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(
(
Paródia, paráfrase & Cia.
Affonso Romano de
Sant'Anna
R~~~I~
12 Teoria do conto
I
(

HaIJ
! Nádia Battella Gotlib • 1

(
13 A personagem ,I
11 Beth Brait
4 O foco narrativo
Ligia Chiappini
1 Moraes Leite
'5 A crônica
(

(
16'

17
Jorge de Sá
Versos, sons, ritmos
Norma Goldstein
Erotismo e literatura
Jesus Antonio Durigan
......Monteiro
~1
8 Semântica
Rodq.lf.o lIari & João Doutor em História pela USP
(
Wandertev Geraldi Professor da Universidade de Brasília
( " A pesquisa
sociolingüística ~ ..• ·Ii

(
10
Fernando Tarallo
Pronúncia do inglês
norte-americano
]/?1:
Martha Steinberg
r 11 Rumos da literatura
inglesa

( :2
Maria Elisa Cevasco &
Valter Lellis Siqueira
Técnicas ,
de comunicação escrita
Izidoro Blikstein
OFE ISMO:
ECONOMIA E
3 O caráter social
( da ficção do Brasil
Fábio Lucas
( 4 Best-seller:
a literatura de mercado

_.,g('tI"\'JIEDADE
Muniz Sodré
5' O signo
Isaac Epstein
6 A dança
( Miriam Garcia Mendes
V Linguagem e persuasão
Adilson Citelli ~) Martl". Fo"te.
( ~ EdItora LIda.
8 Para uma nova gramática
( do português sAo PAULO:
Mário A. Perini Rua Dr. Vila Nova, 309
CEP 012222 - Tel.: (011) 259·8836 '
( ~ A telenovela Rua Conselheiro Ramalho, 330/340
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( D A poesia lírica Praça da Indapendência, 12
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RIO DE JANBRO:
( Períodos literários Rua da AlfAndaga, 91-C
Lígia Cademartori CEP 20070 - Tel.: (021) 221-2823

2 Informática e sociedade
Antônio Nicolau Youssef & ~
Vicente Paz Fernandez

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I • '11"!
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21
( r Georges Duby apresenta a situação demográfica euro-

r
I
I
5 péia entre os séculos VI e IX e distingue três etapas. A
primeira vai dos séculos II e III até o VII e sua caracte-
rística é o declínio da curva demográfica. Aponta cómo
razões: as invasões, as guerras, a subnutrição e as epide-
r A primeira idade feudal mias, das quais a mais devastadora e longa foi a peste I'
lIa ~,

( II
bubônica que se abateu sobre a Europa Ocidental no
( século VI. Por estimativas, chega a apresentar alguns índi-
r ces de densidade populacional: Gália, 5,5 hab.Zkmê; Ger-
mânia, 2,2 e Inglaterra, 2.
r
( Neste vazio humano, o espaço é superabundante. Nestas ,
condições, a base de uma fortuna não é a posse do solo,
( tfl!
mas o poder sobre os homens, sem dúvida bastante mise- I

( I
ráveis, e sobre seus muito pobres utensílios de trabalho. ........J
( I
As forças produtivas ~ ..•. (DUBY, 1980"p. 17) I

( I
I
( o fator demográfico A segunda etapa vai do século VII até o início do I
I

r século IX. É a fase de elevação da curva demográfica.


'Duby aponta como razões desse crescimento: a maior
(
Neste aspecto, o que caracteriza a primeira idade
feudal é o vazio demográfico. Podemos notar momentos segurança (em decorrência do estabelecimento dos caro-
(
de subida da curva demográfica, paralelamente ~à dimi- língios à frente dos francos ,e o subseqüente domínio de
r nuição da taxa de mortalidade ou elevação da taxa de grande parte da Europa Ocidental), a contenção das inva-
r natalidade; entretanto, o que sobressai é o espaço despo- sões e o espaçamento das epidemias.
I
( voado ou pouco povoado. As matas são numerosas, tam- Para a região' parisiense, ele apresenta índices entre I
I
( bém o são as charnecas e os baldios. Mesmo nas áreas 26 e 35 hab.Zkmê, bem elevados se compararmos o de 5,5 I
i" .j
( cultivadas, cerca de 50% da terra, fica em repouso, às que apresenta para o século VI. Entretanto, não devemos •
I i
vezes, por tempo demasiado longo, demonstrando não esquecer que esses levantamentos populacionais referem-se
r haver necessidade de explorá-Ia com maior freqüência às áreas povoadas e que grande parte da Europa ainda
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r (BLOCH, 1979, p. 81). não estava habitada. De qualquer modo, verifica-se que
(
A seguir às grandes invasões, as florestas conquistaram
muitos mansi passam a ser explorados por duas ou três ~
um campo notável em detrimento das terras cultivadas, e famílias. Esta pressão demográfica provocou, por um lado,
não dispomos de garantias de que posteriormente tenham o início de um processo migratório e, por outro, uma ten-
( sofrido um novo recuo sério antes do fim do século X. dência à subnutrição que contribuirá para novamente
aumentar a mortalidade no início do século IX.
( (FOURQUIN, 1981, p. 33) II.
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22 23
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(
Na terceira etapa, depois de um relativo declínio em adapta-se um jogo de rodas dianteiro que permite sulcos
( meados do século IX, a curva demográfica volta a subir, mais profundos. Expandem-se os moinhos a água. A rota-
( a partir de fins deste século, como resultado da ampliação ção torna-se trienal. O uso do ferro para instrumentos
( das áreas de cultivo e de progressos na técnica agrícola. agrícolas se difunde. Descobre-se a importância do adubo
Em conseqüência, as taxas de natalidade se elevam, en- animal e o gado é levado a pastar nas terras em pousio.
(
quanto as de mortalidade caem, daí os séculos X e XI A produtividade eleva-se, se bem que ainda possa ser
( serem caracterizados por grande aumento populacional. considerada baixa, em relação aos níveis que se verificarão
(
no século XI' (FOURQUIN, 1981, p. 39-43 e ANDERSON,
( I 1983, p. 186).
( ,
,I o nível técnico
No século IX, inclusive antes, introduziu-se certo número
( I.

