Você está na página 1de 84

CURSO DE

MECÂNICA
AUTOMOTIVA
MOTOR 1

PROIBIDA A REPRODUÇAO, TOTAL OU PARCIAL DESTA OBRA, POR QUALQUER MEIO OU METODO SEM AUTORIZAÇÃO POR ESCRITO
DO EDITOR © TODOS OS DIREITOS FICAM RESERVADOS.
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

2
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Uma depressão adequada, uma grande compres-

MOTOR são, uma combustão eficiente e uma perfeita limpe-


za dacâmara de combustão, são obtidas através da
vedação da câmara. Isto se consegue com a insta-
lação de anéis no pistão, e junta no cabeçote.
O QUE É UM MOTOR?
Um motor é um transformador de energia. O motor TEMPOS DO MOTOR
de combustão interna queima combustível para ob-
ter energia mecânica e calorífica. A energia mecâni- O motor de combustão interna utiliza estas quatro
ca é aproveitada, e a calorífica, dissipada. condições para seu funcionamento normal:
O motor está formado por um ou mais cilindros, que - Admissão
alojam um pistão, o qual está conectado a uma árvo- - Compressão
re de manivelas através de uma biela. - Expansão
- Escape
O motor que a cada movimento, ascendente ou des-
cendente do pistão (curso), faz somente uma des-
COMO FUNCIONA UM MOTOR? sas operações é denominado:
Motor de quatro tempos.
O pistão se movimenta alternativamente e a árvore O motor que em apenas dois cursos realiza as qua-
de manivelas transforma esse movimento em tro operações é denominado:
giratório. Motor de dois tempos.
Um extremo do cilindro é fechado e junto com a
parte superior do pistão formam uma câmara, deno-
minada câmara de combustão.
O movimento do pistão faz variar a capacidade (vo-
lume) da câmara.

Quando o pistão desce, o volume da câmara au-


menta, criando uma depressão ou vácuo. Esta de-
pressão succiona a mistura ar-combustível.
Quando o pistão sobe, há um aumento da pressão
e uma redução da câmara, e isto, aumenta a eficá-
cia da mistura.
Logo após, uma vela de ignição, localizada no ex-
tremo superior do cilindro, acende a mistura compri-
mida.
O pistão é empurrado violentamente para baixo, ge-
rando a força necessária que será utilizada para mo-
ver as rodas.
No final, uma outra subida do pistão permite a saí-
da dos gases queimados, produto residual da com-
bustão.

3
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Motor de
QUATRO TEMPOS
Vamos começar a analizar este motor com o pis-
tãono seu ponto morto superior.

-Admissão
Quando no motor de quatro tempos o pistão co-
meça o seu curso descendente, cria-se uma depres-
são na sua parte superior. Simultaneamente, a vál-
vula de admissão se abre e permite a entrada da
mistura carburante (ar-gasolina).
Este acontecimento é chamado de: admissão.
ADMISSÃO COMPRESSÃO
-Compressão
Logo após, o pistão inicia seu curso ascendente,
EXPANSÃO
no mesmo momento em que a válvula de admissão ESCAPE
se fecha.
Isto ocasiona um aumento da pressão da mistura
contida dentro da câmara (por redução do volume).
Este acontecimento é chamado de: compressão.

-Expansão
Quando o pistão chega novamente ao extremo su-
perior, uma faísca salta entre os eletrodos da vela de
ignição, acendendo a mistura e produzindo uma vio-
lenta combustão dentro da câmara.
Isto se chama: expansão.

-Escape
A explosão empurra o pistão violentamente para
baixo. Quando o pistão volta a subir, a válvula de es-
cape se aberta e, permite que os gases produzidos
pela combustão saiam à atmosfera. Isto se chama:
escape.
O movimento do pistão é transmitido à árvore de
manivelas através biela. Para completar o ciclo dos
quatro tempos, a árvore de manivelas realiza duas
voltas ou revoluções (360 graus + 360 graus = 720
graus).

4
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

MOTOR DE QUATRO TEMPOS pistão no seu interior, e também permite o seu


movimento. É uma peça fixa.
O funcionamento do motor de quatro tempos de
combustão interna está baseado nos seguintes Câmara de combustão: Espaço onde se produzem
princípios : as explosões. Está localizada no interior do cabeçote.
a) A combustão da mistura deve ocorrer numa É uma peça fixa.
câmara hermética, fabricada para esses efeitos.
b) Deve ser atingida a maior compressão possível Cárter: Depósito de óleo lubrificante e refrigeran-
dos gases, antes da combustão te, que tampa a parte inferior do motor. Peça fixa.
c) Deve-se obter a maior expansão dos gases du-
rante a combustão Válvula de admissão: Permite a entrada da mistura
d) Debe-se obter a maior velocidade possível do ao cilindro no momneto correto, e logo depois
pistão, para que ele continue em movimento, mesmo mantém a passagem fechada.
depois da expansão.
Válvula de escapamento : Abre-se para evacuar
os gases resultantes da combustão.

COMPONENTES DO MOTOR Anéis do pistão: Segmentos que permitem o ajus-


te do pistão ao cilindro.
O motor de quatro tempos de combustão interna,
também conhecido como motor a gasolina ou a Comando de válvulas: Administra a abertura das
explosão, está composto por uma grande variedade válvulas através do movimento do Virabrequim.
de peças, que se trabalham em sincronismo,
permitem obter a energia do movimento. Molas de válvulas: Produzem o fechamento das
válvulas, mantendo-as apoiadas no assento.
A seguir estão os principais componentes e suas
respectivas funções: Carburador ou Sistema de Injeção: Ministra o
combustível que alimenta o motor. A mistura está
Pistão: Recebe a força resultante da explosão. É formada por aproximadamente 14.7 partes de ar por
um elemento móvel com forma semelhante a um uma de gasolina, consideradas em peso.
copo invertido, e é impulsionado com um movimento
alternativo retilíneo dentro do cilindro. Velas de ignição: Permitem a produção de faíscas
elétricas destinadas a inflamar os gases comprimi-
Biela: Transmite ao virabrequim a força motriz do dos.
pistão nos tempos de trabalho.
Coletor de admissão: Conduz a mistura do car-
Virabrequim: É o eixo motriz do motor. Recebe a burador até a válvula.
força nos tempos motrizes, e a transfere ao volante.
Coletor do escapamento: (Escapamento) Conduz
Volante: É um acumulador de energia. Recebe e os gases queimados da válvula até a entrada do
fornece energia, e tem um movimento circular escapamento.
contínuo.

Cilindro: Recipiente cilíndrico destinado a alojar o

5
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

TRAJETO DO
PISTÃO Pistão PMS

A distância que percorre

Curso
o pistão, desde sua posição
mais afastada do virabre-
quim, até a posição mais
próxima, é conhecida como PMI
trajeto. A posição mais afas-
União pistão-biela
tada do pistão é o ponto
morto superior (PMS), e a
mais próxima é o ponto
morto inferior (PMI). Biela

Virabrequim 180º

Curso do pistão

Volante
Pistão
CONSIDERAÇÕES SOBRE O
CICLO «OTTO»
O Volante
De acordo a anterior explicação, sobre o
funcionamento do motor, deduzimos que o
pistão pode estar subindo e descendo alter-
nadamente, enquanto o virabrequim gira con- Biela
tinuamente como eixo motriz. Virabrequim
No entanto, o pistão deve ter nos seus pon-
tos mortos uma velocidade igual a zero, que Conjunto básico das peças móveis
é necessário vencê-la a cada fase. É evidente
que quando a manivela chega no ponto críti-
co mais baixo, não vai dar voltas sobre si. Para evitar com o objetivo de que este funcione como acumula-
esse inconveniente, agregamos ao conjunto (pistão, dor de energia nos tempos de trabalho, superando
biela, e virabrequim), um volante na parte posterior assim a velocidade zero do pistão nos pontos mor-
tos.

6
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

DIAGRAMA CIRCULAR TEÓRICO DE


QUATRO TEMPOS. PMS

Considerando as posições relativas do braço da ma-

Curso
nivela do virabrequim, desenvolvemos um diagrama
circular também conhecido como «espiral», que per-
mite representar o funcionamento do motor a Admissão.
explosão. Giro do virabrequim.
No diagrama P-V, trataremos de maneira individual
o gráfico de cada tempo ou fase, levando em conta PMI
que o motor gira no sentido dos ponteiros do relógio.
PMS
TEMPO DE ADMISSÃO
O pistão desce do PMS ao PMI, e o virabrequim
gira 180 graus (meia volta).

TEMPO DE COMPRESSÃO
Compressão.
O pistão sobe do PMI ao PMS, e o virabrequim com-
Giro do virabrequim.
pleta a sua primeira volta girando 180 graus.
PMI
TEMPO DE EXPLOSÃO – EXPANSÃO
O pistão inicia o seu segundo trajeto descendente
do PMS ao PMI, e o virabrequim dá um giro de 180 PMS
graus.

TEMPO DO ESCAPAMENTO
O pistão inicia seu segundo trajeto ascendente do
PMI ao PMS, com o virabrequim girando 180 graus,
completando sua segunda volta, e também o ciclo. Expansão.
Giro do virabrequim.
Na figura apresentamos o desenvolvimento com-
pleto do diagrama teórico circular, onde observamos
a continuidade dos tempos do motor a explosão. PMI

PMS
PMS
Compressão
Escape

Expansão
Admissão

Escape.
Giro do virabrequim.
Diagramas teóricos
circular do motor de PMI
quatro tempos.
PMI

7
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

INCONVENIENTES DO CICLO chegue ao PMI. Estes inconvenientes próprios do ci-


clo teórico, determinam um baixo rendimento tér-
TEÓRICO mico do motor e ao mesmo tempo um consumo in-
útil de carburante. Por estas razões é necessário um
Tal como estudamos no funcionamento teórico do novo ciclo de funcionamento chamado ciclo real, que
motor a explosão, as válvulas se abrem e se fecham é corrigido e executado pelo motor a explosão.
nos pontos mortos do pistão.
Isto produz alguns inconvenientes no
preenchimento do cilindro como, por ejemplo, uma
compressão insuficiente, uma pressão de explosão
CICLO REAL OU PRÁTICO DO MO-
escassa e também um incompleto escape, entre TOR DE QUATRO TEMPOS
outros.
É evidente que o preenchimento dos cilindros é fun- Os inconvenientes do ciclo teórico são superados
damental para a eficiência dos quatro tempos, con- operando uma abertura e um fechamento diferen-
siderando que a admissão da mistura incompleta pro- ciado das válvulas, o que origina um novo
voca uma compressão, explosão e expansão também planejamento sobre o funcionamento do motor, au-
incompletas. Os resíduos de gases queimados mentando o rendimento térmico e a economia do
também significam grandes inconvenientes, porque consumo. A seguir vamos ver as correções efetuadas
ocupam um lugar que deve ser destinado aos gases ao ciclo teórico e suas conseqüências.
novos da mistura carburante. Avanço da Abertura de Admissão (AAA), a válvula
No ciclo teórico, se supõe que na admissão a de admissão se abre antes que o pistão chegue ao
mistura entra ao cilindro com uma pressão atmosfé- PMS; encontra-se totalmente aberta quando o pistão
rica, mas na verdade a mistura atinge esta pressão começa a descer, isto reduz os inconvenientes da
quando o pistão já percorreu boa parte do seu trajeto entrada da mistura ao cilindro, devido ao espaço que
de compressão. ocupa a válvula e à velocidade com que o pistão desce
A pressão residual dos gases de escapamento (ci- até o PMI.
clo anterior), e o calor de trabalho do cilindro, os Retardação no Fechamento da Admissão (RFA), a
quais provocam a dilatação dos gases, diminuem o válvula de admissão permanece aberta por um ins-
espaço dos gases novos e contaminam a composição tante depois do pistão ter passado pelo PMI, já que a
da mistura. velocidade da mistura é alta e continua entrando ao
Outro detalhe importante que devemos levar em cilindro, permitindo um melhor abastecimento.
conta, é a explosão ou combustão. A explosão, con- Avanço da Abertura de Escape AAE, a pressão que
siderada teoricamente instantânea e a volumes im- exercem os gases sobre o pistão, quando este se
portantes, não se ajusta ao fato físico real, conside- encontra perto do PMI, é quase nula, por isso se
rando que a massa gasosa necessita do tempo de (2 antecipa a abertura da válvula de escape para facili-
a 3 milésimas de segundo) para sua inflamação to- tar à saída dos gases queimados ao exterior.
tal. Enquanto a mistura atinge sua combustão total,
o virabrequim gira e o pistão se afasta do PMS. Em
conseqüência, a expansão é mais curta do que o in-
dicado pelo ciclo teórico, o que quer dizer, que o
trajeto motriz sofre uma perda de trabalho mecânico.
Uma vez produzida a explosão e a expansão, os ga-
ses queimados poderiam ser evacuados, no entanto,
de acordo com o ciclo teórico, devem de esperar a
que se abra a válvula de escapamento quando o pistão

8
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

DIAGRAMA CIRCULAR REAL DO PMS


AAA
CICLO DE QUATRO TEMPOS
Os processos de abertura e de fechamento diferen-
ciado das válvulas, fazem com que as fases do motor
não coincidam com os pontos mortos; em conseqüên- RFA
cia, o desenvolvimento do diagrama circular apre-
senta variações importantes em relação ao teórico já
estudado. A continuação vamos ver o diagrama real
circular nos seus quatro tempos, com as possibilida-
des de variação em graus de giro do virabrequim em
cada fase. Admissão AAA-RFA.
PMI

ADMISSÃO AE PMS

Inicia-se em AAA (de 1 o . a 40 o . de giro do


virabrequim antes do PMS) e finaliza em RFA (20o a
40o).

COMPRESSÃO
Inicia-se em RFA e finaliza em AE (20o a 40o). Este é
o tempo mais curto do ciclo.
Compressão
EXPLOSÃO E EXPANSÃO RFA-AE.
Inicia-se em AE e finaliza em AAE (25o a 40o antes
do PMI). A variação do ângulo compreendida entre RFA PMI
AE e PMS se considera «tempo de combustão» e en-
tre PMS e AAE «tempo de expansão ou trabalho».
AE PMS

Explosão-Expansão
AE-AAE.

PMI
AAE

9
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

ESCAPE PMS RFE

Inicia-se em AAE e finaliza em RFE (5o a 20o logo


após ao PMS).

ESPECIFICAÇÕES SOBRE A REGRA DA


DISTRIBUIÇÃO

Denomina-se regra da distribuição a abertura e o


fechamento diferenciado das válvulas. Os fabrican-
tes de motores indicam em tabelas de especificações
os valores da regra.

AAE

PMI
Escape AAE-RFE.

Cruzamento de válvulas

AAA RFE

FE
AA
Ex
pl
os
ão

ão
press
Com

o
ssã

FA
mi
Ad
Es

AE
ca
pe

RFA AAE

Diagrama circular real de um motor


a explosão de quatro tempos.

10
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

MEDIÇÕES DO MOTOR interior de um dos frascos de vidro, ou seja, que


geramos vácuo no seu interior e, depois, tampamos
este frasco; vamos poder comprovar que ele é mais
Diâmetro e curso do cilindro leve que um frasco de vidro com ar no seu interior.

Ao nivel do mar, o peso do ar e conhecido como


O tamanho do cilindro de um motor é determina- pressão atmosférica e ela e de 14,7 libras por
do, geralmente, pelo diâmetro e curso do cilindro. polegada quadrada (PSI), ou 1 atmosfera.

Diâmetro, é a medida interior do cilindro. Curso, é


a distância percorrida pelo pistão ao longo do cilin- Taxa de compressão
dro, ou seja, a distância entre o ponto morto supe-
rior e o ponto morto inferior. Ao fazer referência às
É o volume de um cilindro quando o pistão está no
dimensões, primeiro se diz o diâmetro e depois, o
ponto morto inferior, ou então, a cilindrada mais o
curso.
volume da câmara de combustão dividido pelo
volume da câmara.

Cilindrada do motor Este número indica a quantidade real de ar forçado


pelo pistão e que é comprimido até alcançar o volume
A cilindrada do motor, é o volume do espaço da câmara de combustão.
percorrido pelo pistão quando sobe desde o PMI ao
PMS. O Volume, é calculado multiplicando o curso Se você lê numa revista que a taxa de compressão é
pela área de um círculo que têm como diâmetro o de 9:1, significa que o volume original foi reduzido
cilindro. de 9 para 1 ou, que a pressão atmosférica no interior
do cilindro foi aumentada 9 vezes.
Considere o seguinte exemplo: um pistão com um
diâmetro de 82 mm tem uma área de 5.281 mm2, e
um curso de 75 mm. Multiplicamos a área pelo cur-
so, e o resultado é:
396077,2 mm3 = 396,07 cm3

A cilindrada do motor é igual ao volume de um


cilindro multiplicado pelo número de cilindros do
motor. Se temos um motor de 4 cilindros, temos uma
cilindrada de: 4 x 396,07 = 1584,3 cm3 ou, como
comercialmente se diz, 1600 cm3.

