Silicose

A silicose é a formação permanente de tecido cicatricial nos pulmões causada pela inalação de pó de sílica (quartzo). A silicose, a doença profissional mais antiga que se conhece, desenvolve -se em pessoas que inalaram pó de sílica durante muitos anos. O pó de sílica é o elemento principal que constitui a areia, sendo por isso frequente a exposição entre os mineiros do metal, os cor tadores de arenito e de granito, os operários das fundições e os oleiros. Os sintomas aparecem, geralmente, após 20 ou 30 anos de exposição ao pó. No entanto, nos trabalhos em que se utilizam jactos de areia, na construção de túneis e no fabrico de sabões abrasivos que requerem quantidades elevadas de pó de sílica, os sintomas podem surgir em menos de 10 anos. Quando se inala, o pó de sílica entra nos pulmões e as células depuradoras, como os macrófagos, engolem -no. (Ver tabela da secção 16, capítulo 167) Os enzimas libertados pelas células depuradoras causam a formação de tecido cicatricial nos pulmões. No princípio, as zonas cicatrizadas são pequenas protube râncias redondas (silicose nodular simples), mas, finalmente, reúnem-se em grandes massas (conglomerados silicóticos). Estas áreas cicatrizadas não permitem a passagem do oxigénio para o sangue de forma normal. Assim os pulmões perdem elasticidade e requer -se mais esforço para respirar.

Sintomas e diagnóstico
Os indivíduos com silicose nodular simples não têm dificuldade em respirar, mas têm tosse e expectoração devido à irritação das grandes vias aéreas, no processo denominado bronquite. A silicose conglomerada pode causar tosse, produção de expectoração e dispneia. No princípio, a dispneia verifica -se só durante os momentos de actividade, mas por fim manifesta se também durante o repouso. A respiração pode piorar aos 2 a 5 anos depois de ter deixad o de trabalhar com sílica. O pulmão lesado submete o coração a um esforço excessivo e pode causar insuficiência cardíaca, a qual, por sua vez, pode evoluir para a morte. Além disso, os indivíduos com silicose expostos ao microrganismo causador da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis) são três vezes mais propensos a desenvolver a tuberculose do que aqueles que não estão afectados pela silicose. A silicose diagnostica -se com uma radiografia ao tórax que mostra o padrão típico de cicatrizes e nódulos.

Prevenção
O controlo da produção do pó no local de trabalho pode ajudar a prevenir a silicose. Quando esta não pode ser controlada, como poderá ser o caso da indústria de jactos de areia, os trabalhadores devem usar máscaras que forneçam ar exterior limpo ou que filtrem completamente as partículas. Essa protecção pode não estar ao alcance de todos os trabalhadores numa zona poeirenta (por exemplo, pintores e soldadores) e, nesse caso, sempre que seja possível, devem utilizar -se abrasivos diferentes da areia. Os trabalhadores expostos ao pó da sílica devem fazer radiografias ao tórax com regularidade, todos os 6 meses os que trabalham com jactos de areia e todos os 2 a 5 anos os restantes, de modo que seja possível detectar qualquer problema o mais cedo possível. Se a radiografia revelar silicose, o médico, provavelmente, aconselhará o trabalhador a evitar a exposição constante à sílica.

Tratamento
A silicose é incurável. No entanto, pode deter -se a evolução da doença, interrompendo a exposição à sílica desde os primeiros sintomas. Uma pessoa com dificuldade em respirar pode sentir alívio com o tratamento utilizado para a doença pulmonar crónica obstrutiva, como são os medicamentos que dilatam os brônquios e expelem as secreções das vias aéreas. (Ver secção 4, capítulo 38) Dado que os indivíduos que sofrem de silicose têm um alto risco de contrair tuberculose, devem submeter-se periodicamente a revisões médicas que incluam a prova cutânea para a tube rculose.

