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Título Original

- A Brief History of Christian Baptism: From John the Baptist to John Smyth
Copyright © by Robert C. Jones

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CITAÇÃO SÓ COM A INDICAÇÃO DA FONTE.

Tradução Revisão

Alfredo F. Gravata Joaquim E. Matlhombe


Estêvão Machaieie

Capa

O Mistério Da Vida Cristã

“ Citações extraídas da Nova Versão Internacional (NVI) da Bíblia Sagrada.”

O Mistério Da Vida Cristã

(Maputo – Moçambique)

O Mistério Da Vida Cristã

O Mistério Da Vida Cristã

omisteriodavidacrista@gmail.com

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ÍNDICE
INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 4
LINHA DO TEMPO .................................................................................................................. 5
BAPTISMO NO VELHO TESTAMENTO .............................................................................. 7
BAPTISMO NO NOVO TESTAMENTO ................................................................................ 8
O Baptismo De João............................................................................................................... 8
O BAPTISMO DE CRISTO ................................................................................................ 10
O Baptismo Praticado Pelos Primeiros Cristãos .................................................................. 11
BAPTISMO NA IGREJA PRÉ-NICEIA................................................................................. 13
Significado do Baptismo ...................................................................................................... 13
A Forma Do Baptismo ......................................................................................................... 14
A Liturgia Do Baptismo ....................................................................................................... 16
O BAPTISMO DE CONSTANTINO...................................................................................... 16
SANTO AGOSTINHO E O CISMA DONATISTA ............................................................... 19
Novaciano............................................................................................................................. 19
Os Donatistas........................................................................................................................ 21
Um Baptismo .................................................................................................................... 22
A Visão De Cipriano Do Baptismo No Terceiro Século .................................................. 22
SANTO AGOSTINHO E O CISMA PELAGIANO ............................................................... 23
Pecado Original / Necessidade Para O Batismo De Bebés .................................................. 24
Necessidade Do Baptismo Para A Salvação ........................................................................ 24
O Destino Das Crianças Que Morrem Antes De Serem Batizadas ...................................... 24
A REFORMA PROTESTANTE ............................................................................................. 25
A VISÃO DE LUTERO SOBRE O BAPTISMO ................................................................ 25
JOÃO CALVINO E A IGREJA........................................................................................... 26
CONFISSÃO DE WESTMINSTER .................................................................................... 28
OS ANABAPTISTAS .......................................................................................................... 29
OS BAPTISTAS .................................................................................................................. 31
O GRANDE DEBATE - BAPTISMO INFANTIL VS. BAPTISMO DOS CRENTES ......... 32
O Baptismo Infantil Não É Mencionado Na Bíblia, Que é a Única Autoridade Para Os
Cristãos ................................................................................................................................. 32
TRADIÇÃO DA IGREJA.................................................................................................... 33
FONTES .................................................................................................................................. 37

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INTRODUÇÃO

“BAPTISMO é um sinal de iniciação pelo qual nós somos admitidos na irmandade da Igreja,
insere-nos a Cristo tornando-nos filhos de Deus. Portanto, o fim pelo qual Deus deu isto (isto eu
mostrei para que seja comum em todos mistérios) é, primeiro, para encorajar a nossa fé Nele; e,
segundo, serve como forma de mostrar a nossa fé entre os homens” (Instituas de João Calvino
Pag 1451 )

“BAPTISMO é a manifestação do amor proveniente do Pai, uma transferência no Ministério do


Filho Pascal, uma comunicação de uma nova vida no Espírito; trás pessoas a herança de Deus
e os une ao corpo de Cristo, a Igreja” (” Instrução no Baptismo infantil” pela Congregação
Sagrada de Doutrina de Fé; Aprovada pelo seu Santíssimo Papa João Paulo II, Outubro 20,
1980)

O Termo “BAPTISMO” vem da palavra Grega βαπτίζω, que significa “


imergir, mergulhar, submergir”. Poucos cristãos irão debater a
importância do baptismo – mesmo assim poucos tópicos causaram tanta
controvérsia na História Universal da Igreja como este. Debates como
os mencionados abaixo continuam até aos nossos dias:

• O baptismo é necessário para a salvação?


• O baptismo infantil é suportado pelas Escrituras, ou devem somente “crentes” serem
baptizados?
• Se uma das razões do baptismo é a remissão dos pecados, o que dizer dos pecados
cometidos depois do Baptismo?
• Como deve ser praticada a cerimonia do baptismo - deve o catecúmeno ser imergido ou
somente asperso?
• O que acontece quando alguém é baptizado por um presbítero ou ministro que depois é
excomungado ou se separa da sua Igreja? Os baptismos por ele feito permanecem
“genuínos”?
• Devem as pessoas que vem de outras denominações serem rebaptizadas?

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Como os diferentes grupos cristãos respondem a essas e outras questões pode levar a
situações como cismas (os Donatistas e os Pelagianos contra a Igreja católica) e a
perseguições (os Anabaptistas nos primeiros dias da reforma protestante).

Este livreto irá atentar-se em trazer uma breve história do Baptismo Cristão, usando o
panorama Histórico para introduzir alguns dos argumentos a favor e contra algumas visões
práticas e crenças do baptismo. Irá incluir tópicos que tratam sobre o baptismo na Bíblia,
baptismo nos primórdios da Igreja primitiva, a controvérsia entre os donatistas/pelagianos
entre os séculos 4-5 (e o grande impacto do St Agostinho de hipona no posição da Igreja
católica quanto ao Baptismo), e a batalha protestante concernente ao Baptismo infantil que
veio milhares de anos depois.

Eu sou um Ancião Presbiteriano, minha visão tende a ser orientada pela posição Calvinista.
Porém, irei manter-me neutro nos tópicos discutidos aqui.

LINHA DO TEMPO

DATA EVENTO
182/88 AD Ireneu em “contra os Hereges” pode ter sido o primeiro a mencionar o
Baptismo infantil
215 Hipólito na “Tradição Apostólica” estabelece “o primeiro baptismo infantil”
250 Alguns cristãos cometeram apostasia devido a perseguição de Décio
251 Novaciano, Presbítero de Roma, separou-se da Igreja católica depois que os
líderes apóstatas foram readmitidos a Igreja
254-256 Cipriano de Cartago argumentou que o baptismo dado pelos cismáticos é
inválido; Bispo Stéphane de Roma afirmou que os sacramentos não
pertencem aos ministros, mas a Cristo

303-306 Perseguição Diocleciana


311-315 Majorinus e depois Donatus se colocaram como Bispos rivais de Cartago,
depois que um bispo Apóstata foi ordenado. Os “ Donatistas” acreditavam no
seguinte: a) Somente o baptismo “Donatista” é verdadeiro b) O baptismo
praticado pelos indignos é inválido

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312 Conversão do Constantino ao cristianismo
314 O Donatismo é condenado pelo concílio de Arles
337 Constantino é baptizado pouco antes da sua morte
380 O Monge Britânico Pelágio fica chocado com a falta de moralidade entre os
monges da Igreja Romana- Ele eventualmente rejeitou a doutrina da Graça e
do pecado original, mas ainda acreditava que as crianças devem ser
baptizadas (João 3.5)
387 St. Agostinho é baptizado pelo S.t Ambrósio
393 Agostinho começa a sua batalha contra os Donatistas
411 Regras arbitrárias em Cartago a favor de Agostinho e contra Donatistas
412-421 Agostinho escreve 13 trabalhos e cartas a denunciar a visão do Pelágio -
Agostinho acreditava que todos estamos manchados pelo pecado original;
Crianças não baptizadas estão condenadas as “trevas”
418 Pelágio é excomungado pelo papa Zosimus
431 A heresia pelagiana é condenada no concílio de Éfeso
1412 Concílio de Florença estabelece que os infantes devem receber baptismo
”assim que for conveniente”
Janeiro de Alguns estudantes de Ulrich Zwingli ilegalmente rebaptizaram-se em Zurich.
21,1525 Assim começa o movimento anabaptista

1536 João Calvino publica “As Instituas da Religião Cristã”


1528 Lutero estabelece no seu catecismo Maior que “Devemos ser baptizados ou
não podemos ser salvos”
1609 O Inglês João Smyth rebaptizou 40 seguidores em Amesterdão, começando o
movimento Baptista
1644 A congregação Baptista em Londres dirigiu o primeiro congresso com os
cristãos que tinham o Baptismo por imersão como sendo o dogma central
1649 A confissão de Westminster afirma o Baptismo de infantes, mas diz que o
Baptismo não é necessário para a Salvação

1900 Nascimento do movimento Pentecostal, com ênfase no “ Baptismo do


Espírito Santo”

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1980 Papa João Paulo II fortemente afirma a necessidade do baptismo infantil, no
livro” Instrução no Baptismo Infantil” pela Sagrada Congregação para
Doutrinaria da fé

BAPTISMO NO VELHO TESTAMENTO

Não existem referências explícitas no Antigo Testamento sobre o baptismo, porém alguns
comentários apontam que o baptismo foi praticado durante o fim do período
intertestamentário pelos Judeus como uma forma de iniciação para os gentios convertidos ao
Judaísmo.

Embora não existam referências explícitas sobre o baptismo no AT como nós entendemos no
senso cristão, existem referências aos vários elementos que irão eventualmente afirmar
(apontar) ao Baptismo Cristão, como o uso da água para a cerimónia de purificação,
derramamento do Espírito Santo e (possivelmente) …circuncisão.

