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FILOSOFIA

Prof. Raphael Reis Aula 05

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Aula 05

Filosofia p/ ENEM 2017


Professor: Raphael de Oliveira Reis

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1 Pensamento Filosófico no século XIX

Embora seja mais cobrado os pensadores da Idade Moderna (XVI-XVIII)


nas últimas provas do ENEM, sempre aparece alguma questão dos pensadores
do século XIX e XX. Então, vamos juntos em mais uma aula para percorrer mais
uma etapa importante em sua preparação para o ENEM. Aqui, encerraremos
uma jornada de 25 séculos da Filosofia na História!
Lista de e-mail: O século XIX é caracterizado por uma reflexão filosófica variada. Alguns
Instagram: profraphaelreis
filósofos mantiveram-se no caminho de seus antecessores (os iluministas),
Facebook: Professor Raphael Reis
confiando na razão e no progresso humano. Outros reagiram contra o
Youtube: Don Raphael Reis
predomínio da razão e teceram novas problemáticas e críticas.
E-mail: profraphaelreis@gmail.com
Com a Revolução Francesa (1789-1799) ficou marcada a Idade
Contemporânea no Ocidente, porque a partir dela se construiu uma sociedade
diferente do que a anterior, fundamentada nos valores de igualdade, liberdade e
fraternidade. Embora tenham participado vários grupos sociais no período da
revolução, os valores burgueses se sobressaíram. A burguesia se consolidou
como classe e passou a ser uma classe dirigente, implementando
gradativamente um novo modelo de sociedade. Além da Revolução
Francesa, tivemos a Revolução Industrial (1760-1850), que modificou a
organização econômica e consolidou o sistema capitalista.
As antigas formas de produção como as corporações de oficio foram
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substituídas por uma nova racionalidade: as fábricas e suas máquinas. Novas
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fontes de energia como o carvão, a eletricidade e o petróleo surgiram. Depois


vieram o uso do aço, a locomotiva, o motor a gasolina (automóvel), motor a diesel
(avião), o telégrafo, o telefone, a fotografia, o cinema, o rádio, a televisão. Estas
inovações tecnológicas causaram grande impacto no pensamento do
século XIX e XX, reforçando a confiança na razão e no progresso da
humanidade, gerada no período do racionalismo e do iluminismo a ciência
era vista como a principal condutora para um caminho melhor para a
sociedade.

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No entanto, nem tudo foi m a consolidação do conhecimento e poder. Para muitos críticos literários, essa obra é uma metáfora
capitalismo e dos avanços tecnológicos apareceram vários problemas sociais e crítica a sua sociedade, fundamentada na confiança do progresso científico.
novas indagações no pensamento filosófico e sociológico. Um deles foi a Na música, os expoentes do romantismo foram Beethoven e Chopin.
exploração do trabalho humano e o aumento das desigualdades sociais. O Na filosofia não podermos dizer que houve uma corrente do romantismo,
operariado vivia de forma miserável, com horas extenuantes de trabalho mas sim certas características em alguns pensadores. Jean-Jacques
(chegando a trabalhar até 18 horas diárias), péssimas condições de moradia, Rousseau é considerado um pré-romântico, porque tinha reservas à crença do
baixa remuneração, sem garantias, sem direitos e sem liberdade. No século XX, progresso científico e via no estado de natureza um ser humano puro, bom.
a produção em massa (consumo) e as novas tecnologias da comunicação Outro filósofo que recebeu influência do romantismo foi Hegel, que reteve o
(principalmente rádio e televisão) ocuparam debates calorosos. aspecto do nacionalismo, do amor à pátria e da valorização do Estado em
No contexto do século XIX surgiram algumas correntes do pensamento sua filosofia. Contudo, Hegel era um crítico do sentimentalismo romântico.
filosófico que iremos destacar a seguir:
1.2 Positivismo
1. Romantismo No mesmo contexto surge o positivismo, que se opõe ao romantismo.
Em resumo, o romantismo foi um movimento cultural e filosófico O positivismo é uma doutrina filosófica fundamentada na confiança do
crítico à visão racionalista. Criticavam que a dimensão dos sentimentos do progresso científico, criada por um conhecido nosso das aulas de
ser humano não era levada em consideração na sociedade industrial, sociologia, Auguste Comte (1798-1857).
mecanizada. O positivismo valorizava as ciências positivas (sobretudo o método das
enfatizavam ciências da natureza), estruturadas nos fatos concretos e na experiência,
a subjetividade, as emoções, a natureza e os valores patrióticos. A intuição recusando as discussões metafísicas.
e os sentimentos contra a supremacia da razão. O conhecimento para Comte era baseado em fatos observáveis. Era
A natureza era vista como força vital como resposta ao mundo urbano- ou abstrata
industrial que se expandia. A concepção de Deus, que era sobretudo explicada
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(Rousseau, Voltaire, Kant), propondo-se a inaugurar uma
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pela razão suprema iluminista passa a ser entendida através de uma concepção comprometida com a realidade, a utilidade, a certeza, a precisão e a
emocional e mística, porque Deus fala a linguagem do coração, e não da organização. Havia um culto a ciência e ao método científico, como caminho
razão. O nacionalismo, amor fervoroso pela pátria, incentiva a valorização para o progresso da sociedade.
da língua materna, das tradições, dos valores individuais. O método da filosofia social (sociologia) era a pesquisa das leis gerais,
Na literatura, o alemão Goethe foi um expoente. Em sua obra mais com objetivo de prever os fenômenos naturais e agir sobre os mesmos. As
transformações deveriam seguir o progresso, mas mantendo a ordem social
sempre estava insatisfeito com o que conhecia. Fez um pacto com Mefistófeles como já dissemos na aula de sociologia, estas ideias irão influenciar várias
(o diabo), vendendo sua alma em troca da satisfação de seus desejos de sociedades, inclusive a nossa no período republicano basta ver o lema de
nossa bandeira o discurso positivista

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voltou a ganhar destaque, por exemplo, sendo o lema do governo de Michel Hegel vai ser referência no idealismo absoluto, a partir de sua
Temer. concepção de que tudo que é real é racional e que o racional é real. A
Comte elaborou a Lei dos Três Estados da evolução histórico-cultural da racionalidade é o fundamento de tudo que existe, sendo o ser humano a
humanidade: manifestação mais elevada dessa razão.
1) Teleológico: explicações religiosas são predominantes. Vimos em aulas passadas que para Hegel a realidade é uma espécie de
2) Metafísico ou abstrato: explicações filosóficas que procuraram . O movimento do real é entendido como
entender a constituição dos seres. devir, isto é, aquilo que está se realizando e continua se realizando. O
3) Positivo: estágio definitivo da evolução racional, para entender os movimento da realidade apresenta momentos que se contradizem, sem, no
fenômenos do mundo por meio do raciocínio e da observação. entanto, perder a unidade do processo, que leva a um crescente
Comte propunha a necessidade de uma reorganização completa da aperfeiçoamento. Isso se dá através do movimento dialético do real
sociedade, porque a Revolução Francesa teria destruído uma série de valores constituído pela tese, antítese e síntese. Esse movimento abstratamente é
da sociedade tradicional europeia. Portanto, era preciso regenerar as ideias, as dado através de um espiral, movimento circular que não se fecha. A cada final,
opiniões e os costumes, isto é, uma reestruturação intelectual dos indivíduos. a síntese se transforma numa nova tese de um movimento posterior e mais
Assim, era necessária uma reforma intelectual, depois moral e por fim, política, avançado.
reestabelecendo a ordem e o progresso na sociedade capitalista. Nesta perspectiva, a história é o desdobramento do espírito objetivo,
É uma visão considerada conservadora de sociedade. Defendia a do espírito absoluto, cujo é a realização da liberdade humana na sociedade.
exploração industrial e a divisão social do trabalho. A divisão da sociedade em Manifesta-se no direito, na moralidade e na ética, englobando família, sociedade
classes (empresários e operários) era considerada indispensável para o bom e Estado. Para Hegel, o Estado político é o momento mais elevado do
funcionamento da sociedade. espírito absoluto, de modo que o indivíduo só existe como membro do
Estado.
1.3 Friedrich Hegel (1770-1831): o idealismo absoluto Portanto, a História seria o desdobramento do movimento constante
Uma outra corrente foi o idealismo absoluto, bem diferente do
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do espírito no tempo. A história é uma evolução contínua da ideia de liberdade,
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positivismo e próximo em alguns aspectos do romantismo. Surgiu no final que se desenvolve racionalmente.
do século XVIII e se desenvolveu na primeira metade do século XIX, tendo como Para ele, todas as coisas existentes, mesmo as piores como, por
principal nome o filósofo Hegel. exemplo, as guerras, fazem parte de um plano racional e tem um sentido
A doutrina idealista é marcada pela concepção de que o sujeito tem dentro do processo histórico, porque fazem surgir uma etapa superior. Este
um papel mais determinante do que o objeto no processo de pensamento foi criticado por vários pensadores, devido ao conformismo e a
conhecimento. Neste sentido, na Antiguidade tivemos Platão que valorizava a passividade perante as injustiças sociais.
teoria das ideias; na Idade Moderna Descartes, que valorizou a autonomia do
ser pensante; e no Iluminismo Immanuel Kant, que estabeleceu o conhecimento
a priori do sujeito.

