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VONTADE

de

SABER

Ensino Fundamental – Anos Finais


HISTÓRIA
Componente curricular: História

MANUAL DO PROFESSOR

adriana machado dias


8
• Bacharela e Licenciada em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR).
• Especialista em História Social e Ensino de História pela UEL-PR.
• Atuou como professora de História em escolas da rede particular de ensino.
• Autora de livros didáticos de História para o Ensino Fundamental e Ensino Médio.

keila grinberg
• Professora licenciada em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ).
• Doutora em História Social pela UFF-RJ.
• Professora do Departamento de História da Universidade Federal do Estado
do Rio de Janeiro (UNIRIO-RJ).

marco césar pellegrini


• Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR).
• Atuou como professor de História em escolas da rede particular de ensino.
• Editor de livros na área de ensino de História.
• Autor de livros didáticos de História para o Ensino Fundamental e Ensino Médio.

1a edição • São Paulo • 2018

11/7/18 12:00 PM
Copyright © Adriana Machado Dias, Keila Grinberg, Marco César Pellegrini, 2018.
Diretor editorial Antonio Luiz da Silva Rios
Diretora editorial adjunta Silvana Rossi Júlio
Gerente editorial Roberto Henrique Lopes da Silva
Editora Nubia de Cassia de Moraes Andrade e Silva
Gerente de produção editorial Mariana Milani
Coordenador de produção editorial Marcelo Henrique Ferreira Fontes
Gerente de arte Ricardo Borges
Coordenadora de arte Daniela Máximo
Projeto de capa Sergio Cândido
Foto de capa Brasil2/Getty Images
Supervisor de arte Vinicius Fernandes
Coordenadora de preparação e revisão Lilian Semenichin
Supervisora de preparação e revisão Beatriz Carneiro
Supervisora de iconografia e licenciamento de textos Elaine Bueno
Supervisora de arquivos de segurança Silvia Regina E. Almeida
Diretor de operações e produção gráfica Reginaldo Soares Damasceno
Projeto e produção editorial Scriba Soluções Editoriais
Edição Ana Beatriz Accorsi Thomson, Bruno Benaduce Amâncio
Assistência editorial João Cabral de Oliveira
Revisão e preparação Amanda de Camargo Mendes, Moisés Manzano da Silva
Projeto gráfico Laís Garbelini
Edição de arte Cynthia Sekiguchi
Iconografia Soraya Pires Momi
Tratamento de imagens Equipe Scriba
Diagramação Daniela Cordeiro
Editoração eletrônica Renan de Oliveira

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Dias, Adriana Machado
Vontade de saber : história : 8o ano : ensino
fundamental : anos finais / Adriana Machado Dias,
Keila Grinberg, Marco César Pellegrini. — 1. ed. —
São Paulo : Quinteto Editorial, 2018.
“Componente curricular: História.”
ISBN 978-85-8392-167-7 (aluno)
ISBN 978-85-8392-168-4 (professor)
1. História (Ensino fundamental) I. Grinberg,
Keila. II. Pellegrini, Marco César. III. Título.
18-20793 CDD-372.89
Índices para catálogo sistemático:

1. História : Ensino fundamental 372.89

Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964

Em respeito ao meio ambiente, as folhas


deste livro foram produzidas com fibras
obtidas de árvores de florestas plantadas,
com origem certificada.
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de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à
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Apresentação
Vivemos atualmente em uma sociedade tecnológica em que as transfor-
mações ocorrem com grande rapidez e diariamente somos bombardeados
por uma enorme quantidade de informações. Nessa sociedade consumista,
em que tudo rapidamente se torna “velho” e “ultrapassado”, os alunos
acabam vivenciando um presente sem historicidade, desconhecendo os
vínculos existentes entre o presente e o passado. Esse desconhecimento
histórico torna mais difícil para eles compreenderem e questionarem a
própria realidade em que vivem.
Diante dessa situação, adquirem cada vez mais importância o papel
do historiador e do professor de História. A análise das transformações
que ocorrem nas sociedades constitui a essência dos estudos
históricos e, por isso, estudar História torna os alunos mais capazes
de processar o grande volume de informações que recebem e conver-
tê-lo em conhecimento. Dessa forma, eles se tornarão mais críticos
e terão melhores condições de entender as transformações sociais
e como elas afetam nossas vidas.
Para auxiliar o professor nessa tarefa, elaboramos esta coleção.
Procuramos fazer uma seleção de conteúdos relevantes, em que
são desenvolvidos conceitos fundamentais para o estudo de
História. Os temas históricos são abordados em consonância
com as pesquisas historiográficas mais recentes e são traba-
lhados em um texto claro e acessível aos alunos.
Em todos os volumes da coleção, encontra-se uma grande
quantidade de fontes históricas, principalmente imagéticas,
que são contextualizadas e, em muitos casos, exploradas
por meio de atividades. A coleção tem uma estrutura regular
e está organizada a fim de facilitar o trabalho em sala de
aula. Desse modo, exercendo seu papel como mediador, o
professor pode promover um aprendizado significativo para
os alunos e instrumentalizá-los para que adquiram maior
autonomia e para que possam continuar seu aprendizado ao
longo da vida, ajudando a construir uma sociedade mais
justa e democrática.
Os autores.

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Sumário

A estrutura da obra ..........................................VI


Livro do aluno .............................................................................................. VI

Manual do professor ...............................................................................XIV

Material digital ...................................................................................... XVIII


Plano de desenvolvimento .................................................................................... XVIII
Projeto integrador .................................................................................................... XVIII
Sequências didáticas ............................................................................................... XVIII
Proposta de acompanhamento da aprendizagem.......................................... XVIII
Material audiovisual .................................................................................................. XIX

A Base Nacional Comum Curricular ............. XIX


As competências da BNCC .................................................................... XX
Competências gerais da BNCC................................................................................ XX
Competências específicas de Ciências Humanas ............................................. XXI
Competências específicas de História ................................................................ XXII

Os temas contemporâneos e a formação cidadã ................... XXII

O papel do professor ................................... XXIV

Práticas pedagógicas .................................... XXV


A avaliação ................................................................................................. XXV
A importância da avaliação................................................................................... XXV
A autoavaliação ....................................................................................................... XXVI

A defasagem em sala de aula ........................................................ XXVII

O ensino interdisciplinar ................................................................XXVIII

A competência leitora .......................................................................... XXX

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Recursos didáticos ................................................................................XXXI
Tecnologia ................................................................................................................. XXXI
Televisão e cinema ................................................................................................ XXXII
Artes gráficas e literatura .................................................................................... XXXII
Jornais e revistas ................................................................................................... XXXII
Sala de aula invertida .......................................................................................... XXXIII
Pesquisa ................................................................................................................... XXXIII

Proposta teórico-metodológica
da coleção ................................................... XXXIV
Concepção de História ......................................................................XXXIV

As fontes históricas ........................................................................... XXXV

Conceitos fundamentais para o ensino de História ......XXXVIII


Política ................................................................................................................... XXXVIII
Trabalho ................................................................................................................ XXXVIII
Sociedade ............................................................................................................... XXXIX
Cultura .............................................................................................................................XL

O ensino de História no Brasil ...........................................................XLI

O ensino de História e a BNCC ...........................................................XLI

Habilidades do 8o ano de
História na BNCC ......................................... XLIII

Quadro de conteúdos .................................. XLIV

Referências bibliográficas ......................... XLVIII

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A estrutura da obra

Livro do aluno
A presente coleção é destinada aos alu- A sequência dos conteúdos está organi-
nos dos anos finais do Ensino Fundamen- zada de acordo com critérios cronológicos.
tal. Composta por quatro volumes (6o ao 9o Além disso, procuramos explorar relações
ano), esta coleção é estruturada de modo a de simultaneidade, integrando, sempre que
facilitar o trabalho em sala de aula: todos os possível, os conteúdos de História Geral e
capítulos de cada volume são compostos de História do Brasil e ressaltando as rela-
por duas páginas de abertura e quatro pági- ções entre diferentes processos históricos.
nas de atividades; os títulos apresentam Veja, a seguir, informações mais deta-
uma hierarquia clara e o texto didático res- lhadas sobre a estrutura dos capítulos.
peita a faixa etária dos alunos; em todos os
volumes, os conteúdos são acompanhados
de imagens, boxes auxiliares e glossário.

Páginas de abertura
As páginas de abertura dos capítulos têm como principais objetivos explorar
o conhecimento prévio e despertar o interesse dos alunos pelos assuntos que
serão abordados.
Nessas páginas, o professor vai encontrar algumas questões que funcionam como um
roteiro de análise dos recursos, propiciando a exploração de capacidades e
habilidades fundamentais para o estudante, como observação, descrição, investigação
e análise de fontes históricas.
Com a mediação do professor, o leque de análises e interpretações pode ser aberto
ainda mais. Além disso, a análise das imagens apresentadas nessas páginas propicia
um momento de interação e troca de ideias entre o professor e os alunos.

VI

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Sujeito na história
Essa seção também está presente
em todos os volumes e seu principal
objetivo é mostrar aos alunos que,
além dos agentes coletivos, existem
pessoas que participaram
ativamente do processo histórico
por meio de suas ações individuais.
Provavelmente a maioria das
pessoas retratadas em O sujeito
na história é pouco conhecida
pelos alunos. O papel do professor é
importante nesse momento,
incentivando pesquisas sobre esses
sujeitos históricos em fontes
diversas e posteriores debates na
sala de aula. A seção reforça a
percepção de que a ação de todos
os sujeitos históricos, incluindo os
próprios alunos, pode contribuir
para transformações sociais.

História em construção
Seção que tem como objetivo
conscientizar os alunos de que a
disciplina de História é um campo
em constante desenvolvimento e
que as narrativas sobre o passado
também possuem uma história.
Nessa seção, apresentamos algumas
discussões recentes no campo da
historiografia, além de textos de
historiadores que abordam
problemáticas históricas, conflitos
de interpretação e revisões de
temas clássicos da historiografia
nacional e internacional. Para
explorar de forma mais significativa
o tema apresentado, são propostos
aos alunos alguns questionamentos
no final da seção.

VII

11/7/18 12:01 PM
Explorando o tema
Presente em todos os
capítulos, a seção Explorando
o tema aborda os temas
contemporâneos apresentados
pela BNCC. Essa seção é
enriquecida com trechos de
textos de autores diversos,
acompanhados de fotografias,
ilustrações, obras de arte e
outros recursos iconográficos.
Ao final da seção encontram-se
alguns questionamentos que
auxiliam no aprofundamento da
temática discutida.

Encontro com...
A proposta dessa seção é
articular temas de História e de
outras áreas do conhecimento,
como Geografia, Sociologia,
Matemática, Arqueologia, entre
outras. Ao final, a seção
apresenta questionamentos que
proporcionam uma reflexão mais
aprofundada sobre o tema.
Para facilitar essa articulação
entre temas de diferentes áreas
do conhecimento, o professor
encontrará várias dicas nas
orientações ao professor.

Enquanto isso...
Em todos os volumes da
coleção o professor
encontrará a seção Enquanto
isso..., que tem como principal
objetivo proporcionar um
espaço para o trabalho com a
simultaneidade. Ao perceber as
diferentes realidades sociais
que ocorrem simultaneamente,
os alunos tornam-se mais
aptos a compreender as
relações de determinado
tempo histórico.

VIII

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Investigando na prática
A análise de fontes históricas de
diversos tipos é o foco dessa seção.
Organizada em duplas de páginas
espelhadas, a seção apresenta aos
alunos uma fonte histórica
acompanhada de sua análise, e
propõe que eles realizem,
posteriormente, a análise de outra
fonte do mesmo tipo. Essa atividade
envolve a mobilização de diferentes
habilidades e competências, como
observação, comparação e
levantamento de hipóteses, além da
realização de pesquisas, da troca de
ideias e da elaboração de textos.

Atividades
Ao final de cada capítulo,
encontra-se uma seção de
atividades com quatro páginas.
Essa estrutura regular é uma
vantagem para os alunos, que
podem contar com um importante
espaço para exercitar diferentes
competências e habilidades.

A maior parte das atividades está


agrupada nessa seção, mas elas podem
ser realizadas gradativamente, de
acordo com as indicações do professor.
Cabe a ele, também, repensar,
reorganizar, reestruturar, recriar as
atividades existentes e/ou produzir
novas atividades, de acordo com sua
proposta pedagógica. Para facilitar a
identificação e execução dos diferentes
tipos de atividades, essa seção é dividida
em subseções, apresentadas a seguir.

IX

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Atividades • Exercícios de compreensão
Subseção fixa, sempre no início das atividades.
O principal objetivo desses exercícios é revisar o
conteúdo trabalhado no capítulo. Eles geralmente
são apresentados respeitando a ordem temática
do capítulo, no entanto, o professor poderá
escolher a melhor ordem para trabalhá-los com os
alunos. Além disso, é fundamental que o professor
estimule os alunos a produzir respostas com suas
próprias palavras com base na interpretação dos
conteúdos e não na simples cópia.
Embora possam parecer questionamentos simples, eles
contribuem com a formação da competência leitora, visto
que os alunos, para respondê-los de maneira satisfatória,
precisam demonstrar que compreenderam os conteúdos
trabalhados e que conseguem articulá-los na formação de
narrativas coerentes.

Atividades • Expandindo o conteúdo


Essa subseção traz questionamentos que
complementam e extrapolam os conteúdos do
capítulo. Geralmente são apresentados
diferentes gêneros textuais acompanhados de
questões de compreensão, interpretação, análise
e levantamento de hipóteses.
Os níveis de dificuldade das atividades aumentam
gradativamente no decorrer dos volumes.

Atividades • Passado e presente


Propicia a reflexão sobre as conexões
entre os acontecimentos do passado e o
tempo presente. A realização dessas
atividades estimula nos alunos a
percepção das permanências e das
transformações no processo histórico.

11/7/18 12:01 PM
Atividades • No Brasil
Com o objetivo principal de relacionar os
conteúdos trabalhados com a história e a
realidade brasileiras, essa subseção visa
despertar nos alunos a percepção de que
aquilo que aconteceu ou acontece no
mundo de alguma forma está relacionado
com o Brasil, e vice-versa.

Atividades • Trabalho em grupo


Com o objetivo de promover a interação entre os
alunos, essa subseção propõe temas a serem
pesquisados em grupo. Cabe ao professor auxiliar
os alunos nas diferentes etapas que compõem
um trabalho de pesquisa, desde a seleção do
material de consulta até a elaboração de um
texto, individual ou coletivo, com os resultados
da pesquisa. Em muitos casos, com o intuito de
promover a socialização dos resultados da
pesquisa, é proposto aos alunos a confecção de
cartazes e a montagem de exposições.
Verificar se os alunos têm uma postura
colaborativa ao trabalhar em equipe é um dos
pontos essenciais da avaliação do professor.

Atividades • Discutindo a história


O principal objetivo dessa subseção é
apresentar temas polêmicos e geradores de
debates. Em muitos casos, são apresentadas
opiniões diferentes sobre um mesmo
assunto, o que possibilita aos alunos
desenvolverem a percepção de que a
História não é feita de verdades absolutas e
que um assunto, mesmo que aparentemente
já esteja esgotado, sempre pode ser
reinterpretado. Além disso, os alunos são
convidados a expressar suas próprias opiniões.

XI

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Livros Filmes Sites
Boxe com indicação Boxe que indica filmes e Boxe que apresenta sites
de livros adequados documentários, de acordo relacionados a assuntos
à faixa etária dos com a faixa etária dos específicos que se
leitores de cada alunos, cujo enredo tenha conectam ao capítulo.
volume da coleção. relação com o tema Seu objetivo é suscitar o
Além de buscar o abordado. A intenção é interesse pela pesquisa,
desenvolvimento da aproximar os alunos dos estimulando e orientando
competência leitora, conteúdos por meio desse os alunos a acessarem sites
tem como objetivo tipo de recurso que confiáveis e de interesse
estimular o interesse desenvolve a análise fílmica, comum. Esse boxe aparece
pela pesquisa e o mobilizando os sentidos do em momentos oportunos
prazer da leitura. corpo humano e as para que professor e alunos
emoções, além de trabalhem juntos e
proporcionar a formação do explorem conteúdos
pensamento crítico e a complementares.
relação do indivíduo com a
realidade que o rodeia e
com o mundo.

Glossário
Algumas palavras ao longo da obra
podem ser novas para os alunos ou podem
suscitar dúvidas quanto ao sentido utilizado
no texto. Assim, buscando expandir o
vocabulário dos alunos, essa seção
apresenta significados de conceitos e
expressões, nas mesmas páginas em
que eles aparecem. Caso surjam
dúvidas sobre o significado de
outras palavras, o professor deve
estimular o uso de dicionários,
sempre buscando orientar os alunos
quanto ao sentido com que a
expressão foi empregada na obra.

XII

11/7/18 12:01 PM
Explorando a imagem
Nessa seção são propostas questões
de análise de imagens, como pinturas,
fotografias, charges e mapas. Os
questionamentos propostos estimulam
o aluno a observar a imagem de
maneira mais atenta, descrevendo-a e
percebendo o contexto em que ela foi
produzida, conhecendo seu autor e
época de produção. Ao estabelecer
relações entre a imagem e o conteúdo
do capítulo, o aluno desenvolve um olhar
mais crítico para as representações de
sujeitos e acontecimentos históricos. Com
base nos tipos de questionamentos propostos
nessa seção, o professor poderá também, com os
alunos, explorar outras imagens do capítulo.

Refletindo sobre o capítulo


Seção fixa localizada ao final de todos os
capítulos da coleção. Trata-se de uma síntese
das principais ideias e habilidades desenvolvidas
em cada capítulo, as quais, se forem
compreendidas pelos alunos, indicam
um bom aprendizado sobre os principais
temas abordados. Apresentada na
forma de uma autoavaliação, seu
principal objetivo é estimular nos
alunos a autonomia em relação à
aprendizagem. Cabe ao professor,
no entanto, criar um espaço de
diálogo entre seus alunos, também
como forma de constatar lacunas no
processo de ensino-aprendizagem.

XIII

11/7/18 12:01 PM
Manual do professor
O Manual do professor apresentado gunda parte do manual, por sua vez, é
nesta coleção é organizado em duas partes. composta pelas orientações nas laterais e
Na primeira, que está localizada no início nos rodapés, que buscam subsidiar e com-
de cada volume, estão presentes as infor- plementar o trabalho em sala de aula. A se-
mações gerais sobre a coleção, as relações guir, veja as características das seções pre-
estabelecidas com a BNCC e a fundamen- sentes neste manual.
tação teórico-metodológica adotada. A se-

Objetivos do capítulo
No início de cada capítulo, são apresentados os objetivos
a serem desenvolvidos pelos alunos. Você pode utilizar
esta seção como modo de orientar suas aulas e também
para acompanhar o aprendizado dos alunos.

Orientações gerais Respostas


A fim de orientar o trabalho com os Este boxe é utilizado sempre que houver
conteúdos, serão apresentadas necessidade de apresentar resposta às questões
instruções, informações complementares, nas laterais ou nos rodapés.
sugestões e outras orientações que irão
auxiliá-lo na condução da aula.

XIV

11/7/18 12:01 PM
BNCC
Nesta seção são indicadas as relações entre os
conteúdos da coleção e a BNCC. Assim, são elencados os temas
contemporâneos, as competências gerais, as competências
específicas para a área de Ciências Humanas e para o
componente curricular História, bem como as habilidades.

Sugestão de atividade
Serão indicadas sugestões de atividades
a serem abordadas pelo professor com a
turma, para aprofundar os conteúdos
quando oportuno.

XV

11/7/18 12:01 PM
Textos complementares
Nas Orientações gerais também serão apresentados
textos que poderão contribuir com a sua formação ou
serem utilizados no trabalho com os alunos.

Material audiovisual Material digital


Nas indicações relacionadas a este tipo de Esta seção apresenta sugestões de
material, são apresentadas sugestões de momentos ao longo do conteúdo para
arquivo de áudios e vídeos que se abordar o material digital
possibilitam uma complementação do (sequências didáticas, projetos
conteúdo abordado no livro do aluno. integradores e avaliações).

XVI

11/7/18 12:01 PM
Integrando saberes
Este boxe apresenta as relações de
determinados conteúdos com outros
componentes curriculares,
possibilitando uma articulação entre
as diferentes áreas do conhecimento.

Refletindo sobre o capítulo


Ao final de cada capítulo são apresentadas
orientações para o professor explorar essa
seção com os alunos, auxiliando-os na
autoavaliação e verificando o
desenvolvimento das habilidades da BNCC.

XVII

11/7/18 12:01 PM
Material digital
Esta coleção oferece um Material digital • Projeto integrador que articula objetos
que foi elaborado para contribuir com a or- de conhecimento e habilidades de dife-
ganização do trabalho do professor em sala rentes componentes curriculares.
de aula. Assim como este manual, o Material
digital apresenta recursos que propiciam o Projeto integrador
desenvolvimento de objetos de conheci-
Cada plano de desenvolvimento apre-
mento e habilidades em consonância com a
senta um projeto integrador. Além de via-
Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Esses recursos são organizados em: planos bilizar o trabalho com componentes curri-
de desenvolvimento, projetos integradores, culares integrados, este recurso é organi-
sequências didáticas, propostas de acom- zado em etapas conduzidas de modo a au-
panhamento das aprendizagens e material xiliar na gestão da sala de aula e no acom-
audiovisual. panhamento das aprendizagens dos alu-
nos. Cada etapa desenvolve atividades di-
Cada um dos elementos que compõem o
Material digital está estruturado em bi- recionadas à elaboração de um produto fi-
mestres e alinhado a esta coleção. Neste nal a ser apresentado pelos alunos aos seus
Manual do professor, são identificadas familiares, a toda a comunidade escolar ou
oportunidades para aplicação deles junto à comunidade em geral.
aos alunos. Vale salientar que essas opor-
tunidades configuram um complemento ao Sequências didáticas
trabalho em sala de aula, portanto não de- Para cada bimestre são apresentadas
vem ser consideradas como as únicas fer- três sequências didáticas.
ramentas de ensino.
As sequências didáticas são atividades
A seguir, são descritos mais detalhes sobre
complementares, independentes do livro
os elementos que compõem esse material.
do aluno, conduzidas de modo a auxiliar na
Plano de desenvolvimento gestão da sala de aula e com orientações a
Cada bimestre apresenta um plano de respeito do acompanhamento das aprendi-
desenvolvimento. zagens dos alunos. Esses recursos se orga-
O plano de desenvolvimento apresenta nizam com base em objetivos de aprendi-
um panorama da distribuição dos objetos zagens relacionados aos objetos de conhe-
de conhecimento e suas respectivas habili- cimento e às habilidades propostos no pla-
dades da BNCC em cada bimestre do livro no de desenvolvimento para cada bimestre.
do aluno. Além disso, este elemento reúne
orientações que podem auxiliar o trabalho Proposta de acompanhamento
do professor em diversos momentos. Se- da aprendizagem
guem algumas delas.
• Práticas didático-pedagógicas relacio- O Material digital oferece ferramentas
nadas às habilidades desenvolvidas em bimestrais para contribuir no processo de
cada bimestre. acompanhamento da aprendizagem dos
• Práticas recorrentes na sala de aula que objetos de conhecimento e habilidades de-
favorecem o desenvolvimento de habi- senvolvidos a cada bimestre. Cada propos-
lidades vinculadas aos conteúdos do ta de acompanhamento da aprendizagem é
bimestre. composta por uma avaliação e uma ficha
• Objetivos de aprendizagem e habilida- de acompanhamento das aprendizagens.
des essenciais para os alunos avança-
rem nos estudos. Avaliação
• Indicações de livros, filmes, sites, entre
outras fontes de pesquisa e consulta Cada avaliação apresenta dez questões
que se relacionam aos conteúdos do em uma estrutura pronta para ser entregue
bimestre. aos alunos.

XVIII

11/7/18 12:01 PM
Essas avaliações são acompanhadas por dividuais e podem auxiliar o trabalho do
gabaritos que contemplam as respostas cor- professor, principalmente, nas reuniões do
retas, possíveis interpretações das respostas conselho de classe e no atendimento dos
dos alunos e sugestões de reorientação de pais ou responsáveis pelos alunos.
planejamento, de modo a contribuir com o
acompanhamento das aprendizagens dos Material audiovisual
alunos. Além disso, as avaliações apresen-
tam uma grade de correção com o objetivo de O material digital audiovisual é direcio-
facilitar a aferição das habilidades avaliadas. nado aos alunos e composto por áudios e
vídeos que podem ser utilizados para sin-
tetizar os assuntos estudados, aprofundar
Ficha de acompanhamento
das aprendizagens conceitos ou contribuir para a compreensão
de determinados conteúdos.
As fichas de acompanhamento das
aprendizagens são instrumentos que pos- Esse material é direcionado ao estudante
sibilitam uma aferição de aprendizagem e tanto o livro do aluno quanto este manual
objetiva em relação aos objetivos de apren- identificam oportunidades em que os áudios
dizagem do bimestre. Essas fichas são in- e vídeos sugeridos podem ser trabalhados.

A Base Nacional Comum Curricular


A Base Nacional Comum Curricular
necessidades, as possibilidades e os inte-
(BNCC) tem como objetivo definir as apren-
resses dos estudantes e, também, com os
dizagens essenciais que os alunos desen-
desafios da sociedade contemporânea.
volverão de modo progressivo ao longo das
Isso supõe considerar as diferentes in-
etapas da educação básica. Em consonân-
fâncias e juventudes, as diversas cultu-
cia com as Diretrizes Curriculares Nacio- ras juvenis e seu potencial de criar novas
nais da Educação Básica, esse documento formas de existir.
normativo apresenta uma concepção de BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum
educação baseada em princípios éticos, Curricular. 2017. p. 14. Disponível em: <http://basenacionalcomum.
mec.gov.br>. Acesso em: 5 set. 2018.
políticos e estéticos que favorecem a for-
mação integral dos estudantes.
Na etapa do Ensino Fundamental (Anos
Nesse sentido, a BNCC valoriza a forma- Finais), a BNCC sugere que seja feito um
ção cognitiva dos alunos, mas também re- trabalho de retomada e aprofundamento
conhece a necessidade de trabalhar com do que foi desenvolvido na etapa dos Anos
aspectos socioemocionais, buscando com- Iniciais, principalmente por causa da maior
bater problemas como o preconceito e va- especialização assumida pelos compo-
lorizar a diversidade. Além disso, a BNCC nentes curriculares. Nos Anos Finais, os
apresenta orientações para a construção alunos devem fortalecer também sua au-
de uma sociedade justa, democrática, in- tonomia ao refletir de modo crítico, reali-
clusiva e preocupada com os problemas zando argumentações coerentes, análises
contemporâneos. embasadas criteriosamente e buscando
sempre valorizar o diálogo e os princípios
Independentemente da duração da dos direitos humanos.
jornada escolar, o conceito de educação
Nesse período da vida escolar, os estu-
integral com o qual a BNCC está compro-
dantes vivenciam uma etapa de transição à
metida se refere à construção intencio-
adolescência, o que impõe muitos desafios
nal de processos educativos que promo-
em relação à formação de sua personalidade,
vam aprendizagens sintonizadas com as
por exemplo. Eles também estão inseridos

XIX

11/7/18 12:01 PM
em uma cultura digital em ascensão, que contribuir para evitar análises superficiais,
deve ser pouco a pouco incorporada pela fragmentadas e imediatistas, buscando
escola de modo crítico e responsável. Con- fornecer subsídios para o desenvolvimento
siderando esse contexto, a BNCC pretende pleno, social e pessoal dos alunos.

As competências da BNNC
A organização da BNCC foi estabelecida nas atividades e nas propostas disponibili-
por meio da definição de competências ge- zadas nas orientações ao professor. Nes-
rais, competências específicas de área e ses momentos, os alunos serão incentiva-
competências específicas dos componen- dos a realizar reflexões que os levem a de-
tes curriculares. senvolver seu senso crítico e sua capaci-
Nesta coleção, as competências gerais dade de mobilização social diante dos de-
serão trabalhadas ao longo dos conteúdos, safios contemporâneos.

Competências gerais da BNCC


1 Valorizar e utilizar os conhecimentos historica- 6 Valorizar a diversidade de saberes e vivências
mente construídos sobre o mundo físico, so- culturais e apropriar-se de conhecimentos e
cial, cultural e digital para entender e explicar experiências que lhe possibilitem entender as
a realidade, continuar aprendendo e colaborar relações próprias do mundo do trabalho e fazer
para a construção de uma sociedade justa, de- escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e
mocrática e inclusiva. ao seu projeto de vida, com liberdade, autono-
mia, consciência crítica e responsabilidade.
2 Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à
abordagem própria das ciências, incluindo a in- 7 Argumentar com base em fatos, dados e infor-
vestigação, a reflexão, a análise crítica, a ima- mações confiáveis, para formular, negociar e
ginação e a criatividade, para investigar cau- defender ideias, pontos de vista e decisões co-
sas, elaborar e testar hipóteses, formular e muns que respeitem e promovam os direitos
resolver problemas e criar soluções (inclusive humanos, a consciência socioambiental e o con-
tecnológicas) com base nos conhecimentos sumo responsável em âmbito local, regional e
das diferentes áreas. global, com posicionamento ético em relação ao
cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
3 Valorizar e fruir as diversas manifestações ar-
tísticas e culturais, das locais às mundiais, e 8 Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde
também participar de práticas diversificadas física e emocional, compreendendo-se na diver-
da produção artístico-cultural. sidade humana e reconhecendo suas emoções
e as dos outros, com autocrítica e capacidade
4 Utilizar diferentes linguagens ‒ verbal (oral ou
para lidar com elas.
visual-motora, como Libras, e escrita), corpo-
ral, visual, sonora e digital ‒, bem como conhe- 9 Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de
cimentos das linguagens artística, matemática conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e
e científica, para se expressar e partilhar in- promovendo o respeito ao outro e aos direitos
formações, experiências, ideias e sentimentos humanos, com acolhimento e valorização da di-
em diferentes contextos e produzir sentidos versidade de indivíduos e de grupos sociais, seus
que levem ao entendimento mútuo. saberes, identidades, culturas e potencialidades,
sem preconceitos de qualquer natureza.
5 Compreender, utilizar e criar tecnologias digi-
tais de informação e comunicação de forma 10 Agir pessoal e coletivamente com autonomia,
crítica, significativa, reflexiva e ética nas di- responsabilidade, flexibilidade, resiliência e de-
versas práticas sociais (incluindo as escolares) terminação, tomando decisões com base em
para se comunicar, acessar e disseminar infor- princípios éticos, democráticos, inclusivos,
mações, produzir conhecimentos, resolver pro- sustentáveis e solidários.
blemas e exercer protagonismo e autoria na
vida pessoal e coletiva.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. 2017. p. 9-10.


Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br>. Acesso em: 5 set. 2018.

XX

11/7/18 12:01 PM
O trabalho com desenvolvimento das tências gerais (CG), auxiliando os alunos a
competências gerais auxilia os alunos a es- mobilizar seus conhecimentos para se tor-
tabelecer relações com sua vida cotidiana, narem pessoas atuantes na sociedade. Leia
resolver problemas e atuar de modo cons- a seguir algumas estratégias didáticas que
ciente no mundo. podem ser desenvolvidas para que as com-
Algumas iniciativas em sala de aula po- petências gerais sejam contempladas no
dem favorecer o trabalho com as compe- trabalho com esta coleção.

Pesquisa Diálogo Produção de textos escritos

CG 1, 2, 5 CG 4, 7, 8, 9 CG 1, 4, 7
Em atividades que permitem de- Diferentes abordagens de diá- Durante o trabalho com a cole-
senvolver essas competências, logo são propostas ao longo da ção, os alunos poderão utilizar
os alunos são orientados a usar coleção, nas quais os alunos os conhecimentos construídos
de modo responsável os meios são levados a utilizar diversas ao longo dos capítulos para ex-
digitais, além de exercitarem linguagens para se expressar, pressar-se por meio da lingua-
sua curiosidade intelectual. desenvolvendo também a ca- gem escrita para argumentar,
pacidade de argumentação. formular reflexões, registrar in-
formações etc.

Contexto local Interpretação Análise de imagens

CG 6, 8, 10 CG 1, 4, 7 CG 1, 2, 3
Em alguns momentos da cole- Para compreender de modo As análises de imagens permi-
ção, serão estabelecidas rela- crítico os conteúdos apresen- tem que os alunos desenvol-
ções entre os conteúdos e o tados no material, é necessário vam seu senso estético, valori-
contexto de vivência dos alu- trabalhar a capacidade de in- zando diferentes manifesta-
nos. Desse modo, eles poderão terpretação. Desse modo, os ções culturais.
refletir sobre a realidade em alunos terão fundamentação
que vivem para que possam para explicar a realidade e re-
propor possíveis intervenções. conhecer a diversidade.

Esta coleção também contempla as competências específicas de área e as competên-


cias específicas dos componentes curriculares, propostas pela BNCC.

Competências específicas de Ciências Humanas


1 Compreender a si e ao outro como identidades 4 Interpretar e expressar sentimentos, crenças e
diferentes, de forma a exercitar o respeito à dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e
diferença em uma sociedade plural e promover às diferentes culturas, com base nos instrumen-
os direitos humanos. tos de investigação das Ciências Humanas, pro-
movendo o acolhimento e a valorização da di-
2 Analisar o mundo social, cultural e digital e o
versidade de indivíduos e de grupos sociais, seus
meio técnico-científico-informacional com base
saberes, identidades, culturas e potencialidades,
nos conhecimentos das Ciências Humanas, con-
sem preconceitos de qualquer natureza.
siderando suas variações de significado no tem-
po e no espaço, para intervir em situações do 5 Comparar eventos ocorridos simultaneamente
cotidiano e se posicionar diante de problemas no mesmo espaço e em espaços variados, e
do mundo contemporâneo. eventos ocorridos em tempos diferentes no
mesmo espaço e em espaços variados.
3 Identificar, comparar e explicar a intervenção
do ser humano na natureza e na sociedade, 6 Construir argumentos, com base nos conheci-
exercitando a curiosidade e propondo ideias e mentos das Ciências Humanas, para negociar e
ações que contribuam para a transformação defender ideias e opiniões que respeitem e
espacial, social e cultural, de modo a participar promovam os direitos humanos e a consciên-
efetivamente das dinâmicas da vida social. cia socioambiental, exercitando a responsabili-

XXI

11/7/18 12:01 PM
dade e o protagonismo voltados para o bem tecnologias digitais de informação e comuni-
comum e a construção de uma sociedade jus- cação no desenvolvimento do raciocínio espa-
ta, democrática e inclusiva. ço-temporal relacionado a localização, distân-
cia, direção, duração, simultaneidade, suces-
7 Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e
são, ritmo e conexão.
iconográfica e diferentes gêneros textuais e

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. 2017. p. 355.


Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br>. Acesso em: 5 set. 2018.

Competências específicas de História


1 Compreender acontecimentos históricos, rela- 4 Identificar interpretações que expressem vi-
ções de poder e processos e mecanismos de sões de diferentes sujeitos, culturas e povos
transformação e manutenção das estruturas com relação a um mesmo contexto histórico,
sociais, políticas, econômicas e culturais ao e posicionar-se criticamente com base em
longo do tempo e em diferentes espaços para princípios éticos, democráticos, inclusivos,
analisar, posicionar-se e intervir no mundo sustentáveis e solidários.
contemporâneo.
5 Analisar e compreender o movimento de popu-
2 Compreender a historicidade no tempo e no lações e mercadorias no tempo e no espaço e
espaço, relacionando acontecimentos e pro- seus significados históricos, levando em conta
cessos de transformação e manutenção das o respeito e a solidariedade com as diferentes
estruturas sociais, políticas, econômicas e cul- populações.
turais, bem como problematizar os significa-
6 Compreender e problematizar os conceitos e
dos das lógicas de organização cronológica.
procedimentos norteadores da produção his-
3 Elaborar questionamentos, hipóteses, argumen- toriográfica.
tos e proposições em relação a documentos,
7 Produzir, avaliar e utilizar tecnologias digitais
interpretações e contextos históricos específi-
de informação e comunicação de modo crítico,
cos, recorrendo a diferentes linguagens e mí-
ético e responsável, compreendendo seus signi-
dias, exercitando a empatia, o diálogo, a resolu-
ficados para os diferentes grupos ou estratos
ção de conflitos, a cooperação e o respeito.
sociais.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. 2017. p. 400.


Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br>. Acesso em: 5 set. 2018.

Os temas contemporâneos e a formação cidadã


Procuramos trabalhar no decorrer desta
direito de ser negro, índio, homossexual,
coleção com o intuito de estimular os alunos
mulher, sem ser discriminado. De prati-
à participação social, política e cidadã. Para
car uma religião sem ser perseguido.
isso, nesta obra, os alunos encontrarão auxí-
Há detalhes que parecem insignifican-
lio para compreender a cidadania como a efe-
tes, mas revelam estágios da cidadania:
tivação de seus direitos básicos, de modo a
respeitar o sinal vermelho no trânsito,
combater as diversas formas de segregação. não jogar papel na rua, não destruir tele-
fones públicos. Por trás desse comporta-
É muito importante entender bem o mento está o respeito à coisa pública.
que é cidadania. Trata-se de uma palavra
O direito de ter direitos é uma con-
usada todos os dias, com vários sentidos.
quista da humanidade. [...]
Mas hoje significa, em essência, o direito
DIMENSTEIN, Gilberto. O cidadão de papel: a infância, a adolescência
de viver decentemente. e os direitos humanos no Brasil. São Paulo: Ática, 2005. p. 12-13.

Cidadania é o direito de ter uma ideia


e poder expressá-la. É poder votar em Ao longo da coleção, a noção de cidada-
quem quiser sem constrangimento, pro- nia será trabalhada de modo integrado aos
cessar um médico que tenha agido com temas contemporâneos apontados pela
negligência. É devolver um produto es- BNCC. Conheça mais sobre esses temas no
tragado e receber o dinheiro de volta. É o quadro a seguir.

XXII

11/7/18 12:01 PM
Direitos da
criança e do
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), aprovado no Brasil em 1990, trata da necessidade de
adolescente
conceder proteção integral à criança e ao adolescente, atribuindo prioridade a essa parcela da socieda-
de em diversos setores públicos e na destinação de recursos. Essa concepção acerca das crianças e
dos adolescentes passou a compreendê-los como pessoas em estágio de desenvolvimento e que reque-
rem atenção e proteção da sociedade como um todo. Nesse sentido, prima-se por uma educação que
destaque elementos como a prevenção do trabalho e a exploração infantil, a promoção da convivência
familiar saudável, a prevenção da violência intrafamiliar, além do incentivo e apoio à ampliação do uni-
verso cultural das crianças e adolescentes.
Educação
para o
Problemas relacionados à convivência no trânsito se impõem como um dos grandes desafios atuais,
trânsito
principalmente em um mundo cada vez mais urbanizado e com escassos investimentos em planejamen-
to de infraestrutura. Nesse sentido, a educação para o trânsito tem como objetivo contribuir para re-
flexões sobre posturas responsáveis e sustentáveis de pedestres, ciclistas e motoristas.
Educação
ambiental
Considerando as perspectivas alarmantes divulgadas nos últimos anos sobre a situação do planeta, dis-
cutir a educação ambiental na escola tornou-se algo essencial. Essa formação visa preparar cidadãos
para que sejam preocupados, conscientes e que consigam tomar atitudes adequadas em relação ao
consumo de recursos, à poluição, ao despejo indevido de resíduos, à implantação de energias alternati-
vas, entre outras questões. Nesse sentido, assuntos como o desenvolvimento sustentável e o consumo
consciente devem fazer parte do cotidiano dos alunos.
Educação
alimentar e
A preocupação com a alimentação e com o aprimoramento nutricional também é muito importante no
nutricional
contexto atual. Com os altos níveis de industrialização vivenciados nos últimos anos e com a acelera-
ção do ritmo de vida imposta pelo sistema capitalista, nos submetemos a uma alimentação muitas ve-
zes de má qualidade e sem critérios adequados para saúde. Assim, a educação nutricional se faz neces-
sária, para que possamos identificar e seguir melhores hábitos.
Processo de
envelhecimento,
O Estatuto do Idoso foi aprovado no Brasil em 2003, visando garantir o bem-estar das pessoas com
respeito e valori-
idade igual ou superior a 60 anos. Nesse documento, uma série de leis busca promover o respeito, a
zação do idoso
autonomia, a integração e a participação efetiva dos idosos na sociedade brasileira. A educação tem
um papel relevante a cumprir na efetivação dessas leis, atuando na conscientização dos alunos sobre a
importância das pessoas idosas em nossa sociedade, buscando promover a sociabilização e o comparti-
lhamento de experiências entre pessoas idosas e alunos.
Educação
em direitos
A noção de direitos humanos foi construída historicamente, ao longo de anos de lutas e mobilizações.
humanos
Tratar o outro com dignidade, considerando sua condição humana fundamental é um dever de todos. A
escola se apresenta então como um espaço ideal para que essas noções sejam discutidas. Desse modo,
busca-se combater concepções e atitudes que tenham como base perspectivas discriminatórias.
Educação das relações
étnico-raciais e ensino
A aprovação de leis afirmativas, como a lei no 10.639, de 2003, que determinou a introdução do ensino de
de história e cultura
história da África e da cultura afro-brasileira, e a lei no 11.645, de 2008, que estabeleceu a obrigatorieda-
afro-brasileira,
de da inclusão de história e cultura dos povos indígenas aos alunos dos níveis fundamental e médio, cola- africana e indígena
bora para a desconstrução de preconceitos e estereótipos sobre africanos e indígenas, fortemente im-
pregnados no conteúdo escolar. No caso da inserção da história da África e da cultura afro-brasileira e da
história e cultura indígenas, nos currículos dos ensinos fundamental e médio, vemos a expansão dos direi-
tos de grupos tradicionalmente marginalizados, os quais têm agora sua cultura e sua contribuição para a
construção da sociedade brasileira reconhecidas, ao mesmo tempo em que as especificidades desses
grupos devem ser valorizadas como responsáveis por contribuições originais na formação de nosso povo.
Saúde
A escola apresenta um papel importante nas reflexões dos estudantes sobre sua saúde. Os conheci-
mentos apreendidos com base nos componentes curriculares e na convivência diária no ambiente esco-
lar devem sempre contribuir para a formação de hábitos saudáveis como a prática de exercícios físicos
e da higiene, além de promover o cuidado com o bem-estar físico, mental e emocional.
Vida familiar
e social
Conceber a convivência familiar e social como um tema significativo de ser abordado com os estudan-
tes faz parte da proposta de educação integral. Assim, é necessário que se tenha na escola reflexões
sobre: diferentes constituições familiares, conceito de concepções patriarcais e matrilineares, papel
dos membros familiares, regras de convivência com diferentes grupos, importância do diálogo e do res-
peito, entre outras discussões.

XXIII

11/7/18 12:01 PM
Educação para
o consumo
Nos últimos anos, o estabelecimento de políticas responsáveis de consumo tem sido um grande desafio,
levando em conta a repercussão dos meios de comunicação em incentivar o consumo de bens e servi-
ços de modo desenfreado. Com isso, a educação para o consumo visa contribuir para que os estudan-
tes analisem criticamente o contexto atual, identificando assim atitudes consumistas e possíveis alter-
nativas sustentáveis em seu dia a dia.
Educação
financeira
É papel do cidadão compreender as dinâmicas que envolvem a aplicação de investimentos tributários pelo
e fiscal
poder público e também saber lidar com aspectos da economia. Assim, a escola pode contribuir para a for-
mação inicial dos estudantes em relação à educação financeira, apresentando reflexões que envolvam no-
ções de planejamento financeiro, aplicação, investimentos, consumo consciente, tomada de decisões etc.
Trabalho
Reflexões sobre as relações de trabalho são importantes para os alunos compreenderem de modo críti-
co o mundo em que vivemos. Temas como trabalho infantil, desemprego, direitos trabalhistas, impor-
tância dos sindicatos e trabalho escravo devem ser abordados em sala de aula para auxiliar os alunos a
perceber as dinâmicas do sistema capitalista nas quais estão inseridos. A partir de discussões como
essas, é possível auxiliar os alunos a analisarem as condições adversas que podem estar presentes em
seu dia a dia, como é o caso da desigualdade social.
Ciência e
tecnologia
Refletir criticamente sobre as aplicações do desenvolvimento científico, analisando as tecnologias sob
diferentes perspectivas e olhares torna-se essencial no contexto contemporâneo. O espaço escolar
deve estar aberto às transformações e às modernizações, aplicando-as com responsabilidade e capaci-
tando os alunos a desenvolverem o uso consciente desses recursos.
Diversidade
cultural
Entrar em contato com povos e culturas variadas permite aos estudantes desenvolverem a ideia de
diversidade, reconhecendo, portanto, que o mundo é formado por diferentes modos de vida e tradi-
ções. Uma educação escolar voltada à valorização da diversidade favorece a desconstrução de ideias
etnocêntricas. Nesse sentido, o Brasil surge como país privilegiado para discutir tais questões, vista a
grande diversidade de etnias que contribuíram para a formação do povo brasileiro.