Pressão atmosférica
O ar pode ser pesado e medido. Se colocamos dois
frascos de vidro idênticos e tampados numa balança,
vamos obter a mesma medida. Se retiramos o ar do

11
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Taxa de compressão. Exemplos. Compressão dos cilindros

A taxa de compressão dos motores variam em


função do desempenho e do combustível utilizado. Motor Pressão (psi) Diferença
Esta razão é definida pelo volume total da câmara Alta máxima
de combustão, relacionada com o volume dos cilin- Performance entre
dros. cilindros (psi)
Os motores Alta Performance da VW tem as
seguintes razões de compressão: 1600
UN - gasolina 154 a 184 15
UP- álcool 257 a 287 15
UD e US Gasolina 1800 8,5 : 1 UC- gasolina 132 a 162 15
BW- álcool 213 a 243 15
UE e UT Álcool 1800 12,0 : 1
1800
UQ Gasolina 2000 (1ª fase) 8,5 : 1 UD - gasolina 147 a 176 22
UE - álcool 235 a 265 22
UQ Gasolina 2000 (2ª fase >) 9,0 : 1 US - gasolina 147 a 176 22
UT - álcool 235 a 265 22
UR Àlcool 2000 (1ª fase) 12,0 : 1
2000
UR Àlcool 2000 (2ª fase >) 12,5 : 1 UQ - gasolina 147 a 176 22
UR - álcool 235 a 265 22
UQA/UQB Gasolina 2000 (injeção) 10,0 : 1
2000 2ª etapa
UQ - gasolina 170 a 190 15
UR - álcool 260 a 280 15

2000 I
UQA 180 a 210 15
UQB 180 a 210 15

Tabela de conversões
Unidade Para transformar em: Multiplique por:

PSI kgf/cm2 0,07032

PSI bar 0,06896

PSI atm 0,068003

Fonte: VW do Brasil Ltda.

12
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

MOTORES MULTI-CILÍNDRICOS Em conseqüência, e aos efeitos de superar tais in-


convenientes, projetam-se motores de vários cilin-
dros menores, denominados multi-cilíndricos.
A potência que fornece um motor depende, funda-
mentalmente, da quantidade de mistura carburante
Neles, o andar é mais regular que nos motores
que a explosão produz no cilindro.
mono-cilíndricos, em função de que o virabrequim,
recebe a cada dois giros, o mesmo número de explo-
Os motores com um só cilindro, normalmente, não
sões quantos cilindros tenha.
geram a potência necessária para um automóvel co-
mum, por isso, são usados nas motos, motocicletas,
Outro fator determinante da regularidade do andar
etc.; e sua capacidade de transporte é de uma a três
do motor multi-cilíndrico é que, ao ter varias peças
pessoas. Por outra parte, caso se desenvolvam mo-
em movimento, e todas com o mesmo peso, conse-
tores monocilíndricos com suficiente potência para
guem um contrapeso automático durante toda a ro-
um automóvel, o cilindro teria tais dimensões que
tação.
seria muito difícil a sua instalação, e ao mesmo tem-
po, provocaria inconvenientes técnicos de soluções
Na seguinte figura apresentamos um motor multi-
complexas. Em função disto: o cilindro de grandes
cilídrico com 5 cilindros, onde observamos a posição
dimensões produziria grandes vibrações, devido às
relativa de cada conjunto de biela-pistão, com o vi-
grandes massas (biela-pistão) atuando alternadamen-
rabrequim (incluindo os mecanismos de transmisão).
te, com uma corrida motriz cada dois giros comple-
tos do virabrequim.

13
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

De acordo ao anterior, e com a finalidade de obter 1- Em Linha: Os cilindros instalam-se um atrás do


um funcionamento estável e uniforme, os motores outro.
para veículos dispõem pelo menos de dois cilindros,
existindo outros de três, quatro, cinco, seis e oito 2- Em “V”: Os cilindros são agrupados em uma de-
(eventualmente de 12). Nestes casos, todas as bielas terminada posição, a qual forma um ângulo em re-
são montadas sobre um virabrequim que gira no sen- lação ao eixo do virabrequim, com a variação do ân-
tido horário. gulo entre 20o e 70o.

3- Opostos: Os cilindros se posicionam para am-


bos lados do eixo do virabrequim, formando um ân-
DISPOSIÇÃO DOS CILINDROS gulo de 180o.
Os cilindros de um motor podem ser agrupados
de diferentes maneiras; as mais comuns são: em lin-
ha, em “V” e opostos, mantendo em todos os casos
o mesmo funcionamento que o motor mono-cilín-
drico.

em linha

em «V»

Horizontáis opostos

14
14
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO Válvula

Com o objetivo de administrar a entrada e a saída Entrada da


da mistura, durante a etapa do funcionamento, todo mistura
motor de quatro tempos conta com um mecanismo
de distribuição. O mesmo deve ministrar aos cilin-
dros, na hora correta e em quantidades adequadas, a
mistura carburante (ar – combustível) nos tempos
de admissão, e também permitir a evacuação dos
gases queimados durante a fase de escape.
O mecanismo de distribuição deve, alem disto, ga- Mola
rantir o fechamento perfeito da câmara de combus-
tão durante os tempos de compressão e expansão / Tucho
explosão, evitando qualquer tipo de vazamento de
gases, que produza irregularidades no funcionamento Comando de
do motor. válvula
É também função do sistema de distribuição, a ope-
ração oportuna dos mecanismos do sistema de par- Sistema de distribuição em motores
tida (arranque). (Encarregado também de ministrar a com válvulas laterais.
faísca elétrica) e eventualmente a bomba de com-
- Sistemas de distribuição para motores com vál-
bustível e à de óleo.
vulas nos cabeçotes. (OHV)
De tal modo, sabemos que o sistema de distribuição
O sistema de distribuição com válvulas laterais, saiu
é um mecanismo complexo, o qual possui vários ór-
de linha em função das desvantagens que apresenta
gãos que exercem determinadas funções por si só,
na entrada da mistura ao cilindro, por exemplo, ao
mais ligados entre eles. É importante levar em conta
percorrer um espaço indireto do carburador até o ci-
que os sistemas de distribuição, respondem a fato-
lindro, faz com que se perca a potencia do motor
res técnicos construtivos, tais como, agrupamentos
devido a um preenchimento incompleto.
ou disposição de cilindros, posicionamento das vál-
- Sistemas de distribuição com comandos de vál-
vulas por cilindro, quantidades de comandos de vál-
vulas no cabeçote. (OHC).
vulas entre outros, e em todos os casos se atingiu
Sistema de distribuição para motores com válvulas
um bom resultado.
no cabeçote (OHC). Este sistema tem como objetivo,
superar inconvenientes derivados dos posicionamen-
tos das válvulas laterais e atingir um maior rendi-
CLASSIFICAÇÃO DE SISTEMAS DE mento do motor, para o qual se desenvolveram vá-
DISTRIBUIÇÃO rios sistemas de válvulas no cabeçote (tampa dos ci-
lindros).
O posicionamento das válvulas no cabeçote tem a
De acordo com os fatores antes mencionados, em
particularidade de oferecer varias vantagens das quais
relação à disposição e localização dos cilindros, quan-
os resultados mais importantes são:
tidade de válvulas por cilindro e quantidade de co-
a) A entrada e saída dos gases são mais diretas, e
mandos de válvulas, etc. Os sistemas de distribuição
como conseqüência, também é mais rápida.
classificam-se em:
b) A partida é mais fácil porque as primeiras explo-
- Sistemas de distribuição para motores com vál-
sões se produzem com maior quantidade de mistura
vulas laterais. (SV)
carburante.

15
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

c) Conseguimos um esfriamento dos elementos de O cabeçote deve suportar grandes mudanças de


distribuição de forma mais rápida, porque as válvu- temperatura (ar frio de admissão e ar quente de es-
las estão totalmente rodeadas por câmaras de água. cape), pressões (compressão e explosão). Por isso
d) As câmaras de combustão adotam forma esféri- ele é construído em liga de alumínio, pois assim dis-
ca ou hemisférica, porque é desta forma que as ex- sipa melhor o calor e garante uma maior elasticida-
plosões são mais rápidas e completas. de.
e) Geralmente os elementos componentes são de Observe as válvulas, suas guias, suas sedes, o co-
fácil acesso para efetuar ajustes ou reparos. mando de válvulas, as molas e os balancins com seu
Resumindo, podemos dizer que a localização das parafuso de regulagem. Também observe a tampa do
válvulas no cabeçote, permite uma série de avanços cabeçote que permite o acesso a todos estes elemen-
técnicos – construtivos nos motores, ainda não su- tos.
perados.
Construído em liga especial de alumínio extrema-
mente leve e resistente, incorpora as válvulas e res-
pectivo mecanismo de acionamento, com a adoção
CABEÇOTE do comando de válvulas na cabeça, agindo
diretamente sobre tuchos e válvulas.
O cárter fecha a parte inferior do cilindro e o ca-
beçote "tampa" o extremo superior do mesmo. Nos IDENTIFICAÇÃO
motores antigos o cabeçote era chamado «tampa de A = ADMISSÃO
cilindro» devido a sua simplicidade. Atualmente, o ca- E = ESCAPAMENTO
beçote incorpora uma grande quantidade de compo-
nentes, funções e exigências.

ÁRVORE DE
COMANDO DE
VÁLVULAS

TUCHO
CALÇO DE
REGULAGEM

VEDADOR

Fonte: VW do Brasil Ltda.


VÁLVULA

16
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

COMANDO DE VÁLVULAS Balancim


O comando de válvulas é um eixo que contém Entrada da
cames (ressaltos) os quais são encarregados de mistura
acionar, direta ou indiretamente, a abertura das vál-
vulas.
O perfil do ressalto determina o momento, a
velocidade, a duração e a distância de abertura da
válvula.
O aumento da distância e o tempo de abertura,
aumentam a potência do motor durante as altas ve-
locidades. Porém, a reduzem nas baixas e médias ve-
locidades. Vareta
O comando de válvulas pode localizar-se de duas
maneiras: na parte lateral do motor ou no cabeçote.
A montagem do comando de válvulas no cabeçote
caracteriza o motor assim: SOHC - Single Overhead Tucho
Camshaft (comando de válvulas simples no
cabeçote), ou DOHC - Double Overhead Camshaft
(comando de válvulas duplo no cabeçote). Came
Na sua disposição lateral, geralmente, o comando
de válvulas é um só, mas velhos desenhos de moto-
res aceitavam até dois comandos de válvulas (um para
Sistema de distribuição com válvulas no cabeçote e
escape e outro para admissão).
árvore lateral.

MOLA

MATERIAIS

Esta constituído de uma só peça,a qual produz o


funcionamento dos cames,apoios e bancadas e as
HASTE DA
VÁLVULA transmissões adicionais. O aço utilizado na fabricação
dos comandos de válvulas é forjado e cimentado ou
temperado ou de fundição especial.
No caso do comando de válvulas localizado no blo-
co, normalmente é de fundição, nos alojamentos do
bloco possuem metais de fundições especiais com
ASSENTO fendas de lubrificação, para evitar o desgaste pre-
maturo do eixo de cames ocasionando o desgaste do
CABEÇA
bloco de cilindros.

17
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

TUCHO MATERIAIS
Esta peça é um cilindro que age como um elemen- Os tuchos são fabricados de fundições temperadas
to que empurra, acionado pelo comando de válvu- ou aços especiais, dependendo do tipo de motor no
las. O came permanece em contato com a base do qual trabalham.
tucho constantemente, determinando neste, um
movimento alternativo durante a alçada para permi-
tir a abertura da válvula num período de repouso,
aos efeitos de possibilitar o fechamento da mesma. TIPOS DE TUCHOS
O tucho como elemento intermédio descarta os
contatos laterais sobre a haste da válvula, os quais a) Tuchos mecânicos
se produziriam caso o came agisse de forma direta. b) Tuchos hidráulicos

CARACTERÍSTICAS DA MONTAGEM DA
FÀBRICA

Os tuchos se montam descentrados em relação ao


posicionamento perpendicular do came aos efeitos
de permitir uma constante rotação dos elementos que
empurram. Para conseguir este efeito de giro, os ca-
mes são ligeiramente cônicos apresentando um con-
tato excêntrico com a base do tucho, o que faz com
que este gire um pouco sobre si mesmo cada vez
que se ergue, distribuindo o desgaste em todo o pe-
rímetro da base. Tipos de tuchos.

18
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

TUCHO HIDRÁULICO OHV Vareta

Basicamente, é um tucho pequeno dentro de um


outro maior. O primeiro, não está apoiado no fundo
do segundo, senão sobre uma mola. Ambos tuchos Tucho
possuem furos laterais que coincidem com outros
do bloco do motor, ligados a um conduto de lubrifi-
cação onde circula óleo à pressão. Desta forma, o
lubrificante passa pelos três furos com uma pressão
que vence à resistência de uma bolinha, que está
segura por um braço contra o furo inferior do tucho
interno.

Nestas condições, a pressão do óleo e a tensão do


braço, seguram o tucho apoiado sobre a base da haste
da válvula que está fechada, ou seja, quando a alça- Guia do
da do came não a acionou. tucho

Quando o came aciona o tucho externo, também


movimenta o interno, que fica imobilizado pelo efeito
da mola interior que é aplicado na bolinha, por meio Came cônico
do furo do mesmo por onde passa o óleo. Sendo que
este não se comprime, age como um sólido e ajuda a
vencer a resistência da mola da válvula.

Como conseqüência deste funcionamento, vemos


que, em todo instante existe um contato firme entre
o came e o tucho, e este com a sua válvula ou ele-
mento que empurra, sem medição.
Disposição clássica do tucho.
Neste tipo de tuchos não é necessário regulagens,
já que em caso de variações na distância da válvula
ou haste devido a dilatações, a mesma será absorvi-
da pelo tucho que varia interiormente na sua câmara
de óleo.

Vale a pena destacar, que os tuchos hidráulicos não


possuem reparações, já que são selados de fábrica e
em caso de falhas devem ser trocados.

19
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Assento da vareta

Retentor
do êmbolo

Êmbolo

Mola

Retentor
da esfera

Corpo

Corte Seccional Aspecto Físico

Tucho hidráulico.

Outro detalhe importante do funcionamento nor- tragem do óleo que se manifesta entre o êmbolo in-
mal dos tuchos hidráulicos é que, na hora de ligar do terior e o tucho externo, naqueles tuchos que per-
motor, logo de um bom tempo de inatividade, ouvi- maneceram com pressão.
remos um barulho naqueles tuchos nos quais as suas
válvulas ficaram abertas, pela pressão exercida pelas Mas, depois de algum tempo de funcionamento, o
respectivas molas de válvulas. Isto se deve a uma fil- óleo encherá estes tuchos e o barulho some.

20
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Funcionamento dos Tuchos Hidráu- Canais de alimentação


licos
O óleo utilizado para o funcionamento dos tuchos
Tuchos
provem da galería principal do cabeçote, por inter-
médio de canais de alimentação individualizados.

Saindo sob pressão dos canais de alimentação, o


óleo passa por um orifício existente na canaleta do
tucho, realizando o enchimento do reservatório. Esta
operação ocorre com o alinhamento lateral da cana- Oleo
leta com o canal de alimentação. sob
Galeria principal pressão
do cabeçote

Came
Em seguida, o óleo sob pressão empurra a esfera
para baixo, enchendo a câmara de alta pressão, que Pistão
auxiliado pela mola, desloca o pistão de encontro
ao came do comando.

Ao se apoiar no came, a pressão do óleo da câmara


de alta se iguala com a do reservatório, permitindo
que a mola de sustentação da esfera seja empurrada Esfera
para cima, vedando a passagem do óleo.
Mola
Desta maneira, processa-se o ajuste automático das Câmara de
válvulas, mantendo o tucho sempre apoiado no came. alta pressão

Reservatório

Canal de
alimentação Canaleta

Fonte: VW do Brasil Ltda. Orifício

21
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Posições de trabalho
Tucho
Início de abertura das válvulas apoiado no
Reservatório came
O tucho (pistão) ao ser pressionado pelo came, com-
prime o óleo da câmara de alta pressão, formando Esfera
um tipo de “Calço Hidráulico”:

Desta forma, o tucho passa a ter rigidez para o acio-


Mola de
namento das válvulas do motor.
Câmara de sustentação
Abertura alta pressão da esfera

A resistência oferecida pelas molas das válvulas do


motor durante a abertura, provoca o aumento gra-
dual da pressão de óleo na câmara de alta pressão.