~
o Império Romano, ao ser invadido, encontrava-se de inovações técnicas nos métodos produtivos que foram
í em franca decadência, e os germanos invasores não trouxe- um grande avanço sobre os métodos da Antigüidade Clás-
~
( ram à Europa romana nenhuma inovação técnica signifi- sica.
cativa. Acrescente-se, por razão da própria conquista, a (RODNEY HILTON apud AN'DERSON. 1983, p.
(
"destruição de grande quantidade de forças produtivas" 185)
í (MARX, 1977, p. 23). Além do dec1ínio demográfico já
( citado, decai a indústria e o comércio se restringe. As
( estradas deixam de ser cuidadas e o transporte torna-se A organização da produção
difícil. Grandes extensões de terra que antes eram cultiva-
(
das são ocupadas por matas. Nesse quadro, QS homens Em decorrência das invasões, a economia tenderá à
(
tendem a dispersar-se pelos campos e preocupar-se em pequena produção camponesa. A ênfase deve ser dada a
í produzir para sua satisfação imediata. Produção de valor, este ponto: não há desaparecimento do 'comércio e da
( de uso. Homens escassos e terra abundante.
indústria (uso o termo em seu sentido lato, que indica:
Os instrumentos de trabalho, nesse princípio da Alta
(
Idade Média, são rudimentares. Duby (1980, p. 17-21)
atividade de transformação =setor secundário); o que
( houve, de fato, é que toda a economia tendeu à produção
mostra que os trabalhos arqueológicos não denunciaram
( de valor de uso. Comerciava-se o excedente, mas, mesmo
a existência de instrumentos de ferro. O arado, provavel-
assim, a curta distância. Havia o comércio do sal e o
í mente, era de madeira e, no máximo, tinha a ponta reves-
tida de metal. Sua fragilidade não permitia fazer sulcos comércio de artigos orientais, que podem ser caracteri-
(
profundos; conseqüentemente, a produtividade era baixa, zados como de longa distância, porém ambos não altera-
( vam a direção da economia européia, ainda mais que o
e o pousio, para regeneração da terra, uma necessidade.
( segundo era restrito, no sentido de que era dirigido para
Normalmente, metade da terra de cultura ficava em
( fi
'I descanso. certos sítios, como a corte papal, para a sede de algum
( Entretanto, entre o século VIII e o fim do século importante prelado ou de algum nobre muito rico. Comér-
IX, há sensível melhoria técnica. O arado é aperfeiçoado: cio de artigos de luxo para poucos compradores.
(( II
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25

A economia voltou-se não só para a pequena produção zou, principalmente, o período merovíngio - entregar sua
camponesa, como teve seu centro de gravidade deslocado terra ao dominus vizinho e recebê-Ia de volta, em troca
para a área rural. "A Idade Média (período germânico) de proteção.
( começa com o campo como cenário da história" (MARX, A villa encontra-se, pois, em pleno processo de ascen-
1977, p. 74-5). são e tenderá a ocupar cada vez mais um relevante papel
econômico e, posteriormente, político, quando evoluirá
( em direção ao senhorio.
r \ A vil/a e o vicus A villa dividia-se em três partes: o mansus indomi-
.( j No campo, o microcosmo da economia, no período
nicatus ( domínio ou reserva senhoriais); os mansi (as
~ faixas dos camponeses) e a terra de uso comum (bos-
em questão, residia na villa e no vicus. A villa era a ques, charnecas, baldios e pastagens).
grande propriedade *, em mãos da classe dominante -
leiga ou eclesiástica (Documento n. 2, p. 27). O vicus
era a aldeia de origem gaulesa e seus habitantes (a comu- o mansus indominicatus ,.;
nidade camponesa) cultivavam a terra de seus arredores,
de forma coletiva ou na base da pequena propriedade inde- A parte da villa que ficava sob o controle direto do
pendente (o alódio). senhor ou, em alguns casos, de um administrador designa-
( Não fica difícil imaginara importância da relação do por ele, é conhecida como mansus indominicatus ou,
entre a villa e. o vicus, principalmente como reduto (este simplesmente, 'como domínio.
( último) de mão-de-obra em potencial, numa época em Possuía um conjunto de construções, geralmente forti-
que a densidade demográfica era muito baixa. O vicus ficado, onde se situavam a residência senhorial, as oficinas
atraía o interesse do dominus (o detentor da villa j também dos artesãos, estábulo, cavalariça, um horto, um pomar
devido ao fato de que era mais fácil apoderar-se de suas etc. e, dependendo da época, as acomodações para os
( terras já aradas do que desbravar os bosques, charnecas etc. escravos. Nas oficinas, as atividades se distribuíam entre
Na região entre o Loire e o Reno, as villae conviviam fiação, tecelagem, marcenaria, metalurgia etc. A preocupa-
com numerosos vicio O que se observa entre os séculos ção era depender o mínimo possível de aquisições externas,
VII e IX é a tendência à ampliação da villa, desbravando para evitar gastar as poucas moedas e peças de ouro e III
r prata acumuladas.
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,
novas áreas, mas também incorporando o vicus, suas terras i

e seus habitantes. Além disso, há uma porção de terra, cultivada em


Essa incorporação/expropriação ocorreu de várias ma- parcelas ou não, cujo produto é exclusivamente do senhor.
c neiras: por meio da violência da classe dominante e por Esta terra é trabalhada por escravos (tendendo a diminuir
no decorrer do tempo), por camponeses que devem a
( meio da tendência oposta de o camponês independente _
amedrontado e ameaçado pela "anarquia" que caracteri- corvéia (trabalho gratuito na terra senhorial) ou, em alguns
(
casos, por trabalhadores eventuais contratados no vicus.
* Em verdade, o detentor de uma vil/a não tinha sua propriedade, A proporção desta parcela senhorial no conjunto da
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( í mas sim a posse. (N.A.) villa variava de um terço à metade, porém com tendência ~

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a diminuir à medida que o senhor, para atrair mão-de-obra A terra comunal