O papel do professor
O professor vem desempenhando cada des do relacionamento professor-aluno e
vez mais um papel de mediador entre os con- aluno-aluno, intervindo em casos de possí-
teúdos específicos de cada componente cur- veis dificuldades de aprendizagem e con-
ricular e os conhecimentos adquiridos pelos duzindo suas aulas de modo a promover a
alunos. Assim, o professor deve desenvolver construção do conhecimento pautada em
de maneira constante a reflexão para de- respeito e empatia. Para isso, o docente de-
monstrar que o ato de estudar não é apenas ve ter autonomia, tanto perante seus alu-
fundamental, mas também prazeroso, des- nos quanto perante os colegas. Essa auto-
pertando, assim, o interesse dos alunos. nomia refere-se à capacidade de fazer es-
colhas e de posicionar-se, participando de
A união entre teoria e prática geralmen-
maneira cooperativa diante de percalços e
te ocorre quando o professor propicia aos
desafios. É importante que, ao adotar essa
alunos momentos em que eles possam de-
postura, o professor se esquive de atitudes
bater, refletir e emitir opiniões sobre acon-
impositivas, alheias ao interesse coletivo, e
tecimentos ocorridos em contextos locais e
se dispa de conceitos preestabelecidos.
mundiais. Dessa forma, a prática reflexiva
sobre os conteúdos estudados é essencial Além disso, faz parte do papel do profes-
para o ensino contextualizado. sor estimular a autonomia do estudante, a
fim de que ele assuma um papel proativo
É fundamental que o professor tenha
em sala de aula – e, também, fora dela –,
sensibilidade para perceber as singularida-
encorajando e sendo encorajado ao questio-

XXIV

11/7/18 12:01 PM
namento e à argumentação em suas toma- Para adotar a postura mediadora, a for-
das de decisões. Para isso, o professor deve mação do professor deve ser constante, ex-
assumir a responsabilidade no processo trapolando a sua formação inicial e firman-
ensino-aprendizagem, preservando a cons- do-se em uma carreira docente construída
ciência de que suas ações refletem direta- por meio da observação dos alunos e da
mente no desenvolvimento dos alunos. atualização de práticas e conteúdos.

Práticas pedagógicas

A avaliação
A importância da avaliação O professor pode desenvolver, dentro de
A avaliação é um instrumento que o pro- sua atuação em sala de aula, três tipos de
fessor possui para diagnosticar, analisar, avaliação: diagnóstica, formativa e somativa
sistematizar e orientar suas ações pedagó- (também conhecida como classificatória).
gicas. Entende-se a avaliação como um diá- A avaliação diagnóstica deve ser realiza-
logo contínuo entre professor e aluno, uma da a cada início de um ciclo de estudos, já
vez que, quando elaborada em concordância que se constitui uma sondagem do que os
com o conteúdo ensinado, serve como res- alunos conhecem, ao mesmo tempo em que
posta concreta à prática do professor e ao é uma projeção do que o professor deverá
processo de ensino-aprendizagem. planejar para seu trabalho com os próximos
conteúdos. Segundo Santos e Varela (2007,
No contexto em que atua, deve estar cla-
p. 4), “É uma etapa do processo educacional
ro para o professor que além de a avaliação
que tem por objetivo verificar em que medi-
ser importante, seu processo deve ser con-
da os conhecimentos anteriores ocorreram
tínuo e não se restringir a resultados ou a
e o que se faz necessário planejar para sele-
momentos definidos e estanques, pois ela
cionar dificuldades encontradas.”.
diagnostica os reais problemas e defasa-
gens na aprendizagem dos alunos e colabo- Já a avaliação formativa é importante
ra para a evolução de seu conhecimento. que seja utilizada durante todo o processo
de ensino-aprendizagem, pois está relacio-
Segundo Bonesi e Souza, a avaliação é
nada aos aspectos que proporcionam a for-
definida como:
mação dos alunos e considera o processo
de aprendizagem tão importante quanto o
[...] o ato por meio do qual A e B avaliam que se aprende.
juntos a prática implementada, as apren-
dizagens efetivadas, as conquistas erigi-
A avaliação formativa privilegia a ob-
das, o desenvolvimento conquistado, os
servação do processo ensino-aprendiza-
obstáculos encontrados ou os erros e
gem por meio de diversos instrumentos
equívocos porventura cometidos. Daí
que podem ser utilizados para verificar o
seu caráter dialógico.
alcance dos objetivos almejados, o domí-
BONESI, Patrícia Góis; SOUZA, Nadia Aparecida de. Fatores que
dificultam a transformação da avaliação na escola. Estudos em nio do conhecimento, os avanços, as difi-
avaliação educacional, v. 17, n. 34, maio/ago. 2006. p. 134.
culdades em que o aluno necessita de
uma nova abordagem. O erro é visto como
Assim, professores e alunos participam parte integrante de uma caminhada e re-
da avaliação, que só acontece efetivamente vela a necessidade interventiva em deter-
se as dificuldades, os erros e acertos fize- minado conteúdo ou em dado momento.
rem sentido para ambos, como uma via de GAVASSI, Susana Lisboa. Avaliação formativa:
um desafio aos professores das séries finais do ensino
mão dupla para o ensino e a aprendizagem. fundamental. Medianeira: UTFPR, 2012. p. 21.

XXV

11/7/18 12:01 PM
A avaliação somativa pretende ajuizar o A autoavaliação
progresso realizado pelo aluno no final de A autoavaliação tem papel fundamental
uma unidade de aprendizagem, no sentido na democratização da avaliação. A utiliza-
de aferir resultados já colhidos por avalia- ção dessa ferramenta possibilita tanto a
ções do tipo formativa e obter indicadores alunos quanto a professores avaliarem seu
que permitam aperfeiçoar o processo de desempenho em sala de aula.
ensino. Corresponde a um balanço final, a
uma visão de conjunto relativo a um todo
sobre o qual, até então, só haviam sido fei- [...] Para o aluno autoavaliar-se é alta-
tos juízos parcelares. É fato que a avaliação mente favorável o desafio do professor,
provocando-o a refletir sobre o que está
somativa é a mais utilizada nas escolas e
fazendo, retomar passo a passo seus pro-
que, em muitos casos, representa um cará-
cessos, tomar consciência das estratégias
ter classificatório.
de pensamento utilizadas. Mas não é ta-
Cabe ao professor pensar na avaliação refa simples. Para tal, ele precisará ajus-
como um processo que vai além de sua tar suas perguntas e desafios às possibi-
mera realização, que precisa ser cuidado- lidades de cada um, às etapas do proces-
samente elaborado. O resultado dessa ava- so em que se encontra, priorizando uns e
liação, por sua vez, deve ser devolvido e outros aspectos, decidindo sobre o quê,
revisado com os alunos, para perceberem o como e quando falar, refletindo sobre o
ensino como um processo, o que implica seu papel frente à possível vulnerabilida-
rever os motivos de seus erros a fim de de do aprendiz. [...]
avançar na aprendizagem. O planejamento HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover:
as setas do caminho. Porto Alegre: Mediação, 2001. p. 54.
do processo de avaliação deve incluir con-
teúdos trabalhados em sala de aula de ma-
neira contextualizada e reflexiva, levando Portanto, ao desafiar os alunos, o pro-
em consideração o processo de aprendiza- fessor também passa a refletir sobre a sua
gem do aluno. Deve, ainda, na medida do atuação nos processos didáticos, adequan-
possível, conter atividades que valorizem do-se às necessidades do dia a dia em sala
diferentes formas de expressão do conhe- de aula e tomando consciência de seu pa-
cimento do aluno, como exercícios objeti- pel diante dos desafios do processo de en-
vos, dissertativos, trabalhos em grupo, de- sino-aprendizagem.
bates, e assim por diante. Veja a seguir, sugestões de questiona-
Para que a avaliação não se torne uma mentos autoavaliativos que podem ser
forma de seleção e exclusão, focada apenas apresentados aos alunos.
em princípios de eficiência e competitivi- • O que estou aprendendo?
dade, é importante haver um canal de co- • O que eu aprendi?
municação entre alunos e professor. Desse • De que forma poderia aprender melhor?
modo, os critérios da avaliação, seja ela
• Como poderia agir/participar para
formativa ou somativa, precisam ser apre-
aprender mais?
sentados e discutidos antes de sua realiza-
ção, para que o aluno saiba como e sob • Que tarefas e atividades foram
quais aspectos será avaliado. realizadas?

Quando elaborada, aplicada e revisada • O que aprendi com elas? O que mais
corretamente, a avaliação perde seu caráter poderia aprender?
punitivo e excludente e passa a avaliar o • O que eu aprendi, com meus colegas e
aluno de maneira formativa e continuada, professores, a ser e a fazer?
além de possibilitar que o professor reveja • De que forma contribuí para que todos
sua prática pedagógica. aprendessem mais?

XXVI

11/7/18 12:01 PM
A defasagem em sala de aula
Cada aluno aprende de um jeito. Dentro O rendimento escolar dos alunos e a
de uma mesma sala de aula temos uma di- possível defasagem em sala de aula podem
versidade de alunos quando pensamos em ser influenciados por aspectos cognitivos
características comportamentais e cogniti- (crianças com necessidades especiais rela-
vas. Cada um tem uma história, que é úni- cionadas à linguagem, à percepção ou ao
ca, e decorre das particularidades de sua raciocínio, por exemplo, ou outros proble-
estrutura biológica, psicológica, familiar e mas de saúde), socioculturais (ambiente
sociocultural, resultando em diferenças familiar, lugar onde mora, convívio social,
que interferem diretamente na maneira co- oportunidade de desenvolvimento de ativi-
mo eles se apropriam do conhecimento na dades extracurriculares, tempo e lugar pa-
escola, ou seja, eles aprendem de formas ra se dedicar aos estudos em casa, relação
diversas. Como salienta Bencini (2003), da família com a escola e participação no
“As crianças [e os adolescentes] são o re- processo de educação, entre outros) e polí-
sultado de suas experiências. Para com- tico-institucionais (legislação educacional,
preender seu desenvolvimento é preciso trabalhista e de saúde em seus diversos ní-
considerar o espaço em que elas vivem, a veis, metodologia de ensino adotada pela
maneira como constroem significados, as escola, corpo diretivo escolar, qualificação
práticas culturais etc.”. A questão nortea- e motivação dos professores, infraestrutu-
dora do trabalho docente deve ser: como ra da escola etc.). Desse modo, é necessá-
enfrentar a heterogeneidade das turmas? rio refletirmos a respeito das situações de
Tendo em vista essas condições, é im- ensino e aprendizagem que podem detec-
portante estarmos conscientes de que os ní- tar os tipos de defasagem dos alunos.
veis de aprendizagem em uma sala de aula Para conhecer os níveis de aprendizagem
serão distintos, e devemos estar preparados dos alunos e detectar uma possível defasa-
para lidar com esse aspecto do trabalho do- gem, as ferramentas de avaliação e o traba-
cente, de modo que o desenvolvimento dos lho do professor em conjunto com a coorde-
alunos não seja prejudicado. É função da es- nação pedagógica da escola são fundamen-
cola “[...] detectar a diversidade presente nas tais. “O diagnóstico inicial, as provas, a ob-
salas de aula e criar condições para que os servação de sala de aula, as atividades de
conteúdos trabalhados, quando não são sondagem, as tarefas de casa e a análise de
bem compreendidos, sejam retomados em
cadernos e portfólios são alguns dos instru-
classe com novas atividades e estratégias de
mentos que ajudam a ter um panorama da
ensino” (FRAIDENRAICH, 2010).
turma.” (FRAIDENRAICH, 2010).
Antes mesmo de refletirmos sobre ren-
Geralmente, o que se faz em sala de aula
dimento e defasagem escolar, salientamos
é desenvolver o mesmo tipo de atividade
que, para um bom desempenho dos alunos
para todos os alunos. Em vários casos, al-
em sala de aula, é fundamental que eles
guns alunos terminam mais rápido, outros
compreendam a importância dos estudos e
precisam de mais tempo, e outros nem con-
abandonem a visão pessimista que muitos
seguem realizar a atividade, de maneira que
têm de que “estudar é chato”. Atividades
o objetivo de ensino-aprendizagem nem
instigantes, desafiadoras e que saiam da
sempre é atingido. Essa situação acaba de-
rotina contribuem para atrair a atenção do
sestimulando os que têm resultados e rit-
aluno e para o desenvolvimento de compe-
mos diferentes da maioria da classe.
tências que favoreçam tanto a aprendiza-
gem quanto a sua formação socioemocio- Uma possibilidade de auxiliar todos a
nal. O envolvimento da família nesse pro- atingirem os objetivos de aprendizagem de
cesso é de suma importância para criar maneira satisfatória e eficiente é diversifi-
uma relação de confiança com a escola. car as estratégias de ensino, respeitando

XXVII

11/7/18 12:01 PM
essa diversidade de modo a potencializar músicas, filmes – que desafiam o aluno a
as habilidades de cada aluno. refletir e a diversificar as formas de aprendi-
E quais são as estratégias de ensino que zagem e expressão do conhecimento for-
podem contribuir para corrigir as defasagens mulado. Isso porque há alunos que são mais
dos alunos? São muitas e devem variar de visuais, outros que são mais auditivos, e ou-
acordo com a realidade de cada comunidade tros, cinestésicos. A avaliação diagnóstica
escolar. No entanto, podem começar pelo es- inicial, com atividades variadas de escrita,
paço da sala de aula: em vez de trabalhar per- leitura e interpretação de diferentes lingua-
manentemente com as carteiras enfileiradas, gens, auxilia a detectar as principais carac-
é possível alterar a organização delas em cír- terísticas dos alunos, pois alguns podem ter
culo ou em grupos, para que a interação entre dificuldades em interpretar uma música (es-
os alunos flua. O importante é que a sala de tímulo auditivo), por exemplo, enquanto ou-
aula seja um ambiente flexível. tros podem ter bom desempenho em anali-
sar uma imagem (estímulo visual).
Também devem fazer parte da rotina os
trabalhos em grupo, em dupla e individuais. Utilizar ferramentas digitais também é um
Para cada um deles, é possível desenvolver ótimo recurso, quando corretamente empre-
diferentes habilidades. Ao propor trabalhos gado, mediado pelo professor. No caso das
em dupla ou em grupo, é importante mistu- escolas que tenham sala de tecnologia, o pro-
rar alunos que possuam diferentes níveis de fessor pode usar ferramentas como sites e
aprendizagem, pois dessa forma um ajuda o aplicativos para corrigir as defasagens.
outro e desenvolvem diferentes competên- Em alguns casos, quando se detecta que
cias, como trabalho em equipe, organização, a defasagem de determinado aluno está
liderança e empatia. Em outros momentos, muito aquém do desempenho da turma, é
concentrar nos grupos os alunos com níveis importante desenvolver atividades educa-
de aprendizagem semelhantes é relevante tivas separadas dos demais, para avançar
para dar a atenção necessária, e de maneira com ele na compreensão de certos conteú-
integrada, para o grupo. Já os trabalhos in- dos. Para isso, sempre que possível, reser-
dividuais permitem ao aluno momentos de ve momentos, ainda que semanais, para
autonomia e criatividade. acompanhar individualmente as atividades
Do mesmo modo, é importante utilizar realizadas por alguns alunos. Em outros
outros espaços, além da sala de aula, para casos, atividades extras em sala separada,
atividades de ensino e aprendizagem, como com auxílio de outro professor e da coorde-
o pátio da escola, o laboratório, o bairro, uma nação pedagógica, são conduções relevan-
praça, um parque municipal, um museu etc. tes para a progressão do aluno.
Tais espaços possibilitam, muitas vezes, a Em todas essas situações, o professor
aprendizagem de forma lúdica, informal, deve planejar seu cotidiano, “Por isso, é pa-
permanecendo o objetivo educativo. pel de todo professor ter muito claros os ob-
Outro ponto importante é alternar o uso jetivos e resultados que pretende alcançar
de materiais pedagógicos – revistas, mapas, com uma atividade, para não exigir mais
jogos didáticos, histórias em quadrinhos, nem menos da turma.” (BENCINI, 2003).

O ensino interdisciplinar
O conceito norteador de um trabalho pedagogia integradora, é o de interdiscipli-
educacional feito em parceria, fruto de uma na, definido a seguir.

XXVIII

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volvimento dos alunos motiva o fortaleci-
[...]
mento das relações entre professores de
Interdisciplina — Interação existente diferentes componentes curriculares.
entre duas ou mais disciplinas. Essa inte-
ração pode ir da simples comunicação
[...] O estilo de educação que priori-
de ideias à integração mútua dos concei- za o trabalho em equipe, que busca a
tos diretores da epistemologia, da termi- interdisciplinaridade e o compromisso
nologia, da metodologia, dos procedi- com a integralidade das ações e que
mentos, dos dados e da organização refe- procura respeitar as especificidades de
rentes ao ensino e à pesquisa. Um grupo cada profissão, está pautado nas con-
interdisciplinar compõe-se de pessoas cepções teóricas das metodologias ati-
que receberam sua formação em diferen- vas de ensino-aprendizagem. [...]
tes domínios do conhecimento (discipli- BASSIT, Ana Zahira (Org.). O interdisciplinar: olhares
contemporâneos. São Paulo: Factash Editora, 2010. p. 118.
nas) com seus métodos, conceitos, dados
e termos próprios.
[...] Na escola, uma postura interdisciplinar
FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Integração e
traz contribuições quando os alunos come-
interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade
ou ideologia. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2011. p. 54.
çam a estabelecer um relacionamento de
parceria e colaboração com a equipe esco-
lar, bem como com a comunidade onde a
Em sala de aula, essa interação pode escola está inserida.
ocorrer, por exemplo, por meio de projetos
Propostas como essas abrangem estra-
investigativos ou de pesquisa. Por apre-
tégias mais dinâmicas, interativas e cola-
sentarem etapas, como planejamento, le-
borativas em relação à gestão do ensino e
vantamento de hipóteses, coletas de dados,
da aprendizagem; possibilita a formulação
análises, deduções e conclusões, essas ati-
de um saber crítico-reflexivo com base no
vidades possibilitam maior integração en-
diálogo entre os conteúdos de diferentes
tre os componentes curriculares. Além dis-
componentes curriculares; e permite uma
so, elas podem criar situações de aprendi-
nova postura de professores e alunos dian-
zagem de forma dinâmica, por meio da re-
te do conhecimento, deixando de concebê-
flexão, do questionamento e da argumen-
-lo como algo estanque.
tação dos alunos.
Dentro dessa perspectiva, um trabalho [...]
interdisciplinar preocupa-se em relacionar
“Interdisciplinaridade” é um termo
os conceitos de maneira articulada, levan-
utilizado para caracterizar a colaboração
do em conta os objetivos gerais e específi-
existente entre disciplinas diversas ou
cos de cada componente curricular envol- entre setores heterogêneos de uma mes-
vido, com o propósito de evitar a fragmen- ma ciência [...]. Caracteriza-se por uma
tação do conhecimento e instigar o interes- intensa reciprocidade nas trocas, visan-
se dos alunos para envolvê-los diretamente do a um enriquecimento mútuo.
no processo de aprendizagem. Cabe enfati- [...]
zar que o trabalho interdisciplinar deve es- FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Integração
e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade
tar ligado à vida dos alunos e às suas moti- ou ideologia. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2011. p. 73.
vações, de modo que os envolva e se torne,
além de útil, prazeroso. A fim de promover a superação da frag-
Nessas atividades, os alunos aprendem mentação disciplinar, em sintonia com a
a trabalhar coletivamente, privilegiando a BNCC, esta coleção propõe em diversos mo-
interação com os colegas e favorecendo o mentos uma articulação entre os compo-
desenvolvimento da capacidade de argu- nentes curriculares e seus respectivos obje-
mentar e organizar as informações. O en- tos de conhecimento com base em temas,

XXIX

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conteúdos, recursos e seções que favoreçam sentadas orientações de desenvolvimento
tal abordagem. A seção Encontro com..., por específicas para compreender quais compo-
exemplo, apresenta essa proposta de ma- nentes podem ser desenvolvidos com base
neira clara e fácil de ser reconhecida pelo na leitura de um texto ou na resolução de
professor. Em outros momentos, são apre- uma determinada atividade.

A competência leitora
De acordo com pesquisas recentes, uma
Extrair o significado do texto, de ma-
parcela significativa dos brasileiros, apesar
neira global, ou dos diferentes itens in-
de saber ler e escrever, não consegue com- cluídos nele.
preender textos mais extensos ou comple-
Saber reconduzir sua leitura, avan-
xos, ou seja, não tem competência leitora çando ou retrocedendo no texto, para se
de qualidade. Sabendo que a capacidade de adequar ao ritmo e às capacidades ne-
apreender aquilo que se lê e observa é im- cessárias para ler de forma correta.
prescindível para participar efetivamente Conectar novos conceitos com os con-
da vida em sociedade, é importante que a ceitos prévios que lhe permitirão incor-
escola possibilite ao aluno desenvolver es- porá-los a seu conhecimento.
tratégias de leitura contínua e atenta que o SERRA, Joan; OLLER, Carles. Estratégias de leitura e compreensão
de texto no ensino fundamental e médio. In: TEBEROSKY, Ana
auxiliem a compreender e explorar mensa- et al. Compreensão de leitura: a língua como procedimento.
Tradução: Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2003. p. 36-37.
gens, verbais ou não verbais, em diversos
níveis de cognição. O fato de um aluno ser Além da leitura, a escrita também deve
considerado alfabetizado não significa que ser constantemente estimulada. A produ-
ele consiga utilizar a leitura e a escrita co- ção de textos estimula os alunos a pensa-
mo maneiras de se expressar. rem criticamente e a refletirem sobre aqui-
Nesse sentido, a noção de competência lo que estão escrevendo.
leitora, especificamente, está ligada à práti-
ca de estratégias de leitura que possibili- [...]
tem ao aluno explorar as mensagens (este- Num mundo como o atual, em que os
jam elas em textos, imagens, gráficos, for- textos estão por toda parte, entender o
mulários ou tabelas, por exemplo) em di- que se lê é uma necessidade para poder
versos níveis de cognição, o que viabiliza a participar plenamente da vida social. Pro-
fessores como você têm um papel funda-
interpretação e a compreensão para uma
mental nessa tarefa [...]. Independente-
leitura mais crítica e autônoma, além da
mente de seu campo de atuação, você
construção de novos saberes. pode ajudar os alunos a ler e compreen-
A prática da leitura é importante para der diferentes tipos de texto, incentivan-
ampliar o vocabulário dos alunos e, conse- do-os a explorar cada um deles. Pode en-
siná-los a fazer anotações, resumos, co-
quentemente, torná-los mais seguros para
mentários, facilitando a tarefa da inter-
desenvolver suas habilidades de comuni-
pretação. Pode, enfim, encaminhá-los pa-
cação oral e escrita. Ao desenvolver a com- ra a escrita, enriquecida pelos conheci-
petência leitora, o aluno estabelece mais mentos adquiridos na exploração de li-
facilmente relações entre os diversos as- vros, revistas, jornais, filmes, obras de arte
suntos que fazem parte do seu repertório e manifestações culturais e esportivas.
cultural. Nesse sentido, é importante a [...]
criação de estratégias de leitura que permi- RATIER, Rodrigo. O desafio de ler e compreender em todas as
disciplinas. Nova Escola. São Paulo: Abril, 10 jan. 2010. Disponível
tirão ao aluno: em: <https://novaescola.org.br/conteudo/1535/o-desafio-de-ler-e-
compreender-em-todas-as-disciplinas>. Acesso em: 6 set. 2018.

XXX

11/7/18 12:01 PM
Se o objetivo principal é formar leitores cados, aumentando a autonomia dos alu-
autônomos com base na leitura de textos e nos e tornando-os sujeitos mais ativos no
imagens, é preciso favorecer esse processo próprio aprendizado. Para favorecer a aná-
escolhendo temas relevantes e interessan- lise desses recursos, são propostas ques-
tes à sua faixa etária; selecionando textos tões de interpretação no livro do aluno,
verbais com vocabulário e extensão ade- além de sugestões de questões de análise
quados; apresentando ao aluno o objetivo nas orientações ao professor.
das leituras, a fim de que ele perceba que
em alguns momentos lemos para buscar Promover atividades em que os alunos
informações e, em outros, a leitura consiste tenham que perguntar, prever, recapitular
em diversão, por exemplo; orientando co- para os colegas, opinar, resumir, compa-
mo a leitura deverá ocorrer: silenciosamen- rar suas opiniões com relação ao que le-
te, guiada, em grupo etc. ram, tudo isso fomenta uma leitura inteli-
gente e crítica, na qual o leitor vê a si
Ao longo desta coleção, o desenvolvi-
mesmo como protagonista do processo
mento da competência leitora é constante-
de construção de significados. [...]
mente estimulado por meio da utilização
SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Tradução: Cláudia
de recursos textuais e imagéticos diversifi- Schilling. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 1988. p. 173.

Recursos didáticos
O uso de diferentes recursos didáticos ção ocorre em tempo real mesmo entre
propicia maior dinâmica em sala de aula, pessoas distantes geograficamente.
além de possibilitar que o aluno tenha aces- A presença das TICs ampliou a gama de
so à informação por meio de diferentes lin- elementos disponíveis para enriquecer o
guagens, desenvolvendo assim estratégias trabalho em sala de aula, que há muito tem-
de aprendizagem diversas, afinal, realizar po já contava com recursos tecnológicos co-
uma pesquisa em um livro é diferente de mo televisão, filmes, músicas e projeções.
realizar a mesma pesquisa em uma revista
O uso de tecnologias em sala de aula
ou na internet. Ainda que seja sobre o mes-
potencializa o processo de aprendizagem,
mo assunto, ler uma imagem é diferente de
favorecendo a interação entre professor,
ler um texto verbal, e assim por diante.
aluno e conhecimento. Além disso, por
Dessa maneira, é importante compreen- meio da internet, os recursos e as ferra-
der quais recursos podem ser utilizados em mentas tecnológicas transformam a escola
sala de aula e como esse uso pode efetiva- em um espaço aberto, conectado com o
mente auxiliar o aluno a ser protagonista mundo, capaz de promover trocas de expe-
de seu aprendizado. riências entre professores e alunos de ou-
tras localidades.
Tecnologia
É importante ressaltar, porém, que o uso
A tecnologia faz parte da evolução do
de TICs é um instrumento para o processo de
ser humano e da história da humanidade.
ensino-aprendizagem, e não o foco. A lousa,
Atualmente, temos as tecnologias de infor-
o giz e o professor compartilham espaço na
mação e comunicação (TICs), que modifi-
sala de aula com televisores, CDs, DVDs,
cam as noções de tempo e espaço e in-
computadores, softwares, lousas digitais e
fluenciam diretamente as relações huma-
projetores multimídia e não reduzem o papel
nas. Elas permitem o processamento de
da escola ou do professor na educação.
qualquer tipo de informação, e a comunica-

XXXI

11/7/18 12:01 PM
trução de conceitos científicos e os concei-
[...] Os recursos semióticos que en-
tos errôneos presentes em muitas ideias de
contramos nas telas dos computadores
senso comum. Os filmes e a televisão têm
são basicamente os mesmos que pode-
em comum o aspecto motivador e, depen-
mos encontrar em uma sala de aula
dendo da ação do professor, podem ser
convencional: letras e textos escritos,
contextualizados com os conceitos científi-
imagens estáticas ou em movimento,
linguagem oral, sons, dados numéri-
cos do currículo escolar. Ao longo da cole-
cos, gráficos, etc. A novidade, em resu- ção são encontradas orientações de traba-
mo, está realmente no fato de que as lho com essas ferramentas.
TIC digitais permitem criar ambientes
que integram os sistemas semióticos Artes gráficas e literatura
conhecidos e ampliam até limites ini- O trabalho com leitura de imagens é ex-
magináveis à capacidade humana de tremamente importante e pode ser utiliza-
(re)apresentar, processar, transmitir e do em diferentes momentos. O próprio ma-
compartilhar grandes quantidades de terial didático apresenta fotografias, pintu-
informação com cada vez menos limi- ras, murais, entre outras imagens que po-
tações de espaço e de tempo, de forma
dem ser exploradas em sala de aula, consi-
quase instantânea e com um custo
derando sempre que possível o contexto
econômico cada vez menor (COLL e
em que a imagem foi produzida, a técnica
MARTÍ, 2001). [...]
utilizada, o artista que a produziu (quando
COLL, César; MAURI, Teresa; ONRUBIA, Javier. A incorporação
das tecnologias da informação e da comunicação na educação: do for o caso) e o objetivo da imagem (apre-
projeto técnico-pedagógico às práticas de uso. In: COLL,
César; MONEREO, Carles. Psicologia da educação virtual: aprender sentar uma crítica social, expressar um
e ensinar com as tecnologias da informação e da comunicação.
Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 76. sentimento, retratar um momento etc.).
Outra possibilidade é o trabalho com li-
Ao longo da coleção, é possível encon- teratura, que, além de estimular a leitura,
trar sugestões de como aproveitar as novas permite aos alunos o desenvolvimento da
ferramentas e recursos tecnológicos multi- criatividade e da imaginação. É importante
midiáticos e multimodais, presentes no dia que o professor conheça o contexto da obra
a dia dos alunos, para ampliar o campo da (autor, época, público) para que, dessa for-
educação e torná-la mais significativa e ma, o conteúdo se torne mais instigante.
prazerosa, um desafio para a formação das Algumas atividades podem ser realizadas
novas e futuras gerações. de modo a desenvolver nos alunos a com-
petência leitora e a habilidade de interpre-
É inegável que a educação seja influen-
tar textos literários.
ciada pela tecnologia e as diferentes formas
de comunicação, assim como não é possível
desvincular o ensino da comunicação em Jornais e revistas
massa, seja ela impressa ou digital. Por is- A leitura de jornal traz diversos benefí-
so, propomos também a utilização de ou- cios ao trabalho em sala de aula, pois, além
tros recursos no ensino, como programas de contribuir para o desenvolvimento da
de televisão, filmes, pinturas, esculturas, competência leitora, ele é uma importante
histórias em quadrinhos, literatura variada, fonte de informação. Nele estão registradas
jornais, revistas ou trechos de livros paradi- informações, opiniões, fatos históricos,
dáticos, recursos que permitem ao profes- descobertas científicas e conflitos políticos
sor avançar na prática pedagógica. e econômicos. Trata-se de um veículo de
comunicação capaz de auxiliar na forma-
Televisão e cinema ção de cidadãos críticos.
A televisão e o cinema podem ser utili- O trabalho com jornais na escola desen-
zados para mostrar fatos históricos, a cons- volve nos alunos habilidades como: identi-

XXXII

11/7/18 12:01 PM
ficar, relacionar, combinar, comparar, sele- passa a assumir o papel de orientador e tu-
cionar, classificar e ordenar, codificar, es- tor. Ao aluno cabe a responsabilidade pela
quematizar, reproduzir, transformar, me- busca do conhecimento básico, e os está-
morizar, conceituar, criar e reaplicar co- gios mais avançados são norteados pelo
nhecimentos. Esse trabalho também pro- docente e pelo grupo, o que torna o proces-
move a capacidade de indução, dedução, so mais criativo e empreendedor. Nesta co-
levantamento e verificação de hipóteses. leção, o professor encontra sugestões me-
Além de se depararem com textos repro- todológicas que dialogam com essa prática,
duzidos de importantes jornais brasileiros, por exemplo, quando solicita ao aluno uma
ao aluno e ao professor são feitas indica- pesquisa prévia sobre determinado con-
ções de diferentes veículos de comunica- teúdo que venha a ser trabalhado.
ção que podem contribuir com o processo
de ensino e aprendizagem.
[...]
As revistas especializadas (História, Ci-
O importante para inverter a sala de
ências, Linguística) geralmente têm uma aula é engajar os alunos em questiona-
preocupação com o caráter didático de su- mentos e resolução de problemas, re-
as reportagens, que facilita a compreensão vendo, ampliando a aplicando o que foi
e aumenta o comprometimento com o as- aprendido on-line com atividades bem
sunto estudado. Elas são indicadas tanto planejadas e fornecendo-lhes feedback
para a sua leitura quanto para a do aluno, imediatamente.
sempre que o momento for propício. Há muitas formas de inverter o pro-
cesso de aprendizagem. Pode-se come-
Sala de aula invertida çar por projetos, pesquisa, leituras pré-
A sala de aula invertida é, atualmente, vias e produções dos alunos e depois
um recurso que promove o protagonismo promover aprofundamentos em classe
do aluno, incentivando a participação mais com a orientação do professor. [...]
ativa dele no processo de aprendizagem. MORAN, José. Metodologias ativas para uma aprendizagem
mais profunda. In: BACICH, Lilian; MORAN, José (Orgs.).
Consiste em o professor sugerir ao aluno Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma
abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018. p. 14.
projetos ou pesquisas como atividade ini-
cial. O docente lança um tema ou assunto a
ser pesquisado de acordo com o perfil e a
autonomia do aluno, que se empenha na Pesquisa
busca pelas informações por meio das tec- O ato de pesquisar é fundamental para o
nologias da informação e da comunicação, processo de aprendizagem e está direta-
somadas aos recursos físicos, como livros, mente ligado à proposta da sala de aula in-
enciclopédias, dicionários e combinadas vertida. Nesta coleção, em vários momen-
com seus conhecimentos prévios e estraté- tos, os alunos são instruídos a realizar pes-
gias particulares de estudo. Posteriormente, quisas, tanto individuais quanto coletivas.
ele compartilha suas descobertas, impres- Para que a pesquisa escolar obtenha resul-
sões, conclusões e dúvidas com a turma tados satisfatórios, existem algumas eta-
sob a monitoração do professor. pas importantes que devem ser seguidas
A sala de aula invertida é um ambiente sempre que possível: definição do tema,
de interação resultante da participação, da planejamento, coleta de dados, análise e in-
troca, da síntese e da discussão entre cole- terpretação dos dados, produção do texto,
gas com a supervisão do professor, que revisão, socialização.

XXXIII

11/7/18 12:01 PM
Proposta teórico-metodológica da coleção

Concepção de História
A produção historiográfica passou por nada pela História política factual, contada
profundas transformações ao longo do sé- a partir da perspectiva das classes dirigen-
culo XX. Grande parte dessas transforma- tes. Esses historiadores consideravam que
ções foi desencadeada pelos historiadores a História era uma ciência que devia se de-
franceses Lucien Febvre e Marc Bloch que, dicar exclusivamente à investigação de um
em 1929, fundaram uma revista de debates passado remoto, não admitindo o estudo
historiográficos chamada Annales d’histoire de períodos mais recentes, pois estes esta-
économique et sociale. Nesse periódico, que riam sujeitos à interferência das paixões, o
ficou conhecido como revista dos Annales, que impossibilitaria alcançar o grau de ob-
eram publicados textos que propunham jetividade necessário para a produção do
uma aproximação da História com os cam- conhecimento histórico.
pos de estudos econômicos e sociais. Ao contrário dos historiadores metódi-
A repercussão dessas propostas deu cos, Febvre e Bloch acreditavam que os
origem a um debate entre estudiosos que campos de análise historiográfica, assim
ficou conhecido como Escola dos Annales, como o leque de fontes e sujeitos históri-
que propôs um modelo de História contrá- cos, deveriam ser ampliados. A constitui-
rio a diversos preceitos do que se conven- ção de uma “história total”, como defen-
cionou chamar de História tradicional, em diam, passava por uma necessária renova-
voga desde o século XIX, praticada por his- ção metodológica, pela ampliação do cam-
toriadores metódicos, muitos deles consi- po documental e pela aliança com outras
derados positivistas. disciplinas. Dessa maneira, a Escola dos
A corrente filosófica positivista, surgida Annales acabou por se firmar como uma
na França na primeira metade do século corrente historiográfica aberta às influên-
XIX, afirmava que o conhecimento verda- cias e contribuições de diversas disciplinas,
deiro só poderia ser alcançado por meio de como a Geografia, a Demografia, a Sociolo-
métodos cientificamente comprovados. Os gia, a Psicologia e a Antropologia.
positivistas acreditavam que, desse modo, Além dessas questões, os historiadores
era possível chegar a uma verdade plena- ligados aos Annales passaram a ter uma
mente neutra e objetiva, e que somente os nova concepção sobre a interpretação das
avanços científicos garantiriam o progres- fontes históricas. Eles refutavam a premis-
so da humanidade. sa da História metódica e afirmavam que
Influenciados pelo positivismo, os histo- os documentos não falam por si, pois é o
riadores metódicos tinham a pretensão de historiador quem os faz “falar”, e é ele quem
construir uma História baseada no cientifi- constrói a narrativa histórica com base em
cismo, acreditando ser possível chegar a uma vasta gama de fontes.
um modelo de verdade que evitasse com- Ao longo do século XX, as gerações
pletamente a presença da subjetividade. herdeiras da Escola dos Annales deram
Havia uma ampla preferência por docu- continuidade ao trabalho da primeira gera-
mentos escritos oficiais, sendo a produção ção. Liderada por Fernand Braudel, a se-
historiográfica, consequentemente, domi- gunda geração ficou marcada por produ-

XXXIV

11/7/18 12:01 PM
ções historiográficas que procuravam dar ção em perceber os indivíduos conside-
maior ênfase à longa duração, ou seja, aos rando suas posições sociais. Dessa forma,
aspectos do ambiente e das sociedades eles se distanciaram de muitos pesquisa-
que se transformavam muito lentamente dores ligados à Nova História, que procu-
ao longo dos séculos. ravam, por exemplo, descrever o cotidiano
Ampliando algumas das conquistas das dando pouca importância aos indivíduos e
gerações anteriores e formulando respos- suas posições sociais.
tas aos novos desafios que surgiram du- Assim, consideramos referenciais im-
rante as décadas de 1960 e 1970, a terceira portantes vários dos pressupostos teóricos
geração, que constituiu a chamada Nova da Nova História Cultural e, também, da
História, estendeu as fronteiras da discipli- Nova História, principalmente no que se re-
na incorporando novos objetos de estudo, fere à ideia de conhecimento histórico em
como o sonho, o corpo e a infância. Parte permanente construção, aberto à multipli-
dos historiadores dessa geração passou a cidade de fontes e análises e favorável ao
dedicar uma atenção maior às questões diálogo com outras disciplinas. As aborda-
culturais em detrimento de questões rela- gens sugeridas por essas correntes histo-
cionadas à economia. riográficas propiciam a inclusão de temas e
Algumas das críticas e dos desafios perspectivas antes pouco valorizados, co-
lançados pela Nova História repercutiram mo a história do cotidiano, a história feita
na quarta geração dos Annales, conhecida sob o ponto de vista das minorias e a valo-
como Nova História Cultural. Entre as ca- rização das manifestações populares, sem,
racterísticas dessa corrente está a crítica com isso, desprezar as expressões cultu-
às produções historiográficas que promo- rais advindas das elites letradas. Além dis-
vem uma dicotomia entre cultura popular so, abrem espaço para que se destaquem
e cultura erudita. Outra característica rele- sujeitos históricos que geralmente estão
vante dos estudiosos da Nova História ausentes no discurso tradicional.
Cultural se refere à sua maior preocupa-

As fontes históricas
No século XVIII, estudiosos franceses oficial, principalmente os documentos di-
inseridos na tradição iluminista desenvol- plomáticos, o que gerou uma produção his-
veram um método erudito de crítica das toriográfica centrada na história política.
fontes. Esse método consistia na crítica in- Na passagem do século XIX para o sécu-
terna e externa dos documentos, de modo lo XX, alguns sociólogos já criticavam a
a comprovar, sob rígidos parâmetros cien- pretensa objetividade do método histórico.
tificistas, a sua autenticidade, como a com- No final dos anos 1920, a contestação a es-
paração entre os documentos por meio de sa rigidez documental partiu dos historia-
seu estudo filológico. No século XIX, insti- dores franceses ligados à Escola dos Anna-
tucionalizada na Alemanha, a História se les, responsáveis pela ampliação do campo
tornou uma disciplina acadêmica, e os his- documental à disposição dos historiadores.
toriadores recorreram ao método erudito A ampliação das fontes, o desenvolvimento
dos franceses para o desenvolvimento de de novos temas e novas abordagens, leva-
sua crítica histórica. Esses historiadores, do a cabo pelos historiadores das gerações
da chamada Escola Metódica, privilegia- herdeiras da Escola dos Annales, principal-
vam os documentos escritos e de cunho mente os adeptos da Nova História, como

XXXV

11/7/18 12:01 PM
Jacques Le Golf, possibilitaram uma reno- fontes históricas, por serem efeitos de
vação nos estudos históricos. ações humanas do passado, não carregam
A ampliação das fontes e o desenvolvi- em si o passado tal como ele aconteceu.
mento de novos temas e novas abordagens Elas trazem, no entanto, a versão do autor
têm, gradativamente, sido incorporados sobre esse acontecimento. Além disso, as
nas escolas brasileiras, transformando, em fontes são sempre lidas de acordo com os
diversos âmbitos, o ensino de História. A valores do momento histórico de quem as
introdução de novos conteúdos no currícu- analisa. As perguntas fundamentais feitas
lo escolar e a ampliação da concepção e por aqueles que desejam analisar uma fon-
uso de documentos históricos em sala de te histórica são: Quando?; Quem?; Onde?;
aula são, ainda hoje, um desafio para edu- Para quem?; Para quê?; Por quê?; Como?.
cadores e historiadores. As ausências dessas respostas também
são dados importantes para a interpreta-
ção das fontes históricas.
Os currículos escolares e o próprio Esses pressupostos devem ser segui-
trabalho em sala de aula têm procurado
dos, e com ainda mais cuidado, ao utilizar
acompanhar o desenvolvimento dos es-
fontes iconográficas, pois utilizá-las de
tudos históricos nas universidades. A
modo acrítico pode levar a equívocos que
velha História de fatos e nomes já foi
devem ser evitados tanto por historiadores
substituída pela História Social e Cultu-
quanto por professores de História.
ral; os estudos das mentalidades e re-
presentações estão sendo incorporados;
pessoas comuns já são reconhecidas co- [...] A iconografia é, certamente, uma
mo sujeitos históricos; o cotidiano está fonte histórica das mais ricas, que traz
presente nas aulas e o etnocentrismo embutidas as escolhas do produtor e to-
vem sendo abandonado em favor de do o contexto no qual foi concebida, ide-
uma visão mais pluralista. alizada, forjada ou inventada. Nesse as-
Reflexões sobre a “criação” do fato pecto, ela é uma fonte como qualquer
histórico ensinado nas aulas de História, outra e, assim como as demais, tem que
as metodologias e as linguagens usadas ser explorada com muito cuidado. Não
na divulgação do saber histórico, as abor- são raros os casos em que elas passam a
dagens, conceituais e práticas, a seleção ser tomadas como verdade, porque esta-
de conteúdos e a sempre atual questão riam retratando fielmente uma época,
“para que serve” têm sido feitas com um evento, um determinado costume ou
competência por educadores e historia- uma certa paisagem. Ora, os historiado-
dores preocupados com o ensino-apren- res e os professores de História não de-
dizagem, em obras ao alcance de todos vem, jamais, se deixar prender por essas
os interessados em aprimorar seu traba- armadilhas metodológicas. [...]
lho com os alunos. [...] A imagem, bela, simulacro da realida-
PINSKY, Carla Bassanezi. Introdução. In: PINSKY,
Carla Bassanezi (Org.). Novos temas nas aulas de história. de, não é realidade histórica em si, mas
São Paulo: Contexto, 2009. p. 7.
traz porções dela, traços, aspectos, sím-
bolos, representações, [...] induções, códi-
gos, cores e formas nelas cultivadas. Ca-
Diante dessa renovação no ensino de
be a nós decodificar os ícones, torná-los
História, acreditamos ser fundamental que
inteligíveis o mais que pudermos, identi-
o professor oriente os alunos acerca da ne-
ficar seus filtros e, enfim, tomá-los como
cessidade de, ao analisar fontes históricas, testemunhos que subsidiam a nossa ver-
levar em consideração contextos, funções, são do passado e do presente, ela tam-
estilos, argumentos, pontos de vista e in- bém, plena de filtros contemporâneos,
tenções dos seus autores. Isso porque as

XXXVI

11/7/18 12:01 PM
As fontes audiovisuais e musicais, como
de vazios e de intencionalidades. Mas a
o cinema e a televisão, ganharam cada vez
História é isto! É construção que não ces-
mais importância para os pesquisadores
sa, é a perpétua gestação, como já se dis-
se, sempre ocorrendo do presente para o
que se dedicam ao século XX, o que foi pos-
passado. É o que garante a nossa descon- sível pelo rápido avanço e sofisticação dos
fiança salutar em relação ao que se apre- recursos eletrônicos. O cuidado que o histo-
senta como definitivo e completo, pois riador deve ter ao lidar com esse tipo de
sabemos que isso não existe na História, fonte é ainda maior que o dispensado às
posto que inexiste na vida dos homens, fontes iconográficas, pois a impressão de
que são seus construtores. [...] objetividade e de retrato fiel da realidade
PAIVA, Eduardo França. História & Imagens. 2. ed. Belo
Horizonte: Autêntica, 2006. p. 17-19. (História &... Reflexões).
vinculado pelas “imagens em movimento”
tende a ser ainda mais persuasiva que a
oferecida pela imagem iconográfica. Além
Fontes arqueológicas, audiovisuais e re-
de fonte de pesquisa, o cinema também
latos orais são outros tipos de fontes im-
funciona como um valioso veículo de apren-
portantes para o historiador. As fontes ar-
dizagem escolar.
queológicas são os únicos recursos dispo-
níveis para o estudo das sociedades ágra- Os relatos orais constituem outro tipo
fas e das chamadas “pré-históricas”. Mes- de fonte privilegiada para estudar a histó-
mo para a compreensão de sociedades com ria recente. As entrevistas gravadas po-
escrita, a arqueologia colabora fornecendo dem ter grande valor como fontes históri-
elementos que geralmente não figuram cas, desde que direcionadas em um proje-
nos documentos escritos, como aspectos to orientado por uma metodologia que es-
do cotidiano observáveis em objetos do- tabeleça claramente os objetivos das en-
mésticos, entre outros recursos. trevistas e se definam as pessoas ou os
grupos a serem abordados.
[...] As fontes arqueológicas constituem O contato com fontes históricas de di-
um manancial extremamente variado pa- versos tipos, como cartas, decretos, diá-
ra o historiador de todos os períodos da
rios, depoimentos, notícias de jornais e re-
História, do mais recuado passado da
vistas, pinturas e textos literários, exige o
humanidade, até os mais recentes perío-
dos e épocas. Se é verdade, como propõe desenvolvimento da competência leitora
o historiador alemão Thomas Welskopp, de diversos tipos e níveis para a construção
que a História da sociedade é sempre do conhecimento histórico.
uma História das relações sociais, das
Ao longo da obra, o desenvolvimento
identidades em confronto, das leituras
da competência leitora é constantemente
plurais do passado, então as fontes ar-
queológicas têm um papel importante a estimulado. As atividades presentes nesta
jogar. No contexto contemporâneo, em coleção têm como objetivo auxiliar os alu-
que se valoriza a diversidade cultural co- nos na compreensão dos conteúdos tra-
mo um dos maiores aspectos da humani- balhados, utilizando para isso fontes de
dade, do viver em sociedade, as fontes informação diversificadas. Além de valo-
arqueológicas ajudam o historiador a dar rizar as experiências vividas pelos alunos
conta de um passado muito mais com- e sua realidade próxima, elas incentivam-
plexo, contraditório, múltiplo e variado
-nos a desenvolver a competência leitora,
do que apenas uma única fonte de infor-
aumentando sua autonomia e tornando-
mação permitiria supor. [...]
FUNARI, Pedro Paulo. Os historiadores e a cultura material.
-os sujeitos mais ativos em seu próprio
In: PINSKY, Carla Bassanezi (Org.). Fontes históricas.
São Paulo: Contexto, 2006. p. 104-105.
aprendizado.

