixadoras ou subestações de entroncamento.

Rede de Distribuição – É a rede elétrica que leva a energia das subestações abaixadoras
até os clientes.

MT – Média tensão, varia de 10 a 25kV.

BT – Baixa tensão, varia de 0 a 1000 volts.

Alimentador de MT – É o circuito de média tensão na classe de 15kV, que abrange desde a


subestação até o final do circuito que pode estar num fim de rede ou na interligação com outro
alimentador. Normalmente são codificados com as iniciais do nome da subestação e um número.
Ex.: ALC – 01 , quer dizer alimentador número 1 da Subestação de Alcântara.

Ramal de MT – É um trecho do alimentador de MT, normalmente uma derivação após


uma chave fusível.

Circuito de BT – É o circuito alimentado pelo transformador de distribuição, que


fornece energia ao cliente de BT. A tensão neste circuito pode variar de 127 volts a
1000 volts, dependendo da concessionária de energia. As tensões mais utilizadas são:
127 / 220volts e 220 / 380volts.
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COD – Centro de Operação da Distribuição responsável pela coordenação, supervisão e


controle da Rede de Distribuição.

COS – Centro de Operação do Sistema responsável pela coordenação, supervisão e controle


da operação do sistema (linhas de transmissão e subestações).

Equipamento de rede de distribuição – Unidade funcional, completa e distinta que


exerce uma ou mais funções elétricas relacionadas com a rede de distribuição.

Telecomando – São operações de abertura e fechamento de equipamentos elétricos


efetuados a distância através do Sistema de Controle Automático e Aquisição de Dados.

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Como a energia chega até o cliente

Para facilitar o entendimento mostraremos, de forma simplificada, como a energia é gerada,


transportada e distribuída aos clientes. A energia elétrica é gerada em uma usina que transforma
energias hidráulicas, térmicas ou nucleares, em energia elétrica de corrente alternada. Esta energia
elétrica é gerada em tensões que variam de 2500 a 6900 volts e passa por uma subestação
elevadora para que possa ser transportada a longas distâncias. A tensão de transporte varia de
34,5 kV até 500kV corrente alternada, entre fases. É possível encontrar linhas de transmissão
com tensões superiores a esta e até com tensões em corrente contínua.

Para a energia chegar até os clientes, esta passa pela subestação abaixadora que traz a tensão a
13.800 volts entre fases, que chamamos de média tensão. Ainda podemos encontrar outros
níveis de tensão como 11.400 e 25.000 volts. Estas subestações normalmente ficam dentro ou
na periferia das áreas urbanas, próximas aos centros de cargas.

Ao longo da rede de média tensão, temos os transformadores de distribuição que abaixa a


tensão para 127/220 volts ou 220/380 volts, e os clientes que são atendidos em média tensão
(13.800 volts). Após o transformador de distribuição, temos a rede de baixa tensão que atende
os clientes menores.

Observe como a energia é gerada, transportada e distribuída:


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Padrões de rede de distribuição

Ao longo dos tempos, a rede de distribuição foi adaptando-se às mais diversas situações, visan-
do ser mais eficiente no fornecimento de energia, baixando os custos de manutenção e evitan-
do furto de energia. Neste capítulo falaremos dos principais padrões, sem entrar em detalhes
de estruturas e equipamentos que estão descritos em outros módulos.

Rede aérea com condutores nus


O padrão mais antigo ainda em
uso é o que chamamos de rede
convencional onde sua principal
característica são os condutores
de média e baixa tensão nus,
de cobre ou alumínio, inclusive
as ligações de equipamentos,
jumpers, etc. Os únicos condu-
tores isolados são as ligações
entre o transformador e a rede
de baixa tensão e as ligações da
iluminação pública.

Rede de distribuição convencional


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Obser
Para as novas redes de distribuição, não se constrói mais rede de baixa
tensão com cabos nus, só com pré-reunido.

Rede aérea para ambiente agressivo


Para se adaptar às áreas de poluição salina que ficam próximas à orla marítima, foi necessário
desenvolver um padrão de rede e materiais que suportasse por um tempo mais longo este tipo
de poluição. No início verificou-se que os condutores de alumínio sob a salinidade tinham um
processo de oxidação muito acelerado, deteriorando muito rápido, causando pontos de mau
contato e até rompimento dos condutores. Convencionou-se, então, que as redes de distribui-
ção em ambiente salino usariam condutores de cobre na MT e BT, que resistem mais à salinidade.

