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Gestão de serviços de auditoria

Índice
Controlo de qualidade
Externo
Interno
Aceitação do compromisso
Compreensão da entidade e do seu meio ambiente
Planeamento

Qualidade da auditoria
A qualidade é uma questão de sobrevivência para as firmas de auditoria, independentemente
da sua dimensão.
Se no trabalho de auditoria as questões da qualidade forem desprezadas, pode levar a que
existam dificuldades de relacionamento cliente-auditor, causando ao mesmo tempo graves
danos à reputação profissional da empresa e da profissão em geral conduzindo a uma perda
de confiança do público
Conceito de Qualidade de Auditoria
(De Ângelo, 1981), A capacidade de o auditor descobrir uma distorção material e a divulgar
pressupõem a probabilidade de:
1. Descobrir a distorção - Competência, profissionalismo
2. Agir adequadamente- Independência, cepticismo
Conceito de Qualidade de Auditoria
Dada a existência do audit expectation gap, podemos ter Qualidade de Auditoria Objectiva,
isto é o auditor faz o seu trabalho seguindo todos os factores de qualidade.
Percepcionada pelos utilizadores
Qualidade de auditoria
Estrutura conceptual da qualidade da auditoria
Indicadores/condicionadores da qualidade da auditoria

O trabalho do auditor apresenta um risco profissional elevado, uma vez que, os seus
resultados podem abranger um conjunto alargado de efectivos ou potenciais interessados, que
tomam decisões com base nas suas conclusões.
Dai a importância de uma adequada avaliação do risco profissional em cada compromisso a
assumir.
Nota: O risco profissional deve ser reduzido a um mínimo aceitável
O risco profissional advém de diferentes riscos, nomeadamente:
 Risco de desaparecimento
 Risco de reputação
 Risco de falhar Normalmente associado ao
Obviamente associado ao facto do auditor só poder ser responsável por proporcionar uma
segurança razoável mas não absoluta

Amostragem
Estimativas
Fraude da gestão
Assim, a avaliação do risco profissional deve combinar a avaliação do:
 Risco associado ao cliente (características do cliente)
 Risco do compromisso (perdas que possam advir da ligação a um cliente, de
incumprimentos éticos, …)
 Risco das DF (de distorções/manipulações das contas)
Assim, o controlo de qualidade deve ter 2 vertentes:
 Externa: exercido pelas entidades supervisoras da profissão
 Interna: implementação de um sistema interno de controlo de qualidade
Nota: Estes dois tipos de controlo devem coexistir e não substituir-se
Deve incluir:
 A verificação da evidência constante dos papéis de trabalho;
 A apreciação do cumprimento das normas de auditoria e dos requisitos de ética
aplicáveis, da adequação dos recursos utilizados e dos honorários de auditoria
praticados;
 A avaliação do Sistema Interno de Controlo de Qualidade (SICQ);
 Emissão de relatório que contenha as principais conclusões das verificações
efectuadas.
Controlo Externo
O controlo de qualidade na firma de Auditoria normalmente abrange dois tipos de controlo :
- Controlo horizontal (Controlo da firma de auditoria): avaliação global da actividade,
designadamente no que se refere à forma de exercício das funções, aos meios humanos,
materiais e SICQ utilizados e à observância dos deveres legalmente estabelecidos
- Controlo vertical (Controlo das auditorias realizadas); verificação de que os auditores
certificados dispõem de dossiers de trabalho instruídos de acordo com o previsto nas normas
de auditoria em vigor.

