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UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO

FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS


DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA

O INSUCESSO ESOCLAR NA PROVINCIA DE LUANDA:


ESTUDO DE CASO: ESCOLA ENSINO PRIMARIO
Nº 1086 DISTRITO DA MAIANGA (2014-2017)

ESTUDANTE:

ORIENTADOR: DOUTOR DAVID LEÃO FARIA

Trabalho de fim do Curso apresentado a Faculdade de Ciências Sociais da UAN para


obtenção do grau de Licenciada em Sociologia.

Luanda, 2019
UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO
FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS
DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA

O INSUCESSO ESOCLAR NA PROVINCIA DE LUANDA:

ESTUDO DE CASO: ESCOLA ENSINO PRIMARIO


Nº 1086 DISTRITO DA MAIANGA (2014-2017)

ESTUDANTE:

Trabalho de Fim do Curso apresentado à


Faculdade de Ciências Sociais da
Universidade Agostinho Neto Como
requisito para obtenção de grau de
Licenciada em Sociologia. Orientada
Pela Professora Doutor David Leão Faria.
Luanda, 2019

III
DEDICATÓRIA

III
AGRADECIMENTOS

IV
SIGLAS E ABREVIATURAS

AEC- Actividades de Enriquecimento Curricular

CEF – Cursos de Educação e Formação

CNE - Conselho Nacional de Educação

EE – Encarregado de Educação

INE – Instituto Nacional de Estatística

LBSE - Lei de Bases do Sistema Educativo

MISI – Sistema de Informação do Ministério da Educação

RI – Regulamento Interno

SNE - Sistema Nacional de Educação

SPSS - Statistical Package for Social Science

V
RESUMO

Este trabalho insere-se na linha de pesquisa sobre “O insucesso escolar


constitui um dos grandes problemas do sistema educativo formal, em Angola. Existe
por várias razões, tais como o abandono da escola antes da conclusão do ciclo, as
reprovações anteriores que dão lugar a grandes desníveis entre a idade cronológica
do aluno e o nível escolar em que se encontra, a falta de materiais pedagógicos, os
métodos usados pelos professores. Os níveis de fracasso escolar podem ser totais (em
todas as disciplinas) ou parciais (numa ou duas disciplinas). Um dos objectivos do
estudo é o de identificar as percepções sobre as causas do insucesso escolar.
Pretendemos também saber se os factores apontados são de ordem interna ou externa
à escola. A investigação utilizou o método de estudo de caso, de tipo exploratório.
Para conhecermos as opiniões de alunos e professores, recorremos à utilização de
inquérito por questionário. Foram ainda realizadas entrevistas semi-estruturadas ao
director da escola e ao presidente do conselho da escola. Foram analisadas pela
técnica análise de conteúdo. Segundo os inquiridos e os dois entrevistados, a falta de
laboratórios eficientemente equipados, a prática de atividades de pastagem pelos
alunos, implicando o afastamento da escola por longos períodos de tempo, os
casamentos prematuros e a falta de acompanhamento pelos pais e encarregados de
educação tem contribuído para o insucesso escolar. Não existe por parte dos
professores nem por parte da direção pedagógica e do presidente do conselho de
escola a assunção da sua responsabilidade no problema.

Palavras-chave: Ensino em Angola, insucesso escolar, Alunos.

VI
ABSTRACT

School failure is the main problem in the formal educational system in Angola. There
are several reason behind this problem such as: dropping out of school before
completing the cycle; the lack of approval which supplies large gap between
chronological age and the school level; the lack of studying resources, the teaching
methods adopted by teachers. The failure levels can be total (in all subjects) or partial
(in one or two subjects). One of the study objectives is to identify the perceptions of
the causes of school failure. We also intend to know whether the pointed causes are
internal or external origin school. The research based on the case of study method
related to the exploration. In order to know the students and teachers views on the
problematic studied, we resorted to the use of questionnaire surveys. There was also
used semi structured interviews to the school headmaster and the president of the
school board which were submitted to a content analysis. According to the surveyed
and the two respondents, the lack of efficiently equipped laboratory, the practice of
grazing activities which leads students to dropout schools for long periods of time,
early marriages and the lack of parents and education guardians accompanying has
contributed to the school failure. There is no assumption of responsibility in problem
neither from the teachers, the pedagogical direction nor the president of school
board.

Key-words: education in Mozambique, students, School Failure.

VII
LISTAS DE QUADROS

Tabelas
Tabela nº1 Número dos entrevistados por género 19

Tabela nº2 Distribuição dos entrevistados por faixa etária 20

Tabela nº3 Distribuição dos entrevistados por nível de ensino 21

Tabela nº4 Distribuição dos inquiridos por função 22

Tabela nº5 Agentes causadores do insucesso escolar 23

Tabela nº6 Distribuição dos inquiridos segundo as causas da repetência 24

Tabela nº7 Distribuição dos entrevistados segundo as causas da repetência 25

Tabela nº8 Como os alunos ocupam os tempos livres 26


Gráficos
Gráfico nº1 Número dos entrevistados por género 19

Gráfico nº2 Distribuição dos entrevistados por faixa etária 20

Gráfico nº3 Distribuição dos entrevistados por nível de ensino 21

Gráfico nº4 Distribuição dos inquiridos por função 22

Gráfico nº5 Agentes causadores do insucesso escolar 23

Gráfico nº6 Distribuição dos inquiridos segundo as causas da repetência 24

Gráfico nº7 Distribuição dos entrevistados segundo as causas da repetência 25

Gráfico nº8 Como os alunos ocupam os tempos livres 26

VIII
ÍNDICE GERAL
DEDICAÇÃO III

AGRADECIMENTO IV

SIGLAS E ABREVIATURAS VI

RESUMO VII

ABSTRACT VIII

LISTA DE TABELAS E QUADRAS IX

INTRODUÇÃO 1
Formulação do Problema ..................................................................................................2
Objectivos de Investigação ...............................................................................................2
Justificativa 2
Delimitação de Investigação............................................................................................. 3
Metodologia ......................................................................................................................3
Estrutura de Trabalho .......................................................................................................4
CAPÍTULO I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................5
1.1 - Definição de Termos e Conceitos Básicos 5

1.2 – O insucesso escolar em Angola 6

1.2.1.Caraterizaçao do sistema de ensino angolano 7

1.3 – Teorias explicativas do insucesso 9

1.4 – Abordagem sociológicas e psicológicas do Insucesso Escolar 10

1.5 - Prevenção e intervenção contra o insucesso escolar 12

CAPÍTULO II – CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO INSUCESSO ESCOLAR


13

2.1 - Factores extra-escolares e Escolares 13


2.1.1 – Factores extra - escolares 14
2.1.2 – Factores escolares 14
2.1.3. Factores relacionados com a família 15
2.1.4. Ambiente social do aluno 16

