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Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco

Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais


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LIÇÃO 6 – NEEMIAS RECONSTRÓI OS MUROS DE JERUSALÉM
3º TRIMESTRE DE 2020 (Ne 1.1-4; 2.1-9)
INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos os antecedentes históricos de Neemias; veremos como se deu e a reconstrução dos muros de
Jerusalém com Neemias como líder; e por fim, pontuaremos quais as lições espirituais que podemos aprender com a
reconstrução dos muros.
I – ANTECEDENTES HISTÓRICOS DE NEEMIAS
Assim como o exílio para a Babilônia se deu em três incursões do exército inimigo (2Rs 24.8-20; 25.1-15; 2Cr 36.5-23;
Dn 1.1-3), o retorno de volta para casa (este evento é chamado por alguns historiadores de “o segundo êxodo”) aconteceu em
três etapas também. A primeira foi capitaneada por Zorobabel (Ed 2.2-70; 3.1-13), para a reconstrução do templo. A segunda
ocorreu sob a liderança de Esdras (Ed 7.1-28). Por fim, Neemias (Ne 2.1-20) liderou o terceiro grupo que retornava para edificar
os muros da cidade.
1.1 Quem foi Neemias. O significado hebraico do nome Neemias significa: “confortado por Deus”. Era filho de Hacalias, e
provavelmente pertencia à Tribo de Judá; seus ancestrais residiam em Jerusalém antes de seu serviço na Pérsia (Ne 2.3). A
referência mais antiga sobre o nome Neemias identifica um homem que retornou da Babilônia com Zorobabel (Ed 2.2). A Bíblia
registra outro personagem que era conhecido por esse mesmo nome filho de Azbuque (Ne 3.16), o qual exerceu um cargo de
confiança em Jerusalém. Por fim, a Bíblia fala de Neemias, filho de Hacalias e irmão de Hanani (Ne 1.1-2) (LOPES, 2018, p.
20). Neemias era um homem de grande confiança (Ne 1.11), e trabalhava sempre com alegria (Ne 2.1); tinha a afeição e
confiança do rei (Ne 2.4,8). Provavelmente nasceu no período do exílio, conhecia Jerusalém só de ouvir falar. Nasceu e cresceu
em um contexto pagão de religião politeísta e mesmo assim, tinha seu coração voltado para Jerusalém (Ne 1.4).
1.2 Contexto histórico de Neemias. Em 606 a.C. Nabucodonosor rei de Babilônia levou cativo os judeus para a Babilônia em
três incursões. O cativeiro durou 70 anos (de 606 a 536 a.C.). Mas, em 536 a.C, a Pérsia subjugou Babilônia, e Ciro, o primeiro
governante persa, proclamou a restauração de Jerusalém e o retorno dos judeus, que voltaram à Jerusalém em três etapas: Na
primeira (538 a.C) cinquenta mil exilados retornaram, liderados por Zorobabel e Josué (Ed.2.64-65). Na segunda etapa (457
a.C.) mais 1700 homens (além de mulheres e crianças) foram levados de volta por Esdras (Ed. 8.1-14; 18-21). Na terceira etapa
(444 a.C) Neemias liderou outro grupo de exilados (Ne 2.1-10) para ser o governador de Judá. Isto aconteceu treze anos depois
que Esdras havia chegado com o segundo grupo de judeus que saíra do exílio (STAMPS, 2018, p. 589).
1.3 Contexto social de Neemias. Por volta de 444 a.C. Neemias tomou conhecimento por intermédio de Hanani, seu irmão, e
outros judeus que vieram de Judá, acerca da situação que se encontrava os judeus repatriados, bem como a cidade de Jerusalém:
“Os restantes, que ficaram do cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo; e o muro de Jerusalém fendido e
as suas portas queimadas a fogo” (Ne 1.3). Apesar de estar em uma situação bastante confortável, pois, como copeiro do rei ele
dispunha de segurança, boa alimentação e conforto no palácio do rei, mesmo assim, Neemias se dispõe a ir à Jerusalém para
reedificar os muros da cidade (Ne 2.1-5).
II – NEEMIAS E A RECONSTRUÇÃO DOS MUROS DE JERUSALÉM
Mesmo que na Bíblia não tenha nenhuma referência explícita a um chamado de Deus para Neemias para realizar a
grande tarefa de reconstrução dos muros de Jerusalém, podemos ver o Senhor o capacitando-o para esta grande missão. Sua
missão não se restringiu apenas a restaurar os muros de Jerusalém, mas também, promover um grande avivamento na nação em
um tempo de crise que foi antecedido por oração, arrependimento de pecados e a renovação das promessas de Deus.