Com o tempo outros problemas foram detectados, como: corrente de fuga pelas estruturas de
média tensão, provocando a queima de cruzetas e postes de madeira, deterioração acelerada
das ferragens galvanizadas e desligamentos acidentais por fuga de corrente nos isoladores.

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Em alguns casos a cruzeta desaparecia totalmente consumida pela combustão provocada pela
corrente de fuga.

A lavagem de estruturas com a rede energizada minimizava os problemas, mas aumentava os


custos de manutenção.

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Após várias pesquisas com isoladores e materiais, criou-se o padrão para ambiente agressivo. O
primeiro passo foi utilizar ferragens de liga de alumínio que duram em média 10 (dez) anos,
quando as galvanizadas não passavam de 2 (dois) anos. Quanto aos isoladores, já vinham sendo
utilizados isoladores de pino tipo RT-15 que eram isoladores maiores que os convencionais
utilizados. Nas estruturas de ancoragem aumentaram mais um isolador de disco na cadeia.
Mesmo com estas ações, continuaram os problemas com fuga de corrente pelos isoladores de
pino. Resolveu-se, então, padronizar uma estrutura de média tensão que não tivesse isolador
de pino e foi padronizada a primeira estrutura para ambiente agressivo. Esta estrutura tem
apenas uma cruzeta e seis cadeias de isoladores de disco. Estes isoladores são compostos de
vidro temperado e uma cobertura de zinco no pino de engate para funcionar como anodo de
sacrifício (este se deteriora no lugar da ferragem).

Padrão ambiente agressivo com isolador de disco

Esta estrutura reduziu a quantidade de lavagem de redes, mas trazia um outro problema. Por
ser uma estrutura de encabeçamento, exigia muito mais trabalho para construir porque todas
as estruturas são de encabeçamento.

Começou-se então a pesquisar novos isoladores de pino que pudessem resistir à salinidade. A
primeira opção foi aumentar o isolamento dos isoladores de 15kV para 25kV. Alguns isoladores
foram testados sem sucesso, como o isolador tipo pilar, que em área de grande poluição não
resistiu à salinidade.

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Surgiu então o isolador híbrido feito de porcelana e uma borracha especial que não provoca
trilhamento. Com este isolador a estrutura ficou semelhante à convencional, baixando o custo
de mão-de-obra.

Padrão ambiente agressivo com isolador híbrido

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Rede aérea compacta de MT


Uma das maiores causas de interrupção na rede de distribuição é provocada por árvores que
tocam os condutores. Esta causa também é responsável pelo alto custo da manutenção de
redes onde as concessionárias gastam grande parte do seu orçamento com poda de árvores.
Com o objetivo de reduzir estes custos, as concessionárias e fabricantes de material buscam
um padrão de rede que evite o problema ou pelo menos reduza a freqüência das podas de
árvores. A opção pela rede isolada só foi viável na baixa tensão, onde os cabos pré-reunidos
com isolação simples não oneravam os custos da rede. Na média tensão esta solução não foi
viável, os custos da rede com cabo isolado para média tensão tornam-se muito mais caros do
que a rede convencional.

Era preciso encontrar uma solução intermediária que resolvesse o problema. Avaliando as
interrupções por árvore, observou-se que, na maioria das vezes, os galhos tocavam nos condu-
tores sem permanecerem encostados nos mesmos. A solução seria utilizar um condutor que
resistisse ao toque de galhos sem causar curto circuito. Outro ponto observado é a queda de
galhos sobre a rede. Então esta rede deveria ter uma proteção superior contra queda de galhos
e objetos estranhos.

Na década de 1990 surge a Rede Compacta também conhecida como Space Cable.

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Vantagens da rede compacta

A rede compacta também foi solução para áreas de grande concentração de redes como a
saída de alimentadores em subestações localizadas em áreas urbanas. No espaço do poste
ocupado por dois circuitos de média tensão com rede convencional, podem-se instalar quatro
circuitos de rede compacta.