SILICOSE

determinando incapacidade para o trabalho. da duração da exposição e da resposta ou susceptibilidade do indivíduo ao irritante. As doenças pulmonares mais comuns são a Silicose. a tridimita e a cristobalita. conjuntamente. progressiva. causada pela inalação de poeiras contendo sílica livre cristalina. A sílica é considerada um agente cancerígeno. irreversível e incurável. a produção de abrasivos e metais e o trabalho em fundições são outras ocupações com risco de exposição. Introdução A Silicose é uma doença de origem tipicamente ocupacional. a Asbestose e Pneumonicose dos mineiros de carvão. As três formas mais importantes da sílica cristalina. As fábricas de vidro. Estas . A doença se manifesta após oito a dez anos de exposição ao mineral. É uma doença pulmonar fibrótica crônica. invalidez ou morte. A Silicose é considerada uma doença ocupacional que causa graves transtornos de saúde ao trabalhador. um programa de erradicação da Silicose. suas propriedades irritantes. O tabagismo também pode se associar ao problema e aumentar o risco de câncer pul monar em pessoas expostas ao asbesto mineral. A exposição à sílica e ao silicato acontece em quase todas as operações de mineração.Doenças pulmonares ocupacionais As doenças dos pulmões acontecem em numerosas profissões como resultado da exposição a poeiras orgânicas e inorgânicas (minerais) e a gases nocivos (fumaças e aerossóis). É causada pela inalação da poeira da sílica (partículas cristalinas do dióxido de silício). Os efeitos da inalação desses materiais dependem da composição das substâncias. o corte de pedras. de obras e túneis. motivou a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) a lançarem em 1995. No caso específico da Silicose. do ponto de vista da saúde ocupacional são o quartzo. Pneumoconioses As Pneumoconioses são definidas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como "doenças pulmonares causadas pelo acúmulo de poeira nos pulmões e reação tissular à presença dessas poeiras". é um tipo de pneumoconiose conhecida desde a Antigüidade. sua concentração e sua capacidade de iniciar uma resposta imune.

três formas de sílica também são chamadas de sílica livre ou sílica não combinada para distingüí -las dos demais silicatos. situação inexistente em países subdesenvolvidos. Causas A doença é causada pela inalação de poeiras contendo partículas finas de sílica livre cristalina. sendo cerca de quatro milhões na construção civil. cerâmicas e vidros. industria química. Silicose e o Câncer de Pulmão Em 1996 a IARC (International Agency for Research on Cancer). A questão da associação entre exposição à sílica e/ou Silicose e câncer de pulmão é polêmica. A China é o país com mais casos da doença diagnosticados no mundo. substância descrita como carcinogênica para humanos. Ocorre m então a doença do pulmão restritivo (incapacidade dos pulmões de se expandirem completamente) e a doença pulmonar obstrutiva devida ao enfisema secundário. Minas Gerais e a Bahia são os estados de maior prevalência de casos de Silicose. a prevalência da doença foi reduzida com a substituição da sílica e controle das condições de trabalho. Formam-se massas densas na parte superior dos pulmões. metalurgia. sendo que Minas Gerais fica em primeiro lugar nos casos diagnosticados e registrados no Ministério do Trabalho. o número aproximado de trabalhadores potencialmente expostos a poeiras contendo silíca no país é superior a seis milhões. classificou a sílica como grupo I. Há . resultando na perda do volume pulmonar. Com a passagem do tempo e uma maior exposição. são inaladas. Nos países desenvolvidos. os nódulos aumentam e se juntam. lesões nodulares são produzidas ao longo dos pulmões. de borracha. Incidência y y y y Brasil: De acordo com o Ministério da Saúde. Fisiopatologia Quando as partículas da sílica que têm propriedades fibrogên icas. 500 mil em mineração e garimpo e acima de dois milhões em indústrias de transformação de minerais. ou seja.

assim como resultar em um sério impacto sócio -econômico. No Brasil. a Silicose é a pneumoconiose de maior prevalência. É irreversível e não passível de tratamento. Em países menos desenvolvidos encontram -se.8 a 31% . Na África do Sul. uma vez que. com estudos mostrando prevalências de Silicose de 12.972 casos acumulados de pneumoconioses nas últimas 5 décadas. Abrasivos. existem relatos de prevalências que variam de 22 a 54.5% . Na Índia. especialmente nos países menos desenvolvidos. marmorarias. precárias condições de trabalho com exposições pouco controladas. vidro. apesar de ser potencialmente evitável. moagem. a instituição responsável pelos registros estimou a ocorrência de 484. Beneficiamento de minerais: corte de pedras. apresenta altos índices de incidência e prevalência. com freqüência. Indústria de transformação: cerâmicas.000 pessoas. cosméticos. podendo cursar com graves transtornos para a saúde do trabalhador. Visando solucionar este problema. estima-se que a mineração subterrânea do ouro empregue cerca de 350. continua-se a diagnosticar casos de Silicose com freqüência na prática clínica.um excesso de risco em silicóticos (indivíduos que têm Silicose). Embora tenham ocorrido nítidas melhorias nas condições de trabalho em alguns setores nas últimas décadas. fundições que utilizam areia no processo. Silicose e a Saúde Pública A Silicose representa um sério problema de saúde pública. Na China. porém em expostos não silicóticos o risco é próximo ao da população de referência. embora sua incidência tenha diminuído devido a medidas de controle ambiental. britagem. lapidação. . devido a ubiqüidade da exposição à sílica. a OMS e OIT lançaram um programa conjunto de erradicação da Silicose no ano de 1995 Nos países desenvolvidos. corte e polimento de granito. substituição da sílica em algumas operações e conscientizaçã o de empresas e trabalhadores. casos continuam sendo notificados pelos sistemas de vigilância. A relação das atividades de risco ainda são grandes: y y y y Industria extrativa mineral: mineração subterrânea e de superfície.