Nesse estágio, um pequeno volume de óleo da câ- Pistão


mara escapa para o reservatório, proporcionando um
“encolhimento” controlado do tucho.

Reservatório Vazão
Calço
Câmara de
hidráulico
alta pressão

Câmara de
Molas alta pressão

Fechamento

Na fase final de fechamento das válvulas, o encol-


himento ocorrido durante o processo de abertura,
favorece o fechamento total das mesmas.
Câmara de
alta pressão
Fonte: VW do Brasil Ltda.

22
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

ABASTECIMENTO DE ÓLEO
Para o rápido enchimento dos tuchos após um pe-
ríodo de parada do motor, a galería principal de lu-
brificção no cabeçote, deve permanecer constante-
mente abastecida de óleo. Isto é possivel, a través de
um dispositivo localizado na região do 4º mancal do
eixo do comando de válvulas.

Funcionamento
Galeria principal
- Motor parado
Tubo calibrado
Enquanto uma parte de óleo da coluna de alimen-
tação retorna ao cárter, o nível da galería principal é Coluna de
mantido pelo tubo calibrado, instalado entre a coluna alimentação
e a galeria.

Um orifício localizado na extremidade da coluna


de alimentação evita o “efeito sifão”, ou seja,
drenagem total do óleo.

Orifício
calibrado

Galeria
principal

Início de funcionamento
Coluna de
O óleo sob pressão, vindo da bomba, sobe pela co-
alimentação
luna de alimentação, empurrando o ar para fora atra-
vés do furo calibrado.
Após essa sangria, um pequeno volume de óleo é
Fonte: VW do Brasil Ltda. constantemente pulverizado pelo orifício calibrado.

23
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Verificações de funcionamento
No funcionamento dos tuchos hidráulicos, é nor-
mal apresentar ruídos enquanto o motor estiver frío,
ou se o nível de óleo estiver baixo. Portanto, substitua-
o somente após uma correta verificação.
Esta verificação é feita com o motor aquecido, a
após um funcionamento de 2 minutos, numa rotação
aproximada de 2.500 rpm.

Persistência de ruído
Remova a tampa de válvulas e teste a vedação dos
tuchos, forçando-o para baixo com um bastão de ma-
deira ou plástico.
Se o tucho ceder mais do que 0,10 mm, deverá ser
substituído.

Observação:
A pressão exercida no bastão não deve exceder 5
segundos. A pressão por tempo mais prolongado au-
mentará a folga progressivamente, tornando a me-
dição incorreta.

Fonte: VW do Brasil Ltda.

24
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Válvulas
Carbono ........................................ 0,3-0,6 %
Denomina-se válvula, ao elemento encarregado do
Manganês ...................................... 0,3-1,5 %
ingresso e regresso, dos gases no motor a explosão
Silício ............................................ 0,1-1,8 %
de 4 tempos.
Cromo ........................................... 12-18 %
Os motores deste tipo possuem pelo menos, uma
Níquel ........................................... 8-15 %
válvula de admissão e uma de escape por cilindro,
Tungstênio ..................................... 1-3 %
sendo acionadas (ambas) pelo sistema de distribuição
As válvulas de admissão e de escape são
semelhantes na forma, podendo defini-las como um
cone chanfrado de expansão cilíndrica central que
determina sua longitude, a qual é quatro vezes maior
que o diâmetro de sua cabeça. Teoricamente, o
diâmetro da cabeça de válvula é aproximadamente Encaixe
1/3 do diâmetro do cilindro.

Sequências de operação
Num motor de 4 tempos, girando a uma velocidade
de 4500 r.p.m, às válvulas abrem e fecham 37 vezes Haste
por segundo qualquer que seja o sistema de
distribuição que as controle.

Exigências
Durante o serviço, as válvulas de um motor estão
submetidas a exigências mecânicas, térmicas, ações Cabeça
oxidantes e corrosivas.
O fato de que as válvulas possam resistir sem rápi- Chanfradura
da deterioração às extremas condições de trabalho,
se deve a que estão fabricadas em aço de alta Válvula.
qualidade, resistentes ao calor, aos impactos e são
tratadas termicamente.
Temperaturas de trabalho

As válvulas apresentam alguns inconvenientes de-


rivados das temperaturas que atingem durante
Materiais de fabricação combustão. Estas temperaturas aumentam a maior
intensidade na válvula de escape, que alem de
As válvulas são fabricadas com aços niquelados, absorver grande parte do calor da combustão,
cromo, cilício, molibdênio. Com estas composições também absorvem o calor dos gases queimados que
se conseguem grandes elasticidades, resistência aos passam para o múltiple de escape.
impactos e às temperaturas. Enquanto à válvula de admissão, o efeito da tem-
A composição típica de uma válvula é a seguinte :

25
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

peratura de combustão é neutralizado pela circulação


Graus centígrados
de gases frescos provenientes do carburador.
As válvulas de admissão costumam ser fabricadas
com a cabeça de maior diâmetro que as de escape,
com o objetivo de favorecer o enchimento dos cilin-
dros, especialmente em altas revoluções. As de esca-
pe são de menor diâmetro aos efeitos de criar uma
acumulação térmica, que ajuda a resistir as tempera-
turas de trabalho, que em alguns casos atinge os 800o
C.

Ângulos de assento das válvulas


Denomina-se, à inclinação apresentada pela cabeça
da válvula e ao chanfro para o esmerilhado da mesma.
Este assento de válvulas forma um cone com um
ângulo de 35o a 45o em relação ao eixo da válvula. O
ângulo mais usado é o de 45o que permite uma
espessura maior da beira da cabeça das válvulas, que
logo após de um período prolongado de uso pode Temperaturas de trabalho
ser retificada até atingir os 30o, determinando desta de uma válvula de escape.
maneira um serviço duplo.
Em alguns motores são usados válvulas com
Graus centígrados
assentos chanfrados a 30o para a admissão e 45o para
a de escape.

Temperaturas de trabalho
em uma válvula de admissão

26
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

FORMAS CARACTERÍSTICAS DAS CABEÇAS DE VÁLVULAS


As válvulas para motores a explosão são classificadas em função do perfil da cabeça da mesma, em três
tipos clássicos: cabeça plana, esférica e tulipa.

Ângulos dos assentos das válvulas.

27
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Válvula Válvula Válvula de tulipa. Assento de válvula.


de cabeça plana. de cabeça esférica.

Válvulas de cabeça plana extraordinária facilidade. Desta maneira, a tempera-


Possuem uma estrutura favorável para a circulação tura atingida na cabeça da válvula é passada de
dos gases e também uma alta resistência à flexão na imediato à haste a qual dissipa evitando super
união da cabeça com a haste. Pode ser usada como aquecimento.
admissão ou escape.

Válvulas de cabeça esférica Assento das válvulas


Consiste num anel metálico, que na beira superior
São usadas com ótimos resultados como válvulas interna apresenta um chanfro que corresponde ao
de escape, em função de possuir a parte central ângulo de assentamento da válvula que aloja.
arredondada, a deformação sofrida pelo calor Nos motores antigos, com válvulas laterais, o
produzido pelos gases é mínima. assento era feito no próprio bloco do motor, mas a
utilização de válvulas no cabeçote, leva aos fabri-
Válvulas de tulipa cantes a desenvolver um tipo de assento postiço.
São usadas em motores de competição e aviação, Os assentos das válvulas são montados no bloco
suas formas facilitam a circulação dos gases, o que é ou na tampa de cilindros de duas maneiras:
de grande vantagem. Sua desvantagem é o alto custo, Aparafusados ou por ajuste térmico.
já que sua fabricação é mais complexa e longa que a
das válvulas comuns.
Material de fabricação
Válvulas ocas especiais Os assentos de válvulas são fabricados com
fundições centrífugas e nitruradas com alheações de
As altas temperaturas a que se expõem as válvulas
cromo – níquel.
de escape, obrigam a refrigerá-las com especial cui-
Os assentos que se alojam nas tampas de cilindros
dado. Em motores modernos de alta potencia e de
de alumínio são fabricados em bronze, fundição
competição, são elaboradas válvulas ocas recheadas
branca ao níquel ou aço. Em alguns casos, o chanfro
com sódio, metal que se transforma em liquido
do assento é revestido com estelite, material que
quando a válvula atinge a temperatura de trabalho,
suporta altas temperaturas e possui resistência ao
tendo a propriedade de dissipar o calor com
impacto.

28
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Ângulo do Guias de válvulas


assento Perfil do São pequenos cilindros ajustados colocados no blo-
assento co (válvulas laterais) ou na tampa de cilindros (vál-
vulas no cabeçote) que tem a missão de garantir o
movimento retilíneo das válvulas e a sua centrali-
zação perfeita.
Além disto, a guia deve impedir as fugas de óleos
para a câmara de combustão, o qual ocasionaria ex-
cesso de consumo de óleo, depósitos de carbono,
Assento postiço da válvula sujeiras nas velas, explosões incompletas, fumaça no
escapamento e outros inconvenientes menores.
Câmara de combustão
Materiais
Superfície da culatra São fabricadas com fundição dura, resistente à fri-
cção e a altas temperaturas, sendo muito importante
que o material apresente excelente condutividade tér-
Válvula mica. Isto último se deve que as guias são extrema-
mente difíceis de se lubrificar através do circuito res-
pectivo, e o fechamento hermético exigido, conspira
contra a lubrificação.
Assento A efeitos de se poder cumprir com os requisitos,
são fabricadas com alheações de fundição ao cromo
Montagem do Assento – vanádio.

Disposição das guias


Ajuste válvula-assento As guias são colocadas de forma concêntricas aos
A necessidade de um correto contato entre a su- assentos de válvulas. São encaixadas à pressão nos
perfície do chanfro da válvula e o assento, não é só seus alojamentos e a sua tolerância é, de aproxima-
para que tenhamos um bom fechamento hermético damente 0,01 a 0,06 mm, sendo importante verifi-
entre ambos, senão que também é, para que a tem- car que fiquem bem firmes e no topo.
peratura da válvula não se eleve de forma anormal,
já que o calor da mesma é conduzido ao exterior atra- Selos das válvulas
vés das hastes, guias e assentos até chegar à câmara Consiste num anel ou bucha de material elástico,
refrigerante. Este trajeto é interrompido se a válvula aplicado na haste da válvula com o objetivo de im-
perde contato com o assento, ao não ajustar correta- pedir fugas de óleo . As vantagens que oferece o em-
mente. prego dos selos ou retentores são: elimina o excessi-
Alem disso, nestas condições, na válvula de escape vo consumo de óleo através da guia, e deixa a haste
os gases não só agem sobre a cabeça da válvula, senão limpa.
que também sobre as hastes e a face interior da mes- Os selos do tipo anel aplicam-se às hastes das vál-
ma, e desta maneira em pouco tempo as válvulas, os vulas no rebaixamento do colo, enquanto a do tipo
assentos e as guias se deformam, fazendo impres- bucha aplica-se sobre a beira superior da guia de
cindível uma reparação geral do conjunto.

29
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Válvula de
cabeça plana

Assento
postiço

Retentor

Câmara
refrigerante
Guia

Disposição do assento de válvula.

Válvula

Montagem de guia e retentor

A partir deste momento, a mola deve impedir que


a válvula se movimente a efeitos da depressão origi-
Guia de válvula moderna. nada no interior do cilindro na hora da admissão.

Materiais Classificação das molas de válvulas


Os selos de válvulas originalmente eram fabrica- As molas de tensão constante, são aquelas em que
dos de borracha sintética, atingindo bons resultados. o passe entre cada volta do espiral é igual. Este tipo
No entanto, a tendência atual é fabricá-los em te- de mola realiza bem seu objetivo, mas, em motores
flon. Material elástico com altas propriedades de se- de baixas revoluções e baixa compressão. Em moto-
lado e de maior duração. res de altas revoluções e potência, estas molas difi-
cultam o fechamento das válvulas e são de aciona-
Molas de válvulas mento barulhento. Sendo solucionadas estas falhas
As molas de válvulas têm, a missão de operar o com a utilização de molas de tensão gradual.
fechamento das mesmas, quando os comandos da
distribuição deixam de acioná-las. Mola de tensão gradual- Neste caso o passe au-
menta a partir da base, ou seja, apresenta uma acu-

30
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

brações incontroláveis até para a mola de tensão


Bucha elástica
gradual.
Anel A amortização destas vibrações se consegue, me-
diante a utilização de um elemento chamado Funda
elástica e Molas concêntricas.

Funda elástica
Trata-se de uma cobertura envolvente da mesma
altura que a da mola comprimida. A ação como freio
das paredes da funda consegue amortecer as osci-
Tipos de selos de válvulas. lações.

Molas concêntricas
Consiste na instalação em cada vál-
vula, de duas molas de diferentes diâ-
metros, uma dentro da outra, mas, de
igual tamanho, e que o passe das voltas
de espiral estejam em sentido contrá-
rio, aos efeitos de que não se atraves-
sem as espiras e as oscilações opostas
Tensão Tensão se anulem entre elas.
Constante Constante Concêntricos Este tipo de molas proporciona maior
força de
fecha-
mento, e quando uma
mulação de voltas de espiral no extremo inferior, e delas quebra a outra Platô Travas
logo apos o passe vai aumentando através delas. continua as operações
Nestas molas, as primeiras voltas de espiral da base até a reparação neces-
das mesmas necessitam de menor carga para serem sária.
comprimidas, fazendo mais leve o trabalho dos ele- Além destas vanta- Base
mentos que empurram provocando a abertura das gens, com a utilização
válvulas. Considerando que as válvulas de escape das molas concêntri- Guia
devem vencer na sua abertura a tensão da mola e a cas, as válvulas não
pressão interna produzida pelos gases, a vantagem batem, ainda que uma
de operação da mola de tensão gradual, é por de- das molas estiver que- Retentor
mais positiva. brada.
As molas de tensão gradual devem ser montadas
com as voltas mais juntas para o lado da cabeça da
válvula.
O uso da mola de tensão gradual elimina em gran- Assento
de parte às vibrações barulhentas produzidas com a
mola de ação constante.
No entanto, quando o motor é de altas revoluções, Válvula
as pequenas vibrações, se convertem em altas vi-

31
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Trava
Platô Semi-cones

Mola interior

Mola exterior

Guia Platô. - Travas de válvulas.

Haste da válvula Tampa de cilindros


(culatra) Varetas ou tirantes de acionamento
Tal como seu nome o indica, trata-se de uma peça
Molas concêntricas para válvulas.
intermediaria de acionamento, a qual sua missão con-
siste em transmitir o movimento ascendente que
recebe o tucho a um extremo do balancim, aos efeitos
Materiais de que este o faça chegar à base da haste da válvula.
As molas de válvulas são fabricadas com aços de Geralmente são cilíndricas e ocas, com expansões
alta qualidade devido às condições e regimes de nos extremos para se ter maior superfície de contato
trabalho em que funcionam. São fabricados de aço com a peça de impulso (tucho) e a impulsionada
carbonos esticados a frio, aliado a cromo, cilício e (balancim).
molibdênio; também podem ser de aço a cromo - Além disto, devem ter grande resistência à flexão
vanádio, cilício, manganês ou alheações de cobre – para vencer a tensão das molas de válvulas.
berílio.
O cabo de aço mais utilizado na fabricação de Balancins
molas, apresenta uma seção aproximada de 4 a 2 mm. É um elemento basculante de acionamento; recebe
movimento ascendente da vareta ou tirante fazendo
Pratos com que a válvula desça de forma retilínea, para de-
É um prato circular com um baixo relevo central terminar sua abertura.
com um furo onde se alojam os pinos de segurança O balancim, trabalha sobre um eixo normalmente
que permitem vincular a válvula com a mola. central que em um dos seus extremos, conta com
O prato está localizado no extremo da haste da vál- um dispositivo de correção e ajuste de folga locali-
vula, à altura de uma fenda que apresenta, com o zado entre o mesmo e a válvula, aos efeitos de com-
fim de alojar o pino de segurança. pensar a dilatação da haste da válvula.
Geralmente, os balancins estão constituídos por
duas alavancas unidas a um eixo em comum, tal como
Seguros
mostra a figura.
Geralmente, são dois semicones truncados, que
Na parte central do balanceiro, onde se aloja o eixo,
envolvem a fenda ou rebaixado da válvula para fixar
geralmente se localiza uma bucha de bronze com
a mesma ao prato.
uma fenda que permite a circulação do óleo lubrifi-
cante.