XXXVII

11/7/18 12:01 PM
Conceitos fundamentais para o ensino de História
Ao longo desta obra, apresentamos aos de uma Constituição. Ao governo assim or-
alunos conceitos que são fundamentais ganizado dá-se o nome de Estado. Quando
para a análise histórica das sociedades. Ve- a prática política se torna inviável ou todos
ja a seguir mais informações sobre alguns os seus mecanismos são esgotados, podem
desses conceitos. ocorrer guerras entre os grupos sociais en-
volvidos. A política está diretamente ligada
Política ao poder, e não apenas ao poder estatal,
Política é um termo polissêmico, ou seja, mas também aos micropoderes diluídos em
pode ser usado em vários sentidos. O uso todas as relações sociais. De acordo com
do termo teve origem nas cidades-Estado muitos estudiosos, a política reside tam-
da Grécia antiga, com a palavra grega poli- bém nas relações entre marido e mulher,
tika derivando de polis, como explica o his- pais e filhos, professores e alunos, dirigen-
toriador Moses Finley: tes de partidos e seus filiados, patrões e
empregados, além das próprias relações
entre governantes e governados.
[...] Não deixa de ser verdadeira [...] a
afirmativa de que, efetivamente, os gre- Trabalho
gos “inventaram” a política. Na tradição
ocidental, a história política sempre se De modo geral, o trabalho é todo ato de
iniciou com os gregos, o que é simboliza- transformação feito pelo ser humano. O tra-
do pela própria palavra “política”, cuja balho, ao longo do tempo, adquiriu diversas
raiz se encontra na palavra pólis. Além formas, organizações e valores. Nas socie-
disso, em nenhuma outra sociedade do dades ditas “tribais”, ou seja, aquelas for-
Oriente Próximo a cultura era tão politi- madas por caçadores e coletores, somadas
zada quanto entre os gregos. [...]. às que praticavam a pecuária e a agricultura
Para que tal sociedade funcionasse e primitivas, o trabalho não era uma ativida-
não desmoronasse, era essencial um am- de separada de outros afazeres cotidianos.
plo consenso, uma noção de comunidade Ao contrário, nas sociedades “tribais” o tra-
e uma autêntica disposição por parte de balho se misturava às esferas religiosas, ri-
seus membros para viverem conforme tualísticas, míticas, era dividido sexualmen-
certas regras tradicionais, aceitarem as te e estava ligado às relações de parentesco.
decisões das autoridades legítimas, só fa- Nessas sociedades, o trabalho não visava à
zerem modificações mediante amplo de- acumulação de excedentes, mas ao supri-
bate e posterior consenso; numa palavra, mento das necessidades da comunidade.
aceitarem o “poder da lei” tão frequente- Entre os antigos gregos e romanos, o
mente proclamado pelos escritores gre- trabalho braçal, penoso, realizado para
gos. [...] A isso se chama política. [...] manter a subsistência — como o do escra-
FINLEY, Moses (Org.). O legado da Grécia: uma nova avaliação.
Tradução: Yvette Vieira Pinto de Almeida. Brasília: Editora da vo, do agricultor, do homem livre pobre e
Universidade de Brasília, 1998. p. 32-34.
até mesmo o do artesão — era desprezado
pelos cidadãos ricos. O ideal do cidadão era
Nesse sentido, a política pode ser enten- a prática do ócio, que lhe proporcionava
dida como um conjunto de relações de po- tempo livre para os prazeres e para a práti-
der. Também pode ser vista como a capaci- ca política, para a administração e defesa
dade humana de organizar um governo ca- da cidade. Na Idade Média, particularmente
paz de regular as disputas pelo poder, o que nas sociedades em que predominava o feu-
é feito nas sociedades modernas por meio dalismo, o trabalho rural baseado na servi-

XXXVIII

11/7/18 12:01 PM
dão foi predominante, o que não significa
trabalhar e, logo, não serviam para a es-
que as atividades de comércio e artesanato
cravidão. Além disso, importante contri-
desapareceram. Não devemos esquecer
buição para a cidadania brasileira é a va-
também as relações de trabalho desenvol-
lorização do trabalho doméstico, do tra-
vidas nas corporações de ofício, que deter-
balho feminino e o reconhecimento de
minavam a organização artesanal. Nessas
que a maioria das mulheres realiza uma
corporações, o mestre dominava as técni- jornada dupla de trabalho. Enquanto o
cas e controlava todas as etapas do traba- trabalho doméstico não for considerado
lho, contando com a ajuda de alguns arte- trabalho no Brasil, a maioria das mulhe-
sãos e aprendizes. res brasileiras, principalmente as de bai-
Com o desenvolvimento do capitalismo, xa renda, continuará a trabalhar dupla-
principalmente a partir do final do século mente sem reconhecimento profissional
XVIII, teve início uma das mais radicais ou social. [...]
transformações nas relações do trabalho SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de
conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2006. p. 404.
que se conhece na história. O desenvolvi-
mento da maquinofatura, da fábrica e da
grande indústria transformou, cada uma a Sociedade
seu tempo e em intensidades diferentes, as
relações medievais de trabalho. A nova Sociedade é o conjunto de pessoas que
classe social em ascensão, a burguesia, foi convivem em um determinado espaço, que
paulatinamente conquistando poder eco- seguem as mesmas regras e que compar-
nômico e político. Muitos artesãos e cam- tilham valores, costumes, língua etc. Um
poneses desapropriados, ou expulsos das dos principais elementos comuns a todas
terras senhoriais, tiveram de se submeter a as sociedades hierarquizadas é a existên-
um regime de trabalho assalariado, que cia de conflitos sociais, os quais expres-
lhes retirava a autonomia e o domínio das sam as contradições em nível econômico e
etapas do processo produtivo, ou seja, alie- político. Eles evidenciam as tensões e dis-
nava os trabalhadores. putas, por exemplo, entre diversos grupos
ou classes, ou entre setores da sociedade
civil organizada contra medidas públicas
[...] Uma importante reflexão que os que os prejudicam.
professores podem levantar em sala de
aula em torno do trabalho é sua multipli-
cidade histórica: primeiro, trabalho não é [...] Quem de nós já não vivenciou,
emprego. Não é porque alguém — como como participante ativo ou como sim-
uma dona de casa, por exemplo — não ples espectador de TV, cenas de mani-
tem um emprego que ela não trabalha. festações de grupos, ou mesmo de mul-
Segundo, o trabalho é mutável, na forma tidões, em defesa, por exemplo, do ensi-
como as pessoas o veem ao longo do no público e gratuito ou contra a polui-
tempo. Assim, não apenas entendemos o ção do meio ambiente? Quem não leu
objetivo do trabalho de forma diferente nos jornais notícias sobre greves de tra-
de um japonês, como também definimos balhadores da indústria da construção
trabalho de forma diferente de um grego civil ou da indústria automobilística,
do tempo de Péricles. O risco de anacro- para forçar patrões a atender a suas rei-
nismo na análise histórica de trabalho é vindicações salariais? E quem já não viu
grande. Precisamos estar atentos a essas nessas cenas a presença de policiais
questões em sala de aula e acabar de vez, golpeando com seus cassetetes braços,
por exemplo, com a visão de que os ín- pernas e cabeças de manifestantes, em
dios eram preguiçosos, não gostavam de nome da ordem pública e da segurança?

XXXIX

11/7/18 12:01 PM
outra forma, a cultura sintetiza nossa forma
Com certeza todos já viram, porque são
de valoração do mundo, um conjunto de va-
incontáveis os casos de manifestações e
lores que nos são transmitidos pela família,
movimentos sociais [...].
escola, universidade, círculo de amizades,
[...] O que primeiro nos chama a aten- trabalho, meios de comunicação etc.
ção é o iminente confronto com a polícia
— cena bastante comum em movimen-
[...] Cultura é uma perspectiva do
tos desse tipo. Mas devemos observar
mundo que as pessoas passam a ter em
que nem todo movimento social tem co-
comum quando interagem. É aquilo so-
mo um dos seus desdobramentos o en-
bre o que as pessoas acabam por concor-
frentamento com a polícia. Como tam-
dar, seu consenso, sua realidade em co-
bém não é verdade que todo enfrenta- mum, suas ideias compartilhadas. O Bra-
mento com a polícia significa um movi- sil é uma sociedade cujo povo tem em
mento social. Entretanto, a situação des- comum uma cultura. E no Brasil, cada
crita evidencia um conflito. E o conflito comunidade, cada organização formal,
é um elemento constitutivo de todo mo- cada grupo [...] possui sua própria cultu-
vimento social. [...] ra (ou o que alguns cientistas sociais de-
TOMAZI, Nelson Dacio (Coord.). Iniciação à Sociologia.
São Paulo: Atual, 2000. p. 210. nominam uma subcultura, pois se trata
de uma cultura dentro de outra cultura).
Enquanto a estrutura ressalta as diferen-
Os conflitos intrínsecos às formações ças (as pessoas relacionam-se entre si
sociais geralmente se desenvolvem em em termos de suas posições diferentes),
torno de questões como a conquista de di- a cultura salienta as semelhanças (de
reitos, as injustiças sociais, a busca de que modo concordamos).
meios essenciais à sobrevivência, discrimi- Fazer parte da “cultura jovem” no Bra-
nações etc. Esses conflitos podem crescer, sil, por exemplo, é ter em comum com
prolongar-se no tempo e até mesmo de- várias pessoas certas ideias sobre verda-
sembocar em guerras. Atualmente, os mo- de, política, autoridade, felicidade, liber-
vimentos sociais são os responsáveis pela dade e música. Nas ruas, na palavra es-
canalização dos conflitos latentes na socie- crita e falada, nas universidades, em
dade, arregimentando e organizando os shows e filmes, desenvolve-se uma pers-
grupos descontentes. Para o professor de pectiva à medida que as pessoas com-
História, é importante passar aos alunos a partilham experiências e se tornam cada
visão de que toda a história das sociedades vez mais semelhantes umas às outras,
ditas “civilizadas” foi e é permeada por con- por um lado, enquanto se diferenciam
flitos sociais, que, no entanto, assumiram crescentemente das que se encontram
fora de sua interação. Desenvolve-se uma
formas diversas no decorrer do tempo.
linguagem comum entre os que compar-
tilham a cultura, consolidando a solida-
Cultura
riedade e excluindo os de fora. [...]
A cultura é criada e transmitida na inte-
Cultura é o que as pessoas acabam por
ração social, e é apreendida em nossas rela- pensar em comum — suas ideias sobre o
ções grupais, em que adquirimos identida- que é verdadeiro, correto e importante. Es-
des particulares que nos distinguem de ou- sas ideias nos guiam, determinam muitas
tros grupos e de outras culturas. Por meio de nossas escolhas, têm consequências
da interação, apropriamo-nos de certas além de nosso pensamento. Nossa cultu-
“verdades” socialmente aceitas que se inte- ra, compartilhada na interação, constitui
gram ao nosso código cultural, e esse mes- nossa perspectiva consensual sobre o
mo processo ocorre no sentido inverso, ao mundo e dirige nossos atos nesse mundo.
apreendermos culturalmente o que deve CHARON, Joel M. Sociologia. Tradução: Laura Teixeira
Motta. São Paulo: Saraiva, 1999. p. 103-104.
ser negado, odiado ou desprezado. Dito de

XL

11/7/18 12:01 PM
O ensino de História no Brasil
Nas últimas quatro décadas, o ensino de estavam a volta da História como disciplina
História no Brasil vem passando por profun- autônoma, bem como a reformulação dos
das transformações, as quais ganharam im- currículos, de modo que essa disciplina pu-
pulso com o processo de redemocratização desse formar nos alunos uma visão mais
do país, iniciado com a abertura política do crítica da realidade. Além disso, esses pro-
regime civil-militar (1964-1985) ocorrida no fissionais reivindicavam maior integração
final da década de 1970. Durante o processo entre o ensino de História na educação bá-
de redemocratização, foram bastante atuan- sica e o conhecimento histórico produzido
tes os movimentos de profissionais da edu- nas universidades.
cação na área do ensino de História que bus- No período de elaboração da nova Cons-
cavam reformular os currículos e transformar tituição brasileira, houve intensa mobiliza-
o ensino ministrado nas escolas brasileiras. ção dos setores organizados da população
De fato, durante o regime civil-militar, em defesa de interesses democráticos. En-
houve um esvaziamento nos conteúdos de tre eles estavam os profissionais da educa-
História, que foram fundidos aos conteúdos ção, que lutavam por transformações no
de Geografia, dando origem aos Estudos sistema educacional brasileiro, visando
Sociais, que privilegiavam uma abordagem melhorar suas condições de trabalho e ga-
expositiva e despolitizada da realidade, bus- rantir verbas para aprimorar a qualidade do
cando acomodar o aluno ao seu meio social ensino no Brasil. A Constituição de 1988,
e evitando uma análise crítica da sociedade. conhecida como “Carta Cidadã”, de fato ga-
A partir de 1971, com a introdução nos currí- rantiu avanços democráticos, como o res-
culos escolares das disciplinas de Educação tabelecimento das eleições diretas em to-
Moral e Cívica e de Organização Social e Po- dos os níveis, a garantia das liberdades ci-
lítica Brasileira, foram privilegiadas aborda- vis e o fim da censura.
gens de caráter ufanista. No campo da educação, a entrada em vi-
Nesse contexto, a história era apresenta- gor da nova Lei de Diretrizes e Bases da
da como uma sucessão de fatos lineares, em Educação (LDB), em 1996, e dos Parâme-
que apenas alguns indivíduos eram desta- tros Curriculares Nacionais (PCN), em 1997,
cados como responsáveis pelos aconteci- foi resultado das lutas e dos debates trava-
mentos históricos. Essa visão valorizava al- dos por profissionais de diversas áreas li-
gumas datas do calendário cívico nacional, gados à educação. A partir de então, novas
que realçavam a importância desses “he- concepções educacionais foram instituí-
róis”, e as “pessoas comuns” eram apresen- das, como o trabalho com temas transver-
tadas como meros espectadores da história. sais e com a interdisciplinaridade, e novos
Diante dessa situação, durante o proces- objetivos foram estabelecidos para a edu-
so de redemocratização, entre as principais cação em geral e para o ensino de História
reivindicações dos profissionais do ensino em particular.

O ensino de História e a BNCC


Buscando atingir os objetivos estabele- palmente as Diretrizes Curriculares Na-
cidos pelas novas propostas curriculares cionais (DCNs) e a Base Nacional Comum
que norteiam o ensino de História, princi- Curricular (BNCC), procuramos fazer uma

XLI

11/7/18 12:01 PM
seleção de conteúdos e uma abordagem
de transformar a história em ferramenta
que propiciem aos alunos identificar as
a serviço de um discernimento maior so-
suas vivências pessoais às de outros su-
bre as experiências humanas e as socie-
jeitos históricos do passado. Acreditamos
dades em que se vive.
estar, dessa maneira, estimulando não BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional
apenas o seu aprendizado, mas também Comum Curricular 2017. p. 399. Disponível em: <http://
basenacionalcomum.mec.gov.br>. Acesso em: 5 set. 2018.
promovendo a conscientização e a instru-
mentalização necessárias para o sentido
fundamental de sua participação ativa no A coleção, além disso, apresenta pro-
processo histórico. postas de trabalho ao professor que permi-
tem explorar também a parte diversificada
De acordo com a BNCC, o ensino de
do currículo, envolvendo aspectos sobre
História deve pautar-se no desenvolvi-
história local e interações com a comunida-
mento da atitude historiadora dos alunos
de escolar e externa, considerando assim a
em relação aos conteúdos. Para isso, os
orientação da Lei de Diretrizes e Bases da
alunos devem ser incentivados a assumir
Educação (LDB), de 1996, corroborada
uma posição de sujeitos ativos no proces-
também pela BNCC.
so de ensino e aprendizagem, compreen-
dendo procedimentos característicos do
processo de construção do conhecimento Art. 26. Os currículos da educação in-
histórico e adotando posicionamentos crí- fantil, do ensino fundamental e do ensi-
ticos e responsáveis. no médio devem ter base nacional co-
mum, a ser complementada, em cada
sistema de ensino e em cada estabeleci-
Por todas as razões apresentadas, es-
mento escolar, por uma parte diversifica-
pera-se que o conhecimento histórico se-
da, exigida pelas características regio-
ja tratado como uma forma de pensar,
nais e locais da sociedade, da cultura, da
entre várias; uma forma de indagar so-
economia e dos educandos.
bre as coisas do passado e do presente,
Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Disponível
de construir explicações, desvendar sig- em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/
L9394.htm>. Acesso em: 14 set. 2018.
nificados, compor e decompor interpre-
tações, em movimento contínuo ao lon-
go do tempo e do espaço. Enfim, trata-se

XLII

11/7/18 12:01 PM
Habilidades do 8o ano de História na BNCC
Identificar os principais aspectos conceituais do iluminismo e do liberalismo e discutir a
EF08HI01 relação entre eles e a organização do mundo contemporâneo.
Identificar as particularidades político-sociais da Inglaterra do século XVII e analisar os
EF08HI02 desdobramentos posteriores à Revolução Gloriosa.
Analisar os impactos da Revolução Industrial na produção e circulação de povos, produ-
EF08HI03 tos e culturas.
Identificar e relacionar os processos da Revolução Francesa e seus desdobramentos na
EF08HI04 Europa e no mundo.
Explicar os movimentos e as rebeliões da América portuguesa, articulando as temáticas
EF08HI05 locais e suas interfaces com processos ocorridos na Europa e nas Américas.
Aplicar os conceitos de Estado, nação, território, governo e país para o entendimento de
EF08HI06 conflitos e tensões.
Identificar e contextualizar as especificidades dos diversos processos de independência
EF08HI07 nas Américas, seus aspectos populacionais e suas conformações territoriais.
Conhecer o ideário dos líderes dos movimentos independentistas e seu papel nas revolu-
EF08HI08 ções que levaram à independência das colônias hispano-americanas.
EF08HI09 Conhecer as características e os principais pensadores do Pan-americanismo.
Identificar a Revolução de São Domingo como evento singular e desdobramento da Revo-
EF08HI10 lução Francesa e avaliar suas implicações.
Identificar e explicar os protagonismos e a atuação de diferentes grupos sociais e étnicos
EF08HI11 nas lutas de independência no Brasil, na América espanhola e no Haiti.
Caracterizar a organização política e social no Brasil desde a chegada da Corte portugue-
EF08HI12 sa, em 1808, até 1822 e seus desdobramentos para a história política brasileira.
Analisar o processo de independência em diferentes países latino-americanos e compa-
EF08HI13 rar as formas de governo neles adotadas.
Discutir a noção da tutela dos grupos indígenas e a participação dos negros na sociedade
EF08HI14 brasileira do final do período colonial, identificando permanências na forma de preconceitos,
estereótipos e violências sobre as populações indígenas e negras no Brasil e nas Américas.
Identificar e analisar o equilíbrio das forças e os sujeitos envolvidos nas disputas políticas
EF08HI15 durante o Primeiro e o Segundo Reinado.
Identificar, comparar e analisar a diversidade política, social e regional nas rebeliões e nos
EF08HI16 movimentos contestatórios ao poder centralizado.
Relacionar as transformações territoriais, em razão de questões de fronteiras, com as ten-
EF08HI17 sões e conflitos durante o Império.
Identificar as questões internas e externas sobre a atuação do Brasil na Guerra do Para-
EF08HI18 guai e discutir diferentes versões sobre o conflito.
Formular questionamentos sobre o legado da escravidão nas Américas, com base na se-
EF08HI19 leção e consulta de fontes de diferentes naturezas.
Identificar e relacionar aspectos das estruturas sociais da atualidade com os legados da
EF08HI20 escravidão no Brasil e discutir a importância de ações afirmativas.

EF08HI21 Identificar e analisar as políticas oficiais com relação ao indígena durante o Império.
Discutir o papel das culturas letradas, não letradas e das artes na produção das identida-
EF08HI22 des no Brasil do século XIX.
Estabelecer relações causais entre as ideologias raciais e o determinismo no contexto do
EF08HI23 imperialismo europeu e seus impactos na África e na Ásia.
Reconhecer os principais produtos, utilizados pelos europeus, procedentes do continente
EF08HI24 africano durante o imperialismo e analisar os impactos sobre as comunidades locais na
forma de organização e exploração econômica.
Caracterizar e contextualizar aspectos das relações entre os Estados Unidos da América e
EF08HI25 a América Latina no século XIX.
Identificar e contextualizar o protagonismo das populações locais na resistência ao impe-
EF08HI26 rialismo na África e Ásia.
BRASIL. Ministério da Educação.
Base Nacional Comum Curricular.
2017. Disponível em: <http://
Identificar as tensões e os significados dos discursos civilizatórios, avaliando seus impac-
EF08HI27 tos negativos para os povos indígenas originários e as populações negras nas Américas.
basenacionalcomum.mec.gov.br>.
Acesso em: 5 set. 2018. p. 423; 425.

XLIII

11/7/18 12:01 PM
Quadro de conteúdos

XLIV
Veja a seguir o quadro detalhado de conteúdos do 8o ano. Nele, você também vai encontrar CG: Competência geral
CECH: Competência específica de
as relações entre os objetos de conhecimento do 7o e do 9o ano da BNCC, que indicam as pro- Ciências Humanas
gressões de conteúdos ao longo da coleção. CEH: Competência específica de História

Principais conceitos Temas


Objetos de conhecimento Habilidades Competências
e noções contemporâneos
ítulo
Ca p
• Importância da História • CG 6 • Educação em direitos
• Os sujeitos históricos • CG 10 humanos.
• Tempo e História • CECH 6
• Fontes históricas • CECH 7
• História Tradicional • CEH 3
Estudando • Renovação das fontes históricas • CEH 4
a História • Construção do conhecimento histórico • CEH 6
• Conceitos importantes para os estudos
históricos
• Historicidade dos conceitos
ítulo
Ca p
• Desenvolvimento do pensamento iluminista • A questão do iluminismo e • EF08HI01 • CG 3 • Educação ambiental.
• Principais pensadores iluministas da ilustração. • CG 7
• Desenvolvimento do método científico • CG 10
7o ano
• Iluminismo e religião • CECH 2
• Iluminismo e política • A formação e o funcionamento
O Iluminismo das monarquias europeias: a
• Despotismo esclarecido lógica da centralização política
• O pensamento econômico e os conflitos na Europa.
• Repercussão social das ideias iluministas
• A Enciclopédia
ítulo
Cap
• Colonização inglesa na América • Independência dos Estados • EF08HI06 • CG 7 • Diversidade cultural.
• Diferenciação entre as colônias inglesas do Unidos da América. • EF08HI07 • CECH 2
Norte e Sul da América • CECH 5
• Relações comerciais • CECH 7
• Sociedade colonial da América inglesa • CEH 5
A Revolução • Aspectos culturais indígenas • CEH 6
Americana • Aspectos culturais afro-americanos
• Desenvolvimento da Guerra dos Sete Anos
• Processo de independência das
Treze Colônias
• Formação republicana dos Estados Unidos
da América
• Os africanos na América do Norte

11/7/18 12:01 PM
ítulo
Cap
• Contexto político, econômico e social francês • As revoluções inglesas e os • EF08HI02 • CECH 2 • Educação em direitos
na época da Revolução Francesa princípios do liberalismo. • EF08HI04 • CECH 5 humanos.
• Desenvolvimento político da Revolução Francesa • Revolução Francesa e seus • EF08HI10 • CECH 6
• Convocação dos Estados Gerais desdobramentos. • CEH 1
Assembleia Nacional • A revolução dos escravizados • CEH 4
A Revolução •
Declaração dos Direitos do Homem em São Domingo e seus múltiplos • CEH 6
Francesa e • significados e desdobramentos: o
e do Cidadão
o Império caso do Haiti.
Constituição francesa de 1791
Napoleônico •
• Proclamação da República na França
• Formação dos grupos políticos franceses
• Radicalização revolucionária
• Calendário revolucionário francês
• Império Napoleônico
• Bloqueio Continental e seus efeitos
• Queda do Império Napoleônico
• O impacto da Revolução Francesa

ítulo
Cap
• Características da Revolução Industrial • Revolução Industrial e seus • EF08HI03 • CG 6 • Educação alimentar
• Pioneirismo inglês na Revolução Industrial impactos na produção e • CG 7 e nutricional.
• Transformações na sociedade inglesa circulação de povos, produtos e • CECH 2 • Educação ambiental.
• Relações de trabalho culturas. • CECH 3
• Sistema capitalista de produção • CEH 5
9o ano
A Revolução • Cidades industriais
Industrial • Uma nova ordem econômica:
• Cotidiano de trabalho dos operários as demandas do capitalismo
• Teorias de análise social industrial e o lugar das
• Conflitos trabalhistas economias africanas e asiáticas
• Os impactos da industrialização nas dinâmicas globais.

ítulo
Ca p
• Aspectos da crise do sistema colonial espanhol • Independências na América • EF08HI07 • CECH 5 • Diversidade cultural.
• Contexto político das colônias espanholas espanhola. • EF08HI08 • CEH 7
• Sociedade colonial • A revolução dos escravizados em • EF08HI09
• Aspectos administrativos das colônias São Domingo e seus múltiplos • EF08HI11
• Configuração geográfica da América significados e desdobramentos: • EF08HI13
As indepen- espanhola independente o caso do Haiti. • EF08HI25
dências na • Processos de independência da • Os Estados Unidos da América e
América América do Sul a América Latina no século XIX.
espanhola • Bolivarismo 7o ano
• O processo de independência do México • A conquista da América e as
• Aspectos culturais mexicanos formas de organização política
• A independência de Cuba dos indígenas e europeus: con-
• Intervenção estadunidense em Cuba flitos, dominação e conciliação.
• A estruturação dos vice-reinos
nas Américas.

XLV

11/7/18 12:01 PM
Principais conceitos Temas
Objetos de conhecimento Habilidades Competências
e noções contemporâneos

XLVI
ítulo
Cap
• Relações entre Brasil e Europa no século XIX • Rebeliões na América portuguesa: • EF08HI05 • CG 1 • Educação das relações
• Processo de independência do Brasil as conjurações mineira e baiana. • EF08HI07 • CG 5 étnico-raciais e ensino
• Transferência da Corte portuguesa para o Brasil • Os caminhos até a independência • EF08HI11 • CEH 1 de história e cultura
• Movimentos revolucionários no Brasil no do Brasil. • EF08HI12 • CEH 3 afro-brasileira, africana e
início do século XIX • A tutela da população indígena, a • EF08HI14 • CEH 6 indígena.
O processo de Transformações no Rio de Janeiro escravidão dos negros e a tutela

independência Transformação da mentalidade brasileira dos egressos da escravidão.

do Brasil Desenvolvimento da Revolução Liberal

7o ano
em Portugal
• O Bloqueio Continental e o regresso de
• Resistências indígenas,
invasões e expansão na América
D. João VI a Portugal
portuguesa.
• Conflitos políticos no Brasil
• Proclamação da independência o
9 ano
• A questão indígena durante a
República (até 1964).

ítulo
Cap
• Aspectos da sociedade brasileira pós- • Brasil: Primeiro Reinado. • EF08HI15 • CG 1 • Vida familiar e social.
-independência • O Período Regencial e as • EF08HI16 • CG 7
• Primeiro Reinado e período Regencial contestações ao poder central. • CG 9
• Formação do Estado nacional brasileiro • CEH 1
• Guerras de independência • CEH 3
A consoli- • Organização política do Brasil • CEH 6
dação da • Divisão dos poderes com a Constituição de 1824
independência • Sistema eleitoral brasileiro
brasileira • Movimentos revolucionários brasileiros
• Abdicação de D. Pedro I
• Aspectos políticos do período Regencial
• Diversidade étnica dos africanos que viviam
no Brasil
• Revoltas regenciais
ítulo
Cap
• Golpe da Maioridade • O Brasil do Segundo Reinado: • EF08HI15 • CG 7 • Educação das relações
• Contexto político e econômico brasileiro na política e economia • EF08HI17 • CG 9 étnico-raciais e ensino
época do Segundo Reinado • A Lei de Terras e seus • EF08HI18 • CG 10 de história e cultura
• Revolução Praieira desdobramentos na política do • EF08HI19 • CECH 5 afro-brasileira, africana
• Expansão da produção cafeeira brasileira no Segundo Reinado. • EF08HI15 • CECH 7 e indígena.
O Segundo século XIX • Territórios e fronteiras: a Guerra • EF08HI20 • CEH 1
Reinado • Aspectos do trabalho escravizado nos cafezais do Paraguai. • EF08HI21 • CEH 2
• Resistência dos escravizados à dominação • EF08HI22 • CEH 4
dos latifundiários • CEH 5
• Diversidade das atividades econômicas • CEH 6
brasileiras no século XIX
• Guerra do Paraguai

11/7/18 12:01 PM
• Participação feminina na Guerra do Paraguai • O escravismo no Brasil do
• Aspectos da Guerra de Secessão nos século XIX: plantations e revoltas
Estados Unidos de escravizados, abolicionismo
• A crise do Império e políticas migratórias no Brasil
• Transição da Monarquia para a República Imperial.
no Brasil • Políticas de extermínio do
• Sociedade brasileira indígena durante o Império.
• Movimento migratório de europeus para o Brasil • A produção do imaginário
• Organização do trabalho no Brasil nacional brasileiro: cultura
• Estrutura e funcionamento de uma fazenda popular, representações visuais,
de café letras e o Romantismo no Brasil.
• Aspectos da modernização do Brasil
9o ano
• Aspectos culturais brasileiros no final do
• A proclamação da
século XIX República e seus primeiros
• Processo abolicionista brasileiro desdobramentos.
• A queda da Monarquia
• Movimento Republicano
• Proclamação da República
ítulo
Cap
• A Segunda Revolução Industrial • Nacionalismo, revoluções e as • EF08HI23 • CG 6 • Educação para o
• Diversidade étnica do continente africano novas nações europeias. • EF08HI24 • CECH 2 consumo.
• Organização política de algumas regiões • Uma nova ordem econômica: • EF08HI25 • CECH 3 • Vida familiar e social.
africanas as demandas do capitalismo • EF08HI26 • CECH 5 • Educação financeira
• A presença muçulmana no continente africano industrial e o lugar das • EF08HI27 • CECH 7 e fiscal.
O mundo no • Império Zulu economias africanas e asiáticas • CEH 4 • Educação das relações
século XIX • Origens, características e desenvolvimento nas dinâmicas globais. étnico-raciais e ensino
do imperialismo • Os Estados Unidos da América e de história e cultura
• Argumentos justificativos do imperialismo a América Latina no século XIX. afro-brasileira, africana
• Colonização da África • O imperialismo europeu e a e indígena.
Resistência africana à dominação europeia partilha da África e da Ásia.

• Pensamento e cultura no século
• Consequências do imperialismo na África
XIX: darwinismo e racismo.
• Imperialismo na Ásia e na Oceania
• O discurso civilizatório nas
• Imperialismo japonês
Américas, o silenciamento dos
• Principais expedições de exploração do saberes indígenas e as formas
interior da África de integração e destruição de
comunidades e povos indígenas.
• A resistência dos povos e
comunidades indígenas diante da
ofensiva civilizatória.

7o ano
• A emergência do capitalismo.

9o ano
• O colonialismo na África.
• Os processos de descoloniza-
ção na África e na Ásia.

XLVII

11/7/18 12:01 PM
Referências bibliográficas
BASSIT, Ana Zahira (Org.). O interdisciplinar: cação: Métodos e técnicas de ensino), Univer-
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xeira Motta. São Paulo: Saraiva, 1999. PINSKY, Carla Bassanezi. Introdução. In: PINSKY,
Carla Bassanezi (Org.). Novos temas nas aulas
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da comunicação na educação: do projeto téc- RATIER, Rodrigo. O desafio de ler e compreen-
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cação virtual: aprender e ensinar com as tec- <https://novaescola.org.br/conteudo/1535/o-
nologias da informação e da comunicação. desafio-de-ler-e-compreender-em-todas-as-
Porto Alegre: Artmed, 2010. -disciplinas>. Acesso em: 6 set. 2018.
DIMENSTEIN, Gilberto. O cidadão de papel: a in- SANTOS, Monalize Rigon dos; VARELA, Simone.
fância, a adolescência e os direitos humanos A avaliação como um instrumento diagnóstico
no Brasil. São Paulo: Ática, 2005. da construção do conhecimento nas séries ini-
FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Integração e in- ciais do ensino fundamental. Revista Eletrôni-
terdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetivi- ca de Educação, São Carlos, n. 1. ago./dez.
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mental e médio. In: TEBEROSKY, Ana et al.
FRAIDENRAICH, Verônica. O reforço que funcio-
Compreensão de leitura: a língua como pro-
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cedimento. Tradução: Fátima Murad. Porto
Escola, 1o out. 2010. Disponível em: <https://
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ra material. In: PINSKY, Carla Bassanezi (Org.). Contexto, 2006.
Fontes históricas. São Paulo: Contexto, 2006. SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Tradução:
GAVASSI, Susana Lisboa. Avaliação formativa: Cláudia Schilling. 6. ed. Porto Alegre: Artmed,
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Conclusão de Curso (Especialização em Edu- ciologia. São Paulo: Atual, 2000.

XLVIII

11/7/18 12:01 PM
VONTADE
de

SABER
HISTÓRIA
Ensino Fundamental – Anos Finais
Componente curricular: História

adriana machado dias


8
• Bacharela e Licenciada em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR).
• Especialista em História Social e Ensino de História pela UEL-PR.
• Atuou como professora de História em escolas da rede particular de ensino.
• Autora de livros didáticos de História para o Ensino Fundamental e Ensino Médio.

keila grinberg
• Professora licenciada em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ).
• Doutora em História Social pela UFF-RJ.
• Professora do Departamento de História da Universidade Federal do Estado
do Rio de Janeiro (UNIRIO-RJ).

marco césar pellegrini


• Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR).
• Atuou como professor de História em escolas da rede particular de ensino.
• Editor de livros na área de ensino de História.
• Autor de livros didáticos de História para o Ensino Fundamental e Ensino Médio.

1a edição • São Paulo • 2018

11/6/18 2:25 PM

11/6/18 4:43 PM
Copyright © Adriana Machado Dias, Keila Grinberg, Marco César Pellegrini, 2018.
Diretor editorial Antonio Luiz da Silva Rios
Diretora editorial adjunta Silvana Rossi Júlio
Gerente editorial Roberto Henrique Lopes da Silva
Editora Nubia de Cassia de Moraes Andrade e Silva
Gerente de produção editorial Mariana Milani
Coordenador de produção editorial Marcelo Henrique Ferreira Fontes
Gerente de arte Ricardo Borges
Coordenadora de arte Daniela Máximo
Projeto de capa Sergio Cândido
Foto de capa Brasil2/Getty Images
Supervisor de arte Vinicius Fernandes
Coordenadora de preparação e revisão Lilian Semenichin
Supervisora de preparação e revisão Beatriz Carneiro
Supervisora de iconografia e licenciamento de textos Elaine Bueno
Supervisora de arquivos de segurança Silvia Regina E. Almeida
Diretor de operações e produção gráfica Reginaldo Soares Damasceno
Projeto e produção editorial Scriba Soluções Editoriais
Edição Ana Beatriz Accorsi Thomson, Bruno Benaduce Amâncio
Assistência editorial João Cabral de Oliveira
Revisão e preparação Amanda de Camargo Mendes, Moisés Manzano da Silva
Projeto gráfico Laís Garbelini
Edição de arte Cynthia Sekiguchi
Iconografia Soraya Pires Momi
Tratamento de imagens Equipe Scriba
Diagramação Daniela Cordeiro
Editoração eletrônica Renan de Oliveira

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Dias, Adriana Machado
Vontade de saber : história : 8o ano : ensino
fundamental : anos finais / Adriana Machado Dias,
Keila Grinberg, Marco César Pellegrini. — 1. ed. —
São Paulo : Quinteto Editorial, 2018.
“Componente curricular: História.”
ISBN 978-85-8392-167-7 (aluno)
ISBN 978-85-8392-168-4 (professor)
1. História (Ensino fundamental) I. Grinberg,
Keila. II. Pellegrini, Marco César. III. Título.
18-20793 CDD-372.89
Índices para catálogo sistemático:

1. História : Ensino fundamental 372.89

Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964

Em respeito ao meio ambiente, as folhas


deste livro foram produzidas com fibras
obtidas de árvores de florestas plantadas,
com origem certificada.
Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610
de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à
Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD
QUINTETO EDITORIAL CNPJ 61.186.490/0016-33
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CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020
Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

11/6/18 2:52 PM

11/6/18 4:43 PM
Apresentação
Para você, o que é História? Algumas pessoas pensam que História é
o estudo do passado. Outras, porém, afirmam que ela serve para entender
melhor o presente. Nós acreditamos que ela é tudo isso e muito mais!
O estudo da História nos ajuda a perceber as ligações existentes
entre o passado e o presente. A escrita, a música, o cinema, as cons-
truções magníficas, os aviões, os foguetes... Tudo de que dispomos
hoje, desde os produtos fabricados com tecnologia avançada até a
liberdade de expressão, devemos às pessoas que trabalharam e
que lutaram, ou seja, que viveram antes de nós. A História nos
permite conhecer o cotidiano dessas pessoas e perceber como a
ação delas foi importante para construir o mundo como ele é
nos dias atuais.
Shutterstock.com
Anton_Ivanov/

A História nos auxilia a conhecer os grupos que formam as


sociedades, os conflitos que ocorrem entre eles e os motivos
de tais conflitos. Ela nos ajuda a tomar consciência da
importância de nossa atuação política e a desenvolver um
olhar mais crítico sobre o mundo. Assim, nos tornamos
mais capazes de analisar desde uma afirmação feita por
um colega até uma notícia veiculada pela televisão.
Ao estudarmos História, percebemos a importância
do respeito à diversidade cultural e ao direito de cada
um ser como é, compreendendo que esse respeito é in-
dispensável para o exercício da cidadania e para a
construção de um mundo melhor.
Bem-vindo ao fascinante
estudo da História!

Os autores.

:52 PM 11/6/18 2:25 PM

11/6/18 4:43 PM
Abertura de capítulo

do
Nas páginas de abertura dos capítulos, você encontrará imagens e um
pequeno texto que despertarão seu interesse pelos assuntos a serem

i za
estudados. Há também algumas questões que propiciam a troca de ideias
com os colegas e o professor, tornando o estudo mais interessante.

an
o rg
m o s e u li v r o e s tá
Co

Enquanto isso... O sujeito na história História em construção


Essa seção vai ajudá-lo a Você conhecerá pessoas que Você verá que na disciplina de
perceber que acontecimentos participaram ativamente do História não existem verdades
diferentes ocorrem ao mesmo processo histórico. Vai perceber definitivas e que novos
tempo em diversos lugares e que a ação de todos os sujeitos estudos podem modificar
cada sociedade tem sua históricos, inclusive a sua, nossa compreensão sobre
própria história. pode transformar a sociedade. acontecimentos do passado.

ro s m es it
es
iv Quando encontrar esse il Quando encontrar esse As sugestões de
S
L

ícone, haverá sugestões ícone, haverá sugestões de sites para você


de livros interessantes filmes que enriquecerão consultar são
relacionados aos seu conhecimento sobre acompanhadas
assuntos estudados. assuntos do capítulo. desse ícone.