IX
2.3 - O Contributo da família no processo de aprendizagem 17

CAPÍTULO III ANALISE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS 19

3.1 – Procedimentos Metodológicos da pesquisa 19


3.2 - Apresentação dos resultados 19
CONCLUSÃO 27

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 29

APÊNDICE 32

ANEXOS 35

X
INTRODUÇÃO

A problemática do insucesso escolar, na Província de Luanda tem ocupado há


vários anos, políticos e pedagogos que querem conhecer as suas causas, os factores
que concorrem para esse fenómeno e as formas de combatê-lo. Assume duas formas
principais: a reprovação e o abandono escolar. Também os alunos com dificuldades
de aprendizagem apresentam alguns indicadores que podem indiciar o insucesso
escolar.
As consequências do insucesso poderão manifestar-se de formas diferentes e
têm sempre na base uma forte desmotivação, uma baixa auto-estima e um baixo auto
conceito académico. Quando um aluno da escola Ensino primário Nº 1086 Distrito
da Maianga sente-se esforço não consegue obter sucesso, abandona a tarefa escolar e
deixa de ir às aulas. A imagem que alguns estudantes têm de si é muito negativa
(auto-conceito académico), por isso procuram investir em actividades em que o
sucesso é mais acessível.
Ao observar o dia-a-dia na maioria das escolas da cidade de Luanda é notório
o grupo chamado vulgarmente “mata aulas” adolescentes que não conseguem
terminar todos os tempos daí que seja pertinente esta pesquisa como forma de
conhecer as percepções da gestão, dos docentes e dos alunos, para se intervir no
melhoramento do processo de ensino aprendizagem.
As dificuldades encontradas pelos professores da escola Ensino primário Nº
1086 Distrito da Maianga na sala de aula são inúmeras, desde falta de participação
nas aulas, como anteriormente referimos, recusa dos alunos indisciplinados em
aceitar as regras estabelecidas, a desmotivação que acompanha tanto o professor
quanto o aprendiz, a falta da família no acompanhamento escolar do seu filho. Esses
são alguns dos motivos que trazem para sala de aula momentos de insatisfação tanto
do aluno quanto do professor.
A presença da família na vida escolar do educando é essencial para conter
insucessos escolar que acabam trazendo consigo, para a escola, sentimentos e
problemas acumulados no seu lar, que muitas vezes refletem no seu comportamento
escolar, e ali encontra, em seus colegas, uma diversidade de valores e culturas, que se
chocam. Os encarregados deve cada vez mais participar activamente na educação dos
seus filhos para não houver o insucesso escolar como um problema das sociedades

1
sobretudo na Ensino Primário Nº 1086 Distrito da Maianga. Por outro lado às
famílias e a escola responsabilizam-se mutuamente e a dificuldade na procura de
respostas aumenta cada vez mais. Como tal, é preciso compreender, acompanhar,
prevenir e mesmo antecipar determinados comportamentos.
Com o presente trabalho pretendemos analisar as possíveis causas que estão
na origem do insucesso escolar no referido escola que nos serviu de estudo, tais
como: análise da relação das taxas de retenção, aprovação e de abandono com o
perfil sócio económico dos pais/encarregados de educação, qualificação dos docentes
e nível de instrução dos pais, atendou o processo de ensino e aprendizagem todo
aluno é o centro deste processo.

Formulação do Problema

Que factores estão na base do insucesso escolar na Escola do Ensino Primário


Nº 1086 Distrito da Maianga?

Hipótese

H1 – O insucesso Escola do Ensino Primário Nº 1086 Distrito da Maianga está


directamente ligado através da falta de participação dos pais/encarregados de
educação na vida familiar e escolar dos seus filhos por outro lado através dos
problemas económicos, sociais e culturais;

Objectivos da Pesquisa

- Objectivo Geral

 Conhecer as causas, consequências, medidas educacionais adoptadas pelo Escola


Primário Nº 1086 Distrito da Maianga no combate ao insucesso escolar

- Objectivos Específicos

 Identificar indicadores do insucesso escolar;


 Enumerar as medidas criadas pela escola no combate ao insucesso escolar.
 Enumerar as consequências que o insucesso escolar traz para os alunos e a
sociedade em geral.

2
Justificativa da Pesquisa
A escolha do tema deu-se pelo facto de ser uma das principais questões que
afetam a sociedade uma vez que a indisciplina manifestada por crianças e jovens é
um fenómeno social que, causa o insucesso escolar e a exclusão, isto poderá se
assume como um problema das sociedades contemporâneas. Os familiares dos
estudantes da Escola do Ensino Primário Nº 1086 Distrito da Maianga devem
responsabilizam-se mutuamente apesar das dificuldades na procura de respostas.
Os alunos com insucesso escolar tendem a ter uma baixa expetativa de
sucesso, pouca persistência na realização das tarefas e ainda uma baixa autoestima,
consequentemente, apresenta pouca motivação e nutrem sentimentos negativos em
relação à escola, às tarefas e em relação a si próprio. Percebe-se na maioria das vezes
que a criança que consegue corresponder às solicitações escolares, tendo um bom
desempenho como aluno, cresce nele a autoestima e a confiança na sua capacidade
em lidar com os desafios que surgem, tanto no ambiente escolar como fora dele. De
outra maneira, no aspeto negativo, “a experiência precoce de insucesso académico
interfere com a formação de autoestima e auto eficácia da criança”
O foco desta investigação é responder à pergunta de partida, isto é, perceber
de que maneira se pode prevenir e intervir contra o insucesso escolar tanto na
Educação Pré-Escolar como no 1º Ciclo do Ensino Básico. Para isso, durante a
investigação, aplicamos um inquérito por questionário aos profissionais de educação,
técnica escolhida devido a toda a sua estrutura. Assim, este material foi distribuído
durante as práticas de ensino supervisionado nas duas valências acima mencionadas.
Através destes inquéritos foi possível obter as opiniões dos educadores e dos
professores acerca do assunto, que é necessário travar na vida escolar de uma
criança/aluno. Desta forma.

Delimitação da Pesquisa

 Delimitação

O trabalho está delimitado no horizonte temporal de (2014-2017), contexto


crucial para demonstrar a hipótese na Escola do Ensino Primário Nº 1086 Distrito da
Maianga para analisar sobre os resultados obtidos do insucesso escolar.

3
Metodologia Utilizada
Tendo em conta a natureza do trabalho, torna-se um pouco limitado a
utilização de uma única metodologia. Assim, para a análise do tema em estudo
recorremos à uma metodologia quantitativa a partir da:
 Pesquisas bibliográficas nas diferentes bibliotecas, com objectivo de investigar e
ter suporte científico para a elaboração da trabalho final.
 Entrevistas destinadas a director, professores, com objectivo de complementar a
análise qualitativa e captar com profundidade os sentimentos dos entrevistados e
ter oportunidade de colocar questões pertinentes que nos leva a respostas claras e
nos conduzem a uma maior veracidade dos factos.
 Recolha de dados estatísticos com objectivo de analisar a evolução da taxa de
reprovação, repetência e abandono com objectivo de completar análise
quantitativa.
 Inquérito por questionários dirigidos aos alunos e pais/encarregados de educação
no Ensino Primário Nº 1086 Distrito da Maianga.
 A recolha de dados é feita através de inquérito, utilizando o questionário como
instrumento, dada ser esta técnica relativamente simples de administrar.
 Para o processamento e tratamento de dados utilizamos o programa Statistical
Package for Social Science (SPSS).