A causa da maior suscetibilidade à Tuberculose em pacientes expostos à sílica não é conhecida e.000 em mineração e garimpo e acima de 2 milhões em indústrias de transformação de minerais. Encontra-se no país. 500. boa parte dos casos. As principais atividades. y Jateamento de areia na indústria naval. mesmo em expostos não silicóticos. além da alteração de drenagem linfática pulmonar. Sendo considerada uma temida complicação. uma vez que normalmente implica em rápida progressão da fibrose pulmonar. O contraste entre as taxas de prevalência reflete as diferentes condições de exposição em cada grupo analisado.y Atividades mistas: protéticos. Dados nacionais sugerem ser Minas Gerais o Estado com maior número de casos se silicose. Dados que levam à suspeição de Silicotuberculose são uma rápida progressão de lesões. O número estimado de trabalhadores potencialmente expostos a poeiras contendo sílica no Brasil é superior a 6 milhões. y Perfuração de poços no Nordeste. além dos sintomas constitu cionais como astenia. indústria química. está relacionada à toxicidade macrofágica. sendo cerca de 4 milhões na construção civil. y Atividades em pedreiras. só serão diagnosticados anos após o trabalhador estar afastado da exposição. todas as situações de exposição à sílica onde há risco de silicose. provavelmente. de borracha. artistas plásticos. y Silicose e a Tuberculose A associação com a tuberculose é a co -morbidade e predisposição mais comum. Há um risco relativo crescente de se adquirir tuberculose em r elação à quantidade acumulada de sílica inalada. com respectivos registros de prevalência de Silicose são: Indústria cerâmica. metalurgia. formação de cavitações. conglomerados e grandes opacidades. cerâmicas e vidros. jateadores de areia. assim como situações peculiares de exposição. A maior parte dos casos diagnosticados de silicose no Brasil é proveniente da mineração subterrânea de ouro (MG e BA). cavadores de po ços. Como a Silicose é em geral uma doença de desenvolvimento lento e pode progredir independentemente do término da exposição. .

semelhantes aos da forma crônica. Formas clínicas Classicamente são descritos três formas clínicas de apresentação da Silicose: Silicose crônica : Também conhecida como forma nodular simples. como ocorre no jateamento de areia ou moagem de pedra. As taxas de cura da tuberculose em silicóticos não complicados são semelhantes à tuberculose na população geral. por períodos que variam de poucos meses até quatro ou cinco anos. em geral. É o caso da Silicose observada em cavadores de poços . é a mais comum e ocorre após longo tempo do início da exposição. É caracterizada pela presença de pequenos nódulos difusos (menores que 1cm de diâmetro). Histologicamente é representada pela proteinose alveolar associada a infiltrado inflamatório inters ticial. Histologicamente en contram-se nódulos silicóticos. Não há normatizações específicas de tratamento da Silicotuberculose pelo Ministério da Saúde. associada a exposições maciças à sílica livre. que pode variar de 10 a 20 anos. A dispnéia aos esforços é o principal sintoma e o exame físico. deveriam ser considerados como grupo de risco e candidatos à quimioterapia. além de maior potencial de evolução para formas complicadas da doença. A histologia mostra nódulos peribroncovasculares. não mostra alterações significativas no aparelho respiratório. normalmente após cinco a dez anos do início da exposição. porém em estágios mais iniciais de desenvolvimento. Com a progressão da doença. Os pacientes costumam ser assintomáticos ou apresentar sintomas que. são precedidos pelas alterações radiológicas. no Brasil. Este tipo de Silicose pode ser exemplificado com os casos observados na indústria cerâmica no Brasil .emagrecimento e febrícula persistente. Em . os nódulos podem coalescer formando conglomerados maiores e. eventualmente. Os sintomas respiratórios costumam ser precoces e limitantes. Também não há normas específicas em relação à quimioprofilaxia em reatores fortes expostos à sílica ou com silicose. na maioria das vezes. substituindo parte do parênquima pulmonar por fibrose colágena. Estes. como a formação de conglomerados e de fibrose maciça progressiva. Silicose acelerada ou subaguda : Caracterizada por apresentar alterações radiológicas mais precoces. Silicose aguda : Forma rara da doença. que predominam nos terços superiores dos pulmões. com componente inflamatório intersticial intenso e descamação celular nos alvéolos. a níveis relativamente baixos de poeira. com camadas concêntricas de colágeno e presença de estr uturas birrefringentes à luz polarizada. A dispnéia costuma ser incapacitante e pode evoluir para morte por insuficiência respiratória.