11/6/18 2:25 PM

11/6/18 4:43 PM
i m ag e m m e n ta r
oa ple Encontro com...
nd m
Nessa seção, os temas de História são articulados

co
a
or

B o xe
com assuntos de outras áreas do conhecimento,
E xpl enriquecendo seu aprendizado.

Com base na análise de Aqui você encontrará


fontes históricas, esse boxe informações complementares,
apresentará questões que como textos e imagens,
propiciam o desenvolvimento que vão enriquecer seu
da habilidade de ler imagens. aprendizado.

io Os significados de algumas
r

palavras pouco mencionadas em


Glos

nosso dia a dia ou que podem


gerar dúvidas em relação ao
sentido utilizado no texto serão
destacados nas páginas para
auxiliar na sua compreensão.

Explorando o tema
Nessa seção, serão apresentados textos
e imagens que o levarão a refletir sobre
temas contemporâneos relevantes para
sua formação como cidadão.

Atividades
Localizada ao final de cada
capítulo, essa seção é composta
por diferentes tipos de atividades.
Nela, você poderá checar seu
aprendizado, exercitar diferentes
habilidades e aprofundar os
conhecimentos adquiridos no Investigando na prática
estudo do capítulo. Nessa seção, são apresentados
diferentes tipos de fontes
ti n d o s o
fle br históricas, algumas com
Essa seção apresenta Re explicações sobre seu significado,
e

uma síntese das outras para você analisar. Você vai


oc

principais ideias de observar, comparar, elaborar


a pít u l o

cada capítulo e hipóteses e aprender muito.


contribuirá para que
você avalie como está
seu aprendizado.

:25 PM 11/6/18 2:25 PM

11/6/18 4:43 PM
Sumário

ítulo
Cap

Estudando a História 12
Estudando História 14 Conceitos importantes para a
Os sujeitos históricos 14 História 22
A política 22
Tempo e História 15

y/Fotoarena
A economia 22
O tempo histórico 15
O trabalho 23
As fontes históricas 16

e/Alam
O capitalismo 24
A História Tradicional
O liberalismo 25
Imag
e as fontes históricas 16
ssic
A renovação das Explorando o tema 26
Cla
ça/

fontes históricas 17 A historicidade dos conceitos 26


n
Fra
is,

Investigando na prática 18 Atividades 28


r
Pa
e,
vr

u
Lo A publicidade como fonte histórica
u
do Refletindo sobre o capítulo 31
se
Mu
O conhecimento histórico 20
História em construção 20
O conhecimento se transforma
A análise de obras de arte 21

ítulo
Cap

O Iluminismo 32
O Século das Luzes 34 O pensamento econômico 41
O método científico 35 A fisiocracia 41
almaison, França

Os filósofos iluministas 36 O impacto das ideias


iluministas 42
A Enciclopédia 37
As ideias iluministas na formação
, Rueil-M

Iluminismo e religião 38 do mundo contemporâneo 44


aison

Voltaire e os filósofos deístas 38 O culto à ciência 44


m
Mal

Iluminismo e política 39 A economia 44


de

A política 44
lo

Montesquieu e os Três Poderes 39


ste
Ca

Explorando o tema 45
do

O despotismo esclarecido 40
l
na

cio
Na
s eu O despotismo esclarecido O progresso e os danos ambientais
Mu
em Portugal 40 Atividades 46
Enquanto isso... 40 Refletindo sobre o capítulo 49
no Brasil

11/6/18 2:25 PM

11/6/18 4:43 PM
ítulo
Cap

A Revolução Americana 50
Os ingleses na América 52 O Segundo Congresso Continental 59
As Treze Colônias 53 A Declaração de Independência 59
Acontecimentos da Revolução O apoio francês 60

Jess Kraft/Sh
Americana 53 A conquista da independência 60
O comércio triangular 54 A Constituição dos Estados Unidos da
América 61

utter
Enquanto isso... 54

stoc
O Estatuto dos Direitos 62
no Brasil

k.co
As contradições pós-independência 63

m
História em construção 55
Colônias de exploração e de Os africanos na América do Norte 64
povoamento Trocas culturais 64
O processo de independência das Explorando o tema 65
Treze Colônias 56 A matriz cultural africana nos EUA
A Guerra dos Sete Anos 56 Indígenas na América do Norte 66
As consequências do conflito 57 O massacre de indígenas 66
O Massacre de Boston 57 Indígenas sioux e a luta por direitos 67
A Festa do Chá de Boston 58
Atividades 68
As Leis Intoleráveis e o Primeiro
Congresso Continental 58 Refletindo sobre o capítulo 71
ítulo
Cap

A Revolução Francesa e o
Império Napoleônico 72
A França antes da revolução 74 Enquanto isso... 83
A crise econômica e administrativa 74 no Haiti
A Revolução Francesa e o período O governo do Diretório 84 Coleção particular/M

Napoleônico 75 As campanhas de conquista 84


A convocação dos Estados Gerais 76 O calendário
A Assembleia Nacional 76 revolucionário francês 85
ary E

As reformas da História em construção 86


van
s

Assembleia Nacional 77 As revoluções burguesas


Pic
tur
eL

A Convenção Nacional 78 A ascensão de Napoleão 87


ibr
ar
y/

A prisão e a execução do rei 79


Gl

A política interna 87 w
o

Im
ag
es
As facções políticas na Convenção A política externa 88
Nacional 79 O Bloqueio Continental e suas
A Convenção girondina 80 consequências 88
O governo radical 80 A queda do Império Napoleônico 89
A Constituição republicana 80 Enquanto isso... 89
em Portugal
História em construção 81
A esquerda, a direita e o centro Explorando o tema 90
O impacto da Revolução Francesa
A radicalização revolucionária 82
A Reação Termidoriana e o Terror
Atividades 92
Branco 83 Refletindo sobre o capítulo 95

:25 PM 11/6/18 2:25 PM

11/6/18 4:43 PM
ítulo
Cap

A Revolução Industrial 96
O contexto da Revolução 98 O dia a dia do trabalhador 111
O início da era industrial 98 Mulheres e crianças trabalhadoras 111
Os impactos da industrialização 99
Alternativas de organização
Alguns fatos que marcaram a
social 112
Revolução Industrial 99
Socialismo científico 112
A Inglaterra sai na frente 100
Positivismo 112
A acumulação de capitais 100

en a
Anarquismo 113

otoar
Disponibilidade de mão de obra 101

m/F
Os recursos naturais 101 A luta dos trabalhadores 114

lbu
s/A
A divulgação das ideias 114
A sociedade se transforma 102

gea
-im
As greves e os motins 114

kg
Mudanças nas relações de trabalho 102

r/A
cu

la
pa
rti
A disciplina nas fábricas 103 A organização sindical 114
ão
leç
Co
A vida social dos operários 103 As conquistas dos trabalhadores 115
O estilo de vida da burguesia 104 As mudanças na percepção da
Enquanto isso... 105 passagem do tempo 116
na China O “tempo da natureza” 116
Uma cidade industrial 106 O tempo e a fábrica 116
A cidade de Sheffield 106 Explorando o tema 117
Investigando na prática 108 Impactos da industrialização na
A produção têxtil inglesa: da alimentação
manufatura para a fábrica
Atividades 118
A especialização do trabalho nas
fábricas 110 Refletindo sobre o capítulo 121

ítulo
Cap

As independências na
América espanhola 122
A crise do sistema colonial 124 As lutas de independência 130
As reformas dos Bourbons 124 As elites no poder 131
A situação nas colônias 124 A sociedade mexicana após a
rstock.com

A invasão napoleônica na Espanha 125 independência 132


A América espanhola
hutte

A independência de Cuba 134


independente 126
da/S

As guerras de independência 134


iran

Os processos de independência 127


M

A intervenção dos Estados Unidos 135


ejo
Al

As condições para
om

A Emenda Platt 135


k.c

a independência 127
c
to

te
rs

ut
a/
Sh A emancipação da América do Sul Explorando o tema 136
nd
ira
Ale
jo M espanhola 128
A cultura mexicana pós-
O pan-americanismo 128
-independência
O Congresso do Panamá e a
fragmentação política 129 Atividades 138
A independência do México 130 Refletindo sobre o capítulo 141

11/6/18 2:25 PM

11/6/18 4:43 PM
ítulo
Cap

O processo de independência
do Brasil 142
Iluminismo e revoluções no século Explorando o tema 156
XVIII 144 O problema do
A influência dos ideais iluministas 144 preconceito no Brasil
A Revolução Americana 145 Transformações no
A Revolução Francesa 145 Rio de Janeiro 157
A Biblioteca Nacional 158
A Conjuração Mineira 146 Aumento da população 159
Os planos dos revoltosos 146 Mudanças nos hábitos 159

Muse
A Conjuração Baiana 147 Investigando na prática 160

us C
A participação popular 147 Jean-Baptiste Debret: representando

ast
ro
o cotidiano brasileiro

Ma
História em construção 148

ya
,R
Rio de Janeiro, a capital

io
A figura de Tiradentes

de
Ja
do Reino 162 ne
iro

As relações entre Brasil e Europa no A Revolução do Porto 164


século XIX 150 As Cortes de Lisboa 164
Portugal e o Bloqueio Continental 150 As propostas das Cortes 164
A transferência da O regresso de D. João VI 165
Corte portuguesa 150 A permanência de D. Pedro 165
Tratados assinados entre O conflito de interesses 166
Portugal e Inglaterra 151 O partido português 166
O processo de independência 151 O partido brasileiro 166
O Brasil deixa de ser Colônia 152 A proclamação da Independência
O Reino Unido de Portugal, Brasil e 168
Algarves 153 A declaração de independência 168
Enquanto isso... 153 Enquanto isso... 169
na Grécia
na Áustria
A Revolução Pernambucana Encontro com... Arte 170
de 1817 154 A tela Independência ou Morte
A tutela dos povos indígenas 155 Atividades 172
A manutenção da escravidão 155 Refletindo sobre o capítulo 175 Cap
ítulo

A consolidação da
independência brasileira 176
A sociedade brasileira no período O levante 185
pós-independência 178 A diversidade étnica
As guerras de independência 179 dos africanos 186
História em construção 180 A Cabanagem 187
Museus Castro May

O significado da independência A participação popular 187


A Assembleia Constituinte 181 A Revolta Farroupilha 188
A Constituição de 1824 181 A República Rio-Grandense 188
a, Rio

A Confederação do Equador 182 A República Juliana 189


de J

Um governo em crise 183 O acordo de paz 189


ane
iro

A abdicação de D. Pedro I 183 Explorando o tema 190


O Brasil governado por regentes 184 As mulheres no Brasil do século XIX
As tendências políticas 184 Atividades 192
O Levante dos Malês 185 Refletindo sobre o capítulo 195

:25 PM 11/6/18 2:25 PM

11/6/18 4:43 PM
ítulo
Cap

O Segundo Reinado 196


O Brasil na época de D. Pedro II 198 A crise do Império 214
Política e modernidade 198 A sociedade reivindica mudanças 214
O início do Segundo Reinado 199 A questão militar 214
O reinado de D. Pedro II 199 A imigração de europeus 215
A Revolução Praieira 200 O contexto brasileiro 215

ai/
A vinda para o Brasil 216

aragu
A expansão cafeeira 201
Quem eram os imigrantes? 217

ão, P
A marcha do café 201

unç
A fazenda de café 218

Ass
O trabalho escravizado
A estrutura e organização da fazenda

a,
nos cafezais 202

fes
De
cafeeira 219

de
A lei Bill Aberdeen 202
re rio O início da modernização
oa isté
na O fim do tráfico de escravizados 203
in

M
o t
r d /Fo
lita oz do Brasil 220
Mi ron
u
se /O
Mu lbum
Enquanto isso... 203 As ferrovias 220
A
na Europa
Os melhoramentos urbanos e as
A resistência dos escravizados 204 fábricas 221
A formação de quilombos 204 A abolição da escravidão 222
Os indígenas durante o Império 205 As leis abolicionistas 223
Os indígenas no A participação popular 224
Segundo Reinado 205 A Lei Áurea 224
As diferentes Os ex-escravizados
atividades econômicas 206 após a abolição 225

A Guerra do Paraguai 207 Explorando o tema 226


O conflito 207 O legado da escravidão no Brasil
As mulheres na guerra 208 O fim da Monarquia 227
O fim da guerra O Movimento Republicano 227
e as consequências 208
Investigando na prática 228
Enquanto isso... 209 Um caricaturista critica o Império
nos Estados Unidos da América A República é proclamada 230
A identidade nacional 210 Atividades 232
Uma imagem da nação 210
Refletindo sobre o capítulo 235
O apogeu da Monarquia 211
Um inimigo externo 211
A cultura no Segundo Reinado 212
A literatura 212
A pintura 212
A música 213
O Carnaval 213

11/6/18 2:25 PM

10

11/6/18 4:43 PM
ulo
pít
Ca

O mundo no século XIX 236


A Segunda Revolução Industrial 238 Enquanto isso... 255
As novas tecnologias 238 na França
A produção de aço 238 Encontro com... Geografia 256
Os motores de combustão interna 239 O Imperialismo e as fronteiras dos

Coleção particular/
Os geradores de corrente elétrica 239 países africanos
A intensidade das mudanças 240 As consequências para a África 258
A ciência e a Segunda Revolução Impactos sobre as
Industrial 240 comunidades locais 258

Th e
Stap
Impactos da modernização 241 Imperialismo na Ásia

leto
e na Oceania 259

nC
Os novos meios de comunicação e de

oll
ec
transporte 241 A partilha da Ásia e da Oceania 259

tio
n/
rid

B
ge
Outras inovações 241 O Imperialismo japonês 261 m
an
Im
ag
Propagandas das invenções 242 es
A resistência africana ao
O cotidiano nas Imperialismo 262
grandes cidades 243 Resistência nandi 262
Os bairros operários 244 Resistência zulu 262

A nova fase do capitalismo 245 Resistência etíope 262

A concentração do capital 245 Resistência na Ásia 263


O continente africano 246 As Guerras do Ópio 263

Estados expansionistas 247 A Revolta dos Cipaios 263

O Império Zulu 247 Explorando o tema 264


As ideologias imperialistas
O kraal zulu 248
Estados Unidos e
O Imperialismo na África 250
América Latina 266
Enquanto isso... 251 “A América para os americanos” 266
na Itália e na Alemanha
Intervenções e anexações de
A colonização europeia na África 252 territórios 266
Argélia 252
A doutrina do Big Stick 267
África do Sul 252
A invasão do Panamá 267
Egito 253
Atividades 268
A África dividida 254
Refletindo sobre o capítulo 271
A Conferência de Berlim 254

Bibliografia 272

:25 PM 11/6/18 2:25 PM

11

11/6/18 4:43 PM
Objetivos do capítulo u lo
pít
• Refletirsobre a im- Ca

Estudando
portância do estudo da
História.
• Compreender o concei-

a História
to de sujeitos históricos.
• Compreender que a
noção de tempo é funda-
mental para os estudos
históricos.
• Entender que os his-
toriadores interpretam
os fatos e constroem o
conhecimento histórico
com base na análise das
fontes.
• Perceber que o conhe-
cimento histórico se
transforma no decorrer
do tempo e que os con-
ceitos apresentam histo-
ricidade.

BNCC
Este capítulo favorece
a competência especí-
fica de História 6, pois
é possível abordar no-
ções básicas sobre os
procedimentos historio-
gráficos, com base em
fontes históricas diver-
sas, demonstrar possí-
veis leituras do passado
apresentando aos alunos
concepções e métodos
próprios do fazer histó-
rico. Avalie o conheci-
mento prévio dos alunos
sobre como eles pensam
que a história é escrita,
quem a escreve e quais
são as fontes.

Nobreza francesa
reunida em 1745
no Palácio de
Versalhes, França.
Aquarela de
Charles-Nicolas
Cochin, século XVIII.

12

Orientações gerais 11/5/18 4:01 PM

• As imagens de abertura permitem que se- casamento, ocorrido em 1745, entre o filho de Marcha sobre Versalhes, foi promovido pelas
jam identificados alguns aspectos relacio- Luís XV, Luís de Bourbon, e a princesa Maria mulheres pobres de Paris, que protestavam
nados às condições de vida da população da Teresa da Espanha. contra a escassez de alimentos e o alto preço
França, no século XVIII. Pergunte aos alunos • Na imagem da página 13, as mulheres do pão. Incentive-os a comparar as duas ima-
se eles são capazes de identificar cada um aparecem portando armas. Comente com os gens e a refletir sobre as diferentes condições
desses segmentos sociais. Comente que a ce- alunos que esse episódio, conhecido como de vida em uma mesma sociedade.
rimônia representada na página 12 mostra um

12

11/6/18 4:46 PM
• O texto a seguir pode
É com base na análise contribuir para seus co-
nhecimentos a respeito

Museu Carnavalet, Paris, França


das fontes históricas que os
do conceito de anacro-
historiadores conseguem per- nismo, assim como a es-
ceber as mudanças e perma- pecificidade da ciência
nências nas sociedades no histórica.
decorrer do tempo. Objetos Se o conhecimento his-
antigos, pinturas, documen- tórico é relativo, o mesmo
não ocorre com os fatos.
tos escritos e fotografias são Acontecido há cinco mi-
exemplos de fontes utili- nutos ou 5 000 anos, um
zadas pelos historiadores na fato não pode ser alterado.
Só que os fatos em si não
construção do conhecimento constituem a História;
histórico. eles são referências que
orientam a interpretação
Observe as imagens des-
histórica, mas não são a
tas páginas e converse com Mulheres armadas fazem marcha durante a Revolução Francesa de História.
os colegas sobre as questões 1789. Em um curto espaço de tempo, essa revolução acarretou Sabemos, é claro, que
a seguir. profundas mudanças na sociedade francesa. Acima, A Versailles, há realidades e contextos
a Versailles, gravura de artista desconhecido, século XVIII. históricos semelhantes,
mas ser semelhante não
Veja as respostas das questões nas orientações ao professor. significa ser igual. Os fa-
A Como foi representada a nobreza francesa do século XVIII? De acordo tos e, em última instân-
com a imagem das páginas de abertura, como eram as condições de cia, a própria História são
vida desse setor da sociedade? únicos e irreversíveis. O

Museu do Louvre, Paris, França/


Classic Image/Alamy/Fotoarena
que muda são as interpre-
B Na gravura acima, como foram representadas as mulheres?
tações e versões sobre os
C Ao comparar essas duas fontes históricas, o que é possível perceber fatos. [...]
sobre a sociedade francesa no século XVIII? Comente. Um equívoco que deve
ser evitado a todo custo no
estudo da História é o de
interpretar uma realidade
passada com conceitos da
realidade atual. É o que se
chama de anacronismo.
Vale repetir: estudar His-
tória não é simplesmente
recuar no tempo. Para es-
tudar o passado é preciso
[...] colocar-se no lugar dos
que viveram noutras épo-
cas e lugares e, a partir daí,
interpretar. Por isso estu-
dar História é uma via de
duas mãos: presente-pas-
sado e passado-presente.
[...]
BOSCHI, Caio César. Por que
estudar história? São Paulo:
Ática, 2007. p. 31-32.

13

:01 PM Respostas 11/5/18 4:01 PM

A A nobreza foi representada em um am- maneira, é possível perceber que as condições C Ao compararmos as duas imagens é possí-
biente de riqueza e luxo. O espaço em que o de vida desse segmento social eram marca- vel perceber a desigualdade social que marca-
casamento acontece é bastante amplo, com das pela riqueza e pela ostentação. va a sociedade francesa durante o século XVIII.
adornos e diversos lustres. Outro aspecto que B As mulheres foram representadas portan-
demonstra o luxo e a riqueza dos nobres re- do armas, em meio a uma marcha e com trajes
presentados são suas vestes de gala. Dessa típicos camponeses.

13

11/6/18 4:46 PM
BNCC
Ao trabalhar esta pági- Estudando História
na ressalte que o estudo
História é o campo do conhecimento dedicado ao estudo das ações dos seres
da História contribui pa-
humanos no tempo e no espaço. Esse estudo procura analisar as transformações que
ra nossa vida significati-
vamente, pois interpretar acontecem ao longo do tempo nas sociedades e também os aspectos que, mesmo
o passado nos ajuda a com o passar dos anos, permanecem semelhantes.
tomar determinadas ati- Ao estudarmos História, temos condições de entender melhor a Sociedade:
tudes no presente e ter- realidade em que vivemos. O estudo dos acontecimentos passados conjunto de pessoas
mos perspectivas para o que convivem em
nos permite analisar como as pessoas que viveram em outras épocas um espaço,
futuro. Essas reflexões compartilhando
possibilitam desenvolver
se relacionavam e como suas ações contribuíram para transformar a
regras, costumes,
a competência geral 10. realidade de sua cidade, de seu estado ou de seu país. língua etc. Por meio
dos grupos sociais,
Conhecendo melhor os acontecimentos passados e percebendo como a família e a
que as ações de todos os cidadãos são importantes para os ru- escola, as pessoas
Orientações gerais se integram à
mos da história, temos maior clareza da importância do nosso sociedade,
• Inicie a abordagem da papel na transformação da sociedade e na construção de um estabelecendo
página avaliando os co- mundo melhor e mais justo. relações entre si.
nhecimentos prévios dos
alunos quanto ao concei-
to de História. Questio- Os sujeitos históricos
ne-os: por que devemos
Sujeitos históricos são todos aqueles que, por meio de suas ações, participam do
aprender História? É im-
portante que eles perce- processo histórico. Todos nós somos sujeitos da história e diariamente interferimos
bam que esse estudo per- e influenciamos a sociedade em que vivemos.
mite o desenvolvimento A história não é feita somente por “grandes personagens”, como reis, generais e
da atitude historiadora, políticos. Todas as pessoas são importantes agentes transformadores da história.
que nos possibilita inter-
pretar melhor o mundo

Ernesto Reghran/Pulsar Imagens


em que vivemos, poden-
do assim atuar em sua
transformação.
• Sobre o trabalho com
fontes históricas, consul-
te o livro a seguir.
> PINSKY, Carla Bassa-
nezi; LUCA, Tania Regina
de (Org.). O historiador e
suas fontes. São Paulo:
Contexto, 2009.

Acima, caminhoneiros durante greve contra o aumento no preço do Museu da Pessoa


diesel, em 2018. Durante a greve, que durou cerca de 10 dias, os
O site disponibiliza diversos
caminhoneiros bloquearam as principais rodovias de todo o Brasil, relatos que contam a história
causando uma crise de abastecimento de alimentos, remédios, de vida de milhares de sujeitos
combustíveis, entre outros. Por meio da greve, os caminhoneiros históricos. Veja em: <http://
conseguiram uma diminuição no preço do diesel e mostraram sua www.museudapessoa.net/
importância para o funcionamento do país. pt/home>. Acesso em: 5 set.
2018.
14

Sugestão de atividade Navegando no site


g20_ftd_lt_8vsh_c1_p014.indd 14 7/10/19 6:26 PM

Realize uma atividade com os alunos para explorar o rior, “Exposições”. Nesse item encontrarão outros subi-
site indicado nesta página. Para isso, siga as orientações tens, como “Memórias dos brasileiros” e “Memórias do
propostas. comércio”.
a ) Divida a turma em grupos e leve os alunos para a sala b) Nesses subitens, os alunos poderão acessar histórias
de informática. Cada grupo deverá acessar o site do Mu- de vida e escolher quais querem explorar. Tente equili-
seu da Pessoa e buscar o item disponível na parte supe- brar os temas entre as equipes com base nos dois subi-

14

zg20_ftd_mp_8vsh_c1_p014_fac_simile.indd 14 7/10/19 7:33 PM


Tempo e História
Orientações gerais

Capítulo 1
• Problematize as dife-
Podemos perceber e medir o tempo de várias maneiras. O tempo da Cultura: conjunto renças entre o tempo his-
natureza, por exemplo, segue sempre em frente e não depende da vontade de conhecimentos, tórico e o tempo cronoló-
costumes, crenças, gico. Pergunte aos alunos
humana. Esse tempo pode ser percebido, principalmente, pelo envelheci- tradições, línguas etc.
mento das pessoas. que constituem e se o tempo visto de forma
caracterizam uma linear nos permite perce-
O tempo cronológico, por sua vez, obedece às regras humanas e, por determinada sociedade ber mais profundamente
e que é transmitido de
isso, é um produto cultural que pode variar de uma época para outra ou geração em geração.
as mudanças e perma-
em sociedades diferentes. O tempo cronológico é medido por meio de uni- Por ser um produto nências históricas. É im-
dades de medida criadas pelo ser humano, como segundos, minutos, horas, humano e histórico, portante eles perceberem
a cultura também se
dias, meses, anos etc. Para medir a passagem do tempo cronológico, usamos, que ao longo da história
transforma no decorrer
do tempo. as pessoas viveram e se
por exemplo, relógios e calendários.
comportaram de manei-
ras diferentes, pois tinham
O tempo histórico outras formas de se rela-
cionarem com seu tempo.
Para analisar as transformações sociais, no entanto, utilizamos o tempo histórico,
pois essas transformações não ocorrem sempre no mesmo ritmo: há mudanças que
• Indique para os alunos
a leitura do seguinte livro.
ocorrem depressa e outras que demoram mais tempo para acontecer. O tempo histórico
> BAUSSIER, Sylvie. Pe-
permite que o historiador analise essas transformações e também as permanências, isto
quena história do tempo.
é, aquilo que se transforma muito lentamente e, por isso, parece não mudar. São Paulo: Edições SM,
Para facilitar o entendimento das transformações e permanências sociais, o histo- 2005.
riador francês Fernand Braudel (1902-1985) propôs três diferentes durações do tempo
histórico: a longa duração, a média duração e a curta duração. Veja.
• Longa duração: as mudanças ocorrem de forma lenta e demoram séculos para
acontecer.
• Média duração: as mudanças ocorrem em 10, 20 ou 50 anos e, geralmente,
podem ser percebidas ao longo da vida de uma pessoa.
• Curta duração: são eventos breves que ocorrem em um curto espaço de tempo,
como meses ou dias.
Biblioteca Nacional da França, Paris

A escravidão de
africanos no Brasil,
que durou cerca
de 350 anos, é
um exemplo de
acontecimento de
longa duração. A
assinatura da Lei
Áurea, ocorrida
no dia 13 de maio
de 1888, é um
exemplo de
acontecimento
de curta duração.
Ao lado, vemos
uma representação
de escravizados
trabalhando.
Litografia de
Debret, século XIX.

15

:01 PM 11/5/18 4:01 PM

tens. Peça que criem uma ficha de identificação das his- tros, pois dessa maneira será possível conhecer no futuro
tórias de vida contendo: nome completo, ano de nasci- como viviam as pessoas do nosso tempo. A atividade
mento, local de nascimento, data e local em que o depoi- colabora para o desenvolvimento das competências es-
mento foi cedido e, por último, o assunto tratado. pecíficas de História 4 e 6.
O objetivo é fazer que os alunos compreendam a im-
portância de preservar as memórias por meio de regis-

15

11/6/18 4:46 PM
As fontes históricas
Orientações gerais

• Comente com os alu-


nos que, ao analisar uma Fonte histórica é tudo aquilo que pode nos fornecer informações sobre o pas-
fonte, o historiador já tem sado e serve à construção do conhecimento histórico. São exemplos de fontes
seu próprio ponto de vista históricas: jornais, livros, cartas, diários, letras de música, histórias em quadri-
sobre a História, com base nhos, pinturas, fotografias, filmes, mapas, moedas, joias, esculturas e muitas ou-
em sua formação teórico-
tras. Além disso, são considerados fontes históricas os relatos orais, como as
-metodológica, suas vi-
vências e seu entendi- histórias contadas por nossos avós.
mento de mundo. É por
essa razão que a análise de A História Tradicional e as fontes históricas
uma mesma fonte históri-
ca feita por historiadores Essa variedade de fontes históricas, no entanto, nem sempre foi considerada vá-
diferentes pode resultar lida pelos historiadores. Muitos historiadores europeus do final do século XIX consi-
em conclusões diversas. deravam fontes históricas, principalmente, os documentos escritos e oficiais, como
Caso julgue conveniente, leis, decretos, contratos e tratados. Os adeptos da História Tradicional, conhecidos
apresente-lhes o texto a como metódicos, defendiam que, por meio da análise dessas fontes, era possível
seguir, que trata dos cui-
reconstruir os acontecimentos do passado exatamente como eles ocorreram.
dados que os historiado-
res devem ter ao analisar Observe um exemplo de documento escrito e oficial.
fontes históricas.
[...] Cabe [ao historia- A lei no 3.353, A carta foi
dor] distinguir os contex- também conhecida timbrada com
tos, as funções, os estilos, como Lei Áurea, o brasão
Arquivo Nacional, Rio de Janeiro

os argumentos, os pontos aboliu a escravidão imperial, o que


de vista e as intenções do no Brasil. significa que esse
autor [da fonte]. Ou, co- documento foi
locando de outra forma, expedido pelo
governo.
compete ao estudioso da
História realizar a leitura
crítica [...] do documento.
[...] O documento não
pode ser entendido como A caligrafia e a
a realidade histórica em linguagem
si, mas trazendo porções fornecem pistas Por meio dessa
dessa realidade. Além dis- sobre a época e o fonte, sabemos
so, as fontes históricas são local onde o que a escravidão
foi abolida, no
sempre lidas e exploradas documento foi
Brasil, no dia
com os filtros do presente, produzido.
13 de maio
de acordo com os valores, de 1888.
as preocupações, os con-
flitos, os medos, os pro-
jetos e os gostos de cada
observador. Em seguida,
[o historiador] sugere as
perguntas fundamentais A assinatura da
O carimbo do
que devem dar início a to- princesa Isabel, que
arquivo público
do o trabalho e a todas as na época era
indica que esse
regente do Império
reflexões: Quando? Onde? documento já foi
do Brasil, tornou a
Quem? Para quem? Para catalogado e
lei válida em todo
quê? Por quê? Como? E, arquivado.
o território Atualmente, ele
ainda, propõe questiona- nacional. se encontra no
mentos sobre os silêncios,
Arquivo Nacional,
as ausências e os vazios na cidade do Rio
que sempre fazem parte de Janeiro (RJ).
do conjunto e que, por não
serem tão facilmente de-
tectáveis nas fontes, são, 16
por vezes, ignorados. [...]
SAMARA, Eni de Mesquita;
TUPY, Ismênia S. Silveira
Truzzy. História & Documento e
metodologia de pesquisa.
Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
• A contribuição da Escola dos Analles foi imprescindí- na primazia e verdade dos documentos escritos, pois mui-11/5/18 4:01 PM

p. 123-124. (História &... reflexões). vel para a crítica sobre a pretensa objetividade imparcial tas sociedades que não possuíam um sistema de escrita
da História baseada nos documentos escritos oficiais. Foi foram marginalizadas pelos historiadores, como é o caso
possível deixar de ver o documento como verdade irrefu- da África, que por muito tempo foi considerado um conti-
tável, passando ao entendimento de que o fato histórico é nente sem história. Portanto, a ampliação dos objetos e das
uma construção do historiador baseado em uma conjun- abordagens históricas permitiu revisitar diversas culturas
ção entre o presente e o passado. Discuta com os alunos os que registraram sua história de outras formas, como em
prejuízos dessa visão tradicional da História fundamentada cerâmicas, tradições orais, imagens, entre outras fontes.

16

11/6/18 4:46 PM
Resposta
A renovação das fontes históricas

Capítulo 1
• Resposta pessoal. Es-
A partir do início da década de 1930, um grupo de historiadores franceses inovou pera-se que os alunos
nos estudos históricos, passando a considerar toda produção humana como fonte percebam que se trata de
histórica capaz de fornecer informações sobre o passado. diversos tipos de fontes
históricas produzidas em
Com essa renovação, além dos documentos escritos e oficiais, passaram a ser diferentes períodos, ca-
considerados fontes válidas para o estudo da história objetos pessoais, pinturas, car- pazes de revelar alguns
tas, histórias em quadrinhos, esculturas, filmes, músicas, relatos, entre outras. aspectos sobre as socie-
dades que as produziram.
Veja exemplos de diferentes fontes históricas.
A história em quadrinhos
demonstra um meio de
BNDigital/Fundação Bibioteca Nacional, Rio de Janeiro

Museu de História Natural, Nova York, EUA/Fabio Colombini


transporte bem comum
para a época, a charrete, e
faz uma intercessão entre
o campo e a cidade tanto
na paisagem do desenho
como nas diferenças de
vestimentas entre os per-
sonagens. A fotografia do
vaso de cerâmica repre-
senta semelhanças com
formas humanas possí-
veis de perceber no rosto
da peça e, como aspecto
decorativo, é possível
perceber formas geomé-
Acima, fotografia de vaso de cerâmica tricas. É conhecido como
marajoara, feita por volta do ano 400. arte marajoara o conjunto
de artefatos de cerâmica
produzido pela socieda-
de indígena que habitou
Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro/Romulo Fialdini/Tempo Composto

a Ilha de Marajó, no es-


tado do Pará, desde 400.
Tais artefatos arqueoló-
gicos estão entre os mais
antigos encontrados na
América. Na partitura de
Chiquinha Gonzaga, é
possível perceber a dife-
rença de grafia, o aspecto
antigo da folha e as notas
musicais presentes. Chi-
quinha Gonzaga (1847-
Acima, história em quadrinhos publicada na revista infantil 1935) foi uma mulher à
O Tico-Tico, em 1920. frente do seu tempo. Ao
longo de sua carreira de
maestrina, musicou de-
Explorando a imagem zenas de peças de tea-
• Em sua opinião, o que é possível descobrir tro de gêneros variados.
analisando as fontes históricas desta página? Acima, partitura de uma música da
Abolicionista fervorosa,
Veja a resposta da questão nas orientações ao professor. compositora Chiquinha Gonzaga, 1912. passou a vender parti-
turas de porta em porta
a fim de angariar fun-
17 dos para a Confederação
Libertadora.

:01 PM • Para aprofundar a questão historiográfica em relação 11/5/18 4:01 PM

aos documentos históricos, consulte o livro a seguir.


> LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre (Org.). História. No-
vos problemas, novas abordagens, novos objetos. Rio de
Janeiro: Francisco Alves, 1976. 3 v.

17

11/6/18 4:46 PM
BNCC
A análise das propa-
Investigando
gandas como fontes his- na prática A publicidade como
fonte histórica
tóricas contribui para
o desenvolvimento da
competência específica
de Ciências Humanas 7. Os anúncios publicitários representam importantes fontes históricas para se com-
A propaganda sobre a preender aspectos da sociedade e de seu modo de vida em determinado momento
máquina de escrever per-
histórico. No início do século XX, por exemplo, houve uma grande divulgação dos
mite evidenciar diversos
elementos do período em novos produtos e serviços que foram possibilitados, principalmente, pelo desenvol-
que foi elaborada, como o vimento de tecnologias inovadoras para a época.
papel feminino no mundo Observe abaixo uma imagem publicitária, de 1929, que faz referência a uma má-
do trabalho, o local de pro- quina de escrever.
dução, o conteúdo, a dife-
rença da língua portugue-
Segundo o anúncio, a máquina de
sa, entre outros aspectos. escrever proporciona que a digitação
Discuta com os alunos as seja rápida, segura e duradoura.
diferentes temporalidades
nas quais as tecnologias
estão inseridas, fazendo
uma mediação entre pre-
sente e passado, de forma No início do
século XX, a O anúncio busca
que eles entendam que as mostrar que o
profissão de
tecnologias são datadas e datilógrafa era produto já era
se desenvolvem de acor- frequentemente consolidado no
do com as possibilidades associada a mercado e
do seu tempo. Aborde, uma atividade afirma que a
feminina. A máquina de
no mesmo sentido, as
imagem, por escrever já
profissões que deixaram foi avaliada
exemplo,
de existir, como os dati-

Revista O Cruzeiro. Ano I. n. 31. 1929. Fundação


Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro
apresenta como “universalmente”.
lógrafos. figura central,
além do produto
anunciado, uma
mulher.

O anúncio destaca
mais de uma vez a
A máquina de
rapidez e agilidade
escrever recebe
da máquina.
a caracterização
No período de
de“perfeita”
modernização
e“suprema”.
em que o país
se encontrava,
no início do
século XX, essas
características
eram bastante
valorizadas.

Observe que a empresa apresenta endereços nas


cidades do Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP),
dois grandes centros urbanos da época.

18

Orientações gerais 11/5/18 4:01 PM

• As fontes históricas analisadas nesta se- padrões de abordagem ao consumidor, entre sobre a análise de publicidade no campo da
ção são anúncios publicitários. Por meio outras informações. Contudo, é necessário pesquisa histórica.
deles, é possível caracterizar alguns aspec- um cuidado metodológico no trato desse [...] Devemos observar que, no nosso entender,
tos sobre a sociedade da época, saber quais tipo de fonte histórica para que seja possível [a publicidade] não funciona como mero espe-
produtos e serviços estavam presentes no identificar qual o seu público-alvo, qual é a lho da sociedade, refletindo mecanicamente a
mercado, como era a relação entre consu- empresa por trás do anúncio, qual sua inten- “realidade” social, pois não é uma força estan-
midor e empresas, como se estabeleciam os ção etc. Leia o texto a seguir, que comenta que, absolutamente condicionada por fatores

18

11/6/18 4:46 PM
Respostas

Capítulo 1
a ) Resposta pessoal. Co-
mente com os alunos
Observe o anúncio abaixo e responda às questões a seguir. que o telégrafo é um
equipamento de trans-
missão de mensagens e

Revista O Cruzeiro. Ano III. n. 35. 1931. Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro
recados, inventado por
Samuel Finley Breese
Morse, em 1835. A comu-
nicação ocorre por meio
de códigos cifrados (o
chamado Código Morse)
que podem ser transmi-
tidos por pulsos elétricos
por meio de cabos, ondas
mecânicas, sinais visuais
e ondas eletromagnéti-
cas a longas distâncias.
No Brasil, a primeira li-
nha de telégrafo foi inau-
gurada em 1857. Ele foi o
principal meio de comu-
nicação no século XIX e
início do século XX.
b) As cores que predo-
minam no anúncio são o
verde e o amarelo, como
na bandeira do Brasil.
c ) Rapidez e segurança.
d) As fontes históricas
apresentadas nos permi-
tem perceber alguns dos
Anúncio de produtos que estavam
1931 que
sendo divulgados para a
divulga o
serviço de
população no início do
telégrafo século XX. A essas tec-
nacional. nologias associava-se a
maior agilidade e segu-
rança, proporcionando a
Agora é a sua vez! otimização de tempo ao
Veja as respostas das questões nas orientações ao professor. consumidor. É possível
a ) Você sabe o que é um telégrafo? Se necessário, pesquise.
que os alunos cheguem a
b) Identifique na imagem acima elementos relacionados à nacionalidade brasileira. essa conclusão por meio
de análise dos elementos
c ) Cite duas características que foram atribuídas à máquina de escrever e que
dessas fontes, como o tí-
também estão presentes no anúncio do serviço de telégrafo.
tulo, as atribuições vin-
d) Que informações essas fontes históricas podem fornecer em relação ao contex- culadas aos produtos,
to histórico vivido pela população brasileira no início do século XX? Como você bem como o uso das
chegou a essa conclusão? ilustrações.
e ) Resposta pessoal. Es-
e ) Em seu cotidiano, que produtos e/ou serviços você utiliza para digitar e trans-
pera-se que os alunos ci-
mitir mensagens? Cite alguns avanços tecnológicos da atualidade que contri- tem algumas tecnologias
buíram para agilizar essas atividades. como computadores e
celulares, além do acesso
19
à internet proporcionado
por esses produtos.