Estrutura do Trabalho

O trabalho em causa está estruturado da seguinte forma: no primeiro capítulo


do trabalho temos a fundamentação teórica, definição de termos e conceitos básicos,
do insucesso Escolar, disciplina por parte dos insucesso escolar em Angola
Caraterizaçao do sistema de ensino angolano e também sobre o Prevenção e
intervenção contra o insucesso escolar;
No segundo capítulo falou – se sobre as causas e consequências do insucesso
escolar e dos seus factores como: Factores relacionados com a família , Factores extra -
escolares , Ambiente social do aluno;
Enquanto que no terceiro capítulo procuramos fazer uma análise da
informação recolhida e apresentação e discussão dos resultados; por outro lado
falamos do contexto da Escola Ensino Primário nº 1086 distrito da Maianga no
período de (2014-2017).

4
CAPITULO I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

1.1. Definição de Termos e Conceitos

a) Termos

A escola (do grego scholé, através do termo latino schola) é


uma instituição concebida para o ensino de alunos sob a direção de professores. A
maioria dos países tem sistemas formais de educação, que geralmente são
obrigatórios (Dicionário Contemporânea, 2001,p.132).
Para Rangel (1994) a noção de insucesso escolar deriva da “palavra francesa
échec” que é usada no sentido de insucesso, “é uma alteração de eschac do árabe-
persa shât, que na expressão shât mat significa o «o rei está morto»” (Rangel, 1994,
p. 20).
O que no campo educacional corresponde a um mau resultado num exame ou
a reprovações sucessivas, levando por consequentemente ao afastamento do ensino.
Assim, a “definição oficial do insucesso escolar, advém do regime anual de
passagem/reprovação dos alunos, inerente à estrutura de avaliação característica do
sistema de ensino” (Fernandes, 1991, apud Silva, 2011, p. 8).

b) Definição
O dicionário universal da língua portuguesa (1997) define o insucesso como
falta de bom êxito ou mau resultado ou falta de eficácia ou fracasso ao longo de uma
determinada tarefa. Ao nível da educação o termo insucesso significa o fraco
rendimento escolar do aluno ou seja o aluno que não conseguiu obter a nota mínima
estabelecida no sistema de avaliação.
Conforme coloca a professora Tomelin (2007, p.31) “a indisciplina é vista
como algo que foge à normalidade esperada na instituição escolar”. Se a escola
estabeleceu normas é porque são importantes para o bom funcionamento da
instituição.
Na perspectiva do Aquino (1999, p.87), o conceito de indisciplina, como toda
criação cultural, não é estático, uniforme, nem tampouco universal. A indisciplina se
relaciona com um conjunto de valores e expectativas que variam ao longo da história
entre as diferentes culturas e numa mesma sociedade. Os educando vêm de culturas e

5
valores diferentes entre si, por isso precisam ser direcionados para que sigam na
mesma direção e este é o papel do professor.
De acordo com Oliveira (2005, p.28) enquanto disciplina é entendida pelo
senso comum como a manutenção da ordem e obediência às normas; indisciplina
significa a sua negação. O não cumprimento das regras pré-estabelecidas é entendido
como ato indisciplinar e o autor deverá sofrer as conseqüências do seus actos.

1.2. O insucesso escolar em Angola

O insucesso escolar torna-se um assunto de preocupação quando, no século


XX, o sistema educativo se tornou obrigatório, nomeadamente em Angola com a
aprovação da Lei de Bases do Sistema Educativo, em 1986, onde “todos os
angolanos têm direito à educação e à cultura, nos termos da Constituição da
República” (Decreto lei n.º 46/86, de 14 de Outubro). As dificuldades que existiam
até então tornaram-se visíveis devido ao ensino em massa.
Em Angola, o insucesso escolar é um problema que não pode ser esquecido
pelos intervenientes do nosso processo educativo. O Ministério da Educação referiu à
SADC da rede regional que, “em Angola, entende-se o insucesso escolar como a
incapacidade que o aluno revela em atingir os objetivos globais definidos para cada
ciclo de estudos” (Matias, 2013, p. 24)
Em 1988, Roazzi e Almeida afirmavam que o insucesso escolar era um tema
bastante discutido “quer em revistas da especialidade pedagógica ou psicóloga quer
nos meios de comunicação social de largo espectro Angola não foge à regra” (Roazzi
& Almeida, 1988, p. 53), altura em que já surgiam indicadores que Angola era “um
dos países ocidentais com maior taxa de reprovações escolares” (Roazzi & Almeida,
1988, p. 57), consequência das dificuldades de aprendizagem e do fraco rendimento
escolar.
Das muitas publicações existentes, na investigação de Monteiro (2009),
segundo Branco (2012), o insucesso e o abandono escolar é associado aos alunos
oriundos de meios económicos, sociais e culturais mais desfavorecidos, aos quais a
Escola não faculta oportunidades de acesso às aprendizagens iguais aos restantes
alunos do meio educativo. Já na investigação de Duarte (2000), abordada por
Pacheco (2012), verificou-se que o insucesso escolar era causado pelo
funcionamento das aulas, os alunos associaram-no aos professores e aos programas

6
das disciplinas, e a fatores exteriores a estas, não tendo apontado a família como
sendo a causa desse insucesso.

1.2.1.Caraterizaçao do sistema de ensino angolano

Em Angola, com a conquista da Independência Nacional em 1975, a


Educação passou a constar no topo das prioridades na governação. O país encara a
Educação como um direito humano e um instrumento primordial para a manutenção
do bem estar, da unidade nacional e para o desenvolvimento económico, social e
político através da formação de cidadãos.
Angola publicou, em 23 de Março de 1983, a primeira versão da Lei do
Sistema Nacional de Ensino angolano, lei 04/83, cuja formação do Homem Novo,
livre do obscurantismo, da superstição e da mentalidade burguesa colonial eram
objectivos primordiais. Pela mesma lei, era necessário que o homem assumisse os
valores da sociedade socialista, nomeadamente: “O patriotismo e a unidade nacional;
o gosto pelo estudo, pelo trabalho e pela vida coletiva; o sentido de responsabilidade
e o espirito de iniciativa; a concepção cientifica e materialista do mundo; o
engajamento e contribuição ativa com todos seus conhecimentos, capacidade e
energia, na construção do socialismo”.
Com a finalidade de reajustar o quadro geral do Sistema Nacional de
Educação (SNE) e adequar as disposições contidas na Lei n. 4/83 de 23 de Março às
reais condições sócio económicas do país, tanto do ponto de vista pedagógico como
organizativo, a Assembleia Nacional da República publicou a Lei 6/92 de 06 de
Maio, cujos objectivos eram:
 “Erradicar o analfabetismo de modo a proporcionar a todo o povo o acesso ao
conhecimento cientifico e desenvolvimento pleno das suas capacidades;
 Garantir o acesso básico a todos cidadãos de acordo com o desenvolvimento do
país, da introdução progressiva da escolaridade obrigatória;
 Assegurar a todos moçambicanos o acesso a formação profissional;
 Formar o professor como educador e profissional consciente, com profunda
preparação cientifica e pedagógica capaz de educar os jovens e adultos;
 Desenvolver a sensibilidade estética e capacidade artística das crianças, jovens e
adultos, educando-os no amor pelas artes”.