Se a circuncisão deve ser vista como uma forma do baptismo no AT é uma escolha teológica
primariamente ditada por, não crer ou crer no Baptismo dos infantes. Aqueles, em favor da
circuncisão/ baptismo associam o argumento de que, como a circuncisão fazia com que as
crianças no AT tomassem parte da aliança Abraâmica assim também o Baptismo das
Crianças no senso cristão faz com que se tornem participantes da nova aliança em Cristo
Jesus. João Calvino, um dos fundadores da Igreja reformada, comentou o seguinte:

ʺPortanto, temos na circuncisão uma promessa espiritual outorgada aos patriarcas, como se dá
em nosso baptismo, uma vez que ela significa a remissão dos pecados e a mortificação da
carne. … A diferença que existe, essa consiste na cerimónia externa, que é porção mínima,
quando a parte mais importante depende da promessa e da coisa significada. Desse modo é
lícito concluir que tudo quanto convém à circuncisão, exceptuada a diferença da
cerimónia visível, pertence igualmente ao baptismo… Ora, exactamente como a
circuncisão, visto que era para os judeus um tipo de senha pela qual se assegurava ainda mais
que foram adoptados como povo e família de Deus, e também eles próprios, por sua vez,
professavam alistar-se com Deus, era-lhes o ingresso inicial na igreja, agora também,
mediante o baptismo, somos iniciados em relação a Deus para sermos contados em seu povo
e nós, pessoal e reciprocamente, juremos a seu nome. Portanto, parece indiscutível que o

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baptismo foi introduzido no lugar da circuncisão e tem em vista as mesmas funções.”
(Calvino, “ Institutas”, P 313-314)

A Igreja Católica Romana levou a mesma visão, acreditando que o Baptismo é equivalente a
circuncisão. Os Baptistas e os Anabaptistas (Menonitas, Amish) viram esse ponto de forma
diferente e, nós iremos examinar esse posicionamento no devido tempo.

REFERÊNCIAS TEXTOS/ COMENTÁRIOS


Gn17.1-14 “…Esta é a minha aliança com você e com os seus descendentes,
aliança que terá que ser guardada: Todos os do sexo masculino entre
vocês serão circuncidados …”
Is 44:3 “...derramarei água derramarei água na terra sedenta, e torrentes na
terra seca na terra sedenta, e torrentes na terra seca…”

Jl 2:28/29 “…derramarei do meu Espírito sobre todos os povos...”

Lv 16:4 “…por isso banhará a sua carne na água…”

Ez 36:25 “…Aspergirei água pura sobre vocês e ficarão puros;…”

Sl 51:1-3 “…Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado…”

BAPTISMO NO NOVO TESTAMENTO

O Baptismo De João

Somos introduzidos, pela primeira, vez ao tópico do Baptismo no Novo


Testamento pelo João Baptista, um parente de Cristo não específico. O
Baptismo de João, praticado pela total imersão no rio Jordão, é definido

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como sendo “ o Baptismo do arrependimento para a remissão dos pecados”. Este conceito de
um baptismo de arrependimento e para o perdão dos pecados tornou-se mais tarde num
elemento importante (embora não seja, evidentemente, o único elemento) para o Baptismo
Cristão.

Referência Texto/ Comentários


Mt 3:5 - 3:6 Baptizados por ele no rio Jordão…”

Mt 3:11 Batismo para o arrependimento

Mc 1:4 - 1:8; “…um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados.”

Lc 3:3-3:18 Sinais do verdadeiro arrependimento

Lc 3:1 - 3:18 Sinais do verdadeiro arrependimento

Lc 7:29 - 7:30 Efeitos do baptismo do João

Jo 1:24 - 1:26 Autoridade de João Batista

O baptismo de João atraiu muita atenção naqueles tempos ao ponto de ser recordado pelo
Historiador Judeu Flávio Josefo, 50 anos depois, na sua “ Antiguidades Judaicas”:

“781. Vários judeus julgaram a derrota do exército de Herodes um castigo de Deus, por
causa de João, cognominado Baptista. Era um homem de grande piedade que exortava os
judeus a abraçar a virtude, a praticar a justiça e arreceber o baptismo, para se tornarem
agradáveis a Deus, não se contentando em evitar o pecado, mas unindo a pureza do corpo à
da alma. Como uma grande multidão o seguia para ouvir a sua doutrina, Herodes, temendo
que ele, pela influência que exercia sobre eles, viesse a suscitar alguma rebelião, porque o
povo estava sempre pronto a fazer o que João ordenasse, julgou que devia prevenir o mal,
para depois não ter motivo de se arrepender por haver esperado muito para remediá-lo. Por
esse motivo, mandou prendê-lo numa fortaleza em Maquera, de que acabamos de falar, e os
judeus atribuíram a derrota de seu exército a um castigo de Deus, devido a esse ato tão
injusto…” (Josefo “Antiguidades Judaicas”, Livro XVIII, Capitulo5)

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O BAPTISMO DE CRISTO

Com certeza, João Baptista teve um especial chamado no início do


Ministério terreno de Cristo Jesus. Contudo, Jesus, sem pecado, é
baptizado pelo João no rio Jordão. O evento é marcado especialmente
pela presença das três pessoas da trindade- Cristo encarnado, a voz do
Pai e o Espírito Santo ʺ descendo nele em forma de pomba.”

João predisse para nós (sem entrar em detalhes) que o baptismo praticado por Cristo no
futuro será diferente do seu. João Baptizou com água, mas Cristo baptizará com Fogo.

REFERÊNCIAS TEXTOS/ COMENTÁRIOS


Mt 3:11 - 3:17 "Ele os baptizará com o Espírito Santo e com fogo"

Mc 1:9 - 1:11 O Espírito desceu sobre Jesus em forma de pomba

Lc 3:21 - 3:22 Todas as três pessoas da trindade estiveram presentes no Baptismo

Jo 1:29 – 1:34 A razão do baptismo de João

Jo 3:22-3:26 João continuou a baptizar após baptizar Jesus

Por que Cristo precisou ser baptizado? Esta é uma questão que vem sendo debatida entre os
teólogos. O baptismo de João foi para remissão do pecado, mas Cristo era sem pecado. No
século XIII, o teólogo católico Tomás de Aquino sugeriu duas razões para que Cristo fosse
baptizado:

"P(3)-Q(38)-A(1) ... Primeiro, foi necessário que Cristo fosse baptizado por João com vista a
santificar o baptismo..., Segundo, para que Cristo fosse manifestado. Quando João disse
(João 1.31):ʺ Eu mesmo não o conhecia, mas por isso é que vim baptizando com água: para
que ele viesse a ser revelado a Israel”. Pois, anunciava Cristo às turbas que acorriam; e isso
era mais fácil, que se tivesse de anunciá-lo a cada um em particular..." (Aquino, “Summa
Theologica” Pag 3175)

10
O Baptismo Praticado Pelos Primeiros Cristãos

O Novo Testamento dá uma informação fascinante sobre como Cristo e os Apóstolos viam o
Baptismo. Porém, não existe um " Manual do Baptismo" no Novo Testamento. Nós
podemos somente sumarizar a própria forma e o significado do baptismo baseando-nos
nos vários versículos que mencionam o sacramento. OS significados de muitos dos
versículos encontrados abaixam foram disputados por inúmeros grupos nos ultimos 2000
anos, e permanecem em disputa hoje.

REFERÊNCIAS TEXTOS/ COMENTÁRIOS


Baptismo Cristão
Mt 19:14 “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam …” alguns usam este
trecho para justificar o baptismo infantil
Mt 28:18 - 28:20 A grande comissão - “Portanto, vão e façam discípulos de todas as
nações, batizando-os …”
Mc 16:15 - 16:18 “Quem crer e for baptizado será salvo…” parece que o texto está inferir
que, crer precede Baptismo. O posicionamento Baptista afirma que este
texto invalida o baptismo infantil
Jo 3:1 - 3:8 “Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não
nascer da água” é usado por alguns para justificar a visão de que, o
baptismo nas águas é necessário para a salvação
Jo 4:1 - 4:2 Jesus não baptizou

Pentecostes
Lc 24:49 Jesus fala da promessa do Pentecostes

At 1:4 - 1:5 “…mas dentro de poucos dias vocês serão batizados com o Espírito
Santo..” O baptismo das águas e o Baptismo do Espírito Santo são dois
factos distintos? Um segue o outro?
At 2:1 - 2:41 “Todos ficaram cheios do Espírito Santo…”

At 2:38 – 2:39 “Pois a promessa é para vocês, para os seus filhos …” alguns usam-na

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para justificar o baptismo infantil
Baptismo e os Apóstolos
At 8:6 - 8:25 O baptismo de Simão, AT 8.14/16 faz parecer que o baptismo do Espírito
Santo pode seguir o baptismo das águas
At 8:26 - 8:40 Filipe baptiza o Eunuco

At 9:17 - 9:19 Paulo recebe o Espírito Santo através da imposição das mãos de Ananias
e depois é baptizado
At 10:44 - 10:48 Os gentios recebem o Espírito Santo antes de serem baptizados

At 16:14 - 16:15; Baptismo das famílias – alguns usam para estabelecer uma base
At 16:33; Act escritúrica do baptismo infantil
18:8, 1 Cor 1:16

At 18:23 - Act Apolo-“.. somente conhecia o baptismo de João”


18:28

At 19:1 - 19:7 Paulo baptizou seguidores de João Batista- “lhes impôs as mãos, veio
sobre eles o Espírito Santo”
1 Co 1:13 - 1:17 A missão de Paulo não era para baptizar, mas pregar

O significado do Baptismo
Rm 6:3 - 6:4 “… todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em
sua morte…”

1 Cr 12:13 “… em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito..”

Ef 4:4 - 4:6 “… há um só SENHOR, uma só fé, um só baptismo “

Cl 2:11-12 Parece que Paulo iguala a circuncisão e o baptismo - alguns usam este
texto para estabelecer a base escritúrica para sustentar o baptismo infantil
Gl 3:26 - 3:28 “… os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram”

Tt 3:5 - 3:6 “nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo...”