:01 PM 11/5/18 4:01 PM

externos a ela. Ao contrário, a publicidade apresenta uma de si mesma, e as que o sistema esforça-se por valorizar e
dinâmica, [ela] se produz como prática social e, por conse- reforçar nela.
guinte, também age sobre a sociedade, influenciando-a. [...] [...]
Dessa forma, ao analisar os anúncios veiculados pela FIGUEIREDO, Anna Cristina Camargo Moraes. “Liberdade é uma calça velha,
mídia, temos a oportunidade de apreender o imaginário azul e desbotada”: publicidade, cultura de consumo e comportamento político
no Brasil (1954-1964). São Paulo: Hucitec, 1998. p. 21.
em movimento, como algo que se transforma a partir deste
jogo entre as ideias e representações que a sociedade faz

19

11/6/18 4:46 PM
O conhecimento histórico
Orientações gerais

• Comente com os alu-


nos que as diversas in- Ao analisar uma fonte histórica, o historiador extrai dela diversas informações que
terpretações que podem o auxiliam a compreender acontecimentos passados. Assim, a análise da fonte gera
existir sobre um mesmo um determinado conhecimento histórico sobre o passado.
acontecimento ou pro-
cesso histórico contri-
No entanto, esse conhecimento não se dá de forma automática. Quando o histo-
buem para a construção riador se depara com uma fonte histórica, é ele quem analisa, questiona e interpreta
do conhecimento históri- essa fonte, produzindo uma versão da história de acordo com suas concepções e
co como um todo. Muitas métodos. Assim, sua conclusão sobre o acontecimento analisado não é uma verdade
dessas interpretações absoluta e, por isso, pode ser questionada por outros historiadores.
podem ser comparadas
e até mesmo entendidas
de forma conjunta em História em O conhecimento
uma explicação histórica. construção se transforma
Leia o texto a seguir, que
aborda esse assunto. O historiador, como qualquer pessoa, é um sujeito histórico que vive em
[...]
uma determinada época, lugar e sociedade. Ele tem uma série de preocu-
Diz-se vagamente que
cada geração deve escre-
pações e motivações, além de sua visão de mundo, que interferem em sua
ver a história de novo, pois análise e interpretação das fontes históricas. Por isso, podemos dizer que,
ela a vê diferentemente de dependendo das escolhas, dos métodos, das abordagens e do momento
suas predecessoras. Parece histórico vivido por cada historiador, são produzidos conhecimentos histó-
ser mais pertinente dizer, ricos diferentes sobre um mesmo tema.
contudo, que nossa visão
da realidade (passada) é Leia o texto a seguir, que apresenta diferentes opiniões
produto do que queremos sobre quando o Brasil se tornou de fato independente.
e podemos ver, do que
métodos e disposições in- [...] Para a maioria dos historiadores, conquista-
telectuais nos permitem mos a independência política no dia 7 de setembro
ver e, afinal, do que os his-
toriadores fazem com tudo
de 1822, quando o príncipe D. Pedro (1798-1834)
isso e conseguem estipular teria proclamado “independência ou morte!”, às
como “verdade”. margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo. Al-

Museu Paulista da USP, São Paulo


[...] guns estudiosos, no entanto, acreditam que a
Se os historiadores es- independência teve lugar em 28 de janeiro de
tão de acordo quanto aos 1808, quando o príncipe regente D. João (1767-
fatos – dados, eventos, 1826), pai de D. Pedro e mais tarde rei de Portugal,
‘o que aconteceu’ – mas abriu os portos brasileiros “às nações amigas”,
discordam quanto ao en-
emancipando comercialmente a Colônia. Finalmen-
quadramento gerado pela
interpretação ou pela ex- te, há quem defenda que a independência só ocorreu Representação de
plicação, deve-se simples- em 1825, quando a Coroa portuguesa reconheceu o D. Pedro proclamando a
mente aceitar que suas Brasil como nação soberana. independência. Detalhe da
narrativas não passam pintura Independência
[...] ou morte, de Pedro
de um jogo de “perspecti-
vas”, em tese igualmente BOSCHI, Caio César. Por que estudar História? São Paulo: Ática, 2007. p. 40. Américo, 1888.
válidas (ou igualmente
ficcionais)? Ou será que Os fatos históricos admitem interpretações diferentes. O conhecimento his-
podemos elaborar alguns tórico, porém, não pode ser produzido de forma arbitrária. Ao analisar as evi-
recursos para examinar dências históricas e as fontes, o historiador deve assumir uma postura crítica,
não apenas a pertinência
para que o conhecimento histórico seja produzido de maneira responsável.
de peças isoladas da mon-
tagem historiográfica, mas • De acordo com o texto, quais as possíveis interpretações sobre a indepen-
igualmente da narrativa dência do Brasil? Por que há mais de uma opinião sobre essa data?
mesma, em seu conjunto? Veja as respostas das questões nas orientações ao professor.
Esses recursos são possí-
veis e devem ser buscados, 20
elaborados e convenciona-
dos. [...]
MARTINS, Estevão C. Rezende.
Historiografia: o sentido da escrita
e a escrita do sentido. História & Resposta 11/5/18 4:01 PM
Perspectivas, Uberlândia,
n. 40. jan./jun. 2009. p. 56; 75.
Disponível em: <www.seer.ufu.br/
• De acordo com o texto, alguns estudiosos compreen- amigas, em 1808. A existência de mais de uma opinião
index.php/historiaperspectivas/ dem a independência como um ato político, se for levada sobre essa data é decorrente das diversas formas de in-
article/view/19208/10345>. em consideração a proclamação de D. Pedro I em 7 de se- terpretar a independência, seja no âmbito político, seja no
Acesso em: 12 out. 2018.
tembro. No entanto, outros historiadores consideram que econômico, respectivamente.
a independência se deu na abertura dos portos às nações

20

11/6/18 4:46 PM
Orientações gerais
A análise de obras de arte

Capítulo 1
•A primeira imagem
As obras de arte são fontes históricas que podem fornecer muitas informações, apresentada nesta pági-
mas são necessários alguns cuidados ao utilizar esse tipo de fonte. na, intitulada Proclama-
Muitos artistas, por exemplo, representaram em pinturas o momento em que o ção da Independência, foi
Brasil se tornou independente de Portugal. Entre eles estão o francês François- pintada pelo artista, pro-
-René Moreaux, que, em 1844, pintou a obra Proclamação da Independência, e fessor e fotógrafo francês
François-René Moreaux,
também o brasileiro Pedro Américo, que pintou a tela Independência ou morte,
que, por alguns anos,
concluída em 1888.
morou no Rio de Janeiro.
Observe-as atentamente, pois elas são fontes históricas que podem levar a dife- Essa pintura foi feita em
rentes interpretações do mesmo fato. 1844, ou seja, 22 anos
depois do acontecimento
que representa. Ela está
Museu Imperial, Petrópolis

exposta, atualmente, no
Civil: aquele que não é militar Museu Imperial de Pe-
nem faz parte do clero.
trópolis, Rio de Janeiro.
D. Pedro (1), fardado, está
no centro da imagem.
Proclamação da
Montado em um cava-
Independência, óleo sobre lo, tem na mão esquerda
tela de François-René Moreaux, um documento, que pro-
1844. Nela, vemos a figura de vavelmente representa a
D. Pedro, ao centro, sendo carta vinda das Cortes de
saudado pelo povo. Embora
Lisboa, que exigiam seu
também apareçam militares, na
tela predomina a população retorno a Portugal. A cena
civil. Assim, nessa obra, a pintada por François-Re-
proclamação é apresentada né Moreaux se assemelha
como uma festa cívica nacional a uma festa popular, em
liderada por D. Pedro. que homens, mulheres
e crianças (2) festejam a
proclamação da Indepen-
Museu Paulista da USP, São Paulo

dência do Brasil.
•A segunda imagem,
Independência ou mor-
te, foi pintada pelo artista
brasileiro Pedro Américo,
formado em Belas Artes,
no Rio de Janeiro. Depois
de graduado, ele recebeu
do imperador D. Pedro I
uma bolsa para estudar
na Escola de Belas Artes
de Paris, na França, onde
aperfeiçoou seu estilo. A
obra Independência ou
morte foi encomendada
pelo imperador em 1886,
Independência ou morte, óleo sobre tela de Pedro Américo, 1888. Diferentemente da obra de
mais de 40 anos após o
Moreaux, a população brasileira nessa tela é representada apenas por um tropeiro que assiste evento a que faz referên-
passivamente à proclamação às margens do riacho do Ipiranga. Assim, nessa representação cia, e pintada em 1888, na
praticamente não existe participação popular e os militares são preponderantes na cena: com seus cidade de Florença, Itália.
trajes de gala, eles estão saudando D. Pedro e garantindo a independência do Brasil. A tela está exposta, atual-
mente, no Museu Paulista
21
da USP, em São Paulo, e
mede 4,15 m de altura por
7,6 m de largura. D. Pedro
(4) está rodeado por sol-
:01 PM que faz do evento. Para ilustrar a ocasião, representa D.
11/5/18 4:01 PM
dados com vestimenta de
Pedro empunhando uma espada. Em primeiro plano, for- gala e acenando a vitória
mando um semicírculo, estão os cavaleiros do Império (5). com seus chapéus, próxi-
Do lado oposto aos cavaleiros do Império, é possível iden- mo ao riacho do Ipiranga.
tificar um carro de boi guiado por um homem do campo A obra exalta a proclama-
(3). No quadro, esta é a única referência à participação ção da Independência por
popular no evento. meio da representação

21

11/6/18 4:46 PM
Conceitos importantes para a História
BNCC
O conteúdo destas
páginas contribui para
Existem conceitos que são fundamentais para os estudos históricos.
o desenvolvimento da
competência geral 6, pois
representa a diversidade A política
de saberes e experiências
dos sujeitos históricos O termo política faz referência ao exercício de alguma forma de poder e às di-
inseridos no mundo do versas consequências possíveis desse exercício. Está relacionado ao processo pelo
trabalho. Problematize qual interesses são transformados em decisões efetivas. Assim, quando alguém
as relações de trabalho tenta convencer outras pessoas a realizarem algo que é de seu interesse, está fa-
perguntando aos alunos zendo política.
quais são as profissões
das pessoas responsáveis
Joseph Gruber/Shutterstock.com
Dessa maneira, a política inclui a ação de
por eles, como tais pro- organizar e de administrar uma sociedade. Pa-
fissões contribuem para ra um bom funcionamento da atividade políti-
a sociedade, qual o nível ca, os indivíduos de uma sociedade costumam
de dificuldade e cuidados estabelecer um governo regido por leis.
específicos que podem
apresentar etc. É impor- Na atualidade, a maioria dos países possui
tante valorizar a partici- uma Constituição, que é um código de leis
pação da classe traba- escritas que define os principais direitos e de-
lhadora, pois ela é funda- veres dos cidadãos.
mental para movimentar
a economia. Ainda que Estudantes protestam contra o uso indiscriminado de
armas de fogo em Washington, D.C., Estados Unidos, 2018.
o capitalista controle os
meios de produção, sem
os trabalhadores o capi-
talismo não teria meios A economia
para se desenvolver nem Economia é a maneira como a sociedade se organiza para produzir, armazenar,
se sustentar. As imagens distribuir e comercializar os bens que atendem às necessidades humanas. A eco-
da página 23 propiciam
nomia envolve o gerenciamento de vários fatores que influenciam a produção dos
discussões sobre o mun-
do do trabalho, tanto nos bens, como a utilização dos recursos naturais, as formas de trabalho, as tecnologias
aspectos rurais como ur- disponíveis, o capital investido e acumulado, a distribuição da riqueza, os preços
banos, utilize-as como das mercadorias etc.
ponto de partida para dis-
cussões sobre as técnicas
Filme de Charlie Chaplin. Tempos modernos. 1936. EUA.
Foto: United Artists/Album/Fotoarena

empregadas e a mão de
obra em diversas áreas.

No filme Tempos
Modernos, de 1936, o
ator e diretor Charlie
Chaplin (1889-1977) faz
uma crítica à mecanização
do trabalho nas fábricas.
O filme também denuncia
a exploração dos
operários nos Estados
Unidos, nas primeiras
décadas do século XX.

22

11/5/18 4:02 PM

22

11/6/18 4:46 PM
Respostas
O trabalho

Capítulo 1
a ) Nas imagens, pode-
Trabalho é a ação produtiva dos indivíduos, que, para atender às suas necessida- mos perceber trabalhos
des, transformam a natureza. Todos os bens de que dispomos são frutos do trabalho, diversos em diferentes
desde um alimento até um automóvel ou uma obra de arte. lugares do Brasil, como
as rendeiras na produção
As formas de trabalho variam de uma sociedade para outra e são influenciadas de tecidos de forma arte-
pelas técnicas que cada sociedade possui e por aquilo que seus membros consideram sanal, a prática da pesca,
importante produzir. O trabalho, de qualquer forma, é fundamental para o desenvol- o trabalhador fazendo
vimento humano. rocambole, o que indica
que ele atua no ramo da
Observe as fotografias abaixo.
panificação, e o agricul-
tor produzindo no solo.
b) Os trabalhos referen-
Delfim Martins/Pulsar Imagens

Chico Ferreira/Pulsar Imagens


tes às imagens contri-
buem de diversas formas
para a economia, tanto
na movimentação de
mercado quanto no reco-
lhimento de impostos.
As rendeiras movimen-
tam as feiras de artesa-
natos, a pesca contribui
para o desenvolvimento
da economia local e de
subsistência, o trabalho
com a panificação con-
Rendeira trabalhando na produção de tecido. Casal de pescadores em barco arrumando rede de
tribui com o ramo ali-
Município de Aquiraz (CE), 2018. pesca. Município de Arraial do Cabo (RJ), 2018. mentício, assim como a
prática de agricultura or-
gânica que movimenta
feiras e mercados.
Rubens Chaves/Pulsar Imagens

Cesar Diniz/Pulsar Imagens

Trabalhador na produção de rocambole, produto típico Agricultora trabalhando em horta orgânica.


da cidade. Município de Lagoa Dourada (MG), 2014. Município de Campo Grande (MS), 2018.

Explorando a imagem
a ) As pessoas retratadas estão fazendo quais trabalhos?
b ) Cite de que maneiras o trabalho dessas pessoas pode movimentar a economia.
Veja as respostas das questões nas orientações ao professor.
23

:02 PM 11/5/18 4:02 PM

23

11/6/18 4:46 PM
Orientações gerais
O capitalismo
• Analise a imagem com
os alunos de modo que Capital: todo As sociedades humanas possuem sistemas organizados para administrar
eles percebam o contras-
bem, criado pelo suas economias, denominados sistemas econômicos. O capitalismo, por
trabalho, que
te entre as classes sociais pode ser exemplo, é um sistema econômico adotado pela maioria dos países atuais.
observando os prédios, aplicado na Ele se desenvolveu na Europa, ao final da Idade Média, e foi consolidado em
produção de
que indicam melhores
outros bens,
meados do século XIX, sob a influência dos princípios do liberalismo.
condições de vida, e as gerando lucros O sistema capitalista tem como pressupostos básicos o direito à proprie-
favelas logo à frente, que e outras formas
de riqueza. dade privada e ao acúmulo de capital. O direito à propriedade privada se
indicam o modo precá-
rio de vida. Trata-se de Lucro: ganho refere a qualquer tipo de posse, desde que o indivíduo tenha provas de que
obtido em uma o objeto realmente lhe pertence.
uma situação comum nos transação
centros urbanos. As pe- econômica. O capitalista, por sua vez, é aquele indivíduo que possui uma propriedade
riferias, sejam em áreas privada que, além de ser legalmente sua, lhe rende lucros e lhe permite acu-
isoladas ou próximas aos mular capital. É o caso dos industriais, que possuem os meios de produção
centros, e os bairros con- Capitalismo: para fabricar mercadorias e, baseados na exploração do trabalho assalariado,
siderados nobres existem uma história
de amor obtêm lucros. São exemplos de meios de produção: as fontes de energia, co-
em todas as cidades, pois
Direção de Michael mo as usinas hidrelétricas; os recursos naturais extraídos das minas, como o
a desigualdade social
infelizmente é uma rea-
Moore, 2009. carvão; os prédios das fábricas; as ferramentas e as máquinas, como tratores
(120 min).
lidade que afeta todo o e computadores. No sistema capitalista, as atividades econômicas mais im-
O documentário
Brasil. Segundo dados do apresenta uma portantes são o comércio e a indústria.
visão crítica sobre
IBGE (2017), uma minoria Os capitalistas pagam um salário às pessoas que, por não possuírem
as causas da crise
rica formada por 10% dos do capitalismo nos meios de produção, vendem sua força de trabalho. Nessa relação de trabalho,
brasileiros detinha 43,3% Estados Unidos e a
os capitalistas lucram com a venda das mercadorias produzidas e acumulam
da renda total do país. Na maneira como essa
crise afetou a vida para si os lucros obtidos. Para aumentar os lucros, os capitalistas procuram
outra ponta, os 10% mais de sua população. ampliar sempre mais a produção e a venda dos bens de consumo.
pobres detinham apenas
0,7% da renda total. Por-
tanto, discuta a questão Vista do bairro de Paraisópolis na cidade
da distribuição de renda de São Paulo (SP), 2018. No sistema
com os alunos. No país, capitalista, geralmente, ocorre uma má
o rendimento médio real distribuição das riquezas, ocasionando
domiciliar per capita foi grandes desigualdades sociais.

de R$ 1.242,00. As re-
giões Norte e Nordeste
apresentaram os meno-

Yannick Martinez/
res valores, R$ 742,00, e

Shutterstock.com
as regiões Sul e Sudeste
concentraram a maior
renda, R$ 1.537,00. Com
os dados do IBGE é pos-
sível quantificar o nível
da desigualdade no país.
Essa reflexão contempla
a competência específica
de Ciências Humanas 7.

24

Sugestão de atividade Música 11/5/18 4:02 PM

Para ampliar a discussão é possível também trabalhar A canção pode ser encontrada na internet com a seguin-
com a canção de Gilberto Gil “A novidade” (1994). A letra te referência.
aborda os contrastes sociais e as desigualdades da so- • Gilberto Gil. A novidade. Acústico MTV, 1994. Faixa 1.
ciedade brasileira. Oriente os alunos a ouvir a canção e a
identificar elementos que podem ser comparados com a
imagem desta página.

24

11/6/18 4:46 PM
Respostas
O liberalismo

Capítulo 1
a ) A charge mostra duas
O sistema capitalista recebeu grande influência e fundamentação teórica do libe- cenas com o mesmo per-
ralismo. O ponto principal do liberalismo é a defesa da liberdade individual, isto é, a sonagem dizendo a mes-
ideia de que cada ser humano é um indivíduo que possui, por natureza, o direito de ma frase, no entanto, no
ser livre. Tendo como base a garantia da liberdade, o liberalismo estabelece outros primeiro momento, a in-
tervenção do Estado na
dois pontos. Veja a seguir.
economia é vista como
O livre consentimento na política, ou seja, o ideal de que a população só deve ser um problema, enquanto,
governada por pessoas que ela escolhe. Dessa forma, o governante escolhido por no segundo momento,
meio do voto seria o melhor representante de uma sociedade. ela é vista como uma so-
lução. Essa mudança po-
A livre concorrência na economia, ou seja, o ideal de que o mercado deve ser de ser percebida por meio
baseado na liberdade de compra e venda. Assim, as trocas comerciais e a venda da da expressão facial do
força de trabalho, realizadas em um mercado livre, não precisariam da intervenção personagem (bravo na
do Estado, pois seriam naturalmente reguladas pela lei da oferta e da procura. primeira cena e conve-
niente na segunda), pelo
Os princípios liberais contribuíram para o estabelecimento do capitalismo como o
indicador do gráfico (que
sistema econômico predominante na Europa, no século XIX, e para sua difusão por está em ascensão na pri-
praticamente todas as regiões do mundo. meira cena e em queda na
Os liberais, de modo geral, defendem a redução do Estado, o qual consideram segunda) e também pelo
ineficiente e dispendioso, e criticam sua interferência na economia, afirmando que o uso do sinal gráfico (ex-
mercado tem condições de se regular por si próprio. Durante as crises econômicas, clamação), que, na pri-
meira cena, aparece após
porém, os liberais geralmente reivindicam que o Estado aplique recursos para aliviar
a palavra “Basta”.
os efeitos dessas crises.
b) Na segunda cena, co-
Observe a charge a seguir, que ironiza essa situação. mo o indicador econômi-
co está caindo (ao fundo

Iotti
na imagem), o persona-
gem apresenta como
possível solução a inter-
venção do Estado na
economia. Esse fato é
apresentado de forma
irônica pelo autor da
charge, pois teoricamen-
te o personagem seria
um liberal e seria contrá-
rio a tais medidas.

Iotti. Disponível em: <http://radicci.com.br>. Acesso em: 13 set. 2018.

Explorando a imagem
a ) Faça uma descrição da charge. O que mudou de uma cena para outra?
b ) O personagem representado na charge é um capitalista liberal. Por que
ele muda seu discurso na segunda cena?
Veja as respostas das questões nas orientações ao professor.
25

:02 PM 11/5/18 4:02 PM

25

11/6/18 4:46 PM
BNCC
Esta seção aborda o
Explorando
tema contemporâneo
Educação em direitos
o tema A historicidade
humanos e converge com dos conceitos
a competência específica
de Ciências Humanas 6, Ao utilizar um conceito, é muito importante levar em con-
visto que discute com os ta sua historicidade. Quando dizemos que um conceito tem
alunos o conceito de cida- historicidade, isso quer dizer que ele possui um significado
dania e sua historicidade. que depende da época e do lugar onde é utilizado.
A cidadania instaura-se
a partir dos processos de É necessário reconhecer a historicidade dos conceitos,
lutas que culminaram na pois, dessa forma, eles se tornam específicos e são apli-
Declaração Universal dos cados com coerência para se referir a uma determinada

Andronos Haris/Shutterstock.com
Museu da Ágora, Atenas, Grécia/
Direitos Humanos. Com época ou contexto histórico.
esse documento, o indiví-
duo deixa de ter somente
deveres como súdito e O conceito de cidadania
passa a ser um cidadão e sua historicidade
de direito. Entretanto, a
ideia de direitos humanos Analisar o conceito de cidadania é uma boa forma de verifi-
atual está intimamente car a historicidade dos conceitos. Atualmente, entendemos a cida-
relacionada aos perío- dania como um conjunto de direitos e deveres dos indivíduos de um Ostrakons,
dos pós-guerra, quando país que são garantidos por lei. Esses direitos estão divididos em três fragmentos
tivemos dimensão dos grupos: direitos civis (direito à liberdade, à propriedade e à igualdade de cerâmica
horrores ocorridos, como usados para
perante a lei), direitos políticos (direito à participação do cidadão no
votação em
o Holocausto, o Genocí- governo da sociedade, diretamente ou elegendo seus representan- Atenas, na
dio Armênio, o Genocídio tes), e direitos sociais (direito à educação, ao trabalho, à saúde, ao Grécia antiga.
Africano, entre outros.
lazer e à aposentadoria).
Desde que se estabele-
ceu a ideia de direitos Exercer a cidadania, tendo consciência de seus direitos e deveres, é essencial pa-
humanos, relacionou-se ra o convívio na sociedade contemporânea. De forma geral, nas atuais sociedades
à cidadania, pois todos os democráticas, o exercício pleno da cidadania se resume à igualdade civil e política.
tipos de luta foram trava-
A cidadania, entretanto, nem sempre foi compreendida dessa forma. Em Atenas,
dos para que se amplias-
na Grécia antiga, por exemplo, cerca de 2500 anos atrás, a cidadania era exercida
se o conceito e a prática
de cidadania e para que somente pelos homens atenienses com idade acima de 18 anos. Mulheres, estrangeiros
o mundo ocidental o es- e escravizados não eram considerados cidadãos, portanto não gozavam dos mesmos
tendesse para mulheres, direitos que os atenienses: não podiam votar, não tinham o direito de reivindicação,
crianças, minorias na- não participavam das decisões da comunidade.
cionais, étnicas, sexuais, Na época da Revolução Francesa, iniciada em 1789, os
etárias. Avalie os conhe-
revolucionários criaram um documento chamado Declara-
Mark Herreid/Shutterstock.com

cimentos prévios dos


ção dos Direitos do Homem e do Cidadão, que tinha como
alunos sobre o conceito
de cidadania. Pergunte finalidade estabelecer os direitos e os deveres dos cidadãos.
se eles pensam que ser Todos os homens, independentemente de sua origem étnica
cidadão no Brasil é igual ou de lugar de nascimento, foram considerados cidadãos.
a ser cidadão em outros As mulheres, no entanto, mesmo participando ativamente
lugares do mundo e se da revolução, não tiveram seus direitos políticos garantidos
todos os cidadãos brasi- pela declaração, ficando excluídas do direito ao voto.
leiros desfrutam de cida-
dania plena, entre outros
Símbolo da Revolução de 1789, a bandeira da França possui três cores: azul, que representa o
aspectos. Explique o que
Poder Legislativo; branca, que representa o Poder Executivo; e vermelha, que representa o povo.
é historicidade com base
no conceito de cidadania, 26
que não é estanque, mas
sim um conceito históri-
co, o que significa que seu
sentido varia no tempo e Sugestão de atividade Filme 11/5/18 4:02 PM
no espaço.
Para conhecer um pouco mais sobre as diferentes in- vila, os moradores decidem escrever sua história e, assim,
terpretações históricas, assista com os alunos, se julgar mostrar que o lugar onde habitam é um patrimônio histó-
conveniente, ao filme Narradores de Javé. rico que precisa ser preservado. Porém, a maioria da po-
Dirigido por Eliane Caffé, Narradores de Javé conta a pulação do povoado é analfabeta, o que dificulta a cons-
história de Javé, um povoado localizado no Sertão nor- trução dessa “história científica”, como diz um dos perso-
destino que está em vias de ser inundado pela represa de nagens do filme. Eles recorrem, então, a Antônio Biá, um
uma usina hidrelétrica. Para tentar evitar a inundação da antigo funcionário dos Correios que vivia na região e que

26

11/6/18 4:46 PM
Respostas

Capítulo 1
a ) Ao afirmarmos que os
conceitos apresentam his-
Ser cidadão no Brasil toricidade, estamos consi-
derando que eles foram
Na história do Brasil, vários fatores limitaram o de- criados em determinados
senvolvimento da cidadania. A herança colonial de es-

a do Brasil
contextos históricos. As-

oral.
cravidão, a grande propriedade rural e a falta de investi- sim, podemos afirmar que

Tribunal Superior Eleit


República Federativ
mentos na educação, entre outros fatores, dificultaram o os significados dos con-
desenvolvimento dos direitos básicos que compõem a ceitos dependem dos lo-
cidadania. Até mesmo o regime republicano, instaurado no cais e das épocas em que
Brasil em 1889, manteve a restrição do direito ao voto às são construídos.
mulheres e aos analfabetos. Título de eleitor. b) Resposta pessoal.
Per mita que os alunos
Ao longo do século XX, a população brasileira conquistou vários Como exercer exponham suas ideias
direitos, por exemplo, direito ao salário mínimo, jornada de trabalho sua cidadania
acerca do que eles en-
de oito horas diárias, férias anuais remuneradas e assistência mé- Ana Cristina Pessini (Ed.)
tendem por cidadania.
São Paulo: BE , 2003. (Entenda
dica, além da universalização da educação e direito de voto às mu- e aprenda). Espera-se que eles reco-
lheres. Apesar desses avanços, em alguns períodos a população O livro aborda diversas questões nheçam a importância de
brasileira perdeu direitos políticos, principalmente durante o Estado relacionadas ao exercício da todos exercerem sua ci-
cidadania em nosso cotidiano.
Novo (1937-1945) e a ditadura militar (1964-1985). dadania.
Com a Constituição de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, e a volta do
regime democrático, após vinte anos de ditadura militar, a cidadania no Brasil avan-
çou com a restituição dos direitos civis e políticos. Para que a cidadania continue a
avançar, é necessário combater as desigualdades sociais, melhorando a distribuição
de renda no país, além de aumentar os investimentos em educação.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos


Em meados do século XX, ocorreu uma grande ampliação nos debates em torno da
ideia de cidadania. Após o trauma de duas guerras mundiais, em que Estados se utiliza-
ram institucionalmente de práticas genocidas, foi criada a Organização das Nações Unidas
(ONU), um organismo internacional que atualmente engloba quase todas as nações do
mundo. Em 1948, a ONU ratificou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo
objetivo era afirmar definitivamente o respeito inviolável à dignidade humana.
A Declaração Universal dos Direitos Hu-
manos consagrou internacionalmente os
Archive/Alamy/
World History

direitos básicos que compõem a cidadania


Fotoarena

(direitos civis, políticos e sociais). Desse


modo, todos os Estados-membros dessa
organização são legalmente responsáveis
pelo respeito à cidadania de seus povos,
sob pena de sofrer sanções da ONU.
Veja as respostas das questões nas
orientações ao professor.
a ) O que significa afirmar que os con-
ceitos apresentam historicidade?
b) Para você, o que é cidadania?

Eleanor Roosevelt, a primeira dama dos EUA, com o


texto da Declaração escrito em espanhol, 1949.

27

:02 PM 11/5/18 4:02 PM

poderia escrever a história da comunidade. Biá, fim de descobrir as origens do povoado. No en- des do trabalho do historiador, as dificuldades
o “historiador”, sai então em busca de docu- tanto, cada entrevistado conta a história à sua que enfrenta ao analisar suas fontes ou ao co-
mentos sobre a história do povoado. maneira, apresenta a própria versão dos fatos, letar informações, bem como as diferenças en-
Ao iniciar sua pesquisa, ele se depara com cabendo ao historiador analisá-las e decidir-se tre o fato acontecido e o fato escrito. Além dis-
as primeiras dificuldades: não existem muitos por aquela que acredita ser a mais coerente. so, aborda questões relativas à manutenção de
documentos escritos sobre Javé. Dessa forma, Narradores de Javé apresenta, de maneira patrimônios históricos e culturais em face do
ele tem que entrevistar os moradores do local a bastante pertinente e cômica, as especificida- avanço da sociedade industrial e tecnológica.

27

11/6/18 4:46 PM
BNCC Atividades
As atividades desta
página favorecem o de-
senvolvimento da com-
2. A diferença Exercícios de compreensão
petência específica de entre tempo
Ciências Humanas 6. cronológico e 1. Por que é importante estudar História? Justifique sua resposta.
tempo histórico Resposta pessoal. Porque temos condições de entender melhor a realidade em que vivemos.
Ao avaliar as respostas
é que o primeiro 2. Explique o que é tempo cronológico e tempo histórico. Qual é a diferença entre
dos alunos referentes à é uma medida
atividade 1, verifique se convencional esses conceitos?
eles foram capazes de que serve
simplesmente 3. “Não existem verdades absolutas na História.” Explique essa frase.
elaborar um pensamento para contar o
mais complexo sobre a tempo, 4. Explique o que é o livre consentimento e a livre concorrência.
enquanto o
História, relacionando-a segundo se
com a sua vida, se com- refere Expandindo o conteúdo
preenderam que uma das especificamente
funções do conhecimento
à análise das 5. Leia o texto a seguir, que trata sobre o conceito de fonte histórica. Depois, res-
sociedades
histórico é criar um senso humanas. ponda às questões.
de identidade e que todos 3. A análise de
somos sujeitos históri- fonte histórica Fonte histórica, documento, registro, vestígio são todos termos correlatos
gera um para definir tudo aquilo produzido pela humanidade no tempo e no espaço;
cos. Peça aos alunos que determinado
comentem suas respos- conhecimento a herança material e imaterial deixada pelos antepassados que serve de ba-
histórico sobre o se para a construção do conhecimento histórico. O termo mais clássico para
tas a fim de perceber as passado, que se
diferentes posições que constitui como conceituar a fonte histórica é documento. [...] Vestígio é a palavra atualmente
cada um desenvolveu uma versão da
história de
preferida pelos historiadores que defendem que a fonte histórica é mais do que
sobre a função do conhe- acordo com as o documento oficial: que os mitos, a fala, o cinema, a literatura, tudo isso,
cimento histórico. Com concepções e
métodos do como produtos humanos, torna-se fonte para o conhecimento da história.
elas, é possível fazer uma
historiador que
avaliação por meio de um fez a análise.
[...] na segunda metade do
século XX, o conceito de docu-
McCarthy’s PhotoWorks/Shutterstock.com

debate com um viés mais Dessa forma, sua


subjetivo, no qual se deve conclusão sobre
o acontecimento mento foi modificado qualita-
considerar: a visão dos não é uma tivamente abarcando a imagem,
alunos sobre a História; verdade
absoluta e, por a literatura e a cultura material.
se eles mantêm uma vi- isso, pode ser [...] Múltiplas pesquisas, que
são tradicional, como a questionada por
que limita a história à outros utilizavam como fontes receitas
historiadores. culinárias, relicários e ex-votos,
“ciência que estuda o
4. O livre cordéis e vestimentas, todo tipo
passado”, ou se foram consentimento
capazes de entender a consiste no ideal de registro de imagens, além
multiplicidade do tem- de que a
população só
da literatura em suas várias
po histórico relacionan- deve ser formas, começaram a ter gran-
do presente, passado e governada por
de desenvolvimento. Entretan-
futuro. pessoas que ela
escolhe, por to, o documento escrito não
meio do voto.
A livre perdeu seu valor, mas passou
concorrência é o a ser reinterpretado a partir de
ideal de que o
mercado deve técnicas interdisciplinares [...].
ser baseado na SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel
liberdade de Henrique. Dicionário de conceitos históricos.
compra e venda 2. ed. São Paulo: Contexto, 2009. p. 158-159.
e a economia
não precisaria
da intervenção
do Estado. Partitura musical produzida
durante a Idade Média.

28

11/5/18 4:02 PM

28

11/6/18 4:46 PM
a ) De acordo com o texto, qual é a definição de fonte histórica? Integrando saberes
5. a) É todo

Capítulo 1
documento, Para abordar a charge
b ) Quais são os tipos de fonte histórica citados no texto? registro,
vestígio desta página de modo
c ) Com base nas informações do texto e do capítulo, explique por que as fontes produzido pela integrado ao componente
históricas são importantes para os estudos históricos. humanidade curricular Língua Portu-
no tempo e no
d ) Cite outros exemplos de fontes históricas além dos que foram apresentados espaço, que guesa, explique aos alu-
no texto. serve de base nos o que é uma charge,
para a
construção do
os elementos que a com-
6. A charge a seguir foi produzida pelo cartunista brasileiro Angeli em 2005, época conhecimento põem e como ela vem
em que houve uma grande polêmica relacionada à demarcação de terras indíge- histórico. sendo utilizada nos meios
nas no Brasil. Nessa polêmica, havia dois grupos principais defendendo posições b) Documentos de comunicação. Em se-
escritos, mitos,
opostas. Um grupo afirmava que os indígenas, que eram os primeiros habitantes fala, cinema, guida, os alunos poderão
do Brasil, tinham direitos sobre as terras onde viviam e que precisavam de gran- literatura, pesquisar uma charge
receitas atual para mostrar aos co-
des reservas para conseguir manter seu modo de vida tradicional. Outro grupo culinárias,
relicários, legas e explicar seu signi-
argumentava que as reservas indígenas atrasariam o desenvolvimento do país, ex-votos, ficado e a crítica proposta
pois elas prejudicariam os grandes fazendeiros, dificultando a expansão de seus cordéis e pelo autor.
latifúndios, além de ferir os interesses econômicos dos madeireiros e das empre- vestimentas.
c) Porque elas
sas mineradoras. Observe a charge. podem nos Respostas
fornecer
informações 6. a ) O personagem re-

© Angeli
sobre o
passado, presentado é um indígena
servindo para a brasileiro. As semelhan-
construção do ças entre os dois momen-
conhecimento
histórico. tos da charge são: os per-
d) Exemplos de sonagens apresentados
fontes: jornais, estão na mesma postura,
livros, cartas,
diários, letras em busca de alimentos
de música, para sua sobrevivência.
pinturas e Já as diferenças entre os
fotografias.
dois momentos são: a pri-
meira paisagem é uma
floresta abundante em re-
cursos, enquanto a se-
gunda é um grande depó-
sito de lixo urbano. Na
primeira cena, o persona-
gem aparenta ser um in-
dígena forte, integrado ao
meio natural no qual vive,
já na segunda cena o
mesmo indígena aparece
fisicamente frágil, viven-
do miseravelmente em
busca de restos de comi-
da, apartado de seu modo
de vida tradicional.
ANGELI. Folha de S.Paulo, São Paulo, 24 fev. 2005. Opinião, p. A2.
6. b ) Resposta pessoal.
Com essa charge, o autor
a ) Descreva as duas cenas. Qual é o personagem representado? Quais são as retratou as condições de
semelhanças e as diferenças entre os dois momentos representados na charge? vida dos povos indígenas,
b ) Em sua opinião, o autor defende qual posição na discussão dos direitos indí- mostrando que elas piora-
genas sobre as terras onde eles viviam? Justifique sua resposta. ram muito depois do con-
Veja as respostas das questões nas orientações ao professor. tato com a civilização oci-
29 dental. Promova entre os
alunos o respeito às dife-
rentes interpretações que
possam surgir durante a
:02 PM 11/5/18 4:02 PM realização dessa ativida-
de. Oriente-os a evitar vi-
sões estereotipadas sobre
os povos indígenas.

29

11/6/18 4:46 PM
Orientações gerais 7. As pessoas e as sociedades se transformam no decorrer no tempo. Para analisar
• Levante hipóteses com essas transformações, é necessário levar em conta o tempo histórico, que permite
os alunos sobre as dife- ao historiador fazer comparações e verificar o que mudou e o que permaneceu
renças das imagens da de uma época para outra. As imagens a seguir retratam a região central da cidade
página, quais mudanças do Rio de Janeiro em dois momentos: no século XIX e no século XXI. Observe.
ocorreram no espaço re-
tratado e quais perma- Fonte A

Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro


nências estão evidentes.
Contextualize as datas
em que as imagens foram
produzidas apontando,
por exemplo, para a di-
ferença nas técnicas. A
imagem de 1859 é uma
litogravura, processo de
reprodução que consiste
em imprimir sobre pa-
pel, por meio de prensa,
um escrito ou um dese-
nho executado com tinta
graxenta sobre uma su-
perfície calcária ou uma
placa metálica de zinco
ou alumínio. Embora no
Brasil a fotografia te-
nha sido utilizada desde
1833, pelo fotógrafo, pin-
tor e naturalista francês Aqueduto de Santa Teresa e casario da Lapa, litogravura de Victor Frond, cerca de 1859.
Antoine Hercules Romuald
Fonte B
Florence, não era comum

Renata Mello/Tyba
nem de fácil acesso fazer
fotografias porque de- 7. c) Muitas casas
moravam cerca de oito foram demolidas
horas para ficarem pron- e deram lugar a
pavimentos e
tas. Portanto, é possível edifícios,
supor que a litogravura algumas árvores
era o meio mais comum foram plantadas
na região central,
de registrar uma ima- mas grande parte
gem. Já com a imagem da região de
morros foi
de 2008, além das cores, desmatada e
temos conhecimento da ocupada por
tecnologia atual, que nos casas e edifícios.
permite fotografar e vi- 7. d) Além dos
morros mais
sualizar instantaneamen- distantes, ao
te, desde que se tenha fundo das
acesso a um celular com imagens, e de
poucas casas que
câmera, o que tornou a se mantiveram Aqueduto da Lapa, em 2008.
fotografia parte do nosso semelhantes,
uma nítida Fonte A foi produzida em 1859 e
cotidiano tanto pela faci- permanência é o
a ) Quando foi produzida a fonte A? E a fonte B? a fonte B foi produzida em 2008.
lidade do recurso como grande aqueduto, b ) Quanto tempo se passou entre a produção da fonte A e a da fonte B?
pela sua portabilidade. construção de Cerca de 149 anos.
Outro aspecto que pode
maior destaque c ) Quais foram as transformações que ocorreram nesse local ao longo do tempo?
nas duas
ser observado é a arqui- imagens. d ) Quais foram as permanências?
tetura da paisagem ur-
banística, embora guarde 30
semelhanças, como o en-
torno do Aqueduto, que
se modificou bastante.
Refletindo sobre o capítulo
• Na primeira década do muitas transformações urbanísticas, sendo remodelado
Auxilie os alunos na autoavaliação e verifique a com-
11/5/18 4:02 PM

século XX, na adminis- com a abertura de novas vias e amplos espaços. A Lapa
tração do prefeito Pe- teve todo o casario demolido, que cercava os arcos do preensão deles sobre os conteúdos estudados ao longo
reira Passos, e durante antigo Aqueduto, e teve a abertura da avenida Mem de do capítulo.
o governo do presidente Sá e a abertura da praça da Cruz Vermelha, onde existia • Escreva na lousa a palavra História e peça aos alu-
Rodrigues Alves, o Rio o morro do Senado. A atividade favorece a competência nos que expliquem o respectivo conceito. Permita
de Janeiro, então capi- específica de História 3 e a competência específica de que eles troquem ideias sobre o que foi abordado no
tal federal, passou por Ciências Humanas 7. capítulo, retomando a importância da análise de fon-

30

11/6/18 4:46 PM
8. No dia 3 de outubro de 1931, o jornal Folha da Manhã publicou uma notícia rela- Resposta

Capítulo 1
cionada à maneira de contar o tempo. Veja. 8. f ) Comente com os
alunos que, no dia 8 de
outubro de 2008, o então
Jornal Folha da Manhã/Folhapress
8. a) O título dessa
notícia é “Foi presidente da República
decretada a Hora do Luís Inácio Lula da Silva
Verão”; e o subtítulo assinou o decreto de nú-
é “Devem ser
avançados de uma mero 6.558, que instituiu
hora, hoje ás onze datas fixas para a adoção
horas todos os do “horário de verão”. Se-
relógios existentes
no Brasil”. gundo esse decreto, todos
os anos, nos estados do
8. e) De 3 de outubro
de 1931 a 31 de março
Rio Grande do Sul, Santa
de 1932. “Todos os Catarina, Paraná, São
relógios do Brasil Paulo, Rio de Janeiro, Es-
deverão ser
avançados, de 1 hora, pírito Santo, Minas Gerais,
ás 11 horas (hora Goiás, Mato Grosso, Mato
legal) do dia 3 de Grosso do Sul e no Distri-
outubro, e assim
devem ser mantidos to Federal será instituída
até as 24 horas do a “hora de verão”, adianta-
dia 31 de março da em sessenta minutos
(quando voltará a
prevalecer a hora em relação à hora legal, a
legal)”. partir da zero hora do ter-
ceiro domingo do mês de
outubro de cada ano, até a
zero hora do terceiro do-
a ) Qual é o título dessa notícia? E o subtítulo? mingo do mês de feverei-
b ) Quando foi assinado o decreto no 20 466? Quem o assinou? ro do ano subsequente.
Foi assinado em 3 de outubro de 1931 por Getúlio Vargas.
c ) O que esse decreto determinou?A adoção da hora da economia de luz (ou “hora de verão”) no
Brasil, durante o período de 3 de outubro de 1931 a 31 de março de 1932.
d ) Quais os argumentos utilizados para justificar a assinatura desse decreto?
A economia de luz, que traria grande proveito para o erário e grandes benefícios ao público.
e ) De acordo com o decreto, qual seria o período em que estaria em vigor a “ho-
ra do verão”? Reescreva no caderno a frase que lhe permitiu chegar a essa
conclusão.
f ) Atualmente, existe no Brasil alguma lei semelhante à que foi apresentada nes-
sa fonte histórica? Qual? Sim. Veja informações sobre essa lei nas orientações do professor.

Refletindo sobre o capítulo


Agora que você finalizou o estudo deste capítulo, faça uma autoavaliação de seu aprendi-
zado. Verifique se você compreende as afirmações a seguir.
• Por meio do estudo da História, podemos entender melhor a realidade em que vivemos.
• Todo ser humano é um sujeito histórico.
• O tempo histórico pode ter diferentes durações.
• Fonte histórica é toda a produção humana que pode fornecer informações sobre o passa-
do, que serve à construção do conhecimento histórico.
• Os conceitos históricos sofrem modificações ao longo do tempo.
Após refletir sobre essas afirmações, converse com os colegas e o professor para certificar-se
de que todos compreenderam os conteúdos e habilidades trabalhados neste capítulo.

31

:02 PM 11/5/18 4:02 PM

tes, da interpretação histórica e do papel dos crítico deles, comentando que por muitos anos • Pergunte aos alunos se todos os conceitos
historiadores. valorizavam-se como sujeitos históricos apenas apresentam o mesmo significado indepen-
• Questione os alunos sobre quem são as pes- aqueles em destaque, como os governantes. dentemente da época histórica. É importante
soas consideradas sujeitos históricos, explican- • Comente que o tempo histórico pode ser que eles reconheçam que cada conceito apre-
do novamente que todas as pessoas apresentam percebido de modo diferente em cada socie- senta a própria historicidade e está ligado à
um papel na sociedade e são consideradas cons- dade, já que depende do elemento cultural de sociedade que o utiliza.
trutoras da história. Busque incentivar o senso determinado povo.

31

11/6/18 4:46 PM
ítulo
Objetivos do capítulo Cap
• Compreender o que foi
o Iluminismo.
• Analisar a influência do

O Iluminismo
Iluminismo em diferentes
movimentos sociais.
• Estudar as críticas dos
filósofos iluministas à re-
ligião e à política.
• Verificar o que foi o
despotismo esclarecido,
estabelecendo relações
com o Iluminismo.
• Refletir sobre o impacto
das ideias iluministas no
mundo contemporâneo.

Orientações gerais

• A imagem apresentada
nesta página foi produzi-
da por Anicet Lemonnier
em 1812 e representa os
famosos salões literários
da época, espaços em
que intelectuais se en-
contravam para debater
temas variados, sobretu-
do, filosóficos e literários.
Tais reuniões eram geral-
mente comandadas por
um anfitrião encarregado
de convidar as pessoas e
organizar o evento. Acre-
dita-se que Lemonnier
tenha se inspirado no
verdadeiro salão de
Marie-Thérèse Rodet
Geoffrin, localizado no
hotel que ela possuía na
Rue Saint-Honorè em
Paris. Na obra, pode-se
observar algumas pessoas
sentadas esperando o iní-
cio dos debates, enquanto
outras estão em pé conver-
sando. A própria Madame Leitura da
Geoffrin está à direita com tragédia‘O órfão da
um vestido azul, além dos China’ , de Voltaire,
filósofos importantes pa- no salão da madame
Geoffrin, óleo sobre
ra o movimento iluminis-
tela de Anicet
ta, entre eles o Barão de Lemonnier, 1812.
Montesquieu (de azul, sen-
tado na primeira cadeira à 32
direita), D’Alembert (trajado
de vermelho e seguran-
do um documento, à es-
querda) e, mais ao fundo, lher de vestido alaranjado) e o busto de Voltaire. Explique 11/5/18 4:02 PM
Jean-Jacques Rousseau aos alunos que o debate, a racionalidade e a investigação
(conversando com outro científica eram atitudes em evidência nesse momento
convidado, atrás da mu- histórico.

32

11/6/18 4:49 PM
Respostas
O século XVIII ficou conhecido como “Século das Luzes”. Nesse A Resposta pessoal. Se

Coleção particular/Granger Historical Picture Archive/Alamy/Fotoarena


período, vários escritores e filósofos procuraram interpretar o mun- julgar conveniente, faça
Museu Nacional do Castelo de Malmaison,
Rueil-Malmaison, França

do sob a “luz da razão”, ou seja, por meio do pensamento racional. uma leitura inicial com
Esse movimento intelectual foi chamado Iluminismo. Os filósofos os alunos da página 36
iluministas criticavam duramente as bases do Antigo Regime, e deste capítulo para lhes
suas ideias repercutiram além da Europa, tendo forte influência nos apresentar os principais
filósofos iluministas.
campos político, econômico e científico até os dias atuais.
B Resposta pessoal. Em
Observe as imagens destas páginas e converse com os colegas sua obra, Rousseau de-
sobre as questões a seguir. fendia a ideia de que, para
os cidadãos garantirem
Folha de rosto da obra Do Contrato Social, de Jean-Jacques Rousseau, 1762. sua liberdade, eles deve-
riam abrir mão de seus
Veja as respostas das questões nas orientações ao professor. direitos individuais em
A Na imagem foram representados alguns filósofos iluministas,
favor da sociedade. Ele
como Rousseau, D‘Alembert, Diderot e Montesquieu. Você acreditava também que
conhece informações sobre algum deles? Em caso afirma- o poder tinha origem no
tivo, comente com os colegas. povo e somente seria le-
B A obra Do Contrato Social teve grande influência no pen- gítimo se exercido em
samento político a partir do século XVIII. Você sabe quais as seu nome.
principais ideias defendidas por Rousseau nessa obra? C Porque, nessa época,
C Por que o século XVIII ficou conhecido como“Século das Luzes”? muitos escritores e filó-
sofos afirmavam que
era necessário interpre-
tar o mundo sob a “luz
da razão”, valorizando o
pensamento racional e
o método científico em
detrimento dos princí-
pios característicos do
Antigo Regime.