Dois níveis e quatro circuitos-estrutura CE1

Dois níveis e quatro circuitos-estrutura CE2

Outra vantagem da rede compacta é sua utilização em vias estreitas onde a rede convencional
não consegue manter os afastamentos mínimos necessários para fachadas de prédios. Este
caso é muito comum em vilas residenciais e travessas com edificações de mais de três andares.

Afastamento mínimo “A” (cm)


Tensão Figura
1 2 3 4 5
13,8 kV 250 100 300 100 150
34,5 kV 270 120 320 120 170

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Figura 1 – Espaçamento vertical Figuras 2 e 3 – Espaçamento vertical entre os condutores


entre os condutores e as cimalhas e o piso das sacadas
ou telhados dos edifícios

Figura 4 – Espaçamento horizontal Figura 5 – Espaçamento horizontal


entre os condutores e as paredes entre os condutores e as sacadas
dos edifícios dos edifícios

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Rede Compacta em vias estreitas

Desvantagens da rede compacta

A rede compacta traz algumas limitações


que a impedem de ser utilizada em deter-
minados locais. Uma destas limitações, ain-
da não resolvida, é a utilização em áreas de
ambiente agressivo. O sal depositado so-
bre o espaçador cria um caminho para a
corrente de fuga entre as fases e o cabo
mensageiro. A circulação desta corrente
provoca um aquecimento no espaçador,
derretendo o mesmo.

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Outra limitação da rede compacta é o esforço excessivo nos espaçadores, que podem partir os
mesmos. Isto ocorre normalmente em vãos muito grandes (acima de 70 metros), ou quando
submetidos a esforço de arrancamento, quando os espaçadores estão próximos ao poste.

Espaçadores próximos ao poste

Espaçador em meio de vão

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Rede aérea com condutores de BT isolados


Os condutores isolados na baixa tensão, que chamamos de pré-reunido de BT, foram utilizados
inicialmente para evitar o furto de energia através de ligações diretas na BT. Este foi definido
como padrão, substituindo a rede aérea nua em algumas concessionárias de energia. Verificou-
se, também, que este padrão seria a solução em áreas arborizadas, evitando o contato dos
condutores com os galhos de árvores que podem fechar curto circuito entre os mesmos.

Esta solução para evitar furto não foi bem-sucedida, como podemos verificar na foto abaixo.

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Vantagens do pré-reunido de baixa tensão

• Dificulta a ligação direta na rede de BT;


• Ocupa menos espaço no poste;
• Reduz os desligamentos acidentais por árvore
e objetos estranhos;
• Reduz a quantidade de podas a ser executada;
• Reduz a manutenção por deterioração da rede de BT.

Desvantagens do pré-reunido de baixa tensão

• Não evita totalmente o furto por ligação direta;


• O investimento é mais caro do que a rede nua;
• As intervenções para manutenção são mais caras devido
ao material empregado;
• A conexão de ramal de clientes torna-se mais difícil pela
proximidade dos condutores e o acabamento nas conexões
que devem ser isoladas.

Rede AMPLA
AMPLA
O furto de energia elétrica é um dos problemas que mais incomodam as concessionárias de
energia. Muito se tem feito para coibir este crime como:

• Instalação de cabos isolados de baixa tensão;


• Ramais de ligação em cabos coaxiais;
• Instalações aparentes em padrões de medição;
• Vistorias permanentes nos clientes;
• Campanhas de conscientização nas comunidades, alertando
para os prejuízos e perigos do furto de energia.

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Em pesquisas desenvolvidas pelas concessionárias verificou-se que um tipo


de furto que vem crescendo muito é a ligação direta na rede elétrica. Os
clientes estão conectando-se na rede de baixa tensão. A concessionária
retira o furto levando os condutores e os clientes voltam a se conectar.
Diante deste fato era necessário criar um padrão de rede que inibisse a
ligação direta na rede elétrica. Com esse objetivo os técnicos da Ampla
criaram a Rede Ampla. O princípio básico deste padrão é colocar a rede de
baixa tensão no mesmo nível da rede de média tensão, inclusive na mesma
estrutura, dificultando o acesso à mesma.

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Com o desenvolvimento da rede Ampla, verificou-se a dificuldade de realizar


corte e religação de clientes, devido ao próprio padrão e aos locais onde são
mais utilizados estes tipos de rede, como áreas de risco e difícil acesso. Foi
incorporado ao padrão o concentrador de medição que permite efetuar
corte e ligação a distância, além da leitura do consumo de energia do cliente.
O concentrador de medição é dividido em dois módulos, o primário CP e o
secundário CS. O primário é onde se concentram as leituras e o secundário
é onde estão ligados os clientes.