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1 Pd 3:18 - 3:22 Noé e sua família foram salvas pela água – “e isso é representado pelo
baptismo que agora também salva vocês..”
...

BAPTISMO NA IGREJA PRÉ-NICEIA

Através das inúmeras fontes da igreja primitiva, nós pormenorizamos os relatos sobre as duas
formas de Baptismo na Historia Pré-nicena da Igreja, seu significado, assim como a sua
liturgia.

Significado do Baptismo

A epístola de Barnabé do fim do primeiro seculo/início do segundo século (possivelmente


Escrita por um Apóstolo) contém a seguinte descrição do baptismo:

"Isso significa que entramos na água carregados de pecados e impureza, mas saímos dela
para dar frutos em nosso coração, tendo no Espírito o temor e a esperança em Jesus”
(Epístola de Barnabé 11.11)

O pastor de Hermas, um livro popular do século 2 e 3 da igreja primitiva, descreve o


significado do baptismo da seguinte forma:

"...antes que um homem carregue o nome do Filho de Deus, ele está morto; mas quando ele
recebe o selo, ele ressuscita da morte e obtêm a vida. O selo, assim, é a água: eles entram na
água mortos e saem dela vivos" (pastores de Hermas- Similitude IX, capitulo 16)

Justino Mártir, no seu 150 trabalho "primeira Apologia" descreve o baptismo da seguinte
forma:

"As explicações que aprendemos dos apóstolos sobre este rito são as seguintes: Uma vez que
não tivemos consciência ou escolha do nosso primeiro nascimento, pois fomos gerados por
necessidade de um germe húmido, através da união mútua de nossos pais, e nos criamos em
costumes maus e em conduta perversa, agora, para que não continuemos sendo filhos da
necessidade e da ignorância, mas da liberdade e do conhecimento e, ao mesmo tempo,
alcancemos o perdão de nossos pecados anteriores, pronuncia-se na água, sobre aquele

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que decidiu regenerar-se e se arrepende de seus pecados, o nome de Deus, Pai e soberano
do universo; e aquele que conduz ao banho pronuncia este único nome sobre aquele que vai
ser lavado. Com efeito, ninguém é capaz de dar um nome ao Deus inefável; se alguém se
atrevesse a dizer que esse nome existe, sofreria a mais vergonhosa loucura. 12Esse banho
chama-se iluminação, para dar a entender que são iluminados os que aprendem estas coisas.
O iluminado se lava também em nome de Jesus Cristo... " (Justino “Primeira Apologia” Pag.
159)

No III século, a "Constituição dos Santos Apóstolos" discute a seriedade do Baptismo e as


potenciais consequências dos casos em que um cristão continua a pecar depois de ser iniciado
na fé através do baptismo:

“Amados, façam com que isto seja conhecido entre vocês que, aqueles que são baptizados
na morte do nosso Senhor Jesus são obrigados a ir em frente sem mais pecar; Porque
assim como aqueles que estão mortos não possam mais trabalhar na maldade, assim também
aqueles que são mortos em Cristo não podem praticar a maldade. Portanto, nós não cremos,
irmãos, que alguém que recebeu o banho para a vida continue em práticas licenciosas de
transgressão. Agora quem pecar depois do baptismo, a menos que se arrependa e deixe os
seus pecados, será condenado para o lago do fogo”(“Constituição dos Santos Apóstolos” 2
livro, 3 secção)

Por volta dos Séculos IV, muitas pessoas (incluindo, possivelmente, o Imperador
Constantino) adiaram ser baptizadas até estarem perto da morte, para que pudessem continuar
com uma vida pecaminosa!

A Forma Do Baptismo

Eventos anteriores ao Baptismo pré-Niceno tipicamente incluíam dois á três anos de período
de instrução na Fé cristã e um período de jejum antes do baptismo.

“Baptizando e baptizante devem jejuar um ou dois dias antes da administração do


sacramento. Aconselha-se a todos jejuar duas vezes por semana e rezar três vezes ao dia a
oração do Pai-nosso.”(Didaqué Cap7)

Esperava-se que os catecúmenos levassem vidas puras e renunciassem a Satanás:

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ʺMas aquele que deve ser baptizado seja livre de toda iniquidade; alguém que tenha deixado
o trabalha do pecado, amigo de Deus, inimigo do mal, herdeiro e amigo do seu filho; aquele
que renunciou a Satanás, demónios e os enganos de Satanás, puro e santo, amado de Deus “
(A constituição dos Santos Apóstolos, livro 3, secção 18)

Os Baptismos eram geralmente realizados pelos oficias da Igreja (Bispos, presbíteros, etc.),
muitas vezes antes do período da Páscoa, e/ou entre a Páscoa e o Pentecoste. O baptismo
incluía tanto uma unção com oleio ou com unguento, por emersão ou aspersão:

“Assim também, o bispo, de acordo com aquele tipo, ungirá a cabeça daqueles que serão
baptizados com o óleo “ sagrado” para o Baptismo espiritual, tanto a homens assim como
Mulheres. Depois disso, o bispo ou o presbítero que está sobre eles, deverá na solene forma.
os mergulhar na água no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e depois deixar um
diácono receber o homem, e a diaconisa a, mulher que conferencia este selo inviolável, que
deve ser realizado com decência. E depois disso, deixe o bispo ungir aqueles que são
baptizados com unguento ". ("Constituições dos Santos Apóstolos", Livro 3, Seção 16/17))

O significado das três partes do baptismo (óleo, água, unguento) é discutido aqui:

"Mas antes deverás ungir a pessoa com o óleo sagrado e depois o baptizarás com a água, e
na conclusão, o selarás com o unguento para que a unção com óleo seja a participação do
Espírito Santo, e a água, símbolo da morte de Cristo e o unguento é o selo dos convênios. "
("Constituições dos Santos Apóstolos", Livro 7, Capítulo 22)

As Constituições descrevem o significado da imersão e o ressurgir da água da seguinte forma:

"Este baptismo, portanto, é dado na morte de Jesus: a água é em vez do enterro…. a descida
as aguas é a morte com cristo; o ressurgir das águas é a ressurreição com Cristo”
("Constituições dos Santos Apóstolos", Livro 3, Capítulo 16/17)

Numa passagem do Livro de Hipólito (c.215 A.D), afirma-se que todas as famílias devem ser
baptizadas, incluindo as crianças. Parece que Hipólito também entendia que a total imersão
não era um requisito para o Baptismo:

“Onde não há escassez de água, a corrente fluirá através da fonte baptismal ou derramará
nela de cima; mas se a água é escassa, seja em uma condição constante ou ocasional, então
use qualquer água disponível. Deixe-os remover suas roupas. Baptize primeiro os filhos, e se

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eles puderem falar por si mesmos, deixe-os fazê-lo. Caso contrário, deixe seus pais ou outros
parentes falarem por eles. “ (Hipólito," A Tradição Apostólica ", 21:15).

A Liturgia Do Baptismo

Hipólito também preserva um antigo credo baptismal em seus escritos. Semelhanças com o
Credo dos Apóstolos são encontradas uma vez que o Credo dos Apóstolos provavelmente
começou como um credo baptismal:

“Quando a pessoa que está a ser baptizada desce para as águas, aquele que o baptizar,
pondo as mãos sobre ele dirá: 'Você crê em Deus, o Pai Todo-Poderoso?' E a pessoa que
está a ser batizada dirá: 'Eu creio. 'Então, colocando a mão na cabeça dele, o baptizará uma
vez. E então ele dirá: 'Você crê em Cristo Jesus, o Filho de Deus, que nasceu da Virgem
Maria, e foi crucificado abaixo de Pôncio Pilatos, e foi morto e sepultado, e ressuscitou no
terceiro dia, ressurgiu da morte, e subiu aos céus, e assentou-se à direita do Pai, e virá para
julgar os vivos e os mortos? ”E quando ele disser:“ Eu creio ”, deve ser baptizado
novamente. E novamente ele dirá: 'Você crê no Espírito Santo, na santa igreja e na
ressurreição do corpo?' A pessoa que está ser baptizada dirá: 'Eu creio', e então ele é
batizado pela terceira vez. ” ("Credos da Igreja", Ages Software, p. 7)

Alguns credos baptismais incluíam, além da afirmação de Cristo como salvador, a renúncia a
Satanás:

"Eu renuncio a Satanás, e suas obras, e suas bombas e seus cultos, e seus anjos, e suas
invenções, e todas as coisas que estão debaixo dele." (“Constituições dos Santos Apóstolos”,
Livro 7, Seção 3)

O BAPTISMO DE CONSTANTINO

Constantino é por vezes referido como o "Salvador do


Cristianismo", porque antes de sua conversão, o cristianismo ainda
era uma religião perseguida no Império Romano. Até 303 d.C., o
massacrador Imperador Diocleciano lançou uma campanha maciça

16
de perseguição contra os cristãos. Com a conversão de Constantino em 312 d.C., o
cristianismo tornou-se não apenas respeitável, mas também ascendente.