e obter maior quantidade de renda em gêneros, concedia
r- parcelas de sua terra em forma de mansus. Apesar de fazer parte das reservas senhoriais, a terra
r- I
./
comunal podia ser utilizada pelos possuidores dos mansi.
Constituía-se de bosques, charnecas, prados. etc.
r: Os mansi Na região acima do Loire, as matas e baldios ocupa-
r- vam um surpreendente espaço. Por esse período, as terras
r- Outra parte da vil/a era dividida em faixas - os aradas representavam verdadeiras "ilhas" e a floresta de-
r- mansi - que eram entregues aos lavradores. O mansus sempenhava papel primordial. Fourquin assinala que ela
variava de tamanho, dependendo da região ou da condição
r- daquele que o recebia, e era calculado para prover às
é "um ramo de economia rural, e um ramo de primeira
ordem" (1981, p. 8). Complementava a alimentação dos
( necessidades de uma família. Era a menor unidade em homens e animais, fornecia madeira e lenha, permitia a'
r- termos de percepção de impostos e obrigações militares, fabricação de carvão e constituía fonte de lucros para o
( sendo também a menor unidade em termos de exploração seu proprietário, que vendia aos aldeões o que não lhes
(
agrária. era permitido tocar. Havia itens específicos na lei sálica
( A princípio; havia dois tipos básicos de mansus, con- quanto aos direitos de sua utilização, e outras prescrições
forme a condição jurídica do recebedor: o mansus servil, foram sendo aplicadas conforme a relação entre o senhor
(
concedido a um escravo, e o mansus ingênuo, concedido e a comunidade camponesa.
r- a um homem livre (em algumas regiões, havia os mansi Esta terra comunal tendeu a se reduzir e o senhor
( lidiles, concedidos aos libertos, categoria intermediária passou a dificultar o acesso a ela, ao mesmo tempo que
( entre escravo e livre). a expansão da agricultura fez desaparecer inúmeras delas.
O camponês, já tão esgotado por taxas e obrigações, viu-se
í A diferença entre os dois tipos de. mansus residia,
privado dessa parcela tão importante para sua sobrevi-
( principalmente, nas exigências a que estavam obrigados, vência.
( com relação à prestação de trabalhos e serviços. O deten-
r: tor de mansus ingênuo estava obrigado a prestar serviço Documento n. 2
de carreto e trabalhar nas épocas de plantio ou colheita.
Já o detentor do mansus servil, além de outras tarefas, Esta capitular de Carlos Magno (742-814), sobre
( 1'1 estava obrigado à corvéia semanal (geralmente três dias por uma villa imperial, dá-nos o conhecimento do que o titular
( I semana) e durante. o ano todo. desse tipo de propriedade poderia obter.
I,
(
I V Esta diferença entre mansus servil e ingênuo com o Capo 62 - Que cada mordomo 1 faça um relatório anual de
( jji tempo desapareceu. Por volta do século IX, todos tende- todos os nossos rendimentos agrícolas: um rol do que os
nossos boieiros cultivam com os bois e dos "mansos" 2
( I.
ram a ser servis. Engels enfatiza o papel da guerra no
que devem lavrar: um rol dos leitões. das rendas. das obri-
( " processo que transformou os vários tipos de trabalhadores gações e multas; da caça apanhada nas nossas florestas.
agrícolas em servos. sem licença; das várias composições; dos moinhos, das
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29
( florestas, dos campos, das pontes e barcos; dos homens
livres e das • centenas" 3 que têm obriqações para com o vida e na civilização material, unidade selada pela identi-
nosso fisco; dos mercados, das vinhas e daqueles que nos dade da fé e numerosos matrimônios mistos". (Documento
devem vinho; do feno, da lenha, varas, tábuas e outras n. 3, p. 32-3.)
espécies de madeiras; das terras vedadas; dos vegetais,
Os períodos merovíngio e carolíngio iriam assistir ao
milhete e painço; da lã, linho. e cânhamo: dos frutos das
árvores, das aveleiras, tanto das maiores como das mais
movimento que levou esse segmento social a transformar-
pequenas; das árvores enxertadas de todas as espécies; -se no senhorio feudal. Convergem para esta conclusão
( dos hortos; dos nabos, dos viveiros de peixes; das peles duas atitudes: de um lado, ações deliberadas ou omissões
e colros. do mel e cera; da gordura, sebo e sabão; do do Estado; de outro, a própria pressão da classe dominante.
r vinho de amoras, vinho cozido, hldrorneí.: vinagre, cerveja, Elemento fundamental para a formação do senhorio
r vinho novo e velho; do trigo recente e antigo; das galinhas foi o hábito de os monarcas pagarem aos seus guerreiros
( e ovos; dos gansos; dos pescadores, ferreiros, armeiros e e servidores das mais altas funções com a concessão de
sapateiros; das arcas e cofres; dos torneiros e seleiros;
( uma extensão territorial, para que dali retirassem os rendi-
das fo~s .e covas, ou seja das minas de ferro e outras
í mentos. O benefício, como eram conhecidas estas terras,
e das minas de chumbo; dos tributários; dos poldros e
não pertencia ao recebedor: este guardava-o como pos~.;. "
eguazinhas. Dar-nos-ão conta de tudo isto, descrito separa-
damente e em ordem, na Natividade do Senhor, a fim de Esta tendência levou a concessões semelhantes à
podermos saber o que temos de cada coisa e em que Igreja Católica Romana, a partir da conversão do rei
quantidade. Clóvis ao catolicismo e da íntima associação entre o Reino
( Franco e a Igreja.
[Monumenta Germaniae Historica - Capitula-
r ria Regum Francorum, ed. A. Boretius, t. Para isentar os benefícios eclesiásticos dos impostos,
I, Hannover, 1883, pp. 85 a 89.] taxas e obrigações devidas ao monarca, os reis foram
+Ludex no original latino. 2 Casais. 3 Centena é neste caso
concedendo a estes "feudos" as imunidades. Com isso, estes
(,
uma unidade administrativa nos domínios do fisco. ficavam livres das exações fiscais e não precisavam se I

r sujeitar aos funcionários reais. Essas concessões, a prin-


I

J
cípio feitas apenas ao clero, estenderam-se a muitos titu- I

I
o~;organizadores da produção: lares leigos.
I
o '\senhorio feudal Os funcionários reais (condes, margraves etc.), en- J
I
quanto titulares de funções públicas, recebiam junto com I
( I
I
" Se quisermos buscar a origem da classe dominante da o cargo grande extensão de terra. As terras e o cargo I
I
_p~eira idade feudal, vamos encontrá-Ia na fusão entre constituíam, no conjunto, as honores. 11 I

os grandes proprietários galo-romanos e os chefes mili- Reproduzindo a atitude do monarca, esses grandes I;
11
I
I
dignitários foram levados a conceder benefícios na região 'I
tares das invasões germânicas, notadamente os francos. I
I
Pelo final do século VI, conforme assinala Lucien Musset sob seu controle, usando terras ainda não enfeudadas. :1 I
(1967, p. 141), essa nova classe já está estruturada: "fun- Instala-se, portanto, uma hierarquização entre os se- I
I
dida em uma verdadeira unidade, baseada no gênero de "1- nhores de benefícios, com base na titulação de quem os I
I
concede. Podem-se distinguir duas categorias: os vassi 11
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'I

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30 I
31 I

I
dominici, vassalos diretos do rei, e os vassalos destes vas- como propriedade do seu detentor. Ao enfeixar em suas I
( saIos diretos. mãos atribuições que antes se configuravam como públicas, I

( Para cimentar essas concessões e para manter sua ao tratar a região sob seu controle como se propriedade
autoridade, os reis carolíngios estimularam a vassalagem i privada o fosse, e ao exercer o mando sobre os que nela
trabalham ou residem, a classe dominante assume a con-
(
em dois níveis': primeiro, os que deveriam jurar fidelidade I dição senhorial, dando origem ao senhorio feudal.
ao monarca - os vassalos diretos; segundo, os que deve- .1
,(
riam jurar fidelidade aos vassalosreais. Desta forma, os
reis acreditavam que manteriam a classe dominante sob
I Como se pode notar, o senhorio feudal tem duas faces.
Uma é o parcelamento do poder central (real ou imperial):
!
r
(

(
(
i controle e, no conjunto, todos dominariam os camponeses,
já em rápido processo de submissão (Documento n. 4, p.
33).
A partir do reinado de Luís, o Piedoso (814-840),
As funções
vertical de
níveis em
políticas e
consubstancial
do Estado se desintegravam em uma dlstrlbulçêo
clme para baixo, precisamente em cada um dos
que se integravam por outra parte as relações
econômicas. Este parcelamento da soberania era
a todo o modo de produção feC!dal.
I

o enfraquecimento do poder real, as constantes guerras I

--1
internas e as novas invasões fazem com que haja uma- .• (ANDERSON, 1983, p. 148)
(
tendência acentuada de todos os que ainda não se enqua-
(
draram nessa hierarquização a fazê-Io: A outra face situa-se ao nível da dominação/explo-
( ração do campesinato, agora reduzido à servidão:
. .. o senhor faz-se homem de um senhor mais poderoso
A fixação dos condes e grandes proprietários locais -por
(
cuja força, neste caso, já não reside nos vestígios de uma
função pública, mas tão só na extensão das terres e no
meio do nascente sistema de feudos ea consolidação de
I'
I
I
I
seus domínios e de seu senhorio sobre o campesinato I
( número de vassalos que o reconhecem como suserano.
seriam os cimentos do feudalismo, que lentamente se soli- I
( (PARAIN, 1973, p. 29) dificou por toda Europa nos séculos seguintes. I
( ,(ANDERSON, 1983, p. 143) I
I
Por essa época, observa-se que a função pública torna- '\'....- ./~ . I
-se hereditária e as terras inerentes ao cargo passam ao ' tó''
Entretanto, podemos deixar de enfatizar aquilo