32
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Apoio
do eixo Balancim
Eixo dos Balancins

Vareta
Parafuso de
regulagem dos
Balancins
Tucho

Eixo de cames

Montagem do conjunto Tucho - Vareta - Balancim.

Materiais Eixos dos balancins


Os balancins são fabricados com aço moldado de É um eixo metálico, rígido e oco sobre o qual estão
grande resistência ao impacto. montados os balancins do sistema de válvulas do mo-
tor. Possui furos que permitem a lubrificação cada
um dos balancins, e nos seus extremos estão
hermeticamente fechados.

Eje dos Balancins

Parafuso de regulagem
Trava do Porca de fixação
eixo Balancim Eixo de Balancins
Balancins

Molas
Molas
Base suporte
Montagem dos Balancins Mecânicos

33
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

FUNCIONAMENTO DO SISTEMA
DE DISTRIBUIÇÃO Sistema de distribuição por coman-
do direto
Denomina-se ao encaixe das engrenagens da
Abertura de válvulas distribuição, ou seja, transmissão de movimentos por
Os cames mediante seus ressaltos levantam o tucho rodas dentadas em contato direto e constante.
e este a vareta de acionamento. O extremo superior Cada engrenagem possui marcas de referencia co-
da mesma provoca um movimento basculante do locadas pelo fabricante. A coincidência destas mar-
balancins que como objetivo abre a válvula . Para cas consideradas num eixo imaginário central, estan-
isso, a ação de empurrar de todas as peças devem do ambas engrenagens ligadas, permite sincronizar
superar a tensão da mola da válvula que se opõe a todo o mecanismo de distribuição, aos efeitos de que
sua abertura. as válvulas de cada cilindro abram e fechem
Destacamos sim, que em alguns motores, os exatamente onde foram programadas.
balancins de admissão são dispostos sobre eixos se-
parados e em outros sobre um eixo único. Os eixos
dos balanceiros são montados sobre bancadas fixas Sistema de distribuição por coman-
à base superior do cabeçote, que recebe o nome de do indireto
torre dos balancins.
Neste caso, a engrenagem do virabrequim anima o
movimento da engrenagem do comando de válvu-
Fechamento das válvulas las, com a utilização de uma corrente metálica ou
Quando o topo do came supera seu contato com a correia dentada que encaixam perfeitamente nos
base do tucho descendo novamente, existe uma dentes das engrenagens.
pressão que comprime as molas de válvula, e então,
a mesma começa a realizar o fechamento da válvula, Distribuição por sistema de
até conseguir o contato total com o assento.
Estando a válvula totalmente fechada, a mola se engrenagens
encarrega de superar a ação de admissão que trata Este sistema também é conhecido, como
de abri-la por sucção, mantendo a mesma muito fir- transmissão por engrenagens intermédias, e consis-
me ao assento, garantindo a compressão dos gases. te basicamente em três engrenagens em contato
Ao produzir-se o fechamento das válvulas, os ele- direto, onde nos extremos se dispõem, a engrenagem
mentos que acionam determinando suas aberturas, condutora e a conduzida ficando no meio uma
invertem o sentido dos movimentos começando um engrenagem que cumpre como única função à de
novo ciclo de operações. transmitir movimento sem alterar a relação de giro
entre as mesmas.
Acionamento da distribuição É importante destacar que neste sistema, o coman-
do de válvulas está disposto dentro do bloco dos ci-
Com o fim de que as peças de distribuição concluam
lindros, numa posição mais alta que em casos ante-
seu objetivo, é necessário que o comando de válvu-
riores. Desta maneira, os tirantes de acionamento
las receba o movimento circular contínuo do
reduzem sua longitude a favor de um acionamento
virabrequim. O comando de válvulas é acionado pelo
maior, obtendo desta forma, uma resistência à flexão
virabrequim por meio de engrenagens: Em forma
direta ou por meio de correntes dentadas ou outras
basicamente.

34
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Engrenagem do
eixo de cames

Engrenagem do
lixo de cames

Engrenagem Marcas de referência


do virabrequim
Engrenagem do virabrequim

muito superior às convencionais. se desenvolveram dispositivos de controle de tensão


Para evitar barulhos e desgastes prematuros das e amortecedores de oscilações para as correntes de
engrenagens condutora e conduzida, fabricam-se os distribuição.
intermediários, de fibra (mica) com a bucha central Estes elementos podem ser mecânicos, hidráulicos
de bronze, produzindo-se em conseqüência e ou de ação combinada e nestes casos sua missão é
unicamente o desgaste da mesma, prolongando-se a manter invariável a relação e face entre condutora e
vida útil das anteriores. conduzida.

Dispositivos de controle das


correntes de distribuição Eixo de
cames
Na transmissão de movimentos dos sistemas de dis-
tribuição é totalmente necessário que condutora e
conduzida permaneçam em face, aos efeitos de que
cada cilindro do motor conclua os ciclos de funcio-
namento de acordo com o desejado. E é por isto que
os mecanismos que possuem transmissão de corren-
te, quando entre as engrenagens existe uma distân-
cia considerável, a mesma se expõe a estiramentos e
Intermediário
oscilações que podem mudar em alguns graus a face
de sincronismo. Quando se sai de sincronismo o sis-
tema de válvulas, se produz um desgaste prematuro
das engrenagens, perca de potência, barulhos, difi-
culdades na regulagem, e outros inconvenientes que
possam chegar em caso de danos na corrente, como
a danificação parcial ou total do motor. Virabrequim
Com o fim de superar todos estes inconvenientes,

35
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Para a correção da tensão se opera da parte externa


do sistema de distribuição, na parte frontal do mo-
tor. Para isto devemos dispor, na tampa da
distribuição, de uma janela de acesso que permita
mediante a utilização de uma chave fixa para a
correção.
A mencionada figura, também apresenta, a
Engrenagem marcação que permite o ajuste do ponto do sistema
tensora da de distribuição deste motor.
corrente
os Controle automático de tensão da
Pin

corrente
19

Aos efeitos de trocar o sistema manual de correção


e estabelecer um controle constante da corrente da
distribuição, foram desenvolvidos mecanismos de
acionamento automático. O controle automático de
Regulagem manual tensão pode ser mecânico ou hidráulico, ainda
quando este último é de ação combinada (hidro
mecânica), e em ambos casos, o efeito se consegue
pressionando sobre um setor da corrente.
Controle de tensão
O mecanismo de controle automático mais difun-
Os dispositivos encarregados de controlar a tensão
dido está composto por uma peça que se apóia na
da corrente, recebem o nome de tensor(es) e agem
corrente, impulsionada pela ação combinada do óleo
como corretores da tensão da mesma, em
proveniente do circuito de lubrificação e uma mola
conseqüência do esforço reiterado durante longos
de tensão constante.
períodos de serviços.
Na figura observamos um dispositivo de tensor hi-
Por sua possibilidade de correção, estes mecanis-
dráulico, no qual uma peça se apóia na corrente e o
mos são classificados em dois tipos: Manuais e au-
corpo do sistema, por onde passa o óleo para acionar
tomáticos e sua posição relativa nos sistemas de
um êmbolo ou pino, o qual por sua vez pressiona à
distribuição depende das característica construtivas
peça por pressão hidráulica no setor esquerdo da
de cada motor.
distribuição.
O pistão que aciona a peça está dotado de um sis-
Controle de tensão manual de correntes tema automático de recuperação de movimentos,
A denominação manual nasce do fato de que estes sendo a peça insensível à ação do óleo com que se
mecanismos possuem um dispositivo externo de lubrifica todo o sistema.
regulagem, que periodicamente se deve corrigir para
manter tensa a corrente.
Funcionamento do tensor hidráulico
Na figura mostramos um dispositivo externo de
regulagem deste tipo,na mesma mostramos também automático
uma engrenagem louca com um eixo excêntrico que Ao se produzir o estiramento da corrente, a peça
permite aproximar-se à corrente para compensar seu gerenciada pelo pistão absorve a diferença de
estiramento. longitude da mesma. Para conseguir este resultado,
o mecanismo soma a tensão da mola e a pressão hi-

36
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

dráulica que se manifesta no cilindro. movimentos entre as engrenagens da distribuição,


A fim de que a peça acompanhe à corrente quando alguns fabricantes somam ao conjunto de controle
esta estica, o mecanismo possui um dispositivo es- de tensão, um dispositivo amortecedor de oscilações
triado que trabalha numa placa transversal. O óleo da corrente. Este consiste, de modo geral, em
que chega ao mecanismo o faz a pressão, através de estabelecer uma guia que limita o movimento
um conduto derivado do sistema de lubrificação do oscilatório da corrente, especialmente quando esta
motor, que nasce na bomba de óleo. se estica aumentando o seu diâmetro.
Nesta figura, ilustramos um sistema de distribuição
Controle antivibratório da corrente correspondente a um motor Toyota ou Datsun nos
Com o objetivo de fazer estável à transmissão de quais se dispõem mecanismos de controle automáti-
co de tensão e amortizado da corrente da
distribuição.

Guias de
controle
anti-vibratório
Esticador da corrente
s
ino
9p

Tensor
u2

Hidromecânico
so
elo
28

Corpo

Tensor hidráulico.

Mecanismo de
ajuste de folga

Entrada
de óleo
Esticador
Pistão
Mola de Tensão constante

37
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

SINCRONISMO DA DISTRIBUIÇÃO
O sincronismo da distribuição mecânica no motor determina o exato momento de abertura ou fechamento
das válvulas em relação ao deslocamento dos pistões.
O sincronismo dos motores Alta Performance da VW é mantido com a instalação de uma correia dentada
entre a árvore de manivelas, árvore de comando das válvulas e árvore intermediária.

CORREIA DENTADA

RODA TENSORA
PARA REGULAR A
TENSÃO DA
CORREIA
DENTADA, GIRA-SE ÁRVORE
O EIXO INTERMEDIÁRIA
EXCÉNTRICO DA ACIONA O
RODA TENSORA DISTRIBUIDOR E
AS BOMBAS DE
GASOLINA E
ÓLEO.
CORREIA DENTADA
COM ALMA DE
CORDONÉIS DE
NYLON

Para garantir a vida útil normal da correia dentada, esta deverá estar isenta de
óleo ou derivados de petróleo, não sofrer dobras e em caso de reutilização da
correia, esta deve manter o mesmo sentido de rotação já adotado.

Fonte: VW do Brasil Ltda.

38
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

O sincronismo mecânico é definido pelas seguintes


marcas de referência:

- O posicionamento da árvore de manivelas em “OT”


(Ponto Morto Superior) é definido quando a marca
existente na polia estiver alinhada com a marca da
engrenagem da árvore intermediária.

- Outro ponto de referência para este posiciona-


mento é a seta existente na tampa inferior de proteção

da correia dentada, que deve estar apontando para a


marca da polia.

Árvore de comando de válvulas


Seu posicionamento é definido com o alinhamento
da marca existente na engrenagem, com o plano da
extremidade do cabeçote.

Atenção: Após a instalação da correia denta-


da, girar manualmente o motor no sentido de
rotação, conferir as marcas de sincronismo e
tensionar definitivamente a correia, agindo no
tensor.

Fonte: VW do Brasil Ltda.

39
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Acerto do ponto da distribuição


Para se lograr que o comando de válvulas funcione
em sincronismo com o virabrequim a qualquer velo-
cidade, é necessário que as engrenagens de coman-
do dos mesmos encaixem numa única posição. A si- Lâminas
tuação inicial de encaixe denomina-se “ajuste do calibradas
ponto da distribuição” e consiste em colocar as en-
grenagens em coincidência das marcas estando o
pistão No 1em PMS e as válvulas no balance (cruza-
das).

Folga de válvulas
É o espaço livre que deve existir entre a base da
haste da válvula e o elemento mecânico que a acio-
ne.
Estando o motor em funcionamento, esta folga é
imprescindível já que a temperatura da válvula au-
menta variando seu comprimento. Se não existisse a
folga na medida que a válvula se dilata, se separaria
do assento provocando fugas de compressão e quei-
maduras na cabeça da válvula.

Regulagem da folga da válvula


A regulagem deve efetuar-se respeitando as dicas Feeler (Filer).
do fabricante do motor, quem determina se as ope-
rações devem ser cumpridas com o motor frio ou utilizando uma chave fixa e com outra chave movi-
quente (temperatura de trabalho) e qual é o valor mentamos o registro até que este entre na base da
correto da folga. A ferramenta utilizada para com- haste da válvula, e a lâmina do feeler passe sem difi-
provar a folga correta se chama Feeler (Filer), a qual culdades.
pode responder aos sistemas de medição conheci- Logo após, levamos a porca até o tucho aos efeitos
dos (SMD ou SIM). Está formado por lâminas de es- de fixar a posição do registro, mantendo invariável a
pessuras perfeitamente calibradas, as quais confe- folga conseguida.
rem o nível de instrumento de medição.
Na figura mostramos um Feeler composto por va- Folga das válvulas em motores com
rias lâminas, onde observamos a espessura de cada válvulas à cabeça
uma impressa nas mesmas, e sua constituição. Para
Nos motores com válvulas à cabeça com disposição
observar a folga correta, é necessário que as peças
clássica, a folga é medida entre a válvula e o balan-
de distribuição guardem as posições relativas que
ceiro, operando o registro situado entre o extremo
ilustra a figura, interpondo a lâmina calibrada do
do mesmo e tirante de acionamento. Neste caso as
valor correspondente entre os componentes já men-
operações resultam mais fáceis levando em conta que
cionados.
todo o sistema de válvulas está localizado na parte
Portanto, o came da válvula a ser regulada, deve
superior do motor. Depois de retirar a tampa de vál-
apresentar o topo do seu ressalto no sentido contra-
vulas e a junta, tal como o ilustra a figura, encontra-
rio ao tucho, ou seja, mantendo contato com este na
mos todos os registros, devendo estabelecer agora o
zona de repouso. Uma vez isto, afrouxamos a polca
método que iremos empregar para conseguir o ajus-

40
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

te folga desejada.todo a em-


plear, para lograr el ajuste del
huelgo deseado.
Lâmina calibrada
Métodos de regulagem
Entre os distintos métodos de
operações de ajuste da folga
das válvulas, os mais utilizados
são:

a) Regulagem em ordem co-


Porca
rrelativo partindo do cilindro Nº
1. Contraporca
b) Regulagem na ordem de
ignição.
Block
Resulta lógico supor que em
todos os métodos, a válvula a
ser ajustada encontra-se com o
respectivo came em situação de
repouso, quer dizer, fechada.
Na regulagem em ordem co-
rrelativa colocam-se os cames
do cilindro Nº 1 em repouso,
regulando-se as válvulas do
mesmo e logo continuando
com as seguintes 2 3 4 suces- Regulagem da folga das válvulas
sivamente.
No caso de regular segundo a ordem de
ignição, o procedimento é semelhante ao
anterior, mas, a ordem de regulagem é dife-
rente.

Operações de regulagem

Para conseguir a folga em motores com


válvulas à cabeça, são necessárias duas fe-
rramentas; 1 chave combinada e um Feeler
para verificar a folga existente.
Uma vez escolhido o método e colocamos
a válvula em condições de ser ajustada,
afrouxamos a polca com a chave estriada e a
regulamos o registro com a chave de fenda
Regulagem de válvulas.

41
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

até que o Feeler passe com facilidade entre o balan-


ceiro e a haste da válvula. Depois de obter a folga
Anel de bloqueio
correta, deve-se fixar à medição, e para isto, se aper-
ta a porca contra o balancim mantendo invariável a
posição do registro. Retentor
Resulta conveniente logo disto, novamente com- Disco dosificador
provar a medição aos efeitos de garantir a eficiência
da mesma. Êmbolo
Em relação às medições a serem realizadas a quen-
te, é importante levar em conta que, se devemos ajus-
tar as válvulas de um motor frio, devemos coloca-lo
em funcionamento por uns 15 ou 20 minutos antes,
aos efeitos de se chegar à temperatura de trabalho. Bola
Se o motor foi submetido a uma reparação geral Mola
incluindo o desmonte total ou parcial do sistema de
Retentor da mola
válvulas, é conveniente ao montar novamente o me-
canismo, ajustar as válvulas a um valor preliminar
que permita o arranque do motor, e obtemos este Mola
valor diminuindo 0.05 mm ao valor de regulagem
indicado pelo fabricante.

Folga das vávulas em motores com Corpo


tuchos hidráulicos
Naqueles sistemas de distribuição que utilizam tu-
chos hidráulicos, a regulagem de válvulas adquire
características diferentes, devido ao princípio de fun-
cionamento dos tuchos, que absorvem a dilatação
do material das válvulas em base à pressão do óleo
do motor, e omitimos a folga. O émbolo e o corpo
devem ficar corretamente
encaixados

Desmontagem de um elevador de tucho hidráulico.