Controlo Interno
Tal como todas as empresas devem ter um controlo interno que lhes permita atingir os seus
objectivos, também as firmas de auditoria devem ter um sistema de controlo que lhes permita
garantir a qualidade necessária ao serviço prestado
Assim, as firmas de auditoria têm a obrigação de estabelecer um SICQ que proporcione
garantia razoável de fiabilidade de que:
- A firma e o seu pessoal cumprem as normas profissionais e os requisitos legais e
regulamentares aplicáveis; e
- Os relatórios emitidos são apropriados às circunstâncias.
De acordo com a ISQC 1 um SICQ deve ter presente os seguintes elementos:
 A responsabilidade pela liderança relativa à qualidade no seio da firma;
 Os requisitos éticos relevantes;
 As políticas relacionadas com a aceitação e renovação dos relacionamentos;
 Os recursos humanos;
 A execução do trabalho;
 A monitorização.
A responsabilidade pela liderança relativa à qualidade no seio da firma, para além de requerer
que se defina um responsável pelo controlo, requer que se considere os seguintes aspetos:
Assegurar que considerações de ordem comercial não se podem sobrepor à necessária
qualidade dos trabalhos;
Assegurar que a avaliação do desempenho, as remunerações e as promoções dos
colaboradores e sócios tomam em linha de conta as questões da qualidade;
Assegurar que são disponibilizados os recursos necessários para o desenvolvimento,
documentação e suporte das políticas e procedimentos relativos à qualidade dos trabalhos.

A firma deve estabelecer políticas e procedimentos concebidos para assegurar, com


razoável segurança, que todo o seu pessoal cumpre com os princípios éticos:
o Integridade
o Confidencialidade
o Objectividade
o Comportamento Profissional
o Competência e Zelo Profissional
Identificando as ameaças, avaliando-as e aplicando as salvaguardas necessárias.
A firma de auditoria deve implementar e estabelecer políticas adequadas relacionadas
com a aceitação e renovação de trabalhos com clientes novos ou clientes recorrentes, devendo
ser adequadamente avaliado o risco profissional antes de iniciar ou continuar estes
relacionamentos. Isto pressupõe:
o Executar procedimentos de aceitação e continuação, considerando a competência e
os requisitos éticos
o Decidir sobre a aceitação, considerando a integridade e o risco do cliente
o Listagem dos factores de risco
A firma de auditoria deve estabelecer políticas e procedimentos que lhe permitam assegurar
que tem recursos humanos suficientes com a competência, capacidades e compromisso com
princípios éticos necessários para a execução dos trabalhos. Assim, deve atender às seguintes
áreas:
o Recrutamento;
o Avaliação do desempenho;
o Capacidades, incluindo o tempo para desempenhar as funções;
o Competência;
o Evolução na carreira;
o Promoção;
o Retribuição;
o Estimativa de necessidades pessoais.
O SICQ deve garantir que os trabalhos de auditoria são executados de acordo com as
normas profissionais e os requisitos legais aplicáveis. Isto consegue-se através:
o da forma como as equipas de trabalho são informadas sobre o trabalho e a sua
compreensão dos objectivos deste;
o Dos processos para dar cumprimento às normas de trabalho aplicáveis.
o dos processos de supervisão do trabalho, de formação e de aconselhamento do
pessoal;
o da revisão do trabalho executado, dos julgamentos significativos feitos e da forma
do relatório a emitir;
o De documentação apropriada do trabalho executado e da oportunidade e extensão
da revisão;
o dos processos de actualização de todas as políticas e procedimentos
o A firma deve estabelecer um processo de monitorização concebido para lhe
proporcionar garantia razoável de que as políticas e procedimentos relacionados com
o SICQ sejam relevantes, adequados e operem eficazmente. Este processo deve:
o Incluir a consideração e avaliação contínuas do SICQ da firma, incluindo, numa
base cíclica, a inspecção de pelo menos um trabalho concluído por cada sócio
responsável pelo trabalho;
o Exigir a definição de um responsável
o Exigir que os que executem o trabalho ou a revisão do controlo de qualidade do
trabalho não estejam envolvidos na inspecção de trabalhos

Aceitação do compromisso
ISA 220
O auditor deve estar convicto de que foram:
 Realizados os procedimentos adequados para aferir a aceitação ou continuação do
compromisso
 Obtidas as conclusões apropriadas sobre esses procedimentos
A ISQC1 estabelece que é necessário recolher a informação necessária para decidir sobre a
aceitação ou continuação de um cliente
A ISQC1 refere a seguinte informação como relevante:
1. Competência da equipa de auditoria para realizar a auditoria, incluindo os meios
necessários, tais como, tempo e recursos
2. Cumprimento dos requisitos éticos – Identificação e análise de potenciais ameaças
3. A integridade do cliente e que não têm informação que a coloque em causa