7
 A primeira versão do Sistema Nacional de Educação (SNE) determinava que as
crianças moçambicanas que completassem sete anos de idade, obrigatoriamente,
deveriam ser matriculadas na 1ªclasse. Na segunda versão, a idade para que as
crianças ingressem no ensino obrigatório reduziu-se de sete para seis anos.
O ensino geral é o eixo central do SNE e compreende dois níveis: O primário e o
secundário, sendo frequentado por crianças a partir do ano letivo em que completam
seis anos. O ensino primário prepara os alunos para o acesso ao ensino secundário e
compreende as sete primeiras classes, subdivididas em dois graus, proporcionando
uma formação básica nas áreas da língua, da matemática, das ciências naturais e
sociais, da educação física, estética e cultural. Compreende: a) 1º grau, da 1ª à 5ª
classe; b) 2º grau, da 6ª à 7ª classes.
O ensino secundário compreende cinco classes e subdivide-se em dois ciclos,
tendo como objetivo consolidar, ampliar e aprofundar os conhecimentos dos alunos.
Está dividido em a) 1º ciclo, da 8ª à 10ª classes; b) 2º ciclo, da 11ª à 12ª classes.
O ensino técnico profissional constitui o principal elemento para a formação
profissional, compreendendo três níveis: a) Elementar que qualifica os jovens,
formando trabalhadores nos setores económicos e sociais. Para o ingresso neste tipo
de ensino, é necessário no mínimo o 1º grau do ensino primário. b) Básico que
prepara estudantes para variados serviços produtivos. Para o ingresso neste tipo de
ensino, é necessário a conclusão do 2ºgrau do ensino primário ou ensino elementar
técnico correspondente; c) Médio que capacita técnicos para os setores produtivos,
dependendo do respetivo perfil profissional.
O ensino extra-escolares engloba atividades de alfabetização e de
aperfeiçoamento e atuação cultural e cientifica. Tem como objetivo permitir que cada
individuo aumente seus conhecimentos e desenvolva suas potencialidades,
eliminando o analfabetismo, Esta formação é feita sem prejuízo da formação básica e
geral. É uma modalidade tutelada simultaneamente pelos Ministérios da Educação,
da Saúde e da Mulher e Ação Social.
O Ensino de adultos está direcionado para aqueles que não se encontram na idade
normal de frequência dos ensinos geral e técnico profissional. Tem acesso a esta
modalidade os indivíduos ao nível do ensino primário, a partir dos 15anos e ao nível
do ensino secundário, a partir dos 18 anos.

8
1.3. Teorias explicativas do insucesso

O estudo do fenómeno Insucesso Escolar é relativamente recente. É a partir


dos anos sessenta que encontramos preocupação com suas manifestações. Pires
(1998) cit. Cabrita (1991).
O problema do Insucesso Escolar surgiu fundamentalmente quando a escola
se tornou obrigatória, pois até o século XX, dado as várias dificuldades existentes,
poucos eram as crianças que frequentavam as escolas. O fenómeno do Insucesso
Escolar massivo existente inicia-se com ensino em massa e intensifica-se com a
massificação do ensino que segundo Pires (1998) cit. Cabrita (1991, p.12), as causas
estão na pós-guerra atribuídas ao indivíduo pela teoria “ Meritocrática”.
Ainda nesta perspectiva, Forquim, (1988) cit. Isabel Cabrita (1991, p.12)
explica o Insucesso Escolar a partir de uma matriz individual com rejeição de
factores a ele exteriores, serão atribuídas as causas pedagógicas e psicológicas e onde
o aluno era catalogado de “ disléxico”; portador de funcionalidades cerebrais, “
variações genéticas”, “patologias adenoidais”.
Segundo Isambert-Jamati (1985) cit. Vítor SIL (2004, p.32), antes dos anos
sessenta do século passado, a preocupação com o fracasso escolar massivo das
crianças provenientes das denominadas camadas populares era diminuta, pois tal
fracasso estava na “ ordem das coisas” ficando durante bastantes anos o culpado por
uma estrutura que justaponha duas ideias educativas compartimentadas: uma
popular, que desembocava na vida activa e outra mais elitista, que preparava para
estudos superiores.
Segundo Perrenoud (1999) cit. Vítor SIL (2004; P:32) no entanto, desde que
se passou a considerar a educação como um investimento, o fracasso escolar maciço
tornou-se um problema social observando-se a transformação das classes sociais e o
desenvolvimento da escolarização.
Assistiu-se a uma onda de interpretações predominantemente “ socializantes”
ou politica do fracasso escolar apontando o dedo as condições degradadas do meio
sócio-economico, da família dos alunos ou as deficiências do sistema educativo em
geral, como se as pessoas mais directas (o próprio aluno, os professores, e os pais)
fossem inocentes e pudessem “ lavar as mãos” incapazes de lutar contra o fatalismo
imposto do exterior e de assumis as suas responsabilidades. Para Annamaria Rangel,

9
(1964, p.40) o Insucesso Escolar que conhecemos hoje é datada de há bem poucos
anos. Esta noção passou gradualmente do campo da Psicologia ao da Sociologia.
Porem ela não fez essa passagem em todos os locais e ao mesmo tempo.

1.4 – Abordagem sociológicas e psicológicas do Insucesso Escolar

No que concerne a esta questão vários estudos foram feitos no sentido de


explicar as disparidades socioculturais e conhecer as reais causas e a sua natureza.
No plano social, (Bourdeau e Passeron cit. Annamaria Rangel (1964, p.25)
mostraram que as desigualdades escolares estão ligados a origem social e que não só
os obstáculos económicos levaram a desigualdades económicas mas também os
obstáculos culturais. Assente na teoria de reprodução social (Bourdeau cit. Marcelo
Crahay (1996, p.10), a escola avalia as competências dos indivíduos segundo as
normas próprias das classes dominantes. Como consequência as crianças das outras
classes sociais ficam longe da cultura escolar e tem menos sucesso do que as crianças
de classes privilegiadas.
Mas a tentativa de explicar o Insucesso Escolar não parou por ai. Assim
Mohamed Cherkaoui apresenta uma conclusão a que chega a todos os empíricos. “O
sucesso está forte e positivamente em correlação com a origem social dos alunos
sejam quais foram os indicadores das duas variáveis utilizadas, quando o nível de
estatuto social da família se eleva, o êxito dos filhos aumenta igualmente, a origem
social é medida em geral pela profissão dos pais, pelo seu nível ou diploma que se
relaciona com o seu rendimento. ”Cherkoui, (1986, p.43).
Ana Benavente cit. Manuel Viegas Tavares (1998 , p.178), defende que o
Insucesso Escolar pode ser explicado pela teoria dos «dotes», utilizada na segunda
guerra mundial até finais da década de sessenta «explicações psicológicas
individuais» o que fazia depender das capacidades e das inteligências do aluno, “dos
seus dotes”, naturais; pela teoria do Handicap Sociocultural utilizada no final da
década de sessenta e no principio da década de setenta, baseada já em “explicações
de natureza sociológica”.
Relacionando o Insucesso Escolar no âmbito familiar podemos levar a cabo
vários autores que apostam mais na família e no seu clima afectivo. Desses podemos
salientar: P. Mannoni cit. J. Oliveira S. (1996, p.208) dá ênfase na influência e na
qualidade relacional do filho com os pais. O sindroma do Insucesso reflectiria