Motor com tucho hidráulico e balancins que tem pivot


de bolas.

42
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Por outra parte, a diferencia no sistema convencional, é que, a regulagem se efetua com o motor funcio-
nando e a temperatura normal de trabalho.
A regulagem do sistema implica em aproximar o balancim à haste da válvula, ficando ambos em contato,
de maneira que não exista nenhum mínimo de separação.

Métodos de operações
1) Fazer funcionar o motor até conseguir a temperatura normal de funcionamento .
2) Deter o funcionamento do motor e desmontar a tampa de válvulas.
3) Colocar o motor em funcionamento a velocidade ralenti.
4) Soltar a porca de regulagem até perceber uma batida
5) Ajustar a porca de regulagem em forma gradual até desaparecer a batida.
6) Realizar o mesmo procedimento no restante das válvulas.
7) Ajustar cada uma das porcas de regulagem em ¼ ou ½ volta a mais, segundo o especificado pelo
fabricante.

43
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Regulagem de válvulas com tucho


hidráulico

A folga de válvulas é regulada com a utilização de


calços (pastilhas) encaixada na parte superior do tu-
cho.
A medição da folga, deve ser feita com os cames do
comando apontando para cima.

Valores de Admissão Escapamento


regulagem (mm)

Motor frío 0,15 a 0,25 0,35 a 0,45

Motor quente 0,20 a 0,30 0,40 a 0,50

Em caso de esmerilhamento de válvulas, substi-


Ordem de medição: 1º - 3º - 4º - 2º. tuição e reparos no cabeçote, a folga deve ser verifi-
cada após percorridos 1000 km com o veículo.

Atenção: Após reparos no cabeçote, a folga pode As pastilhas são disponíveis em passos de 0,05
ser regulada com motor frio. mm
menor 3,00 mm
maior 4,25 mm

Valores de Admissão Escapamento


regulagem (mm)

Folga obtida 0,35 0,35

Folga prescrita 0,25 0,45

Diferença 0,10 para 0,10 para


mais menos
Exemplo de regulagem
Calço existente 4,25 3,65
Exemplo:
Procedimento diminuir 0,10 aumentar 0,10
Especificação
na folga na folga
- admissão: 0,20 a 030 mm
- escapamento: 040 a 0,50 mm Calço novo 4,15 3,55
(aumentado (diminuído
Atenção: Procure regular com o valor médio: 0,10no calço 0,10 no calço
0,25 mm para admissão e 0,45 mm para existente) existente)
escapamento.
Fonte: VW do Brasil Ltda.

44
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

DISTRIBUIÇÃO POR COMAN- a) 2 válvulas: 1 A, 1E, comando direto ou por


DO DE VÁLVULAS À CABEÇA balancins (SOHC ou DOHC)
b) 3 válvulas: 2 A, 1E comando por balancins
(OHC) (SOHC)
c) 4 válvulas: 2 A, 2E comando direto (DOHC, «twin
Aos efeitos de operar a abertura e possibilitar o cam» em muitos casos), ou por balancins (SOHC)
fechamento das válvulas de forma rápida e direta,
eliminando elementos intermediários de Nestes sistemas de distribuição, comumente se
acionamento, que causam demoras e consomem dispõe uma engrenagem auxiliar para acionar a bom-
potência, se desenvolveram motores com mais de um ba de óleo, a bomba de gasolina e o distribuidor de
comando de válvulas dispostos na cabeça de cilin- partida.
dros, quer dizer, no cabeçote.

Este sistema é conhecido como OHC, do Inglês Over OHC acionado por corrente
Head Camshaft e sua aplicação atingiu grande difusão
nos últimos tempos, como conseqüência da sua Neste motor e devido a grande distância existente
eficiência. entre as engrenagens condutoras e conduzida
colocaram-se elementos de controle de tensão e
Estes sistemas podem ter diferentes disposições, amortização da corrente semelhantes ao ohc. O con-
em relação à quantidade de elementos de trole de tensão é automático e consiste basicamente
distribuição, podendo classificar-se em 3 formas numa guia gerenciada pela pressão do óleo e uma
basicamente. mola apoiada do lado esquerdo da corrente com o
fim de mantê-la tensa.
1. O H.C. por quantidade de eixos dos cames
2. O H C por método de acionamento
3. O H C por quantidade de válvulas
Distribuição por correia dentada
Segundo a quantidade de eixos de cames, estes sis-
temas podem-se denominar da seguinte maneira : Com o objetivo de conseguir uma transmissão si-
lenciosa e sem a necessidade de lubrificação, se
· SOHC quando possuem 1 eixo de cames desenvolveram sistemas de distribuição que utilizam
· DOHC quando possuem 2 eixos de cames correias dentadas no lugar das clássicas correntes .

Uma distribuição OHC pode ter 3 métodos de Estas correntes naturalmente elásticas, tendo em
acionamento : conta que são fabricadas com compostos plásticos
ou a base de borracha, e que apresenta vantagens de
1. Por corrente (uma ou duas correntes) agir durante um longo período de serviço (media de
2. Por correias 60.000 Kms) sem lubrificar.
3. Por ação combinada (corrente e correia)
Em princípio as correias dentadas eram fabricadas
Nos sistema OHC podemos encontrar eixos com di- de um tecido plástico denominado «rilsan» com uma
ferentes números de cames, a disposição do sistema estrutura interna metálica, só que logo após,
depende da quantidade de válvulas que exista por começaram-se a elaborar de borracha sintética,
cilindros. mantendo a estrutura metálica.

45
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

As engrenagens condutora e conduzida apresentam um dentado amplo e reto do tipo cremalheira circular,
entre os que trabalham o dentado reto interior da correia.

Para conseguir uma compressão total da disposição da correia dentada, na figura, mostramos um motor
com distribuição OHC por correia dentada.

Nesta figura observamos uma terceira roda dentada, situada na posição intermédia entre o virabrequim e
o comando de válvulas; trata-se de um rolinho tensor, que controla a elasticidade da correia.

Engrenagem
do comando
de válvulas

Roda tensora

Distribuição OHC com correia dentada.

46
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Montagem da correia dentada Flanco desgastado.


(Do lado da carga)

1. Ao montar a correia deve-se evitar dobrá-la em ângulo, pois


poderíamos afetar as suas estruturas (as fibras com que são fa-
bricadas)

2. Depois de montadas as correias e efetuada a sua primeira


Borracha
regulagem, não devemos voltar a regula-la devido a que depois
exposta
de certo um tempo, a mesma se deforma perdendo um pouco de
tensão, o qual está previsto e é normal. Se pretendermos aumen-
tar ou restituir a tensão desta, a mesma sofrerá novas deformações
que se somarão às anteriores e acabaria danificando-se.

3. Ao se trabalhar com ferramentas na zona da correia, ocasio-


nalmente poderíamos marcá-la de alguma forma ou talvez cortá-
la, criando graves inconvenientes quando arrebenta.

4. Ao montar a correia devemos ter algumas precauções de


não suja-la com óleo, graxa, água, gasolina ou solventes. Fenda
Falta de dente e a
5. Para verificar a tensão da correia, a pegamos na zona livre e fibra da lona exposta
torcemos até uns 90o aproximadamente. Se conseguirmos uma
torção maior, falta tensão, se não chegarmos aos 90o, tensão
excessiva.

6. A vida útil estimada das correias de distribuição é de 60.000


Kms na maioria dos casos, mas, é aconselhável sua verificação a
Lado da correia redondeado
cada 20.000 kms.

A figura mostra os danos que podem sofrer uma correia com o


uso.

Desgaste anormal (fibra avelulada da lona)

Fenda Fenda

Condições anormais que exigem


a troca da correia.
Separação Separação

47
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Motores com duplo comando de do de válvulas independentes, quer dizer, coman-


válvulas OHC dos à cabeça para gerenciar todo o sistema de vál-
A tendência cada vez maior de se dispor os co- vulas.
mandos de válvulas à cabeça, é o resultado de
experiências obtidas do estudo dos fenômenos de
inércia que atuam sobre toda massa em movimento. COMANDOS DE VÁLVULAS
É primordial se ter presente que a INÉRCIA é a
oposição que representa a todo corpo em mudança INDEPENDENTES
de estado dinâmico. Os fenômenos de inércia se
fazem presente em menor grau nos motores OHC, A distribuição OHC com duplo comando de vál-
como conseqüência de ter estes menores vulas está motivada, basicamente, por duas razões:
quantidades de peças em movimento, localizando a) A primeira é a Magnitude – Volume dos co-
os elementos de acionamento de forma compacta. mandos em relação à resistência e à flexão. Isto está
fundamentado no fato de que, se um comando deve
Consideradas as vantagens do comando de vál- encarregar-se de operar todas as válvulas do mo-
vulas à cabeça, é importante destacar que, após tor, terá de ser o suficientemente forte e apoiar-se
muitos testes, chegou-se a conclusão de que a adequadamente nas tampas de cilindros. Isto re-
solução mais efetiva da distribuição, requer coman- presenta um sério problema, dado que a superfície

Marcas de referência
Placa de acerto do
ponto de distribuição

Comando de válvulas
de escape Comando de válvulas
da admissão

Correia

Roda tensora
Mola do tensor

Marca de referência
do distribuidor

Engrenagem do virabrequim Engrenagem comando


de acessórios

Distribuição OHC duplo comando Motor DOHC

48
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

das tampas de cilindros não toleram a dimensão do do comando de válvulas coincidiram com os índices
comando com tantos apoios ou bancadas quanto este fixos da placa de regulagem do ponto. A marca na
tenha. Por outro lado, se temos um eixo para coman- engrenagem de comando do distribuidor estará lo-
dar as válvulas de admissão e um outro para as vál- calizada a 34o à direita. Montar a correia e ajustar o
vulas de escape, entre cada excêntrica vamos ter um tensor.
apoio que não altera a longitude do eixo na tampa. Cabe dizer que na regulagem do ponto deste mo-
b) A segunda razão está motivada nas vantagens tor, a engrenagem intermediária adota uma face de
que oferece a câmara de combustão hemisférica, com ponto, a conseqüência de evitar o confronto da
válvulas formando ângulo reto. Para localizar em cada excêntrica da bomba de gasolina com uma das bie-
cilindro as válvulas com suas hastes a 90o, é necessário las do motor.
dispor de duas fileiras de válvulas : em conseqüência,
cada fileira requer um comando de acionamento, ou
bem, um conjunto de balancins; mas isto apresenta Serviço da correia
inconvenientes já tratados anteriormente.
A correia dentada deverá ser verificada logo após
os 40.000 e os 80.000 kms de serviço, e
Distribuição ohc duplo comando comprovando-se algum tipo de desgaste, problema
ou dano, deverá ser trocada imediatamente. Se o seu
O sistema de distribuição mostrado com duplo co- estado for normal permanecerá em uso 20.000 kms,
mando, recebe o movimento do virabrequim através e posteriormente trocada.
de uma correia dentada e basicamente
responde ao esquema ilustrado na figura.
Como observamos no mesmo, entre as Câmara de água
engrenagens dos comandos e o condutor
do virabrequim, é intercalada uma
engrenagem encarregada de animar de
movimento ao distribuidor de ignição,
bomba de óleo e combustível.
Esta engrenagem intermediária recebe
movimento da correia dentada sobre dois
setores do seu diâmetro, aos efeitos de
garantir sua tração.
O rolinho tensor é controlado por uma
mola especial, que regula a tensão que o
mesmo exerce sobre a correia.

Regulagem do ponto da
distribuição dohc Câmara de
combustão
Pistão Nº 4 em PMS, face de
Válvula de escape Válvula de admissão
compressão. As marcas nas engrenagens
Distribuição válvulas motor OHC.

49
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

MOTORES DOHC COM 16


VÁLVULAS
Em geral, a maioria dos motores tem 4 cilindros.
Cada cilindro tem duas válvulas: uma que permite a
entrada da mistura ar/combustível para o cilindro, e
a outra que permite a saída desta mistura queimada,
para fora do cilindro.
Portanto, o motor de 4 cilindros comum dispõe de
8 válvulas, sendo: 4 cilindros x 2 válvulas por cilin-
dro.
Na versão 16 V, cada cilindro tem 4 válvulas, sen-
do: duas de admissão e duas de escape.
Com o aumento do numero de válvulas, o pistão,
ao descer no tempo de admissão, aspira mais mistu-
ra para o cilindro. Consequentemente, a queima será
mais forte, elevando a potência e o desempenho do
motor.
Portanto, o motor 16V consegue um enchimento
maior e mais rápida da mistura, em rotações media-
nas e altas, considerando-se que o tempo de enchi-
mento da mistura é muito pequeno, veja o exemplo
abaixo:
- 3000 rpm o tempo de admissão é de 0,01 s.
- 6000 rpm o tempo cai para 0,005 s.
Portanto, para preencher o cilindro nestas
condições, é necessário aumentar a área de pas-
sagem da mistura através do maior número de
válvulas, podendo assim aumentar a potência
e o desempenho do motor.
Já, essa maior área de passagem, não contri-
bui em nada nas baixas rotações. Pois o tempo
de admissão é suficiente para atender as neces-
sidades de aspiração do motor.
Vamos conhecer as características desde mo-
tor.

Fonte: VW do Brasil Ltda.

50
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

VANTAGENS DO MOTOR 16V


A introdução do motor de 16 válvulas para a famí-
lia de motores de Alta Performance (AP) da VW, traz
uma série de vantagens:

- ganho de 30 % na potência do motor: quando


comparado com um da mesma cilindrada com 8 vál-
vulas.

- redução da relação peso/potência: de 9,1 para


7,9 (kg/cd) quando comparado com um motor de 8
válvulas.

- melhoria da eficiência volumétrica: porque há


um enchimento maior do cilindro pela mistura, o que
garante, no tempo da compressão, uma boa relação
de potência e torque.

- melhoria no controle de emissões dos gases:


gerados em função da disposição das válvulas e dos
coletores de escape e admissão. Pois, a mistura que
entra ajuda a empurrar os gases queimados.

- boa relação de consumo/potência: em função


do sistema de fluxo cruzado.

- melhoria da condição da queima e explosão


da mistura: em função do formato da câmara de
explossão.

- menor curso de propagação do fogo da cen-


telha da vela: em função da sua localização no cen-
tro da câmara de combustão.

- volume da câmara achatado: em função da in-


clinação das válvulas de admissão em 25º.

A combinação destas duas últimas vantagens pro-


porciona menor probabilidade de haver detonação,
em função da queima rápida da mistura.

Fonte: VW do Brasil Ltda.

51
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

CABEÇOTE

O cabeçote do motor AP de 16V é fundido em liga de


alumínio.
O sistema de acionamento das válvulas é similar ao do mo-
tor de 8 válvulas; ou seja que, o comando no cabeçote aciona
o tucho que, logo após, aciona a válvula.
A principal novidade são os dois eixos comandos, um para
as válvulas de escape e outro para as válvulas de admissão.
As válvulas de admissão, estão inclinadas a um ângulo de
25º, isto permite a construção de uma câmara de combustão
de baixa altura, contribuindo com uma boa taxa de compressão
(10,5:1).
A câmara de combustão está totalmente alojada no cabeço-
te.
A vela de ignição está localizada no centro da câmara de
combustão, o que proporciona um comando curto para
propagação da chama.
Esta construção permite uma queima rápida da mistura, e Fonte: VW do Brasil Ltda.
uma menor possibilidade de que ocorra detonação.

52
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

VÁLVULAS
O diâmetro das válvulas de admissão é de 32 mm e
o de escape 27 mm.
As válvulas têm tratamento superficial com Stelli-
te.
A sede das válvulas, são constituídas de aço sinte-
rizado.
Não se deve retificar as válvulas em nenhuma
circunstância.

Fonte: VW do Brasil Ltda.

