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Juventudes e cidade: utopia e arte na construção do jovem como

sujeito político e social


Guilherme Nobre Aguiar1

PROPOSTA: Com este artigo, objetivo analisar a relação entre juventudes


periféricas e a cidade (PEREIRA, 2017; MACHADO, 2017; DAYRELL, 2003). Para
tanto, primeiramente, tratarei dos jovens ligados ao rap visando compreendê-los
como sujeitos sociais que constroem determinados modos de ser jovem, suas utopias
e formas de exercício da cidadania, ou seja, quem são esses jovens, o significado
dessas identidades que emergem nas quebradas usando de práticas e linguagens como
meios de expressão, engajamento e sobrevivência; como táticas (CERTAU, 2009)
que subvertem a rotulação (BECKER, 2008), a estigmatização (GOFFMAN, 1988) e
a criminalização (FOUCALT, 2008; MEIRELES, 2019). Nesse contexto, analisarei a
cidade sob a perspectiva de campo em disputa (HARVEY, 2005; LEFEBVRE, 2008),
e da existência de várias cidades dentro de uma mesma cidade (AGIER, 2011),
trazendo o estranhamento, o tornar-se estrangeiro na própria terra (SIMMEL, 2005;
SCHUTZ, 2010), onde o jovem aparece como o utopista, um observador privilegiado
(XAVIER, 2017). A utopia, nas práticas culturais juvenis e produção imagética, se
apresenta como não-congruência com a realidade, irrompe como insatisfação, onde o
real deixa a desejar (HARVEY, 2004; RICOUER, 2017). Além da revisão
bibliográfica, será utilizada análise documental de letras de rap bem como do Atlas
da Violência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), recentemente
publicado (2020) e do Monitor da Violência (G1), de modo que, ao final, possa
relacionar os dados com as realidades cotidianas das juventudes, concluindo
significados que lhes atribuem nas artes, de forma a se expressarem numa sociedade
cada vez mais globalizada e violenta, mormente em tempos de pandemia do novo
Coronavírus e do aumento da violência policial contra os jovens periféricos. Justifica-
se a pesquisa de forma a contribuir para problematizar a cultura juvenil
contemporânea, destacando sua participação cívica e política usando recursos e
gramáticas criativas como forma de expressão e participação na esfera pública,
principalmente no campo citadino.

Palavras-chave: Juventude, cidade, utopia, artes da cidadania

1
Mestrando regular da turma 1/2019 do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social da
Universidade Estadual de Montes Claros.
Proposta de artigo a ser desenvolvido para obtenção de nota para a disciplina
Direito à cidade: perspectivas interdisciplinares, ministrada pelos professores: Dr. Giancarlo Marques
C. Machado e Dr. Ildenilson Meireles Barbosa, 1/2020.
Bolsista CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.
REFERÊNCIAS:
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