I
.,'."
..
i' I

patrimônio pessoal do titular. Fundem-se terras de honores . que era inerente ~ senhorio: a hierarquização da classe I

( 1I com benefícios, da mesma forma que atribuições referentes '.' '>\ dominante, mediatizada e legitimada por meio de uma série li I
( II
( !
ao cargo público passam a ser usurpadas pelo senhor das
terras (Documento n. 5, p. 34).
.,('
.;>}},f!i. ,o'~,~;' ,
.c.• ' d: ritos, com ~~fundo sen~i~omístico. A classe dominan~e,
leiga ou eclesiástica, estratiíicava-se com base na extensao
i'
! I

( !1 Nos séculos IX e X, há uma certa homogeneização ! de suas terras e, por conseguinte, conforme seu poder de I I
( i: da classe .dominante. As imunidades, .direitos e poderes, ar~~~imentar tropas. E.m uma sociedade profundamente I I
f antes restntos a alguns senhores, generalizaram-se por todos mística, na qual a Igreja (o clero) desempenha papel de \
( . os possuidores fundiários. As terras só teoricamente carac- ( primeira grandeza, ritos religiosos, c?~o o ju:~mento de I: I
( ! tenzam-se como posse: de fato, passam a ser tratadas fidelidade, permeiam as relaçõesJp~als e políticas, I I
( ~ I: I
( ,; I
•. ,"
33
32

sempre: que o godo possa, se quiser. ter uma mulher


A base dessa hierarquização é a VASSALAGEM. O que 3

vai tornar-se vassalo dirige-se ao que será suserano e


I romana e que a goda possa casar com um romano [ ... ]
e que o homem livre possa casar com qualquer mulher
recomenda-se. Recomendação significa que o vassalo entre- livre [ ... ] obtido o solene consenso dos parentes e a
ga-se à proteção do suserano e em troca promete servi-Io. licença do conde.
Este ato é acompanhado do juramento de fidelidade pelo [Ferd. Walter, Corpus luris Germanici Antiqui,
qual, diante de uma relíquia religiosa ou perante os evan- Berlim, 1824, pp. 465 e 466.]
(
gelhos, o vassalo jurava ser fiel à recomendação (Documen-
r tos n. 6 e 7, p. 35 e 36). Documento ri. 4
r:
Segundo Ganshof (1976, p. 89), é por volta do final Estas duas capitulares mostram-nos como o governo
("
do século X e início do século XI que o termo feudo central estimulou e reconheceu a legalidade da subenfeu-
começa a ser empregado para caracterizar o benefício. dação, no processo de parcelamento do poder central.
r Nessa época, as instituições feudo-vassálicas terminam por ...•.

r se organizar. Senhorio feudal e servidão, estruturados,


CAPITULAR DO ANO 8471
( compõem a base do modo feudal de produção.
Queremos também que cada homem livre no nosso reino
c possa, de entre nós 2 ou de entre os nossos fiéis, escolher
( Documento n. 3
um senhor, tal como o deseje.
Esta decisão de um rei godo - Recesvinto (649- Ordenamos também que nenhum homem possa deixar o
seu senhor sem uma causa justa e que ninguém o receba,
-672), provavelmente - legaliza os casamentos entre
salvo da maneira habitual na época dos nossos prede-
germanos e romanos que vinham acontecendo, apesar de cessores,
disposições anteriores que não os permitiam. O matrimônio E sabei que queremos assegurar aos nossos fiéis o seu
( foi, também, parte importante no processo de fusão - direito e não queremos fazer-Ihes nada contra a razão. Da
a síntese - entre os dois povos. mesma maneira. recomendamo-vos. e a todos os outros
r nossos fiéis, que assegureis aos vossos homens o seu di-
LlV. 1/1, TrT. I - SOBRE AS DISPOSICOES DO
reito e não Ihes façais nada contra a razão. [ ... ]
r CASAMENTO
11
( A solícita preocupação de um príncipe está cumprida
quando foram providenciados os benefícios para futura utili- CAPITULAR DO ANO 8693
dade dos povos. Nem a ingênita liberdade [do príncipe]
( ~ Conservaremos aos nossos fiéis a sua lei e justiça, tais
deve deixar de exultar quando, quebradas as forças da anti- 't!
( " como foram aplicadas aos seus predecessores no tempo
ga lei, tiver sido abolida a sentença que pretende impedir
~ dos nossos predecessores; e queremos e ordenamos que
( sem razão o casamento de pessoas que são iguais por ,
ri os vassalos dos nossos bispos, abades, abadessas, condes e
( dignidade e linhagem. E por isto, removida a sentença da
vassalos recebam dos seus respectivos senhores a lei e a
antiga lei [ ... ] sancionamos esta lei que há-de valer para ~
(
a
(
( 1
34
35
r
r justiça tal como foram aplicadas aos seus predecessores ninguém subtraia as coisas ou poderes eclesiásticos e nada
pelos seus senhores, no tempo dos próprios predecessores. impeça o fazer-se-lhes esmola. [ ... ]
[Capitularia Regum Francorum, in Monumenta 10 - Se depois da nossa morte algum de entre os nossos
(
Germaniae Historica, ed. A. Boretius e V. fiéis, movido pelo amor de Deus e pelo nosso, desejar
Krause, Hannover, 1883-1897, t. 11, pp. renunciar ao século e tiver um filho ou um parente tal que
71 e 337.] esteja apto a servir a república, ele [o fiel] poderá, como
melhor quiser, transmitir-lhe as suas honras. E se quiser
1 Dada por Carlos o Calvo em Meerssen. 2 Referência a
Lotário, Luís e Carlos. a Também de Carlos o Calvo. viver calmamente no seu alódio, que ninguém tente impe-
di-lo disso, nem lhe seja exigido nada a não ser o necessá-
Documento n. 5 rio para a defesa da terra.
-i [Monumenta Germaniae Historica - Capitula-
Este é um extrato da importante capitular do rei ria Regum Francorum, ed. Alfredus Bore-.
Carlos, o Calvo, emitida em 877 - a capitular de Quierzy- tius e Victor Krause, Hannover, 1897, vol.
-sur-Oise - pela qual o soberano francês submetia-se e 11,p. 358.]
reconhecia a hereditariedade do feudo. 1 O termo significa, neste caso, o subordinado de um conde
I com funções judiciárias. :l--Frase acrescentada quando da
9 - Se morrer um conde, cujo filho esteja conosco, o leitura do documento ao exército.
nosso filho com outros nossos fiéis escolherá de entre
aqueles que forem mais familiares e próximos do conde, Documento n. 6
quem tome conta do condado juntamente com o bispo e
os ministeriales 1 do próprio condado, até que a ele renun- Fórmula (século VII) pela qual um homem livre
cie junto de nós. Se porém [o conde] tiver um filho menor, colocava-se a serviço de um senhor.
este, com os ministeriales do condado e o bispo de quem
AQUELE QUE SE ENCOMENDA :Ao PODER DE OUTRO
depende a paróquia, tomará conta do condado até que a
Ao magnífico senhor [ ... ], eu [ ... ]. Sendo bem sabido
notícia chegue até nós [a fim de que possamos honrar o
por todos quão pouco tenho para me alimentar e vestir,
filho [ ... ] com os cargos de seu pai] 2.
apelei por esta razão para a vossa piedade, tendo vós
Se na verdade não tiver filho, que o nosso filho com os decidido permitir-me que eu me entregue e encomende ao
outros nossos fiéis escolha alguém que juntamente com os vosso mundoburdus 1; o que fiz nas seguintes condições:
ministeriales do próprio condado e o bispo, governe o devereis ajudar-me e sustentar-me tanto em víveres como
[
condado até que por nossa ordem isso se decida. E que em vestuário 2, enquanto vos puder servir e merecer; e eu,
ninguém fique irado se nós então dermos o condado a enquanto for vivo, deverei prestar-vos serviço e obediência
qualquer outro homem, como for de nosso agrado, e não como um homem livre, sem que me seja permitido, em
àquele que até então o governava. Que se faça o mesmo toda a minha vida, subtrair-me ao vosso poder e mundo-
em relação aos nossos vassalos. Queremos e ordenamos burdus, mas antes deverei permanecer, para todos os dias
expressamente que tanto os bispos como os abades e con- da minha vida, sob o vosso poder e defesa. Logo, fica
( des e também os nossos outros fiéis procurem fazer o combinado que, se um de nós quiser deixar esta convenção,
mesmo com os seus homens; e o bispo vizinho e o conde pagará [ ... ] soldos à outra parte e o acordo permanecerá
(
'I governarão tanto os bispados como as abadias para que firme. Parece-nos pois conveniente que as duas partes inte-
(
(