53
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

CARACTERÍSTICAS CONSTRUTI- FATORES TÉCNICOS CONSTRU-


VAS DOS MOTORES TIVOS DOS MOTORES

Relação Curso – Diâmetro Tamanhos dos motores


A relação entre o curso dos pistões e o diâmetro O tamanho de um motor não indica sua capaci-
dos cilindros varia nos motores de acordo às carac- dade de trabalho em relação à potência estipulada,
terísticas do fabricante para cada motor. Esta re- senão, o aspecto construtivo, sem deixar de lado a
lação permite classificar os motores em alongados, parte econômica da questão. Portanto: A mesma
quadrados e rebaixados, sendo os fatores que de- potência ou poder de tração, podemos consegui-la
terminam sua classificação em : tanto com um motor grande quanto com um pe-
queno.
Motores alongados: São aqueles nos quais o
curso do pistão é apreciavelmente maior do que o Quando um fabricante deve desenvolver um mo-
diâmetro dos cilindros. tor, decide-se por um motor grande, médio ou pe-
queno para uma determinada potência, dependen-
Relação C-D que 1-2. do do serviço para o qual o mesmo seja destinado,
ou seja, o motor deve corresponder ao veículo que
Cabe dizer que, na atual fabricação de motores deverá impulsionar, e dependendo disto serão es-
estão ficando fora de circulação os alongados. colhido as pressões de trabalho, revoluções, con-
sumo, número de cilindros, disposição dos mesmos
Motores quadrados: Pertencem a esta catego- e outros fatores associados.
ria os motores os quais a corrida dos pistões é
aproximadamente igual ao diâmetro dos cilindros.
Relação C-D menor que 1. Cilindradas
A cilindrada de um motor monocilíndrico é o vo-
A relação curso-diâmetro tem fundamental im- lume ou espaço que percorre o pistão do p.m.s. ao
portância no desenvolvimento dos motores, se te- p.m.i.
mos em conta a longitude do curso dos pistões
como fator decisivo no resultado do funcionamen-
to do motor. Cilindrada unitária
Nos motores multi-cilíndricos denomina-se Cilin-
A continuação, será estudada uma tabela de ca- drada Unitária ao volume cúbico de um só cilindro
racterísticas em motores de diferentes usos e pro- e é calculada mediante a seguinte formula:
cedências. Na mesma poderemos apreciar que os
motores correspondentes a veículos esportivos ou
semi-esportivos são do tipo quadrados ou rebaixa- x D2
dos, sendo em alguns casos extremamente rebaixa- CU = x curso (em cm)
dos, aos efeitos de se conseguir altas velocidades. 4

Sendo (Pi) = 3,14

54
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Cilindrada total

Equivale à cilindrada unitária, vezes a quantidade


de cilindros. E é calculada mediante a seguinte for-
mula :

x D2
Ct = xCxZ
4

Sendo C = corrida (em cm )


Z = número de cilindros

A cilindrada que indica a capacidade cúbica de um


motor se expressa em cm3, litros ou polegadas cúbi-
cas, dependendo da origem do motor.

Relação de compressão

Denomina-se relação de compressão à existente en-


tre o volume do cilindro mais a câmara de combustão.
Relação de compressão
Na figura observamos a posição relativa do pistão
em PMI e em PMS, sendo uma relação cúbica entre
ambas posições, a relação de compressão do motor.

A formula de relação de compressões :

Volume cilindro + Volume câmara


Relação de =
compressão Volume câmara

E esta formula se simboliza da seguinte maneira:

V+v
RC =
V

Nos motores em série para veículos, a relação de


compressão oscila entre 7 a 1 até 10 a 1, mas, nos
motores protótipos ou de competição esta relação
pode chegar até 13 a 1.

55
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

PEÇAS MÓVEIS DO MOTOR O equilíbrio do virabrequim se consegue por meio


O VIRABREQUIM dos contrapesos (H).

O virabrequim é o eixo motriz do motor; recebe os Materiais: Geralmente são fabricados com aço car-
impulsos das explosões de cada cilindro e aciona o bono, forjados, retificados e tratados termicamente.
volante acumulador. Da rotação do virabrequim se Também podem ser de fundição.
acionam diferentes peças e mecanismos, tais como, Vantagens do forjado: a principal vantagem deste
os sistemas de distribuição, de refrigeração, de processo é a de obter peças resistentes, devido à for-
geração de corrente, e eventualmente o de ignição. ma em que o material se dispõe na sua estrutura.
Normalmente o virabrequim está localizado na parte Outra das vantagens do forjado é que qualquer falha
inferior do bloco do motor, na parte central apoiado do material, como bolhas ou incrustações, podem
sobre mancais divididos em duas partes de metal anti- ser eliminadas; somando a isto que a produção é ele-
fricção, geralmente brancos. vada e precisa, encontraremos a razão pela qual a
O número de apoios (bancadas) do virabrequim de- maioria dos fabricantes adota este processo. A
pende da potência e qualidade do motor, ainda que matéria-prima utilizada geralmente é o aço carbono
a tendência atual indique um número maior de ban- (SAE 1045).
cadas que o número de cilindros que o motor possua.
Por exemplo : Um motor de 4 cilindros possui 5
bancadas; e um motor de
6 cilindros, 7 bancadas.
Na figura mostramos um
virabrequim típico. No
mesmo, se assinalam as
diferentes partes que o
constituem e a sua nomen-
clatura. Num dos extremos
do virabrequim encontra-
mos a engrenagem da dis-
tribuição (F) através de um
seguro de fixação (G), en-
quanto o outro extremo
vincula-se ao volante (C)
por meio de parafusos (D)
ou pinos devidamente fixa-
dos, também nas buchas.
Também está apoiado no
eixo primário da caixa das
marchas. A bancada da bie-
la (B) é a zona onde esta,
se vincula ao eixo motriz,
e às bancadas (A) trabal-
ham sobre apoios (metais)
evitando folgas radiais ou
axiais. Virabrequim

56
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Também são utilizados aços especiais. A matéria- nas: metais de biela, munhões de mancais, retificado
prima vem em barras laminadas, em seções quadradas do munhão de biela e mancal, braços laterais dos
ou redondas. Previamente, as barras são cortadas com contrapesos.
o comprimento desejado. 6) Numa máquina semelhante existem outras
Retificado do virabrequim em processo de ferramentas que executam as seguintes operações:
fabricação: corte da ranhura para o óleo no extremo do
Não existe um único método; varia em cada fábri- virabrequim; torneado de forma ao defletor do óleo,
ca por diferentes fatores como, por exemplo: núme- superfície de apoio lateral dos munhões de biela e
ro de unidades a produzir, tipo de virabrequim, etc. mancal.
A continuação se descreverá uma série de operações Retificado da brida do suporte do volante.
comuns a todas as fábricas: Chanfrados de certos ângulos agudos deixados pelas
1) Cortam-se os extremos do virabrequim no ferramentas de corte. Furado do virabrequim: o
comprimento desejado virabrequim tem alguns furos interiores que formam
2) Furam-se as pontas para determinar o eixo crí- os condutos de lubrificação; estes são de pequeno
tico diâmetro aos efeitos de abalar a estrutura do mesmo.
3) Alinhamento do virabrequim com máquinas
especiais (prensas) que o seguram nos extremos Tratamento Térmico: Consiste no aquecimento
pressionando no meio até conseguir o alinhamento. das superfícies a tratar, que depois são esfriadas com
4) Retificado das superfícies sobre as alavancas do líquidos refrigerantes, com jatos a grande velocidade.
virabrequim: consiste em retificar as regiões das O aquecimento é produzido por meio de uma corrente
alavancas adjacentes ao munhão. elétrica. Com este tratamento se logra uma adequada
5) Processo de rebaixado, consiste em retificar com dureza nas partes onde o virabrequim realiza
varias ferramentas ao mesmo tempo, em máquinas esforços; a temperatura a qual é submetido é da
eletromecânicas de alta precisão, as seguintes zo- ordem dos 850o C, sendo controlada por um relógio,
com uma operação de 45 segundos.

Munhões de bielas

Zona de trabalho
Engrenagem de distribuição Munhões dos mancais
Calço de fixação do volante

Virabrequim para motor múlti-cilíndrico

57
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

virabrequim, com freqüência própria.


Virabrequim de Fundição em Aço: Foram
introduzidos pela Ford Motor para eliminar os in- Efeito do movimento alternativo sobre o
convenientes do forjado: impossibilidade de manter virabrequim
as massas de contrapesos afastadas do eixo do
virabrequim devido ao ângulo de extração das Quando os pistões de um motor cumprem seus
matrizes; custo elevado do material forjado, etc. movimentos alternativos retilíneos, produzem no
virabrequim um estado oscilatório, pois cada pistão
Constituição da Fundição em Aço: Requer-se o ao chegar ao seu ponto morto, tende a continuar
uso de uma alheação especial contendo carbono, seus caminho coisa que impedida pelo virabrequim.
cilício, manganês, enxofre, etc. Esta, requer um Para isto o eixo motriz realiza um esforço de tração,
processo térmico par eliminar tensões internas e fazer que se reitera a cada ponto morto de cada cilindro.
o material menos frágil. Vejamos suas vantagens em
relação aos virabrequins forjados: melhor distribuição Em certa velocidade do motor, os dois movimentos
dos contrapesos, menor peso, menor tempo de oscilatórios considerados coincidem nos valores de
retificado, etc. suas freqüências,e seus efeitos se somam, alternan-
do a suavidade da marcha. Esta situação é denomi-
nada «regime crítico ou de vibração».
TORSÃO DO VIRABREQUIM
O método para atenuar ou eliminar estas oscilações
é a utilização de um «compensador harmônico de
Partindo de um motor múlti-cilindrico, e analisando
vibrações» conhecido como DAMPER, colocado no
os esforços que operam sobre o virabrequim ao
extremo anterior do virabrequim, ou seja o ponto
produzir-se às explosões, observamos que estas
mais afastado do volante.
afetam o eixo de diferentes maneiras, ainda
desenvolvendo sempre a mesma força.

Por tanto, ao produzir-se a explosão no cilindro mais O DAMPER


próximo ao volante, só recebe impulso motriz um
braço do virabrequim. No entanto, quando a explosão No extremo livre do virabrequim encontramos a
se produz no cilindro Nº 1 (o mais afastado do vo- polia da ventoinha, anexada à mesma localizamos
lante) o impulso motriz produz o funcionamento de uma peça metálica circular, sobre a que se aciona
todos os braços, um trás outro, até chegar ao volan- um mecanismo formado por dois anéis separados por
te. Resulta lógico supor que, se bem as deformações molas e seguro por uma porca.
sofridas por cada braço são pequenas, somando to-
das elas resulta no esforço de torção ao qual é Este mecanismo, chamado «damper», acompanha
submetido o virabrequim e que chega a ser notável. o movimento circular do virabrequim, enquanto a
velocidade de giro do mesmo é mantida dentro de
Resumindo: na medida que o motor funciona, o certos limites. Portanto: quando o virabrequim varia
virabrequim sofre sucessivas deformações, cada vez sua velocidade, os efeitos de vibração aumentam pro-
de menor amplitude, do extremo mais afastado ao porcionalmente; nesta condição, os anéis do damper
mais perto do volante acumulador. Estas variantes ao não conseguir acompanhar o virabrequim nas suas
de torção determinam um estado oscilatório do oscilações, as absorve. Na zona A encontramos um
revestimento de ferodo de amianto, sobre a que age
a face externa do damper sem produzir atritos

58
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

enquanto não apareçam as oscilações. rabrequim e o volante chega a ser considerável.

Quando estas aparecem, a diferencia da velocida-


de estabelecida entre o damper e o Equilibrio estático e dinámico dos vi-
virabrequim,produz um atrito que amortece as vi-
brações fazendo com que o funcionamento do mo- rabrequins
tor seja mais suave.
A vibração do virabrequim no sentido do seu eixo Uma vez mecanizado,o virabrequim deve ser equi-
(jogo axial),é absorvida pelas molas do damper, com- librado estática e dinamicamente. Seu objetivo é anu-
primindo-se e evitando uma forte compressão sobre lar toda classe de vibrações, que durante seu funcio-
a zona de atrito. namento possam prejudicar o rendimento e a vida
Também existem dampers hidráulicos, que substi- útil do mesmo e das peças que com ele trabalham. A
tuem as molas com uma massa fluida: seus princí- primeira operação consiste em conseguir o equilí-
pios de funcionamento são semelhantes aos já men- brio estático das massas, o qual se consegue regu-
cionados. A utilização do damper se generaliza a lando os contrapesos das mesmas, rebaixando as de
partir dos motores de seis cilindros em linha , onde a maior peso com a furadeira elétrica de pouca pro-
distância entre o primeiro braço posicionado do vi- fundidade. Para isto, fazemos girar suavemente o vi-
rabrequim numa máquina que possui duas barras
paralelas, devendo ficar perfeitamente estático ao
finalizar o processo.

Logo após o equilíbrio estático, o virabrequim deve


ser equilibrado dinamicamente: esta operação se rea-
liza numa máquina especialmente projetada para esse
fim. Colocamos o mesmo na máquina, fazendo-o gi-
rar a velocidade de trabalho (funcionamento).

Num extremo da máquina colocamos um medidor


de tensão, que grava sobre um arquivo as oscilações
produzidas pelo giro do virabrequim e as intensida-
des das mesmas. Em base aos dados deste arquivo,
determinam-se os pontos e a quantidade de material
a equilibrar.

59
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

ÁRVORE DE MANIVELAS DO
MOTOR VW AP
É fabricado numa peça única de aço forjado. Logo
após de ter sido usinado, onde foi feito o endureci-
mento das áreas de contato, é balanceado. Seu apoio
ou eixo de giro é montado em rolamentos, geralmen-
te, metais. Nesse eixo, conhecido como munhão, é
instalada a cabeça da biela. Em motores com mais
de um cilindro, os munhões se encontram formando
ângulo entre eles. Isto permite que os sistemas de
distribuição e ignição e o tempo de expansão trabal-
hem sincronizados.
No seu interior, o virabrequim apresenta labirintos
que permitem a passagem do óleo de lubrificação.
Incorpora contra-pesos para balanceamento dos
moentes e sua construção difere entre os tipos de
motores, nas seguintes dimensões:

Dimensões (mm) - Standard para munhões do virabrequim do


motor AP

Motor Munhões Moentes Curso


D1 D C

1600 (BW e UC) 53,96 45,96 40


a 53,98 a 45,98

1600 (UN e UP) 53,96 47,76 38,7


a 53,98 a 47,78

1800 - (UE e UD) 53,96 47,76 43,2


(US e UT) a 53,98 a 47,78

2000 - (UQ e UR) 53,96 47,76 46,4


2000 I - (UQA e UQB) a 53,98 a 47,78

1600 - Diesel 53,96 47,76 43,2


a 53,98 a 47,78

Atenção: Os munhões e moentes podem ser re-


tificados nos passes de 0,25 mm, 0,50 mm e 0,75
mm a partir do diâmetro standard. Fonte: VW do Brasil Ltda.

60
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Folga axial
A folga axial da árvore de manivelas é definida com
a utilização de calços de uma única espessura, insta-
lados na lateral do mancal central.

Atenção:
- Para a perfeita lubrificação desta região, os calços
possuem duas ranhuras de passagem de óleo, que
devem estar voltadas para a árvore de manivelas no
momento de montagem.
- O jogo de calços utilizados nos motores BW e UC
pode ser aplicado nos motores montados com o sis-
tema de ajuste axial da árvore de manivelas composto
de 4 anéis.
- Existem 6 casquilhos de munhões com furos para
lubrificação, sendo que devem ser montados, 5 na
parte superior e o 6º deverá ser montado na regiâo
inferior do 4º mancal. É possível encontrar uma árvore
de manivelas de 1ª sobremedida num motor novo.
São identificadas pela gravação «11» nas lateráis dos
contrapesos dianteiro e traseiro. Deve-se ter atenção
ao substituir a árvore ou os mancais.

Fonte: VW do Brasil Ltda.

61
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

LOCAL DE TRABALHO
a) Normas gerais de conservação de ferramen-
Existe uma grande variedade de locais de trabalho tas:
numa oficina de reparação de automóveis. Cada ferramenta deve dispor de um lugar. É inte-
Para poder realizar as tarefas de cada posição de ressante dispor de um armário para este fim, sendo
trabalho,o operário que o ocupa deve ter a sua dis- os mais indicados os do tipo de parede com os des-
posição todo um conjunto de ferramentas, maqui- enhos das ferramentas.
nário, e aparelhos que constituem o kit próprio para Devem evitar-se os atritos entre elas, principal-
cada setor de serviço. mente as de corte.
Cada ferramenta deve ser utilizada no uso para
As normas gerais do uso e conservação do ma- que foi destinada e da forma adequada.
terial de cada setor de trabalho Nunca se deixam as ferramentas no chão, porque
além do perigo de acidente, se deterioram facilmen-
Os equipamentos de trabalho numa oficina mecâ- te.
nica são caros e supõem uma grande carga econô- Ao terminar o serviço devemos limpá-las e guar-
mica para a empresa. A partir daí, devemos levar em dá-las nos lugares correspondentes.
conta a importância do melhor uso possível para os As ferramentas de corte devem estar convenien-
mesmos. temente afiadas, e nunca pegar as mesmas pelo lado
Sempre que for necessário, indicaremos normas de afiado.
uso e conservação específica na medida que vamos
estudando cada um dos componentes dos equipa- b) Normas gerais de conservação das máqui-
mentos, porém, há normas gerais que necessita- nas:
mos conhecer do princípio: Cada máquina foi projetada para um determina-
do fim. Nunca a utilizamos para fins diferentes.
Os aparelhos elevadores possuem limites de car-
ga, os quais nunca devemos ultrapassá-los.