Em 312 d.C., Constantino marchou em Roma, numa tentativa de assumir o controlo do


Império Ocidental. Contra ele foram as forças de Maxentius, quatro vezes mais forte. A
conversão de Constantino no campo de batalha é descrita pelo historiador eclesiástico
Eusébio, “A vida do abençoado imperador Constantino” do século quarto:

“COMO, ENQUANTO ELE ORAVA, DEUS LHE ENVIOU UMA VISÃO DE UMA CRUZ DE
LUZ NOS CÉUS, NO MEIO-DIA, COM UMA INSCRIÇÃO ADMOESTANDO-O A VENCER
POR MEIO DAQUILO.

Assim, ele o chamou com fervorosa oração e súplicas para que ele revelasse quem ele era e
estendesse a mão direita para ajudá-lo em suas actuais dificuldades. E enquanto orava com
fervorosa oração, um dos mais maravilhosos sinais aparecia para ele do céu, o relato do
qual poderia ter sido difícil de acreditar, se tivesse sido relatado por qualquer outra
pessoa... Ele disse isso ao meio-dia, quando o dia começava a declinar, ele viu com seus
próprios olhos o troféu de uma cruz de luz nos céus, acima do sol, e tendo a inscrição,
VENÇA ATRAVÉS DISTO. Nessa visão ele mesmo ficou impressionado, e todo o seu
exército também, que o seguiu nesta expedição, e testemunhou o milagre. “ (Eusébio,“ A
Vida do Abençoado Imperador Constantino ”, p. 665/66)

Depois de ter uma visão semelhante de Cristo enquanto dormia, Constantino fez dos
“sacerdotes de Deus seus conselheiros” e: “... julgou incumbir nele honrar o Deus que lhe
aparecera com toda a devoção. E depois disso, sendo fortalecido por esperanças bem
fundamentadas, ele apressou-se a apagar o fogo ameaçador da tirania. “ (Eusébio, p. 668)

Constantino, claro, foi em frente para derrotar o Maxentius, para assumir o controlo total do
Império Ocidental.

Constantino tornou-se em um forte apoiante e um aprendiz do cristianismo. No entanto, ele


demorou ser baptizado - uma prática comum no quarto século. Embora fosse bem conhecido
entre os bispos do cristianismo que seu entusiasmado imperador não foi baptizado, ele foi,
para dizer o mínimo, "atribuída alguma excepção":

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“Mas as severas regras de disciplina instituídas pela prudência dos bispos foram relaxadas
pela mesma prudência a favor de um prosélito imperial, a quem era tão importante fascinar,
com toda gentileza condescendente, a clareza da igreja e Constantino foi autorizado, pelo
menos por uma dispensação tácita, a gozar da maioria dos privilégios, antes de contrair
qualquer das obrigações, de um cristão. Em vez de se retirar da congregação, quando a voz
do diácono descartou a multidão profana, ele orou com os fiéis, disputou com os bispos,
pregou sobre os assuntos mais sublimes e intrincados da teologia, celebrou com ritos
sagrados a vigília da Páscoa, e declarou-se publicamente, não só um participante, mas, em
certa medida, um sacerdote e hierofante dos mistérios cristãos. "(Gibbon," Declínio e Queda
do Império Romano ", Vol. 2, p. 200)

Foi então até perto de sua morte que Constantino concordou em ser baptizado. Essas
“conversões no leito de morte” eram comuns no século IV. Quando os catecúmenos eram
baptizados na igreja primitiva, esperava-se que eles vivessem vidas puras e castas daquele
ponto em diante. Houve uma tentação de adiar o baptismo cristão com suas exigências de
pureza, até que a pessoa se tornava velha, ou mesmo se aproximava da morte, para evitar uma
exigência vitalícia de viver corretamente. Constantino parece ter sido um cristão com essas
visões!

Seja qual foi a razão da demora, Constantino finalmente concordou em ser baptizado em 337
dC, pouco antes de sua morte. Certamente, este foi o mais famoso e significante baptismo
desde Paulo! É descrito por Eusébio da seguinte forma:

“Estando por muito tempo convencido de que sua vida estava chegando ao fim, ele sentiu que
chegara a hora de buscar a purificação dos pecados de sua carreira passada, acreditando
firmemente que, quaisquer que fossem os erros que cometera como um homem mortal, sua
alma seria purificado a partir deles através da eficácia das palavras místicas e as águas
salutares do baptismo... Depois disso ele procedeu até os subúrbios de Nicomédia, e lá,
tendo convocado os bispos para encontrá-lo, dirigiu-se-lhes nas seguintes palavras:

"Chegou a hora que há muito espero, com sincero desejo e oração, para obter a salvação de
Deus. Chegou a hora em que eu também posso ter a bênção daquele selo que confere
imortalidade; a hora em que posso receber o selo da salvação. Eu havia pensado em fazer
isso nas águas do rio Jordão, onde nosso Salvador, para nosso exemplo, registou-se que foi

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batizado: mas Deus, que sabe o que é conveniente para nós, está satisfeito por eu receber
esta bênção aqui. .. '” (Eusébio, p. 809/11)

Constantino foi então baptizado “da maneira usual”. Finalmente, Eusébio relata o profundo
significado desse baptismo (um significado que ainda ressoa até os dias de hoje):

Assim foi Constantino o primeiro de todos os soberanos regenerados e aperfeiçoados em uma


igreja dedicada aos mártires de Cristo; assim dotado com o selo Divino do baptismo... ”
(Eusébio, p. 809/11)

O longo reinado de terror e perseguição contra os cristãos tinha acabado!

SANTO AGOSTINHO E O CISMA DONATISTA

Mais eventos significativos para a história do baptismo cristão ocorreram ao longo do fim do
século IV, e ao quinto. Eles envolveram dois grupos cismáticos chamados os Donatistas e
Pelagianos, e um santo cristão e teólogo, Santo Agostinho de Hipona. Da batalha entre esses
dois grupos cismáticos e a Igreja Católica surgiriam os princípios agostinianos a respeito do
baptismo que ainda são seguidos pela Igreja Católica Romana hoje:

• Os baptismos são conferidos por Cristo, não pelo sacerdote ou bispo que faz o baptismo.
Portanto, os baptismos conferidos por bispos impuros ou cismáticos poderiam ser aceitos
como “oficiais”.
• Os baptismos são necessários para a salvação;
• As crianças estão contaminadas pelo “pecado original” de Adão e Eva. Portanto, não
apenas os baptismos infantis são permitidos, mas são necessários, no caso de uma
morte prematura.

Novaciano

As raízes do cisma Donatista, contra o qual Agostinho tão eloquentemente argumentou no


final do século IV / início do século V, remontam a uma era anterior. Em c. 250 d.C., o
imperador Décio ordenou a perseguição dos cristãos. Como resultado dessa perseguição, o
bispo de Roma, Fabiano, foi assassinado e o padre da igreja Orígenes foi preso. Muitos

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cristãos (incluindo alguns padres e bispos) cometeram apostasia - negando a Cristo para se
salvar da perseguição. Depois que as perseguições diminuíram em 251 d.C., a pergunta feita
foi: “Os sacerdotes que cometessem apostasia deveriam ser autorizados a voltar para a
igreja?”

O clérigo romano Novaciano (c. 200-258 AD) argumentou contra admitir aqueles que
cometeram apostasia de volta à igreja. Novaciano citou esses versos do Novo Testamento
como:

(Mateus 10: 32/33 NVI) “Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o
confessarei diante do meu Pai que está nos céus. Mas aquele que me negar diante dos
homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus.”

Depois de perder a eleição para ocupar o cargo vago de bispo de Roma em 251 dC,
Novaciano e seus seguidores se separaram da Igreja Católica. Por volta de 254 d.C., quando
ficou claro que os Novacianos não estavam a receber apoio de fora de seu círculo de
seguidores, muitos dos seguidores de Novaciano tinham fugido ou desejavam (re) entrar na
Igreja Católica.

Um grande debate foi travado entre o Bispo (254-56 dC) Estêvão de Roma, que argumentou
que os baptizados pelos Novatianistas poderiam ser aceitos na Igreja Católica sem serem
rebaptizados, e Cipriano de Cartago (c. 195-258 dC), que argumentou que os baptismos
dados por cismáticos não eram verdadeiros baptismos. A seguinte citação de Cipriano é
representativa de seus pontos de vista sobre o assunto:

“Meu querido irmão, você escreveu para mim, desejando que a impressão de minha mente
fosse representada para você, quanto ao que penso sobre o baptismo dos hereges; que,
colocados fora e estabelecidos fora da Igreja, se arroga uma questão que não é do seu
direito nem do seu poder. Este baptismo não podemos considerar como válido ou legítimo,
visto que é manifestamente ilegal entre eles... ”(Cipriano,“ Epístola 72 - Para Jubaianus,
Sobre O Baptismo De Hereges ”)

Estevão, cujo ponto de vista prevaleceu em última instância (e mais tarde foi fortemente
apoiado por Agostinho), observou que o baptismo pertence à Cristo, não à igreja, e a posição
do baptizador não é a questão relevante.

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A causa do Novaciano (contra a apostasia) e de Cipriano (contra a validação dos baptismos
pelos cismáticos) seria mais tarde adoptada por um grupo chamado de os Donatistas.