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1.4 Karl Marx (1818-1883) O modo de produção é a maneira como a produção material se apresenta
-hegelianos de em determinado desenvolvimento social. O modo de produção é constituído
pelas forças produtivas (força de trabalho humano e meios de produção) e
pelas relações de produção (relações de trabalho). Assim, nesta concepção,
concepções filosóficas ao desenvolver suas concepções. tivemos os seguintes modos de produção: comunismo primitivo, escravismo,
Diferente de Hegel, Marx passou a defender que a filosofia deveria partir feudalismo e o capitalismo.
do ser concreto (sujeito como construção social), isto é, a realidade material Para Marx, a passagem de um modo de produção para o outro se dá
determina as representações e conceitos. Assim, para Marx o idealismo quando as forças produtivas entram em contradição com as relações sociais de
hegeliano era uma farsa, pois pretende entender o real como manifestação produção. Exemplo: quando as forças produtivas no sistema capitalista se
de uma razão absoluta. desenvolveram, isto é, o surgimento de máquinas principalmente, a relação de
A visão da história marxista foi chamada de materialismo histórico, pois trabalho (servidão e manufatura das corporações de ofício) entraram em
suas reflexões parte da história concreta dos seres humanos, a partir das contradição, impedindo a produção. Dessa forma, uma nova relação de trabalho
condições materiais nas quais eles vivem e se organizam. O ser humano se fez necessária: o assalariamento. Para concretizar as transformações há
não pode ser considerado de forma abstrata como consideravam os pensadores ações de determinado grupo social que se tornam revolucionários em
Hegel, Feuerbach, Proudhon, Schopenhauer, Kierkeggaard. determinado período. No caso do feudalismo para o capitalismo, foi a
Em resumo, para Marx as formas como os indivíduos se comportam, burguesia o agente revolucionário, através das suas revoluções: francesa,
pensam, agem e sentem está associado as relações sociais que, por sua vez, industrial e outras que aconteceram ao longo do século XIX.
são determinadas pela forma de produção da vida material. Ou seja, a estrutura Por fim, destaco que para Marx a luta de classes é o motor da história. A
(como os seres humanos trabalham e produzem os meios necessários para a classe revolucionária que impulsionaria as transformações do sistema capitalista
sustentação material das sociedades) determina a superestrutura (ideologia, para o socialismo seria o proletariado.
ideias, religião, cultura, política, etc.).
Se para Hegel, o movimento dialético é um instrumento da legitimação
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1.5 Friedrich Nietzsche (1844-1900)3 3
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da realidade existente, no pensamento de Marx, a dialética leva a O filósofo alemão Nietzsche realizou uma crítica radical da tradição
possibilidade de negação da realidade, que pode ser transformada pela filosófica e dos valores fundamentais da civilização ocidental
ação humana a História não anda sozinha, guiada por uma razão ou (massificação, visão de mundo burguesa, conservadorismo cristão, etc.).
espírito, mas é feita pelas ações humanas. Influenciou vários filósofos existencialistas, sendo considerado um pré-
Marx, assim como Hegel, tem uma concepção evolucionista da existencialista.
humanidade, embora os pontos de partida sejam bem diferentes. Para Hegel, Diferente da maioria dos filósofos escreveu suas reflexões sob a forma de
isso se dá no movimento contínuo do espírito absoluto. Para Marx, através aforismos, isto é, uma sentença curta que exprime um conceito, um conselho ou
das mudanças de etapas dos modos de produção. um ensinamento. Escreveu sobre diversos temas: religião, moral, artes e
ciências.

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Nietzsche teve influência do pensamento de Schopenhauer (1788-1860), portanto, são produtos histórico-culturais. Essas noções são impostas pelas
o qual tecia críticas a filosofia de Hegel, por este legitimar as formas de governo religiões principalmente. A tradição judaica e cristã define o bem e o mal
e instituições, como se o Estado fosse um estágio avançado do progresso. como se fossem vontade de Deus, ou seja, como valor absoluto. Essas
Para Schopenhauer, a História não é racionalidade e progresso, mas noções são absorvidas pelas pessoas gerando sentimentos de dever, culpa,
sim acaso cego e enganoso. Defendia também que tudo no mundo depende dívida e pecado. Isso gerou uma sociedade de indivíduos medíocres, tímidos,
do sujeito, portanto, o mundo e suas coisas são representações, são ilusões. sem criatividade e submissos.
Dessa forma, alcançar a essência das coisas só era possível através do insight
intuitivo, no qual a arte pode contribuir com o desprendimento da pessoas aos valores dominantes da civilização cristã e burguesa.
individualidade do sujeito em imersão pura e plena no objeto. Qual conclusão ele quer passar com esta crítica aos valores morais? Que
Além disso, Schopenhauer entendia que a essência do mundo é a se cada pessoa se der conta de que os valores presentes em sua vida são
vontade de viver, uma espécie de impulso cego sem fundamentos ou motivos. construções humanas, estará no dever de refletir sobre suas concepções
No ser humano, essa vontade é o desejo consciente, o qual não satisfeito, morais e questionar o valor de seus valores, enfrentando o desafio de viver
provoca sofrimento e, se satisfeito, provoca tédio, por já ter conquistado o por sua própria conta e risco.
que era desejado. Assim, para ele, a vida oscila como um pêndulo entre o A partir da Idade Média quando o cristianismo começa a deixar de ser a
sofrimento e o tédio. única explicação possível de mundo, devido a retomada racional nas reflexões
A visão pessimista de Schopenhauer vai decepcionar Nietzsche, que filosóficas e o avançar da investigação científica, seus valores absolutos
passará a ser um crítico contundente de seu conterrâneo, porque a vontade de também foram colocados em xeque, o que levou ao niilismo, isto é,
viver vai além de um conjunto de pulsões sem outra finalidade que não seja expressão afetiva e intelectual da decadência.
a vida, mas também um impulso de afirmação da vida na direção de uma Nesta perspectiva, Nietzsche decreta a morte de Deus, entendida como
transcendência criadora, em direção a uma plenitude existencial. um acontecimento histórico-cultural, cujos fundamentos transcendentais
Outra crítica de Nietzsche é com a tradição filosófica a partir de fundamentados na ideia de Deus foram destruídos. Portanto, para combater o
Sócrates, que teria negado a intuição criadora da filosofia dos pré-
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niilismo provocado por essa mudança, Nietzsche defende valores
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socráticos. Vai distinguir dois princípios: o apolíneo, em referência ao deus afirmativos da vida, capazes de expandir as energias latentes em nós, sem
grego Apolo que representava a razão, a clareza e a ordem e o dionisíaco, em conformismo, resignação ou submissão.
referência ao deus grego da aventura, da fantasia, da desordem. Para o filósofo
alemão, estes dois princípios são complementares, mas foram separados na
Grécia socrática que optou pela supremacia da razão o mundo é uma mescla
de turbulências e complexidades.
Além da crítica a Schopenhauer e a tradição filosófica, Nietzsche faz uma
crítica intensa aos valores morais. Para ele, o bem e o mal não são noções
absolutas, porque estes são elaborados conforme os interesses humanos,

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naves espaciais capazes de explorar outros planetas, surgimento do computador


2 Pensamento Filosófico no século XX e da internet. Contudo, passada a euforia, essas tecnologias fizeram avançar a
corrida armamentista, não contribuiu para a diminuição das desigualdades
O século XX produziu muitas reflexões filosóficas e como não poderia ser sociais e o meio ambiente cada vez mais é uma agenda preocupante, devido ao
diferente, bem distinta do século XIX. esgotamento dos recursos naturais para a sociedade do consumo.
Uma das características da filosofia do século XX é que muitas Neste contexto (XX) surgem algumas correntes filosóficas que iremos
certezas desmoronaram. O projeto da modernidade idealizado pelo analisar neste capítulo: o Existencialismo, a Fenomenologia, a Filosofia
Iluminismo do século XVIII (confiança na razão e a ideia de progresso) se Analítica, a Escola de Frankfurt e o Pensamento Pós-Moderno.
esvaiu.
De modo geral, boa parte dos pensadores do século XVIII e XIX eram 2.1 Existencialismo
entusiastas do conhecimento técnico-científico; valorizavam o poder da razão; A existência humana é o ponto de partida das reflexões dos pensadores
muitos apostavam na industrialização como benefício para a humanidade; havia considerados existencialistas, que começou com os chamados pré-
uma valorização da pátria; o socialismo pretendia a construção de uma existencialistas (Schopenhauer, Kierkeggaard e Nietzsche). Os existencialistas
sociedade mais justa; os liberais acreditavam que a industrialização levaria a de maior notoriedade no campo filosófico foram Martin Heidegger, Jean-Paul
uma melhor qualidade de vida para a maioria das pessoas, etc. Sartre, Simone de Beauvoir e Karl Jasper.
Entretanto, essas esperanças não se concretizaram. O século XX ficou A principal indagação é: o que é existir? Em linhas gerais, para esses
conhecido também como a Era das Incertezas (confira meu artigo publicado no pensadores existir implica a relação do ser humano consigo mesmo, com
site do Estratégia ENEM sobre o sociólogo polonês Zygmunt Bauman e sua outros seres humanos, com os objetos culturais e com a natureza, portanto,
. são relações diversas, interativas e concretas. Algumas dessas relações são
Uma das primeiras mudanças significativas no início do século XX é o determinadas (socialmente) e outras indeterminadas (aquelas que resultam
surgimento da psicanálise com Freud (lembra que já vimos alguns conceitos de nossa liberdade ou do acaso, podendo ou não acontecer).
sobre consciência e inconsciente?). 3 3
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Algumas concepções importantes do existencialismo:
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A psicanálise valoriza os processos inconscientes que guiariam


determinados comportamentos, o que debilita a hegemonia da razão nos Ser humano É entendido como uma realidade em
assuntos humanos. Somado a isso, na física, tivemos a teoria da relatividade, construção, imperfeita, aberta e
com Einstein. Os métodos das ciências naturais também passaram por inacabada.
questionamentos. Liberdade humana Não é plena, devido às circunstâncias
A irracionalidade atingiu dimensões inimagináveis com as duas grandes históricas, mas os sujeitos podem
guerras. A Guerra Fria provocou tensão mundial devido a possibilidade do uso superar ou não os obstáculos que lhes
de armas atômicas e de destruição em grande proporção. Por outro lado, após aparecem.
a 2ª Guerra Mundial, a tecnologia voltou a dar esperanças: telescópios potentes,