Armário
Tabulero de Tabulero de
elementos herramientas
auxiliares

Bancada de
trabalho

Gavetas Morsa

62
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Devemos cuidar as engrenagens das partes que o diferentes elementos já descritos.


necessitam e cumprir fielmente as instruções do fa- Familiarizar-se com as normas de segurança e hi-
bricante. giene, fundamentais no local de trabalho do mecâ-
Mantê-las limpas. O pó e restos de materiais com nico de automóveis.
graxa, que costumam ser muito nas oficinas mecâni-
cas, formam um pasta abrasiva que desgastam rapi-
damente os mecanismos.
Evitar manuseio ou manipulações para as quais
BANCADA DE TRABALHO
não estejamos autorizados ou devidamente treina-
dos. Conhecemos com este nome, a uma mesada ro-
Quando utilizamos qualquer tipo de máquina, busta a qual são fixados elementos chamados tornos
nossa atenção deve estar concentrada totalmente na de bancada. Costumam ser construídos em madeira,
operação da mesma, e em controlar qualquer possí- ferro ou combinação de ambos.
vel causa de acidente. A altura da bancada é um pouco maior que a das
mesas normais; deve estar compreendida entre os 80
c) Normas gerais de conservação dos aparel- e 90 cm. Sua largura é aproximadamente de 1 m, e
hos de verificação: não temos um comprimento específico. Normalmen-
te está equipado com gavetas para guardar ferramen-
Devem de guardar-se em lugares separados das tas nela utilizadas como: limas, martelos, tuchos, etc.
outras ferramentas, e dentro das suas embalagens se
as possuem. A bancada é utilizada entre outros serviços para:
Não devemos apoiá-las em superfícies duras. Uti-
lizar para este fim taboas ou panos. A reparação de pequenas peças.
Devemos verificar periodicamente o seu funcio- Montagem e desmontagem de partes pequenas
namento com aparelhos adequados. ou delicadas dos diferentes sistemas dos veículos.
Não devemos golpeá-las nem arrastá-las sobre as Construção de peças simples, por exemplo: peças
peças em verificação. fabricadas com a lima.
Redobrar as atenções ao engraxe e limpeza.

Para realizar um serviço correto, todo operário deve


reconhecer adequadamente seu setor de trabalho.
Para isto o mecânico deve:

Conhecer a “bancada de trabalho”, suas caracte-


rísticas fundamentais e como funciona.
Saber que elementos são utilizados para segurar
as peças sobre a bancada, características e emprego
dos mesmos.
Saber o que é a fossa e os elevadores; suas carac-
terísticas, emprego, vantagens e inconvenientes de
cada um deles.
Ordem na bancada de trabalho.
Conhecer os aparelhos auxiliares utilizados na
montagem e desmontagem dos motores dos veícu-
los.
Aprender as normas de uso e conservação dos

63
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

que ao avançar ou retroceder a porca movimenta a


Torno de bancada parte móvel, aproximando ou afastando as mordaças.
MORDAÇAS
O torno de bancada, é uma ferramenta fixada à
mesma que dispõe de duas mandíbulas, uma fixa e a
Com o objetivo
outra móvel, que seguram as peças a consertar de
de que o estriado
diferentes formas e tamanhos por meio de mordaças
das mordaças
ao aproximar-se uma da outra. Existem vários tipos
não machuque a
de tornos, um de uso mais freqüente é o outro torno
superfície das
paralelo.
peças ao segurá-
las, utilizamos
lâminas de papelão, metais brandos ou plásticos que
TORNO PARALELO serão colocados tal como indica a seguinte figura.
Nos trabalhos de cinzelado não será necessária a
É o mais indicado para os trabalhos de ajustes. Na utilização de mordaças, porém sim em trabalhos tais
seguinte figura se representa um torno secionado como de limado ou de lixa, etc.
onde aparece mais escura a parte fixa e mais clara a
parte móvel. Podem ser apreciados os seguintes ele-
mentos: Normas de conservação e uso de tornos de ban-
Ao girar a barra f, conseguimos a torção do torno, cadas

Não forçar o torno batendo a barra de aper-


c to ou aumentar o braço da alavanca da barra
a com tubos ou outras prolongações.
b
Não deixar peças apertadas.

e Usá-lo somente como elemento de su-


jeição, nunca como elemento de apoio que
receba batidas, ou para endireitar peças, cur-
g
var perfis, etc.

f Mantê-lo limpo e lubrificado.


d

a) Mandíbula fixa.
b) Mandíbula móvil.
c) Mordaças estriadas de aço templado.
d) Porca.
e) Parafuso retangular.
f) Alavanca de acionamento do parafuso.
g) Placa de assento e de fixação da bancada.

64
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

elevadores portáteis sobre carrinhos (de controles hi-


Elementos auxiliares para a dráulicos ).
Estes aparelhos consistem num braço com um gan-
manipulação de motores cho, de onde vai suspendido o motor podendo ser
elevado até a altura necessária por meio de mecanis-
Bancada suporte para motores mo hidráulico. O mencionado braço está articulado
numa montagem vertical que descansa sobre uma
Na mecânica para automóveis, são usadas outras plataforma com rodas que permite uma fácil movi-
bancadas de menores dimensões que as descritas an- mentação,
teriormente, sua altura oscila entre 40 e 50 cm. Ser- tal como é
vem para colocar os motores e facilitar sua monta- mostrado na
gem e desmontagem. Suas estruturas e materiais de seguinte fi-
fabricação são essencialmente iguais as anteriores. gura.
Também existem bancadas suportes que consistem, Em alguns
numa armação metálico tipo tripé ou cavalete aonde casos são
vai montado um prato giratório, adequado para a su- usados em
jeição de diferentes tipos de motores, e incluso caixas substituição
de cambio. dos elevado-
A torção do prato permite colocar o motor em di- res portáteis,
versas posições, facilitando as operações de monta- os elevado-
gem e desmontagem. Como complemento das ban- res suspen-
cadas suportes, também temos bandejas carrinhos sos que po-
para o depósito das peças que vão saindo do motor. dem ser ma-

Elevadores

Em função do peso considerável da maioria dos mo-


tores, para poder retirá-los dos veículos, transporta-
los e colocá-los nas bancadas suportes, utilizamos

65
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

mecânicos (de pára-choques) sendo os que usam


comumente as oficinas modernas.
O macaco de chão é usado para elevar um veículo
da frente, detrás ou lateral. Devemos ter cuidado de
não danificar a parte inferior do veículo quando co-
locamos a cabeça do macaco. O técnico nunca deverá
depender do macaco exclusivamente para apoiar o
carro. Senão que sempre deverá instalar um jogo de
cavaletes antes de entrar debaixo do mesmo.
O macaco de pára-choque é usado para levantar
somente a parte traseira ou dianteira do veículo,
devido a que só pode ser engatado no pára-choque.
Também devemos verificar que o mesmo esteja bem
fixado ao chassi antes de levantá-lo.

Cavalete FERRAMENTAS DE OFICINA


Em toda oficina ou local de trabalho são necessários
diferentes elementos para realizar qualquer serviço.
Estes elementos são chamados de ferramentas. As
ferramentas utilizadas numa oficina mecânica podem
ser classificadas basicamente em cinco grandes gru-
pos :

1. Ferramentas de mecanizado
2. Ferramentas de impacto
3. Ferramentas de ensamblado
Macaco 4. Ferramentas de solda
hidráulico 5. Ferramentas ou instrumentos de medição

1. FERRAMENTAS DE
nuais (funcionamento com correntes) ou elétricos. MECANIZADO
As ferramentas de mecanizado são aquelas
Elementos auxiliares para trabalhos empregadas para transformar ou mudar a forma de
uma peça por efeito de desgaste com erosão entre
no automóvel ambas, podendo ser classificadas comumente em
cinco grupos :
Macacos
1 a . Ferramentas de corte ou serrar
Os macacos podem ser hidráulicos (de chão) ou 1 b . Ferramentas de rosqueado

66
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Na figura à direita, observamos a nomenclatura de


1 c . Ferramentas de perfuração um arco de serra extensível e um arco montado.
1 d . Ferramentas de Retificados e polimentos
1 e . Ferramentas para limar
1 a .Ferramentas para serrar A lâmina de serra

Como a lâmina de serra é um elemento de corte, é


Serras Manuais necessário explicar mais em detalhes suas caracte-
rísticas. São fitas de aço temperado, de 25 a 35 cm
A operação do serrado, consiste em cortar um ma- de comprimento. Um dos seus lados é liso e o outro
terial (madeira, ferro, alumínio, etc.) em pedaços, tem cortes em forma de dentes.
deixando superfícies de cortes lisas e quase sem per- Nos seus extremos, a lâmina de serra tem furos que
das de material. O serrado se realiza com a serra permitem fixá-la aos suportes porta serras. Sua lar-
manual ou com a serra mecânica. Vamos nos limitar gura pode variar entre 1,2 a 1,6 cm e o suporte entre
à explicação do uso da serra manual, já que é a mais 0,7 e 1,5 mm.
usada pelo mecânico. Também se denomina arco de
serra, que está formado por duas partes fundamen- As lâminas de serra podem possuir os dentes ou
tais que são: a) uma peça metálica fixa, ou extensível cortes tortos, ou seja, os mesmos são virados alter-
chamada de arco, e b) a lâmina de
serra que é o elemento de corte.
Solidária ao arco encontra-se uma
alça que permite um manejo mais
fácil da serra.
O arco possui dois suportes por-
ta lâminas, um fixo e outro com
um parafuso que permite contro-
lar a tensão da lâmina.

nativamente para um lado e para


Arco outro, ou ondulados. Estas for-
mas são dadas às beiradas para
facilitar o passe da lâmina de se-
rra pela ranhura que realizam os
dentes durante a operação, já que
de não ser assim, o atrito seria
excessivo pelo fato de que a ran-
Lâmina hura seria da mesma espessura da
lâmina, o que a travaria.
Graças à torção dos dentes ou
A. Arco
B. Encaixe fixo da lâmina
C. Encaixe tensor da lâmina
D. Cabo

67
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

mente na parte dos dentes, en-


quanto que as duras em toda a su-
perfície.

De acordo com a espessura ou


Perfil de uma lâmina com dentes torcidos diâmetro da superfície a cortar,
devemos utilizar uma lâmina de
serra na qual sobrem de dois a três
dentes sobre a superfície de corte.

Perfil de uma lâmina ondulada Para grandes seções de aço e me-


tais brandos devemos utilizar lâ-
minas de 12 a 18 dentes por pole-
L1 = Espessura de lâmina. Seção do corte gada, para poder deixar deslizável
L2 = Largura do dentado
a viruta.

a ondulação da lâmi-
na, esta pode trabal-
har facilmente. INCORRETO CORRETO

14 dentes por polegada


Para que a serra deslize
sem dificuldades.
Outras das caracte-
rísticas importantes
das lâminas de serra é Menor número de
o numero de dentes dentes por seção
que possuem por po-
legada longitudinal.
Existem lâminas de 24 dentes por polegada
12, 14, 16, 18, 24 e Para ângulos de ferros,
bronze, cobre, tubos de
32 dentes por polega-
ferro, etc.
da. As lâminas são fa-
bricadas em aço car- Maior número de
dentes por seção
bono, aço rápido ou
aço tungstênio, e de
acordo com o tempe-
rado na sua fabri- 32 dentes por polegada
cação, as lâminas po- Para condutos e outros
dem ser flexíveis ou tubos de paredes finas,
trabalho em chapas, etc.
duras.
Maior número de
As lâminas flexíveis dentes por seção
são temperadas so-

68
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

os dentes fiquem
opostos à alça da
serra. As lâminas
devem ser
tencionadas, já que
as mesmas dilatam-
se com o calor
perdendo rigidez. O
elemento a cortar
deve estar
perfeitamente fixado
ao torno na bancada.
A zona onde será rea-
lizado o corte deve
estar o mais perto possível do lugar de fixação.
Para pequenas seções e paredes finas, utilizamos Em alguns casos, para materiais muito duros,
lâminas de 24 a 32 dentes por polegada. aconselhamos fazer uma pequena marca ou
fenda com o canto de uma lima fina, e sobre
Na seguinte figura podemos observar um detalhe essa marca ou fenda começar a operação de cor-
do uso correto das serras. te. O movimento do arco de serra deve ser de
vaivém, aplicando pressão quando se avança e
diminuindo quando se retrocede.
A velocidade do corte poderá ser de unas 35
USO DO ARCO DE SERRA impulsos por minuto para metais duros, aumen-
tando o número para metais mais brandos até
Escolher a lâmina de serra com o passe adequado à 60 por minuto.
espessura e tipo de material a cortar. Ao cortar tubos, devem girar-se os mesmos na
A lâmina deve colocar-se no arco de tal forma, que medida que o corte avança.

CUIDADOS
DAS LÂMINAS
DE SERRA
As lâminas de serra
INCORRETO CORRETO não se podem afiar,
pelo qual temos que
caprichar na sua
conservação. É conve-
niente levar em conta:

1. Não deixar obje-


CORTE DE TUBOS tos pesados sobre elas.
2. Quando o mate-

69
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

peça no torno.
rial for duro demais, diminuir a d) Utilização de uma lâmi-
na grande (poucos den-
tes por polegada) para
Modelos diversos de tesouras Corta-lata uma peça fina.
e) Tentar corrigir um corte
pressionando a lâmina la-
teralmente.

Ferramentas de Corte.-
Incluímos neste grupo, um conjunto de peque-
velocidade de nos instrumentos destinados aos cortes de peque-
corte. nas peças tais como: latas (grossas e estreitas),
3. Não pressionar arames, tubos (diâmetro pequeno), etc. Mesmo
demais ao cortar. que exista um grande número de ferramentas
4. Prevenir a deste tipo, as mais comuns, usadas pelo mecânico
oxidação, aplican- são: tesouras de cortar lata, alicates, cinzéis e
do um pouco de cortadores de tubos.
óleo nas lâminas,
as mesmas podem
Cinzel
quebrar devido a: 1b. Ferramentas de Rosqueado
a) Não estar
bem sujeita ao
OPERAÇÃO DE ROSQUEADO
arco: excesso ou falta de
tensão.
Denomina-se rosqueado à tarefa de fazer roscas
b) Muita pressão ao cortar.
em superfícies cilíndricas, na parte interior ou
c) Não estar bem segura a
exterior. Uma rosca é à parte da
peça que na sua superfície tem
a forma de filete ou ressalto em
Corta - tubos
forma de hélice. As roscas
interiores possuem os filetes na
parte inferior da superfície
cilíndrica.
As roscas exteriores possuem fi-
letes na parte externa da superfí-
cie cilíndrica.
A operação de rosqueado se rea-
Parafuso liza com um instrumento chama-
Rolamentos guia
Disco de aperto do «macho de roscar», quando se
de corte

70
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Rosca exterior

Rosca interior

trata de roscas interiores, e ta-


b
a) Cabo rraxas quando falamos de roscas
b) Quadrado de arrasto externas.
c) Parte cônica enroscada a As ferramentas para roscar se
d) Lâminas de corte apresentam em todos os diâme-
e) Parte cilíndrica enroscada tros e com diferentes passes de fio
f) Canaletas (filetes).
d
e
f

Giramachos

Macho M.14 M.14 M.14

Macho 1º Macho 2º Macho 3º


Iniciador Intermédio de acabamento

71
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

MACHOS DE Como foi falado anteriormente, as tarraxas são


ROSCAR utilizadas para realizar o rosqueado exterior. Con-
siste basicamente, em peças metálicas com forma
Os machos de de porcas, mas, que as suas roscas foram cortadas
roscar são ferra- de forma longitudinal. Estas peças se localizam em
mentas em for- ferramentas ou chaves especiais de dois braços que
ma de barras ou as fixam. Outro tipo de tarraxa é a da faca desmon-
varetas, com um tável, e está formada por três peças separadas cha-
dos extremos ros- madas facas ou pentes.
queado tal como Para facilitar a entrada da tarraxa na peça cilíndri-
o ilustra a figura, ca a rosquear, esta possui os primeiros filetes de
e o outro extremo terminado em forma quadrada. rosca cônicos. A lubrificação é conveniente reali-
Utiliza-se junto, um acessório denominado gira zá-la com óleo emulsionado.
macho, que possui no meio dele um furo quadra-
do aonde se introduz o macho. O acionamento da chave de dois braços, tanto
para machos de rosquear como para tarraxas, deve
PROCEDIMENTO: Para conseguir um rosqueado ser realizado suavemente, cuidando de estar em lin-
perfeito, é necessário dispor de um jogo de três ha com o eixo da perfuração a rosquear. Devemos
machos, o primeiro possui um extremo rosqueado fazer um giro completo de 360o e voltar meio giro
em forma cônica, no segundo a conexidade é me- 180o e assim sucessivamente. O giro da chave por-
nor e o terceiro possui o mesmo diâmetro em toda ta macho ou porta tarraxa deve ser feito sempre no
a extensão rosqueada. sentido das agulhas do relógio.