Os Donatistas

A situação no início do século IV foi semelhante à de 50 anos antes. O imperador


Diocleciano havia ordenado a perseguição dos cristãos em todo o império (303-306), e
muitos cristãos (incluindo alguns bispos e padres) haviam cometido apostasia. Depois que
Constantino chegou ao poder, permaneceu a questão discutida em meio do terceiro século - o
que fazer com aqueles que cometeram apostasia? A situação fervia em Cartago, em 311 dC,
quando um Arquidiácono chamado Caeciliano foi ordenado por um bispo suspeito de haver
cometido apostasia durante a perseguição Diocleciana. Em contra-ataque, os Donatistas
ordenaram um bispo rival de Cartago (Majorino em 311 dC; Donato em 315 d.C.).

Com o tempo, os Donatistas tornaram-se numa seita cismática, alegando que eles eram os
únicos cristãos verdadeiros. Os Donatistas recusaram-se a aceitar os baptismos realizados na
Igreja Católica, alegando que eram inválidos:

“Sempre que eles (donatistas) adquiriam um prosélito, mesmo das províncias distantes do
oriente, repetiam cuidadosamente os ritos sagrados do baptismo e da ordenação; uma vez
que eles rejeitavam a validade do baptismo daqueles que tinham recebido das mãos de
hereges ou cismáticos. Bispos, virgens e até mesmo bebês imaculados, foram submetidos à
desgraça de uma penitência pública, antes que pudessem ser admitidos à comunhão dos
donatistas. Se obtivessem a posse de uma igreja que havia sido usada por seus adversários
católicos, eles purificavam o edifício com os mesmos cuidados e zelo que um templo de
ídolos deveria receber. Eles lavavam o pavimento, raspavam as paredes, queimavam o altar,
que era comumente de madeira, derretiam o prato sagrado e lançavam a Sagrada Eucaristia
aos cães, com todas as circunstâncias de ignomínia que podiam provocar e perpetuar a
animosidade das facções religiosas”. (Gibbon, Vol. 2, p. 219)

Os donatistas também insistiam que um baptismo realizado por um padre “impuro” não era
válido.

Embora o Donatismo tenha sido condenado no Concílio de Arles em 314 d.C., continuou a
florescer. Começando em 393 dC, Santo Agostinho, o grande teólogo da Igreja Católica
primitiva, voltou as suas habilidades de eloquência e lógica contra os Donatistas. O Centro do

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debate foi, mais uma vez, o baptismo. Já foi notado que os Donatistas forçavam os prosélitos
católicos a serem rebaptizados. No entanto, a Igreja Católica não forçou os Donatistas
“reformados” que desejavam (re) unir-se à Igreja Católica a serem rebaptizados, seguindo a
lógica do bispo Estevão de Roma em 254 dC - o baptismo é de Cristo, não do baptizador.

Foi contra este pano de fundo (e também contra o posterior cisma pelagiano) que Agostinho
de Hipona começou a promulgar suas visões teológicas sobre o baptismo, que ainda são os
padrões da Igreja Católica Romana hoje.

Um Baptismo

“É verdade que o baptismo de Cristo é santo; e embora possa ser praticado entre os hereges
ou cismáticos, ainda assim não pertence à heresia ou cisma; e, portanto, mesmo aqueles que
vêm destes meios para a Igreja Católica não devem ser baptizados novamente. ”(“ Os Sete
Livros de Agostinho, Bispo de Hipona, Sobre o Batismo, Contra os Donatistas ”, p. 780)

“Sendo uma pessoa baptizada, se for a afastar-se da unidade da Igreja, não perde o
sacramento do baptismo, assim também aquele que é ordenado, se ele se afasta da unidade
da Igreja, não perde o sacramento de conferir baptismo. ” (Agostinho, p. 756)

“Assim também, aqueles que no sacrilégio do cisma desviam-se da comunhão da Igreja,


conservam certamente a graça do baptismo que receberam antes de partirem. Portanto, no
caso de seu retorno, não lhes é conferido novamente o que eles receberam enquanto estavam
na unidade da Igreja visto que não poderiam ter perdido em sua separação.” ”(Agostinho,
p. 755/56)

"... agimos correctamente que não nos atrevemos a repudiar os sacramentos de Deus,
mesmo quando administrados em cisma." (Agostinho, p. 757)

A Visão De Cipriano Do Baptismo No Terceiro Século

“Ele (Cipriano) tinha, portanto, uma percepção imperfeita do mistério oculto do sacramento”
(Agostinho, p. 779).

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SANTO AGOSTINHO E O CISMA PELAGIANO

Enquanto Santo Agostinho estabeleceu para sempre alguns princípios importantes do


baptismo em sua batalha contra os Donatistas, suas conclusões teológicas que resultaram de
sua batalha contra os pelagianos foram ainda mais significativas e abrangentes.

Pelágio (c. 354 d.C. - depois de 418) foi um monge britânico que ficou horrorizado com a
aparente falta de piedade e pureza praticada pelos cristãos em Roma c. 380. Ele sentiu que a
frouxidão dos cristãos Romanos crescia em parte da doutrina predominante da Graça, que
afirmava que os humanos, por si mesmos, são incapazes de pureza e só podem ser salvos pela
Graça de Deus.

Pelágio e os seus seguidores (um estudante chamado Coelestius foi especialmente influente)
negaram a predestinação, o pecado original e a doutrina da Graça, insistindo que os
humanos não são contaminados pelo pecado de Adão e Eva, e que os bebês nascem puros.
Como resultado, os humanos têm o livre arbítrio para escolher viver vidas sem pecado. (Na
sua teologia um tanto confusa, porém, Pelágio ainda afirmava que os bebês precisavam ser
baptizados.)

A resposta de Agostinho à heresia pelagiana foi vociferante e volumosa - Agostinho escreveu


pelo menos treze obras e cartas contra Pelágio, e firmemente entrincheiradas na teologia
católica nas seguintes doutrinas:

1. Salvação pela Graça;

2. Pecado Original;

3. A necessidade do baptismo para a salvação;

4. A condenação de crianças não baptizadas.

Deve-se notar que os pontos três e quatro são aparentemente inconsistentes com a doutrina da
predestinação da qual Agostinho era um proponente. Mil anos depois, João Calvino (como
veremos) argumentaria contra a necessidade do baptismo infantil por causa dessa mesma
razão.

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Pecado Original / Necessidade Para O Batismo De Bebés

“... mesmo se não houvesse nada nos homens além do pecado original, seria suficiente para
sua condenação ... mesmo aquele único pecado que foi originalmente derivado aos homens,
não só os excluí do reino de Deus, no qual as crianças são incapazes de entrar (pela sua
vontade), a menos que tenham recebido a graça de Cristo antes de morrerem, pois também
alienadas da salvação e da vida eterna, que não pode ser outra coisa senão o reino de Deus,
no qual Só Cristo nos introduz. “ (Santo Agostinho, “Tratado sobre os méritos e perdão dos
pecados e sobre o batismo dos bebês”, p. 154)

"Por isso, os homens nascem, por um lado, na carne, sujeitos ao pecado e à morte, desde o
primeiro Adão, e por outro, nascem de novo no baptismo associado com a justiça e a vida
eterna do segundo Adão..." (Agostinho, p. 160)

"Quem ousaria dizer que Cristo não é o Salvador e Redentor de crianças? Mas do que Ele os
salva, se não há nenhuma enfermidade do pecado original nelas? Do que Ele as redime, se
desde a sua origem, desde o primeiro homem, elas não estão entregues ao pecado? Então não
há salvação eterna prometida a crianças fora da nossa própria opinião, sem o baptismo de
Cristo, pois ninguém é prometido, na Sagrada Escritura, que deve ser preferido a toda
autoridade e opinião humana. " (Agostinho, p. 171)

Necessidade Do Baptismo Para A Salvação

“Se, portanto, tantas e tantas testemunhas divinas concordarem que nem a salvação nem a
vida eterna podem ser esperadas por qualquer homem sem baptismo e corpo e sangue do
Senhor, é em vão prometer essas bênçãos a crianças sem eles (o baptismo e corpo e sangue
do Senhor). “ (Agostinho, p. 172)

O Destino Das Crianças Que Morrem Antes De Serem Batizadas

“Crianças, a menos que passem para o número de crentes através do sacramento que foi
divinamente instituído para este propósito, indubitavelmente permanecerão nesta
escuridão.” (Agostinho, p. 173)

"Portanto, pode ser correctamente afirmado que, essas crianças que abandonaram o corpo
sem serem baptizadas estarão envolvidas na mais leve condenação de todas." (Agostinho, p.

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159) (Mesmo Agostinho parecia um pouco desconfortável com a ideia de que bebés que
morreram sem ser baptizadas são condenadas a sofrer no inferno por toda a eternidade!)