2.1 Neemias entendeu a importância dos muros para uma cidade. Nesse contexto, muros e portas, têm a conotação de
segurança e proteção. Era um consenso entre os povos antigos que uma cidade sem muros era vulnerável, desprotegida e fadada
a uma iminente desgraça (Is 60.18). Os muros de uma cidade era algo vital naquela época; eles além de demarcar os limites das
cidades, serviam de proteção (2Cr 8.5; 14.7). Uma cidade sem muros era uma cidade desprotegida, vulnerável a ataques:
“tomamos todas as suas cidades […] além de outras muitas cidades sem muros (Dt 3.5). Nas guerras antigas a primeira
barreira a ser vencida eram os murros (2Cr 26.6). Quando as muralharas de Jericó foram derrubadas a cidade foi vencida.
Neemias estava ciente dessa situação que sua cidade amada estava sem esse tipo de proteção, por isso ele lamentou
profundamente. (Ne 1.4). Vejamos quais foram as atitudes de Neemias diante das ruínas dos muros:
2.2 Neemias orou a Deus. A oração de Neemias foi uma adoração sincera na qual Ele lembra a benignidade de Deus:“Ah!
SENHOR, Deus dos céus, Deus grande e terrível, que guardas o concerto e a benignidade para com aqueles que te amam e
guardam os teus mandamentos” (Ne 1.5). No AT a palavra hebraica usada é “hesed” que segundo Vine (2002, p. 183)
significa: “benignidade, amor firme, graça, misericórdia, fidelidade, bondade, devoção”. A natureza de Deus é benigna (Sl
18.25; 145.8; Lc 6.35; Ef 4.32; 1Pd 2.3). Quando Neemias busca a benignidade de Deus, Ele tem mente que o Senhor não
deixará de ser favorável ao seu povo (Êx 20.6; 34.7; Nm 14.18; Dt 5.10; Sl 86.15; 103.8; 145.8; Dn 9.4).
2.3 Neemias fez confissão dos pecados do povo. Em oração confessou seus pecados, bem como os da nação: “[…] e faço con-
fissão pelos pecados dos filhos de Israel, que pecamos contra ti; também eu e a casa de meu pai pecamo s (Ne 1.6). A confis-
são de pecados acompanhada de arrependimento sincero é um ato de reconhecimento que existe um Deus capaz de perdoar o
mais vil pecador (Sl 103.10-23; 130. 3-4; Is 1.18; 43;25; 55.7; Mq 7.18-19). A palavra de Deus nos assegura em provérbio 28:13:
“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”. Podemos
ver ainda outras passagens bíblicas (Sl 32:3; Sl 32:5; 1Jo 1:9-10). Quando Neemias tomou essa atitude de confessar os pecados
sabia que esse era o primeiro passo para a restauração dos muros.
2.4 Neemias lembrou das promessas de Deus. Em oração, súplica e jejum, Neemias lembra de uma promessa feita por Deus a
Moisés: “Mesmo que tenham sido levados para a terra mais distante debaixo do céu, de lá o Senhor, o seu Deus, os reunirá e
os trará de volta” (Dt.30.4 - NVI). Observemos que a promessa era condicionada a obediência do povo: “[…] mas, se voltarem
para mim, e obedecerem aos meus mandamentos e os puserem em prática (Ne 1.9 - NVI). Neemias tinha a certeza de que atra-
vés do arrependimento do povo, Deus cumpriria a promessa como havia dito a Moisés. O apóstolo Paulo falando sobre a fideli -
dade de Deus: “se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2Tm 2. 13). Temos a convicção que o
Senhor é fiel e verdadeiro (Dt 32.4; Sl 89.8; 1Ts 5.23,24; Hb 10.23) por isso podemos confiar nele. Ele é absolutamente digno de
confiança, pois suas promessas são infalíveis (Êx 34.6; Nm 23.19; Dt 4.31; Js 21.43-45; Ez 12.25; Dn 9.4).
III – A RECONSTRUÇÃO DOS MUROS E SUAS LIÇÕES ESPIRITUAIS
Neemias pediu ao rei Artaxerxes cartas para os governadores que estavam além do rio para que eles lhe permitissem
passar, bem como madeira para utilizar na reconstrução (Ne 1.7,8) e seguiu sua viagem com destino a Jerusalém. Ao chegar em
Jerusalém Neemias não informou a ninguém o motivo de sua ida, e saiu à noite para inspecionar como estavam os muros e as
portas de Jerusalém (Ne 2.2.11-16). Notemos quais atitudes que Neemias tomou:
3.1 O povo foi convocado a reconstruir os muros. Depois de ver a condição dos muros de Jerusalém, Neemias convocou o
povo para a reconstrução: “Bem vedes vós a miséria em que estamos, que Jerusalém está assolada e que as suas portas têm
sido queimadas; vinde, pois, e reedifiquemos o muro de Jerusalém e não estejamos mais em opróbrio” (Ne 2.17,18). Pessoas
de todo tipo participaram da reconstrução: sacerdotes (v.1), ourives e perfumistas (v.8), líderes e mulheres (v.12), levitas (v.17) e
comerciantes (v.32) (RYRIE, 2006, p. 463). Da mesma forma que pessoas de vários habilidades e funções diferentes trabalharam
na reconstrução dos muros, na obra de Deus existe trabalho para todos. O Senhor tem dotados pessoas dos mais diversos talentos
para atuarem na obra de Deus (Rm 12.5-8; Ef. 4.11,12).