A peça a ser roscada deve estar presa a um torno


ou prensa, e o macho de roscar deve colocar-se em 1c. Ferramentas de perfuração
linha com o eixo do furo. Quando se rosqueia ferro
ou aço, é conveniente o uso de óleo mineral como PERFURAÇAO
lubrificante, para a fundição de alumínio, bronze
ou latão não é necessário.

Tarraxas

Prensa para tubos

Porta-tarraxas

Tarraxa

Empuje e giro da perfuração

72
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

A operação que se efetua para obter furos redon-


O tipo de broca mais comumente usado é o «espi-
dos em peças ou corpos de materiais diversos, de-
ral» no qual podemos distinguir três setores impor-
nomina-se perfuração. Para realizar a mesma utili-
tantes:
zamos uma ferramenta chamada de broca que pos-
a) haste
sui um ou dois cortes no seu extremo, a qual faze-
b) corpo
mos girar sobre seu próprio eixo. O movimento de
c) ponta
rotação é proporcionado por uma máquina chama-
A haste é a parte da broca que se introduz na
da furadeira, que pode ser de acionamento manual
furadeira, a ponta é a parte cortante e o corpo com
suas ranhuras permitem despejar com
facilidade a viruta
Na figura, ilustram-se três tipos de
brocas que diferem na sua haste e são
Haste as de: haste cilíndrica, cônica e
Ponta Lábio Ranhura quadrada.
As brocas apresentam no comercio
uma vasta gama de diâmetros de ponta podendo
oscilar entre 0,5 mm e 100 mm.
O material empregado para a fabricação das
Haste Cilíndrica
brocas, deve cumprir uma série de exigências técni-
cas, e no geral
se emprega o
Haste Cônica aço carbono (
brocas de me- Mandril e chave
nor custo,
Haste Quadrada apresentam o
inconveniente
de que exigem
ou elétrico (por meio de um motor).
menores velo-
cidades de cor-
te) e aço rápido Abertura
Furadeiras (para obter do mandril
brocas de altas
Em geral o mecânico emprega as furadeiras portá- velocidades em
teis de acionamento elétrico. Estas furadeiras per- regimes de
mitem realizar furos de até 13 mm de diâmetro, po- trabalho).
dendo usar duas velocidades de rotação, e o avanço De acordo ao Instalação
da ferramenta de corte ou broca se obtém com uma material a
ligeira pressão sobre o conjunto. perfurar se
Estas furadeiras estão constituídas por um motor
pequeno elétrico que proporciona o movimento de
rotação à broca, e o avanço se realiza manualmente
apertando a máquina contra a peça. Aperto

Fixação da Broca
BROCAS

73
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

projetaram brocas de diferentes formas de pontas e conservação dos


corpos, existindo brocas para materiais brandos e retificadores
para materiais duros. Também existem brocas de Conhecer as normas de segurança para o manejo
outros tipos como: guias, com pequenos furos para dos retificadores
lubrificação, para diversos materiais não metálicos
(madeira, plásticos, concreto, vidro, etc.) O retificado tem como objetivo, melhorar o
acabamento das superfícies dos furos realizados,
assim como também retificar os furos deformados
FIXAÇÃO DA BROCA À MÁQUINA por desgastes. É uma operação que complementa à
perfuração, e resulta imprescindível sempre que tra-
As furadeiras de acionamento manual ou elétrico, temos de conseguir furos perfeitamente cilíndricos
possuem um dispositivo denominado porta brocas e de grande exatidão nas medidas dos diâmetros. Por
(comumente chamado de Mandril), o qual fixa a broca exemplo na mecânica de automóveis são usados para
à máquina. O mandril está composto por uma alica- retificar as bases das bielas.
te ou mordaça de três peças onde se introduz a haste
da broca, que se aperta através de uma chave exter-
na de forma cônica. Os Retificadores
É aconselhável em todos os casos antes de realizar
a operação de perfuração, marcar o lugar certo. Quan- São ferramentas utilizadas na operação de
do se trata de peças de madeira podemos marcar di- retificados. Podemos classificá-los em três categorias
retamente com um lápis. Para peças metálicas mar- :
camos a superfície com um xis, logo com uma ponta
metálica identificamos o lugar e por último fazemos 1. Retificadores de mão
uma marca maior tipo o começo do furo. 2. Retificadores de máquina
Para obter furos redondos perfeitos é aconselhável 3. Retificadores especiais
fixar a peça a uma prensa torno ou de bancada.
Em todos eles podemos distinguir três partes: alça,
corpo, e ponta. À parte do corpo, imediata a alça as
vezes pode ser cônica, que serve para facilitar a saída
1d. Ferramentas de Retificado dos furos.
O retificado é uma operação de acabamento.
Pode se conseguir uma visão mais clara da mesma
sendo alcançados os objetivos específicos que
assinalamos a
continuação:

Saber o que é o
retificado
Distinguir os
diferentes tipos de
retificadores
Conhecer as
normas de uso e Ponta Corpo Haste

74
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

alisar e deixar o furo na medida certa.

Haste 1. Retificadores de mão

Pode ser cilíndrica ou cônica. Sendo o primeiro tipo São retificadores nos quais a sua haste (alça) possui
o utilizado para os retificadores de mão e o segun- um broca quadrada que se introduz num furo
do, para os utilizados em máquinas. adequado de uma alavanca semelhante à dos ma-
chos (gira-machos),
com as quais consegui-
mos trabalhar manual-
mente.
Possuem fios muito
longos, assim como a
ponta, características
que garantem uma guia
correta e um corte
progressivo. Existem
dois tipos fundamentais:

Corpo

Está coberto de ranhuras retas, ou curvas,


que formam o fio do retificador. Os de fios
curvos permitem obter melhores
acabamentos que o de fios retos, e devem
usar-se sempre que o furo apresente alguma ranhura Os de dentes fixos
(por exemplo, de trava). Mas, temos o inconveniente Os de dentes reguláveis
de que são muito mais difíceis de afiar que os de fios
retos. Os de dentes fixos são ferramentas robustas pelo

Ponta

No extremo oposto da alça, o corpo começa a


estreitar-se, e permite a entrada da ferramenta nos
furos, essa parte é chamada de ponta. Os fios desta
parte da ferramenta são os principais, por serem os
que cortam a maioria do material, dependendo disso
que se consiga um bom rendimento da ferramenta.
Os fios do corpo, na realidade, não fazem mais que

75
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

qual: Devem conservar-se bem afiados, principalmen-


te os fios da ponta que são os que cortam mais
Podemos arrancar grande quantidade de mate- materiais.
rial Ao se trabalhar com retificadores cônicos,
Não oferecem perigo de trava devemos ter a precaução de não avançar muito rápi-
do devido ao entupimento.
Seu inconveniente principal é que, quando se des- Devemos procurar de que o retificador entre o
gasta diminui seu diâmetro rapidamente, por isso são mais centrado possível no furo.
utilizados sobre tudo em trabalhos comuns de É conveniente antes de começar o serviço, verifi-
reparações e manutenção.
Os de dentes reguláveis não tem os mesmos incon-
venientes que os fixos, porém, são de uma construção 1 - Boca lubrificante
mais delicada permitindo arrancar unicamente 2 - Brunidor
pequenas espessuras de material. 3 - Fixadores do bloco do motor

2. Retificadores de Máquina

São retificadores com alças cônicas, para facilitar


o centrado dos mesmos ao eixo da máquina. No lu-
gar das brocas quadradas como nos manuais,
possuem formas achatadas, que ao serem
introduzidas na fenda ou ranhura correspondente dos Brunidor manual Brunidor industrial
cones, encaixam perfeitamente conseguindo sua
rotação junto com a máquina, produzindo-se também
por atrito entre a superfície cônica da alça e o furo.
De maneira geral os fios e as pontas destes, são car que o sobre metal não seja maior que os valores
muito mais curtos que os correspondentes aos estabelecidos.
retificadores de mão. São utilizados em furadeiras e
em tornos, especialmente nos de revolver e automá-
ticos. NORMAS DE SEGURANÇA
3. Retificadores Especiais
Os retificadores são ferramentas de fios muito cor-
São ferramentas de uso específico onde os mais tantes, pelo qual devemos ter certas precauções:
comuns são os de ponta cônica.
NORMAS DE CONSERVAÇÃO DOS Nunca se seguram pelos fios, em caso da
RETIFICADORES necessidade, proteger-se com luvas adequadas.
Devemos levar em conta as normas de segurança
estabelecidas na operação de perfurações.
Deve-se levar em conta:

Não girar nunca o retificador no sentido contrário


ao de corte, ainda quando trave, pois corremos o ris-
co de estragar os fios.
Quando o retificador vibra conferir a afiação do
mesmo.

76
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Polidoras (Brunidores)

São ferramentas de desgaste e polimento para cavidades cilíndricas de grandes diâmetros (50 a 100 mm
aprox.), por isso são utilizados para trabalhos em cilindros de motores principalmente.
Estão formados por uma série de pedras de esmeril para realizar o desgaste e o polimento. Existem os
manuais e os industriais.

1e. Ferramentas para limagem


A limagem, é uma operação manual realizada com instrumento chamado lima, que tem como objetivo,
mudar formas, dimensões ou estados superficiais de uma peça, retirando pequenas virutas que são cortadas
por diminutos dentes talhados na superfície da ferramenta.

2 C B

Curvatura da lima

77
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

As Limas

As limas estão constituídas por uma barra de aço duro, na qual estão talhados na sua superfície, grande
número de dentes ou facas, que quando entram em contato com o metal a reparar, arrancam pequenos
pedaços do mesmo.

Estes pequenos dentes constituem o tipo de lima.

A lima trabalha com um movimento alternativo, sobre a peça, conseguindo-se a retirada de material exclu-
sivamente durante o curso de avanço.

Esta ferramenta consta dos seguintes elementos :

1.- Folha ou Lâmina:

Plana Limado de caras planas

Pequenas superfícies de
Quadrada ranhuras, orifícios, etc.

Limado de superfícies que


Triangular forman ângulos mayores de
60º. Superfícies planas, etc.

Acabamento de esquinas e
De ponta ângulos menores de 60º.

Limado de orifícios
Redonda redondos, superfícies
côncavas.

De meia Limado de superfícies planas


canha e côncavas, para ângulos de
menos de 60º, orifícios, etc.

Superfícies planas, orifícios


De cantos
con superfícies planas e
redondos
côncavas.

78
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

consta de: a) Cara: é a parte mais larga da lima tamanho


que dispõe de dentes ou cortes.
b)Canto: é a face estreita da lima. O tamanho de uma lima fica definido por sua lon-
Pode ter dentes, e quando não os possui, denomina- gitude comercial (L) que é a distância existente entre
se canto a ponta e o começo dos dentes. Fabricam-se limas
de segurança. de diversos tamanhos, úteis para trabalhos diferen-
c)Calda: de forma tes.
achatada e em ponta, o que A longitude comercial pode designar-se em milí-
facilita e permite a fixação metros ou polegadas, os tamanhos mais freqüentes
na alça por pressão. são:

2.- A alça Em polegadas, 3, 4, 5, 8, 10, 12, 14 e 16


Em milímetros, 75, 100, 125, 150, 200, 250, 300,
Elemento de 350 e 400
madeira ou plástico que permite segurar a lima. O
corpo da lima é ligeiramente arredondado para favo-
recer o contato com os dentes, e compensar a Classificação das limas por Desgaste
pequena deformação que produz a pressão da mesma
sobre a peça e dificultaria conseguir superfícies Existem limas :
perfeitas e planas. a) Cinzeladas ou picadas
CLASSIFICAÇÃO b) Fresadas

As limas se classificam A sua vez a lima cinzelada pode dividir-se em:


atendendo a: Ralado simples
Ralado duplo
1. Forma
2. Tamanho Por sua parte as limas fresadas dispõem de um ra-
3. Desgaste (Picado) lado simples sobre os que talham diminutas ranhu-
4. Grau de corte Lima con desenho simples
ras rompevirutas.
Existem outros tipos de desenhos para usos espe-
ciais como os seguintes :
Classificação das Desenhos com escofina: utilizados para trabal-
limas por sua forma hos não metálicos.
Lima con desenho duplo Desenhos com dentes curvos: para limar chum-
As limas são fabricadas bo, materiais de fricção. A forma dos dentes facilita
com diversas seções a penetração e evitam o entupimento da lima devido
transversais para poder à retenção de metais entre os mesmo.
realizar diferentes tipos
de trabalhos, os mais Limas fresadas
freqüentes são os que se
indicam no seguinte
quadro:
Classificação das
limas pelo seu Desenho escofina

79
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Diferentes formas de segurar as limas


Classificação pelo grau de
corte

Define-se como grau de corte, Superfícies cilíndricas


a relação do número de dentes com limas planas
que a lima possui por unidade de
longitude. Quantos menos den-
tes por unidade de longitude uma
lima possua, seu trabalho será
mais grosso, produzindo super-
fícies mais ásperas ou corruga-
das.
Levando em conta o anterior, as
Superfícies estreitas
limas se dividem em:
Ásperas ..................... 6 den
............................ tes/cm
Espessa ...................... 8
Semi-finas ................. 12
Finas ......................... 16
Extrafinas .................. mais de
............................ 16 Superfícies planas com
limas de grande tamanho

SELEÇÃO DO TIPO DE
LIMAS

A seleção da lima mais adequa- Superfícies planas


da ao trabalho a realizar-se de- interiores. Se usa limas
pende de: pequenas.
a) o tipo de material a trabal-
har.
b) o grau de polimento que pre-
tendemos na super-
fície trabalhada.
c) o tamanho e forma da peça. Orifícios cegos.
Se usa limas pequenas.

Atendendo a estes três fatores


se determina:

80
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

etc.também entopem os espaços entre os dentes, pelo


Tamanho.
qual é conveniente a utilização de limas especiais
Forma.
como escofinas .
Tipo de picado.
Quando temos de limar uma peça na qual deve-
Grau de corte.
mos retirar grande quantidade material, utilizaremos
uma lima espessa ou de devastação.
Unido estes aos pontos anteriores, devemos levar
As limas finas serão utilizadas para as últimas pas-
em conta que:
sadas de acabamento com as quais se pretendem as
superfícies mais planas ou lisas. Se além de fina, é de
As limas com desenho duplo se utilizam com
desenho simples, o efeito do acabamento será maior
vantagens para trabalhar em metais duros.
e melhor.
Para trabalhar em metais brandos é conveniente
utilizar limas com desenhos simples, devido à gran-
de quantidade de material que se desprende durante
a operação, entupindo os espaços entre os dentes.
Os materiais fibrosos como madeiras, plásticos,

Lâmina
de lata

LIMPEZA DAS LIMAS

81
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

Execução da operação de limagem

As diferentes formas de segurar uma lima, depende do tipo de serviço a realizar-se e também da lima. No
quadro seguinte indicamos as formas de fazê-lo nos diferentes tipos de trabalho.

NORMAS DE USO
ALGUMAS NORMAS PARA UM CORRETO USO E CONSERVAÇÃO DAS LIMAS

Sempre verificar que a alça da lima esteja perfeitamente unida à mesma.


Exercer a pressão somente no curso de avanço e não de retrocesso, devido a que este último só produzirá
maior desgaste na ferramenta e aumenta o cansaço.
Não devemos passar a mão no local de desgaste, assim poderemos evitar os deslizamentos da ferramen-
ta.
Não tentar trabalhar materiais de dureza superior ao da lima.
Antes de limar uma peça de aço fundido laminado, devemos retirar a cobertura superficial que possui, e
costuma ser muito dura. Podemos fazê-lo com uma lima com cinzel velho, ou outros procedimentos.
Não colocar as limas em cima das outras ferramentas ou elementos metálicos, nem carregá-los no meio
deles.
Limpar periodicamente as limas, e sempre que fiquem virutas incrustadas nos dentes, utilizaremos esco-
vas de metal quando a viruta é de aço, e utilizaremos uma lâmina de latão se é de materiais brandos.
Cobrir as limas, principalmente quando são novas, com um produto protetor, par evitar a oxidação.

82
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

83
MECÂNICA AUTOMOTIVA - MOTOR

84