A REFORMA PROTESTANTE

As visões básicas sobre o baptismo promulgadas por Santo Agostinho no final do quarto e no
início do quinto século permaneceram como doutrina eficaz da Igreja Católica Romana pelos
próximos mil anos (talvez com algum refinamento de Tomás de Aquino em sua "Summa
Theologica"). Somente com a vinda da Reforma Protestante no século 16, doutrinas e
teologias milenares começaram a ser desafiadas incluindo:

• A necessidade do baptismo para a salvação (desafiada pela Igreja Reformada - João


Calvino)

• A forma do baptismo - aspersão versus imersão (desafiada pelos batistas)

• Baptismo infantil (desafiado pelos Anabaptistas e Baptistas)

• Crianças que morrem sem ser baptizadas são consignadas como estando no inferno
(desafiado pelos anabaptistas, a Igreja Reformada)

A VISÃO DE LUTERO SOBRE O BAPTISMO

Muitas pessoas datam o início da Reforma Protestante para 31 de


Outubro de 1517, quando Martinho Lutero pregou suas 95 teses na
porta do Castelo de Wittenburg. No entanto, Lutero seguiu
estritamente o status que quando se tratava do baptismo - ele
apoiava o baptismo infantil e cria que o baptismo era necessário
para a salvação:

“O baptismo não é uma ninharia humana, mas instituído pelo


próprio Deus, além disso, este é o mais solene e estritamente
mandato de que devemos ser baptizados ou não podemos ser
salvos, para que ninguém o considere trivial como colocar um novo
casaco vermelho. ”(Martin Luther,“ Large Catechism ”, 1528, p. 100/111)

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As visões mais revolucionárias sobre o baptismo vieram das Igrejas Reformadas, anabaptistas
e Baptistas.

JOÃO CALVINO E A IGREJA

João Calvino, um dos fundadores da Igreja Reformada, e talvez o


maior teólogo desde Tomás de Aquino, concordou com os pontos
de vista agostinianos (e estes, católicos Romanos) sobre o
baptismo em várias áreas, incluindo a ideia de que as pessoas só
deveriam ser baptizadas uma vez, e que a pureza da pessoa que
confere o baptismo era irrelevante:

"Devemos considerar que em qualquer momento em que somos


baptizados, somos lavados e purificados uma vez por todas na
vida. Portanto, sempre que caímos, devemos nos recordar da
lembrança de nosso baptismo e, assim, fortalecer nossas mentes, de modo que nos sintamos
seguros e certo da remissão dos pecados. Pois, quando uma vez administrado, parece ter
passado, não é abolido pelos pecados subsequentes ". (Calvino, p. 1452)

"Além disso, se estivermos correctamente determinados que um sacramento não deve ser
estimado pelas mãos daqueles por quem é administrado, mas deve ser recebido como se
viesse da mão de Deus, de quem sem dúvida procede, devemos, portanto, inferir que sua
dignidade não ganha nem perde por quem o administrador é. Assim como entre os homens,
quando uma carta é enviada, se a mão e o selo são reconhecidos, não é de menor
importância quem ou o que o mensageiro foi, por isso, deve ser suficiente para nós
reconhecer a mão e o selo do nosso Senhor em seus sacramentos, seja lá quem for o
administrador". (Calvino, p. 1461)

João Calvino também concordou com os Pais da Igreja Primitiva, como Hipólito, que a forma
do baptismo não era importante - tanto a aspersão quanto a imersão são aceitáveis:

"Se a pessoa baptizada é totalmente imersa, uma vez ou três vezes, ou se ela é apenas
aspergida com água, não tem a menor importância: as igrejas devem ter a liberdade de

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adoptar, de acordo com a diversidade de climas, embora seja evidente que o termo baptizar
significa imergir, e que esta era a forma usada pela Igreja primitiva ". (Calvino, p. 1465)

No entanto, Calvino não cria que o baptismo fosse a causa da salvação, nem era necessário
para a salvação:

"Pedro também diz que" o baptismo também nos salva "(1 Pedro 3:21). Pois ele não quis
dizer que nossa ablução e salvação são aperfeiçoadas pela água, ou que a água possui em si
a virtude de purificar, regenerar e renovar, nem que significa que é a causa da salvação,
mas apenas que o conhecimento e certeza de tais dons são percebidos neste sacramento ".
(Calvino, p. 1451)

“... não devemos considerar o baptismo tão necessário a ponto de supor que todos que
perderam a oportunidade de obtê-lo estão perdidos. Ao concordar com sua ficção, devemos
condenar a todos, sem excepção, que qualquer acidente possa ter impedido de obter o
baptismo, quanto mais eles tenham sido dotados da fé pela qual o próprio Cristo está
possuído. ”(Calvino, p. 1493)

Calvino entendeu que o objectivo primário do baptismo, ao em vez de conferir a salvação, era
fazer uma profissão pública de fé e unir-se à Igreja Universal dos crentes:

"O baptismo serve como nossa confissão diante dos homens, na medida em que é uma marca
pela qual declaramos abertamente que desejamos ser classificados entre o povo de Deus,
através do qual testificamos que concordamos com todos os cristãos em adoração de um
Deus e de uma religião; pelo qual, em resumo, afirmamos publicamente nossa fé, para que
não apenas nossos corações respirem, mas também nossas línguas e todos os membros de
nosso corpo proclamam o louvor de Deus " (Calvino, p. 1459)

João Calvino também cria firmemente na prática do baptismo infantil:

"Se, pelo baptismo, Cristo pretende atestar a ablução pela qual ele purifica a sua Igreja, não
parece justo negar este atestado a crianças, que são justamente consideradas parte da
Igreja, visto que são chamadas herdeiras do reino celestial". (Calvino, p. 1490)

Enquanto João Calvino era a favor da prática do baptismo infantil, em um desvio


significativo da doutrina católica romana, ele afirmou que as crianças não baptizadas que
morrem prematuramente ainda poderiam ser salvas. Como? Através da doutrina da
predestinação. Se, antes do início do mundo, Deus pré-ordenara que uma criança deve ser

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salva, a falta de baptismo na vida temporal da criança não seria um inibidor da salvação.
Como foi observado anteriormente neste trabalho, Agostinho também acreditava na
predestinação, mas não aplicou a doutrina ao baptismo infantil. Pode-se dizer que João
Calvino levou a teologia da predestinação à sua conclusão lógica com o baptismo infantil.

“Nossos filhos, antes de nascerem, Deus declara que adopta para si quando promete que
será um Deus para nós e para nossa semente depois de nós. Nesta promessa, sua salvação
está incluída. Ninguém ousará oferecer tal insulto a Deus, a ponto de negar que ele é capaz
de dar efeito à sua promessa. Quanta maldade foi causada pelo dogma, em exposto, que diz
que, o baptismo é necessário para a salvação; poucos percebem e pensam cauteloso o
desnecessário ... que as crianças que partem desta vida antes de uma oportunidade de
imergi-las em água, não são excluídos do reino dos céus.” (Calvino, p. 1465, 1467)

CONFISSÃO DE WESTMINSTER

As visões de João Calvino (e, deve-se notar também a de Ulrich Zwingli) sobre o baptismo
foram mais tarde fortemente ecoadas na Confissão de Westminster de 1649, como os
seguintes trechos demonstram:

"28: 1 O baptismo é um sacramento do Novo Testamento, ordenado por Jesus Cristo (Mt
28:19), não apenas para a solene admissão do baptizado na igreja visível (1 Co 12:13), mas
também para que seja para ele um sinal e selo do pacto da graça (Rom 4:11 com Col 2:11,
12), de sua criação em Cristo (Rm 6: 5; Gal 3:27), de regeneração (Tito 3: 5 ), da remissão
dos pecados (Marcos 1: 4), e do seu dar-se a Deus através de Jesus Cristo, para andar em
novidade de vida (Rm 6: 3, 4) .Este sacramento é por Cristo apontado para ser continuado
em Sua Igreja até o fim do mundo (Mt 28:19, 20). "

"28: 3 Mergulhar a pessoa na água não é necessário: mas o baptismo é correctamente


administrado por efusão ou aspersão (Marcos 7: 4; Atos 2:41; 16:33; Hb 9:10, 19-22). "

"28: 4 Não somente aqueles que realmente professam fé e obediência a Cristo (Marcos
16:15, 16; Atos 8:37, 38), mas também os filhos de um ou dos dois pais crentes, devem ser
baptizados Gn 17: 7, 9 com Gál 3: 9, 14 e Col 2:11, 12, e Atos 2:38, 39 e Rom 4:11, 12; Mat
28:19; Marcos 10: 13-16; Lucas 18:15; 1 Coríntios 7:14). "

28
"28: 5 Embora seja um grande pecado desprezar ou negligenciar essa ordenança (Lucas
7:30 com Êx 4: 24-26), ainda assim a Graça e salvação não são tão inseparavelmente
anexadas a ela, que sem ela nenhuma pessoa pode ser regenerado (Atos 10: 2, 4, 22, 31, 45,
47; Rom 4:11), os que sejam indubitavelmente regenerados todos os que são baptizados.
(Atos 8:13, 23). "

"28: 7 O sacramento do Baptismo é apenas uma vez administrado a qualquer pessoa (Tito
3:5)." (Westminsterster Confession, Chapter XXVIII)

OS ANABAPTISTAS

O movimento anabaptista surgiu da crença de que não há base bíblica para o baptismo
infantil. Os anabaptistas se separaram da igreja reformada dirigida pelo reformador suíço
Ulrich Zwingli (1484-1531). Zwingli discordava deles tanto do ponto de vista teológico
assim como do ponto secular - o baptismo infantil foi usado pelo governo secular para o
registo fiscal, e isso foi a partir do governo da cidade de Zurique
onde o Zwingli tinha a sua autoridade.