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Vida humana É preciso encarar as adversidades da caminho existencial. Trata-se do confronto do eu com os outros, no qual o
vida e encarar a existência, que é indivíduo comum é derrotado. O seu eu é destruído, arruinado e dissolve-se nas
marcada pela dor, injustiça, fracasso, preocupações da massa humana. Ao invés de tornar si-mesmo, torna-se o que
sofrimento, angústia, etc. os outros são.
Como podemos notar, Heidegger não é nada otimista. A existência
Outro aspecto importante que influenciou os filósofos existencialistas é a inautêntica leva a angústia, porque o eu é dissolvido e absorvido pelas
fenomenologia. Esta foi desenvolvida pelo filósofo alemão Edmund Husserl banalidades ou por outras pessoas. Na angústia, o ser caminha para o nada,
(1859-1938). Para ele a consciência não é uma realidade essencial, mas sim um um ser para a morte. Para superar este estado, o filósofo alemão vai dizer que
movimento que se realiza na direção dos objetos. A consciência de algo o indivíduo precisa enfrentar o seu sentimento e transcender o mundo e a
sempre manifesta uma intencionalidade, um modo específico de enxergar as si mesmo, conferindo sentido ao seu ser.
coisas. Traduzindo, os objetos e as coisas são abordados em função de
alguma intenção do sujeito. 2.1.1 Jean-Paul Sartre (1905-1980)
Nesta perspectiva, os fenômenos (coisas que aparecem) através dos Talvez o maior expoente do existencialismo foi Sartre. Teve a influência
sentidos ou à consciência devem ser analisados e descritos rigorosamente, para da fenomenologia de Husserl e da filosofia de Heidegger. Critica a concepção de
se buscar como a experiência é formada pelo indivíduo. Essas questões fizeram potência de Aristóteles, na qual o ser é ato (aquilo que ele é) e potência (aquilo
com que houvesse uma retomada as origens da filosofia, que refletia sobre o que ele poder vir a ser). Para Sartre, o ser é o que é, é um ente em si. Ou seja,
ser, sua origem e sua essência (ontologia ou metafísica). o indivíduo não é ativo nem passivo, não é afirmação nem negação, mas
Martin Heidegger (1889-1976) retoma as reflexões ontológicas: por que simplesmente repousa em si.
há algo e não nada? Esta indagação coloca um problema central da filosofia Faz uma distinção entre ente em-si e o ente para-si. O ente em-si
que, para ele, era sobre o ser e a existência de tudo. Haveria uma distinção entre representa a plenitude do ser enquanto o ente para-si está voltado para fora, é
ente e o ser. O primeiro é a existência e o segundo é a essência. Assim, sua o não-ser, é o nada. Então, nesta visão, uma característica tipicamente
preocupação era entender o ser em seu conjunto.
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humana é o nada, entendido como algo singular, que faz de nós um ente
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Ao procurar o sentido do ser ele tece 3 etapas que caracterizam a vida não estático, aberto às possibilidades de mudança.
humana, as quais, para a maioria dos indivíduos culminam em uma existência Sartre vai defender que se o ser humano fosse um ser em-si, isto é, pleno,
inautêntica: total, não poderia ter consciência (espaço aberto a múltiplos conteúdos) nem
o fato da existência: o ser humano é lançado ao mundo sem saber o liberdade (possibilidade de escolha). Desta forma, o ser vai existindo em sua
motivo, sem ter pedido para nascer. existência, por meio de suas escolhas; o indivíduo constrói a si mesmo e
o desenvolvimento da existência: existir é construir um projeto, o ser torna-se responsável pelo que faz.
procura realizar aquilo que ainda não é. Não há para Sartre uma natureza humana, mas sim uma condição
destruição do eu: ao tentar construir o seu projeto, o ser humano é humana, qual seja, o conjunto de limites que esboçam a situação fundamental
confrontado com as adversidades, que podem fazer com que se desvie de seu no universo do ser.

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Portanto, o não-ser vai existindo e sua condição humana é um realidade e não o contrário. Os jogos de linguagem são produzidos
exercício da liberdade que move o ser humano, que gera as incertezas, a socialmente e não individualmente. Dessa forma, o entendimento dos termos
produção dos sentidos, que impulsiona a superação dos limites e que confere linguísticos não pode ser explicado pela a análise lógica, porque não é uma
sentido a sua existência. Assim, é a liberdade humana que leva o indivíduo a pintura da realidade, sendo entendida somente pelo uso social.
ter de definir o que pretende ser como pessoa, a avaliar o impacto de suas Concluiu que não se trata de usar a linguagem como falsa ou verdadeira,
escolhas e ser responsável por elas mas, sobretudo, entender o uso adequado da linguagem como uma
ferramenta, conhecendo os seus limites e calando-se diante do que não
pode ser falado.
2.1.2 Filosofia Analítica
A filosofia analítica, como vimos na aula sobre linguagem, procurou 2.1.3 Escola de Frankfurt
esclarecer o sentido das palavras e expressões (conceitos e enunciados) de Uma das correntes que mais se destacaram no século XX foi a Escola de
um discurso. Para estes, muitos problemas filosóficos não passariam de Frankfurt, que reuniu um grupo de pensadores alemães em torno do Instituto de
equívocos ou mal-entendidos originados do uso ambíguo ou incerto das palavras Pesquisa Social de Frankfurt, a partir da década de 1920.
e construções linguísticas. A preocupação comum desse movimento foi refletir os diversos aspectos
Os dois expoentes mais conhecidos desse movimento foram Bertrand da vida social: economia, psicologia, história, antropologia, etc. A base do
Russel (1872-1970) e Ludwig Wittgenstein (1889-1951). pensamento foi um diálogo crítico com a teoria marxista e com a teoria freudiana.
Russel desenvolveu suas reflexões no campo dos estudos lógico- Outros autores também vão influenciar os pensadores da Escola de Frankfurt
matemáticos, sendo considerado como aquele que mais contribuiu desde como, por exemplo, Hegel, Kant e Max Weber.
Aristóteles com as formulações lóg A Escola de Frankfurt ficou conhecida como teoria crítica e os seus
principais nomes foram: Theodor Adorno (1903-1969), Max Horkheimer (1895-
Detectou que através dos erros de linguagem é que são constituídos os 1973), Walter Benjamin (1892-1940), Jurgen Habermas (1929), Hebert Marcuse
falsos problemas. Para evitá-los é necessário investigar, fazer uma análise
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(1898-1979), Erich From (1900-1980). 3 3
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lógica profunda, se os conceitos e proposições linguísticas estão de acordo com Um tema central foi analisar a sociedade de massa, na qual o avanço
o que realmente se está falando ou afirmando. tecnológico foi colocado a serviço dos interesses e da reprodução do
Já Wittgenstein, afastou-se das concepções de Russel, no que que se sistema capitalista, ao mesmo tempo em que o consumo e os diversos
refere a análise lógica da linguagem, desenvolvendo os jogos de linguagem. entretenimentos passaram a ser promovidos pela lógica capitalista como
Neste, a linguagem não poderia ser a captura conceitual da realidade e a forma de diluir os problemas sociais.
representação real do objeto. Ela seria antes uma atividade, um jogo. Horkheimer e Adorno voltam a tecer críticas ao projeto iluminista, que
Os jogos da linguagem adquirem significado no uso social, nas confiava na razão e no progresso técnico-científico. Para os dois pensadores o
diversas interações nas quais as palavras ganham sentidos diferentes que aconteceu foi uma dominação tecnológica das pessoas. É uma razão
dependendo do contexto. A linguagem, para ele, determina a concepção da controladora e instrumental, que opera a dominação tanto da natureza