As poeiras respiráveis são freqüentemente invisíveis a olho nu e são tão leves que podem permanecer no ar por período longo de tempo. perfuração de rochas e outras atividades de extração. No Brasil as atividades que apresentam maior risco de se adquirir a Silicose são: y y y y y y y y y y y Industria extrativa ( mineração subterrânea e a céu aberto. A poeira de sílica é desprendida quando se executa operações. concreto.geral ocorre tosse seca e comprometimento do estado geral. Essas poeiras podem também atravessar grandes distâncias. Cerâmicas onde se fabricam pisos. Produção e uso de tijolos refratários (construção e manutenção de alto fornos). polir. barragem e estradas. Fabricação de vidros ( tanto na preparação como também no uso de jateamento de areia usado para opacificação ou trabalhos decorativos). . e afetar trabalhadores que aparentemente não correm risco. esmagar. Perfuração de rochas na construção de túneis. sendo representado por infiltrações alveolares difusas. ardósia e outras pedras decorativas. progressivas. azulejos. Ao exame físico auscultam-se crepitações difusas. Jateamento de areia (utilizado na industria naval. Risco e exposição ocupacional O risco de adquirir Silicose depende basicamente de três fatores: concentração de poeira respirável. em suspensão no ar. Execução de trabalho em marmoraria com granito. porcentagem de sílica livre e cristalina na poeira e a duração da exposição. Fabricação de material abrasivo. tais como: cortar. serrar. O padrão radiológico é bem diferente das outras formas. ou qualquer outra forma de subdivisão de materiais que contenham sílica livre e cristalina. moer. aço ou outros metais onde se utilizam moldes de areia. às vezes acompanhadas por nodulações mal definidas. certos minérios e rochas. Moagem de quartzo e outras pedras contendo sílica livre e cristalina. na fundição. como areia. Escavação de poços. jateamento de areia e transferência ou manejo de certos materiais em forma de pó. louças sanitárias. Fundição de ferro. como pedreiras e beneficiamento de minérios e rochas que contenham o mineral). louças domésticas e outros. na opacificação de vidros. polimento de peças na industria metalúrgica e polimento de peças ornamentais).

. mesmo que o material abrasivo não contenha sílica. Além disto. movimentar materiais e carga. Doenças auto-imunes. perfurar. trabalho de pedreiro. uma doença de desenvolvimento lento e pode progredir.y É importante destacarmos a Construção Civil. de 15 a 20 anos antes da manifestação inicial da doença e da dispnéia. se usado para remover materiais que contenham sílica. Outra operação que merece destaque é o jateamento com areia que oferece alto risco de Silicose e que vem apresentando os casos mais graves da doença no Brasil. independentemente do término da exposição. boa parte dos casos só será diagnosticada após o trabalhador estar afastado da exposição. moer. exposição a poeiras de sílica pode ocorrer em situações inesperadas como de trabalhadores manuseando e consertando pneus. Enfisema. demo lição. Pulmonares: y y y y Tuberculose. pode oferecer o risco de Silicose. Doenças relacionadas à Silicose Os portadores de Silicose estão predispostos a uma série de doenças pulmonares extra-pulmonares associadas a Silicose. limpeza de concreto ou alvenaria com ar comprimido. serrar. como resquícios de moldes de areia em perfis metálicos. utilizar marteletes. É importante notar que qualquer jato abrasivo. cortar. jato abrasivo de concreto (mesmo se a areia não for usada como abrasivo). Como a Silicose é em geral. varredura a seco. Tempo de exposição É necessário uma exposição à silica. Obs: No Brasil o termo marmoraria é usado para locais onde se trabalha com vários tipos de minerais e principalmente o granito que um dos grandes responsáveis pelos casos de Silicose nesta área. onde os trabalhadores podem estar expostos a grande quantidade de poeiras finas de sílica em operações como talhar. em locais onde o ar comprimido é amplamente utilizado para limpar pneus e o chão das oficinas. Asma crônica. Tem ocorrido casos em traba lho de preparação de próteses usando "jatinho" de areia para trabalhar o material.