(
u_
·1
I 36
1 37

ressadas façam entre si e confirmem dois documentos do homenagem desta maneira: o conde perguntou [ao vassalo]
mesplo teor, o que assim fizeram. ,I se ele desejava tornar-se o seu homem, sem reservas, e
[Monumenta Germaniae Historica - Formulae ele respondeu: "Quero". Então, tendo junto as mãos, colo-
M erowingici et Karolini aevi, ed. K. Zeu-
I cou-as entre as mãos do conde e aliaram-se por um beijo.
I
mer, Hannover, 1886, p. 158.] Em segundo lugar. aquele que havia prestado homenagem
jurou fidelidade ao porta-voz 1 dó conde. com estas pala-
1 Termo de origem germânica e grafia variável que designa
a proteção conferida por um senhor. 2 Este tipo de auxílio vras: "Comprometo-me por minha fé a ser fiel daqui por
.deveria ser o mais vulgar, mas não exclui a possibilidade diante ao conde Guilherme e a cumprir integralmente a
de outros. minha homenagem. de boa fé e sem dolo. contra todos";
r e em terceiro lugar jurou o mesmo sobre as relíqulas dos
Documento n. 7 santos. Finalmente. com uma varinha que segurava na
mão. o conde deu a Investidura a todos aqueles que por
Dois testemunhos de cerimônias de encomendação, este fato tinham prestado lealdade. homenagem e juramento.
( pela qual o nobre torna-se vassalo. No primeiro caso, um
tipo de vassi dominici (no século VIII) e, no segundo, a [GALBERTUS BRUGENSIS, Vila Karoli Comitis
Flandriae, in Monumenta Germaniae Ris-
( vassalagem por subenfeudação (em relação ao conde de torica - Scriptores, t. XII, Hannover,
Flandres, no século XII). .- ;,. 1856, p. 591.] .
(

( 1Prolocutor, em latim. Este porta-voz deveria servir de


intérprete, por o conde não conhecer a língua flamenga.
( o rei Pepino tinha a sua corte em Compendium 1 com os
francos. E aí veio Tassllo, duque dos bávaros, o qual se
encomendou em vassalagem pelas mãos, fazendo muitos e
( inumeráveis juramentos e colocando as mãos nas relíqutas Os produtores diretos: os servos
dos santos. E prometeu fidelidade ao rei Pepino e aos
r Ao iniciar o século VII, os produtores diretos estão
I supraditos seus filhos, os senhores Carlos e Carlomano,
assim como por lei um vassalo de intenções retas e firme
lealdade deve fazer e como um vassalo deve ser para com
distribuídos por três categorias principais: o camponês
detentor de um mansus, o pequeno proprietário livre e o
r I:I os seus senhores. Tassllo declarou sobre os corpos de São
Dinis •• São Rústico. Santo Eleutérlo, São Germano e
São
Martinho que cumpriria as promessas feitas nos juramentos.
escravo. Fica impossível, por falta de registros suficientes,
precisar a proporção de cada segmento no conjunto da
população trabalhadora européia. Para os objetivos desta
todos os dias da sua vida. [ ... ]
obra, basta conceituar a forma de trabalho que caracterizou
( [Annales regni Francorum, ed. F. Kurze, Ber- o modo feudal de produção e captar os traços fundamentais
lim, 1895, pp. 14.]
do' processo que levou a sua formação e instalação de
1 Compiêgne. forma tão preponderante.
11 I A forma de trabalho característica do feudalismo é
[ ... ] Na sexta-feira [7 de abril] foram de novo prestadas a servidão. É uma situação intermediária entre o escravo
( I
homenagens ao conde, as quais eram feitas por esta ordem, (ele mesmo propriedade de outro homem) e o operário da
em expressão de fidelidade e garantia. Primeiro prestaram era capitalista (possuidor apenas de sua força de trabalho). i

