Você está na página 1de 5

FUNDAMENTOS SOCIOHISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO

PROF ELIANA CALADO

“EDUCAÇÃO BRASILEIRA NO IMPÉRIO”


FICHAMENTO

Carlos Henrique Almeida


20170036578

A primeira assembleia constituinte a cuidar da instrução fui pública


foi a de 1823. Dom Pedro I, nela falara sobre a importância do ensino
e declarou a necessidade de uma legislação particular. A comissão de
instrução pública, então, propôs 2 projetos de lei: Tratado de
Educação para Mocidade Brasileira e Criação das Universidades. Foi
construída uma universidade em São Paulo e outra em Olinda.
A publicação da memória de Martim Francisco não deu certo e nem
a Comissão de Instrução público conseguiu erguer um sistema
nacional de educação, distinguindo a educação da elite e a educação
popular. Mas, a comissão constituinte elaborou a matéria
educacional e adotou um sistema de ensino para o Brasil. De acordo
com o projeto constitucional de 1823, para os brancos ou
supostamente brancos haveria educação escolar formal, conforme o
disposto no Art. 250. Para os índios, haveria catequese e civilização
e, para os negros, emancipados lentamente, haveria educação
religiosa e industrial, nos termos do Art. 254.
Dessa forma, a Comissão apresentou o projeto constitucional de
1823 que difundia a instrução pública. A assembleia não tardou em
entrar em choque com o Imperador, sobretudo porque tencionava
limitar seu poder e aumentar a influência da casa nas decisões. D.
Pedro I cercou a assembleia, em 12 de novembro de 1823, com
tropas, destituindo seus membros, prendendo alguns deputados, em
um episódio que ficou conhecido como a Noite da Agonia. Da
constituinte restou apenas o decreto de 30 de junho de 1821 :
“permitindo “[...] a qualquer cidadão o ensino, e a abertura de
escolas de primeiras letras, independente de exame ou licença”.

Em seguida, fez ele mesmo, o Imperador, uma nova constituição,


promulgada em 1824. As leis que serviriam de base a organização do
ensino no Brasil foram tributárias desta Constituição, ficando em
vigor, com poucas alterações, até a proclamação da República em
1889. A Constituição outorgada em 1824, que durou todo o período
imperial, destacava, com respeito à educação: “A instrução primária
é gratuita para todos os cidadãos.” O texto representa o que foi a
Constituição de 1824:

"O regime constitucional efetivado na Carta de 1824 representou,


inegavelmente, uma conquista. Todavia, ficou muito aquém das
aspirações liberais e democráticas da elite culta. O poder moderador
confiado ao Soberano e a religião oficial “[...] não se
compatibilizavam com o ideal de igualdade de todos os cidadãos
perante a lei”
Para dar conta de gerar uma lei especifica para a instrução nacional,
a Legislatura de 1826 promoveu muitos debates sobre a educação
popular, considerada premente pelos parlamentares. Assim, em 15
de outubro de 1827, a Assembléia Legislativa aprovou a primeira lei
sobre a instrução pública nacional do Império do Brasil,
estabelecendo que:
“em todas as cidades, vilas e lugares populosos haverá escolas de
primeiras letras que forem necessárias”.
O texto é claro nesse sentido: "Ainda em 1826, na tentativa de
realizar algo mais amplo do que o previsto na Carta de 1824, a
Comissão de Instrução Pública da Assembleia Legislativa" e "Nesse
projeto de 1826, a educação nacional seria estruturada como um
conjunto articulado de escolas, envolvendo estes quatro graus:
pedagogias, liceus, ginásios e academias."
Pelo método inglês Lancaster, então adaptado a realidade
brasileira, um único professor ficava responsável por um grande
número de escolas. Como é obvio, este sistema de ensino não tinha
grande qualidade e não conseguiu atrair o interesse de muitos
alunos, fracassando, o que levou a promulgação de um ato adicional
à Constituição em 1834, descentralizando a organização e
administração do ensino elementar e médio, em uma tentativa de
tornar mais ágeis as possíveis soluções em âmbito regional e local.
"A Lei Geral de 15 de outubro de 1827 fracassava em sua aplicação
por motivos econômicos, técnicos e políticos. Pelo método
lancasteriano ou de ensino mútuo que quase dispensava o professor,
foram criadas poucas escolas, sobretudo, as destinadas às meninas;
em 1832, estas não passavam de 20 em todo o território, conforme o
testemunho de Lino Coutinho, Ministro do Império (AZEVEDO,
1958)."

O Ato Adicional de 6 de agosto de 1834 instituiu as Assembleias


Legislativas provinciais com o poder de elaborar o seu próprio
regimento, e, desde que estivesse em harmonia com as imposições
gerais do Estado, caber-lhe-ia legislar sobre a divisão civil, judiciária e
eclesiástica local; legislar sobre a instrução pública, repassando ao
poder local o direito de criar estabelecimentos próprios, além de
regulamentar e promover a educação primária e secundária. Ao
Governo Central ficava reservado o direito, a primazia e o monopólio
do ensino superior.
"A partir do Ato Adicional (1834), o panorama de educação
secundária começou a modificar-se, surgindo os primeiros liceus
provinciais graças à reunião de disciplinas avulsas existentes nas
capitais das províncias: o Ateneu do Rio Grande do Norte, em 1835, o
Liceu da Bahia e o da Paraíba em 1836."
Graças à descentralização da educação através do Ato Adicional,
em 1835 surgiu a primeira Escola Normal do país, em Niterói. Em
seguida outras Escolas Normais foram criadas visando melhorias no
preparo do docente. Em 1836 foi criada a da Bahia, em 1845 a do
Ceará e, em 1846, a de São Paulo. Em 1837, na cidade do Rio de
Janeiro foi criado o Colégio Pedro II, onde funcionava o Seminário de
São Joaquim. O Colégio Pedro II fornecia o diploma de bacharel,
título necessário na época para cursar o nível superior. Foram
também criados nessa época colégios religiosos e alguns cursos de
magistério em nível secundário, exclusivamente masculinos.
O colégio de Pedro II era frequentado pela aristocracia, onde era
oferecido o melhor ensino, a melhor cultura, com o objetivo de
formar as elites dirigentes. Por este motivo, era considerado uma
escola modelo para as demais no país. Em 1879, a reforma de
Leôncio de Carvalho instituiu a liberdade de ensino, o que
possibilitou o surgimento de colégios protestantes e positivistas.