y Dispnéia aos mínimos esforços e até em repouso. pode ser devido ao tabagismo ou outras doenças associadas como a Silicotuberculose. y Astenia (fraqueza). Extra-pulmonares: y y Artrite Reumatóide. Expectoração constante. Com a progressão da doença os sintomas característicos e predominant es começam a aparecer: Fase inicial: Dispnéia de esforço. Obs: Caso os sintomas da fase inicial se apresentem. Exame físico. ramo industrial. . Fase avançada: y Insuficiência respiratória grave. y Queixa de dor torácica. sendo considerada uma temida complicação. y Astenia grave. y Tosse constante. y Cor pulmonale crônico. y Dor torácica com grau cada vez mais alto de intensidade. Esclerose Sistêmica Progressiva. já que normalmente implica numa rápida progressão da fibrose pulmonar. Sinais e sintomas A Silicose em sua fase inicial é praticamente assintomática. Anamnese ocupacional (inquérito rigoroso sobre profissão. A associação com a Tuberculose é a mais comum. geralmente quando ocorre a inspiração profunda e aos esforços. atividades específicas detalhadas. y Comprometimento cardíaco. presentes e passadas). y Diagnóstico y y y y Anamnese (história do paciente). Câncer de pulmão.y y Limitação crônica ao fluxo aéreo. antes dos 10 anos de exposição à sílica cristalina. Exame clínico.

com o objetivo de identificar trabalhadores que demonstrem perda de função excessiva ao longo do seguimento e na avaliação clínica de trabalhadores apresentando sintomas respiratórios. no seguimento longitudinal de trabalhadores expostos a poeiras de sílica. RX do tórax específico recomendado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). outros especialistas podem ser necessários. O tratamento é sintomático. . Obs: O diagnóstico da Silicose é baseado na radiografia de tórax. que permite identificar pequenas lesões no pulmão. Objetivo: Controlar a infecção e o tratamento da doença pulmonar. Diagnóstico diferencial O diagnóstico diferencial deve ser feit o para que a Silicose não seja confundida com outras patologias com quadro clínico semelhante. Sarcoidose. Tuberculose. Espirometria. Provas de função pulmonar é requisitada aos trabalhadores quando já existe a suspeita da doença: As provas de função pulmonar são indispensáveis no estabelecimento de disfunção/incapacidade de pacientes com Silicose. Através dos exames clínico. Dependendo da sintomatologia e intercorrências. conforme os sintomas apresentados e suas intercorrências. Tratamento Médico especialista: Pneumologista. Provas de função pulmonar. Tomografia computadorizada de alta resolução do pulmão. físico. laboratoriais e estudos radiológicos o médico pode excluir essas doenças. em conjunto com história clínica e ocupacional coerentes. até chegar ao diagnóstico correto. Câncer de pulmão.y y y y y Exames laboratoriais. Não existe tratamento específico para essa patologia. As doenças que podem ser confundidas com a Silicose são as seguintes: y y y y Bronquite crônica.