10
essencialmente na ma qualidade das interacções intra familiares, denunciando a “
anorexia escolar”, carência e conflito na relação familiar.
Porot cit. J. Oliveira S. (1996, p.208) insiste na importância decisiva da
família e mais da mãe no desenvolvimento global da criança, com consequências a
nível escolar. Quer a escola, quer a família podem ser vistas no seu funcionamento
interno ou “ ab intra”, mas também com os variáveis dependentes da macro
sociedade.
Segundo Cherkaoui cit. J. Oliveira S. (1996, p.215) o estatuto sociocultural
tem o seu peso determinante na educação, no rendimento escolar, dele depende
outros aspectos como a presença dos pais no lar, a grandeza da família, o interesse
dos pais pelo estudo dos filhos como determinantes para o sucesso escolar do aluno.
Relativamente ao clima familiar e a sua relação com o nível socioeconómico,
não é automático. Pois como afirma Forquim cit. J. Oliveira S. (1996, p.216), há
famílias pertencentes a mesma classe social mas com um clima afectivo e
educacional muito diferente.
Muitos autores interpretam do ponto de vista da psicanálise as motivações
profundas que levam os professores a escolher a vocação docente: o desejo de ser “ o
único mestre a bordo exibicionismo e procura de um certo publico fácil, desempenho
do papel parental”. O professor sente-se frustrado se não encontrar no aluno as
compensações que busca e pode reagir obsessivamente e patologicamente, tornando-
se num professor problema. Mucchielle Bouruer, (1979) cit. J. Oliveira S. (1996,
p.212).
Neste sentido, através dos comportamentos das crianças é possível identificar
precocemente as dificuldades de aprendizagem para que no futuro não haja insucesso
escolar. Temos também uma lista com um conjunto de sinais indicadores de DA, esta
permite “obter dados e informações, as quais juntamente com a informação coletada
por meio da observação direta ao estudante, possibilitando a elaboração de uma
primeira intervenção pedagógica com o objectivo de minimizar ou suprimir as
dificuldades” (Pontel, 2013, p. 7).
Por fim, temos os comportamentos delinquentes em que a criança reage sem
se importar com as leis sociais e saciando os seus impulsos, tais como roubar e
provocar incêndios. Assim como o autismo, em que a criança é incapaz de se
relacionar com os outros e de comunicar verbalmente.

11
1.5. Prevenção e intervenção contra o insucesso escolar

O combate ao insucesso não passa apenas pela intervenção que é feita quando
este já existe, antes pelo contrário, começa sim, com a sua prevenção. Se as
dificuldades que as crianças apresentam, forem vistas na “ótica da prevenção, muito
se pode economizar, quer em potencial humano, quer em dinheiro” (Fonseca, 2008,
p. 511). Se o insucesso escolar for detectado antes de o efetivamente ser, a criança
pode continuar com os seus estudos normalmente sem dificuldades e de acordo com
o seu ritmo. Só o simples facto de estarmos mais atentos com as crianças e
identificarmos precocemente as que são mais “«vulneráveis» ou «em risco»”
(Fonseca, 2008, p. 511) estamos a fazer com que no final de cada ano letivo as
repetições diminuam.
Sendo o insucesso escolar um tema que afeta toda a nossa sociedade e
sabendo nós, que cada vez mais, os números aumentam, medidas foram tomadas por
parte do Ministério da Educação. Neste sentido, para a prevenção do insucesso
escolar, temos as medidas preventivas presentes no Decreto-Lei n.º 176/2012, no
qual se menciona que, quando um aluno apresenta dificuldades de aprendizagem, as
mesmas deverão ser colocadas em prática. Sendo elas “através do reforço das
medidas de apoio ao estudo, que garantam um acompanhamento mais eficaz do
aluno face às primeiras dificuldades detetadas” e “de um acompanhamento
extraordinário dos alunos estabelecido no calendário escolar”, Adoção de “percursos
curriculares alternativos e programas integrados de educação e formação, adaptadas
ao perfil e especificidades dos alunos”, entre outras medidas.
O insucesso escolar é um problema social devido os seus resultados
desviantes, que põem em perigo os demais alunos e professores. Devido a este facto
não existe uma única forma de a contornar. Contudo, algumas das formas de a
solucionar passa pela conjugação de esforços entre a escola e a família. Deste modo,
devem ser criadas equipas multidisciplinares que acompanhem e apoiem o aluno.
A aplicação de sanções também pode ser uma medida a tomar, na medida em
que estas poderão permitir ao aluno alterar os seus comportamentos. O professor
deve ainda procurar compreender os seus alunos e a família deve estar a par do que
acontece na escola. No entanto, a melhor forma de resolver a questão é apostar na
prevenção que começa na família e é completada pela escola.

12
CAPITULO II – CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO INSUCESSO
ESCOLAR

2.1.Factores extra-escolares e Escolares

Existe uma variedade de factores responsáveis pelo insucesso escolar, como


refere Miranda (2010), que explica que este é o “resultado de um conjunto de
factores que atuam de modo coordenado” uma vez que “nenhum deles tomado
isoladamente o conseguira provocar” (Rosa, 2013, p. 19). Deste modo, existem
indicadores externos e internos nas dificuldades de aprendizagem / insucesso escolar,
que segundo o Ministério da Educação de Angola (1992) refere como factores
internos a repetência, os “resultados dos exames, a distribuição dos alunos por
diversas vias de ensino:
 O atraso escolar,
 O absentismo,
 O abandono
 O sentimento pessoal.
E os indicadores externos a “distribuição dos alunos pelos cursos pós-
escolaridade obrigatória, dificuldades de inserção na vida ativa, desemprego dos
jovens, analfabetismo e iletrismo e, por fim, a delinquência e o abuso de drogas”
(Silva, 2004, p. 28).
A procura de explicações para problemática do insucesso escolar tem sido
uma preocupação constante ao longo das últimas décadas. Estar em situação de
insucesso implica uma multiplicidade e uma enorme variedade de causas cuja
localização se pode centrar ao nível do aluno, do seu ambiente restrito, ao nível da
sociedade à qual pertence, ao nível da própria escola e do sistema educativo.
É certo que o insucesso escolar não é uma desgraça e que as crianças não
estão destinadas a ser boas ou más alunas, tudo depende da conjugação dos vários
factores: característica da própria criança, funcionamento da escola e da sua
interacção com o meio social. Portanto, é na relação entre estas realidades que
deveremos procurar e clarificar os factores de insucesso e as suas causas explicativas.
(Victor Sil; 2004).

13
O insucesso escolar é, assim, provocado por uma multiplicidades de causas
(Sil, 2004) relacionadas e traduzidas nas dificuldades de aprendizagem. Por esta
razão, Fonseca (2008) menciona que “a criança normal não nasce com dificuldades
escolares – ela é transformada numa criança com problemas. A sociedade, a família e
a escola têm, em primeiro lugar, responsabilidade no processo” (Fonseca, 2008, p.
515).
Existem várias pesquisas feitas na tentativa de explicar as causas do insucesso
escolar.
Segundo Tavares (1998), as causas do insucesso escolar estão relacionadas
com vários factores tais como:

 Factores extra – escolares;


 Factores escolares;
 Factores relacionados com a família
 Ambiente social do aluno Ambiente social do aluno;
 Problematização Sócio institucional;
 Factores individuais do aluno.

2.1.1 – Factores extra - escolares

Dentro dos factores extra-escolares ele destaca como fundamentais:


As características sócio económico e culturais da comunidade pedagógica; a
origem sociocultural do aluno e o modo como se processou a sua inculturação; a
profissão e a habilitação dos pais e o ambiente familiar; o tipo de habitação em que
vivem e a distância a escola; Tavares (1998).