33

:02 PM 11/5/18 4:02 PM

33

11/6/18 4:49 PM
O Século das Luzes
Orientações gerais

• No texto a seguir, o his-


toriador Francisco José O Iluminismo foi um movimento intelectual que ocorreu na Europa, no século XVIII.
Calazans Falcon explica Os intelectuais que participaram desse movimento pretendiam trazer à luz novos
como o Iluminismo ain- conhecimentos, “iluminando” a sociedade.
da é um tema presente.
Reflita com os alunos a Essa ideia de “iluminação”, de trazer à luz, foi inspirada pela filosofia antiga,
respeito de como somos particularmente a de Platão, que via a “luz” como imagem ou símbolo do conhe-
herdeiros desse ideário cimento verdadeiro.
intelectual. Os pensadores iluministas pretendiam tornar a sociedade europeia mais racional.
[...] Para o mundo de ho- Para isso, questionaram as bases do Antigo Regime, criticando o poder despótico
je o Iluminismo é algo bas- dos reis absolutistas e condenando muitos elementos das religiões. Para esses pen-
tante presente, tanto que é sadores, sua época precisava ser iluminada pela luz da razão, ou seja, a natureza e a
capaz de produzir debates
e tomadas de posição de sociedade deveriam ser compreendidas por meio da racionalidade.
mais variados tipos. As ideias iluministas tiveram grande repercussão e influenciaram diferentes mo-
Enquanto para os histo- vimentos sociais pelo mundo, como a Revolução Americana e a Revolução Francesa.
riadores a palavra Ilumi-
nismo remete à noção de
Os ideais iluministas também influenciaram algumas rebeliões no Brasil, como a
um movimento intelec- Conjuração Mineira e a Conjuração Baiana.
tual ocorrido na Europa
do século XVIII — o “sécu-

Coleção particular/Prisma/Album/Fotoarena
lo das Luzes” [...] —, para
nós, hoje, o Iluminismo
reveste-se de muitas ou-
tras significações.
Podemos, por exemplo,
tentar compreender o Ilu-
minismo como culmina-
ção de um processo, ou co-
mo um começo. Enquanto
ponto de chegada, o Ilu-
minismo aparece como o
clímax de uma trajetória
cujos começos se identifi-
cam com o Renascimento,
mas que só alça voo real-
mente com a Revolução
Científica do século XVII.
Considerado como um
ponto de partida, o Ilumi-
nismo passa a constituir
o primeiro momento de
uma aventura intelectual
que é também a nossa.
[...]
Somos hoje, de fato, de
O encontro de Diderot, gravura de Louis Monziès, 1888.
uma forma ou de outra,
herdeiros do Iluminismo.
E o somos em escala bem
mais significativa do que Explorando a imagem Veja as respostas das questões nas orientações ao professor.
muitos parecem dispos- a ) Em que local está ocorrendo o evento mostrado na imagem? Descreva-o.
tos a reconhecer ou assu-
mir, pois, quer como es- b ) Em sua opinião, o que as pessoas representadas estão fazendo?
tilo de pensamento, quer c ) Por que a imagem pode ser caracterizada como uma representação dos pensadores
como realidade política, iluministas? Explique sua resposta relacionando a imagem com o contexto do século XVIII.
o fato é que o Iluminismo
ainda vive. 34
[...]
FALCON, Francisco José Calazans.
Iluminismo. 3. ed. São Paulo:
Ática, 1991. p. 6-7.
Respostas 11/5/18 4:02 PM

a ) Alguns homens estão reunidos em torno de uma me- c ) Porque eles estão reunidos em uma biblioteca, possi-
sa, onde parece ser uma biblioteca particular. velmente estudando e debatendo diversos assuntos. Co-
b) Resposta pessoal. Espera-se que os alunos percebam mo os iluministas pretendiam transformar a sociedade
que os homens estão ouvindo atentamente a leitura de europeia em vários âmbitos, deduziram que isso só seria
um documento. possível se priorizassem a racionalidade.

34

11/6/18 4:49 PM
O método científico
Orientações gerais

Capítulo 2
• Com a Revolução Cien-
Os cientistas do século XVII renovaram a maneira de analisar a natureza e abriram tífica do século XVII, fo-
caminho para os filósofos iluministas do século XVIII. ram estabelecidos os
parâmetros do método
Essa mudança na forma de compreensão do mundo foi acompanhada pelo es- científico moderno, por
tabelecimento do método científico. Esse método, que consistia na observação ri- meio do qual os cientis-
gorosa, racional e sistemática da natureza, tas puderam aplicar os
Félix Parra. 1873. Museu Nacional de Arte, Cidade do México, México

resultou na chamada Revolução Científica princípios universais da


do século XVII, que estimulou o desenvolvi- ciência, as chamadas “leis
mento do espírito crítico. da ciência”. Veja, a seguir,
no que consiste o método
Entre os principais pensadores dessa épo- científico moderno.
ca estão Francis Bacon, Galileu Galilei e > O cientista, movido
René Descartes. pela dúvida e pela curio-
sidade, postula uma
Galileu demonstrando as novas Teorias ideia. Ex.: “A água pode
Astronômicas, óleo sobre tela de Félix Parra, 1873. se transformar em gelo”.
A ideia original surge
como um insight (uma
“iluminação” súbita) con-
cebido com base na ob-
servação dos fenômenos

Palácio Łazienki, Varsóvia, Polônia


Filho de nobres ingleses, Francis Bacon (1561-1626) ocupou altos
cargos políticos no governo da Inglaterra, mas o que realmente o do Universo.
interessava era a renovação do conhecimento e a fundação de
> Baseando-se na ideia
uma nova forma de ciência. Essa nova ciência deveria renunciar
aos preconceitos da tradição e promover um conhecimento capaz original, o cientista de-
de melhorar as condições da vida humana por meio de um controle senvolve uma hipótese,
cada vez maior da natureza. por meio do raciocínio.
Francis Bacon, óleo sobre tela de George Henry Harlow, 1809. Ex.: “A água se transfor-
ma em gelo quando sua
temperatura diminui”.
> A hipótese então de-
ve ser testada por meio
Galeria dos Ofícios, Florença, Itália

Considerado um dos precursores do método científico, Galileu Galilei (1564-


de experimentos, isto é,
1642) nasceu na cidade italiana de Pisa. Foi músico, astrônomo e físico.
Para Galileu, não havia diferença entre os corpos celestes e terrenos. Ele
pela reprodução prática
chegou a essa conclusão ao observar a Lua com um telescópio. Em suas do fenômeno. O cientis-
observações, notou a existência de cadeias de montanhas, vales profundos, ta deve realizar todos os
cavidades e saliências, concluindo que, assim como a superfície da Terra, a experimentos nas mes-
superfície da Lua era irregular. Foi pioneiro na Física experimental, aplicando mas condições e obser-
a Matemática ao estudo do movimento dos corpos.
var quais características
Galileu Galilei, óleo sobre tela de Justus Sustermans, século XVII.
desse fenômeno se repe-
tem. Ex.: “Verificação da
temperatura abaixo da
qual a água congela”.
René Descartes (1596-1650), matemático e cientista, é considerado um
dos fundadores da Filosofia moderna com sua obra mais importante, > Se os resultados dos
Museu do Louvre, Paris, França

Discurso do Método, publicada em 1637. Descartes elegeu a dúvida experimentos não en-
investigativa como método, construindo um pensamento racionalista trarem em conflito com
centrado no sujeito, e não no objeto. Sua famosa frase“Penso, logo
a hipótese, esta pode ser
existo”é um exemplo da importância que esse filósofo atribuía ao
sujeito pensante e ao caráter universal da razão.
convertida em uma teo-
René Descartes, óleo sobre tela de Frans Hals, século XVII.
ria (ou “lei”), que explica
e prevê o funcionamen-
to do fenômeno testado.
Ex.: “A água congela ao
35 ser resfriada abaixo de
zero grau Celsius”.

:02 PM 11/5/18 4:02 PM

35

11/6/18 4:49 PM
Sugestão de atividade
Navegando no site Os filósofos iluministas Domínio Público
O portal Domínio Pú- Os pensadores iluministas do século XVIII foram profun- O site disponibiliza
diversos textos de
blico compartilha uma damente influenciados pelos avanços da ciência e aplicaram autores iluministas, como
vasta biblioteca com- os métodos desenvolvidos no século XVII em suas análises Voltaire e Diderot. Veja
posta de várias obras em: <http://www.
sobre a sociedade, criticando as instituições políticas e eco- dominiopublico.gov.
literárias, artísticas e
científicas e os usuários nômicas dominantes no Antigo Regime. br/pesquisa/
PesquisaObraForm.jsp>.
têm acesso totalmente Conheça, a seguir, algumas informações sobre os principais Acesso em: 6 set. 2018.
gratuito. Recomenda-se pensadores iluministas.
que os alunos explorem a
plataforma a fim de aces-
sarem textos, imagens, Charles-Louis de Secondat, o barão de Montesquieu (1689-1755),

Museu Nacional do Palácio,


Versalhes, França
sons e vídeos. nasceu em La Brède, na França. Foi escritor e filósofo. Sua
Organize os alunos em principal obra, O Espírito das Leis, foi publicada em 1748. Nessa
obra, defendeu a ideia de que a religião e a política não podem
grupos e distribua entre
ser confundidas. Para Montesquieu, o poder de um Estado
eles os nomes dos qua- deveria ser dividido em três: o Poder Legislativo, o Poder
tro iluministas apresen- Executivo e o Poder Judiciário.
tados nesta página para Montesquieu, óleo sobre tela de Jacques Antoine Dassier, 1728.
pesquisarem os respec-
tivos textos disponíveis
na plataforma.
Em seguida, cada gru-
Museu Carnavalet, Paris, França

François-Marie Arouet, também conhecido como Voltaire (1694-1778),


po deve comentar sobre nasceu em Paris, na França. Dedicado à literatura, frequentava salões
o material encontrado literários mantidos pela alta burguesia. Após entrar em conflito com um
em uma roda de conver- nobre, foi exilado na Inglaterra, onde teve contato com as ideias de John
sa, apresentando o que Locke e de Isaac Newton. Em 1734, publicou Cartas Inglesas (ou
Cartas Filosóficas), defendendo a liberdade de expressão e criticando o
considerou mais interes-
Absolutismo e o controle que a Igreja exercia sobre a vida das pessoas.
sante ao acessar o site do
Voltaire, óleo sobre tela de Maurice Quentin de La Tour, 1728.
Domínio Público.

Museu Antoine Lecuyer, Saint-Quentin, França


Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) nasceu em Genebra, na Suíça. Exerceu diversas
ocupações durante sua vida, como músico, secretário e filósofo. Em 1762, publicou
Do Contrato Social. Nessa obra, defendia a ideia de que, para os cidadãos
garantirem sua liberdade em uma sociedade civil, deveriam abrir mão de seus
direitos individuais em favor da comunidade, onde os bens são coletivos e os
interesses são comuns. Assim, os cidadãos teriam maiores condições de manter sua
liberdade e combater a corrupção do ser humano. Rousseau acreditava que todo o
poder tinha origem no povo e somente seria legítimo se exercido em seu nome.
Rousseau, óleo sobre tela de Charles Escot, 1874.
Museu de Arte e História, Genebra, Suíça

Denis Diderot (1713-1784) nasceu em Langres, na França. Estudou Teologia na


Universidade de Paris, mas não exerceu o sacerdócio. Realizando trabalhos
esporádicos como professor e tradutor, não chegou a assumir uma ocupação regular.
Em 1751, com o filósofo francês D’Alembert, organizou a Enciclopédia. Composta
por 28 volumes, essa obra abordava temas relacionados à Filosofia, às Ciências,
às Artes, à Política, à Economia e à Geografia. Colaboraram na elaboração da
Enciclopédia diferentes pensadores, como Voltaire, Montesquieu e Rousseau.
Diderot, óleo sobre tela de Dmitry Grigorevich Levickij, século XVIII.

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Integrando saberes
A Enciclopédia

Capítulo 2
Se julgar interessan-
te, faça uma atividade
A palavra “enciclopédia” tem origem grega e significa “cadeia de conhecimentos”.
integrada com o compo-
No século XVIII, os filósofos que organizaram a Enciclopédia, entre eles Diderot e
nente curricular Língua
D’Alembert, desejavam reunir uma diversidade de conhecimentos nessa obra. Portuguesa. O objetivo
A Enciclopédia possuía 28 volumes com verbetes relacionados às Ciências, à é fazer os alunos perce-
Filosofia, à Política, às Artes, à Economia e à Geografia. O conteúdo presente nessa berem a importância que
obra, baseado na racionalidade e no empirismo, era discutido nos salões literários e essas enciclopédias tive-
ram ao longo do tempo,
expunham as principais ideias da burguesia ascendente.
das quais ainda pode-
Entre 1751 e 1772, a população francesa passou a ter acesso à Enciclopédia. Ao mos encontrar versões
final de 1780, a difusão das ideias iluministas atingiu as classes populares, que também publicadas nos meios
eram adeptas às críticas ao Absolutismo monárquico, à nobreza e ao clero, presentes eletrônicos. Observe as
na Enciclopédia. orientações de como de-
senvolver a atividade.
Leia o texto a seguir, que trata da diversidade de assuntos tratados na Enciclopédia. a ) Leve os alunos à bi-
blioteca da escola para
[...] analisarem exemplares

Biblioteca de Artes Decorativas, Paris, França/DEA/G. DAGLI ORTI/Album/Fotoarena


de enciclopédias e des-
Difícil é dar uma ideia do creverem no caderno co-
conteúdo do variado conjun- mo essas publicações
to de textos que compõem a são organizadas.
Enciclopédia. O que podemos b ) Em seguida, peça aos
dizer é que aí encontramos, alunos que consultem en-
sem dúvida, [...] as ideias ciclopédias on-line e veri-
principais da burguesia do fiquem quais são as ca-
século XVIII. [...] Nela pode- racterísticas desse tipo de
publicação.
mos contemplar as principais
c ) Depois, peça que com-
ideias e teses políticas e filo-
parem as diferentes ver-
sóficas pelas quais a maioria
sões de enciclopédias
dos livres-pensadores e ho- consultadas.
mens de letras do século se
Nessa atividade é im-
batem. portante que os alunos
[...] percebam que, diferente-
FORTES, Luiz Roberto Salinas. mente das enciclopédias
O iluminismo e os reis filósofos. do século XVIII, compos-
3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1985. tas de verbetes escritos
p. 50. (Tudo é história).
por especialistas de dife-
rentes ramos, muitas en-
ciclopédias virtuais são
Explorando a imagem elaboradas por anôni-
• Faça uma descrição da mos, os quais podem edi-
página da Enciclopédia tar seus verbetes ou criar
reproduzida ao lado. Sobre outros. Tais plataformas
o que ela trata? se tornaram uma forma
Veja a resposta da questão rápida de obter variadas
nas orientações ao professor. informações. No entanto,
Reprodução de página da Enciclopédia, 1751. são muito criticadas com
relação à sua confiabili-
Empirismo: doutrina filosófica em que somente por meio da experiência o conhecimento pode ser alcançado. dade.

37

:02 PM Resposta 11/5/18 4:02 PM

• A página da Enciclopédia apresenta uma cena de pes- pendurados (5), o que pode indicar alguns dos hábitos
soas trabalhando em uma cozinha. Na parte de baixo, alimentares daquela época, e profissionais trabalhando
pode-se observar algumas funções típicas em uma co- em diversas funções (6). No meio da representação estão
zinha, como a de cozinheiro (1), confeiteiro (2), fornece- instrumentos de cozinha (7), dispostos separadamente
dor (3) e responsável por assar os alimentos (4). No alto para serem identificados pelos leitores da Enciclopédia.
da página, representados à direita, estão alguns animais Cabe destacar que alguns deles ainda são utilizados.

37

11/6/18 4:49 PM
Orientações gerais

• Comente com os alunos


Iluminismo e religião
que o deísmo surgiu com No século XVIII, a Igreja Católica foi alvo de críticas feitas por alguns pensadores
a revisão do pensamento iluministas. Esses pensadores criticavam a superstição, o fanatismo e a intolerância
religioso. Embora seus religiosa, pois acreditavam que esses eram os principais obstáculos à construção de
adeptos acreditassem na
um mundo melhor e mais racional.
existência de Deus, para
eles o Universo funcio- Outra crítica feita pelos iluministas dizia

Biblioteca Central de Zurique, Suíça/Album/Fine Art Images/Fotoarena


nava sem a intervenção respeito à liberdade de pensamento e de opi-
divina. Nesse sentido, nião. Por muito tempo, o dogma religioso foi o
Deus não operaria mila- principal conjunto de princípios autorizado pela
gres na natureza, de ma-
Igreja, e as ideias que o contestavam eram du-
neira que cabia à ciência e
à racionalidade transfor-
ramente reprimidas. Os iluministas pregavam a
mar o curso do Universo. liberdade de pensamento e tinham como objetivo
Segundo os deístas, os formar uma sociedade esclarecida, sendo para
homens, dotados de ca- isso necessário romper com o poder do clero,
pacidade de raciocínio, com os dogmas e com o fanatismo religioso.
poderiam escolher entre
o bem e o mal sem a in-
terferência de Deus.
• A segunda imagem A intolerância religiosa levou à morte milhares
de pessoas. Nessa imagem, vemos três pessoas
desta página, intitulada A sendo condenadas à morte na fogueira. Gravura
oração de Voltaire, apre- de Johann Jakob Wick, 1585.
senta uma inscrição em
francês. O texto a seguir
traduz para o português
Voltaire e os
Biblioteca Nacional da França, Paris/Bridgeman Images/Easypix

o significado da oração.
Caso julgue conveniente, filósofos deístas
apresente-o para os alunos.
Voltaire foi um dos maiores críticos dos dog-
Ó Deus que me conhece; mas religiosos. Para ele, a religião era culpada
ó Deus que tudo anuncia! pelos males da sociedade francesa. Voltaire acre-
Ouça as palavras que de
ditava que a razão deveria substituir a supersti-
minha boca pronunciei;
Se eu estiver errado é ção cristã. Além disso, condenava a intolerância
em buscar o seu direito; da Igreja, que motivava guerras e, consequen-
Meu coração era erra- temente, causava morte e destruição.
do; mas é cheio de você;
Apesar de todas essas críticas, Voltaire e gran-
Eu vou sem fazer alarde,
para a eternidade aparecer; de parte dos filósofos iluministas acreditavam
Eu não posso pensar em uma força divina, e por isso eram denomi-
que um Deus que me faz nados deístas. No entanto, para os deístas, a di-
nascer, que um Deus que vindade era um ser onisciente que, apesar de se
em meus dias versa tanta manifestar em todos os elementos da natureza,
bondade;
não interferia na vida dos seres humanos.
Enquanto meus dias
são externados, meus tor-
Gravura do século XVIII que representa Voltaire fazendo uma
mentos jamais o são.
homenagem ao Sol. Voltaire considerava que o Sol, assim como
Traduzido pelos autores.
os outros elementos da natureza, possuía uma essência divina.
• O texto a seguir apre-
senta informações sobre Dogma: conjunto de princípios religiosos estabelecido
as críticas de Voltaire aos como verdade indiscutível.
dogmas religiosos. Se jul- Onisciente: aquele que conhece todas as coisas.
gar conveniente, leia-as
para os alunos. 38
A partir de 1759, vamos
encontrar frequentemen-
te nas obras de Voltaire
[...] a curiosa expressão cia em relação a toda opinião divergente e leva os homens povos na ignorância para poder melhor dominá-los. Mas11/5/18 4:02 PM
“Esmagai a infâmia!”. Ob- a se perseguirem mutuamente e até a se trucidarem em se opõe também ao ateísmo, pois os ateus militantes po-
jeto da crítica implacável guerras sangrentas. Em segundo lugar, a infâmia é a su- dem ser tão fanáticos quanto os cristãos. Assim, ao se pro-
e do ódio de Voltaire, o perstição e a ignorância que induzem os homens a práti- por a lutar contra vários adversários, Voltaire constrói um
que pode ser essa “infâ- cas cruéis e à manutenção de preconceitos do passado. pensamento essencialmente crítico, segundo o qual cabe à
mia”? Ela é, em primeiro [...] A posição de Voltaire, nesse contexto, é bastante sin- razão e à filosofia esclarecer os homens para que se liber-
lugar, o fanatismo pratica- gular: opõe-se ao cristianismo por julgar que os defensores tem da superstição, da ignorância e da opressão.
do pelas igrejas constituí- dos dogmas cristãos são intolerantes e fanáticos e, sobre- NASCIMENTO, Maria das Graças S. do. Voltaire: a razão militante. São Paulo:
das, que gera a intolerân- tudo, porque, na sua opinião, o clero insiste em manter os Moderna, 1993. p. 6-8. (Logos).

38

11/6/18 4:49 PM
Orientações gerais
Iluminismo e política

Capítulo 2
• As informações a se-
Presente na sociedade europeia do século XVIII, o poder absoluto também Constituição:
guir apresentam alguns
foi alvo de duras críticas dos pensadores iluministas. Esses pensadores contes- conjunto de leis dos ideais políticos de-
tavam o despotismo e a ideia de direito divino dos reis, além de condenarem fundamentais de fendidos por John Locke.
uma Nação. Se julgar conveniente,
os privilégios da nobreza e do clero. Despotismo: leia-as para os alunos.
Para os iluministas, a maior preocupação não era com a forma de governo regime no qual o
governante Tantos são os inconve-
— Monarquia ou República —, mas sim com uma maneira de controlar o poder possui poder nientes desse estado [da
excessivo dos governantes. Grande parte desses pensadores apoiava um go- absoluto e natureza], que por isso,
verno constitucional, ou seja, um governo que respeitasse a Constituição, pois arbitrário. segundo Locke, os ho-
acreditavam que ela seria a melhor garantia contra abusos do poder. mens decidiram renun-
ciar à sua liberdade na-
tural, principalmente ao
Montesquieu e os Três Poderes direito de executar a lei
de natureza com as pró-
Um dos maiores críticos do Absolutismo monárquico foi Montesquieu. Segundo prias mãos, entregando-o
ele, esse tipo de regime político era corrupto e violento, comprometia a sociedade e ao corpo político forma-
trazia estagnação, temor e pobreza para a população. do nesse mesmo ato de
renúncia. Esse é o pacto
Para libertar a sociedade do despotismo e criar um bom governo, seria neces- que dá origem à socieda-
sária a separação do poder em três campos de atuação: executivo (que executa e de civil ou política (que
Locke também denomina-
administra as leis), legislativo (que elabora as leis) e judiciário (que julga aqueles
va comunidade), isto é, um
que desrespeitam as leis). único corpo, político, re-
Os Três Poderes não poderiam ser exercidos por apenas uma pessoa, pois, dessa presentado pelo governo.
maneira, a liberdade política estaria ameaçada. Para evitar o abuso do poder, Conforme o pacto fir-
mado, o governo pode
Montesquieu defendia uma forma de governo mais equilibrada, na qual um poder con- ser de um só indivíduo
trolaria o outro. ou de vários, mas o que
importa é a sua finalida-
de: a de concentrar para
O sujeito na história John Locke si todo o direito de julgar
e de castigar os crimino-
Muitos dos ideais políticos dos pensadores sos, de modo a assegurar
para toda a comunidade
iluministas foram influenciados pelas teorias de
e para cada um de seus
John Locke. Médico e filósofo inglês, Locke viveu membros a segurança, o
entre os anos 1632 e 1704. conforto e a paz.
Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia

Na obra Tratado sobre o governo civil, de [...]


Por isso, Locke é adver-
1690, Locke defendia que os seres humanos ti-
sário ferrenho do absolu-
nham direitos naturais, entre eles o direito à vida, tismo. Para ele, o monarca
à liberdade e à propriedade. Com isso, a função absoluto, cujo poder não
do governante seria a de garantir esses direitos tem limites nem se baseia
à população. Segundo ele, o poder de governar no consentimento, não
participa da sociedade:
dependia do consentimento da maioria. Por isso, encontra-se fora dela, no
foi radicalmente contra o Absolutismo. estado da natureza e, pior,
com os recursos de que
Locke era a favor de um governo constitucio-
dispõe, declara guerra aos
nal, em que a autoridade do Estado respeitasse homens. Em tal situação,
John Locke, óleo
as leis. Caso um governante não assegurasse os sobre tela de Godfrey
não há lei a não ser a de
direitos naturais, seria legítimo o povo rebelar-se Kneller, século XVIII. natureza, que autoriza
e tirá-lo do poder. castigar o agressor: a re-
belião contra o absolu-
tismo é legítima — e isso
39 abre a possibilidade do
pacto para inaugurar a
verdadeira sociedade.
[...]
VALVERDE, José Maria et
:02 PM 11/5/18 4:02 PM al. História do pensamento:
Renascimento e filosofia moderna.
São Paulo: Nova Cultural, 1987.
p. 356-357.

39

11/6/18 4:49 PM
O despotismo esclarecido
Orientações gerais

• Se julgar interessante,
assista com os alunos ao O despotismo esclarecido foi uma forma de governo

Coleção particular/Album/akg-images/Fotoarena
documentário O Marquês adotada por alguns monarcas europeus durante o sé-
de Pombal, produzido pe- culo XVIII. Essa forma de governo se caracterizava pela
lo canal português RTP1, mistura de práticas absolutistas e ideias iluministas.
que narra, em 30 minu-
tos, sua trajetória de vida Esses monarcas, conhecidos como déspotas escla-
desde o nascimento até recidos, promoveram reformas nos campos político,
o falecimento em 1782. econômico, social e religioso. Entre essas reformas, es-
A história destaca sua tavam o combate à corrupção e aos privilégios da no-
estadia em países como breza e do clero, a melhor administração dos tributos,
Áustria e Inglaterra como
a abolição da servidão e o incentivo à agricultura, à
diplomata e as reformas
implantadas por ele para
indústria e ao comércio.
reconstruir Lisboa após o
terremoto de 1755, rees-
truturando a administra- Frederico II da Prússia e Voltaire em Sanssouci,
ção pública seguindo os pintura de Georg Schöbel, cerca de 1900.
preceitos iluministas.
> O Marquês de Pombal.
Disponível em: O despotismo esclarecido em Portugal
<https://arquivos.rtp.pt/ Durante o reinado de D. José I, de Portugal, o maior
conteudos/marques-de-
Museu da Cidade de Lisboa, Portugal

representante do despotismo esclarecido foi seu mi-


pombal/>.
Acesso em: 16 out. 2018.
nistro Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês
de Pombal.
Entre os anos 1750 e 1777, período conhecido como
despotismo pombalino, o ministro fez diversas refor-
mas, entre elas, a criação de companhias de comércio
e de manufaturas e a melhoria do sistema de ensino.
Além disso, reduziu o poder da Igreja Católica no Reino,
principalmente por meio da extinção da Companhia de
Jesus e da expulsão dos jesuítas de Portugal.

O marquês de Pombal expulsando os jesuítas, óleo sobre


tela de Louis-Michel van Loo e Claude Joseph Vernet, 1766.

Enquanto isso... no Brasil


Como no século XVIII o Brasil ainda era uma colônia de Portugal, o despotis-
mo esclarecido do marquês de Pombal também teve reflexos no país. Assim
como no reino português, Pombal procurou reduzir o poder da Igreja Católica na
Colônia, ordenando a expulsão dos jesuítas do território brasileiro.
No plano econômico, aumentou o valor dos impostos e incentivou a criação
de companhias de comércio. Como nessa época a extração de ouro e de diaman-
tes estava em declínio, o aumento dos impostos gerou um enorme descontenta-
mento em várias regiões da Colônia.

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O pensamento econômico
Orientações gerais

Capítulo 2
• Pa ra co m p re e n d e r
Alguns pensadores iluministas criticavam o mercantilismo, a principal prática mais a respeito da im-
econômica dos Estados europeus naquela época. portância e influência
do movimento ilumi-
No mercantilismo, o Estado regulamentava nista em vários países,

Instiuto de Estudos Brasileiros da USP, São Paulo


as transações econômicas, controlando os recomenda-se a leitu-
preços, cobrando impostos de importação e ra do livro de Gertrude
de exportação e adequando as taxas alfande- Himmelfarb que, ao ana-
gárias. Além disso, de acordo com as práticas lisar o Iluminismo de um
mercantilistas, a riqueza de uma Nação era ponto de vista crítico,
medida principalmente pela quantidade de recupera o debate sobre
suas origens e diversi-
metais preciosos que possuía, como o ouro e
dade.
a prata.
> HIMMELFARB, Gertru-
de. Os caminhos para a
Para tentar garantir o acúmulo de metais
preciosos, Portugal investiu na extração de modernidade: os ilumi-
ouro em sua principal colônia, o Brasil. nismos britânico, francês
Aquarela do século XVIII que representa a e americano. São Paulo: É
extração de ouro em Minas Gerais. Realizações, 2011.

A fisiocracia
Os fisiocratas eram pensadores que questionavam as práticas mercantilistas. Eles
defendiam que a riqueza de um Estado não deveria ser medida pela quantidade de
metais preciosos que possuía, mas sim pela quantidade e qualidade dos bens à dis-
posição de seus cidadãos. A verdadeira riqueza seria gerada pela natureza, sendo a
agricultura a principal atividade produtiva.
Segundo os fisiocratas, o Estado não poderia interferir no mercado, mas sim dei-
xar que a economia se autorregulasse, seguisse suas próprias leis. “Laissez-faire,
laissez-passer”, do francês, que significa “deixai fazer, deixai passar”, era o lema dos
fisiocratas. O Estado deveria somente administrar a lei, a ordem e a defesa da Nação,
de forma a garantir o desenvolvimento da sociedade.

A riqueza das nações


Na obra Uma investigação da natureza e das causas da riqueza das Coleção particular/Granger/Fotoarena

nações, de 1776, o professor escocês de Filosofia Adam Smith (1723-1790)


defendia algumas ideias semelhantes às dos fisiocratas, por exemplo, a
livre concorrência e a não intervenção do Estado na economia. Em outros
aspectos, no entanto, ele discordava dos fisiocratas.
Para Adam Smith, a agricultura não era a única atividade produtiva.
Outras atividades, como o artesanato e o comércio, por exemplo, também
eram geradoras de riqueza. O que as tornavam produtivas era o fato de
que, segundo Smith, cada indivíduo, ao exercer suas atividades, estaria
agindo pelo seu próprio bem por meio do trabalho, buscando a melhoria de
suas condições de vida e contribuindo indiretamente pelo bem-estar de
toda a sociedade.
De acordo com Adam Smith, o trabalho, e não os metais preciosos, era a
verdadeira fonte de riqueza. As ideias de Smith influenciaram profundamente Gravura do século XIX que
a Revolução Industrial, que teve início na Inglaterra, no século XVIII. representa Adam Smith.

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11/6/18 4:49 PM
BNCC
A análise da pintura de O impacto das ideias iluministas
Joseph Wright aborda a A divulgação das ideias iluministas teve forte impacto sobre a sociedade europeia
competência geral 3, no
do século XVIII. A recepção dessas ideias, no entanto, foi variada.
que se refere à valoriza-
ção de variadas manifes- Na pintura a seguir, produzida em 1768, o artista inglês Joseph Wright of Derby
tações artísticas locais e representou uma experiência científica e também as diferentes atitudes das pessoas
mundiais e ao desenvol- que a presenciaram.
vimento do senso esté-
tico dos alunos. Muitos Observe-a.
pintores decidiram re-
presentar em suas obras
o grande impacto que as
novas ideias e invenções
surgidas no decorrer do
século XVIII desperta-
ram. Peça aos alunos que
observem bem a imagem
apresentada nestas pági- 1 2
nas para perceberem as
diferentes reações dos
personagens. Enquanto
alguns observam com
fascínio e interesse, ou-
tros reagem de forma
desconfiada e até teme-
rosa, como é o caso das
meninas representadas
na tela de Wright.

3
5
4

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11/5/18 4:02 PM

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11/6/18 4:49 PM
Integrando saberes

Capítulo 2
O século XVIII foi uma
O cientista, que demonstra sua experiência na casa de uma família rica, é representado com
1 época de intensas trans-
olhar interrogador, como se pedisse a opinião do observador sobre a experiência realizada.
formações sociais, po-
líticas e intelectuais.
A experiência, que aqui representa a razão, é colocada no centro da tela. Nessa experiência, Essas transformações,
há um pássaro dentro de um recipiente de vidro. No alto do recipiente, há uma válvula que, ao que ocorreram tanto na
2 ser fechada, bloqueia a entrada de ar. Com essa experiência, o cientista pretendia provar que, Europa como em outras
retirando o oxigênio do recipiente, o pássaro morreria. partes do mundo, estão
refletidas nas represen-
Galeria Nacional, Londres, Inglaterra/Bridgeman Images/Easypix tações artísticas produzi-
É também do centro da tela que
das no período. Comente
irradia a luz que ilumina a todos os
isso com os alunos e, em
participantes da cena. Com isso, o
3 pintor sugeriu que a razão e a seguida, proponha que
ciência são as fontes esclarecedoras realizem uma pesquisa
do mundo. sobre as artes no século
XVIII, levantando os prin-
cipais estilos artísticos
Os dois rapazes observam
na pintura e os principais
atentamente o cientista. Eles
nomes na música. Orien-
4 representam as pessoas que ficaram
fascinadas e entusiasmadas com as
te-os a fazer a pesquisa
novas descobertas científicas. em grupo e apresentar
os resultados em sala de
aula para os colegas, em
As meninas representam a uma proposta articulada
desconfiança e o medo que muitas com o componente curri-
pessoas sentiam em relação às
5 cular Arte. Incentive-os a
experiências científicas e, portanto,
ao uso da razão proposto pelos
compartilhar com a turma
iluministas. a reprodução das obras
pesquisadas, a ler trechos
de livros encontrados e a
Para representar as pessoas que se reproduzir músicas com-
7 preocupavam com as consequências postas no período. O tre-
6 das descobertas científicas, o artista
cho a seguir trata sobre as
retratou um filósofo, que tem o
olhar distante, reflexivo.
artes no século XVIII. Se
julgar conveniente, leia-o
para os alunos de modo a
O menino que aparece pegando a situá-los no assunto.
gaiola do pássaro lança um olhar No século XVIII, as
duvidoso para o grupo: será que essa instituições inglesas e o
experiência funcionará? Ele gosto inglês tornaram-se
7 representa as pessoas que os modelos admirados
duvidavam das ideias iluministas e de todos os povos da Eu-
que tinham receio em usar a razão ropa que ansiavam pelo
para entender a realidade. governo da Razão. Pois na
6 Inglaterra a arte não tinha
sido usada para enalte-
O chefe da família é representado
como alguém que tem confiança na
cer o poder e a glória de
governantes por direito
8 ciência e procura acalmar e esclarecer
suas filhas, explicando-lhes os
divino. [...] Recorda-se
procedimentos da experiência. também que na França
a maciça grandiosidade
barroca de Versalhes ti-
nha passado de moda no
Experimento com um pássaro em
começo do século XVIII, a
uma bomba de ar, óleo sobre tela de
favor dos efeitos mais de-
Joseph Wright of Derby, 1768.
licados e íntimos do roco-
có [...]. Todo esse mundo
43 de deslumbramento aris-
tocrático começa agora a
declinar. Os pintores pas-
savam a observar a vida
dos homens e mulheres
:02 PM 11/5/18 4:02 PM comuns de seu tempo, a
desenhar episódios como-
ventes ou divertidos que
pudessem ser desenrola-
dos numa história.
GOMBRICH, E. H. A história da
arte. 4. ed. Tradução: Álvaro
Cabral. Rio de Janeiro: Zahar
Editores, 1985. p. 371-372.

43

11/6/18 4:49 PM
BNCC
Ao tratar da influên- As ideias iluministas na formação do
cia dos iluministas sobre
o desenvolvimento do
mundo contemporâneo
mundo contemporâneo O pensamento ocidental foi, em grande parte, formado com base nas ideias dos
é importante destacar pensadores iluministas do século XVIII. Muitos desses valores modernos de inspira-
aos alunos que muitos ção iluminista influenciaram vários aspectos do mundo contemporâneo. Observe a
intelectuais na atualida- seguir alguns exemplos.
de questionam os bene-
fícios que o movimento
teria proporcionado às O culto à ciência
sociedades. Alguns ar- No campo científico, os ideais iluministas de progresso e avanço tecnológico con-
gumentam que a mesma tribuíram para o desenvolvimento dos diversos campos científicos até os dias atuais.
tecnologia que forneceu
A partir do século XVIII, a ciência passou a ter como um de seus objetivos a promoção
qualidade de vida para as
de melhorias práticas para as pessoas, alterando as condições de vida. Muitos exemplos
pessoas foi também uti-
lizada para a construção podem ser percebidos em nosso cotidiano, como carros, aviões, televisores, computado-
de armas de destruição res e telefones celulares. Além disso, muitas descobertas científicas feitas a partir do
em massa. Outros in- século XVIII auxiliaram na cura de doenças e na produção de vacinas.
telectuais apontam que
o mesmo sistema eco-
nômico liberal, que deu
A economia
plena liberdade econô- No aspecto econômico, as ideias iluministas contribuíram para o desenvolvimento
mica para os investido- do pensamento liberal, que tem suas bases na livre concorrência e na não interven-
res, criou um mercado ção do Estado na economia. Essa teoria estruturou o capitalismo, atual sistema eco-
capitalista, que sujeita nômico da maioria das nações ocidentais.
pessoas e instituições,
e originou novas for-
mas de exclusão social. A política
A reflexão sobre esses A forma de governo representativa baseada na von-
dois lados da questão tade popular, defendida por filósofos como Locke e
contempla a habilidade Montesquieu nos séculos XVII e XVIII, é adotada atual-
EF08HI01, pois possi- mente na maioria das repúblicas democráticas. Nessas
bilita que o aluno iden-
repúblicas, a representação é feita por governantes
tifique o significado dos
que são escolhidos pelos cidadãos por meio do voto.
conceitos de Iluminismo
e liberalismo, discutindo Além disso, a estruturação política dos Estados demo-
a relação entre eles, além cráticos, em sua maioria, é dividida em três poderes:

Vitoriano Junior/Shutterstock.com
de trabalhar com a com- Executivo, Legislativo e Judiciário. Pelas leis e pela di-
petência específica de visão de poderes busca-se proteger os cidadãos con-
Ciências Humanas 2, que tra o abuso de poder.
considera a análise de si-
Congresso Nacional, na Praça dos Três Poderes, em
tuações e conceitos, com Brasília (DF), 2017. A influência das ideias iluministas pode
base nos conhecimentos ser percebida na organização política do Estado brasileiro.
das Ciências Humanas,
que podem variar no
tempo e no espaço, per-
mitindo ao aluno que se
posicione diante dessas
questões no mundo con-
temporâneo.

44

11/5/18 4:02 PM

44

11/6/18 4:49 PM
Explorando BNCC

Capítulo 2
Esta seção aborda o te-
o tema O progresso e os ma contemporâneo Edu-
cação ambiental ao apre-
danos ambientais sentar algumas reflexões
sobre o impacto causado
Apesar de sua importância, as ideias dos pensadores iluministas do século XVIII pelos ideais iluministas
foram alvo de diversas críticas, principalmente a partir de meados do século XX. Por com relação à natureza.
Comente com os alunos
trás da crença na razão e da ideia de progresso, muitos intelectuais começaram a que as concepções do
questionar até que ponto os avanços alcançados com os ideais iluministas foram Iluminismo consistiam
realmente benéficos para a humanidade. na premissa de que o ser
humano devia privilegiar
Além disso, existem atualmente vários outros problemas decorrentes da moder-
seus interesses, plane-
nidade que exigem solução, como as questões que envolvem o progresso e o meio jando-os de forma racio-
ambiente, a ética e os avanços científicos. nal e visando ao avanço
da sociedade. Tal atitude
O desenvolvimento sustentável acabou por trazer conse-
quências para a socieda-
Diante da atual situação de destruição do meio ambiente, muitos ambientalistas de atual. Nesse sentido,
têm insistido na importância do chamado desenvolvimento sustentável. Leia o texto. destaque as agressões
sofridas pelo meio am-
biente durante a expan-
[...]
são da sociedade capi-
Para ser alcançado, o desenvolvimento sustentável depende de planeja- talista e incentive uma
mento e do reconhecimento de que os recursos naturais são finitos. reflexão sobre as possí-
veis formas de sanar os
Esse conceito representou uma nova forma de desenvolvimento econômi- problemas desenvolvi-
co, que leva em conta o meio ambiente. dos, fazendo, desse mo-
Muitas vezes, desenvolvimento é confundido com crescimento econômico, do, que os alunos funda-
mentem sua consciência
que depende do consumo crescente de energia e recursos naturais. Esse tipo
ambiental, permeada por
de desenvolvimento tende a ser insustentável, pois leva ao esgotamento dos um posicionamento ético,
recursos naturais dos quais a humanidade depende. como preveem as compe-
[...] tências gerais 7 e 10.

O desenvolvimento sustentável sugere, de fato, qualidade em vez de quanti- Respostas


dade, com a redução do uso de matérias-primas e produtos e o aumento da a ) As críticas questionam
reutilização e da reciclagem. novak.elcic/
Shutterstock.com
se as ideias de progresso
O que é desenvolvimento sustentável? WWF Brasil. Disponível em: <https://www.wwf.org.br/natureza_ e de desenvolvimento ra-
brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/>. Acesso em: 21 set. 2018.
cional geraram reais be-
nefícios para a sociedade,
Veja as respostas das questões nas orientações ao professor.
problematizando assim
a ) Quais são as críticas feitas em relação aos
os impactos positivos das
ideais iluministas atualmente? propostas iluministas na
b ) O que é desenvolvimento sustentável? atualidade.
c ) O que você pode fazer em seu dia a b ) Desenvolvimento sus-
dia para colaborar com o desenvol- tentável pode ser entendido
vimento sustentável? como um modelo de desen-
volvimento econômico ca-
paz de suprir as necessida-
Lixo industrializado acumulado nas des do mundo atual, sem
proximidades de um rio na cidade
comprometer a capacidade
do Rio de Janeiro (RJ), 2017.
de atender também às futu-
ras gerações.
45 c ) Resposta pessoal. Os
alunos devem responder
que diversas ações po-
dem contribuir para o
:02 PM 11/5/18 4:03 PM
meio ambiente, como
apagar as lâmpadas de
ambientes desocupados,
separar o lixo orgânico do
material reciclável, evitar
o uso de canudos e saco-
las de plástico, fechar a
torneira enquanto se es-
covam os dentes etc.