visando prevenir ocorrências futuras de Silicose e outras doenças relacionadas à exposição à silica e ao silicato. Câncer. Prevenção A redução dos níveis de exposição dos trabalhadores. fagocitada e. influenciando na qualidade de vida do portador. Fibrose pulmonar. Progressão da doença: A progressão independente de exposição é conseqüente à toxicidade da sílica cristalina.A terapia de apoio é direcionada para o tratamento das complicações e prevenção da infecção. é tarefa inadiável das empresas e dos setores de definição de políticas de saúde pública e fiscalização. pulmonares e extra-pulmonares: y y y y y Bronquite crônica. nos ambientes de trabalho a partir de medidas de controle coletivo. . Complicações y y Derrame pleural. silicose precoce. bem como de cronograma efetivo contra a redução e/ou exposição à silica e ao silicato. reação orgânica intensa. Prognóstico: Mesmo que o trabalhador não se exponha mais a sílica cristalina ou tenha sido afastado do trabalho. mas é bem mais comum nas formas aceleradas e aguda. a doença continua a progredir. Esta progressão pode ser evidenciada no exame de imagem. como exaustão e manipulação industrial adequadas. Pode ter repercussão clínica. perpetuando o ciclo evolutivo da doença. pela destruição do macrófago alveolar. Enfisema pulmonar. mesmo após cessada a exposição. Doenças auto-imunes. O risco de progressão é maior para trabalhadores com exposição excessiva. e depende da suscetibilidade individual. expressada pela evolução sintomática e radiológica no correr dos anos. Seqüelas A Silicose predispõe o organismo a uma série de co -morbidades. posteriormente. liberada. Pneumotórax espontâneo: pode ocorrer na forma simples da Silicose.

. o cuidado na transferência de materiais em pó. Evitar ou controlar a disseminação de poeiras no local de trabalho.Isolamento. A maneira como o trabalhador executa uma tarefa pode afetar apreciavelmente a exposição. que visem:     Evitar o uso de materiais que contenham sílica livre e cristalina. . deve ser evitada a exposição e a inalação de poeiras respiráveis contendo a sílica livre e cristalina. a velocidade de trabalho e a postura corporal do trabalhador para execução de sua tarefa.Utilização de proteção respirat ória de boa qualidade.Limpeza nos locais de trabalho. como abrasivo. através de tecnologias apropriadas de prevenção primária.Ventilação local exaustora.   Outra estratégia preventiva de grande importância consiste em promover a disseminação das informações aos trabalhadores e empregadores sobre os riscos da exposição à sílica e as medidas de prevenção e controle do ambiente de trabalho bem como as medidas de higiene pessoal. . No trabalhador : . . Prevenir ou reduzir a formação de poeiras. por materiais menos perigosos. eficiente. que se adapte ao rosto do trabalhador. por meio de medidas como: . . sua disseminação no local de trabalho deve ser evitada ou controlada por meio de medidas como: .Utilização de materiais numa forma menos poeirenta.A fim de prevenir a Silicose.Modificação de processos de modo a produzir menos poeira. é importante treinar trabalhadores em boas práticas de trabalho. Evitar que os trabalhadores inalem a poeira.Utilização de métodos úmidos. Na transmissão do risco ( entre a fonte e o receptor): uma vez gerada a poeira. assim. . higienização e reposição de filtros. Como exemplos de práticas de trabalho que afetam a exposição podem ser citados. enclausuramento de operações. entre outros. A prevenção primária deve seguir a seguinte hierarquia de controle: y Na fonte do risco (que deve ser a primeira escolha).Substituição da areia. e bem utilizada dentro de um programa que inclua manutenção. A limpeza utilizando vassoura e ar comprimido devem ser proibidas.

Os trabalhadores são freqüentemente as pessoas que tem o conhecimento mais completo do que acontece durante as atividades de trabalho. nunca na casa dos trabalhadores para não expor os familiares ao risco da exposição indireta à sílica livre cristalizada. Enfisema Crônico Difuso. vapores e substâncias químicas: Bronquiolite Obliterante Crônica. rosto e cabelos. como lavar mãos. . Cuidados pessoais. Amônia. Berílio e seus compostos. Cádmio ou seus compostos. A lavagem de roupas contaminadas com poeira contendo sílica deve ser feita de maneira segura. pois pode detectar precocemente os casos. fumos. Solventes halogenados irritantes respiratórios. Sua visão da situação deve ser levada em consideração para a localizaç ão dos principais pontos de exposição à poeira e na avaliação da eficácia do controle. Doenças ocupacionais do sistema respiratório relacionadas com o trabalho Nessa relação destaca-se a doença ocupacional do sistema respiratório e os tipos de trabalho ou fatores de risco de natureza ocupacional: Afecções respiratórias crônicas devidas à inalação de gases. As roupas dos trabalhadores não devem permitir o acúmulo de poeira. Manganês e seus compostos tóxicos. A vigilância epidemiológica é também importante. Flúor e seus compostos. e é um complemento indispensável à prevenção primária. Cianeto de hidrogênio. as medidas de contr ole e os resultados do monitoramento da exposição. Iodo. Carbetos de metais duros. Fibrose Pulmonar Crônica: y y y y y y y y y y y y y y Arsênico e seus compostos arsenicais. bolsos e recorte devem ser evitados.As refeições devem ser realizadas em área restrita e especialmente designada para essa finalidade. sob condições controladas. Gás Cloro. Os trabalhadores devem ser adequadamente informados sobre os riscos da exposição à poeira contendo sílica. Anidrido sulfuroso. antes de comer e após o trabalho são medidas importantes sempre que há contaminação por poeira. Bromo. Ácido Sulfídrico (Sulfeto de hidrogênio).