2.1.2 – Factores escolares

Nas características sócio económicas e culturais da comunidade pedagógica


consideramos:
As habilitações e a preparação do corpo docente; os conflitos institucionais;
as relações professor-professor, professor-aluno, pessoal auxiliar-aluno e professor-
pessoal auxiliar; existência e disponibilidade de equipamentos didáctico; estado de
conservação das instalações e mobiliário; recreio e sala de convívio.

14
De acordo com vários estudos levados a cabo por pedagogos e psicólogos a
respeito do problema do insucesso escolar, chegou-se a conclusão que as causas que
o determinam provem de vários factores. Estes factores podem ser divididos em três
grupos tais como: ambiente social dos alunos; problematização sócio institucional e
factores individuais dos alunos. Tavares (1998, p.139).

2.1.3. Factores relacionados com a família

A família e a escola são os agentes de socialização mais importantes para uma


criança. Sendo a família o primeiro agente de socialização com a responsabilidade de
transmitir os “valores, crenças, ideias e significados presentes na sociedade, este
exerce uma forte influência no comportamento dos indivíduos, especialmente nas
crianças” (Ferreira & Barrero, 2010, p. 464).
Segundo Martins (1993), o nível económico da família tem influência no
rendimento escolar dos filhos, uma vez que uma criança que se encontre num meio
familiar que não tem condições em casa, onde é mal alimentada e não tem cuidados
de saúde, isto é, não tem acesso às condições básicas, acaba por não conseguir ter o
mesmo rendimento escolar do que as outras crianças.
Por outro lado, há famílias em que a severidade, as humilhações e as
desvalorizações são um método na educação dos mais novos. Como consequência, as
crianças, em muitos casos, não se sentem bem com elas próprias, uma vez que estas
apreciações baixam a sua autoestima, para além de que as fazem sentir indesejadas.
Tudo isto contribui negativamente para o rendimento escolar da criança, já
que esta não sente o apoio dos pais. Apoio esse que é fundamental para a sua
autoestima e que, por vezes, é o suficiente para a criança conseguir ultrapassar as
suas barreiras, principalmente, nos casos de insucesso escolar. O educador deve estar
atento aos comportamentos das crianças, todavia o desenvolvimento e as
aprendizagens não são realizados apenas no contexto do jardim-de-infância. Ou seja,
temos ainda o contexto familiar “cujas práticas educativas e cultura própria
influenciam o seu desenvolvimento e aprendizagem”.
Em suma, “sem uma atmosfera afetiva, lúdica e relacional, a interação e a
comunicação não se desenrolam favoravelmente”, as crianças “não podem continuar
mergulhadas em envolvimentos de ameaça, de stress e de humilhação” (Fonseca,
2008, p. 378).

15
2.1.4. Ambiente social do aluno

No que se refere ao ambiente social do aluno considere-se como variáveis


predominantes os que influenciam o rendimento escolar. São eles:
Ambiente sócio económico, politico, cultural, aspectos relacionados com as
características da família do ponto de vista da sua cultura, situação económica,
profissional e social. Inclui também as características da comunidade onde esta
inserido o aluno; os grupos de amigos, isto é, a influência do meio onde vive o aluno.
O insucesso esta ligado a origem social do aluno a sua maior ou menor
bagagem cultural á entrada para a escola, procura explicar o insucesso escolar
fundamentalmente em termos de défices, caracterizado segundo o conceito
“Handicap” ou privação sociocultural pressupondo a ideia de que uma criança
proveniente de um meio dito desfavorecido não dispõe das bases culturais
necessárias ao sucesso escolar.
Também para Bourdieu & Passeron (1970), a causa do insucesso escolar está
na estrutura social e não na escola ou no próprio aluno. Nas famílias desfavorecidas
por exemplo, os pais tendem a ser autoritários, desenvolvendo nos filhos normas
rígidas de obediência sem discussão. Ora, quando estes chegam a adolescência
revelam-se que não estão preparados para enfrentarem as crises de identidade-
identificação, na afirmação da sua identidade. Os alunos oriundos destas famílias
raramente são motivados pelos pais para prosseguirem os seus estudos. O sucesso e o
insucesso escolar são pois determinados por razões sociais em família. O meio e o
extracto sócio cultural estão na sua origem.
Sobre a questão da reprodução social segundo Passeron (1970, p.154)
privilegiam todo o mecanismo do tipo cultural como sendo factores explicativos das
desigualdades no rendimento dos alunos evidenciando a sua herança cultural como
sendo dimensão marcante do insucesso escolar. Obviamente que as crianças
provenientes dos extractos sociais desfavorecidos não possuem este capital cultura
sendo-lhes estranho no meio escolar, o que inevitavelmente será conducente não
apenas ao Insucesso Escolar mas também a exclusão social.

Relativamente ao papel do professor em relação aos “programas rígidos e


desadaptados”, este tem sempre a oportunidade de os adequar às “características
desenvolvimentos e culturais do aluno” (Roazzi & Almeida, 1988, p. 54).

16
2.3. O Contributo da família no processo de aprendizam

A participação da família no processo ensino-aprendizagem é primordial. São


os pais que ensinam aos filhos os primeiros passos, as primeiras palavras e,
estimulam a convivência em sociedade a partir daí passam a contar com a escola para
completar o seu aprendizado.
É impossível colocar família e sociedade, pois, se o indivíduo é aluno, filho e
cidadão, ao mesmo tempo, a tarefa de ensinar não compete apenas à escola, porque o
aluno aprende também através da família, dos amigos, das pessoas que ele considera
significativas, dos meios de comunicação, do cotidiano. Sendo assim, é preciso que
professores, família e comunidade tenham claro que a escola precisa contar com o
envolvimento de todos.( Sousa, 2008, , p.29).
Escola e família juntas são responsáveis pelo futuro do aluno, por isso ambos
precisam participar integralmente da vida escolar do educando. É necessário que a
família conheça as dificuldades dos seus filhos na escola, assim como é importante
que os profissionais da escola também conheçam as dificuldades vivenciadas pelo
aluno em casa.
De acordo com Tiba (1996, p.166) “A educação cabe aos pais e à escola”.
Mas são os pais que deverão orientar os filhos a buscar na escola o conhecimento que
o tornará um cidadão crítico e capaz. Tiba ( 1996, p.166 ) afirma ainda, que “A
educação ativa formal é dada pela escola. Porém, a educação global é feita a oito
mãos: pela escola, pelo pai e pela mãe e pelo próprio adolescente”. A escola precisa
do apoio dos pais para realizar um bom trabalho, de nada adianta a escola impor suas
regras e normas sem a concordância de pais e alunos. Para que haja esse apoio, a
família precisa estar presente na vida escolar do seu filho.
“Em termos educacionais a importância da família não está restrita apenas à
garantia para a criança de um ambiente doméstico seguro. Os pais também precisam
demonstrar um interesse real pelas atividades escolares, do filho, uma vez que está
positivamente associado ao progresso escolar da criança”. (Lunt e Sheppard Apud
Fontana, 2002, p.40).
O interesse dos pais, para com as actividades escolares do seu filho, é uma
motivação para que o aluno faça suas tarefas escolares com mais empenho e
dedicação. Diante dessa postura a criança se sente cuidada, protegida e procura se

17
tornar mais responsável. A participação em reuniões de pais, eventos promovidos
pela escola, conhecer e entender o porquê foram elaboradas as normas que regem a
escola, são exemplos práticos de atuação que os pais precisam exercer assiduamente
em benefício do bom desenvolvimento escolar dos seus filhos. Nos dias de hoje, é
muito comum os pais deixarem para a escola a incumbência de educar os próprios
filhos.
Muitas famílias entregam para a escola a responsabilidade que é dos pais, de
dar educação aos seus filhos. Os pais, por estarem ausentes, por causa do seu
trabalho, tentam recompensar sua ausência com presentes e realizando vontades dos
filhos, muitas vezes desnecessárias. Deixar de participar da vida escolar de um filho
é um erro gravíssimo cometido por pais que não têm comprometimento com a sua
formação educacional. Família e escola precisam formar juntas, através da educação,
uma parceria para superar as dificuldades, construindo o pleno desenvolvimento do
educando.