Para a determinação da competência e capacidade da equipa de auditoria devem ser


considerados, entre outros, os seguintes aspectos:
 •Compreensão e experiência prática em auditorias de natureza e complexidade
semelhantes
 •Compreensão de normas profissionais e de regulamentos e leis aplicáveis, ou
capacidade de a obter
 •Pessoal suficiente com capacidade e competência adequada
 •Os peritos estão disponíveis, se necessário
 •Estão disponíveis pessoas elegíveis e competentes para proceder à revisão do
controlo de qualidade
 •A firma é capaz de realizar o trabalho dentro do prazo
Para avaliar a integridade do cliente deve-se considerar os seguintes aspetos:
• A reputação pessoal e profissional do principal proprietário, gestão e dos
responsáveis pela governação
• A natureza das operações, práticas de negócio do cliente
• Informações relativas à atitude do principal proprietário, gestão e dos
responsáveis pela governação no que respeita a interpretações agressivas de
normas contabilísticas e do CI
• Preocupação do cliente em manter um nível baixo de honorários
• Indicação de uma limitação não apropriada do âmbito
• Indicações de que o cliente pode estar envolvido em “lavagem de dinheiro” ou
outras actividades criminais
• As razões para a existência ou não de reservas nos relatórios anteriores
realizados por outro auditor
• A reputação pessoal e profissional das partes relacionadas

O cumprimento destes requisitos leva a firma de auditoria a:
 - Recolher toda a informação adequada e possível antes da aceitação
 - Perante conflitos de interesse avaliar a adequação de aceitar o compromisso
 - Deve documentar todo o processo
 Este conhecimento é obtido através de:
 -Experiência anterior;
 -Conversa com auditores anteriores
 -Regras e regulamentos do sector
 -Normas contabilísticas aplicáveis ao sector
 -Percepção de viabilidade do negócio
 -Percepção da integridade dos directores e membros do órgão de gestão
Nota: Trata-se de compreender a entidade e o seu meio ambiente
Normalmente os auditores possuem um questionário que segue o recomendado pelo Controlo
de Qualidade que os ajuda a avaliar o risco do compromisso, designado de risco profissional
e que também permite documentar essa avaliação.

O Exemplo apresenta um questionário que cobre as seguintes áreas:


 Características e integridade da administração/gerência
 Estrutura da organização e da administração/gerência
 Natureza do negócio da empresa
 Ambiente do negócio em que a empresa se insere
 Resultados Financeiros
 Entidades Relacionadas
 Demonstrações Financeiras
 Natureza do compromisso de auditoria / características do nosso serviço
 Conhecimento
 Anterior Auditor

Após esta recolha de informações o auditor está em condições de:


 -Aceitar ou não o trabalho
 -Saber as condições em que aceita o trabalho
Contrato escrito
Documenta e confirma:
 -a aceitação do trabalho
 -objectivo e âmbito do trabalho
 -a extensão das responsabilidades
 -forma de relatórios
Compreensão da entidade e do seu ambiente Podemos ter as seguintes situações:
 -primeira auditoria do cliente
 -renovação da prestação de serviço
 -substituição
A compreensão da entidade e do seu ambiente terá níveis diferentes, As razões podem ser
muitas e é necessário apurar se existem quaisquer razões, profissionais ou outras, para não
aceitar o trabalho
 -Pedir informação das razões por escrito ao anterior auditor
 -Recusar sempre que as razões são de natureza profissional e justificadas
Quando se trata de uma primeira auditoria ou substituição de outra firma de auditoria este
conhecimento que se recolhe antes de aceitar um trabalho trata-se de um conhecimento
preliminar
Preliminar Se realizar a auditoria terá de aprofundar
Esse conhecimento É efectuado com limitações por ainda não ter acesso a grande parte da
informação.

Após a aceitação do trabalho...