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como do próprio ser humano. Deturpa as consciências individuais e assimilam agente de transformação, elaborando uma nova perspectiva centrada na razão
os indivíduos no sistema dominante. e na ação comunicativa, que se fundamenta no diálogo e na argumentação
entre os agentes interessados em determinada situação.
A ação comunicativa, isto é, o uso da linguagem e da conversação
saber: a análise de dominação cultural (não somente do ponto de vista como meio de conseguir o consenso será uma de suas propostas. Defende
econômico) e a desesperança de alguma consciência revolucionária no que a verdade seja entendida como uma verdade intersubjetiva (entre sujeitos
proletariado este também foi assimilado pelo sistema capitalista seja diversos) e não mais como uma adequação do pensamento à realidade ou de
através das conquistas trabalhistas ou pela alienação de suas uma verdade subjetiva. No diálogo de ação comunicativa há regras: a não
consciências promovida pela Indústria Cultural. contradição, a clareza de argumentação e a falta de constrangimentos de
O conceito de Indústria Cultural foi cunhado e difundido por Adorno e ordem social.
Horkheimer para designar a indústria da diversão em massa, veiculada pela Nesta perspectiva, tanto verdade como razão deixam de ser valores
televisão, cinema, rádio, música, revistas, jornais e propagandas. Por meio absolutos, mas construção consensual entre as partes. Esse diálogo é
dela, há a homogeneização dos comportamentos e massificação das aperfeiçoado na prática democrática. Dessa forma, procura através da razão
pessoas. As produções culturais não são pensadas de forma crítica, mas comunicativa fazer uma resistência a razão instrumental (lógica capitalista
sim a agradar o grande público e gerar lucro. e de interesse individual) e resgatar a importância da razão para avanços
Diferente de Adorno e Horkheimer, Walter Benjamim vai adotar uma na sociedade.
postura mais otimista no que se refere a Indústria Cultural. Para ele, a arte Assista a este pequeno trecho da entrevista com Jurgen Habermas, no
dirigida às massas pode servir como instrumento de politização. Na medida qual ele afirma sua Teoria Comunicativa e a relação com o fortalecimento da
em que a arte é acessível a todos com o desenvolvimento das técnicas de democracia.
reprodução, poderia haver uma democratização da cultura e um processo crítico.
Outro pensador (ainda vivo), Jurgen Habermas, também discordou de 2.1.4 Filosofia Pós-Moderna
vários pontos (uso da razão, verdade, cultura e democracia) de Adorno e
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O termo pós-moderno ou pós-modernidade tem provocado muitos
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Horkheimer. Se para estes dois a razão emancipatória estava sufocada pela debates nos centros acadêmicos universitários. Sucintamente, é aplicado
lógica capitalista, que teria absorvido a consciência do proletariado, Habermas àqueles pensadores que produziram uma reflexão crítica, de descrença e de
vai defender que esta postura de uma crítica radical a modernidade poderia desconstrução em relação ao projeto da modernidade, na qual a razão
levar ao irracionalismo e a um projeto de sociedade esvaziado, sem tecnocientífica levaria a emancipação humana, coincidindo em vários aspectos
perspectiva. Para ele, o projeto da modernidade ainda não se concretizou e há com os pensadores Adorno e Horkheimer, da Escola de Frankfurt.
um potencial para a racionalização do mundo. Devido a esta postura, Habermas Dentre os pensadores de maior destaque classificados como pós-
rompeu com a Escola de Frankfurt e é c modernos estão: Michel Foucault, Deleuze, Derrida, Jean Baudrillard e Jean-
Habermas também fez críticas a vários pontos da teoria marxista, François Lyotard.
como a centralidade do trabalho e a identificação do proletariado como

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Há um traço comum nesta perspectiva de que é a debilitação das Nesta perspectiva, de deslocar o macropoder (Estado) para os diversos
esperanças. O cenário social no qual esses pensadores estão inseridos mostra micropoderes, percebeu que os poderes são exercidos por uma rede imensa
uma dificuldade de os seres humanos conviverem com a diversidades e com as de pessoas que interiorizam e cumprem as normas estabelecidas pela
á uma acentuação da miséria em todo o planeta, disciplina social. Por exemplo, os alunos de uma determinada escola são
dominação econômica e cultural, conflitos étnicos e crises ambientais. levados a se comportarem de uma determinada maneira, sempre dispostos no
Outro fator que acentuou a desesperança foi a crise do socialismo, espaço escolar de uma única forma (em filas, olhando para frente) sob
que também culminou em autoritarismo, contrariando as teses libertárias das determinados horários e regras. São vigi
origens desse movimento político. Sem alternativas ao sistema capitalista e o sofrer punição da instituição.
controle da economia global, concentrada na mão de meia dúzia de pessoas , A microfísica do poder desenvolvida por Foucault quer mostrar que o
o mundo ficou sem uma referência de transformação. poder está em toda a parte, porque provém de todos os lugares. Na vida
Os filósofos pós-modernos passaram a analisar os diversos aspectos da s micropoderes e não com
vida social, especificamente as ramificações do poder em toda a sociedade e as os detentores dos macropoderes.
tentativas de disciplinarização e controle dos indivíduos, denunciando as Inspirado em Nietzsche, desenvolveu o método de pesquisa da
formas de opressão na vida cotidiana. genealogia, isto é, que os valores considerados absolutos como bem e mal,
Abandonando a visão de totalidade ou de um projeto para a humanidade verdadeiro e falso, certo e errado, doente e sadio são construções históricas
(como na modernidade), os pós-modernos fazem denúncias fragmentadas, e fundamentados nos interesses relativos dos detentores de poder na
captando as singularidades, as particularidades e as diversidades de sociedade. Ou seja, por exemplo, as definições do que é a sexualidade, do que
determinadas experiências sociais. Uma das consequências é a é , dependem das instâncias nas quais o poder se encontra.
valorização das pluralidades culturais e do respeito à diferença ao outro. Na visão dele, o poder também não é só de repressão, mas também pode
ser um poder criador, porque produz o real.
2.1.5 Michel Foucault (1926-1984) Em sua busca de entender a modernidade e seus efeitos, vai analisar os
Foucault é um pensador francês que produziu uma crítica histórica da
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mecanismos de controle social e de punição, que se tornaram menos
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modernidade, na qual o ponto de partida foi sua concepção de poder, que não visíveis e mais racionalizados. A sociedade contemporânea é conceituada
está centrado no Estado, e sim em várias instituições e nas várias relações por ele como uma sociedade disciplinar, na qual prevalece a produção de
sociais do cotidiano. práticas disciplinares de vigilância e punição.
Para ele, o poder fragmentou-se em micropoderes disseminados nos Um exemplo disso é o saber, que através de discursos científicos,
vários aspectos da vida social, tornando-se mais eficaz. Para mostrar isso, focou aparentemente neutros e racionais, tendem a normatizar o comportamento
suas investigações em algumas instituições sociais como as educativas, dos indivíduos, atingindo o seu corpo, seus sentimentos.
psiquiátricas e carcerárias. Além disso, pesquisou como a sexualidade foi Como o poder encontra-se em múltiplos espaços, a resistência a esse
tratada ao longo da história e quais foram os mecanismos de disciplinar estado de coisas não caberia a um partido ou a uma classe específica
determinadas práticas sexuais.

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(crítica ao marxismo), porque estes só se dirigem a um único foco do poder. São Um exemplo é a noção de Deus, criador de tudo e que reúne todas as
necessárias ações a partir de múltiplos pontos de resistência. possíveis qualidades que os homens conhecem. Essa noção começa a ser
Gilles Deleuze, que já vimos também na aula de sociologia, irá a partir gerada na tradição judaico-cristã. Passou a ser dominante na Idade Média,
das reflexões de Foucault, a desenvolver o conceito de sociedade do controle, período este que a Igreja Católica preponderou institucionalmente. Essa noção
no qual ao invés de um olhar central (panóptico) para todos, agora todos olham de um Deus que tudo vê, que tudo sabe e que ama e pune, foi uma forma de
para um mesmo lugar. Cada vez mais o saber normatiza os comportamentos dominar diversos tipos de comportamentos (inclusive até hoje) baseado naquilo
e disciplina os corpos. Não se aceita mais indivíduos que fogem ao padrão que a interpretação religiosa denomina como certo ou errado. Isso tem
seja ele em seu estado físico ou psíquico. Haveria um controle do padrão estético implicações em comportamentos sexuais e o que aceitar como prática correta
e daquilo que seria um indivíduo psiquicamente normal. Neste sentido, a (ver as discussões atuais sobre
indústria farmacêutica cada vez mais ganha espaço na sociedade fabricando
remédios para controlar a ansiedade, a atenção, os sentimentos tristes, etc. Portanto, a partir da análise das noções preponderantes, para Derrida,
seria possível desconstruí-las.
2.4.2 Derrida (1930-2004)
É outro filósofo francês que questiona a racionalidade ocidental. Nesta,
há a ideia de um centro: Deus, o homem, a verdade. Para ele, isso caracteriza o
logo-centrismo, ou seja, a razão como centro de tudo. Para cada centro há
uma oposição como, por exemplo: Deus-diabo, homem-mulher, verdade-
mentira. Esta lógica de oposições foi criada na Grécia Antiga, na qual se
separou aquilo que era racional (filosofia) daquilo que erra irracional (mitologia).
Portanto, aquilo que é o centro é melhor ou tem supremacia comparado ao
seu par lógico.
Neste sentido, Derrida propõe descontruir o conceito de logos e negar
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sua supremacia em relação ao seu par lógico. Isso perpassa pela


desconstrução da própria noção de razão e sujeito, a partir da análise da
linguagem, constituída em:

- perceber como se constrói certas noções;


- como essas noções passam a ter função predominante na cultura
ocidental;
- e como essas noções são usadas como forma de dominação.