18
CAPÍTULO III – ANALISE E APRESENTAÇÃO DOS
RESULTADOS
3.1. Procedimentos Metodológicos da pesquisa
No presente capítulo apresentaremos os resultados do estudo, que serão
posteriormente alvo de discussão. Para atingir os objectivos preconizados
relativamente ao tema o insucesso Escolar na Província de Luanda: Estudo de caso:
Escola Ensino Primário Nº 1086 distrito da Maianga (2014-2017), realizamos um
estudo do tipo exploratório baseado na análise de pesquisa bibliográfica e trabalho de
campo. Na realização do trabalho de campo nos baseamos numa metodologia
quantitativa que permitiu-me descrever a opinião dos professores e Alunos
inquiridos, aplicando um questionário directo ao professores e também um
questionário aplicado aos alunos.
3.2 – Apresentação dos resultados
Como já tínhamos declarado, a aplicação do questionário foi presencial, pelo
que foram entregues pessoalmente com um universo composto por 15 inquiridos,
tendo como a amostra de 10 entrevistados da mesma, sendo 4 do sexo masculino,
que correspondem a 42%; e 6 de sexo feminino, obtendo assim uma agregação de
valores e permanência de 58%; inquiridos, com a soma de 100%.

Tabela nº 1 –Género
Género Nº de entrevistados %
Masculino 4 42
Feminino 6 58
Total 10 100

Fonte: Elaboração própria.

100
80
60
40
20
0
Masculino Feminino Total

Gráfico nº 1 – Percentagem por género

19
Fonte: Elaboração própria
Relativamente à faixa etária dos inquiridos, utilizamos dos professores e dos
encarregados que tivemos a idade mínima de 20 à 45 anos, tendo sido seleccionados
em intervalo de 5, constituindo assim quatro grupos. A idade média dos mesmos
ronda aos 35 anos.
Na distribuição dos funcionários por faixa etária, 3 estão entre 20 à 25 anos,
que correspondem 21% e dos 25 à 30 anos são 2 que representam um indicador
prevalecente de 21%; de 4 funcionários, dos 35 – 40 anos correspondem uma cifra
equivalentes 37%; e dos 41 à 45 anos, são 2, perfazendo assim, cerca de 21%.

Tabela n.º 2– Faixa etária

Faixa etária Nº de entrevistados %


20 – 25 Anos 2 21
25 – 30 2 21
35 – 40 4 37
41 – 45 2 21
Total 10 100
Fonte: Elaboração própria.

Gráfico n.º 2 – Percentagem por faixa etária

20
100

90

80

70

60

50

40

30

20

10

0
20-25 25-30 35-40 41-45

Fonte: elaboração Própria.

O gráfico nº 3 mostra que os 23 entrevistados frequentam o ensino médio,


equivalendo 23% do total de amostra. A este resultado segue – se, a maioria dos
5entrevistados, com a formação superior, que correspondem a 40%. Porém, quanto
ao registo dos indivíduos com a formação de mestrado, 2 correspondem deste modo
23%, por último, doutoramento tivemos apenas 1 inquirido, que corresponde14%.

21
Tabela n.º 3 – Distribuição dos inquiridos por nível de ensino

Análise de função Nº de entrevistados %


Ensino Médio 2 23
Licenciatura 5 40
Mestrado 2 23

Doutor PhD. 1 14
Total 10 100
Fonte: Elaboração própria.

Gráfico n.º 3 – Percentagem de nível de ensino

100

90

80

70

60

50

40

30

20

10

0
Ensino Medio Licenciatura Mestredo Doutoramento

22
Fonte: Elaboração própria.

O gráfico nº 4 mostra que dos 10 entrevistados teve participação de diferentes


funções ou profissões, que na qual Técnicos de Informática tivemos 2 entrevistados
que representam 18%; tivemos 5 Professores, que correspondem 53% sendo a
maioria, e por fim, tivemos Domestica 3, correspondendo um total de 29%.

Tabela n.º 4 – Distribuição dos inquiridos por função

Análise da função Nº de entrevistados %


Técnicos de Informática 2 18
Professor 5 53
Domestica 3 29
Total 10 100
Fonte: Elaboração própria.

23
100

90

80

70

60

50

40

30

20

10

0
ca es a l
tic ta
ati or es To
m ess m
or of Do
Inf Pr
de
co
cni
Te

Gráfico n.º 4 – Distribuição dos inquiridos por função

24
Fonte: Elaboração própria.

Uma das questões propostas aos inquiridos tinha como objetivo saber o que
os mesmos entendiam por insucesso escolar. Todas as respostas obtidas definem
insucesso escolar como quando a criança/aluno não atinge os “objetivos propostos
nos programas” (inquirido A), “nem com o apoio familiar” (inquirido E), acabando-
se por traduzir na “incapacidade de uma criança não ter rendimento escolar
adequado” (inquirido B).
Os agentes causadores do insucesso escolar estão presentes no gráfico nº 5,
no qual a família e a Escola predominam com 35%, e agentes educador com 18%,
enquanto que outros correspondem 12%.

Tabela n.º 5 – Agentes causadores do insucesso escolar

Causadores do insucesso escolar Nº de entrevistados %


Família 3 35
Escola 3 35
Professores 2 18
Outros 1 12
Total 10 100
Fonte: Elaboração própria.

Gráfico n.º 5 – Agentes causadores do insucesso escolar


100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Familia Escola Professores Outros Total

25
Fonte: Elaboração própria.

Tabela n.º 6 – Distribuição dos inquiridos segundo as causas da repetência

Pela análise do quadro podemos verificar que as grandes causas da repetência


nestes inqueridos concentram que a Falta de acompanhamento dos pais 38% e Falta de
tempo para rever a matéria em casa (26%). Podemos justificar essa situação com o
nível de instrução e o professor que não explica. Uma outra causa é explicação
deficiente do professor. Segundo (Victor Sìl, 2004),
Alunos em situação do insucesso escolar. “O papel do professor é atribuído
uma importância fundamental na redução do insucesso, de onde o relevo que assume
a sua formação, tanto inicial como continua, num espaço de adaptação permanente
das suas competências a um contexto pedagógico em constante mutação, pelo que o
êxito, ou o fracasso, no combate ao insucesso, depende de forma significativa, da
capacidade dos professores”

Causa da repetência Nº de entrevistados %


Falta de tempo para rever a matéria 2 26
em casa
O professor que não explica 3 14
Doença 0 0
Porque a escola fica longe 1 11
Falta de acompanhamento dos pais 4 49
Total 10 100
Fonte: Elaboração própria

Gráfico n.º 6 – Distribuição dos inquiridos segundo as causas da repetência

26
90
60
30
0

Fonte: Elaboração própria.