1
i
(
I
(
1\
b(.
, -/
38 39
r I;' Para uma conceituação de servidão utilizaremos a proprietários livres que entregam seus alódios em troca
(
( /I I,
de Charles Parain, que a caracterizou como um estatuto de proteção e os recebem de volta como mansus.
I' "em que todo camponês, se bem que dispondo de instru- Do ponto de vista político, jurídico e militar, assiste-
il mentos de trabalho e do usufruto de uma exploração, se
encontra todavia ligado a um proprietário eminente -
-se, na época carolíngia, acentuar-se a dependência dos
camponeses, transformando-os em indivíduos de segunda
~ .senhor - por toda a espécie de compromissos pessoais categoria. Fourquin cita uma capitular de Carlos Magno,
-e de tributos" (1973, p. 24). . de 810, na qual ordena que cada dominus faça pressão
Assinalamos a ênfase posta, por Karl Marx --r- "a sobre seus dependentes para que aceitem as prescrições
í
,i dependência pessoal caracteriza tanto as relações sociais imperiais (1978, p. 40). Perderam o direito de recorrer
,li
I1
da produção material, quanto as outras esferas da vida aos tribunais públicos, caindo sob o poder judicial dos seus
baseadas nessa produção'; (1968, livro 1, v. 1, p. 86) - senhores. Deixaram de ser convocados para o exército,
( e por Marc Bloch - "o servo, em resumo, não se caracte- muito embora continuassem a sustentar as tropas do seu
( rizava de modo algum por um vínculo em relação ao solo" senhorio. Em suma, sua situação decaíra. "A liberdade
(
(1979, p: 295). havia retrocedido." (Documento n. 9, p. 41.)
Porém, não houve um só tipo de .servo nem um À dependência econômica e pessoal somou-se a depen-
(
só tipo de servidão. As pressões de toda ordem que levam. dência em outras instâncias. Entre os poderes públicos e
r à sua constituição vão variar de região para região e vão os pobres camponeses, inseriu-se uma elite armada que
recrudescer ou atenuar-se, conforme a época. Assim, o também se apropriara de direitos reais ou imperiais.
estudioso vai encontrar situações as mais diversas. Apesar Outra categoria social que tendeu à servidão foi a
( disso, podemos acompanhar as linhas gerais dessa cami- dos escravos. Eles ainda existiam quando das invasões
( nhada na constituição da servidão, no período situado en- gerinânicas e o costume atribuía a. condição de escravo ao
tre os séculos VI/VII e IX/X. filho de escravo. Entretanto, esta não era a única e mais
Ao final do século VI, era visível a dicotomia entre importante fonte de escravos no período merovíngio. Havia
alguns crimes - traição, rapto, adultério etc. - que pode-
uma minoria -.- possuidores de grandes propriedades ou
r ocupantes de importantes funções públicas - e a maioria,
riam transformar um homem livre em escravo. Um pai
em dificuldades econômicas poderia vender seus filhos. O
que tendia a um estado de penúria. Esta situação, ao lado
(
devedor poderia tomar-se escravo do seu credor. As
dos constantes e pesados impostos e da intranqüilidade guerras e o comércio de escravos eram outras fontes dessa
( provocada pelas guerras e pelas ações violentas dos séqui- mão-de-obra.
tos armados, foi fator decisivo para o estabelecimento da Se esta era uma situação comum até o século VI, a
servidão. partir do século VII a tendência é libertar o escravo e
Pode-se prever a variedade de caminhos: ora é um "casá-lo" com uma terra. Cria-se a categoria do possuidor
senhor incorporando o vicus às suas terras, ora são os do mansus servil.
(
camponeses sem terra que se oferecem ao trabalho e pro- Os historiadores apontam algumas razões para essa
(
(
li teção(Documento n. 8, p. 40), ora são os pequenos transformação: a ação da Igreja, aceitando a servidão

~-ill
I (
40 41
(
(Documento n. 10, p. 42) mas estimulando a libertação morte voltará ao vosso domínio com os melhoramentos e
do escravo.-as dificuldades inerentes ao controle das equi- acrescentamentos [que eu tenha feito] sem qualquer recla-
pes de trabalhadores escravos e as despesas com sua ma- mação por parte dos meus herdeiros. [ ... ]
nutenção; a tendência da classe dominante a se interessar [Monumenta Germaniae Historica - Formulae
mais pela renda em gêneros do que pela renda em trabalho. Merowingici et Karolini aevi, ed. K. Zeu-

li De qualquer forma, enquanto o camponês livre tendeu


a piorar sua situação em termos de liberdade pessoal, os 1
mer, Hannover, 1886, pp. 242 e 243.]
Pagus, no original. Esta designação significa, neste caso,
í escravos tenderam a ascender ao estatuto de, servidão. uma circunscrição territorial inferior à civitas. 2 O termo é
usado aqui como uma indicação geográfica. A centena era
,/1 Faço, pois, uma advertência. O leitor não deve pensar uma circunscrição dependente de' um tribunal específico
(constituído por cem membros), tornando-se a breve trecho
que a servidão foi a única forma de trabalho na Idade
tI uma subdivisão do condado.
,~!
Média. Continuou a existir o pequeno proprietário livre;
as comunidades camponesas em algumas regiões oferece-
II l
I. Documento n. 9
"I ram resistência e conseguiram formas de trabalho menos
i
submissas; houve trabalho contratado mediante remunera- Cartas do cronista Eginhardo (770-840) intercedendo
1 ção anteriormente acertada etc. Ora, uma formação social . por servos que fugiam por temerem as represálias senho-
1 não é homogênea; nela coexistem diversas formas de pro- .,.riais. Estes textos permitem-nos perceber a submissão em
1!
I dução, porém a servidão, no caso em questão, foi a que que se encontravam os camponeses.
í predominou.

Ao magnífico, honrado e ilustre homem, o gracioso conde


Documento n. 8
Poppon, Eginhardo saúda-o no. Senhor.
Fórmula (século VII) de um precário, pela qual um Dois pobres homens refugiaram-se na igreja dos bem-
senhor cedia uma parcela de suas terras como benefício. -aventurados Marcelino e Pedro, mártires de Cristo, confes-
sando que eram culpados e que tinham sido convictos de
Ao venerável padre em Cristo, o senhor abade do mosteiro roubo em vossa presença, como tendo furtado caça grossa
de tal e a toda a sua congregação aí residente. Eu, em numa floresta senhorial 1.
nome de Deus, venho até junto de vós com um pedido Já pagaram uma parte da composição e deveriam pagar
de precário. De acordo com a minha petição, decidiu a o resto, mas declaram que não têm com que o fazer, por
r vossa vontade e a dos vossos irmãos que aquela vossa causa da sua pobreza. Venho pois implorar a vossa benevo-
propriedade no local chamado [ ... ], na terra 1 de [ ... ], lência, na esperança de que [ ] vos digneis tratá-los com
na centena 2 de [ ... ], me devesse ser entregue, por vosso toda a indulgência possível. [ ]
benefício, enquanto eu fosse vivo, para a usufruir e cultivar;
o que assim fizestes. E prometo-vos pagar de censo, por 11
esta precária, em cada ano, por altura da festa de [ ... ], Ao nosso querido amigo, o glorioso vicedominus 2 Mar-
( [ ... ] dinheiros. E se eu me descuidar [desta obrigação] chrad, Eginhardo, saudação eterna no Senhor.
ou aparecer tardiamente, que vos faça uma promessa de Dois servos de São Martinho, do domínio de Hedabach, I
pagamento ou vos satisfaça [o devido] não perdendo eu de nome Williran e Otbert, refugiaram-se na igreja dos bem-
( esta propriedade enquanto for vivo. [ ... ] E depois da nossa -aventurados mártires de Cristo, Marcelino e Pedro, por 'I
I
I
~ (
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-'--~~ .._- -"-'- .. - •... - '.. ' u
42 43