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3 Resumo

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4 EXERCÍCIOS (imperturbabilidade da alma)? O Estoicismo. Schopenhauer estabeleceu um


diálogo crítico com essa corrente. O Estoicismo defendia a resignação e
aceitação do destino, da providência. Assim, evitaria a dor e as decepções,
chegando a serenidade. Portanto, para esta tradição filosófica ocidental
(Estoicismo), a felicidade é a administração da independência interior.
Gabarito: B

1 ENEM 2016) 2 ENEM 2016)

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Resolução: esta questão eu classifico como de dificuldade difícil. Schopenhauer


é um filósofo pré-existencialista que ficou conhecido por acreditar que o ser
Resolução: esta é uma questão de complexidade média. O enunciado
humano está num constante sofrimento e tédio. Para resolver essa questão é
afirma que que o solilóquio (espécie de monólogo, que passa na consciência de
necessária atenção no enunciado, e não nas ideias que o filósofo defendia. Há
uma personagem e é escrito em primeira pessoa), de Skakespeare, pode ser
uma passagem chave no texto de suporte: resignação como livramento de todas
considerado como uma ideia precursora do existencialismo, já que questiona o
as preocupações . Após isso, no enunciado da questão é mencionado que o
que é o ser e o seu caminhar na existência. Ao existir o ser vai existindo, tomando
trecho destaca uma tradição filosófica ocidental. Qual é a tradição filosófica que
consciência de si e vivendo suas angústias, encarando-as e exercendo sua
vimos na aula sobre felicidade que prega a resignação como caminho da ataraxia

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liberdade de escolha, o que enfatiza as tensões. Assim, a alternativa correta é a


[A]. 4 ENEM 2016)
[B] o existencialismo não crê na inevitabilidade do destino, porque este é
construído através das escolhas.
[C] o solilóquio enfatiza a tragicidade do personagem, mas não a ordem
do mundo.
[D] o solilóquio não enfatiza a racionalidade, tampouco a loucura. Exprime
a sensação de existir no mundo.
[E] não faz nenhuma referência a dependência paterna. Na concepção
existencialista há a ação através da liberdade e escolhas.
Gabarito: A

3 ENEM 2016)

Resolução: esta é uma questão que eu entendo como fácil. Adorno é um


Resolução: esta é uma questão de complexidade média. Quando se fala
pensador da Escola de Frankfurt. Um crítico do sistema capitalista, que em sua
de doutrina niilista na concepção de Nietzsche precisamos lembrar que faz
lógica absorveu as consciências individuais através da cultura de massa,
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referência à decadência da expressão afetiva e intelectual no mundo ocidental.


realizada pela Indústria Cultural. Tudo é transformado em mercadoria e
Portanto, a única alternativa que faz referência a esta ideia é a [D]
consumo. Inclusive, a liberdade sofre as coerções econômicas e culturais,
Gabarito: D
portanto, a liberdade é uma ilusão da contemporaneidade - alternativa [E]
Gabarito: E

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5 ENEM 2016) 6 ENEM 2015)

Resolução: esta é uma questão fácil porque depende mais da


capacidade de interpretação textual, do que o domínio de um conceito
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específico. O autor do texto de suporte mostra uma relação social de tensão,


contradição. Ao mesmo tempo que o ser moderno tem a capacidade de Resolução: esta é uma questão de dificuldade média. A verdade para
transformação e autotransformação das coisas e de si mesmo, apresenta a Habermas não é um valor absoluto, mas sim uma construção entre os sujeitos
capacidade de destruição. Um exemplo que ele cita dessa dinâmica social participantes em uma situação de interesse comum, cujo resultado é a produção
contraditória é a experiência ambiental. de um consenso alternativa [C].
Gabarito: A [A] a verdade não é alcançável por cada pessoa, mas sim na comunicação
entre os sujeitos participantes.

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[B] como dissemos, a verdade não é um valor absoluto, acima dos Resolução: esta é uma questão que classifico como difícil. Na letra da
homens. É uma construção social entre indivíduos. música da banda Titãs, excelente por sinal, mostra uma série de elementos: a
[D] faz parte de uma prática racional, mas não de maneira inata (que efemeridade das coisas, influência da música americana na música brasileira e
nasce com o ser), mas como construção social. uma nova forma de entretenimento (televisão). O texto de Adorno reflete sua
[E] a verdade é intersubjetiva, isto é, acessível a todos e faz parte de uma crítica a Indústria Cultural, a qual permeou todas produções e as subjugou aos
construção, para que se chegue a um consenso e não a um convencimento. interesses da lógica capitalista, não proporcionando um entretenimento de fato,
Gabarito: C muito menos uma capacidade crítica. Portanto, uma aproximação é mostrar o
lado efêmero e restritivo da indústria cultural [A].
7 ENEM 2015) [B] pelo contrário, há uma renovação contínua.
[C] o texto I pode levar a essa interpretação, no entanto, se pede uma
aproximação. O texto II não retrata essa característica.
[D] o texto I não trata dessa questão e o texto II mostra que inclusive a
cultura popular foi incorporada pela Indústria Cultural.
[E] é uma possibilidade interpretativa, principalmente partindo do texto I,
no entanto, o texto II reforça que o declínio faz parte de todas as formas de
entretenimento que poderiam levar a formas de expressão linguística e
comunicativa, o que não acontece na lógica da Indústria Cultural.
Gabarito: A

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9 ENEM 2012)
8 ENEM 2014)

A liberdade humana, que consagra a vontade.


B razão comunicativa, que requer um consenso.
C conhecimento filosófico, que expressa a verdade.
D técnica científica, que aumenta o poder do homem.
E poder político, que se concentra no sistema partidário.

Resolução: esta é uma questão bem tranquila. Na teoria comunicativa de


Habermas, o acordo é um consenso entre os participantes. Para uma norma ter
validade é preciso o consenso, pautado na razão comunicativa [B].
[A] essa proposição parte do pensamento existencialista.
[C] o conhecimento filosófico para Habermas não expressa a verdade, mas sim
a construção dos sujeitos em torno de algo.
[D] o poder do homem é aumentando mediante a prática discursiva.
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A) a secessão, pela qual a minoria discriminada obteria a igualdade de direitos


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[E] como valorização da democracia, Habermas defende a participação dos na condição da sua concentração espacial, num tipo de independência nacional.
sujeitos, portanto, o poder político não estaria concentrado no partido. B) a reunificação da sociedade que se encontra fragmentada em grupos de
diferentes comunidades étnicas, confissões religiosas e formas de vida, em torno
Gabarito: B da coesão de uma cultura política nacional.
C) a coexistência das diferenças, considerando a possibilidade de os discursos
de autoentendimento se submeterem ao debate público, cientes de que estarão
vinculados à coerção do melhor argumento.
D) a autonomia dos indivíduos que, ao chegarem à vida adulta, tenham
condições de se libertar das tradições de suas origens em nome da harmonia da
política nacional.
E) o desaparecimento de quaisquer limitações, tais como linguagem política ou
distintas convenções de comportamento, para compor a arena política a ser
compartilhada.

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10 ENEM 2013)
Resolução: esta é uma questão que classifico como difícil. O texto de suporte,
de autoria do pensador Habermas, que participou da Escola de Frankfurt e
depois rompeu com ela, mostra que em muitas questões prevalece o
autoendentimento da cultura dominante, que impõe suas regras. Neste sentido,
mesmo em sociedades consideradas republicanas e que assim parte do
princípio da igualdade formal (igualdade perante a lei), podem surgir conflitos
movidos pelas minorias desprezadas. Suas reivindicações encontram amparo
na medida em que se alcança a coexistência das diferenças e aquilo que é
estabelecido vai ao debate público. Neste, dependerá também do melhor
argumento e a produção de consenso [C].
[A] ele não propõe a separação de grupos minoritários, mas sua ação e
participação no debate, colocando suas reivindicações.
[B] ele não defende uma reunificação em torno de uma única cultura, até mesmo A) religiosos, que se constituem como um olho divino controlador que tudo vê.
porque isso não seria democracia. Defende a coexistência das diferenças. B) ideológicos, que estabelecem limites pela alienação, impedindo a visão da
dominação sofrida.
[D] também não defende a harmonia nacional, e sim que a democracia seja uma C) repressivos, que perpetuam as relações de dominação entre os homens por
constante prática discursiva. meio da tortura física.
D) sutis, que adestram os corpos no espaço-tempo por meio do olhar como
[E] essa é uma alternativa que pode nos levar ao erro. O desaparecimento de instrumento de controle.
limitações como os de linguagem política procede, no entanto, as normas e E) consensuais, que pactuam acordos com base na compreensão dos benefícios
gerais de se ter as próprias ações controladas.
regras de participação precisam ser respeitadas, para que exista o debate como,
por exemplo, pronunciar discursos sinceros e verdadeiros. Resolução: esta é uma questão de complexidade média. As características

Gabarito: C 3 3
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elaborado pelo filósofo Michel Foucault. Nesta, há sempre uma vigilância


(panóptico) que olha para os indivíduos a fim de disciplinar os seus corpos. As
instituições através de sua arquitetura e regras estabelecem a disciplina (ver o
exemplo das prisões, fábricas, reformatórios, etc).
[A] não se trata de aspectos religiosos.
[B] não tem relação com a alienação e as relações de poder estão ramificadas
por toda a sociedade; não há uma dominação central.
[C] pode existir a relação de punição, mas elas não se perpetuam
exclusivamente pelo caráter repressivo ou por meio de tortura.

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[D] não é uma relação consensual, portanto, os mecanismos disciplinares são obesidade à fraqueza de caráter, porque a pessoa precisa emagrecer, travar
sutis. .
[E] adestram os corpos no espaço-tempo por meio de um olhar centralizado
Gabarito: D
como instrumento de controle.
Gabarito: D 12 ENEM 2011)

11ENEM 2012)

A) Combater ações violentas na guerra entre as nações.