 •Deverão ser obtidas informações adicionais e mais pormenorizadas, suficientes para
permitir ao auditor planear o trabalho e desenvolver uma metodologia de auditoria
eficaz.
 •À medida que a auditoria progrida, essa informação deverá ser revista e actualizada e
obtidas mais informações
 •A obtenção do conhecimento necessário do negócio é um processo contínuo e
cumulativo de recolha e apreciação de informação e de relacionamento, em todas as
fases da auditoria
A compreensão da entidade e do seu meio ambiente abrange informação sobre:
o -Factores económicos gerais
o -Factores sectoriais e reguladores
o -Natureza da entidade
o -Selecção e aplicação de políticas contabilísticas
o -Objectivos e estratégias e respectivos riscos de negócio
o -Mensuração e revisão do desempenho financeiro
o -Controlo interno

A compreensão da entidade e do ambiente é importante para:


 •Estimar o risco inerente e o risco de controlo.
 •Considerar os riscos do negócio e a resposta do órgão de gestão a tais riscos.
 •Desenvolver o plano global de auditoria e o respectivo programa.
 •Determinar um nível de materialidade e estimar se o nível de materialidade escolhido
se mantém ou não apropriado.
 •Apreciar a prova de auditoria com o fim de estabelecer a sua adequação e a validade
das respectivas asserções contidas nas demonstrações financeiras
Consequentemente, influencia a aceitação, o planeamento e a opinião Assim, é importante
nas diferentes fases de auditoria
É importante, ainda, para:
•Avaliar as estimativas contabilísticas e os esclarecimentos do órgão de gestão.
•Identificar as áreas em que podem ser necessárias considerações e habilitações especiais de
auditoria.
•Identificar as partes em relação de dependência e as respectivas transacções.
•Reconhecer informações conflituantes (ex. esclarecimentos contraditórios)
•Identificar indícios ou circunstâncias não usuais (ex. fraudes, diferenças entre estatística e
dados financeiros)
•Fazer indagações pertinentes e ponderar a razoabilidade das respostas.
•Considerar a adequação das políticas contabilísticas e das divulgações das demonstrações
financeiras
Compreensão da entidade e do seu ambiente
Assim, compreensão da entidade e do seu ambiente ajuda a:
 •Estimar riscos e identificar problemas
 •Planear e levar a efeito a auditoria de forma eficaz e eficiente
 •Avaliar a prova de auditoria conduzindo a uma opinião mais adequada>
Em resumo: Prestar melhor serviço ao cliente
E, desta forma A compreensão da entidade e do seu ambiente não é estática vai crescendo e
consolidando.

Planeamento
“Planear uma auditoria envolve estabelecer a estratégia de auditoria global para o trabalho e
desenvolver um plano de auditoria”

As vantagens de um adequado planeamento centram-se em ajudar o auditor a:


 •Dedicar a adequada atenção às áreas mais importantes da auditoria
 •Tempestivamente, identificar e resolver potenciais problemas
 •Organizar e gerir devidamente o trabalho de auditoria (eficácia e eficiência)
 •Seleccionar a equipa de trabalho e distribuir tarefas
 •Supervisão e revisão dos trabalhos
 •Caso necessário, coordenar trabalho de peritos
Ganha-se
Eficiência e Eficácia: Diminuição de perdas (tempo, custo, …), Concentração no mais
importante

Estratégia global
 •Identificar as características do trabalho que definem o seu âmbito
 •Certificar-se dos objectivos de relato do trabalho
 •Considerar os factores significativos
 •Considerar os resultados das actividades preliminares
 •Certificar-se da natureza, tempestividade e extensão dos recursos necessários para
executar o trabalho

Plano
 •Natureza, tempestividade e extensão dos procedimentos de avaliação do risco
planeados
 •Natureza, tempestividade e extensão dos procedimentos adicionais planeados ao
nível da asserção
 •Outros procedimentos planeados
O auditor deve actualizar e alterar a estratégia global e o plano sempre que necessário ao
longo da auditoria. O Planeamento deve ser dinâmico

O auditor deve planear a natureza, tempestividade e extensão da direcção e supervisão dos


membros da equipa de trabalho e a revisão do seu trabalho
Quer a estratégia global quer o plano devem ficar devidamente documentados
Em resumo:

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