45

11/6/18 4:49 PM
Orientações gerais Atividades
• As atividades apresen- 1. Foi um movimento intelectual que ocorreu na Europa, no
tadas na seção Exercícios século XVIII. Os intelectuais que participaram desse movimento
pretendiam trazer à luz novos conhecimentos, “iluminando” a
de compreensão podem 2. Estimularam o Exercícios de compreensão sociedade. Os pensadores iluministas pretendiam tornar a
ser utilizadas para avaliar desenvolvimento sociedade europeia mais racional. Para isso, questionaram as
do espírito bases do Antigo Regime, criticando o poder despótico dos reis
a compreensão dos alu- crítico. Os 1. O que foi o Iluminismo?
absolutistas e condenando muitos elementos das religiões.
nos quanto ao conceito de pensadores
Iluminismo e às influên-
iluministas do 2. Como as ideias científicas do século XVII influenciaram os pensadores do Iluminismo?
século XVIII
cias desse movimento in- foram
profundamente 3. Explique a importância da Enciclopédia para o movimento iluminista.
telectual no mundo con- influenciados
temporâneo. Utilize-as pelos avanços da 4. Quais eram as críticas que alguns filósofos iluministas faziam à Igreja?
ciência e
como modo de verificar o aplicaram os
aprendizado dos alunos, métodos 5. Em que acreditavam os deístas? Na divindade como um ser onisciente que, apesar de se
desenvolvidos manifestar em todos os elementos da natureza, não interferia na vida dos seres humanos.
analisando assim os con-
no século XVII 6. Quais aspectos do Absolutismo os pensadores iluministas mais criticavam?
teúdos que são necessá- em suas análises
sobre a O despotismo e a ideia de direito divino dos reis, além de condenarem os privilégios da nobreza e do clero.
rios serem retomados.
sociedade, 7. O que Montesquieu pensava a respeito do despotismo? O que esse pensador
criticando as
instituições considerava necessário para se instituir um bom governo? Criticava o Absolutismo
Material digital políticas e monárquico e considerava necessária a separação do poder em três campos de atuação: executivo, legislativo e judiciário.
econômicas 8. Quais eram as principais ideias sobre o governo de um Estado segundo o filósofo
• Para abordar com a dominantes no Locke era a favor de um governo constitucional, em que a autoridade do Estado respeitasse
John Locke? as leis. Caso um governante não assegurasse os direitos naturais, seria legítimo o povo
turma o tema da Enciclo- Antigo Regime.
pédia, proponha a reali- 3. A Enciclopédia rebelar-se e tirá-lo do poder.
foi importante 9. O que foi o despotismo esclarecido?
zação da sequência didá- porque auxiliou a
tica 1 do material digital. difundir as ideias
iluministas. 10. Quem foi o marquês de Pombal? Como as medidas tomadas por ele afetaram
Quando chegou o Brasil?
às livrarias, entre
1751 e 1772, a
população 11. Qual era a opinião de Adam Smith sobre a organização econômica de um Estado?
francesa passou A organização econômica de um Estado, ou seja, a maneira como ele organiza a produção, não se pautaria somente
a ter acesso aos pela agricultura. Outras atividades, como o artesanato e o comércio, por exemplo, também eram geradoras de riqueza.
conteúdos e, ao
final de 1780, Expandindo o conteúdo
também as
classes 12. Entre os séculos XVI e XVIII, desenvolveu-se, em alguns Estados europeus, um
populares.
importante comércio de livros. Esse comércio tinha o objetivo de popularizar a
4. A superstição,
o fanatismo e a leitura das obras produzidas naquela época e foi liderado por editores e impres-
intolerância sores de textos. Um dos mais importantes acervos de livros populares foi a Bi-
religiosa.
Também blioteca Azul. Leia o texto a seguir.
criticavam a falta
de liberdade de
pensamento e de [...] Os registros existentes sobre [...] livros, saídos da região de Troyes, na
opinião, visto
que, por muito [França], apontam para a importância de um movimento, [na época do Ilu-
tempo, o dogma
religioso foi o minismo,] que tinha o objetivo de levar textos impressos às camadas mais
principal populares da sociedade. Esse processo não foi simples, mas teve a Bibliote-
conjunto de
princípios ca Azul como um dos principais impulsos.
autorizados pela
Igreja. [Os editores da Biblioteca Azul acreditavam que os] livros deveriam che-
9. Foi uma forma de gar a todas as camadas da sociedade, ampliando o público de leitores, em
governo adotada por
alguns monarcas um período em que somente às elites cabiam os livros. Mas, como dar às
europeus durante o
século XVIII. Essa massas condições de conhecerem e interpretarem textos? Um processo de
forma de governo se adaptação foi operado no texto de obras apropriadas pela Biblioteca Azul,
caracterizava pela
mistura de práticas reescritos em uma [linguagem] diferente daquela de seus destinatários ori-
absolutistas e ideias
iluministas. ginais. Com isso, diversas vezes era grande a distância entre a primeira
publicação do material e sua entrada na Biblioteca Azul.
10. Era ministro de D. José, rei de Portugal, e fez diversas reformas que influenciaram o Brasil. No século XVIII, Pombal
procurou reduzir o poder da Igreja Católica na Colônia, principalmente por meio da expulsão dos jesuítas. No plano
46 econômico, aumentou o valor dos impostos e incentivou a criação de companhias de comércio.

11/5/18 4:03 PM

46

11/6/18 4:49 PM
Respostas
Brochuras normalmente encapadas em papel (nem sempre azul) e com

Capítulo 2
um custo de produção de menos de um centavo por exemplar (o preço de 12. a ) Realizavam um
revenda era maior, mas ainda acessível), os livros azuis se tornaram pro- processo de adaptação
gressivamente, entre 1660 e 1780, um elemento particular da cultura no texto de obras que se-
riam vendidas para as
camponesa. Textos de ficção cômica, conhecimentos úteis e exercícios de
camadas popular e rural
devoção agradaram de forma imediata às camadas popular e rural. A Biblio- da sociedade do Antigo
teca Azul constituiu-se de um acervo que buscava o leitor — ia até ele e Regime.
isso foi um ponto importante para seu sucesso: as distâncias entre livro e b) Textos de ficção cômi-
leitor foram encurtadas pelos mascates. Não era mais preciso ir às cidades ca, conhecimentos úteis e
para ler. A leitura chegou ao campo. [...] A difusão desses livros era feita por exercícios de devoção.
diferentes revendedores, sedentários ou itinerantes, que pudessem atingir a c ) Eram vendidos pelos
todas as clientelas possíveis. [...] mascates, que os leva-
LOUREIRO, Adriana Maria. A nova ordem do livro – II parte: textos ao alcance de todos. vam para a área rural.
Disponível em: <www.ebah.com.br>. Acesso em: 6 set. 2018. d) Resposta pessoal. Pro-
Veja as respostas das questões nas orientações ao professor. cure mostrar aos alunos
a ) O que os editores da Biblioteca Azul faziam para possibilitar à população a que o hábito da leitura
leitura e o entendimento dos textos? possibilita uma ampliação
do conhecimento sobre o
b ) Quais eram os tipos de textos publicados pela Biblioteca Azul? mundo e as sociedades,
c ) Como era feita a distribuição dos livros? além de contribuir para a
d ) Você considera importante o hábito da leitura? Por quê? formação pessoal.
13. a ) Está escrevendo
13. Apesar do aumento na impressão
uma carta. Por ele ser al-

Biblioteca Nacional da França, Paris


e distribuição de livros e da difu- fabetizado, ele podia ga-
são das ideias iluministas, grande nhar dinheiro escrevendo
parte da população europeia do cartas para quem não sa-
século XVIII continuava analfabeta. bia escrever.
Observe a imagem ao lado, que b) Está ditando para o ho-
representa um escrivão público, mem o que ele deve escre-
profissional que escrevia cartas ver, provavelmente porque
para as pessoas analfabetas. ela não era alfabetizada.
c ) Revela que, na socie-
a ) O que o homem representado dade europeia do século
está fazendo? Por quê? XVIII, muitas pessoas não
b ) O que a mulher representada sabiam ler e escrever.
está fazendo? Por quê? Elas contratavam o servi-
ço de alguém alfabetiza-
c ) O que essa gravura revela so-
do para se comunicar por
bre a sociedade europeia no meio de cartas com seus
século XVIII? amigos e parentes dis-
d ) Quais dificuldades uma pessoa tantes.
que não sabe ler e escrever en- d) Resposta pessoal. Atu-
frenta na sociedade atual? almente, não saber ler e
escrever restringe as pos-
e ) Qual o índice de analfabetismo no
sibilidades de obter um
Brasil? Se necessário, pesquise. emprego, bem como para
Veja as respostas das questões nas
orientações ao professor.
expressar ideias por meio
de textos. Além disso, o
O escrevente público, autor indivíduo não alfabetizado
desconhecido, gravura do século XVIII.
teria dificuldades para ler
placas e avisos afixados
em locais públicos, por
47 exemplo.
e ) A taxa de analfabetis-
mo em pessoas de 15 anos
ou mais no Brasil é de 7%
:03 PM 11/5/18 4:03 PM da população, segundo
dados divulgados pelo
IBGE em 2018.

47

11/6/18 4:49 PM
Material digital 14. O Iluminismo foi um movimento filosófico que teve participações femininas. Mary
• Para aprofundar o co- Wollstonecraft (1759-1797), por exemplo, foi uma filósofa inglesa que defendeu a
nhecimento dos alunos importância do pensamento racional, além de lutar pela igualdade entre homens e
quanto às influências ilu- mulheres. Em 1792, a escritora publicou sua obra mais importante: Uma Reivindi-
ministas no Estado bra- cação pelos Direitos da Mulher. Leia o texto a seguir, que aborda as contribui-
sileiro, realize com eles a ções de Mary para o movimento iluminista.
sequência didática 2 do 14. b) Com base na valorização do aspecto
Depois, responda às questões no caderno. racional dos seres humanos, ela buscou introduzir
material digital. no debate iluminista a discussão sobre os direitos
femininos e sobre a igualdade.
[...] Num contexto em que as mulheres eram

O Museu de História do Povo, Manchester, Inglaterra


submetidas quase que exclusivamente ao espa-
ço doméstico, consideradas como incapazes de
qualquer tipo de reflexão ou atividade intelectu-
al, ela alcançou um significativo reconhecimento
como escritora e intelectual [...].
A pretensão de Wollstonecraft ao compor
[Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher]
era introduzir no debate revolucionário a discus-
são dos direitos femininos, a partir da invocação
dos princípios de liberdade e igualdade. [...]
Sua principal preocupação era discutir a
questão da formação da identidade feminina,
centrando sua argumentação na dimensão
cultural da opressão das mulheres. Para ela, a
“inferioridade feminina”, pregada majoritaria-
mente entre os iluministas, era fruto da situação
social das mulheres e não uma característica
inerente às mesmas. Wollstonecraft não conce-
bia a desigualdade ou a hierarquia natural entre
os sexos. Para ela, ambos apresentavam as mes-
Representação de Mary Wollstonecraft, óleo mas potencialidades, pois compartilhavam o dom
sobre tela de John Williamson, século XIX. da razão [...].
14. c) Sua obra se Observamos que Wollstonecraft estava profundamente imbuída pelo ideário
baseava em
princípios como iluminista, pois acreditava tanto na imutabilidade da razão, quanto na sua capa-
liberdade e cidade de aperfeiçoar a espécie humana. Sendo a razão inerente a todos os seres
igualdade, além
de valorizar a humanos, todos teriam a capacidade de se esclarecer, de melhorar. [...]
importância da
MIRANDA, Anadir dos Reis. Mary Wollstonecraft e a reflexão sobre os limites do pensamento
razão, o que,
iluminista a respeito dos direitos das mulheres. Revista Vernáculo, Curitiba, UFPR, n. 26, p. 113; 141-143, 2010.
para ela,
Disponível em: <http://revistas.ufpr.br/vernaculo/article/view/20742/20618>. Acesso em: 30 out. 2018.
aperfeiçoava a
espécie humana.
Sendo a razão a ) De acordo com o texto, como era o contexto feminino na época de Mary
inerente a todos
os seres Wollstonecraft? Segundo o texto, as mulheres eram submetidas quase exclusivamente ao espaço
humanos, todos doméstico, por serem consideradas incapazes de qualquer tipo de reflexão ou atividade intelectual.
teriam a b) Qual era o tema principal dos estudos dessa filósofa?
capacidade de se
esclarecer, de c ) Que aspectos da obra de Mary Wollstonecraft a caracterizam como uma filósofa
melhorar. iluminista?
d) Agora, converse com os colegas: qual é a importância de Mary e de seus estudos?
Oriente os alunos no desenvolvimento de seu senso crítico. Se necessário, comente que a autora se destacou como
48 uma estudiosa que defendia os direitos de igualdade entre homens e mulheres em uma época na qual as mulheres
dificilmente tinham voz em meios intelectuais por serem predominantemente dominados pelos homens.

Refletindo sobre o capítulo 11/5/18 4:03 PM


Auxilie os alunos na autoavaliação e verifique o de- • Retome com os alunos a forma como a influência dos
senvolvimento das habilidades. ideais iluministas foi difundida por toda a Europa e pelos
• Explique aos alunos que o uso da razão pelos iluminis- demais continentes, inclusive a América, o que inspirou
tas para explicar e questionar a sociedade foi fundamen- vários movimentos rebeldes no Brasil (EF08HI01).
tal para a transição da Europa para o mundo contempo- • Relembre os alunos de que um dos campos mais cri-
râneo (EF08HI01). ticados pelos filósofos iluministas foi a religião, pois eles
acreditavam que o fanatismo e a intolerância propaga-

48

11/6/18 4:49 PM
15. O texto a seguir foi publicado na Enciclopédia, organizada por Diderot e BNCC

Capítulo 2
D’Alembert. Leia-o. A atividade 16 abor-
da com os alunos as in-
Se um comércio dessa natureza pode ser justificado por um princípio fluências do Iluminismo
moral, então não há crime, por mais atroz que seja, que não possa ser legi- na organização política
timado [...] Nem os homens nem sua liberdade podem ser objetos de brasileira atualmente, ex-
comércio; não podem ser vendidos nem comprados [...] Não há, portanto, plorando desse modo a
nenhuma dessas infelizes pessoas consideradas unicamente como escravos habilidade EF08HI01.
que não tenha o direito de ser declarada livre.
PERRY, Marvin. Civilização ocidental: uma história concisa. 3. ed.
Tradução: Waltensir Dutra; Silvana Vieira. São Paulo: Martins Fontes, 2002. p. 307.

a ) A que comércio o texto se refere? Ao comércio de escravizados.


b) Qual é a opinião dos autores sobre esse comércio?
Eles consideram que o comércio de escravizados é um crime atroz, pois nem os homens nem sua liberdade
podem ser objetos de comércio, ou seja, não podem ser vendidos nem comprados. Na opinião deles, todos
No Brasil os escravizados teriam o direito de ser declarados livres.

16. Os princípios defendidos pelos filósofos do Iluminismo tiveram grande repercussão


no Brasil. Muitos princípios da atual Constituição brasileira, promulgada em 1988,
por exemplo, estão baseados em pressupostos iluministas. Leia abaixo alguns
trechos da nossa Constituição. Depois, reescreva esses trechos em seu caderno,
relacionando cada um deles a um dos pensadores iluministas indicados no quadro
abaixo. Complemente sua resposta acrescentando outras ideias propostas por
esses pensadores.
a) Art. 1o [...] Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce
por meio de representantes eleitos [...]. Rousseau.
b) Art. 2o São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o
Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Montesquieu.
c) Art. 5o — IX: é livre a expressão da atividade intelectual, artística, cien-
tífica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. Voltaire.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. 35. ed.
São Paulo: Saraiva, 2005. p. 3, 6. (Saraiva de Legislação).

Montesquieu Voltaire Rousseau

Refletindo sobre o capítulo


Agora que você finalizou o estudo deste capítulo, faça uma autoavaliação de seu aprendi-
zado. Verifique se você compreende as afirmações a seguir.
• Os filósofos do Iluminismo procuravam entender a natureza e a sociedade por meio da razão.
• Os princípios iluministas influenciaram diferentes movimentos sociais, entre eles a Revo-
lução Francesa, a Conjuração Mineira e a Conjuração Baiana.
• Muitos filósofos iluministas fizeram críticas à Igreja Católica.
• Os sistemas políticos e econômicos do século XVIII também foram influenciados pelas
ideias iluministas.
• O mundo contemporâneo é bastante influenciado pelas ideias iluministas.
Após refletir sobre essas afirmações, converse com os colegas e o professor para certificar-se
de que todos compreenderam os conteúdos e as habilidades trabalhados neste capítulo.

49

:03 PM 11/5/18 4:03 PM


dos pelas instituições religiosas eram um obstáculo a
um mundo racional (EF08HI01).
• Forneça aos alunos exemplos de como os sistemas
políticos e econômicos, tanto daquela época como do
mundo contemporâneo, foram influenciados pelo mo-
vimento iluminista (EF08HI01).

49

11/6/18 4:49 PM
ítulo
Objetivos do capítulo Cap
• Entender que, antes da

A Revolução
chegada dos ingleses na
América, esse território
era habitado por povos

Americana
indígenas.
• Compreender o proces-
so que resultou na in-
dependência das Treze
Colônias.
• Reconhecer o pionei-
rismo dos Estados Unidos
na criação de um governo
republicano baseado em
uma Constituição com
princípios democráticos.
• Analisar as consequên-
cias da colonização in-
glesa da América para as
populações nativas.
• Verificar a participa-
ção das Treze Colônias
no comércio de povos
africanos escravizados e
a exploração da mão de
obra africana, sobretudo,
nas colônias do Sul.

Orientações gerais

• As imagens de aber-
tura deste capítulo pro-
porcionam uma discus-
são sobre o contexto da
Revolução Americana,
que aconteceu no século
XVIII, com a independên-
cia dos Estados Unidos.
Comente com os alunos
que o Monte Rushmore,
retratado nestas páginas,
é um monumento escul-
pido em granito com a
representação dos rostos
de quatro presidentes dos
Estados Unidos: George
Washington (1), Thomas
Jefferson (2), Theodore
Roosevelt (3) e Abraham
Lincoln (4). Esses presi-
Monte Rushmore,
dentes protagonizaram
Dakota do Sul,
muitos dos aconteci- Estados Unidos, 2018.
mentos que marcaram
os primeiros 130 anos da 50
história dos Estados Uni-
dos da América enquan-
to território indepen-
dente. A construção do 11/5/18 4:03 PM
monumento teve início
em 1927, terminando em
1941, e contou com cerca
de 400 trabalhadores.

50

11/6/18 5:10 PM
• Explore a imagem des-
ta página com a turma,
As Treze Colônias inglesas na América conquis-
pedindo-lhes que identi-

Arquivos Nacionais e Administração de Registros, Washington, D.C.,


EUA/Susan Law Cain/Shutterstock.com
taram sua independência em meados do século XVIII. fiquem alguns elementos
Jess Kraft/Shutterstock.com

Esse processo, conhecido como Revolução America- do documento, como a


na, foi marcado por diversos conflitos entre ingleses data, o local e a forma de
e colonos americanos. Ao final dos conflitos, a Revo- escrita. Aproveite para
avaliar o conhecimento
lução Americana deu origem ao primeiro Estado re-
prévio dos alunos, quan-
publicano e democrático das Américas. to à Declaração de Inde-
Observe as imagens destas páginas e converse pendência dos Estados
com os colegas sobre as questões a seguir. Unidos, questionando-os
sobre o contexto em que
esse documento foi es-
Veja as respostas das questões nas orientações ao professor.
A No monumento estão representados George crito, sobre o que ele tra-
ta e sobre sua importân-
Washington, Thomas Jefferson, Theodore
cia para a população es-
Roosevelt e Abraham Lincoln. Quem foram
tadunidense.
essas pessoas?
B Converse com os colegas sobre o que você
já sabe sobre o processo de independência Respostas
Fac-símile da Declaração de Independência
dos Estados Unidos. A George Washington
dos Estados Unidos, 1776.
C A Declaração de Independência, de 1776, foi o primeiro presidente
é um documento considerado de grande dos Estados Unidos. Pre-
importância para a história dos Estados
sidiu a convenção que
elaborou a Constituição
Unidos. Você sabe por quê? Comente.
da Filadélfia, em 1787, e
comandou o exército du-
rante a guerra de Inde-
pendência dos Estados
Unidos. Thomas Jefferson
foi o responsável pela
assinatura do documen-
to que declarou a inde-
pendência dos Estados
Unidos. Era a favor dos
ideais da República e do
Iluminismo e defendeu
os direitos dos estados.
Theodore Roosevelt foi
presidente a partir de
1901. Liderou reformas
progressistas e defendeu
a influência sobre os ter-
ritórios latino-america-
nos por meio de uma po-
lítica externa mais agres-
siva. Abraham Lincoln
foi presidente durante a
Guerra da Secessão. Em
1863, proclamou a decla-
ração pela libertação dos
escravizados.
B Resposta pessoal. Es-
pera-se que os alunos já
conheçam algum aspecto
da independência dos Es-
tados Unidos, como o fe-
51 riado de 4 de julho, a valo-
rização de seus símbolos
nacionais ou a influência
que esse movimento teve
:03 PM 11/5/18 4:03 PM em eventos no Brasil.
C Resposta pessoal.
Espera-se que os alunos
comentem que esse do-
cumento foi responsável
por institucionalizar vá-
rios direitos dos cida-
dãos estadunidenses.

51

11/6/18 5:10 PM
Os ingleses na América
BNCC
O conteúdo abordado
nesta página contempla o
Os ingleses fizeram as primeiras tentativas de colonizar territórios na América
trabalho com a habilidade
EF08HI07 ao contextua- ainda no início do século XVI. Essas primeiras tentativas, no entanto, fracassaram.
lizar o início da coloniza- Somente a partir do século XVII, a ativida-
ção inglesa na América. Domínios ingleses na América
de colonizadora ganhou força, principalmente
Ao explorar o tema com

E. Cavalcante
por meio da atuação das companhias de co-
a turma, oriente-os na
mércio, que organizaram a migração de colo-
identificação dos aspec- Massachusetts

tos populacionais das


(Maine) nos para a América. Esses imigrantes eram
colônias e suas confor- de origem variada, incluindo desde famílias
New Hampshire
mações territoriais. Nova burguesas perseguidas por sua religião até
York Massachusetts
Grandes Rhode camponeses miseráveis que haviam sido
Lagos Island expulsos de suas terras. Além dos ingleses,
Orientações gerais Pensilvânia
Connecticut
migraram para a América irlandeses, escoce-
39° N
Nova Jersey
• Para contextualizar o Maryland
Delaware
ses, franceses e alemães.
início da colonização dos Em uma grande faixa no litoral leste da
ingleses na América, co- Virgínia América do Norte, foram fundadas treze co-
mente com os alunos que lônias, que são comumente divididas em
OCEANO
no final do século XVI, Carolina ATLÂNTICO colônias do Norte, do Centro e do Sul.
com o incentivo da rainha do Norte

da Inglaterra, Elizabeth I, Carolina


Colônias do Norte
a expedição liderada por do Sul
Colônias do Centro
Sir Walter Raleight já ha- Colônias do Sul
Geórgia N
via chegado à América O L
do Norte, dando à terra S
0 230 km Fonte: BLACK, Jeremy (Ed.). World History
encontrada o nome de 71° O Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005. p. 129.

Virgínia. Nessa fase, o


empreendimento foi or-
Sociedade Histórica de Nova York, EUA/Akg-images/Fotoarena

ganizado pela Companhia


de Londres, composta por
comerciantes ingleses. No
entanto, foi somente no
final da década de 1600
que a colonização se con-
solidou nesse território.
• Explore o mapa da pá-
gina com os alunos, auxi-
liando-os, se necessário,
na identificação das Treze
Colônias. Comente que a
divisão entre colônias do
Norte, do Centro e do Sul
refletia não apenas uma
divisão territorial, mas
o tipo de colonização, as
formas de exploração dos
recursos e o modo de ocu-
pação, como será estuda-
do nas páginas seguintes.
Representação de colonos ingleses na América do Norte, no início do século XVII. Peregrino indo à igreja,
• Ao analisar a imagem óleo sobre tela de George Henry Boughton, 1867.
com os alunos, peça-lhes
que comentem quem 52
eram as pessoas que
imigravam para a Améri-
ca do Norte, suas origens
e motivações. Comente 11/5/18 4:03 PM
que, além dos imigrantes
europeus, as colônias fo-
ram habitadas por povos
africanos que sofreram
um processo de migra-
ção forçada por meio do
tráfico de escravizados.

52

11/6/18 5:10 PM
Orientações gerais
As Treze Colônias

Capítulo 3
jgorzynik/Shutterstock.com
• Comente com os alu-
As colônias do Norte foram povoadas, em grande nos que a empreitada da
parte, por puritanos perseguidos na Inglaterra, como viagem para as colônias
os tripulantes do navio Mayflower, que fundaram a inglesas na América deu
colônia de Massachusetts, em 1620. A sociedade que origem ao documento
se formou nessas áreas era dominada por líderes que justificou a ocupa-
puritanos e sua economia era baseada na pequena ção do continente, o Pac-
to do Mayflower, escrito
propriedade familiar, onde se praticava a agricultura
em 1620 por súditos do
e a pecuária para o sustento dos colonos e o comér- rei da Inglaterra a bordo
cio do excedente. do navio de mesmo no-
As atividades que ofereciam maiores lucros eram me. Com teor religioso,
a pesca e a caça. Os peixes eram salgados e expor- o documento tornou-se
a base para a teoria do
tados, e as peles de animais eram beneficiadas e
destino manifesto, utili-
vendidas entre os colonos ou enviadas para a Euro-
zando a constante alusão
pa. Nessa região, também foram desenvolvidas a a Deus como estratégia
extração de madeira, a construção naval, a produção política. Leia a seguir um
de utensílios agrícolas e a fabricação de tecidos. trecho desse documento.
A exploração das colônias do Sul, por sua vez, [...]
“Em nome de Deus,
teve início com a fundação de Jamestown, na
Amém. Nós, cujos nomes
Virgínia. Nessas áreas, o clima mais quente e a vão subscritos, súditos
Réplica do Mayflower em Plymouth,
qualidade do solo eram propícios à produção de ar- fiéis de nosso respeitável
Massachusetts. Fotografia de 2018.
tigos tropicais, como o tabaco, a cana-de-açúcar e soberano Senhor, Rei Jai-
o algodão. A economia dessas colônias consistia na me, havendo empreendi-
Puritanos: calvinistas ingleses que migraram do, para a glória de Deus
produção monocultora em grande escala, voltada para a América para fugir das perseguições
e progresso da fé cristã, e
religiosas que aconteciam na Inglaterra.
para o mercado externo. honra de nosso rei e país,
uma viagem para implan-
tar a primeira colônia no
Acontecimentos da Revolução Americana Nordeste da Virgínia, pe-
lo presente, solene e mu-
Observe, na linha do tempo a seguir, os principais fatos ocorridos durante a tuamente, na presença
Revolução Americana. de Deus, uns perante os
outros, convencionamos
a nossa união num corpo
1750 1760 1770 1780 1790 político civil, para me-
lhor ordenar, preservar
e aperfeiçoar as finalida-
1756 1781 des antes mencionadas;
1770 1775 e, em razão disso, pro-
Início da Guerra Após seis anos de
dos Sete Anos, entre Massacre Início das guerras
conflitos, o exército
mulgar, constituir e com-
de Boston. pela Independência por leis justas e iguais,
Inglaterra e França. inglês é derrotado.
das Treze Colônias ordenações, atos, consti-
inglesas. tuições e cargos públicos,
1764 1773 1783 de tempos em tempos,
Festa do Chá
Lei do Açúcar e Inglaterra como for julgado mais
Lei da Moeda.
de Boston. 1776 reconhece a adequado e conveniente
Declaração de independência para o bem geral da Colô-
Independência das dos EUA. nia, ao qual prometemos
Treze Colônias.
1774 1787 a todos a devida submis-
1765 Leis Intoleráveis e 1778 É promulgada a são e obediência”.
Lei do Selo Primeiro Congresso A França reconhece a Constituição dos Estados [...]
(abolida em 1766). Continental. independência dos EUA. Unidos da América. COMPARATO, Fábio Konder. A
afirmação histórica dos direitos
53 humanos. 5. ed. São Paulo:
Saraiva, 2007. p. 102.

Sugestão de atividade Linha do tempo


:03 PM 11/5/18 4:03 PM

Caso julgue pertinente, explore a linha do dri (1750), que redefiniu as fronteiras entre a Aproveite o momento para avaliar a aprendi-
tempo, pedindo aos alunos que façam compa- América portuguesa e espanhola; a transfe- zagem dos alunos sobre os diferentes processos
rações com o que está acontecendo no mesmo rência da capital de Salvador para o Rio de Ja- de colonização da América já estudados. Essa
período em outras colônias americanas, prin- neiro (1763); a emissão do alvará que proibia abordagem contempla a competência específi-
cipalmente no Brasil. Eles poderão comentar, as indústrias no Brasil (1785) etc. ca de Ciências Humanas 5, pois contribui para
por exemplo, a assinatura do Tratado de Ma- o desenvolvimento da noção de simultaneidade.

53

11/6/18 5:10 PM
O comércio triangular
BNCC
O trabalho com o te-
ma comércio triangu-
Conhecido como comércio triangular, as atividades comerciais estabelecidas entre a
lar e a análise do mapa
apresentado na página Inglaterra, as colônias da América do Norte e a África formavam uma rede de trocas
possibilitam o desenvol- interdependentes. A África fornecia mão de obra escravizada para o trabalho nas co-
vimento da competência lônias. A matéria-prima produzida nas colônias americanas, principalmente pela mão
específica de História 5, de obra escravizada, era enviada para a Inglaterra, que, por sua vez, a transformava em
permitindo aos alunos produtos manufaturados. Esses produtos eram enviados para colônias americanas, pa-
analisarem e compreen- ra serem vendidos, e também para a África, para serem trocados por escravizados.
derem o movimento de
populações e mercado- Observe o mapa a seguir.
rias que se estabeleceu
com as relações comer- O comércio triangular (século XVIII)
ciais entre as colônias da

E. Cavalcante
América do Norte, o con-
tinente africano e a In- INGLATERRA
glaterra, no século XVIII. Liverpool
Bristol
A análise do mapa pos-
sibilita, também, o traba- joias FRANÇA
as e
lho com a competência , arm ão

dos mas
Nova York cidos
Rum, te od ESPANHA
alg

ar
específica de Ciências re PORTUGAL

se
Richmond a
çúc
Humanas 7 ao favore-

ido
s, a
Peles, tabaco, corante

aviza
Charleston

Ferro, tec
cer o uso da linguagem Mobile

Escr
cartográfica no desen-
volvimento do raciocínio Golfo do
México OCEANO
espaço-temporal, rela- ATLÂNTICO
JAMAICA
cionado às conexões co-
merciais estabelecidas Esc
Gorée
por meio do comércio rav
iza
dos
Cacheu
triangular. Caso julgue LIBÉRIA Cabo da
Costa do Marfim
necessário, auxilie os
alunos na interpretação Equador

do mapa, orientando-os N

quanto aos sentidos das O L

setas e o significado das Rota de comércio de escravizados 0 800 km S

cores, apresentados na Rota de matérias-primas das colônias inglesas 0°

legenda. Rota de produtos manufaturados da Inglaterra Fonte: BLACK, Jeremy (Ed.). World History Atlas.
Londres: Dorling Kindersley, 2005. p. 84.
O trabalho com a seção
Enquanto isso... no Brasil
contribui para o desen- Enquanto isso... no Brasil
volvimento da noção de
Na segunda metade do século XVIII, a comercialização dos produtos brasileiros
simultaneidade ao pos-
sibilitar a comparação na Europa era controlada pelas companhias de comércio, que organizavam frotas
entre acontecimentos para o transporte marítimo de mercadorias.
referentes às dinâmicas Nessa época, vários cultivos foram desenvolvidos, como os de tabaco, algodão
comerciais desenvolvi- e cacau; mas o principal produto brasileiro continuou sendo o açúcar. Também
das em diferentes colô-
tinham grande importância o ouro e os diamantes.
nias americanas, em um
mesmo recorte temporal. Havia comerciantes do Rio de Janeiro e de Pernambuco que negociavam produtos
Isso contempla a abor- diretamente com portos da costa africana. Era proibido pela Coroa portuguesa que a
dagem da competência Colônia comerciasse direto com outras regiões, mas isso ocorria de maneira ilegal.
específica de Ciências
Humanas 5.
54

Orientações gerais
g20_ftd_lt_8vsh_c3_p050a055.indd 54 11/5/18 4:03 PM

• Caso queira aprofundar o estudo sobre o comércio > Banco de dados do tráfico transatlântico de escra-
transatlântico de escravizados, consulte o site indicado vos. Disponível em: <https://www.slavevoyages.org/>.
a seguir, que possui um vasto banco de dados referente Acesso em: 11 out. 2018.
ao tráfico de escravizados. Nesse site você vai encontrar
também vários mapas detalhados sobre esse tema.

54

g20_ftd_mp_8vsh_c3_p054.indd 54 7/10/19 7:12 PM


BNCC
História em

Capítulo 3
Colônias de exploração As questões a e b, apre-
construção e de povoamento
sentadas na seção, con-
tribuem para o desenvol-
vimento da competência
Os Estados Unidos estão entre os países mais desenvolvidos do mundo. Já específica de História 6
muitos países da América Latina ainda se encontram entre os mais pobres. Quais ao possibilitar que os alu-
seriam as explicações para diferenças tão grandes no desenvolvimento? nos verifiquem diferentes
Na década de 1940, o historiador brasileiro Caio Prado Júnior procurou explicar o abordagens historiográ-
desenvolvimento desigual entre os países americanos com base em dois tipos de colô- ficas que explicam o de-
senvolvimento desigual
nias implantadas na América: as colônias de exploração e as colônias de povoamento.
dos países da América.
De acordo com esse historiador, nas colônias de exploração teria ocorrido uma
intensa exploração das riquezas com grande utilização de mão de obra escraviza-
da. Os colonos portugueses ou espanhóis que se estabeleceram nessas colônias Orientações gerais
desejavam enriquecer rapidamente e retornar à Europa. Esses seriam alguns dos
fatores que explicariam o baixo desenvolvimento socioeconômico do Brasil e de
•A seção comenta as
ideias de Caio Prado Jú-
outros países da América Latina. nior e os conceitos de
Por outro lado, nas colônias de povoamento os colônia de exploração e

Michael Sean O'Leary/Shutterstock.com


colonizadores pretendiam morar definitivamente colônia de povoamento.
Para subsidiar o trabalho
na América, por isso passaram a desenvolver
com esse tema, leia o tre-
atividades com o objetivo de atender às suas cho a seguir.
próprias necessidades, cultivando alimentos pa- [...]
ra seu próprio consumo, instalando manufaturas Nas [...] colônias tropi-
e construindo escolas para seus filhos. Esses cais, inclusive no Brasil,
seriam alguns dos motivos que, de acordo com não se chegou nem a en-
Caio Prado Júnior, explicariam o maior desen- saiar o trabalhador bran-
co. Isto porque nem na Es-
volvimento de regiões como os Estados Unidos Réplica de moradia colonial do século XVII em panha, nem em Portugal,
e o Canadá. Plymouth, Massachusetts. Fotografia de 2018. a que pertencia a maioria
No entanto, para explicar essas diferenças, cada vez mais os historiadores têm delas, havia, como na In-
glaterra braços disponí-
questionado a simples oposição entre colônias de exploração e de povoamento. veis e dispostos a emigrar
Para o historiador Ciro Flamarion Cardoso, por exemplo, para analisar melhor o a qualquer preço. [...]
processo de colonização, é preciso entender as especificidades de cada uma das [...] as colônias tropicais
colônias e seus respectivos colonizadores. tomaram um rumo intei-
ramente diverso do de
Um dos fatores fundamentais dessa análise é a questão da organização do siste- suas irmãs da zona tem-
ma colonial. A colonização feita por portugueses e espanhóis teria sido muito mais perada. Enquanto nestas
centralizada e organizada do que a colonização empreendida pelos ingleses. Assim, se constituirão colônias
por se desenvolverem sem a rígida administração da metrópole, os moradores das propriamente de povoa-
mento [...], escoadouro
Treze Colônias tiveram melhores condições de se organizar com base em seus pró- para excessos demográfi-
prios interesses, o que teria favorecido seu desenvolvimento econômico e social. cos da Europa que recons-
tituem um novo mundo,
Pode-se concluir, contudo, que apenas o estudo das formas de colonização não
uma organização e uma
é suficiente para explicar o desenvolvimento desigual entre os países da América. sociedade à semelhança
a ) Como Caio Prado Júnior explicou as diferenças entre os Estados Unidos e a do seu modelo e origem
América Latina? europeus; nos trópicos,
pelo contrário, surgirá um
b ) Por que atualmente a classificação criada por Caio Prado Júnior é consi- tipo de sociedade inteira-
derada insuficiente para explicar o desenvolvimento desigual dos países mente original. [...]
da América? Veja as respostas das questões nas orientações ao professor. PRADO JÚNIOR, Caio. Formação
do Brasil Contemporâneo. 6. ed.
São Paulo: Brasiliense, 1961.
p. 21; 24-25.
55

:03 PM Respostas 11/5/18 4:03 PM

a ) Caio Prado Júnior explicou essas diferenças terem sido uma colônia de povoamento, onde des dos processos de colonização, por exem-
com base no tipo de colônia instalada em cada os moradores escolheram morar permanente- plo, o fato de que a colonização promovida por
uma dessas duas regiões. A América Latina, mente e não tinham apenas intenções explora- Espanha e Portugal teve uma característica
por ter sido constituída como uma colônia de tórias, tornaram-se mais desenvolvidos. mais centralizada, organizada e controladora, o
exploração, apresenta mais problemas sociais b) Porque os estudos recentes consideram im- que dificultou a constituição da colônia de for-
e mais desigualdade. Os Estados Unidos, por portante analisar também outras especificida- ma mais autônoma por parte dos colonos.

55

11/6/18 5:10 PM
BNCC
O trabalho com o pro- O processo de independência
cesso de independência
das Treze Colônias con-
das Treze Colônias
tribui para o desenvol- O descontentamento dos colonos diante da intervenção do governo britânico
vimento da habilidade deflagrou o processo de independência das Treze Colônias.
EF08HI07, apresentan-
do os diferentes aconte-
cimentos que resultaram A Guerra dos Sete Anos
na independência das
colônias inglesas. Ex- A Guerra dos Sete Anos envolveu vários Estados europeus e também suas áreas
plore o assunto com os coloniais na América e na Ásia. Nesse conflito, a Inglaterra aliou-se à Prússia para
alunos, de modo que eles enfrentar as forças francesas, austríacas, suecas e russas. A disputa por áreas colo-
possam identificar os niais na América e na Ásia, travada entre Inglaterra e França, fez que o conflito entre
descontentamentos dos os colonos franceses do Canadá e os colonos ingleses das Treze Colônias começasse
colonos quanto ao gover- antes mesmo dos conflitos na Europa.
no britânico, os conflitos
que surgiram no período
Museu do Exército, Paris, França/Photo © CCI/
Bridgeman Images/Easypix

e suas consequências. O
objetivo é levá-los a con- Prússia: reino
localizado na
textualizar esses aconte- região centro-norte
cimentos como parte do da Europa que, no
processo que culminou século XIX, foi
na independência das incorporado ao
Império Alemão.
Treze Colônias.

Orientações gerais

• Sobre o processo de Cartaz de recrutamento de


soldados franceses para lutar
independência das Treze na Guerra dos Sete Anos, 1757.
Colônias, consulte o livro
a seguir, que traz um es-
Na América, os conflitos ocorreram tanto nas colônias do Norte quanto nas do Sul.
tudo dos acontecimen-
Os ingleses foram vitoriosos e, por meio do Tratado de Paris (1763), receberam o
tos que culminaram na
independência a partir Canadá francês e a Flórida espanhola. As colônias inglesas se viram livres da ameaça
de documentos, mapas de um ataque francês ou espanhol em suas fronteiras, uma situação positiva para
e outras fontes históricas sua expansão.
do período. Estados Unidos:
a formação da nação
Coleção particular/Everett Historical/Shutterstock.com

> JUNQUEIRA, Mary A.


Leandro Karnal. São Paulo:
4 de julho de 1776: In- Contexto, 2007.
dependência dos Esta- Esse livro apresenta a trajetória
dos Unidos da América. histórica dos Estados Unidos da
São Paulo: Companhia América e propõe uma reflexão sobre
o processo de formação desse país.
Editora Nacional/Lazuli,
2007. (Rupturas).
Os colonos da América do Norte
também foram incentivados a se
unir para lutar contra os colonos
franceses durante a Guerra dos
Sete Anos.“Junte-se ou morra”,
desenho feito por Benjamin Franklin
por volta de 1754, publicado no
jornal Gazeta da Pensilvânia.

56

11/5/18 4:03 PM

56

11/6/18 5:10 PM
Orientações gerais
As consequências do conflito

Capítulo 3
• Sobre a associação Fi-
Com o fim do conflito, a Inglaterra, mesmo sendo a grande vitoriosa, encontra- lhos da Liberdade (Sons
va-se em difícil situação financeira, com seu tesouro esgotado por causa das of Liberty), comente com
despesas de guerra. os alunos que ela foi fun-
dada em 1765 em reação
Para aumentar as receitas e pagar as dívidas, o Parlamento britânico aumentou a
à Lei do Selo. Formada
intervenção econômica nas colônias. Na tentativa de reforçar sua política mercantilista, principalmente por jorna-
a Inglaterra impôs uma série de leis (Acts), que causaram grande descontentamento listas, artesãos, pequenos
entre os colonos. Veja. comerciantes e advoga-
• A Lei do Açúcar (Sugar Act), de 1764, consistia na regulamentação do comércio dos, a associação organi-
do melaço e do açúcar nas colônias. Essa lei determinava que os colonos deveriam zou diversos atos contra
comprar esses produtos apenas nas Antilhas inglesas, a fim de evitar o contraban- o domínio britânico, entre
eles a Festa do Chá de
do. Além disso, fixava tarifas sobre outros produtos importados pelos colonos.
Boston, que será aborda-
• A Lei da Moeda (Money Act), também de 1764, proibia a emissão de papéis de da na página seguinte.
crédito usados como moeda nas colônias, restringindo sua autonomia financeira.
• A Lei do Selo (Stamp Act), de 1765, determinava que fossem selados e, portanto,
taxados, todos os documentos oficiais, declarações, jornais e demais publicações
feitas nas colônias

Os Filhos da Liberdade
Para fazer frente às pressões inglesas, os colonos se organizaram em associações secretas,
como a dos Filhos da Liberdade. Suas principais funções eram articular a comunicação entre os
colonos, divulgar as ideias iluministas e criticar as arbitrariedades da Metrópole. As mulheres
também participaram do movimento, planejando e fiscalizando os boicotes aos produtos ingleses.

O Massacre de Boston

Coleção particular/Everett Historical/Shutterstock.com


Com a imposição das leis inglesas nas
colônias, vários protestos ocorreram em
diferentes cidades, entre elas Boston,
em Massachusetts.
Em meio a um desses protestos, um in-
cidente que ficou conhecido como Massacre
de Boston acabou servindo de propaganda
revolucionária contra a Inglaterra. O inciden-
te ocorreu em março de 1770, quando uma
multidão de colonos que protestava contra
as novas leis foi alvejada por soldados
britânicos, resultando em cinco mortos e
vários feridos.
O tiroteio ocorreu praticamente no mes-
mo momento em que Frederick North, o
novo primeiro-ministro britânico, sob pres-
são dos colonos, revogava a maioria das
leis, com exceção da que incidia sobre o co- Tropas britânicas atirando contra a multidão, em
mércio de chá. Boston. Panfleto publicado por Paul Revere, 1770.