A) a ampliação dos tratamentos médicos alternativos, reduzindo os gastos com
remédios. B) Coagir e servir para refrear a agressividade humana.
B) a democratização do padrão de beleza, tornando-o acessível pelo esforço C) Criar limites entre a guerra e a paz praticadas entre os indivíduos de uma
individual.
mesma nação.
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C) o controle do consumo, impulsionando uma crise econômica na indústria de


alimentos. D) Estabelecer princípios éticos que regulamentam as ações bélicas entre
D) a culpabilização individual, associando obesidade à fraqueza de caráter.
E) o aumento da longevidade, resultando no crescimento populacional. países inimigos.
E) Organizar as relações de poder na sociedade e entre os Estados.
Resolução: considero a dificuldade desta questão como média. As
Resolução: esta é uma questão que eu classifico como de dificuldade fácil,
características do texto de suporte mostram um discurso que pode ser de
porque as alternativas não apre
disciplinarização e controle dos corpos. Aponta para o controle da estética e a
Para Foucault, as leis surgem a partir das relações de poder na sociedade, as
respectiva disciplina para ajustar o corpo ao padrão que é imposto socialmente
quais organizam essas relações no interior da própria sociedade e entre os
(há uma cultura lipofóbica, isto é, rejeição a pessoas gordas). Dessa forma, gera
Estados.
uma culpabilização individual, associando no caso específico do texto, a

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Gabarito: E

14 (UNIOESTE)
13 VUNESPE 2011)
A filosofia da História o primeiro tema da filosofia de Augusto Comte foi
Em relação ao romantismo filosófico, é correto afirmar que
(A) apresentou forte influência da lógica argumentativa aristotélica. objetivo de mostrar por que o pensamento positivista deve imperar entre os
(B) forneceu os elementos básicos do materialismo dialético.
(C) teve em Kant um de seus mais importantes pensadores. que
(D) estabeleceu elementos de ruptura em relação ao mecanicismo.
(E) rejeitou as tendências estéticas de expressão de valorização das emoções e a) Augusto Comte demonstra com essa lei que todas as ciências e o espírito
sentimentos. humano desenvolvem-se na seguinte ordem em três fases distintas ao longo da
história: a positiva, a teológica e a metafísica.
Resolução: o romantismo tem como principal característica a crítica aos
iluministas por valorizarem demasiadamente a razão, deixando de lado os plano no estado teológico. O estado teológico, na sua visão, corresponde a uma
etapa posterior ao estado positivo.
sentimentos, a intuição e as emoções. Esse mecanicismo de ver o mundo como
c) o estado positivista apresenta-
se tudo fosse relações matemáticas (fria e racional) foi rejeitado pelo romantismo em que a observação prevalece sobre a imaginação e a argumentação, e na
do século XIX. Portanto, a alternativas correta é a [D]. busca de leis imutáveis nos fenômenos observáveis.

[A] a lógica argumentativa aristotélica é baseada na razão. d) para Comte, o estado metafísico não tem contato com o estado teológico, pois
somente o estado metafísico procura soluções absolutas e universais para os
[B] o materialismo dialético desenvolvido por Marx é fundamentado na razão. problemas do homem.
[C] Kant é um pensador iluminista. Era um dos principais pensadores criticado
Resolução: a Leis dos Três Estágios ou Estados se refere a três momentos na
pelos românticos.
evolução da sociedade para Comte: o primeiro seria o teleológico
[E] pelo contrário, defendeu a valorização das emoções e sentimentos.
(predominância das concepções religiosas); o segundo seria o metafísico, cujo
Gabarito: D
imperaria as discussões filosóficas baseadas nos argumentos; e o terceiro,
superior, é o positivo. Neste predomina a observação, o método científico para
encontrar leis que regem os fenômenos naturais e sociais.
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Gabarito: C

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Qual é a diferença entre o conceito de movimento histórico, em Hegel, e o


de processo histórico, em Marx?
15) Comte acreditava que os problemas sociais e as sociedades, em geral,
deveriam ser estudadas com o mesmo rigor científico das demais ciências
a) Para Hegel, através do trabalho, os homens vão construindo o movimento da
naturais. A partir dessa premis
produção da vida material e, assim, o movimento histórico. Para Marx, a
que seria dado à nova área de estudo que se dedicaria às sociedades. Qual era
consciência determina cada época histórica, desenvolvendo o processo
o objetivo principal da sociologia de Comte?
histórico.
a) Transformar o meio social fixo e imutável do século XIX, de forma a inserir b) Para Hegel, a História pode sofrer rupturas e ter retrocessos, por isso utiliza-
perspectivas relativistas acerca do pensamento humano. se do conceito de movimento da base econômica da sociedade. Marx acredita
que o modo de produção encaminhe para um objetivo final, que é a
b) Demonstrar que o mundo é um lugar violento e degenerado, em que a busca concretização da Razão.
pelo pensamento positivo é impossível. c) Para Hegel, a História tem uma circularidade que não permite a continuidade.
c) Entender os efeitos do estranhamento cultural entre diferentes indivíduos em Para Marx, a História é construída pelo progresso da consciência dos homens
sua convivência com suas diferenças culturais. que formam o processo histórico.
d) Para Hegel, a História é teleológica, a Razão caminha para o conceito de si
d) Entender as leis que regem nosso mundo social, ajudando-nos a compreender mesma, em si mesma. Marx não tem uma visão linear e progressiva da História,
os processos sociais e dando-nos controle direto sobre os rumos que nossas sendo que, para ele, ela é processo, depende da organização dos homens para
sociedades tomariam. a superação das contradições geradas na produção da vida material, para
transformar ou retroceder historicamente.

Resolução: o objetivo principal da sociologia para Comte é entender e elaborar Resolução: para Hegel, a construção da História é dada pelo movimento do
leis que regem o mundo social, dando controle ao homem dos rumos das espírito absoluto, pela razão, que culmina numa visão teleológica, isto é,
sociedades, prevalecendo o progresso e a ordem. evolucionista e constante. Para Marx, embora defenda o avançar dos modos de

Gabarito: D produção, a história não é totalmente linear e progressista, porque pode existir
rupturas e mudanças. A História é uma construção dos homens. Assim, a
alternativa que melhor exprime as ideias dos autores é a [D].
[A] há uma inversão do pensamento dos dois autores.
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[B] Para Hegel, não há rupturas ou retrocessos, tudo faz parte de um plano
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racional. Marx defende que através de mudanças dos modos de produção poder-
se-ia chegar ao modo de produção comunista, numa sociedade sem classes.
[C] Para Hegel, a História sempre é uma evolução, em movimento de espiral.
Para Marx, o motor da História é a luta de classes.
Gabarito: D

16 Ufu 2007 adaptado)

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17 Ufu 2005) Hegel, em seus cursos universitários de Filosofia da História, e Dionísio (desordem), para mostrar que estas duas dimensões fazem parte da
fez a seguinte afirmação sobre a relação entre a filosofia e a história:
realidade e não podem ser separadas.
único pensamento que a filosofia aporta é a contemplação da
Gabarito: D
HEGEL, G. W. F. Filosofia da História. 2 ed. Brasília: Editora da UnB, 1998, p.
17.
19 Ueg 2011)
De acordo com a reflexão de Hegel, é correto afirmar que
I. a razão governa o mundo e, portanto, a história universal é um processo No século XIX, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche vislumbrou o advento
racional. do - em reação ao que para ele era a crise cultural da época.
II. a ação dos homens obedece a vontade divina que preestabelece o curso da Na década de 1930, foi criado nos Estados Unidos o Super-Homem, um dos
história. mais conhecidos personagens das histórias em quadrinhos. A diferença
III. no processo histórico, o pensar está subordinado ao real existente. entre os dois -homens está no fato de Nietzsche defender que o
IV. a ideia ou a razão se originam da força material de produção e reprodução super-homem
da história.
a) agiria de modo coerente com os valores pacifistas, repudiando o uso da força
Assinale a alternativa que contém somente assertivas corretas. física e da violência na consecução de seus objetivos.
a) III e IV. b) expressaria os princípios morais do protestantismo, em contraposição ao
b) I e II. materialismo presente no herói dos quadrinhos.
c) II e III. c) abdicar-se-
d) I e III.
d) representaria os valores políticos e morais alemães, e não o individualismo
Resolução: as sentenças condizentes com o pensamento de Hegel são a I e III. pequeno burguês norte-americano.
A sentença II está equivocada porque a ação dos homens obedece a razão do
Resolução: o super-homem de Nietzsche, bem diferente daquele dos
espírito absoluto e não a vontade divina. A IV está errada porque esta faz parte
quadrinhos, seria aquele homem que rompe com os valores da civilização
do pensamento marxista.
ocidental, principalmente os de cunho religioso. Dessa forma, este super-homem
Gabarito: D
é inconformado, não aceita e questiona as regras morais vigentes, desprezando
as noções de valores considerados absolutos.
18 (Ufsj 2012) Nietzsche identificou os deuses gregos Apolo e Dionísio,
Gabarito: C
respectivamente, como 3 3
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0 1

a) complexidade e ingenuidade: extremos de um mesmo segmento moral, no


qual se inserem as paixões humanas.
b) movimento e niilismo: polos de tensão na existência humana.
c) alteridade e virtu: expressões dinâmicas de intervenção e subversão de toda
moral humana.
d) razão e desordem: dimensões complementares da realidade.

Resolução: em sua crítica à tradição filosófica de que os filósofos


socráticos valorizavam a razão e sua supremacia comparado a intuição dos pré-
socráticos, vai elaborar uma metáfora a partir dos deuses gregos Apolo (razão)
20 Ifsp 2011)

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a) A fenomenologia afirma que o conhecimento não passa de uma interpretação