3.2 Os trabalhadores receberam tarefas específicas. Neemias enfrentou muita resistência no trabalho de reconstrução dos mu-
ros de Jerusalém. A oposição se deu por parte das nações vizinhas (Ne 4.1-6), de dentro da própria comunidade judaica (Ne 5.1-
13) e novamente dos povos que viviam ao redor (Ne 6.1-3). O trabalho foi repartido, para que todos soubessem o que cada um
faria, e dedicaram-se com o desejo de alcançar a excelência, mas sem contender nem dividir os seus interesses (Ne 3.1-32). Ne-
nhuma discórdia surge entre eles; somente o desejo de fazer o máximo pelo bem público. Cada israelita deu a sua cooperação
para reedificar. Começando pelo extremo nordeste da cidade, em sentido contrário dos ponteiros do relógio, Neemias relaciona
neste capítulo dez diferentes portões e suas seções anexas de muro, junto com os homens que os reconstruíram. Assim como no
livro de Neemias, a obra de Deus exige união; pois somos um corpo (1Co 12.21-23; Ef 4.15-16), voluntariedade (Cl 3.23-24),
amor (1Co 16.14), firmeza de propósito (1Co 15.58) e ações de graça (Cl 3.17).
3.3 O povo foi convocado a trabalhar mesmo em meio à oposição. A Bíblia diz em Neemias 4.6 que o coração do povo se
inclinava a trabalhar: “O povo estava totalmente dedicado ao trabalho” (NVI). “Os homens trabalhavam duramente” (VIVA).
Em um cenário de extrema oposição, a obra não pode parar. Neemias 4.1,3 expõe os sentimentos de Sambalate e Tobias, eles
“ardiam em ira”. Esse sentimento diabólico desencadeou algumas atitudes ofensivas: (a) Os que faziam a obra foram
ridicularizados (Ne 4.1); (b) Os que faziam a obra foram depreciados, menosprezados (Ne 4.2); e, (c) Os que faziam a obra
ouviram palavras de zombaria e desencorajamento (Ed 4.3).
3.4 Os muros foram reparados próximos as casas. Existiam muitas casas ao longo do muro, logo se o muro estava em ruínas
essas casas estavam em perigo, pois estavam sem proteção. Quando a reconstrução começou Jedaías, Benjamim e Hassube e os
Sacerdotes (Ne 3.10,23,28-30) repararam os muros na frente de suas casas. Estes cuidados com os muros em frente as casas nos
remetem a proteção que devemos ter com nossa família. Não podemos evitar que nossa família sofra investidas do diabo, mas
podemos proteger a nossa família das suas astutas ciladas (Ef 6.10,11). Protegemos nossa família: (a) santificando o lar (Lv
20.26; 2 Co 7.1; 1 Ts 4.7); (b) praticando o culto doméstico (Dt 6.7-9); (c) mantendo uma vida de oração e jejum (Rm 12.12; Cl
4.2; 1 Ts 5.17); (d) ensinando a Palavra no lar (Pv 22.6; At 5.42); (f) frequentando os cultos no templo (2Cr 7.15,16; Sl 122.1).
3.5 Os muros são símbolos da salvação. A maior proteção que o Senhor concede aos homens é salvação em Cristo, o texto
bíblico declara: “[…] a quem Deus pôs a salvação por muros [...]” (Is 26.1). A salvação oferecida por Cristo protege o homem
do juízo eterno e da ira futura. Essa salvação é ofertada mediante a graça de Deus (Rm 3.24,25; 5.8,10, Hb 7.25), e mediante a fé
em Cristo (Rm 3.22, 24, 25, 28). Isto é, ela resulta da graça de Deus (Jo 1.16), mas, há também a resposta humana, no sentido do
aceitar a Cristo enquanto Salvador (At 16.31; Rm 1.17; Ef 1.15; 2.8).
CONCLUSÃO
Aprendemos na lição de hoje que Neemias prontificou-se a reconstruir os muros da sua cidade, mas antes orou a Deus,
jejuou adorou e confessou os seus pecados e os da nação de Israel, após essas atitudes não somente os muros físicos foram
levantados novamente, mas houve também uma renovação espiritual.
REFERÊNCIAS:
 BÍBLIA DE ESTUDO NVI. Editora Vida
 RYRIE, Charles. Bíblia de estudo anotada expandida. Mundo Cristão.
 DAVIDSON, Francis. Novo comentário da Bíblia. VIDA NOVA
 STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
 LOPES, Hernandes Dias. Comentários Expositivos de Neemias. Hagnos.