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Aluna: Regiane Ramos Moreira.

NUTRIÇÃO ENTERAL
A nutrição enteral é um tipo de alimentação que permite administrar todos os
nutrientes, ou parte deles, através do sistema gastrointestinal, quando a pessoa
não pode consumir uma dieta normal, seja porque é necessário ingerir mais
calorias, seja porque há perda de nutrientes, ou porque é necessário deixar o
sistema digestivo de repouso.
Este tipo de nutrição é administrada através de um tubo, conhecido como sonda
de alimentação, que pode ser colocada desde o nariz, ou da boca, até ao
estômago, ou até ao intestino. Seu comprimento e local onde é inserida varia de
acordo com a doença de base, o estado geral de saúde, a duração estimada e do
objetivo que se pretende atingir.
Outra forma menos comum de administrar a alimentação enteral é através de uma
ostomia, na qual um tubo é colocado diretamente desde a pele até ao estômago
ou intestino, sendo indicado quando este tipo de alimentação precisa ser feita por
mais de 4 semanas, como acontece em casos de pessoas com Alzheimer
avançado.

Para que serve


A nutrição enteral é usada quando é necessário administrar mais calorias e estas
não conseguem ser supridas pela dieta habitual, ou quando alguma doença não
permite o consumo das calorias por via oral. No entanto o intestino precisa estar
funcionando corretamente.
Assim, algumas situações onde a nutrição enteral pode ser administrada são:
 Prematuros com menos de 24 semanas;
 Síndrome de dificuldade respiratória;
 Malformações do trato gastrointestinal;
 Traumatismo na cabeça;
 Síndrome do intestino curto;
 Pancreatite aguda em fase de recuperação;
 Diarreia crônica e doença inflamatória intestinal;
 Queimaduras ou esofagite cáustica;
 Síndrome da mal-absorção;
 Desnutrição grave;
 Transtornos alimentares, como anorexia nervosa.
Além disto, também se pode utilizar este tipo de nutrição como forma de transição
entre a nutrição parenteral, que é colocada diretamente na veia, e a alimentação
por via oral.
Tipos de nutrição enteral
Existem várias formas de administrar a nutrição enteral através da sonda, que
incluem:
Tipos O que é Vantagens Desvantagens

Nasogástrica É um tubo É a via mais utilizada Pode causar irritação


introduzido por ser a mais fácil de nasal, do esôfago ou da
através do nariz colocar. traqueia; pode
até ao estômago. movimentar-se ao tossir
ou vomitar e pode causar
náuseas.

Orogástrica e É colocada desde a Não obstrui o nariz, Pode levar a aumento da


oroentérica boca até ao sendo a mais utilizada produção de saliva.
estômago ou em recém-nascidos.
intestino.

Nasoentérica É uma sonda É mais fácil de Diminui a ação dos sucos


colocada desde o movimentar; é melhor gástricos; apresenta risco
nariz até ao tolerada; diminui a de perfuração intestinal;
intestino, que pode possibilidade de que a limita a seleção das
ser colocada até ao sonda fique obstruída e fórmulas e dos esquemas
duodeno ou provoca menos de alimentação.
jejuno. distensão gástrica.

Gastrostomia É um tubo que é Não obstrui a via Precisa ser colocada por
colocado aérea; permite o uso de cirurgia; pode causar
diretamente sobre sondas com maior aumento do refluxo; pode
a pele até ao diâmetro e é mais fácil provocar infecção e
estômago. de manipular. irritação da pele;
apresenta risco de
perfuração abdominal.