Ao defender as principais teses do Existencialismo, Jean-Paul Sartre da realidade, isto é, de uma atribuição de sentidos determinada por uma escala
afirma que o ser humano está condenado a ser livre, a fazer escolhas e, ontológica de valores, constituindo-se, portanto, numa metafísica dos costumes.
portanto, a construir seu próprio destino. O pressuposto básico que b) Em nome da verdade subjetiva, a fenomenologia recusa o projeto da filosofia
sustenta essa argumentação de Sartre é o seguinte: moderna, recusando o pensamento analítico. Seu postulado básico afirma que
o real deixa de ser racional.
a) A suposição de que o homem possui uma natureza humana, o que significa c) A fenomenologia procede por decomposição, enumeração e categorização
que cada homem é um exemplo particular de um conceito universal. dos objetos, fragmentando-os. Seu postulado básico é estabelecer a dicotomia
b) A compreensão de que a vida humana é finita e de que o homem é, sobretudo, entre razão e experiência.
um ente que está no mundo para a morte. d) A fenomenologia pretende realizar a superação da dicotomia razão-
c) A ideia de que a existência precede a essência e, por isso, o ser humano não experiência no processo do conhecimento, afirmando que toda consciência é
está predeterminado a nada. intencional, ou seja, o objeto só existe para um sujeito que lhe dá significado.
D) A ideia de que toda pessoa tem um potencial a realizar, desde quando nasce, e) O postulado básico da fenomenologia é a metafísica fenomenológica, isto é,
mas é livre para transformar ou não essa possibilidade em realidade. voltada para o reconhecimento do ser em si dos fenômenos, portanto, vinculada
a uma noção de ser abstrata e a uma consciência transcendental.
Resolução: Sartre faz uma diferença entre ente em-si e ente para-si. O primeiro
Resolução: quando se fala em fenomenologia, há um ponto chave: a
é a plenitude. O segundo é o nada. Justamente o nada é que possibilita a
consciência é intencional, depende do interesse e do significado do sujeito.
consciência e a liberdade de escolha. O ser humano não tem uma essência, ao
Dessa forma, a única alternativa correta é a [D].
existir ele vai existindo, não está destinado a nada, por isso, quem faz o seu
Gabarito: D
projeto de vida é o próprio ser humano através de suas escolhas e é responsável
por isso.
22 UFFS
[A] Sartre não acredita que há uma natureza humana (essência) comum a todos.
[B] este é um pensamento de Heidegger. Para Sartre, o homem está condenado No Tractatus Logico-Philosophicus, Wittgenstein trata, dentre outros assuntos,
da relação entre o mundo e a linguagem.
a ser livre, essa é a sua condição humana.
[D] ele critica a concepção aristotélica de ato (essência) e potência (aquilo que o Assinale a alternativa que reflete essa relação.
homem pode vir a realizar).
a. Posso afirmar o que o mundo é.
b. O mundo é a totalidade das coisas, não dos fatos.
Gabarito: C c. Dizer algo do mundo é mostrar algo no mundo.
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d. Posso descrever o mundo dentro dos limites da minha linguagem, e esta por
sua vez é limitada pelo mundo.
e. Na linguagem, a significação de uma expressão qualquer sobre o mundo
deve repousar na verdade.

Resolução: os jogos de linguagem de Wittgenstein faz uma crítica a


análise lógica da linguagem. Esta deve ser entendida em seu uso social. A
linguagem é uma concepção da realidade, que tem suas limitações.
Gabarito: D
21 (Unicentro 2010) Qual o postulado básico da fenomenologia?

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23 Uel 2013) Leia o texto a seguir. [D] a audição concentrada leva ao aprendizado, mas de maneira crítica e
reflexiva, e não repetitiva.
O modo de comportamento perceptivo, através do qual se prepara o Gabarito: A
esquecer e o rápido recordar da música de massas, é a desconcentração.
Se os produtos normalizados e irremediavelmente semelhantes entre si, 24 Uel 2013) Leia o texto a seguir.
exceto certas particularidades surpreendentes, não permitem uma audição
concentrada, sem se tornarem insuportáveis para os ouvintes, estes, por
sua vez, já não são absolutamente capazes de uma audição concentrada. A utilização da Internet ampliou e fragmentou, simultaneamente, os nexos
Não conseguem manter a tensão de uma concentração atenta, e por isso de comunicação. Isto impacta no modo como o diálogo é construído entre
se entregam resignadamente àquilo que acontece e flui acima deles, e com os indivíduos numa sociedade democrática.
o qual fazem amizade somente porque já o ouvem sem atenção excessiva.
(Adaptado de: HABERMAS, J. O caos da esfera pública. Folha de São Paulo, 13
(ADORNO, T. W. O fetichismo na música e a regressão da audição. In: Adorno ago. 2006, Caderno Mais!, p.4-5.)
et all. Textos escolhidos. São Paulo: Abril Cultural, 1978, p.190. Coleção Os
Pensadores.)
A partir dos conhecimentos sobre a ação comunicativa em Habermas,
As redes sociais têm divulgado músicas de fácil memorização e com forte considere as afirmativas a seguir.
apelo à cultura de massa.
A respeito do tema da regressão da audição na Indústria Cultural e da I. A manipulação das opiniões impede o consenso ao usar os
relação entre arte e sociedade em Adorno, assinale a alternativa correta. interlocutores como meios e desconsiderar o ser humano como fim em si
mesmo.
a) A impossibilidade de uma audição concentrada e de uma concentração atenta II. A validade do que é decidido consensualmente assenta-se na
relaciona-se ao fato de que a música tornou-se um produto de consumo, negociação em que os interlocutores se instrumentalizam reciprocamente em
encobrindo seu poder crítico. prol de interesses particulares.
b) A música representa um domínio particular, quase autônomo, das produções III. Como regra do discurso que busca o entendimento, devem-se excluir
sociais, pois se baseia no livre jogo da imaginação, o que impossibilita os interlocutores que, de algum modo, são afetados pela norma em questão.
estabelecer um vínculo entre arte e sociedade. IV. O projeto emancipatório dos indivíduos é construído a partir do diálogo
c) A música de massa caracteriza-se pela capacidade de manifestar criticamente e da argumentação que prima pelo entendimento mútuo.
conteúdos racionais expressos no modo típico do comportamento perceptivo
inato às massas. Assinale a alternativa correta.
D) Audição concentrada significa a capacidade de apreender e de repetir os a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
elementos que constituem a música, sendo a facilidade da repetição o que
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b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.


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concede poder crítico à música. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.


d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
Resolução: como já sabemos Adorno defende que a Indústria Cultural e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
transforma tudo em consumo, encobrindo o poder crítico. Isso também
Resolução: as sentenças I e IV estão de acordo com o pensamento de
aconteceu com a música, que a partir da lógica capitalista impossibilita uma
Habermas. A sentença II está equivocada porque a produção do consenso não
audição concentrada e atenta, para o despertar de uma reflexão [A].
é baseada em interesses particulares. A sentença IV está errada porque o
[B] para ele, a música teria um vínculo entre arte e sociedade, mas que foi
projeto emancipatório é feito sim de diálogo e argumentação, mas não pelo
perdido pelos efeitos da Indústria Cultural.
entendimento mútuo, e sim pelo consenso sobre uma determinada questão (que
[C] a música de massa tem a capacidade de absorver as consciências individuais
pode não ter o entendimento mútuo).
e de produzir indivíduos alienados.

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Gabarito: B recíproca, a linha de demarcação que as separa é variável. A produção


musical avançada se independentizou do consumo. O resto da música
séria é submetido à lei do consumo, pelo preço de seu conteúdo. Ouve-se
25) O movimento filosófico nomeado como teoria crítica ou Escola de Frankfurt tal música séria como se consome uma mercadoria adquirida no
caracterizou-se, em linhas gerais, por mercado. Carecem totalmente de significado real as distinções entre a
(A) empreender uma articulação entre teoria e prática que permitisse subsidiar audição da música oficial e da música ligeira.
os partidos comunistas europeus em sua luta contra o capitalismo.
(B) realizar pesquisas de sondagem da opinião pública para o fornecimento de (ADORNO, T. W. O fetichismo na música e a regressão da audição. In: BENJAMIN, W. et all.
produtos adequados às necessidades dos consumidores. Textos escolhidos. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1987. p. 84.)
(C) produzir um método terapêutico alternativo à psicanálise freudiana, então
considerada anacrônica. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de Adorno,
(D) produzir uma filosofia com fortes conteúdos nacionalistas que é correto afirmar:
possibilitassem o resgate das tradições alemãs. a) A música séria e a música ligeira são essencialmente críticas à sociedade de
(E) articular temas comuns à psicanálise e ao marxismo e a diversos filósofos consumo e à indústria cultural.
ocidentais, dentre os quais podemos destacar Kant, Hegel e Nietszche. b) Ao se tornarem autônomas e independentes do consumo, a música séria e a
música ligeira passam a realçar o seu valor de uso em detrimento do valor de
Resolução: a escola de Frankfurt estabeleceu um diálogo crítico com as teorias troca.
c) A indústria cultural acabou preparando a sua própria autorreflexividade ao
marxista e freudiana, mas também com pensadores como Kant, Hegel, transformar a música ligeira e a séria em mercadorias.
Nietzsche e Weber. d) Tanto a música séria quanto a ligeira foram transformadas em mercadoria
com o avanço da produção industrial.
[A] nada a ver, até mesmo porque não acreditava que o proletariado fosse capaz e) As esferas da música séria e da ligeira são separadas e nada possuem em
de ser um agente revolucionário, já que foram assimilados pelas conquistas comum.

trabalhistas e pela Indústria Cultural. Resolução: aqui aparece mais uma vez a crítica de Adorno a música
[B] eram críticos ferrenhos à lógica capitalista, da sociedade de massa, do ligeira, que não leva a concentração. Para ele, a música séria também foi
consumo. transformada em mercadoria, porque se escuta sem atenção, sem o uso crítico.
[C] não tinha pretensão terapêutica, mas sim entender a sociedade do século
XX. Gabarito: D

[D] também não corresponde ao pensamento da Escola de Frankfurt, porque não


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defendiam o nacionalismo.