Em 21 de janeiro de 1525, um evento ocorreu em Zurique, que


ainda reverbera hoje, quase 500 anos depois. Vários dos alunos de
Zwingli (incluindo Conrad Grebel, Feliz Manz e Georg Blaurock)
“ilegalmente” se rebaptizaram, uma vez que concluíram que o
baptismo realizado quando bebés era inválido. Enquanto o
movimento anabaptista tinha outros pontos de vista que o
distinguiam da Igreja Reformada de Zwingli (separação da igreja
e do estado, por exemplo), esse evento (e a teologia que ele
representava) se tornou tão fortemente associado ao grupo que o
seu próprio nome reflecte o seguinte:

“O nome anabaptistas, que agora é aplicado a eles, ultimamente tem vindo a ser usado,
derivando o seu assunto da questão do santo baptismo, sobre o qual seus pontos de vista
diferem de todos (chamados) aquelesque faziam parte da Cristandade.” (Braght, "Espelho
dos Mártires", 1660, p. 16)

A visão anabaptista sobre o baptismo infantil é resumida na seguinte passagem:

29
“Do Santo Baptismo, porque nós preferimos este em todas as outras cláusulas, em nossa
história:“ ... Porque é o único sinal e prova da incorporação visível à igreja cristã, sem o
qual ninguém, qualquer que seja a sua profissão, ou quão separada e piedosamente a pessoa
possa levar a vida, não tem como ser reconhecido como um verdadeiro membro da Igreja
Cristã ... Porque isto é, além da contradição, a única cláusula pela qual os outros nos
chamam Anabaptistas. Pois, como todos os outros chamados cristãos, ainda que sem
verdadeira justificação, têm isso comum, baptizarem crianças; enquanto que no nosso
posicionamento, o baptismo somente é acompanhado de fé e penitência, segundo a palavra
de Deus, é administrado aos adultos; segue-se que connosco são baptizadas pessoas que
receberam o baptismo em sua infância, sem fé e arrependimento; ao crerem e se
arrependerem, são novamente, ou pelo menos, verdadeiramente baptizados; porque entre
nós o baptismo anterior, uma vez que é sem fundamento verdadeiro, e sem a palavra de
Deus, não é considerado baptismo. ”(Braght,“ Martyrs Mirror ”, 1660, p. 16)

Em comparação com os sucessores da Igreja Luterana e Reformada, os anabaptistas são um


grupo comparativamente pequeno hoje, com os Amish, Menonitas e Huteritas
compreendendo cerca de 600.000 membros em todo o mundo. No entanto, embora não haja
uma linha de sucessão ininterrupta entre os anabaptistas e os baptistas modernos (mais de
32.000.000 de pessoas nos EUA), há, sem dúvida, uma grande semelhança doutrinária. Os
ana-baptistas podem ser considerados os predecessores espirituais do movimento baptista
americano.

Agricultor Amish em Lancaster County, PA (1987)

30
OS BAPTISTAS

“A verdadeira constituição da Igreja é de uma nova criatura baptizada no Pai, no Filho e no


Espirito Santo: A falsa constituição é a do baptismo de crianças: Nós professamos, portanto,
que todas aquelas Igrejas que baptizam crianças fazem parte da falsa constituição: e todas Igrejas
que baptizam a nova criatura, aqueles que são feitos discípulos através do ensinar homens,
confessando sua fé e seus pecados, são de uma verdadeira constituição... ”- John Smyth, “The
Character of the Beast”, 1609 (The Baptists: A People Who Gathered "To Walk in All His Ways.":
Christian History, Issue 6, (Carol Stream, IL: Christianity Today, Inc.) 1997)

O movimento baptista surgiu dos movimentos puritanos / separatistas na Inglaterra, no século


XVII.Os puritanos, geralmente calvinistas, queriam que a Igreja da Inglaterra fosse mais
democrática na sua estrutura governamental, e menos católica em suas armadilhas, liturgia e
rituais. (Os puritanos eram membros da Igreja da Inglaterra, que desejavam "purificar" a
igreja de dentro.) Os separatistas eram mais radicais, desejando uma ruptura completa da
Igreja da Inglaterra. Fora do movimento Separatista vieram juntos os peregrinos e os
baptistas.

O homem frequentemente citado como o “primeiro” Baptista é John Smyth (1570 – 1612),
um ex-padre anglicano que se tornou,em sucessão, um puritano, um separatista e, finalmente,
um baptista. Em 1608, John Smyth (com a ajuda de Thomas Helwys (? -1616)) levou um
grupo de seguidores separatistas para Amsterdã. Durante este período, menonitas,
descendentes dos anabaptistas do século XVI, influenciaram Smyth e seus seguidores.

Em 1609, em uma cena que lembra um pouco a cerimônia do “re-baptizar” anabaptista em


Zurique que ocorreu 90 anosantes, Smyth re-baptizou a si mesmo e 40 seguidores,
argumentando que o baptismo que recebeu sendo criança era inválido. O que logo se tornaria
a Igreja Baptista havia começado.

Em 1644, um grupo de Baptistas Particulares Calvinistas publicou sua “Confissão de


Londres”, afirmando o batismo de crente como um dogma chave:

“O baptismo é uma ordenança do Novo Testamento, dada por Cristo, a ser dispersa
somente sobre pessoas que professam fé. O modo e a maneira de dispensar esta Ordenança
segundo as Escrituras é a seguinte: mergulhar todo o corpo debaixo d'água. ”-“ A Confissão

31
de Londres (1644) ”(Os Baptistas: Um Povo Que se Reune "Para Andar em Todos os Seus
Caminhos". História Cristã, Edição 6)

Conforme observado no texto acima, em negrito, o baptismo de crentes e o baptismo por


imersão eram centrais para as suas crenças –foi a separação final das visões agostinianas
sobre o baptismo.

O GRANDE DEBATE - BAPTISMO INFANTIL VS. BAPTISMO DOS CRENTES

Talvez o maior debate contínuo sobre o baptismo na Igreja Universal seja o baptismo infantil
versus o baptismo dos crentes. Nesta secção, examinamos alguns dos argumentos básicos de
ambos os lados da questão.

Em geral, aqueles que acreditam no baptismo do crente esboçam os seguintes argumentos a


favor de sua posição:

• O baptismo infantil não é mencionado na Bíblia, que é a única autoridade para os


cristãos
• O baptismo infantil não aparece nos escritos dos primeiros Pais da Igreja até Irineu c.
182/88, mais de 100 anos após a redação dos Evangelhos.
• Cristo afirma em Marcos 16:16 que “Quem crer e for baptizado será salvo, mas quem
não crer será condenado.” (NVI), indicando que a fé deve preceder o baptismo.

O Baptismo Infantil Não É Mencionado Na Bíblia, Que é a Única Autoridade Para Os


Cristãos

Talvez o argumento mais forte contra o baptismo infantil é que ele não é explicitamente
mencionado no Novo Testamento:

“A palavra de Deus, em toda a sua extensão e largura, não contém uma sílaba de autoridade
para o baptismo infantil, na forma de mandamento, de preceito, de permissão, de exemplo ou
de qualquer outra forma. Nesse livro, nenhuma palavra, em nenhum lugar, é proferida em
relação a isso. ”(R.B. Howell,“ Evils of Infant Baptism ”, p. 11)

32
Aqueles a favor do baptismo infantil referem-se tipicamente a:

• O Novo Testamento se refere aos baptismos domésticos

“Todos devem ver agora que o pedobaptismo, que recebe tão forte apoio das Escrituras,
não é de forma alguma uma invenção humana. Tampouco há qualquer coisa plausível na
objecção de que, em parte alguma, tenhamos lido que até uma criança foi baptizada pelas
mãos dos apóstolos. Pois, embora isso não seja expressamente narrado pelos evangelistas,
ainda que eles não sejam expressamente excluídos quando é feita menção de alguma família
(Atos 16:15, 32), que homem de bom senso argumentará a partir disso que eles não foram
baptizados?” (Calvino, p. 1476/77)

Em Lucas 18:16, Cristo declara: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o
Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas”. (NIV)“Não devemos negligenciar
levianamente o facto de que o nosso Salvador, ao ordenar que as criancinhas sejam trazidas
a ele, acrescenta a razão,“ de tal é o reino dos céus ”... Se é certo que as crianças devem ser
trazidas a Cristo, por que eles não deveriam ser admitidas no baptismo, o símbolo de nossa
comunhão com Cristo? Se o reino dos céus é deles, por que lhes seria negado o sinal pelo
qual o acesso, por assim dizer, é aberto à Igreja, que sendo admitidos nele podem ser
inscritos entre os herdeiros do reino celestial? ”(Calvino, 1475/6)

• Atos 2: 38-39 parece conectar o baptismo com as crianças:

(Atos 2: 38/39 NVI) “Pedro respondeu: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja baptizado
em nome de Jesus Cristo para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo.
Pois a promessa é para vocês, para os seus filhos e para todos os que estão longe, para todos
quantos o Senhor, o nosso Deus, chamar”

TRADIÇÃO DA IGREJA

Um argumento padrão a favor do baptismo infantil é que os primeiros Pais da Igreja,


incluindo Orígenes, Agostinho e Hipólito, o aceitaram quase universalmente:

“Tanto no Oriente como no Ocidente, a prática de baptizar crianças é considerada uma regra
de tradição imemorial. Orígenes, e depois Santo Agostinho, consideraram uma "tradição
recebida dos apóstolos". Quando a primeira evidência directa do baptismo infantil aparece no
segundo século, nunca é apresentada como uma inovação. São Irineu, em particular,
considera que é claro que os baptizados devem incluir "bebés e crianças pequenas", bem

33
como adolescentes, adultos jovens e idosos. O mais antigo ritual conhecido, descrito no início
do terceiro século da Tradição Apostólica, contém a seguinte regra: "Primeiro baptize os
filhos. Aqueles que puderem falar por si mesmos devem fazê-lo. Os parentes ou alguém de
sua família deve falar pelos outros ". (“Instrução sobre o baptismo infantil”, da Sagrada
Congregação para a Doutrina da Fé - Aprovada por Sua Santidade o Papa João Paulo II, 20
de outubro de 1980)

O argumento contra essa posição geralmente aponta que não há registo de baptismo infantil
na igreja até uma possível referência de Irineu no final do segundo século (c. 182/88), cem
anos depois os Evangelhos Sinópticos terem sido escritos.