Observe o diagrama:

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Concentrador Primário – CP

Concentrador Secundário - CS

Este conjunto não necessariamente tem que estar relacionado a um único


circuito de baixa tensão. Podemos ter um concentrador primário atendendo
a mais de um circuito. Cada concentrador secundário pode ligar até 20
clientes, dependendo do modelo e fabricante.

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Vantagens da Rede AMPLA

Este novo padrão proporciona vantagens importantes para a empresa, principalmente para a
área comercial, pois dificulta o furto de energia e é quase impossível ter acesso à rede de baixa
tensão pelo poste, porque para chegar à mesma tem que passar pela rede de média tensão
energizada. Outra vantagem da rede Ampla é a facilidade de desligamento e religamento do
cliente realizado por comando a distância.

Desvantagens da Rede AMPLA

Este padrão de rede traz algumas desvantagens na sua aplicação como:

• O acesso à baixa tensão só pode ser feito com auxílio da cesta aérea;
• Para minimizar custos é necessário preparar equipes que atendam tanto às
solicitações de emergência quanto às ligações de novos clientes.

A instalação em becos e vielas estreitas, devido à cruzeta utilizada na estrutura ter 2,40 metros
de comprimento.

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Tipos de clientes ligados na rede de distribuição

Basicamente existem apenas dois tipos de clientes em rede de distribuição: os ligados em baixa
tensão e os ligados em média tensão. Estes clientes são classificados em:

• Clientes do grupo A – ligados em média tensão.


• Clientes do grupo B – ligados em baixa tensão.
Nestes grupos existem outras subdivisões que identificam estes clientes, como: mono, bi ou
trifásico, medição direta ou indireta, cabines externa ou abrigada, etc.

Neste módulo não entraremos nos detalhes de cada grupo pois este assunto está descrito em
outros módulos. Enfocaremos o serviço que é de responsabilidade no atendimento de
manutenção.

Clientes do Grupo A
Estes clientes são atendidos em média tensão (15kV) e a responsabilidade da concessionária no
atendimento em manutenção vai até o dispositivo de proteção na entrada da propriedade do
cliente que pode ser um jogo de chave fusível ou outro dispositivo. Qualquer ocorrência após
é de responsabilidade do cliente. Este fato não impede que estejamos impedidos de operar
qualquer dispositivo dentro das instalações do cliente, como: disjuntores, chaves fusíveis de
MT ou BT, e outras.
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Cliente do Grupo A com subestação abrigada

Cliente do Grupo A com subestação desabrigada

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Clientes do Grupo B
Estes clientes são ligados em baixa tensão (115/220V ou 220/380V) e a responsabilidade no
atendimento em manutenção vai até o padrão de medição, incluindo o ramal de ligação. Qual-
quer irregularidade após é de responsabilidade do cliente.

Condomínios de medição agrupada


Este caso é um pouco diferente dos outros dois. Normalmente, são condomínios residenciais
ou comerciais, verticais (edifício) que são atendidos em MT, possuem uma subestação abrigada
ou desabrigada que transformam para baixa tensão e alimentam os quadros de medição de
cada condômino.

Estes clientes, até alguns anos atrás, eram atendidos como clientes do grupo A. De uns anos
para cá, por determinação do órgão regulador (ANEEL), as concessionárias assumiram a

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responsabilidade das subestações que foram vendidas pelos condomínios, lembrando que
nem todos os condomínios venderam suas subestações. Para aquelas que pertencem às
concessionárias, o atendimento vai até a chave de baixa tensão após a subestação. Para os
condomínios que não venderam as subestações às concessionárias, o atendimento para
manutenção é idêntico aos clientes do grupo A.

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Equipamentos de rede de distribuição

Descreveremos a seguir os equipamentos utilizados somente na rede de distribuição.

Numa rede de distribuição existem vários equipamentos interligados com diversas funções.
Estes equipamentos são responsáveis pela operação e qualidade de fornecimento da energia
que é entregue aos clientes. O principal deles é o transformador de distribuição, responsável
em abaixar a voltagem da rede de média tensão para baixa tensão, atendendo aos clientes do
grupo B como vimos anteriormente.