'causa do assassinato cometido pelo seu irmão num com- o próprio Deus quis que, entre os homens, uns fossem
panheiro 3. Pedem que lhes seja permitido pagar a compo- senhores e outros fossem servos, de tal maneira que os
sição pelo irmão, a fim de que lhes façam graça dos seus senhores se ocupassem de venerar e de amar a Deus, e
membros. Dirijo-me pois à vossa amizade, para que vos que os servos se ocupassem de amar e de venerar seus
digneis, se isso for possível, poupar estes desgraçados senhores, segundo estas palavras do apóstolo: servos, obe-
pelo amor -de Deus e dos santos mártires junto dos quais decei a vossos senhores temporais com medo e tremor.
vieram procurar um refúgio. Desejo que tenhais sempre Senhores, trata i vossos servos com justiça e eqüidade;
boa saúde, com a graça do Senhor. não os ameaçais porque vós, também, tendes vosso Senhor
(
que está no céu,
(
11I "
Preâmbulo de um ato de São Laud d' Angers,
Ao nosso muito querido amigo, o glorioso conde Hatton,
r Eginhardo, saudação eterna no Senhor.
citado por Henri Sée, Les classes rurales,
p.241.
( Um dos vossos servos, de nome Huno, velo à igreja dos
( santos mártires Marcelino e Pedro pedir mercê pela falta
que cometeu contraindo casamento, sem o vosso consen-
timento, com uma mulher da sua condição que é também As formas de exploração social
( vossa escrava 4. Vimos pois solicitar a vossa bondade para
~ ..•
que em nosso favor useis de indulgência em relação ,a Em O capital (1968, p. 622), Marx, ao fazer uma
este homem, se julgai$ que a sua falta pode ser perdoada. comparação entre o trabalhador assalariado e o servo,
Desejo-vos boa saúde com a graça do Senhor. \ mostra que, enquanto a "forma salário apaga todo vestígio
(
[A. Teulet, (Euvres Completes d'Eginhard, So- da divisão da jornada de trabalho em trabalho necessário
ciété de l'Histoire de France, Paris, 1843, e trabalho excedente, em trabalho pago e trabalho não-
t. lI, pp. 13, 27 e 29.] -pago", na servidão "distinguem-se, no tempo e no espaço,
( 1 Este delito estava previsto na primeira capitular do ano sensível e palpavelmente, o trabalho do servo para si mes-
802. 2 O vicedominus ou vidame era um magistrado que mo e seu trabalho compulsório para o senhor".
administrava as propriedades eclesiásticas dotadas de imuni-
dade. 3 A lei sálica responsabilizava toda a família pelo Qualquer que seja a forma de que se revestem as
crime cometido por um dos seus membros, obrigando-a ao cobranças (taxas e impostos) e a exigência de obrigações
.I", pagamento da composição. No século IX este princípio já
tinha desaparecido das leis, mas continuava a ser posto em
prática. 4 O servo deveria não só ter pedido o consentimento
I (prestações de trabalho) ~ fica visível o quanto a classe
dominante explorava o campesinato. Na servidão, esta
do senhor, como pago um imposto especial, o maritagium. I
r situação é "palpável", daí o impacto ao se visualizar a
quantidade de trabalho excedente que o camponês tem de
( Documento n. 10 * realizar para atender ao senhor (Documento n. 11, p.
A Igreja justifica a estratificação social utilizando-se, 47).
inclusive, das palavras do apóstolo São Paulo. O senhor podia fazer essas cobranças com base em
( duas justificativas. Uma de natureza econômica, isto é, o fa-
( * Extraído de: DoCUMENTS d'histoire vivante de l'antiquité à nos to de ser o senhor da villa. Outra de natureza política, qual
jours. Textes choisis par P. Bonnoure, Ch. Fourniau, L. Laurent,
L. de Nahelec, S. Pietri et R. Soret. Paris, Éd. Sociales, 1962. seja, a condição de deter em suas mãos o direito de bando.
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44 45

Pela primeira, cobrava ao camponês o aluguel pela posse p. 37) considera que este "foi o que mais pesou sobre a
do mansus e pelo direito a usar as terras comunais. Pela vida dos camponeses".
segunda, cobrava por deter poderes militares, judiciais e As banalidades, enquanto cobradas para atendimento
econômicos que antes pertenceram ao monarca mas que de uma necessidade pública, eram compreendidas e aceitas;
agora usurpara. A cobrança era feita em gêneros, artigos, porém, à medida que se tornaram constantes e foram mais
r trabalho na lavoura ou na pecuária, prestação de serviços uma forma de os senhores explorarem os camponeses,
r e, também, em dinheiro, sendo que esta última forma, de- ficaram difíceis de suportar. A pretexto desse direito, muitas •
(
pendendo da época ou lugar, era ou não utilizada. taxas são criadas e recriadas, conforme a voracidade. do
( Com relação ao primeiro tipo de cobrança (pela con- senhorio.
. li dição de senhor da terra), havia duas formas: Podem-se agrupar as banalidades em quatro conjuntos:
(

(
li 1.0) a corvéia, isto é, o trabalho gratuito para o 1.0) as taxas que o senhorio cobrava por monopo-
I senhor. Um tipo era o cultivo da terra senhorial, geralmente lizar o moinho, o lagar e o forno ou por reivindicar para
(
três dias por semana. A princípio havia a distinção entre si o direito à venda do vinho ou da cerveja, à exclusividade
( o possuidor do mansus ingênuo e o do mansus servil. O de fornecer o touro para reprodução etc. (BLOCH, 1979,
( primeiro só estava obrigado ao trabalho sazonal; o segundo, p. 281); . '"'".•
(
ao trabalho semanal e por todo ano. Com o decorrer do 2.°) os impostos sobre circulação de mercadorias que
,I:.
, tempo, esta separação desapareceu, e a corvéia semanal eram cobrados nos mercados, nas feiras, nas pontes, nas
í
generalizou-se. Outro tipo de corvéia correspondia à pres- estradas, na travessia de um rio etc. (HALPHEN, 1949,
tação de serviços, como construção de pontes e estradas, p. 180);
reparos nas edificações senhoriais, serviços de transporte, 3.°) a requisição de alojamento, víveres, cavalos e
( envio de mensagens etc.; carroças. A origem dessas requisições remonta ao período
í 2.°) as cobranças em gêneros e produtos, pelas quais carolíngio, quando o enviado imperial de posse de uma
( o senhor se apropriava "dos escassos excedentes das pe- "carta de viagem" estava autorizado a fazê-Ias (HALPHEN,
quenas explorações" (DUBY, 1980, p. 53). Os servos de- 1949, p. ~73-4);
(
veriam entregar ao senhorio cerca de 10% da colheita e 4.°) finalmente, as multas e taxas judiciárias e os
( encargos militares. Desses, os mais pesados são os mili-
quantidade fixa, predeterminada, de aves, pequenos ani-
mais, mel, ovos etc., e mais determinada quantidade de tares. Marx e Engels enfatizam seu peso no processo de
empobrecimento do pequeno produtor independente, que
produtos fabricados em madeira e de peças tecidas em
o levará à servidão.
linho ou lã (nestes casos, geralmente, a matéria-prima era
Em uma sociedade onde as guerras foram constantes,
( fornecida pelo senhor ). Além disso, deviam reservar me-
desde o estabelecimento dos reinos romano-germânicos até
( didas de semente para o plantio do ano seguinte e forne-
as invasões do século IX, tais exigências oneravam pro-
cê-Ias ao senhor.
( fundamente o camponês. A princípio, ele próprio era
O segundo tipo englobava-se sob o título de banali- recrutado para a guerra; depois, decaindo economicamente
~ (j'! dades (derivado, do direito banal). Guy Fourquin (1978, sua condição, deixou de sê-lo, mas continuava a sustentar
(
-( ..
I\
46 47