madeira de cedro vermelho ocidental. e os seus possíveis agentes etiológicos ou fatores de risco de natureza ocupacional: Beriliose: y Exposição ocupacional a poeiras de berílio e seus compostos tóxicos. malte e objetos de couro. Doença do enchedor de silo: Fazendeiros. chá e enzimas utilizadas na manufatura de detergentes. . Operários que trabalham na construção de túneis. Trabalhadores da indústria de sabões abrasivos. sisal. Silicose: y y y y y y y y Mineiros de chumbo. Doenças do sistema respiratório e os agentes etiológicos Nessa relação destacam-se as doenças respiratórias. Asma ocupacional: y Indivíduos que trabalham com cereais. Acrilatos. Operários da construção civil que instalam ou removem materiais que contém asbesto. cobre. linho. Asbestose: Operários que mineram. y Mineiros de ferro. Bissinose y Operários que trabalham com algodão. resinas de epóxi. corantes. antibióticos. Determinados mineiros de carvão (ex: os peneiradores que trabalham imediatamente sobre os veios de carvão. y y Pneumoconiose benigna: y Soldadores. Pulmão negro: y Mineiros de carvão. Ceramistas e oleiros. y Operários que trabalham com estanho. Operários de fundição. sementes de ricino. Selênio e seus compostos. juta e linho. Bissinose. moem ou manufaturam amianto. Cortadores de arenito ou de granito. cânhamo. prata e ouro. y Operários que trabalham com bário. Beriliose: y Trabalhadores da indústria aeroespacial. Trabalhadores que utilizam jatos de areia. cânhamo. devidas a outras poeiras orgânicas especificadas: y Exposição ocupacional a poeiras de algodão.y y y Névoas e aerossóis de ácidos minerais.

Bromo. Bronquite Crônica. y Anidrido sulfuroso. Flúor ou seus compostos tóxicos. gases. Faringite crônica: y Bromo. Bronquite Obstrutiva Crônica: y Cloro gasoso. Iodo. Estanhose: y Exposição ocupacional a poeiras de estanho. . Iodo. y Exposição ocupacional à poeira de sílica livre. Iodo. y Exposição ocupacional a poeiras de carvão mineral.Bronquite e Pneumonite devida a produtos químicos. Laringotraqueíte Aguda: y y Bromo. Solventes halogenados irritantes respiratórios. Gás Cloro. Cádmio ou seus compostos. fumaças e vapores ("Bronquite Química Aguda"): y y y y y y y y y Berílio e seus compostos tóxicos. y Amônia. Bronquite Asmática. "Dor de Garganta"): y y Bromo. não especificada ("Angina Aguda". Faringite Aguda. Enfisema intestinais: y Cádmio ou seus compostos. Laringotraqueíte Crônica: y Bromo. Manganês e seus compostos tóxicos. cânhamo ou sisal. Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas: Asma Obstrutiva. Derrame pleural: y Exposição ocupacional a poeiras de Asbesto ou Amianto. y Exposição ocupacional a poeiras de algodão. linho. y Névoas e aerossóis de ácidos minerais. Cianeto de hidrogênio.