Os outros equipamentos estão divididos entre:

• Equipamentos de proteção;
• Equipamentos de seccionalização e manobra;
• Equipamentos de correção.

Equipamentos de proteção
Como o próprio nome diz, estes equipamentos protegem a rede elétrica contra surtos
que poderiam ocasionar danos no fornecimento de energia, interrompendo o circuito
elétrico. São eles:
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Chave fusível monofásica de MT

Chave fusível monofásica com suporte antipoluição

Utilizados em ramal de MT e como proteção para transformadores de distribuição e entrada


de clientes do grupo A. Nos ramais de MT, estas chaves coordenam com outras chaves fusíveis
ou outro equipamento de proteção.

Chave fusível religadora de MT

Funciona como a chave fusível monopolar, porém tem um dispositivo mecânico de religa-
mento automático que opera os outros dois cartuchos se o defeito persistir. Esta chave
é monofásica.

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Religador trifásico de MT

Este equipamento funciona basicamente como a chave religadora. Dependendo da programa-


ção do mesmo, ele pode religar um circuito até três vezes, verificando se foi um defeito transi-
tório ou permanente. Normalmente é instalado na saída de centros urbanos, resguardando de
possíveis defeitos transitórios comuns em rede rurais.

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Seccionalizador tripolar

Liga/desliga

Bloqueio de operação

Este equipamento é instalado sempre à frente de um religador. Ele conta até a penúltima ope-
ração do religador e abre o circuito antes da última operação do religador.

Seccionalizador unipolar
Funciona como um seccionalizador tripolar,
mas tem a aparência de uma chave fusível.
Normalmente é instalado em ramais rurais
bifásicos e monofásicos.

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Estes equipamentos podem ser utilizados também como seccionadores para


abertura de circuitos.

Equipamentos de seccionalização e manobra


Estes equipamentos têm a função de ligar e desligar circuitos de MT. Estes são divididos em
dois grupos: operação em carga e sem carga.

Chave trifásica de contatos internos

Estas chaves abrem e fecham circuitos em carga, operando as três fases simultaneamente.
Os isolamentos mais utilizados para os contatos internos são óleo mineral e gás SF-6.

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Chave trifásica de contatos aparentes

Estas chaves abrem e fecham circuitos em carga, operando as três fases simultaneamente.
A extinção do arco voltaico é feita através de um dispositivo a vácuo instalado em cada lâmina
de abertura.

Chave tipo faca seca unipolar


Esta chave normalmente é operada sem carga, sendo que na abertura com o auxílio do equipa-
mento “loodbaster”, pode ser aberta em carga. Este equipamento é mais utilizado em chaves
fusíveis devido à carga instalada ser menor. Normalmente as chaves tipo faca seca são instaladas
em circuito de maior carregamento. As chaves facas também são utilizadas para bypassar equi-
pamentos como religadores e chaves seccionadoras de contatos internos.

Equipamentos de correção
Estes equipamentos têm como função corrigir distorções no fornecimento de energia. Nor-
malmente agem mais sobre a tensão, corrigindo para baixo ou para cima como também esco-
ando os excessos provocados por indução.Vamos apresentar, a seguir, os principais equipamentos
instalados em rede de distribuição na média tensão.

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Pára-raio de média tensão

Este equipamento é utilizado principalmente para escoar para terra as sobretensões induzidas
por descarga atmosférica. Age como uma válvula quando a tensão ultrapassa a nominal do
pára-raio que é dimensionado de acordo com a tensão nominal da rede. Hoje, com os pára-
raios poliméricos, temos apenas um tipo de pára-raio para as tensões de 11.4 e 13.8kV.

Regulador de tensão
Este, como o próprio nome diz, regu-
la a tensão automaticamente para
cima ou para baixo. Normalmente é
instalado em alimentadores muito lon-
gos, onde a queda de tensão é muito
acentuada no final do alimentador.
Através de estudos, definiu-se o me-
lhor ponto para instalação. Existem
reguladores instalados também em
subestações para compensar as horas
de pouca carga no alimentador, onde
a tensão tende a subir.