I
as tropas. Participando diretamente ou não, era o camponês Documento n. 11
II quem fornecia a cota de víveres e sofria todos os confiscos Estes dois textos, o primeiro do século IX e o segundo
que se faziam necessários. do século XII, mostram-nos parte das obrigações que re-
I: Aquele que era convocado devia levar 'por sua conta
j caíam sobre o camponês arrendatário de um mansus.
(,
todo material e alimentos necessários para no mínimo três
meses e, inclusive, responsabilizar-se pelo transporte. Citada
por Halphen (1949, p. 169), uma capitular de Carlos Walafredus, um cofonus e mordomo, e a sua mulher, urna
,.
Magno, do ano 806, estipula a cota individual: um escudo, colone [ ... ] homens 1 de Saint Germain, têm 2 filhos. [ ... ]

uma lança, uma espada longa, uma espada curta, um arco, Ele detém 2 mansos livres com 7 bunuaria 2 de terra arável,
(,
uma aljava de flechas, utensílios vários, vestimentas e 6 acres de vinha e 4 de prados. Deve por cada manso 1
r víveres para três meses. Durante o reinado desse imperador, vaca num ano, 1 porco no seguinte, 4 denarios pelo direito
de utilizar a madeira, 2 modios 3 de vinho pelo direito de
( em 46 anos houve 55 guerras (ELLUL, 1967, p. 81), o usar as pastagens, 1 ovelha e 1 cordeiro. Ele lavra 4 varas 4
r que dá uma boa indicação da sobrecarga que a guerra para um cereal de inverno e 2 varas para um cereal de
r- representou para o camponês. primavera. Deve corvéias, carretos, trabalho manual, cortes
de árvores quando para isso receber ordens, 3 galinhas e
r, Atentando-se para o fato de que a báse oa economia
15 ovos. [ ... ]
r\ feudal repousava na pequena produção camponesa, e se
a isto agregar-se a quantidade de trabalho excedente que [B. GUÉNARD. Polyptyque de Labbé lrminon,
r se exige do campesinato, pode-se ter uma idéia da condição voI. 11, 1844, p. 6.] .".
(
a que foram reduzidos e da exploração a que estavam sub- 1 Homines no original latino. 2 O bunuarium era uma medi-
( metidos. da de superfície, correspondendo aproximadamente a um
) quarto do acre. 3 O módio foi uma medida de capacidade
( Infelizmente não dispomos de documentos suficientes variável com os locais e a época. Em Portugal, nos princí-
(" Ir sobre a reação desses camponeses. Landsberger, colabora- pios da nacionalidade equiparava-se ao alqueire, oscilando
'1
íl
I, entre 18 e 26 litros. Mais tarde tornou-se múltiplo do alqueí-
dor e editor da obra Rebeliôn campesina y cambio social re e do almude, equivalendo assim, em média, a 400 litros.
4 Cerca de 1,60 ares. A vara francesa era uma medida de
(1978,p. 105-31), tece algumas considerações sobre as
I
I
revoltas nessa primeira idade feudal. Cita a que ocorreu
em Limoges, em 579. Aponta algumas evidências de atos
superfície.
11

r Il de rebelião, como a capitular imperial de 821, que faz [ ... ] Aquele que lavrar com um jugo dê um moio 1. Aquele

(I referência às conspirações dos servos de Flandres. Comenta


a revolta dos servos da Normandia, em 996, que recla-
mavam a restauração dos seus direitos de. caça e pesca.
que lavrar com dois dê um moio. Aquele que lavrar com
mais de dois, de quantos bois forem, dois quarteiros 2, um
quarteiro de trigo e outro de milho. Aquele que lavrar trigo
e milho dê metade de um e metade de outro. Aquele que
II Apesar da escassez de informações, tudo nos leva a crer não houver onde dar jugada de milho, dê a quarta. O ca- U

(I que o processo de submissão/exploração dos lavradores, vão" 3 que lavrar trigo ou milho ou centeio dê uma teiga 4
I
(( i, I
no período entre os séculos VI e X, tenha provocado
muitas revoltas.
do pão que lavrar. O peão dê a dízima 5 do seu vinho. [ ... ]
O peão de Penacova faça no ano uma via e seja tão longa

(
...
'
,! 48
1
I
( I
I
( aquela via que possa tornar nesse dia a sua casa; e faça

(
o seu fossado 6. O cavaleiro que houver herdades fora,
sejam-lhe livres. [ ... ] E o cavaleiro e os seus homens
irão no fossado de EI-Rei. [ ... ] Os cavaleiros e os peões
façam cubas e casas no castelo de Penacova ao senhor de
6 I
I
I

(
(
Penacová e dessa mesma terra. E quando fizerem as cubas
ou as casas, o senhor da terra dará aos que aí lavrarem
A segunda idade feudal
( de comer. [ ... ] E o senhor da terra receba seu relego 7 por
três meses, convém a saber, janeiro, fevereiro e março.
(
[ ... ] Dos peixes do mar que • aduzlrem" 8 pelo rio Mon-
( dego, dêem a dízima ao senhor da terra até ao mês de maio.
( [ ... ] Os monteiros que forem a monte, daquele veado que
matarem darão ao mordomo 9 o lombo. [ ... ] O almocreve
(
faça uma carreira ao senhor. [ ... ] E se alguma coisa por I

( esquecimento ficou que não fosse aqui escrita, ponham-na


I
( aqui depois. [ ... ]

( [Portugaliae Monumenta Historica - Leges et


o desenvolvimento das forças produtivas I

(
Consuetudines, voI. I, Kraus Reprint, I
Liechtenstein, 1967, pp. 483 a 485.] Do século X ao século XIII, observa-se uma contínua
( I
elevação da curva demográfica. A população européia não
1 O módio ou moio variou com os locais e a época. No I
princípio da nacionalidade e na Beira, equivalia em média a deixa de aumentar. A região de Paris, que, segundo Duby,
26 litros. 2 O quarteiro ou quarta era uma quarta parte do apresentava no início do século IX uma densidade em I
moio. 3 O cavador. 4 A teiga não era uma medida certa, mas
correspondia normalmente a 2 alqueires, 5 A décima parte.
tomo de 30 hab.Zkm", chegou a ter no início do sécuÍo
I
6 Expedição militar dirigida contra território inimigo. 7 Direito XIV entre 120 e 150.
I
que possuía o rei ou qualquer senhor de vender em exclusivo
o seu próprio vinho durante os três primeiros meses do ano.
O crescimento populacional é contemporâneo à "fe-
I
8 Trouxeram (de ad + ducere). 9 Funcionário encarregado bre" dos arroteamentos que amplia consideravelmente as
de cobrar os impostos. áreas de cultura. -Há uma íntima relação entre eles, e à I
medida que se iniciam, estimulam-se reciprocamente, devi- I
do, entre outros fatores, à ampliação da oferta de alimentos. I

O movimento de ampliação das áreas de cultivo dá-se I


em três direções. A primeira, com a ocupação de áreas
próximas às antigas áreas de arroteamento, avançando so- I

bre os baldios, desmatando os bosques ou incorporando I

terràs mais altas ou mais baixas de solos mais fracos e I


que até então não compensara lavrar. Esta expansão é I
acompanhada da criação de novas vilas e aldeias, logo
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povoadas de forma rápida e surpreendente.
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