y Pneumoconiose dos Trabalhadores do Carvão: y Exposição ocupacional a poeiras de carvão mineral. Pneumonite de Hipersensibilidade Devida a Poeira Orgânica não especificada (Alveolite Alérgica Extrínseca SOE. y Exposição ocupacional a rocha fosfática. Pneumoconiose devida à poeira de Sílica (Silicose): Exposição ocupacional a poeiras de sílica-livre. Pulmão dos Trabalhadores de Malte. y Exposição ocupacional a poeiras de alumina ("Doença de Shaver"). Suberose. Pulmão dos que Trabalham com Cogumelos. Rinites Alérgicas: . y Exposição ocupacional a poeiras de sílica -livre. etc. Pulmão dos Criadores de Pássaros. Pneumoconiose associada com Tuberculose ("Silico-Tuberculose"): y Exposição ocupacional a poeiras de sílica-livre. y Cromo e seus compostos tóxicos. Doença Pulmonar Devida a Sistemas de Ar Condicionado e de Umidificação do Ar. Pneumoconiose devida a outras poeiras inorgânicas especificadas : y Exposição ocupacional a poeiras de carboneto de tungstênio. Titânio. Pneumoconiose devida ao Asbesto (Asbestose) e a outras fibras minerais: y Exposição ocupacional a poeiras de asbesto ou amianto. Pneumonite por Hipersensibilidade a Poeira Orgânica: Pulmão do Granjeiro (ou Pulmão do Fazendeiro). Placas Neurais: y Exposição ocupacional a poeiras de Asbesto ou Amianto. Pneumonite de Hipersensibilidade SOE: y y Exposição ocupacional a poeiras contendo microorganismos e parasitas infecciosos vivos e seus produtos tóxicos. Pneumonite por Radiação (manifestação aguda) e Fibrose Pulmonar Conseqüente a Radiação (manifestação crônica): y Radiações ionizantes. Bagaçose. Exposição ocupacional a outras poeiras orgânicas. Pneumonites de Hipersensibilidade Devidas a Outras Poeiras Orgânicas.Perfuração do Septo Nasal: y Arsênio e seus compostos arsenicais. y Exposição ocupacional a poeiras de carbetos de metais duros (Cobalto.).

Gás de flúor e Fluoreto de Hidrogênio. . teflon. vegetal ou bacteriano . Enzimas de origem animal. Furfural e Álcoól Furfurílico. Rinite crônica: y y y y y y y y y y y Arsênico e seus compostos arsenicais. Níquel e seus compostos. Anidrido sulfuroso. Aldeído fórmico e seus polímeros. cefalosporinas. etc. Medicamentos: macrólidos. Névoas de ácidos minerais. Amônia. Isocianatos orgânicos. Pentóxido de vanádio. Síndrome de Disfunção Reativa das Vias Aéreas (SDVA/RADS): y y y y y y y Bromo. Anidrido ftálico. Sulfitos. farinhas. Gás Cloro. Cloro gasoso. Cianeto de hidrogênio. Poeiras de algodão. ranetidina . Amônia. Outras substâncias de origem vegetal (cereais. cloreto de vinila. Siderose: y Exposição ocupacional a poeiras de ferro. Cádmio ou seus compostos. Cimento. Cromo e seus compostos tóxicos.).y y y y y y y y y y y y y y y y y y y y Carbonetos metálicos de tungstênio sinte tizados. Outras substâncias químicas sensibilizantes da pele e das vias respiratórias. Fenol e homólogos. serragem. linho. Aminas aromáticas e seus derivados. Iodo. Azodicarbonamida. Níquel e seus compostos. Cromo e seus compostos tóxicos. Proteínas animais em aerossóis. Acrilatos. Carbetos de metais duros: cobalto e titânio. penicilina e seus sais. bissulfitos e persulfatos. Solventes halogenados irritantes respiratórios. cânhamo ou sisal. Produtos da pirólise de plásticos. Selênio e seus compostos.

consulte o Glossário geral. Iodo. utilizado para limpeza de peças metálicas. proibindo o jateamento de areia. y Cádmio ou seus compostos. y Soluções e aerossóis de Ácido Cianídrico e seus derivados.Sinusite crônica: Bromo. fosqueamento de vidros e na construção e manutenção de embarcações. y y Ulceração ou Necrose do Septo Nasal: y Arsênio e seus compostos arsenicais. atendendo à proposta do Programa Nacional de Eliminação de Silicose. . y Cromo e seus compostos tóxicos. y Exposição ocupacional a poeiras de Sílica livre. Dúvidas de termos técnicos e expressões. Transtornos respiratórios em outras doenças sistêmicas do tecido conjuntivo classificadas em outra parte: "Síndrome de Caplan": y Exposição ocupacional a poeiras de Carvão Mineral. Atualidades: O Ministério do Trabalho e Emprego. polimento de peças da indústria metalúrgica. divulgou portaria.

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