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Banco de Capacitores

Estes equipamentos também corrigem a tensão. A energia reativa indutiva induzida na rede de
distribuição aumenta o carregamento no alimentador e, por conseqüência, provoca queda de
tensão. A energia capacitiva reage com a indutiva elevando o fator de potência para próximo de
1 (um) que seria o ideal. Estes bancos normalmente funcionam automaticamente.

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Exercícios

Marque verdadeiro ou falso nas afirmativas abaixo:

a) ( ) A energia gerada nas usinas é em alta tensão;


b) ( ) As subestações podem ser elevadoras e abaixadoras;
c) ( ) BT- Baixa tensão, varia de 0 a 1000 volts;
d) ( ) A tensão numa Linha de Transmissão pode variar de 15kV a 500kV;
e) ( ) Alimentador de MT é o circuito de tensão na classe de 34,5kV, que abrange
desde a subestação até o final do circuito;
f) ( ) Ramal de MT é o circuito derivado de um alimentador de MT;
g) ( ) Telecomando é a operação em equipamentos de rede realizado normalmente
pelo Centro de Operação da Distribuição - COD;
h) ( ) As tensões na BT utilizadas pelas concessionárias são: 127/220V e220/440V.

Marque a alternativa certa

1. Qual o sinal que não corresponde à poluição salina numa estrutura de MT?

a) ( ) cruzeta queimada
b) ( ) pino de isolador inclinado
c) ( ) mancha de fungos na cruzeta
d) ( ) ferragens deterioradas
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2. Qual o isolador de MT que mais se adaptou à poluição salina muito agressiva?


a) ( ) isolador de pino tipo hi-top
b) ( ) isolador de disco de porcelana
c) ( ) isolador pilar
d) ( ) isolador de pino tipo híbrido

3. A principal utilização da rede compacta é em áreas com:


a) ( ) poluição salina
b) ( ) árvores
c) ( ) vias estreitas
d) ( ) furto de energia

4. Qual é a principal função de um religador de rede?


a) ( ) manobra de MT
b) ( ) correção de tensão
c) ( ) proteger contra defeitos transitórios
d) ( ) proteger contra sobretensão

5. Em que situação a rede compacta não pode ser instalada?


a) ( ) em poste com vários alimentadores
b) ( ) em ruas que não tenham árvores
c) ( ) em áreas de grande poluição salina
d) ( ) em área de furto de energia

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6. Qual a principal vantagem da rede ampla?


a) ( ) instalação em becos com menos de 3 metros de largura
b) ( ) o acesso à baixa tensão só pode ser feito com auxílio da cesta aérea
c) ( ) só estão autorizados para intervenção eletricistas capacitados
d) ( ) reduzir as ligações diretas na rede

7. Qual a função do pára-raio de MT?


a) ( ) proteger a rede contra variações de tensão
b) ( ) desligar a rede quando ocorrer uma descarga atmosférica
c) ( ) escoar a sobretensão para terra provocada pela indução de um raio
d) ( ) atrai o raio descarregando para terra

8. Até onde vai a responsabilidade no atendimento em manutenção de um cliente classe A?


a) ( ) até a chave de baixa tensão
b) ( ) até a chave fusível de entrada
c) ( ) até o transformador da SE do cliente
d) ( ) até o disjuntor de MT da SE do cliente

Responda:

Qual a função do banco de capacitor?

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Referências bibliográficas

AMPLA. Padrão de rede aérea de distribuição. Niterói, 2004.

AMPLA. Padrão de rede Ampla. Niterói, 2004.

AMPLA. Padrão de rede Compacta. Niterói, 2004.

FERREIRA, Armando de Freitas. Diagnóstico de Falhas. SENAI–RJ. Rio de Janeiro, 2005.


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Ficha técnica

SENAI–RJ
Produzido pela Diretoria de Educação
Andréa Marinho de Souza Franco
Diretora de Educação
Luis Roberto Arruda
Gerente de Educação Profissional
Rosilene Ferreira Menezes
Rosemary Lomelino de Souza Xavier
Ricardo Gomes Rodrigues
Silvia Gondek
Equipe da Área de Negócios da Gerência de Educação Profissional
Armando de Freitas Ferreira
Elaboração
Zaira Ritins
Revisão gramatical
Geferson Gomes Coutinho
Projeto gráfico
Exata Comunicação Integrada Ltda
Editoração eletrônica