Gabarito: E

26 Uel 2010) Leia o texto de Adorno a seguir.

Se as duas esferas da música se movem na unidade da sua contradição

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Jürgen Habermas (1929) pertenceu inicialmente à escola de Frankfurt,


27 Uel 2008) Sobre a segundo Adorno e Horkheimer, também conhecida como Teoria Crítica, antes de fazer seu próprio caminho
é correto afirmar: de investigação filosófica.

a) Desenvolve o senso crítico e a autonomia de seus consumidores. Sobre o pensamento de Jürgen Habermas, assinale o que for correto.
b) Reproduz bens culturais que brotam espontaneamente das massas.
c) O valor de troca é substituído pelo valor de uso na recepção da arte. a) Ao afastar-se da Escola de Frankfurt, Jürgen Habermas abandona, ao mesmo
d) Padroniza e nivela a subjetividade e o gosto de seus consumidores. tempo, a teoria crítica da sociedade e a crítica da razão instrumental.
e) Promove a imaginação e a espontaneidade de seus consumidores b) Ao contrário de Max Horkheimer, Theodor W. Adorno e Walter Benjamin,
Jürgen Habermas continua fiel ao materialismo histórico, ou seja, à ortodoxia
Resolução: a Indústria Cultural significa que se passou a produzir arte marxista.
com a finalidade do lucro. Para se obter lucro com o cinema, por exemplo, é c) A relação posta pela Filosofia positivista entre o objeto da investigação
científica e o sujeito que investiga é, para Jürgen Habermas, o caminho a ser
preciso fazer um filme que agrade o maior número de pessoas. Dessa forma, adotado por uma racionalidade que deseja a emancipação humana.
criam-se alguns padrões de narrativa, como o vilão e o mocinho, as histórias de d) A racionalidade comunicativa, contida na Teoria da ação comunicativa de
Jürgen Habermas, elabora-se na interação intersubjetiva, mediatizada pela
amor, os finais felizes. Toda a produção artística fica padronizada e não há linguagem de sujeitos que desejam alcançar, por meio do entendimento, um
espaço para o novo, para a subjetividade, para a crítica. Todas as formas de consenso autêntico.

cultura como a televisão, o rádio, a música, foram absorvidas por essa Resolução: esta é uma questão que tenho certeza que você acertaria só de ler
concepção capitalista, de produzir para a massa, sem se preocupar com o de relance, já que a alternativa [D] é bem completa no que pensa Habermas.
conteúdo, mas sim com o lucro. [A] embora tenha se afastado da Escola de Frankfurt continuou com a teoria
crítica da sociedade e da razão instrumental (lógica capitalista).
Gabarito: D
[B] todos estes autores eram críticos da teoria marxista.
[C] o caminho da emancipação humana é a participação do indivíduo nas esferas
públicas, produzindo debates e chegando a consensos autênticos.

Gabarito: D
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28 Uem 2011) 29 Uel 2011) Leia o texto a seguir.

Habermas distingue entre racionalidade instrumental e racionalidade


comunicativa. A racionalidade comunicativa ocorre quando os seres

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humanos recorrem à linguagem com o intuito de alcançar o entendimento do século XVIII. Nessa nova organização, o poder não se concentra apenas
não coagido sobre algo, por exemplo, decidir sobre a maneira correta de no setor político e nas suas formas de repressão, pois está disseminado
agir (ação moral). A racionalidade instrumental, por sua vez, ocorre quando pelos vários âmbitos da vida social [...] [e] o poder fragmentou-se em
os seres humanos utilizam as coisas do mundo, ou até mesmo outras micropoderes e tornou-se muito mais eficaz. Assim, em vez de se deter
pessoas, como meio para se alcançar um fim (raciocínio meio e fim). apenas no macropoder concentrado no Estado, [os] micropoderes se
espalham pelas mais diversas instituições da vida social. Isto é, os poderes
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria da ação exercidos por uma rede imensa de pessoas, por exemplo: os pais, os
comunicativa de Habermas, é correto afirmar: porteiros, os enfermeiros, os professores, as secretarias, os guardas, os
fiscais
a) Contar uma mentira para outra pessoa buscando obter algo que desejamos e
que sabemos que não receberíamos se disséssemos a verdade é um exemplo Fonte: COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: história e grandes temas. São Paulo:
de racionalidade comunicativa. Saraiva, 2006. (adaptado)
b) Realizar um debate entre os alunos de turma da faculdade buscando decidir
democraticamente a melhor maneira de arrecadar fundos para o baile de Pelo exposto por Gilberto Cotrim sobre as ideias de Foucault, a principal
formatura é um exemplo de racionalidade instrumental. função dos micropoderes no corpo social é interiorizar e fazer cumprir
c) Um adolescente que diz para seu pai que vai dormir na casa de um amigo,
mas, na verdade, vai para uma festa com amigos, é um exemplo de a) o ideal de igualdade entre os homens.
racionalidade comunicativa. b) o total direito político de acordo com as etnias.
d) Alguém que decide economizar dinheiro durante vários anos a fim de fazer c) as normas estabelecidas pela disciplina social.
uma viagem para os Estados Unidos da América é um exemplo de racionalidade d) a repressão exercida pelos menos instruídos.
instrumental. e) o ideal de liberdade individual.
e) Um grupo de amigos que se reúne para decidir democraticamente o que irão
fazer com o dinheiro que ganharam em um bolão da Mega Sena é um exemplo Resolução: esta é bem tranquila. Falou de Michel Foucault estamos
de racionalidade instrumental. mencionando as normas estabelecidas pela disciplina social.

Resolução: [A] racionalidade instrumental. [B] racionalidade comunicativa. [C]


Gabarito: C
racionalidade instrumental. [D] correta porque é uma racionalidade instrumental.
[E] equivocada, porque revela uma racionalidade comunicativa.

Gabarito: D
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31 Pucpr 2010)
30 Uema 2015)
Na sua obra Vigiar e punir, o filósofo francês Michel Foucault analisa as novas
Gilberto Cotrim (2006. p. 212), ao tratar da pós-modernidade, comenta as faces de exercício do poder disciplinar e afirma:
ideias de Michel Foucault, nas quais as sociedades modernas
apresentam uma nova organização do poder que se desenvolveu a partir

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processos disciplinares existiam há muito tempo: nos conventos, com esse objetivo específico. A IV também está errada porque não se visa
nos exércitos, nas oficinas também. Mas as disciplinas se tornaram no
somente a exploração econômica, mas também dos corpos, dos sentimentos.
decorrer dos séculos XVII e XVIII fórmulas gerais de dominação. (...) O
momento histórico das disciplinas e o momento em que nasce uma arte do
corpo humano, que visa não unicamente ao aumento de suas habilidades, Gabarito: B
nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação
que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil, 32 Pucpr 2009)
e inversamente. Forma-se então uma política das coerções que são um
trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de sucesso do poder disciplinar se deve sem dúvida ao uso de
seus gestos, de seus comportamentos. O corpo humano entra numa instrumentos simples: o olhar hierárquico, a sanção normalizadora e sua
maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe. Uma combinação num procedimento que lhe é específico, o exame
"anatomia política", que é também igualmente uma "mecânica do poder", Fonte: Foucault, Vigiar e punir, p. 143.
está nascendo; ela define como se pode ter domínio sobre o corpo dos
outros, não simplesmente para que façam o que se quer, mas para que I. Vigiar, muito mais que aplicar um olhar constante sobre o indivíduo, significa
operem como se quer, com as técnicas, segundo a rapidez e a eficácia que dispô-lo numa estrutura arquitetural e impessoal, na qual ele se sinta vigiado.
se determina. A disciplina fabrica assim corpos submissos e exercitados, II. Punir é o único objetivo da disciplina.
corpos "dóceis". III. Punir primeiramente tem a finalidade de uma ortopedia moral, de normalização,
(Vigiar e Punir, p. 118). não somente de um comportamento, mas do conjunto da existência humana,
seja obstaculizando a virtualidade de um comportamento perigoso mediante o
Segundo essa passagem, seria correto afirmar que: uso de pequenas correções, seja incentivando condutas desejáveis a partir de
I. O texto mostra como, a partir dos séculos XVII e XVIII o corpo foi descoberto recompensas e vantagens.
como objeto e alvo de um novo poder e de novas formas de controle, pelas quais IV. O exame atua numa ampla rede de instituições psiquiátricas, pedagógicas e
são superadas antigas formas de domínio e instaurado um novo modelo com o médicas, classificando as condutas em termos de normalidade e anormalidade.
fim de tornar os corpos mais dóceis. V. Para Foucault, as ciências que tomaram o homem como objeto de saber, a partir
II. O fim dessas práticas é tornar o corpo obediente e disciplinado através de um do final do século XVIII, não têm nada a ver com a vigilância, a normalização e
rigoroso exercício de controle sobre gestos e comportamentos. É assim que o o exame disciplinares.
corpo vira um novo objeto de poder. Assinale a(s) alternativa(s) correta(s):
III. Segundo o autor, essa é a primeira vez na história que o corpo se tornara objeto a) II e V
de poder, já que essas práticas eram comuns tanto nos regimes escravocratas b) II e IV
quanto nos monásticos. c) I e II
IV. Esses novos mecanismos de controle têm, segundo o autor, uma única d) III, IV e V
motivação: o domínio do corpo para exploração econômica. e) I, III e IV
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a) Apenas as assertivas I e III são verdadeiras. Resolução: as afirmativas I, III e IV estão condizentes com o pensamento de
b) Apenas as assertivas I e II são verdadeiras.
Foucault. Já a II não, porque não se trata de somente punir. Já a V, pelo
c) Apenas a assertiva IV é verdadeira.
d) Todas as assertivas são verdadeiras. contrário, é justamente o saber uma das formas mais contundentes de disciplinar
e) Apenas a assertiva I é verdadeira.
as pessoas, porque estão constantemente vigiando e estabelecendo padrões.
Resolução: as assertivas I e II estão corretas com o pensamento de Foucault Gabarito: E
expresso no texto de suporte. A sentença III está equivocada porque como ele
mesmo diz, o corpo sempre foi alvo de disciplinarização em outros períodos da
História, no entanto, é no século XVIII que há uma proliferação de instituições

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