“Não até um período tão tardio quando - pelo menos certamente não mais cedo do que isso -
Irineu parece ser um traço de baptismo infantil. O facto de ter sido reconhecida como
tradição apostólica no terceiro século é mais uma evidência do que a admissão de sua
origem apostólica, especialmente porque, no espírito da época em que o cristianismo
apareceu, havia muitos elementos que devem ter sido favoráveis à introdução do baptismo
infantil... “ (Howell, p. 18)

Deve-se notar também que a passagem de Irineu, mencionada pela Sagrada Congregação
para a Doutrina da Fé acima, não menciona realmente o baptismo infantil pelo nome:

“Eis porque passou por todas as idades, tornando-se criança com as crianças, santificando
as crianças; com os adolescentes se fez adolescente, santificando os que tinham esta mesma
idade e tornando-se ao mesmo tempo para eles o modelo de piedade, de justiça e de
submissão. Jovem com os jovens, tornou-se seu modelo e os santificou para o Senhor; da
mesma forma se tornou adulto entre os adultos, para ser em tudo o mestre perfeito, não
somente quanto à exposição da verdade, mas também quanto à idade, santificando ao mesmo
tempo os adultos e tornando-se também modelo para eles.” (Irineu, “Contra as Heresias”, II,
Cap. 22, Seção 4)

João Calvino avalia se houve um longo período de tempo entre a redação dos Evangelhos e a
aceitação geral do baptismo infantil pelos Pais da Igreja:

“A afirmação que eles (os anabaptistas) disseminam entre as pessoas comuns, que uma longa
série de anos após a ressurreição de Cristo passaram, durante a qual o pedobaptismo era

34
desconhecido, é uma afirmação vergonhosa, só porque não há escritor que traça a origem
pedobaptismo até os dias dos apóstolos.” (Calvino, p. 1477)

Marcos 16:16 - A Fé Precede O Baptismo

Um ponto-chave no arsenal daqueles que acreditam no baptismo do crente é o facto de Cristo


afirmar em Marcos 16:16 que “Quem crer e for baptizado será salvo, mas quem não crer será
condenado.” (NIV). Isso parece estabelecer uma ordem, primeiro crer e depois ser baptizado:

“Somente aqueles que crêem no evangelho, eles são exigidos a baptizar. As pessoas a serem
baptizadas são minimamente descritas como crentes. Os crentes, e somente crentes, devem
ser baptizados. Uma lei para baptizar os crentes é necessariamente confinada em sua
administração aos crentes. Não abraça outros. Para baptizar qualquer outro é uma violação
da lei. Isso é ilegal. É proibido. Os bebés não são crentes. ”(Howell, p. 21)

John Smyth, talvez o primeiro baptista, acreditva que o baptismo do Espírito é necessário
para um baptismo ser válido (uma visão que mais tarde se tornaria uma parte fundamental do
pentecostalismo do século 20):

“Porque o baptismo não é o banho com água; mas é o baptismo do Espírito, a confissão da
boca e a lavagem com água; como, então, pode alguém sem grande loucura lavar-se com a
água que é o menor e último do baptismo? Alguém que não é baptizado com o Espírito não
pode confessar com a sua boca: ou como é baptismo se alguém só for lavado: Assim sendo,
está claro que uma criança não pode ser baptizada com o Espírito, 1 Pedro. 3:21. Onde o
apóstolo diz que o baptismo do Espírito é a questão de uma boa consciência para Deus, e
Hb. 10:22. Onde o baptismo interior é chamado aspersão do coração de uma má
consciência: vendo, portanto, que as crianças não têm uma consciência maligna, nem a
questão de uma boa consciência, nem a purificação do coração, pois tudo isso é próprio dos
verdadeiros pecadores. Portanto, segue-se que o baptismo infantil não é nada e é uma
loucura. "- John Smyth “The Character of the Beast” (1609) (The Baptists: A People
Who Gathered "To Walk in All His Ways.” Christian History, Issue 6)

João Calvino entendia que a passagem de Marcos 16:16 referente à ordem de crença /
baptismo se referia especificamente aos adultos, e não deveria ser aplicada aos bebés:

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“Todo aquele que crer e for baptizado será salvo. Há uma sílaba sobre as crianças em todo o
discurso? Qual, então, é a forma de argumentação com a qual eles nos atacam? Aqueles que
são da idade adulta devem ser instruídos e trazidos à fé antes de serem baptizados, e,
portanto, é ilegal fazer o baptismo comum aos bebés. Eles não podem, no máximo, provar
qualquer outra coisa desta passagem, além de que o evangelho deve ser pregado àqueles que
são capazes de ouvi-lo antes de serem baptizados; pois de tal apenas a passagem fala.”
(Calvino, p. 1494/95)

O debate continua a irromper até hoje.

36
FONTES

37
Créditos fotográficos:

• Todas as fotos coloridas colocadas - Robert C. Jones


• Gravuras em preto e branco de “The History of Protestantism” de J.A. Wylie (Ages
Software, 1997)

38
NOTAS

39
SOBRE O AUTOR

Robert C. Jones cresceu em Filadélfia, Pensilvânia. Ganhou a


vida como líder / músico da banda de lounge do hotel de 1974-
1981. Em 1981, mudou-se para a Atlanta, na Geórgia, onde
recebeu um B.S. (Bacharel em Ciências) em Ciência da
Computação no DeVry Institute of Tech-nology. De 1984 a 2009,
Robert trabalhou para a Hewlett-Packard como consultor de
informática.
Robert é um ancião ordenado na Igreja Presbiteriana. Ele
escreveu e ensinou vários cursos de Escola Dominical para
adultos. Ele também tem estado activo em ministérios de coro ao
longo dos anos e tem ensinado o Estudo Bíblico o Discipulado
seis vezes.

Robert também é presidente da Sociedade Histórica de Kennesaw, para a qual escreveu


vários livros, incluindo "The Law Heard 'Round the World - An Examination of the
Kennesaw Gun Law and Its Effects on the Community”, “Retracing the Route of the General
- Following in the Footsteps of the Andrews Raid”, and “Kennesaw (Big Shanty) in the 19th
Century”. A new book, “Images of America: Kennesaw”, foi publicado pela Arcadia em
2006.

Robert também escreveu vários livros sobre cidades-fantasmas no sudoeste in Death Valley,
Nevada, Arizona, New Mexico, and Mojave National Preserve o Vale da Morte, Nevada,
Arizona, Novo México e Mojave Preserve Nacional.

Em 2005, Robert foi co-autor de um livro orientado para negócios intitulado “The Challenges
of Virtual Teams". His co-authors were Lise Pace and Rob Oyung.

Seus interesses incluem a Guerra Civil, Mosteiros Medievais, ferrovias americanas, cidades
fantasmas, caminhadas no Vale da Morte e no Mojave, e Arqueologia Bíblica.

robertcjones@mindspring.com
http://www.sundayschoolcourses.com/

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Cursos de “História e Teologia Cristã”:

 A Brief History of the Celebration of the Lord’s Supper


 A Brief History of Christian Baptism
 A Brief History of the Inquisition
 A Brief History of Protestantism in the United States
 A Brief History of Western Monasticism
 Acts of the Apostles: Background and Commentary
 Angels: In the Bible, the Apocrypha & the Dead Sea Scrolls
 Apocrypha and Christianity, The
 Basic Christian Theology
 Crusades: A Brief History (1095-1291), The
 Dead Sea Scrolls and Christianity, The
 Evidence for the Gospel Accounts of Jesus Christ
 Heaven: In the Bible, the Apocrypha and the Dead Sea Scrolls
 Hell and the Devil: In the Bible, the Apocrypha and the Dead Sea Scrolls
 Heresies & Schisms in the Early Church
 Holy Spirit: In the Bible, the Apocrypha and the Dead Sea Scrolls, The
 Jewish Religious Parties at the Time of Christ Part One: Pharisees and Sadducees
 Jewish Religious Parties at the Time of Christ Part Two: The Essenes
 Joseph of Arimathea: Biblical & Legendary Sources
 Meet the Apostles - Biblical and Legendary Accounts: Part One – The Twelve
 Meet the Apostles - Biblical and Legendary Accounts: Part Two – After the Twelve
 Messiah – In the Old Testament, the Apocrypha, and the Dead Sea Scrolls, The
 Origins of the Major Protestant Denominations in the United States
 Origins of the New Testament
 Revelation: Background & Commentary
 “Romans” and the Reformation
 Top 25 Events in the History of the Christian Church, The
 Search for the Pre-Incarnate Christ in the Old Testament, The
 Theological Roots of the Protestant Reformation: A Handbook
 Women as Leaders in the Church: From Miriam to Joan of Arc
 Worship and Cultural Patterns in the Early Church

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