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:03 PM 11/5/18 4:03 PM

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11/6/18 5:10 PM
Orientações gerais
A Festa do Chá de Boston
• Caso julgue pertinente,
comente com os alunos O comércio do chá levou a crise em Boston ao extremo. Em 1773, o governo britâ-
que durante a formação nico aprovou uma lei que beneficiava a Companhia das Índias Orientais, uma empresa
do Primeiro Congresso de Londres, isentando-a do pagamento de impostos sobre o chá exportado e garantin-
Continental os colonos do a essa companhia o monopólio sobre o comércio desse produto na América.
ingleses ainda não ha-
viam chegado a um con-
Isso abria um precedente para que a Coroa inglesa estabelecesse monopólios em
senso sobre a possível outras atividades comerciais. Em protesto, os colonos de Boston, organizados pela
ruptura com a Inglaterra. Assembleia de Massachusetts, disfarçaram-se de indígenas e invadiram os primeiros
Duas correntes políticas navios carregados de chá que chegaram ao porto, lançando sua carga na água.
se definiram nesse mo-
mento. De um lado es-

Biblioteca do Congresso, Washington D.C., EUA


tavam os patriotas, tam-
bém chamados whigs,
que eram favoráveis à
independência, mesmo
que para isso fosse ne-
cessário lutar contra a
Inglaterra. Esse grupo
era composto por peque-
nos agricultores, intelec-
tuais, trabalhadores as-
salariados e pela ascen-
dente camada burguesa.
Do outro lado, estavam
os legalistas, também
chamados tories, que
mantinham fidelidade
à Coroa inglesa. Nesse
grupo, encontravam-se Os Filhos da Liberdade estiveram envolvidos nas ações que culminaram na Festa do Chá de Boston,
principalmente os altos representada nessa imagem. Litogravura colorida de autor desconhecido, 1789.
funcionários que com-
punham a burocracia
colonial, além de alguns As Leis Intoleráveis e o Primeiro
latifundiários sulistas. Congresso Continental
Indenizar: Como represália às manifestações dos colonos, o Parlamento britânico tomou
cobrir um algumas medidas que nas colônias ficaram conhecidas como Leis Intoleráveis:
prejuízo,
compensar interdição do porto de Boston até que os colonos indenizassem os prejuízos cau-
uma perda. sados pela Festa do Chá; intervenção em Massachusetts, que foi convertida em
colônia real; e a restrição do direito de reunião entre os colonos.
Os colonos, por sua vez, reuniram-se ilegalmente em uma assembleia, formando o
Primeiro Congresso Continental, organizado na Filadélfia, na Pensilvânia, em março de
1774, contando com representantes de todas as colônias, com exceção da Geórgia.
Sua primeira medida foi a criação de uma Associação Continental com o plano de
não importar nem consumir produtos ingleses, além de proibir qualquer exportação
de produtos americanos para a Inglaterra. O resultado foi uma drástica redução das
importações de produtos britânicos, demonstrando a eficácia da associação como
instrumento de pressão econômica e política. Assim, crescia o abismo entre as colô-
nias e a Inglaterra.
58

11/5/18 4:03 PM

58

11/6/18 5:10 PM
Orientações gerais
O Segundo Congresso Continental

Capítulo 3
• Ao abordar a Decla-
Em 1775, os líderes das Treze Colônias se reuniram nova- ração de Independência
mente na Filadélfia para decidir a respeito de seu posicio- das Treze Colônias, co-
namento político perante a Inglaterra. Até aquele momento, mente com os alunos que
as opiniões favoráveis à separação política da metrópole não de acordo com esse do-
eram unânimes. cumento todos os cida-
dãos deveriam ser dota-

Instituto de Arte Sterling e Francine Clark, Williamstown,


Nessa reunião, no entanto, foi decidido que os colonos dos dos mesmos direitos
declarariam sua independência e, se fosse necessário, de- fundamentais, uma vez
clarariam guerra aos ingleses. George Washington, um que estes eram conside-

EUA/Everett - Art/Shutterstock.com
grande proprietário de terras e de escravizados, foi nomea- rados inatos e inaliená-
do comandante das tropas americanas e, por fim, foi esco- veis. Ressalte que o do-
lhida uma comissão responsável por elaborar a Declaração cumento, no entanto, não
considerava cidadãos os
de Independência das Treze Colônias, que ficou pronta em
escravizados, as mulhe-
quatro de julho de 1776.
res e os estrangeiros.
George Washington, óleo sobre tela de Gilbert Stuart, século XVIII.
• Caso julgue oportuno,
apresente aos alunos o
A Declaração de Independência trecho da Declaração a
seguir. Depois, comente
A Declaração de Independência das Treze Colônias determinava que as colônias com eles que essas ex-
passariam a ser estados livres e independentes da Inglaterra, e que cada uma delas ceções contidas no do-
cumento legitimavam,
teria autonomia para aprovar suas próprias leis.
por exemplo, a manu-
Além disso, esse documento determinou que, se o governo não respeitasse os tenção da escravidão,
direitos do cidadão, poderia ser deposto e substituído. A declaração, no entanto, não mesmo após declarada a
considerava cidadãos os escravizados, as mulheres e os estrangeiros. independência de cará-
ter democrático.
[...]
Consideramos estas
verdades como evidentes
EUA/Edwin Verin/Shutterstock.com

por si mesmas, que todos


Salão da Independência, Filadélfia,

O Patriota
Direção de Roland Emmerich, os homens são criados
2000. (165 min). iguais, dotados pelo Cria-
Filme ambientado no contexto das dor de certos direitos ina-
lutas de independência das Treze lienáveis, que entre estes
Colônias americanas, que narra a estão a vida, a liberdade
história do personagem Benjamin
e a procura da felicidade.
Martin e de sua família.
Que a fim de assegurar
esses direitos, governos
são instituídos entre os
homens, derivando seus
justos poderes do consen-
Sino que ficava na Câmara Estadual
timento dos governados;
da Pensilvânia. Em 1776, o sino foi
tocado para convocar a população
que, sempre que qualquer
para a leitura da Declaração de forma de governo se tor-
Independência. ne destrutiva de tais fins,
Atualmente, é conhecido como Sino cabe ao povo o direito de
da Liberdade, um dos principais alterá-la ou aboli-la e insti-
símbolos da Revolução Americana. tuir novo governo, basean-
do-o em tais princípios e
organizando-lhe os pode-
res pela forma que lhe pa-
reça mais conveniente pa-
ra realizar-lhe a segurança
59 e a felicidade. [...]
DECLARAÇÃO de Independência
dos Estados Unidos, 1776. O
portal da História. Disponível em:
<www.arqnet.pt/portal/teoria/
declaracao_vport.html>. Acesso
:03 PM 11/5/18 4:03 PM
em: 11 out. 2018.

59

11/6/18 5:10 PM
Orientações gerais
O apoio francês
• Caso julgue necessá-
rio, auxilie os alunos na Interessado em enfraquecer o poder da Inglaterra, o governo francês decidiu au-
análise da imagem. Cha- xiliar os colonos em seu processo de independência.
me a atenção deles para

Coleção particular/Roger-Viollet/Topfoto/Keystone
Nessa época, no entanto, a França atravessava uma grave cri-
a Estátua do rei Jorge III
se econômica, que foi intensificada por causa dos gastos decor-
(2), que aparece no cen-
tro da gravura. Mostre
rentes do apoio financeiro e militar dado às colônias americanas.
que em primeiro plano Além dessa crise, as ideias republicanas, difundidas pelos colo-
foram representados al- nos americanos e divulgadas na Europa pelos soldados franceses
guns escravizados der- que lutaram na América, acabaram por influenciar um dos mais
rubando a estátua (3). importantes acontecimentos da história da França: a Revolução
Enquanto, em segundo Francesa de 1789.
plano, alguns homens
(4), provavelmente os
senhores dos escraviza- O Tratado de Amizade e Comércio, de 1778, demonstra
o apoio do rei francês aos Estados Unidos.
dos, observam-nos der-
rubando o monumento.
Esses personagens (se- A conquista da independência
nhores e escravizados)
podem ser identificados Com a Declaração de Independência, os conflitos entre estadunidenses e ingleses
pelos trajes que estão intensificaram-se. Sob o comando de George Washington, os estadunidenses enfren-
usando. Por fim, apon- taram o exército inglês e, com apoio militar e econômico da França, conseguiram
te que algumas pessoas importantes vitórias. Esses conflitos duraram cerca de seis anos, até que, em 1781, o
assistem ao ocorrido da exército inglês foi derrotado e expulso da América.
janela de suas residên-
cias (1). Esse exercício
Biblioteca do Congresso, Washington D.C., EUA

contribui para o desen-


volvimento da interpre-
tação de imagens e do
pensamento crítico dos
alunos quanto às repre-
sentações imagéticas.

Resposta
• A estátua do rei Jorge III
representa o domínio
britânico sobre as co-
lônias da América. Por
isso, após ser declarada
a independência dessas
colônias, os moradores
de Nova York se reuni-
ram para derrubar o mo-
numento, simbolizando
o fim da supremacia in-
Representação de moradores de Nova York derrubando a estátua do rei Jorge III, da Inglaterra.
glesa sobre o território.
Gravura de Andre Basset, século XVIII.
Explique aos alunos que
essa atitude representa o
repúdio da população em Explorando a imagem Veja as respostas das questões nas orientações ao professor.
relação ao governo inglês. • O que a estátua do rei Jorge III representa para a população estadunidense? Por
Comente também que que as pessoas da imagem estão derrubando o monumento? Explique.
outras representações
foram feitas a respeito do 60
mesmo evento, muitas
delas romantizadas.

11/5/18 4:03 PM

60

11/6/18 5:10 PM
BNCC
A Constituição dos Estados Unidos da América

Capítulo 3
O conteúdo explora-
do nesta página possi-
No ano de 1787, os líderes da independência convo-
bilita a abordagem da
caram uma reunião entre os representantes dos treze
habilidade EF08HI06
estados americanos. Essa reunião, que ficou conhecida ao apresentar as espe-
como Convenção da Filadélfia, tinha o objetivo de ela-

Coleção particular/Akg-images/
Album/Fotoarena
cificidades da criação da
borar o texto constitucional para a nova nação. Após Constituição dos Estados
quatro meses de discussões, foi aprovada a Constitui- Unidos da América como
ção dos Estados Unidos da América. marco inicial da funda-
ção do Estado autôno-
De acordo com a Constituição, os poderes do país mo. Ao explorar o tema
seriam divididos em Executivo, Legislativo e Judiciário. com os alunos, ressalte
• O Poder Executivo ficaria a cargo do presidente, que a partir desse mo-
eleito por um período de quatro anos e responsável mento as antigas Treze
Alegoria da Constituição dos
por organizar e regular o comércio, manter um exér- Colônias passaram a ser
Estados Unidos. Xilogravura de
reconhecidas como um
cito permanente e administrar as terras públicas. artista desconhecido, 1787.
Estado, governado se-
• O Poder Judiciário seria desempenhado pela Suprema Corte, que ficaria respon- gundo as próprias leis.
sável pela interpretação e aplicação das leis.
• O Poder Legislativo, encarregado de elaborar as leis, seria exercido pelos mem-
bros da Câmara dos Representantes e do Senado, que representavam a população Sugestão de atividade
de cada um dos estados. Esses parlamentares eram eleitos por meio do voto Análise de documento
popular, no entanto, nem todos os estadunidenses tinham o direito de votar. Para Complete a reflexão
ser eleitor, era necessário ter uma determinada renda anual. Além disso, as mu- apresentada no boxe com
lheres, os estrangeiros e os escravizados não podiam participar das eleições. uma atividade de aná-
lise de documento. An-
tes, porém, comente que
Arquivos Nacionais e Administração de Registros, Washington, EUA/B Christopher/Alamy/Fotoarena

A importância da a Constituição Federal


Constituição do Brasil, aprovada em
1988, foi influenciada
A Constituição estadunidense foi
pelas primeiras consti-
muito importante, pois estabeleceu
as bases para a formação da primeira
tuições da época moder-
república da história da América. na. Na sequência, apre-
sente a eles o seguinte
Por essa razão, a Constituição
trecho da Constituição
dos Estados Unidos da América
de 1988.
influenciou não somente alguns
Estados europeus, mas as demais [...]
colônias americanas, que se Art. 5o Todos são iguais
inspiraram nela para instituir os perante a lei, sem distin-
pilares de suas próprias leis. ção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasilei-
ros e aos estrangeiros resi-
dentes no País a inviolabi-
lidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à
Fac-símile da Constituição dos Estados segurança e à propriedade
Unidos da América, de 1787. [...].
A expressão“We the people”significa Art. 6o São direitos so-
“Nós, o povo”. O uso dessa frase no ciais a educação, a saúde,
início da Constituição estadunidense
o trabalho, a moradia, o
pretende reafirmar que era o povo
lazer, a segurança, a previ-
quem estava ditando os artigos e as
dência social, a proteção à
normas ali estabelecidas.
maternidade e à infância,
a assistência aos desam-
61 parados, na forma desta
Constituição.
[...]
BRASIL. Constituição da
República Federativa do Brasil
:03 PM Depois, peça-lhes que produzam um texto sobre a im- dãos de um país. A garantia desses direitos,11/5/18
na prática,
4:03 PM
de 1988. Disponível em:
portância da Constituição para a regulação das relações depende da mobilização da sociedade e da participação <www.planalto.gov.br/ccivil_03/
Constituicao/Constituicao.htm>.
políticas e sociais e para a garantia dos direitos dos ci- política de todos os cidadãos, por exemplo, acompa- Acesso em: 11 out. 2018.
dadãos brasileiros. Caso julgue oportuno, comente que, nhando de perto a aplicação do dinheiro público, fiscali-
apesar de sua importância jurídica, a Constituição por zando o trabalho dos representantes políticos e exigindo
si só não é suficiente para garantir os direitos dos cida- a punição daqueles que desrespeitam as leis.

61

11/6/18 5:10 PM
Orientações gerais
O Estatuto dos Direitos
• Comente com os alu-
nos que as questões re- Em 1791, alguns governadores dos estados americanos apontaram a necessidade de
lacionadas à posse de ar- incluir novos artigos na Constituição. Essas emendas foram chamadas Estatuto dos
mas pela população civil Direitos (Bill of Rights) e consideradas fundamentais para a formação do país. Entre as
nos Estados Unidos têm emendas propostas, estavam a garantia da liberdade de culto, de expressão, de im-
sido alvo de intensos de- prensa e de reunião, além da legalização do porte de armas pela população civil. Leia
bates nos últimos anos. alguns trechos desse documento.
Os diversos homicídios
cometidos com armas de [...]
fogo, entre eles violen-
Artigo I. O Congresso não legislará no sentido de estabelecer uma religião, ou
tos atentados ocorridos
em escolas, trouxeram proibindo o livre exercício dos cultos; ou cerceando a liberdade de palavra, ou de
à tona a reflexão sobre imprensa, ou o direito do povo de se reunir pacificamente, e de dirigir ao Governo
a necessidade de haver petições para a reparação de seus agravos.
um maior controle so- Artigo II. Sendo necessária a existência
bre a comercialização de uma milícia bem organizada à segurança
Jeffrey J Snyder/Shutterstock.com

de armas naquele país. de um Estado livre, o direito do povo de pos-


Informe que, atualmen-
suir e portar armas não poderá ser impedido.
te, em apenas sete dos
cinquenta estados esta- [...]
dunidenses é preciso ter UNIVERSIDADE de São Paulo. Comissão de Direitos Humanos da
licença ou registro para USP. Constituição dos Estados Unidos da América–1787. Biblioteca
Virtual dos Direitos Humanos. Disponível em: <http://www.
obter uma arma de fogo. direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-
Em alguns estados, co- %C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-
Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-
mo o Texas, não há se-
unidos-da-america-1787.html>. Acesso em: 24 set. 2018.
quer idade mínima para
obtê-las. O porte de armas é um tema que gera discussão nos

• Comente também que Estados Unidos até a atualidade. Ao lado, estudantes


protestando contra o uso de armas nos EUA, 2018.
o direito de portar armas
de fogo está previsto na
Constituição dos Esta-
dos Unidos desde 1789. O sujeito na história Thomas Paine
Mesmo havendo pesqui-
sas que indicam a von- Thomas Paine (1737-1809) teve importante participação na
Galeria Nacional de Retratos, Londres, Inglaterra

tade de grande parte da independência dos Estados Unidos. Nasceu na Inglaterra, onde
população estaduniden- trabalhou como cobrador de impostos e dono de mercearia.
se de restringir a venda Em 1774, mudou-se para a Pensilvânia, colônia inglesa na
de armas, as tentativas América do Norte. Na colônia, como jornalista, publicou vários
de exercer maior contro-
artigos defendendo o fim da escravidão e a libertação imediata
le sobre esse comércio
do domínio inglês. Seus textos foram amplamente lidos e in-
esbarram em diversas
dificuldades, entre elas
fluenciaram diretamente a opinião de muitos colonos.
a poderosa indústria Durante as guerras de independência, alistou-se como se-
armamentista e de gru- cretário militar. Para motivar moralmente os soldados, escrevia
pos como a Associação frases, como: “Quanto mais difícil o conflito, mais glorioso é o
Nacional do Rifle (NRA, triunfo”. Também incentivou a união das colônias depois da
na sigla em inglês), que, guerra, sendo um dos primeiros a divulgar a expressão “Esta-
além de estimularem o dos Unidos da América” para se referir à nova nação.
uso de armas, exercem Óleo sobre tela de Auguste
grande influência na po- Millière, cerca de 1886, Por causa de suas convicções políticas, em 1792, ele voltou à
lítica estadunidense. representando Thomas Paine. Europa para participar como parlamentar na Revolução Francesa.

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11/5/18 4:03 PM

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11/6/18 5:10 PM
BNCC
As contradições pós-independência

Capítulo 3
O conteúdo abordado
Com a promulgação da primeira Constituição dos Estados Unidos, foram garantidos nesta página contem-
vários direitos aos cidadãos estadunidenses, entre eles, o direito à vida e à liberdade pla o desenvolvimento
individual. Entretanto, esses direitos não se estenderam a toda a população. da habilidade EF08HI06
ao apresentar as con-
Uma das principais contradições da Constituição estadunidense foi a manutenção tradições do pós-inde-
da escravidão. Por mais de um século após sua promulgação, o regime de trabalho pendência. Ao explorar
escravizado vigorou no país. Nesse período, o número de escravizados aumentou o tema com os alunos,
vertiginosamente, fazendo que a população escravizada nos Estados Unidos fosse a ressalte que a instaura-
maior da América. A primeira nação a garantir legalmente a liberdade individual foi, ção de uma nova nação
baseada na liberdade
portanto, a mesma que manteve cativa grande parte de sua população.
individual era a mesma
Outro grupo populacional numeroso que não foi beneficiado pela Constituição dos que negava direitos bá-
Estados Unidos foi o dos indígenas. Eles foram os primeiros habitantes da região, sicos de cidadania a mu-
mas tiveram suas terras tomadas e foram massacrados pelos colonizadores. lheres, povos indígenas,
povos africanos e seus
Leia o texto. descendentes. Além dis-
so, apesar de os direitos à
Para os índios, a independência foi negativa pois, a partir vida, à liberdade e à pro-
dela, aumentou-se a pressão expansionista dos brancos priedade privada serem
sobre os territórios ocupados pelas tribos indígenas. garantidos pela Consti-

Coleção particular/Akg/North Wind


Picture Archives/Album/Fotoarena
Para os negros escravos, foi um ato que em si nada tuição do novo Estado, a
escravidão foi mantida e
representou. Temos notícia de um grande número de
as populações indígenas
fugas durante o período da Guerra de Independência.
continuaram a ser mas-
Thomas Jefferson declarou que, em 1778, a Virgínia sacradas e terem suas
perdeu 30 mil escravos pela fuga. [...] terras tomadas.
KARNAL, Leandro. Estados Unidos: a formação da nação. São Paulo:
Contexto, 2007. p. 94. (Repensando a história).

Africano escravizado fugindo pelo rio Ohio, na Virgínia, após Orientações gerais
a independência. Xilogravura colorida à mão, século XIX.
• Para mais informações
sobre as contradições da
A Lei do Povoamento e a Constituição estaduni-
WGBH Fundação Boston, Boston, EUA

Marcha para o Oeste dense, leia o capítulo in-


dicado a seguir.
Além de não terem garantido o direito à
cidadania, os indígenas continuaram a ser > KARNAL, Leandro. Re-
explorados após a independência. Em 1862, o volução Americana: Esta-
governo estadunidense criou a Lei do dos Unidos, liberdade e ci-
Povoamento, na qual vendia as terras indígenas dadania. In: PINSKY, Carla
para pessoas dispostas a colonizá-las. As terras Bassanezi; PINSKY, Jaime
vendidas ficavam na região oeste do país, por (Org.). História da cidada-
isso esse evento ficou conhecido como Marcha nia. São Paulo: Contexto,
para o Oeste. 2013. p. 135-158.

Cartaz do início do século XX


anunciando a venda de
terras indígenas no Oeste
dos Estados Unidos.

63

:03 PM 11/5/18 4:03 PM

63

11/6/18 5:10 PM
Orientações gerais

• Para ampliar o traba-


Os africanos na América do Norte
lho com o tema explora- Muitos africanos foram levados para a América do Norte para trabalharem como
do na página, peça aos escravizados. O primeiro navio negreiro, partindo da África, chegou em 1619 à região
alunos que estabeleçam da Virgínia.
uma comparação entre
a exploração do trabalho Todas as colônias da América do Norte receberam escravizados, mas a região Sul
de escravizados no Bra- foi a que recebeu o maior número. Isso acontecia porque nessa região se desenvol-
sil colonial e nas Treze veram diversas plantações, como de tabaco e algodão, e elas precisavam de grande
Colônias. Aproveite o quantidade de mão de obra.
momento para avaliar Estima-se que entre
a aprendizagem deles
Coleção particular/Everett Historical/Shutterstock.com
1619 e 1860 foram leva-
quanto ao tema da es-
dos cerca de 400 mil
cravidão nas colônias
americanas. Espera-se africanos escravizados
que eles comentem que, para os Estados Unidos.
assim como no Brasil,
houve a utilização da
mão de obra escraviza-
da de origem africana
nas Treze Colônias. Ca-
so julgue interessante,
comente que, do total Gravura que representa
de africanos que foram mercado de escravizados
trazidos para a América em Virgínia, 1856.
entre os séculos XVI e
XIX, o Brasil recebeu cer-
ca de 60% do número de
Trocas culturais
pessoas traficadas, en- Os africanos não tinham permissão para cultivar livremente as tradições culturais
quanto as Treze Colônias de seus lugares de origem, como a dança, a religião, os rituais, a culinária e a músi-
receberam aproximada- ca. Por isso, ao longo do tempo, incorporaram costumes e tradições das colônias
mente 5%. inglesas na América do Norte.
Um exemplo do intercâmbio cultural é a religiosidade. Os africanos, muitos deles
seguidores do Islamismo ou praticantes de religiões animistas, incorporaram práticas
do Cristianismo, religião dos colonizadores europeus. Na música, também ocorreu o
intercâmbio cultural. Ritmos e instrumentos indígenas, europeus e africanos se mis-
turaram e deram origem a novos estilos musicais.
Portanto, na América do

Coleção particular/Peter Newark American


Pictures/Bridgeman Images/Easypix
Norte, houve uma importante
troca de tradições culturais e,
até os dias atuais, a matriz
africana da sociedade esta-
dunidense é bastante forte.

Litogravura que representa


escravizados tocando
instrumentos musicais e
dançando no Sul dos Estados
Unidos, século XIX.

64

11/5/18 4:03 PM

64

11/6/18 5:10 PM
Explorando BNCC

Capítulo 3
O assunto explorado
o tema A matriz cultural nesta seção favorece

africana nos EUA


o trabalho com o tema
contemporâneo Diversi-
dade cultural ao possibi-
A matriz cultural africana pode ser facilmente percebida na América do Norte litar uma reflexão sobre a
nos dias atuais, por exemplo, na alimentação, no vestuário, na dança e na música. influência cultural africa-
Ritmos, como blues, stepping e jazz, surgiram pela influência dos afrodescendentes. na na América do Norte.
O canto dos escravizados em ambientes coletivos de trabalho, como forma de Aproveite para explorar
com os alunos a impor-
protesto e resistência cultural, estimulou o desenvolvimento da musicalidade expres-
tância da valorização da
siva e dramática, que deu origem ao blues. matriz africana na cultu-
Criado por alunos afrodescendentes de algumas uni- ra estadunidense.

David Redfern/Redferns/Getty Images


versidades estadunidenses, o stepping é um ritmo mu-
sical que busca preservar as raízes africanas que são
Integrando saberes
um importante componente da identidade desses estu-
dantes. O ritmo da dança é marcado por coreografias e Para ampliar o tra-
sonoridades extraídas do próprio corpo, com a utiliza- balho com esta seção,
ção das mãos, pés, braços e também da voz. O uso promova uma articula-
ção com o componente
desses elementos corporais é uma clara influência das
curricular Arte. Selecio-
danças africanas no stepping. ne algumas músicas de
O jazz é um estilo musical que passou por muitas blues e apresente-as aos
transformações ao longo do século XX. Com origem na alunos. Reserve um mo-
região Sul dos Estados Unidos, em Nova Orleans, por mento da aula para que
Apresentação de B. B. King, considerado eles ouçam as canções
meio de uma combinação de diversos estilos, o jazz um ícone do blues estadunidense. e comentem suas expe-
também possui matriz africana. Uma das características Estados Unidos, 1969.
riências com esse estilo
do jazz é o improviso e a espontaneidade. musical (se já conhe-
Veja a resposta da questão nas orientações ao professor. ciam, o que sabem so-
• Escreva um pequeno texto sobre a matriz
David Re
dfern/Redferns
/Getty Im
ages bre ele etc.). Caso julgue
africana na cultura estadunidense. oportuno, apresente-
-lhes, também, as letras
traduzidas das músicas
selecionadas.
Nina Simone, pianista Depois, comente com
e compositora de jazz, os alunos sobre as ori-
durante um festival nos
gens e influências desse
Estados Unidos, 1970.
estilo musical. Comente
que elas remontam a es-
tilos musicais do século
XIX, como o spiritual, o
blues rural e as worksongs.
Explique-lhes que o spi-
ritual é um estilo musical
que surgiu do encontro
da música africana com
os hinos protestantes.
Esse estilo exerceu gran-
de influência na música
gospel dos Estados Uni-
dos. Já o blues rural era
cantado com bastante
65
sentimento e melanco-
lia pelos escravizados
dos campos de algodão,
acompanhados por ins-
:03 PM Orientações gerais Resposta 11/5/18 4:03 PM
trumentos de corda. As
• O documentário indicado abaixo traz informações so- • Resposta pessoal. Espera-se que os alunos utilizem as worksongs, ou canções
informações pesquisadas e os conteúdos estudados na de trabalho, eram can-
bre a trajetória da artista Nina Simone e pode ser utili-
seção para a elaboração do texto. Se julgar interessan- tadas pelos africanos
zado como subsídio para tratar do tema com os alunos.
te, oriente-os a ampliar as fontes e a pesquisar sobre o escravizados durante as
> What Happened, Miss Simone? Direção de Liz Gar- colheitas de algodão.
tema na biblioteca ou na internet antes de produzirem
bus. Distribuído por Netflix, 2015 (102 min).
seus textos.

65

11/6/18 5:10 PM
Indígenas na América do Norte
BNCC
O conteúdo aborda-
do nestas páginas con-
Quando os ingleses chegaram à América do Norte, milhões de indígenas já
templa o trabalho com
a habilidade EF08HI07 a habitavam. A população indígena da América do Norte era composta por
ao possibilitar que os diferentes povos, como os omahas, os pawnees, os iowas e os sioux. Cada um

bigjom jom/Shutterstock.com
alunos reconheçam a desses povos tinha seu próprio modo de vida, sua forma de organização social
diversidade de povos in- e seus costumes.
dígenas que habitavam
Os sioux, um dos povos indígenas mais numerosos, dedicavam-se princi-
a América do Norte an-
tes da chegada dos eu- palmente à caça como meio de subsistência. A carne do bisão era muito im-
ropeus. Ao explorar o portante em sua alimentação. Desse animal, os sioux também extraíam a pele,
assunto com a turma, que era usada na confecção de tendas, roupas e calçados.
enfatize as consequên-
cias da colonização para

Biblioteca Nacional da França, Paris/Mary Evans Picture Library/Easypix


esses povos e a contí-
nua luta por direitos que
se prolonga até os dias
atuais.

Material digital
• O trabalho com o tema
abordado nestas páginas
também pode ser desen-
volvido com a sequência
didática 3 do material
digital, que aborda os
povos nativos do territó-
rio da América do Norte.

Indígenas sioux em gravura de George Catlin, século XIX.

O massacre de indígenas
Em poucas décadas de colonização, o número de indígenas caiu drasticamente,
pois muitos deles foram mortos durante as guerras de conquista ou por causa da
disseminação de doenças trazidas pelos europeus.
Leia a seguir o relato de um indígena, escrito originalmente em inglês, sobre a
conduta dos colonizadores.

Buscaram por todos os lados bons terrenos, e quando encontravam um,


imediatamente e sem cerimônias se apossavam dele; nós estávamos atônitos,
mas, ainda assim, nós permitimos que continuassem, achando que não valia
a pena guerrear por um pouco de terra. Mas quando chegaram a nossos
territórios favoritos — aqueles que estavam próximo das zonas de pesca —
então aconteceram as guerras sangrentas. Estaríamos contentes em
compartilhar as terras uns com os outros, mas esses homens brancos nos
invadiram tão rapidamente que perderíamos tudo se não os enfrentássemos...
Por fim, apossaram-se de todo o país que o Grande Espírito nos havia dado...
KARNAL, Leandro. Estados Unidos: a formação da nação. 4. ed.
São Paulo: Contexto, 2007. p. 58. (Repensando a história).

66

11/5/18 4:04 PM

66

11/6/18 5:10 PM
Orientações gerais
Indígenas sioux e

Capítulo 3
Christopher Elwell/
• Ao

Shutterstock.com
a luta por direitos

Againstar/Shutterstock.com
abordar com os
alunos a luta dos sioux,
Desde a chegada dos europeus, o povo sioux e comente que, em 1977,
vários representantes
seus descendentes vêm lutando para manter su-
de povos indígenas das
as terras e seus direitos nos Estados Unidos. Em Américas e de Organiza-
1851, foi estabelecido um acordo entre o governo ções Não Governamen-
e os sioux para delimitar as terras que seriam tais (ONGs) se reuniram
ocupadas por eles. na Primeira Conferên-
cia Internacional sobre
Foram criadas, então, reservas sioux nos esta- a Discriminação contra
dos de Dakota do Norte, Dakota do Sul, Nebrasca os Povos Indígenas, em
e Montana. Genebra, na Suíça. Fo-
Como os conflitos por terras não acabaram e ram discutidos diversos
pontos a respeito dessas
pelo fato de minérios terem sido descobertos na populações e foi defini-
região, outros acordos foram criados, diminuindo Filtros dos
do que o termo “mino-
sonhos,
cada vez mais as terras dos sioux. Atualmente, rias étnicas” não seria
amuletos
eles detêm apenas alguns territórios áridos e inós- de origem mais utilizado, sendo
pitos, no estado de Dakota do Sul. lakota. adotado o termo “povos
indígenas”. Levante es-
Os sioux se dividem em três grupos principais: se assunto em sala de
dakotas, nakotas e lakotas. De acordo com dados aula e discuta com os
do ano 2000, os sioux formam uma população alunos sobre esse tema,
de aproximadamente 153 mil pessoas. questionando-os sobre a
utilização do termo “mi-
norias étnicas” e quais
teriam sido os motivos
Indígenas sioux com trajes típicos, que levaram a comu-
em Dakota do Sul, EUA, 2012. nidade internacional a

Fotomontagem de Camila Ferreira. Fotos:


criticá-lo. Caso julgue

Media Pro/Shutterstock.com e Jose Gil/


Doug James/Shutterstock.com, Digital
necessário, comente que
o termo “minorias” ainda
hoje é utilizado para se
referir a grupos de indi-

Shutterstock.com
víduos que se encontram
em situação de desvan-
tagem social. Mencio-
ne que a luta contra os
privilégios dos grupos
dominantes e pela igual-
dade de oportunidades é
uma das características
das chamadas minorias.
A discriminação e as de-
sigualdades sociais que
podem atingir os grupos
“minoritários” podem
ser relacionadas ao sexo,
à etnia, à religião etc.

67

Sugestão de atividade Diálogo


:04 PM 11/5/18 4:04 PM

Para ampliar o trabalho com o tema abor- relação à terra dos indígenas? também, que eles reconheçam o direito da po-
dado, realize uma atividade de diálogo com os > Por que é importante garantir a posse de pulação nativa às terras em que tradicionalmente
alunos sobre a luta dos povos indígenas na terras às populações indígenas? vivem e que lhes foram tomadas pelos coloniza-
América do Norte. Para iniciar o diálogo, faça Eles devem comentar que, de acordo com o re- dores. O objetivo é despertar o senso crítico dos
os seguintes questionamentos: lato, os colonizadores se apossavam dos territó- alunos em relação ao processo que culminou nos
> De acordo com o relato indígena apresen- rios e, quando encontravam alguma resistência, problemas atuais dos povos indígenas que vivem
tado, qual foi a atitude dos colonizadores em travavam guerras para dominá-los. Espera-se, no território estadunidense.

67

11/6/18 5:10 PM
Respostas s deNorte
Atividademão 2. O comércio estabelecido entre a Inglaterra, as colônias da América do
e a África formava uma rede de trocas interdependentes. A África fornecia
obra escrava para o trabalho nas colônias. A matéria-prima produzida nas
6. Resposta pessoal. Es- colônias americanas, principalmente pela mão de obra escrava, era enviada para a Inglaterra,
pera-se que os alunos que, por sua vez, a transformava em produtos manufaturados. Esses produtos eram enviados para
as colônias americanas, para serem vendidos, e também para a África, para serem trocados por escravizados.
percebam a importância 1. As colônias Exercícios de compreensão
desse documento e que inglesas do Norte
foram povoadas, 1. Quais eram as principais caracterís- 7. Sobre a Constituição dos Estados
produzam seu texto com em grande parte,
base no que foi estudado por puritanos ticas das colônias inglesas do Norte? Unidos da América, responda às
perseguidos na
no capítulo. Inglaterra. A E das colônias do Sul? questões abaixo.
sociedade que se
7. a ) Em 1787. a ) Quando ela foi aprovada?
formou nessas 2. Explique como funcionava o comér-
b) Executivo, que ficaria áreas era
dominada por cio triangular. b ) Como ela estabeleceu a divisão
a cargo do presidente; líderes puritanos
Judiciário, desempenha- e sua economia 3. O que foi o Massacre de Boston? Por dos poderes do Estado?
era baseada na
do pela Suprema Corte; pequena que ele aconteceu? c ) O que foi o Estatuto dos Direitos?
Legislativo, encarregado propriedade
familiar, onde se 4. Explique o que foi a Festa do Chá d ) Por que essa Constituição é con-
de elaborar as leis. praticava a
c ) Em 1791, alguns go-
agricultura e a de Boston. siderada importante?
pecuária para o
vernadores dos estados sustento dos 5. O que eram as Leis Intoleráveis? Como
colonos e o 8. Qual foi o papel desempenhado por
apontaram a necessida- comércio do os colonos reagiram a essas leis?
excedente. Nas Thomas Paine no processo de in-
de de incluir novos arti-
colônias do Sul, dependência dos Estados Unidos?
gos na Constituição. Es- por sua vez, o 6. Escreva um pequeno texto sobre a
clima mais quente Veja as respostas das questões 6, 7 e 8 nas
sas emendas foram cha- Declaração de Independência das orientações ao professor.
e a qualidade do
madas Estatuto dos Di- solo eram Treze Colônias.
reitos (Bill of Rights) e propícios à 3. O Massacre de Boston foi um incidente ocorrido na cidade de Boston, em Massachusetts, em março de 1770.
produção de Nessa ocasião, uma multidão de colonos, que protestava contra as novas leis, foi alvejada por soldados britânicos,
foram consideradas fun- artigos tropicais, resultando em cinco mortos e vários feridos. O tiroteio ocorreu praticamente
damentais para a forma- como o tabaco, a Expandindo o conteúdo no mesmo momento em que o novo primeiro-ministro britânico, sob pressão
cana-de-açúcar e dos colonos, revogava a maioria das leis (Acts) impostas após a Guerra dos
ção do país. o algodão. A 9. Leia o texto a seguir sobre a Constituição estadunidense. Sete Anos, com exceção da que
incidia sobre o comércio de chá.
economia dessas
d) Porque estabeleceu colônias consistia
as bases para a formação na produção De muitas formas o texto constitucional é inovador. Começa invocando
monocultora em
da primeira República grande escala, o povo e falando dos direitos, inspirados em [John] Locke. A Nação ame-
da história da América. voltada para o ricana procurava assentar sua base jurídica na ideia de representatividade
mercado externo.
Além disso, influenciou popular, ainda que o conceito de povo fosse, nesse momento, extrema-
alguns Estados europeus 5. As Leis Intoleráveis mente limitado.
e as demais colônias foram medidas
adotadas pelo Já no início da Constituição encontramos a expressão: “Nós, o povo dos
americanas, que se ins- Parlamento britânico
piraram nela para esta- como represália às Estados Unidos...”. Quem eram “nós”? Certamente não todos os habitantes
manifestações dos
belecer as bases das pró- colonos. Entre as das colônias. A maior parte dos “americanos” estava excluída da participa-
prias leis. principais medidas ção política. O processo de independência fora liderado por comerciantes,
estavam: a interdição
8. O inglês Thomas do porto de Boston latifundiários e intelectuais urbanos. Com a Constituição, cada estado, por
até a indenização dos
Paine teve importante prejuízos causados exemplo, tinha a liberdade de organizar suas próprias eleições. [...]
participação na indepen- pela Festa do Chá;
dência dos Estados Unidos.
intervenção em Por seu caráter bastante amplo, a carta magna dos Estados Unidos asse-
Massachusetts, que
Durante as guerras de foi convertida em gurou a sua durabilidade. [...] A Constituição norte-americana estabelece
colônia real; e princípios gerais e suficientemente vagos para garantirem sua estabilidade
independência, alistou- restrição do direito
-se como secretário mili- de reunião entre os e permanência. À Suprema Corte dos Estados Unidos iria caber, no futuro,
colonos. Os colonos,
tar. Também incentivou por sua vez, o papel de interpretar a Constituição e decidir sobre a constitucionalidade
a união das colônias de- reuniram-se
ilegalmente em uma ou não das leis estaduais e das decisões presidenciais.
pois da guerra, sendo um assembleia, 9. a) Porque invoca o povo e fala dos direitos, KARNAL, Leandro. Estados Unidos: a formação da nação. 4. ed.
dos primeiros a divulgar formando o Primeiro inspirados em John Locke, assentando sua base São Paulo: Contexto, 2007. p. 91-92. (Repensando a história).
Congresso jurídica na ideia da representatividade popular, ainda que o conceito de povo fosse limitado naquele momento.
a expressão “Estados Continental,
Unidos da América” para contando com a ) Por que o texto da Constituição dos Estados Unidos é inovador?
representantes de
se referir à nova nação. todas as colônias, b ) Quais grupos sociais foram excluídos da “igualdade de direitos” estabelecida
com exceção da
Geórgia. nos Estados Unidos? Os pequenos proprietários de terras, os artesãos, as mulheres, os
escravizados e os indígenas.
Material digital 4. A Festa do Chá de Boston foi um protesto organizado por colonos dessa cidade contra o monopólio inglês do
68 comércio do chá. No protesto, os colonos, organizados pela Assembleia de Massachusetts, disfarçaram-se de
• Aproveite a finalização indígenas e invadiram navios carregados de chá inglês que chegaram ao porto, lançando sua carga na água.
deste capítulo para propor
aos alunos a avaliação 1
do material digital desta
11/5/18 4:04 PM
coleção, que aborda os
conteúdos dos capítulos
1, 2 e 3.

68

11/6/18 5:10 PM
Passado e presente BNCC

Capítulo 3
A atividade 10, item d,
10. Leia o texto a seguir, publicado logo após Barack Obama ter sido eleito presiden- contribui para o desen-
te dos Estados Unidos. volvimento das compe-
tências específicas de
Barack Obama foi eleito nesta terça-feira [4/11/2008] o primeiro presidente Ciências Humanas 2 e 6,
negro dos Estados Unidos. O fato está sendo considerado histórico, por conta possibilitando que os
do passado de racismo do país. [...] A segregação racial nos EUA começou a ser alunos analisem e re-
legalizada por iniciativa de alguns estados, pouco após a abolição da escravi- flitam sobre o contexto
dão, que ocorreu em 1865, com o fim da Guerra Civil Americana. atual do racismo nos Es-
[...] “A partir dos anos 1880 e 1890, começaram a surgir leis que separavam tados Unidos e elaborem
brancos e negros em tudo”, explicou Diane Morrow [professora da Universida- argumentos que defen-
de da Georgia]. No Sul dos EUA, onde a escravidão era defendida, essa dam ideias e opiniões
que promovam os direi-
separação foi mais forte e os direitos civis dos negros, cada vez mais suprimi-
tos humanos com base
dos. Cada raça passou a ter bairros, escolas, cinemas e transporte próprios. [...]
nos conhecimentos das
Na mesma época da abolição, nasceu a Ku Klux Klan, organização que de- Ciências Humanas.
fendia a restauração da supremacia branca no país. Em contrapartida, começam A atividade 10, item e,
a surgir também os movimentos de direitos civis, que durante o século XX contempla o trabalho com
tiveram um papel importante no combate à discriminação racial. a competência geral 7,
ao solicitar que os alunos
O ônibus de Montgomery elaborem argumentos

Universal History Archive/Getty Images


[...] Iniciativas individuais de alguns cidadãos também foram sobre ações coletivas
decisivas para a igualdade racial. É o caso de Rosa Parks, uma cos- que visem à mudança
tureira de Montgomery, Alabama, que ganhou projeção em 1955. social, usando infor-
mações confiáveis para
Naquele ano, ainda valia a separação de brancos e negros nos defender suas ideias e
assentos dos ônibus do Alabama. Aos brancos estavam reserva- pontos de vista, que res-
dos os assentos da frente e, aos negros, os de trás. Se os assentos peitem e promovam os
estivessem preenchidos e um branco entrasse no ônibus, o ne- direitos humanos.
gro da fileira mais dianteira deveria levantar e ceder-lhe o lugar.
É o que deveria ter feito Rosa Parks, que voltava do trabalho Rosa Parks é presa
num ônibus lotado. Mas ela se recusou a ceder o seu lugar a um após o episódio do
ônibus de Montgomery,
branco. “Vou ter que mandar prendê-la”, respondeu o motorista do
Alabama, 1955.
ônibus. “Então faça isso”, disse a costureira.
Na noite em que Parks foi presa, os movimentos de direito civil começaram
a articular um boicote ao sistema de ônibus de Montgomery. O episódio teve
tanta repercussão que, no ano seguinte, a corte do Alabama declarou incons-
titucional a segregação racial nos meios de transporte.

Martin Luther King


O boicote de Montgomery foi organizado na igreja de um pastor batista
chamado Martin Luther King, que chegou a ser preso durante o episódio. Ele
admirava a ideia da resistência pacifista de Gandhi e os pensamentos de Henry
David Thoreau, que defendia o direito a desobedecer leis injustas e más.
Luther King aplicou o método da desobediência civil para pedir leis iguali-
tárias nos EUA, e por isso ganhou o Nobel da Paz em 1964. Até 1968, quando
foi assassinado, ele discursou mais de 250 vezes pela igualdade, incluindo aí
seu famoso discurso, feito em Washington, em 1963: “Tenho um sonho que
meus quatro filhos viverão, um dia, em um país onde não sejam julgados pela
cor de sua pele, e sim por seu caráter”. [...]
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:04 PM 11/5/18 4:04 PM

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Respostas Legislação
10. a ) No final do século
Só em 1964 [...] o presidente Lyndon B. Johnson aprovou a lei de direitos
XIX, a segregação racial
nos Estados Unidos ocor-
civis que vale até hoje nos EUA. A lei proibia a discriminação em lugares pú-
ria com base em leis que blicos e autorizava o governo dos EUA a processar qualquer estado que
separavam brancos e ne- promovesse a segregação racial. No ano seguinte, o National Voting Rights Act
gros. No Sul do país, essa passou a proibir os estados de impor qualquer restrição racial aos eleitores.
separação foi mais forte e Desde então, aos poucos, os negros foram as-
os direitos civis dos afro-

Everett Collection/Shutterstock.com
cendendo na política e na sociedade norte-
-americanos, cada vez
mais suprimidos. Cada -americana. É o caso de Kwame Kilpatrick, [ex-]
“raça” passou a ter bair- pref