Tabela n.º 7 – Distribuição dos entrevistados segundo as causas da repetência

Dos inqueridos a cerca da repetência disseram que a origem da repetência


para este ciclo está centrado em turmas numerosas. Na maioria das turmas são
superiores a 50 alunos (segundo opinião dos professores e director da Escola Ensino
Primário Nº 1086 distrito da Maianga e da observação directa da inquiridora).
Um outro factor que estão na origem da repetência nesse ciclo de estudo é a
turmas numerosas pelos alunos, isto é, na opinião dos entrevistados cerca de 50%
não tem interesse, isso também foi confirmado com conversas directas com os
professores da escola, embora a subdiretora para assuntos sociais não tenha falado o
mesmo justificando pela quantidade dos alunos existentes nesta Escola em estudo.
No seu entender porque repetirem Nº de entrevistados %
Sem pré-requitos 1 10
Falta de interesse 3 30
Sistema de ensino 1 10
Turmas numerosas 5 50
Total 10 100
Fonte: Elaboração própria

Gráfico n.º 7 – Distribuição dos entrevistados segundo as causas da repetência

27
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
s se o s l
ito sin so ta
u r es n r o To
q te e e
re in de um
r é- de a n
p as
m lta em
Se Fa iS st r m
Tu

Fonte: Elaboração própria.

Quando questionados sobre a forma como ocupam os seus tempos livres, 10


alunos afirmaram ver televisão, 3 alunos responderam utilizar o computador, 1
disseram ler e na maioria utilizam telefone facebook tendo uma percentagem 56% e
apenas 2 afirmam ler livros nos tempos livres.

Tabela 8 – Como os alunos ocupam os tempos livres

Como os alunos ocupam os Nº %


tempos livres

28
Telefone “Facebook” 4 43
Televisão 3 33
Computador 1 20
Ler 2 4
Total 10 100

Gráfico 8 – Como os alunos ocupam os tempos livres

100

90

80

70

60

50

40

30

20

10

0
Telefone ; ; ; ;

29
Fonte: elaboração Própria

CONCLUSÃO
A pesquisa que acabamos de realizar reforça a ideia da complexidade
subjacente ao fenómeno do insucesso escolar perante a escola. Dependendo das
situações, confirmamos que se trata de um problema social transversal e poli
facetado, cuja compreensão requer uma análise profunda de toda comunidade
educativa e da própria sociedade enquanto um sistema.
Os resultados conseguidos ao longo desta pesquisa permite – nos confirmar
que o insucesso escolar na Escola Ensino Primário nº 1086 distrito da Maianga está
fortemente marcado: pela posição sócio económico familiar. A leitura atenta da
distribuição dos inqueridos segundo categoria profissional dos encarregados de
educação, demonstra que há uma correlação positiva entre este indicador e a
repetência. Com efeito, á medida que se considera profissões menos prestigiadas
socialmente aumenta a taxa de repetência dos alunos e vice-versa.
Constatamos a sua pertinência uma vez que proporciona a criação de todo um
ambiente que favorece ao aluno desenvolver as suas habilidades. Não obstante, torna
– se necessário que as famílias economicamente mais favorecidas tenham um
considerável nível de capital cultural. Entra aqui a questão da valorização da
educação escolar pelas famílias com diferentes níveis de instrução e provenientes de
diferentes regiões o que é visível na orientação das actividades escolares dos filhos e
o tempo que lhes disponibilizam ao estudo.
Neste sentido, e a própria residência revela - se de grande importância para
explicar as diferentes formas de insucesso escolar visto que os alunos provenientes
do campo são os mais afectados pelo insucesso escola.
Em síntese, através deste estudo, concluímos que as principais causas que
estão na origem do fracasso escolar nesta Escola Ensino Primário Nº 1086 distrito da
Maianga são:

30
1. A deficiente organização dos conteúdos em determinadas disciplinas, extensão dos
programas, o que faz com o ritmo de trabalho seja mais acelerados, explicações
generalizadas, em detrimento da atenção individual;
2. Turmas superlotadas;
3. Distância casa/escola /casa;
4. Fraca participação dos pais e encarregados de educação na vida escolar;
5. Situação financeira débil;
6. Níveis de instrução baixo que não conseguem acompanhar os seus educando na
escola;

31
SUGESTÕES
 Que os professores tenham a consciência da necessidade de formação
permanente para o bom desempenho da profissão.
 Que os professores da : Escola Ensino Primário Nº 1086 distrito da Maianga
promovam a inclusão educativa;
 Que se realizem palestras nas comunidades, sobre a importância da escola.

32
BIBLIOGRAFICA
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Porto: Asas Editores.

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pesquisas, TGI, TCC, monografias, dissertações e teses. São Paulo: Pioneira.

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Paulo: Cortez.

33
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invisibilidade social, Escolas, Famílias e Lares. Porto: Profedições.

WEIL, P. G. (1984) A Criança, o lar e a escola – guia prático de relações humanas e


psicológicas para pais e professores. Petrópolis: Vozes.

34
APÊNDICE

1. Questionário da Pesquisa

35
O presente questionário dirigido apresentado na Associação de Estudantes da
Escola Ensino Primário Nº 1086 distrito da Maianga. Pretendemos analisar sobre as
estratégias mais eficazes que os professores da Escola Ensino Primário Nº 1086
distrito da Maianga utilizam para combater e lidar com a indisciplina em sala de aula.
Agradecia que colaborasse connosco respondendo um conjunto de questões, e
que seja o mais sincero (a) possível nas suas respostas, de forma a permitir uma
análise mais objectiva e realística.

Leia com atenção as perguntas e marque apenas um X para cada resposta, que
ache corresponder com a sua realidade ou próxima da realidade.

DADOS PESSOAIS
SEXO: Masculino Feminino
IDADE: _____________________
ESTADO CIVIL: Solteiro(a) Casado(a) Amigado(a)
Separado(a) Divorciado(a) Viúvo
NÍVEL DE ENSINO: ____________________________
CATEGORIA PROFISSIONAL: ________________________
1. Número dos funcionários entrevistados por género?

Masculino Feminino

2. Distribuição dos inquiridos por faixa etária


20-25 26-30 31-36 37-42
3. Distribuição dos Inquiridos por nivel de ensino
Ensino Medio Licenciado Mestrado
4. Quais são os factores por detrás do insucesso escolar?

Má ambiente familiar Professores demasiado autoritários

5. Porque é que os alunos desistem da escola?


6. Sim Não

7. Então atribui responsabilidade do insucesso Escolar aos encarregados?

36
Sim Não Talvez
Outros_________________________________________

8. Quais os alunos com maior grau de insucesso Escolar, mais velhos ou mais novos?
NOVO MAIS VELHO OS DOIS
9. Conhece o Regulamento Interno da escola? Já o leu??
NÃO SIM

10. Como professor quais são estratégias utilizada para o combate a indisplina da
Escola Ensino Primário Nº 1086 distrito da Maianga (2014-2017)

____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
________________

Muito grata pela sua colaboração!

37
ANEXOS

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