Duodenostomia A sonda é Diminui o risco de Mais difícil de colocar,


e jejunostomia colocada aspiração dos sucos necessitando de cirurgia;
diretamente desde gástricos para o apresenta risco de
a pele até ao pulmão; permite uma obstrução ou ruptura da
duodeno ou alimentação no pós sonda; pode causar
jejuno. operatório de cirurgias diarreia; precisa de uma
gástricas. bomba infusora.
Este tipo de alimentação pode ser administrada com uma seringa, sendo
conhecida como bolus, ou através da força da gravidade ou de uma bomba
infusora. O ideal é que seja administrada pelo menos a intervalos de 3 a 4 horas,
mas existem casos em que a alimentação pode ser feita de forma continua, com a
ajuda de uma bomba de infusão. Este tipo de bombas imitam os movimentos
intestinais, fazendo como que a alimentação seja melhor tolerada, especialmente
quando a sonda está inserida no intestino.
Como alimentar uma pessoa com nutrição
enteral
A alimentação e a quantidade a administrar vai depender de alguns fatores, como
a idade, o estado nutricional, as necessidades, a doença e a capacidade funcional
do sistema digestivo. No entanto, o normal é que se inicie a alimentação com um
volume baixo de 20 mL por hora, que vai aumentando gradualmente.
Os nutrientes podem ser dados através de uma dieta triturada ou através de
fórmula enterais:
1. Dieta triturada

Consiste na administração de alimentos triturados e coados, através da sonda.


Neste caso, o nutricionista deve calcular com detalhe a dieta, assim como o
volume de alimentos e o horário em que devem ser administrados. Nesta dieta é
comum incluir vegetais, tubérculos, carnes magras e frutas.
O nutricionista pode ainda considerar fazer suplementação da dieta com uma
fórmula enteral, para garantir um aporte suficiente de todos os nutrientes,
prevenindo uma possível desnutrição.
Embora seja mais próxima da alimentação clássica, este tipo de nutrição tem
maior risco de contaminação por bactérias, o que pode acabar limitando a
absorção de alguns nutrientes. Além disso, por ser constituída por alimentos
triturados, esta dieta também apresenta um risco maior de obstrução da sonda.
2. Fórmulas enterais
Existem várias fórmulas prontas que podem ser usadas para suprimir as
necessidades de pessoas a fazer nutrição enteral, que incluem:
 Poliméricas: são fórmulas que possuem todos nutrientes, incluindo
proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais.
 Semi elementares, oligoméricas ou semi-hidrolisadas: são fórmulas cujos
nutrientes se encontram pré-digeridos, sendo mais fácies de absorver a nível
intestinal;
 Elementares ou hidrolisadas: possuem todos os nutrientes simples na sua
composição, sendo muito fáceis de absorver a nível intestinal.
 Modulares: são fórmulas que contêm apenas um macronutrientes como
proteínas, carboidratos ou gorduras. Estas fórmulas são usadas
especialmente para aumentar a quantidade de um macronutriente específico.
Além destas, existem ainda outras fórmulas especiais cuja composição é adaptada
a algumas doenças crônicas como diabetes, problemas hepáticos ou alterações
renais.
Possíveis complicações
Durante a nutrição enteral podem surgir algumas complicações, desde problemas
mecânicos, como obstrução da sonda, até infecções, como pneumonia de
aspiração, ou ainda rutura gástrica, por exemplo.
Também podem surgir complicações metabólicas ou desidratação, déficit de
vitaminas e minerais, aumento do açúcar no sangue ou desequilíbrio de eletrólitos.
Além disso, também podem acontecer casos de diarreia, prisão de ventre,
distensão abdominal, refluxo, náuseas ou vômitos.
No entanto, todas estas complicações podem ser evitadas se existir supervisão e
orientação de um médico, assim como uma manipulação adequada da sonda e
das fórmulas de alimentação.
Quando não deve ser usada
A nutrição enteral está contraindicada para pacientes com elevado risco de
broncoaspiração, ou seja, que o líquido da sonda possa entrar para os pulmões, o
que é mais comum em pessoas que têm dificuldade para engolir ou que sofre com
refluxo grave.
Além disso, também se deve evitar usar a nutrição enteral em pessoas que se
encontrem descompensados ou instáveis, que possuam diarreia crônica,
obstrução intestinal, vômitos frequentes, hemorragia gástrica, enterocolite
necrosante, pancreatite aguda ou em casos em que existe uma atresia intestinal.
Em todos estes casos, a melhor opção geralmente é o uso da nutrição parenteral.

Fonte: tua saúde.